Alguns cristãos acreditam que através da ioga, que ensina concentração, eles serão capazes de orar melhor. Eles não vêem nada de perigoso nestas técnicas de meditação oriental. Mas será possível combinar ioga e fé cristã?

As técnicas de meditação oriental são muito atraentes. Eles são meios  para nos retirarmos do mundo exterior casual e em mudança para nos concentrarmos no nosso eu interior, pelo qual todos temos saudades. Eu sei disso por ter praticado durante vários anos. No início, a atitude é a mesma da oração cristã: há uma vontade de romper com uma vida superficial, dispersa, muito decepcionante, de entrar em si mesmo. Em ambos os casos, há uma grande sede do Absoluto.

Mas desde o início deste caminho interior, as vias divergem. Nas técnicas orientais, se trata de entrar cada vez mais em si mesmo, pela própria força, até chegar a uma espécie de fusão no Todo, um sentimento de existência muito intensa. Nesta experiência, não há lugar para o outro: “Estou cada vez mais focado em mim mesmo e em mim mesmo sozinho”. Pelo contrário, a oração cristã é um encontro com o Outro, com Deus que vem a mim: “Eu entro em mim mesmo, mas é para me preparar para receber o que o Senhor quer me dar”.

Um sério risco de confusão

Esta é a diferença entre um misticismo natural, que confia exclusivamente em meios naturais e me deixa sozinho comigo mesmo, e um misticismo sobrenatural, que me orienta para Deus, um Deus pessoal que se entrega a mim num diálogo de amor. Nas técnicas orientais, sou o mestre da minha vida interior. Na oração cristã, o mestre ao contrário, é Deus: “Aceito confiar nele e que me conduza até ele”. Além disso, as técnicas orientais visam uma dissolução do eu no grande Todo, enquanto a relação com Cristo respeita a minha alteridade: a oração cristã é uma comunhão, não uma fusão.

É claro que as técnicas que fazem parte de um misticismo natural – como as técnicas de meditação oriental – podem levar a experiências muito fortes, mas isso não tem nada a ver com a paz sobrenatural do Espírito Santo. Há um grande risco de confundir a serenidade produzida por certos exercícios respiratórios, certas posturas, com a presença autêntica do Espírito Santo. Este é um risco que deve ser considerado seriamente porque pode conduzir a um impasse e nos afastar da meta que tínhamos estabelecido para nós mesmos quando oramos, ou seja, o encontro pessoal com o Deus vivo revelado a nós por Jesus Cristo.

Padre Joseph-Marie Verlinde

Você trabalhou duro o ano todo, foram horas e horas de trabalho – muitas delas até fora do expediente – e uma infinidade de tarefas que consumiram seu tempo até mesmo quando você estava longe do escritório. Então, com a proximidade do Natal e a chegada do 13° salário, você já prepara a lista de presentes e também já tem em mente o que deseja comprar na black friday.

Ok, não é errado gastar um pouco do suado dinheirinho com alguns itens e até mesmo algo que desejamos há muito tempo. Porém, não devemos esquecer que datas como essa foram criadas com o intuito de aumentar as vendas e, por isso, as lojas criam grandes anúncios divulgando preços que parecem “sensacionais”, “imperdíveis”. Pronto: lá estamos nós preparados para não perder algo que parece uma “oportunidade única”.

Sendo assim, é válido pensar um pouco antes de agir por impulso. E, para te ajudar a manter as finanças sob controle e, quem sabe até poupar, separamos oito motivos para você refletir antes de iniciar sua jornada de compras na black friday:

1 A BLACK FRIDAY NOS ENCORA A GASTAR DESNECESSARIAMENTE

Os compradores mais inteligentes têm um plano estratégico e organizado para a data: eles sabem exatamente o que querem e priorizam as lojas que já conhecem e pesquisaram antecipadamente. Porém, para os desavisados, as atraentes promoções anunciadas os deixam transtornados e vulneráveis a usar o cartão de crédito inadvertidamente. O problema com as compras por impulso é não saber se aquele é de fato um bom negócio ou não, pois não envolveu comparação de preços, leituras de avaliações do produto e, até mesmo, não envolveu uma breve pausa para se pensar na real necessidade daquele bem, principalmente se ele é um produto de maior valor;

2 TENHA FOCO E SÓ COMPRE O QUE VOCÊ PRECISA

É deliciosamente fácil se deixar levar pelo modismo e emoção da black friday. Surpreendentemente, 92% das pessoas fazem compras por impulso com base em ofertas e negócios. Então pense se você realmente precisa ou quer aquilo que lhe chama atenção. Você também deve evitar compras do tipo “pague 2 leve 6”, principalmente em lojas de perfil atacadista – você não precisa se render à barganha de comprar seis escovas de dentes elétricas pensando que talvez consiga convencer seus amigos a comprar os excedentes. Geralmente, há um motivo pelo qual os varejistas ofereçam descontos em mercadorias como esta, e muitas vezes é o fato de que um novo modelo será lançado em breve. Pense antes de comprar;

3 PREÇO DE BLACK FRIDAY NEM SEMPRE É O MELHOR

Com as recém-chegadas coleções de verão às lojas, definitivamente essa não é a melhor data para comprar as últimas tendências da moda. O mesmo vale para itens de decoração de Natal. E não deixe de iniciar a pesquisa dos preços daquilo que você quer com antecedência e, assim, poderá identificar se o lojista aumentou os valores às vésperas da black friday com o intuito de criar um desconto falso, ou seja, o produto está sendo vendido com o preço normal;

4 EXISTEM OUTRAS MANEIRAS DE CONSEGUIR PROMOÇÕES

O desconto na black friday pode ser bom, mas não necessariamente quer dizer que aquele é o menor preço que tal produto já atingiu. Para saber se vale a pena comprar ou não, procure por sites especializados em pesquisas de preço e passe a acompanhar a variação do valor do produto desejado ao longo dos meses. Alguns sites permitem até que você crie uma conta e receba um alerta por e-mail, caso o produto atinja preço inferior ao que você determinou. Nesse caso, você se deve estar atento se a loja vendedora é conhecida e tem boa reputação na internet;

5 AQUELE “GRANDE NEGÓCIO” PROVAVELMENTE NÃO VALE A PENA

Você se deparou com uma verdadeira pechincha: uma TV de 50 polegadas por R$ 1.000,00! Mas você já ouviu falar dessa marca? Se não é uma grande marca como as que você já conhece, provavelmente é melhor não arriscar e evitar dores de cabeça no futuro. Também fique atento às coisas do mostruário da loja, que costumam ser oferecidas com preço bem inferior ao do produto na caixa, mas que podem apresentar arranhões, falta de peças e até dos manuais de instruções. Se achar que mesmo assim vale a pena, tente barganhar o máximo possível;  

6 PODEM EXISTIR MELHORES OFERTAS EM OUTRAS OPORTUNIDADES

Por que todos pensamos na black friday como o único dia em que podemos economizar dinheiro? A maioria das lojas, especialmente em tempos econômicos ruins, promovem grandes liquidações nas primeiras semanas do ano. Há também varejistas que mantêm os preços baixos durante toda a temporada de festas para incentivar a compra ou até oferecer melhores vendas nas semanas seguintes à black friday. Para aqueles que não procuram presentes de Natal, a semana imediatamente após o feriado costuma oferecer melhores preços, já que as lojas tentam se livrar do estoque que carregaram durante as festas de fim de ano. É nessa época que os grandes varejistas promovem grandes descontos em itens como brinquedos, pois precisam de espaço para renovar suas prateleiras; 

7 QUANTO MAIS VOCÊ TEM, MAIOR PODERÁ SER SEU NÍVEL DE ESTRESSE

O aumento de posses impacta diretamente no aumento de responsabilidades. Um terreno ou casa nova exigem mais pagamentos de taxas e impostos, já um carro exige também coisas como documentação, seguro e por aí vai. E quando se trata de objetos como equipamentos eletrônicos, móveis, eletrodomésticos, à medida que eles aumentam em quantidade, automaticamente passam a ocupar mais espaço físico, o que pode levar a uma limitação de espaços dentro da casa e gerar estresse. Se você tem tendência a acumular coisas, veja se não é hora de repensar seus hábitos;

8 A ÂNSIA POR COMPRAS NOS DEIXA ALIENADOS, AO INVÉS DE AGRADECIDOS

Em uma das memoráveis passagens do Livro de Mateus, Nosso Senhor Jesus Cristo disse: “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.” (Mateus 6,19-21)

Enfim, nessa época, a black friday domina a atenção das pessoas e se torna um assunto central nas conversas, com todos falando sobre descontos e o que deseja comprar e se esquecendo de que deveriam estar se preparando para o Advento. A cada um de nós cabe refletir que o momento é de agradecimento a Deus pela prosperidade e todas as realizações alcançadas ao longo do ano.

