O usuário do YouTube EmperorTigerstar é bem conhecido por fazer animações cartográficos que explicam os acontecimentos históricos mundiais.

Ele já fez animações sobre a Guerra Civil Americana, as guerras mundiais e a expansão do Império Romano. Agora decidiu mostrar as mudanças geopolíticas na Europa e na Ásia Menor, desde o tempo da civilização Minoica, passando pelos impérios romano, Selêucida, Bizantino e Romano-Germânico, incluindo o Califado de Córdoba, até os dias atuais. Confira:

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À medida que as comunidades monásticas católicas evoluíam, desenvolveram-se vários jeitos de cortar o cabelo de um monge recém-iniciado.

Pode parecer uma discussão fútil, mas o cabelo é muitas vezes visto como o bem mais precioso de uma pessoa. Por exemplo, o cabelo era (e ainda é) usado como um indicador do status de uma pessoa, revelando o quão alto ela estava na hierarquia social. As perucas foram desenvolvidas pelos romanos para que penteados particulares pudessem ser facilmente feitos pelos ricos.

Em muitas culturas, a calvície era vista como algum tipo de defeito. Geralmente, os escravos eram raspados para distingui-los do resto da sociedade.

Nesse contexto, os monges queriam mostrar externamente o sacrifício que eles faziam ao abraçar a vida religiosa. Depois que um novo monge era autorizado a se juntar à comunidade, um dos primeiros rituais de iniciação era raspar o cabelo. Isso simbolizava sua renúncia ao mundo e deixava clara sua dedicação à vida religiosa.

Além disso, uma vez que a cabeça raspada era frequentemente associada a escravos, o monge careca tornava-se, da mesma forma, um “escravo” de Cristo.

Durante os primeiros séculos do monaquismo surgiu uma discussão sobre o tipo de corte (“tonsura”) que deveria ser feito. De acordo com a Enciclopédia Católica existiam três tipos diferentes, cada um ligado a um apóstolo específico:

 (1) o romano, ou o de São Pedro, quando a parte de cima da cabeça é raspada deixando apenas um círculo de cabelo em baixo e na frente;

 (2) o grego, ou de São Paulo, quando toda a cabeça é raspada;

 (3) o celta, ou de São João, quando apenas uma parte de cabelo é raspada na frente da cabeça.

O estilo celta de tonsura gerou controvérsias e foi banido no Sínodo de Whitby em 664. A tonsura romana prevaleceu e foi definida como padrão para as comunidades monásticas.

Isso pode ter acontecido por causa do simbolismo da tonsura romana, que representava a coroa de espinhos colocada na cabeça de Jesus. Além disso, alguns dos adversários da tonsura celta a associavam a Simão, o mago encontrado nos Atos dos Apóstolos.

Os estilos romano e grego ainda existem nos dias atuais e são adotados por várias comunidades religiosas da Igreja Católica.

Aleteia

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Afirmar que a Revolução Francesa perseguiu a religião não é de todo correto. Muitos que fazem essa afirmação supõem ou tentam fazer pensar que os revolucionários tinham os nobres planos de construir uma sociedade laica na qual os segmentos religiosos não tivessem privilégios nem fossem relevantes na vida pública. Não é esta a verdade objetiva.

O que os revolucionários realmente tentaram foi substituir as religiões históricas por uma “religião de Estado”, com suas próprias pretensões teológicas, funcionários, elites e privilégios, visando assegurar que os cidadãos se submetessem à lei não apenas no comportamento externo, mas inclusive na consciência e no coração. A lei é que seria “deus”.

Os Estados Gerais convocados por Luís XVI em 1789 se dividiam em três ordens: o clero, a nobreza e o “terceiro estado”. Os dois primeiros tinham 561 representantes em total (291 e 270, respectivamente), enquanto o terceiro estado, cujos representantes eram eleitos pelos franceses do sexo masculino, maiores de 25 anos e que pagassem impostos, contava com 578. O número não era tão importante, em tese, porque o rei desejava manter o voto por segmento e não por indivíduo. O objetivo da convocação era ajudar a monarquia a realizar reformas que melhorassem a situação geral do país, afundado na pobreza.

O clero não era um obstáculo para a política inicial de reformas. Os padres apoiavam as medidas propostas pelo terceiro estado para implantar a separação de poderes, a reunião frequente dos Estados Gerais, a sua supremacia na determinação dos impostos, o reconhecimento das liberdades individuais etc. Mas esse apoio às reformas não era mediante ações radicais: só um quarto dos membros do clero queria a ruptura da ordem vigente e a revolução democrática, enquanto a maioria dos padres defendia uma reforma paulatina e sem ruptura traumática. Apesar dessa atitude de moderação, a tomada da Bastilha em 14 de julho em 1789 e a posterior abolição dos privilégios feudais não foram fatos particularmente alarmantes para os bispos e sacerdotes, que estavam mais preocupados com os resultados da reforma constitucional iniciada por uma nova assembleia. A “Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão” promulgou a liberdade religiosa, reservando ao Estado o poder de determinar quando as opiniões em matéria de credo eram incompatíveis com a lei.

Esta liberdade teórica, no entanto, teve escassa duração real. Em 12 de julho de 1790, estabeleceu-se a chamada “Igreja constitucional”, que, na prática, imposta por um rápido processo de fundamentalismo estatista, se tornou o único “credo” aceito pelas autoridades. Essa “igreja” tinha organização e funcionamento próprio, decidido pelo Estado. Os sacerdotes católicos foram pressionados a jurar fidelidade às novas normas estatais em matéria de religião e a se desligarem da obediência ao seu bispo e a Roma. Apesar da determinação do Papa Pio VI e da rebelião dos bispos perante a pressão estatal (só quatro cederam à nova ordem), muitos presbíteros, em especial no centro do país, se uniram à “igreja laica” e viraram comissários políticos do Estado em matéria religiosa. A criação desta “igreja” foi celebrada no Campo de Marte, com os oficiantes ataviados em vestes tricolores francesas.

