A vida de solteiro e solteira é um fenômeno social que afeta muitas pessoas. E quando se prolonga, muitas vezes é uma fonte de sofrimento.

Como tais dificuldades podem ser assumidas e superadas? Explicação de Dominique de Monléon Cabaret, autor de “Deus, não me esqueceu: perspectivas para pessoas solteiras”. ( Capa da edição em Francês, acima) Casada aos 45 anos de idade em 1994, ela, que permaneceu solteira durante muito tempo, é testemunha dessa expectativa que era sua e da maneira como a vivia. Um testemunho que pode ajudar muitas pessoas solteiras.

O que você acha mais difícil em ser solteiro?

A constante, me parece, é a solidão. É um teste: “Não é bom para o homem estar sozinho” (Gn 2:18). A esse sofrimento às vezes se soma o sentimento de que aqueles que o rodeiam têm o tempo de um solteiro: “Tudo o que você tem que fazer é cuidar dos seus pais, meus filhos…” (Gn 2:18). Isso também é verdade na vida profissional: “Você pode trabalhar aos sábados, você que está solteiro!”

Na medida em que a liberdade não é visivelmente nem oficialmente cometida, ela pode ser negada. O solteiro não é realmente percebido como um adulto. Enquanto ele tem que dirigir seu barco sozinho! Impostos, contas, tarefas domésticas, compras diversas, bricolagem, etc. É pesado!

Além disso, o solteiro nem sempre tem o direito de sofrer: “Ele só tem que cuidar de si mesmo! “Como se o sofrimento pudesse ser medido ou comparado… Família e amigos precisam encontrar uma causa para este celibato. Daí as observações, os conselhos, em forma de dúvidas: não é ele (ela) muito difícil, muito egocêntrico, muito ativista? Ele ou ela não é surdo aos chamados de Deus?

Qual é a grande luta da pessoa solteira?

A imaginação se desenvolve mais facilmente na solidão, arrisca-se a ampliar e dramatizar as minúcias do cotidiano, que encontrariam uma medida justa na conversa com o cônjuge. Mas isso não é uma constante entre os solteiros. Muitos vivem muito bem no momento presente: eles se entregam totalmente. Este é o melhor antídoto para a fantasia.

Como viver a castidade sem repressão?

De acordo com a lógica do mundo, os solteiros oscilam entre dois erros: ou estão presos, ou se consolam em aventuras fugazes. Alguns deles se envolvem e entram em relacionamentos que não têm futuro.

Mas a sexualidade não pode ser reduzida ao corpo: é todo o ser humano que é sexualizado. Um celibatário solteiro casto, se pensa nos outros e se entrega generosamente, abandona sua virilidade ou sua feminilidade menos do que aquele que cede a aventuras egoístas.

O medo de se dar e a crise de compromisso são as únicas causas do aumento do número de solteiros?

Se você não se ama, é difícil amar o outro. Se você se retrai em si mesmo, é difícil conhecer alguém. Por outro lado, se você se torna obcecado pelo casamento, todo mundo foge… Mas às vezes não há causas objetivas. Pessoas casadas não são necessariamente mais equilibradas, mais bonitas, mais dedicadas do que outras!

É possível dizer a alguém que tem a vocação matrimonial quando não conhece “o escolhido”?

Dizer a alguém que têm um chamado ao casamento não me parece imprudente. Às vezes é uma coisa positiva. Tal discernimento pode ajudar a preparar para um compromisso, para ganhar autoconfiança. Mas também é necessário indicar a atitude correta a ser adotada.

Cuidado para não tomar esse tipo de discernimento por um caminho irremediavelmente traçado! Sempre se pode cumprir a vocação humana e cristã. E viver a complementaridade de homem e mulher de outra forma que no casamento. Esta é uma realidade social.

Você acha que devemos esperar pelo desejado, ou devemos procurá-lo?

A resposta não pode ser absoluta. Algumas pessoas se registram em sites de encontros: por que não, se eles são bem escolhidos? Mas você tem que ficar livre e não depender de isso! Quando surge confusão, ansiedade ou preocupação, torna-se necessário se distanciar do processo.

E é importante saber se divertir, organizar passeios, jantares, para a única alegria de se reencontrar. Seria desproporcional concentrar todos os pensamentos, atividades e relacionamentos na busca do outro… Uma vez mais, o que conta e o que faz a pessoa feliz é se entregar.

Sem Deus, o celibato sofrido não acaba sendo revoltante?

A solidão só é aceitável na presença de Deus. Com toda a sua compaixão. É um mistério semelhante ao do Getsêmani: em sua agonia, Cristo carregou o fardo da solidão para todos aqueles que são sobrecarregados por ela.

A grande luta pela liberdade – pode ser muito difícil – é dizer sim a essa presença, acreditar que Deus tem um plano para a felicidade de cada pessoa, continuar dando um passo na frente do outro, por menor que seja. No seu próprio ritmo. Um ato de fé, de esperança, de oferta!

Qual é a especificidade do testemunho de um solteiro?

Há solteiros realizados, apesar de sofrerem com a ausência de um cônjuge. Desta forma, eles testemunham a verdadeira natureza da felicidade. Numa sociedade que quer garantir toda a segurança, seu testemunho mostra como é possível florescer em uma certa pobreza social e emocional. Sua alegria de viver refere-se à natureza da felicidade: saber que eles são amados por Deus e desejar servi-Lo.

Qual é o segredo da alegria deles?

Eles estão felizes no presente! Você tem que acolher o momento presente. Isto é inevitável para a pessoa solteira, porque lhe permite encontrar Deus a qualquer momento e receber a fecundidade espiritual. Cada dia pode ser frutífero: “Aquele que permanece em mim dará muitos frutos”.

Maryvonne Gasse

 Ada de Hoyos

Onde estão esses homens? Será que ainda existem? Encontrar o homem ideal não é tão simples como em contos de fadas, onde o príncipe vem em resgate da donzela em perigo para salvá-la de algum feitiço maligno. Ou como na história da Cinderela, em que, de forma milagrosa, o sapato de cristal se encaixava perfeitamente e ela encontra o homem dos seus sonhos. 

Encontrar um homem não poderia ser menos complicado do que o desafio de achar sapatos que sirvam bem   

No mundo de hoje, ao contrário dos contos de fadas, seria maravilhoso encontrar o homem ideal com a facilidade com que você vai às vitrines das lojas escolher o melhor par de sapatos para um baile de gala.   

Dedicar a tarde toda para encontrar o sapato mais adequado e sensacional que você vai usar no dia do evento; buscando o tamanho certo, a cor, um modelo confortável e, o mais importante, um que a deixe feliz com a escolha que fez. 

Mas, infelizmente, encontrar um homem com as qualidades que você sonha –  gentil, confiável, compreensivo, grato, interessado em seu bem-estar, que entenda a importância do trabalho – não é tão simples como escolher sapatos, ainda mais se você quer este homem seja genuíno no quesito espiritualidade. 

Encontrá-lo é um desafio elevado a qualquer potência 

Potenciação é um termo relacionado com ao verbo “potenciar”. Esta ação, por sua vez, consiste em fornecer poder ou potência (força e capacidade) a alguma coisa. Analisando a definição de potenciação, percebemos que encontrar um homem com as qualidades desejadas, que se adeque a você e ame a Deus mais do que ama você, torna-se um desafio elevado a qualquer potência. 

Portanto, essa busca dá a você o poder que precisa para ter a força de caráter para identificar o homem ideal e lhe dá a capacidade de decidir com base nas opções que você encontrar ou que se apresentarem. 

Encontrar um homem que ama a Deus mais do que ama você é o verdadeiro desafio 

As mulheres, em sua maioria, são românticas por natureza e gostam de se sentir o número um na vida do homem que a ama. Então, por que uma mulher desejaria que um homem a colocasse na posição número dois, deixando Deus como o número um? Por que você deveria querer encontrar um homem que ama a Deus mais do que ama você? Embora, inicialmente, pareça não ter muita lógica, tem e lhe convém.

David Todd Christofferson disse: “O mundo e as mulheres clamam por homens, homens que estejam desenvolvendo sua capacidade e seus talentos, que estão dispostos a trabalhar e a fazer sacrifícios, que ajudam os outros a alcançar felicidade… [Eles] estão clamando: ‘Erguei-vos, ó homens de Deus!’.” 

