* Os homens não são os vilões da história, Afirma ex feminista em entrevista.

Ela se define como feminista, mas eu diria que é uma feminista “reformada” pois não segue mais o movimento e tem consciência de que “está na hora de reavaliar as coisas”.

Quem dera se todas as feministas fossem iguais a ela neste sentido da auto-crítica!

Fonte: Marie Claire , Grifos da tradutora

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(…) Pessoalmente, Kathleen Parker é bem menos bélica do que seu livro e suas colunas. Simpática e divertida, me perguntava tanto quanto eu perguntava a ela, e queria saber se os ‘machos latinos’ também precisam ser salvos.

Na tese de Kathleen, os homens viraram os vilões da história como conseqüência do sucesso do movimento feminista, que, para se libertar do patriarcalismo, teve que matar simbolicamente o patriarca. ‘Acho que o problema é que acabamos confundindo o que faz os homens e as mulheres serem diferentes e portanto atraentes uns para os outros’, disse. ‘Eu não sou nem um pouco fã do machismo, mas também não quero ser casada com um homem que espera que eu vá checar o que é o barulho estranho no andar de baixo, entende?’

MC Como você acha que o mundo seria se fosse comandado por mulheres? Na Presidência, nas Embaixadas, à frente dos grandes negócios e das grandes corporações.

KP Seria ótimo e organizado. Bem melhor do que hoje. Uma pena que isso nunca vai ser possível.

MC Por que não?

KP Porque as mulheres são as únicas que podem ter bebês, e isso leva tempo. E quando você tem um filho, quer ficar com ele, é natural. Esse é o trabalho mais importante que existe.

MC Quer dizer que você acha que é impossível ter tudo? Carreira, filhos, casamento feliz?

KP Ao mesmo tempo, infelizmente, acho que é. Mas a vida é longa, não deixe ninguém dizer o contrário. Minha carreira só começou a dar certo quando eu tinha 52 anos. Fiquei em casa, trabalhando menos do que poderia, até meu filho entrar na universidade. Aí, sim, me mudei para Washington e comecei a escrever para jornais maiores e mais importantes. (…)

MC Por que escreveu esse livro?

KP Há mais de vinte anos escrevo colunas. Tinha acabado de virar mãe, logo depois fiquei sozinha, então escrevia muito sobre meu filho, sobre criar um filho sem o pai etc. Com o tempo, a coluna ficou mais abrangente e o foco acabou sendo a diferença entre os sexos, e quando você começa a escrever sobre isso, o assunto acaba virando política. E comecei a observar que a nossa cultura, que costumava ser amigável com as mulheres, o que eu defendo com todas as minhas forças, estava começando a ficar hostil em relação aos homens. E eu provavelmente não teria notado, ou ligado, se não tivesse um filho pequeno. E quando comecei a observar mais atentamente, foi ficando cada vez mais claro que o preconceito contra os homens estava estabelecido.

MC Qual foi o primeiro sinal?

KP Na pré-escola do meu filho tinha um dia em que os pais levavam as filhas pequenas para o trabalho. Só as meninas. E os meninos tinham que ficar na escola. E não só isso, naquele dia eles eram obrigados a ouvir uma palestra explicando porque as meninas tinham esse tratamento especial e que as mulheres tinham sido oprimidas durante muitos anos e tal. Tudo verdade, mas por que não fazer a visita e a palestra para toda a classe? É possível ensinar que a opressão é ruim sem mudar o alvo da opressão.

MC O que você pensa a respeito dos homens, afinal?

KP Temos que ver o sexo oposto como amigo, não inimigo. Também acho que eles precisam ser treinados (risos) e precisam dos pais por perto para fazer isso. Os homens não precisam de muita coisa, eles não pedem muito. Mas acho que gostariam de ser apreciados pelo que são.

MC Você se considera uma anti-feminista?

KP De jeito nenhum, me considero uma feminista. Acho que o feminismo é fabuloso, e só por causa dele sou capaz de ter a vida que tenho. Mas também sou crítica ao feminismo e acho que está na hora de reavaliar as coisas. As mulheres fizeram tantas coisas para prejudicar os homens, ou diminuir os homens, que os efeitos acabaram atingindo as próprias mulheres, e pior, as crianças, que não têm nada a ver com isso.

