Blog Carmadélio http://blog.comshalom.org/carmadelio Artigos e notícias de interesse permanente selecionadas à luz da verdade e da fé Católica. Fri, 24 Oct 2014 14:43:00 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.6 * ‘Colocar meus pais em asilo me assombrará para sempre’. http://blog.comshalom.org/carmadelio/43558-colocar-meus-pais-em-asilo-assombrara-para-sempre http://blog.comshalom.org/carmadelio/43558-colocar-meus-pais-em-asilo-assombrara-para-sempre#comments Fri, 24 Oct 2014 14:39:28 +0000 Carmadélio http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=43558 141020000830_sp_fiona_phillips_624x351_bbc

A apresentadora britânica Fiona Phillips reflete sobre a difícil decisão de colocar seus pais num asilo quando ambos foram diagnosticados com demência:

“Atualmente, mais de 433 mil pessoas vivem em asilos no Reino Unido. Isso significa, pelo que indica uma pesquisa, que centenas de milhares de parentes no país tiveram que tomar uma das decisões mais difíceis de suas vidas.

Segundo este estudo, optar por internar um pai ou uma mãe em um asilo é um dos momentos mais estressantes pelo qual alguém pode passar na vida, mais do que comprar uma casa ou mesmo se divorciar.

Colocar alguém que amamos sob os cuidados de estranhos é como dizer “desisto” ou “não posso cuidar de você”. Ao menos, é como alguém se sente quando sai porta afora e deixa para trás o marido que ama e com quem viveu por décadas, ou a mãe que criou você com muito amor e cuidou de cada ferimento físico ou emocional que você já teve.

Há algumas semanas, o papa Francisco disse algo que trouxe de volta toda a culpa que senti ao colocar minha mãe em um asilo. Em uma missa especial para homenagear avós, ele afirmou que uma sociedade que não cuida de seus idosos ‘não tem futuro’.

Ele alertou contra a cultura ‘venenosa’ de abandoná-los em asilos, onde “normalmente sofrem com a negligência, o medo e a solidão”.

Até 80% das pessoas que vivem em asilos sofrem de Mal de Alzheimer ou alguma outra forma de demência. É uma condição deplorável, pouco compreendida e cruel pela qual vi meus dois pais passarem.

Nunca esquecerei do dia que deixei minha mãe em um asilo – com quase 70 anos, ela era uma das mais jovens entre os que viviam lá. Ainda acordo de noite com a culpa de deixá-la enquanto ela implorava: ‘Mas eu sou sua mãe…’.

Nas quatro horas que passei no carro na minha viagem de volta pra casa, meu rosto se inundou de lágrimas. Ainda carrego esta viagem viva na minha memória.

Meu pai havia dito que não podia cuidar dela. Odiei ele por causa disso. O que não sabíamos na época era que ele também já estava no estágio inicial do Alzheimer.

Minha mãe tinha três filhos. Ainda assim, nenhum a levou para morar com eles. Nenhum de nós deu a ela o mesmo cuidado amoroso que ela havia dado a nós. É este pensamento que ainda continuo a remoer em minha cabeça. É este pensamento que ainda me leva às lágrimas quando ouço uma das músicas do Elvis que ela mais gostava.

Mas, como sua doença exigia que alguém cuidasse dela noite e dia, não via como podia cuidar dela e do meu filho de 3 anos e manter meu emprego na TV, que exigia levantar às 3h30 da madrugada, muitas vezes sem ter dormido à noite.

Em algumas noites, minha mãe me ligava a cada hora chorando e dizendo que não se lembrava mais como assar bolos. Sentia-me esgotada mentalmente e fisicamente e que não podia mais aguentar tudo aquilo.

Penso com frequência no dia em que tomei a decisão. Minha mãe estava no hospital depois de ter quebrado a bacia – algo comum em pacientes com demência, já que eles costumam perder seu equilíbrio.

Depois de visitá-la, meu pai, que estava se comportando de forma cada vez mais estranha, anunciou de repente: ‘Não quero mais ela em casa. Não posso cuidar dela’.

Foi algo que, na época, considerei completamente insensível e cruel, sem saber que o Alzheimer estava também mudando aos poucos sua personalidade.

Meu irmão David, meu pai e eu fomos a um bar onde eu e David revimos a decisão várias vezes, enquanto listávamos uma série de asilos para visitar. Na época, em 2002, descobrimos que nenhum deles oferecia cuidados especiais para demência.