A perseguição contra os católicos que não aceitaram esta situação foi brutal.

Os sacerdotes que se mantiveram católicos foram perseguidos, impedidos de celebrar sacramentos e de pregar e, a partir de 18 de março de 1793, se fossem presos em solo francês, deviam ser executados em menos de 24 horas. Muitos tiveram a pena de morte comutada por um destino tão pavoroso quanto, nas infectas e tristemente célebres prisões da Guiana Francesa.

Ao mesmo tempo, foi cortada a comunicação entre os católicos franceses e o Papa, cujas cartas e documentos não podiam ser divulgados no país sem a aprovação prévia dos órgãos legislativos. A Igreja católica sofreu uma das piores perseguições da história. As crianças não podiam receber o batismo, nem a comunidade podia celebrar a Eucaristia. Só se conseguia oficiar algum sacramento na clandestinidade. Na Bretanha, região que registrou o maior número de sacerdotes contrários à nova “igreja” cismática, os fiéis se reuniam em barcas, longe da costa, ou no interior dos bosques. Aqueles que participavam dessas “reuniões ilegais” corriam o risco ser condenados à morte como inimigos do Estado. Na região bretã foram assassinados cerca de 120.000 católicos por motivos estritamente religiosos: tratava-se de mais de 15% da população.

Enquanto isso, as autoridades revolucionárias determinavam por decreto, sob os impulsos de Robespierre, a existência do “Ser Supremo” e a imortalidade da alma, instaurando a celebração de “festivais do Ser Supremo” a partir de 1794. Antes disso já tinham sido criados templos à “deusa Razão”, usando-se para tanto as igrejas e sinagogas. Em todo momento, o povo era induzido a ligar a sua consciência a uma série de normas políticas e morais ao gosto do poder – um gosto altamente variável e volúvel, diga-se de passagem.

Não foi o caso, portanto, de tentar eliminar a religião pura e simplesmente, nem de desbaratar os privilégios que de fato existiam para alguns setores do clero (e que de fato chegavam a ser extravagantes em certos casos). Foi o caso, isto sim, de um esforço estatal impositivo para transformar o Estado não apenas no máximo ditador da consciência individual, mas em objeto, ele próprio, de devoção pública.

Ainda hoje essas tentativas persistem, com outras estratégias e formatos – e é de extrema importância reconhecer as tentativas do Estado de ocupar o lugar da religião sob o disfarce abstrato e obscuro de uma indeterminada “cidadania” que se intromete no âmbito das consciências.

Marcelo López Cambronero

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Evidentemente é verdadeiro que aconteceram as Cruzadas, a Inquisição e centenas de casos hediondos de pedofilia por parte de membros da Igreja católica.

E também é verdade, lamentavelmente, que os fatos concretos a respeito dessas e outras polêmicas têm sido tergiversados, manipulados e inflados de modo grosseiro por pessoas que não estão dispostas a debatê-los com base na verdade, mas sim na sua conveniência ideológica.

Para quem quiser de fato debater com mais objetividade a “trindade” Cruzadas-Inquisição-Pedofilia, sugiro os seguintes textos:

SOBRE AS CRUZADAS

O horror do Estado Islâmico desmascara 4 mitos sobre as cruzadas – LER

Cruzadas, inquisição e guerra contra as mulheres: é hora de derrubar mitos – LER

SOBRE A INQUISIÇÃO

Inquisição, uma breve história – LER

Inquisição espanhola, uma lenda negra passada a limpo pela BBC de Londres – LER

Em defesa da Igreja? Não: em defesa da história! – LER

A perseguição religiosa mais terrível da história: não, não é a Inquisição espanhola – LER

Terror vermelho na Espanha: seu professor de História não lhe contou sobre a perseguição sangrenta contra padres e freiras? – LER

SOBRE PEDOFILIA NA IGREJA

Onde é que foram parar todos aqueles padres pedófilos? – LER

4 casos de padres presos injustamente por crimes que não cometeram – LER

A verdade inteira sobre o abuso sexual contra menores – LER

SOBRE NAZISMO E PIO XII

O plano de Hitler para sequestrar o Papa Pio XII – LER

Por que Hitler odiava tanto Pio XII? – LER

Pio XII conseguiu salvar 63,04% dos judeus de Roma durante a perseguição nazista – LER

“Presidente de Hitler” não, mas “Papa de Hitler” sim? – LER

A Igreja realmente apoiou o nazismo? – LER

Existe o risco, e é alto, de que a maioria dos detratores da Igreja não se dê ao trabalho de ler nenhum desses artigos e mesmo assim continue a criticá-la, mas também existe a chance de que alguns tenham um gesto elementar de honestidade intelectual e se informem sobre todos os pontos de vista antes de formarem a sua opinião. Meus votos são de que, cada vez mais, prevaleça a segunda possibilidade.

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1 – Em 13 de Janeiro de 1435, através da bula Sicut Dudum, o papa Eugénio IV mandou RESTITUIR À LIBERDADE os cativos das ilhas Canárias.

2- Em 7 de setembro de 1462, o papa Pio II (1458-1464) deu instruções aos bispos contra os tratamentos dos negros proveniente da Etiópia condenando o comércio de escravos como magnum scelus (grande crime)

3- Em 1537, o papa Paulo III (1534-1549), através da bula Sublimus Dei (23 de Maio) e da encíclica Veritas ipsa (9 de Junho), lembrava aos cristãos que os índios “das partes ocidentais, e os do meio-dia, e DEMAIS GENTES”, eram SERES LIVRES POR NATUREZA.

