O mundo universitário em grande parte dos países do Ocidente anda às voltas com várias iniciativas e programas de prevenção contra abusos sexuais. Entre debates acalorados, uma verdade não pode ser negada: as mulheres se sentem cada vez mais inseguras numa cultura que, sob o disfarce da “libertação”, as transformou, ainda mais explicitamente, em objetos de prazer sexual.

As mostras estão por toda parte.

Há a alguns anos atrás, dois clips de cantoras jovens e mundialmente populares exacerbaram a sensualidade das protagonistas: o de Nicki Minaj mostrava mulheres se contorcendo no meio do mato, enquanto o de Miley Cyrus mostrava a própria se contorcendo sozinha num canteiro de obras. O clip de Miley Cyrus bateu o recorde de visualizações no YouTube para um mesmo vídeo em 24 horas. Foi superado, pouco depois, pelo de Nicki Minaj. Passada a sensação do momento, as duas terão de buscar mais algum jeito de suscitar frenesi – durante mais algumas horas.

Em vez de denunciar a expectativa-padrão de que as mulheres precisam tirar a roupa para ser interessantes, as feministas abraçaram essa “causa”. Conquistou algumas horas de repercussão, na mesma época dos clipes citados acima, a premiação musical VMA em que a cantora Beyoncé e um grupo de dançarinas seminuas se contorceram diante de letras garrafais que diziam “FEMINIST”. Feministas do mundo todo comemoraram aquele momento no Twitter e na revista Time como se fosse uma “gloriosa vitória das mulheres”. Passados já vários meses, qual é hoje, para as mulheres, o resultado prático daquela “gloriosa vitória”? Mistério.

A chamada “revolução sexual” está cheia de “vitórias” que tornaram cada vez mais fácil o “uso” de mulheres e homens como objetos. Se é que se pode considerar isso um “avanço”, a quantidade de mulheres que usam homens aumentou, mas continua longe de se igualar à de homens que usam mulheres – afinal, nunca foi tão fácil “usar” mulheres adotando o próprio discurso feminista de “emancipação sexual”.

Essa “revolução” vem acontecendo por etapas:

A década de 1960 popularizou a pílula, expandindo exponencialmente a independência entre o sexo e a vinda de bebês ao mundo. A atitude cultural no tocante ao sexo fora do casamento passou rapidamente das piscadelas da geração anterior à música rock e pop que louvava o sexo livre, de “Let’s Do It, Let’s Fall In Love” a “Why Don’t We Do It In the Road?”. Nem todo mundo estava fazendo sexo extraconjugal, mas, no final daquela década, quase todo mundo estava proclamando o “direito” de fazê-lo.

Os anos 1970 popularizaram o aborto e deram início a uma era de dramáticas ironias: o sexo era celebrado como diversão descomplicada, por um lado, mas, por outro, surgiu a “consequência” de “ter que” matar os próprios filhos gerados “sem querer” durante essa diversão. Os hippies faziam do sexo uma forma de “iluminação” e de “autorrealização”, enquanto os homens do tipo “machão”, de James Bond a Burt Reynolds, faziam dele uma forma de conquista.

A década de 1980 popularizou o preservativo. Com as epidemias de doenças venéreas e o drama da aids tornando o sexo mais perigoso do que nunca, o mantra passou a ser o do “sexo seguro”. As escolas orientaram os estudantes a “dizer não” às drogas, mas lhes deram camisinhas para dizerem sim ao sexo. Produziam-se vídeos musicais e filmes direcionados especialmente a um público de adolescentes cada vez mais obcecados por sexo.

Os anos 1990 popularizaram a lingerie sensual. A Victoria’s Secret fez sucesso com seus desfiles de moda íntima e até o presidente dos Estados Unidos foi atraído pela “moda íntima” da estagiária Monica Lewinski. A roupa de baixo ainda não tinha se transformado no traje oficial das artistas femininas em cima dos palcos, mas cantoras como as Spice Girls e Britney Spears já começavam a trilhar essa estrada.

A primeira década dos anos 2000 popularizou a pornografia. O governo federal dos Estados Unidos já tinha dobrado a quantidade de leis relacionadas com atos obscenos na década de 1990, porque a internet vinha surgindo com força e recheada de um vasto arsenal de pornografia que se multiplicou espantosamente nos anos seguintes. O pornô se tornou um gigantesco setor de negócios. Os homens começaram a gastar muito tempo on-line sozinhos e a portas fechadas. E as mulheres, cada vez mais, também.

O que as próximas décadas vâo popularizar? Já vimos a florescente indústria dos brinquedos sexuais e sabemos que os tribunais estão ocupados em redefinir o próprio conceito de casamento, dissolvendo-o numa simples afirmação de sentimentos “mais ou menos afetivos” e retirando do seu núcleo a crucial missão de criar e educar solidamente os filhos nascidos de uma relação de mútua entrega perpétua.

Em 1999, numa sala da redação do jornal católico norte-americano National Catholic Register, eu me lembro de alguém comentando que a amoralidade sexual da nossa cultura não poderia ficar pior do que estava. Um editor mais velho e mais sábio alertou: “Só espere”. A nossa cultura está hoje saturada de sexo: tudo é escancarado e nada é deixado para a imaginação.

Mary Eberstadt demonstrou, com as ciências sociais, que a revolução sexual trouxe consequências devastadoras para mulheres, homens, adolescentes e crianças.

Talvez a maior mudança cultural esteja precisamente na degradação das mulheres.

Os católicos sabem que a “pureza do coração” é a qualidade que nos permite ver o verdadeiro valor do outro. Há pessoas que descrevem a experiência de olhar nos olhos de São João Paulo II ou da beata Teresa de Calcutá dizendo que era como se você fosse a única pessoa que existia para eles naquele instante. Esta é, no fim das contas, a pureza de coração: ser tratado como o que se é, como uma pessoa única e de dignidade infinita.

A máxima tragédia da sexualização da nossa cultura pode ser exatamente a perda dessa pureza. Quando permitimos que os seres humanos se tornem meros objetos de prazer sexual, todos nós diminuímos aos olhos uns dos outros.

