Blog Carmadélio http://blog.comshalom.org/carmadelio Artigos e notícias de interesse permanente selecionadas à luz da verdade e da fé Católica. Tue, 27 Jan 2015 12:20:12 +0000 pt-BR hourly 1 http://wordpress.org/?v=4.0.1 * Dia da memória: ”Em Auschwitz, eles nos disseram: vocês vão durar três meses”. http://blog.comshalom.org/carmadelio/44675-dia-da-memoria-em-auschwitz-eles-nos-disseram-voces-vao-durar-tres-meses http://blog.comshalom.org/carmadelio/44675-dia-da-memoria-em-auschwitz-eles-nos-disseram-voces-vao-durar-tres-meses#comments Tue, 27 Jan 2015 12:20:12 +0000 http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=44675

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A voz fraca, o jeito afável das pessoas idosas, também nele a paixão pelo relato: enquanto fala Jozef Paczynski, às vezes nos esquecemos de que a sua história e a de um sobrevivente de Auschwitz. Polonês, ele partiu com o primeiro “carregamento” humano para o campo de concentração que se torna o símbolo absoluto do Holocausto: “Éramos 728, eu tinha 19 anos, fiquei lá de 1940 até o dia 19 de janeiro de 1945: saí com o último transporte, a marcha da morte que nos levou para Mauthaunsen (onde ele foi resgatado pelos norte-americanos). Eu fiquei lá por cinco anos e dois meses”.

Em vista do próximo aniversário dos 70 anos da libertação, que serão festejados no dia 27 de janeiro, Paczynski fala na casa do encontro de Auschwitz, um refúgio nascido justamente para levar adiante a memória, a poucos passos do campo de concentração.

Em um pequeno encontro com a imprensa estrangeira alemã, do qual a Ansa participou, ele recorda os acontecimentos vividos quanto era muito jovem, depois de ser capturado pelos nazistas de Hitler. “Quando cheguei lá, não sabia o que era. O nome não nos dizia nada”, afirma ele sobre Auschwitz

“Mas me lembro bem das palavras que o vice-comandante, Karl Fritzsch, no disse: ‘Aqui vocês não estão em um sanatório. Vocês vão durar três meses. Se forem judeus, não mais do que seis semanas”, repete, citando literalmente a mensagem de “boas-vindas” no lugar em que seria exterminados ao menos 1,1 milhão de pessoas.

“Eu pensei: por que eu deveria morrer? Sou saudável, jovem, honesto, não fiz nada”, foi a reação. E Paczynski, de fato, teve a sorte de sobreviver, talvez também graças ao trabalho: “Fui levado como assistente do barbeiro”. “Um dia, chegou um suboficial que disse: ‘O pequeno polonês deve vir’. Ele se referia a mim”, conta.

Jozef tinha sido escolhido para cortar os cabelos do comandante do campo, o temidíssimo Rudolf Höss. “Quando eles me disseram isso, eu não acreditei. Depois, me perguntaram se eu estava com boa saúde e me levaram até ele.” Ao desespero, somou-se a angústia: “Eu tinha muito medo, minhas mãos tremiam. Segui o suboficial. Na porta, a senhora Höss me abriu e me conduziu ao primeiro andar. Nunca tinha cortado os cabelos antes daquele dia, mas eu tinha visto fazerem isso muitas vezes, e então, mesmo assustado, comecei a fazer o meu trabalho. E o fiz bem. Mas ele não disse uma palavra, nem uma palavra”.

Uma atitude que Höss – “pai de família exemplar, cinco filhos, não batia em nenhum deles, severo, dava indicações claras aos outros” – manteve também depois, todas as vezes que, regularmente, o jovem barbeiro era levado até ele, para lavar e cortar o cabelo. “Talvez ele me achasse nojento, dava-lhe repugnância.”