4- Em 1571 Tomás de Mercado, TEÓLOGO DE SEVILHA, declarava DESUMANA E ILÍCITA A TRAFICÂNCIA DE ESCRAVOS. Em sua Summa de TRATOS Y CONTRATOS, este autor afirmava não haver justificativa para negócio tão infame.

5- O papa Gregório XIV (1590-1591) publicou a CUM SICUTI (1591) condenando a escravidão.

6- O papa Urbano VIII (1623-1644), também se pronunciou contra a escravidão na COMMISSUM NOBIS (1639).

7- O papa Bento XIV (1740-1758) na Bula IMMENSA PASTORUM escreveu:
…recebemos certas notícias não sem gravíssima tristeza de nosso ânimo paterno, depois de tantos conselhos dados pelos mesmos Romanos Pontífices, nossos Predecessores, depois de Constituições publicadas prescrevendo que aos infiéis do melhor -modo possível dever-se-ia prestar trabalho, auxílio, amparo, não descarregar injúrias, não flagelos, não ligames, NÃO ESCRAVIDÃO, não morte violenta, sob gravíssimas penas e censuras
eclesiásticas…

8- O papa Gregório XVI (1831-1846) ao publicar a bula IN SUPREMO (1839) condenou a escravidão da seguinte forma:

Admoestamos os fiéis para que se abstenham do desumano tráfico dos negros ou de quaisquer outros homens que sejam...”

9- Em 1888, o Papa Leão XIII, na encíclica IN PLURIMIS, dirigida aos bispos do Brasil, pediu-lhes apoio ao Imperador (Dom Pedro II) e a sua filha (Princesa Isabel), na luta que estavam a travar pela abolição definitiva da escravidão.

Detalhe: Houve três papas africanos que vieram de uma região do norte da África, onde os povos eram predominantemente negros. Embora não haja nenhum retrato autêntico destes papas, há desenhos e referências na Enciclopédia Católica a respeito de serem africanos. Os nomes dos três papas africanos são Vencedor ou Victor, Gelasius , e Melquiades ou Miltiades.

PARA CITAR


VIANA, Marina. Documentos Oficiais da Igreja contra a escravidão. Disponível em: <http://www.apologistascatolicos.com/index.php/magisterio/documentos-eclesiasticos/decretos-e-bulas/506-documentos-oficiais-da-igreja-contra-a-escravidao>. 

REUTERS2002736_ArticoloA última vez que a Capela Sistina foi fotografada integralmente para a posteridade, foi em tempos em que a fotografia digital estava em sua infância e palavras como “pixel” eram cogitados principalmente por nerds de computador e cientistas da NASA.

Agora, depois de décadas de avanços tecnológicos na arte de fotografar, salas escuras digitais e técnicas de impressão, um projeto que durou cinco anos  –  num total de 270.000 frames que mostram os afrescos de Michelangelo e outros mestres, em detalhes impressionantes – vai ajudar nas restaurações futuras.

O mestre renascentista terminou de pintar o teto em 1512 e o enorme painel do “Juízo Final” por trás do altar entre 1535 e 1541.

“No futuro, isso vai nos permitir conhecer o estado de cada centímetro da capela, como é hoje, em 2017”, disse Antonio Paolucci, ex-Diretor dos Museus Vaticanos e especialista de renome mundial.

A última vez que todos os afrescos da Capela Sistina foram fotografados foi entre 1980 e 1994, durante um projeto de restauração, que limpou-os pela primeira vez em séculos.

As fotos tiradas foram incluídas em um novo conjunto de três volumes, de 870 páginas, limitado a 1.999 cópias e comercializado para bibliotecas e colecionadores.

O conjunto, que custa cerca de 12.000 euros (US$ 12.700), foi uma produção conjunta dos Museus do Vaticano e Scripta Maneant editores, da Itália.

Na pós-produção foram usadas técnicas de computador, incluindo “stitching” de frames. Os fotógrafos que fotógrafos trabalharam durante 65 noites, das 19 horas às 2 da manhã, período em que a Sistina estava fechada aos visitantes.

O projeto era conhecido por poucas pessoas, até ter sido revelado na noite de sexta-feira  (24/02).

O trabalho contemplou toda a Capela, incluindo o mosaico do piso e os afrescos do século XV.

Mais de 220 páginas foram impressas em escala 1: 1, incluindo “A Criação de Adão” e o rosto de Jesus no Juízo Final.

Cada volume pesa cerca de 9 kg e páginas desdobráveis medem 60 por 130 cm.

As antigas fotos, tiradas durante a última restauração, ainda faziam uso de rolos de filme.

“Nós usamos um software especial de pós-produção para obter a profundidade, intensidade, calor e nuance de cores com uma precisão de 99,9 por cento”, revelou Giorgio Armaroli, chefe de Scripta Maneant.

“Futuros restauradores usarão estas como padrão”, disse ele, acrescentando que cada página foi impressa seis vezes.

Pinceladas são claramente visíveis como são as “bordas” que delineiam seções, conhecidas como “giornate”, ou dias.

Os fotógrafos utilizaram andaimes portáteis a 10 metros de altura e lente telescópica especial. Os resultados foram armazenados nos servidores do Vaticano, ocupando 30 terabytes de informação.