Num mundo em que as mulheres precisam estar mais constantemente em guarda do que nunca, os católicos têm uma mensagem importante a transmitir: o poder das mulheres não está na sua sexualidade, mas na sua humanidade. Assim como o dos homens.

Autor: Tom Hoopes

Neste domingo é o Domingo de Páscoa, o dia em que celebramos a Ressurreição do Senhor.

A questão é simples: houve um ponto na história em que Jesus Cristo estava morto e, em seguida, um ponto em que ele estava vivo novamente? SIM!

Sobre essa questão, a evidência é muito forte: Jesus literalmente ressuscitou dos mortos.

1. O argumento da fraqueza de Cristo

É importante observar o modo como a história é contada no Novo Testamento. Não se trata de um “mito da ressurreição”, como a história da Fênix.

Jesus não é apresentado como uma figura mítica todo-poderosa que triunfa sobre os inimigos. Ele parece, na verdade, fragilizado. “Pai, se for possível, afasta de mim este cálice”, diz ele. “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”, gritou.

Depois da crucificação, não foi a figura heróica de Jesus que brilhou entre seus seguidores, mas a fraqueza. Os Apóstolos só voltaram porque algo realmente extraordinário aconteceu: o líder derrotado deles ressuscitara dos mortos.

2. O argumento da fraqueza dos Apóstolos

Se os apóstolos estavam inventando uma religião, eles não o fizeram da maneira como a maioria dos fundadores de novas religiões fazem. Eles não pareciam grandiosos, nem dignos de respeito. Eles mais pareciam vítimas de um desastre.

Longe de nos mostrar uma comunidade tomada por uma exaltação mística, os Evangelhos nos apresentam discípulos desmoralizados (parecendo tristes) e assustados, diz o Catecismo. Eles não tinham acreditado nas santas mulheres que voltaram do sepulcro. ‘Quando Jesus se manifestou aos onze na tarde de Páscoa, ele censurou-lhes sua incredulidade e dureza de coração.

Se eles estavam fundando uma religião, eles estavam fazendo algo errado, pois estavam justamente dando às pessoas razões para não acreditar neles.

3. A transformação de Saulo

Além dos Doze, temos o caso de São Paulo. Ele passou de perseguidor zeloso a pregador zeloso depois de ver Cristo vivo. Esta transformação extraordinária – de alguém escandalizado com a mensagem cristã transformando-se em seu principal líder – só faz sentido tendo Cristo ressuscitado.

Paulo retorna à sua história pessoal sobre a ressurreição mais de uma vez, e até mesmo quando está sendo julgado. Isso alimenta sua fé; faz toda a diferença para ele. Ele até diz: Se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é vã e vã é nossa fé (1 Coríntios 15, 14).

Ele apostou tudo na ressurreição e nos convidou a fazer o mesmo.

4. Nenhum debate na Igreja Primitiva

A Igreja Primitiva debateu muitos tópicos, até mesmo a natureza da ressurreição, mas não o fato da ressurreição em si. Isso é um fato.

No relato de João, quando ele e Pedro entraram na tumba vazia, veem ali os lençóis do sepultamento, e o lenço que cobria a cabeça enrolado num lugar separado. Para João, essa visão demonstra que Jesus não fora levado embora, não tinha ressurgido como Lázaro. Algo novo acontecera. Diz o Evangelho: ele viu e acreditou.

5. A fé dos mártires

Os cristãos, desde os primeiros dias da Igreja até os nossos dias, estão dispostos a morrer por sua convicção de que Cristo ressuscitou dos mortos. Para eles, a ressurreição não é um sonho doce ao qual eles se entregam, mas uma dura realidade pela qual sofrem e morrem.

Ele foi verdadeiramente ressuscitado dentre os mortos, seu Pai o erguendo, assim como da mesma maneira seu Pai levantará aqueles que acreditarem nele por meio de Jesus Cristo, disse o mártir Inácio. Ele foi dilacerado por leões no ano 108 por acreditar nisso.

Aquele que o ressuscitou dentre os mortos também nos levantará, se fizermos a sua vontade, e andarmos em seus mandamentos, e amarmos o que ele amou, escreveu o mártir Policarpo. Ele foi queimado na fogueira em 155 por suas crenças.

6. Os diferentes relatos

Os escritores dos evangelhos incluíam diferentes detalhes e materiais de diferentes fontes – todos os quais mencionam o fato da ressurreição. Temos a história de Emaús, Tomé provando que Jesus ainda tinha feridas, a história de Maria Madalena e muito mais. Essas histórias atestam o mesmo fato da ressurreição.

Os céticos da Bíblia apontam as discrepâncias entre os vários relatos, enquanto os defensores da Bíblia mostram como eles podem coexistir.

O ponto mais importante é muitas vezes esquecido: a experiência de pessoas diferentes sobre o mesmo evento, não um esforço consciente de um grupo para inventar algo.

7. As testemunhas oculares

Em sua carta aos Coríntios, que muitos estudiosos datam de cerca de 53 d.C., São Paulo falou de como Cristo apareceu, vivo, a 500 pessoas de uma só vez. Se não fosse verdade, seria impossível fazer essa afirmação tão logo após o ocorrido.

Quando Paulo fala sobre a ressurreição outras vezes, há dois fatos que são importantes para ele: que o túmulo estava vazio e que Jesus apareceu para muitos. Ambos são argumentos convincentes pois, caso fossem falsos, seria fácil para o público desacreditar.

8. Relatos históricos não cristãos

Há, na verdade, um pouco de evidência sobre a existência de Jesus em fontes tão antigas como Tácito, Plínio o Jovem, Josefo, o Talmud Babilônico e o grego Luciano de Samosata. Todos eles mencionam vários aspectos da vida de Jesus.

Josefo, historiador judeu, escreveu uma história no ano 93 que menciona que Jesus foi crucificado e apareceu vivo depois para seus seguidores. Embora o texto seja questionado por alguns estudiosos, existem várias versões que retêm o fato essencial de Jesus morrer e, de alguma forma, ressurgir vivo.