Se ele realmente ama a Deus, a forma com que irá tratá-la será honesta e real   

Uma das primeiras qualidades que chama atenção é a forma genuína com que ele trata os outros e você,  o amor deve ser demonstrado por palavras e ações. Esse homem, se foi feito para você, deve se comportar de tal forma, que sua maneira de interagir com os outros e com você seja genuína e real em diferentes situações.   

Há uma infinidade de lugares e maneiras pelas quais você pode começar observar se os pensamentos e palavras dessa pessoa são condizentes com suas atitudes. Se você avaliar cuidadosamente, será capaz de identificar como seu verdadeiro eu vem à tona, ou se seus atos bondosos são apenas de fachada para impressioná-la.

Por exemplo, dê a si mesma a oportunidade de observar além do que pode ser visto. Quando um homem ama a Deus, seus pensamentos, sentimentos e ações são congruentes. Preste atenção na forma com ele age com as pessoas na rua, com garçons no restaurante, sua reação em eventos esportivos e como ele trata seus amigos e familiares. 

Avalie o que ele pensa sobre diferentes assuntos e com que frequência cultiva seu intelecto e seu espírito. Dois pontos de suma importância que você deve considerar: se ele é grato e respeitoso.  Se esse homem ama a Deus, você sentirá a veracidade de seu amor e bondade fluírem de dentro dele, de maneira genuína, para você e para os outros

Use as lentes adequadas para distinguir quem ama de quem não ama a Deus 

O mais incrível é conhecer uma pessoa que reúna todas as qualidades, não digo que deva ser perfeito sendo humano com erros e defeitos, mas se o homem ama a Deus, qualquer coisa que ele pense, sinta ou faça pode ser visto em sua constância e em seu caráter nobre e reto. Seu amor por Deus e por você terá impacto de geração em geração, de laços genuínos de amor, alcançando felicidade e propósito, mesmo diante dos problemas da vida. 

Torna-se mais fácil encontrar um homem que entende o seu papel e exerça-o, e que ame a Deus mais do que ame você, se forem usadas as lentes certas para distinguir quem O ama de quem não O ama. 

Jeffrey R. Holland , Ph.D. pela Universidade de Yale, ajuda-nos a identificar com clareza o tipo de homem que não ama a Deus e muito menos você: “Num relacionamento de namoro, não gostaria que vocês passassem cinco minutos sequer com alguém que os menosprezasse, que os criticasse constantemente, que fosse cruel com vocês e chamasse isso de humor.”  

Tenha cuidado para não ficar olhando apenas através das lentes do romantismo e se deixar levar por frases lisonjeiras e detalhes românticos excessivos, e embora não seja algo totalmente negativo, pode ser apenas dissimulação e não a verdadeira essência da pessoa. 

Quando homem ama a Deus mais do que ama você, você saberá 

Se ele não estiver encenando para impressioná-la, você começará a ver e ouvir sua voz interior dizendo que esse homem é verdadeiramente sincero. Portanto, ele irá tratá-la de maneira respeitosa e amável. Não o deixe ir! 

Neste ponto decisivo, uma introspecção poderá ser de grande ajuda, ao analisar e avaliar as suas possibilidades. Ouça sua voz interior, e para obter as respostas que precisa, de forma adequada, você deve ter paz no coração, apegar-se às ideias corretas e reconhecer seu próprio valor como pessoa.   

Lembre-se da perfeita tríade: sentimentos, pensamentos e ações, que são congruentes com o interior e o exterior. Desta maneira inequívoca, você verá o potente benefício de encontrar um homem que ama a Deus mais do que ama você. 

Traduzido e adaptado por Erika Strassburger do original Cásate con un hombre que ame más a Dios que a ti

No Brasil: Familia.com.br

Autor do artigo: Vanessa Vallejo

Recentemente, um amigo que trabalha com o governo dos Estados Unidos atendendo emergências de saúde mental, me disse que, dos casos que já tratou, um dos mais comuns é o de mulheres com mais de 40 anos com depressão, porque estão sozinhas e não têm família.

Essa conversa me lembrou os longos papos que tive com um psicólogo colombiano que me disse que chega um momento em que as mulheres começam a privilegiar uma vida familiar mais bem-sucedida do que o sucesso no trabalho, mas que, infelizmente, às vezes esse momento chega tarde demais, quando não há tempo para começar uma família.

Embora as intelectuais do feminismo insistam em dizer que não é necessário ter um homem ou uma família para serem felizes, e as mais radicais inclusive garantem que o ‘casamento e os filhos escravizem as mulheres, impedindo-as de serem livres e alcançar a felicidade, na vida real’, suas teorias não parecem funcionar.

Quanta razão tinha Ludwig von Mises quando falou sobre a importância do casamento e da família para uma mulher:

“Não se pode alterar por decreto as diferenças de caráter e destino de cada sexo, bem como as outras diferenças entre os seres humanos (…) O casamento não priva as mulheres de sua liberdade interior, mas essa característica de seu caráter significa que elas precisam entregar-se a um homem e que o amor pelo marido e pelos filhos consome o melhor de suas energias. (…) Com a supressão do casamento, as mulheres não são mais livres ou felizes, são simplesmente privadas do que é substancial em suas vidas, sem dar-lhes nada em troca.”

Historicamente, as mulheres sempre exerceram o papel de cuidadoras. Ainda hoje, quando uma mulher pode estudar o que quiser e se dedicar à profissão que deseja, continuam decidindo de acordo com sua natureza, preferindo ciências sociais e evitando números. Nada disso é gratuito, somos mais hábeis em comunicar e ouvir, temos mais empatia.

Também o tipo de trabalho que as mulheres decidem ter é fortemente determinado pela biologia e pelo instinto materno. Muitos optam por deixar o emprego por longos períodos, ocupar cargos de meio período ou trabalhar em atividades que possam desenvolver em suas casas, porque seu instinto materno as faz privilegiar estar com seus filhos antes de qualquer outra coisa. Porque elas sabem que ninguém vai cuidar deles melhor do que elas.

Não há mulher que não conheça os sacrifícios de ser mãe; no entanto, mesmo assim, todas as mães preferem deixar suas coisas em segundo lugar para dar vida e formar uma família.

A força biológica que faz as mulheres se comoverem cada vez que veem uma criança na rua, o instinto que as faz se preocuparem em ter certa idade porque ficam sem tempo para ter o bebê com o qual sonhavam desde que eram meninas brincando com bonecas, e que as empurram a deixar de lado suas carreiras, ocupações e outros sonhos, nada mais e nada menos que a força que, ao longo da história da humanidade, influenciou o comportamento das mulheres, é a que quer negar o feminismo.

Esses movimentos, com supostos intelectuais que pretendem libertar as mulheres, as convenceram sobre muitas coisas completamente não naturais. Eles dizem que uma criança não é a maior felicidade da vida, mas um estorvo que impede a autorrealização. Eles transformaram a figura do marido, o ser mais amado, a quem se dedica toda a confiança, que é refúgio e fortaleza, em um inimigo. E sem nenhuma vergonha, eles ousaram afirmar que o lar é o lugar mais perigoso para uma mulher.

Eles até convenceram muitas mulheres de que matar seus próprios filhos é bom, que um aborto é como arrancar um dente.

Hoje, existem muitas mulheres que veem sua vida como uma competição contínua com os homens. O cônjuge deixou de ser um parceiro para o qual são feitos sacrifícios mútuos a fim de alcançar objetivos comuns e tornou-se um ser com o qual se deve ter cuidado porque “todos os homens são potencialmente perigosos” e, no final, esses intelectuais acabam apenas roubando das mulheres seus melhores anos.

Hoje, muitas jovens têm em mente que uma criança é uma desgraça e, na melhor das hipóteses, acreditam que não podem ter uma família até que tenham feito um pós-doutorado e sejam milionárias.

Por que desperdiçar a vida fazendo sacrifícios por outra pessoa e adaptando meus planos aos de um homem? Por que cuidar de crianças quando você pode sair e conquistar o mundo? Por que se esforçar para construir relacionamentos longos, compreendendo o outro, perdoando e cedendo, se existe sexo casual? Essa é a ideia que eles venderam para as jovens hoje.

