Em todas as etapas da vida dos filhos os pais têm novos desafios. À medida que eles crescem, algumas adaptações no exercício parental precisam ser feitas, principalmente em relação ao equilíbrio entre autoridade e liberdade. E nessa construção da relação familiar, autoridade nunca pode ser confundida com autoritarismo. E o contrário também exige atenção, já que a liberdade em excesso também é nociva.

Dentro da família todos são convidados a participar e ouvir uns aos outros, mas são os pais que têm a responsabilidade de impor limites aos filhos. Entretanto, não é bem isso que acontece na prática em algumas famílias. Por um lado, existem pais muito severos e por outro há também aqueles que dão liberdade em excesso e erram ao não impor os limites necessários aos filhos, em cada etapa do desenvolvimento da criança.

É que naturalmente os pais exercem autoridade sobre os filhos, mas esse fator na educação de uma criança não pode ser confundido com o autoritarismo – que é um tipo de liderança em que só um fala e que tem razão sobre tudo. “Essa é uma maneira negativa de construção de relacionamentos. Não é desse jeito que se estabelece uma relação de confiança com os filhos”, afirma Maristela Gripp, psicopedagoga e professo do Centro Universitário Internacional Uninter.

Portanto, a autoridade dos pais sobre os filhos não deve ser restritiva, para não cair no autoritarismo. “O autoritarismo não deve ter lugar em nenhuma família, porque todas as pessoas gostam de participar, mesmo as crianças menores. A liberdade na dose certa gera crescimento e confiança”,diz ela. Exercer autoridade é ser influência positiva na vida dos filhos, sendo um modelo a ser seguido por suas ações e palavras.

“O autoritarismo não deve ter lugar em nenhuma família. A liberdade na dose certa gera crescimento e confiança”

O que acontece é que ao tentarem não ser autoritários, alguns pais oferecem liberdade em excesso também.  Para dosar esses limites, antes de mais nada é preciso o diálogo entre pais e filhos, e a liberdade pode ser exercida com limites havendo uma troca. Deixar que as crianças opinem e façam perguntas, não faz dos pais menos do que os filhos. “Tudo isso ajuda na construção dessa liberdade em relação ao indivíduo. E é diferente de deixar que façam tudo o que querem e como querem”, sinaliza Maristela.

“O tiro pode sair pela culatra”

De acordo com a especialista, especialmente quando os filhos chegam à fase adulta, essa autoridade precisa ser trocada pela orientação, se não o exagero pode resultar na rebeldia dos filhos.

“Nessa fase os pais precisam entender que não são mais autoridade e sim ajudadores na vida deles”, diz. Ao serem rígidos demais, o tiro pode sair pela culatra, porque aquele indivíduo é tão exigido que ela desmonta de vez ou parte para o oposto daquilo que é esperado, porque não houve um equilíbrio nessa relação”, alerta a psicopedagoga.

É necessário, portanto, que os pais se lembrem sempre de os filhos não são copias suas, mas, sim, pessoas diferentes em sua personalidade e na maneira de enxergar o mundo.

Claro que o adulto pode contribuir no desenvolvimento do jovem, mas a visão de mundo dele é bastante diferenciada e os pais precisam respeitar isso. “Em muitas vezes os pais são rígidos por uma questão pessoal, porque vieram de um lar que acha que faltava disciplina”, aponta ela.

Fonte: Sempre Família

A palavra “santo” vem do latim sanctus. Durante os primeiros séculos da Igreja, esse título foi dado gratuitamente a todos aqueles, principalmente mártires, que eram conhecidos publicamente por sua santidade.

Em 1588, a Congregação para as Causas dos Santos do Vaticano foi oficialmente criada para ajudar a regulamentar este título e ser mais seletiva em relação ao processo de canonização formal.

Poucas pessoas tiveram tempo de analisar até mesmo esses vários séculos de santos e chegar a uma lista de santos oficialmente canonizados.

Mas, afinal, é possível saber quantos santos existem? Especialistas dizem que há entre 1.000 e 8.000 santos reconhecidos pela Igreja Católica. No entanto, isso pode não incluir o grande número de pessoas canonizadas nas últimas décadas.

