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Qual o impacto que a inteligência artificial tem – e terá – sobre a humanidade? Filósofos, cientistas e acadêmicos debateram esta questão durante uma conferência que aconteceu recentemente na Embaixada da Itália na Santa Sé, em Roma, como parte da série de eventos culturais do “Courtyard of the Gentiles” (Átrio dos Gentios), uma iniciativa organizada pelo Vaticano.

O cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura (www.cultura.va), participou do encontro e destacou alguns dos novos desafios que a inteligência artificial traz.

– As capacidades extraordinárias que estão sendo dadas às máquinas podem acabar mudando a condição humana tal como a conhecemos: correr, cozinhar, dirigir, ler, escrever, compor e até aprender da experiência são atividades que as máquinas poderão fazer de forma autônoma. Devemos considerar as grandes possibilidades que esses avanços abrem, bem como os riscos significativos e muito reais.

– O cardeal Ravasi explicou que o Papa Francisco, em Laudato Sì, apresentou a questão do paradigma tecnocrático, em que – o Papa explica – “aqueles com o conhecimento, e especialmente os recursos econômicos” para usar o poder que nos dá a tecnologia, têm “uma dominação impressionante sobre toda a humanidade e o mundo inteiro. Nunca a humanidade teve tal poder sobre si mesmo, mas nada garante que isso será usado com sabedoria, particularmente quando consideramos como isso está sendo usado atualmente”.

Além disso, é um paradigma que faz do progresso científico um meio de poder e dinheiro, sem muita consideração pelo certo ou o errado. “Não podemos pretender ter uma ética sólida, uma cultura e espiritualidade verdadeiramente capazes de estabelecer limites e ensinar autocontrole”, adverte Papa Francisco. É por isso que, na opinião de Ravasi, devemos refletir sobre tecnologia a partir de várias disciplinas e perspectivas. “Um verdadeiro cientista nunca é apenas um técnico… ele é alguém que considera todo o panorama… em que estamos imersos”, enfatizou.

– A inteligência humana veio em primeiro lugar. Devemos lembrar que outros tipos de inteligência foram criados por um tipo original de inteligência: a dos seres humanos. Ravasi questionou o significado do termo “inteligência artificial” e abriu um debate sobre se esse conceito é ou não um paradoxo.

– Não estamos lidando com “personalidade”, mas com “razão”. Ravasi critica o termo “pessoa eletrônica”. Na realidade, ele disse, o conceito de personalidade não é aplicável à inteligência artificial; “a consciência é prerrogativa da pessoa humana, que está na origem da razão e do pensamento”.

– Houve descobertas “extraordinárias e impressionantes”, sobretudo no campo da atenção à saúde: De acordo com o Pe. Benanti – que também participou do Átrio e foi citado pelo cardeal em uma entrevista à Rádio Vaticano – precisamos destacar a utilidade e as vantagens de ter inteligência artificial para gerenciar a informação da saúde, para fins que serão muito vantajosos para a humanidade. No entanto, existem dois grandes riscos: a perda de emprego e o uso indevido da tecnologia de forma a ampliar a distância entre os ricos e os pobres. Ou, o uso da tecnologia pode atingir o objetivo de eliminar a morte e, consequentemente, transformar a condição humana? Esta questão, intimamente relacionada com as reflexões do cardeal Ravasi, foi proposta por Alberto Cortina, autor do livro Human, or Posthuman, publicado por Fragmenta.

– Quando a ciência progride, é irreversível, mas precisamos nos perguntar sobre o papel da consciência, que sempre foi considerada uma característica distintiva dos seres humanos, o que os torna responsáveis por suas próprias ações, capazes de distinguir entre o bem e o mal. Um cérebro artificial capaz de imitar o comportamento humano está longe de ter liberdade autêntica, explicou Ravasi, e sublinhou que mesmo o famoso astrofísico Stephen Hawking alertou contra o uso desenfreado da tecnologia.

“Até que as pessoas vejam robôs nas ruas matando pessoas, elas não sabem como reagir porque isso parece ilusão”, advertiu Elon Musk, CEO da Tesla, em julho, no National Governors Association Summer Meeting. Musk insistiu na necessidade de regular a inteligência artificial antes que “seja muito tarde”.

Quem garante o uso ético dessa tecnologia? O cardeal levantou esta questão e reiterou que é necessário reunir tecnologias e áreas humanísticas de estudo, como filosofia e teologia. A tecnologia não pode regular a si mesma. O mundo das humanidades tem um papel importante a desempenhar; filosofia, cultura, teologia e religião se concentram em estudar o único verdadeiro assunto de liberdade e responsabilidade, que é a pessoa humana.

Aleteia

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Um grupo de especialistas em robótica acaba de divulgar um sério problema. Tanto a vasta literatura científica sobre o assunto como os relatórios de grandes organizações carecem de dados sobre o sexo entre humanos e máquinas.

“Ainda é um assunto muito novo e, definitivamente, precisamos de ciência sobre esse tema”, admite Noel Sharkey, professor emérito de robótica e inteligência artificial da Universidade do Sheffield (Reino Unido). “Já há várias empresas que desenvolvem robôs para o sexo e queríamos estudar a questão sem entrar em julgamentos para desenvolver um documento que possa ajudar os políticos a verem o que realmente está acontecendo”, diz o cofundador da Fundação para uma Robótica Responsável.

Sharkey é coautor do relatório junto com Aimee van Wynsberghe, professora de ética e tecnologia da Universidade de Delft (Holanda) e outros dois especialistas nesse campo.