Depois de muitas visitas deprimentes, escolhemos um asilo onde uma das moradoras disse que amava morar ali, apesar de hoje eu lembrar que ela também disse: ‘Mas é muito difícil conseguir um drink se você quer um’.

Minha mãe foi internada com desidratação por diversas vezes durante o período que ficou no asilo. Minha culpa e o meu coração partido me fizeram dirigir para o País de Gales todos os fins de semana para ver minha mãe – que antes, estava sempre glamorosa – sentada em uma cadeira, de cabeça baixa (o sorriso tinha sumido), usando roupas de outras pessoas, com as unhas suja, o cabelo também. A aparência de uma instituição. Não de uma casa. Aquela aparência vai sempre me atormentar.

Atualmente, existem mais lares e asilos especializados em cuidar de pessoas com demência, mas, conforme a Comissão de Qualidade de Lares atestou em relatório divulgado nesta semana, ainda há mais lugares ruins do que bons.

Minha mãe já havia morrido quando ficou claro para mim que meu pai não podia mais viver sozinho. Eu descobri isso quando cheguei na porta da casa dele de surpresa e constatei que ele estava vivendo como um mendigo por meses. Foi a primeira vez que ele abriu a porta para mim em meses que tentei fazer visitas que se mostraram inúteis depois de dirigir centenas de quilômetros.

Desta vez, ele chorou quando me viu, como se estivesse se sentindo aliviado por alguém ter desmascarado sua situação. Ele estava vivendo em um colchão sujo no chão, cercado por uma bagunça, pilhas de pratos na pia e um monte de bilhetes distribuídos pela casa para ajudar sua já tão falha memória.

Eu decidi ali naquele momento que eu teria que mudá-lo para um lugar mais perto de mim. Ele morreu quatro anos depois após um fim terrível em um hospital psiquiátrico, outra coisa que me faz carregar mais toneladas de culpa.

Felizmente, no entanto, nos anos anteriores de sua morte ele viveu feliz em um flat controlado, com enfermeiros cuidando dele três vezes ao dia e também com visitas frequentes minhas e do seu irmão, que também morava perto. Não era o ideal, mas colocar um pai em qualquer tipo de asilo também raramente é.

‘Quantas vezes nós descartamos pessoas mais velhas com atitudes que são semelhantes a uma forma de eutanásia oculta’, disse o papa Francisco. Minha mãe sequer estava velha. Mas eu ainda sinto como se a tivesse descartado. Vou viver com isso até o fim dos meus dias.”

Fiona Phillips apresentou o GMTV por 11 anos na ITV e é uma embaixadora da Sociedade do Alzheimer. Ela deu seu relato para o programa ‘Inside Out’, na BBC One North East & Cumbria.

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* Novo app permite consulta de manuscritos vaticanos. http://blog.comshalom.org/carmadelio/43551-novo-app-permite-consulta-de-manuscritos-vaticanos http://blog.comshalom.org/carmadelio/43551-novo-app-permite-consulta-de-manuscritos-vaticanos#comments Thu, 23 Oct 2014 17:31:18 +0000 Carmadélio http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=43551 app-development-business

Mais de quatro mil manuscritos e documentos da Biblioteca Apostólica Vaticana poderão ser acessados, em alta resolução, através de um aplicativo lançado pela empresa japonesa NTT Data.

De acordo com a companhia, os documentos, disponíveis atualmente no site oficial da Biblioteca (www.vaticanlibrary.va), se ajustarão ao visor do dispositivo móvel escolhido pelo usuário.

Mas a empresa ainda trabalha no desenvolvimento de uma ferramenta que permitirá buscas eficazes pelos conteúdos. Essa função deverá ser lançada até o fim do ano. O prefeito da Biblioteca Apostólica, Cesare Pasini, disse que o app contribui “para a missão de tornar cada vez mais conhecidos os tesourso da humanidade conservados” na instituição. (ANSA) http://www.papafrancesconewsapp.com/por

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A companhia japonesa NTT Data, filial de serviços de informática do grupo de telecomunicações japonês NTT, anunciou nesta segunda-feira a publicação via internet dos oito primeiros manuscritos da biblioteca vaticana, como parte do projeto de digitalização de três mil livros até 2018.

“É empolgante ver que esses manuscritos antigos podem ser agora acessados em formato digital de alta definição por um amplo público no mundo inteiro”, declarou o diretor geral do grupo, Toshio Iwamoto.

No momento, oito manuscritos podem ser consultados na página da Biblioteca Apostólica Vaticana (www.vaticanlibrary.va), afirmou à AFP um porta-voz da empresa.

