Blog do Carmadélio

O amor é o único caminho: novo filme sobre São Paulo comove espectadores.

Logo no início da pré-estreia em Nova York do novo filme Paul, Apostle of Christ[Paulo, apóstolo de Cristo], perto da primeira fileira do cinema, um bebê começou a chorar. E chorou por cerca de um minuto durante a cena de abertura – em que Lucas atravessa secretamente passagens iluminadas por tochas, em busca dos cristãos escondidos de Roma – e continuou intermitentemente ao longo do filme. Os responsáveis pela criança não se levantaram e não a levaram para fora. Você podia sentir que todo o público não podia acreditar nisso. Alguém levou seu recém-nascido para ver um filme, e esse recém-nascido chorou e não foi levado para fora do cinema.

Mas o que se podia fazer? A exibição aconteceu no Sheen Center, um ministério católico de artes no centro de Manhattan. Paul, Apostle of Christ não é apenas sobre Paulo que passa seu tempo em uma prisão romana, mas também sobre um grupo de cristãos que enfrenta pagãos que abandonam cruelmente seus órfãos recém-nascidos. Qual empregado de uma entidade de arte católica que exibe um filme sobre cristãos lutando por crianças pequenas se levantaria diante de todos e diria a uma mãe e a um bebê que eles devem sair?

E para melhorar um pouco mais: em três quartos do filme, quando o bebê começou a chorar de novo, uma freira pegou a criança, levou-a para um corredor lateral e balançou-a em seus braços. Uma irmã religiosa em um hábito branco e azul nina ternamente uma criança, enquanto, diretamente em cima das nossas cabeças, o apóstolo Paulo nos diz que o amor é paciente, o amor é gentil. Que gerente de cinema contemplaria essa cena e diria: “Chega. Fora”? Isso não aconteceria.

E para melhorar ainda mais: o prédio que abriga o Sheen Center fica perto, dentre todas as outras possibilidades, da Planned Parenthood [ONG conhecida por realizar abortos]. Um dos serviços da Planned Parenthood ocorre a cerca de 35 segundos de caminhada daquilo que acontece dentro do Sheen Center. Quem no mundo paulino gostaria de ver o espetáculo de uma mãe, que tenta ver um filme sobre o amor paciente de cristãos oprimidos, forçada a sair de um cinema cristão porque seu bebê está agindo de forma inconveniente e que, com terrível ironia, deve passar na frente da Planned Parenthood para fazer isso?

Então, todos nós aguentamos o garoto. O filme foi exibido. O bebê não chorou nos últimos 20 minutos. Paulo foi decapitado. O resto dos cristãos romanos seguiu em frente.

A exibição de Paul, Apostle of Christ foi realizada em grande parte para “líderes da fé” católicos e cristãos, como a equipe de publicidade do filme afirmou. Produzido por uma divisão da Sony chamada Affirm, a estratégia de relações públicas da empresa era promover exibições em igrejas em todo o país  antes de sua estreia. Todos que compareceram à exibição receberam uma sacola de tecido com cartazes e postais do filme, uma caneta com a inscrição “Paulo, Apóstolo de Cristo” e uma pulseira de couro com as palavras: “O amor é o único caminho. paulmovie.com”.

Antes da pré-estreia no Sheen Center, a Affirm já havia feito 60 desse tipo de eventos (o filme “Quarto de Guerra”, também da Affirm, que teve uma distribuição semelhante, foi um sucesso, arrecadando um total de 67 milhões de dólares de bilheteria).

Antes do filme, meu colega José Dueño e eu gravamos entrevistas com o ator James Faulkner (Paulo), com o produtor do filme, T. J. Berden, e com o diretor, Andrew Hyatt. […]

As entrevistas centram-se principalmente em Faulkner e nos encontros dos cineastas com a fé, a esperança e o amor durante as filmagens de “Paul…”. Durante nossa conversa, esses homens se mostrariam ávidos, humildes e espiritualmente arraigados. Possivelmente tão arraigados a ponto de poderem achar que um bebê chorando durante seu filme grave e trágico não é algo irritante, mas sim até apropriado.

O comentário é de Joe Hoover, S.J., em artigo publicado por America, 23-03-2018. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

Assista ao trailer:


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