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João Paulo II, padrinho da JMJ.

O futuro beato acompanhará os santos espanhóis como intercessor da Jornada

João Paulo II, em cujo pontificado se começaram as Jornadas Mundiais da Juventude foi nomeado padrinho da JMJ Madrid11, depois do anúncio da sua beatificação, prevista para o próximo 1 de Maio.

O cardeal Rylko, presidente do Conselho Pontifício para os Leigos, ‘ministério’ vaticano encarregado das Jornadas Mundiais, tornou pública esta notícia perante mais de 200 delegados de todo o mundo reunidos em Madrid para preparar a próxima Jornada. O cardeal Rylko recordou como Karol Woytila se considerava “amigo dos jovens” e mostrou uma grande alegria “por poder comunicar a notícia durante esta reunião de delegados”. Os assistentes receberam em pé com emoção e um longo aplauso este anúncio.
Dom César Franco, coordenador geral de Madrid11 e bispo auxiliar de Madrid, anunciou em seguida que o anterior Papa será nomeado padrinho da JMJ. Desta forma o próximo beato é acrescentado à lista dos grandes santos espanhóis intercessores desta edição: santo Isidro Labrador, santa Maria de la Cabeza, santa Teresa de Jesus, santo Inácio de Loyola, são Francisco Xavier, são João da Cruz, são João de Ávila, santa Rosa de Lima e são Rafael Arnáiz.

João Paulo II mostrou sempre a sua predileção pelos jovens. Em 1985, ano em que teve lugar a primeira JMJ afirmou: “toda a Igreja tem de se sentir cada vez mais comprometida a nível mundial a favor da juventude, das suas ânsias e preocupações, das suas aberturas e esperanças, para corresponder às suas expectativas, comunicando a certeza que é Cristo”.

Os pilares da JMJ

Dizem que um edifício sem alicerces não se pode construir. Na Jornada Mundial da Juventude de Madrid, sempre foi claro desde o primeiro momento. A JMJ fundamenta-se na oração. Depois do imenso entusiasmo, no último dia da JMJ de Sidney, com o anúncio de que a próxima Jornada Mundial seria em Madrid… tinha chegado a hora de começar a trabalhar.

Por isso, o primeiro passo dado pelo Cardeal de Madrid, Antonio María Rouco Varela, foi escrever uma carta a todos os mosteiros e casas de vida contemplativa de Espanha, para que rezassem pelos jovens que viriam a Madrid.

Em Espanha há mais de 800 conventos espalhados por todo o país. Beneditinos, Cartuxos, Jerónimos… Carmelitas, Agostinianas, Franciscanas… Cada qual com a sua espiritualidade mas com uma missão comum: ocupar-se de Deus, em assídua oração e generosa penitência.

A estes conventos somaram-se mosteiros de vida contemplativa de todos os cantos do mundo, que preparam com a sua oração o próximo encontro de Madrid.

“Descobri a minha vocação numa JMJ”
Na vigília em Hyde Park, na sua visita ao Reino Unido, Bento XVI animou todos os jovens a escutar a voz de Deus: “só Jesus conhece a ‘missão concreta’ que pensa para vós. Perguntai ao Senhor o que deseja de vós e pedi-lhe a generosidade de dizer sim”.

Entre os caminhos para seguir a Deus, salientou o “da vida religiosa contemplativa, que sustém o testemunho e a atividade da Igreja com a sua oração constante”.

Contudo, pode alguém ter vocação na vida contemplativa no mundo de hoje? E o mais importante: como descobri-la?

Muitos jovens foram tocados por Deus, numa Jornada Mundial da Juventude, e chamados depois à vida religiosa. A JMJ de Roma no ano 2000 foi uma ocasião para muitas pessoas. Uma monja de um dos conventos com mais vocações de Espanha dizia: “Não me dei conta do que se tinha passado ali. E mais ainda, creio que não entendi muito bem o que disse o Santo Padre. No entanto, nesse acontecimento vi muitos jovens que viviam a mesma fé que eu. Era como se na JMJ, sem me dar conta, tivesse sido marcada com um selo indelével. Cada vez que ia a uma discoteca dizia para mim mesma: ‘tu conheceste outra forma de viver, mais plena’. E assim vi a minha vocação, e decidi entrar no convento”.

