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Imagine que, por absurdo, você pudesse viajar no tempo e encontrar Adolf Hitler quando ele ainda era bebê.

Você saberia que, quando crescesse, aquele bebê se tornaria um dos monstros mais cruéis e doentios de todos os tempos, responsável pela tortura e pelo extermínio de milhões de pessoas na pior de todas as guerras já causadas em toda a história da humanidade.

Você teria, diante dos seus olhos e ao alcance das suas mãos, uma chance de impedir uma das mais devastadoras ondas de sofrimento e destruição imagináveis.

Você mataria aquele bebê?

Esta foi a terrível pergunta que o jornal The New York Times lançou aos seus leitores em outubro de 2015, embalado pelo frenesi que havia na época em torno ao filme “De Volta para o Futuro”, com seu enredo de viagens no tempo.

O resultado da pesquisa foi anunciado pelo jornal via Twitter: 42% dos leitores responderam que matariam, sim, aquele garotinho de olhos sonhadores que viria a se tornar o Führer nazista. 30% disseram que não o matariam e 28% não souberam o que decidir.

É importante recordar que as pesquisas via Twitter não têm valor científico, mas este caso, em concreto, sugere uma possível concepção geral de que cada pessoa está de alguma forma “predestinada” a fazer o que faz – e que nada poderia alterar o seu “destino”, exceto, talvez, soluções radicais como o assassinato.

A partir desta concepção, veio uma consequência preocupante: a maioria dos participantes da enquete se declarou disposta a matar um inocente (o menino Adolf) para punir um criminoso (o adulto Hitler).

O caso indica a nossa ilusão de “ler” em cada ser humano um prenúncio de genialidade ou de abjeção, como se tudo já estivesse pré-programado e fosse previsível mediante “metadados”. Vivemos numa época, aliás, em que somos continuamente catalogados e indexados tanto com base no que já fizemos ou dissemos quanto com base naquilo que “potencialmente” faremos ou diremos. Há computadores dedicados a “prever” o nosso comportamento com base em uma complexíssima gama de variáveis supostamente quantificáveis. Não sabemos, por exemplo, até que ponto o Google já nos classificou e arquivou nas suas memórias mais profundas e inacessíveis. O que sabemos é que milhares de empresas pagam milhões de dólares por “inteligência” a nosso respeito – e que, com base nessa “inteligência”, somos definidos como “bons” ou “maus” para determinados interesses econômicos, políticos, ideológicos…

Se isto em si mesmo já é grave o suficiente para merecer reflexões bastante sérias, é ainda mais grave constatar que, quando os “metadados” indicam que algo ou alguém é ou será “mau”, tendemos a acatar essa catalogação sem muito senso crítico.

Foi o que ocorreu nessa brincadeira de eugenia anacrônica do New York Times.

A propósito: você mataria aquele bebê?

Autor: Lucandrea Massaro

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As multitudinárias manifestações do povo contra o aborto, em diversos países, mostram como a maioria da população defende a vida dos seres humanos mais inocentes, fracos e indefesos, que ainda estão sendo gestados no útero materno.

Frente às campanhas a favor da legalização do aborto, muitas pessoas e organizações se manifestam em defesa da vidacomo o primeiro valor e o direito humano fundamental, do qual dependem todos os demais.

As associações que lutam pela legalização do aborto utilizam uma série de argumentos que podem ser analisados a partir da ética natural, sustentada por dados científicos.

Um primeiro argumento nega que o nasciturus, nome jurídico clássico para designar o embrião ou feto, seja um ser humano antes da nidação, nas primeiras semanas ou meses.

Esta afirmação é incompatível com a biologia moderna, que mostra como, pela fusão do óvulo com o espermatozoide, acontece a concepção de um novo ser humano, que já possui os elementos essenciais da sua identidade genômica e cromossômica, além de uma energia endógena que o impulsiona a desenvolver-se.

O argumento mais radical a favor do aborto diz que a mulher tem direito de decidir sobre o seu próprio corpo e, portanto, também de “interromper a gravidez”, denominação eufemística com a qual se pretende mascarar que o aborto é um crime abominável.

Este argumento é falaz e constitui um grave retrocesso jurídico a épocas nas quais predominava a lei do mais forte. O novo ser humano, ainda que esteja dentro do útero feminino e dependa da mulher para sobreviver, não faz parte do corpo dela, mas possui características biológicas diferentes das dos progenitores.

O argumento de que a gravidez não foi desejada tampouco é válido, sobretudo se a mulher aceitou ter contato sexual com o homem. Toda pessoa é responsável pelos seus atos e por suas possíveis consequências, ainda que depois se arrependa.

Muito mais sutil é o argumento da gravidez oriunda de um estupro. Segundo este argumento, a mulher estuprada não tem por que levar adiante uma gravidez à qual foi forçada, contra sua vontade.

No entanto, ainda neste caso é preciso afirmar que toda pessoa tem obrigação de atender e salvar a vida de outros seres humanos em perigo, ainda quando não tenha sido responsável por esta situação.

Tal é o caso de um acidente, no qual uma pessoa ferida pede auxílio a alguém que está passando por perto. É um dever prestar auxílio, especialmente quando o risco de vida é manifesto e grave. A omissão deste dever ético é considerada delito em muitos códigos penais.

No caso de um estupro, a mulher deve prestar ajuda solidária ao ser humano inocente que ela carrega em seu interior. Se, ao nascer, ela não se considera em condições de cuidar dele, existe o dever solidário da sociedade de encontrar alguma instituição ou família que queira atendê-lo ou adotá-lo.

Outro argumento abortista destaca que há casos nos quais a vida da mulher está em risco. Podemos responder a isso indicando, em primeiro lugar, que a gravidez não é uma doença. Graças aos avanços médicos, os casos nos quais é preciso escolher entre a vida da mãe e a do filho são quase inexistentes; um tumor interino pode ser combatido sem prejudicar o nasciturus.

No caso extremo de uma gravidez ectópica, quando não se pode implantar o embrião no endométrio, é ético retirar o embrião, sem matá-lo, ainda que prevendo que ele morrerá, por não ser viável.

Na gravidez de uma adolescente, há certo risco, mas seu organismo, se já começou a ovular, também está preparado para a gravidez e para o parto, seja ele natural ou por meio de uma cesárea. Certamente, a adolescente precisará de um cuidado especial pré e pós-natal.

Recordemos que a ética natural e a moral cristã consideram o aborto provocado como uma transgressão grave, mas não é assim com o aborto espontâneo, consequência de um acidente involuntário, nem tampouco o aborto indireto, produzido por um efeito colateral, não pretendido, de um tratamento ou medicamento que buscava curar a mãe.

Em algumas legislações, o aborto é despenalizado e/ou legalizado quando se detectam más-formações  nonasciturus. Para isso, são feitos diagnósticos pré-natais. Especialmente no caso de anencefalia, recomendam oaborto, já que o bebê certamente morrerá logo após o nascimento.

Em alguns países, como a Holanda, permite-se inclusive eliminar o já nascido, com a justificativa de que assim se evita que haja crianças com problemas sérios, e que a família tenha muitos gastos médicos.

Respondemos a este argumento indicando, em primeiro lugar, que alguns exames pré-natais, sobretudo os realizados nas primeiras semanas da gravidez, podem prejudicar o próprio bebê em gestação, e inclusive apresentar resultados falsos. Mas, ainda que sejam resultados certos, o aborto de fetos com má-formação é uma grave a intolerável discriminação.

Com relação aos anencéfalos, cuja morte é previsível, é crueldade matá-los. Eles merecem ser cuidados e respeitados. Para os pais, quando seu filho nascer, será um grande consolo poder atendê-lo com carinho até que morra naturalmente, dando-lhe digna sepultura e evitando, assim, que os seus restos sejam jogados no lixo.

Outro argumento a favor da legalização do aborto afirma que muitas mulheres morrem ou contraem doenças devido a abortos malfeitos, já que estes são executados por pessoas incompetentes e em condições pouco higiênicas. A legalização, então, permitiria o “aborto seguro” e diminuiria a taxa de mortalidade materna.

Respondemos a este argumento desvelando que, nas campanhas a favor do aborto, frequentemente se exagera o número de mortes maternas para comover a opinião pública. O Dr. Bernard Nathanson, ex-abortista, confirmou que as campanhas pró-aborto que ele dirigia costumavam falsificar as estatísticas.

Por outro lado, a mortalidade materna não é reduzida com a legalização do aborto, já que tudo é traumático e a mulher corre um grande risco. A saúde materna só será protegida com políticas públicas eficientes, voltadas para a saúde da mãe e do filho.

Também se argumenta que, nos países em que o aborto é penalizado, há poucas condenações de médicos abortistas. Portanto, seria preferível tolerar o aborto, despenalizando-o ou legalizando-o.

Acreditamos, no entanto, que esta proposta é injusta. A tolerância não pode ser um argumento para legalizar delitos contra a vida, já que o direito à vida é o primeiro e mais fundamental de todos os direitos humanos. O aborto é um crime.

A solução seria que os governos defendessem e protegessem a vida dos seres humanos não nascidos, sancionando os abortistas e fechando as clínicas de aborto, já que uma das funções do Estado é precisamente defender a vida.

Algumas feministas radicais defendem que o aborto é uma questão unicamente de mulheres, já que são elas as que suportam a gravidez e o parto. Este argumento é falso, já que ignora que toda criança também tem um pai e que, além disso, a defesa da vida é um dever solidário de todas as pessoas. O aborto afeta todas as pessoas, não só as mulheres.