Paczynski esteve entre aqueles que, justamente graças ao emprego assumido no campo de concentração, teve a oportunidade de sobreviver, mas, sobre a sua vida em Auschwitz, ele não fala como um “privilegiado”: “Eu trabalhava honestamente, nunca tive uma vantagem”. Só a sorte de sobreviver, apesar do tifo, da fome, da vida desumana do campo.

Na sua memória, está esculpido o dia da primeira experiência com o Zyklon B, no dia 3 de setembro de 1941: “Depois do apelo da noite, vi uma coluna de russos, soldados de uniforme: foram levados ao bloco 11″. Foram exterminados 600 prisioneiros russos e 250 poloneses naquele dia. “Depois, as SS tiveram muito o que fazer, tiveram que eliminar nada menos do que 850 cadáveres no crematório.”

Às imagens petrificantes, seguem-se momentos surreais do relato, com distinções até mesmo sobre os carrascos: “Nem todos eram maus”. Paczynski voa de volta no tempo e evoca a véspera de Natal, a primeira do campo de concentração, quando os prisioneiros entoaram canções. O resultado desse concerto improvisado foi uma ordem surpreendente: “Quiseram que mandássemos cartas para casa para nos enviar os instrumentos”.

E, assim, nasceu a Orquestra de Auschwitz – “uma orquestra maravilhosa, havia também profissionais de toda aEuropa, prisioneiros” – que tocava todas as manhãs e todas as noites. “Especialmente marchas: elas nos acompanhavam ao trabalho e no retorno – conclui – quando muitos, porém, já estavam mortos

Ansa

 

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* “Tu morres por algo que vale a pena morrer”. Conheça 3 mártires da ideologia nazista. http://blog.comshalom.org/carmadelio/44665-tu-morres-por-algo-que-vale-pena-morrer-testemunho-de-3-martires-nazismo http://blog.comshalom.org/carmadelio/44665-tu-morres-por-algo-que-vale-pena-morrer-testemunho-de-3-martires-nazismo#comments Mon, 26 Jan 2015 14:09:37 +0000 http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=44665 nazismo (61)

No dia 23 de janeiro de 1945, há 70 anos, foi escrito o último capítulo da matança que o nacional-socialismo conduziria contra os seus opositores, depois das execuções sumárias que se seguiram imediatamente após o atentado fracassado contra Adolf Hitler do dia 20 de julho de 1944.

Organizaram-se processos-farsa (os bancos dos juízes estavam desprovidos até mesmo dos códigos penais), concluídos, em grande parte, com condenações à morte. Entre a primeira e a segunda fase de repressão, foram cinco mil as vítimas da vingança do Führer.

Entre os mártires da repressão, destacam-se figuras como o líder reconhecido do “Círculo de Kreisau”, o protestante James Helmuth von Moltke, o jornalista católico Nikolaus Gross e o jesuíta Alfred Delp, um dos 85 membros da Companhia assassinados pelo nazismo em vários países da Europa.

Esses três protagonistas cristãos da oposição à ditadura (os primeiros dois foram enforcados no dia 23 de janeiro; o terceiro, no dia 2 de fevereiro) são exemplos de um grupo de adversários do nazismo que encontrariam a morte até mesmo na véspera do suicídio de Hitler, como Dietrich Bonhoeffer, o teólogo luterano morto no fim de abril.

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Moltke (foto acima) havia reunido ao seu redor um grupo de intelectuais e políticos que se interrogavam sobre o destino da Alemanha, preparando uma hipótese de governo no dia seguinte ao fim, inevitável, considerando o andamento da guerra, do regime. O Círculo não estava ligado aos conspiradores do atentado do dia 20 de julho, mas muitos de seus membros foram presos sob a acusação de alta traição.

Durante o processo, von Moltke não se deixou intimidar pelo presidente do tribunal, o feroz Ronald Freisler, e expressou a sua confiança no futuro de uma Alemanha livre e sem o nazismo.

Restam dele um diário, em que estão anotados os méritos daqueles membros das Igrejas cristãs que não tinham sucumbido à ditadura, e uma intensa correspondência trocada com a esposa, Freysa, no período passado na prisão.