Uma daquelas jovens que participou na JMJ de Roma, e que agora nos recebe no seu convento, confidenciava há pouco tempo a algumas pessoas que estão a trabalhar para a Jornada de Madrid: “Uma das frases que deixou uma marca maior na minha vida foi a frase de João Paulo II em Tor Vergata: “Não busqueis noutro sítio o que só Ele vos pode dar. Creio que essa é a grande missão da Jornada Mundial: dar Cristo, mostrar aos jovens o que a felicidade passageira do mundo não pode dar”.

A Jornada Mundial da Juventude agradece a generosidade da oração e a entrega de vida de tantas pessoas, que a partir de lugar escondido ao mundo sustêm os preparativos de cada JMJ.

Homenagem da banda God First a próxima Jornada Mundial da Juventude em Madri

“Se ve, se siente, el Papa está presente. Se ve, aquí, el Papa está en Madrid”:

God First é uma banda brasileira católica de rock que tem como finalidade única e exclusiva a evangelização dos jovens.

“Nós, da God First, fizemos esta homenagem a JMJ por tudo o que ela já representou em nossas vidas. Cada momento vivido foi inesquecível e em Madrid não será diferente. Não achamos que esta música esta à altura do que a jornada significa para nós, mas o que pudermos fazer para engrandecer e divulgar este evento mundial capaz de transformar a vida das pessoas, nós iremos fazer.”

Marcelo Cortês – Integrante da banda e um dos compositores da música.

“O mundo só dá água salgada”

“A mensagem era para mim, falava-me a mim, não importava que estivesse no meio de milhares de pessoas. As suas palavras eram para mim, era o próprio Jesus a dizer-me: ‘Ânimo, é verdade, estou vivo e te entendo e Eu ajudo-te’”

Linda participou num encontro de jovens com João Paulo II e, desde então, não pôde deixar de participar neles. 1995 marcou a sua vida após a participação com 18 anos no Ágora de Loreto, um encontro dos jovens com o Papa.

Linda nasceu na Nicarágua e trabalha, além de outros lugares, na Universidade Centro-Americana como professora. Encontra-se desejosa de deslocar-se a Madrid para participar na JMJ em 2011. Tem vontade de repetir a experiência mais uma vez.

Recorda com carinho a primeira vez que esteve próximo de João Paulo II, um momento que mudou a sua vida: “Podia-se respirar no ar a presença de Cristo. Nunca o esquecerei. O Papa existia, era real e além disso entendia os meus problemas e medos, como por exemplo as provas por que passava no meu primeiro ano de universidade tentando viver como a Igreja ensinava”.

Uma das coisas que mais lhe chamou a atenção foi que se sentia interpelada pessoalmente: “A mensagem era para mim, falava-me a mim, não importava que estivesse no meio de milhares de pessoas. As suas palavras eram para mim, era o próprio Jesus a dizer-me: ‘Ânimo, é verdade, estou vivo e te entendo e Eu ajudo-te’”, relata.

De regresso à Nicarágua depois da experiência, esta jovem pensava continuamente na melhor forma de dar a vida por Cristo. Um ano mais tarde, foi escolhida como catequista de adultos na sua paróquia, o que implicou em muitas ocasiões não assistir a festas ou ir de viagem com os seus amigos. “Mas valeu a pena escolher Cristo” porque foi muito o que recebeu da parte da Igreja. Daí que marcasse como meta assistir a todas as JMJ possíveis e, mesmo tendo grandes dificuldades para financiar as viagens – naquela altura era uma estudante sem condições econômicas – obteve o milagre.

Em 1997 assistiu à JMJ de Paris, em 2002 à de Toronto e em 2005 acorreu a Colônia. “Cada vez que se aproximava uma Jornada da Juventude pedia a Nossa Senhora que me permitisse participar naquela que é a maior festa da juventude”, relata Linda.

Cada uma destas Jornadas renovou a sua fé. Linda utiliza a comparação da lâmpada que necessita do azeite para se manter acesa. “O azeite que recolhi em França para a minha lâmpada, deu-me forças para sustentar a minha castidade num momento crítico da minha vida porque consegui terminar com uma relação que não tinha futuro, ainda se eu me negava a vê-lo. Dois meses depois da peregrinação, a relação terminou e estou convencida que foi para o meu bem e que o Senhor se encarregou de tudo”.