Cabe aqui fazer uma reflexão complementar. Na China, foi imposta a política do filho único e as pessoas são obrigadas a pagar multas exorbitantes, se não abortarem o segundo filho ou os seguintes. Mas esta medida é frequentemente transformada em aborto seletivo das meninas, por serem consideradas de menor valor.

Com isso, origina-se um desequilíbrio demográfico de gênero, criando graves problemas sociais e aumentando a prostituição, o tráfico de mulheres e a violência de gênero.

Finalmente, não podemos nos esquecer de que a mulher que aborta acaba sendo a segunda vítima deste crime. Muitas vezes, sofre da síndrome pós-aborto, com características somáticas e psíquicas, como perfurações no útero, infecções, partos precoces, esterilidade, câncer de mama etc. Também poderá sofrer obsessões, pesadelos, baixa autoestima, tendência à dependência química e ao suicídio.

Esta síndrome reflete o profundo conflito de consciência que atormenta a mulher que abortou e que ela dificilmente poderá superar, se não se arrepender e pedir perdão ao filho abortado e ao Deus da vida que é, antes de tudo, amor e misericórdia.

Professor Felipe de Aquino

A moral católica é a base do comportamento do cristão, segundo a fé que ele professa recebida de Cristo e dos Apóstolos.No Sermão da Montanha Jesus estabeleceu a “Constituição” do Reino de Deus, e em todo o Evangelho nos ensina a viver conforme a vontade de Deus.

Para quem vive pela fé, a moral cristã não é uma cadeia, antes, um caminho de vida plena e de felicidade. Deus não nos teria deixado um Código de Moral se isto não fosse imprescindível para servos felizes. As leis morais podem ser comparadas as setas de trânsito que guiam os motoristas, especialmente em estradas perigosas, de muitas curvas, neblinas e lombadas. Se o motorista as desrespeitar, poderá pagar com a própria vida e com as dos outros.

Mas para crer nisto e viver com alegria a Moral é preciso ter fé; acreditar em Deus e no seu amor por nós; e acreditar na Igreja católica como porta voz de Jesus Cristo.

Cristo nos fala pelo Evangelho e pela Igreja. Ele a instituiu sobre Pedro e os Apóstolos para ser a nossa Mãe, guia e mestra.

Jesus disse aos Apóstolos: “Quem vos ouve, a Mim ouve; quem vos rejeita, a Mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita Aquele que me enviou.” (Lc 10,16)

Cristo concedeu à Igreja parte de sua infalibilidade em matéria de doutrina: fé e moral, porque isto é necessário para a nossa salvação, e instituiu a Igreja para nos levar à salvação. Por isso, Cristo não pode deixar que a Igreja erre em coisas essenciais à nossa salvação. O Concílio Vaticano II disse que “a Igreja é o sacramento universal da salvação” (LG,4).

É por Ela que Jesus continua a salvar os homens de todos os tempos e lugares, através dos Sacramentos e da Verdade que ensina. São Paulo disse à S. Timóteo que “a Igreja é a coluna e o fundamento (alicerce) da verdade” (1Tm 3,15) e que Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da Verdade (1Tm 2,4). Essa “verdade que salva” Deus confiou à Igreja para guardar cuidadosamente, e ela faz isto há vinte séculos. Enfrentou muitas heresias e cismas, muitas críticas dos homens e mulheres sem fé, especialmente em nossos dias, mas a Igreja não trai Jesus Cristo.

Cristo está permanentemente na Igreja – “Eis que estou convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28,20) – e ela sabe que embora os seus filhos sejam pecadores, ela não pode errar o caminho da salvação e da verdade.

Na última Ceia o Senhor prometeu à Igreja (Cristo e os Apóstolos), no Cenáculo, que ela conheceria a verdade plena.

“Ainda tenho muitas coisas para lhes dizer, mas vocês não estão preparados para ouvir agora; mas quando vier o Espírito Santo, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,12-13).

Ao longo dos vinte séculos o Espírito Santo foi ensinando à Igreja esta verdade, através dos Santos, dos Papas, dos Santos Padres…

Se Cristo não concedesse à Igreja a infalibilidade em termos de doutrina (fé e moral) de nada valeria ter-lhe confiado o Evangelho, pois os homens o interpretam de muitas maneiras diferentes, e criaram muitas outras “igrejas”, sem o Seu consentimento, para aplicarem a verdade conforme o “seu” entendimento, e não conforme o entendimento da Igreja deixada por Cristo.

A multiplicação das milhares de igrejas cristãs e de seitas, é a consequência do esfacelamento da única Verdade que Jesus confiou ao Sagrado Magistério da Igreja (Papa e Bispos em comunhão com ele) para guardar e ensinar a todos os povos.

Além de confiar à Igreja a Verdade eterna, Cristo lhe garantiu a Vitória contra todos os seus inimigos. Disse a Pedro: “As portas do inferno jamais a vencerão.” (Mt 16,17)

Já se passaram vinte séculos, inúmeras perseguições (império romano, nazismo, comunismo, fascismo, ateísmo,…) e a Igreja continua mais firme e forte do que nunca. Quanto mais é perseguida, mais se fortalece; quanto mais apanha, mais corajosa fica.

Tertuliano, um dos escritores da Igreja do terceiro século, escreveu ao imperador romano da época, que perseguia os cristãos, dizendo que não adiantava persegui-los e matá-los, porque “o sangue dos mártires é semente de novos cristãos”.

O império romano desabou, o comunismo sucumbiu, o nazismo acabou… mas a Igreja continua mais firme do que nunca. Nenhum chefe de Estado têm tantos embaixadores (Núncios Apostólicos) em outros países como o Vaticano; são cerca de 180.

O mundo chama hoje a Igreja Católica de obscurantista, retrógrada, etc, por ela ser fiel a Jesus; mas ela não se curva diante do pecado do mundo moderno, da mesma forma que não se curvou diante dos carrascos dos seus mártires.

A Igreja não busca a glória dos homens, mas somente a glória de Deus, por isso não se intimida e não desanima diante das ameaças dos infiéis. Ainda que ela fique sozinha, não negará a verdade do seu Senhor.

A moral católica não muda ao sabor da vontade dos homens e nem com o passar do tempo, porque a Verdade não muda, seja ela qual for. O teorema de Pitágoras e o princípio do empuxo, de Arquimedes, são os mesmos que esses gregos descobriram vários séculos antes de Cristo. A verdade que foi revogada, nunca foi verdade; pois a verdade de fato não pode mudar. Cristo não nos deixou uma moral transitória, passageira, provisória; não, Ele nos deixou uma Verdade eterna. Ele mesmo é a Verdade.

Os cristãos precisam entender que as questões morais não dependem da “opinião da maioria” e nem se altera com os “avanços” científicos. A moral é que deve dizer quais descobertas da Ciência são válidas para o progresso do homem, e não o contrário. Uma lei moral não se torna lícita só porque é aprovada pelo Governo ou pelo Parlamento.

Muitas vezes a confusão moral e os erros são cometidos por causa de uma incompreensão insuficiente dessas questões. A Igreja, de sua parte, examina com profundidade as questões morais, olhando não apenas o conforto do homem, mas, principalmente a sua dignidade humana.

Diante das leis que não estão de acordo com a Moral católica, os fiéis precisam se manifestar com viva voz; porque se ficarmos calados e submissos, em breve poderemos ter em nosso país muitas leis imorais. Já aprovaram o divórcio, a manipulação e a morte de embriões (vidas humanas!), e em breve poderão aprovar o aborto e a eutanásia. O Papa Leão XIII disse que “a audácia dos maus se alimenta da covardia e omissão dos bons”.

Não podemos mais viver um catolicismo de sacristia; a maioria do povo brasileiro é católico (cerca de 75%) e tem direito de viver em um país com leis católicas; mas isto só acontecerá se fizermos isto acontecer. Jesus já tinha avisado que “os filhos das trevas são mais espertos que os filhos da luz”.


Pe. Ermanno Battisti, há 40 anos em Guiné-Bissau, fundou a paróquia de Jesus Redentor e o Centro Artístico Juvenil Nacional na capital Bissau, além do Hospital Infantil Católico de Bor, na periferia de Bissau.

Perguntamos a ele, com base na sua experiência na África, por que a bíblia e o evangelho desenvolvem o homem e os povos africanos. Eis o seu testemunho:

A primeira contribuição ao desenvolvimento do homem africano, que nós, missionários, trazemos à África, é a difusão do conhecimento dos dez mandamentos, que expressam a vontade de Deus para a vida de cada homem e que são o seu fundamento.

A religião tradicional africana, pelo menos na Guiné-Bissau, que eu conheço bem, não dá essa base moral, porque não tem uma moral. A moral é definida caso a caso pelos anciãos da aldeia, de acordo com o que foi feito no passado e é útil hoje para a aldeia. Eles julgam o bem e o mal de acordo com a tradição e com a conveniência do momento. Por exemplo, roubar é ruim, mas se o homem de uma tribo rouba os animais de outra etnia e consegue escapar, então eles dizem que ele é corajoso e esperto.

Outro exemplo: se uma criança nasce com alguma deformidade, é ruim deixá-la na aldeia, porque ela é um espírito maligno que depois vai fazer mal a todos. Então eles a abandonam na praia ou a levam para a selva, para deixá-la morrer.