Ali, ele reafirma as suas certezas e esperanças de cristão, motivando a oposição ao nazismo como um dever do crente. Os dois cônjuges estavam cientes da necessidade do testemunho: “Tínhamos consciência – escreve – que talvez teríamos que pagar este preço”.

É comovente a frase dirigida a ele pela mulher: “Tu morres por algo que vale a pena morrer”. E a resposta: “Não há motivo de esperança humana. Mas, meu coração, avaliemos este evento como um sinal de que Deus nos escuta; seria falta de fé não fazer isso”.

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Nikolaus Gross (foto acima) era um sindicalista e jornalista que tinha identificado, desde o início, o caráter criminoso e anticristão do nazismo. Ainda em 1930, no jornal dos sindicatos católicos do qual era diretor, ele tinha escrito que era necessário rejeitar a doutrina hitleriana “não apenas por razões políticas e econômicas, mas definitivamente também em nome de uma posição religiosa e cultural”.

Marginalizado e controlado durante a ditadura, ele não haviam se curvado às dificuldades materiais e às perseguições. Ele fez parte do grupo de opositores reunidos em torno de von Moltke e seguiu o seu destino.

Durante a prisão, concluída com o processo e a condenação à morte, Gross pôde estabelecer um contato por cartas com a esposa (nunca lhe foi permitido encontrar a família). As suas cartas são testemunho de uma fé cristã vivida intensamente. Na última mensagem, ele falava de “um tempo de graça, para me preparar para o retorno para a casa” do Pai.

Aos seus entes queridos, ele escrevia: “Continuamente rezei todos os dias para que, através da força e da graça, o Senhor fortaleça a você e a mim, para que tomemos, paciente e devotamente, sobre nós tudo o que Ele estabeleceu e decidiu. E sinto que, através da oração, há calma e paz em mim”.

Gross é o primeiro canonizado entre os leigos alemães vítimas do nazismo, ao lado de inúmeros consagrados. João Paulo II, durante a sua visita à Alemanha, em 1987, tinha sublinhado o “heroico testemunho de fé” oferecido por ele e por outras vítimas “contra a aspereza de uma ímpia ditadura desprezadora dos homens”.

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Sobre Alfred Delp (foto acima), foi recentemente pedida a abertura do processo de canonização. O jovem jesuíta (ele foi admitido na ordem com uma consagração clandestina quando já estava na prisão) tinha participado, com o consentimento da Companhia, das reuniões do Círculo de Kreisau por causa das suas competências nas questões sociais.

Anteriormente, ele havia realizado uma intensa atividade como animador pastoral, palestrante e autor de artigos sobre teologia. Preso, torturado e espancado, foi reenviado ao julgamento sem provas criminais contra ele: mas, para condená-lo, bastou apenas o fato de ele ter se recusado a sair da ordem dos jesuítas para salvar a vida. Durante o processo, ele enfrentou Freiser, que explodiu contra ele em expressões de raiva. “Era uma questão contra Deus, e eu O defendi”: assim Delp consolou a sua irmã na última carta.

Von Moltke, Gross e Delp não são os únicos: há um copioso martirológio para se recuperar a memória daquelas testemunhas que, com o seu sacrifício, há 70 anos, salvaram a honra cristã da Alemanha.

Angelo Paoluzi, publicada pela agência Servizio Informazione Religiosa

 

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* O exorcismo explicado pelo padre exorcista José Antonio Fortea. http://blog.comshalom.org/carmadelio/44661-o-exorcismo-explicado-pelo-padre-exorcista-jose-antonio-fortea http://blog.comshalom.org/carmadelio/44661-o-exorcismo-explicado-pelo-padre-exorcista-jose-antonio-fortea#comments Mon, 26 Jan 2015 13:00:13 +0000 http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=44661 Padre-Jose-Fortea-5
Ao final da nona pergunta, entre uma lista com uns 20 questionamentos, o padre José Antonio Fortea, 46, interrompeu a entrevista perguntando se eu gostaria de uma benção. Sem jeito com a situação inusitada, acabei aceitando. A voz mansa e contida desse espanhol, que aparenta mais que a idade que tem, ficou ainda mais diminuída durante a oração.
 