Tácito também menciona Jesus, citando sua crucificação como tendo se provado incapaz de deter a “superstição” do cristianismo. O ponto assinalado por Tácito é importante. Afinal, por que a crucificação de Jesus não acabaria com seu movimento religioso? Porque Ele ressuscitou dos mortos.

9. Jesus não morreu novamente

As evidências não só confirmam a ressurreição de Jesus, mas também confirmam sua alegação final, que Ele é divino.

Outros retornaram da morte breve em nosso próprio tempo e da morte mais longa nas histórias do Novo Testamento. A ressurreição de Cristo é essencialmente diferente, diz o Catecismo. Em seu corpo ressurgido, Ele passa do estado de morte para outra vida além do tempo e do espaço. Na ressurreição de Jesus, seu corpo está cheio do poder do Espírito Santo: ele compartilha a vida divina em seu estado glorioso, pelo que São Paulo pode dizer que Cristo é “o homem celeste”.

Jesus ressuscitou para nunca mais morrer.

10. O surgimento de uma religião histórica

O cristianismo se espalhou e cresceu apesar da perseguição, não por causa do poder ou da personalidade dos Apóstolos ou das regalias da fé – os Apóstolos eram fracos e havia penalidades, não regalias – mas por causa da experiência da ressurreição dos primeiros cristãos.

O fato histórico da ressurreição de Cristo, em seu corpo glorificado, é o alicerce de toda dimensão da fé católica.

Algumas considerações:

  • Como poderíamos cada um de nós encontrar Jesus, embora não estivéssemos vivos quando ele andava pelas ruas da Palestina? Porque Ele ressuscitou dos mortos e vive hoje.
  • Como podemos ter nossos pecados perdoados na confissão? Porque depois da ressurreição Ele soprou sobre os Apóstolos e deu-lhes o poder de perdoar os pecados.
  • Por que temos esperança no Céu? Porque Jesus ressuscitou e o abriu para nós.

Na Páscoa não celebramos um mito ou um grande símbolo. Celebramos o evento histórico que é a base de toda a nossa esperança, alegria e felicidade.

Jesus Cristo ressuscitou verdadeiramente. Nossa fé não é em vão.

Autor Tom Hoopes

Jesus é Deus?

Você já encontrou uma pessoa que é o centro das atenções onde quer que vá? Alguma característica misteriosa e indefinível o distingue de todas as outras pessoas. Pois foi isso que aconteceu dois mil anos atrás com Jesus Cristo. Porém não foi simplesmente a personalidade de Jesus que cativou aqueles que o ouviam. Aqueles que puderem ouvir suas palavras e observar sua vida nos dizem que existia algo em Jesus de Nazaré que era diferente de todas as outras pessoas.

A única credencial de Jesus era ele mesmo. Ele nunca escreveu um livro, comandou um exército, ocupou um cargo político ou teve uma propriedade. Normalmente ele viajava se afastando somente alguns quilômetros do seu vilarejo, atraindo multidões impressionadas com suas palavras provocativas e seus feitos impressionantes.

Ainda assim, a magnitude de Jesus era óbvia para todos aqueles que o viram e ouviram. E enquanto a maioria das grandes personalidades históricas desaparece nos livros, Jesus ainda é o foco de milhares de livros e controvérsias sem paralelos na mídia. Grande parte dessas controvérsias envolvem as afirmações radicais que Jesus fez sobre si mesmo, afirmações que espantaram tanto seus seguidores quanto seus adversários.

Foram principalmente as afirmações únicas de Jesus que fizeram com que ele fosse considerado uma ameaça pelas autoridades romanas e pela hierarquia judaica. Embora fosse um estranho sem credenciais ou força política, em apenas três anos Jesus foi capaz de mudar a história dos mais de 20 séculos seguintes. Outros líderes morais e religiosos influenciaram a história, mas não como o filho de um carpinteiro desconhecido de Nazaré.

Qual era a diferença de Jesus Cristo? Ele era apenas um homem de grande valor ou era algo mais?

Essas perguntas nos levam ao cerne do que Jesus realmente era. Alguns acreditam que ele era simplesmente um grande professor de moral, já outros pensam que ele foi simplesmente o líder da maior religião do mundo. Porém muitos acreditam em algo muito maior. Os cristãos acreditam que Deus nos visitou em forma humana, e acreditam que há evidências que provam isso.

Após analisar com cuidado a vida e as palavras de Jesus, C.S. Lewis, antigo cético e professor de Cambridge, chegou a uma espantosa conclusão, que alterou o rumo de sua vida. Então quem é Jesus de verdade? Muitos dirão que Jesus foi um grande professor de moral. Ao analisarmos mais cuidadosamente a história do homem que causa mais controvérsias em todo o mundo, primeiramente devemos perguntar: será que Jesus foi simplesmente um grande professor de moral?

Grande professor de moral?

Mesmo os membros de outras religiões acreditam que Jesus foi um grande professor de moral. O líder indiano Mahatma Gandhi falava muito bem sobre a integridade e as palavras sábias de Jesus.[1] Da mesma forma, o estudioso judeu Joseph Klausner escreveu, “Admite-se mundialmente… que Cristo ensinou a ética mais pura e sublime… que joga nas sombras os preceitos e as máximas morais dos mais sábios homens da antiguidade.”[2]

O Sermão do Monte de Jesus foi considerado o maior de todos os ensinamentos sobre ética humana já feito por uma pessoa. De fato, muito do que conhecemos atualmente como “direitos iguais” é resultado dos ensinamentos de Jesus. O historicista Will Durant, que não é cristão, disse a respeito de Jesus: “Ele viveu e lutou persistentemente por ‘direitos iguais’, e nos tempos modernos teria sido mandado para a Sibéria. ‘O maior dentre vós será vosso servo’ é a inversão de toda a sabedoria política, de toda a sanidade.”[3]

Muitos, como Gandhi, tentaram separar os ensinamentos de Jesus sobre ética de suas afirmações a respeito de si mesmo, acreditando que ele era simplesmente um grande homem que ensinava grandes princípios morais. Essa foi a abordagem de um dos Pais Fundadores dos Estados Unidos, o presidente Thomas Jefferson, que editou uma cópia do Novo Testamento retirando as partes que considerava que se referiam à divindade de Jesus e deixando as partes a respeito do ensinamento morais e éticos.[4] Jefferson carregava consigo essa versão editada do Novo Testamento, reverenciando Jesus como o maior professor de moral de todos os tempos.