Por exemplo, São João Paulo II canonizou 482 santos, o Papa Bento XVI canonizou 45 e o Papa Francisco, 893. Estes números são muitas vezes elevados devido às canonizações “massivas”, como a canonização de 800 mártires italianos pelo Papa Francisco em 2013.

Por outro lado, a maioria das pessoas concorda que o número de “santos” é impossível de calcular, pois o termo também pode se referir a todas as pessoas que estão no Céu.

Alguns estudiosos afirmam que houve pelo menos 100 bilhões de nascimentos desde o início da existência humana. Quantas dessas pessoas estão no Céu é uma questão de especulação, e nenhum de nós saberá definitivamente isso até o fim de nossas vidas na Terra.

O que importa é que todos são chamados à santidade e devem se esforçar para se tornarem santos. A santidade é alcançável para qualquer um que deseje um relacionamento íntimo com Jesus e possa ser alcançado em qualquer profissão ou vocação na terra.

Fonte: Aleteia

Em 8 de dezembro de 1991, um padre do Santuário de Betânia, em Cúa, na Venezuela, estava celebrando a Missa e, após a consagração, ele notou que a hóstia começou a sangrar de um lado. O sacerdote rapidamente preservou o material.

De acordo com o site  Eucharistic Miracles of the World (Milagres Eucarísticos do Mundo), o bispo local iniciou uma investigação para se certificar se o fenômeno era ou não algo explicado pelas leis naturais. Informa o site:

Durante a Missa houve inúmeros peregrinos que verificaram imediatamente se o padre tinha feridas de onde o sangue presente na hóstia pudesse ter corrido. Além disso, a partir das análises, o resultado concluiu que o sangue do padre não coincidia com o da partícula. A hóstia do milagre foi submetida a alguns estudos especiais, solicitados pelo então Bispo de Los Teques, Rev. Pio Bello Ricardo, e os resultados confirmaram que o sangue era sangue humano do tipo AB positivo, que coincide com o encontrado no tecido do Sudário de Turim e na hóstia do milagre eucarístico de Lanciano, ocorrido na Itália em 750 dC e analisado por 500 comissões da Organização Mundial da Saúde.

A hóstia foi posteriormente levada a um convento em Los Teques e ficou exposta para milhares de peregrinos. Um devoto de Nova Jersey, chamado Daniel Sanford, chegou ao convento em 1998. Ele explica o que aconteceu: 

Depois que a celebração terminou [o sacerdote] abriu a porta do Tabernáculo que continha a hóstia do milagre. Com grande espanto, vi que a hóstia estava em chamas e havia um coração pulsante que estava sangrando em seu centro. Eu vi isso por cerca de 30 segundos ou mais, depois a hóstia voltou ao normal. Eu consegui filmar uma parte desse milagre com minha câmera. 

O bispo local incentivou a divulgação do vídeo (assista abaixo), com o propósito de difundir a crença na presença real de Jesus na Eucaristia.

A hóstia miraculosa pode ser vista até hoje no convento de Los Teques e o sangue ainda parece que está fresco. 

Nos últimos anos tem havido um pequeno movimento – principalmente na Europa – segundo o qual os indivíduos procuram ser “desbalizados” e removidos do registro batismal das igrejas. Trata-se de uma maneira formal de “renunciar” ao sacramento do Batismo, cortando completamente os laços com a Igreja Católica.

Mas o Batismo pode ser anulado?

O Catecismo da Igreja Católica afirma que:

“Incorporado em Cristo pelo Batismo, o batizado é configurado com Cristo. O Batismo marca o cristão com um selo espiritual indelével da sua pertença a Cristo. Esta marca não é apagada por nenhum pecado, embora o pecado impeça o Batismo de produzir frutos de salvação. Ministrado uma vez por todas, o Batismo não pode ser repetido”(Catecismo da Igreja Católica, 1272).

Isso significa que, mesmo que uma pessoa peque contra Deus, renunciando a Ele de maneira oficial, esse ato nunca pode apagar a marca espiritual deixada pelo batismo.