Em determinado momento, pediu que eu desligasse meu gravador. Colocou a mão na minha cabeça e sugeriu: “Por que no cerras tus ojos?”. Fechar os olhos ali, no meio de dezenas de pessoas passando é um exercício que não estava preparado para fazer. 
 
Fui para entrevistar esse religioso, que passou por Franca em dois dias de encontros com outros padres e integrantes da comunidade Cenáculo. Ao final da oração, sem que nada tivesse dito a ele, lamentou minha falta de fé: “Por que tanta dificuldade em acreditar em Deus?”.
 
O que fez despertar a vontade de conversar com José Antonio Fortea foi o ofício a que se dedica. Ele é um dos cinco padres exorcistas em atividade na Espanha e o mais conhecido por lá. Seus livros e estudos sobre demologia são, entre os entendidos, referência mundial no assunto, a começar por seu trabalho Summa Daemoniaca, um tratado sobre o assunto.
 
O padre Fortea veio a Franca,,São Paulo, acompanhado do colega Alexandre Paciolli, pároco na Gávea, no Rio de Janeiro, depois de passar por Minas Gerais e Rio Grande do Sul. Assim como o espanhol, o brasileiro é dedicado aos estudos do exorcismo no Brasil, tendo viajado por alguns países para tratar do assunto. É também membro da Associação Internacional de Exorcismo.
 
Conversar sobre isso é uma dificuldade, marcada sobretudo, pessoalmente, pela desconfiança de sua ocorrência, e pela maneira como as lideranças católicas tratam o exorcismo, prática secular, como o próprio cristianismo.
 
Paciolli explicou que os casos de possessão, o mais grave, são raros, porque a manifestação demoníaca ordinária é a tentação, caracterizada, segundo suas palavras, por atos ou situações sobre as quais a pessoa não possui muito controle.
 
Entre uma e outra está a obsessão, que ocorre atingindo os sentidos internos e externos, envolvendo a imaginação, tato e olfato. A pessoa tem visões, sente cheiros fortes, putrefatos. A dificuldade adicional é que todos os indícios podem ser confundidos com um problema psicológico. “A intervenção do exorcista é importante porque essas pessoas, muitas vezes sem saber, tiveram contato com as forças do maligno e estão infestadas por elas, sofrendo uma pressão tremenda, incluindo uma doença”, disse o padre Paciolli.
 
No estágio mais severo – a possessão -, o demônio toma conta do corpo. É quando se verificam reações estranhas, com o padre falando em latim e a pessoa, sem nunca ter tido contato com a língua, respondendo no mesmo idioma, ou quando o religioso se aproxima com a relíquia de um santo e o possuído identifica o objeto e pede para se afastar dele.
 
Falar línguas não conhecidas, usar de força física que nitidamente não existe em condições normais, posições humanamente impossíveis de serem feitas, como caminhar por paredes, são os sinais já presenciados pelo padre Paciolli em suas intervenções. 
 
O padre carioca reforçou o que José Antonio Fortea dissera na entrevista, falando sobre a preocupação pontual da igreja com os raros casos de possessão, sem descuidar da pastoral e das atividades mais comuns a que se dedica. 
 
Os que os dois discordaram foi sobre a forma como a mídia ou a indústria do entretenimento abordam a questão. Para Paciolli, a tendência é seguir pelo viés do sensacionalismo. “Eu não posso fazer do exorcismo um show. Eu não posso chegar na televisão e apresentar uma pessoa possuída”, disse. “É muito particular e há sofrimento. Vi coisas muito sérias, mas que só ajudaram a aumentar ainda mais a minha fé.”
 
