* Casais separados: “Não pesa sobre eles a exclusão nem uma condenação irrevogável”, afirma Bispo Italiano.

O fenômeno das separações assumiu dimensões tais que exigem uma orientação de maior atenção a quem está nesse tipo de situação. É preciso fazer com que os separados ouçam que não pesa sobre eles uma forma de exclusão, uma condenação irrevogável.

Dom Angelo Spinillo (foto), comissário da “Conferência dos Bispos da Itália para a família”.(Jornal La Stampa)

Dom Spinillo, por que a Igreja italiana, pela primeira vez, dedica um encontro nacional para os casais separados?

Isso está na linha da exigência e da atitude de escuta que nós, pastores, somos chamados a testemunhar. Além disso, o fenômeno das separações assumiu dimensões tais que exigem uma orientação de maior atenção a quem está nesse tipo de situação. É preciso fazer com que os separados ouçam que não pesa sobre eles uma forma de exclusão, uma condenação irrevogável. Em algumas paróquias, estão sendo realizadas experiências positivas com grupos de divorciados recasados. Há encontros que expressam a sensibilidade amadurecida na Igreja. Existe uma grande atenção a pessoas que não devem ser excluídas da realidade eclesial: são membros da Igreja, cujas exigências de religiosidade não devem ser negligenciadas e que são chamados a participar em formas caritativas e comunitárias da vida pastoral. Está sendo superada a visão sociológica do matrimônio e a coincidência entre dimensão civil e sacramental.

Excluir os separados aumentaria o risco de esvaziamento das igrejas?

Esse risco também existe, mas o diálogo é o caminho certo não só de um ponto de vista prático. Acho significativo que muitos divorciados de segunda união, apesar de não poder ter acesso aos sacramentos, peçam para batizar seus filhos, porque sentem em seus corações uma fé a ser transmitida. A Igreja não fecha as portas. É oportuno colocar-se em jogo sobre essas coisas, visando ao bem e ao crescimento de todos. Agora, o divórcio é uma realidade também em Malta e é uma condição difundida com a qual é preciso lidar em todos os lugares, em espírito de caridade e de verdade. Não escandaliza a atenção da Igreja, cujo modelo é o amor misericordioso de Deus pela humanidade, mesmo quando ela não está em conformidade com os preceitos. Não podemos não estar perto de quem se põe em busca.

Como se evita os efeito-exclusão?

É bom envolver os separados nas atividades comunitárias. A separação é uma condição comparável à suspensão “a divinis” para os sacerdotes: o sacerdócio não é anulado, mas a função, o exercício são suspensos. No recente catecismo para os jovens, YouCat, reconhece-se que não é fácil permanecer fiel ao próprio parceiro por toda a vida. Portanto, não podem ser condenadas as pessoas que veem o seu casamento fracassar. Um cônjuge fiel pode abandonar o teto conjugal se uma situação matrimonial se torna verdadeiramente insuportável, e, para evitar episódios de violência, também pode ser necessária a separação civil.

Como um pároco deve se comportar com os separados?

O pároco e os outros fiéis devem compartilhar o seu sofrimento e ajudá-los no seu caminho humano e cristão. Os divorciados de segunda união jamais podem perder a esperança de alcançar a salvação. O fato de terem se afastado do mandamento do Senhor não significa que a conversão e a salvação estão banidas para eles. Eles devem sentir a proximidade da Igreja e têm o direito a um adequado acompanhamento pastoral. Permanecem membros do Povo de Deus e é justo que a Igreja esteja ao seu lado e os envolva para que experimentem o amor de Cristo e a presença materna da Igreja. Eles não estão excomungados, conservaram a fé e a comunhão com a comunidade eclesial. Como batizados, podem viver a palavra de Deus, o sacrifício eucarístico, a vida de oração, comunhão fraterna. Neles, está contido um potencial de vida a ser valorizado nas atividades comunitárias.

8 thoughts on “* Casais separados: “Não pesa sobre eles a exclusão nem uma condenação irrevogável”, afirma Bispo Italiano.

  1. Sempre tive uma dúvida em relação ao divorciados de segunda união, eles podem ou não receber Jesus Eucarístico? pelo que entendi na penúltima frase do texto acima o bispo afirma que podem sim…é isso mesmo? ou entendi errado?

    • Caríssimo Hélio,

      Não é bem assim. Cada diocese tem a liberdade pastoral de responder às demandas de seu povo.Existem em várias dioceses serviços nessa direção, embora discretos.
      De fato, como Igreja deveríamos pensar nisso de forma audaz, unindo a caridade e verdade nesse acolhimento de nossos irmãos.Penso que ainda temos muito a crescer nessa direção de um maior apoio pastoral para irmãos católicos com esse desafio particular.

  2. A diferença entre os casais em pecado e os homossexuais, é que no primeiro caso há uma possibilidade de correção da situação, no caso de declaração da nulidade do casamento do separado.

    Tal situação não ocorre no caso dos homossexuais, eis que a prática da homossexualidade é considerada imoral e em possibilidade de aceitação.

  3. Conheço pessoas separadas que não tiveram culpa pela separação. Foi o cônjuge quem as abandonou. E aí? Deverão ficar o resto de suas vidas sozinhas? Cada caso é um caso e elas podem, sim, refazer as suas vidas e frequentar a Mãe Igreja, só não têm autorização para comungar. Mas a Igreja as aconselha a esperar a anulação de seus casamentos, para assumirem novo compromisso.

  4. Graça Nogueira

    “E aí? Deverão ficar o resto de suas vidas sozinhas? Cada caso é um caso e elas podem, sim, refazer as suas vidas e frequentar a Mãe Igreja”.

    Eu também não pedi para ter desejos Homossexuais… Devo ficar a vida inteira solteiro? Já pensou nisso?

    Tudo é pecado, tanto uma relação homossexual, como uma relação Heterossexual!

  5. Sim, Helio, eu penso nesta situação; porém o relacionamento homem x mulher é normal, não choca a Sociedade, não é proibido pelas leis de Deus. Mas a Igreja acolhe, sim, os filhos homossexuais. Até onde eu sei, eles são amados da mesma maneira, somos TODOS irmãos, filhos do mesmo Pai. Sei que não deve ser fácil reprimir um sentimento por alguém do mesmo sexo, porém os gays podem sim frequentar a Igreja, só não podem comungar, se estiverem em pecado, como todos os demais fiéis. Pecadores todos nós somos, de uma forma ou de outra.Caimos e levantamos por diversas vezes, mas o Amor de Deus é Maior,e nos acolhe em seus braços.Gostaria de poder falar que relacionamento homossexual não é pecado, mas conforme a Bíblia, Lv 18,22: “Não te deitarás com um homem como te deitas com uma mulher. É uma abominação”. Fique com Deus, sob as bênçãos de Nossa Senhora.

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