Reborn

Sexta-feira à noite. Divididos em vestiários de um ginásio em São Paulo, lutadores se recuperam de combates enquanto outros se aquecem, colocam luvas e se preparam para as lutas seguintes.

Do lado de fora das portas, quem domina o centro do octógono montado para a quinta edição do Ultimate Reborn Fight (URF) é o bispo Leandro Miglioli, de 41 anos, da Igreja Apostólica Renascer em Cristo.

Sob as luzes da Arena Renascer — ginásio à beira do rio Tietê arrendado à igreja em 2015 pela Portuguesa —, o bispo Lê, como é conhecido, usa o microfone para um testemunho de fé em que cita a história de Davi e Golias, uma das histórias mais conhecidas da Bíblia.

“Davi partiu para cima de Golias e a vitória mais improvável aconteceu. Davi atirou uma pedra e Golias foi nocauteado imediatamente. Fui nocauteado pela cocaína dos 15 aos 20 anos, quando conheci o que dava a Davi o poder de vitória. (…) O dia em que coloquei meus pés nesta igreja nunca mais usei drogas”, diz o bispo.

“Você não entrou aqui hoje por acaso, apenas para assistir a essas lutas que adoro, mas porque Deus tem um propósito em sua vida. Se tiver a atitude que tive, que Davi teve, Jesus vai entrar em tua vida, e nunca mais esse gigante que te assola irá te vencer.”

Com as mãos ao alto e cabeças curvadas, o público, estimado pela organização em 3 mil pessoas, consente e repete as palavras da oração puxada pelo bispo.

A interrupção dura cerca de dez minutos e evidencia a principal diferença entre o URF e outros eventos profissionais de MMA (Mixed Martial Arts, ou artes marciais mistas).

Nos torneios da Renascer não há mulheres com placas entre os rounds nem álcool na plateia, e a disputa atlética serve de cenário para atrair jovens que não necessariamente dedicariam uma noite de sexta-feira à religião.

“O MMA é um esporte que exige muita dedicação e trabalho. Na igreja ele é praticado com a mesma qualidade: respeitando regras, com ordem e decência. Então não é manifestação de violência”, afirmou à BBC Brasil o apóstolo Estevam Hernandes Filho, de 63 anos, fundador da Renascer, para quem a igreja é “pioneira na realização de eventos esportivos como estratégia de evangelismo”.

A igreja evangélica, diz Hernandes, inicialmente abriu as portas para treinos, de olho em “atrair mais jovens para o esporte”. A grande procura motivou a realização, em 2013, do primeiro grande torneio de MMA profissional da Renascer, que também tem seu time de atletas, o Reborn Team (time renascer, em tradução livre).

Caminho ao octógono

No segundo andar de uma igreja da Renascer em São Mateus, extremo leste de São Paulo, uma sala usada para encontros comunitários faz às vezes de academia. Há espelhos na parede, luvas, troféus e tatames que os próprios alunos montam antes dos treinos gratuitos.

Boa parte dos pupilos passou pelas mãos de Roberto Pedroso, de 38 anos, o pastor Giraia. Praticante de artes marciais desde 1989, Giraia se converteu à Renascer em 2001 e está à frente do Reborn Team desde o começo dos torneios. “Muitas vezes você convida as pessoas a uma igreja e elas não vão, mas a uma noite de lutas elas vão”, diz.

O pastor rebate as críticas à ligação entre MMA e religião – que, segundo ele, vêm sobretudo de outros cristãos. “Já disseram que a igreja era ridícula, ironizando os torneios com a frase de Jesus sobre ‘oferecer a outra face’. Cada um pensa o que quer. Estou salvando vidas e fazendo o que Deus me chamou a fazer.”

Na conversa com a reportagem, o pastor-treinador enfatiza o que vê como receptividade da igreja. “Dizem que a Renascer é a igreja das portas largas. Glória a Deus. Porque é onde mais se abre a porta para gente se converter. Esse é o nosso foco e essência.”

Renato Silva, um dos novos alunos de Jiraya, deixa escapar, durante uma brincadeira, que os treinos o ajudam a enfrentar o vício em drogas.

“Tem um tempinho que estou ‘firmão’, mas estava envolvido com drogas, bebidas. O treinamento ajuda muito, você não têm noção. Você conhece pessoas novas, enquanto na ‘vida louca’ o pessoal com quem você anda não está enxergando. Um ditado diz que um cego não guia outro cego”, afirma ele, que treina na igreja às segundas e quintas-feiras, das 20h às 23h.

“Ontem eu fui, treinei, cheguei em casa moído. Não fiquei na rua”, conta.

Saindo das cordas

O MMA da Renascer não deixa de ser uma estratégia da igreja para se fortalecer após uma série de golpes na última década. Fundada em 1986 e apontada como promessa entre as denominações neopentecostais brasileiras nos anos 1990, a igreja diz ter hoje cerca de 550 igrejas – o que seria menos da metade do que já teria tido.

Em 2007, o casal fundador (Estevam e Sônia Hernandes) foi detido e condenado por contrabando nos EUA após entrar no país com US$ 56 mil não declarados – cumpriram aproximadamente dez meses de prisão em regime fechado e domiciliar. Dois anos depois, o teto da sede da igreja em São Paulo desabou, matando nove pessoas e ferindo mais de cem. Em 2011, a Igreja perdeu seu mais famoso fiel, o jogador de futebol Kaká.

A Renascer nega que haja relação entre os problemas recentes e a aposta nas lutas. “O objetivo do incentivo ao esporte é realmente alcançar vidas, ajudá-las, levar as pessoas a ter uma vida mais saudável e a conhecer Jesus. Não só esta como todas as atividades da igreja Renascer têm apenas este objetivo”, afirmou a assessoria.

Hernandes diz que o próximo passo da igreja no mundo do MMA é criar uma escola na favela de Heliópolis, em São Paulo, e promover um a dois eventos profissionais por ano. “Nosso objetivo é investir mais nestes eventos, não apenas em São Paulo, mas em outras regiões do país.”

Vale-tudo gospel

De volta ao ginásio paulistano, boa parte do público é formada por fieis da Renascer e fãs dos lutadores – alguns usam até camisetas com estampas de atletas. Os ingressos custam de R$ 30 a R$ 50 e tudo é transmitido pela Rede Gospel de Televisão, a rede VHF e UHF da Renascer.

Durante as lutas, é possível ouvir gritos tradicionais do público de MMA – como o “Uh, vai morrer!” -, mas nada que domine a arena. O sermão do bispo Lê promove engajamento: pessoas ficam de pé, erguem as mãos, fecham ou olhos ou repetem parte das frases. Mas há também gente aparentemente indiferente à pregação.

Com exceção da ausência de mulheres em trajes mínimos e de cerveja na arquibancada, o ritual é o mesmo de outros torneios de MMA: apresentador com tom dramático, três juízes, nada de cabeçadas, golpes nos genitais ou na nuca.

No octógono os atletas são todos profissionais, ainda que em início de carreira. Não é preciso treinar na igreja e nem ser ligado à Renascer para participar do evento, que vale registro no Sherdog, o banco de dados que é referência no MMA. O pagamento costuma ser em ingressos para os próprios torneios, de acordo com o nível do atleta.

Quem mais se destacou até hoje nos treinos da Renascer é um alagoano radicado em São Paulo, de 29 anos. José Alexandre, ou Zé Reborn, como é conhecido, foi convidado à equipe depois que um vizinho testemunhou o dia em que ele nocauteou um colega com apenas um soco durante uma brincadeira.

Hoje, cinco anos depois, o peso-mosca ostenta um cartel de 21 vitórias em 31 lutas profissionais.

“Comecei a treinar na igreja, mas ficava naquela: ‘Caramba, treinar um esporte violento na igreja’. Mas quando a pessoa conhece não é nada daquilo que se pensa. Pessoas de fora criticam e acabam se entregando, aceitando, se reconciliando com Deus e tudo mais”, afirma.