Vou contar um fato. Uma menina nasceu prematura e a parteira declarou o seguinte, porque a menininha era muito pequena: “Esta aqui não é uma menina, é um espírito”. O pai foi falar com o feiticeiro para saber o que fazer. E o feiticeiro, depois de consultar uns pedaços de madeira, disse que era preciso devolver a menina ao mundo dos espíritos da água, de onde ela tinha escapado para vir à terra fazer mal à aldeia. O homem pegou a criança, enrolou-a num pano e a levou até uma espécie de encarregado oficial da aldeia para fazer esse tipo de ritos. Ele esperou a maré baixar e deixou a criança abandonada no ponto mais baixo da praia, para que a maré a levasse embora quando voltasse a subir.

Mas à noite, quando o pai voltou para casa, ele encontrou a menina em cima da cama, ao lado da mãe. O cachorro da família tinha ido procurar a criança e a levou de volta para a mãe, carregando-a pela boca, com pano e tudo. O homem ficou assustado e correu de novo até o feiticeiro, que olhou para os pedaços de lenha e respondeu que tinha acontecido um erro: a menina não era um espírito da água, mas um espírito da floresta, e que era na floresta que ele tinha que abandoná-la. A mãe chorou, porque queria salvar a filha, mas o homem a pegou de novo e a entregou ao intermediário, que desta vez a abandonou na selva. Mas os planos de Deus eram diferentes. Mais uma vez, o incrível aconteceu: o cachorro a encontrou novamente e a levou para casa.

Ao rever a filha, o homem se apavorou tanto com aquela suposta perseguição dos espíritos que largou tudo e fugiu de casa. Mas a mãe interpretou que era uma intervenção direta de Deus e ficou com a menina, que cresceu e ficou mais forte a cada dia, como todas as crianças normais.

Anos se passaram e não se soube mais nada do pai, até que um dia, com 20 anos de idade, a jovem encontra um idoso desconhecido. Ele conta tudo para ela e pede que ela cuide dele. Joana aceita com alegria e fica sempre perto do pai até o dia em que ele morre, nos seus braços, convencido de que ela não era um espírito, mas simplesmente a sua filha.

A Joana é uma senhora muito ativa numa paróquia em Bissau. É uma mulher maravilhosa, uma das grandes cristãs do país, não apenas como mãe, mas como cidadã instruída capaz de difundir o Evangelho.

Fonte: Reinaldo Azevedo

Vejam esta imagem do Globo Online da noite desta segunda:

É para lermos os dois títulos como um conjunto, embora remetam a textos distintos: “Arábia Saudita faz campanha contra violência machista; enquanto isso, Igreja excomunga em SP padre que defende amor entre bissexuais”. Vamos ver.

É uma peça de proselitismo político-ideológico. Como costuma acontecer nesses casos, busca-se a adesão, não o convencimento; trabalha-se com o choque, não com os fatos; apela-se à simplicidade máxima, não aos matizes. Em síntese: trata-se de propaganda, não de informação.

Vamos aos muitos erros. E começo pelo ex-padre. Alguém no Globo viu o que esse rapaz andou postando no Youtube quando ainda era padre? Sim, de fato, ele disse que não existe infidelidade quando marido e mulher mantêm relacionamentos extraconjugais abertos. Ele tem o direito de pensar isso, mas não como padre — porque, como padre, ele fala em nome da Igreja, e a visão da Igreja é outra. Beto também acha que maridos podem se apaixonar por outros homens, e mulheres, por outras mulheres. De novo: se todos souberem de tudo, não haveria o que reclamar. Sim, ele tem o direito de pensar isso, mas não como expressão — e um padre é isto! — da Igreja Católica. A razão é simples. Ela pensa outra coisa.

Vamos pegar o caso do Globo Online — que nem é uma Igreja, até onde se sabe. Por ali, algum jornalista pode escrever uma reportagem defendendo, deixem-me ver…, a luta armada? Isso mesmo: em nome da liberdade de expressão, um barbudinho recalcitrante qualquer mandaria ver: “A democracia já evidenciou ser uma falácia das elites para reproduzir a exclusão. Chegou a hora de tomarmos nas mãos o nosso destino. E terá de ser pela via armada”. Pode??? Ou, deixem-me ver, um jornalista da TV Globo poderia fazer, em um de seus programas, um editorial em favor do “controle social da mídia”? Que tal? Por que não?

Felizmente, e espero que nem o Globo nem a Globo mudem a orientação, nada disso é possível. Como o jornal é favorável à democracia representativa, salvo engano, jornalistas que defendam a luta armada não escrevem por ali — não em favor da luta armada ao menos. Como a Globo, felizmente, defende a liberdade de opinião —  dentro dos parâmetros do regime democrático —, não teremos de assistir, na emissora, a editoriais em favor da censura.

Mais: a Globo e o Globo têm manuais de redação e princípios de ética jornalística. Suponho que não possam ser transgredidos e ignorados por seus profissionais. Quem o fizer acabará, isto é metáfora, “excomungado”. E assim porque as Organizações Globo são reacionárias? Não! Porque são empresas privadas que se orientam segundo determinados fundamentos. Só pertence ao grupo quem quer e quem o grupo quer. Suponho que se admita por ali que a milenar Igreja Católica também tem o direito de fazer algumas exigências a quem pertence à sua hierarquia.

Erro específico

O tal Beto não foi excomungado da Igreja por defender o amor entre bissexuais. É mentira! Em reiteradas entrevistas, ele deixou claro só cumprir as orientações com as quais concorda. Aquelas de que discordava, ele ignorava — anunciando isso. Mais: o dito-cujo usava o púlpito para fazer suas pregações. Fico cá a imaginar um âncora de um dos programas da Globo a esculhambar, no ar, os princípios que orientam a empresa. Tudo em nome da “liberdade de expressão”! Seria aceitável?

Arábia Saudita

Em poucos países do mundo a desigualdade de direitos entre homens e mulheres é tão grande como na Arábia Saudita. Atenção! Isso não quer dizer que as condições de vida da mulher saudita estejam  entre as piores do mundo! O wahabismo, variante do islamismo sunita vigente no país, faz com que as mulheres sejam, por lei, tuteladas por homens: pais, maridos, irmãos. Não faz tempo, ficamos sabendo que uma mulher foi punida por dirigir um automóvel. Elas não podem sair às ruas sem a companhia de um responsável.

Muito bem. Um grupo de sauditas deu início a uma campanha — ATENÇÃO!!! — não em favor da igualdade entre homens e mulheres (isso é impensável!), mas CONTRA O ESPANCAMENTO das pobres-coitadas! Faz sentido?

Por mais que haja um esforço mundial para esconder o que está no Al Corão e mais ainda para provar que o Profeta era mais generoso com as mulheres do que o judaísmo ou o cristianismo, o fato inequívoco é que a Sura 4:34 autoriza que o marido bata na sua mulher. Se elas não for obediente, ele deve, primeiro, admoesta-la; na segunda vez, abandonar o leito; na terceira, bater.


Um líder religioso sunita do Baherin, ali pertinho da Arábia Saudita, explicou que isso tem de ser feito com método, tá pessoal? Pode bater, sim, mas sob certas condições.

Volto ao texto do Globo

Atenção! A palavra “machista” é algo que faz sentido no mundo ocidental, na nossa cultura. Na Arábia Saudita, há não mais do que um grupo que resolveu se manifestar contra a agressão física às mulheres. Uma campanha antimachista, convenham, teria como horizonte a igualdade entre os sexos. Ou por outra: não teve inicio uma “Primavera Feminista” na Arábia Saudita. Lembro que havia punição no Brasil para senhores que exageravam no castigo físico aos escravos. E eles não eram abolicionistas.

O que a peça editorial do Globo Online sugere é que a Arábia Saudita passaria por um momento iluminista, enquanto a Igreja Católica, por uma fase obscurantista. O iluminismo, então, no país árabe estaria numa inédita campanha contra o “machismo” (ISSO É FALSO!!!), e as trevas católicas se revelariam da excomunhão de um padre favorável ao bissexualismo (FALSO TAMBÉM).

Assim, duas distorções — sobre a Igreja e sobre a Arábia Saudita — produziram um terceira: uma suposta Arábia Saudita a caminho das Luzes e uma suposta Igreja a caminho das trevas.

Por Reinaldo Azevedo


Cardeal Ravasi abre conferência internacional sobre células-tronco adultas

A conferência de três dias sobre células estaminais adultas na Sala Paulo VI, Vaticano. O evento foi organizado pelo Conselho Pontifício para a Cultura e pela NeoStem,  líder no campo da terapia celular

O evento foi aberto pelo cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura, que saudou os cientistas, pesquisadores, estudantes, médicos e pacientes presentes. A pesquisa que será objeto de muita discussão, disse o cardeal, “terá um profundo impacto na vida das pessoas”.

“Esta pesquisa está deixando vestígios positivos não só na vida dos pacientes, mas também na de suas famílias”, disse.

Em seu discurso de abertura, o Cardeal Ravasi refletiu sobre três definições: antropologia, cultura e fé. Com relação à cultura, o cardeal apontou para o debate sobre o papel das células-tronco adultas, em contraposição à embrionária, dizendo que “é um problema essencial no contexto da nossa cultura”, que criou um abismo entre a ciência e a humanidade.

“A ciência e a pesquisa antropológica: duas realidades que estão realmente relacionadas. Caso contrário, a ciência pode tornar-se cega e, às vezes, violenta”, acrescentou. “Pensemos na humanidade. Ser intelectual comporta o risco de pensar que estamos acima das pessoas, confinadas em nosso cérebro”.

