* Você é casado? Leia isso.

Por María de la Torre

O casamento é um autêntico caminho de santidade, e é por isso que o Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e Família organizou uma série de palestras sobre “Perfis de santidade conjugal”.

Nesta série de palestras, tratarão de temas como a força que vem do amor, a fidelidade ao amor, testemunhos de amor entre outros, acompanhados de depoimentos de casais no caminho da santidade.

O ciclo de palestras foi inaugurado em 13 de janeiro, com o tema “Um caminho de amor e fé no casal”, tomando o exemplo de Raissa e Jacques Maritain, dois jovens intelectuais convertidos que se conheceram em 1900 e desde então começaram uma vida juntos, descobrindo o caminho da fé, com a única meta de santificar seu casamento.

A conversão do casal Maritain não foi fácil, como reconhece a coordenadora do 2º ciclo, Ludmila Grygiel. Raissa e Jacques procuraram o sentido da vida e a verdade na filosofia, e correram o risco de cair em desespero, inclusive pensaram no suicídio.

Toda vez que começavam a estudar o pensamento de um filósofo, crescia sua sabedoria cultural; às vezes até eram absorvidos pelo entusiasmo do discurso que, pouco depois, se tornaria uma espécie de ópio metafísico, como lembra Raissa. Mas, graças à leitura dos místicos, eles entenderam que o que se sabe de Deus não é nada comparado com aquilo que não se sabe sobre Ele.

A sede de verdade dos Maritain não foi saciada pelo estudo, mas pelo amor à verdade, que confere sabedoria, o amor perfeito que dá a liberdade perfeita.

Por sua parte, o cardeal Georges Cottier, OP, teólogo do Papa João Paulo II e do início do pontificado de Bento XVI, presidiu a conferência oferecendo toda a sua experiência sobre o assunto, ao ter conhecido pessoalmente Jacques Maritain, em Roma, em 1946.

Sua Eminência abordou a questão do casal na crise familiar que existe hoje: “Enfrentamos uma grande crise do casamento. É preciso ter em mente a concepção de casamento nas correntes da nossa cultura”.

“Vivemos no mundo do momento, do instante, do provisório e isso seria uma coisa boa para refletir junto ao sacramento como tal. Onde está a coluna que sustenta tudo, se não há Deus?”, perguntou o cardeal.

“Não podemos esquecer do tempo, que também passa pelo corpo que envelhece. Mudamos inclusive neste ponto de vista. A garota que conheci com 20 anos não é a mesma com 80. Existem também as doenças (…), mas o mundo atual não quer que vejamos isso. Todos são jovens, bonitos, sem doenças. Isso é contrário à experiência humana cotidiana. Na hora da verdade, basta atravessar a rua para ver que a realidade é outra. Isso acontece porque há um materialismo de fundo que destrói o tempo.”

“Se não há vida interior e relação com Deus, isso acontece. A juventude e a obsessão com o corpo querem estar ao mesmo nível que o espiritual. Se o corpo estabelece as regras de vida, tudo muda. A isso se acrescentam as enormes dificuldades econômicas que as famílias enfrentam, os problemas no trabalho, o desemprego e até mesmo o fato de que o casal chega em casa exausto do trabalho. No final do dia, cada um já viveu uma experiência diferente e não é possível compartilhá-la, porque a sociedade não permite. Tudo isso é pago pela família. É preciso refletir sobre os condicionamentos sociais da vida em família, porque as pessoas são vítimas desta situação”, concluiu o purpurado suíço.

Di Nicola e Danese acrescentaram que “o perdão é uma questão central no relacionamento e que amar dói. Se você ama, você é fecundo, porque o amor é fecundo. Duas pessoas que se amam transmitirão seu amor a todos aqueles que os rodeiam”.

A segunda conferência do ciclo será realizada no dia 3 de março, sobre “Gianna Beretta Molla e Pietro Molla: a força que vem do amor”.

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