A família, também evangélica, resistiu à novidade no começo. A mulher ficava ressabiada e irmãos diziam: “Sai disso, volta para a igreja”, ao que Zé respondia: “Mas eu estou na igreja, mano!”.

Saudado pelo público e pelo narrador como grande atração da noite — ainda que sua luta não fosse a principal —, Zé Reborn demonstrou no octógono a concentração que exibia ao receber, ainda no vestiário, a benção do pastor Giraia.

Disparou um chute de direita que fez o adversário segurar-lhe a perna, mas permaneceu calmo após ser lançado ao chão. Levantou-se e levou a luta ao solo novamente,

invertendo a guarda. Buscou uma finalização até encaixar a guilhotina que encerrou o combate aos 4’27” do primeiro round.

Só então abriu um sorriso e gritou. Escalou as grades do octógono, sob abraços de Giraia. Ao receber o prêmio pela vitória, foi carregado nos ombros e posou para fotos com o pastor e o apóstolo Hernandes.

Apesar da celebração, o lutador ainda não consegue viver de seus socos e chutes. Pai de três crianças, trabalha como auxiliar de limpeza de condomínio por pouco menos de dois salários mínimos e treina à noite, até três vezes por semana.

As bolsas por luta variam de R$ 800 a R$ 2.000, mas ele diz já ter atuado em troca de ingressos e até de graça para melhorar o currículo. “As pessoas falam sobre sair do emprego e me dedicar apenas aos treinos. Viver só de luta é um sonho, claro. Mas como faço se sair do trabalho? Tenhos filhos”, questiona.

Apesar de saber que um eventual patrocínio poderia ajudá-lo a se dedicar ao MMA em tempo integral — aproximando-o do objetivo de lutar com atletas de ponta e até fora do país —, ele não demonstra ansiedade e diz que a parte financeira não é prioridade. “É uma honra lutar pela igreja. Não é sobre dinheiro. É conversão.”

Fonte: BBC Brasil.

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Em fins de 2016, o Instituto Datafolha publicou uma pesquisa que fez ressoar uma campainha de alarme na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). O estudo mostra que, nos últimos dois anos, 9 milhões de pessoas abandonaram o catolicismo no país. Em 2014, a porcentagem da população que declarava ser católica era de 60%, ao passo que em dezembro de 2016 baixou para 50%. No mesmo período, os fiéis pentecostais ou neopentecostais passaram de 18% a 22%. Embora a recente baixa na porcentagem de católicos não foi acompanhada por uma ampla expansão dos fiéis pentecostais ou neopentecostais, o que preocupa os bispos é outro dado: a metade dos que declaram ser pentecostais ou neopentecostais provém da Igreja Católica, onde haviam crescido.

Recentemente, a CNBB organizou um encontro para discutir o crescimento das igrejas pentecostais e neopentecostais. As conclusões identificam diversas causas: os evangélicos contam com uma estrutura mais dinâmica e podem chegar às pessoas de uma forma mais rápida, em qualquer lugar onde estejam; aproveitam a ingenuidade ou a má formação dos católicos – sobretudo, os que vivem nas zonas rurais ou nas periferias das grandes cidades – e levam adiante uma intensa propaganda contra o catolicismo; por último, os evangélicos recorrem a uma forte carga emocional para atrair as pessoas.

Como os bispos focalizam estes problemas? Como podem responder à realidade? Que propostas podem ser úteis para inverter a situação?

Na CNBB, todos estão de acordo em que as respostas oferecidas pelos pentecostais ou neopentecostais àqueles que possuem problemas de saúde, acidentes ou situações graves são mais atrativas que as católicas. “Muitas vezes, a razão pela qual as pessoas deixam a Igreja Católica é de tipo material: a promessa de uma ajuda material que praticamente compra, adquire a pessoa, e depois a deixa com a sensação de ter sido traída e desiludida”, afirma dom Francisco Biasin, presidente da Comissão de Ecumenismo e Diálogo Inter-religioso da CNBB.

Contudo, o problema principal é que não há um ponto de encontro com estas pessoas que têm dificuldades. “Temos que ser mais missionários, encontrar a forma de estar mais presentes nas periferias e no interior, fazer tudo o que for possível para que haja uma figura de referência em cada comunidade”, afirma o cardeal de São Paulo, dom Odilo Scherer. “O importante é buscar os fiéis em suas casas, nas escolas, nas instituições. Ser uma Igreja projetada para o exterior.

Por isso, uma das propostas da CNBB é que o bispo eleja, em cada caso, ao menos dois leigos reconhecidos como católicos que sejam um ponto de referência para seus vizinhos e animem a comunidade. “Que a comunidade perceba que há alguém que está ali em nome do bispo, em nome da Igreja, que os anima e que também os ajuda a enfrentar as dificuldades, os problemas, as discussões, os distanciamentos, que tornam presente a misericórdia. Acredito que, de certa forma, é este elemento que falta bastante na realidade”, afirma dom Leonardo Steiner, secretário geral da CNBB.

Além disso, também é preciso oferecer nas próprias comunidades – e não nas paróquias – grupos de oração, grupos juvenis e de outro tipo. Isto poderia equilibrar, a seu critério, o fato dos pastores pentecostais serem casados, viverem nas comunidades e passarem grande parte do tempo com os fiéis, diferente dos sacerdotes, que precisam se ocupar da paróquia e, às vezes, estão distantes das pessoas.

Contudo, se não há uma autonomia real aos leigos católicos, nada pode mudar. Essa é a opinião de dom Enemésio Lazzaris, bispo de Balsas no Estado do Maranhão, uma das regiões que mais ressentem o crescimento dos pentecostais. “Compreendemos que um dos êxitos das igrejas evangélicas é que cada um se sente igreja, com uma autonomia quase completa. Nós, às vezes, delegamos a autoridade, mas a retemos, controlamos muito. Temos que dar maior liberdade, mais autonomia a estas pessoas”.

Outra proposta importante para a CNBB se refere à formação bíblica e a catequese dos fiéis. Considera-se que uma das possíveis soluções é propor nas comunidades cursos mais frequentes e menos extensos, com uma linguagem mais simples e direta. “Necessitamos de uma maior presença próxima aos católicos, evangelizar mais e ajudá-los a aprofundar a fé, para que tenham uma maior consciência de sua própria fé e possam crescer, para evitar confusões e incertezas”, afirma dom Orani Tempesta, cardeal do Rio de Janeiro.

Por último, constitui um desafio para a CNBB o forte componente emocional que os pentecostais utilizam para atrair os fiéis, o que a médio e longo prazo pode ser um problema. Dom Leonardo Steiner recorda que o Papa Francisco, ao fechar o Ano da Misericórdia, deixou claro que “é preciso testemunhas da esperança e da verdadeira alegria para desfazer as quimeras que prometem uma felicidade fácil com paraísos artificiais”. O problema de se centrar no fator emocional é que a experiência pode ser derrubada. Dom Steiner confirma que “os estudos demonstraram que as pessoas abandonam as Igrejas tradicionais (católicas e outras), vão para outra Igreja e depois para outra e outra, e depois… para nenhuma. Possuem o seu Deus pessoal”. Dessa maneira, as pessoas perdem a relação pessoal com a Igreja.

Por isso, diz dom Steiner, a Igreja não deve responder com a mesma moeda. O importante é se concentrar na maneira de evangelizar. “A alguns agrada, por exemplo, expressar sua fé de maneira mais emocional, e se distanciam do compromisso de transformação social. A Igreja não pode ceder a esse tipo de desejo, porque iria contra sua missão fundamental, que é anunciar integralmente o Evangelho de Cristo”, explica.

“Acredito que podemos aprender algumas coisas de nossos irmãos pentecostais”, afirma dom Biasin. “Há formas de levar em consideração, dentro da Igreja, algumas reivindicações legítimas do pentecostalismo”, e cita como exemplo o movimento da Renovação Carismática. Também oferecer aos fiéis que desejam uma liturgia mais participativa e emocional, com ênfase nos dons do Espírito Santo, o exorcismo, a leitura das Sagradas Escrituras e a música. “Conceber o diálogo católico-pentecostal como uma maneira de compartilhar dons é algo possível e útil para o futuro da Igreja”, conclui dom Biasin.

