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Blog do Carmadélio

Ecumenismo: protestantes históricos e católicos cada vez mais próximos.

O Departamento Filatélico e Numismático do Estado do Vaticano enviou para a impressão um selo comemorativo da Reforma Protestante representando a pintura do frontão da igreja de Wittenberg com o primeiro plano de Jesus crucificado e, no fundo, a cidade de Wittenberg (o lugar onde o reformador alemão e frade agostiniano, em 31 de outubro de 1517, afixou suas 96 teses na porta da igreja do castelo da cidade saxônica para combater o comércio de indulgências).

A representação “pictórica” do selo retrata, em postura de penitência e ajoelhados, respectivamente, a esquerda e direita da Cruz, Martin Luteroque segura a Bíblia, fonte e meta de sua doutrina, e Felipe Melanchton, teólogo e amigo de Martin Lutero – um dos maiores protagonistas da reforma – que, ao contrário, segura a primeira exposição oficial dos princípios do protestantismo por ele redigida: a Confissão de Augsburgo“Confessio Augustuana”.

“É a primeira vez – relata para Riforma.it o pastor Heiner Bludau decano da Igreja Evangélica Luterana na Itália (Celi) – que o Vaticano decide imprimir um selo comemorativo dedicado a Lutero e à Reforma Protestante. Justamente em Wittenberg comemoramos oficialmente em 31 de outubro, na presença das mais altas autoridades do Estado e religiosas, os 500 anos da reforma

Na cidade de Lutero chegou a notícia de reprodução em papel filigranado das imagens de Lutero e Melanchton retratados ao lado de Jesus com o pano de fundo da cidade saxônica. Uma notícia, para nós luteranos, agradável, inesperada e importante. Devo admitir que eu ainda não tive a oportunidade de ver o selo, mas considero essa iniciativa importante. Assim como foram as declarações conjuntas entre luteranos e católicos; neste caso, o Vaticano, ou melhor, seu departamento de filatelia e numismática, decidiu de forma autônoma lançar um importante sinal de proximidade, utilizando uma imagem muito clara, eloquente e abrangente, que bem explica e ilustra a importância, o sentido da Reforma iniciada por Lutero”. 

Em Wittenberg (a cidade de Lutero e fundo do selo), lembra ainda Bludau, foram realizadas as celebrações da “Festa da Reforma“, com um culto solene na Igreja do Castelo de Wittenberg celebrado pelo presidente da EKD, Heinrich Bedford-Strohm e também uma recepção oficial que contou com a presença, entre outros, da própria chanceler Angela Merkel ; todos eventos promovidos pela Igreja evangélica luterana alemã – Evangelische Kirche in Deutschland (EKD) na última terça-feira – “ocasiões importantes – continuou Bludau – em que surgiu, com força, a necessidade de continuar o trabalho ecumênico e interreligioso. Um tema decisivo é o da liberdade religiosa.

Bedford-Strohm em seu precioso sermão também falou sobre a atualidade da Reforma e a importância de olhar para o futuro, um futuro à insígnia da responsabilidade, seja coletiva ou pessoal; a chanceler Merkel, colocando lado a lado a liberdade religiosa com a Reforma Protestante reiterou que as liberdades não podem, no entanto, prescindir dos deveres; ressaltando também a importância da presença religiosa e interreligiosa no tecido institucional, social, político e comunitário da Alemanha”.

O presidente do Conselho da Igreja Evangélica Alemã, o bispo Heinrich Bedford-Strohm, diante do presidente alemão, Frank-Walter Steinmeier, da chanceler Angela Merkel, do presidente do Bundestag Wolfgang Schäuble, bem como numerosos outros convidados do mundo político e ecumênico e centenas de fiéis, quis lembrar: “Estamos sentados aqui, 500 anos depois” e depois enviou uma mensagem ao Papa Francisco: “Irmão em Cristo, agradecemos a Deus pelo seu testemunho de amor e misericórdia que para nós, protestantes, também significa testemunho de Cristo”.

Palavras importantes de reconhecimento endereçadas ao Papa, prosseguiu Bludau, “porque, embora seja verdade que o caminho de aproximação e aberturas ecumênicas começou com o Concílio Vaticano II, é igualmente verdade que o impulso mais significativo ao diálogo e à reconciliação nestes últimos anos vieram dos movimentos dos Papa Francisco. Uma aproximação com todas as igrejas protestantes e evangélicas.

Certamente, importantes são as declarações assinadas no passado, tais como a católico-luterana sobre a doutrina da justificação de 1999, ou a de 2103 “Do conflito à comunhão“, todos documentos dogmáticos importantes. Mas eu acredito que a visita do Papa Francisco em Lund – para abrir as comemorações dos Quinhentos anos da Reforma – tenha sido a verdadeira faísca que realmente modificou a atmosfera e a percepção geral, um movimento visível para todos, de maneira especial na Itália, onde a informação generalista e secular conta muitas vezes e espasmodicamente a vida do papa, as suas obras, as suas viagens e os seus pensamentos. O Papa abrindo as celebrações da Reforma mostrou a todos que não somos “seitas”, mas igrejas cristãs. Uma mensagem que soube penetrar nos interstícios mais inatingíveis da própria igreja católica”.

Após reuniões compartilhadas entre as igrejas protestantes e evangélicas e a cúpula da Igreja Católica, como a do início deste ano em Trento junto com o Departamento Nacional para o Ecumenismo e Diálogo (Unedi) da CEI, e intitulado “Católicos e protestantes 500 anos depois da reforma”, é possível ter um olhar comum, como aconteceu por ocasião da “Festa da reforma” em Roma no último dia 28 de outubro, graças à presença do Cardeal Ravasi e à transmissão da Rai Due ao vivo por mais de uma hora.

Juntamente com a CEI – Unedi, Bludau finalmente recordou “que nasceu a ideia de promover também a declaração conjunta divulgada em 31 de outubro. As relações entre a Igreja Luterana e a Igreja Católica são parte, certamente significativa, de um percurso ecumênico bem mais amplo.

Um percurso empreendido há muito tempo juntos com a Federação das Igrejas Evangélicas na Itália (FCEI) da qual somos federados, e com a qual, graças aos seus esforços, pudemos compartilhar em 28 de outubro último uma jornada realmente rica e importante que, amplificada pela Rai, permitiu-nos colocar à disposição o evento não como um fato “intraprotestante”, mas de todos e para todos os italianos. Essas relações ecumênicas e essas atenções são o sinal importante de um percurso em contínua evolução”.

Sitio da Igreja Valdense na Itália, Riforma.

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