O Catecismo acrescenta:

“O Espírito Santo nos marcou com o selo do Senhor (‘caráter de Dominicus’) ‘para o dia da redenção.’ ‘O batismo de fato é o selo da vida eterna’. O cristão fiel que ‘manteve o selo ‘até o fim, permanecendo fiel às exigências de seu batismo, poderá partir desta vida’ assinalada com o sinal da fé ‘”(CCC 1274).

O selo do Batismo não garante uma “passagem” para o céu, mas marca para sempre a alma de uma pessoa e ela será julgada por Deus, de acordo com esse selo.

Com isto em mente, um pastor não é capaz de remover uma pessoa de seu registro batismal. É também por isso que uma pessoa nunca pode ser batizada pela segunda vez. Desde que o primeiro Batismo seja válido, um católico que renuncie oficialmente a sua fé não precisa ser batizado pela segunda vez para ser readmitido no rebanho. A recepção fiel do sacramento da Confissão (juntamente com a plena satisfação de qualquer tipo de penitência ligada a esses pecados) tem o poder de eliminar todos os pecados e restaurar a inocência batismal da pessoa.

Ateus e satanistas que se arrependem de seus pecados são bem-vindos de volta ao rebanho de Jesus Cristo e não precisam ser batizados novamente.

Deus é muito paciente e, mesmo quando nos afastamos de nossas promessas batismais, ele nunca para de nos perseguir. Cabe a nós nos permitir sermos encontrados por Deus e aceitar seu amor em nossas vidas.

Autor: Philip Kosloski

Embora o homem tenha desenvolvido modalidades esportivas com bola desde a antiguidade, parece que foi durante a Idade Média que o tênis surgiu. 

Segundo a tradição, a partir do século XI, os monges do Reino da França buscavam combater a ociosidade do tempo livre entre as orações e o trabalho e começaram a brincar com bolas improvisadas e enroladas, como as que fazemos com meias hoje em dia. Eles costumavam instalar uma corda para delimitar os dois campos (uma espécie de rede). 

Logo os cânones, sacerdotes e até os bispos se entregaram ao emocionante jogo. Diz-se que eles até tiravam o hábito para não atrapalhar os movimentos.

O novo esporte rapidamente atravessou os muros dos mosteiros e ganhou adeptos na França e, depois, na Inglaterra. Chamava-se “jogo da palma”, já que consistia em golpear a bola com a palma da mão. Entretanto, durante o Renascimento, a modalidade se desenvolveu. Foi quando surgiu a raquete (um termo de origem árabe, que se refere à palma da mão). Na época, ela era feita com um cano longo, uma corda de tripa de ovelha entrelaçada e bastões de madeira. 

Este antigo jogo de tênis foi dando origem ao esporte que conhecemos hoje. Quando o jogador sacava com a palma da mão, ele costumava gritar “Tenez!”. Em francês antigo, o imperativo do verbo “defender” é “Tenèts!”. 

Quando os ingleses tomaram o jogo emprestado, ouviam o comando “Tenèts!” e o adaptavam ao inglês “tenis”.  

Portanto, todos os entusiastas do tênis podem agradecer a esses monges engenhosos que, sem saber, deixaram-nos uma herança que não é somente espiritual. 

– Um sacerdote que serviu no Pontifício Conselho para a Família, agora Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida no Vaticano, explicou o que considera o grande erro da ideologia de gênero.

“O grande erro da chamada ideologia de gênero é que se pretende que a identidade pessoal dependa apenas da autopercepção do sujeito (sua psicologia), dos condicionamentos da educação e da cultura ou da escolha do indivíduo emocional. Trata-se de separar radicalmente a identidade de gênero do sexo biológico”, explicou Pe. José Guillermo Gutiérrez Fernández, no dia 14 de agosto, por ocasião da conferência internacional “A ​​família, a vida e o acontecimento de Guadalupe”, que aconteceu na cidade de Piura, no norte do Peru, de 13 a 15 deste mês.

