Um médico da Irlanda do Norte assegurou que coletou as assinaturas de 911 profissionais de saúde da região que se recusarão a realizar abortos, após a nova medida que ampliou as causas para essa prática.

Andrew Cupples, clínico geral da Irlanda do Norte, coletou as assinaturas para uma carta que enviou ao Secretário da Irlanda do Norte no mês passado. O texto, assinado pelos médicos, enfermeiras e parteiras, manifesta a oposição às novas leis sobre o aborto e exige fortes proteções à objeção de consciência para garantir que aqueles que se opõem ao aborto possam optar por não realizá-lo nem ajudar com o procedimento, informou o jornal ‘The Independent’.

“Centenas de profissionais de saúde na Irlanda do Norte se recusarão a participar de serviços de aborto. Existem até pessoas que planejam se retirar do serviço de saúde se forem forçadas a participar em abortos”, mencionou Dr. Cupples a ‘The Independent’.

“Também existem pessoas em obstetrícia, ginecologia e parteiras que estão preocupadas com as consequências de se recusarem a receber capacitação em temas de aborto, pois poderiam ser obrigadas a fazê-lo ou admoestadas por seus empregadores ou por um organismo profissional”, disse.

No início da semana passada, a legislatura delegada da Irlanda do Norte não conseguiu bloquear as mudanças nas leis de aborto e casamento homossexual aprovadas pelo Parlamento Britânico, que tem autoridade para governar a área na ausência de uma assembleia local em funcionamento.

Anteriormente, o aborto só era permitido na região nos casos em que a vida da mãe estava em perigo ou se havia um sério risco de danos permanentes à sua saúde física e mental se chegasse ao final da gravidez.

O aborto é legal no resto do Reino Unido até a 24ª semana desde 1967. A pressão para legalizar o aborto na Irlanda do Norte cresceu depois que em 2018 o referendo legalizou o aborto na República da Irlanda.

A lei na República da Irlanda permite que os médicos que têm objeções de consciência sobre o aborto se abstenham de participar do procedimento, no entanto, os médicos que se opõem ao aborto devem encaminhar as mulheres aos médicos que o realizarão.

Documentos do Departamento de Saúde da República da Irlanda no início deste ano mostraram que os serviços de aborto são limitados em nove das 19 maternidades do país, em parte devido aos objetores de consciência.

Pelo menos 640 médicos clínicos gerais na Irlanda assinaram uma petição, em novembro passado, objetando a nova obrigação de encaminhar pacientes a outros médicos para abortos.

A maioria dos 2.500 médicos de clínica geral da República da Irlanda não está disposta a realizar abortos. Somente entre 4 e 6% dos médicos disseram que participariam do procedimento.

Dr. Cupples mencionou a ‘The Independent’ que está mais preocupado com as parteiras e outros profissionais que não têm “proteção” sob a nova lei de aborto na Irlanda do Norte.

As pautas emitidas pelo Parlamento da Grã-Bretanha para os profissionais de saúde na Irlanda do Norte em relação aos novos regulamentos sobre o aborto estabelecem que “qualquer pessoa que tenha uma objeção de consciência ao aborto pode expor isso ao seu empregador”, informou a BBC.

Também assinala que, na Inglaterra e no País de Gales, os médicos podem se opor a participar de um aborto em temas “funcionais”, mas ainda são obrigados a participar de qualquer tarefa administrativa ou relacionada à assistência médica.

Essas pautas se aplicam até o final de março, quando será concluída uma consulta pública de 12 semanas e o governo da Irlanda do Norte emitirá protocolos oficiais para profissionais de saúde sobre o aborto na região.

Fonte: ACI

Os escritos do recém-canonizado Cardeal John Henry Newman oferecem reflexões importantes para a sociedade contemporânea sobre liberdade de consciência e o dever de buscar a verdade, disse uma figura destacada na liberdade religiosa internacional.

“Newman prefigurou a Declaração de 1965 da Igreja sobre liberdade religiosa, Dignitatis humanae“, disse o presidente de Religious Freedom Institute, Thomas Farr.

Farr, que atuou como diretor inaugural do Escritório de Liberdade Religiosa Internacional do Departamento de Estado dos Estados Unidos, no início da década de 2000, falou em um simpósio organizado pelo Instituto Thomistic da Universidade Angelicum, em Roma, no início deste mês. O evento celebrou a canonização do Cardeal Newman realizada em 13 de outubro.