Autora: Beatriz Camargo

A Igreja Católica sempre condenou a prática da escravidão junto aos imperadores. E numa prova incontestável de que sempre promoveu a igualdade e liberdade dos escravos, chegou a ter como Papa um ex-escravo: Papa São Calisto, ano 217.

Abaixo veremos alguns documentos e citações que provam que ao longo da história a Igreja sempre combateu essa prática.

1- Carta do Papa João VIII

Em uma Carta do Papa João VIII, datada de setembro de 873 e dirigida aos Príncipes da Sardenha, ele diz:

Há uma coisa a respeito da qual desejamos admoestar-vos em tom paterno; se não vos emendardes, cometereis grande pecado, e, em vez do lucro que esperais, vereis multiplicadas as vossas desgraças. Com efeito; por instituição dos gregos, muitos homens feitos cativos pelos pagãos são vendidos nas vossas terras e comprados por vossos cidadãos, que os mantêm em servidão. Ora consta ser piedoso e santo, como convém a cristãos, que, uma vez comprados, esses escravos sejam postos em liberdade por amor a Cristo; a quem assim proceda, a recompensa será dada não pelos homens, mas pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isto exortamo-vos e com paterno amor vos mandamos que compreis dos pagãos alguns cativos e os deixeis partir para o bem de vossas almas” (Denzinger-Schönmetzer, Enquirídio dos Símbolos e Definições nº 668).

2- Carta do Papa Pio VII para Napoleão Bonaparte e para Dom João VI

O Papa Pio VII enviou uma Carta ao Imperador Napoleão Bonaparte da França, em protesto contra os maus tratos a homens vendidos como animais, onde dizia:

“Proibimos a todo eclesiástico ou leigo apoiar como legítimo, sob qualquer pretexto, este comércio de negros ou pregar ou ensinar em público ou em particular, de qualquer forma, algo contrário a esta Carta Apostólica” (citado por L. Conti, “A Igreja Católica e o Tráfico Negreiro”, em ‘O Tráfico dos Escravos Negros nos séculos XV-XIX”. Lisboa 1979, p. 337).

O mesmo Sumo Pontífice se dirigiu a D. João VI de Portugal nos seguintes termos:

“Dirigimos este ofício paterno à Vossa Majestade, cuja boa vontade nos é plenamente conhecida, e de coração a exortamos e solicitamos no Senhor, para que, conforme o conselho de sua prudência, não poupe esforços para que… o vergonhoso comércio de negros seja extirpado para o bem da religião e do gênero humano”.

3- Bula “Veritas Ipsa” do Papa Paulo III

No início do século XVI o dominicano Domingos de Minaja viajou da América Espanhola a Roma, a fim de relatar ao Papa Paulo III (1534-1549) os abusos ocorrentes com relação aos índios. Em conseqüência, o Pontífice escreveu a“Veritas Ipsa” (1537), onde condena Bula a escravidão:

“O comum inimigo do gênero humano, que sempre se opõe as boas obras para que pereçam, inventou um modo, nunca dantes ouvido, para estorvar que a Palavra de Deus não se pregasse as gentes, nem elas se salvassem. Para isso moveu alguns ministros seus que, desejosos de satisfazer as suas cobiças, presumem afirmar a cada passo que os índios das partes ocidentais e meridionais e as mais gentes que nestes nossos tempos tem chegado à nossa notícia, hão de ser tratados e reduzidos a nosso serviço como animais brutos, a título de que são inábeis para a Fé católica, e, com pretexto de que são incapazes de recebê-la, os põem em dura servidão em que têm suas bestas, apenas é tão grande como aquela com que afligem a esta gente. Pelo teor das presentes determinamos e declaramos que os ditos índios a todas as mais gentes que aqui em diante vierem a noticia dos cristãos, ainda que estejam fora da fé cristã, não estão privados, nem devem sê-lo, de sua liberdade, nem do domínio de seus bens, e não devem ser reduzidos a servidão”.

Neste texto, merece atenção especial a menção de índios e “das mais gentes”, que são os africanos.

Essa Bula de Paulo III teve grande efeito, tanto assim que a 30 de julho de 1609 El-Rey promulgou lei que abolia por completo a escravidão indígena: “Declaro todos os gentios daquelas partes do Brasil por livres, conforme o direito e seu nascimento natural, assim os que já foram batizados e reduzidos a nossa Santa fé católica, como os que ainda servirem como gentios, conforme a pessoas livres como são”.

4- Breve “Commissum Nobis” Papa Urbano VIII

Em 24 de abril de 1639, o Papa Urbano VIII (1623-1644) publicou o Breve “Commissum Nobis”, incutindo a liberdade dos índios da América. No seu Breve, o Papa ordenava, sob pena de excomunhão reservada ao Pontífice, que ninguém prendesse, vendesse, trocasse, doasse ou tratasse como cativos os índios da terra. Dispunha ainda que a ninguém seria lícito ensinar ou apregoar o aprisionamento dos mesmos. Por causa disso, revoltaram-se os colonos no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Santos e no Maranhão, o que ocasionou a perseguição e a expulsão dos Jesuítas dessas regiões, onde só puderam voltar tempos depois.

5- Junta em defesa dos índios – D. Pedro Leitão

O segundo bispo do Brasil, D. Pedro Leitão, assinou em 30 de de julho de 1566 na Bahia, com o Governador Mem de Sá e o Ouvidor Dr. Brás Fragoso, uma junta em defesa dos índios; defendia-os contra os abusos dos brancos e dava maior apoio aos aldeamentos instaurados pelos jesuítas.

6- Sermões do Padre Antônio Vieira

O famoso Pe. Antônio Vieira (1608-1697), por vezes considerado por maus intencionados como aliado dos senhores da terra contra os escravos, na verdade assumiu posição de censura aberta aos patrões. Disse ele:

“Saibam os pretos, e não duvidem, que a mesma Mãe de Deus é Mãe sua… porque num mesmo Espírito fomos batizados todos nós para sermos um mesmo corpo, ou sejamos judeus ou gentios, ou servos ou livres” (Sermão XIV).

“Nas outras terras, do que aram os homens e do que fiam e tecem mulheres se fazem os comércios: naquela (na África) o que geram os pais e o que criam a seus peitos as mães, é o que se vende e compra. Oh! trato desumano, em que a mercancia são homens! Oh! mercancia diabólica, em que os interesses se tiram das almas alheias e as riscos são das próprias! “ (Sermão XXVII).

7- Papa Gregório XVI

O Papa Gregório XVI (1831-1846) em 3 de dezembro de 1839 disse: “Admoestamos os fiéis para que se abstenham do desumano tráfico dos negros ou de quaisquer outros homens que sejam “.

8- Papa Leão XIII aos Bispos do Brasil

O Papa Leão XIII, disse na Carta “In Plurimis”, em 5 de maio de 1888 aos bispos do Brasil:

“E profundamente deplorável a miséria da escravidão a que desde muitos séculos está sujeita uma parte tão pequena da família humana”.

Fonte AQUI

Asaph, em hebraico, significa “aquele que reúne”. E, não por acaso, foi o nome escolhido para um dos filhos gêmeos da farmacêutica Inara Barcaro, de 42 anos. “O nome foi escolhido pelo meu marido e é bem profético, porque ele reúne todo mundo mesmo. Ele é muito querido, simpático e sorridente. É todo mundo apaixonado por ele”, disse a mãe ao Sempre Família.

O menino de 1 ano e 4 meses tem síndrome de Down. Inara soube da possibilidade ainda durante a gestação. “Com 13 semanas de gravidez fui fazer o exame da translucência nucal e o médico me disse que tinha 25% de chance de um dos bebês ter a síndrome. Foi como uma bomba”, revelou

Nas ecografias seguintes a suspeita só foi se confirmando – Asaph apresentava as características da síndrome, como cardiopatia, e se desenvolvia mais lentamente que a irmã. Nessa época, Inara lembra que sofreu calada. “Eu simplesmente me fechei, não quis procurar psicólogo. Eu não podia falar sobre o assunto, porque meu marido não aceitava, ele achava que não ia acontecer”.