Incidindo sobre este ponto, o Cardeal Ravasi citou o famoso ditado de Albert Einstein, em sua mensagem para a humanidade, representando a comunidade científica: “Lembre-se de sua humanidade e esqueça o resto …”.
“Temos de redescobrir a importância que a ciência tem, para o enriquecimento do nosso pensamento”, disse Ravasi.

Ciência e Fé

O presidente do Conselho Pontifício para a Cultura continuou seu discurso destacando o segundo aspecto de seu pensamento: a antropologia. Cardeal Ravasi falou das obras de Aristóteles e Platão sobre a divisão entre corpo e alma.

A imagem usada por Aristóteles em suas obras menores explica que a alma está ligada aos membros do corpo, assim como os prisioneiros em Etruria. “Os etruscos bárbaros – disse Ravasi – puniam seus prisioneiros, amarrando-os frente a frente um com o outro”.

O cristianismo, no entanto, acrescentou algo de novo: a Encarnação, a Palavra de Deus e a carne do homem”, acrescentou o cardeal. Refletindo sobre a sacralidade do corpo humano, Ravasi disse que “nós somos um corpo, não possuímos um corpo, nós somos um corpo”.

“O trabalho que fazemos para o corpo é o que fazemos para todos os homens. Nosso corpo é o elo fundamental. Tudo o que fazemos para o nosso corpo é para todas as pessoas”, destacou o cardeal.

Falando do terceiro ponto, a Fé, o cardeal Ravasi refletiu sobre a importância da conferência que teve lugar na Sala do Sínodo, onde há um mês, o Colégio dos Cardeais reuniu-se para as Congregações Gerais que precederam o Conclave.

“Cada cardeal tinha o seu lugar próprio e fizemos a experiência de muitos momentos ‘colegiais’”, disse ele. “O tema da fé está no ar neste ambiente, mas, mais ainda, nesta conferência, promovida pela Santa Sé”.

“E, de fato, – disse Ravasi – o cisma que precisamos reconstruir é entre a ciência e a fé. Hoje mais do que nunca, a pessoa humana já não tem apenas um único tipo de conhecimento”.

“Pensemos no conhecimento do amor, o enamorar-se tem sua própria gramática e sintaxe, a sua maneira de se expressar. Pense na linguagem das artes que nos ajuda a compreender a ciência através da intuição”.

O Cardeal Ravasi expressou a esperança de que o encontro vai mostrar o quanto é necessário a união entre fé e ciência. A ciência sem a fé é aleijada”, disse.

O conhecimento de uma pessoa é o encontro de dois caminhos, por vezes, este encontro leva à tensão e esta é a razão pela qual eu gostaria de evocar uma imagem. O Cardeal mostrou a imagem de um detalhe da Capela Sistina: a mão de Deus tocando a mão de Adão. A imagem, segundo ele, mostra “a união entre a figura transcendente de Deus e a mão fraca da natureza humana”.

Ravasi concluiu dando a imagem com um prêmio de reconhecimento à Dra. Robin Smith, presidente da Fundação para a Stem for life e diretora executiva da NeoStem, expressando sua gratidão pelos esforços da estudiosa na aproximação entre ciência e fé, através de seu trabalho de pesquisa com células-tronco adultas.

Fonte: Zenit

Zenit

A cada dia cresce a indignação dos médicos brasileiros sobre o posicionamento do Conselho Federal de Medicina (CFM) do Brasil, do dia 21 de março, a favor da “autonomia da mulher” em caso de “interrupção da gestação”, ou seja, do aborto.

A médica Maria Emília de Oliveira Schpallir Silva, graduada pela PUC de Campinas, Coloproctologista com título de especialista pela sociedade brasileira de coloproctologia e membro da comissão de bioética da CNBB, concedeu uma entrevista a ZENIT expressando a sua indignação desse posicionamento que tem a clara intenção de “fortalecer os que são favoráveis à reforma do código penal no que diz respeito ao aborto”.

Leia a entrevista completa:

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O Conselho Federal de Medicina (CFM) se posicionou a favor do aborto na quinta-feira da semana passada? A intenção é enviar para o Senado esse parecer e dar assim um maior peso para a reforma do código penal que pretende descriminalizar o aborto?

Maria Emília: Não obstante o texto frise “que não se decidiu serem os Conselhos de Medicina favoráveis ao aborto, mas, sim, à autonomia da mulher e do médico” essa afirmação é apenas um jogo de palavras e esconde a verdadeira intenção. São favoráveis à autonomia da mulher e do médico a praticar o aborto, portanto estão, sim, sendo favoráveis ao aborto.

A intenção é clara: o  parecer do CFM vai fortalecer os que são favoráveis à reforma do código penal no que diz respeito ao aborto, principalmente porque vai exercer grande influência sobre a opinião pública.

Infelizmente, aqueles que juraram defender a vida e a postura ética, são os que usam do poder de seu título para confundir a opinião pública e legitimar o assassinato deliberado,de seres humanos vulneráveis apoiando-se em argumentos pseudoéticos.

Não é a primeira vez na história que  atrocidades são cometidas com o aval da ciência. O nazismo foi legitimado pela eugenia, considerada ciência na época. Depois chegou-se à conclusão de que se tratava de uma pseudociência em nome da qual se praticou toda sorte de arbitrariedades que feriam profundamente a dignidade humana.

Realmente o CFM está representando o parecer de TODOS os 27 conselhos regionais e dos 400 mil médicos do país? Então, os médicos do Brasil são abortistas?

Maria Emília: O CFM representa a classe médica porquanto foi por ela eleita, porém, da mesma forma que governantes eleitos pelo povo possam propor leis que não representem a vontade da maioria, como seria, por exemplo, a lei de descriminalização do aborto, também nem todas as decisões tomadas pelo conselho representam  o que pensa a maioria dos médicos.

Esta decisão não partiu de um plebiscito.  Não creio que a maioria dos médicos seja abortista, pois a vocação do médico é  salvar vidas e não tirá-las. O preâmbulo do Código de Ética Médica, no seu artigo II diz explicitamente que “O alvo de toda a atenção do médico  é a saúde do ser humano, em benefício da qual deverá agir com o máximo de zelo e o melhor de sua capacidade profissional.”

Por que aprovar o aborto até a 12a. semana? Quais os argumentos usados pelo CFM?

Maria Emília: O primeiro argumento usado pelo CFM é a autonomia da mulher e do médico. Invoca a bioética principialista para defender éticamente sua decisão, porém de forma totalmente equivocada e anti ética pois não leva em consideração na reflexão bioética a criança em gestação. A bioética principialista é regida pelos princípios da autonomia, não maleficência, beneficência e justiça.

A objeção a essa postura do CFM é de caráter antropológico: o embrião e feto são seres humanos que merecem igual proteção e estão sendo discriminados. O princípio da justiça é singularmente ferido, pois é justo que o vulnerável seja sempre prejudicado por aquele que detém mais poder ou que é mais útil para uma sociedade onde só as leis de mercado importam? Isto configura uma bioética utilitarista e não principialista.

O conselho também alega que há um alto índice de ocupação de leitos públicos por curetagens pós-abortamento sobrecarregando o SUS, porém a descriminalização vai aumentar ainda mais este número uma vez que a prática do aborto vai ser realizada com dinheiro público e pelo SUS ocupando lugar de pessoas verdadeiramente doentes que necessitam do serviço já tão sobrecarregado.

Outra alegação do conselho é que “levou-se em consideração as estatísticas de morbidade e mortalidade da mulher em decorrência de práticas inseguras na interrupção da gestação… ainda maiores devido à dificuldade de acesso à assistência adequada”.

Porém é importante salientar que a mulher que procura o aborto tem a opção de não fazê-lo. É um risco evitável. O feto não tem opção nenhuma. Um crime deve ser cometido em segurança?

Estamos comparando dois valores de pesos diferentes: vida versus interesses. No caso da mulher o que conta são interesses, mas o feto perde sempre a vida. Descriminalizar o aborto alegando sua alta incidência deve, por coerência, levar a propor a descriminalização de outros delitos tão ou mais freqüentes.

Alegar que a pobreza justifica o aborto é uma eugenia social para com o pobre. A pobreza tem que ser encarada com seriedade através de políticas públicas efetivas, mas isto, embora seja ético e eficaz, demanda um custo financeiro alto. O aborto é a solução barata: para o pobre a solução proposta é sempre a morte.

E agora? O que é que resta para aqueles médicos do Brasil que não estão nenhum pouco de acordo com esse parecer do CFM?

Maria Emília: O último parágrafo do posicionamento do CFM  mostra toda a incongruência do texto: “Finalmente, na esfera jurídica, entende-se que a proposta de alteração do Código Penal estabelecida no PLS 236/2012 – NÃO IRÁ DESCRIMINALIZAR O ABORTO. A conclusão dos Conselhos de Medicina é de que com a aprovação desse projeto o crime de aborto continuará a existir, apenas serão criadas outras causas excludentes de ilicitude. Ou seja, somente nas situações previstas no projeto em tramitação no Congresso que a interrupção da gestação não configurará crime.”

Note-se a incoerência: o Conselho admite que é crime e se o faz é porque admite que o ser em gestação é uma vida humana que merece ser protegida, caso contrário não haveria crime. Ainda assim, fere o código de ética propondo ao médico que desrespeite essa vida, que admitiu ser humana, e nega estar propondo a descriminalização.

Porém, há no código de ética médica um artigo sobre a objeção de consciência, em que o médico não pode ser obrigado a realizar procedimentos que sejam contrários à sua convicção pessoal.