Fonte: Tierras de América

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é um sacerdote da Arquidiocese de Washington, DC. Presbiteriana Renovada, ele se converteu ao catolicismo, enquanto freqüentava a Universidade de Princeton.

Meu grande erro foi assistir a uma missa católica. Tudo começou inocentemente, visitando uma amiga católica que participou de uma universidade do sul, uma jovem mulher que eu queria impressionar pelo meu desejo grande de espírito de ir à igreja com ela. Mas a minha vida nunca mais foi a mesma desde que daquele domingo de abril de 1992 No dia seguinte, retornando para Nova Jersey onde frequentava a faculdade, eu tinha oito horas para refletir a experiência daquela Missa. Ele tinha feito uma impressão indelével, e ao retornar para o dormitório, perguntei a um amigo católico sobre me levar para o padre de sua paróquia. Eu tinha algumas perguntas que precisavam ser respondidas.

Eu cresci em uma família presbiteriana, bastante consistente, e eu sempre tinha abrigado um interesse na religião. Os negócios do meu pai nos levaram no estrangeiro, quando eu era muito jovem, e a maior parte da minha infância foi passada em países da América Latina. A maioria dos meus amigos que eram “sérios” sobre religião eram de fato católicos, então eu cresci tocado por uma visão favorável da Igreja. Quando vivemos no Brasil, participei de uma escola católica de língua Inglesa, e eu lembro vividamente de ser uma das poucas crianças que não tinham condições de receber a Sagrada Comunhão durante a missa semanal. Era aquela fome de receber Nosso Senhor, da graça da conversão e da fé para crer na presença real de Cristo na Eucaristia.

Até o momento em que cheguei da faculdade, no entanto, eu acho que eu era um produto típico da nossa época: ambicioso para ganhar o mundo e ter prazeres, amigável, evasivo, não-dogmático, tolerante a uma falha, ignorante das realidades sobrenaturais, insensível ao movimento do Espírito Santo. Todas as coisas consideradas, eu talvez não tenha sido um grande pecador, mas também não estava remotamente interessado em me tornar um santo. Eu era, em outras palavras, um “cara legal”. Então veio essa experiência inesquecível da Missa.

Depois desse ímpeto inicial, não havia nada muito teatral no meu caminho de conversão. Minha vida continuou como normal, mas salpicada por momentos de recolhimento. Muitas dessas experiências foram acionadas por minha leitura. Tendo falado com o pároco do meu amigo, eu comecei a ler muito, e eu descobri que muitas das minhas impressões sobre o catolicismo, sobre suas crenças, práticas e história, foram imprecisas e muitas vezes completamente erradas e injustas. Para minha surpresa, descobri que os católicos não fazem, de fato, a adoração a Maria; que as crianças, cuja única culpa é ser não nascido, no entanto, têm o direito de viver; que a história católica não é uma faixa de ignorância pontuada por momentos de luz, mas sim uma afirmação fantasticamente rica e diversificada e orgulhosamente de bondade e beleza, sombreada apenas pela fragilidade humana que todos nós compartilhamos.

Como o meu “mito destroçado” a leitura continuou, descobri que estes e os meus outros preconceitos, nunca antes questionados, começaram a vacilar, então balançar, então entrar em colapso. Cada vez, a minha convicção presumida em que eu segurava se tornou menos estridente, até que um dia eu percebi que eu estava me aproximando de um tópico no sentido inverso: onde meus pontos de vista diferentes dos da Igreja, eu esperava que a Igreja fosse certa, e que eu estava errado. Foi quando eu pensei para mim com admiração: “Eu não posso acreditar. Acho que é tudo verdade!” A ironia dessas palavras não me bateram na hora, porque é claro que foi precisamente então que eu podia acreditar! Eu entrei no programa de formação (o Rito de Iniciação Cristã de Adultos) na igreja paroquial e, alguns meses mais tarde, na Vigília Pascal de 1993, foi recebido na plena comunhão da Igreja Católica e confirmado.

Durante este período de preparação, eu nunca vou esquecer uma das minhas conversas com o padre que, eventualmente, me trouxe para a Igreja. Como eu estava me preparando para sair, ele casualmente comentou que, depois da minha conversão, Deus pode pedir ainda “algo mais” de mim. Isso é – e eu entendi o que ele quis dizer – Deus pode me pedir para ser padre. Resmunguei uma resposta, e um pouco ressentido que ele tinha colocado um fardo para mim, antes de eu ser ainda um católico! Não era o tipo de coisa que pessoas descoladas, sem compromisso, como eu jamais sonharia em fazer a outro ser humano! Como eu sabia pouco, quão pouco eu entendi a profundidade da sua caridade para mim. E como sou grato hoje pela coragem do sacerdote; embora ele tenha ido para o Senhor, todos os dias eu rezo por ele em agradecimento. Na verdade, 10 anos depois de sua sugestão indesejável, ele me viu vestido como um diácono, na Basílica de São Pedro.

Ao terminar a faculdade, entrei para ser Candidato na escola e começou uma temporada de quatro anos na Marinha, onde servi em um cruzador e um contratorpedeiro da Frota do Atlântico. Felizmente, na faculdade eu tinha conhecido algumas maravilhas católicas da Opus Dei que me encorajaram a promover uma vida de oração, a recepção contínua dos sacramentos, a leitura espiritual, e devoções. Que a formação da vida interior ficava me aterrada ao longo desses emocionantes quatro anos de serviço militar.

Ao me aproximar do fim do meu tempo na Marinha, refleti novamente na sugestão do padre a considerar a vocação para o sacerdócio, mas ainda não estava completamente pronto para dar o salto. Mais uma vez eu tinha uma namorada séria e, ao mesmo tempo, no fundo, eu sabia que o Senhor estava me chamando para ser seu sacerdote, eu tentei um último “prazo final” em torno dele. Peguei o matéria aplicada na faculdade de direito, e quando a carta de aceitação veio do meu “tiro longo” a escola, eu estava em êxtase. Quando a euforia passou, no entanto, eu olhava para a letra e percebi que eu nunca iria assistir. Sem mais hesitação, eu recusei, enviei a minha candidatura para o Seminário da Arquidiocese de Washington, e embarquei na viagem mais gratificante e emocionante da minha vida.

Mais do que qualquer outro sentimento, o meu coração está cheio de gratidão. Gratidão a Deus pela minha vida, pela graça da conversão, pela minha fé. Gratidão a minha família para o seu amor, pela minha educação, pelo seu apoio inabalável e incentivo. Gratidão aos muitos sacerdotes e leigos que têm sido referidas testemunhas finas da fé católica e que me apoiaram a cada passo do caminho. Acima de tudo, no entanto, sou grato pelo grande dom e bênção de um chamado ao sacerdócio. O que uma incrível vida – uma vida de íntima união com Cristo, de agir como um poderoso canal da graça de Deus, de ter um papel privilegiado na vida de Seu povo. Deus me deu uma escolha, uma escolha real, e eu estava livre para voltar a vocação. Ele não quer discípulos relutantes. Nem por um momento, no entanto, eu me arrependi de minha resposta. Eu nunca fui mais feliz na minha vida, eu nunca olhei para trás, e não há nada que eu prefira fazer. Rezo todos os dias que o Senhor irá conceder o privilégio de uma chamada para o sacerdócio em muitos generosos, homens firmes para ser pais de almas. Nunca antes, creio eu, tem lá um tempo melhor, uma causa mais nobre, ou uma colheita mais abundante de almas famintas de verdade, de amor puro e sem mácula, para a verdadeira felicidade e paz no coração.

