* Afinal, “Coroinhas” femininas são aceitas ou não pela Igreja?

Vatican Insider

A questão das meninas coroinhas  é “pastoral” por excelência.

As primeiras coroinhas apareceram pouco depois do Vaticano II, precisamente em países liturgicamente mais “progressistas”, como nos Estados Unidos, Holanda e França, onde até 1994 esta “abertura” continuava sendo para as autoridades vaticanas um “abuso” tolerado.

João Paulo II foi o primeiro Papa, em 1995, assistido por coroinhas femininas (um ano depois da emanação da nota do Culto Divino sobre a possibilidade de que as mulheres prestassem o serviço no altar), e o mesmo fez Bento XVI.

Em 05 de novembro de 1995, de fato, aconteceu uma pequena revolução histórico-litúrgica em torno do Papa. Pela primeira vez, em uma paróquia romana, quatro meninas ajudaram em uma missa celebrada por Karol Wojtyla. Nunca antes, em uma igreja italiana e menos ainda em Roma, o Pontífice havia sido assistido por meninas durante a Eucaristia, embora a aprovação por parte do Vaticano das coroinhas remontasse a março de 1994.

O próprio Papa polonês, durante as viagens ao exterior, foi mais de uma vez “ajudado” no altar por um grupo de meninas. Na manhã de 05 de novembro de 1995, o gelo foi quebrado na paróquia dos Santos Mártires Mário e Família, do bairro Romanina, nos arredores da capital italiana, onde Karol Wojtyla celebrou assistido por Michela,Eleonora, Giovanna e Serena. As meninas, todas de 11 anos, serviram com grande naturalidade a missa junto com alguns coroinhas, circundados por sacerdotes concelebrantes e pelo então cardeal vigário Camillo Ruini. Meninas e meninos estavam vestidos com o “tarcisiano”, característica túnica longa e branca com duas linhas laterais vermelhas, sem manifestar constrangimento nem indecisão.

Ao final da celebração, o pároco, José Manfredi, comentou: “Para nós é normal que as meninas ajudem na missa. Hoje, para a celebração do Papa, selecionamos as maiores”. A Santa Sé se limitou a definir como “normal que as meninas ajudem a missa ao lado do Papa, porque está previsto em um documento vaticano”, precisando que “isto não significa, no entanto, que a Igreja queira reconsiderar sua negação ao sacerdócio feminino”.

Na história da Igreja há muitos exemplos de sacerdotes que se converteram em tais por causa do serviço no altar realizado desde pequeno como coroinhas. O serviço ao altar foi para eles uma porta para o sacerdócio.

23 thoughts on “* Afinal, “Coroinhas” femininas são aceitas ou não pela Igreja?

  1. Acho válido e muito bom para nossa igreja que meninas sejam aceitas como coroinhas. Normalmente elas prestam mais atenção ao que estão fazendo do que os meninos. Minha filha começou como coroinha, aos 11 anos e hoje, aos 17, é acólita e formadora de novos coroinhas, meninos e meninas na Paróquia Santa Teresinha em Itanhaém

  2. As mulheres fazem tudo melhores que os homens. Elas seriam, inclusive, melhores sacerdotes que os homens. Mas não é isso que qualifica para o serviço do altar. É por isso que os meninos abandonam os grupos de coroinhas quando elas chegam. Em todas as paróquias que frequentam, há apenas meninas. Isso por que os meninos, em geral, ficam mais tímidos quando há mulheres nos grupos. Assim que as paróquias de minha cidade passou a adminitra meninas, todos eles sairam. Que pena. Que pena também que nenhuma nova vocação sacerdotal foi despertada nesta cidade nos últimos quinze anos, pois como os homens poderão amar o altar, se não o conhecem? Tenho alguns amigos padres, todos eles foram coroinhas.

  3. “As mulheres fazem tudo melhores que os homens.”

    “Machismo” às avessas…
    Não é possível fazer tal generalização.
    Comecemos com o popular caso de uma mulher estacionar o carro kkk…

    A capacidade é individual. Homens e mulheres possuem, por serem o que são, uma *facilidade* maior com determinadas áreas, devido à constituição de seu cérebro. Ora, não é porque um homem tem, *em média*, mais facilidade com a visualização do espaço 3D que qualquer homem será um arquiteto ou engenheiro civil melhor que uma mulher, entende?

    De mesmo modo a mulher… Não caia na onda do feminismo.