A abordagem de gênero ou ideologia de gênero é uma corrente que considera o sexo como uma construção sociocultural e que atenta contra a natureza humana. Isto foi criticado várias vezes pelo Papa Francisco e por outros membros da Igreja. Nesse sentido, o Vaticano publicou em junho o documento “Homem e mulher os criou. Para uma via de diálogo sobre a questão de gender na educação”.

Em sua conferência “A Sacralidade da Vida e a Ideologia de Gênero”, no Coliseu Dom Bosco, de Piura, diante de mais de cinco mil participantes, o sacerdote destacou que o erro da ideologia de gênero se torna “mais grave quando se pretende chegar a uma ‘neutralidade’, negando a heteronormatividade binária, dizendo que o gênero é algo fluido e não pode ser predeterminado”.

Segundo informa a Arquidiocese de Piura, Pe. Gutiérrez recordou que a Igreja não discrimina os homossexuais, porque “nosso Senhor chama todos os seus filhos para viver a vida cristã e alcançar a santidade. Todo mundo tem que fazer o seu próprio caminho a partir das circunstâncias nas quais se encontra”.

Além disso, o sacerdote afirmou que, “no mundo de hoje, há toda uma propaganda que nos vende a ideia errada de que não se pode ser feliz sem o exercício ativo da nossa genitalidade. Isso nos confunde e nos engana”.

“Parece que quando a Igreja convida os homossexuais ( e Heterossexuais)  a se absterem de ter relacionamentos íntimos ( fora do casamento), convida-os a viverem sem amor”, lamentou.

O sacerdote assinalou que “devemos levar em consideração que todos os seres humanos têm uma vocação ao amor e isso não se vive necessariamente através do exercício ativo da nossa genitalidade”.

“Existem outras maneiras de viver esse amor, como por exemplo: na entrega de si mesmo através do voluntariado, do serviço aos pobres, da amizade sincera e casta, da caridade, etc. É necessário recordar que as pessoas têm apenas uma identidade: a identidade de filhos de Deus, homem ou mulher”, explicou.

Pe. Gutiérrez também alertou para a possibilidade de que, “sob o pretexto de buscar a igualdade entre homens e mulheres, o Estado busque intervir de maneira dissimulada, tentando tirar dos pais a responsabilidade e o direito de serem os primeiros educadores de seus filhos”.

Os pais “são os responsáveis ​​pela educação da afetividade e sexualidade de seus filhos. Uma educação orientada ao amor que respeite a diferença sexual entre homens e mulheres, sua complementaridade e reciprocidade e que seja um chamado à comunhão de pessoas que nos faz imagem de Deus”.

Não ao aborto

O sacerdote também se referiu à importância de defender a vida humana, pois “o ser humano é a única criatura que Deus amou por si mesma, tem uma dignidade excelsa”.

Pe. Gutiérrez também lembrou que “a vida começa desde o momento da concepção” e deve terminar “de maneira natural, por isso a importância de proteger a vida de todo ser humano e ainda mais quando está neste estado precoce e inicial de sua existência”.

“Portanto, não podemos falar em nenhum caso de ‘interrupção da gravidez’, porque a vida não é algo que possamos interromper e depois reiniciar”.

“Todos os que estamos hoje aqui começamos esta maravilhosa aventura de nossa vida sendo um pequeno embrião e, a partir deste momento, fomos amados e protegidos. Por isso, somos chamados a estar sempre contra o aborto, porque se trata de matar um ser humano inocente”, destacou o sacerdote.

Fonte: ACI Digital

Se há 50 anos você se encontrasse em uma das pequenas localidades do interior da Holanda, dificilmente poderia se perder. A única coisa que você precisava fazer era olhar para cima, encontrar a torre da igreja, e você sempre encontraria o caminho de volta. Porque a igreja – literalmente – estava no coração da localidade.

Nas comunidades rurais, a igreja também era um ponto central da vida. A missa dominical, as festas católicas, os casamentos e os funerais: a igreja era o lugar onde todos se encontravam e compartilhavam as notícias do dia. O pároco, assim como outros voluntários da igreja, visitavam regularmente os idosos, e os concertos que o coro da igreja dava eram frequentados por muitos dos moradores.

