* Papa pede a ONU para intervir e por fim à violência no Iraque.

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“Ao renovar o meu apelo urgente à comunidade internacional para intervir e por fim à tragédia humanitária em andamento, encorajo todos os organismos competentes das Nações Unidas, especialmente os responsáveis pela segurança, a paz, o direito humanitário e a assistência aos refugiados, a prosseguirem seus esforços, em conformidade com o Preâmbulo e os artigos pertinentes da Carta das Nações Unidas.”

A voz do Papa Francisco chega a Nova York e estremece o Palácio de Vidro, sede da ONU. Mais um apelo do Santo Padre pelo fim do “sofrimento intolerável” dos cristãos no Iraque chega aos ouvidos de Ban Ki-moon, Secretário das Nações Unidas.

Na carta de hoje, o Papa disse que estava “com o coração apertado e angustiado” diante dos “dramáticos acontecimentos dos últimos dias no norte do Iraque”. As imagens dos cristãos e outras minorias religiosas curvados pela violência e perseguição dos jihadistas do Estado Islâmico do Iraque e do Levante provocam comoção no Santo Padre,  que afirma estar angustiado também pela “destruição de seus lugares de culto e do patrimônio religioso”.

Daí a decisão de enviar ao povo iraquiano o cardeal Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que já serviu no país como representante dos predecessores, Papa São João Paulo II e Papa Bento XVI. “Um gesto – reafirma o Bispo de Roma – “para manifestar a minha proximidade espiritual e expressar a minha preocupação, assim como de toda a Igreja Católica, com o intolerável sofrimento de pessoas que desejam somente viver em paz, harmonia e liberdade na terra de seus antepassados”.

Com “o mesmo espírito” com que confiou a missão ao cardeal Filoni, o Papa agora se dirige a Ban Ki-moon, para expor-lhe “as lágrimas, os sofrimentos e os gritos de desespero dos cristãos e das outras minorias religiosas na amada terra do Iraque”. E solicitar que prossigam “os esforços da ONU pela segurança, a paz, o direito humanitário e a assistência aos refugiados” no país.

Além disso, “os ataques violentos que têm se alastrado ao longo do norte do Iraque não podem não despertar as consciências de todos os homens e mulheres de boa-vontade a ações concretas de solidariedade”, que podem “proteger quantos são atingidos ou ameaçados pela violência e para assegurar assistência necessária e urgente a tantas pessoas deslocadas, bem como o seu retorno seguro às suas cidades e às suas casas”.

 A história é mestra de vida, assim, o Papa Francisco recorda “as trágicas experiências do século XX” que “obrigam a comunidade internacional, em particular através de normas e mecanismos de direito internacional, a fazer tudo o que lhe for possível para deter e prevenir novas violências sistemáticas contra as minorias étnicas e religiosas”.

Veja a carta:

Do Papa Francisco ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon sobre a situação no Iraque
Quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Boletim da Santa Sé
Tradução: Da Redação, com Rádio Vaticano

Com o coração apertado e angustiado, acompanhei os dramáticos acontecimentos dos últimos dias no norte do Iraque, onde os cristãos e as outras minorias religiosas foram obrigados a fugir de suas casas e assistir à destruição de seus lugares de culto e do patrimônio religioso. Comovido com esta situação, pedi ao Cardeal Fernando Filoni, Prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos, que serviu como representante dos meus predecessores, Papa São João Paulo II e Papa Bento XVI, junto ao povo no Iraque, para manifestar a minha proximidade espiritual e expressar a minha preocupação, assim como de toda a Igreja Católica, com o intolerável sofrimento de pessoas que desejam somente viver em paz, harmonia e liberdade na terra de seus antepassados.

Neste mesmo espírito, escrevo ao senhor, secretário-geral, e lhe exponho as lágrimas, os sofrimentos e os gritos de desespero dos cristãos e das outras minorias religiosas na amada terra do Iraque. Ao renovar o meu apelo urgente à comunidade internacional para intervir e por fim à tragédia humanitária em andamento, encorajo todos os organismos competentes das Nações Unidas, especialmente os responsáveis pela segurança, a paz, o direito humanitário e a assistência aos refugiados, a prosseguirem seus esforços, em conformidade com o Preâmbulo e os artigos pertinentes da Carta das Nações Unidas.

Os ataques violentos que têm se alastrado ao longo do norte do Iraque não podem não despertar as consciências de todos os homens e mulheres de boa-vontade a ações concretas de solidariedade, para proteger quantos são atingidos ou ameaçados pela violência e para assegurar assistência necessária e urgente a tantas pessoas deslocadas, bem como o seu retorno seguro às suas cidades e às suas casas. As trágicas experiências do século XX e a elementar compreensão da dignidade humana obrigam a comunidade internacional, em particular através de normas e mecanismos de direito internacional, a fazer tudo o que lhe for possível para deter e prevenir novas violências sistemáticas contra as minorias étnicas e religiosas.

Confiante de que o meu apelo, que uno ao dos Patriarcas Orientais e de outros líderes religiosos, encontrará uma resposta positiva, aproveito a ocasião para renovar a Vossa Excelência minha mais elevada consideração.

Do Vaticano, 9 de agosto de 2014

Franciscus PP.

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