    • Você quer dizer que as mulheres não são varões de Deus sinceramente o seu comentário não tem o menor sentido pfv antes de falar as coisas pense se não vai estar praticamente ofendendo ninguém ok obg???

  4. Não acho conveniente. Acredito que é preciso definir bem os papéis do homem e da mulher. Penso que cada um contribui, à sua maneira, na construção do Reino de Deus. Devemos, por isso, lembrar que o altar, que é Cristo, é masculino. Não tenho nada contra as mulheres mas, definitivamente, o altar é só para varões!

  5. Naõ vejo problema algum nisto, alias acho benefico pois um dia estas meninas serão mães e incentivaram seus filhos ao sacerdocio.Lógico que precisamos de uma pastoral madura na orientação destes meninos e meninas.

  6. Só não entendo porque esses questionamentos são sempre feitos em relação aos procedimentos e regras da Igreja Católica, enquanto que em outras religiões por exemplo, em que as mulheres e os homens assistem suas cerimônias separados, cada um em um recinto próprio, só se cobram modernidades e adaptações às modernidades à Igreja.

  7. acho muito eficiente o tanto trabalho masculino como o feminino servindo ao cristo sacerdote,não acho que as meninas ou os meninos são melhores uns do que os outros isso depende de cada um,vai do empenho de cada coroinha…sei que existe a questão da vocação sacerdotal mas também temos que lembra que existe a vocação religiosa feminina,creio que o grupo de coroinhas seja uma preparação religiosa,sou coroinha tenho 15anos minha paróquia é uma das maiores da diocese de caxias pra entra no grupo de coroinhas é muito rígido por isso temos na paróquia inteira apenas 8 coroinhas mas todos bem comprometido.nós nos dividimos em 14 comunidade fora as dos interior,7 dos nosso 8 coroinha irão seguir a vocação religiosa para honra e glória de nosso DEUS!

  8. Cristina, é claro que as demais religiões são cobradas. Mas nós estamos no Brasil, não é mesmo? Quais são as religiões que predominam aqui? A católica e outras cristãs, não é mesmo?

    Já li muitos comentários dizendo “porque não criticam os muçulmanos? Porque é só com igreja católica…?”.

    Ora, alguma vez você já ouviu falar de alguma grande intervenção muçulmana na política aqui **no Brasil**? E alguma intervenção dos hindus que dividem as pessoas em castas aqui nessas terras tupiniquins? Suponho que não… Que tais pessoas existam aqui no Brasil, não há dúvida, mas a influência deles é pequena ou quase inexistente nesse país de maioria cristã. Você vê algum propósito em criticá-las?

    As críticas feitas aqui certamente se dirigirão às religiões locais.
    Em países de maioria muçulmana as críticas são principalmente aos tais, em especial a forma como tratam a mulher. Sim, é mais fácil criticar a igreja católica “atualmente*. Em alguns países muçulmanos aplica-se a Sharia, a lei islâmica, aquela que autoriza o apedrejamento de mulheres e a perseguição aos apóstatas. Sim, os que abandonam a fé islâmica são persguidos. Os que falam mal de Maomé então…

    Mas pense um pouquinho: será que na história das igrejas cristãs já houve algum episódio parecido com esse dos muçulmanos? Pense aí… E no caso de ter havido, você acha que as pessoas tinham coragem de fazer críticas tão escancaradas a determinadas igrejas? Pense e tire suas próprias conclusões.

    Quanto a outras religiões cristãs, acesse o link abaixo e veja como um apologeta protestante critica outras religiões evangélicas. Basta dar uma fuçada no blog. Muitas das críticas que ele faz certamente são compartilhadas por vocês, católicos.

    http://www.genizahvirtual.com/

  9. Vejam só no texto:
    “…João Paulo II foi o primeiro Papa, em 1995, assistido por coroinhas femininas (um ano depois da emanação da nota do Culto Divino sobre a possibilidade de que as mulheres prestassem o serviço no altar), e o mesmo fez Bento XVI”.

    Eu penso que se o próprio Papa teve assistência de Coroinhas Femininas, quem somos nós para questionar? Mas os meninos não devem ser excluidos.

    Se as meninas sentem alegria em auxiliar os padres na Missa, isso é muito bom para aumentar nelas a fé, e futuramente serem acólitas, leitoras e quem sabe até Ministras da Eucaristia?

  10. Se elas podem ser coroinhas por que não podem ser sacerdotes? Que contradição. A Igreja deveria reconhecer seu comportamento contraditório e permitir mulheres também no diaconato e sacerdócio. Afinal, elas já estão no altar. Como algumém já comentou, elas tem direitos iguais.

