Blog Carmadélio http://blog.comshalom.org/carmadelio Artigos e notícias de interesse permanente selecionadas à luz da verdade e da fé Católica. Tue, 03 Mar 2015 00:46:27 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.1.1 * Você sabe quais são as cores litúrgicas de nossa Igreja? http://blog.comshalom.org/carmadelio/45125-voce-sabe-quais-sao-as-cores-liturgicas-de-nossa-igreja http://blog.comshalom.org/carmadelio/45125-voce-sabe-quais-sao-as-cores-liturgicas-de-nossa-igreja#comments Tue, 03 Mar 2015 00:36:20 +0000 http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=45125 cfad9c66056aca3fefee7032185af302As cores litúrgicas na Igreja Católica Apostólica Romana são reguladas pelo nº. 346 da vigente Instrução Geral do Missal Romano 1
(doravante, IGMR), 3a. edição típica, promulgada em março de 2002 juntamente com a nova edição do Missal Romano. A IGMR estabelece que seja sempre observado o uso tradicional, mas as Conferências Episcopais podem determinar e propor à Santa Sé adaptações que correspondam às necessidades e ao caráter de cada povo.

As cores aprovadas pela IGMR, segundo o uso tradicional, e seus respectivos tempos de uso ao longo do ano litúrgico são o branco, o vermelho, o verde, o roxo, o preto e o rosa. O uso de diversas cores na liturgia da Igreja Católica surgiu dos significados místicos atribuídos a cada uma delas. Cores não previstas diretamente na IGMR, como dourado, prateado e azul serão discutidas abaixo.

Branco

O branco é usado nos Ofícios e Missas do Tempo Pascal e do Natal do Senhor, bem como nas suas festas e memórias, exceto as da Paixão; nas festas e memórias da Bem-av. Virgem Maria, dos Santos Anjos, dos Santos não Mártires, na festa de Todos os Santos (1 de Novembro), na Natividade de São João Batista (24 de Junho), na festa de São João Evangelista (27 de Dezembro), da Cátedra de São Pedro (22 de Fevereiro) e da Conversão de São Paulo (25 de Janeiro). O branco é símbolo da luz, tipificando a inocência e a pureza, a alegria e a glória.

Vermelho

O vermelho é usado no Domingo de ramos e na Sexta-feira Santa; no domingo de Pentecostes, nas celebrações da Paixão do Senhor, nas festas dos Apóstolos e Evangelistas (com exceção de São João), e nas celebrações dos Santos Mártires. Simboliza as línguas de fogo em Pentecostes e o sangue derramado por Cristo e pelos mártires, além de indicar a caridade inflamante.

Verde

O verde se usa nos Ofícios e Missas do Tempo Comum. Simboliza a cor das plantas e árvores, prenunciando a esperança da vida eterna.

Roxo

O roxo usado no Tempo do Advento e no Tempo Quaresmal.

O Roxo no Advento : O roxo no advento não significa penitência, mas um recolhimento, uma purificação da vida pela justiça e pela verdade, preparando os caminhos do Senhor.

O Roxo vem acompanhado do sentido de um recolhimento que alimenta uma esperança.

O Roxo na Quaresma: Aqui o roxo se refere a uma profunda interiorização num tempo forte de penitência e conversão, de jejum e oração.

É também uma espera por um grande acontecimento, que nos convoca a uma preparação adequada.

Preto

O preto pode ser usado, onde for o costume, nas Missas pelos mortos. Denota um símbolo de luto, significando a tristeza da morte e a escuridão do sepulcro. Ao contrário do que pensam muitos clérigos e leigos, a cor preta não foi abolida nem pela IGMR anterior (que acompanhava o Missal de S.S. Papa Paulo VI) nem pelo atual. Segue sendo uma opção para a missa pelos mortos, onde for costume utilizá-la. No Brasil, contudo, o uso do preto nas celebrações pelos fiéis defuntos foi, na prática, abolido, havendo sido substituído pelo uso do roxo, uso este facultado pela própria IGMR. Isto não constitui óbice, contudo, para que um clérigo venha a utilizar paramentos negros.

Rosa

O rosa, variação mais clara do roxo, representa uma quebra na austeridade do Advento e da Quaresma, simbolizando uma alegria contida, podendo ser usada nos domingos Gaudete (III do Advento) e Lætare (IV da Quaresma), ocasiões em que também poderá ser utilizado o roxo.

