Qual a sua posição?

Continua dando o que falar a colocação do papa sobre o uso do preservativo na prevenção da AIDS em sua recente viagem a África..

Agora foi a Câmara dos Deputados da Bélgica que aprovou, semana passada, uma resolução que pede ao governo local para condenar as “inaceitáveis” declarações feitas pelo Papa Bento XVI, em seu vôo à África, com relação à ineficácia do preservativo na luta contra a AIDS, e de “protestar oficialmente diante da Santa Sé”.

Bem.. Tem algo de positivo nisso tudo: a constatação que se chega o quanto a palavra da Igreja incomoda o “mundo”, principalmente quando essa palavra atinge em cheio “verdades” do mundo secular.

Essa questão do preservativo é uma posição que a Igreja sempre teve, mesmo antes do advento da AIDS.  Não é de agora que a igreja fala sobre esse assunto. Mesmo dentro do casamento a Igreja não aceita o uso do preservativo por uma questão de respeito aos fundamentos básicos do ato conjugal em seus aspectos unitivo e procriador.

O papa quis dizer, na já “famosa” entrevista indo a  África, como sempre disse, é que “sem uma educação na responsabilidade sexual, os demais meios de prevenção serão deficitários”. E isso não é a pura verdade?

Sobre essa posição da câmara dos deputados da Bélgica,o jornal da Santa Sé, L’Osservatore Romano, recorda que “o óbvio e devido respeito por uma instituição de representação democrática não deve fazer esquecer o também devido respeito à liberdade de expressão de uma autoridade religiosa à qual faz referência mais de um bilhão de mulheres e homens de todo o mundo, sobretudo quando suas afirmações não são compreendidas em sua intenção”.

Por sua parte, o porta-voz vaticano, Federico Lombardi, em uma entrevista concedida à Rádio Vaticano, expressou seu “estupor” pela resolução, “já que em todo país democrático parece óbvia a liberdade do Santo Padre e da Igreja Católica de expressar suas próprias posturas e linhas sobre temas que têm evidente conexão com a visão da pessoa humana e de sua responsabilidade moral, com as perspectivas da tarefa educativa e formativa das pessoas, com o serviço de cuidar dos doentes e dos que sofrem”

De tudo isso fica a certeza de que, mesmo para aquele que não tem fé ou não é católico, a posição da igreja incomoda ..e isso é bom!

É bom por que “levanta a poeira” em um mundo não acostumado a ir fundo na análise dos temas mais difíceis. De alguma forma, a “polêmica” obriga as pessoas a se posicionarem, sendo a favor ou contra. Chega de neutralidade!

Como disse certa ocasião,Vitorio Messori, “Um pouco de hostilidade faz bem ao Cristianismo,desperta e faz tomar consciência da própria Identidade.”

A história nos mostra que a perseguição foi adubo para o crescimento da Igreja.

O mundo de hoje, sedento de verdade, porém dominado pela “ditadura do relativismo”, espera posição. Por incrível que pareça, no fundo, o mundo está em busca de verdade consistente, cansado que está da “verdade” que muda de acordo com as circunstâncias ou com as “ culturas mutantes” que acompanham o progresso de nossa sociedade atual.

Muitas vezes a Igreja é considerada retrógrada por suas posições “conservadoras”, a acusam de não acompanhar o progresso.

Na verdade a Igreja não é contra o “verdadeiro progresso”, quando esse progresso leva em consideração o homem em sua dignidade de filho de Deus e a Ética. Ela só não pode é se calar diante de algumas posições da sociedade atual, estas sim, inaceitáveis como o aborto, a eutanásia, a prostituição, a destruição da família por uniões “alternativas” que ferem a lei natural e a saída fácil do preservativo, que não atinge o cerne do drama humano que se esconde por detrás da AIDS.

Quanto a isso,  não há dúvida, a Igreja jamais se calará.

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