  11. Acredito que é de beneficio vocacional tanto para meninos como para meninas. Aqui na minha cidade, temos coroinhas meninos e meninas. ambos se respeitam e seguem regras de conduta. Se o próprio Papa João Paulo II aceitou que meninas servissem ao altar como coroinhas, quem somos nós para dizer que não pode?!

  12. Em países islamicos não se critica porque é proibido por lei, a religião é do Estado.
    A Inquisição religiosa católica só tinha autoridade sobre católicos,
    e combatia heresias e não sobre pessoas de outras religiões.
    O texto não fala exclusivamente de Brasil, mas cita outros países.Países que não são de maioria católica, muito pelo contrário, ou são predominantemente protestantes ou laicos.
    A midia em geral só cobra modernidades e adaptações da Igreja Católica, na tentativa de descaracteriza-la ou protestantiniza-la.
    Há religiões que sequer permitem que as cerimonias sejam assistidas por homens e mulheres no mesmo recinto.
    Enquato que no Catolicismo isso sempre foi feito em comum desde os primórdios.
    Se as funções, são divididas , isso não desmerece em nada as mulheres.
    Se o Sacramento da Ordem é concedido aos homens, isso não desmerece em nada as mulheres. No Catolicismo ninguém está pensando em ser melhor que ninguém. Mas na melhor forma do SERVIR e não em ser servido. As mulheres sabem que o Cristianismo lhes resgatou a dignidade, e foram as mulheres quem primeiro testemunharam a RESSURREIÇãO, dada a sua importancia para Cristo.
    Depois de Cristo, no Catolicismo, Maria sua mãe , uma mulher é a pessoa mais importante.

  13. Sobre a união Estado-Igreja, acho necessário que vocês, católicos, leiam o que a própria Igreja diz sobre isso.

    Já ouviram falar da Bula Unum Sanctum do papa Bonifácio VIII?

    Leiam e tirem suas conclusões:

    http://instavrareomniainchristo.wordpress.com/2011/10/07/bula-%E2%80%9Cunam-sanctam%E2%80%9D-de-bonifacio-viii/

    Trechos notáveis:

    “Por isso, declaramos, dizemos, definimos e pronunciamos que é ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIO À SALVAÇÃO de toda criatura humana estar SUJEITA AO ROMANO PONTÍFICE.” (com destaque meu).

    “A autoridade temporal deve ser submissa à autoridade espiritual.”

    “Se o poder superior se desvia, somente Deus poderá julgá-lo e não o homem”.

    E no Syllabus de Pio IX ele condenou as seguintes teses (ou seja, o que se diz a seguir é condenado pela Igreja Católica):

    “55º A Igreja deve estar separada do Estado e o Estado da Igreja.”

    “77º Na nossa época já não é útil que a Religião Católica seja tida como a única Religião do Estado, com exclusão de quaisquer outros cultos.”

    “79º É falso que a liberdade civil de todos os cultos e o pleno poder concedido a todos de manisfestarem clara e publicamente as suas opiniões e pensamentos produza corrupção dos costumes e dos espíritos dos povos, como contribua para a propagação da peste do Indiferentismo.”

    Ou seja, o papa disse que o Estado deve estar unido à Igreja Católica e que esta deve ser tida pelo Estado como a única religião verdadeira.

    Link do Syllabus:

    http://www.montfort.org.br/old/index.php?secao=documentos&subsecao=enciclicas&artigo=silabo&lang=bra#S9

  14. Sim.

    Então lhe pergunto: as ideias de um **papa** deixam de valer com o tempo?

    Veja que temos dogmas muito mais antigos e que “continuam valendo”, não é mesmo? Vide os Concílio de Nicéia, Constantinopla e Éfeso, tão atuais! Ainda hoje há certos grupos cristãos (ou que tiveram origem no cristianismo) que não aceitam a divindade de Cristo. E pense na bíblia, “a Palavra de Deus”, considerada tão “atual”…

    Entendo que você deva ter em mente que posso fazer uma interpretação anacrônica… Mas por isso citei também o Syllabus: as idéias de submissão do poder temporal à Igreja não foram exclusivas da Idade Média…

    Outra encíclica mais recente é a “Gravissimo Officii Munere”, De Pio X, em 1906, sobre a separação do Estado e da Igreja na França:

    http://www.mercaba.org/PIO%20X/gravissimo_offichii_munere_defun.htm

    E sobre a Unum Sanctum: o que vocês, Carmadélio e demais leitores (Lucas, em especial xD, pois você é inteligente), pensam sobre a afirmação do papa Bonifácio VIII de que “é ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIO À SALVAÇÃO de toda criatura humana estar SUJEITA AO ROMANO PONTÍFICE”?