Aquele sacerdote que me pediu para considerar um chamado ao sacerdócio foi entendido. Ele sabia que a felicidade de cada homem, em última análise, encontra-se em seguir o plano de Deus para sua vida. Essa é a grande, abertura do desconhecido segredo para o mundo moderno, em que tantas pessoas freneticamente buscam “felicidade” em todos os lugares errados. Ele queria para mim o que cada amigo verdadeiro cristão deve querer para nós: a serenidade e a alegria incontida de um discípulo generoso de Jesus Cristo. Para mim, o caminho do discipulado significava tornar-se padre, mas primeiro queria abraçar a beleza, a verdade, e a alegria do catolicismo. A Igreja Católica tem sido um guia seguro, uma luz em tempos de escuridão, e um alicerce de apoio para mim por mais de metade da minha vida. Eu não posso nem imaginar a vida sem os sacramentos da Eucaristia e da Confissão, sem a mão firme da sua doutrina, sem a garantia de que ela nos une de forma única para Cristo. E que, em poucas palavras, é por isso que eu sou católico.

Pe. Carter Griffin é um sacerdote da Arquidiocese de Washington, DC. Presbiteriana Renovado, ele se converteu ao catolicismo, enquanto freqüentava a Universidade de Princeton. Depois de se formar em 1994, atuou por quatro anos como oficial da linha de superfície da Marinha dos Estados Unidos antes de entrar no seminário. Ele participou do Seminário Mount St. Mary, em Emmitsburg, Maryland para dois anos de filosofia seguida pelo Colégio Norte-americano em Roma por cinco anos de teologia. Pe. Griffin foi ordenado sacerdote em 2004 e serviu como padre-secretário do arcebispo de Washington antes de iniciar estudos de doutoramento em Roma em 2008 sua tese de doutorado, “Sobrenatural paternidade através do celibato sacerdotal: Execução em Masculinidade”, foi publicado em 2010 . Atualmente é vigário paroquial da paróquia de São Pedro, no Capitol Hill, e foi recentemente transferido como Diretor Vocacional da Arquidiocese de Washington e do Vice-Reitor da nova John Paul II Seminário da Arquidiocese Santíssimo.

De: whyimcatholic.com   

Via Front Católico

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Desde a minha conversão à Igreja, tenho observado um movimento entre os jovens cristãos que afirmam amar Jesus, mas rejeitam a “religião”.

Muitos cristãos da geração millennial que rejeitam a “religião” argumentam que as pequenas diferenças entre as denominações cristãs realmente não importam no final. E eles estão certos; Há pouca diferença real entre muitas das denominações cristãs que surgiram ao longo do tempo desde a Reforma. Quando eu estou no meu estado natal de Oklahoma, eu me deparo com o número absurdo de igrejas diferentes que afirmam estar voltando às raízes do cristianismo.

Porém, a fragmentação sem fim de denominações cristãs é um escândalo para a unidade à qual Cristo nos chama (Jo 17,21). Talvez a rejeição dessas diferenças religiosas entre os jovens cristãos possa ser o início de um movimento ecumênico para a unidade no Corpo de Cristo. Neste sentido, sim, vamos rejeitar as “religiões” baseadas em diferenças superficiais e enraizadas na divisão e no pecado.

Mas, como uma ex-ateia, eu tenho que dizer que há também algumas bandeiras sérias neste movimento para rejeitar a “religião”. Em uma recente tarde de domingo, a hashtag #EuNãoVouÀIgrejaPorque estava entre os top trends no Twitter. Para minha surpresa, muitos dos tuítes foram de cristãos que, orgulhosamente, proclamaram que eles não “precisam” de religião, eles só precisam de Jesus. Parece que a mentalidade sob a rejeição dos sacramentos entre alguns cristãos evoluiu naturalmente para uma rejeição de algo tão básico como celebrar a Eucaristia semanalmente.

Além do fato óbvio de que isso acontece sempre na milenar tradição cristã, há também a preocupação válida de que esta forma de “cristianismo”, baseada em nada mais que sentimento, vai se tornar, dentro de uma geração ou duas, em ateísmo.

E como esta nova forma de “Cristianismo” evoluiu: Muitas pessoas que estão neste movimento argumentam que separar o Cristianismo da “religião” nos ajuda a voltar às raízes do Cristianismo, às reais intenções de Jesus.

Mas a Bíblia e os escritos dos padres primitivos da Igreja revelam muito pouco para sustentar essa afirmação.

Aqui estão algumas evidências da Escritura e da história antiga da Igreja:

1. Os cristãos se reúnem para adorar: Deus nos deu uma orientação clara e as Escrituras deixam evidente que os primeiros cristãos se reuniam para uma refeição eucarística todos os domingos. Reuniões de domingo nunca foram uma prática opcional para os cristãos. Se acreditamos que Jesus morreu por nós, o mínimo que podemos fazer é adorá-lo por uma hora todos os domingos.

Tome cuidado, então, muitas vezes para se reunir para dar graças a Deus, e mostrar o seu louvor. Pois quando vocês se reúnem frequentemente no mesmo lugar, os poderes de Satanás são destruídos, e a destruição a que ele se propõe é impedida pela unidade de sua fé. – Inácio de Antioquia, Carta aos Efésios.

 No primeiro dia da semana, nos reunimos com a finalidade de partir o pão (Atos, 20:7)

 2. Religião é o que nos liga a Deus: Há muito desdém pelas práticas exteriores de piedade nos dias de hoje. E certamente, é verdade que as práticas exteriores não levam sempre à caridade e santidade. Mas isso não é motivo para deixá-las para trás. Somos corpo e alma. A relação com Deus é alimentada por práticas exteriores; elas nos ligam a Deus e estamos ligados a ele através da nossa religião.

Estamos unidos e ligados a Deus por este vínculo de piedade. É disso que a religião toma seu nome. – Lactâncio, As Instituições Divinas

Pois assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras está morta. – Tiago 2:26

3O cristianismo é comunidade: Nossa fé não é apenas um relacionamento individual com Jesus. O Cristianismo envolve relacionamento com Deus (que é, Ele mesmo, uma comunidade de pessoas) e relacionamento com os outros em sua Igreja. É doloroso e difícil estar em relacionamento com outros pecadores. Mas nossa fé nos chama a estar em união não apenas com Deus, mas com outras pessoas.

Somos um corpo unido como tal por uma profissão religiosa comum, pela unidade de disciplina e pelo vínculo de uma esperança comum. Nós nos reunimos como uma assembleia e congregação … Nós nos reunimos para ler nossos escritos sagrados … Em mente e alma, não hesitamos em compartilhar nossos bens terrenos um com o outro. – Tertuliano, Desculpa

Pois, como em um corpo temos muitos membros, e todos os membros não têm a mesma função, então nós, embora muitos, somos um corpo em Cristo, e membros individualmente um do outro. – Romanos 12: 4-5

4. O cristianismo tem sucessão apostólica: As Escrituras deixam claro que Paulo nomeou bispos, Timóteo e Tito, e lhes pediu que designassem presbíteros (1 Tm 2: 2). Quando as pessoas rejeitam a hierarquia e a autoridade legítima em favor do individualismo, rejeitam Jesus e a Igreja que ele fundou.

Quando nos referimos a essa tradição que se origina dos apóstolos e que é preservada por meio da sucessão de presbíteros nas Igrejas, eles se opõem à tradição, dizendo que eles mesmos são mais sábios não meramente do que os presbíteros, até mesmo os apóstolos, porque eles descobriram a verdade não adulterada. – Irineu, Contra todas as heresias

Não negligencie o dom que há em ti, que foi conferido através da palavra profética com a imposição das mãos do presbitério. –  1 Timóteo 4:14

Cristianismo é uma religião. Sempre foi. E o movimento para remover a “religião” de nossa fé é um movimento que, em última instância, poderia minar a transmissão da fé para as gerações vindouras.

Essas são apenas algumas coisas que você pode apontar da próxima vez que uma pessoa disser que ele ou ela acredita em Jesus, mas não acha que é necessário praticar a religião.

Theresa Noble

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Jeremiah, em foto após a sua primeira Comunhão, na Vigília Pascal de 2015.

Para os que me conhecem não é nenhuma surpresa o fato de eu ter nascido no “dia da mentira”. Meus pais rezaram desesperadamente para que Deus permitisse o meu nascimento em literalmente qualquer outro dia, mas Deus tem o Seu senso de humor. O Seu humor — ou, melhor dizendo, a capacidade que Ele tem de mudar os meus planos — se tornaria um tema recorrente em minha vida.