O juramento de Hipócrates, que o médico faz na sua formatura, ainda é válido, ou isso de defender a vida é algo que vai com a moda do momento?

Maria Emília: Embora o  contexto sócio-cultural seja o da quebra de paradigmas com o conseqüente relativismo ético e moral em uma sociedade utilitarista, individualista e hedonista, acredito que haja valores que sejam supra-culturais e derivem da razão humana que sabe diferenciar beneficência de maleficência e tem consciência do que seja justiça. Embora muitos vejam no juramento de Hipócrates um certo grau de paternalismo, acredito  que ele reflita o verdadeiro ethos daqueles que tem vocação para a medicina.

Renato Varges, Professor universitário

Eu precisava desabafar depois de ler as palavras do presidente do Conselho Federal de Medicina: “Somos a favor da vida, mas queremos respeitar a autonomia da mulher que, até a 12ª semana, já tomou a decisão de praticar a interrupção da gravidez”. (Dr. Roberto Luiz d´Avila)

O que talvez o Dr. Roberto tenha esquecido é que o Principio Bioético da Autonomia diz respeito ao “autogoverno, autodeterminação da pessoa em tomar decisões relacionadas a SUA vida, SUA saúde, SUA integridade físico-psiquíca e SUAS relações sociais”. (Fiz questão de citar a definição oferecida pelo próprio site do CFM, mesmo havendo melhores definições em fontes mais ricas).

A Autonomia da mãe não é absoluta e não lhe dá direito sobre uma vida que, geneticamente, fisiologicamente e ontologicamente não é a sua!

Se a opção é justificar o aborto partindo de um princípio da bioética, o Dr. Roberto escolheu muito mal, pois qualquer pessoa de boa vontade entende, sem dificuldade, que o corpo de uma criança no ventre de uma mulher não é e não pertence à mulher. A reconhecida dependência feto-mãe não garante à mãe direito absoluto sobre o corpo do feto, pois se o conceito relativizado de dependência for utilizado para nortear a discussão, justifica-se também a morte de fetos com oito meses de gestação ou neonatos lactentes, afinal possuem também um grau de dependência.

A dependência de um feto em relação à sua mãe não anula sua independência ontológica, pois ele é um ser humano que existe e não é o ser da mãe.

Quem responderá por ele senão sua própria dignidade enquanto vida humana indefesa? Portanto, se vamos clamar pela autonomia, lembremos que existem duas vidas humanas envolvidas no caso, mãe e filho. Se a mãe clama pela autonomia de querer “interromper a gravidez” (matar), o filho tem vida humana e clama pela autonomia de querer viver! Vamos relativizar a vida humana, atribuindo-lhe valor circunstancial e voltar ao eugenismo nazista? É isso?

É claro que a mãe, como responsável pelo filho incapaz, tem voz de decisão sobre a vida dele. No entanto, não estamos falando aqui de uma criança que não pode assinar um Consentimento Livre e Esclarecido para passar por uma intervenção cirúrgica de risco e para isso conta com o amparo materno para saber até onde deve colocar a vida do próprio filho em risco. Estamos falando de um ser incapaz sim, mas em pleno gozo de saúde e que não precisa que sua mãe assuma o papel de responsável pela sua morte sem uma justificativa ou obrigação invencível. Se morrer, morrerá a toa, sem que isso seja um benefício real para alguém!

O segundo argumento é que até 12 semanas “interromper a gravidez” (assassinato) é menos arriscado para a mulher e o “produto da fecundação” (termo que ele estranhamente não usou ao referir-se à criança) ainda não possui “sistema nervoso central completamente formado”.

Aqui seria importante lembrarmos outro princípio da bioética, o da Beneficência (junto à Não Maleficência), sem o qual o princípio da autonomia torna-se cego e arriscado (vide casos de transfusões em Testemunhos de Jeová). O principio da Beneficência, que inclusive norteia o juramento hipocrático que todos os médicos fazem, consiste em “usar o tratamento para fazer o bem, segundo minha capacidade e juízo, mas nunca para fazer o mal e a injustiça”. Ou seja, nesse caso o princípio de não fazer mal à mulher seria uma alegação válida, mas o de não fazer mal a outra vida humana indefesa e inocente, não seria valido? Desta forma, Autonomia e Beneficência passariam a pertencer a uma ética míope, tendenciosa e, diria, imoral!

Além disso, qual a fundamentação biológica para definir que a formação completa do SNC é o evento que determina o início da vida? Um ser humano desenvolve-se continua e ininterruptamente a partir da fecundação e se nada INTERROMPER este processo, tudo ao seu tempo passará a funcionar de acordo com a necessidade e a determinação genética da sua natureza. Todo ser humano está geneticamente orientado para um desenvolvimento contínuo e integral, numa seqüência de eventos moleculares que ocorrem cada um ao seu tempo e independentes da mãe. Da mesma forma que um recém nascido não tem e não necessita ter pelos, dentes…,um embrião ainda não necessita de seu SNC maduro para vive, pois isso não lhe compromete a vida, no entanto ele precisa por exemplo do coração funcional e por isso já o possui, batendo vigoroso e acelerado desde os primeiros dias da sua existência.

O que determina o início da vida então? O coração batendo? Os dentes nascendo? O SNC maduro? A fecundação? Uma resposta honesta deve fugir do campo dos conceitos e firmar-se no campo biológico, fora do alcance tirano dos interessados na morte, especialmente porque já tiveram o direito de nascer preservado.

Mas, no fundo, no fundo… O problema é que não se trata aqui de argumentos inteligentes, lógicos e coerentes. Eles só convencem quem não precisa ser convencido! A esmagadora maioria emudecida de nossa população repudia o aborto, mas é uma maioria amordaçada, sem voto, sem microfone, sem voz e sem vez.

Portanto, toda argumentação sobre a defesa da vida não vai mudar a agenda que a ONU impôs aos países latino-americanos. Não mudou no Uruguai, não mudou na Argentina e trágica e desgraçadamente não vai mudar no Brasil. Apesar do CFM dizer que estão apenas assumindo uma posição e quem legisla é quem fala pelo povo, isso é mentira! O legislativo não fala pelos interesses do povo, mas pelos interesses de uma minoria que tem dinheiro e poder e por isso manda e desmanda em nosso país. Quando se trata de obedecer às grandes fundações, quando se trata de montantes de trilhões de dólares, tudo tem um preço, até mesmo a verdade fundamental das palavras, que nas mãos dos poderosos passam a valer o quanto pesam, ou melhor, passam a pesar o quanto valem.

Assim, quando os interesses são impostos, mudam-se os conceitos, distorcem-se as palavras, ajeitam-se os termos e a mascaram-se as manchetes……Neste contexto, ordem é tudo que estiver ao alcance de um jeitinho, progresso é autodestruição anestesiada pelo poder, prazer e possuir; a medicina é uma eugenia disfarçada, úteros são sepulcros decorados de egoísmo, a gravidez é a injustiça de uma criança carrasca com sua mãe indefesa, que solicita matar o que seu corpo foi criado e ordenado para proteger, tornando a beleza da gestação um gélido velório e a maternidade um exercício nazista que maquia a morte de vida.

E assim, sem ter muito trabalho de ler e pensar, muita coisa a gente faz, seguindo o caminho que o mundo traçou, seguindo a cartilha que alguém ensinou, seguindo a receita da vida normal… vamos estupida e soberbamente destruindo, com ares de sabedoria e evolução, aquilo que de mais precioso possuímos…a dignidade da vida humana.

O Prof. Dr. Anthony J. Cernera é Presidente da FIUC, doutor em teologia e foi presidente da Universidade Sagrado Coração (Sacred Heart University), em Fairfield, Connecticut, EUA, de 1998 a 2010, sendo atualmente professor de Estudos Religiosos nesta instituição. Sob sua liderança, a universidade conseguiu dobrar o número de estudantes de graduação, criar mais de uma dezena de programas, incluindo doutorado em Fisioterapia, além de estabelecer novos campi em Luxemburgo e Irlanda.

Durante três anos, Anthony J. Cernera foi eleito presidente da Conferência de Faculdades Independentes de Connecticut, sendo ainda diretor da Associação Nacional de Faculdades e Universidades Independentes e da Associação de Faculdades e Universidades Católicas.

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Junto aos diretores visamos aprimorar sua formação espiritual no seio da faculdade em vista dos estudantes. Procuramos desenvolver programas com os diretores para o aprimoramento de seus campus. Por exemplo, nos Estados Unidos, temos cerca de 220 universidades católicas, nas quais há a possibilidade de que os estudantes cursem teologia, mas em outras partes do mundo, os cursos de teologia não estão presentes na grade curricular. Nós tentamos encorajar as instituições filiadas a implantar os cursos de teologia ao lado de seus excelentes programas de Engenharia, Educação e Direito. Dessa forma pode-se engajar os estudantes nas tradições teológicas e espirituais para que as universidades católicas possam ser completamente católicas em vista de formar profissionais melhores, e sobretudo, pessoas melhores. Nossa missão também é encorajar os reitores a refletir sobre esse ponto.

Anthony J. Cernera é diretor fundador e membro do comitê executivo do Global Virus Network, rede internacional formada pelos 27 principais centros de pesquisa em vírus na internet. É diretor da Fundação Stem for Life, que financia pesquisas em desenvolvimento de terapias com células-tronco adultas. Participa ainda da diretoria de outras fundações e ministra palestras sobre identidade católica e diálogo inter-religioso. Leigo, nascido em 1950 é descendente de emigrantes italianos de Nápoles e da Calábria.

