Blog Carmadélio http://blog.comshalom.org/carmadelio Artigos e notícias de interesse permanente selecionadas à luz da verdade e da fé Católica. Sun, 19 Oct 2014 19:53:14 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=3.6 * Cidade do Texas aprova lei que ‘analisa sermões de padres e pastores contra gays’ e enfrenta críticas. http://blog.comshalom.org/carmadelio/43511-cidade-texas-aprova-leis-que-analisam-sermoes-de-padres-e-pastores-contra-gays-e-enfrenta-criticas http://blog.comshalom.org/carmadelio/43511-cidade-texas-aprova-leis-que-analisam-sermoes-de-padres-e-pastores-contra-gays-e-enfrenta-criticas#comments Sun, 19 Oct 2014 19:33:31 +0000 Carmadélio http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=43511 houston-six-priciest-zip-codes

Fonte: O Globo 

Houston (foto) a quarta maior cidade dos Estados Unidos, vive uma batalha nos tribunais que pode indicar como o país deve se comportar no futuro em relação aos direitos homossexuais e transgêneros. O alvo da disputa são leis em vigor desde junho deste ano preveem o exame de sermões de padres e pastores para saber se eles discriminam o público LGBT em todo o Texas. As normas agora estão sendo contestadas na justiça pelos religiosos.

As leis foram parcialmente aprovada em junho por Annise Parker, prefeita de Houston que é lésbica, (a de cabelo branco) mas encontrou forte oposição nos círculos religiosos. Líderes de igrejas formaram uma coalizão chamada Alliance Defending Freedom (ADF), que entrou com uma ação contra a cidade e a própria Parker. Um escritório de advocacia que representa quatro pastores argumenta que as medidas são “demasiado ampla, demasiado morosos, ofensivo e vexatório”.

A advogada Christina Holcomb chegou a tachar as normas municipais de “uma inquisição projetada para abafar qualquer crítica”.

- Comentário político e social não é um crime. Ele é protegida pela Primeira Emenda – disse ela ao jornal inglês The Independent.

Membros da ADF argumentam ainda que a cidade está exigindo que pastores que nem fazem parte do processo entreguem seus sermões e outras comunicações para saber se eles estão fazendo críticas ao poder municipal.

- Vereadores deveriam ser funcionários públicos, e não senhores do ‘Big Brother’ que não toleraram a dissidência ou desafio. É uma caça às bruxas, e estamos pedindo ao tribunal para colocar um fim a isso – afirmou o advogado Erik Stanley.

A prefeita Annise Parker vive desde os anos 1990 com Kathy Hubbard, parceira com quem tem dois filhos adotivos. Parker assumiu o cargo no Texas em 2009:

 Fonte: O Globo 

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* Arcebispo nigeriano: Igreja Católica lidera luta CONTRA a criminalização de homossexuais no país. http://blog.comshalom.org/carmadelio/43503-arcebispo-nigeriano-conta-que-igreja-catolica-lidera-luta-contra-discriminacao-de-homossexuais-pais http://blog.comshalom.org/carmadelio/43503-arcebispo-nigeriano-conta-que-igreja-catolica-lidera-luta-contra-discriminacao-de-homossexuais-pais#comments Sun, 19 Oct 2014 12:51:51 +0000 Carmadélio http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=43503 Eroeffnung Monat der Weltmission im Erzbistum Paderborn

A Igreja Católica na Nigéria esteve liderando a luta contra a discriminação das pessoas homossexuais, assegurou o Arcebispo de Jos, Dom Ignatius Kaigama (foto) , e assinalou que a cobertura da imprensa sobre a Igreja foi desequilibrada.

Em 8 de outubro, em uma das afirmações mais diretas sobre homossexualidade feitas durante o Sínodo da Família, o prelado nigeriano disse à imprensa que “a Igreja Católica respeita todos os seres humanos e acreditamos que todos são criados à imagem e semelhança de Deus”.