Hoje, aproveitando ao máximo cada minuto ao lado do filho, a farmacêutica avalia que foi bom saber disso tudo antes de o bebê nascer. “É um fator estressante, você não curte a sua gestação, mas você tem um tempo para digerir tudo isso. Eu acho que foi melhor assim”, avalia. Como voluntária em uma associação, Inara acompanha o drama de quem descobre a síndrome só na hora do parto. “A gente vê muito pais chocados e em crise, os homens principalmente”, afirmou.

Tempo para compreender e se adaptar

Geralmente receber a notícia durante a gravidez, de que o filho tem alguma síndrome ou deficiência, não é uma escolha dos pais, os médicos fazem esse papel queiram eles ou não: é um dever alertar. E a neuropsicóloga Samanta Fabrício Blattes da Rocha, do Instituto de Neurologia de Curitiba (INC), atenta para o fato de que a reação muda de pessoa para pessoa.

“São seres humanos lidando com um processo de frustração inicial e diante de um desafio de vida. Desafio que traz implícita uma informação: alguém que vai precisar de mim o resto da vida”, afirmou. Pelo que assegura, “todo mundo quer ter um filho saudável e independente. Então, quando você recebe uma informação como essa, você tem uma parte das suas expectativas e dos seus sonhos – projetados naquela criança – interrompida”.

Segundo Samanta, encarar o diagnóstico precoce depende, também, da capacidade que a pessoa tem ou não, de assumir responsabilidades e compromissos. “Tem pessoas que diante dos problemas aguentam por um tempo, mas não conseguem sustentar e acabam fugindo da situação. Já outras agarram os as grandes epopeias da vida e tocam com bravura até o fim”, elucidou.

A neuropsicóloga ainda orienta que, num momento como esse, o que o casal precisa é de apoio, seja da família, dos amigos, de outras pessoas que passaram (ou passam) pela mesma situação e mesmo de profissionais que os ajude a entender qual é o tamanho desta nova etapa, e considerou: “Hoje percebemos que a sociedade está conseguindo, cada vez mais, abraçar e acolher essas crianças em seu seio. E isso faz com que as ações sociais voltadas a elas sejam mais efetivas e eficientes, o que acaba facilitando a tarefa desses pais”.

Fonte Original: Sempre Família

Não é fácil lidar com a morte de uma pessoa próxima. Cada um de nós processa o luto de formas diferentes. Esta é a história de duas pessoas que não se conheciam, mas cujas vidas se cruzaram depois de passarem por perdas drásticas.

Chastity Patterson, de 23 anos, perdeu seu pai, Jason Ligons, há quatro anos. Desde então, ela manda todos os dias uma mensagem de texto ao celular do pai, contando como foi o seu dia.

Até que, dia 24 de outubro de 2019 – um dia antes do quarto aniversário da morte de Jason – ela recebeu uma resposta. Era Brad, que recebeu boa parte das mensagens de Chastity. E mais: um ano antes da morte de Jason, Brad havia perdido sua filha em um acidente de carro.

Na sua mensagem, Chastity afirmava que o dia seguinte seria, novamente, um dia difícil. Muita coisa aconteceu nesse curto período. Tenho certeza que você sabe disso, porque conto tudo para você. Eu venci o câncer e não voltei a ficar doente desde que você se foi – assim como prometi a você, de que cuidaria melhor de mim. Terminei a faculdade e me formei com louvor”, disse a jovem.

E continuou: “Me apaixonei e tive o coração partido (você teria matado ele), mas levantei a cabeça e me tornei uma mulher ainda mais forte. Tenho medo de me casar, porque vou ter que caminhar sozinha por aquele longo corredor e você não estará lá para me dizer que tudo vai ficar bem. Só queria dizer que eu te amo e que sinto muito a sua falta!”

A resposta foi de tocar o coração: “Oi, querida. Não sou seu pai, mas tenho recebido as suas mensagens nos últimos quatro anos. Fico na expectativa de suas mensagens matinais e de suas atualizações à noite. Meu nome é Brad e perdi minha filha em um acidente de trânsito em agosto de 2014. As suas mensagens têm me mantido vivo. Quando você me escreve, sei que é uma mensagem de Deus”.

“Sinto muito por você ter perdido alguém tão próximo, mas tenho te escutado ao longo dos anos e vi você crescer e passar por muitas coisas mais do que qualquer um. Há anos eu queria te responder, mas não quis partir seu coração”, escreveu Brad.

“Você é uma mulher extraordinária. Eu gostaria que a minha filha tivesse se tornado a mulher que você é. Obrigado por suas mensagens diárias. Você me lembrou de que Deus existe e de que não é culpa dele que a minha garotinha se foi. Ele me deu a você, meu pequeno anjo”, continuou. “Tudo vai ficar bem. Faça brilhar a luz que Deus te deu. Sinto muito que você tenha passado por isso, mas, se ajuda dizer isso, tenho muito orgulho de você”.

Emocionada, Chastity compartilhou o ocorrido em seu perfil no Facebook. Para ela, a resposta de Brad foi um “sinal de que está tudo bem e que posso deixar meu pai descansar”. Em uma semana, o post de Chastity ultrapassou as 170 mil curtidas e foi compartilhada 308 mil vezes.

Fonte Sempre Família

Um médico da Irlanda do Norte assegurou que coletou as assinaturas de 911 profissionais de saúde da região que se recusarão a realizar abortos, após a nova medida que ampliou as causas para essa prática.

Andrew Cupples, clínico geral da Irlanda do Norte, coletou as assinaturas para uma carta que enviou ao Secretário da Irlanda do Norte no mês passado. O texto, assinado pelos médicos, enfermeiras e parteiras, manifesta a oposição às novas leis sobre o aborto e exige fortes proteções à objeção de consciência para garantir que aqueles que se opõem ao aborto possam optar por não realizá-lo nem ajudar com o procedimento, informou o jornal ‘The Independent’.

“Centenas de profissionais de saúde na Irlanda do Norte se recusarão a participar de serviços de aborto. Existem até pessoas que planejam se retirar do serviço de saúde se forem forçadas a participar em abortos”, mencionou Dr. Cupples a ‘The Independent’.

“Também existem pessoas em obstetrícia, ginecologia e parteiras que estão preocupadas com as consequências de se recusarem a receber capacitação em temas de aborto, pois poderiam ser obrigadas a fazê-lo ou admoestadas por seus empregadores ou por um organismo profissional”, disse.

No início da semana passada, a legislatura delegada da Irlanda do Norte não conseguiu bloquear as mudanças nas leis de aborto e casamento homossexual aprovadas pelo Parlamento Britânico, que tem autoridade para governar a área na ausência de uma assembleia local em funcionamento.

Anteriormente, o aborto só era permitido na região nos casos em que a vida da mãe estava em perigo ou se havia um sério risco de danos permanentes à sua saúde física e mental se chegasse ao final da gravidez.

O aborto é legal no resto do Reino Unido até a 24ª semana desde 1967. A pressão para legalizar o aborto na Irlanda do Norte cresceu depois que em 2018 o referendo legalizou o aborto na República da Irlanda.

A lei na República da Irlanda permite que os médicos que têm objeções de consciência sobre o aborto se abstenham de participar do procedimento, no entanto, os médicos que se opõem ao aborto devem encaminhar as mulheres aos médicos que o realizarão.

Documentos do Departamento de Saúde da República da Irlanda no início deste ano mostraram que os serviços de aborto são limitados em nove das 19 maternidades do país, em parte devido aos objetores de consciência.

Pelo menos 640 médicos clínicos gerais na Irlanda assinaram uma petição, em novembro passado, objetando a nova obrigação de encaminhar pacientes a outros médicos para abortos.

A maioria dos 2.500 médicos de clínica geral da República da Irlanda não está disposta a realizar abortos. Somente entre 4 e 6% dos médicos disseram que participariam do procedimento.

Dr. Cupples mencionou a ‘The Independent’ que está mais preocupado com as parteiras e outros profissionais que não têm “proteção” sob a nova lei de aborto na Irlanda do Norte.

As pautas emitidas pelo Parlamento da Grã-Bretanha para os profissionais de saúde na Irlanda do Norte em relação aos novos regulamentos sobre o aborto estabelecem que “qualquer pessoa que tenha uma objeção de consciência ao aborto pode expor isso ao seu empregador”, informou a BBC.