O Vaticano iniciou há alguns anos um ambicioso projeto de digitalização dos livros de sua biblioteca. Em 2018, poderão ser consultados online dezoito mil manuscritos.

O acordo com o grupo japonês, fechado em dezoito milhões de euros, inclui três mil livros manuscritos, isto é, “cerca de oitenta mil volumes e quarenta e um milhões de páginas que podem ser considerados bens históricos da Humanidade, escritos entre os séculos II e XX”, explicou Iwamoto em março.

“Continuamos com a nossa missão de aumentar a conscientização sobre esses tesouros, com um forte desejo de universalidade”, destacou o prefeito da biblioteca, o italiano Cesare Pasini.

A Biblioteca Vaticana se destaca pela variedade geográfica de suas obras, da América Pré-Colombiana até a China e o Japão, além da antiguidade de seus arquivos.

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* Estatísticas do crescimento evangelizador da Igreja Católica são divulgadas pela Santa Sé. http://blog.comshalom.org/carmadelio/43546-estatisticas-crescimento-evangelizador-da-igreja-catolica-sao-divulgadas-pela-santa-se http://blog.comshalom.org/carmadelio/43546-estatisticas-crescimento-evangelizador-da-igreja-catolica-sao-divulgadas-pela-santa-se#comments Thu, 23 Oct 2014 17:18:40 +0000 Carmadélio http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=43546 Sãopedro1

Por ocasião da Jornada Mundial das Missões, a agência Fides, informativo das Obras Missionárias Pontifícias, publicou um resumo das estatísticas mais interessantes recolhidas pelo Anuário Estatístico da Igreja. Estas cifras oferecem um panorama da atividade missionária da Igreja e do crescimento global da mesma, além de sua tendência por continentes.

Uma das estatísticas mais interessantes é o número oficial de católicos no mundo em dezembro de 20013: 1.228.621.000. Esta quantidade de crentes supõem um aumento de 15.030.000 diante do ano passado. Destes 15 milhões de novos católicos, mais de seis milhões e meio estão no continente americano, quase cinco milhões na África, dois milhões quatrocentos mil na Ásia e quase um milhão e duzentos mil na Europa e Oceania.

Apesar de que o maior número de novos fiéis se registou na América, em porcentagem este continente permanece estável, enquanto que se registram porcentagens de crescimento na África (+ 0,12) e Ásia (+ 0,01). Em termos globais a porcentagem da povoação mundial que professa a Fé Católica registra uma leve diminuição de 0.01 por cento.

A agência registrou 895 novos sacerdotes no mundo, com um aumento no número de presbíteros na África (1.076) e Ásia (433) e uma diminuição majoritariamente produzida na Europa (-1.375) e levemente na América (-90) e Oceania (-80) com respeito ao ano anterior. As religiosas apresentaram uma diminuição global de mais de 10 mil consagradas sendo na atualidade 702.529 em todo o mundo. Asia e África registram aumentos de religiosas (2.196 e 727 respectivamente) enquanto que os descensos na Europa (-9.051) e América (-4.288) são os principais causantes da cifra decrescente global. Também diminui o total de missionários leigos com 19.234 menos que no ano anterior, quase todos eles na América (-18.794), enquanto que se registra um aumento de 45.408 catequistas com um impulso notavelmente asiático (+61.9139).

As obras da Igreja no mundo que foram registradas oficialmente incluem 71.188 escolas infantis, 95.246 escolas primárias, 43.783 institutos secundários, além de numerosas universidades. No total este serviço beneficia atualmente a 63 milhões 381 mil 985 crianças e jovens. (GPE/EPC)

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* Proeminente jornalista deixa a BBC de Londres, depois de 25 anos para ingressar na vida religiosa contemplativa. http://blog.comshalom.org/carmadelio/43541-proeminente-jornalista-deixa-bbc-de-londres-depois-de-25-anos-para-ingressar-vida-religiosa-contemplativa http://blog.comshalom.org/carmadelio/43541-proeminente-jornalista-deixa-bbc-de-londres-depois-de-25-anos-para-ingressar-vida-religiosa-contemplativa#comments Wed, 22 Oct 2014 20:32:01 +0000 Carmadélio http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=43541 martina-purdy-Image-001

Martina Purdy era até pouco tempo atrás uma das mais importantes correspondentes de política da maior rede de notícias do Reino Unido, a BBC; porém, depois de 25 anos de carreira como jornalista decidiu entrar no convento das Irmãs da Adoração, uma congregação de religiosas contemplativas.