Só que, inevitavelmente, para a maioria chegará o momento em que necessitará do calor de um lar e da esperança que uma criança traz à vida. Algumas se dão conta a tempo, para outras, será tarde demais quando acordarem das fantasias da suposta libertação que os pós-modernistas lhes venderam.

Pode haver mulheres que conscientemente – por diferentes razões – não querem ter filhos ou formar um lar. Também está claro que existem mulheres que, devido às circunstâncias da vida, não podiam ter filhos ou constituir família, e ainda assim foram felizes. Mas o caso é diferente daquela que, acreditando em histórias feministas, ao longo de sua vida vê os homens como um perigo potencial e a maternidade como um obstáculo.

Essas jovens, envenenadas pelas novas teorias, terão evitado formar uma família, porque lhes disseram que não valia a pena fazer sacrifícios por outra pessoa, que “ceder” em um relacionamento era humilhar-se diante de um homem, acreditando que ser feliz era apenas uma questão de ter um bom trabalho, e um dia, quando a solidão explodir em seus rostos, elas perceberão que mentiram para elas e que passaram anos “se defendendo” de um suposto inimigo que não existia. Que passaram anos evitando a questão mais importante da vida: a família.

Elas nem sequer tentaram – diferente é a situação daquelas que, por razões de vida, falharam em formar uma família. Falamos de mulheres que veem o homem como um inimigo e que acreditaram nessas ideias absurdas de que a liberdade é não se comprometer e não ter filhos.

Intelectuais feministas que afirmam conhecer a fórmula para que as mulheres sejam felizes estão formando gerações de meninas que chegarão aos 40 anos, talvez com uma vida profissional bem-sucedida, mas acordando para a realidade da solidão e percebendo que, por terem acreditado em falsas teorias de libertação e empoderamento, negaram a si mesmas a oportunidade de viver facetas fundamentais na vida de uma mulher: ser esposa e mãe.

Esta matéria foi originalmente publicada em PanAm Post

Uma nova crítica ao filme “Dois Papas” foi feita, desta vez, pelo Bispo Auxiliar de Los Angeles, Dom Robert Barron, que assegura que há tanto “desequilíbrio” na representação dos protagonistas, que “prejudica fatalmente” o filme.

“The Two Popes” (Dois Papas), que estreou na Netflix em 2019, centra-se em encontros imaginários entre o Papa Bento XVI e o Cardeal Jorge Mario Bergoglio no período entre os conclaves de 2005 e 2013. No filme, Bento XVI é interpretado por Anthony Hopkins e o Cardeal Bergoglio, o futuro Papa Francisco, por Jonathan Pryce.

“O novo filme da Netflix, The Two Popes, deveria se chamar The One Pope (O único Papa), por direito, já que apresenta um retrato bastante matizado, texturizado e compreensivo de Jorge Mario Bergoglio (Papa Francisco) e uma caricatura completa de Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI). Esse desequilíbrio prejudica fatalmente o filme, cujo objetivo, ao que parece, é mostrar que o velho Bento, mal humorado e legalista, encontra seu rumo espiritual através do ministério de Francisco amigável e progressivo”, escreveu Dom Barron em uma coluna de opinião intitulada “The One Pope”, publicada em 2 de janeiro no site ‘Word on Fire’.

O Prelado explica que, na forma como o filme é narrado, “viola as duas figuras e converte o que poderia ter sido um estudo de caráter extremamente interessante em uma apologia previsível e tediosa do cineasta sobre o catolicismo”.

ALERTA DE SPOILERS

Dom Barron comenta em sua coluna que fica claro “que estamos lidando com uma caricatura de Ratzinger” quando “apresenta-se o Cardeal bávaro como um ambicioso que faz complô para assegurar a sua eleição como Papa em 2005”.

“Em pelo menos três ocasiões, o verdadeiro Cardeal Ratzinger implorou a João Paulo II que lhe permitisse se aposentar de seu cargo de Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé e se dedicar a uma vida de estudo e oração. Ele só ficou porque João Paulo rejeitou categoricamente os seus pedidos. E em 2005, após a morte de João Paulo II, até os opositores ideológicos de Ratzinger admitiram que o Cardeal, então com 78 anos, não queria mais nada além de retornar à Baviera e escrever sua cristologia”, esclareceu o Bispo Auxiliar de Los Angeles.

Outra cena criticada pelo Prelado é a que representa uma reunião imaginária entre o Papa Bento e o Cardeal Bergoglio nos jardins de Castel Gandolfo.

Nesta reunião, “o velho papa se dirige ao seu colega argentino franzindo a testa, criticando amargamente a teologia do Cardeal”, disse Dom Barron.

“Mais uma vez, inclusive os difamadores de Joseph Ratzinger admitem que o ‘rottweiler de Deus’ é de fato invariavelmente amável, de voz suave e gentil em seus tratos com os demais. O ideólogo dos latidos é, novamente, uma caricatura conveniente, mas nem sequer próxima ao verdadeiro Ratzinger”, esclarece.

Segundo Dom Barron, a mais grave descaracterização ocorre no final do filme “quando um Bento desanimado, determinado a renunciar ao papado, admite que havia deixado de ouvir a voz de Deus e que havia começado a escutá-la novamente através de sua nova amizade com o Cardeal Bergoglio”.

O Prelado sustenta que seu comentário não significa “um falta de respeito” ao Papa Francisco, mas que lhe parece “absurdo”, considerando que Bento XVI é “um dos católicos mais inteligentes e espiritualmente alertas dos últimos cem anos”.

“Do começo ao fim de sua carreira, Ratzinger/Bento produziu algumas das teologias espiritualmente mais luminosas da grande tradição. Sim, é evidente que em 2012 estava cansado e fisicamente doente e que se sentia incapaz de governar o grande aparato da Igreja Católica; mas de nenhuma maneira estava espiritualmente perdido. Mais uma vez, poderia ser uma fantasia para alguns de esquerda que os ‘conservadores’ ocultem sua falência espiritual por trás de uma aparência de regras e autoritarismo, mas seria muito difícil aplicar essa hermenêutica a Joseph Ratzinger”, afirmou o Bispo Barron.

Por outro lado, reconhece que as melhores partes deste filme são as memórias das etapas passadas ​​na vida de Jorge Mario Bergoglio, que “lança uma luz considerável sobre o desenvolvimento psicológico e espiritual do futuro Papa”.

“A cena que representa seu poderoso encontro com um confessor que morre de câncer é particularmente comovente, e o tratamento intransigente de suas relações com dois sacerdotes jesuítas sob sua autoridade durante a ‘Guerra Suja’ na Argentina explica em grande parte seu compromisso com os pobres e uma forma de vida simples”, assegurou o Bispo Auxiliar de Los Angeles.

Em outro ponto, Dom Barron opina que o que teria melhorado “infinitamente” o filme “seria um tratamento semelhante em relação a Joseph Ratzinger”.

“Se pelo menos tivéssemos uma lembrança do menino de dezesseis anos de uma família ferozmente antinazista, pressionado pelo serviço militar nos últimos dias do Terceiro Reich, entenderíamos mais a fundo a profunda suspeita de Ratzinger das utopias seculares/totalitárias e cultos da personalidade. Se pelo menos tivéssemos uma lembrança do jovem sacerdote, Peritus (especialista em teologia) para o Cardeal Frings, diante da facção liberal no Vaticano II e ansioso por abandonar o conservadorismo pré-conciliar, teríamos entendido que não era um guardião ingênuo do status quo”, descreve.

Além disso, Dom Barron também acha que faltou pelo menos “um flashback com o professor de Tubingen, escandalizado por um extremismo pós-conciliar”, com o qual seria possível entender “sua reticência em relação aos programas que advogam a mudança apenas pela mudança”.

“Se ao menos tivéssemos uma memória do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé que compôs um documento matizado, tanto crítico como profundamente agradecido pela Teologia da Libertação, poderíamos ter entendido que o Papa Bento não era indiferente à difícil situação dos pobres”, acrescentou.

Por fim, Dom Barron destaca que um tratamento como o explicado “teria feito um filme muito mais longo, mas quem se importa?”.