Também assinala que, na Inglaterra e no País de Gales, os médicos podem se opor a participar de um aborto em temas “funcionais”, mas ainda são obrigados a participar de qualquer tarefa administrativa ou relacionada à assistência médica.

Essas pautas se aplicam até o final de março, quando será concluída uma consulta pública de 12 semanas e o governo da Irlanda do Norte emitirá protocolos oficiais para profissionais de saúde sobre o aborto na região.

Fonte: ACI

Os escritos do recém-canonizado Cardeal John Henry Newman oferecem reflexões importantes para a sociedade contemporânea sobre liberdade de consciência e o dever de buscar a verdade, disse uma figura destacada na liberdade religiosa internacional.

“Newman prefigurou a Declaração de 1965 da Igreja sobre liberdade religiosa, Dignitatis humanae“, disse o presidente de Religious Freedom Institute, Thomas Farr.

Farr, que atuou como diretor inaugural do Escritório de Liberdade Religiosa Internacional do Departamento de Estado dos Estados Unidos, no início da década de 2000, falou em um simpósio organizado pelo Instituto Thomistic da Universidade Angelicum, em Roma, no início deste mês. O evento celebrou a canonização do Cardeal Newman realizada em 13 de outubro.

Newman foi um teólogo, poeta, sacerdote católico e cardeal do século XX. Nasceu em 1801 e, antes de sua conversão ao catolicismo, foi conhecido e respeitado acadêmico de Oxford, pregador anglicano e intelectual público.

Farr mencionou que a conhecida frase do Cardeal Newman: “A consciência tem direitos porque tem deveres” oferece um lembrete importante de que somos obrigados a formar nossa consciência na verdade, reconhecendo que “nossa liberdade não nos dá o direito moral de fazer o incorreto”.

Dignitatis humanae afirma o direito à liberdade religiosa, uma liberdade que não pode ser coagida em matéria de consciência, disse Farr, citando o documento: “Deus chama realmente os homens a servi-lo em espírito e verdade; eles ficam, por esse fato, moralmente obrigados, mas não coagidos. Pois Deus tem em conta a dignidade da pessoa humana, por Ele mesmo criada, a qual deve se guiar pelo próprio juízo e agir como liberdade”.

Mas, embora os seres humanos sejam obrigados a seguir suas consciências, também são obrigados a obedecer a Deus, disse Farr.

“Uma consciência errante que resulta da nossa incapacidade de garantir que se ordene à verdade conduz à culpabilidade moral”, comentou. “A busca deliberada pelo mal pode levar a pessoa ao pecado grave. Um homem poderia seguir uma consciência mal formada diretamente para o inferno”.

Por esse motivo, Dignitatis humanae também enfatiza os direitos e deveres da Igreja de ensinar publicamente o que é verdadeiro sobre liberdade, justiça, natureza e Cristo, disse.

O Cardeal Newman entendeu bem a importância de ordenar a consciência à verdade, tal como Deus a entregou à Igreja através do Magistério, disse Farr.

O santo escreveu uma vez: “Nesta época… o direito e a liberdade de consciência [são vistos como o direito] a dispensar com consciência, a ignorar um Legislador e um Juiz, a ser independentes de obrigações invisíveis”. A consciência, alertou, estava sendo substituída pela “vontade própria”.

Em suas advertências sobre a consciência, o Cardeal Newman demonstrou ser profético, disse Farr. Hoje, a cultura ocidental distorce a visão da consciência em um grau ainda maior do que na época do Purpurado, de modo que não está mais orientada para Deus, mas para si mesmo.

“Para muitos, aceitou-se a obrigação de seguir a própria consciência, mas deixou-se de lado a fidelidade à verdade”, disse Farr.

Essa falsa interpretação da “liberdade de consciência” contribuiu para um ateísmo e para a rejeição da lei natural, continuou.

“Essa visão falsificada incentivou, dentro e fora da Igreja, uma profunda confusão com relação à natureza do homem e da mulher criados por Deus; as belas verdades sobre o matrimônio, a família e a sexualidade humana; e a necessidade de liberdade religiosa para todas as pessoas e sociedades”.

Tanto a sociedade moderna como a Igreja foram prejudicadas por essa falsa visão de consciência, disse Farr, e ambas fariam bem em prestar atenção às advertências emitidas pelo Cardeal Newman há mais de um século.

“Os erros de nossa época, muito mais generalizados do que na época de Newman, hoje colocam uma responsabilidade maior sobre os fiéis, clérigos e leigos, para ensinar e testemunhar essas verdades”, afirmou.

“Juntos, Newman e Dignitatis [humanae] podem nos ajudar a resistir à noção errônea de consciência ‘livre’ mais voltada para dentro de si mesmo e isolada de Deus e da natureza” do que voltada para fora, “para Deus, que, sendo mais íntimo do que nós mesmos e mais natural do que qualquer outra pessoa, é a única garantia da verdadeira liberdade”.    

Fonte: ACI

FALSOS MISSIONÁRIOS

Às vezes se confunde missão católica com serviço social e promoção humana. Numa homilia de domingo escutei um missionário dizer que trabalha com os índios, mas que “não está ali para cristianizar e dogmatizar ninguém”; achei muito estranho. Ora, evangelizar é levar a salvação de Jesus Cristo e as verdades  dogmas da fé). Fiquei escutando o resto da homilia e percebi que o trabalho do missionário não se diferenciava das ONGs que estão entre os índios, ou talvez fosse apenas como o trabalho da FUNAI ; uma preocupação de levar o “bem estar social” aos índios: defesa, vacinas, preservação da cultura indígena, etc. Não ouvi falar de conversão, de batismo e de abraçar a fé católica.

Se não é para cristianizar os índios, então, não é verdadeira evangelização católica. O papel missionário da Igreja é levar a salvação de Jesus Cristo, como fizeram São Pedro, São Paulo e os demais Apóstolos, sem esquecer a caridade é claro, que sempre fizeram e fomentaram. Mas se faltar a catequese católica, não é verdadeira evangelização; é mera assistência social. Isso muitas instituições podem fazer, mas levar Jesus Cristo, o Batismo da salvação, a Confissão, a Eucaristia, o Matrimônio, etc… só a Igreja é capaz de fazer.

São Paulo VI disse na “Evangelli Nuntiandi” que “não há verdadeira evangelização se não se falar do nome de Jesus, de seus milagres, de sua doutrina, de sua paixão, morte e ressurreição redentoras da humanidade”.

Parece que há um medo de se falar de cristianismo, catolicismo, Igreja católica, dogmas, com receio de ferir a “liberdade” das pessoas; ora, disse o Papa Bento XVI que “os dogmas não são cadeias, mas janelas abertas para o infinito”. Há uma tendência perigosa e falsa da parte de alguns missionários (penso que fruto da teologia da libertação) de levar apenas aos que não conhecem a Cristo, a promoção social e o bem estar, descurando da salvação da alma, e do combate ao pecado. Deixa que se salvem em suas crenças e mitos. Ora, São Pedro disse que: “Não nos foi dado outro nome sob o Céu no qual tenhamos a salvação”.

Ora, as últimas palavras de Jesus à Igreja foram: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16, 15-16 ). “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi”(Mt 28.19-20).

A evangelização é para isso, senão não é missão católica evangelizadora. Nota-se que há um esvaziamento da verdadeira missão católica, como o Vaticano alertou em 03/12/2007 pela “Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé”, na importante “Nota Doutrinal sobre alguns aspectos da evangelização”, chamando a atenção para os desvios. Negar toda a verdade salvífica do Evangelho aos povos não cristãos, trocando isso por promoção social, é traição do missionário a Cristo. Hoje, como mostra a Nota da Santa Sé, há um perigo enorme de se querer deixar os nativos viverem “sua própria vida religiosa”, eivada de erros, maus costumes e superstições; ao invés de pregar-lhes a conversão a Jesus Cristo. O documento da Congregação da Fé diz:

«Com efeito, os Apóstolos, “movidos pelo Espírito, convidavam todos a mudar de vida, a converter-se e a receber o Batismo” [Redemptoris Missio, 47], porque a «Igreja peregrinante é necessária à salvação»[Catecismo §846]”. “Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tim 2, 4); e “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade“ (1Tm 3,15) [10].