Que pontos de aprofundamento nas relações entre Fé e razão o Prof. Anthony Cernera, Presidente da Federação Internacional das Universidades Católicas, recomenda para os pesquisadores nesse início do segundo decênio do século XXI?

Prof. Anthony Cernera: O maravilho caminho que nos pode guiar nesse ponto, é a missão de congregar os educadores em todo o mundo. Nós necessitamos aprender uns dos outros sobre as diferentes culturas que os estudantes vivem, e mais especialmente nas relações entre fé e cultura. O diálogo entre a fé e a cultura, da fé e da ciência, deve ser sustentado onde está a universidade católica. Assim os pesquisadores de mais de 200 universidades católicas dedicam-se a isto nessa semana esperando assim, em fraterna união, aprimorar o diálogo entre as culturas e a fé.

Qual o principal obstáculo para reunir todas as universidades católicas sob o ideal defendido pela FIUC, visto que ela congrega cerca de 20% das universidades católicas do mundo?

Prof. Cernera: Algumas universidades não apreciam o valor e a importância de estar conectadas com organizações globais. Algumas universidades não são capazes de compreender a dimensão internacional própria à nossa identidade católica. Há de se ajudar as pessoas a entender que ser católico, além de significar estar unidos entre si num país particular, significa sobretudo estar inserido no grandioso contexto da Igreja Universal. Alguns não apreciam isso. No entanto, embora haja algumas universidades que não sejam membros formais da federação, estamos em contato direto e indireto com todas as universidades católicas do mundo.

No mundo moderno há um dilema entre a ética pós-moderna e a ética cristã. O que a Federação orienta aos seus membros sobre essa perspectiva?

Prof. Cernera: A imagem que poderíamos usar para esse problema, é que as Universidades Católicas devem construir pontes. Não devemos procurar as diferenças, mas os lugares nos quais podemos começar um diálogo. Onde não há diálogo, não há possibilidade para as pessoas de nossos dias participarem na vida da Igreja. Assim, nossa responsabilidade de evangelizar consiste sobretudo na missão de construir pontes de diálogo, de comunicação, e mais especialmente nos pontos que temos em comum, e a eles devemos nos dedicar. Assim penso que as universidades católicas devem sempre encontrar pontos de diálogo a fim de dizer uns aos outros o que se pode ensinar e o que se pode aprender.

O que a Federação propõe de programas para os membros das instituições federadas na FIUC?

Prof. Cernera: A Federação Internacional de Universidades Católicas está mais especialmente voltada para os reitores das universidades, mas há também grupos setoriais que congregam professores de psicologia, educação, teologia e filosofia. Eles se reúnem para aprimorar as relações entre os professores e os alunos. Assim há um trabalho voltado aos professores, enquanto que com os estudantes o trabalho é bem reduzido. O foco principal da federação são de fato os reitores das universidades.

Marcos Melo – Gaudium Press

André Gonçalves Fernandes

O que é freqüente é normal?

E o que é normal é necessariamente lícito?

Eis uma das inúmeras questões da moralidade coletiva deste século. A moral é um assunto de foro particular e, portanto, relacionada ao indivíduo.

O homem, contudo, vive em sociedade e, indissoluvelmente, tem uma vida individual encadeada com a vida coletiva, e, por consequência, a vida moral está condicionada (e não determinada) naturalmente pela situação social em que se vive, pelo conjunto de usos e costumes, de regras e pressões sociais.

Diante da natureza pessoal da moral, o fator categórico é a liberdade: o homem é dotado de responsabilidade, o homem realiza sua vida, mas, evidentemente, na medida em que as circunstâncias o consentem. Todavia, o projeto é próprio. Cada qual vislumbra seus projetos de vida e tenta realizá-los, mas sob o influxo das inumeráveis circunstâncias sociais.

A liberdade, sempre fundamental e decisiva, faz também com que o homem seja responsável por seus atos: eu sou responsável, não pelo conteúdo último da minha vida nem por aquilo que me afeta do exterior, mas sim por aquilo que escolho, prefiro e decido dentro das possibilidades. Eu sou eu mais minhas circunstâncias.

O homem atual é afetado por uma série de interpretações da realidade que, muitas vezes, têm uma conotação moral. Surgem modos de vida e de família, de relacionamento humano e de ética política, que são, sob certo ângulo de vista, juízos valorativos, favoráveis ou desfavoráveis conforme o caso concreto e, não raro, apresentam-se como normais só porque são frequentes.

Penso que esta identificação emerge com algum perigo: considerar o frequente como normal, o normal como lícito e o lícito legalmente como se fosse moral. A conclusão nem sempre é válida. Pode haver situações frequentes que não são normais. Pode haver conjunturas normais, mas que, apesar disso, nem por isso são lícitas. Pode haver coisas lícitas legalmente, porém que não o são moralmente.

Lembre-se que a palavra “moral” deriva do substantivo latino “moris”, que significa costume. Ou seja, os costumes têm um caráter moral, vivem-se como algo que tem condição moral e, evidentemente, a moral é afetada pelos costumes. Desde pequeno, sempre se ouve falar de “bons costumes” ou “maus costumes”, diante dos quais o homem, saliente-se, é sempre livre.

Em última análise, o homem pode acatar as infinitas vigências sociais ou resistir a elas, mas deve submetê-las ao ponderável. A vigência é algo dotado de força e, logo, devo sopesá-la, precisamente porque exerce pressão. No entanto, no final das contas, sempre posso recusar ou aceitar, com veemência ou mesmo frouxamente. Não se trata de tarefa fácil e, na prática, a vida coletiva fica influenciada por este sistema de pressões.

Quando se age de acordo com os bons costumes, eles criam, em suma, hábitos. Em razão disso, não se circunscrevem a fazer bons cidadãos do ponto de vista da conduta externa, o que se dá por intermédio das leis. Também influenciam a moralidade do homem, ao contribuir para formar virtudes.

No terreno da moral, sendo a vida social uma realidade moral, a boa ação só é alcançada pelo hábito das potências humanas especificamente pessoais: prudência, em relação à razão prática, e justiça, fortaleza e temperança, por parte da vontade. O homem não tem outro modo de agir neste campo.

Como a maioria das virtudes não são inatas, mas adquiridas pela repetição de atos, as leis, compelindo a agir segundo uma virtude, acabam conseguindo que quem as obedece alcance as virtudes correspondentes. O motorista que cumpre o Código de Trânsito assume, com o tempo, o hábito de dirigir prudentemente, respeitando a si e aos outros condutores e pedestres.Eis um importante aspecto das relações entre o lícito legalmente e a moral.

As leis não são indiferentes no que toca à formação e ao comportamento morais do homem. Pelo contrário, influem neles intensamente, contribuindo, de modo notável, para dotar com maior vigor os bons costumes.

Separar em categorias estanques o normal, o lícito e o moral, como se fossem mundos isolados e sem relação mútua, supõe uma concepção adulterada da realidade. Hoje, é propagada pelos defensores dessa utopia que chamam de Estado moralmente neutro, assunto já abordado em outros artigos.

As condutas frequentes, tidas como normais, quando em desacordo objetivamente com o lícito legal ou até mesmo a moral, afetam a ordem humana de maneira danosa, pois maculam o efeito proporcionado pelas ações praticadas segundo aqueles ditames.

Na ordem humana, o homem tende a agir segundo as virtudes ou os correspondentes vícios. Por isso, o normal, o lícito e o moral caminham sempre de mãos dadas. Pretender uma postura dissonante é cair no mais puro irrealismo. Não existe alternativa. Como canta Bono Vox, vocalista da minha banda predileta, na faixa que dá o nome ao seu recente álbum, “no, no line on the horizon, no, no line”.

Lígia Formenti – O Estado de S. Paulo.

Anteontem, a ministra Eleonora Menicucci, da Secretaria de Políticas para Mulheres, havia afirmado que, embora existam 63 serviços credenciados na rede pública para fazer o aborto legal no País, muitos na prática não funcionam porque médicos alegam objeção de consciência.

O aborto é permitido no País nos casos de gravidez resultante de estupro e de risco para a vida da mulher. As duas possibilidades estão previstas no Código Penal brasileiro.

“A objeção de consciência é um direito previsto no código de ética médica. Nenhum profissional está obrigado a prestar atendimento que esteja em desacordo com suas convicções”, afirmou Vital.

No entanto, assim como a ministra, o vice-presidente do CFM avalia que mulheres autorizadas por lei a interromper a gravidez não podem ficar sem assistência médica.

Consciência

Durante reunião no Conselho Nacional de Saúde, Eleonora afirmou que, diante da negativa do médico em fazer o aborto, uma opção seria substituir o profissional por outro que não apresente problemas de consciência para prestar atendimento. O vice-presidente do CFM tem entendimento semelhante.

Vital observa que, se um profissional vai trabalhar num serviço de referência para atendimento à mulher vítima de violência, ele sabe que poderá ser requisitado a fazer abortamento legal.

“Ele tem de fazer a objeção antes mesmo de ingressar no serviço. Aos gestores, cabe montar uma equipe de forma que ele seja poupado a fazer tal atendimento.” Mas, nos casos em que ele está sozinho nos serviços, a objeção de consciência tem de ser avaliada com cuidado.

Atualmente, existem 557 centros para atendimento das mulheres e 63 capacitados para fazer o aborto. De acordo com o Ministério da Saúde, outros 30 estão sendo capacitados para também fazer a interrupção da gestação nos casos previstos na legislação.