Por exemplo, eu cresci tocando guitarra rítmica em bandas de louvor e de rock; agora, eu estudo música clássica na universidade. Também já quis ser atleta, mas, ultimamente, passo maior parte do meu tempo trancado, praticando meu instrumento. Fui criado, enfim, como protestante devoto, mas agora me juntei à Igreja Católica — e esta é a minha história:

Desde a mais tenra idade, meus pais me ensinaram que Deus é real, que Ele nos ama e que a Sua palavra é infalível. Eles me mostraram através das suas ações que seguir a Deus é a prioridade sobre todas as coisas, não importando quão absurdo isso parecesse.

Meu pai conduzia uma pequena igreja evangélica e não denominacional chamada Calvary Chapel(“Capela do Calvário”, lit.), na cidade de Lodi, no estado da Califórnia. Alguns anos depois, ele se sentiu chamado a mudar para Tulsa, em Oklahoma, onde ele se tornou pastor de outra igreja da mesma organização.

Viver para Cristo não era algo que eu fazia porque meus pais queriam, mas porque o Espírito Santo me atraía a Si. Minha fé era real e se manifestava em um envolvimento ativo no ministério de louvor e adoração, desde a minha adolescência.

Como cabeça do ministério de adoração, eu era simultaneamente pastor e ovelha no rebanho de Cristo. Menor apenas que o meu amor a Cristo era o meu amor à música. A capacidade de expressar o meu amor a Cristo por meio da música, e de levar os outros a fazer o mesmo, era bonita. Quando saí para estudar música na universidade, Deus me colocou na Universidade de Tulsa. Lá eu encontrei as pessoas que eventualmente me levariam a uma união plena com Cristo.

Na faculdade, eu me ocupava a maior parte do tempo com meu quarteto de cordas. Ensaiava por horas incontáveis, toda semana, com duas violinistas e um violista, procurando aperfeiçoar o nosso ofício. Quando você passa tanto tempo com outras pessoas, você termina conhecendo bastante sobre elas. Como queria a divina providência, aconteceu de ambas as violinistas do meu quarteto serem católicas devotas.

Essas mulheres, Ellen e Sarah, logo se tornariam duas das minhas amigas mais próximas. Quanto mais eu crescia em amizade com elas, mais elas me confundiam. De acordo com a minha educação, católicos não eram cristãos de verdade — eles não passavam de idólatras, escravos da lei e da tradição, que tentavam de uma forma ou outra ganhar a sua passagem para o Céu.

Essas católicas, no entanto, eram muito mais santas do que eu. Elas tinham um relacionamento genuíno com Cristo, e Ele era a motivação de cada ação das suas vidas. Elas rezavam com um fervor e consistência que eu queria desesperadamente ter. Interagir pela primeira vez com católicos fervorosos, depois de muito tempo sendo “poupado”, foi o primeiro passo rumo à minha conversão.

Sarah e eu tínhamos várias conversas até altas horas da noite sobre Deus. Cada vez mais, eu pensava comigo mesmo: “Essa conversa foi muito boa! Acho que ela deve estar perto de entender as coisas!” Qualquer dia desses, ela veria a verdade, o erro das heresias católicas, e voltaria para casa, para a verdadeira igreja de Cristo. Mal sabia que seria eu a ver o erro dos meus caminhos e a voltar para casa, para a Igreja Católica.

A Eucaristia, verdadeiro corpo de Jesus

Em uma noite de janeiro, Sarah e eu debatíamos teologia, quando veio à tona o tema da Eucaristia. Ela me disse que os católicos acreditavam que, em toda Missa, o pão e o vinho usados para a comunhão (a Eucaristia) cessam de ser pão e vinho e se tornam literalmente a carne e o sangue de Jesus Cristo. A quem não está familiarizado, pode parecer um conceito absurdo — mas, como eu estava prestes a perceber, Deus é um Deus do absurdo.

Eu disse a ela que era irracional acreditar que Jesus estivesse realmente presente na Eucaristia. O que ela fez em seguida causou em mim uma impressão que eu jamais esqueceria. Ela me disse para pegar a minha Bíblia — que eu, como um bom evangélico, trazia convenientemente guardada em minha mochila — e, então, me levou a João, capítulo 6, onde Jesus pronunciava algumas palavras intensas para Seus seguidores:

“Os judeus começaram a discutir, dizendo: ‘Como pode este homem dar-nos de comer a sua carne?’ Então Jesus lhes disse: ‘Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.” (Jo 6, 52-56)

Enquanto lia aquelas palavras em voz alta, eu tentava segurar as lágrimas. Era como se Deus começasse a soprar buracos em minha até então impermeável teologia. Se as palavras do Evangelho fossem literalmente verdadeiras, Jesus nos chama a comer da Sua verdadeira carne e sangue. A comunhão não seria apenas um símbolo de que eu deveria participar mais ou menos uma vez por mês, mas Deus que Se oferece totalmente para a humanidade.

Naquela noite, eu voltei para casa e perguntei ao meu pai por que acreditávamos no que fazíamos. Até hoje posso ouvir a minha voz trêmula dizendo: “Pai, eu preciso de uma boa razão para não acreditar nisso.”

Tentei desesperadamente me convencer de que estava certo, mas, para a minha frustração, meu pai foi incapaz de explicar aquilo em que ele acreditava de um modo que satisfizesse às minhas questões.

Voltei-me para Sarah no dia seguinte com alguns contra-argumentos mal produzidos e claramente nada convincentes. Aleguei que Jesus estava apenas falando em parábolas, mas aquilo não explicava por que os discípulos de Jesus O deixaram depois de ouvir aquelas palavras. Disse que aqueles que saíram simplesmente não tinham entendido, mas isso não explicava por que os Seus discípulos tomaram as Suas palavras ao pé da letra quando confrontados. Como eu logo descobriria, é difícil argumentar contra a verdade.

Olhando para trás, é engraçado perceber o quanto eu aceitava mal a ideia de me tornar católico, mesmo depois que comecei a querer sê-lo. Fiz o que pude para evitar o assunto, mas o Espírito Santo continuou o Seu trabalho. Ele tem um jeito de tornar as coisas abundantemente claras. A cada vez que participávamos da comunhão na minha igreja, Deus me lembrava a todo momento do que eu havia lido em Sua palavra. Tentei imaginar que eu realmente tomava parte na Sua carne, mas eu ainda estava insatisfeito com nosso rito da comunhão.

Como Deus costuma fazer, Ele deixou que o assunto se assentasse por um tempo. No momento, eu não percebia o que estava acontecendo, mas as sementes que tinham sido plantadas começavam lentamente a formar raízes. Depois de um verão tranquilo, surgiu algo de repente, cerca de um mês antes da volta às aulas. Minha única explicação para o que aconteceu foi uma moção do Espírito Santo em mim. Eu estava de férias com minha família, descansando tranquilamente no lago, quando me veio essa ideia disparatada e persistente: “E se Sarah estiver certa? E se os católicos estiverem certos? E se a Eucaristia for realmente Jesus?”

As implicações seriam enormes. Eu precisava investigar a questão, independentemente de qual fosse o resultado. Se fosse verdadeira, seria a coisa mais bela que eu já tinha ouvido. Se Jesus me permitisse comer o Seu corpo físico, a cruz ganharia um significado ainda maior para mim. Se fosse falsa, no entanto, toda a Igreja Católica estaria imersa em completa idolatria.

Quanto mais eu pensava sobre o assunto, mais intenso ele se tornava. Os católicos literalmente adoravam o que parecia ser um pedaço de pão. Eu não queria parte nenhuma nisso se aquele pedaço de pão não fosse realmente Jesus Cristo, mas sabia que iria querê-Lo desesperadamente se fosse.

O testemunho dos Padres da Igreja

Na semana seguinte, fiz uma pesquisa intensa. Começando por João, capítulo 6, consultei as Escrituras de novo por minha conta. Esforcei-me por ver qualquer jeito de que Jesus pudesse ter querido dizer qualquer outra coisa que não literalmente comermos a Sua carne e bebermos o Seu sangue.