MC O título do livro é uma brincadeira com o famoso ‘Save the Whales’, o slogan de uma ONG dos anos 70 dedicada a erradicar a caça às baleias. Mas os homens não correm o mesmo perigo…

KP É engraçado, toda vez que eu falo o título do livro para quem não o conhece as pessoas primeiro acham que é mesmo ‘Save the Whales’. Então eu corrijo, e aí elas acham que é ‘Save the Mails’, como se fosse alguma coisa ligada aos correios. Quando finalmente entendem do que se trata, as mulheres em geral me perguntam se estou louca, e os homens, que são mais sem noção ainda, me dizem que não sabiam que precisavam ser resgatados. Não estou medindo a sociedade em termos de quanto dinheiro os homens ganham e que posições eles ocupam na nossa sociedade -sei bem que há mais homens que mulheres no comando de quase tudo. O que me interessa é a qualidade das nossas relações. Os homens precisam ser melhores parceiros para as mulheres e melhores pais para os nossos filhos.

MC E os homens adultos não precisam de resgate?

KP As leis do divórcio são injustas com os homens, mas isso também não me preocupa. O que me incomoda é que essas leis tiram os pais da vida das crianças. Eles viram uma visita que vê a criança quatro vezes por mês. Isso não é a mesma coisa que ser pai. A gente não acha que é importante ficar casado para o bem dos filhos, que não há razão para não procurar a felicidade total no amor e sabe o que eu acho? Que quem tem filho tem que diminuir a expectativa de felicidade mesmo, ninguém é feliz o tempo inteiro.

MC Você realmente defende que as pessoas mantenham um casamento infeliz pelo bem dos filhos?

KP Sou casada há mais de vinte anos, e o que eu notei durante esse tempo é que as pessoas se apaixonam e se desapaixonam muitas vezes ao longo de um casamento. Ninguém nunca me disse que valia a pena continuar casada e acho que seria bom que eu tivesse ouvido. Alguns dias, semanas ou meses são bons, alguns são péssimos, mas são fases pelas quais todo casamento passa. Eu ainda olho para o meu marido hoje em dia e gosto do que vejo (risos). Mas venho de uma família sem estrutura, perdi minha mãe muito cedo e tive quatro madrastas. Então claro que eu sempre tive um grande desejo de ter uma família sólida que me protegesse.

MC O amor não entra na conta?

KP E qual é a idéia? Mudar para a França e ter vários casos? Tudo depende de como você define o amor. O amor romântico, aquele que faz a gente perder a cabeça, não dura para sempre, todo mundo sabe. Mas também não vai embora para sempre, e as pessoas aprendem isso se ficam casadas. (…)

MC Acredita que o relacionamento com o seu pai a fez olhar para os outros homens com mais carinho?

KP(…) Fui criada só por ele. Durante os meus anos de colegial ele estava sozinho, então tudo era com ele. Talvez por isso eu seja tão insistente na questão de que toda criança deve ter o pai por perto, e que os adultos devem fazer todo o esforço possível para que os filhos cresçam com seus pais.

MC O que mudou quando nasceu seu filho?

KP Mudou tudo, virei uma conservadora da noite para o dia (risos). Eu queria que o mundo fosse melhor para o meu filho, e naquela época -ele tem 24 anos- achei que a cultura não era muito amigável para as crianças. Eu era uma feminista de carteirinha antes. Ainda me considero feminista, mas me afastei do movimento e me considero uma feminista racional. Mas na minha cabeça eu ia ter meu filho, então ia imediatamente voltar a trabalhar e deixá-lo em uma creche, assim minha carreira podia ser tudo que eu queria que fosse. E eu tinha 33 anos, não era mais uma criança. Mas, quando ele nasceu, não queria voltar a trabalhar, queria ser mãe, dedicar meu tempo a isso. A idéia de deixar que outra pessoa cuidasse dele, uma pessoa bem menos educada que eu, que ganha salário mínimo, criando o meu filho, de repente deixou de me atrair. Mas eu já tinha inventado para mim um estilo de vida que custava caro, precisava voltar a trabalhar. Depois percebi que o dinheiro não era tão importante quanto eu imaginava, meu filho ia ser mais feliz se eu estivesse por perto. Então remodelei a vida, comecei a trabalhar menos, ganhar menos, mas criei meu filho eu mesma.

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Ela não fala dentro da perspectiva católica, mas vindo de uma ex – feminista é notável que tenha evoluido para uma compreensão bem próxima da nossa fé

Bem interessante.

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