O documento, intitulado Nosso Futuro Sexual com os Robôs, revisa toda a literatura científica sobre o tema – a imensa maioria artigos de filósofos, sociólogos e outros especialistas sobre ética – e também recorre a testemunhos de jornalistas, trabalhadores sexuais e a duas entrevistas com diretores de duas empresas de robôs sexuais.

O trabalho analisa os produtos existentes e explora os extremos mais polêmicos desse mercado incipiente, como a criação de robôs sexuais que reproduzem crianças. “Esse é, sem dúvida, o maior problema que encontramos”, diz Sharkey.

As escassas pesquisas sobre o tema fornecem dados muito divergentes. Entre 9% e 75% dos consultados estariam dispostos a fazer sexo com robôs. Em outra pesquisa, 86% opinavam que os robôs poderiam satisfazer os desejos sexuais. Os homens parecem duas vezes mais propensos a aceitar essa possibilidade e até chegam a mostrar sinais de nervosismo ao tocar as partes íntimas de bonecas sexuais. Esses estudos foram realizados nos Estados Unidos, Alemanha, Reino Unido e Holanda, não há dados de outros países e o texto aponta que esse tipo de produto seria proibido em países islâmicos.

O relatório analisa os quatro modelos de “robôs sexuais” disponíveis no mercado, que custam entre 5.000 e 15.000 dólares (algo entre 17.000 e 50.000 reais). Muitos dizem ser equipados com sistemas de inteligência artificial, mas são sistemas muito básicos, incapazes de qualquer coisa que se pareça com uma conversa normal, diz Sharkey.Algumas bonecas têm várias personalidades programadas, como a chamada Roxxxy Gold, que inclui Wendy Selvagem e Farrah Frígida, que resiste ao ato sexual, uma espécie de estupro simulado que preocupa os autores do relatório.

“Claramente esses produtos tendem a fazer das mulheres um objeto, passam a ideia de que seus corpos são um produto, mas nisso repetem o que a imensa indústria da pornografia já faz”, reflete Sharkey.

Os usos mais polêmicos desses robôs, diz, será em possíveis terapias. O trabalho analisa as opiniões de vários especialistas sobre a possibilidade de uma boneca sexual ajudar estupradores. Também aponta um dedo acusador para a empresa Trottla, fundada pelo japonês Shin Takagi, um “pedófilo confesso” cuja companhia fabrica bonecas sexuais de meninas. O relatório cita uma entrevista do japonês ao The Atlantic: “Estou ajudando as pessoas a expressar seus desejos de forma legal e ética. Não vale a pena viver se tiver que viver com o desejo reprimido”.

No Canadá, o comprador de uma dessas bonecas foi detido em um aeroporto e está sendo acusado de posse de pornografia infantil em um caso que continua nos tribunais, diz o relatório. Enquanto isso, nos Estados Unidos e outros países, esse tipo de boneca poderia ser legal. As tecnologias atuais permitem cobrir um molde com um tipo silicone que simula com grande realismo a pele humana.

A técnica foi usada para criar uma réplica de Scarlett Johansson e Iroshi Ishiguro,um famoso criador de robôs, fez um que imita sua filha de quatro anos. “Isso demonstra que seria possível criar uma reconstrução realista de qualquer criança como um robô sexual”, alerta o texto. Esse é um problema que “exige atenção” e que provavelmente requereria leis internacionais para proibir a criação desses robôs, considera o relatório.

Há controvérsias sobre uma eventual contribuição desses robôs na prevenção de crimes sexuais, mas grande parte dos especialistas acredita que só serviriam para exacerbar os comportamentos que se tenta evitar. A maioria concorda que esses usos seriam problemáticos por vários motivos e que, ao final, poderiam reforçar o desejo de violentar. “Trata-se de uma experiência muito perigosa. Deveria ser proibido”, opina Sharkey.

O especialista em robótica não acredita que, nos próximos cinco ou 10 anos, haverá robôs que se tornem “uma companhia real”, sentimental ou sexual, mas admite que o avanço acelerado da tecnologia traz uma grande incerteza. “É possível que todo esse mercado fique reduzido a um nicho dedicado a uma minoria fetichista, mas também existe a possibilidade de o sexo com robôs mudar a forma como nos relacionamos e se tornar a norma. Há muita incerteza e o que precisamos é muito mais ciência sobre o tema”, conclui.

El País

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A cena é familiar. Estamos em uma refeição em família, ou um almoço de negócios, e todos estão verificando suas notificações, respondendo mensagens e constantemente usando seu telefone celular – e, normalmente, a maioria está usando o WhatsApp.

O professor e jornalista Fernando Martínez Vallvey é professor de Comunicação na Pontifícia Universidade de Salamanca, Espanha (www.upsa.es), e especialista em jornalismo digital. Ele nos fala sobre a relação entre grosseria e este novo elemento em nossas vidas chamado WhatsApp.

Vício do instantâneo?

A comunicação é uma parte muito importante da vida das pessoas: é uma necessidade vital. Precisamos nos comunicar com outras pessoas para fins práticos, como trabalhar, fazer lição de casa ou brincar com outras pessoas; também é essencial para lidar com assuntos imateriais, espirituais ou transcendentes como o amor, a arte etc. A comunicação nos permite dar aos outros sem perder; a comunicação com os outros nos ajuda a resolver problemas, torna a nossa vida mais fácil e nos proporciona companheirismo. A comunicação é um dom, e uma maneira de nos completar como indivíduos, complementando nossas personalidades, em nossas vidas do dia a dia.

Com base nesse fato, podemos ver que qualquer forma de comunicação que atenda constantemente a essas necessidades será bem recebida pela maioria das pessoas. É fantástico saber a localização de uma pessoa que vamos buscar; lembrar alguém de uma tarefa que eles têm que fazer; ou enviar uma mensagem romântica – e tudo isso facilmente, rapidamente e de graça.