Sem excluir responsabilidade de padres que cometeram excessos públicos em sessões de exorcismo, Alexandre Paciolli disse que algumas religiões tratam o tema com absoluto respeito, enquanto que outras caíram no exagero. “Conheço pastores evangélicos extremamente sérios e respeitosos. Tudo depende da pessoa que está trabalhando”, argumentou. “É preciso saber que leigos só podem fazer o trabalho de libertação, que é orar para Deus que liberte a pessoa. O leigo não dá ordem direta ao demônio, não conversa com ele. Isso é prerrogativa do padre exorcista.”
 
Fortea roda o mundo para palestras, para estudar casos de possessão demoníaca a para ministrar seu ofício a outros padres. Para que pudesse fortalecer sua atividade literária, vive atualmente em Alcalá de Henares, uma cidade de 200 mil habitantes, próxima a Madrid, onde atua como capelão de um hospital e de um convento. É pároco de Anchuelo, um povoado com 700 habitantes.
 
Apesar da notoriedade mundial, da mesma maneira que todos os outros padres exorcistas, só pode atuar nos limites de sua diocese, com autorização do bispo responsável e nomeação pelo papa.
 
Formado em Teologia pela Universidade de Navarra, Fortea nasceu em Barbastro, cidade natal de um conhecido personagem da Igreja Católica: José Maria Escrivá, o fundador da conservadora Opus Dei.
 
Fleumático, educado e comedido nas respostas e comentários, após uma longa manhã de eventos, estendidas pelas dezenas de pedidos para tirar fotos ao lado de fiéis e participantes do Cenáculo, José Antonio Fortea concedeu a seguinte entrevista ao Comércio.
 
O que o senhor faz exatamente em seu dia a dia?
Agora mesmo estou dedicado aos livros. Este ano, assim como no anterior, foi-me concedido ser capelão de um convento e de um hospital e assim ter tempo tanto para as viagens quanto para os livros. Se procurar pelo site biblioteca forteana, verá que tenho me dedicado a escrever há muito tempo.
 
Qual é a definição clássica do trabalho de um exorcista?
O exorcismo é um ritual pelo qual a Igreja Católica expulsa o demônio quando este está possuindo a alguém. É isso, basicamente.
 
Em algum momento o exorcismo se aproxima da prática do espiritismo, por exemplo?
Em nada. Em todas as religiões monoteístas, cristãs, judias ou muçulmanas dizemos que Deus nos habita. Deus colocou uma separação entre o nosso mundo e os que existem além e nós não podemos rompê-la. Se fazemos, é justamente quando podemos ter problemas.
 
O exorcismo não é uma prática exclusiva da Igreja Católica. Qual a diferença entre o ritual católico e os das demais religiões?
Todos os seguidores de Jesus, sejam os mais diferentes, em determinado momento oram para as pessoas que sofrem problemas desse tipo. O objetivo é o mesmo.
 
Qual a importância, hoje em dia, de seu ofício para a Igreja Católica?
O ofício de exorcista existe para ajudar as pessoas que precisam desse ministério. É um serviço. A igreja não tem nenhum especial interesse em fazer exorcismos e se o faz é porque existem pessoas que necessitam. O exorcismo não é o mais importante dentro da igreja, mas sob outros aspectos, a evangelização, a ajuda aos pobres, aos doentes. O exorcismo existe apenas para os que necessitam.
 
Por isso são tão poucos os padres que atuam como exorcistas?
Sempre foram poucos. Se há mais necessidade, existem mais padres. Sempre fomos poucos.
 
Como se debate esse assunto em pleno século 21?
Da mesma maneira que em todos os séculos. Não existe hora mais importante do que quando começou o cristianismo. Se existem pessoas que precisam de ajuda, Deus nos coloca à sua disposição.
 
O avanço da sociedade e dos meios de comunicação não afetam o entendimento que se tem do exorcismo em comparação a outras épocas?
O exorcismo é tratado de muitas maneiras pelos meios de comunicação. Há formas mais distorcidas e outras mais corretas, boas. Normalmente creio que seja tratado de maneira respeitosa. Mesmo quem não é católico ou cristão sabe que existe algo a mais. Não somos apenas átomos e moléculas.
 