Newman foi um teólogo, poeta, sacerdote católico e cardeal do século XX. Nasceu em 1801 e, antes de sua conversão ao catolicismo, foi conhecido e respeitado acadêmico de Oxford, pregador anglicano e intelectual público.

Farr mencionou que a conhecida frase do Cardeal Newman: “A consciência tem direitos porque tem deveres” oferece um lembrete importante de que somos obrigados a formar nossa consciência na verdade, reconhecendo que “nossa liberdade não nos dá o direito moral de fazer o incorreto”.

Dignitatis humanae afirma o direito à liberdade religiosa, uma liberdade que não pode ser coagida em matéria de consciência, disse Farr, citando o documento: “Deus chama realmente os homens a servi-lo em espírito e verdade; eles ficam, por esse fato, moralmente obrigados, mas não coagidos. Pois Deus tem em conta a dignidade da pessoa humana, por Ele mesmo criada, a qual deve se guiar pelo próprio juízo e agir como liberdade”.

Mas, embora os seres humanos sejam obrigados a seguir suas consciências, também são obrigados a obedecer a Deus, disse Farr.

“Uma consciência errante que resulta da nossa incapacidade de garantir que se ordene à verdade conduz à culpabilidade moral”, comentou. “A busca deliberada pelo mal pode levar a pessoa ao pecado grave. Um homem poderia seguir uma consciência mal formada diretamente para o inferno”.

Por esse motivo, Dignitatis humanae também enfatiza os direitos e deveres da Igreja de ensinar publicamente o que é verdadeiro sobre liberdade, justiça, natureza e Cristo, disse.

O Cardeal Newman entendeu bem a importância de ordenar a consciência à verdade, tal como Deus a entregou à Igreja através do Magistério, disse Farr.

O santo escreveu uma vez: “Nesta época… o direito e a liberdade de consciência [são vistos como o direito] a dispensar com consciência, a ignorar um Legislador e um Juiz, a ser independentes de obrigações invisíveis”. A consciência, alertou, estava sendo substituída pela “vontade própria”.

Em suas advertências sobre a consciência, o Cardeal Newman demonstrou ser profético, disse Farr. Hoje, a cultura ocidental distorce a visão da consciência em um grau ainda maior do que na época do Purpurado, de modo que não está mais orientada para Deus, mas para si mesmo.

“Para muitos, aceitou-se a obrigação de seguir a própria consciência, mas deixou-se de lado a fidelidade à verdade”, disse Farr.

Essa falsa interpretação da “liberdade de consciência” contribuiu para um ateísmo e para a rejeição da lei natural, continuou.

“Essa visão falsificada incentivou, dentro e fora da Igreja, uma profunda confusão com relação à natureza do homem e da mulher criados por Deus; as belas verdades sobre o matrimônio, a família e a sexualidade humana; e a necessidade de liberdade religiosa para todas as pessoas e sociedades”.

Tanto a sociedade moderna como a Igreja foram prejudicadas por essa falsa visão de consciência, disse Farr, e ambas fariam bem em prestar atenção às advertências emitidas pelo Cardeal Newman há mais de um século.

“Os erros de nossa época, muito mais generalizados do que na época de Newman, hoje colocam uma responsabilidade maior sobre os fiéis, clérigos e leigos, para ensinar e testemunhar essas verdades”, afirmou.

“Juntos, Newman e Dignitatis [humanae] podem nos ajudar a resistir à noção errônea de consciência ‘livre’ mais voltada para dentro de si mesmo e isolada de Deus e da natureza” do que voltada para fora, “para Deus, que, sendo mais íntimo do que nós mesmos e mais natural do que qualquer outra pessoa, é a única garantia da verdadeira liberdade”.    

Fonte: ACI

FALSOS MISSIONÁRIOS

Às vezes se confunde missão católica com serviço social e promoção humana. Numa homilia de domingo escutei um missionário dizer que trabalha com os índios, mas que “não está ali para cristianizar e dogmatizar ninguém”; achei muito estranho. Ora, evangelizar é levar a salvação de Jesus Cristo e as verdades  dogmas da fé). Fiquei escutando o resto da homilia e percebi que o trabalho do missionário não se diferenciava das ONGs que estão entre os índios, ou talvez fosse apenas como o trabalho da FUNAI ; uma preocupação de levar o “bem estar social” aos índios: defesa, vacinas, preservação da cultura indígena, etc. Não ouvi falar de conversão, de batismo e de abraçar a fé católica.