Isso atinge o status de uma obsessão quando você se sente vazio e como se estivesse perdendo algo se já faz algum tempo desde que você recebeu uma notificação em seu telefone. É quando a comunicação, que é uma coisa boa, torna-se perigosa. Nos sentimos vazios. Poderíamos comparar isso com comer compulsivamente. Comer é bom: precisamos comer para ter energia para fazer o trabalho físico e viver; mas se comemos mais do que precisamos… É quando os problemas começam. Cada pessoa deve buscar o equilíbrio entre seu bem-estar interior (sua capacidade de se sentir em paz consigo mesmo) e sua relação com os outros. Por que essa forma de comunicação é viciante? Porque não custa nada e dá muito.

Constantemente usando o WhatsApp e as redes sociais à mesa, no transporte público, no cinema… Está tornando as pessoas grosseiras?

É verdade que há ocasiões em que estamos dando tanta atenção aos nossos telefones celulares que nem sequer estamos conscientes que estamos sendo grosseiros; por exemplo, podemos não pedir perdão quando incomodamos alguém que está sentado ao nosso lado no transporte público, ou talvez não saibamos cumprimentar alguém que conhecemos quando passamos na rua. É mais grave quando a forma como nos comunicamos usando o nosso telefone é um incômodo para outras pessoas. Claro, o que essa obsessão faz é nos tornar menos atentos ao que acontece à nossa volta. Perdemos o contato com o que está acontecendo na frente de nós, porque estamos focados no que está acontecendo longe. Isto tem algumas de suas piores consequências quando, por exemplo, uma refeição compartilhada é constantemente interrompida e a conversa entre as pessoas ao redor da mesa é impedida porque alguém está constantemente conversando com outras pessoas que estão fisicamente ausentes. Outra forma de grosseria se manifesta nas salas de aula, quando os alunos nunca param de olhar para suas telas, e não prestam atenção ao que seu professor ou colega de turma está dizendo.

WhatsApp e escrita: estamos indo de mal a pior?

Comunicação por WhatsApp é muito semelhante à comunicação oral; Consequentemente, as pessoas tendem a não colocar muito esforço na forma como elas escrevem. Problemas básicos surgem devido a uma falta de pontuação correta. Por exemplo, muitas pessoas não usam uma vírgula para separar os nomes das pessoas que estão falando com o resto da frase; em outros casos, eles não usam vírgulas ou períodos e o destinatário da mensagem tem que ler o texto várias vezes para entendê-lo corretamente – e se eles não fizerem esse esforço, pode haver um problema real e prático na sua comunicação. No que diz respeito a ortografia, há menos problemas do que o que costumava acontecer com SMS, porque agora não há limite para o número de caracteres que podemos usar, e agora temos autocorreção. No entanto, alguém que não sabe soletrar ainda comete erros no WhatsApp, no papel, ou na página de alguém no Facebook.

Algum tipo de guia ou manual de maneiras ao usar o WhatsApp será criado, explicando a maneira correta de usá-lo na escola, no trabalho, em diferentes momentos do dia…?

Eu não sei se isso vai acontecer, embora eu seja a favor de todos nós colocarmos alguns limites em certas coisas, como fazemos em outras áreas da vida (como comer compulsivamente, como já mencionado). Muitos problemas surgem na comunicação. Famílias que almoçam na frente da televisão, por exemplo; isso também é um problema. Se a sua família quer se comunicar uns com os outros, falar sobre o que aconteceu durante o dia, ou naquela manhã… simplesmente não ligue a televisão. No que diz respeito às diretrizes, talvez devêssemos pensar em termos gerais sobre como podemos ser mais educados com os outros: prestar atenção quando estamos juntos, arrumar tempo para ajudá-los, não se fechar dos outros em nosso próprio pequeno mundo… Normas de boas maneiras nos dão muitos princípios que devemos aplicar todos os dias, em vários momentos e em muitas áreas da vida. A violência doméstica, por exemplo. Uma pessoa bem-educada sabe que devemos respeitar os outros: especialmente, aqueles que amamos. Consequentemente, não podemos atingi-los fisicamente, nem prejudicá-los psicologicamente. Se todos praticarmos melhores maneiras em todas as áreas da vida, faremos o mesmo com relação ao uso de nossos celulares.

Portanto, até que ponto a maneira como eu uso meu telefone constitui grosseria para com os outros, incomodando-os em um momento ou outro? Essa é a pergunta que devemos fazer a todos nós mesmos para começar a estabelecer um padrão para as maneiras, como devemos fazer em todas as áreas da vida.

Miriam Diez Bosch

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Por meio das redes sociais e aplicativos, a internet e os dispositivos de tecnologia mais recentes e portáteis formam uma combinação eficaz que conecta nossos desejos, necessidades e inquietudes com inúmeras alternativas que fornecem algum tipo de satisfação. A combinação mencionada fortalece a nossa liberdade para escolher a oferta mais adequada, enquanto enriquece nossa existência ao vinculá-la com possibilidades um tanto quanto desconhecidas, certo? Não, definitivamente não é assim que acontece. Tristan Harris, integrante do movimento Tempo Bem Gasto (Time Well Spent), explica como grande parte da tecnologia em que participamos rotineiramente sequestra e manipula nossas mentes.