Dom Kaigama assinalou que as pessoas na África acreditam que o matrimônio é apenas entre um homem e uma mulher, o que encontra o seu fundamento na cultura, biologia e crença religiosa. Entretanto, o Arcebispo destacou que isso não se traduz em um respaldo à “criminalização das pessoas com orientações sexuais diferentes”.

“A Igreja Católica está na frente de defesa destas pessoas”, disse o Arcebispo, “e defenderíamos qualquer pessoa com uma orientação homossexual que venha a ser para ela motivo de perseguição, prisão ou castigo”.

O Arcebispo criticou os meios de comunicação por não considerarem a luta da Igreja contra a discriminação das pessoas homossexuais.

“Esquecem-se que somos sérios defensores dos direitos humanos. Temos o nosso departamento de justiça e paz, visitamos as prisões, ajudamos as pessoas que foram presas injustamente ou aquelas que têm os seus direitos negados”.

Os meios de comunicação deveriam ter um enfoque equilibrado, disse o prelado, em relação ao nosso “respeito pelos seres humanos”.

Inclusive quando a prática homossexual “não está em conformidade com a nossa cultura e religião”, continuou o Arcebispo, “não passamos por cima das pessoas. Nós as abraçamos no amor. Tentamos compartilhar os nossos pontos de vista. Não as castigamos”.

O cuidado pastoral das pessoas com atração para o mesmo sexo recebeu relativamente pouca atenção até o momento, apesar de estar na agenda do Sínodo da Família. Em 6 de outubro, na sessão de abertura do Sínodo, o Cardeal Peter Erdo assinalou “um amplo consenso de que as pessoas com orientação homossexual não devem ser discriminadas”.

Em 10 de outubro, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, disse à imprensa que os participantes notaram a necessidade de continuar o debate sobre o tema do matrimônio homossexual.

As perguntas difíceis e controversas “virão”, assinalou Dom Kaigama. “Pela graça de Deus, vamos lidar com elas da melhor maneira possível para o bem da Igreja e a salvação das almas”.

ACI

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 Aqueles sacerdotes que apoiam o matrimônio gay atrapalham quem realmente busca ajudá-los, afirma perito

O Pe. Paul Check, diretor executivo do Courage, uma das pastorais católicas mais importantes do mundo para as pessoas com atração ao mesmo sexo, assinalou que o apoio ao mal chamado “matrimônio” gay que expressaram três sacerdotes no Chile é fruto de uma “compaixão fora de lugar”.

A imprensa chilena difundiu recentemente a informação errada de que o Arcebispo de Santiago, Cardeal Ricardo Ezzati, apresentou uma denúncia ante a Santa Sé contra os sacerdotes Felipe Berríos, José Aldunate e Mariano Puga Concha, devido a suas declarações contrárias à doutrina moral da Igreja sobre as uniões homossexuais e o aborto.

Fontes do Vaticano próximas ao Grupo ACI, e depois o próprio Arcebispado de Santiago, desmentiram a informação da imprensa chilena. Porém, os três sacerdotes realizaram sim uma série de declarações polêmicas.

Em declarações ao Grupo ACI, o Pe. Paul Check assegurou que considerar que se pode ampliar a concepção da sexualidade ao aceitar a homossexualidade, como propõe o Pe. Felipe Berríos, é “uma visão muito confusa da natureza humana”.

“A história da nossa identidade, nossa origem, nossa história, nos é contada no livro do Gênesis, onde o autor sagrado transmite o desenho sábio de Deus –‘não é bom que o homem esteja sozinho’– e Eva é o complemento de Adão”.

Para o Pe. Check “essa antropologia –que se converte em antropologia cristã com a vinda do nosso Senhor– é confirmada pelas pessoas que recebem o atendimento do Courage”.