Purdy, natural da Irlanda do Norte, agradeceu em sua conta do Twitter os 25 anos que exerceu como jornalista -15 deles na BBC-. “Foi uma profissão imensamente gratificante e estou muito agradecida por todo o apoio que tive nestes anos dos meus colegas, família, contatos e amigos”, expressou.

“Sei que muita gente não entenderá esta decisão. Não foi uma decisão tomada superficialmente, e sim com grande amor e alegria. Peço que rezem por mim, pois embarco neste caminho com humildade, fé e confiança”, manifestou a jornalista.

Purdy, que foi fotografada há pouco tempo junto com umas religiosas indo para a missa na Catedral de São Pedro, em Belfast, compartilhou que se trata de “uma decisão muito pessoal” e por isso pede aos meios de comunicação que respeitem a sua privacidade e da congregação religiosa que a acolhe, e indicou que não fará outro comentário público.

Por sua parte, o diretor da BBC na Irlanda do Norte, Peter Johnston, disse que estavam muito tristes por perder a Purdy de sua equipe de jornalistas políticos. Entretanto, desejou-lhe o “melhor na nova direção que escolheu para sua vida”.

Do mesmo modo, a chefe de informações, Kathleen Carragher, destacou o talento profissional da ex-jornalista, “vamos sentir saudades da sua inteligência e sabedoria”, e também desejou que corra tudo bem na sua decisão de seguir a vocação religiosa.

Martina Purdy nasceu em Belfast, mas foi criada no Canadá. Uniu-se à BBC da Irlanda do Norte em 1999 depois de trabalhar em um jornal.

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* Legalizar a maconha JÁ(mais) ! http://blog.comshalom.org/carmadelio/43537-legalizar-maconha-jamais http://blog.comshalom.org/carmadelio/43537-legalizar-maconha-jamais#comments Wed, 22 Oct 2014 20:08:38 +0000 Carmadélio http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=43537

abre_maconha

Maconha, a erva, de pronto, me evoca duas expressões populares:

1) A grama do vizinho é sempre mais verde

Defensores da legalização do consumo e venda baseiam-se em exemplos e experiências de outros países, embora não raras vezes eles fecham os olhos para o fato de que o ícone legalize queridinho dos maconheiros, a Holanda, hoje se arrepende de seu progressismo. Fato igualmente não desprezível é a diferença cultural entre nós e eles. Você pode achar que a grama do vizinho é mais bonita, mas é porque provavelmente ele dispõe de mais recursos para tratá-la. Talvez você sequer devesse tentar ter um gramado por enquanto…

2) Se mudar a cor da grama, o burro morre de fome

Percebo que há advogados da cannabis avançando na argumentação, defendendo supostos benefícios terapêuticos. Além de ser um viés controverso (dada, por exemplo, a existência de drogas psiquiátricas já longamente desenvolvidas), evidentemente não é a alegação principal que sustenta o movimento pela legalização. A juventude que ora se encanta com os “arautos do tapinha” quer mesmo é desafiar o sistema e salvaguardar seu prazer mas, claro, comprarão qualquer bagulho barulho que lhes ajude a confrontar os conservadores. Grande parte dos ideais da juventude – talvez em todas as gerações – são formados por bandeiras bovinamente defendidas, sem perspectiva, muitas vezes sem respaldo familiar, ou seja, sem a aprovação dos pais e portanto desligados da própria educação e tradição que receberam.

De dentro dessa nuvem escura, têm dificuldade de enxergar as implicações de uma tal medida irresponsável. Analiso alguns argumentos da discussão:

I) A ilegalidade da venda propicia a corrupção, pelo contrabando

Não é porque existe corrupção que deixa abertas as fronteiras para o tráfico que legalizar vai acabar esse foco de corrupção. Ter fronteiras vazadas, para contrabando de drogas, armas e quaisquer outros produtos é um problema em si, que deve ser combatido independentemente de que objetos passem ilegalmente.

II) Legalizar a venda geraria recursos para serem investidos em saúde, educação, etc

“Legalizar e usar impostos em educação” não é factível. Primeiro porque aumentando o uso, aumenta o abuso e com isso a demanda por tratamentos (sejam contra a dependência sejam colaterais, de outros aspectos da saúde) logo, esses impostos teriam de ir pra saúde – e não educação -, mas em caráter de socorro e não de investimento. Segundo que o Brasil precisa de uso racional e honesto da arrecadação que já faz, não estamos carentes de mais impostos, ou seja, de mais dinheiro público captado.