De fato, as memoráveis palavras de Jefferson na Declaração de Independência tiveram como base os ensinamentos de Jesus de que toda pessoa é de imensa e igual importância perante Deus, independente de sexo, raça ou status social. O famoso documento diz: “Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis…”.

Mas Jefferson não respondeu uma pergunta: Se Jesus afirmou incorretamente ser Deus, ele não poderia ter sido um bom professor de moral. No entanto, Jesus de fato afirmou sua divindade? Antes de observarmos o que Jesus afirmou, precisamos analisar a possibilidade de ele ter sido simplesmente um grande líder religioso?

Grande líder religioso?

Surpreendentemente, Jesus jamais afirmou ser um líder religioso. Ele nunca se envolveu com políticas religiosas ou promoveu agressivamente suas causas, além de atuar quase sempre fora de locais religiosos.

Ao comparar Jesus com outros grandes líderes religiosos, uma notável distinção aparece. Ravi Zacharias, que cresceu na cultura hindu, estudou religiões do mundo todo e notou uma diferença fundamental entre Jesus Cristo e os criadores de outras grandes religiões. “Em todos esses, existe uma instrução, um modo de viver. Não é Zaratustra quem você consulta, é Zaratustra quem você escuta. Não é Buda que o liberta, são as Nobres Verdades que o instruem. Não é Maomé que o transforma, é a beleza do Corão que o lisonjeia. No entanto, Jesus são somente ensinou ou expôs sua mensagem. Ele era a sua própria mensagem”.[5]

A verdade na afirmação de Zacharias é ressaltada pelas diversas vezes nos Evangelhos em que os ensinamentos de Jesus foram simplesmente “Venha a mim”, “Siga-me” ou “Obedeça-me”. Além disso, Jesus deixou claro que sua principal missão era perdoar os pecados, algo que somente Deus poderia fazer.

Em As maiores religiões do mundo, Huston Smith apontou: “Somente duas pessoas surpreenderam tanto seus contemporâneos a ponto de provocarem a pergunta ‘O que é ele?’ em vez de ‘Quem é ele?’. Essas duas pessoas foram Jesus e Buda. As respostas de Jesus e Buda para essa pergunta foram exatamente opostas. Buda disse claramente que ele era um simples mortal, e não um deus, quase que como se estivesse prevendo futuras tentativas de adoração. Jesus, por outro lado, afirmou… ser divino.”[6]

E isso nos leva à questão do que Jesus realmente afirmou sobre si mesmo: Jesus afirmou ser divino?

Jesus afirmou ser Deus?

Então o que convence muitos estudiosos de que Jesus afirmou ser Deus? O autor John Piper explica que Jesus reivindicou poderes que pertenciam exclusivamente a Deus.

“… os amigos e inimigos de Jesus ficavam espantados constantemente com suas palavras e ações. Ao andar pelas estradas, aparentando ser uma pessoa qualquer, ele virava e dizia coisas como “Antes de Abraão nascer, Eu Sou” ou “Quem me vê, vê o Pai”. Ou, com muita calma, depois de ser acusado de blasfêmia, ele dizia: ‘O Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados’. Para os mortos ele simplesmente dizia ‘Apareçam’ ou ‘Ergam-se’. E eles obedeciam. Para as tempestades ele dizia ‘Acalmem-se’. E para um pedaço de pão ele dizia ‘Transforme-se em mil refeições’. E tudo acontecia imediatamente”.[7]

Mas o que Jesus realmente queria dizer com tais afirmações? É possível que Jesus tenha sido meramente um profeta como Moisés, Elias ou Daniel? Mesmo uma leitura superficial dos Evangelhos nos mostra que Jesus afirmou ser mais do que um profeta. Nenhum outro profeta fez afirmações desse tipo sobre si mesmo, de fato nenhum outro profeta jamais se colocou no lugar de Deus.

Alguns dizem que Jesus jamais disse explicitamente “Eu sou Deus”. É verdade que ele jamais disse exatamente as palavras “Eu sou Deus”. No entanto, Jesus também nunca disse explicitamente “Eu sou um homem” ou “Eu sou um profeta”. Ainda assim, Jesus foi sem dúvida humano, e seus seguidores o consideravam um profeta como Moisés ou Elias. Assim, não podemos rejeitar o fato de que Jesus era uma divindade somente pelo fato dele não ter dito exatamente essas palavras, assim como não podemos dizer que ele não era um profeta.

De fato, as afirmações de Jesus sobre si mesmo contradizem a noção de que ele era simplesmente um grande homem ou um profeta. Em mais de uma ocasião, Jesus chamou a si mesmo de Filho de Deus. Quando questionado se acreditava na possibilidade de Jesus ter sido o Filho de Deus, o vocalista da banda U2, Bono, respondeu:

“Não, não é improvável para mim. Veja bem, a resposta secular para a história de Cristo é sempre esta: ele era um grande profeta, claramente uma pessoa muito interessante e com muitas coisas a dizer, assim como outros grandes profetas como Elias, Maomé, Buda ou Confúcio. Porém na verdade Cristo não deixava você fazer isso. Ele não o isentava das responsabilidades. Cristo dizia: ‘Não, não estou dizendo que sou um professor, não me chame de professor. Não estou dizendo que sou um profeta. … Estou dizendo que sou a encarnação de Deus’. E as pessoas dizem: Não, não, por favor, seja apenas um profeta. Um profeta nós podemos aceitar.”[8]

Antes de analisarmos as afirmações de Jesus, é importante entendermos que essas afirmações foram feitas no contexto da crença judaica em um único Deus (monoteísmo). Nenhum Judeu fiel acreditaria em mais de um único Deus. E Jesus acreditava no Deus único, orando para seu Pai como “o único Deus verdadeiro”.[9]

Mas na mesma oração, Jesus falou sobre ter sempre existido com seu Pai. E quando Filipe pediu a Jesus para que ele lhe mostrasse o Pai, Jesus disse: “Você não me conhece, Filipe, mesmo depois de eu ter estado com vocês durante tanto tempo? Quem me vê, vê o Pai.”[10] Assim a pergunta é: “Jesus afirmava ser o Deus hebraico que criou o universo?