Fernanda Bassette – O Estado de S. Paulo.

Nasceu sábado passado o primeiro bebê brasileiro selecionado geneticamente em laboratório de modo a não carregar genes doentes e ser totalmente compatível com a irmã – que sofre de talassemia major, uma doença rara do sangue que, se não for tratada corretamente, pode levar à morte.

Maria Clara Reginato Cunha, de apenas 4 dias, nasceu no Hospital São Luiz para salvar a vida de Maria Vitória, que tem 5 anos e convive com transfusões sanguíneas a cada três semanas e toma uma medicação diária para reduzir o ferro no organismo desde os 5 meses.

Nos pacientes com talassemia major – a mais grave e a que realmente precisa de tratamento -, a medula óssea produz menos glóbulos vermelhos e, consequentemente, não consegue fabricar sangue na frequência necessária, podendo causar anemias graves. No Brasil, são pouco mais de 700 pessoas com a doença.

Técnica

Selecionar embriões saudáveis para tentar salvar a vida de outro filho doente não é novidade – esse procedimento é feito no mundo todo desde a década de 1990. A novidade, neste caso, é que além de não carregar genes da talassemia major, o embrião selecionado (Maria Clara) também é 100% compatível com Maria Vitória, o que vai facilitar a realização de um transplante de sangue de cordão umbilical.

Segundo o geneticista Ciro Dresh Martinhago, a técnica usada para identificar os genes doentes e também a possível compatibilidade é a mesma – de biologia molecular -, mas exige mais conhecimento específico no caso de analisar a compatibilidade.

“A gente coleta uma única célula do embrião para fazer a análise molecular. Ao todo, verificamos 11 regiões do DNA da célula, sendo 2 relacionadas ao gene alterado e 9 relacionadas à compatibilidade, que é mais complexa”, explica o médico, diretor da RDO Diagnósticos e responsável pela análise genética.

De acordo com ele, as chances de um casal gerar embriões que sejam compatíveis e não carreguem o gene doente são de apenas 18% – daí a importância da ciência nesses casos.

Além disso, a dificuldade de realizar a técnica e a falta de profissionais experientes nessa área são alguns dos motivos que fazem o método ser pouco usado. O primeiro caso de seleção de embrião 100% compatível no mundo aconteceu em 2004.

Decisão

Antes de decidir fazer a fertilização, o casal Jênyce Carla Reginato Cunha Eduardo Cunha entrou em contato com pelo menos 30 médicos do Brasil e do exterior. Na primeira tentativa, os seis embriões gerados no processo de fertilização foram descartados ou porque tinham a doença ou porque eram incompatíveis com Maria Vitória.

Na segunda tentativa, o casal conseguiu produzir dez embriões, dos quais apenas um não tinha a doença e era 100% compatível. Um segundo embrião compatível tinha apenas traços da doença (ela não se manifesta) e também foi implantado na mãe.

“Concluímos 90% do nosso objetivo. Os 10% que faltam são o transplante, que vamos deixar nas mãos de Deus. Se não tivéssemos persistência, fé e coragem, não estaríamos aqui”, diz a mãe.

A coleta das células do cordão foi feita pela equipe do Hospital Sírio-Libanês, onde será feito o transplante. “Há outros relatos na literatura e tem tudo para dar certo. Vamos esperar alguns meses porque, se não der certo com o cordão, nós podemos coletar a medula do bebê”, explicou o hematologista Vanderson Rocha.

Merula Anargyrou Steagall, presidente da Associação Brasileira de Talassemia (Abrasta), diz que a entidade está comemorando a conquista. “É uma porta que se abre e representa uma esperança para outras doenças genéticas e não apenas para a talassemia. Agora, vamos acompanhar os resultados.”

Artur Dzik, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Humana, também considera o nascimento de Maria Clara uma conquista. “É mais um avanço da ciência na área da medicina reprodutiva que só veio para o bem. É uma forma de medicina preventiva.”

Na Espanha, nasce o 2º bebê gerado com a mesma técnica

Na Espanha, em um hospital de Sevilha, nasceu no sábado o segundo bebê do país selecionado geneticamente para salvar um irmão. A menina Estrella deverá doar medula óssea para seu irmão Antonio, que sofre de aplasia (problema na medula óssea). A cirurgia não tem data marcada.

A lei que permite a seleção de embriões compatíveis com filhos doentes foi aprovada na Espanha em 2006, atraindo críticas da Igreja Católica. O primeiro bebê geneticamente selecionado para esse fim no país nasceu no mesmo hospital, o Virgen del Rocío, em 2008.

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O nascimento  significou a “destruição de outras vidas, as dos seus próprios irmãos”,  a intervenção médica é moralmente suspeita. A Igreja, portanto não concorda.

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BEBÊS DESIGNER: SELEÇÃO GENÉTICA TAKES OFF

Com suporte nos dois lados do espectro político

Dificilmente passa uma semana sem algum anúncio de avanços da genética. No meio deste pressões de desenvolvimento científico estão a crescer a praticar eugenia, seja por eliminar nascituros vistos como inferiores ou procurando maneiras de melhorar a qualidade da próxima geração.

Um exemplo recente dessa mentalidade era um ensaio publicado em 05 de fevereiro o jornal The Guardian por Johnjoe McFadden, leitor em microbiologia molecular na Universidade de Surrey. Segundo McFadden, a menos que abraçar a engenharia genética, que se tornará uma espécie de doentes e debilitados.

Seu raciocínio baseia-se na teoria darwinista da seleção natural. Durante milhões de anos, explica ele, o forte ter sobrevivido enquanto o pereceram fraco, e isso “nos tornou os animais bem sucedidos que somos hoje.” O problema hoje é que a Medicina moderna permite que as falhas genéticas para sobreviver e reproduzir-se e, enquanto estamos agora mais saudável do que no passado, nosso estoque genético não está melhorando.

A resposta, de acordo com McFadden, é abraçar a nova tecnologia que permitirá que o código genético humano para ser modificado, e isto significa que podemos evitar a degeneração.

Lote 28
Outra forma de “melhorar” a raça humana é, por reprodução seletiva. O Telegraph  analisou a vida de Doron Blake, um dos primeiros bebês de designer da América.Doron, agora na universidade em Portland, Oregon, foi concebida usando esperma selecionados especialmente destinado a dar-lhe um QI Mensa-grade, e um gênio da música, ciência e arte visual.

Em parte, este projeto tem sido bem sucedida. Em seus exames escolares marcou o máximo possível em matemática, e ele toca piano, violão e sitar com facilidade. Ele sabe sobre suas origens desde que ele tinha 5 anos, a idade em que ele teve um último teste de QI. “Foi cerca de 180, não tenho certeza”, disse Doron. No entanto, ele teve dificuldades emocionais e sofre um gaguejo. Ele também considera a ciência chato, seu tema é a religião.

Doron foi concebido como parte de um projeto no repositório para Escolha Germinal, uma instituição fundada no sul da Califórnia, em 1980, conhecido também como o banco de esperma Genius. Seu pai só foi conhecido como Lote 28. O fundador da clínica, Robert Graham, fundou o centro, a fim de ajudar a raça humana, melhorando a sua herança genética.

A idéia era reunir o esperma dos melhores intelectos do mundo – ganhadores do prêmio Nobel, professores, grandes artistas e músicos – e oferecê-lo às mulheres interessados ​​em dar à luz a bebês que pode crescer até ser gênios. Entre os primeiros doadores, eo único a anunciar suas intenções, foi o físico e prêmio Nobel William Shockley, que proclamou abertamente uma crença de que os negros são geneticamente inferiores aos brancos.

Doron mãe, Afton Blake, é um psicólogo de Nova Era e hippie unreconstructed que nunca se casou, e ela estava entre os primeiros clientes da clínica. Doron foi o segundo de 230 bebês a ser concebido.

Triagem de embriões

Outra forma de praticar a eugenia é, eliminando aqueles considerados inferiores. The New Zealand Herald em 22 de janeiro descreveu um projeto para fazer isso recebeu recentemente aprovação oficial. Dr. Bert Stewart de Auckland Fertilidade Associates diz que a autorização foi concedida pelo Ministério da Saúde do comitê de ética para um estudo de viabilidade de um programa que vai exibir os embriões defeituosos antes do nascimento.

Ele diz que o programa verifica os cromossomos em células embrionárias para filtrar defeituosos embriões que não são susceptíveis de desenvolver em bebês, ou tornar-se bebês com graves anomalias do desenvolvimento. Stewart diz que o programa vai fazer uma diferença enorme para os casais que tentam ter filhos através de fecundação in vitro.

Cientistas britânicos, por sua vez, desenvolveram um teste que permite aos médicos embriões tela para baixa inteligência. O Sunday Times informou 26 de novembro que o kit de teste pode identificar uma série de defeitos genéticos conhecidos para levar a dificuldades de aprendizagem. O kit foi adaptado para uso pelos médicos nos Estados Unidos e Espanha sobre as famílias que suspeitam ter um risco herdado de um defeito. Usando técnicas de proveta do bebê, os médicos, em seguida, selecione apenas os embriões perfeitos para ser devolvido para o útero.

Alguns especialistas rejeitar este método, temendo que ele cria uma mentalidade que rejeita os bebês com menor inteligência. “Há uma necessidade urgente de regulamentação do que constitui um uso legítimo desse tipo de diagnóstico genético”, disse Richard Nicholson, editor do Bulletin of Medical Ethics. “Baixo QI não é risco de vida. Este é um passo significativo no sentido de eugenia”.