“Eu estive disposto a passar três horas e meia tediosas de The Irishman (Irlandês). Eu teria gostado de ver quatro horas de um filme que fosse tão honesto e perspicaz sobre Joseph Ratzinger como o foi sobre Jorge Mario Bergoglio. Teria sido não apenas para um fascinante estudo psicológico, mas também para um olhar esclarecedor sobre duas perspectivas eclesiais diferentes mas profundamente complementares. Em troca, tivemos mais de uma caricatura”, concluiu Dom Barron.

Alguns cristãos acreditam que através da ioga, que ensina concentração, eles serão capazes de orar melhor. Eles não vêem nada de perigoso nestas técnicas de meditação oriental. Mas será possível combinar ioga e fé cristã?

As técnicas de meditação oriental são muito atraentes. Eles são meios  para nos retirarmos do mundo exterior casual e em mudança para nos concentrarmos no nosso eu interior, pelo qual todos temos saudades. Eu sei disso por ter praticado durante vários anos. No início, a atitude é a mesma da oração cristã: há uma vontade de romper com uma vida superficial, dispersa, muito decepcionante, de entrar em si mesmo. Em ambos os casos, há uma grande sede do Absoluto.

Mas desde o início deste caminho interior, as vias divergem. Nas técnicas orientais, se trata de entrar cada vez mais em si mesmo, pela própria força, até chegar a uma espécie de fusão no Todo, um sentimento de existência muito intensa. Nesta experiência, não há lugar para o outro: “Estou cada vez mais focado em mim mesmo e em mim mesmo sozinho”. Pelo contrário, a oração cristã é um encontro com o Outro, com Deus que vem a mim: “Eu entro em mim mesmo, mas é para me preparar para receber o que o Senhor quer me dar”.

Um sério risco de confusão

Esta é a diferença entre um misticismo natural, que confia exclusivamente em meios naturais e me deixa sozinho comigo mesmo, e um misticismo sobrenatural, que me orienta para Deus, um Deus pessoal que se entrega a mim num diálogo de amor. Nas técnicas orientais, sou o mestre da minha vida interior. Na oração cristã, o mestre ao contrário, é Deus: “Aceito confiar nele e que me conduza até ele”. Além disso, as técnicas orientais visam uma dissolução do eu no grande Todo, enquanto a relação com Cristo respeita a minha alteridade: a oração cristã é uma comunhão, não uma fusão.

É claro que as técnicas que fazem parte de um misticismo natural – como as técnicas de meditação oriental – podem levar a experiências muito fortes, mas isso não tem nada a ver com a paz sobrenatural do Espírito Santo. Há um grande risco de confundir a serenidade produzida por certos exercícios respiratórios, certas posturas, com a presença autêntica do Espírito Santo. Este é um risco que deve ser considerado seriamente porque pode conduzir a um impasse e nos afastar da meta que tínhamos estabelecido para nós mesmos quando oramos, ou seja, o encontro pessoal com o Deus vivo revelado a nós por Jesus Cristo.

Padre Joseph-Marie Verlinde

Você trabalhou duro o ano todo, foram horas e horas de trabalho – muitas delas até fora do expediente – e uma infinidade de tarefas que consumiram seu tempo até mesmo quando você estava longe do escritório. Então, com a proximidade do Natal e a chegada do 13° salário, você já prepara a lista de presentes e também já tem em mente o que deseja comprar na black friday.

Ok, não é errado gastar um pouco do suado dinheirinho com alguns itens e até mesmo algo que desejamos há muito tempo. Porém, não devemos esquecer que datas como essa foram criadas com o intuito de aumentar as vendas e, por isso, as lojas criam grandes anúncios divulgando preços que parecem “sensacionais”, “imperdíveis”. Pronto: lá estamos nós preparados para não perder algo que parece uma “oportunidade única”.

Sendo assim, é válido pensar um pouco antes de agir por impulso. E, para te ajudar a manter as finanças sob controle e, quem sabe até poupar, separamos oito motivos para você refletir antes de iniciar sua jornada de compras na black friday:

1 A BLACK FRIDAY NOS ENCORA A GASTAR DESNECESSARIAMENTE

Os compradores mais inteligentes têm um plano estratégico e organizado para a data: eles sabem exatamente o que querem e priorizam as lojas que já conhecem e pesquisaram antecipadamente. Porém, para os desavisados, as atraentes promoções anunciadas os deixam transtornados e vulneráveis a usar o cartão de crédito inadvertidamente. O problema com as compras por impulso é não saber se aquele é de fato um bom negócio ou não, pois não envolveu comparação de preços, leituras de avaliações do produto e, até mesmo, não envolveu uma breve pausa para se pensar na real necessidade daquele bem, principalmente se ele é um produto de maior valor;

2 TENHA FOCO E SÓ COMPRE O QUE VOCÊ PRECISA

É deliciosamente fácil se deixar levar pelo modismo e emoção da black friday. Surpreendentemente, 92% das pessoas fazem compras por impulso com base em ofertas e negócios. Então pense se você realmente precisa ou quer aquilo que lhe chama atenção. Você também deve evitar compras do tipo “pague 2 leve 6”, principalmente em lojas de perfil atacadista – você não precisa se render à barganha de comprar seis escovas de dentes elétricas pensando que talvez consiga convencer seus amigos a comprar os excedentes. Geralmente, há um motivo pelo qual os varejistas ofereçam descontos em mercadorias como esta, e muitas vezes é o fato de que um novo modelo será lançado em breve. Pense antes de comprar;

3 PREÇO DE BLACK FRIDAY NEM SEMPRE É O MELHOR

Com as recém-chegadas coleções de verão às lojas, definitivamente essa não é a melhor data para comprar as últimas tendências da moda. O mesmo vale para itens de decoração de Natal. E não deixe de iniciar a pesquisa dos preços daquilo que você quer com antecedência e, assim, poderá identificar se o lojista aumentou os valores às vésperas da black friday com o intuito de criar um desconto falso, ou seja, o produto está sendo vendido com o preço normal;

4 EXISTEM OUTRAS MANEIRAS DE CONSEGUIR PROMOÇÕES

O desconto na black friday pode ser bom, mas não necessariamente quer dizer que aquele é o menor preço que tal produto já atingiu. Para saber se vale a pena comprar ou não, procure por sites especializados em pesquisas de preço e passe a acompanhar a variação do valor do produto desejado ao longo dos meses. Alguns sites permitem até que você crie uma conta e receba um alerta por e-mail, caso o produto atinja preço inferior ao que você determinou. Nesse caso, você se deve estar atento se a loja vendedora é conhecida e tem boa reputação na internet;

5 AQUELE “GRANDE NEGÓCIO” PROVAVELMENTE NÃO VALE A PENA

Você se deparou com uma verdadeira pechincha: uma TV de 50 polegadas por R$ 1.000,00! Mas você já ouviu falar dessa marca? Se não é uma grande marca como as que você já conhece, provavelmente é melhor não arriscar e evitar dores de cabeça no futuro. Também fique atento às coisas do mostruário da loja, que costumam ser oferecidas com preço bem inferior ao do produto na caixa, mas que podem apresentar arranhões, falta de peças e até dos manuais de instruções. Se achar que mesmo assim vale a pena, tente barganhar o máximo possível;  

6 PODEM EXISTIR MELHORES OFERTAS EM OUTRAS OPORTUNIDADES

Por que todos pensamos na black friday como o único dia em que podemos economizar dinheiro? A maioria das lojas, especialmente em tempos econômicos ruins, promovem grandes liquidações nas primeiras semanas do ano. Há também varejistas que mantêm os preços baixos durante toda a temporada de festas para incentivar a compra ou até oferecer melhores vendas nas semanas seguintes à black friday. Para aqueles que não procuram presentes de Natal, a semana imediatamente após o feriado costuma oferecer melhores preços, já que as lojas tentam se livrar do estoque que carregaram durante as festas de fim de ano. É nessa época que os grandes varejistas promovem grandes descontos em itens como brinquedos, pois precisam de espaço para renovar suas prateleiras; 

7 QUANTO MAIS VOCÊ TEM, MAIOR PODERÁ SER SEU NÍVEL DE ESTRESSE

O aumento de posses impacta diretamente no aumento de responsabilidades. Um terreno ou casa nova exigem mais pagamentos de taxas e impostos, já um carro exige também coisas como documentação, seguro e por aí vai. E quando se trata de objetos como equipamentos eletrônicos, móveis, eletrodomésticos, à medida que eles aumentam em quantidade, automaticamente passam a ocupar mais espaço físico, o que pode levar a uma limitação de espaços dentro da casa e gerar estresse. Se você tem tendência a acumular coisas, veja se não é hora de repensar seus hábitos;

8 A ÂNSIA POR COMPRAS NOS DEIXA ALIENADOS, AO INVÉS DE AGRADECIDOS

Em uma das memoráveis passagens do Livro de Mateus, Nosso Senhor Jesus Cristo disse: “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam. Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.” (Mateus 6,19-21)

Enfim, nessa época, a black friday domina a atenção das pessoas e se torna um assunto central nas conversas, com todos falando sobre descontos e o que deseja comprar e se esquecendo de que deveriam estar se preparando para o Advento. A cada um de nós cabe refletir que o momento é de agradecimento a Deus pela prosperidade e todas as realizações alcançadas ao longo do ano.