    Acho interessante pesquisar o que o Vaticano II diz sobre essa questão. Será que está em harmonia com o que a Igreja sempre acreditou?

  15. Beneplácito Régio,era o preceito de que as determinações da Igreja destinadas ao clero e aos fiéis, para terem validade em Portugal e
    posteriormente no Brasil Império, deveriam receber a aprovação expressa do monarca. Foi estabelecida no Brasil com a Constituição de 1824, obrigando qualquer determinação vinda do Papa a passar pela decisão do Imperador de segui la ou não no país.

  16. Ricardo.

    Os pronunciamentos papais citados por você não são definições de fé, nem nada relacionado à moral católica; por isso, podem mudar.
    Quanto à afirmação: “é ABSOLUTAMENTE NECESSÁRIO À SALVAÇÃO de toda criatura humana estar SUJEITA AO ROMANO PONTÍFICE”, tem o mesmo valor da outra afirmação de um Papa (acho que é um Papa, mas não recordo o nome agora) que diz: Fora da Igreja não há salvação. Ora, estar dentro da Igreja e ser submisso à autoridade do Papa é a mesmíssima coisa. Se a Igreja crê que é a única fundada por Cristo, e que este mesmo Cristo confiou a Ela os meios necessários à salvação dos homens, essa frase do Papa é absolutamente compreensível DENTRO do que crê a Igreja.
    Quem olha de fora escandaliza-se, pois não é politicamente correto falar assim num mundo que diluiu a verdade ao bel-prazer de cada um.

  17. ” Tomé disse: Senhor, nào sabemos para onde vais, como podemos conhecer o
    caminho?
    Jesus respondeu: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por mim. “Se me conhecestes, conhecereis também o meu Pai. Desde já o conheceis e o tendes visto”.
    Filipe disse: Senhor, mostra-nos o Pai , isso nos basta.
    Jesus respondeu: “Filipe, há tanto tempo estou convosco, e não me conheces? Quem me viu , tem visto o Pai. Como é que tu dizes: mostra-nos o Pai? Não acreditais que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que eu vos digo, não as digo por mim mesmo, é o Pai que, permanecendo em mim, realiza as suas obras. Crede-me: eu estou no Pai e o Pai está em mim. Crede ao menos , por causa destas obras” ( Jo,14 5-11 )

    “Jesus exclamou:”Quem crê em mim, não é em mim que crê mas naquele que me enviou. Quem me vê, vê aquele que me enviou.” ( Jo 12 44-45 )

    “Depois de comerem, Jesus perguntou a Simão Pedro: ” Simão, filho de João, tu me amas mais do que estes? ” Pedro respondeu: Sim Senhor, tu sabes que te amo. Jesus lhe disse: ” Cuida dos meus cordeiros.”
    ( Jo 21 , 15 )

  18. Bem, já que questionado:

    Sobre a afirmação do Sumo Pontífice, concordo absolutamente, antes que alguém questione, não apenas porque a Igreja o ensina, mas como escrevi em outro artigo, pelas três formas de concordar: pela confiança, pela conclusão e pelo resultado. Como ainda não morri, não posso falar de resultado, mas por confiar na Igreja e por chegar à mesma conclusão, pois deriva esta do conceito já bem colocado pelo Sr. Junior: “Fora da Igreja não há salvação.” (e ao mesmo, não se questione sobre a autoria pois essa afirmação foi feita incontáveis vezes por Papas e Santos da Igreja que é dificil atribui-la a um indivíduo, senão a uma conclusão praticamente lógica do estudo Bíblico).