Como se define a possessão demoníaca? Como ela é detectada em uma pessoa?
Orando pela pessoa, vemos quando algo se manifesta. Pessoas nos procuram dizendo que algo está se manifestando. É quando analisamos. Nos casos de possessão, as pessoas ficam muito furiosas, caem ao solo, gritam. São essas características. Isso não é normal; algo está se passando com ela. Falar línguas diferentes, que não conhece, também pode ser um sinal.
 
Por que acontece com uma pessoa e não com outra?
Não sei dizer. É um mistério. Não sabemos nada sobre essas coisas. O que sabemos é como tirar os maus espíritos. Mas não é claro porque eles entram no corpo de alguém.
 
Quem é o demônio, padre?
É um anjo caído.
 
O seu caso mais conhecido, difundido pela imprensa, foi o de uma moça com o nome fictício de Marta, cujo trabalho durou cinco anos. Como está essa mulher hoje em dia?
Já acabou (a possessão) há alguns anos. Ela tem uma vida normal. Conversamos de vez em quando.
 
Por que demorou tanto tempo?
Só Deus para responder.
 
Como vive uma pessoa nessas condições, caso não haja alguém para interceder, como o senhor?
Alguns sofrem por toda a vida. Outros levam uma vida mais ou menos normal.
 
A possessão se dá apenas em católicos?
Tenho casos de não-católicos, muçulmanos, gente com muitos estudos e pessoas ignorantes. Pessoas que creem e que não creem.
 
É possível saber se está ocorrendo uma farsa?
Em muitos casos a pessoa enferma crê que está possuída e acredita firmemente porque, afinal, está doente. Quando é assim, o trabalho é para um psiquiatra.
Fonte: GTN
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* Cidadãos: a liberdade de imprensa no Brasil está em grave perigo. Entenda! http://blog.comshalom.org/carmadelio/44657-cidadaos-liberdade-de-imprensa-no-brasil-esta-em-grave-perigo-entenda http://blog.comshalom.org/carmadelio/44657-cidadaos-liberdade-de-imprensa-no-brasil-esta-em-grave-perigo-entenda#comments Mon, 26 Jan 2015 08:59:49 +0000 http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=44657

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Agora que começamos a descobrir como agiu o governo no escândalo do petrolão, fala-se de novo em “controle social da mídia”

O ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, pretende discutir o controle da imprensa no Brasil, mas diz que não do seu conteúdo, visto que a Constituição assegura a liberdade dos meios de comunicação.

Reiterando posições do presidente de seu partido, Rui Falcão, de que a imprensa precisa ser “democratizada” e que a concentração de capital no controle de jornais e canais de TV macularia tal liberdade, sustenta que a diluição desse controle entre outros participantes levaria a uma imprensa “mais democrática”.

À evidência, não faz menção ao controle governamental da imprensa oficial, com conteúdo definido exclusivamente pelo governo. A imprensa oficial não desvenda os porões e as podridões do poder. Só a imprensa livre o faz e, quando o faz, surgem ideias semelhantes às dos que advogam uma “democratização conduzida” dos meios de comunicação, como na Argentina ou na Venezuela. Sabe-se o que ocorre. Os governos financiam grupos dóceis.

Basta ver o que aconteceu com o principal canal de TV da semiditadura venezuelana e o que a presidente Cristina Kirchner tem feito com o jornal “Clarín”, exclusivamente por terem mostrado, na Venezuela, a violação de direitos fundamentais e, na Argentina, o fracasso econômico do governo.

Na mesma linha, o governo tentou, com os denominados conselhos populares, criar um poder paralelo ao do Congresso Nacional.

Com eleições teleguiadas por correligionários para definir políticas para os esclerosados 39 ministérios, no melhor estilo de conselhos semelhantes existentes em algumas ditaduras e semiditaduras com as quais o governo tem estreitas relações e a presidente Dilma Rousseff, principalmente com a ditadura cubana, particular afinidade.

