It’s a Girl

“A Igreja reconhece que o contributo da mulher para o bem-estar e o progresso da sociedade é incalculável, e espera que elas possam realizar ainda mais a fim de salvar a sociedade do vírus mortal da degradação e da violência, que hoje está a registrar uma dramática propagação.”¹

(Papa João Paulo II) 

No Dia Internacional da Mulher celebramos o maravilhoso dom que é a mulher em todos os seus papéis e dons, em tudo o que ela representa para humanidade em sua dignidade e vocação. 

Apesar disso, o que verificamos ainda hoje em diversas partes do mundo é a degradação do sexo feminino. 

O documentário “It’s a Girl” chama a atenção sobre a condição feminina em países como China e Índia, onde a discriminação à mulher se encontra enraizada em tradições seculares que, em conjunto com as atuais políticas do governo, faz com que meninas sejam abortadas, assassinadas e abandonadas por suas famílias simplesmente por serem meninas. 

Estima-se que na China hoje existem cerca de 37 milhões de homens a mais que mulheres, e a cada ano nascem 1 milhão de meninos a mais: desbalanço causado primariamente pela coerciva política de planejamento familiar governamental que obriga mulheres a abortar. Tais procedimentos muitas vezes forҫam gestantes aos centros de aborto e, reiteradamente,estas mães acabam morrendo junto à seus filhos nascituros. 

O documentário explica que o aborto e o infanticídio nestas áreas não ocorrem por causa de uma escolha da mãe, ao contrário, são resultados da pressão social, política e cultural estabelecidas. Na Índia existe o ditado de que “criar uma filha é como molhar a árvore do vizinho”. Isso porque a filha deixa a família quando se casa e não provê para os pais na velhice, e ainda cabe a família da noiva pagar o dote. 

Apesar das gravações do filme limitarem-se a China e Índia, sabe-se que o aborto e infanticídio seletivo cobrem áreas geográficas mais amplas. Vários hospitais na área de Toronto, onde existe grande concentração de asiáticos, recusam fazer ultrassons que mostrem o sexo do bebê pois, segundo estudos publicados no Canadian Medical Association Journal, o percentual de abortos de bebês do sexo feminino entre famílias de imigrantes chineses, hindus, coreanos e vietnamitas são significantemente maiores que a do resto da população canadense.² 

O filme não é sobre estatísticas, mas sobre a magnitude do problema. Milhões de homens nunca se casarão por causa da falta de mulheres. A Organização das Nações Unidas estima que faltam cerca de 200 milhões de meninas no mundo hoje devido ao genocídio seletivo (número maior que toda a população brasileira). 

A atrocidade da realidade apresentada no filme alarma tanto o público pró-vida quanto os partidários do movimento feminista. O filme “It’s a Girl” não toma partido claro de nenhuma das causas, o que evidencia é que os direitos das crianças dependem dos direitos das mulheres e os direitos das mulheres dependem dos das crianças: se as mulheres não são respeitadas, as crianças também não o serão; e se as crianças não são, as mulheres também não vão ser. 

Tais padrões sociais mostrados no filme diferem frontalmente da visão de mulher defendida e difundida pela Igreja. Em uma de suas viagens apostólicas, o Papa Bento XVI declarou: 

“Há que reconhecer, afirmar e defender a igual dignidade do homem e da mulher: ambos. Ambos são chamados a viver no recíproco dom de si mesmos, trabalhando juntos para o bem comum com as características complementares do que é masculino e do que é feminino.”³ 

A declaração evidencia a posição da Igreja em relação à mulher, do reconhecimento da fundamental contribuição desta à sociedade; visto que o bem da comunidade humana depende da atuação de ambos – homem e mulher – em sua diversidade de dons. 

A sociedade que instala padrões discriminatórios e contrários a esta concepção (e que portanto, impedem a mulher de realizar-se como tal) fere não somente as mulheres, fere também a si mesma. 

Notas:

¹ Papa João Paulo II “Discurso do Santo Padre aos Participantes na Conferência Internacional sobre a Saúde da Mulher

²Yang, Jennifer “Six GTA hospitals won’t reveal fetal sex during ultrasound

³ Papa Bento XVI “Encontro com os Movimentos Católicos para a Promoção da Mulher

CONFERIR2

Ficha Técnica:
Diretor: Evan Grae Davis
Produção: Andrew Brown
Duração: 64 minutos
Ano: 2012
Gênero: Documentário
Cor: Colorido
Distribuidora: Shadowline Films
Trailer (em inglês)
 

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