* Entre patologia, Psiquiatria e Satanismo Cultural.

Entrevista com o presidente da Associação Italiana de Psicólogos e Psiquiatras Católicos

Ele faz uma abordagem bem interessante sobre as enfermidades de natureza psiquiatrica e a questão do Satanismo, fenômeno presente também no Brasil.

Desnecessário se faz dizer que NÃO SE DEVE  AUTO-AVALIAR-SE PSIQUIATRICAMENTE A PARTIR DAS DEFINIÇÕES QUE ELE FAZ  nessa rápida entrevista, nem muito menos enquadrar pessoas conhecidas nas definições conceituais expressas rapidamente aqui

Somente profissionais da área podem nos avaliar e avaliar os outros,claro!

O que me chamou atenção nessa entrevista é sua capacidade de exercer a psiquiatria de forma séria e profissional, sem que isso interfira em sua vivência de fé, com fronteiras bem delimitadas entre uma coisa e outra e onde eventualmente possa existir uma intercessão entre as áreas da fé ( Exorcismo) e a ciência psiquiátrica.

Vale a pena ir até o fim..

Não é todo dia que lemos abordagens equilibradas sobre exorcismo, satanismo e a ciência moderna, sem uma negar a outra, pelo contrário.

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Por Mirko Testa

Nos dias de hoje, entre as diversas formas de desvio juvenil, assistimos à expansão do fenômeno do satanismo cultural, cada vez mais preocupante, com a cumplicidade da fácil disponibilidade de conteúdos esotéricos na internet e a falta de valores fortes na família. Quem está convencido disso é o Dr. Tonino Cantelmi, psiquiatra e presidente da Associação Italiana de Psicólogos e Psiquiatras Católicos (http://www.aippc.net/), coautor, com a psicoterapeuta Cristina Cacace, de «O livro negro do satanismo» («Il libro nero del satanismo», editora San Paolo), que fala de uma verdadeira invasão dos convites à cultura satânica através de livros, revistas, mas sobretudo blogs e cinema.
Cantelmi alerta em concreto sobre os novos dramáticos cenários que esperam o homem na próxima década, e que não serão já paraísos opiláceos, mas temáticos: Second Life, salas de bate-papo, internet, facebook etc. projetam uma perspectiva de humanidade deprimida, mais compulsiva.

Nesta entrevista Cantelmi explora o limiar entre possessões demoníacas e psicopatologias.

– Nossa sociedade hipertecnológica está de verdade tão fascinada pelo satanismo?

– Cantelmi: A verdadeira questão é: nós nos encontramos diante de cruéis aduladores de Satanás ou frágeis filhos dos tempos atuais? Segundo nossos cálculos, na Itália há cerca de 5 mil pessoas que são afetadas diretamente por um tema satânico, mas estamos assistindo a um satanismo cultural e ao desenvolvimento de um satanismo ateu, no qual Satanás é a ocasião para um ulterior encobrimento, é uma evolução. Se até pouco tempo atrás o satanismo se escondia por trás das sombras das cidades ou nos povoados, hoje, em rede, o satanismo adquiriu pleno direito de cidadania: converteu-se em um produto de consumo. Nossos jovens são atraídos por uma série de crenças, seitas, religiões diferentes. Na amostragem examinada, 76% dos casos se interessam por magia, cartomancia, ritualismo, iniciação, esoterismo, enquanto o contato com material satânico é facílimo em 78% dos casos, sobretudo através da música, cinema, livros e internet. Respondendo a perguntas mais específicas, mais da metade dos jovens confessa que tem curiosidade pelo satanismo; 1 de cada 3 jovens declara sentir-se atraído; 10% diz que se Satanás lhe assegurasse a felicidade, não teria dificuldade em segui-lo, sinal este de infelicidade e do sofrimento que há no mundo atual.
Uma frase muito difundida na rede, em todas as páginas introdutórias de sites satânicos, é de John Milton, extraída de «Paraíso Perdido»: «Melhor ser soberanos no inferno do que servos no paraíso».

– Pode-se falar por um lado de fenômenos sobrenaturais e por outro de patologias psiquiátricas? Existe uma área nebulosa na qual estes elementos se confundem?