À evidência, as últimas eleições demonstraram uma fragilização do PT, com uma presidente eleita por estreita margem de votos e por 38% dos eleitores inscritos –62% dos eleitores não votaram na presidente. Há muito o partido perdeu suas raízes de defensor da ética, quando na oposição, convivendo hoje com o maior assalto público ao dinheiro do contribuinte.

São bilhões de reais desviados, por culpa (omissão, negligência ou imperícia) ou por dolo (fraude ou má-fé), beneficiando correligionários e aliados, durante pelo menos dez anos, seja no caso do mensalão, seja no do petrolão.

E a imprensa teve papel fundamental neste desventrar, ao lado da Polícia Federal e do Ministério Público –órgãos que não prestam vênia ao poder–, o maior escândalo da história do Brasil.

O petrolão será examinado pelo Judiciário, pois no mensalão já houve decisão. Causa, todavia, particular estranheza que, neste momento, em que o povo começa a descobrir como agiu o governo por culpa ou dolo, não faço avaliação prévia, no desvio do dinheiro público, venha-se novamente falar em controle indireto da imprensa, por meio do controle das direções dos jornais.

Não conheço o ministro Berzoini, embora conheça Rui Falcão, de quem sempre tive boa impressão. Entendo que a liberdade de imprensa é, todavia, cláusula pétrea da Constituição Federal, por dizer respeito ao mais sagrado direito de uma sociedade de ser informada da verdade, não pelos detentores do poder, mas pela imprensa livre.

Não podem, portanto, serem modificados os fundamentos do “caput” do artigo 220 da lei suprema. Além de não ser o momento de discuti-los, fica-se com a impressão que o governo, em conjuntura delicada, na qual se examina sua moralidade, pretende calar a imprensa.

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* Os evangélicos são mais católicos do que imaginam! Entenda. http://blog.comshalom.org/carmadelio/44652-os-evangelicos-sao-mais-catolicos-que-imaginam-entenda http://blog.comshalom.org/carmadelio/44652-os-evangelicos-sao-mais-catolicos-que-imaginam-entenda#comments Sat, 24 Jan 2015 22:00:21 +0000 http://blog.comshalom.org/carmadelio/?p=44652 Banner-Editorial3-570x240

Todos os cristãos se baseiam na tradição e não apenas na Bíblia

A tradição é importante.

Como declaração sobre as bases da doutrina da Igreja, este comentário pode não soar muito surpreendente. Aliás, ele é bastante óbvio para os fiéis católicos e ortodoxos. Mas ele também evoca um grande paradoxo que existe no pensamento de uma numerosa e influente parcela dos cristãos do mundo inteiro: os evangélicos. Por mais surpresos e até chocados que eles possam ficar ao ouvir ou ler isto, o fato é que os evangélicos são muito mais católicos do que eles imaginam.

Os evangélicos se orgulham do alicerçar a sua fé somente na Bíblia. Este, afinal, é o núcleo da doutrina da “sola scriptura”, proposta pela reforma protestante. Se você acompanhar um debate evangélico, verá que esta questão não demora quase nada para surgir: “Onde é que esta afirmação consta na Bíblia? Indique o capítulo e o versículo”.

E aí é que está o problema. Os evangélicos acreditam de modo irrenunciável em doutrinas centrais da fé que não podem se basear simplesmente na escritura, pois se desenvolveram na tradição da Igreja. Depois de formulada uma crença, caso se queira, é possível pinçar versículos bíblicos para ampará-la, mas nunca se chegaria a essas posições doutrinárias por meio das escrituras sozinhas.

O exemplo mais óbvio é a própria Trindade, que os evangélicos consideram uma crença fundamental para qualquer cristão. No entanto, ela não aparece explicitamente na Bíblia. A sua única base bíblica é aquilo que ficou conhecido como “os parênteses joaninos”, uma menção abertamente trinitária feita em 1 Jo 5, 7-8, passagem consagrada no texto da Bíblia do rei James, de 1611. Mas os estudiosos sabem há séculos que aquelas palavras foram inseridas muito tardiamente no texto original. Nenhum escritor sério as cita hoje como autênticas.

