* Perigos da RU 486,a Pilula -ABORTIVA- do dia seguinte.

Entrevista com Paola Binetti,Senadora Italiana

Querer facilitar o aborto por meio de uma pílula não reduz os traumas nem as feridas que este procedimento pode deixar em uma mulher e na sua estrutura familiar. E menos ainda diminui o atentado à vida do bebê.

Foi o que esclareceu em entrevista a senadora italiana Paola Binetti, diretora do Departamento de pesquisa educativa e didática na Universidade Campus Biomédica de Roma.

No dia 30 de junho, a agência italiana de fármacos, AIFA, deu carta branca para a utilização de pílula abortiva RU486.

A senadora Binetti fala das contradições desta nova medida assim como de suas consequências morais e físicas de quem consome esta droga para eliminar a vida do nascituro.

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Quais consequências, morais e legais, traz o consumo desta droga?

–Paola Binetti: O consumo da RU486 não deixa de ser um aborto, que como tal, tem sempre as seguintes características: sempre é um drama, não é nunca um direito, implica na perda de uma criatura humana.

Há sempre uma aliança muito estreita que se estabelece entre a mãe e um filho em cada gravidez. Que a mulher aborte cirurgicamente ou por drogas, desde o ponto de vista moral, não existe diferença substancial.

A diferença pode ser o fato de que está fazendo uma política de comercialização da RU486 que, como geralmente ocorre, tende a maximizar as vantagens da pílula e minimizar os aspectos mais problemáticos.

Entre as vantagens está a simplicidade do uso. Existe de alguma maneira o “progresso tecnológico”, que faz pensar que desta maneira possa ser menos doloroso, mais discreto. Mas o fato de fato é bem diferente.

A mulher que aborta ingerindo a RU486 se comporta sempre desta maneira: vai ao hospital, recebe a receita e o remédio, e o médico aceita que assume as consequências quando a mulher volta para casa.

O mecanismo do aborto proporciona a separação do feto com a parede uterina e, logo, a eliminação através de uma hemorragia. Em alguns casos, quando a fecundação supera a sétima semana, as mulheres descrevem que tanto a intensidade como a duração das dores é superior que no aborto cirúrgico, que é mais rápido e controlado.

–Que manipulações existem detrás deste lobby antivida?

–Paola Binetti: Existe um marketing com uma série de vantagens que não são certas. O fato é que praticando de outras maneiras, pode ser mais prolongado o tempo de aborto e menos doloroso, porém, não se deve de nenhum modo pensar que quem ataca a RU486 faz porque aprova o aborto cirúrgico. O que queremos é demonstrar que uma espécie de mito, de atmosfera que se criou em todo do aborto farmacológico, que diz que “a mulher pode fazê-lo em casa”, e isso pode trazer menor consequência da gravidade do que se está fazendo.

A preocupação da Igreja não é porque o aborto seja mais grave que o outro, porque graves são todos da mesma maneira, contudo, porque este pode reduzir na mulher a consciência de que o abordo custa uma vida humana.

Há 30 anos, quando a Itália aprovou a lei 194 para a “interrupção voluntária da gravidez”, nada foi feito para tutelar a maternidade através desta responsabilidade social e, enquanto isso, tanto se fez para criar a interrupção voluntária da gravidez mais segura, rápida, etc.

–Esta lei afeta mais qual setor da população?

–Paola Binetti: Acredito que as mulheres imigrantes, porque os italianos têm um recurso maior para a anticoncepção. Na Itália, a natalidade é baixíssima. Cada casal tem em média 1,4 filhos. Um risco que afeta mais facilmente as mulheres imigrantes, para quem a condição na qual se encontra a maternidade é muito difícil do ponto de vista econômico, do ponto de vista da segurança e, sobretudo, quando se trata de imigrantes ilegais.

Mas o que mais preocupa é a difusão da mentalidade abortiva. Por exemplo, na China, o aborto por muito tempo foi utilizado como controle de natalidade e foram abortadas principalmente mulheres. Temos agora uma geração desequilibrada.

–Em vários de seus escritos, a senhora fala da vocação de toda mulher à maternidade, seja física, seja espiritual. Como acredita que o aborto fira esta vocação?

–Paola Binetti. É a mentalidade abortiva que fere esta vocação. Acredito, pessoalmente, que um excesso de concentração sobre si mesmo, uma mentalidade excessivamente individualista, é uma antesala direta da mentalidade abortiva. A maternidade é uma dádiva que consagra de alguma maneira o corpo da mulher em sua maior, mais extraordinária e única capacidade de transmitir a vida.

Até agora não se encontrou nenhuma outra. Inclusive quando se pensa em fecundação assistida, o corpo da mulher se converte em um habitat natural, emotivo e também físico do bebê. A mulher que perde esta sensibilidade não só perde a sensibilidade de gerar laços, de gerar relações, de criar redes e de construir um ambiente mais humano, mais rico. Este é um empobrecimento grandíssimo para toda nossa sociedade.

–Que consequências psicológicas pode gerar na mulher o uso desta pílula e a difusão em sua mentalidade antivida?

–Paola Binetti: Todos nós conhecemos com estudos realizados por psiquiatras e psicoterapeutas o que se chama de síndrome pós-aborto, que tem várias características similares à síndrome pós-aborto por estresse. Para uma mulher consciente, a perda de um filho permanece como uma ferida para toda eternidade e este filho ausente se converte em um ato irremediável que condiciona também a relação com os outros filhos.

Sempre tem um filho que não está mais aqui. Permanece na mulher a consciência de que fez algo grave.

Certamente depois se dá a argumentação que se dá, de não podemos julgar, que as condições de vida eram muito difíceis, mas é claro que nunca haverá razões suficientes para dar fim a uma vida.

Essa mesma pessoa que conserva a ideia de que, se não tivesse abortado, quem sabe algumas coisas teriam sido diferentes. Isso altera a relação com seus companheiros, com seus filhos, com os filhos ausentes.

–Como acredita que a luta dos movimentos a favor da vida pode ser entendida não só como uma luta ideológica, como a defesa de um direito fundamental?

–Paola Binetti: O instinto materno pertence à maturidade da mulher. De qualquer forma, define o paradigma de que sempre existiu uma predisposição à relação de cuidado.

A mulher desde muito pequena demonstra cuidados em seus gestos e uma sensibilidade particular. Desde seu nascimento, mostra uma maior atenção aos laços, ao valor da amizade, com esta maior sensibilidade e riqueza emotiva que se traduz em uma necessidade de estar com o outro.

Não se pode nem reduzir a uma ideologia. Deus confia o homem à mulher. Quando a mulher desiste dessa missão, não é apenas o homem, é toda a humanidade que perde esta dimensão de fragilidade experimentada e aceitada propriamente desde o interior da esperança de quem cuida de nós.

Fonte: Zenit

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