Rádio Vaticano

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Quando eu era um rapaz, a minha educação Cristã estava a ser constantemente alvo de resistência por parte dos meus entusiasmos. Primeiro, foram os dinossauros. Lembro-me vivamente do meu choque quando abri uma Bíblia para crianças e deparei-me, logo na primeira página, com ilustrações de Adão e Eva lado a lado com um braquiossauro. Eu poderia ter seis anos, mas havia uma coisa – para arrependimento meu – que eu estava certo: nenhum ser humano havia visto um saurópode.

O fato do professor não se importar com este erro apenas aumentou o meu sentido de raiva e de espanto.  Pela primeira vez uma sombra de dúvida começou a pairar sobre a minha fé Cristã. Com o passar do tempo, esta sombra foi escurecendo cada vez mais. A minha obsessão com os dinossauros – glamorosos, ferozes e extintos – evoluiu de forma gradual para uma obsessão pelos antigos impérios. Quando eu lia a Bíblia, o meu fascínio não era tanto pelos filhos de Israel ou por Jesus e os Seus Discípulos, mas sim pelos seus adversários: os Egípcios, os Assírios, os Romanos.

Semelhantemente, embora eu continuasse a acreditar em Deus duma forma vaga, eu considerava-O infinitamente menos carismático que os meus Olimpianos favoritos: Apolo, Atena, Dionísio. Em vez de estipularem regras e classificarem os outros deuses de demónios, eles preferiam a diversão. E quando eles se comportavam de forma vaidosa, egoísta e cruel, isso apenas servia para lhes conferir o fascínio de estrelas de rock.

Quando comecei a ler Edward Gibbon e os outros grandes escritores do Iluminismo, estava mais do que pronto para aceitar a sua interpretação da História: nomeadamente, de que o triunfo do Cristianismo havia dado início a uma era de “superstição e de credulidade”, e que a modernidade havia sido fundada após o renascimento dos há muito esquecidos valores clássicos.

O meu instinto infantil de pensar no Deus da Bíblia como inimigo da liberdade e da diversão foi racionalizado. A derrota do paganismo havia gerado o reinado do Ninguém, e o reinado de todos os cruzados, inquisidores e puritanos de chapéu preto que haviam servido de acólitos. O colorido e a excitação haviam sido retirados do mundo. “Venceste, Ó Galileu pálido”, escreveu  Swinburne, ecoando a lamentação apócrifa de Juliano o Apóstata, o último imperador pagão de Roma. “O mundo acinzentou-se devido à Tua respiração.” Instintivamente, concordei.

Devido a isto, não é surpresa alguma que tenha continuado a apreciar a antiquidade clássica como o período que mais me motivou e mais me inspirou. Quando me sentei para escrever a minha primeira obra de História, “Rubicon”, escolhi um tema que havia sido particularmente apreciado pelos filósofos: a era de Cícero.

O tema da minha segunda obra, “Persian Fire”, foi um que até no século 21 serviu para Hollywood, tal como havia servido para Montaigne e Byron, como um arquétipo do triunfo da liberdade sobre o despotismo: as invasões Persas à Grécia.

Os anos que passei a escrever estes estudos sobre o mundo clássico – vivendo de maneira íntima na companhia de Leónidas e de Júlio César, dos Hoplitas que haviam morrido em Termopilas, e dos legionários que haviam triunfado em Alesia – serviu apenas para confirmar o meu fascínio: porque Esparta e Roma, mesmo quando sujeitas à investigação histórica mais minuciosa, não pararam de parecer possuídas pelas qualidades dum predador de topo. Elas continuaram a perseguir o meu imaginário tal como haviam feito no passado – como um tiranossauro o faz.

Mas até os carnívoros gigantescos, por mais maravilhosos que fossem, eram por natureza aterrorizadores. Quanto mais tempo eu passava imerso no estudo da antiquidade clássica, mais estranha e perturbadora eu a considerava. Os valores morais de Leónidas, cujo povo practicava uma forma de eugenia particularmente assassina, e que treinava os mais jovens a matar pela calada da noite os Untermenschen atrevidos, não eram em nada aquilo que eu considerava os meus; nem o eram os de César, que alegadamente matou 1 milhão de Gauleses e escravizou mais um milhão.

Não foram só os extremos de insensibilidade que considerei chocantes, mas também a ausência de qualquer sentido de que os pobres ou os fracos poderiam ter algum valor intrínseco. Devido a isto, o fundamento basilar do Iluminismo – que em nada devia à Fé dentro da qual a maioria das grandes figuras haviam nascido – tornou-se gradualmente indefensável.

“Todo o homem sensível,” escreveu Voltaire, “todo o homem honrado, tem que ter horror à seita Cristã.” Em vez de reconhecer que os seus princípios éticos poderiam dever algo ao Cristianismo, ele preferiu derivá-los duma vasta gama de fontes – não só a literatura clássica, mas também da filosofia Chinesa e dos próprios poderes racionais.

No entanto Voltaire, na sua preocupação para com os fracos e para com os oprimidos, estava marcado de forma duradoura com o selo da ética Bíblica mais do que ele se preocupava em admitir. O seu desprezo pelo Deus Cristão, e num paradoxo que certamente não existia só nele, dependia de motivações que eram, em parte, reconhecidamente Cristãs.

“Nós pregamos Cristo Crucificado”, declarou São Paulo, “escândalo para os judeus e loucura para os gentios.” E ele estava certo. Nada estava mais contra as mais profundas pressuposições dos contemporâneos de Paulo – Judeus, Gregos e Romanos. A noção de que um deus havia sofrido tortura e morte numa cruz era tão chocante como era repulsiva.

A familiaridade com a narrativa da Crucificação atenuou os nossos sentidos de forma a não vermos como a Divindade de Cristo era novidade. No mundo antigo, era papel dos deuses que alegavam governar o universo manter a ordem infligindo o castigo – e não sofrendo eles mesmos.