Autora: Beatriz Camargo

A Igreja Católica sempre condenou a prática da escravidão junto aos imperadores. E numa prova incontestável de que sempre promoveu a igualdade e liberdade dos escravos, chegou a ter como Papa um ex-escravo: Papa São Calisto, ano 217.

Abaixo veremos alguns documentos e citações que provam que ao longo da história a Igreja sempre combateu essa prática.

1- Carta do Papa João VIII

Em uma Carta do Papa João VIII, datada de setembro de 873 e dirigida aos Príncipes da Sardenha, ele diz:

Há uma coisa a respeito da qual desejamos admoestar-vos em tom paterno; se não vos emendardes, cometereis grande pecado, e, em vez do lucro que esperais, vereis multiplicadas as vossas desgraças. Com efeito; por instituição dos gregos, muitos homens feitos cativos pelos pagãos são vendidos nas vossas terras e comprados por vossos cidadãos, que os mantêm em servidão. Ora consta ser piedoso e santo, como convém a cristãos, que, uma vez comprados, esses escravos sejam postos em liberdade por amor a Cristo; a quem assim proceda, a recompensa será dada não pelos homens, mas pelo mesmo Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isto exortamo-vos e com paterno amor vos mandamos que compreis dos pagãos alguns cativos e os deixeis partir para o bem de vossas almas” (Denzinger-Schönmetzer, Enquirídio dos Símbolos e Definições nº 668).

2- Carta do Papa Pio VII para Napoleão Bonaparte e para Dom João VI

O Papa Pio VII enviou uma Carta ao Imperador Napoleão Bonaparte da França, em protesto contra os maus tratos a homens vendidos como animais, onde dizia:

“Proibimos a todo eclesiástico ou leigo apoiar como legítimo, sob qualquer pretexto, este comércio de negros ou pregar ou ensinar em público ou em particular, de qualquer forma, algo contrário a esta Carta Apostólica” (citado por L. Conti, “A Igreja Católica e o Tráfico Negreiro”, em ‘O Tráfico dos Escravos Negros nos séculos XV-XIX”. Lisboa 1979, p. 337).

O mesmo Sumo Pontífice se dirigiu a D. João VI de Portugal nos seguintes termos:

“Dirigimos este ofício paterno à Vossa Majestade, cuja boa vontade nos é plenamente conhecida, e de coração a exortamos e solicitamos no Senhor, para que, conforme o conselho de sua prudência, não poupe esforços para que… o vergonhoso comércio de negros seja extirpado para o bem da religião e do gênero humano”.

3- Bula “Veritas Ipsa” do Papa Paulo III

No início do século XVI o dominicano Domingos de Minaja viajou da América Espanhola a Roma, a fim de relatar ao Papa Paulo III (1534-1549) os abusos ocorrentes com relação aos índios. Em conseqüência, o Pontífice escreveu a“Veritas Ipsa” (1537), onde condena Bula a escravidão:

“O comum inimigo do gênero humano, que sempre se opõe as boas obras para que pereçam, inventou um modo, nunca dantes ouvido, para estorvar que a Palavra de Deus não se pregasse as gentes, nem elas se salvassem. Para isso moveu alguns ministros seus que, desejosos de satisfazer as suas cobiças, presumem afirmar a cada passo que os índios das partes ocidentais e meridionais e as mais gentes que nestes nossos tempos tem chegado à nossa notícia, hão de ser tratados e reduzidos a nosso serviço como animais brutos, a título de que são inábeis para a Fé católica, e, com pretexto de que são incapazes de recebê-la, os põem em dura servidão em que têm suas bestas, apenas é tão grande como aquela com que afligem a esta gente. Pelo teor das presentes determinamos e declaramos que os ditos índios a todas as mais gentes que aqui em diante vierem a noticia dos cristãos, ainda que estejam fora da fé cristã, não estão privados, nem devem sê-lo, de sua liberdade, nem do domínio de seus bens, e não devem ser reduzidos a servidão”.

Neste texto, merece atenção especial a menção de índios e “das mais gentes”, que são os africanos.

Essa Bula de Paulo III teve grande efeito, tanto assim que a 30 de julho de 1609 El-Rey promulgou lei que abolia por completo a escravidão indígena: “Declaro todos os gentios daquelas partes do Brasil por livres, conforme o direito e seu nascimento natural, assim os que já foram batizados e reduzidos a nossa Santa fé católica, como os que ainda servirem como gentios, conforme a pessoas livres como são”.

4- Breve “Commissum Nobis” Papa Urbano VIII

Em 24 de abril de 1639, o Papa Urbano VIII (1623-1644) publicou o Breve “Commissum Nobis”, incutindo a liberdade dos índios da América. No seu Breve, o Papa ordenava, sob pena de excomunhão reservada ao Pontífice, que ninguém prendesse, vendesse, trocasse, doasse ou tratasse como cativos os índios da terra. Dispunha ainda que a ninguém seria lícito ensinar ou apregoar o aprisionamento dos mesmos. Por causa disso, revoltaram-se os colonos no Rio de Janeiro, em São Paulo, em Santos e no Maranhão, o que ocasionou a perseguição e a expulsão dos Jesuítas dessas regiões, onde só puderam voltar tempos depois.

5- Junta em defesa dos índios – D. Pedro Leitão

O segundo bispo do Brasil, D. Pedro Leitão, assinou em 30 de de julho de 1566 na Bahia, com o Governador Mem de Sá e o Ouvidor Dr. Brás Fragoso, uma junta em defesa dos índios; defendia-os contra os abusos dos brancos e dava maior apoio aos aldeamentos instaurados pelos jesuítas.

6- Sermões do Padre Antônio Vieira

O famoso Pe. Antônio Vieira (1608-1697), por vezes considerado por maus intencionados como aliado dos senhores da terra contra os escravos, na verdade assumiu posição de censura aberta aos patrões. Disse ele:

“Saibam os pretos, e não duvidem, que a mesma Mãe de Deus é Mãe sua… porque num mesmo Espírito fomos batizados todos nós para sermos um mesmo corpo, ou sejamos judeus ou gentios, ou servos ou livres” (Sermão XIV).

“Nas outras terras, do que aram os homens e do que fiam e tecem mulheres se fazem os comércios: naquela (na África) o que geram os pais e o que criam a seus peitos as mães, é o que se vende e compra. Oh! trato desumano, em que a mercancia são homens! Oh! mercancia diabólica, em que os interesses se tiram das almas alheias e as riscos são das próprias! “ (Sermão XXVII).

7- Papa Gregório XVI

O Papa Gregório XVI (1831-1846) em 3 de dezembro de 1839 disse: “Admoestamos os fiéis para que se abstenham do desumano tráfico dos negros ou de quaisquer outros homens que sejam “.

8- Papa Leão XIII aos Bispos do Brasil

O Papa Leão XIII, disse na Carta “In Plurimis”, em 5 de maio de 1888 aos bispos do Brasil:

“E profundamente deplorável a miséria da escravidão a que desde muitos séculos está sujeita uma parte tão pequena da família humana”.

Fonte AQUI

Asaph, em hebraico, significa “aquele que reúne”. E, não por acaso, foi o nome escolhido para um dos filhos gêmeos da farmacêutica Inara Barcaro, de 42 anos. “O nome foi escolhido pelo meu marido e é bem profético, porque ele reúne todo mundo mesmo. Ele é muito querido, simpático e sorridente. É todo mundo apaixonado por ele”, disse a mãe ao Sempre Família.