Em média, cada usuário verifica seu celular 150 vezes por dia. No entanto, tratariam-se de 150 escolhas conscientes realizadas todos os dias? Harris explica isso como um impulso tipicamente viciante, que opera sob a mesma lógica que leva o jogador inveterado a baixar repetitivamente a alavanca das máquinas caça-niqueis. Em ambos os casos, tratam-se de mecanismos – no caso dos telefones celulares, os aplicativos de mensagens de texto ou outros tipos de alertas e comunicações – desenhados para provocar este impulso, pelo qual executa-se uma ação com o objetivo de verificar se naquela oportunidade obteve-se o prêmio desejado: dezenas ou centenas de moedas ou a mensagem de texto de alguma pessoa em particular. Para oferecer uma ideia contundente sobre a eficácia desses desenhos que promovem “prêmios” variáveis, Harris informa que as máquinas caça-niqueis “ganham mais dinheiro nos Estados Unidos do que o beisebol, o cinema e os parques temáticos juntos”. Sentenciando, ele acrescenta: “Esta é a triste verdade: milhões de pessoas têm uma máquina caça-niqueis em seus bolsos”.

Aplicativos e sites digitais também manipulam mentes ao provocar nos usuários a incômoda sensação de estar perdendo algo importante ao não verificar o e-mail ou visitar a sua respectiva página ou rede social. A chance em potencial pode consistir em uma mensagem de um antigo colega do jardim de infância, o convite para uma festa ou uma oportunidade sexual, mas o que é realmente relevante é a dificuldade de não comparecer no site, efetuar o cancelamento da subscrição ou finalizar a sessão, como consequências deste mal-estar psicológico. Harris observa algo tão preciso quanto fundamental: sempre perdemos algo mais ou menos importante quando fazemos escolhas, mas viver constantemente com medo de ser deixado de lado não é algo que pode ser visto como uma boa vida. Ele adverte que as empresas de tecnologia fariam muito bem se colaborassem com seus usuários para construir relações sociais em termos de que estes escolhessem o que é melhor para suas vidas, ao invés de fazê-lo por conta do medo e da incerteza sobre o que talvez não se esteja aproveitando.

Tristan Harris alerta sobre a manipulação que ocorre nas redes sociais, no que diz respeito à aprovação social, questão altamente delicada em alguns setores, como o dos adolescentes. Por meio de algoritmos extravagantes estas redes sugerem as pessoas que são “marcáveis” em fotos e imagens, operação que ao mesmo tempo exclui outras pessoas, habilitando um processo de discriminação que pode vir a ferir auto-estimas e sentidos de pertencimento. Da mesma forma, a necessidade de atuar reciprocamente aos gestos concedidos por outros sujeitos também é manipulada, exercício emblemático do LinkedIn. A “maior rede profissional do mundo” permanentemente cria obrigações sociais e de reciprocidade entre seus usuários, que entram no site para retribuir, aceitar ou validar atitudes que, longe de terem sido emanadas conscientemente por outro usuário, são regularmente sugeridas pelo LinkedIn, que lucra com a correspondente visitação e permanência no site.

O YouTube não fica paralisado à espera de que espectador escolha o próximo vídeo, pelo contrário, notifica uma contagem regressiva que, uma vez concluída, dá lugar a uma nova projeção. Esta modalidade, que não é exclusiva do site mencionado, foi projetada para conseguir um consumo sem fim, que substitui a vontade humana, com o intuito de preservar uma atenção resignada à transmissão não escolhida. Outra formulação projetada para obter uma resposta do usuário, mais além de sua disposição genuína, diz respeito às mensagens notificadas em tempo real, que interrompem as atividades que seu destinatário esteja realizando. Os criadores destes aplicativos sabem que estas mensagens têm uma maior chance de serem respondidas imediatamente, ainda mais quando o receptor não ignora que o emissor tenha conhecimento de sua leitura (sim, aqueles malditos sinais de check do WhatsApp).

Os contratantes dos homens e mulheres que projetam estes dispositivos não se preocupam com os valores, muito menos com os desejos dos seus usuários. Eles apostam seus impulsos e os seus lucros para alcançar a supressão da consciência responsável e da liberdade. Antes de fazermos nosso próximo clique, vale a pena refletir sobre as advertências de Harris, para decidir se fazer parte disso que estamos sendo convidados é algo que realmente queremos.

Fredes L. Castro, em artigo publicado por Alai

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Não é novidade instituições religiosas terem produtos comerciais com suas marcas. Já existem no país, por exemplo, cartões de créditos ligado a igrejas. Mas nessa quinta (1), foi lançada uma empresa que deve redimensionar o conceito de mercado de nicho no Brasil.

Trata-se da primeira operadora de telefonia celular evangélica. A Mais AD, que pertence à Assembleia de Deus, utilizará uma rede virtual baseada na estrutura de antenas e satélites da rede Vivo.

A nova operadora deixa claro que seu alvo são os consumidores que professam a fé cristã. O material de divulgação afirma que o objetivo do projeto é “conectar ainda mais todos os cristãos. Principalmente com a Palavra de Nosso Senhor”. Ressalta ainda que oferecerá serviços “com conteúdos aprovados por líderes evangélicos”.

Os planos oferecidos incluem voz, dados e SMS, como as demais operadoras. Entre os diferenciais estão os aplicativos exclusivos, como o +Comunhão, +Louvor, +Aprendizado, +CPAD (da editora de mesmo nome) e jogos com temática evangélica. A página da internet destaca a imagem de José Wellington Bezerra da Costa (presidente da CGADB).

Como as demais operadoras, ligações e SMS entre usuários da Mais AD são ilimitados. Essa é aposta da empresa para fidelizar os cerca de 18 milhões de membros de suas quase 40 mil igrejas espalhadas pelo país.