Continua a Nota do Vaticano: “Hoje, todavia, o anúncio missionário da Igreja é «posto em causa por teorias de índole relativista, que pretendem justificar o pluralismo religioso, não apenas de fato, mas também de iure (ou de princípio)» [Dominus Iesus, 4]. Há muito que se criou uma situação na qual, para muitos fiéis, não é clara a mesma razão de ser da evangelização [EN, 80]. Afirma-se mesmo que a pretensão de ter recebido em dom a plenitude da Revelação de Deus esconde uma atitude de intolerância e um perigo para a paz”.

São fundamentais essas palavras de Paulo VI, mostrado esse perigo:

“É assim que se ouve dizer, demasiado frequentemente, sob diversas formas: impor uma verdade, ainda que seja a verdade do Evangelho, impor um caminho, ainda que seja o da salvação, não pode ser senão uma violência à liberdade religiosa. De resto, acrescenta-se ainda: Para que anunciar o Evangelho, uma vez que toda a gente é salva pela retidão do coração?… Não será, pois, uma ilusão o pretender levar o Evangelho aonde ele já se encontra, nestas sementes que o próprio Senhor aí lançou? É claro que seria certamente um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará, e isso, sem pressões coercitivas, sem persuasões desonestas e sem aliciá-la com estímulos menos retos, longe de ser um atentado à liberdade religiosa, é uma homenagem a essa liberdade, à qual é proporcionado o escolher uma via que mesmo os não-crentes reputam nobre e exaltante. Será então um crime contra a liberdade de outrem o proclamar com alegria uma Boa Nova que se recebeu primeiro, pela misericórdia do Senhor?  Ou por que, então, só a mentira e o erro, a degradação e a pornografia, teriam o direito de serem propostos e com insistência, infelizmente, pela propaganda destrutiva dos “mass media”, pela tolerância das legislações e pelo acanhamento dos bons e pelo atrevimento dos maus? Esta maneira respeitosa de propor Cristo e o seu reino, mais do que um direito, é um dever do evangelizador. E é também um direito dos homens seus irmãos o receber dele o anúncio da Boa Nova da salvação.” (EM,80).

Paulo VI disse ainda que: “numerosos cristãos… têm frequentemente a tentação de reduzir a sua missão às dimensões de um projeto simplesmente temporal; os seus objetivos a uma visão antropocêntrica; a salvação, de que ela é mensageira e sacramento, a um bem-estar material; a sua atividade, a iniciativas de ordem política ou social esquecendo todas as preocupações espirituais e religiosas. No entanto, se fosse assim, a Igreja perderia o seu significado próprio. A sua mensagem de libertação já não teria originalidade alguma e ficaria prestes a ser monopolizada e manipulada por sistemas ideológicos e por partidos políticos. Ela já não teria autoridade para anunciar a libertação, como sendo da parte de Deus. Foi por tudo isso que nós quisemos acentuar bem na mesma alocução, quando da abertura da terceira Assembléia Geral do Sínodo, “a necessidade de ser reafirmada claramente a finalidade especificamente religiosa da evangelização. Esta última perderia a sua razão de ser se se apartasse do eixo religioso que a rege: o reino de Deus, antes de toda e qualquer outra coisa, no seu sentido plenamente teológico”.(62)

Paulo VI ensinou em que consiste a Evangelização: “Como núcleo e centro da sua Boa Nova, Cristo anuncia a salvação, esse grande dom de Deus que é libertação de tudo aquilo que oprime o homem, e que é libertação sobretudo do pecado e do maligno, na alegria de conhecer a Deus e de ser por ele conhecido, de o ver e de se entregar a ele” (EN, 9).

A Nota da Sagrada Congregação da Fé, diz:

“Todavia, hoje verifica-se uma crescente confusão que induz muitos a deixar inaudível e inoperante o mandato missionário do Senhor (cf. Mt 28, 19). Muitas vezes pensa-se que toda a tentativa de convencer os outros em questões religiosas seja um limite posto à liberdade. Seria lícito somente expor as próprias ideias e convidar as pessoas a agir segundo a consciência, sem favorecer uma conversão a Cristo e à fé católica. Diz-se que basta ajudar os homens a serem mais homens ou mais fiéis à própria religião, que basta construir comunidades capazes de trabalhar pela justiça, a liberdade, a paz, a solidariedade. Além disso, alguns defendem que não se deveria anunciar Cristo a quem O não conhece, nem favorecer a adesão à Igreja, pois seria possível ser salvos mesmo sem um conhecimento explícito de Cristo e sem uma incorporação formal à Igreja” (N.3).

O Reino de Deus não é – como alguns hoje sustentam – uma realidade genérica que domina todas as experiências ou as tradições religiosas, e às quais deveriam tender como que a uma universal e indistinta comunhão todos aqueles que procuram Deus, mas é acima de tudo uma pessoa, que tem o rosto e o nome de Jesus de Nazaré, imagem do Deus invisível” [RM, 18].
Infelizmente o relativismo religioso tomou conta da cabeça de muitos “missionários” que fazem da Igreja como se fosse apenas mais uma ONG. Mas, nenhuma ONG pode levar as almas à salvação eterna.

Prof. Felipe Aquino

Das 7.100 línguas faladas sobre a Terra, mais de 3.700 não têm nenhuma tradução das Escrituras. Para ser preciso “a Bíblia inteira foi traduzida para 700 línguas, pouco mais de 1.500 possuem o Novo Testamento e outras 1.100 apenas algumas partes, dos Salmos aos Evangelhos”.

Trabalho não falta, considerando que “para uma tradução é preciso muito tempo”, explica o professor Schweitzer ao Corriere: “Se tudo correr bem, para o Novo Testamento são necessários entre três e quatro anos e para toda a Bíblia sete e oito”.

Não importa por quantas pessoas um idioma seja falado. No ano passado, as Sociedades Bíblicas (“trabalhamos com todas as denominações cristãs”) contribuíram para traduzir os textos sagrados em 66 línguas faladas por 440 milhões de pessoas. Entre as traduções da Bíblia, havia línguas como Rote (falada na Indonésia por 30 mil pessoas), Malto (Índia, 51 mil), Kalanga (Botsuana, 142 mil) ou Lusamia-Lugwe (650 mil em Uganda e Quênia).

Entre as versões do Novo Testamento aquelas em língua Lemi (Mianmar, 12.000 falantes) e Blin (Eritreia, 112.000).

A questão das línguas indígenas também está sendo abordada no Sínodo da Amazônia.  A tradução da Bíblia pode proteger idiomas em extinção? “Pode ser um efeito, mas esse não é o objetivo principal”, explica o teólogo. “Para nós, o essencial é que seja a comunidade cristã local a querer uma tradução e esteja envolvida no trabalho. Nosso trabalho é realizado com igrejas locais, são formados tradutores na língua materna “.  Além disso, “a tarefa de construir uma ponte entre o hebraico ou o grego antigos e as línguas mais remotas do presente – eventualmente não há equivalentes para ‘redenção’ ou ‘perdão’- é um trabalho imenso, com grupos de tradutores, e nunca termina”, considera Schweitzer: “Línguas e culturas evoluem. Trata-se também de retraduzir: uma versão litúrgica antiga não pode ser proposta para os jovens de hoje”.

 Fonte : Corriere della Sera, 11-10-2019.

Em seu livro My Body Doesn’t Belong to You, Marianne Durano, professora de filosofia e mãe de dois filhos, denuncia a violência tecnológica e médica sofrida pelas mulheres de nossa época.

Ela discute tópicos importantes, como práticas ginecológicas abusivas, pílula contraceptiva, gravidez vista como uma doença, locais de trabalho inadequados, tecnologia reprodutiva assistida e barriga de aluguel.

Mas este livro não é apenas um inventário de todas as intervenções tecnológicas atuais que alienam uma mulher de seu corpo. Por meio de seu testemunho pessoal como mulher e mãe, Marianne Durano propõe maneiras de ajudar as mulheres a recuperar seus corpos, nos contextos pessoal, social e político. Essas propostas, fundamentadas em um pensamento filosófico sólido, são a verdadeira força do livro.

Como podemos valorizar o corpo feminino em uma sociedade que busca negar suas características específicas? A resposta de Marianne Durano é simples: deixando de ver uma mulher como um homem mais fraco. No último capítulo de seu livro, a autora explica como nossa sociedade foi influenciada por uma filosofia que, de Aristóteles a Simone de Beauvoir, mostra desprezo pelo corpo feminino ou simplesmente o ignora.