Se não é para cristianizar os índios, então, não é verdadeira evangelização católica. O papel missionário da Igreja é levar a salvação de Jesus Cristo, como fizeram São Pedro, São Paulo e os demais Apóstolos, sem esquecer a caridade é claro, que sempre fizeram e fomentaram. Mas se faltar a catequese católica, não é verdadeira evangelização; é mera assistência social. Isso muitas instituições podem fazer, mas levar Jesus Cristo, o Batismo da salvação, a Confissão, a Eucaristia, o Matrimônio, etc… só a Igreja é capaz de fazer.

São Paulo VI disse na “Evangelli Nuntiandi” que “não há verdadeira evangelização se não se falar do nome de Jesus, de seus milagres, de sua doutrina, de sua paixão, morte e ressurreição redentoras da humanidade”.

Parece que há um medo de se falar de cristianismo, catolicismo, Igreja católica, dogmas, com receio de ferir a “liberdade” das pessoas; ora, disse o Papa Bento XVI que “os dogmas não são cadeias, mas janelas abertas para o infinito”. Há uma tendência perigosa e falsa da parte de alguns missionários (penso que fruto da teologia da libertação) de levar apenas aos que não conhecem a Cristo, a promoção social e o bem estar, descurando da salvação da alma, e do combate ao pecado. Deixa que se salvem em suas crenças e mitos. Ora, São Pedro disse que: “Não nos foi dado outro nome sob o Céu no qual tenhamos a salvação”.

Ora, as últimas palavras de Jesus à Igreja foram: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16, 15-16 ). “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi”(Mt 28.19-20).

A evangelização é para isso, senão não é missão católica evangelizadora. Nota-se que há um esvaziamento da verdadeira missão católica, como o Vaticano alertou em 03/12/2007 pela “Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé”, na importante “Nota Doutrinal sobre alguns aspectos da evangelização”, chamando a atenção para os desvios. Negar toda a verdade salvífica do Evangelho aos povos não cristãos, trocando isso por promoção social, é traição do missionário a Cristo. Hoje, como mostra a Nota da Santa Sé, há um perigo enorme de se querer deixar os nativos viverem “sua própria vida religiosa”, eivada de erros, maus costumes e superstições; ao invés de pregar-lhes a conversão a Jesus Cristo. O documento da Congregação da Fé diz:

«Com efeito, os Apóstolos, “movidos pelo Espírito, convidavam todos a mudar de vida, a converter-se e a receber o Batismo” [Redemptoris Missio, 47], porque a «Igreja peregrinante é necessária à salvação»[Catecismo §846]”. “Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tim 2, 4); e “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade“ (1Tm 3,15) [10].

Continua a Nota do Vaticano: “Hoje, todavia, o anúncio missionário da Igreja é «posto em causa por teorias de índole relativista, que pretendem justificar o pluralismo religioso, não apenas de fato, mas também de iure (ou de princípio)» [Dominus Iesus, 4]. Há muito que se criou uma situação na qual, para muitos fiéis, não é clara a mesma razão de ser da evangelização [EN, 80]. Afirma-se mesmo que a pretensão de ter recebido em dom a plenitude da Revelação de Deus esconde uma atitude de intolerância e um perigo para a paz”.

São fundamentais essas palavras de Paulo VI, mostrado esse perigo:

