* Santa Sé:Liberdade religiosa é liberdade de expressão, não somente de culto.

Intervenção de Dom Tomasi no Conselho sobre Direitos Humanos

A liberdade religiosa não pode limitar-se ao livre exercício de culto, mas deve considerar a dimensão pública da religião e, portanto, possibilitar aos crentes que façam a sua parte na construção da ordem social.

Assim sublinhou o observador permanente da Santa Sé na ONU em Genebra (Suíça), Dom Silvano Tomasi, por ocasião da 12ª Sessão Ordinária do Conselho dos Direitos do Homem.

O prelado afirmou que “somente um enfoque integrado, baseado no respeito pleno do direito à liberdade de religião, pode ser a resposta na luta contra o fenômeno de antigas e novas formas de discriminação, sobre a base das convicções e das práticas religiosas”.

Dom Tomasi advertiu que as manifestações da intolerância religiosa são “crescentes” e “estão socavando os direitos de todas as pessoas, de qualquer religião e crença”.

“Praticamente todas as minorias religiosas são discriminadas no mundo inteiro”, problema frente ao qual “é necessária uma solução concertada”.

Mídia

Dom Tomasi sublinhou a importância da mídia como veículo da liberdade de expressão.

“Os meios de comunicação podem ser usados para construir e sustentar a comunidade humana em todos os seus aspectos: econômicos, políticos, culturais, educativos e religiosos, para o enriquecimento e bem-estar das pessoas e sua espiritualidade.”

Mas também podem ser usados “para prejudicar o bem integral da pessoa, para incitar o ódio, marginalizar e alienar as pessoas e para estereotipá-las, baseando-se na etnia, no sexo, na idade e na religião”.

No campo da religião, o prelado explicou que há duas posturas contraditórias e que ambas devem ser superadas.

“A mídia costuma ignorar e marginalizar a doutrina religiosa; as ideias, práticas, experiências e sentimentos das pessoas religiosas são menosprezados e a religião é julgada segundo as normas seculares. Isso pode levar a um tratamento hostil dos grupos religiosos.”

Por outro lado, advertiu, “a religião pode julgar negativamente a mídia e fomentar o exclusivismo religioso, que alimenta o desprezo e a hostilidade com relação aos demais”.

Diante disso, o prelado considera a liberdade de expressão “não somente como um direito, mas também um dever a ser fortalecido”.

“No entanto, qualquer forma de incitação ao ódio que afete a pessoa humana e seus direitos é inaceitável”, advertiu.

“Todos os usuários devem evitar o intercâmbio de palavras e imagens que sejam degradantes para o ser humano, que promovam o ódio e a intolerância, que se aproveitem dos vulneráveis.”

“Quando as pessoas estão realizando seu dever e direito social de informar, estão chamadas a levar em consideração os princípios da ética social, como a verdade, a solidariedade, a tolerância, a equidade, os princípios que formam a pedra angular da justiça, da igualdade, do respeito pela privacidade, da subsidiariedade.”

“A mídia também deve permanecer ao serviço da pessoa”, sublinhou.

O prelado concluiu afirmando que “as autoridades civis devem garantir o direito de criticar o trabalho dos meios de comunicação e facilitar a participação de todos, especialmente dos grupos étnicos e minorias religiosas, na tomada de decisões de políticas de comunicação”.

Fonte : Zenit

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