Segundo o jornal Valor Econômico, a projeção é atrair 1,2 milhão de clientes no primeiro ano de operação vendendo chips por R$10.
O lançamento da Mais AD é uma parceria com a Movttel, empresa que conta com o executivo especializado em reestruturações empresariais Ricardo Knoepfelmacher, ex-presidente da Brasil Telecom, que mais tarde fundiu-se com a Oi. O diretor-geral será Raul Aguirre, com passagem pela operadora Virgin Mobile Latin America e também pela Oi.

Não foi revelado o montante investido pela igreja nem que percentagem ela detém e quanto pertence à Movttel. Também não se sabe de que maneira os lucros da empresa serão revertidos para fins de evangelização, motivação principal das igrejas evangélicas em todo o mundo.

Fonte: Gazeta do Povo

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O problema do celular é o exagero que nos torna desconectados nos relacionamentos

– Amor, você ouviu o que eu disse?
– Anh?
– O que você acha sobre isso?
– Uhun…
– Uhun o quê, amor? Você entendeu?
– Peraí amor, só preciso responder umas mensagens aqui…

WhatsApp, Facebook, Twitter, Instagram, Snapchat são parte das inúmeras ferramentas que possibilitam encontros virtuais entre as pessoas por meio do celular. Elas facilitam muito a vida, são usadas até no trabalho, atualizam-nos sobre o cotidiano de quem não vemos todo dia, reaproxima quem passou pela nossa infância, quem tem as mesmas necessidades que nós, enfim, muitas possibilidades de relação aparecem nessa vida conectada. Contudo, em que medida temos nos refugiado nessas conexões virtuais e nos desligado das pessoas que convivem conosco?

A realidade sem wi-fi nem sempre é tão maravilhosa e deslumbrante como as pessoas postam freneticamente nessas mídias sociais virtuais, mas é a realidade na qual se vive e é onde Deus nos plantou para que florescêssemos. E não é justo que nós negligenciemos nossos relacionamentos com quem está ao nosso lado, à espera da resposta no “zapzap”, do comentário naquela foto ou forjando um cenário para o próximo selfie.

Quer estragar um momento romântico, divertido e espontâneo? Pare tudo o que está fazendo e prepare a cena para a foto, montada para que apareçam no melhor ângulo. E repita isso várias vezes, a cada paisagem. Lá se foram minutos preciosos da viagem, do almoço e do passeio. Do que a gente estava falando mesmo? Nem importa, afinal, a foto já teve dezenas de curtidas! Ou ignore completamente quem está a sua volta, porque, afinal, você precisa se manifestar, agora, na internet, sobre esse tema que está todo mundo comentando, e comentar também, nem que seja um KKKKK, mesmo que discorde da situação, só para se mostrar engajado.

Eu não sou contra tecnologia, de jeito nenhum, sou casada com um esposo que trabalha nessa área, e lá em casa a gente está em todas essas redes e muito mais, mas me preocupa a dose diária de virtualidade que a vida vem adquirindo. Quando se percebe, é muito natural deixar as pessoas falando sozinhas enquanto você fita a tela do celular. “Desculpa, pode repetir? Eu não estava prestando atenção…”

Será que não estamos preterindo quem está ao nosso lado em busca de um ativismo virtual? Há famílias na qual todos os membros se comunicam pelo WhatsApp. Bacana, desde que isso não substitua a convivência fraterna dessas pessoas, o carinho mútuo, o amor, o afeto, o cuidado e também o compartilhamento ao vivo de tristezas, dores e dificuldades. Para provocar uma guerra, basta esquecer o carregador do celular.

Minha gente, vivemos bem sem isso, não é? Não precisamos nos fazer escravos do mundo conectado!

Eu já fiz um teste e recomendo: passe um dia completamente desconectado. Inicialmente, parecerá uma tortura, mas, ao fim do dia, você perceberá o quanto pôde cuidar das pessoas e das situações que estavam ao seu lado no dia a dia. Depois, teste ficar dois ou três dias, talvez até uma semana longe das redes virtuais. Você verá como seu tempo foi empregado em observar e agir na realidade mais próxima a você.

Ao dar um tempo nesse ambiente conectado, você voltará a ele com mais senso crítico, menos afetado pelas opiniões extremadas, e poderá dosar mais o seu tempo on-line, para que tenha também tempo de qualidade desconectado. Já percebeu como os nossos sentimentos ficam mais aflorados e acalorados na internet? Nós nos sentimos até mais corajosos para nos manifestar, dizer o que bem queremos e entender os demais à nossa maneira, levando tudo ao pé da letra e a ferro e fogo, combatendo as opiniões contrárias como se estivéssemos em guerra, como se não houvesse amanhã e, muitas vezes, magoando quem está dentro e fora do mundo virtual.

Estar on-line não é problema, o problema é o exagero que nos faz escravos da conexão virtual, negligenciando nossos relacionamentos.

Se estiver difícil vencer essa escravidão em casa, desligue a internet e pratique a frase que um restaurante divulgou bastante nas redes sociais: “Não temos wi-fi. Conversem entre vocês”.

Autora Mariella Siva, Canção Nova

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Independentemente se você prefira livros ou revista, ou mesmo se se mantenha informado somente pela internet, o Papa Francisco disse que todas as mídias deveriam encorajar e edificar – e não escravizar.

“Em meus dias – durante a Idade da Pedra –, quando um livro era bom, lia-se; quando um livro era ruim, jogava-se fora”, contou ele a centenas de jovens em Sarajevo nesse sábado (6 de junho).