Hoje em dia, mesmo quando a fé em Deus esmorece por todo o Ocidente, os países que foram no passado conhecidos como Cristandade continuam a ter o selo da revolução com dois mil anos que o Cristianismo representa.

É por esse motivo que, de forma geral, a maior parte de nós que vive em sociedades pós-Cristãs, continua a aceitar sem questionar que é mais nobre sofrer do que infligir sofrimento.

É também por isso que assumimos de forma geral que toda a vida humana é igual em valor.

Nos meus valores morais e na minha ética, aprendi que não sou nem Grego nem Romano, mas totalmente e orgulhosamente Cristão.

Tom Holland

Fonte: ~ http://bit.ly/2i5vUfA

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No início desta semana, o túmulo onde o corpo de Jesus Cristo foi sepultado, segundo a tradição cristã, foi aberto pela primeira vez desde 1555. Arqueólogos e pesquisadores da Universidade Nacional e Técnica de Atenas, que tiveram acesso ao local sagrado descobriram que a cama funerária onde o corpo teria sido colocado permaneceu intacta – uma das grandes questões que a abertura da tumba poderia esclarecer. O local, dentro da Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, foi aberto para que sejam colhidas informações para futuras pesquisas e também para dar início ao projeto de restauração do local.

Os trabalhos começaram em 26 de outubro, quando a edícula que recobre o túmulo foi aberta e uma placa de mármore que recobre a tumba foi removida pelos arqueólogos. Após sessenta horas de esforços para retirar o material que estava sob a lâmina, os pesquisadores encontraram uma nova pedra, com uma pequena cruz gravada. Após a remoção dessa segunda camada, os cientistas se surpreenderam ao encontrar, intocado, o que, acredita-se, seja o leito mortuário de Cristo.

Segundo os arqueólogos, as pedras foram colocadas para evitar saques e danos provocadas pelas grandes levas de peregrinos ao local. A primeira camada foi posta, provavelmente, no momento do sepultamento. Já o segundo revestimento, em 1555. Após a remoção das placas, os cientistas colheram alguns dados e fecharam o túmulo novamente.

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O lugar foi identificado pela mãe do imperador romano Constantino, Helena, em 326 d.C., que mandou construir a Basílica do Santo Sepulcro. A descoberta dos arqueólogos pode provar que a localização do túmulo não mudou ao longo do tempo, mesmo após um incêndio que atingiu a basílica em 1808, e resistiu durante mais de 2.000 anos.

Confira algumas imagens que revelam como aconteceu a abertura do túmulo:

Fonte: Veja

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A edícula que protege a tumba onde acredita-se que Jesus Cristo foi enterrado foi rodeada por vigas de aço que suportam a estrutura. Elas serão removidas após a restauração, prevista para terminar em 2017. (Gali Tibbon/AFP)

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Algumas horas depois de remover a placa de mármore que lacrava o acesso à tumba na qual, segundo a tradição cristã, Jesus foi enterrado, na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, uma equipe de pesquisadores encontrou um leito
Foto abaixo mostra o momento quando a placa de mármore foi removida

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Inicialmente, a equipe havia achado apenas materiais de enchimento abaixo da primeira placa de mármore, mas, conforme prosseguiram com exaustivas horas de escavação, foi encontrada o que pode ser a laje original onde o corpo de Jesus teria sido deixado. As informações foram reveladas nesta segunda-feira pela revista “National Geographic”.

— Estou completamente maravilhado. Meus joelhos estão tremendo um pouco porque eu não estava esperando isto. Não podemos falar 100%, mas me parece uma prova visível que a localização da tumba não mudou com o tempo, algo que cientistas e historiadores têm se perguntado por décadas — afirmou o residente em arqueologia da “National Geographic”, Fredrik Hiebert.

Além disso, pesquisadores confirmaram a existência de paredes originais de calcário na tumba — há mais de mil registros de tumbas deste tipo, escavadas em cavernas, na região de Jerusalém.

A tumba estava selada desde 1555 e passa agora por um amplo projeto de restauração e estudo liderado pela Universidade de Atenas. Por apenas 60 horas, os pesquisadores foram autorizados a acessar diretamente a tumba. Diz-se que a cobertura de mármore foi posta sobre a tumba como forma de protegê-la de fiéis que tiravam seus pedaços como souvenir.
Agora, a equipe irá analisar os dados coletados no local sagrado de forma extensiva.

A restauração na Edícula da Tumba, pequena estrutura do século XVIII localizada no centro da Igreja do Santo Sepulcro, continua por pelo menos mais cinco meses.

Nos últimos dias, o leito funerário foi selado novamente com mármore e pode permanecer fechado por séculos ou até milênios.

— A conservação que implementamos foi feita para durar para sempre — afirmou a professora Antonia Moropoulou, que lidera a equipe de restauração.

Apesar de ainda ser arqueologicamente impossível afirmar se a tumba é o local em que o judeu conhecido como Jesus de Nazaré foi enterrado, há evidências indiretas que sugerem que a identificação do local por representantes do imperador romano Constantino alguns 300 anos depois pode ter sido acertada.

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Os pesquisadores tiveram acesso ao local sagrado por apenas 60 horas – GALI TIBBON / AFP

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A verdade é que a Europa precisa recuperar sua grande narrativa pela qual deva viver, pela qual deva determinar o que é verdadeiro, bom e benéfico para seu povo.

O grande número de pessoas desembarcando no litoral da Europa – sejam refugiados, sejam imigrantes em busca de melhores condições financeiras – assim como o maléfico advento do Estado Islâmico e de outros grupos extremistas muçulmanos, levou o historiador Niall Ferguson a comparar, no jornal britânico The Sunday Times, o estado atual da Europa com o da época da chegada das tribos germânicas e dos hunos da Ásia Central às portas de Roma, no século V.