O diretor executivo do Courage assinalou também que “uma das coisas que escuto dos nossos membros, que viveram de uma forma, e agora, com a graça de Deus e a perseverança, estão vivendo uma vida nova, uma vida casta, é que quando estavam vivendo o estilo de vida homossexual antes, sempre sabiam que alguma coisa não estava bem”.

“Eles podiam ignorar a sua consciência ou tentar sufoca-la de diversas formas, mas por trás de tudo isso havia algo que lhes dizia ‘o que estou fazendo pode ser satisfatório, pode ser prazeroso, mas fundamentalmente não é uma coisa boa para mim’”.

O Pe. Check assegurou que uma pessoa com atração ao mesmo sexo “poderia levar anos antes de enfrentar essa realidade e chegar a ter essa mudança de mente e coração, mas é muito bom que reconheçamos essa voz que lhes diz que não é bom, que é uma expressão de sua humanidade, e essa natureza humana é algo que todos compartilhamos”.

Se as pessoas com atração ao mesmo sexo que participam do Courage soubessem das declarações dos sacerdotes chilenos, indicou, “estariam muito desconcertadas, e diriam ‘nossa experiência é realmente muito diferente’”.

Sobre as discrepâncias entre o que os padres chilenos difundem e a doutrina da Igreja, o Pe. Check expressou a sua tristeza “por meus irmãos sacerdotes. Deve haver alguma divisão interior aí, porque já não parecem confiar no que a Igreja lhes confiou em sua ordenação”.

O diretor do Courage recordou que “todos os sacerdotes em sua ordenação, depois de uma reflexão profunda, formação e oração, fazem a declaração solene, o compromisso, a promessa de que acreditam que o que a Igreja diz é verdade, e que com o melhor de suas habilidades, com a graça de Deus, pregarão e ensinarão o que a Igreja nos dá em termos da nossa história, da nossa humanidade, e, é obvio, em termos da revelação divina”.

O Pe. Check considera que com este tipo de declarações os sacerdotes chilenos estariam cedendo “a um tipo de sentimentalismo ou compaixão fora de lugar que não leva em consideração a dignidade da pessoa, ou o poder, a eficácia da graça de Deus”.

Recordando o encontro de Jesus com a mulher adúltera, no capítulo 8 do Evangelho de São João, o diretor do Courage indicou que “depois que todos os hipócritas foram saindo por causa da admoestação de Nosso Senhor, e Ele disse à mulher ‘eu também não te condeno’, diz também ‘vai e de agora em diante não peques mais. Este é um chamado à verdadeira compaixão do Deus-homem que conhece a debilidade à qual estamos propensos, é um chamado à conversão”.

“Ele está dizendo ‘reconheço em você a sua dignidade, está aí, agora você precisa reconhecê-la e a minha graça vai fazer possível que as suas ações sejam satisfatórias, porque estará vivendo essa dignidade, e estará vivendo-a de forma apropriada e completa’”.

Se Jesus tivesse dito somente “eu também não te condeno” e mais nada, disse o sacerdote, “estaríamos perdendo algo muito importante, e estaríamos testemunhando provavelmente algo chamado sentimentalismo, que é muito diferente da compaixão”.

“Enganamos as pessoas, privamos as pessoas do seu pleno entendimento do dom que têm como filhos de Deus, redimidos pelo sangue precioso de Cristo no dom da graça, se não seguimos o chamado de Jesus à conversão de nossos corações, que todos necessitamos, é obvio, em uma ou outra medida”.

O Pe. Check destacou também que buscar na frase do Papa Francisco “Quem sou eu para julgar?” um aval para o estilo de vida gay “é para mim um problema, pelo menos na justiça natural. Não há nada no nosso Santo Padre Francisco que sugira isso”.

Apesar da pressa na sociedade civil para aprovar as uniões civis homossexuais, o sacerdote destacou que “a Igreja não olha para a sociedade civil para que ela nos ensine quem somos, ela olha para a figura de Jesus”.

