* Tony Blair derrubou a política do governo britânico de proibir aos católicos que representem o país na Santa Sé

Tony Blair derrubou a política do governo britânico de proibir aos católicos que representem o país na Santa Sé, ao considerar a proibição como “a coisa mais ridícula que já ouvi na vida”. Isso é o que o primeiro-ministro – agora católico também – revela em um documentário divulgado  pela BBC (British Broadcasting Corporation) da Irlanda do Norte.

No documentário, intitulado “Nosso homem no vaticano”, Blair comenta sua surpresa ao conhecer esta política em 2005, quando o cargo de embaixador ficou vacante.

“Eu disse: ‘É o Vaticano, o Papa é católico. Quer dizer que nós atualmente como política… não podemos ter um católico? (…) O que é isso? É a coisa mais ridícula que já ouvi na vida’”, comentou Blair, segundo informa a BBC.

“Você pode imaginar que nós dissemos durante anos e anos que a única categoria de pessoa que não podemos ter como embaixador na Santa Sé é alguém que compartilha sua fé? – acrescentou. Não acho que isso seja muito sensível, não atualmente.”

“Além de discriminatório, até que ponto é idiota?” – perguntou.

As relações diplomáticas formais entre a Inglaterra e a Santa Sé foram estabelecidas pela primeira vez em 1479; de fato, o cargo de embaixador na Santa Sé é o mais antigo no serviço diplomático do Reino Unido.

No entanto, quando a relação da Inglaterra com o Vaticano sofreu atritos sob Henrique VIII, os laços se romperam e só se restauraram em 1914.

A BBC indicou que, em 1917, um memorando do Foreing Office estabelecia que a representação da Grã-Bretanha na Santa Sé “não deveria ser desempenhada com insensato temor ao Papa”.

A eleição da Administração Blair de Francis Campbell, ainda embaixador britânico, finalmente rompeu esta tendência.

Agora, a embaixada é considerada uma “parte vital da rede internacional do Reino Unido – como explica o site da própria embaixada. A missão trabalha conjuntamente com a Santa Sé sobre desenvolvimento internacional, diálogo interconfessional e mudança climática. Mas estes exemplos são repetidos em ecumenismo, prevenção de conflitos, desarmamento e direitos humanos, isso sem contar o valor da Santa Sé como um lugar de escuta global”.

“Em uma era na qual a religião emergiu mais uma vez nas relações internacionais, o Vaticano é essencial para o contínuo debate político sobre a relação adequada entre fé e política. O Vaticano é uma influência estabilizadora chave no debate fé-política global e ajuda a manter uma discussão racional”, acrescenta.

O papel de Campbell como embaixador será único neste ano, no qual se prepara a viagem de Bento XVI à Grã-Bretanha, em setembro.

O Santo Padre já causou um alvoroço na Inglaterra quando disse aos bispos do país, em 11 de fevereiro, que alguma legislação projetada para proteger a igualdade impõe “limitações injustas sobre a liberdade das comunidades religiosas para agirem de acordo com suas crenças” e, às vezes, “atualmente, viola a lei natural”.

O governo britânico está discutindo a “Lei de Igualdade”, defendida como proteção contra a discriminação por sexo ou orientação sexual.

Os críticos advertem que esta poderia restringir a liberdade da Igreja de selecionar suas equipes ou inclusive sacerdotes que vivam de acordo com o ensinamento e a moralidade da Igreja.

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