O papa encerrou a sua visita de um dia à capital deste país balcânico se encontrando com jovens de diferentes religiões e etnias que trabalham como voluntários no Centro Arquidiocesano São João Paulo II. Ele deixou de lado o texto preparado, dizendo preferir tirar algumas dúvidas em vez de discursar.

Um jovem disse ter lido que o papa havia deixado de assistir televisão há muito tempo e, então, quis saber o que o levou a fazer esta escolha.

O papa disse que decidiu, em meados de 1990, parar de assistir TV porque “durante uma noite senti que ter a televisão em casa não me fazia bem, ela estava me alienando”.

Ele não parou de assistir a filmes, no entanto.

Quando era o arcebispo de Buenos Aires, ele ia à rede de TV arquidiocesana para assistir um filme gravado que escolhia especificamente para isso, o que não tinha o mesmo efeito isolador sobre ele, contou.

“Obviamente, eu sou da Idade da Pedra, sou alguém ligado à Antiguidade!”

Os tempos mudaram, disse ele, e as “imagens” se tornaram muito importantes.

Mas mesmo nesta “Idade da Imagem”, as pessoas deveriam seguir os mesmos padrões que valiam lá na “Idade dos Livros: escolher tudo quanto me faz bem”, disse ele.

Os que produzem ou distribuem conteúdo, como as redes de televisão, têm a responsabilidade de escolher programas que promovam valores, que ajudem as pessoas a crescerem e a se prepararem para a vida, programas “que construam a sociedade, com valores que nos ajudam a progredir, e não a regredir”.

Os espectadores têm a responsabilidade de escolher o que é bom, e mudar de canal onde haja “sujeira” e coisas que “me fazem tornar uma pessoa vulgar”.

Embora a qualidade do conteúdo seja uma preocupação, é também fundamental limitar a quantidade de tempo que alguém fica diante da tela de TV, disse ele.

Se “vocês vivem grudados ao computador e se tornam escravos dele, acabam perdendo a liberdade. E se procurarem programas obscenos no computador, então perderão a dignidade”, acrescentou o pontífice.

Mais tarde, em resposta a uma pergunta de um jornalista no avião papal indo de Sarajevo de volta a Roma, o papa disse que o mundo online ou virtual é uma realidade “que não podemos ignorar”.

“Mas quando este mundo virtual nos distancia da vida cotidiana, da vida social, dos esportes, das artes e nós ficamos grudados ao computador, então temos uma doença psicológica”, disse ele.

Conteúdo negativo, continuou, inclui pornografia e conteúdo que é “vazio” ou desprovido de valores, como os programas que incentivam o relativismo, o hedonismo e o consumismo.

“Sabemos que o consumismo é um câncer para a sociedade, que o relativismo é um câncer para sociedade, e eu irei falar sobre isso na próxima encíclica” sobre o meio ambiente, a ser emitida em 18 de junho.

O papa disse que alguns pais não permitem que seus filhos tenham um computador em seus próprios quartos, mantendo-o em espaços comuns de convivência. “Estas são pequenas dicas que os pais encontram” para lidar com o problema dos conteúdos inadequados, disse.

A reportagem é de Carol Glatz, publicada pela Catholic News Service.

Se você ainda não tem um destes aplicativos em seu smartphone ou tablet, vai gostar de conhecê-los. Com funcionalidades desde acesso às informações da Igreja, documentos de estudo até agenda do Papa e visita virtual ao Vaticano.

Catecismo da Igreja Católica

Este aplicativo traz o Catecismo da Igreja Católica em sua versão normal e também na versão Compêndio (O Compêndio do Catecismo da Igreja Católica é um resumo do Catecismo da Igreja Católica, sob a forma de perguntas e respostas, publicado pela Igreja Católica em 2005, e que contém de forma resumida os principais elementos da doutrina e moral católicas.). Para baixar este aplicativo, clique aqui.

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Documentos da Igreja

Este aplicativo apresenta os principais e documentos da Igreja Católica Apostólica Romana.
Código de Direito Canônico, Compêndio da Doutrina Social da Igreja, Concílio Vaticano II, Encíclicas, Carta Apostólica Porta Fidei. Para baixar este aplicativo, clique aqui.

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Evangelho Diário

Este aplicativo apresenta a leitura do Evangelho do dia. É possível também a consulta do outros dias da semana e até mesmo do Evangelho de uma data em anos anteriores. Além disso tem as opções de consultar o Santo do dia e as cores Litúrgicas. É necessário conexão com a web. Para baixar este aplicativo, clique aqui.

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Bíblia Católica

Não requer conexão com a internet para a utilização. Possui busca pelo nome do livro e pelo número do capítulo; Possibilidade de compartilhamento dos versículos nas redes sociais. Para facilitar a leitura há diferenças de cores entre os versículos. Para baixar este aplicativo, clique aqui.

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Vatican

É App do site oficial da Santa Sé (www.vatican.va): contém o Magistério Pontifício e as informações institucionais da Sé Apostólica. Para baixar este aplicativo, clique aqui.

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The Pope App

Aplicativo com notícias do Papa. Transmite ao vivo as celebrações presididas pelo Santo Padre. Permite acesso a fotos e vídeos do Papa, aos tweets da conta @Pontifex, aos textos integrais das homilias do Pontífice e o calendário de eventos. Também permite visitas virtuais gratuitas do Vaticano. É gratuito e está disponível em: ​I​taliano, ​I​nglês, ​Espanhol, ​Português e ​F​rancês. Para baixar este aplicativo, clique aqui.

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Não existem limites para as iniciativas através das novas tecnologias da informação, e a Igreja Católica sabe de suas vantagens tirando delas o maior proveito. Isto o demonstram dois aplicativos para smartphones que foram apresentados recentemente e chegam para acrescentar a Fé dos fiéis católicos.