As coisas mudaram

Em muitas localidades holandesas, a igreja ainda pode ser encontrada no coração do vilarejo, o bar local ainda tem muitos visitantes, e dentro e em volta da escola de Ensino Fundamental católica as vozes de crianças brincando ainda podem ser ouvidas. Mas, se você falar com os moradores, perceberá rapidamente que muitas das suas comunidades mudaram rapidamente na última década.

A igreja não é mais o ponto central de encontro da comunidade. Muitas vezes ela até fechou as suas portas, devido ao número decrescente de fiéis. Aqueles que ainda frequentam a igreja geralmente são velhos; a geração mais jovem não sente mais a necessidade de ir à missa dominical.

Na era de ouro do catolicismo holandês, a situação era completamente diferente. Nos anos 1960, 55% dos 2,7 milhões de católicos holandeses ainda iam à missa regularmente, segundo o centro de pesquisa holandês KASKI.

O número de fiéis tem diminuído desde então. No ano 2000, em média, 439.000 católicos foram à igreja durante os fins de semana. Em 2017, esse número caiu para 157.900 pessoas: apenas 6% de todos os católicos holandeses.

Fechamento de igrejas

Ao longo das últimas décadas, muitas igrejas na Holanda foram fechadas, devido à diminuição do número de participantes, aos altos custos de manutenção e à falta de padres. Mesmo assim, essa é apenas a ponta do iceberg.

Em uma entrevista a um jornal local no ano passado, o cardeal holandês Wim Eijkpreviu que, na Arquidiocese de Utrecht, 285 igrejas precisavam ser fechadas, o que significa que, no ano de 2030, apenas 15 igrejas ainda estarão abertas na arquidiocese.

Joris Kregting, um pesquisador do KASKI, também prevê que as dioceses prosseguirão muito mais rapidamente com o fechamento de igrejas. Ele discorda, no entanto, com a previsão de Eijk, pensando que o processo será um pouco mais lento.

“Não podemos dizer exatamente quais igrejas serão fechadas, não temos uma previsão dos números anuais das diferentes paróquias, mas, se se observarmos o número de igrejas fechando e o número de fiéis, achamos que se pode esperar razoavelmente que, em 2030, apenas 45 igrejas estarão abertas na arquidiocese de Utrecht”, disse Kregting.

Diferenças entre dioceses

De acordo com Kregting, nem todas as dioceses holandesas fecharão suas igrejas no mesmo ritmo. Ele acha que uma razão importante para isso são as políticas diferentes em cada diocese. A Arquidiocese de Utrecht e a Diocese de Den Bosch (no sul; no papel, a maior diocese da Holanda em termos de população) são as principais representantes do processo de fechamento de igrejas.

“Já está claro onde as igrejas fecharão rapidamente. Algumas dioceses decidiram por um extenso processo de fusão de paróquias, enquanto outras estão olhando mais para a cooperação entre paróquias”, explicou Kregting em entrevista à Katholiek Nieuwsblad.

Outra razão importante para essas políticas diferentes, segundo Kregting, é a situação financeira das paróquias em cada diocese. Na Diocese de Roermond, no sul, por exemplo, as igrejas não estão sendo fechadas tão rapidamente, porque a Igreja ainda é culturalmente importante para muitas pessoas.

“Na Holanda, as pessoas ainda tendem a dar mais dinheiro para a Igreja do que para outras instituições. Esse pode ser um fator importante ao decidir manter uma igreja aberta por mais algum tempo”, disse Kregting.

Questões complexas e difíceis surgem em uma localidade quando se fala em fechar a igreja local. Qual é a melhor decisão: restaurar a igreja, demoli-la, vendê-la ou talvez remodelá-la e transformá-la em um centro comunitário? Quem vai pagar? E o que acontecerá com o prédio, no fim das contas?

De acordo com uma pesquisa recente realizada pelo jornal holandês Trouw, uma em cada cinco igrejas holandesas – tanto protestantes quanto católicas – não são mais usadas como igreja. Muitas delas foram remodeladas e transformadas em um centro cultural ou comunitário, ou ainda transformadas em apartamentos.