Jesus afirmou ser o Deus de Abraão e Moisés?

Jesus continuamente fazia referência a si mesmo de formas que confundiam seus ouvintes. Como aponta Piper, Jesus fez uma afirmação audaciosa, “Antes de Abraão nascer, EU SOU.”[11] Ele falou a Marta e a outros ao seu redor: “EU SOU a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá.”[12] Da mesma forma, Jesus fazia afirmações como, “EU SOU a luz do mundo”[13], “EU SOU o único caminho para Deus”[14]ou “EU SOU a ‘verdade’[15]. Essas e muitas outras de suas afirmações começavam coma as palavras sagradas para Deus, “EU SOU” (ego eimi).[16] O que Jesus quis dizer com tais afirmações e qual é a importância do termo “EU SOU”?

Mais uma vez, precisamos voltar ao contexto. Nas Escrituras Hebraicas, quando Moisés perguntou a Deus Seu nome na sarça ardente, Deus respondeu: “EU SOU”. Ele estava revelando a Moisés que Ele era o único Deus atemporal e que sempre existiu. Incrivelmente, Jesus estava usando essas palavras sagradas para descrever a si mesmo. A questão é: “Por que”?

Desde os tempos de Moisés, nenhum praticante do judaísmo jamais se referiria a si mesmo ou a qualquer outra pessoa usando “EU SOU”. Com resultado, as afirmações de “EU SOU” de Jesus enfurecerem os líderes judaicos. Certa vez, por exemplo, alguns líderes explicaram a Jesus por que estavam tentando matá-lo: “Porque você é um simples homem e se apresenta como Deus”.[17]

O uso do nome de Deus por parte de Jesus deixou os líderes religiosos muito enfurecidos. A questão é que esses estudiosos do Antigo Testamento sabiam exatamente o que ele estava dizendo: ele afirmava ser Deus, o Criador do universo. Somente essa afirmação poderia ter resultado na acusação de blasfêmia. Ao ler o texto, é claro entender que Jesus afirmava ser Deus, não simplesmente por suas palavras, mas também pelas reações a essas palavras.

C.S. Lewis inicialmente considerava Jesus um mito. Porém esse gênio da literatura, que conheci os mitos muito bem, chegou à conclusão de que Jesus tinha de ter sido uma pessoa real. Além disso, conforme Lewis investigava as evidências sobre Jesus, ele se convenceu que Jesus não somente era real, mas também era diferente de qualquer outro homem da história. Lewis escreveu:

“E aí que vem o verdadeiro choque. Entre esses judeus, de repente surge um homem que começa a falar como se Ele fosse Deus. Ele diz perdoar os pecados. Ele diz que Ele sempre existiu. Ele diz que Ele está vindo para julgar o mundo no final dos tempos”.[18]

Para Lewis, as afirmações de Jesus eram simplesmente muito radicais e profundas para terem sido feitas por um simples professor ou líder religioso. (Para um exame mais profundo da afirmação de Jesus sobre a divindade, veja “Jesus afirmou ser Deus?”)

Que tipo de Deus?

Alguns dizem que Jesus afirmava ser apenas uma parte de Deus. Porém a ideia de que todos nós fazemos parte de Deus e de que dentro de nós está a semente da divindade simplesmente não é um sentido possível para as palavras e ações de Jesus. Tais pensamentos são revisionistas e não condizem com seus ensinamentos, suas crenças e com o entendimento de seus ensinamentos por parte de seus discípulos.

Jesus ensinou que ele era Deus do modo que os judeus entendiam Deus e que as Escrituras Hebraicas retratavam Deus, e não do modo que o movimento da Nova Era entendia Deus. Nem Jesus nem seu público conheciam Star Wars, então quando falavam de Deus, eles não estavam falando de forças cósmicas. Trata-se simplesmente de uma má história para redefinir o que Jesus queria dizer com o conceito de Deus.

Lewis explica:

Vamos esclarecer isso. Entre panteístas, como os indianos, qualquer pessoa poderia dizer que é parte de Deus, ou um com Deus… Porém este homem, por ser judeu, não poderia dizer que era esse tipo de Deus. Deus, em seu idioma, significava Estar fora do mundo, aquele que criou o mundo e era infinitamente diferente de qualquer outra coisa. Ao entender isso, você verá que o que esse homem disse, de forma muito simples, foi a coisa mais chocante jamais dita por um homem.[19]

Com certeza existem aqueles que aceitam Jesus como um grande professor, porém ainda recusam chamá-lo de Deus. Como deísta, sabemos que Thomas Jefferson não tinha problemas para aceitar os ensinamentos morais e éticos de Jesus e ao mesmo tempo rejeitar sua divindade.[20] Porém como já dito, se Jesus não era quem afirmava ser, então é preciso analisar outras possibilidades, nenhuma das quais faria dele um grande professor moral. Lewis disse: “Estou tentando impedir que qualquer um diga a coisa mais insensata, que as pessoas dizem frequentemente, sobre Ele: ‘Aceito Jesus como um grande professor moral, porém não aceito as afirmações de que ele era Deus’. É exatamente isso que não podemos dizer”.[21]

Em sua missão em busca da verdade, Lewis sabia que não era possível aceitar as duas identidades de Jesus. Ou Jesus era quem ele afirmava ser, a encarnação de Deus, ou suas afirmações eram falas. Se fossem falsas, Jesus não poderia ter sido um grande professor moral. Ele estaria mentindo de propósito ou teria sido um lunático com um complexo de Deus.

Jesus poderia estar mentindo?

Mesmos os maiores críticos de Jesus raramente o chamaram de mentiroso. Essa classificação não é compatível com os grandes ensinamentos sobre moral e ética de Jesus. Mas se Jesus não era quem afirmava ser, devemos pensar na possibilidade de que ele estava intencionalmente enganando a todos.