“É assim que se ouve dizer, demasiado frequentemente, sob diversas formas: impor uma verdade, ainda que seja a verdade do Evangelho, impor um caminho, ainda que seja o da salvação, não pode ser senão uma violência à liberdade religiosa. De resto, acrescenta-se ainda: Para que anunciar o Evangelho, uma vez que toda a gente é salva pela retidão do coração?… Não será, pois, uma ilusão o pretender levar o Evangelho aonde ele já se encontra, nestas sementes que o próprio Senhor aí lançou? É claro que seria certamente um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará, e isso, sem pressões coercitivas, sem persuasões desonestas e sem aliciá-la com estímulos menos retos, longe de ser um atentado à liberdade religiosa, é uma homenagem a essa liberdade, à qual é proporcionado o escolher uma via que mesmo os não-crentes reputam nobre e exaltante. Será então um crime contra a liberdade de outrem o proclamar com alegria uma Boa Nova que se recebeu primeiro, pela misericórdia do Senhor?  Ou por que, então, só a mentira e o erro, a degradação e a pornografia, teriam o direito de serem propostos e com insistência, infelizmente, pela propaganda destrutiva dos “mass media”, pela tolerância das legislações e pelo acanhamento dos bons e pelo atrevimento dos maus? Esta maneira respeitosa de propor Cristo e o seu reino, mais do que um direito, é um dever do evangelizador. E é também um direito dos homens seus irmãos o receber dele o anúncio da Boa Nova da salvação.” (EM,80).

Paulo VI disse ainda que: “numerosos cristãos… têm frequentemente a tentação de reduzir a sua missão às dimensões de um projeto simplesmente temporal; os seus objetivos a uma visão antropocêntrica; a salvação, de que ela é mensageira e sacramento, a um bem-estar material; a sua atividade, a iniciativas de ordem política ou social esquecendo todas as preocupações espirituais e religiosas. No entanto, se fosse assim, a Igreja perderia o seu significado próprio. A sua mensagem de libertação já não teria originalidade alguma e ficaria prestes a ser monopolizada e manipulada por sistemas ideológicos e por partidos políticos. Ela já não teria autoridade para anunciar a libertação, como sendo da parte de Deus. Foi por tudo isso que nós quisemos acentuar bem na mesma alocução, quando da abertura da terceira Assembléia Geral do Sínodo, “a necessidade de ser reafirmada claramente a finalidade especificamente religiosa da evangelização. Esta última perderia a sua razão de ser se se apartasse do eixo religioso que a rege: o reino de Deus, antes de toda e qualquer outra coisa, no seu sentido plenamente teológico”.(62)

Paulo VI ensinou em que consiste a Evangelização: “Como núcleo e centro da sua Boa Nova, Cristo anuncia a salvação, esse grande dom de Deus que é libertação de tudo aquilo que oprime o homem, e que é libertação sobretudo do pecado e do maligno, na alegria de conhecer a Deus e de ser por ele conhecido, de o ver e de se entregar a ele” (EN, 9).

A Nota da Sagrada Congregação da Fé, diz:

“Todavia, hoje verifica-se uma crescente confusão que induz muitos a deixar inaudível e inoperante o mandato missionário do Senhor (cf. Mt 28, 19). Muitas vezes pensa-se que toda a tentativa de convencer os outros em questões religiosas seja um limite posto à liberdade. Seria lícito somente expor as próprias ideias e convidar as pessoas a agir segundo a consciência, sem favorecer uma conversão a Cristo e à fé católica. Diz-se que basta ajudar os homens a serem mais homens ou mais fiéis à própria religião, que basta construir comunidades capazes de trabalhar pela justiça, a liberdade, a paz, a solidariedade. Além disso, alguns defendem que não se deveria anunciar Cristo a quem O não conhece, nem favorecer a adesão à Igreja, pois seria possível ser salvos mesmo sem um conhecimento explícito de Cristo e sem uma incorporação formal à Igreja” (N.3).

O Reino de Deus não é – como alguns hoje sustentam – uma realidade genérica que domina todas as experiências ou as tradições religiosas, e às quais deveriam tender como que a uma universal e indistinta comunhão todos aqueles que procuram Deus, mas é acima de tudo uma pessoa, que tem o rosto e o nome de Jesus de Nazaré, imagem do Deus invisível” [RM, 18].
Infelizmente o relativismo religioso tomou conta da cabeça de muitos “missionários” que fazem da Igreja como se fosse apenas mais uma ONG. Mas, nenhuma ONG pode levar as almas à salvação eterna.

Prof. Felipe Aquino

Das 7.100 línguas faladas sobre a Terra, mais de 3.700 não têm nenhuma tradução das Escrituras. Para ser preciso “a Bíblia inteira foi traduzida para 700 línguas, pouco mais de 1.500 possuem o Novo Testamento e outras 1.100 apenas algumas partes, dos Salmos aos Evangelhos”.