Além de ajudar a encontrar as igrejas mais próximas ao ponto de localização, este aplicativo mostra os horários de Missa e recomenda de maneira automática a qual lugar ir de acordo com a distância e o mais próximo em tempo que se encontre no início da Missa.

A informação que ali se inclui é criada e mantida por uma comunidade de usuários, o que permite ter os horários verificados e atualizados.

Um deles é o “Vamos à Missa”, desenvolvido por um grupo de jovens uruguaios, o qual tem como finalidade ajudar aos usuários encontrar as paróquias ou templos mais próximos para ir à Missa. “Não deixes mais de viver a Santa Missa por não saber onde há uma paróquia próxima! Ideal para quando visitas um lugar que não conheces, de viagem ou de mudança”, descreve o ‘app’.

“Isto surgiu pela inquietação que tivemos no verão passado estando de férias. Estávamos em uma comunidade que não era a nossa e não sabíamos onde ir participar da Missa. E assim nos ocorreu que seria bom que se temos um celular à mão, poder detectar que paróquia está próxima e assim não deixar de participar da Missa”, comentou Pablo Sánchez, jovem engenheiro de 24 anos e um dos criadores, que foi citado pela EFE.

A única coisa que se requer para o aplicativo é fazer parte da comunidade de colaboradores do “Vamos à Missa”, dispôr de uma conta no Google ou no Facebook, para assim recomendar novos lugares e horários. “A ideia é que funcione como a Wikipedia, que qualquer usuário possa acrescentar e manter os horários e os lugares da Missa, já que quanto mais tenha, mais problemático será atualizar o sistema”, acrescentou o jovem engenheiro.

Inicialmente este ‘app’ vem funcionando só para Montevidéu, mas a ideia é que se expanda por todo o Uruguai e, porque não, ao mundo. Também se prevê em um futuro poder informar sobre as atividades que se realizam em cada paróquia, seus dias festivos, solenidades, jornadas de oração, procissões, entre outros.

O ‘app’ dos Santos

Outro ‘app’ é “Santoral”, que permite consultar os santos de um dia específico, assim como o nome dos amigos ou familiares para enviar-lhes uma felicitação com o santo de seu dia.

Além disso, o aplicativo contêm um buscador onde se pode consultar o dia dos santos mais familiares, conhecer sua história e legado; oferecer por sua vez um calendário onde aparecem todos os santos do ano. (GPE/EPC)

Com informações da EFE e Rome Reports. Via Gaudim Press

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Irmã Mary Kenneth Keller foi a primeira mulher de nacionalidade norte-americana a ter um doutorado em Ciências da Computação, consentido em 1965 na Universidade de Wisconsin-Madison. A sua tese tinha como título “Inferência indutiva dos modelos gerados pelo computador”.

A religiosa fez os votos como Irmã da Caridade em 1940, fazendo em seguida um bacharelado em Matemática e outro em Matemática e Física na Universidade DePaul. Estudou também na Dartmouth College, trabalhando no centro de ciências de computação no Instituto – mesmo na época sendo reservado aos homens -, onde ajudou a desenvolver a linguagem BASIC.

religiosa, que escreveu quatro livros sobre a ciência da computação, acreditava no potencial do computador para aumentar o acesso a informação e promover a instrução.

Em 1965, depois de ter conseguido o seu doutorado, fundou o departamento de ciências da computação no Clarke College de Dubuque (Iowa), permanecendo ali por vinte anos. O Clarke College tem agora o Keller Computer Center and Information Services, intitulado à Irmã e que fornece apoio em computação e telecomunicação aos estudantes da faculdade, aos membros da faculdade e ao staff. A faculdade instituiu também a Mary Kenneth Keller Computer Science Scholarship, uma bolsa de estudo em sua homenagem.

Sabe-se muito pouco da vida da Irmã Mary Kenneth Keller antes de sua experiência universitária. Não é certo nem mesmo o ano de seu nascimento, que deveria ter ocorrido em meados de 1914 em Ohio. A religiosa morreu em 1985. Ingressou nas Irmãs da Caridade em 1932 e professou os votos oito anos depois.

O Dartmouth College mudou as regras que baniam as mulheres do seu centro de computação, permitindo-lhes ajudar e desenvolver a linguagem BASIC. Antes disso apenas matemáticos e cientistas podiam escrever o custom software. O BASIC deixou o uso do computador acessível a uma faixa muito mais ampla da população.

A Irmã Mary Keller queria fornecer o acesso à informática a qualquer um, não somente aos estudiosos de computador, e sonhava com um mundo no qual os computadores tornariam as pessoas mais inteligentes, ajudando-as também a pensar por si.

Pela primeira vez”, afirmou em uma entrevista “agora podemos simular mecanicamente o processo cognitivo. Podemos completar estudos em inteligência artificial. Além disso, este mecanismo [o computador] pode ser usado para auxiliar as pessoas no aprendizado. Visto que com o tempo teremos alunos mais maduros e em qualidade superior, este tipo de ensinamento será provavelmente sempre mais importante” (mentalfloss.com)

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O iBreviary foi o primeiro aplicativo do mundo para smartphones e tablets que continha, no já longínquo 2008, todas as orações, a Liturgia das Horas e os textos da missa. Tudo o que é necessário para a oração pessoal e comunitária, para os sacerdotes e para os fiéis leigos, está presente neste aplicativo que levou até as mãos de todos os fiéis do mundo a oração católica cotidiana.
 
O papa Francisco pediu que, por todos os meios justos, seja espalhado o Evangelho. Estamos fazendo isso com o que é mais precioso para nós: a oração. Além dos leigos, o iBreviary já está bastante difundido entre padres, bispos e até cardeais.
 