Uma das mais conhecidas e influentes obras políticas de todos os tempos foi escrita por Nicolau Maquiavel em 1532. Eu seu clássico, O príncipe, Maquiavel exalta o poder, o sucesso, a imagem e a eficiência acima da lealdade, da fé e da honestidade. De acordo com Maquiavel, não há problemas em mentir quando isso visa um fim político.

Poderia Jesus Cristo ter construído todo seu império com base em uma mentira simplesmente para obter poder, fama ou sucesso? De fato, os inimigos judeus de Jesus constantemente tentavam o expor como uma fraude ou um mentiroso. Eles o bombardeavam de perguntas, tentando fazer com que ele cometesse erros ou se contradissesse. Ainda assim, as respostas de Jesus eram de uma incrível consistência.

Assim, a questão que temos que fazer é: o que poderia motivar Jesus a tornar toda sua vida uma mentira? Ele ensinava que Deus não aceitava mentiras e hipocrisia, assim ele não poderia estar fazendo isso para agradar ao seu Pai. Ele certamente não mentiu em benefício de seus seguidores, uma vez todos, com exceção de um, foram martirizados em vez de renunciar seu Senhor (consulte “Os apóstolos acreditavam que Jesus era Deus?”  Assim, nos restam apenas duas possíveis explicações, ambas as quais são problemáticas.

Benefício

Muitas pessoas mentiram em prol de ganhos pessoais. De fato, a motivação da maioria das mentiras é o benefício que as pessoas veem nelas. O que Jesus poderia querer ganhar ao mentir sobre sua identidade? A resposta mais óbvia seria o poder. Se as pessoas acreditassem que ele era Deus, ele teria um poder imenso (é por isso que muitos líderes antigos, como os imperadores romanos, afirmavam ser de origem divina).

O problema dessa explicação é que Jesus evitava qualquer tentativa de ser colocado no poder, em vez de castigar aqueles que abusam de tal poder e vivem suas vidas em busca dele. Além disso, ele estendia suas mãos para os rejeitados (prostitutas e leprosos), aqueles sem poder, criando uma rede de pessoas cuja influência era menor do que zero. De uma maneira que só pode ser descrita como bizarra, tudo aquilo que Jesus fez e disse ia em direção complemente oposta ao poder.

Se a motivação de Jesus era o poder, ele aparentemente teria evitado a cruz a todo custo. Ainda assim, em diversas ocasiões, ele disse a seus discípulos que a cruz era seu destino e sua missão. Como morrer em uma cruz romana poderia conceder poder a alguém?

A morte, obviamente, trás a devida atenção a qualquer coisa. E enquanto muitos mártires morreram em prol das causas que acreditavam, poucos estiverem dispostos a morrer por mentiras conhecidas. Com certeza todas as esperanças de ganhos pessoais de Jesus teriam acabado na cruz. Ainda assim, até seu último suspiro, ele não abriu mão de afirmar que era o único Filho de Deus. O estudioso do Novo Testamente, J. I. Packer, aponta que este título expressa a divindade pessoal de Jesus.[22]

Um legado

Então se Jesus não mentia em benefício próprio, talvez suas afirmações radicais fossem falsas a fim de deixar um legado. Porém a possibilidade de ser espancado e pregado em uma cruz teria rapidamente acabado com o entusiasmo da grande maioria das pessoas.

Aqui está outro fato assombroso. Se Jesus tivesse simplesmente rejeitado a afirmação de ser Filho de Deus, ele jamais teria sido condenado. Foi sua afirmação de ser Deus e sua relutância a rejeitá-la que fizeram com que ele fosse crucificado.

Se aumentar sua credibilidade e reputação histórica foi o que motivou Jesus a mentir, é preciso explicar como um filho de carpinteiro, proveniente de um pobre vilarejo da Judéia, pode ter previsto os eventos futuros que tornariam seu nome tão conhecido e importante no mundo todo. Como ele poderia saber que sua mensagem sobreviveria? Os discípulos de Jesus tinham fugido e Pedro o negou, o que não é exatamente a melhor ideia para deixar um legado religioso.

Os historicistas acreditam que Jesus mentiu? Estudiosos analisaram a vida e as palavras de Jesus para descobrir se há qualquer evidência de falhas em sua personalidade moral. De fato, mesmo os maiores céticos ficam espantados com a pureza ética e moral de Jesus.

De acordo com o historicista Philip Schaff, não há evidências, tanto na história da igreja quanto na história secular, de que Jesus tenha mentido sobre qualquer coisa. Schaff argumentou: “Como, em nome da lógica, senso comum e experiência, um homem enganador, egoísta e depravado poderia ter inventado e mantido de forma consistente, do início ao fim, a personalidade mais pura e nobre da história, com o mais perfeito ar de verdade e realidade?”[23]

Aceitar a possibilidade de que Jesus era um mentiroso iria em direção oposta a tudo aquilo em prol de que Jesus ensinou, viveu e morreu. Para a maioria dos estudiosos, essa opção simplesmente não faz sentido. Ainda assim, para negar as afirmações de Jesus, é preciso uma explicação. E se as afirmações de Jesus não são verdadeiras, e ele não estava mentindo, a única opção restante é de que ele estava enganando a si mesmo.

Jesus poderia estar enganando a si mesmo?

Albert Schweitzer, ganhador do Prêmio Nobel em 1952 por seus trabalhos humanitários, tinha suas próprias ideias sobre Jesus. Schweitzer chegou à conclusão de que a insanidade era a base das afirmações de Jesus de ser Deus. Em outras palavras, Jesus estava errado em suas afirmações, porém ele não mentiu intencionalmente. De acordo a teoria de Schweitzer, Jesus estava iludido de forma a acreditar que ele era o Messias.