Por outro lado, frente a quem assegura que Jesus não condenou a homossexualidade, o Pe. Check assinalou que “pode ser que não tenha usado a palavra, mas nos ensinou claramente que a intimidade humana está reservada para a aliança matrimonial”.

Assim, explicou, Jesus no seu ensinamento “excluiu muitas coisas que seriam contrárias” à aliança matrimonial.

“O comportamento homossexual seria uma delas, mas também teríamos que dizer coisas como a convivência, a fornicação, a anticoncepção, a masturbação, a pornografia, todas as quais estão necessariamente excluídas e Jesus mesmo eleva o nível em relação à pureza de coração e a castidade, no Sermão da Montanha”, disse.

“Assim não há razão para que acreditemos que há outra coisa além da doutrina da Igreja na mente de Cristo quando cuidadosamente lemos o Catecismo sobre o sexto mandamento”, concluiu.

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* Papa Francisco supera os 16 milhões de seguidores no Twitter. http://blog.comshalom.org/carmadelio/43500-papa-francisco-supera-os-16-milhoes-de-seguidores-twitter http://blog.comshalom.org/carmadelio/43500-papa-francisco-supera-os-16-milhoes-de-seguidores-twitter#comments Sun, 19 Oct 2014 12:39:20 +0000 Carmadélio http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=43500 twitter-papa-francisco1-590x297

As contas oficiais do Papa Francisco na rede social Twitter superaram os 16 milhões de seguidores, dos quais mais de 1 milhão (1,18) são seguidores de sua conta em português @Pontifex_pt e recebem atualizações, reflexões e mensagens do Santo Padre.

As nove contas do Pontífice em espanhol, italiano, inglês, alemão, polonês, francês, português, árabe e latim superaram os 16 milhões de seguidores e continuam batendo recordes.

As três com mais seguidores do pontífice são atualmente a conta em espanhol @Pontifex_es, com 6.961.158 seguidores (o que representa 43,51 por cento do total), a conta em inglês @Pontifex (com 4.581.960 seguidores, equivalente aos 28,64 por cento), e depois a conta em italiano @pontifex_it (2.033.261 seguidores e 12,71 por cento).

Por quantidade de seguidores, continuam as contas em português, francês, latim, polonês, alemão e árabe.

Em 12 de dezembro de 2012 foram abertas, durante o pontificado de Bento XVI, oito contas. Em 17 de janeiro de 2013 se acrescentou a conta em latim. Para motivar a interação com os usuários, em 3 de dezembro se lançou o hashtag #AskPontifex, com o qual os usuários podiam deixar perguntas e inquietações ao Papa.

Em janeiro de 2013, as contas do Pontífice somavam 2 milhões de seguidores. No mês seguinte, os seguidores já eram 3 milhões. Com a chegada de Francisco, sua frequência de publicações e suas mensagens, as contas do Twitter superaram rapidamente os 4 milhões em abril de 2013. Um ano depois se chegou aos 13 milhões.

ACI

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* Leia a íntegra da ‘Mensagem final do Sínodo da Família” http://blog.comshalom.org/carmadelio/43491-integra-da-mensagem-final-sinodo http://blog.comshalom.org/carmadelio/43491-integra-da-mensagem-final-sinodo#comments Sun, 19 Oct 2014 12:34:22 +0000 Carmadélio http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=43491 1_0_831729

 Os Padres Sinodais aprovaram, no decorrer da 14ª Congregação Geral na manhã deste sábado, a mensagem final da III Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema “Os desafios pastorais sobre a família no contexto da evangelização”.

O documento conclusivo do Sínodo - Relatio Synodi- será divulgado posteriormente enquanto o documento final será provavelmente publicado na forma de uma Exortação Apostólica pós-sinodal do Papa Francisco, em 2015, após o Sínodo Ordinário.