Dourado

O dourado pode substituir todas as outras cores, menos o preto.

Cores não previstas na I.G.M.R.

Encontram-se com frequência em uso cores não previstas diretamente na IGMR. Analisa-se abaixo as mais comuns dentre elas.

Cores para dias festivos

A nova IGMR não repete, em sua edição latina, o texto do antigo nº. 309, que estabelecia: “Em dias de maior solenidade podem ser usadas vestes litúrgicas mais nobres, mesmo que não sejam da cor do dia.” Contudo, a manutenção de tal norma subjaz à interpretação do atual nº. 347 (antigo 310), ao estatuir que “As Missas Rituais são celebradas com a cor própria, a branca ou a festiva;”. Ora, se as missas rituais podem ser celebradas facultativamente com a cor própria do dia ou com a cor branca ou com a festiva, compreende-se que a festiva seria precisamente aquela espécie de vestes mais nobres, ainda que não sejam da cor do dia, como estava no antigo nº. 309. Um exemplo patente de uso de veste festiva na Liturgia são as cores dourada e prateada em substituição ao branco, uso ademais bastante difundido pelo Brasil e pelo mundo. Outro exemplo interessante foi o uso de uma casula multicolorida por S.S. João Paulo II quando da abertura da Porta Santa no Ano Jubilar de 2000 D.C.

Contudo, deve-se estar atento ao aviso feito na Instrução Redemptionis Sacramentum pela Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos: “Esta faculdade, que também se aplica adequadamente aos ornamentos fabricados há muitos anos, a fim de conservar o patrimônio da Igreja, é impróprio estendê-las às inovações, para que assim não se percam os costumes transmitidos e o sentido de que estas normas da tradição não sofram menosprezo, pelo uso de formas e cores de acordo com a inclinação de cada um. Quando seja um dia festivo, os ornamentos sagrados de cor dourado ou prateado podem substituir os de outras cores, exceto os de cor preta.”

Azul

Cabe também mencionar o uso litúrgico da cor azul para Festas e Solenidades da Santíssima Virgem Maria. O azul não é uma das cores litúrgicas previstas pela IGMR, mas seu uso é largamente difundido no Brasil, Portugal e alhures. A origem de seu uso litúrgico moderno parece remontar a um privilégio papal dado a algumas dioceses espanholas para uso na Solenidade da Imaculada Conceição. Segundo o Pe. Polycarpus Rado, : “A cor cerúlea foi usada no medievo, sendo agora permitida apenas em algumas dioceses da Espanha na festa da Imaculada Conceição e nas missas de sábado.”3 O privilégio teria sido estendido aos países da América Latina de colonização espanhola, bem como às Filipinas (também ex-colônia espanhola). Em Portugal, haveria o privilégio do uso litúrgico do azul na Solenidade da Imaculada Conceição em favor das celebrações realizadas na Capela de S. Miguel da Universidade de Coimbra, em razão da defesa do dogma da Imaculada Conceição por esta secular instituição acadêmica. O privilégio também se estenderia à Áustria e à Bavária, à Arquidiocese de Los Angeles, à Arquidiocese de Saint Louis (EUA), aos carmelitas, aos beneditinos ingleses, ao Instituto Cristo Rei e Sacerdote e a alguns santuários marianos.

Alguns liturgistas exprobam o uso de uma cor não autorizada na Liturgia. Contudo, podem-se utilizar os seguintes argumentos na defesa de seu uso litúrgico:

1) Sabendo-se que o costume também é fonte do Direito canônico, poder-se-ia argumentar que o azul para festas marianas incorporou-se, por via consuetudinária, às cores litúrgicas da Igreja.

2) Se a IGMR permite que paramentos festivos de outra cor que não a do dia sejam usados em ocasiões especiais (e.g., o dourado e o prateado, ambos não previstos na edição latina da IGMR), como explicado acima, não há razão por que impedir o azul nas festas de Maria Santíssima

Fonte: Deus é mais por você.