Lewis avaliou cuidadosamente essa possibilidade. Ele deduziu que se as afirmações de Jesus não fossem verdadeiras, então ele era louco. Lewis argumenta que alguém que afirmou ser Deus não seria um grande professor moral. “Ou ele seria um lunático do mesmo nível de uma pessoa que diz ser um ovo cozido ou seria o Diabo do Inferno”.[24]

A maioria das pessoas que estudou a vida e as palavras de Jesus o reconhece como uma pessoa extremamente racional. Embora sua vida tenha sido permeada de imoralidade e ceticismo pessoal, o renomado filósofo francês Jean-Jacques Rousseau (1712–78) reconheceu a personalidade elevada e a presença de espírito de Jesus, declarando: “Quando Platão descreveu seu homem justo imaginário… ele descrever exatamente a personalidade de Cristo. … Se a vida e a morte de Sócrates são as de um filósofo, a vida e a morte de Jesus Cristo são as de um Deus”.[25]

Bono conclui que “louco” é a última coisa que alguém pode pensar de Jesus.

“Assim o que lhe resta é que Cristo era quem Ele dizia ser ou era totalmente louco. E quando digo louco, digo louco como Charles Manson… Eu não estou brincando. A ideia de que toda a história da civilização em mais da metade do planeta foi completamente alterada por um lunático, para mim isso não pode ser verdade…”[26]

Então, Jesus era um mentiroso ou um lunático, ou era o Filho de Deus? Será que Jefferson estava certo ao classificar Jesus como “somente um professor moral”, negando sua divindade? É interessante que o público de Jesus, tanto crentes como inimigos, nunca o consideraram como um simples professor moral. Jesus causou três reações principais nas pessoas com que teve contato: ódio, terror ou adoração.

As afirmações de Jesus Cristo nos forçam a escolher. Como disse Lewis, nós não podemos categorizar Jesus simplesmente como um grande líder religioso ou um grande professor moral. O ex-cético nos desafia a nos decidir a respeito de Jesus, dizendo:

“Você precisa se decidir. Ou esse homem era, e é, o Filho de Deus, ou é um louco ao algo ainda pior. Você pode calá-lo por Ele ser um louco, você pode cuspir Nele e matá-lo como um demônio ou ajoelhar-se perante Ele e chamá-lo de Senhor e Deus. Mas não vamos considerar besteiras arrogantes dizendo que Ele era um grande professor moral. Ele não nos deu essa possibilidade. Não era esse seu objetivo”.[27]

Em Cristianismo Puro e Simples, Lewis explora diversas possibilidades a respeito da identidade de Jesus, concluindo que ele é exatamente quem ele afirmava ser. Sua análise cuidadosa da vida e das palavras de Jesus levou esse grande gênio da literatura a renunciar seu o ateísmo e se tornar um Cristão comprometido.

A grande questão da história da humanidade é “quem é o verdadeiro Jesus Cristo”? Bono, Lewis e muitos outros chegaram à conclusão de que Deus visitou a terra em forma humana. Mas se isso é verdade, nos esperaríamos que ele estivesse vivo atualmente. E é exatamente isso seus seguidores acreditam.

Fonte original AQUI

Notas finais

1.  Quoted in Robert Elsberg, ed., A Critique of Gandhi on Christianity (New York: Orbis Books, 1991), 26 & 27.

2.  Joseph Klausner, Jesus of Nazareth (New York: The Macmillan Co., 1946), 43, 44.

3.  Will Durant, The Story of Philosophy (New York: Washington Square, 1961), 428.

4.  Linda Kulman and Jay Tolson, “The Jesus Code,” U. S. News & World Report, December 22, 2003, 1.

5.  Ravi Zacharias, Jesus among Other Gods (Nashville, TN: Word, 2000), 89.

6.  Peter Kreeft and Ronald K. Tacelli, Handbook of Christian Apologetics (Downers Grove, IL: InterVarsity, 1994), 150.

7.  John Piper, The Pleasures of God (Sisters, OR: Multnomah, 2000), 35.

8.  Bono, quoted in, Timothy Keller, The Reason for God (New York: Penguin Group Publishers, 2008), 229.

9.  John 17:3.

10. John 14:9

11. John 8:58.

12. John 11:25

13. John 8:12

14. John 14:6

15. Ibid.

16. For the meaning of “ego eimi.” See, http://www.y-jesus.com/jesus_believe_god_2.php

17. John 10:33

18. C. S. Lewis, Mere Christianity (San Francisco: Harper, 2001), 51.

19. Lewis, Ibid.

20. A Deist is someone who believes in a standoffish God—a deity who created the world and then lets it run according to pre-established laws. Deism was a fad among intellectuals around the time of America’s independence, and Jefferson bought into it.

21. Lewis, 52.

22. J. I. Packer, Knowing God (Downers Grove, IL: InterVarsity, 1993), 57.

23. Philip Schaff, The Person of Christ: The Miracle of History (1913), 94, 95.

24. Lewis, 52.

25. Schaff, 98, 99.

26. Bono, Ibid.

27. Lewis, 52.

Compreender alguns dos principais dados históricos que cercam a ressurreição fornecerá base para este evento cristão divisor de águas. O Novo Testamento não se esquiva de apresentar vários detalhes importantes.

Esses fatos bem evidenciados são tão fortemente atestados que os estudiosos crentes e não-crentes são virtualmente unânimes em reconhecê-los e aceitá-los. Devido a limitações de espaço, poderemos apresentar brevemente apenas algumas dessas considerações.

Primeiro

A morte de Jesus por crucificação é um pré-requisito para qualquer consideração da ressurreição de Jesus. A crucificação é facilmente um dos fatos históricos mais seguros do Novo Testamento. Muitas razões explicam a unanimidade acadêmica sobre este ponto.

A crucificação de Jesus é relatada em uma infinidade de fontes independentes de autores cristãos e não-cristãos. Estudiosos, incluindo os céticos, contaram aproximadamente uma dúzia de fontes relevantes que atestam a ocorrência deste evento.

Além disso, a crucificação não é algo que os primeiros crentes teriam inventado. Em 1 Coríntios 1:23, Paulo destaca este mesmo ponto, reconhecendo que este evento é uma pedra de tropeço para os judeus e loucura para os gentios [não judeus].

De acordo com Deuteronômio 21:23 (cf. Gl 3:13), os judeus acreditavam que aqueles que foram pendurados em uma árvore (incluindo vítimas de crucificação) foram amaldiçoados por Deus. Para os gentios, era loucura adorar um homem que havia sofrido uma morte tão desonrosa, normalmente reservada aos piores criminosos.