Trabalho não falta, considerando que “para uma tradução é preciso muito tempo”, explica o professor Schweitzer ao Corriere: “Se tudo correr bem, para o Novo Testamento são necessários entre três e quatro anos e para toda a Bíblia sete e oito”.

Não importa por quantas pessoas um idioma seja falado. No ano passado, as Sociedades Bíblicas (“trabalhamos com todas as denominações cristãs”) contribuíram para traduzir os textos sagrados em 66 línguas faladas por 440 milhões de pessoas. Entre as traduções da Bíblia, havia línguas como Rote (falada na Indonésia por 30 mil pessoas), Malto (Índia, 51 mil), Kalanga (Botsuana, 142 mil) ou Lusamia-Lugwe (650 mil em Uganda e Quênia).

Entre as versões do Novo Testamento aquelas em língua Lemi (Mianmar, 12.000 falantes) e Blin (Eritreia, 112.000).

A questão das línguas indígenas também está sendo abordada no Sínodo da Amazônia.  A tradução da Bíblia pode proteger idiomas em extinção? “Pode ser um efeito, mas esse não é o objetivo principal”, explica o teólogo. “Para nós, o essencial é que seja a comunidade cristã local a querer uma tradução e esteja envolvida no trabalho. Nosso trabalho é realizado com igrejas locais, são formados tradutores na língua materna “.  Além disso, “a tarefa de construir uma ponte entre o hebraico ou o grego antigos e as línguas mais remotas do presente – eventualmente não há equivalentes para ‘redenção’ ou ‘perdão’- é um trabalho imenso, com grupos de tradutores, e nunca termina”, considera Schweitzer: “Línguas e culturas evoluem. Trata-se também de retraduzir: uma versão litúrgica antiga não pode ser proposta para os jovens de hoje”.

 Fonte : Corriere della Sera, 11-10-2019.

Em seu livro My Body Doesn’t Belong to You, Marianne Durano, professora de filosofia e mãe de dois filhos, denuncia a violência tecnológica e médica sofrida pelas mulheres de nossa época.

Ela discute tópicos importantes, como práticas ginecológicas abusivas, pílula contraceptiva, gravidez vista como uma doença, locais de trabalho inadequados, tecnologia reprodutiva assistida e barriga de aluguel.

Mas este livro não é apenas um inventário de todas as intervenções tecnológicas atuais que alienam uma mulher de seu corpo. Por meio de seu testemunho pessoal como mulher e mãe, Marianne Durano propõe maneiras de ajudar as mulheres a recuperar seus corpos, nos contextos pessoal, social e político. Essas propostas, fundamentadas em um pensamento filosófico sólido, são a verdadeira força do livro.

Como podemos valorizar o corpo feminino em uma sociedade que busca negar suas características específicas? A resposta de Marianne Durano é simples: deixando de ver uma mulher como um homem mais fraco. No último capítulo de seu livro, a autora explica como nossa sociedade foi influenciada por uma filosofia que, de Aristóteles a Simone de Beauvoir, mostra desprezo pelo corpo feminino ou simplesmente o ignora.

Em resposta a essa rejeição histórica, Durano propõe o corpo feminino, com todas as suas características particulares, como sujeito próprio da reflexão filosófica. Isso requer o reconhecimento de que o corpo de uma mulher é diferente do de um homem, porque pode acolher a vida. O potencial para a maternidade não é insignificante. O corpo feminino deve ser considerado um corpo materno, um lugar de onde brota a vida.

Para Durano, a maternidade é uma característica fundamental do corpo feminino. Ela denuncia a ideia hierárquica de que a masculinidade tem precedência e que as mulheres devem negar sua feminilidade para se parecerem mais com os homens, alcançando assim a igualdade utópica. Reconhecer e valorizar a incrível capacidade de uma mulher de acolher a vida é essencial para ajudar as mulheres a abraçar sua feminilidade.

Autoconhecimento e autoaceitação

Como podemos impedir que nosso corpo seja apropriado por laboratórios farmacêuticos e um sistema médico invasivo? Aprendendo a conhecer a nós mesmas e a ouvir nossos corpos sem sufocá-los com hormônios. Para conseguir isso, Marianne Durano pede melhores informações sobre métodos naturais de controle de natalidade, que dependem do conhecimento da mulher sobre seus ciclos.