Certamente existem pontos em comum entre a situação do então Império Romano do Ocidente e a da Europa de hoje. Nós possuímos a mesma cultura popular decadente e superficial, em que tudo é permitido e o “pão e o circo” mantém a população anestesiada com uma saraivada de esportes, entretenimento e jogos de azar sem fim. Em comum entre as duas épocas também há o cinismo em relação à fé e aos valores que dela advém, assim como a mesma acídia ou cansaço de culturas decrépitas. Mas devemos tomar cuidado em não sermos anacrônicos e atribuir a Roma todos os nossos vícios e todas as nossas virtudes. É impressionante como alguns, ao invés de enxergarem o Cristianismo como parte da resposta para as tribulações da Europa, estão aproveitando a oportunidade para caluniar a religião em geral, sejam quais forem os fatos da história.

É particularmente incorreto tomar o livro de teor extremamente anti-clerical “Declínio e Queda do Império Romano”, de Edward Gibbon, como uma referência confiável na comparação do papel do Cristianismo no Império Romano e a chegada de extremistas islâmicos em nosso meio agora. Como Larry Siedentrop bem mostrou na obra “A invenção do Indivíduo”, não houve culturas “seculares” na Antiguidade. Tudo o que havia eram religiões da família, tribo, cidade ou império, e Roma não era exceção. Desta forma, César, tal qual muitos governantes antigos, se considerava divino e, na época do surgimento do Cristianismo, foi denominado “Dominus et Deus”.

Foi isso o que causou tantos problemas para a Igreja em seus primórdios. A Igreja podia honrá-lo como imperador, mas tinha que recusar prestar-lhe o culto divino. É totalmente errado alegar que a força da Roma “secular” foi sabotada pelo advento do Cristianismo monoteísta. Também é bastante enganoso comparar o Cristianismo em sua fase inicial com o ISIS e outros grupos terroristas islâmicos. Mais importante, o Cristianismo substituiu os cultos corporativos da família, da tribo e da cidade por uma espiritualidade profundamente pessoal e pela possibilidade de se pertencer a uma comunidade universal sem classes. Como Siedentop afirma, foi o Cristianismo que nos deu a idéia da “pessoa”, da sua liberdade e do seu valor. Se os cristãos nem sempre foram fiéis a essa visão, não há motivo para fazer falsas comparações com um sistema totalitário, tal como o Islamismo radical, onde há pouco espaço para a liberdade pessoal e quase nenhum para o exame interior da consciência. Siedentop também demonstra que o reino secular surgiu a partir de idéias cristãs, como o respeito pela consciência, e da natureza não-coercitiva do Cristianismo primordial, e não de supostos antecedentes pagãos tão amados pelos intelectuais que o odeiam.

O fato é que Roma foi salva dos piores excessos dos vândalos e dos hunos pelo papa Leão I e, como lembra o filósofo Alasdair MacIntyre, as luzes do conhecimento foram mantidas acesas na Idade Média pelos beneditinos e por outras congregações religiosas. Nós certamente precisamos de estadistas como Konrad Adenauer e Robert Schuman, que viram a necessidade de uma base moral cristã para a integração da Europa do pós-guerra. Nós precisamos também de um João Paulo II, cujo papel na libertação de países da Europa Central e do Leste de outra ideologia antagônica (comunismo) não precisa sequer ser mencionado. Certamente existem trevas crescentes e que se aproximam, mas o Cristianismo é a luz que pode brilhar sobre elas e dispersá-las. Com certeza, devemos rezar por um Bento ou Wojtyla, mas quem iria querer outro Nero ou Domiciano?

Ferguson acertadamente observa o vazio da cultura do entretenimento e dos shopping centers. Porém, ele não menciona o estado caótico da vida familiar que foi criado após ter se confundido liberdade com libertarianismo. A isso ele poderia acrescentar o simbolismo empobrecido daqueles que tentam lamentar uma atrocidade horrenda, mas sem ter uma referência ou um sistema de crenças, possuindo apenas uma compreensão opaca de qualquer coisa que seja transcendente. Como John Henry Newman descreveu nas palavras do Apóstolo: “sem esperança e sem Deus no mundo”. Por que a secular Quinta República tem de realizar o memorial em homenagem às 130 vítimas dos ataques feitos por terroristas do ISIS (o artigo foi publicado uma semana após os ataques de 13 novembro de 2015, em Paris – nota do tradutor), na gloriosa catedral de Notre-Dame, e não fazê-lo no completamente secular e sem graça Centro Pompidou? Pode isso ser um indício do papel que a fé cristã pode desempenhar em ajudar a Europa a despertar de sua letargia e se acalmar, e também a assisti-la na sua renovação espiritual e moral?

A verdade é que a Europa precisa recuperar sua grande narrativa pela qual deva viver, pela qual deva determinar o que é verdadeiro, bom e benéfico para seu povo. O marxismo e o fascismo trouxeram sofrimentos terríveis para os europeus. Agora, outra ideologia totalitária os ameaça. Um espaço plural real só pode ser garantido pelas idéias intrinsecamente cristãs da dignidade da pessoa humana, do respeito pela consciência, da igualdade de pessoas e da liberdade não apenas de crer, mas de manifestar nossas crenças em público, sem discriminação ou violência contra aqueles que não as compartilham. A autogratificação imediata e o entretenimento sem fim não irão mais contribuir para a sobrevivência da Europa contemporânea do que o fizeram para a da Roma Antiga. O que é necessário é uma ética de serviço, uma abnegação e um sacrifício em nome do bem comum. Muitos reconhecerão nisso os ensinamentos do Mestre da Galiléia, e não de um paganismo qualquer, antigo ou moderno, nem de qualquer ideologia secular ou religiosa.