Abaixo, a íntegra da mensagem:

Nós, Padres Sinodais reunidos em Roma junto ao Santo Padre na Assembleia Geral Extraordinária do Sínodo dos Bispos, nos dirigimos a todas as famílias dos diversos continentes e, em particular, àquelas que seguem Cristo Caminho, Verdade e Vida. Manifestamos a nossa admiração e gratidão pelo testemunho cotidiano que vocês oferecem a nós e ao mundo com a sua fidelidade, fé, esperança e amor.

Também nós, pastores da Igreja, nascemos e crescemos em uma família com as mais diversas histórias e acontecimentos. Como sacerdotes e bispos, encontramos e vivemos ao lado de famílias que nos narraram em palavras e nos mostraram em atos uma longa série de esplendores mas também de cansaços.

A própria preparação desta assembleia sinodal, a partir das respostas ao questionário enviado às Igrejas do mundo inteiro, nos permitiu escutar a voz de tantas experiências familiares. O nosso diálogo nos dias do Sínodo nos enriqueceu reciprocamente, ajudando-nos a olhar toda a realidade viva e complexa em que as famílias vivem. A vocês, apresentamos as palavras de Cristo: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele e ele comigo” (Ap 3,20). Como costumava fazer durante os seus percursos ao longo das estradas da Terra Santa, entrando nas casas dos povoados, Jesus continua a passar também hoje pelos caminhos das nossas cidades. Nas vossas casas se experimentam luzes e sombras, desafios exaltantes mas, às vezes, também provações dramáticas. A escuridão se faz ainda mais densa até se tornar trevas, quando se insinuam no coração da família o mal e o pecado.

Existe, antes de tudo, os grandes desafios da fidelidade no amor conjugal, do enfraquecimento da fé e dos valores, do individualismo, do empobrecimento das relações, do stress, de um alvoroço que ignora a reflexão, que também marcam a vida familiar. Se assiste, assim, a não poucas crises matrimoniais enfrentadas, frequentemente, em modo apressado e sem a coragem da paciência, da verificação, do perdão recíproco, da reconciliação e também do sacrifício. Os fracassos dão, assim, origem a novas relações, novos casais, novas uniões e novos matrimônios, criando situações familiares complexas e problemáticas para a escolha cristã.

Entre estes desafios queremos evocar também o cansaço da própria existência. Pensemos ao sofrimento que pode aparecer em um filho portador de deficiência, em uma doença grave, na degeneração neurológica da velhice, na morte de uma pessoa querida. É admirável a fidelidade generosa de muitas famílias que vivem estas provações com coragem, fé e amor, considerando-as não como alguma coisa que é arrancada ou infligida, mas como alguma coisa que é doada a eles e que eles doam, vendo Cristo sofredor naquelas carnes doentes.

Pensemos às dificuldades econômicas causadas por sistemas perversos, pelo “fetichismo do dinheiro e na ditadura de uma economia sem rosto e sem um objetivo verdadeiramente humano” (Evangelii Gaudium 55), que humilha a dignidade das pessoas. Pensemos ao pai ou à mãe desempregados, impotentes diante das necessidades também primárias de suas famílias, e aos jovens que se encontram diante de dias vazios e sem expectativas, e que podem tornar-se presa dos desvios na droga e na criminalidade.

Pensemos também na multidão das famílias pobres, àquelas que se agarram em um barco para atingir uma meta de sobrevivência, às famílias refugiadas que sem esperança migram nos desertos, àquelas perseguidas simplesmente pela sua fé e pelos seus valores espirituais e humanos, àquelas atingidas pela brutalidade das guerras e das opressões.