Eu ainda não estava completamente convencido da verdade do catolicismo, mas já sabia o suficiente para afirmar que ele não era absurdo. Sarah tinha me dito uma vez que, se eu acreditasse na doutrina católica sobre a Eucaristia, tudo o mais se encaixaria no devido lugar. As palavras dela não fizeram sentido para mim no momento. Quando Deus operou em meu coração, no entanto, comecei a perceber o que ela queria dizer.

Se os Evangelhos me fizeram perceber que eu podia possivelmente estar errado, os escritos dos primeiros cristãos me convenceram de vez. Descobri que, até o século XVI, os cristãos acreditaram por unanimidade que a Eucaristia era literalmente Jesus. Eis algumas das citações retiradas dos Santos Padres:

“Considerai bem como se opõem ao pensamento de Deus os que se prendem a doutrinas heterodoxas a respeito da graça de Jesus Cristo, vinda a nós. […] Abstêm-se eles da Eucaristia e da oração, por­que não reconhecem que a Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que padeceu por nos­sos pecados e que o Pai, em Sua bondade, ressuscitou. Os que recusam o dom de Deus, morrem disputando.” (Santo Inácio de Antioquia [† 110], Epístola aos Esmirnenses, 6-7)

“Não os tomamos como alimento e bebida comuns; do mesmo modo como nos foi ensinado que, pela palavra de Deus, Jesus Cristo Nosso Senhor se encarnou, assim também estes alimentos, para os que tenham pronunciado as palavras de petição e ação de graças, são a verdadeira carne e sangue daquele Jesus que se fez homem e que entra na nossa carne quando o recebemos.” (São Justino Mártir [† 151], Primeira Apologia, 66)

“‘Comei a minha carne’, ele diz, ‘e bebei o meu sangue’. Com esses alimentos o Senhor convenientemente nos abastece, tanto provendo a sua carne quanto derramando o seu sangue, e nada falta ao incremento dos seus filhos.” (São Clemente de Alexandria [† 191], O Pedagogo, I, 6 [PG 8, 302a])

“Assim como, antes da santa invocação da Trindade adoranda, o pão e o vinho da Eucaristia eram simplesmente pão e vinho, depois de feita a invocação, o pão se torna o corpo de Cristo e o vinho, o sangue de Cristo.” (São Cirilo de Jerusalém [† 350], Catequeses, XIX, 7)

“Cristo era carregado em suas próprias mãos quando, entregando o seu corpo, disse: Isto é o meu corpo.” (Santo Agostinho [† 411], Comentários aos Salmos, XXXIII, 1, 10)

“O que vedes é um pão e um cálice, eis o que vossos olhos vos anunciam. O que a vossa fé, porém, propõe à vossa instrução é que o pão é o corpo de Cristo e o cálice, o sangue de Cristo” (Santo Agostinho, Sermões, 272)

Ler aquilo em que os primeiros cristãos acreditavam foi poderoso. Essas citações são apenas um pequeno exemplo da minha pesquisa, mas cada cristão primitivo com que eu me deparava em particular falava da Eucaristia como o Corpo, o Sangue, a Alma e a Divindade de Jesus Cristo. Eu não podia mais lutar contra isso. Fui convencido. Lembrei-me do Evangelho de S. João, especialmente de como aqueles que escutaram as palavras de Jesus ficaram desgostosos e muitos deles O deixaram. Também me lembrei da clássica resposta de São Pedro: “A quem iremos, Senhor? Só tu tens palavras de vida eterna” (Jo 6, 68).

Lembro claramente o momento em que parei de lutar contra Deus. Era ainda verão, e o departamento de música estava deserto. Sentei-me na sala de prática da minha faculdade, completamente sozinho. Parei de tocar o violoncelo por um momento e Deus finalmente me alcançou. Senti como se Jesus estivesse me dando um ultimato: ou eu acreditava em Sua palavra ou eu devia deixá-Lo de uma vez por todas. Eu sabia que seria difícil fazer algo tão contrário a como eu havia sido criado, mas também sabia que não podia jamais deixar de seguir a Cristo. A resposta de São Pedro se tornou a minha oração. Eu então disse a Jesus que realmente não tinha nenhum outro lugar para onde ir.

Voltando para casa

Contei a todos os que eu conhecia sobre a minha conversão de coração, e fui recebido com reações as mais positivas. Quase nenhum dos meus amigos católicos podia prever que isso aconteceria; eles ficaram chocados e cheios de alegria.

Desde o início da minha conversão, a Igreja me ajudou a crescer mais do que eu podia imaginar. Comecei a rezar de verdade pela primeira vez na vida. Enquanto crescia, eu tentava rezar, mas nunca chegava muito longe. Participava de encontros de oração e dizia algumas palavras com os irmãos e as irmãs reunidos. Eu conversava com Deus e tentava escutá-Lo, mas hesitava muito e não tinha posto todo o meu coração naquilo. A minha oração era esporádica, para dizer muito.

Tudo mudou quando percebi que podia passar o meu tempo com Jesus em pessoa. A presença física de Cristo na Eucaristia é algo impressionante. Posso sentar-me em frente ao Deus que criou o universo, que veio a esse mundo na Pessoa de Jesus Cristo. O mesmo corpo que sofreu, foi crucificado, morreu, foi sepultado, ressuscitou do túmulo e subiu aos céus permanece no mesmo lugar comigo quando eu entro em uma capela.

Como a diferença entre passar o tempo pessoalmente com um amigo e mandar mensagem para ele, a presença física é incrivelmente significante em relação a Deus. É bom e necessário rezar a Deus onde quer que estejamos, mas é ainda mais valioso passar o tempo com Ele em pessoa. Comecei a me apaixonar pela oração e, por consequência, me apaixonei mais profundamente por Deus.

O tempo entre minha mudança de coração e minha entrada oficial na Igreja, na Páscoa, foi um dos períodos mais dolorosos da minha vida. Meus pais sentiram como se eu os tivesse traído e nossa relação ficou tensa. Deus usou minhas imperfeições nesse relacionamento para me ensinar a ser humilde e assumir a responsabilidade por meus erros. Mais do que isso, Ele usou meus sofrimentos para me ensinar que eles podiam ser, de fato, algo desejável. Pela primeira vez em minha vida, soube verdadeiramente o que significava não ter ninguém a quem recorrer senão Jesus.

Para tornar as coisas ainda mais difíceis, descobri que não poderia receber Cristo na Eucaristia até a Páscoa. Minha conversão inicial aconteceu por volta de agosto. O período de 8 meses entre agosto e abril pareciam mais como se fossem 8 anos. Apesar da minha impaciência, Deus usou esse tempo de espera para me fortalecer. Na medida em que a Páscoa se aproximava, Ele foi substituindo o meu sofrimento pela alegria.

Durante esse tempo, aprendi que é quando eu sofro que eu mais me pareço com nosso Senhor. Sua última prova de amor foi sofrer e morrer por nossa causa. Assim, quando eu experimento qualquer dificuldade, tenho a oportunidade de imitar o amor de Cristo que se apresenta na Cruz.Se antes eu reclamava da dor, agora eu posso unir minha dor à de Cristo. Assim, meu sofrimento recebe a mesma natureza redentora que tem a paixão de Cristo. Agora eu vejo que o sofrimento não é algo a ser temido, mas a ser acolhido. Se eu quero me unir a Cristo, o caminho mais rápido de fazê-lo é através dos Seus sofrimentos.

Enquanto focava mais completamente em Cristo, Ele colocava tudo o mais em ordem na minha vida. Eu não queria nada mais a não ser unir-me a Ele no sacramento da Sagrada Comunhão, e Deus usou esse desejo para atrair-me a Si.

Durante as semanas de preparação para a Páscoa, os dias pareciam meses. Quando a Semana Santa finalmente chegou, senti-me completamente pronto a receber Cristo. Na noite da Vigília pascal, finalmente fui acolhido na Igreja Católica e recebi o corpo de Cristo na minha primeira Comunhão.