– Cantelmi: Em um estudo levado a cabo entre 10 pessoas, entre as quais – segundo exorcistas – havia certamente fenômenos sobrenaturais, emergiram também problemas psiquiátricos. A tarefa se complica muitíssimo se o problema é distinguir entre pessoas que sofrem doenças psiquiátricas e as que vivem experiências sobrenaturais. Lamentavelmente, a fragilidade psíquica é um forma de entrada extraordinária de sofrimento de todo tipo. Isso indica que psiquiatras e exorcistas devem colaborar uns com os outros.

Muitos psiquiatras são indiferentes, relegam o mundo do exorcismo ao da superstição; a psiquiatria e a psicologia são ciências relativamente jovens que tiveram de lutar para definir seus próprios estatutos epistemológicos e que têm muitas áreas fronteiriças. Só estabelecer o que é normal e o que é patológico já exige contribuições da antropologia e da filosofia.

Freud, que para nós é como pré-histórico, categoriza o fenômeno religioso dentro dos problemas neuróticos: tende a não ver consistência neles, realidade; tende a ver seu aspecto de vivência neurótica. Precisamente neste momento estou denunciando a discriminação que os pacientes crentes sofrem nas psicoterapias, porque seus valores são com frequência ridicularizados por muitos terapeutas ou, na maioria das vezes, ignorados. Em 1999, fundamos a Associação Italiana de Psicólogos e Psiquiatras Católicos com o objetivo de ajudar a psicologia e a psiquiatria a dialogarem com outras ciências, com a antropologia e com a teologia, convencidos de que uma psicologia honesta pode enriquecer-se com contribuições diferentes.
Uma coisa que é preciso combater são os sincretismos, ou seja, os «psicossantos», os psiquiatras, os psicólogos que abençoam, que rezam com seus pacientes. O psiquiatra deve ser psiquiatra! Penso também que nós, os psiquiatras, não podemos explicar toda a realidade humana. Descobri que os exorcistas são pessoas muito avançadas. Conseguem detectar o sofrimento psíquico e encaminhar com confiança seus pacientes ao tratamento do psiquiatra. Os exorcistas estão absolutamente abertos à contribuição dos psiquiatras.

– Que tipo de problemas psíquicos a possessão demoníaca pode simular?
– Cantelmi: Entrando no específico da psiquiatria, abrem-se diante de nós dois grandes âmbitos: o delírio e as alucinações. Chamamos de delírio o transtorno do pensamento, enquanto as alucinações são um transtorno das percepções: são dois elementos patológicos do ponto de vista psíquico; o pensamento é um processo mental que comporta a manipulação de símbolos; e isso se dá através da formação de conceitos, de mecanismos de abstração, de generalização, do raciocínio, processos elaborados que usam regras para chegar a resultados concretos.
Os psiquiatras distinguem duas grandes áreas de sintomas no que se refere aos transtornos do pensamento: os de conteúdo, que se referem às ideias e empenham toda a área do delírio, e os formais, que se referem ao modo no qual estas ideias se unem.
Como se identifica o delírio?
Antes de tudo, deve-se dizer que o delírio não muda, não pode se sobrepor à crítica, caracteriza-se por um conteúdo não coerente com a realidade. Há delírios facilmente detectáveis e outros, ao contrário, muito mais consistentes e dificilmente detectáveis. O delírio pode ser excêntrico, privado de lógica, ou sistemático e, portanto, com uma lógica interna. O delírio pode ser de vários tipos: de influência, de referência, de perseguição, de grandeza, de ciúmes – o cônjuge é um traidor –, erotomaníaco – uma pessoa importante está apaixonada por mim –, hipocondríaco, somático – sinto que meu fígado é de cristal –, místico, de culpa, de ruína, niilismo – o paciente está convencido de que está morto.

O delírio é um sintoma de várias patologias, por exemplo, a excitação maníaca, e aqui as coisas se complicam, porque o paciente neste estado é um paciente inteligente, ativo, que talvez tenha um delírio de grandeza e que talvez tenha inclusive alucinações, vê coisas, ouve vozes, constrói uma realidade, articula-a e a explica bem. Pode ser convincente e pode ser muito difícil captar estes aspectos. Em um delírio de influência, o sujeito sente que em sua cabeça entram pensamentos, está convencido de ser tele-dirigido. Grande parte dos delírios são de perseguição: o sujeito interpreta que alguns fatos estão contra ele.