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* A história de Willy: O “morador de rua” que foi enterrado no Vaticano. http://blog.comshalom.org/carmadelio/45120-a-historia-de-willy-o-morador-de-rua-que-foi-enterrado-no-vaticano http://blog.comshalom.org/carmadelio/45120-a-historia-de-willy-o-morador-de-rua-que-foi-enterrado-no-vaticano#comments Sun, 01 Mar 2015 22:53:26 +0000 http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=45120 WillyHerteleer_PaulBadde_ACIPrensa
Todos na zona externa do Vaticano chamada Borgo conheciam o Willy Herteleer. “Borgo” é o bairro que fica ao norte da Praça São Pedro. Além dos bispos, religiosas, cardeais e romanos que moram por lá, nessa área há também muitos “moradores de rua”.
 
Participava toda manhã da Missa na Paróquia Pontifícia de Sant’Anna, justo fora de Borgo e dentro dos muros do Vaticano.
 
Seu aspecto ascético, a cruz pendurada no pescoço e seu carrinho de supermercado se converteram na bagagem que levava.
 
Willy recebia a eucaristia todos os dias. “O meu remédio é a Comunhão”, dizia sempre. Estava sempre bem asseado, mas não procurava atendimento médico com muita frequência.
 
Um de seus amigos mais próximos era um monsenhor italiano, uma religiosa norte-americana e um jornalista alemão. Eles foram as pessoas que o acompanharam no final de seus dias.
 
Willy morreu em dezembro, no hospital que costumava visitar perto do Vaticano, para usar os serviços higiênicos ou assear-se um pouco.
 
Ele tinha que ter uma boa aparência, pois passava os seus dias como um evangelizador nas ruas. Depois da Missa matutina, dedicava tempo para conversar com as pessoas.
 
“Quando foi a sua última confissão” perguntava para todos aqueles que encontrava. Você vai comungar? Vai à Missa?”.
 
Fazia a mesma pergunta aos outros “moradores de rua” com quem decidiu viver. Ele tinha escolhido essa vida.
 
Por um tempo viveu em um abrigo. “Sim, é bonito, acolhedor e limpo. Sim, comemos bem e as pessoas são boas”, dizia às pessoas. “Mas necessito liberdade. Amo a liberdade!”.
 
Willy preferia os seus amigos. Preferia as ruas. Preferia o bispo que lhe levava laranjas, os jornalistas que tiravam fotos.
 
Depois da missa, falava com o seu amigo, o Pe. Amerigo. “Obrigado por sua homilia pronunciada com tanta calma. Consegui entende-la bem e me ajudou a meditar ao longo do dia”, disse ao sacerdote.
 
Tantas breves conversas, mas também retratos. Aqueles apresentados durante o seu funeral, no Colégio Alemão, chamado o Cemitério Teutónico, no Vaticano.
 
Mons. Amerigo Ciani foi durante muito tempo pintor, assim como cônego da Basílica de São Pedro. Suas exposições foram apresentadas inclusive internacionalmente, e fez dois quadros de Willy em seu ambiente.
 
Ele era uma das muitas pessoas que moram nas ruas ao redor de São Pedro, homens e mulheres que moram nas margens das rotas turísticas, que têm amigos em toda a vizinhança.
 
Em 12 de dezembro de 2014, Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, o Papa Francisco estava celebrando a Missa na Basílica de São Pedro pela padroeira da América e Willy faleceu. Seus amigos não o viram durante essa semana na Missa matutina, e começaram a procurá-lo.
 
Um deles, um alemão, Paul Badde, converteu-se recentemente em confrade da Confraria do Cemitério Teutônico. Ele propôs que Willy seja enterrado aí, entre os “confrades”.
 
O cemitério se remonta aos tempos de Carlos Magno, que concedeu essa parcela de terra junto à basílica para enterrar os peregrinos de terras alemãs e flamencas que pereceram em sua viagem.
 
A confraria está conformada de sacerdotes, homens e mulheres descendentes de alemães. Os sacerdotes alemães residem no campus, em uma residência justo ao lado do cemitério. Tudo está dentro do Vaticano, mas é de alguma forma autônomo e independente, um pequeno pedaço da Alemanha.
 
Seus amigos organizaram tudo, desde as difíceis permissões da Itália e Bélgica, onde Willy começou a sua vida. Fizeram contato com a sua família, seus quatro filhos, a quem Herteleer, de mais de 80 anos, não tinha visto em décadas.
 