Esse foi de longe o momento mais feliz de toda a minha vida, mas tentar colocar minha experiência em palavras seria injusto. Tudo o que posso dizer é que finalmente me senti completo. Por toda a minha vida estive à procura de algo que me completasse, sem jamais ter encontrado. Eu sabia que a resposta era Jesus, mas, mesmo tendo tentado de tudo, eu ainda sentia que algo estava faltando.

Receber em meu corpo o corpo de Jesus preencheu aquele vazio dentro de mim. No sacramento da Eucaristia, eu comi literalmente o corpo, sangue, alma e divindade de Cristo. Essa não é uma refeição como outra qualquer. O Deus que criou tudo o que existe quis vir fisicamente para dentro do meu corpo. Só de pensar nisso eu me arrepio até o dia de hoje. No coração dos Sacramentos, ninguém mais pode ser encontrado senão Jesus. A missão da Igreja é trazer as pessoas a Ele. A Igreja Católica trouxe minha alma a Cristo e eu não tenho palavras para agradecer por isso.

Fonte: We Dare to Say | Tradução: Equipe Christo Nihil Praeponere

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Durante trinta anos eu trabalhei como pastor luterano em função ministerial. E depois, por mais quatro anos, fui reitor do distrito daAmerican Lutheran Church North.

Agora, estou prestes a me tornar católico, juntamente com minha esposa; eu pela primeira vez, e ela pela segunda.

Você pode culpá-la por minha conversão (embora eu pense nisso como uma transição natural, como você verá). Ela foi criada católica e tornou-se luterana. Seu pai foi criado luterano e tornou-se católico. A vida é estranha às vezes. Seu pai morreu há dois anos, e em vias de acompanhar aquele bom homem em sua batalha final contra a esclerose lateral amiotrófica, ela sentiu um puxão de volta à sua fé de infância.

Para minha surpresa – a dela também, eu acho – eu disse para irmos juntos. Na verdade, não era uma surpresa para mim. Desde o seminário, quando me envolvi nos documentos confessionais Luteranos do século XVI, fui me tornando progressivamente mais católico em meu pensamento. O que buscava na minha fé era uma densidade eclesial.

Mas não é somente pela decepção como luterano que estou me tornando católico. Há uma convicção por trás disso.

1) Alguns dos meus trabalhos no seminário, por volta do final de 1970, foram feitos no Pontifício Colégio Josephinum em Ohio. Eu tive aulas de Sacramentologia e Estudos Marianos, ministrados por dois jesuítas da velha escola. Encontrei-me em uma sala de aula, um luterano solitário, cercado por uma horda de seminaristas salesianos. Foi emocionante.

O que me impressionou foi o quão perto luteranos e católicos realmente estão em doutrinas básicas e nas respectivas formulações teológicas. Nós – romanos e luteranos – fazemos teologia da mesma forma, e, possivelmente, de uma maneira que ninguém mais faz. Prestamos muita atenção às nossas palavras. Cada palavra é pesada e comparada com palavras alternativas que possam ser usadas, mas apresentam menos precisão. Precisão na formulação, ao que parece, vai nos manter fora do inferno teológico, e se as palavras exatas não são exatamente palavras adequadas, bem, não duvido, todos nós estamos certamente condenados.

Quando você pensa sobre isso, é realmente uma abordagem muito charmosa. Isso também significa que, quando luteranos e católicos sentam juntos, eles têm uma linguagem comum e falando isso juntos muitas vezes resulta em coisas surpreendentes, como em 1999, com a doutrina da justificação.

No nível paroquial, não há confluência na forma como católicos e luteranos são. É aquela coisa da densidade eclesial que mencionei: os católicos têm, luteranos não.

2) Quando minha esposa disse que estava pensando em voltar para a Igreja Católica, eu comecei a pensar quão luterano eu ainda permanecia. Eu tinha a influência do Pe. Richard John Neuhaus. Eu era o seu sucessor na Forum Letter, uma publicação Luterana que ele editou por 16 anos. Em seus anos como padre católico, ele costumava me cutucar, volte para casa. A última correspondência que trocamos foi sobre o assunto. Após sua morte, fiquei várias noites sonhando que ele me perguntava por que eu não tinha feito isso. Esse senhor teve um profundo impacto em minha vida pastoral como luterano.

Quanto mais eu pensava sobre as coisas mais eu percebia que a maioria dos clérigos luteranos que eu mais admirava, um por um, partira para Roma. Parecia que eu conhecia muitos padres como pastores, e depois de um tempo, não poucos desses pastores se tornaram padres. Lá estava eu ​​na margem, dando adeus.

Por um curto período após a morte de Neuhaus eu ajudei a editar a revista que ele fundou, First Things. Embora não explicitamente católica, é geralmente considerada dessa forma. Durante os últimos seis anos, está chegando no sétimo, eu tenho sido um colunista regular no website; eu era um escritor luterano; agora eu sou um escritor católico.

3) Tornou-se muito fácil para mim me tornar católico. Mas a chave, é claro, não é a conveniência, mas a convicção. Passei a acreditar que a essência, mais como plenitude, da Igreja de Cristo é encontrado em igrejas em comunhão com a Igreja de Roma.

Eu não rejeito nada em ter sido luterano. Isto é a transição, não a conversão; estou indo, mas a fé cristã que marcou a minha vida está vindo comigo. Eu aprendi minhas orações como luterano, memorizei o catecismo, e quando eu estava lutando contra o agnosticismo, tendendo ao ateísmo, Deus colocou em minha vida alguns apaixonados e autênticos pastores luteranos que me ensinaram bem. Para um cara que nesses anos não acreditava que Cristo ressuscitou, foi entre os luteranos que passei a acreditar na ressurreição. O que posso fazer, salvo dar a Deus o louvor?

Ser católico não é um trabalho acabado – não para mim, não para qualquer um de nós. Nós não ocupamos uma igreja em estado de perfeição. Mas não é o nosso trabalho torná-la perfeita; isso é responsabilidade de Deus. Mas temos a promessa de uma Igreja santa sendo aperfeiçoada. Há sempre descobertas de fé que aguardam cada um de nós.

Autor: Russell E. Saltzman é colunista da First Things; vive em Kansas City, Missouri. Seu Twitter:  @RESaltzman.

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Pedidos de oração são comuns em igrejas. Contudo, uma empresa criou a versão digital de campanhas de intercessão por uma pessoa ou causa. Durante quatro anos, qualquer pessoa que procurasse o Christian Prayer Center [Centro de Oração Cristã], um site com quase 1,3 milhões de seguidores no Facebook, iria “investir” entre 9 e 35 para que pessoas pudessem fazer orações pelos seus pedidos.

Quem visitava esse site – que logo gerou uma versão em espanhol, Oracion Cristiana –  podia ler os testemunhos de líderes religiosos e fiéis de diferentes denominações. Unanimemente eles afirmavam que receberam graças como restauração da saúde ou dinheiro inesperado para pagamentos de contas. Havia histórias até de pessoas que diziam ter sido curadas de câncer!

Segundo Bob Ferguson, procurador-geral do Estado de Washington, onde ficava a sede da empresa que vendia orações, mais de 125.000 pessoas pagaram pelo serviço. De 2011 a 2015, foram mais de 400.000 compras de oração, que gerou mais de 7 milhões de dólares para o bolso do criador do site Benjamin Rogovy.

Fanpage do site fraudulento.

Porém, após seguidas denúncias, as autoridades descobriram que era tudo falso. Os testemunhos eram inventados. As fotografias de clientes satisfeitos foram retiradas de bancos de imagem da internet. O “pastor John Carlson”, que assinava os e-mails semanais, e o “pastor Eric Johnston”, que cuidava da tal rede, nunca existiram.

A promessa aos visitantes do site é que seus pedidos de oração seriam repassados a “milhares” em uma corrente de oração pela Internet.