Pesquisa da Katholiek Nieuwsblad

Que efeitos o fechamento de uma igreja tem em uma localidade? A vida católica nesses vilarejos está desaparecendo junto com a igreja? E quais são as consequências do fechamento de uma igreja para as tradições da localidade, o envolvimento dos voluntários e a solidariedade entre os moradores?

Ainda há muito que não sabemos sobre isso. Portanto, a Katholiek Nieuwsblad está atualmente realizando uma extensa pesquisa, com o apoio financeiro do Dutch Journalism Fund. Realizando entrevistas com especialistas e acadêmicos, pesquisando dados e fazendo documentários curtos em localidades onde as igrejas fecharão em breve, a revista católica holandesa está tentando oferecer uma imagem mais clara de um problema crescente entre os holandeses e a comunidade católica internaciona

A reportagem é de Michiel van de Kamp, publicada por Katholiek Nieuwsblad/Crux.

Agência RBS por Ticiano Osório

Nossos filhos vão ser felizes? Nossos filhos estarão prontos para encarar o mundo? Estamos sendo bons pais? “A última geração de pais criou uma ideia que é a pior ideia: meus filhos não vão passar pelo que passei”, comenta o psicólogo, escritor e palestrante, Rossandro Klinjey, autor do livro Help! Me Eduque, voltado a pais, mães e responsáveis. “Mesmo com boas intenções, não vão evitar que os filhos tenham frustrações”, reforça ele. E isso – frustrar-se – é bom e importante, como conta ele, no bate-papo feito a seguir:

O título de sua palestra é “Numa era de incertezas, o mais importante é ser feliz”. O senhor acredita que podemos ser felizes? Existe receita?

Bom, receita de felicidade é o primeiro mito a ser desconstruído: não existe. Então a primeira coisa que a gente tem, na tentativa de construir a felicidade, é não querer ver a felicidade como dizem para a gente que ela é: padronizada, estandardizada. Existe um modo particular de viver isso. E uma coisa é essencial: para ser feliz, a gente tem de aprender a ser infeliz também. A gente não consegue mais suportar tédio, pausas, hiatos psicológicos e angústia. Hoje, parte da infelicidade é a busca de felicidade constante. Virou um traço de loucura essa ideia de que a gente tem de escrever um happy end o tempo inteiro. Na verdade, a vida tem alternâncias profundas. A maturidade lhe dá condições de ver que essas alternâncias têm de ser vividas e não devem ser evitadas.

Essa valorização da felicidade não pode passar a impressão de que a frustração é um empecilho, e não algo essencial para a maturidade, para o crescimento pessoal?

Parece que frustração não pode existir. Isso tem dado origem a uma geração de pessoas incapazes, que vão se frustrar no futuro porque os pais querem que elas sejam felizes o tempo inteiro. Em geral, a gente cria imunidade a vírus na infância, mas essas pessoas não criaram imunidade psíquica contra as frustrações. Quando chega na fase adulta elas viram autoimunes e então se matam. O indivíduo está tão vulnerável e inapto a viver as experiências comuns da vida, como o fim do namoro, não passar num concurso, não entrar no vestibular que você sonhou. Você cria alternativas, novas possibilidades, a gente adia, mas as pessoas, às vezes, se matam.

As pessoas estão cometendo mais suicídios?

Há um aumento na frequência de suicídios. No ano passado, arredondando, as mortes por violência urbana, ataques terroristas e guerras mataram menos do que o suicídio. É mais fácil morrer em casa do que em Bagdá ou comprando crack na Grande Porto Alegre. Isso significa que a gente teve um abandono da interioridade, começou a ter uma existência externa, plastificada, como a música do Radiohead (Fake Plastic Trees). A gente deixou de buscar essa interioridade, na busca de carpe diem constante e frenesi constante.

Em uma entrevista, o senhor falou que, de 30 anos para cá, uma geração de pais começou a fazer um retrospecto de sua infância, muitas vezes pobre e cheia de privações, e, na crença de que poderia fazer algo melhor para seus filhos, virou o fio, deixando de se preocupar com limites, disciplina, respeito. Qual é o resultado disso?