Outra característica é que este conteúdo é sempre interpretado como autorreferencial: passa um carro e toca a buzina: para mim, se estou delirando, é um sinal, confirma o que estou pensando, ou seja, refiro a mim mesmo uma série de experiências casuais. Alguns delírios se escondem; há pessoas que deliram e guardam para si.

Hoje, a sociedade competitiva desenvolve mais delírios de perseguição, de ameaça, de agressão, mas o ponto importante é que o delírio não está sozinho, e sim acompanhado de transtornos das percepções, que em geral confirmam o delírio. Por exemplo, no delírio de envenenamento (há alguém que está me envenenando), quando provo certo alimento, noto o sabor do veneno, tenho uma alucinação gustativa, percebo seu odor.
Tive um paciente que derrubou uma parede porque tinha uma alucinação olfativa, cheirava a enxofre e estava convencido de que naquela parede estava o demônio.

As alucinações visíveis podem ser de dois tipos: vejo que Nossa Senhora aparece para mim, ou não a vejo, mas meu cérebro constrói uma imagem, tem alucinações olfativas, gustativas, visuais, táteis… Os mais frequentes são os delírios auditivos, ou seja, quando ouço vozes que comentam minha atuação, que me ofendem, que me agridem, que não me deixam em paz, que me mandam fazer algo, vozes teológicas que me dão o sentido do que estou fazendo, vozes que interpretam os demais, vozes que indicam um comportamento. Então, posso sentir-me perseguido por uma pessoa, sinto que seu olhar está me dizendo muitas coisas, ouço que é uma voz de homem, é a voz de Deus.

Entre as perturbações do pensamento está também a mistura de palavras, o falar associando ideias e conceitos por assonância, sem nem sequer conhecer seu sentido.

Na esquizofrenia, o sujeito inventa palavras, neologismos, fala com ritmo e parece que verdadeiramente fala outra língua, ainda não tendo nenhum conexão com outra língua. Os transtornos formais do pensamento também podem ser positivos: o sujeito fala muito, de maneira detalhada; dá-se também o fenômeno da fuga das ideias, ou seja, a pessoa se bloqueia porque as palavras não conseguem já seguir seu pensamento, que é muito veloz. Ou a incapacidade de fazer associações mentais (o sujeito parte de um ponto e não chega nunca a dizer o que tem que dizer).

Existe também a glossolalia, ou seja, a expressão de mensagens reveladoras, com palavras incompreensíveis, típico dos esquizofrênicos, quando o sujeito está convencido de ter um anúncio para a humanidade. Ou a ecolalia, ou seja, a impossibilidade de falar se não for repetindo o que outros dizem. Dá-se também um eco dos gestos, quando as pessoas não fazem outra coisa senão repetir os gestos que veem outros fazerem. Há também os transtornos negativos, como o bloqueio das ideias: o sujeito responde sempre do mesmo modo, tem pobreza de expressão. O ponto álgido dos transtornos formais do pensamento é o transtorno obsessivo, que se caracteriza por pensamentos, impulsos, imagens que eu sinto como estranhas e tento afastar, mas sem conseguir, e para fazê-lo tenho de recorrer a ritos, compulsões. Tenho um paciente obsessivo que enquanto recita as Laudes pela manhã, começa a pensar em uma pessoa. O pensamento obsessivo, que é um pensamento inclusive mágico, se lhe insinua e lhe diz: «Aquela pessoa hoje morrerá», «sou responsável pela morte dessa pessoa», «se isso me acontece neste salmo, eu o repetirei nove vezes», pensa meu paciente. Muitas pessoas obsessivas sentem com frequência o impulso de rir em um funeral e blasfemar em uma igreja. Na realidade, o paciente obsessivo nunca o faz, não cede, mas sofre por isso e o combate. Porque sua vida está feita de impulsos que são a cara comportamental das obsessões. A vida de um obsessivo se transformará com o tempo em uma vida terrível e dolorosa de compulsões. Desde sempre, este tipo de psique que Freud já definia como «parasita» penetrou na humanidade e desde sempre a obsessão foi considerada uma loucura lúcida, mas de grande sofrimento.