O menino de 1 ano e 4 meses tem síndrome de Down. Inara soube da possibilidade ainda durante a gestação. “Com 13 semanas de gravidez fui fazer o exame da translucência nucal e o médico me disse que tinha 25% de chance de um dos bebês ter a síndrome. Foi como uma bomba”, revelou

Nas ecografias seguintes a suspeita só foi se confirmando – Asaph apresentava as características da síndrome, como cardiopatia, e se desenvolvia mais lentamente que a irmã. Nessa época, Inara lembra que sofreu calada. “Eu simplesmente me fechei, não quis procurar psicólogo. Eu não podia falar sobre o assunto, porque meu marido não aceitava, ele achava que não ia acontecer”.

Hoje, aproveitando ao máximo cada minuto ao lado do filho, a farmacêutica avalia que foi bom saber disso tudo antes de o bebê nascer. “É um fator estressante, você não curte a sua gestação, mas você tem um tempo para digerir tudo isso. Eu acho que foi melhor assim”, avalia. Como voluntária em uma associação, Inara acompanha o drama de quem descobre a síndrome só na hora do parto. “A gente vê muito pais chocados e em crise, os homens principalmente”, afirmou.

Tempo para compreender e se adaptar

Geralmente receber a notícia durante a gravidez, de que o filho tem alguma síndrome ou deficiência, não é uma escolha dos pais, os médicos fazem esse papel queiram eles ou não: é um dever alertar. E a neuropsicóloga Samanta Fabrício Blattes da Rocha, do Instituto de Neurologia de Curitiba (INC), atenta para o fato de que a reação muda de pessoa para pessoa.

“São seres humanos lidando com um processo de frustração inicial e diante de um desafio de vida. Desafio que traz implícita uma informação: alguém que vai precisar de mim o resto da vida”, afirmou. Pelo que assegura, “todo mundo quer ter um filho saudável e independente. Então, quando você recebe uma informação como essa, você tem uma parte das suas expectativas e dos seus sonhos – projetados naquela criança – interrompida”.

Segundo Samanta, encarar o diagnóstico precoce depende, também, da capacidade que a pessoa tem ou não, de assumir responsabilidades e compromissos. “Tem pessoas que diante dos problemas aguentam por um tempo, mas não conseguem sustentar e acabam fugindo da situação. Já outras agarram os as grandes epopeias da vida e tocam com bravura até o fim”, elucidou.

A neuropsicóloga ainda orienta que, num momento como esse, o que o casal precisa é de apoio, seja da família, dos amigos, de outras pessoas que passaram (ou passam) pela mesma situação e mesmo de profissionais que os ajude a entender qual é o tamanho desta nova etapa, e considerou: “Hoje percebemos que a sociedade está conseguindo, cada vez mais, abraçar e acolher essas crianças em seu seio. E isso faz com que as ações sociais voltadas a elas sejam mais efetivas e eficientes, o que acaba facilitando a tarefa desses pais”.

Fonte Original: Sempre Família

Não é fácil lidar com a morte de uma pessoa próxima. Cada um de nós processa o luto de formas diferentes. Esta é a história de duas pessoas que não se conheciam, mas cujas vidas se cruzaram depois de passarem por perdas drásticas.

Chastity Patterson, de 23 anos, perdeu seu pai, Jason Ligons, há quatro anos. Desde então, ela manda todos os dias uma mensagem de texto ao celular do pai, contando como foi o seu dia.

Até que, dia 24 de outubro de 2019 – um dia antes do quarto aniversário da morte de Jason – ela recebeu uma resposta. Era Brad, que recebeu boa parte das mensagens de Chastity. E mais: um ano antes da morte de Jason, Brad havia perdido sua filha em um acidente de carro.

Na sua mensagem, Chastity afirmava que o dia seguinte seria, novamente, um dia difícil. Muita coisa aconteceu nesse curto período. Tenho certeza que você sabe disso, porque conto tudo para você. Eu venci o câncer e não voltei a ficar doente desde que você se foi – assim como prometi a você, de que cuidaria melhor de mim. Terminei a faculdade e me formei com louvor”, disse a jovem.

E continuou: “Me apaixonei e tive o coração partido (você teria matado ele), mas levantei a cabeça e me tornei uma mulher ainda mais forte. Tenho medo de me casar, porque vou ter que caminhar sozinha por aquele longo corredor e você não estará lá para me dizer que tudo vai ficar bem. Só queria dizer que eu te amo e que sinto muito a sua falta!”

A resposta foi de tocar o coração: “Oi, querida. Não sou seu pai, mas tenho recebido as suas mensagens nos últimos quatro anos. Fico na expectativa de suas mensagens matinais e de suas atualizações à noite. Meu nome é Brad e perdi minha filha em um acidente de trânsito em agosto de 2014. As suas mensagens têm me mantido vivo. Quando você me escreve, sei que é uma mensagem de Deus”.

“Sinto muito por você ter perdido alguém tão próximo, mas tenho te escutado ao longo dos anos e vi você crescer e passar por muitas coisas mais do que qualquer um. Há anos eu queria te responder, mas não quis partir seu coração”, escreveu Brad.

“Você é uma mulher extraordinária. Eu gostaria que a minha filha tivesse se tornado a mulher que você é. Obrigado por suas mensagens diárias. Você me lembrou de que Deus existe e de que não é culpa dele que a minha garotinha se foi. Ele me deu a você, meu pequeno anjo”, continuou. “Tudo vai ficar bem. Faça brilhar a luz que Deus te deu. Sinto muito que você tenha passado por isso, mas, se ajuda dizer isso, tenho muito orgulho de você”.

Emocionada, Chastity compartilhou o ocorrido em seu perfil no Facebook. Para ela, a resposta de Brad foi um “sinal de que está tudo bem e que posso deixar meu pai descansar”. Em uma semana, o post de Chastity ultrapassou as 170 mil curtidas e foi compartilhada 308 mil vezes.

Fonte Sempre Família

Um médico da Irlanda do Norte assegurou que coletou as assinaturas de 911 profissionais de saúde da região que se recusarão a realizar abortos, após a nova medida que ampliou as causas para essa prática.

Andrew Cupples, clínico geral da Irlanda do Norte, coletou as assinaturas para uma carta que enviou ao Secretário da Irlanda do Norte no mês passado. O texto, assinado pelos médicos, enfermeiras e parteiras, manifesta a oposição às novas leis sobre o aborto e exige fortes proteções à objeção de consciência para garantir que aqueles que se opõem ao aborto possam optar por não realizá-lo nem ajudar com o procedimento, informou o jornal ‘The Independent’.

“Centenas de profissionais de saúde na Irlanda do Norte se recusarão a participar de serviços de aborto. Existem até pessoas que planejam se retirar do serviço de saúde se forem forçadas a participar em abortos”, mencionou Dr. Cupples a ‘The Independent’.

“Também existem pessoas em obstetrícia, ginecologia e parteiras que estão preocupadas com as consequências de se recusarem a receber capacitação em temas de aborto, pois poderiam ser obrigadas a fazê-lo ou admoestadas por seus empregadores ou por um organismo profissional”, disse.

No início da semana passada, a legislatura delegada da Irlanda do Norte não conseguiu bloquear as mudanças nas leis de aborto e casamento homossexual aprovadas pelo Parlamento Britânico, que tem autoridade para governar a área na ausência de uma assembleia local em funcionamento.

Anteriormente, o aborto só era permitido na região nos casos em que a vida da mãe estava em perigo ou se havia um sério risco de danos permanentes à sua saúde física e mental se chegasse ao final da gravidez.

O aborto é legal no resto do Reino Unido até a 24ª semana desde 1967. A pressão para legalizar o aborto na Irlanda do Norte cresceu depois que em 2018 o referendo legalizou o aborto na República da Irlanda.

A lei na República da Irlanda permite que os médicos que têm objeções de consciência sobre o aborto se abstenham de participar do procedimento, no entanto, os médicos que se opõem ao aborto devem encaminhar as mulheres aos médicos que o realizarão.

Documentos do Departamento de Saúde da República da Irlanda no início deste ano mostraram que os serviços de aborto são limitados em nove das 19 maternidades do país, em parte devido aos objetores de consciência.

Pelo menos 640 médicos clínicos gerais na Irlanda assinaram uma petição, em novembro passado, objetando a nova obrigação de encaminhar pacientes a outros médicos para abortos.