Então olhe para a cena em si. David Strauss, um comentarista radical liberal da Alemanha do século XIX, argumentou que seria quase impensável alguém crer que Jesus poderia ter sobrevivido ao processo de crucificação, ressuscitado na tumba sem assistência médica ou alimento, e rolado a pesada pedra da entrada do túmulo – tudo depois de ter sido severamente espancado.

Então Ele teria que andar quilômetros em pés que tinham acabado de ser perfurados com pregos, para não mencionar a ferida do lado dele [costela], administrada [por uma lança] para garantir a sua morte.

Como estaria Jesus quando os discípulos o viram pela primeira vez? Em Sua necessidade desesperada de atenção médica, incluindo a limpeza de Suas feridas, Ele provavelmente estaria mancando, parecendo pálido, doentio, suando fortemente, assim como caído e agarrando Seu lado ferido.

Ele provavelmente teria reaberto pelo menos algumas das feridas que então teriam sangrado novamente através de Suas vestes. Nesta forma horrível, Ele poderia ter convencido os discípulos que Ele estava apenas um pouco vivo, mas definitivamente não que Ele tivesse conquistado o túmulo e estivesse vivo para sempre em um corpo recém-ressuscitado!

Em suma, Ele estaria vivo, mas absolutamente não como o Príncipe da Vida ressuscitado! Se esse cenário de desmaio tivesse ocorrido, os discípulos teriam mais provavelmente procurado um médico para Jesus, em vez de proclamarem a Ele como o Senhor ressurreto!

Para resumir essa distinção crucial: se Jesus estivesse pouco vivo, qualquer um poderia dizer rapidamente que Ele não havia sido ressuscitado com sucesso. Sem a ressurreição, não haveria cristianismo. Assim, a hipótese do desmaio ou da aparente morte nunca teria dado origem ao ensino da ressurreição.

Por outro lado, Jesus deve ter realmente morrido, pois o cristianismo não teria nascido da hipótese da aparente morte.

Segundo

Existem numerosos textos independentes que atestam as experiências dos testemunhos oculares dos discípulos .Neste artigo, nos limitaremos ao mais importante: 1 Coríntios 15: 3. Paulo começa este famoso capítulo sobre a ressurreição, lembrando os coríntios do que ele “entregou” a eles como “primeira importância” durante sua visita no início dos anos 50 dC.

A maioria dos estudiosos acredita que Paulo recita aqui um credo ou tradição cristã primitiva que começa com o verso 3. Ele fornece uma lista de alguns dos que viram Jesus: Pedro, os doze, os quinhentos, Tiago, o irmão de Jesus e todos os apóstolos.

Terceiro

Os estudiosos concordam amplamente que Paulo recebeu essa tradição durante sua viagem a Jerusalém apenas três anos após sua conversão. Em Gálatas 1: 18-19, Paulo descreve o encontro com o irmão de Pedro e Jesus, Tiago (ambos mencionados no credo).

Os estudiosos também concordam que essa tradição quase certamente existia antes da conversão de Paulo. Como tal, datando a aparição de Paulo na estrada de Damasco para cerca de dois anos depois de Jesus ter sido crucificado, a tradição seria ainda mais cedo, com a recepção de Paulo sendo geralmente datada dentro de cinco anos após a morte de Jesus.

Esta é uma incrível fonte de informação logo após o evento em si, atestando as experiências de testemunhas oculares, tanto por indivíduos como por grupos, do Jesus ressuscitado.

Em quarto lugar 

Tiago, o irmão cético de Jesus, foi convertido depois que ele teve certeza de que ele também havia visto o Jesus ressuscitado. Há várias razões para a aceitação por parte dos acadêmicos deste evento.

O ceticismo de Tiago é atestado por mais de uma fonte independente de evangelho, em Marcos (3:21; 6: 2–6) e novamente em João 7: 5. Além disso, o evangelho de Marcos é geralmente visto como o mais antigo. O fato de que os próprios irmãos de Jesus não terem acreditado inicialmente nEle é obviamente outro fato embaraçoso, mas foi incluído porque foi historicamente preciso.

Dada a proeminência de Tiago na igreja primitiva, é improvável que seu ceticismo fosse inventado do zero, devido à sua natureza altamente contraproducente. Não obstante, Tiago se tornou um “pilar” da igreja primitiva em Jerusalém, e Paulo registra a aparição de Jesus em 1 Coríntios 15: 7.

O estudioso crítico Reginald H. Fuller achou os argumentos em torno da conversão de Tiago tão fortes que escreveu: “Pode-se dizer que se não houvesse registro de uma aparição a Tiago, o irmão do Senhor no Novo Testamento, teríamos que inventar um para dar conta da sua conversão pós-ressurreição”.

Quinto

O precursor da igreja primitiva, Paulo, também se converteu quando estava convencido de que o Jesus ressuscitado havia aparecido para ele. Paulo nos fornece seus próprios relatos de sua conversão, como ele foi transformado de um aterrorizador da igreja para ser um seguidor comprometido de Jesus e mártir por sua fé (1 Cor. 9: 1; 15: 8-10; Gl. 1:12 –16, 22–23, Fp 3: 6–7).

Além dos próprios escritos de Paulo, Atos relata sua conversão três vezes distintas (Atos 9: 1–19; 22: 3–16; 26: 9–20). Isso significa que o relato da conversão de Paulo vem de outra testemunha ocular, bem como de uma fonte inicial e independente.

Além disso, tanto Paulo como Atos descrevem as várias perseguições que ele subsequentemente sofreu como resultado de sua conversão (por exemplo, 2 Coríntios 11: 23-29; Filipenses 1: 12-14; Atos 13:50).

Por essas razões, entre outras, a esmagadora maioria dos acadêmicos de diversas origens teológicas pensa que esses cinco fatos são historicamente seguros. Teorias naturalistas, como a aparente morte de Jesus, falharam consistentemente em explicar adequadamente esses pontos.

A ressurreição de Jesus é apoiada por fatos excepcionalmente fortes, e isso deve encorajar os cristãos a crescerem e terem ainda mais confiança em sua fé.

Por: Benjamin C. Shaw
C. S Lewis Institute