    Deve-se partir da aceitação dessa afirmação, que seria demasiado extenso tentar explicá-la aqui, então de forma resumida:

    “Antes de mais, deve crer-se firmemente que a « Igreja, peregrina na terra, é necessária para a salvação. Só Cristo é mediador e caminho de salvação; ora, Ele torna-se-nos presente no seu Corpo que é a Igreja; e, ao inculcar por palavras explícitas a necessidade da fé e do Baptismo (cf. Mc 16,16; Jo 3,5), corroborou ao mesmo tempo a necessidade da Igreja, na qual os homens entram pelo Baptismo tal como por uma porta ».77 Esta doutrina não se contrapõe à vontade salvífica universal de Deus (cf. 1 Tim 2,4); daí « a necessidade de manter unidas estas duas verdades: a real possibilidade de salvação em Cristo para todos os homens, e a necessidade da Igreja para essa salvação ».78” (Congregação para a Doutrina da Fé, Declaração “DOMINUS IESUS”,2000)

    Mas entendo bem que o que escandaliza o pensamento “moderno” em tal afirmação, nada mais é do que a concepção que teria tido inicio com a ruptura do iluminismo e posteriores acrescimos do materialismo marxista, a um simples termo: “SUJEITA”.
    Associa-se automaticamente sujeição à algo negativo e não à um estado de ordem necessária a um funcionamento qualquer.
    Ou imaginar que a maior parte do mundo estaria totalmente condenada por não conhecer e aceitar a Cristo e a Igreja, o que também não é verdade, sendo este um aspecto bem mais complexo do que a Igreja chama de “economia da Salvação”, que não me atrevo tentar explicar, apesar de aceitá-lo segundo meu entendimento também.

    Ampliando ainda mais, reitero que nada que os Papas afirmaram deixou de valer ou fazer sentido, mas aproveitando o apontamento feito pelo Carmadélio: o que mudou nesses 700 anos? A opinião da Igreja? Creio que não, e isso é notório: O ESTADO MUDOU, qual a conformação de Estado atualmente e qual a daquela época?

    Sugiro uma leitura da Carta Encíclica Immortale Dei do Papa Leão XIII, que traz em si a concepção Católica da maioria dos questionamentos aqui levantados.

    Adianto que acredito e concordo que o Estado e a Igreja não podem estar separados, e da mesma forma É necessária uma separação do Estado e da Igreja.
    Contraditório?
    Não. Entendendo o que se diz em cada afirmação,

    “4. Não é muito difícil estabelecer que aspecto e que forma terá a sociedade se a filosofia cristã governa a coisa pública. – O homem nasceu para viver em sociedade, portanto, não podendo no isolamento nem se proporcionar o que é necessário e útil à vida, nem adquirir a perfeição do espírito e do coração, a Providência o fez para se unir aos seus semelhantes, numa sociedade tanto doméstica quanto civil, única capaz de fornecer o que é preciso à perfeição da existência. Mas, como nenhuma sociedade pode existir sem um chefe supremo e sem que a cada um imprima um mesmo impulso eficaz para um fim comum, daí resulta ser necessária aos homens constituídos em sociedade uma autoridade para rege-los; autoridade que, tanto como a sociedade, procede da natureza e, por conseqüência, tem a Deus por autor.
    5. Daí resulta ainda que o poder público só pode vir de Deus. Só Deus, com efeito, é o verdadeiro e soberano Senhor das coisas; todas, quaisquer que sejam, devem necessariamente ser-lhes sujeitas e obedecer-lhe; de tal sorte que todo aquele que tem o direito de mandar não recebe esse direito senão de Deus, Chefe supremo de todos. “Todo poder vem de Deus” (Rom 13,1).
    6. Aliás, em si mesma a soberania não está ligada a nenhuma forma política; pode muito bem adaptar-se a esta ou àquela, contanto que seja de fato apta à utilidade e ao bem comum…

    …19. Deus dividiu, pois, o governo do gênero humano entre dois poderes: o poder eclesiástico e o poder civil; àquele preposto às coisas divinas, este às coisas humanas. Cada uma delas no seu gênero é soberana; cada uma está encerrada em limites perfeitamente determinados, e traçados em conformidade com a sua natureza e com o seu fim especial. Há, pois, como que uma esfera circunscrita em que cada uma exerce a sua ação “iure próprio”. Todavia, exercendo-se a autoridade delas sobre os mesmos súditos, pode suceder que uma só e mesma coisa, posto que a título diferente, mas no entanto uma só e mesma coisa, incida na jurisdição e no juízo de um e de outro poder. Era, pois, digno da Sábia Providência de Deus, que as estabeleceu ambas, traçar-lhes a sua trilha e a sua relação entre si. “OS poderes que existem foram dispostos por Deus” (Rom 13, 1). Se assim não fora, muitas vezes nasceriam causas de funestas contenções e conflitos e muitas vezes o homem deveria hesitar, perplexo, como em face de um duplo caminho, sem saber o que fazer, em conseqüência das ordens contrárias de dois poderes cujo jugo em consciência ele não pode sacudir.”