Em resposta a essa rejeição histórica, Durano propõe o corpo feminino, com todas as suas características particulares, como sujeito próprio da reflexão filosófica. Isso requer o reconhecimento de que o corpo de uma mulher é diferente do de um homem, porque pode acolher a vida. O potencial para a maternidade não é insignificante. O corpo feminino deve ser considerado um corpo materno, um lugar de onde brota a vida.

Para Durano, a maternidade é uma característica fundamental do corpo feminino. Ela denuncia a ideia hierárquica de que a masculinidade tem precedência e que as mulheres devem negar sua feminilidade para se parecerem mais com os homens, alcançando assim a igualdade utópica. Reconhecer e valorizar a incrível capacidade de uma mulher de acolher a vida é essencial para ajudar as mulheres a abraçar sua feminilidade.

Autoconhecimento e autoaceitação

Como podemos impedir que nosso corpo seja apropriado por laboratórios farmacêuticos e um sistema médico invasivo? Aprendendo a conhecer a nós mesmas e a ouvir nossos corpos sem sufocá-los com hormônios. Para conseguir isso, Marianne Durano pede melhores informações sobre métodos naturais de controle de natalidade, que dependem do conhecimento da mulher sobre seus ciclos.

Muitas vezes apresentados como ineficazes e obsoletos, esses métodos são de fato muito confiáveis ​​se forem bem compreendidos e praticados. Muitas organizações oferecem cursos sobre esses métodos, e vários aplicativos permitem que as mulheres acompanhem seus ciclos e anotem suas observações diárias. Aprender a conhecer e respeitar o seu corpo é uma ótima maneira de cuidar da sua fertilidade.

Estações

Compreender seu ciclo pode permitir que uma mulher reconheça como seu corpo experimenta as quatro estações do mês: inverno, fase da morte e renascimento, coincide com a menstruação; primavera, quando o corpo se prepara para a ovulação; verão, fase de plenitude que se segue à ovulação; e outono, pouco antes da próxima menstruação.

Uma mulher não segue a mesma trajetória linear que um homem em sua relação com o tempo. Seu corpo diverge naturalmente das demandas do local de trabalho atualmente definido para ser igualmente produtivo todos os dias do mês.

Para ajudar as mulheres a se orgulharem de sua feminilidade, a sociedade deve respeitar sua natureza. Segundo Marianne Durano, é necessário considerar a relação de uma mulher com o tempo como distinta da de um homem. Todo mês, ela vive uma morte e renascimento, sinais de sua fertilidade e potencial maternidade.

Gravidez

Marianne Durano também denuncia a maneira pela qual nossa sociedade vê a gravidez como uma patologia, o que pode deixar as mulheres grávidas assoladas por incertezas e angústias, às vezes até mesmo em isolamento. Como podemos evitar essa visão profundamente tendenciosa da gravidez?

Uma maneira de combater essa mentalidade é incentivar associações que apoiam mulheres grávidas. Outra é apoiar os ginecologistas que capacitam as mulheres – que não consideram a gravidez uma doença.

É importante que toda mulher grávida seja bem apoiada, inclusive após o parto. Durano destaca a importância da “quarentena” pós-parto – um período de 40 dias após o parto, durante o qual a mãe se recupera do esforço da gravidez e do parto. A importância dessas poucas semanas não deve ser negligenciada. A família e os amigos devem cercar a nova mãe com amor para ajudá-la a cuidar de si mesma e do recém-nascido.

A mudança começa em cada um de nós

Para que essas mudanças se enraízem, elas devem ser adotadas pela sociedade. Marianne Durano defende uma reorganização da sociedade a partir do lar, não das finanças. De fato, o significado original da palavra grega “oikos”, da qual derivamos “economia”, é “lar comum”. Um retorno ao lar implicaria uma apreciação renovada pelas profissões de ajuda e pela educação. Essas profissões, frequentemente ocupadas por mulheres, são frequentemente desvalorizadas.

Temos que esperar por mudanças sociais e políticas para viver plenamente nossa feminilidade? Para Marianne Durano, que define o corpo feminino como um lugar de liberdade por excelência, a mudança começa em casa, na autogovernança.

Todo atividade doméstica, como cozinhar, cuidar da casa, cuidar dos filhos, deve ser vivida como meio de reforçar a verdadeira feminilidade. Nesse sentido, as mulheres têm um papel essencial a desempenhar na formação do futuro, especificamente na manutenção do respeito à vida e na transmissão de valores às gerações mais jovens. Devemos arregaçar as mangas e abraçar nosso gênio feminino!

Autor: Maëlys Delvolvé -Aleteia

No início de 2020, a “VatiVision” vai estrear como uma plataforma de streaming com conteúdos religiosos, artísticos e culturais inspirados em mensagens cristãs. A novidade ficará disponível na Itália e ao redor do mundo e poderá ser vista pela internet.

Através de dispositivos diferentes como smarthphone e web, a Netflix do Vaticano chega com uma proposta para  “transmitir séries de TV, filmes e documentários destinados ao público global que reconhece ou tem interesse nos valores cristãos”.

“Nos voltamos para metas que foram negligenciadas até o momento e pretendemos alcançar resultados importantes, tanto pela qualidade e originalidade do conteúdo quanto pela distribuição mundial, com um público potencial de um bilhão e 300 milhões de pessoas de fé católica”, explicou Luca Tomassini, presidente da plataforma representante da Vetrya.

Fonte: Meia hora de notícias

Atenção, o artigo está escrito em português de Portugal. Alguns termos são Lusitanos.

Quando vem ao mundo o primeiro filho, o amor espontâneo dos pais encontra-se saturado da procura de si mesmo. O primeiro filho é objeto de orgulho, porque ter dado ao mundo um homem é uma obra prodigiosa. Todos os sinais de personalidade humana que sucessivamente vão surgindo, à medida que o filho se desenvolve, são, para os pais, motivo de assombro, de alegria, de novo orgulho.

Isso é natural e continua grandemente saturado de egocentrismo.

Mas à medida que o filho cresce, à medida que os filhos se multiplicam, o amor dos pais deve alargar-se e depurar-se, porque a perfeição do amor paternal cifra-se num amor que, em todos os pormenores, só procura o bem do filho.

E, para começar, os pais devem organizar de algum modo a sua própria retirada, ensinando os seus filhos a viver sem eles.

Baseando-se o amor paterno no vínculo que une os filhos aos pais, estes consideram espontaneamente os filhos como alguma coisa de si próprios, e a tendência natural que se enxerta neste sentimento é a de desejar que os filhos dependam deles e da sua vontade, pouco mais ou menos como se fossem seus membros. Não nos podemos, pois, admirar de uma certa inclinação para a tirania, e de uma tendência – que ainda os melhores pais podem manifestar – de querer que os filhos não possam ter um pensamento, fazer um gesto, tomar uma decisão sem que eles lhos ditem.

É por isso que os pais, ainda os melhores, devem estar de sobreaviso em relação a si mesmos. Somos todos mais ou menos carnais: e o amor carnal absorve em vez de dar, porque não tende para o bem do amado, mas do amante. Procura a dependência do amado, procura cercá-lo por todos os lados, tece os laços de maneira que o amado só o possa ter a ele, na sua vida, só pense nele, só se ocupe dele, atue apenas por sua inspiração.

Mas a arte da educação consiste, primeiramente, em ensinar o filho a conduzir-se por si mesmo. O educador deve, portanto, formar o filho no uso progressivo da liberdade, favorecer nele o desenvolvimento da iniciativa e da decisão.

Desenvolvimento progressivo, evidentemente. O filho nasce inteiramente dependente; compete aos seus educadores libertá-lo pouco a pouco. Mas é preciso que os educadores tenham um raro domínio de si próprios para ministrar a liberdade aos que deles dependem.

Em cada família se reproduz, – ou tende a reproduzir-se em pequena escala – ” o que se passa com os Estados: os governantes começará por recusar aos súditos a liberdade, sob pretexto de que farão mau uso dela, e uma vez que fizeram tudo para que os seus súditos não pudessem aprender a servir-se dela, veem-se, não obstante, obrigados a conceder-lhe, mostrando-se triunfantes ao verificar que, com efeito, o povo faz mau uso da liberdade.

Do mesmo modo, há muitos pais que, sob o pretexto de proteger os filhos contra os perigos, lhes negam toda a oportunidade de experiências progressivas que os formem no sentido da responsabilidade: desde os três ou quatro anos, com efeito, a criança pode decidir em certas coisas – ainda que seja num jogo -, e é necessário habituá-la a fazê-lo.