III) Com a venda e o consumo liberados, a compra nas favelas vai ser reduzida e com isso a guerra do tráfico também

Quanto à “guerra das drogas”, “aviõezinhos do tráfico” e demais efeitos sociais do tráfico, digo que o problema não acabaria com um esgotamento da demanda pela droga comprada dos traficantes.

Qual é a relação de causa e efeito traçada entre legalizar a venda de drogas e a redução dos conflitos nas favelas?

Legalizar a venda NÃO tem porque provocar a queda da procura pelos usuários que hoje compram com traficantes nem reduzir a violência. Alguns motivos para a minha afirmação:

A) com regulamentação e taxação pelo governo, os preços dos produtos “legais” seriam sempre mais elevados que dos traficantes, até porque estes não estão sujeitos a agências reguladoras, custos legais de logística, etc, e brasileiro adora pechinchar e comprar de “camelôs”;
B) se o rendimento dos traficantes caísse (do que eu duvido), eles mudariam de “produto”, aumentando a atividade dos roubos “no asfalto”, por exemplo. Mas cumpre lembrar que restariam – se legalizada a maconha – as outras drogas, como o crack;
C) bandidos se confrotam por disputa de território, mas eles não apenas comercializam drogas.

Aqui no estado do RJ tivemos a comprovação da hipótese afirmada em B. Após os primeiros meses de implantação das famosas UPP (Unidade de Polícia Pacificadora) na capital, que provocaram a migração dos bandidos para outros municípios, registrou-se o aumento da criminalidade nessas localidades. De acordo com dados do Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro, nos meses de junho e julho de 2012, houve 160 apreensões de drogas em Niterói. No mesmo período do ano de 2013 foram 256, um aumento de 62,5%. Em agosto de 2012, aconteceram 28 homicídios, enquanto no mesmo período do ano de 2013 60 foram registrados, um aumento de mais de 100%.
(Fonte: http://www.atribunarj.com.br/noticia.php?id=11586&titulo=UPP%20EM%20NITER%D3I,%20POR%20QUE%20N%C3O?)

Relatos dessa percepção são fáceis de encontrar na forma de reportagens sobre o assunto.

(Fonte: G1)

O poder do tráfico vai além da venda de drogas, passa pelo poder que as armas proporcionam, domínio de território (e seus habitantes), falta de educação cidadã, etc. Em suma: não é a venda da drogas o que fascina crianças e jovens.

Maconheiros defendem ainda que não há mal algum em se plantar a erva para consumo próprio e que isso tornaria desnecessário comprar das mãos de traficantes. É uma falácia: o Estado não pode arcar com o risco de usuários como esse tornarem-se novos fornecedores. Aliás, admitir justificando que alguém que não pode plantar compra de traficantes é praticamente uma confissão de coadunar com o crime.

 IV) A tendência da sociedade é modernizar-se e tornar-se mais liberal, despindo-se de preconceitos e conservadorismos atrasados

Cumpre combater a mentalidade de que toda mudança é um avanço.  Nem tudo que a sociedade chega a pensar ser uma questão de liberdade corresponde a um anseio justo, benéfico e uma evolução positiva. A abolição da escravatura, por exemplo, atendeu um clamor pela liberdade e pela dignidade humana. Por outro lado, o que alardeia-se hoje como “direitos reprodutivos”, “liberdade sobre o próprio corpo”, nada tem de promotor da dignidade – muito pelo contrário -tampouco, numa análise ponderada e abrangente representa um avanço social. Outrossim, drogas como a maconha, longe de serem um mero artigo comercializável (e seria plenamente dispensável como tal), são indissociáveis do seu efeito, como diria minha mãe, bio-psico-social.

Tomo outro exemplo de expressão da juventude, outro exemplo de costume marginal que ainda é um crime: a pichação. É o artigo 65 da Lei 9605/98. É inegável que existem grafiteiros, homens e mulheres com veia artística e bom gosto que podem ser considerados profissionais dessa vertente de arte. Mas não é por causa das belas peças que eles podem produzir dentro da legalidade, com permissão de alguém ou no mínimo sem ferir direitos alheios (comparo com as instrumentalizadas pesquisas psiquiátricas e farmacológicas empregando a cannabis) que a nossa sociedade passou ou passará a tolerar depredação de propriedade privada ou de monumentos, a título de modernização do consenso cultural (análogo aos “cultivadores para o consumo próprio” ou consumidores de uma “maconha de farmácia”).


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