Existe uma busca infantil desenfreada que é preconizada por uma sociedade que prega sempre o prazer, nunca a dor. A última geração de pais criou uma ideia que é a pior ideia: meus filhos não vão passar pelo que passei. Mesmo com boas intenções, não vão evitar que os filhos tenham frustrações. Eles têm como base o amor, é um sentimento bom o que está por trás, mas o resultado é catastrófico, porque a educação não é só o desejo, mas o que se concretiza. O sofrimento e a frustração têm caráter pedagógico, para que o indivíduo saiba lidar com isso durante a vida.

Ao mesmo tempo em que privamos nossos filhos do não e da frustração, fundamentais para seu desenvolvimento, enchemos suas agendas de tarefas e aulinhas, em um processo que o pediatra Daniel Becker chama de adultização, talvez pensando em prepará-los para as demandas da vida adulta. É um paradoxo, não?

O que a gente deveria cuidar muito, que era o desenvolvimento moral e emocional, a gente abandonou, e o que a gente não deveria encher tanto, que são as atividades, a gente está fazendo. Crianças de seis anos já são educadas pelos pais para serem um PhD em Harvard. Têm de estudar caratê, línguas, balé, xadrez etc. Uma geração sonhou em fazer isso, mas não podia pagar. Agora que podem, pagam para o filho fazer. Isso é um fato. Outro fato é que realmente está muito competitivo o mundo, para passar no Enem, com conteúdo demais e pouca profundidade. Cadernos demais e enormes, aulas no sábado, simulado no domingo de manhã etc. O modelo brasileiro não é funcional. Há um incremento de crianças e adolescentes suicidas porque não vêm suportando essa carga. Os pais têm responsabilidade de deter isso.

Perto de 1 milhão de visualizações, um vídeo seu tem como título “Filhos precisam entender que a casa não é deles”. Pode falar um pouco sobre isso?

Há famílias em que os pais têm a porta trancada e os filhos a porta aberta, e há outras em que os pais têm a porta aberta, e os filhos, a porta trancada. E não está dando certo, porque a privacidade é para quem paga as contas. A regra é essa. Quando digo isso, parece meio duro. Mas a criança tem de ser vigiada, cuidada. Não se pode dar privacidade a uma criança. Ao adolescente, este tem de conquistar aos poucos a privacidade. Você tem de fazer isso porque isso é cuidar.

Enquanto você é politicamente correto e não mexe nas gavetas e no computador do filho, do outro lado do meio social há hackers que conseguem violar computadores até de ministros, imagina o que podem fazer com o computador de um adolescente. Há muitos casos de pedofilia. Hoje, não basta o filho ter chegado em casa, sem riscos, que bom, acabou o perigo. Não: o computador oferece um risco muito maior do que andar na rua à 1h. Os riscos são diferentes, há um leque maior de riscos, o que exige dos pais um repertório de cuidado muito diferente do que os nossos pais tinham para lidar com isso.

Qual é a solução?

A gente não vai colocar uma redoma, mas tem de criar critérios. A princípio, a criança não deve ter celular, mas, se ela tiver, não pode dormir com ele, não pode falar a noite toda, porque não vai dormir bem, não vai acordar bem, não vai aprender etc.

O que podemos fazer em nome de um futuro melhor para nossos filhos?

Primeiro, a gente tem de entender que o mundo mudou e a gente não pode voltar com aquela educação que nossos pais nos deram. Isso é um mito. Mas precisamos entender que há coisas do passado que devem voltar. Temos de manter o que conquistamos, por exemplo, a participação maior do pai na casa, um diálogo entre pais e filhos… Mas, ao mesmo tempo, precisamos recompor o espaço da disciplina, do respeito e da ordem, porque elas são e sempre foram essenciais na formatação do psiquismo humano. Precisamos desses elementos na infância para formar um ego saudável, capaz de suportar o mundo como ele é.