É igualmente necessário que a criança possa e deva decidir-se em questões indiferentes, nas quais nenhum princípio está em jogo, porque impor-lhe nestes assuntos a vontade dos pais é impor-lhe o seu capricho. E a arbitrariedade sem justificação deforma, quer abafando as veleidades de independência que deveriam desenvolver-se para que pudessem gerar um sentido da responsabilidade e de dignidade ou respeito de si próprio, quer levando este começo de personalidade à revolta. Muitas vezes, as crianças que foram reprimidas na sua juventude acabam por cometer excessos ou erros no dia em que, de boa ou de má vontade, é preciso confiar-lhes o cuidado de si próprio; e muitas vezes também, os pais veem nisso a justificação do seu método de educação, quando, pelo contrário, é precisamente isso o que o torna condenável.

A este respeito, os novos métodos de educação, mais favoráveis ao desenvolvimento da espontaneidade, representam um progresso provavelmente importante sob o ponto de vista geral do desenvolvimento do gênero humano. Não impor à criança uma perfeição irreal que nenhum adulto pratica, não lhe impor que se cale ou que esteja quieta, sempre que nada o exige, a não ser o capricho ou a tranquilidade dos pais – tudo isso coloca a criança num ambiente de vida sã.

Para favorecer a aprendizagem da personalidade, devem, pois, os pais, em primeiro lugar, deixar que a criança corra as aventuras da vida, dentro dos limites que convém à sua idade – que corra as aventuras da vida e sofra as consequências dos seus atos… Correr as aventuras da vida é, para o bebé, explorar o parque infantil a que o levaram; sofrer as consequências dos seus atos, é ter de apanhar o brinquedo que deixou cair, ou fazê-lo perder momentaneamente aquele que deitou fora. As aventuras da vida podem estar limitadas, aos sete anos, pelos muros de um jardim; aos dez, pelos limites do bairro; aos quinze, pelo raio de alcance da bicicleta. Os pais devem mesmo, por vezes, levar o filho a fazer experiências; se é tímido ou de natureza linfática, introduzi-lo, por exemplo, num grupo de rapazes em que possa acamaradar. De uma maneira geral, devem, por outro lado, cuidar de que tenha companheiros da sua idade e intervir discretamente, sem que o filho o note, para o pôr em contato com os bons companheiros ou para o afastar dos maus.

Mas tudo isto exige um amor muito puro, sem egoísmo. Tanto mais que o mundo da criança tem dimensões diferentes do mundo das pessoas crescidas. Os gostos da criança, os seus entusiasmos, a sua escala de valores, são diferentes. É mais espontânea e mais viva, menos susceptível e mais irritável; os seus sentimentos facilmente despertam e facilmente se perdem; a sua atenção é mais fácil de cativar, e mais depressa se fatiga. É indiferente à riqueza e à posição social, à distinção e à vulgaridade, mas ama o pitoresco, o que dá nas vistas, cores berrantes, formas extraordinárias; ama também o barulho. É fundamentalmente caprichosa.

Sendo caprichosa, agrada-lhe aquilo que as pessoas crescidas denominam desordem. Agrada-lhe um quarto, quando pelos quatro cantos espalhou os seus brinquedos e voltou os móveis de pernas para o ar. Gosta mais de uma cadeira com as pernas partidas e senta-se com maior prazer nas costas ou nos braços de um fauteuil do que no assento. Adora o barulho: corre e salta, mas detesta andar. Os pais devem permitir ao filho viver como criança. É certo que há crianças que não são assim. Mas a essas, falta-lhes geralmente alguma coisa – falta de saúde ou defeito de educação. É desses que se diz, quando já são crescidos, que nunca foram crianças; e é uma infelicidade.

A criança, para ser ela mesma, deve viver no seu meio de criança. A que vive com os mais velhos deforma-se e não desabrocha. É o mal dos filhos únicos, se os pais não têm o cuidado de os afastar de si. O filho único converte-se facilmente num pequeno velho. Os pais extasiam-se com a precocidade das suas reflexões, a seriedade das suas palavras: no fundo, trata-se de um mimetismo impessoal. Fala como se fala à sua volta, sem chegar a compreender o que diz, e não se desenvolve progressivamente de acordo com as leis da sua idade e passando pelas etapas normais da formação. Não é para desejar nem para admirar que a criança de dez anos fale como um homem de trinta. Para que aos trinta anos seja um homem completo, é preciso que aos dez anos fale, pense, atue como uma criança de dez anos.

O são desenvolvimento da criança exige que ela cresça entre as outras crianças e tenha no meio destas a aprendizagem da sua vocação de homem. É entre os seus iguais que a criança adquire a sua importância e o seu valor de homem, o seu peso. O miúdo de dez anos, o adolescente, entre os da sua idade, fala com autoridade. Entre pessoas crescidas, particularmente com os pais, deve contentar-se com receber.

A ação dos pais deve, portanto, orientar-se no sentido de que o filho tenha a sua vida autônoma: não o conseguirão sem um rigoroso controle de si próprios. A razão de ser dos filhos não está na satisfação dos pais; o filho é para si mesmo, é para a obra que mais tarde deverá realizar. A educação tem por finalidade prepará-lo para isso. E não tem outra.

Mas se a educação exige que se permita à personalidade do filho manifestar-se, não exige menos uma disciplina, porque a sua segunda exigência fundamental é a formação do domínio de si mesmo. O valor humano pressupõe um equilíbrio entre a espontaneidade e a disciplina. O filho deve poder desenvolver a sua espontaneidade no seu meio de criança. Por outro lado, deve outro tanto poder aceitar as leis das pessoas crescidas.

Em certos lugares e em certas situações, a criança deve respeitar o código das pessoas adultas, com a condição de que, noutros lugares e noutras circunstâncias, lhe permitam que viva segundo a sua lei. Muitas vezes deverá permanecer junto dos pais, mas não sempre.

Sob o pretexto de respeitar a espontaneidade do filho, não devem os pais pôr-se ao seu serviço. A criança deve ter domínios onde possa estabelecer a sua ordem: não é preciso que a imponha em toda a parte. E deve ser formada não só na modéstia, mas também na disciplina; não deve julgar-se pessoa importante; não se lhe deve prestar demasiada atenção. Os pais enganam-se e agem contra o interesse do filho quando se curvam a todos os seus caprichos.

Há famílias em que o filho é uma espécie de rei. Os pais conversam com uma visita, mas, se chega o filho, tudo pára, só a ele se presta atenção, é ele quem dirige a conversa, extasiam-se com tudo o que ele diz ou faz; pode pôr tudo de pernas para o ar, que só haverá gritos de admiração pela sua inteligência e pelo seu espírito inventivo. Essas crianças estão mal educadas e correm o risco de não estarem aptas para enfrentar a vida.

Mas esta disciplina, repetimos, deve ser estabelecida no interesse do filho, não no dos pais; deve exprimir uma lei racional, não o capricho de pessoas adultas. Deve-se fazer calar a criança quando é razoável que ela se cale, ralhar-lhe quando é razoável que se ralhe, não gritar alto para descarregar os nervos para, momentos depois, a sufocar com carícias. A criança não é um brinquedo. Recompensas e castigos devem derivar da sua conduta, não da disposição dos mais velhos. Também nisso precisam os pais de um grande domínio de si mesmos.

Os pais devem, pois, resignar-se com que os filhos perturbem a perfeita ordem da sua vida: uma casa em que crescem algumas crianças não pode estar tão meticulosamente cuidada como uma casa de pessoas velhas e sem filhos. E devem resignar-se também com que os filhos os deixem, e ficar contentes de que os deixem; e isto se deverá acentuar cada vez mais até ao dia em que o filho os deixará para sempre a fim de concentrar a sua vida em alguém que nada fez para ele, a quem não está ligado por nenhuma dívida de reconhecimento, a quem, contudo, vai unir a sua vida e colocar daí por diante acima dos pais – acima dos pais a quem tudo deve!… um estranho, uma estranha! – e também se resignarão de que se consagre de corpo e alma à mulher e aos filhos, quase esquecendo os pais… Quantos dramas porque os pais não querem renunciar aos seus filhos, porque procuram impedi-los de se casarem… O pai que se indigna porque um desconhecido pretende arrebatar-lhe a filha que ele educou, criou e cercou de cuidados e de afectos! A mãe que não pode suportar que a filha pertença toda a quem a desposou, e que se intromete, pretendendo defender a sua filha – a clássica sogra!… E os pais que não querem que os filhos se casem novos, já que, depois de terem sofrido tanto para os criar, deveriam ao menos poder gozar da sua companhia por alguns anos…

Mas este drama, que se descobre frequentemente na altura do casamento, foi precedido de uma série de pequenas tragédias domésticas que tiveram começo logo que o filho, por vezes muito novo ainda, experimentou o desejo de fazer alguma coisa por si mesmo. E ainda o mais trágico são os filhos cuja personalidade está de tal modo abafada pelo amor devorador dos seus pais que se sentem satisfeitos numa atmosfera de estufa, onde nada há que possa robustecer as articulações do seu corpo ou da sua alma.