Já existem indícios de que em alguns círculos com um baixo QI já é visto como alguém fora marcação como subumanas. O serviço de notícias conservador informou que 15 de janeiro, durante um episódio sobre a parentalidade, talk-show Bill Maher disse que os cães e as crianças deficientes mentais eram comparáveis.

O show, que foi ao ar 11 de janeiro, contou com um painel de quatro pessoas que discutiram as responsabilidades parentais. Em um ponto, Maher disse a um visitante que tinha dois cães, mas sem filhos, e acrescentou: “Eu sempre disse que se eu tivesse duas crianças retardadas, eu seria um herói, e ainda os cães, que são praticamente o mesma coisa – o que “? Maher continuou caracterizando crianças mentalmente retardadas como “doce”, “amar” e “tipo, mas não mentalmente avançar em tudo …. Os cães são como crianças retardadas.”

Eugenia defendida

Em um nível mais intelectual, a eugenia está desfrutando de popularidade renovada. Na edição de inverno da revista The Public Interest, editor-executivo Adam Wolfson disse que de acordo com o fundador da sociobiologia, professor de Harvard, Edward O. Wilson, dentro de algumas décadas, vamos entrar numa era de “evolução volitivo”, tendo ganho a capacidade para “alterar não só a anatomia e inteligência das espécies, mas também as emoções e impulso criativo que compõem a essência da natureza humana.”

Vozes influentes, observou Wolfson, têm apoiado a esta evolução de engenharia, entre eles o especialista em ética Ronald Dworkin. Em seu último livro, “virtude soberana”, Dworkin decorre um imperativo eugênica de princípios do liberalismo da igualdade e da autonomia. Quanto ao princípio da igualdade, Dworkin afirma que “é objectivamente importante que qualquer vida humana, uma vez iniciada, ter sucesso em vez de falhar – de que o potencial de que a vida ser realizado, em vez de desperdiçado – e que esta é igualmente objetivamente importante no caso de cada vida humana “. E que respeita ao princípio do liberalismo de autonomia, Dworkin sustenta que uma pessoa “tem o direito de tomar as decisões fundamentais que definem, para ele, que uma vida bem sucedida seria.” Tomados em conjunto, estes dois princípios mandato liberal, em vista de Dworkin, uma nova eugenia.

Não é apenas liberais que apóiam a eugenia, observado Wolfson. A Razão revista libertária ea revisão conservadora Nacional tem dois artigos prazo endossando a nova eugenia. Isto é devido à influência do individualismo dentro de alguns círculos conservadores, uma mentalidade que aprova o direito de todos a fazer suas próprias escolhas privadas.

Wolfson diz que a nossa visão do homem está saturado com as categorias tecnológicas de pensamento. É hora de uma visão mais arredondada da pessoa humana, baseada no humanismo cristão, que irá apresentar argumentos convincentes para rejeitar a nova onda de eugenia.

Zenit

Oferecemos  um interessante artigo do nosso colaborador regular Rafael Navarro-Valls, membro da Real Academia de Jurisprudência e Legislação da Espanha, no qual analisa o que está acontecendo nos EUA em relação a um dos princípios constituintes do país, a liberdade religiosa.

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Por Rafael Navarro-Valls

Algo estranho está acontecendo nos EUA com a primeira das liberdades, isto é, a liberdade religiosa. Por um lado, a sociedade está afastando as últimas brasas da intolerância religiosa, admitindo, sem muitos problemas, a condição de Mórmon ou de católico nos candidatos para a presidência. Ao mesmo tempo, a Corte Suprema ratifica a importância da liberdade religiosa, ditando uma sentença importante – com unanimidade surpreendente, num tribunal normalmente dividido, a favor de que as organizações religiosas possam demitir funcionários por motivos de coerência de vida, ortodoxia no seu trabalho de ensino ou comportamento. O Supremo (s. 12 de janeiro de 2012) considera que por acima das normas sobre discriminação laboral está a primeira emenda à Constituição, que garante a liberdade religiosa.

No entanto, a administração Obama parece ir contra-corrente, com uma série de medidas que estão causando reações em cadeia entre os bispos norte-americanos e no próprio Vaticano.

Assim, em poucos dias, o Arcebispo de Nova York e presidente da Conferência Episcopal americana, cardeal Timothy Dolan, e o arcebispo de Los Angeles, monsenhor José H. Gomez, falou fortemente contra normas federais que proíbem a centros médicos vinculados com a Igreja recusar-se a facilitar o aborto – se neles atendem-se a pessoas que não são da Igreja – ou que impõem como regra dar para os funcionários de instituições religiosas (escolas, asilos, hospitais, universidades, etc.) um pagamento para serviços de “controle da natalidade” (abortos, esterilizações, pílulas abortivas, etc.), como parte de um pacote de seguros.

A primeira das liberdades

“Isso não deveria acontecer numa terra onde o livre exercício da religião ocupa o primeiro lugar na declaração de direitos”, disse Dolan. Há alguns meses atrás, a Conferência Episcopal tinha criado uma comissão especial para a liberdade, precisamente por causa do número “crescente de programas e políticas federais que ameaçam os direitos de consciência, ou que podem comprometer o princípio fundamental da liberdade religiosa”.

Bento XVI em um discurso aos bispos católicos dos Estados Unidos em visita ad Limina, expressou sua preocupação por algumas “tentativas de limitar a mais querida das liberdades americanas, a liberdade religiosa. Muitos de vocês disseram que tem havido um esforço coordenado para negar o direito à objeção de consciência à pessoas e instituições católicas no que se refere à cooperação em práticas intrinsecamente más. Outros me falaram sobre uma preocupante tendência a reduzir a liberdade religiosa a mera liberdade de culto sem garantias de respeito à liberdade de consciência”. É sintomático que Bento XVI una liberdade religiosa com objeção de consciência. A razão é que o último reduto defensivo dos cidadãos contra os ataques legais às suas convicções mais profundas é, de fato, os meios que dispõe a consciência ferida, que pode reagir recusando-se a acatar a lei, quando esta se converte em um ” simples procedimento de governo” para transmitir consignas ideológicas às pressas e, às vezes, com vulgaridade. É o que acabou de acontecer no caso de Jule Ward, decidido há poucos dias (27 de janeiro de 2012) por decisão de um Tribunal Federal de Recurso. É necessário deter-se nesse caso, pois mostra discriminações que sofrem os objetores como se fossem uma espécie de “novos hereges.”

Objeção de consciência e liberdade religiosa

Jule Ward era uma estudante em um programa de aconselhamento (terapia) da Eastern Michigan University. Foi expulsa do programa depois que pediu permissão para transferir um cliente homossexual para outro terapeuta. Ela, referindo-se às suas crenças cristãs, estava disposta a aconselhar os pacientes, mas só quando esse conselho não pretendesse “reafirmar” os seus comportamentos homossexuais. A Universidade lançou um processo administrativo, que culminou com a decisão de rescindir a aluna, motivando no argumento de que suas convicções de consciência não estavam de acordo com as normas profissionais de uma terapeuta. A estudante entrou com uma demanda ante um tribunal federal, alegando uma violação de seus direitos constitucionais à liberdade de expressão e ao livre exercício da religião.

Depois de uma instância contrária, o tribunal de apelação (Corte de apelação para o sexto circuito) decidiu outorgar a proteção à oponente. O tribunal critica que a universidade fizesse uma exceção no seu regulamento para respeitar as diferenças de opinião das pessoas em questões seculares mas não em questões religiosas: isto – conclui – não é respeitar as diferenças mas impor uma ortodoxia. Para o Tribunal, “uma universidade não pode forçar um aluno a alterar ou violar seus sistemas de crenças, como preço para a obtenção de um grau.” Entende-se assim, que os advogados defensores alegaram que, no caso Ward, a Universidade denunciante invocava tendenciosamente os códigos de ética profissional “como se fossem códigos que proíbem a blasfêmia e que permitem castigar como herejes os dissidentes”.

A estrela polar das democracias

Tem razão. Quando uma sociedade democrática sensata renuncia impor sua vontade sobre às minorias dissidentes, não dá mostra de debilidade mas de fortaleza. O recurso à objeção de consciência confirma a vitalidade da democracia, ao garantir um dos elementos políticos que o fundamentam: o respeito às minorias. Um objetor não é um herege dissidente que deve ser exterminado, é, ao contrário, alguém que aceita o sistema legal de forma madura e ética, já que se dirige aos valores sem limitar-se à pura formalidade da regra objetiva. Visto dessa forma as coisas, no conflito entre lei e consciência não devemos ver uma espécie de confronto entre dois interesses públicos: pois também o é a salvaguarda de âmbitos individuais de autonomia na estrutura democrática.

A liberdade de consciência é a “estrela polar” das leis morais, que permite o homem ser o que é e chegar a um determinado destino. Ignorá-la por meio de regras de “cumprimento obrigatória” é ignorar o que é a natureza do homem. Daí que desde instâncias muito diversas se apela ao direito como um instrumento por meio do qual a sociedade procura organizar-se a si mesma, em torno de valores que são essencialmente éticos. Valores cívicos, é claro, mas muitas vezes que têm uma origem religiosa. Descartar a consciência individual é uma potencial discriminação contra as minorias religiosas. Daí a importância que a questão está ganhando nos EUA e, em geral, em todo o Ocidente.

[Tradução Thácio Siqueira]