–  falávamos das origens do delírio, mas há outro fenômeno que geralmente se mistura com o delírio, o transtorno da percepção…
– Cantelmi: Sim, e as percepções podem ser de diversos tipos: temos ilusões, alucinações, as pareidolias e as pseudoalucinações. As ilusões, que são erros compatíveis com o estado emocional do sujeito, pertencem à humanidade de nosso ser, não dão lugar a patologias. São as alucinações que dão lugar a patologias. Quando se trata de pareidolias, vejo uma mancha na parede e parece-me um animal, são pseudoalucinações. Muitos não falam de ouvir vozes, mas nós compreendemos porque, enquanto eu falo, parece que estão escutando outra coisa. Talvez a voz está lhe dizendo: «Pode confiar» ou «não confie». Aqui nos encontramos diante de uma falsa percepção sensorial não associada a estímulos externos. Pode inclusive dar-se uma interpretação delirante da experiência alucinatória. Algumas alucinações que acompanham o sono se chamam hipnagógicas e se dão também em contextos normais. Podemos ter formas de alucinação quando dormimos ou nos despertamos, mas não são patológicas. As alucinações podem também ser de ordens: as mais frequentes são as auditivas; as visuais se dão sobretudo nos estados de excitação maníaca, na qual o sujeito vê e interage com divindades; as olfativas, as mais frequentes, estão ligadas à alucinações relativas ao odor de enxofre, e as táteis são muito interessantes e muito extensas: tem-se a sensação de que alguém ou algo, algum inseto, alguma realidade ou entidade tem a ver comigo. Especialmente se há uma estrutura de personalidade histérica, o mais frequente é a percepção de relações sexuais. A esquizofrenia é uma patologia imensa. É o grande enigma da psiquiatria. Sobre a esquizofrenia temos muitíssimo conhecimento, mas não temos nem conhecimentos definitivos nem intervenções farmacológicas ou terapêuticas resolutivas. Há um grande número de pacientes esquizofrênicos com as formas mais estranhas, mais extravagantes, mais clamorosas, mais escondidas. A velha histeria se descompôs, pela atual nosografia, em vários grupos sintomáticos: Os transtornos somatoformes, o transtorno histriônico de personalidade, e a fuga psicógena. Atualmente, assistimos a uma transformação dos transtornos da ansiedade para transtornos somatoformes, ou seja, sintomas físicos de todo tipo que não se incluem em patologias médicas de origem psicológica. Um exemplo é a cegueira histérica, quando alguém que não vê (e recupera a vista na noite de Páscoa), como aconteceu com uma paciente minha histérica. É um caso específico que acompanhei pessoalmente.

A outro tipo de histeria chamamos transtorno de personalidade histriônica, em pessoas especialmente sugestivas, necessitadas de atenções e muito dependentes. Outros transtornos histéricos converteram-se na fuga psicógena: o sujeito de repente foge de casa e já não lembra nada, tem amnésia sobre o que fizeram; ou o sujeito esquece tudo o que lhe aconteceu sem um evento traumático. Depois estão os transtornos de personalidade. Grande parte deles contaminam muitas das pessoas que vêm pedir ajuda. Todas as formas dissociativas, os transtornos de controle dos impulsos.

Nossa sociedade, que é extremamente eficiente, hipercontrolada, vê o aumento do transtorno do controle dos impulsos. O sujeito perde o próprio controle de repente, em contextos impróprios. Torna-se agressivo, desarruma tudo, não consegue suportar a tensão e grita. Em geral, tem a ver com a área de agressividade, as formas de transdissociação. São sujeitos que enfrentam formas de suspensão da consciência segundo um fundamento dissociativo. Dá-se, por exemplo, em quem usa muito o computador. Um quadro sobre o qual frequentemente os pais pedem iluminação é o da criança incontida, que nunca está quieta, que não escuta, que não controla os impulsos, é o transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, um quadro de uma criança vivaz que pareceria ser presa de um espírito que a leva a fazer mil coisas. Os progenitores não conseguem contê-la. A criança na verdade tem um déficit de atenção, é tão veloz que não consegue manter a atenção um segundo no que lhe estou dizendo. Se entra em um supermercado, vira tudo de pernas para o ar porque se sente atraído por tudo com uma velocidade extraordinária. Alguns que têm hiperatividade – que não se associa ao retardo mental – se converteram em verdadeiros gênios, como o caso de Mozart.