Pensemos também às mulheres que sofrem violência e são submetidas à exploração, ao tráfico de pessoas, às crianças e jovens vítimas de abusos até mesmo por parte daqueles que deveriam protegê-las e fazê-las crescer na confiança e aos membros de tantas famílias humilhadas e em dificuldade. “A cultura do bem-estar anestesia-nos e (…) todas estas vidas ceifadas por falta de possibilidades nos parecem um mero espetáculo que não nos incomoda de forma alguma” (Evangelii Gaudium, 54). Fazemos apelo aos governos e às organizações internacionais para promoverem os direitos da família para o bem comum.

Cristo quis que a sua Igreja fosse uma casa com a porta sempre aberta na acolhida, sem excluir ninguém. Somos, por isso, agradecidos aos pastores, fiéis e comunidades prontos a acompanhar e a assumir as dilacerações interiores e sociais dos casais e das famílias.

Existe, contudo, também a luz que de noite resplandece atrás das janelas nas casas das cidades, nas modestas residências de periferia ou nos povoados e até mesmos nas cabanas: ela brilha e aquece os corpos e almas. Esta luz, na vida nupcial dos cônjuges, se acende com o encontro: é um dom, uma graça que se expressa – como diz o Livro do Gênesis (2,18) – quando os dois vultos estão um diante o outro, em uma “ajuda correspondente”, isto é, igual e recíproca. O amor do homem e da mulher nos ensina que cada um dos dois tem necessidade do outro para ser si mesmo, mesmo permanecendo diferente ao outro na sua identidade, que se abre e se revela no dom mútuo. É isto que manifesta em modo sugestivo a mulher do Cântico dos Cânticos: “O meu amado é para mim e eu sou sua…eu sou do meu amado e meu amado é meu”, (Cnt 2,16; 6,3).

Para que este encontro seja autêntico, o itinerário inicia com o noivado, tempo de espera e de preparação. Realiza-se em plenitude no Sacramento onde Deus coloca o seu selo, a sua presença e a sua graça. Este caminho conhece também a sexualidade, a ternura, e a beleza, que perduram também além do vigor e do frescor juvenil. O amor tende pela sua natureza ser para sempre, até dar a vida pela pessoa que se ama (cf. João 15,13). Nesta luz, o amor conjugal único e indissolúvel persiste, apesar das tantas dificuldades do limite humano; é um dos milagres mais belos, embora seja também o mais comum.

Este amor se difunde por meio da fecundidade e do ‘gerativismo’, que não é somente procriação, mas também dom da vida divina no Batismo, educação e catequese dos filhos. É também capacidade de oferecer vida, afeto, valores, uma experiência possível também a quem não pode gerar. As famílias que vivem esta aventura luminosa tornam-se um testemunho para todos, em particular para os jovens.

Durante este caminho, que às vezes é um percurso instável, com cansaços e caídas, se tem sempre a presença e o acompanhamento de Deus. A família de Deus experimenta isto no afeto e no diálogo entre marido e mulher, entre pais e filhos, entre irmãos e irmãs. Depois vive isto ao escutar juntos a Palavra de Deus e na oração comum, um pequeno oásis do espírito a ser criado em qualquer momento a cada dia. Existem, portanto, o empenho cotidiano na educação à fé e à vida boa e bonita do Evangelho, à santidade. Esta tarefa é, frequentemente, partilhada e exercida com grande afeto e dedicação também pelos avôs e avós. Assim, a família se apresenta como autêntica Igreja doméstica, que se alarga à família das famílias que é a comunidade eclesial. Os cônjuges cristãos são, após, chamados a tornarem-se mestres na fé e no amor também para os jovens casais.

O vértice que reúne e sintetiza todos os elos da comunhão com Deus e com o próximo é a Eucaristia dominical quando, com toda a Igreja, a família se senta à mesa com o Senhor. Ele se doa a todos nós, peregrinos na história em direção à meta do encontro último quando “Cristo será tudo em todos” (Col 3,11). Por isto, na primeira etapa do nosso caminho sinodal, refletimos sobre o acompanhamento pastoral e sobre o acesso aos sacramentos pelos divorciados recasados.