    Enfim, a Igreja e Estado não podem estar separados, pois regem respectivamente dois aspectos da totalidade humana unidos e harmônicos entre si: corpo e alma, no entanto cuja preponderância de um sobre o outro se faz perceber visto a existencia material ser temporal e meio para nosso fim e objetivos supremos que é espiritual.
    Isso, bem como o que mais pode ser encontrado na referida Encíclica, respondem também ao questionamento feito sobre “A autoridade temporal dever ser submissa à autoridade espiritual.”

    “…16. Se bem que composta de homens como a sociedade civil, essa sociedade da Igreja, quer pelo fim que lhe foi designado, quer pelos meios que lhe servem para atingi-lo, é sobrenatural e espiritual. Distingue-se, pois, e difere da sociedade civil. Além disso, e isto é da maior importância, constitui ela uma sociedade juridicamente perfeita no seu gênero, porque, pela expressa vontade e pela graça do seu Fundador, possui em si e de per si todos os recursos necessários à sua existência e ação. Como o fim a que a Igreja tende é de muito o mais nobre de todos, assim também o seu poder prevalece sobre todos os outros poderes, e de modo algum pode ser inferior ou sujeita ao poder civil.”

    Porque devem estar separadas?

    Isso refere-se justamente ao caráter de competências e atribuições específicas:

    “… 20. Assim, tudo o que, nas coisas humanas, é sagrado por uma razão qualquer, tudo o que é pertinente à salvação das almas e ao culto de Deus, seja por sua natureza, seja em relação ao seu fim, tudo isso é da alçada da autoridade da Igreja. Quanto às outras coisas que a ordem civil e política abrange, é justo que sejam submetidas à autoridade civil, já que Jesus Cristo mandou dar a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.”

    Anteriormente tratou-se de um modelo de Estado “ideal” em suas definições, sendo que o mais próximo que chegamos disso foi na Idade Média, não devido a forma de governo já que como foi dito, a soberania para Deus independe dela, seja monarquia, parlamentarismo, etc. vemos isso bem na história do povo judeu por exemplo, possuia os juízes mas insistiu na idéia de um Rei, o que por Deus foi concedido, no entanto era sob ordem Divina a unção dos mesmos, demostrando toda autoridade estar sujeita ao Mesmo, também Jesus disse isso a Pilatos, e nos oráculos sobre as punições de Israel, referindo-se a Reis estrangeiros que sequer proclamavam seu Nome, como “meus servos”.

    No entanto a realidade das fraquezas humanas os levam à peversão, justamente por reconhecer a primazia do poder espiritual, muitos reis e nobres tentaram usurpá-lo, influenciá-lo e tirar vantagens excusas do mesmo, o que invariavelmente obrigou (e obriga) a Igreja a um distanciamento cauteloso do Estado sob pena de vê-lo inserir-se em esfera que não lhe compete. A exarcebação dessa ambição (poder ilimitado) criou o monstro que hoje conhecemos como Estado Moderno.

    “Corresponde ao Estado, antes de tudo governar, porém em segundo lugar, é também função sua fazer que o governo não seja simplesmente um exercício de poder, senão proteção do direito que assiste ao indivíduo e garantia do bem estar de todos. Não é missão do Estado trazer a felicidade à humanidade, nem é competencia sua criar “novos homens”. Tampouco é tarefa do Estado converter o mundo num “paraíso”, e ademais é incapaz de fazê-lo. Por isso quando possui essa intenção, se absolutiza e ultrapassa seus limites. Se comporta como se fosse “deus”, convertendo-se – como mostrado em Apocalipse – numa fera do abismo a poder do Anticristo.” (VERDAD, VALORES, PODER: Piedras de toque de la sociedad pluralista, Joseph Ratzinger)

    Maiores definições podem ser encontradas também no excelente “Jesus de Nazaré” do Papa Bento XVI.

    Serei obrigado a uma pausa agora, mas espero poder continuar esse raciocinio posteriormente…

    Vinde Senhor Jesus!

  19. Fui coroinha por 4 anos e posso dizer que isso me fez amadurecer como pessoa e religiosamente.E a sociedade me aceitou e me acolheu muito bem pq quando fazemos algo com amor e vontade nosso valor é reconhecido!
    Eu até poderia ter continuado mais as circuntâncias da vida nos levam a fazer, e experimentar coisas novas , mais valeu muito apena servir a Deus.

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