A maioria dos 2.500 médicos de clínica geral da República da Irlanda não está disposta a realizar abortos. Somente entre 4 e 6% dos médicos disseram que participariam do procedimento.

Dr. Cupples mencionou a ‘The Independent’ que está mais preocupado com as parteiras e outros profissionais que não têm “proteção” sob a nova lei de aborto na Irlanda do Norte.

As pautas emitidas pelo Parlamento da Grã-Bretanha para os profissionais de saúde na Irlanda do Norte em relação aos novos regulamentos sobre o aborto estabelecem que “qualquer pessoa que tenha uma objeção de consciência ao aborto pode expor isso ao seu empregador”, informou a BBC.

Também assinala que, na Inglaterra e no País de Gales, os médicos podem se opor a participar de um aborto em temas “funcionais”, mas ainda são obrigados a participar de qualquer tarefa administrativa ou relacionada à assistência médica.

Essas pautas se aplicam até o final de março, quando será concluída uma consulta pública de 12 semanas e o governo da Irlanda do Norte emitirá protocolos oficiais para profissionais de saúde sobre o aborto na região.

Fonte: ACI

Os escritos do recém-canonizado Cardeal John Henry Newman oferecem reflexões importantes para a sociedade contemporânea sobre liberdade de consciência e o dever de buscar a verdade, disse uma figura destacada na liberdade religiosa internacional.

“Newman prefigurou a Declaração de 1965 da Igreja sobre liberdade religiosa, Dignitatis humanae“, disse o presidente de Religious Freedom Institute, Thomas Farr.

Farr, que atuou como diretor inaugural do Escritório de Liberdade Religiosa Internacional do Departamento de Estado dos Estados Unidos, no início da década de 2000, falou em um simpósio organizado pelo Instituto Thomistic da Universidade Angelicum, em Roma, no início deste mês. O evento celebrou a canonização do Cardeal Newman realizada em 13 de outubro.

Newman foi um teólogo, poeta, sacerdote católico e cardeal do século XX. Nasceu em 1801 e, antes de sua conversão ao catolicismo, foi conhecido e respeitado acadêmico de Oxford, pregador anglicano e intelectual público.

Farr mencionou que a conhecida frase do Cardeal Newman: “A consciência tem direitos porque tem deveres” oferece um lembrete importante de que somos obrigados a formar nossa consciência na verdade, reconhecendo que “nossa liberdade não nos dá o direito moral de fazer o incorreto”.

Dignitatis humanae afirma o direito à liberdade religiosa, uma liberdade que não pode ser coagida em matéria de consciência, disse Farr, citando o documento: “Deus chama realmente os homens a servi-lo em espírito e verdade; eles ficam, por esse fato, moralmente obrigados, mas não coagidos. Pois Deus tem em conta a dignidade da pessoa humana, por Ele mesmo criada, a qual deve se guiar pelo próprio juízo e agir como liberdade”.

Mas, embora os seres humanos sejam obrigados a seguir suas consciências, também são obrigados a obedecer a Deus, disse Farr.

“Uma consciência errante que resulta da nossa incapacidade de garantir que se ordene à verdade conduz à culpabilidade moral”, comentou. “A busca deliberada pelo mal pode levar a pessoa ao pecado grave. Um homem poderia seguir uma consciência mal formada diretamente para o inferno”.

Por esse motivo, Dignitatis humanae também enfatiza os direitos e deveres da Igreja de ensinar publicamente o que é verdadeiro sobre liberdade, justiça, natureza e Cristo, disse.

O Cardeal Newman entendeu bem a importância de ordenar a consciência à verdade, tal como Deus a entregou à Igreja através do Magistério, disse Farr.

O santo escreveu uma vez: “Nesta época… o direito e a liberdade de consciência [são vistos como o direito] a dispensar com consciência, a ignorar um Legislador e um Juiz, a ser independentes de obrigações invisíveis”. A consciência, alertou, estava sendo substituída pela “vontade própria”.

Em suas advertências sobre a consciência, o Cardeal Newman demonstrou ser profético, disse Farr. Hoje, a cultura ocidental distorce a visão da consciência em um grau ainda maior do que na época do Purpurado, de modo que não está mais orientada para Deus, mas para si mesmo.

“Para muitos, aceitou-se a obrigação de seguir a própria consciência, mas deixou-se de lado a fidelidade à verdade”, disse Farr.

Essa falsa interpretação da “liberdade de consciência” contribuiu para um ateísmo e para a rejeição da lei natural, continuou.

“Essa visão falsificada incentivou, dentro e fora da Igreja, uma profunda confusão com relação à natureza do homem e da mulher criados por Deus; as belas verdades sobre o matrimônio, a família e a sexualidade humana; e a necessidade de liberdade religiosa para todas as pessoas e sociedades”.

Tanto a sociedade moderna como a Igreja foram prejudicadas por essa falsa visão de consciência, disse Farr, e ambas fariam bem em prestar atenção às advertências emitidas pelo Cardeal Newman há mais de um século.

“Os erros de nossa época, muito mais generalizados do que na época de Newman, hoje colocam uma responsabilidade maior sobre os fiéis, clérigos e leigos, para ensinar e testemunhar essas verdades”, afirmou.

“Juntos, Newman e Dignitatis [humanae] podem nos ajudar a resistir à noção errônea de consciência ‘livre’ mais voltada para dentro de si mesmo e isolada de Deus e da natureza” do que voltada para fora, “para Deus, que, sendo mais íntimo do que nós mesmos e mais natural do que qualquer outra pessoa, é a única garantia da verdadeira liberdade”.    

Fonte: ACI

FALSOS MISSIONÁRIOS

Às vezes se confunde missão católica com serviço social e promoção humana. Numa homilia de domingo escutei um missionário dizer que trabalha com os índios, mas que “não está ali para cristianizar e dogmatizar ninguém”; achei muito estranho. Ora, evangelizar é levar a salvação de Jesus Cristo e as verdades  dogmas da fé). Fiquei escutando o resto da homilia e percebi que o trabalho do missionário não se diferenciava das ONGs que estão entre os índios, ou talvez fosse apenas como o trabalho da FUNAI ; uma preocupação de levar o “bem estar social” aos índios: defesa, vacinas, preservação da cultura indígena, etc. Não ouvi falar de conversão, de batismo e de abraçar a fé católica.

Se não é para cristianizar os índios, então, não é verdadeira evangelização católica. O papel missionário da Igreja é levar a salvação de Jesus Cristo, como fizeram São Pedro, São Paulo e os demais Apóstolos, sem esquecer a caridade é claro, que sempre fizeram e fomentaram. Mas se faltar a catequese católica, não é verdadeira evangelização; é mera assistência social. Isso muitas instituições podem fazer, mas levar Jesus Cristo, o Batismo da salvação, a Confissão, a Eucaristia, o Matrimônio, etc… só a Igreja é capaz de fazer.

São Paulo VI disse na “Evangelli Nuntiandi” que “não há verdadeira evangelização se não se falar do nome de Jesus, de seus milagres, de sua doutrina, de sua paixão, morte e ressurreição redentoras da humanidade”.

Parece que há um medo de se falar de cristianismo, catolicismo, Igreja católica, dogmas, com receio de ferir a “liberdade” das pessoas; ora, disse o Papa Bento XVI que “os dogmas não são cadeias, mas janelas abertas para o infinito”. Há uma tendência perigosa e falsa da parte de alguns missionários (penso que fruto da teologia da libertação) de levar apenas aos que não conhecem a Cristo, a promoção social e o bem estar, descurando da salvação da alma, e do combate ao pecado. Deixa que se salvem em suas crenças e mitos. Ora, São Pedro disse que: “Não nos foi dado outro nome sob o Céu no qual tenhamos a salvação”.

Ora, as últimas palavras de Jesus à Igreja foram: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado” (Mc 16, 15-16 ). “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi”(Mt 28.19-20).