Muitas vezes apresentados como ineficazes e obsoletos, esses métodos são de fato muito confiáveis ​​se forem bem compreendidos e praticados. Muitas organizações oferecem cursos sobre esses métodos, e vários aplicativos permitem que as mulheres acompanhem seus ciclos e anotem suas observações diárias. Aprender a conhecer e respeitar o seu corpo é uma ótima maneira de cuidar da sua fertilidade.

Estações

Compreender seu ciclo pode permitir que uma mulher reconheça como seu corpo experimenta as quatro estações do mês: inverno, fase da morte e renascimento, coincide com a menstruação; primavera, quando o corpo se prepara para a ovulação; verão, fase de plenitude que se segue à ovulação; e outono, pouco antes da próxima menstruação.

Uma mulher não segue a mesma trajetória linear que um homem em sua relação com o tempo. Seu corpo diverge naturalmente das demandas do local de trabalho atualmente definido para ser igualmente produtivo todos os dias do mês.

Para ajudar as mulheres a se orgulharem de sua feminilidade, a sociedade deve respeitar sua natureza. Segundo Marianne Durano, é necessário considerar a relação de uma mulher com o tempo como distinta da de um homem. Todo mês, ela vive uma morte e renascimento, sinais de sua fertilidade e potencial maternidade.

Gravidez

Marianne Durano também denuncia a maneira pela qual nossa sociedade vê a gravidez como uma patologia, o que pode deixar as mulheres grávidas assoladas por incertezas e angústias, às vezes até mesmo em isolamento. Como podemos evitar essa visão profundamente tendenciosa da gravidez?

Uma maneira de combater essa mentalidade é incentivar associações que apoiam mulheres grávidas. Outra é apoiar os ginecologistas que capacitam as mulheres – que não consideram a gravidez uma doença.

É importante que toda mulher grávida seja bem apoiada, inclusive após o parto. Durano destaca a importância da “quarentena” pós-parto – um período de 40 dias após o parto, durante o qual a mãe se recupera do esforço da gravidez e do parto. A importância dessas poucas semanas não deve ser negligenciada. A família e os amigos devem cercar a nova mãe com amor para ajudá-la a cuidar de si mesma e do recém-nascido.

A mudança começa em cada um de nós

Para que essas mudanças se enraízem, elas devem ser adotadas pela sociedade. Marianne Durano defende uma reorganização da sociedade a partir do lar, não das finanças. De fato, o significado original da palavra grega “oikos”, da qual derivamos “economia”, é “lar comum”. Um retorno ao lar implicaria uma apreciação renovada pelas profissões de ajuda e pela educação. Essas profissões, frequentemente ocupadas por mulheres, são frequentemente desvalorizadas.

Temos que esperar por mudanças sociais e políticas para viver plenamente nossa feminilidade? Para Marianne Durano, que define o corpo feminino como um lugar de liberdade por excelência, a mudança começa em casa, na autogovernança.

Todo atividade doméstica, como cozinhar, cuidar da casa, cuidar dos filhos, deve ser vivida como meio de reforçar a verdadeira feminilidade. Nesse sentido, as mulheres têm um papel essencial a desempenhar na formação do futuro, especificamente na manutenção do respeito à vida e na transmissão de valores às gerações mais jovens. Devemos arregaçar as mangas e abraçar nosso gênio feminino!

Autor: Maëlys Delvolvé -Aleteia

No início de 2020, a “VatiVision” vai estrear como uma plataforma de streaming com conteúdos religiosos, artísticos e culturais inspirados em mensagens cristãs. A novidade ficará disponível na Itália e ao redor do mundo e poderá ser vista pela internet.

Através de dispositivos diferentes como smarthphone e web, a Netflix do Vaticano chega com uma proposta para  “transmitir séries de TV, filmes e documentários destinados ao público global que reconhece ou tem interesse nos valores cristãos”.

“Nos voltamos para metas que foram negligenciadas até o momento e pretendemos alcançar resultados importantes, tanto pela qualidade e originalidade do conteúdo quanto pela distribuição mundial, com um público potencial de um bilhão e 300 milhões de pessoas de fé católica”, explicou Luca Tomassini, presidente da plataforma representante da Vetrya.

Fonte: Meia hora de notícias