Nós, Padres Sinodais, vos pedimos para caminhar conosco em direção ao próximo Sínodo. Em vocês se confirma a presença da família de Jesus, Maria e José na sua modesta casa. Também nós, unindo-nos à Família de Nazaré, elevamos ao Pai de todos a nossa invocação pelas famílias da terra:

Senhor, doa a todas as famílias a presença de esposos fortes e sábios,
que sejam vertente de uma família livre e unida.
Senhor, doa aos pais a possibilidade de ter uma casa onde viver em paz com a família.
Senhor, doa aos filhos a possibilidade de serem signo de confiança e aos jovens a coragem do compromisso estável e fiel.
Senhor, doa a todos a possibilidade de ganhar o pão com as suas próprias mãos, de provar a serenidade do espírito e de manter viva a chama da fé mesmo na escuridão.
Senhor, doa a todos a possibilidade de ver florescer uma Igreja sempre mais fiel e credível, uma cidade justa e humana, um mundo que ame a verdade, a justiça e a misericórdia.

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* Os direitos de Deus. Reflexões de Dom Alberto Taveira Corrêa http://blog.comshalom.org/carmadelio/43486-os-direitos-de-deus-reflexoes-de-dom-alberto-taveira-correa http://blog.comshalom.org/carmadelio/43486-os-direitos-de-deus-reflexoes-de-dom-alberto-taveira-correa#comments Sat, 18 Oct 2014 11:36:38 +0000 Carmadélio http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=43486 Angry-God

O Senhor Jesus se encontrou com os grupos mais diversos de pessoas, dos mais simples e machucados da sociedade até as altas autoridades que circulavam durante sua vida pública, pelos caminhos da Judeia e da Galileia. Muitos acorriam a ele com suas misérias e inquietações, buscando a força da mensagem libertadora do Evangelho e a cura das enfermidades. Tantos emergiam do meio da multidão para se fazerem seus discípulos. Outras pessoas observavam de longe os acontecimentos. Alguns grupos se aproximavam com questionamentos, alguns deles formulados como verdadeiras armadilhas, a fim de envolvê-lo em contradição. A sabedoria do Senhor lhes devolvia muitas das perguntas, remetendo sempre ao confronto vital com a verdade.

 Muito expressivo é o encontro com fariseus e herodianos (Cf. Mt 22, 15-21) a respeito do imposto devido ao Imperador. Pode-se imaginar o contexto do comprometedor diálogo que se travou, num ambiente em que a população vivia oprimida, pagando tributos a uma potência estrangeira, dinheiro que chegava a uma autoridade que se revestia de pretensos poderes divinos. A resposta de Jesus é muito conhecida: “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus, o que é de Deus” (Mt 22, 21). Tal afirmação já foi indevidamente usada para separar fé e vida, negócios e devoção, quando o cerne da questão é justamente dar a Deus o que é de Deus. E a Deus pertence o coração humano e seu destino de vida e salvação.

A narrativa encontrada nas primeiras páginas da Bíblia indica justamente a convicção das pessoas de fé: “Façamos o ser humano à nossa imagem e segundo nossa semelhança” (Gn 1, 26). Somos criaturas de Deus, pensadas desde toda a eternidade para sermos felizes em comunhão com ele. Pertencer a Deus e dar-lhe o devido e primeiro lugar em nossa vida é condição para a realização e a felicidade. O dever do amor e da adoração a Deus é o primeiro dos mandamentos, a primeira condição para o pleno desenvolvimento de todas as potencialidades humanas.

