Projeções de Fé

À moda antiga

ÀModaAntigaFazendo oposição à adaptação cinematográfia do bestseller “50 tons de cinza”, o longa estreou no mesmo dia com o objetivo de mostrar um outro lado dos relacionamentos afetivos. “Acreditamos que existem pessoas que esperam mais do amor – e do cinema – do que objetificação e dominação”, disse Rik Swartzwelder, diretor, roteirista e protagonista de “À Moda Antiga”. 

Sinopse: Clay (Rik Swartzwelder) é um rapaz que costumava curtir as festas da fraternidade que frequentava, mas agora já leva uma vida mais tranquila. Ele conhece a bela Amber (Elizabeth Roberts), uma moça de espírito livre, e os dois se veem diante de um dilema: Será possível manter um namoro à moda antiga nos Estados Unidos dos dias atuais?

Seguindo a essência dos filmes independentes, percebemos que a produção é modesta e sem muitos recursos. Tem uma montagem bastante confusa em alguns momentos e a opção não acertada de fazer alternâncias de cenas não chega a atrapalhar o fio da meada, mas cria uma distração desnecessária para o telespectador. Tendo dito isso, somos levados, então, a uma análise mais do conteúdo do que da forma.

Sem dúvidas, a ideia do filme é simplesmente ousada para o século XXI. Um relacionamento em que não há relação sexual? Estamos tão acostumados a ver o amor hipersexualizado na televisão e no cinema que não mais nos sentimos constrangidos com esta realidade. Pelo contrário, ultrajado é aquele que discorda deste tipo de intimidade.

Então, apesar de todas as dificuldades que o longa apresenta – como falhas no roteiro e atuações medianas-, percebemos uma boa intenção. Rik Swartzwelder afirmou ao jornal Catholic World Report “eu só queria contar uma história romântica que não se passasse em 1800 nem numa vila de cristãos ultraconservadores, mas que refletisse a vida dos solteiros e solteiras que eu conheço, de garotos e garotas comuns que querem achar alguém para compartilhar a vida e honrar a Deus com esse relacionamento. E já que ninguém estava contando essa história, resolvi contar eu mesmo”.

Para alguns, o filme, no entanto, prega não a pureza, mas o puritanismo exacerbado. Mas é possível tirar uma lição daí. Clay já foi muito diferente nos tempos de faculdade e, agora, tenta fazer as coisas de forma completamente oposta. Para ele, não ficar a sós com uma mulher é uma questão de princípio, mas para um outro rapaz, ficar sozinho com uma garota pode ser um caso extremo, é tudo questão de conhecer e saber lidar com os próprios limites.

O “namoro santo” não é necessariamente trocar olhares no sofá com os pais na espreita ou só dando o primeiro beijo no dia do casamento (a não ser que isso seja opção do casal), senão a intenção de criar um laço mais do que afetivo, uma construção espiritual que lembre que Deus precisa ser o centro de tudo. É um ajudar o outro na busca pelas coisas do Alto, é a preparação para, um dia, a consumação do amor em matrimônio.

Em encontro com os namorados em 2011, o Papa Emérito Bento XVI afirmou:

“Cada amor humano é sinal do Amor eterno que nos criou, e cuja graça santifica a escolha de um homem e de uma mulher de se entregarem reciprocamente a vida no matrimônio. Vivei este tempo do namoro na expectativa confiante desse dom, que deve ser aceito percorrendo um caminho de conhecimento, de respeito, de atenções que nunca deveis perder: só sob esta condição a linguagem do amor permanecerá significativa também com o passar dos anos (…) Acelerar as etapas acaba por comprometer o amor, que ao contrário precisa de respeitar os tempos e a gradualidade nas expressões”.

Bento XVI também procurou lembrar que os casais não precisam “enfrentar” isso sozinhos; a comunidade cristã deve criar este amparo para ambos e ajudá-los a construir este vínculo santo: “Sede os primeiros a procurar e a acolher a companhia da Igreja”, disse ele.

Mas o filme também faz um alerta interessante: não usar a graça de Deus como muro de tijolo, ou seja, não fazer da vontade de ter um relacionamento casto um escudo para o mundo. Porque, às vezes, cria-se uma obsessão por achar a pessoa ideal e acaba-se fechando as portas para aquele ou aquela bem na sua frente.

A verdade é que, como diz um personagem, “nós nunca chegaremos completamente a este lado do Céu”, nossa vida terrena precisa ser uma constante busca pelo merecimento da vida eterna e, na união, um precisa ser escada para o outro. Ajudando-se, seja no namoro, no casamento ou na criação dos filhos, porque, parafraseando Bento XVI, o verdadeiro amor promete o infinito.

CONFERIR2

Ficha técnica:

Gênero: Drama
Direção: Rik Swartzwelder
Roteiro: Rik Swartzwelder
Elenco: Rik Swartzwelder, Elizabeth A. Roberts, LeJon Woods, Tyler Hollinger
Produção: Rik Swartzwelder
Duração: 115 minutos
Classificação etária: 12 anos

Trailer

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