A evangelização é para isso, senão não é missão católica evangelizadora. Nota-se que há um esvaziamento da verdadeira missão católica, como o Vaticano alertou em 03/12/2007 pela “Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé”, na importante “Nota Doutrinal sobre alguns aspectos da evangelização”, chamando a atenção para os desvios. Negar toda a verdade salvífica do Evangelho aos povos não cristãos, trocando isso por promoção social, é traição do missionário a Cristo. Hoje, como mostra a Nota da Santa Sé, há um perigo enorme de se querer deixar os nativos viverem “sua própria vida religiosa”, eivada de erros, maus costumes e superstições; ao invés de pregar-lhes a conversão a Jesus Cristo. O documento da Congregação da Fé diz:

«Com efeito, os Apóstolos, “movidos pelo Espírito, convidavam todos a mudar de vida, a converter-se e a receber o Batismo” [Redemptoris Missio, 47], porque a «Igreja peregrinante é necessária à salvação»[Catecismo §846]”. “Deus quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tim 2, 4); e “a Igreja é a coluna e o fundamento da verdade“ (1Tm 3,15) [10].

Continua a Nota do Vaticano: “Hoje, todavia, o anúncio missionário da Igreja é «posto em causa por teorias de índole relativista, que pretendem justificar o pluralismo religioso, não apenas de fato, mas também de iure (ou de princípio)» [Dominus Iesus, 4]. Há muito que se criou uma situação na qual, para muitos fiéis, não é clara a mesma razão de ser da evangelização [EN, 80]. Afirma-se mesmo que a pretensão de ter recebido em dom a plenitude da Revelação de Deus esconde uma atitude de intolerância e um perigo para a paz”.

São fundamentais essas palavras de Paulo VI, mostrado esse perigo:

“É assim que se ouve dizer, demasiado frequentemente, sob diversas formas: impor uma verdade, ainda que seja a verdade do Evangelho, impor um caminho, ainda que seja o da salvação, não pode ser senão uma violência à liberdade religiosa. De resto, acrescenta-se ainda: Para que anunciar o Evangelho, uma vez que toda a gente é salva pela retidão do coração?… Não será, pois, uma ilusão o pretender levar o Evangelho aonde ele já se encontra, nestas sementes que o próprio Senhor aí lançou? É claro que seria certamente um erro impor qualquer coisa à consciência dos nossos irmãos. Mas propor a essa consciência a verdade evangélica e a salvação em Jesus Cristo, com absoluta clareza e com todo o respeito pelas opções livres que essa consciência fará, e isso, sem pressões coercitivas, sem persuasões desonestas e sem aliciá-la com estímulos menos retos, longe de ser um atentado à liberdade religiosa, é uma homenagem a essa liberdade, à qual é proporcionado o escolher uma via que mesmo os não-crentes reputam nobre e exaltante. Será então um crime contra a liberdade de outrem o proclamar com alegria uma Boa Nova que se recebeu primeiro, pela misericórdia do Senhor?  Ou por que, então, só a mentira e o erro, a degradação e a pornografia, teriam o direito de serem propostos e com insistência, infelizmente, pela propaganda destrutiva dos “mass media”, pela tolerância das legislações e pelo acanhamento dos bons e pelo atrevimento dos maus? Esta maneira respeitosa de propor Cristo e o seu reino, mais do que um direito, é um dever do evangelizador. E é também um direito dos homens seus irmãos o receber dele o anúncio da Boa Nova da salvação.” (EM,80).

Paulo VI disse ainda que: “numerosos cristãos… têm frequentemente a tentação de reduzir a sua missão às dimensões de um projeto simplesmente temporal; os seus objetivos a uma visão antropocêntrica; a salvação, de que ela é mensageira e sacramento, a um bem-estar material; a sua atividade, a iniciativas de ordem política ou social esquecendo todas as preocupações espirituais e religiosas. No entanto, se fosse assim, a Igreja perderia o seu significado próprio. A sua mensagem de libertação já não teria originalidade alguma e ficaria prestes a ser monopolizada e manipulada por sistemas ideológicos e por partidos políticos. Ela já não teria autoridade para anunciar a libertação, como sendo da parte de Deus. Foi por tudo isso que nós quisemos acentuar bem na mesma alocução, quando da abertura da terceira Assembléia Geral do Sínodo, “a necessidade de ser reafirmada claramente a finalidade especificamente religiosa da evangelização. Esta última perderia a sua razão de ser se se apartasse do eixo religioso que a rege: o reino de Deus, antes de toda e qualquer outra coisa, no seu sentido plenamente teológico”.(62)

Paulo VI ensinou em que consiste a Evangelização: “Como núcleo e centro da sua Boa Nova, Cristo anuncia a salvação, esse grande dom de Deus que é libertação de tudo aquilo que oprime o homem, e que é libertação sobretudo do pecado e do maligno, na alegria de conhecer a Deus e de ser por ele conhecido, de o ver e de se entregar a ele” (EN, 9).

A Nota da Sagrada Congregação da Fé, diz:

“Todavia, hoje verifica-se uma crescente confusão que induz muitos a deixar inaudível e inoperante o mandato missionário do Senhor (cf. Mt 28, 19). Muitas vezes pensa-se que toda a tentativa de convencer os outros em questões religiosas seja um limite posto à liberdade. Seria lícito somente expor as próprias ideias e convidar as pessoas a agir segundo a consciência, sem favorecer uma conversão a Cristo e à fé católica. Diz-se que basta ajudar os homens a serem mais homens ou mais fiéis à própria religião, que basta construir comunidades capazes de trabalhar pela justiça, a liberdade, a paz, a solidariedade. Além disso, alguns defendem que não se deveria anunciar Cristo a quem O não conhece, nem favorecer a adesão à Igreja, pois seria possível ser salvos mesmo sem um conhecimento explícito de Cristo e sem uma incorporação formal à Igreja” (N.3).

O Reino de Deus não é – como alguns hoje sustentam – uma realidade genérica que domina todas as experiências ou as tradições religiosas, e às quais deveriam tender como que a uma universal e indistinta comunhão todos aqueles que procuram Deus, mas é acima de tudo uma pessoa, que tem o rosto e o nome de Jesus de Nazaré, imagem do Deus invisível” [RM, 18].
Infelizmente o relativismo religioso tomou conta da cabeça de muitos “missionários” que fazem da Igreja como se fosse apenas mais uma ONG. Mas, nenhuma ONG pode levar as almas à salvação eterna.

Prof. Felipe Aquino

Das 7.100 línguas faladas sobre a Terra, mais de 3.700 não têm nenhuma tradução das Escrituras. Para ser preciso “a Bíblia inteira foi traduzida para 700 línguas, pouco mais de 1.500 possuem o Novo Testamento e outras 1.100 apenas algumas partes, dos Salmos aos Evangelhos”.

Trabalho não falta, considerando que “para uma tradução é preciso muito tempo”, explica o professor Schweitzer ao Corriere: “Se tudo correr bem, para o Novo Testamento são necessários entre três e quatro anos e para toda a Bíblia sete e oito”.

Não importa por quantas pessoas um idioma seja falado. No ano passado, as Sociedades Bíblicas (“trabalhamos com todas as denominações cristãs”) contribuíram para traduzir os textos sagrados em 66 línguas faladas por 440 milhões de pessoas. Entre as traduções da Bíblia, havia línguas como Rote (falada na Indonésia por 30 mil pessoas), Malto (Índia, 51 mil), Kalanga (Botsuana, 142 mil) ou Lusamia-Lugwe (650 mil em Uganda e Quênia).

Entre as versões do Novo Testamento aquelas em língua Lemi (Mianmar, 12.000 falantes) e Blin (Eritreia, 112.000).

A questão das línguas indígenas também está sendo abordada no Sínodo da Amazônia.  A tradução da Bíblia pode proteger idiomas em extinção? “Pode ser um efeito, mas esse não é o objetivo principal”, explica o teólogo. “Para nós, o essencial é que seja a comunidade cristã local a querer uma tradução e esteja envolvida no trabalho. Nosso trabalho é realizado com igrejas locais, são formados tradutores na língua materna “.  Além disso, “a tarefa de construir uma ponte entre o hebraico ou o grego antigos e as línguas mais remotas do presente – eventualmente não há equivalentes para ‘redenção’ ou ‘perdão’- é um trabalho imenso, com grupos de tradutores, e nunca termina”, considera Schweitzer: “Línguas e culturas evoluem. Trata-se também de retraduzir: uma versão litúrgica antiga não pode ser proposta para os jovens de hoje”.

 Fonte : Corriere della Sera, 11-10-2019.