Em todas as épocas da história se fizeram sentir o indiferentismo, o relativismo e o ateísmo. Uma de suas formas ganha o nome de laicismo, diferente da laicidade. Se a justa laicidade do Estado não assume como oficial qualquer religião, a Igreja Católica propugna um mútuo respeito pela autonomia de cada uma das instâncias, a civil e a religiosa. Ao Estado cabe assegurar o livre exercício das atividades espirituais, culturais e caritativas das pessoas de fé. Numa sociedade pluralista, a laicidade é lugar de comunhão e relacionamento entre diversas tradições espirituais e a nação. Sociedade laica não quer dizer sociedade ateia! Infelizmente, ensina o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, permanecem, inclusive em sociedades democráticas, expressões de laicismo intolerante, que hostilizam qualquer forma de relevância política e cultural da fé, procurando desqualificar o empenho social e político dos cristãos, porque se reconhecem nas verdades ensinadas pela Igreja e obedecem ao dever moral de ser coerentes com a própria consciência; chega-se também e mais radicalmente a negar a própria ética natural. Esta negação, que prospecta uma condição de anarquia moral cuja consequência é a prepotência do mais forte sobre o mais fraco, não pode ser acolhida por nenhuma forma legítima de pluralismo, porque mina as próprias bases da convivência humana. Neste quadro, a marginalização do Cristianismo seria uma ameaça para os próprios fundamentos espirituais e culturais da civilização (Cf. Compêndio da Doutrina Social da Igreja, números 571 a 574).

Este laicismo, ideologia que pretende se impor no mundo ocidental, e cada vez mais no Brasil, como única admissível, tem livre trânsito na grande imprensa e deseja relegar a fé à esfera do privado e opondo-se à sua expressão pública (Cf. São João Paulo II, no dia 24 de janeiro de 2005). Em nome de tal ideologia se levantam os defensores das contradições correntes, como a defesa dos direitos dos animais a qualquer custo pelos mesmos partidários do aborto ou de eutanásia e da absoluta falta de princípios em assuntos de moral sexual. Podemos ampliar o horizonte, para identificar uma verdadeira cruzada que se espalha pelo mundo pela eliminação de todos os sinais religiosos em escolas ou outros espaços.

O Concílio Vaticano II, na Constituição sobre a Igreja no mundo Contemporâneo, Gaudium et Spes (Cf. número 36) já constatava que muitos parecem temer que a íntima ligação entre a atividade humana e a religião constitua um obstáculo para a autonomia dos homens, das sociedades ou das ciências. Se por autonomia das realidades terrenas se entende que as coisas criadas e as próprias sociedades têm leis e valores próprios, que o homem irá gradualmente descobrindo, utilizando e organizando, é perfeitamente legítimo exigir tal autonomia. Se, porém, com as palavras autonomia das realidades temporais se entende que as criaturas não dependem de Deus e que o homem pode usar delas sem ordená-las ao Criador, ninguém que acredite em Deus deixa de ver a falsidade de tais afirmações. Pois, sem o Criador, a criatura não subsiste. De resto, todas as pessoas de fé, de qualquer religião, sempre souberam ouvir a sua voz e manifestação na linguagem das criaturas. Antes, se se esquece Deus, a própria criatura se obscurece.

Vivemos uma grande batalha, na qual não nos é possível escolher, como cristãos, a não ser a dependência livre e realizadora de Deus e da força de sua Palavra. Os direitos de Deus se expressam magistralmente na palavra do Apóstolo: “Ninguém pode colocar outro alicerce diferente do que já está colocado: Jesus Cristo. Se então alguém edificar sobre esse alicerce com ouro, prata, pedras preciosas ou com madeira, feno, palha, a obra de cada um acabará sendo conhecida: o Dia a manifestará, pois ele se revela pelo fogo, e o fogo mostrará a qualidade da obra de cada um. Aquele cuja construção resistir ganhará o prêmio; aquele cuja obra for destruída perderá o prêmio – mas ele mesmo será salvo, como que através do fogo. Acaso não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós? Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá, pois o templo de Deus é santo, e esse templo sois vós. Vós sois de Cristo, e Cristo é de Deus” (I Cor 3, 11-17).

Por Dom Alberto Taveira Corrêa

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