Não existem coisas como a neutralidade ou o processo gratuito nessas questões. O extremistas decidiram quais são seus valores e de onde eles vêm. Possuímos nós algo para se opor a isso? As instituições, a cultura, as realizações, os valores da Europa podem ser entendidos com referências à tradição judaico-cristã, seus ensinamentos com relação ao valor da pessoa, ao bem comum e principalmente à necessidade de auto-crítica e renovação. Essa é a hora de se reapropriar dela, no seu sentido mais amplo, como a fonte de nossos valores; celebrá-la e oferecê-la a todos os de boa vontade como uma base para trabalharmos juntos por uma Europa aberta, mas unida. Alguém possui outras alternativas viáveis?

* Michael James Nazir-Ali é um bispo anglicano nascido no Paquistão e naturalizado inglês.
Artigo foi publicado originalmente na revista Catholic Herald.
Tradução: Alexandre Cegalla

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A cópia mais antiga de trechos do Antigo Testamento já encontrada é um frágil pergaminho hebraico que acaba de ser aberto e digitalizado. A revista “Science Advances” publicou nesta quarta (21) que o texto, conhecido como o pergaminho En­Gedi, contém um texto do Levítico datado dos séculos III ou IV, e possivelmente antes.

Trata-se do pergaminho mais antigo do Pentateuco, os cinco primeiros livros da Bíblia, atribuídos a Moisés. Segundo a publicação científica, decifrar seu conteúdo foi “uma importante descoberta da arqueologia bíblica”.

Encontrado em 1970 por arqueólogos numa escavação em En­Gedi, antiga comunidade judia do fim do século 8, o deteriorado pergaminho não podia ser lido. Contudo, o uso de novas tecnologias “nos permitiu desvendar o pergaminho, que fazia parte de uma Bíblia de 1500 anos de idade”, explicou um representante da Autoridade de Antiguidades de Israel.

O estado precário da peça encontrada em uma escavação em 1970 devia-se a ela ter sobrevivido ao incêndio que provavelmente destruiu a sinagoga.

As análises do estilo da caligrafia e os traços das letras mostram que ele pode ter sido escrito na segunda metade do século 1 ou de princípios do século 2 depois de Cristo.

“A estrutura principal de cada fragmento, completamente queimada e esmagada, tinha se transformado em pedaços de carvão que continuavam se desintegrando cada vez eram tocados”, disse o estudo. Os pesquisadores utilizaram como ferramenta um avançado scanner digital para “desenrolá-lo virtualmente e ver seu conteúdo”, explica Michael Segal, diretor da Escola de Filosofia e Religião da Universidade Hebraica de Jerusalém.

Também ficou comprovado que as passagens decifradas do pergaminho de En­Gedi são idênticas em todos os seus detalhes, tanto as letras como a divisão em seções, ao chamado texto massorético, usado nas traduções até hoje. Isso ajuda a enterrar o mito corrente de que a Bíblia foi alterada ao longo dos séculos.

Agora os pesquisadores pretendem usar as mesmas técnicas para ler outros textos danificados, incluindo parte dos pergaminhos do Mar Morto, que continua sendo indecifrável.

Fonte: G Prime

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Pare para pensar: segunda-feira, terça-feira, quarta-feira, quinta-feira, sexta-feira, sábado e domingo [na verdade, a sequência correta começa com o domingo, o primeiro dia da semana, e conclui com o sábado. – MB].Mas também: dó, ré, mi, fa, sol, lá, si. Sete notas musicais. Vermelho, laranja, amarelo, verde, ciano, turquesa, azul, violeta. Sete cores do arco-íris. Dá para continuar. Apesar de se saber que os números sempre existiram por razões práticas – contar ovelhas ou tomates, por exemplo –, eles também revelam padrões abstratos, e isso fez com que virassem objeto de estudo. Cada número tem um significado em si: o 1, por exemplo, é o mais popular de todos como primeiro dígito (em um conjunto de dados, cerca de 30% dos números começam com 1, e o 5, no Oriente Médio, repele o mal. Mas o 7 ocupa um lugar privilegiado.)

Antes de falar dos dias da semana, exploremos os números que existem sobre eles. Ao que parece, o 7 é o preferido das pessoas. No livro Alex através do espelho, Alex Bellos fez um experimento lançando nas redes a pergunta: “Qual o seu número preferido?” Ele recebeu respostas de todas as partes do mundo. Apesar de todos os números de 1 a 100 terem tido votos e ter havido 472 votos para números de 1 a 1000, o preferido certamente foi o 7.

A BBC Mundo, o serviço em espanhol da BBC, tentou comprovar o experimento com um método bem pouco científico. Mandou um e-mail para os jornalistas da equipe com a mesma pergunta. Das 16 pessoas que responderam, 7 escolheram o 7, mais que os outros dígitos. O segundo lugar teve três votos.

“Quando escolhemos nosso número favorito, é provável que escolhamos um número ímpar, porque eles parecem mais interessantes”, diz Bello. “Os pares são mais cômodos – 2, 4, 6, 8 -, enquanto 3, 7, 9 nos fazem pensar um pouco mais. E o 7 é o mais perigoso, porque é a tabuada mais difícil.”

“Um dos testes de demência ou para pessoas que saíram de um coma que se faz é pedir a elas que, partindo do 100, subtraíam de 7 em 7 até no 0. Fazem isso porque é muito mais difícil. 5 é fácil. E se fosse 6 ou 8, os números se repetem muito mais do que com 7, então não seria tão complicado.”