O iBreviary se espalhou pelo mundo com números surpreendentes de download para uma aplicação de oração: mais de 3.000 downloads por semana para os vários dispositivos. Já disponível em 9 idiomas, ele agora lança as novas versões em português, árabe e turco.
 
A decisão de preparar uma versão em árabe foi muito importante: queríamos colocar a oração oficial da Igreja católica e todos os textos para a celebração da Santa Missa nas mãos de fiéis católicos de língua árabe, muitas vezes impedidos de adquirir textos sagrados em seus países (em alguns lugares, é até ilegal manter consigo textos e livros sagrados cristãos).
 
O iBreviary é um sólido sinal de convivência e uma porta para a liberdade religiosa, não só pregada, mas concreta, vivida principalmente na oração. Eu espero, vivamente, que ele seja um serviço útil para todos os fiéis de língua árabe, simbolizando paz e liberdade.
 
O iBreviary está disponível para iPhone, iPad, Android e Windows Phone 7. A nova versão, incluindo árabe, português e turco, já está disponível para o iPhone. Em breve, será oferecida também para outros sistemas e plataformas.
 
www.ibreviary.org

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No dia 17 de fevereiro de 2014, Dom Roberto Francisco Ferrería Paz empossou a nova diretoria do Seminário Maria Imaculada, na diocese de Campos dos Goytacazes, RJ. A cerimônia ocorreu dentro de uma celebração eucarística na Igreja de Santa Teresinha, concelebrada pelo bispo emérito de Campos, dom Roberto Gomes Guimarães, diversos padres da diocese e teve a participação de diversos fiéis leigos da diocese.

A nova equipe de formação é formada pelo pe. João Genes Rodrigues, reitor do Seminário; pe. Elênio de Barros Abreu, vice-reitor e pe. Fábio de Melo Ferreira, diretor espiritual. Depois da celebração o pe. Anderson Alves, também colaborador de ZENIT, ministrou a aula inaugural sobre o tema: “A educação em tempos de fragmentação do pensamento e relativismo”.

A aula tratou em primeiro lugar o pensamento débil, que até pouco tempo era teorizado em alguns âmbitos universitários, e agora se torna comum na atual cultura tecnológica. Atualmente estamos imersos numa cultura onde o pensamento aparece de forma fragmentada, em pequenas frases, vídeos, músicas, tudo com um grande apelo sentimental e pouca profundidade. Nas Universidades os jovens não conseguem dificilmente acompanhar uma aula inteira. Distraem-se facilmente e julgam um pensamento ou um autor simplesmente dizendo “curto, ou não curto” como fazem em Facebook. E para os professores prenderem a atenção dos alunos devem mostrar filmes, imagens, gráficos, etc., ou seja, praticamente precisam dar um show.

«Não querendo negar a importância das novas tecnologias, não é possível ignorar os seus riscos. De fato, a nova cultura tecnológica pode levar a um excessivo estado de distração, a uma acentuação do sentimentalismo e à confusão dos limites da realidade e da fantasia. Tudo isso é característica das crianças. E muitas pessoas nos nossos dias não querem crescer, tornando-se um adulto responsável», afirmou o sacerdote da diocese de Petrópolis.

O pe. Anderson alertou que no ambiente atual ocorre uma séria crise educativa, com o desaparecimento de um pensamento estruturado e profundo e a exacerbação de uma cultura superficial, sentimental e pouco responsável, que tende a gerar uma fuga das responsabilidades a ponto de se perguntar se não estamos assistindo a um verdadeiro processo de extinção da vida adulta.

Posteriormente foi tratado o tema da “ditadura do relativismo”, expressão frequente em Bento XVI e que está na base da escolha do nome de “Francisco” pelo então cardeal Bergoglio, como foi afirmado por ele na audiência ao corpo diplomático de 22/03/2013. De fato, ele disse que a escolha desse nome se deve ao amor daquele grande santo pelos pobres, e a pobreza pode ser tanto a material quanto a espiritual. Essa última se expande em todo o mundo ocidental, inclusive entre as pessoas ricas, e consiste na sedução da “ditadura do relativismo”.

Para o Papa Francisco a Igreja deve combater a pobreza, tanto com a ajuda material aos mais necessitados quanto com uma educação que afirme o bem da verdade e supere o relativismo. Sem isso, não é possível autêntico diálogo e nem mesmo construir uma cultura de paz. A paz é obra da justiça e se funda na verdade.

Mas a verdade não é um sistema fechado e autoritário. É sim uma luz que se manifesta em algo misterioso: o rosto das pessoas, especialmente no rosto de Cristo. A dita luz ilumina a vida, abrindo nossas mentes e corações ao mistério de Deus, e não fechando as pessoas em si mesmas. Esse conhecimento gera amor, o qual é o princípio de toda ética social.

«O amor supõe a afirmação do outro e o movimento em direção a ele. O relativismo, por outro lado, é fruto do egoísmo. É o isolar-se do “eu” em si mesmo. De fato, somente um “eu” fechado pode negar a evidência do mundo externo, de Deus, dos outros e a possibilidade de se conhecer e amar a verdade da realidade. O relativista nega a verdade e a bondade de todas as coisas e como consequência disso, tudo se torna indiferente. O amor se torna supérfluo e a vida, um absurdo. Porém, o relativista é um ser essencialmente contraditório. Porque antes de relativizar o ser, a verdade e o bem, absolutizou a si mesmo, ou seja, o próprio “eu” com todos os seus anseios», disse o pe. Anderson na sua aula.

(Red.AA)