Por outro lado, “o azeite que recebi na Alemanha deu-me forças para bendizer a Deus quando a minha mãe morreu, um ano depois. Custou-me muito entender que tudo terminara de um dia para o outro; custou-me entender ainda mais a morte do meu pai dois anos depois… mas bendigo a Deus porque me dei conta que me quer livre e sem amarras, mesmo que doa muito”, explica a jovem Linda.

“Cada Jornada é um encontro com Jesus Cristo Ressuscitado que me renova a fé, que me fala do seu Amor por mim. Eu descobri em cada uma delas um pouco mais das minhas debilidades e a força de Jesus Cristo que perdoa os meus pecados e me oferece água viva e azeite para a minha lâmpada. Necessito encher a minha lâmpada de azeite e tomar dessa água que sacia porque no mundo só encontro água salgada, que unicamente serve para ser cuspida”, conta Linda emocionada.

No entanto, certa tristeza a invade ao pensar que, por problemas de saúde, talvez não possa deslocar-se a Madrid. “Será feita a vontade de Deus; os milagres são dele”, confirma esperançada a nicaraguense.

“Uma JMJ é uma experiência forte do que significa ser Igreja Católica, além de ser uma grande aventura!”

Meu nome é Leonardo, sou missionário da Comunidade Shalom há 10 anos.

Deus me deu a graça de estar na Jornada Mundial dos Jovens com o Papa em Toronto (Canadá 2002) e em Colônia (Alemanha 2005).

Uma JMJ é uma experiência forte do que significa ser Igreja Católica, além de ser uma grande aventura! No entanto, o que mais me marcou nestas duas JMJ’s foi a pessoa do Papa.

O gesto aparentemente absurdo de João Paulo II em Toronto, de escolher descer do avião pelas escadas recusando o elevador foi de uma força impressionante: mostrou-nos que o caminho mais fácil nem sempre é o melhor (e lembrou-nos que o Reino dos Céus tem uma porta estreita). Naquele gesto, João Paulo II nos conduzia à batalha por uma vida santa e um mundo mais santo.

Em Colônia, foi a vez de Bento XVI nos mostrar que não existe aposentadoria na vida apostólica: ele disse sim ao Espírito Santo que o havia escolhido para aquela missão tão desafiante. Suas palavras de pai ressoam ainda em nossos corações: “só dos Santos, só de Deus provém a verdadeira revolução, a mudança decisiva do mundo.”

Trago no coração e na minha história esta lembrança: ouvi do Santo Padre o que preciso fazer para ser feliz!

Leonardo Biondo

“Cantarei nos ônibus para poder ir à JMJ”

Maurício Alejandro tem 14 anos e vive em Bogotá (Colômbia). Dada a sua idade, não pôde ainda participar em nenhuma JMJ, esperando, por isso, que Madrid seja a primeira. Para isso, está a aproveitar todas as oportunidades para conseguir fazer face aos elevados custos da viagem. Assim, este jovem já se pôs em marcha com o fim de conseguir o dinheiro necessário. Uma das iniciativas que levou a cabo é a de vender chocolates no salão onde tem aulas e “graças a Deus saí-me muito bem”, relata Maurício Alejandro. Além disso, “rifei uma Bíblia”, e novamente “saí-me muito bem”, conta o bogotano.

O jovem estudante acredita que Deus “está a ajudar-me nisto tudo” porque, segundo conta, “no meu colégio é proibido vender, mas o Senhor deu-me a graça de que os meus professores me apoiem e me ajudem a levar esta atividade”. E se não bastasse, Maurício Alejandro tem em mente muitos outros planos para por em prática durante o um ano que falta para que se celebre a JMJ em Madrid. Como, por exemplo, cantar nos autocarros, vender objetos à saída das missas na sua paróquia e organizar uma quermesse. Apesar da dificuldade que implica realizar todo este trabalho, o futuro peregrino está consciente de que “é um grande sacrifício, mas espero continuar a trabalhar e não `tirar la toalla´(=desistir)”.

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