O curioso, diz Bellos, é que inclusive pessoas que dizem odiar matemática ou que acham impossível a tabuada de 7 o escolhem como número preferido. Mas não apenas é um número do qual as pessoas gostam, ele também tem uma longa história. “Ao longo da história, de todos os números, o 7 é o que tem mais simbolismo cultural, místico e religioso”, aponto o autor.

Os 7 mares (que foram reais a imaginados ao longo dos séculos e através das culturas), as 7 idades do homem de Shakespeare, os 7 metais da Alquimia… “Para mim, a razão pela qual conferimos tantas qualidades místicas ao 7 gira em torno de sua unicidade numérica”, diz Bellos. “O 7 é o único entre os primeiros 10 números que não pode ser multiplicado ou dividido dentro do grupo.” Mmm…? “Se você multiplica por 2 o 1, 2, 3, 4 ou 5, o resultado é menor ou igual a 10”, ou seja, multiplicados por um do grupo, não saem dele. “Os números 6, 8 e 10 podem ser divididos por 2 e 9, por 3, e seguem dentro do grupo. O 7 é o único que não produz nem é produzido. É por isso que parece especial… porque é!”, constata Bello.

Os dias já são contados há muito tempo. O nascer e o pôr do sol são eventos muito imponentes para que passassem batidos, principalmente quando não sabíamos iluminar as noites. A natureza os separava e os humanos marcavam em um tronco. “Nossos primeiros calendários estavam vinculados aos fenômenos astronômicos, como a Lua Nova, de forma que o número de dias em cada calendário variava. Se se regiam pela Lua, por exemplo, os ciclos duravam entre 29 e 30 dias”, diz Bellos. “No primeiro milênio a.C., os judeus introduziram o novo sistema: decretaram que o Sabbat seria cada sétimo dia ad infinitum, independentemente da posição dos planetas.” [Na verdade, o “decreto” veio da parte de Deus.]

Ao contrário de outras culturas, em hebraico os dias da semana não têm nomes de deuses, festivais, elementos ou planetas, mas são números, com exceção de sábado, Yom Shabbat(יום שבת) ou dia Sabbat. Dessa forma, explica, nos emanciparam das leis da natureza, colocando a regularidade numérica no centro da prática religiosa e organização social. “A semana de 7 dias virou a tradição de calendário ininterrupta mais antiga da história”, afirma.

O 7 já era um número místico quando os judeus declaram que Deus levou seis dias para fazer o mundo e no sétimo descansou. Outros povos mais antigos também haviam usado períodos de sete dias em seus calendários, mas nunca repetidos eternamente. “A explicação mais comumente aceita para o predomínio do 7 no contexto religioso é que os antigos viam sete ‘planetas’ no céu: o Sol, a Lua, Vênus, Mercúrio, Marte, Júpiter e Saturno”, destaca Bellos. Os babilônios foram um desses povos que associaram o número 7 aos corpos celestes. Por isso, alguns acreditam, virou importante marcar o sétimo dia com rituais.

A semana de sete dias ligada ao astros foi adotada até no Extremo Oriente. Mas pode haver outras explicações para sua importância simbólica. Uma delas é que os egípcios usavam a cabeça humana para representar o 7, porque há sete orifícios nela: ouvidos, olhos, nariz e boca.

A psicologia dá outra explicação: “Seis dias seria o período ótimo de tempo que uma pessoa pode trabalhar sem descansar. Além disso, sete pode ser o número mais apropriado de nossa memória, o número de coisas que uma pessoa média pode manter em mente é 7, mais ou menos 2.”

E há algo mais que faz o 7 especial, segundo Bellos, que ilustrou com um exemplo peculiar. “Pense nos sete anões da Branca de Neve. Por que não seis? Seriam suficientes – nem muitos nem poucos – mas poderiam se separar em 3 x 3, se dividir em grupos de dois. Se são sete, eles precisam ser vistos como um grupo. Para mim, isso faz com que o 7 seja poderoso: faz com que todos sejam iguais.”

(BBC Brasil)

Nota: Interessante ver a BBC tratando desse tema. Mas note que todas as hipóteses acima são insuficientes para explicar o fascínio em torno do número 7 e a origem da semana de sete dias. É evidente que a semana de sete dias e o aspecto “místico” do número 7 antecedem o povo judeu, até porque a semana provém do Éden, muito tempo antes de haver um judeu sobre a Terra. Como a semana de sete dias tem sua origem criação, é lógico que haja resquícios desse fato em outras culturas, e não apenas na hebraica. Faz parte da bagagem cultural dos povos e realmente surpreende que, mesmo sem qualquer vinculação com movimentos astronômicos (como ocorre com os meses e os anos, por exemplo), a semana de sete dias permaneça intacta em todo o mundo. ( Fonte: Criacionismo)

Aém das irreparáveis perdas de vidas humanas, o terremoto na região central da Itália provocou ingentes danos ao patrimônio cultural e religioso.

De Amatrice se originava a famosa massa “amatriciana”, tão apreciada pelos romanos e precisamente para este final de semana estava programada a “Sagra spaghetti”. O Hotel Roma, que desabou, estava quase lotado. Na tarde deste sábado foram retirados mais três corpos de hóspedes.

Mas não somente pela massa Amatrice era conhecida, mas também por ser um dos mais belos borgos medievais de toda a Itália.

O tremor não poupou nada. Trazemos algumas imagens de capelas, campanários e das Igrejas Santo Agostinho, São Lorenço, São João e São Francisco, que correm o risco de desabar.

Rádio Vaticano

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