A sociedade atual assiste a um aumento do número de crianças hiperativas, incontroláveis, como se tivessem uma mola que salta de repente. Também, enquanto antes nos impressionava o abuso de um adulto sobre uma criança, hoje estamos impressionados pelos abusos das crianças para com as crianças, um fenômeno muito significativo.

– Em que se baseia a fragilidade do homem atual?

– Cantelmi: Há raízes que um psiquiatra nota e que estão na base desta nova fragilidade de nosso tempo, ligada sobretudo à crise das relações interpessoais. O terceiro milênio se caracteriza por uma relação «tecno-mediatizada». Hoje não há nada mais difícil, mais complexo, mais incompreensível que uma relação interpessoal estável e duradoura. Teoriza-se, por exemplo, sobre a «polifidelidade», ou seja, a impossibilidade de ser fiéis a uma só pessoa. «Be happy», um site de psiquiatria cosmética, dirige-se às mulheres e afirma que a ideia romântica de um homem durante a vida toda é uma ideia hoje impossível; se são românticas, podem ser então «polifiéis», fiéis a vários homens. Portanto, fiel a seu marido enquanto mãe, fiel a seu chefe enquanto mulher de carreira, fiel a seu amante mais jovem que você, enquanto mulher transgressora. Não só é impossível que você, na plenitude de si mesmo, possa dar-se a outra pessoa, mas também é impossível que possa dar-se a outra pessoa por longo tempo.

Teoriza-se assim a monogamia intermitente: fiel sim, mas por pouco tempo. A «polifidelidade» e a monogamia intermitente são só dois exemplos de como hoje se considera a dimensão afetiva frágil. As raízes desta crise podem ser encontradas na busca exasperada de emoções: estou bem com você porque experimento emoções intensas; não sinto nada por você e por isso busco novas emoções. A relação interpessoal se converte, portanto, em algo imediato, não tem passado nem futuro. Isso explica a busca de comportamentos compulsivos, de dependências comportamentais, o uso da cocaína, etc.

Há na internet um vídeo que reúne tudo isso: a busca exasperada de emoções mediante a cocaína, através da transgressão, da impossibilidade de entrar em relação com outro, a solidão, a ambiguidade e o narcisismo. Este vídeo não comercial diz exatamente, ainda que em modo extremo, para onde vamos.
Quem o pôs na rede foi Marylin Manson com uma série de pequenos sinais satânicos, transgressores a seu modo. Vê-se um homem sozinho, desesperado, que busca contatos, este homem cortou o coração (o «cutting» é um sinal satânico), é um homem ambíguo, nem homem nem mulher, andrógino; profanou a Bíblia, colocando cocaína sobre ela. Graças a este pouco de cocaína, entra em uma relação sexual de tipo impessoal, na qual não há já pessoas, mas só pedaços de carne.

O que aparece é um mundo feito de tudo, onde o outro é uma ocasião para masturbar-se; é o homem que se está fechando ainda mais em si mesmo e acaba morrendo em uma espécie de suicídio.

A outra raiz da fragilidade é a ambiguidade, a renúncia ao próprio papel. O tema da ambiguidade faz saltar pelos ares a responsabilidade, o papel do casal. Hoje tudo é fluido, não há masculino e feminino.

Por último, a outra grande raiz é o desenvolvimento do narcisismo. O homem de hoje sofre, está em crise por sua incapacidade de relação com o outro e se dirige a um mundo feito de tristezas, depressão, compulsões e transtornos da personalidade. A tecnologia promete a salvação fazendo compreender que todos estes problemas podem ser resolvidos, renunciando à relação face a face, e propondo-lhe um mundo virtual, cheio de emoções, narcisismo, ambiguidade e máscaras.
Fonte: Zenit

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