Além disso, a educação exige dos pais um contínuo esforço de adaptação, ainda que seja apenas para se aperceberem do crescimento dos filhos. Porque estes mudam com uma rapidez que desconcerta as pessoas mais velhas. Uma criança de dez anos já não é bem o mesmo ser que uma criança de cinco. E o adolescente de quinze olha de muito alto o miúdo de dez, enquanto que, no mesmo tempo, o homem de quarenta anos chegado aos quarenta e cinco não mudou praticamente nada.

Como continuam sempre os mesmos, os pais têm dificuldade em compreender que, mais ou menos de dois em dois anos, uma verdadeira revolução se opera na vida do filho, até à adolescência. E tendo adquirido o hábito de o tratar como miúdo no começo da sua vida, eles continuam sempre atrasados perante o facto da sua evolução, a não ser que mantenham uma grande vigilância sobre si mesmos.

Conhecemos pais e mães que falam do seu “menino”, referindo-se a um filho de vinte anos, alto como uma torre… E vêem-se pais ficar estupefactos quando os seus filhos lhes falam em se casar, numa idade… que era a deles próprios, quando se casaram! Mil pequenas coisas como estas explicam os conflitos entre pais e filhos. A missão de pai é uma missão delicada, que exige uma vigilância incessante, Estar de sobreaviso, não somente em relação aos filhos – talvez nem sequer de modo particular em relação aos filhos – mas em relação a si próprio, exigindo renúncia e autodomínio a cada instante. É essa a regra eterna do amor: dar-se e viver para o amado. Os pais que são verdadeiros pais dão-se constantemente e nada recebem nem pedem nada. São esses os pais que recebem de seus filhos atenções, ternura e cuidados.

Os filhos para os quais se constituiu um lar acolhedor e onde ninguém os procura reter, voltam a ele gostosamente. Os que se tentam reter com autoridade procuram meio de se evadir. O apego à família não é proporcional ao número de horas que nela se vive, mas à felicidade que nela se encontra. O rapaz e a moça que sempre voltam ao lar com agrado, mas que raras, vezes aí se encontram, porque mil ocupações os solicitam lá fora, têm frequentemente mais espírito do que aqueles que se vêem obrigados a ficar no lar só para fazer companhia aos pais.

Há lares onde, sob pretexto de espírito de família, os filhos devem passar a noite “em família”, quer dizer num quarto comum, onde o pai fatigado dormita sobre um jornal e proíbe que se faça barulho! Muitas das chamadas boas famílias são simplesmente famílias onde todos se aborrecem. E não é este o verdadeiro meio de despertar nos filhos o amor do lar, nem de lhes deixar uma boa recordação da sua juventude… Mas os pais que sabem aceitar que os filhos os deixem para seguir o seu caminho, que sabem interessar-se por eles, ouvir as suas histórias de meninos e de adolescentes, responder às suas perguntas, que entram na sua vida sem a constranger e aceitando que os filhos sejam primeiramente crianças, e depois adolescentes – com tudo o que isto pressupõe de qualidades e defeitos -, que não lhes exigem uma perfeição que eles próprios não praticaram -, esses pais têm uma alegria profunda, a grande alegria paternal de possuir a confiança de seus filhos, de os ver voltar para junto de si com um prazer sempre renovado e, à medida que crescem, de os ver, cada vez mais, testemunhar, pelo seu afeto e atenções, que os seus pais representam para eles o maior amor que porventura se debruçou sobre as suas vidas.

E se os pais souberem formar os seus filhos, têm a alegria de os ver crescer e dar os frutos que correspondem às suas diferentes personalidades, de os ver, por seu turno, fundar lares e dar-lhes netos, de ver outros elevar até Deus, pela sua vocação religiosa, a oferenda da família, de ver deste modo a sua obra prolongar-se e estender-se e de se encontrarem, na velhice, envolvidos pelo abraço de todos estes afetos.

Afirmou-se mais acima que os filhos deixam os pais para se casar; é verdade, mas deixam-nos para regressar duma outra maneira, graças à qual os pais lhes aparecem como os conselheiros mais seguros e mais desinteressados, como o afeto mais puro. Os pais já não ocupam o mesmo lugar material na vida dos seus filhos adultos, mas conservam um lugar de afeto que ninguém mais pode substituir. Para nenhum de nós, já o disse, o seu pai ou a sua mãe são como um homem qualquer ou como uma mulher qualquer, e este vínculo moral entre pais e filhos, quando purificado pela caridade cristã, é uma das mais altas perfeições humanas e uma das fontes mais doces de alegria.

(Jacques Leclercq)

Em todas as etapas da vida dos filhos os pais têm novos desafios. À medida que eles crescem, algumas adaptações no exercício parental precisam ser feitas, principalmente em relação ao equilíbrio entre autoridade e liberdade. E nessa construção da relação familiar, autoridade nunca pode ser confundida com autoritarismo. E o contrário também exige atenção, já que a liberdade em excesso também é nociva.

Dentro da família todos são convidados a participar e ouvir uns aos outros, mas são os pais que têm a responsabilidade de impor limites aos filhos. Entretanto, não é bem isso que acontece na prática em algumas famílias. Por um lado, existem pais muito severos e por outro há também aqueles que dão liberdade em excesso e erram ao não impor os limites necessários aos filhos, em cada etapa do desenvolvimento da criança.

É que naturalmente os pais exercem autoridade sobre os filhos, mas esse fator na educação de uma criança não pode ser confundido com o autoritarismo – que é um tipo de liderança em que só um fala e que tem razão sobre tudo. “Essa é uma maneira negativa de construção de relacionamentos. Não é desse jeito que se estabelece uma relação de confiança com os filhos”, afirma Maristela Gripp, psicopedagoga e professo do Centro Universitário Internacional Uninter.

Portanto, a autoridade dos pais sobre os filhos não deve ser restritiva, para não cair no autoritarismo. “O autoritarismo não deve ter lugar em nenhuma família, porque todas as pessoas gostam de participar, mesmo as crianças menores. A liberdade na dose certa gera crescimento e confiança”,diz ela. Exercer autoridade é ser influência positiva na vida dos filhos, sendo um modelo a ser seguido por suas ações e palavras.

“O autoritarismo não deve ter lugar em nenhuma família. A liberdade na dose certa gera crescimento e confiança”

O que acontece é que ao tentarem não ser autoritários, alguns pais oferecem liberdade em excesso também.  Para dosar esses limites, antes de mais nada é preciso o diálogo entre pais e filhos, e a liberdade pode ser exercida com limites havendo uma troca. Deixar que as crianças opinem e façam perguntas, não faz dos pais menos do que os filhos. “Tudo isso ajuda na construção dessa liberdade em relação ao indivíduo. E é diferente de deixar que façam tudo o que querem e como querem”, sinaliza Maristela.

“O tiro pode sair pela culatra”

De acordo com a especialista, especialmente quando os filhos chegam à fase adulta, essa autoridade precisa ser trocada pela orientação, se não o exagero pode resultar na rebeldia dos filhos.

“Nessa fase os pais precisam entender que não são mais autoridade e sim ajudadores na vida deles”, diz. Ao serem rígidos demais, o tiro pode sair pela culatra, porque aquele indivíduo é tão exigido que ela desmonta de vez ou parte para o oposto daquilo que é esperado, porque não houve um equilíbrio nessa relação”, alerta a psicopedagoga.

É necessário, portanto, que os pais se lembrem sempre de os filhos não são copias suas, mas, sim, pessoas diferentes em sua personalidade e na maneira de enxergar o mundo.

Claro que o adulto pode contribuir no desenvolvimento do jovem, mas a visão de mundo dele é bastante diferenciada e os pais precisam respeitar isso. “Em muitas vezes os pais são rígidos por uma questão pessoal, porque vieram de um lar que acha que faltava disciplina”, aponta ela.

Fonte: Sempre Família