Deixar esses parênteses de lado não gera dificuldade alguma para quem acredita na Trindade, que é uma doutrina muito arraigada na tradição da Igreja. A doutrina foi abraçada pelos cristãos no segundo século, em especial por padres apostólicos como Inácio e Justino Mártir. Falar de tradição da Igreja não significa, é claro, que tais figuras inventaram doutrinas para satisfazer os seus próprios propósitos obscuros. Ao contrário, como os teólogos católicos e ortodoxos sempre destacaram, a Igreja foi e é guiada pelo Espírito Santo. Sem essa crença no poder da tradição contínua, porém, como é que se poderia justificar a própria doutrina da Trindade?

Sem tradição da Igreja, sem Trindade.

Também é fundamental para os evangélicos a crença na encarnação de Cristo. O Novo Testamento nos permite formar ideias, é claro, sobre a divindade de Cristo e sobre o fato de Ele ter se tornado homem. No entanto, basear-se nesses textos bíblicos deu aos primeiros crentes uma enorme margem de manobra no tocante ao entendimento de qual seria a relação entre o humano e o divino. Cristo era literalmente Deus caminhando sobre a terra em forma humana? Ou será que a divindade “desceu” sobre Jesus em algum momento da sua vida terrena, presumivelmente no batismo, para depois abandoná-lo na hora da crucificação? Os cristãos discutiram sobre essas doutrinas complexas ao longo de séculos e só as estabeleceram no Concílio de Calcedônia, no ano de 451. Em outras palavras, trata-se uma doutrina definida por meio do debate no seio da Igreja, com base na escritura e na tradição, sob a orientação do Espírito Santo.

Sem tradição da Igreja, sem doutrina da Encarnação.

Os protestantes sempre tiveram a Igreja primitiva em alta estima. Ilustres estudiosos evangélicos publicaram obras sobre os primeiros padres. Em língua inglesa, por exemplo, a editora evangélica IVP apresentou uma série maravilhosa de volumes sob o título “Ancient Christian Commentary on Scripture” [“Comentários do cristianismo primitivo sobre as escrituras”]. Dito isso, os evangélicos ainda rejeitam o uso da sabedoria da Igreja dos primeiros séculos para estabelecer a doutrina.

Mas suponhamos que eles reconheçam a realidade e admitam que as doutrinas fundamentais, como a da Trindade, estão de fato fundamentadas na tradição da Igreja primitiva. E como é que eles definem o significado desse “primitiva”? Eles veem a obra do Espírito Santo ainda em ação antes do Concílio de Niceia, em 325, ou estendem esse período até o de Calcedônia, em 451, como é necessário caso queiram aceitar a Encarnação? E se aceitarem também as ideias de Santo Agostinho como dotadas de autoridade, isso nos leva a considerar que a etapa da história da Igreja considerada como primitiva se estende até o quinto século.

Se os evangélicos se aventuram pelo quarto e pelo quinto séculos, porém, significa que há, diante deles, uma Igreja “perturbadoramente” medieval e até católica. Tratava-se de uma Igreja hierárquica, com ideias já sólidas sobre a constituição do clero e com regras definidas sobre o celibato clerical e sobre o monaquismo. A partir do segundo século, além disso, as ideias sobre o papel da Virgem Maria na história da Redenção foram se tornando cada vez mais populares e tradicionais na Igreja. Essas ideias, por acaso, seriam menos dotadas de autoridade do que outras doutrinas como a da Trindade?

Então, por que não Maria?

Os evangélicos, creio eu, deveriam ser mais explícitos quanto à sua visão da tradição. Ao abordar este ponto, eu não estou pretendendo colocar os evangélicos contra a parede, mas sugerir que nós, cristãos de todos os matizes, já estamos muito mais próximos da unidade doutrinária do que se costuma imaginar.

Fonte: Aleteia

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