Ao abrir mão disso com o sonho de fazer uma família mais feliz do que fomos quando crianças, o que conseguimos? Temos a geração mais suicida, mais drogada, mais consumista, mais ingrata da história humana. Ou seja: os planos não deram certo. Devemos entrar em processo de culpa? Não. Não adianta. Você precisa fazer o que chamo de reintegração de posse afetiva. Recupere o terreno que você perdeu. Enquanto seu filho está sob sua irradiação psicológica e financeira, você tem poder de determinar, de orientar, de normatizar as coisas. Uma criança quer pegar na mão do pai ou da mãe quando vai atravessar a rua sem se preocupar para onde olha, porque sabe que alguém está levando-a. Deixar seu filho sozinho na internet, deixar ir para o shopping sozinho ainda no início da pré-adolescência é tão arriscado quanto dizer para uma criança de dois anos atravessar sozinha a rua. Durante muito tempo, temos de pegar na mão, até que eles possam caminhar com os próprios passos.

Como equilibrar as coisas? Como evitar a sensação de que estamos podando, tirando autonomia?

Vamos imaginar que eu não consiga o equilíbrio. Bem, entre uma educação mais rígida e uma mais liberal, a mais rígida é mais funcional. Uma educação rígida pode gerar trauma, mas geram pessoas funcionais que pagam terapia para resolver. Uma educação libertária demais pode gerar pessoas inviáveis. Não é uma regra. Mas é muito mais fácil que dê errado porque você deu ao indivíduo escolhas que ele não podia fazer. Tem famílias em que a criança escolhe o carro da casa! Isso gera estresse. Se para a gente já gera estresse, imagina para a criança, que na verdade tem de brincar? Ela é empoderada, o que para o ego dela provoca satisfação, mas por outro lado é esmagador, porque terá de decidir coisas para as quais ela não tem maturidade.

Passando agora para a vida adulta, quais são os temas mais urgentes a serem abordados?

Prioritariamente, perdão. Porque a base dos transtornos dos relacionamentos, de casamento, de trabalho, entre familiares, é a incapacidade que a gente tem de entender que as pessoas não são perfeitas, elas nos machucam e nós também as machucamos. Para poder viver uma vida saudável, a gente precisa estar com disposição emocional para perdoar sempre. O que quer dizer que eu preciso olhar para o outro de forma global, e não apenas a parte do erro. Relacionamento não é fotografia, é um filme que vai andando. Mágoa é a fotografia de um momento. Pessoas maduras veem o filme. Elas ficam chateadas, mas sabem que a coisa continua. Precisamos, também, ter espaço para nossa interioridade. Nós nos abandonamos. Não paramos para refletir porque estou triste, o que aconteceu que estou tão brabo. A gente simplesmente bebe uma, vai para a balada, assiste à Netflix, toma um remédio para dormir, não reflete e tenta mudar condutas e comportamentos. E precisamos nos reconectar como pessoas. As tecnologias estão nos tornando próximos virtuais, mas distantes dos reais. Há pessoas que moram na mesma casa mas estão se abandonando.

A maior queixa dos adolescentes hoje é “meus pais não me escutam”. Eles só gritam. A família deve recuperar aquele espaço de sentar sem nada competindo com a atenção. Nem telefone, nem Netflix nem nada, para dialogar, perguntar como foi o dia. Você pode criar isso. Uma amiga minha criou o dia do taco (o prato mexicano), uma vez por semana. Era a única atividade da noite. Ela contou que, na primeira noite, houve um estranhamento, “a gente não sabia o que conversar”. Depois de 15 minutos, nos quais a crise de abstinência de celular passou, eles se reencontraram, porque eram uma família. Havia uma história construída juntos. E terminaram a noite muito mais tarde do que costumavam, brincando. Os filhos que no início reagiam à noite do taco começaram a cobrar: amanhã tem noite do taco! Um dia, sobrou taco e a mãe sugeriu para a filha levar de lanche. “Mãe, eu não gosto de taco”, ela respondeu. Mas então por que você sempre cobra para gente fazer? “Eu cobro o dia de a gente estar junto”, ela respondeu.

Fonte Original: Sempre Família