Mons. Ciani concelebrou a Missa com o reitor do Cemitério Teutônico, Pe. Hans-Peter Fischer. Só alguns amigos assistiram, incluindo as Irmãs Franciscana da Eucaristia Judith Zoebelein.
 
Willy vivia sozinho, mas não se sentia sozinho, disse Mons. Ciani na homilia. “A presença de Deus era forte e viva dentro dele. Rezava e rezava. Rezava pela conversão de todos, inclusive para que os estrangeiros se arrependam”.
 
E assim foi como acabou a história de Willy sobre a terra, com uma sepultura no cemitério do Vaticano, que por tradição aceita peregrinos alemães e flamencos, rodeado pelo carinho daqueles que estiveram perto dele em vida. Sua vida foi só aparentemente uma vida vivida nas margens.
 
O mais impressionante sobre a sua vida e morte não apareceu nas notícias. Nos jornais, sua história foi apresentada somente como um enterro “privilegiado” desejado por seus amigos, no discreto silêncio do amor.
Fonte: ACI
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* O que é ver um filho crescer? http://blog.comshalom.org/carmadelio/45115-o-que-e-ver-um-filho-crescer http://blog.comshalom.org/carmadelio/45115-o-que-e-ver-um-filho-crescer#comments Sun, 01 Mar 2015 10:40:15 +0000 http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=45115 Carolina-Vila-Nova-o-que-e-ver-um-filho-crescer-375x300Um filho nasce primeiro dentro da gente. Pode ser planejado ou não, mas de um jeito ou de outro, acho que a surpresa é a mesma. Uma alegria ingênua, que desconsidera toda a dor de cabeça que vem depois.

Eu me tornei mãe aos dezoito. Apesar de seu nascimento ter vindo aos meus dezenove anos e onze dias, minha transformação veio bem antes. Minha barriga cresceu e lentamente a maternidade chegou. As prioridades mudaram e o amadurecimento foi obrigatório.

Confesso que gostei mais quando alguns anos se passaram. Quando meu filho começou a falar e a questionar as coisas. Como quando ele me disse: “Mamãe, você não precisa trabalhar tanto e ganhar muito dinheiro. Pode trabalhar menos e ganhar menos dinheiro…”, se referindo ao fato, de que no novo emprego eu podia almoçar em casa e ficar aquele tempo com ele. Suas palavras eram nobres já aos quatro anos de idade.

Mais alguns anos se passaram. (E se considerar a velocidade que ocorrem, é justo que cada parágrafo represente alguns). A pré-adolescência veio e grandes mudanças em nossas vidas também. Seu humor se tornou típico adolescente e sua beleza o distinguia. Meu filho sempre agiu como se fosse independente, acho que sempre quis ser assim. Eu achei positivo.

Conforme o tempo passa, um pouquinho mais ele se vai. Vai para o trabalho, vai para a faculdade, vai para os amigos, vai para suas aventuras e vai até mesmo para outro país.

Meu filho foi longe. Hoje completa vinte anos. Já passou a fase da carteira de motorista e da maioridade, tão antes almejada. Já trocou de escola, de cidade, de faculdade, de amigos e de namoradas. Só não trocou de mãe.

Os vinte anos voaram. Até parece que foi ontem. Mas são tantos significados importantes, que mesmo com toda a rapidez, nenhum livro expressaria a intensidade de nossas histórias. Pelo menos não pra mim.

Às vezes sinto que meu filho está cada dia mais distante. Mas ao mesmo tempo, eu sei, que com a maturidade que lentamente chega, um dia ele me olhará de igual para igual, olhos nos olhos, de um adulto para outro, que também tenta ser gente grande. Com os mesmos medos de possíveis fracassos.

Já não sou mais sua heroína. Por um tempo acho que fui a vilã. E eu não quero ser nem uma coisa, nem outra. Me satisfaço estando ali, em seu coração.

Não é fácil ver um filho crescer. Mistura de dor e orgulho, saudade e alegria. Dor pela distância. Orgulho do que é. Saudade do que foi. E alegria do que ainda virá.

É …, o tempo passa. A vida vai e vem, como os carros que passam em uma rua qualquer. Minha maior felicidade foi ter tido meu filho. Não foi fácil e nem perfeito. Mas foi amor sem igual. Amor que transformou a menina de dezenove anos em mulher, forte o bastante, para tudo que veio depois.

Agora é a vez dele, de ser grande para enfrentar as suas próprias lutas, de um caminho que é só seu. De perto ou de longe, eu estarei sempre ao lado dele, como me for possível e oferecido. Porque ver o meu filho crescer, é como me olhar no espelho. O espelho da minha própria vida!

Feliz aniversário, filho! Feliz vida!

Eu estarei sempre aqui.

Olhando você crescer.

Autor: Carolina Vila Nova

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* Seria a felicidade um direito? “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. http://blog.comshalom.org/carmadelio/45111-seria-a-felicidade-um-direito-te-vira-meu-filho-voce-sempre-podera-contar-comigo-mas-essa-briga-e-tua http://blog.comshalom.org/carmadelio/45111-seria-a-felicidade-um-direito-te-vira-meu-filho-voce-sempre-podera-contar-comigo-mas-essa-briga-e-tua#comments Sun, 01 Mar 2015 10:03:03 +0000 http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=45111 FILHO

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada.

Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações;

Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço;

Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.

Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.

Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.

Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.

É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?

Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.

Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.

Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.

A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.

Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.

Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.

Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.

Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.

O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.

Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.

Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.

Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.

Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

Por ELIANE BRUM

Esse texto foi previamente publicado em Revista Época.

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* Coreia do Sul: tribunal derruba lei e ‘libera’ o adultério. http://blog.comshalom.org/carmadelio/45107-coreia-do-sul-tribunal-derruba-lei-e-libera-o-adulterio http://blog.comshalom.org/carmadelio/45107-coreia-do-sul-tribunal-derruba-lei-e-libera-o-adulterio#comments Fri, 27 Feb 2015 00:23:51 +0000 http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=45107 mundo-20100217-21-original

O mais alto tribunal da Coreia do Sul derrubou uma antiga lei que previa até dois anos de prisão para quem cometesse adultério. Sete dos nove membros do Tribunal Constitucional votaram contra a legislação de 1953, considerando que o texto reprimia as liberdades pessoais. “Mesmo que o adulterio deva ser condenado como imoral, o poder do Estado não deve intervir sobre a vida privada dos indivíduos”, afirmou o juiz Park Han-Chul, em declaração reproduzida pelo jornal britânico The Guardian.

A decisão judicial teve um resultado inusitado: uma disparada no preço das ações da maior fabricante de camisinhas do país, a Unidus, que subiram 15% na bolsa Kosdaq. A empresa produz aproximadamente 50 milhões de preservativos por ano, também para mercados fora do país.

“A lei é inconstitucional, pois viola o direito das pessoas de tomar suas próprias decisões sobre sexo, sigilo e liberdade em sua vida privada”, disse o juiz Seo Ki-seok ao ler o parecer. Um dissidente, o juiz Ahn Chang-ho, disse que a decisão “desencadearia uma onda de devassidão”.

Nos últimos seis anos, mais de 5.400 pessoas foram formalmente acusadas de adultério na Coreia do Sul – só em 2014 foram 900 acusações. Os casos que resultavam em prisão, no entanto, eram cada vez mais raros. Em 2004, 216 pessoas foram presas com base na antiga lei, número que caiu para 42 em 2008. Desde então, 22 pessoas foram parar atrás das grades por manterem relações extraconjugais, segundo dados da promotoria pública.

A Coreia do Sul era um dos poucos países não muçulmanos a criminalizar a infidelidade. Em 2008, última das quatro vezes em que a lei foi revisada antes de sua suspensão, o tribunal decidiu mantê-la, alegando que relações fora do casamento prejudicavam a ordem social.

A partir de agora, as acusações poderão ser desconsideradas e cidadãos que foram condenados poderão ser julgados novamente. A lei foi pensada originalmente para proteger os direitos das mulheres em um tempo em que elas tinham poucos respaldos legais no casamento. A maioria dependia economicamente dos maridos e o divórcio carregava um enorme estigma social.

“Mas isso perdeu a relevância há muito tempo”, disse Kim Jung-Beom, um advogado especialista em direito de família. Ele afirma que o número de acusações envolvendo mulheres aumentou e a lei, em alguns casos, passou a ser usada para “apontar e constranger mulheres”. O advogado acrescentou ainda que outras leis agora cumprem o objetivo de garantir mais segurança legal às mulheres no casamento e uma divisão justa de bens no caso de divórcio.

Fonte:  VEJA.com

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