A mensagem na página da fraude dizia: “As igrejas locais e pequenos grupos de oração sempre foram uma ótima maneira de compartilhar as bênçãos da oração, mas estes métodos são limitados. Temos a capacidade de reunir o verdadeiro poder de milhares de vozes, todos orando pelas mesmas coisas”.

O material afirmava que oferecia conforto especialmente as pessoas que tinham fé, mas não queriam estar ligadas a uma igreja.

Uma das artimanhas dos operadores da fraude foi criar na página de pagamentos (somente por cartão de crédito), uma opção de “bênção continuada”, onde basicamente prometia que as orações em favor do contratante continuariam, desde que ele concordasse com uma pequena taxa mensal.

O procurador Ferguson disse em comunicado: “Eu acredito no poder da oração. O que eu não acredito e não irei tolerar são empresas ilegais que tiram vantagem das pessoas de fé a fim de fazer um dinheirinho rápido.”

O esquema criado por Benjamin foi condenado pela justiça. O dinheiro será devolvido a todos os que foram enganados e requisitaram um reembolso. Para fazer isso, basta responder ao e-mail enviado a todos os que constavam no banco de dados da empresa.

Rogovy está respondendo por outros esquemas fraudulentos on-line. Ele também fundou uma associação religiosa que era gerida pelo falso “pastor Parker Robinson”. Eles vendiam um certificado de ordenação pastoral por US$ 139. Bastava o interessado afirmar que acreditava em um só Deus verdadeiro, aceitava Jesus como seu Salvador, e pedia perdão por seus pecados.

O enquadramento legal de Rogovy foi por violação da Lei de Defesa do Consumidor americana, que proíbe instituições (como igrejas) de fazer afirmações falsas visando arrecadar doações de qualquer espécie.

O site do Christian Prayer Center foi fechado. 

Fonte: Christian Today

protesto-de-ex-muculmanos

Um protesto feito por cristãos que se converteram ao protestantismo após abandonar o islamismo se tornou manchete em vários portais de notícia ao redor do mundo. Os ex-muçulmanos interromperam uma missa na última semana e instaram os fiéis a abandonarem a “idolatria”.

O grupo, denominado Koosha Las Vegas, invadiu três igrejas diferentes da cidade, vestidos com camisetas com as frases “Trust Jesus” (“confie em Jesus”) e “Jesus Is The Only Hope” (“Jesus é a única esperança”).

Gritando palavras de ordem, entregaram panfletos aos fiéis que participavam das missas e alertaram que a doutrina católica seria um pecado “contra Deus e Suas leis”.

“Arrependam-se e voltem para Jesus Cristo! O papa é satanás! A imagem de Maria é satanás!”, gritou um dos homens que participou do protesto. “Deixem de adorar ídolos! Os ídolos não irão salvá-los! Vocês precisam de Jesus Cristo! Vocês precisam do Pai, do Filho e do Espírito Santo”, acrescentou.

O protesto obrigou os padres e responsáveis pelas paróquias a acionarem a Polícia, porém, como os manifestantes não cometeram nenhum crime, ninguém foi preso, de acordo com informações do site Catholic News Agency.

Uma semana antes desse protesto, o grupo já havia protestado em frente a uma escola católica, dizendo aos alunos que se eles comparassem “o catecismo da Igreja Católica e as Escrituras, entenderiam porque Deus odeia este sistema religioso”.

Randy Sutton, especialista em legislação da emissora Channel 13, afirmou que é possível que os manifestantes sejam enquadrados em uma lei estadual de Nevada que classifica as interrupções de celebrações religiosas como “agressão”.

A arquidiocese de Las Vegas informou que está trabalhando, junto com a Polícia, para evitar novos incidentes como esse. Já os manifestantes afirmaram que protestaram por entender que o catolicismo distorce o Evangelho ao incentivar que preces sejam feitas em frente a imagens, pois pode levar à idolatria.

A-Biblia-leva-nos-a-Roma-diz-ex-pastor-protestante-convertido-ao-catolicismo

Ao deixar-se conduzir pela Igreja, santos de todos os séculos puderam descobrir suas vocações na prática da leitura orante das Sagradas Escrituras.
A prática da Lectio Divina é uma das devoções mais presentes na vida dos santos. Por meio da meditação das Sagradas Escrituras, eles foram capazes de encontrar a face de Jesus, que se revela a cada versículo lido. É por isso que, querendo esmiuçar o valor dos Textos Sacros, São Jerônimo dizia a seus fiéis: “A ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo” [1]. Quem se põe a escutar a Palavra, escuta, pois, a própria voz de Deus; faz como reza o salmista: “É tua face, Senhor, que eu procuro” (cf. Sl 27, 8-9).

Diferentemente do que acusam os protestantes, a Igreja sempre incentivou a leitura das páginas sagradas. Ao mesmo tempo, os santos padres nunca deixaram de insistir numa leitura dentro da «tradição viva de toda a Igreja». Essa preocupação se deve ao fato de que também a Bíblia, quando mal interpretada, pode conduzir o homem ao erro.

Que foram as tentações de Cristo no deserto senão “tentações bíblicas”? Desafiou Satanás: “Se és o Filho de Deus, lança-te abaixo, pois está escrito: ‘Ele deu a seus anjos ordens a teu respeito; eles te protegerão com as mãos’” (cf. Sl 90, 11). Quando se perde a dimensão eclesiológica das Sagradas Escrituras, perde-se, por conseguinte, o próprio sentido das Escrituras, pois não seria possível crer em suas palavras se a isso não nos levasse a autoridade da Igreja [2].

Assim se justifica a luta do Magistério contra a doutrina luterana da Sola Scriptura (Somente a Escritura). Trata-se de uma defesa do sentido autêntico da Bíblia, de uma defesa contra reducionismos baratos, manipulações desonestas, fundamentalismos agressivos, que, no mais das vezes, levam grande parte dos cristãos à perda da fé, como também muitos céticos e pagãos a recusarem os ensinamentos evangélicos. Por outro lado, a prática da Lectio Divina, isto é, a leitura das Sagradas Escrituras realizada sob a luz da Tradição, longe de induzir os fiéis a falsas devoções, abre-lhes um caminho seguro para o encontro com Cristo. Isso porque, como definiam os Padres, “a Sagrada Escritura está escrita no coração da Igreja, mais do que em instrumentos materiais” — «Sacra Scriptura principalius est in corde Ecclesiae quam in materialibus instrumentis scripta». A religião cristã não é a religião do livro mas da Palavra, que é Jesus. Essa Palavra, por sua vez, confiou seu depositum fidei, quer por meio do testemunho oral, quer por meio do testemunho escrito, à tutela de sua Igreja.

Santos de todos os séculos experimentaram essa verdade, descobrindo suas vocações no seio da Igreja orante e intérprete fiel da Revelação [3]:

[…] Certamente não é por acaso que as grandes espiritualidades, que marcaram a história da Igreja, nasceram de uma explícita referência à Escritura. Penso, por exemplo, em Santo Antão Abade, que se decide ao ouvir esta palavra de Cristo: «Se queres ser perfeito, vai, vende tudo o que possuíres, dá o dinheiro aos pobres, e terás um tesouro no céus; depois, vem e segue-Me» (Mt 19, 21).

IGUALMENTE SUGESTIVO É SÃO BASÍLIO MAGNO, QUANDO, NA SUA OBRA MORALIA, SE INTERROGA: «O QUE É PRÓPRIO DA FÉ? CERTEZA PLENA E SEGURA DA VERDADE DAS PALAVRAS INSPIRADAS POR DEUS. (…) O QUE É PRÓPRIO DO FIEL? COM TAL CERTEZA PLENA, CONFORMAR-SE COM O SIGNIFICADO DAS PALAVRAS DA ESCRITURA, SEM OUSAR TIRAR NEM ACRESCENTAR SEJA O QUE FOR». SÃO BENTO, NA SUA REGRA, REMETE PARA A ESCRITURA COMO «NORMA RETÍSSIMA PARA A VIDA DO HOMEM».

SÃO FRANCISCO DE ASSIS – ESCREVE TOMÁS DE CELANO – «AO OUVIR QUE OS DISCÍPULOS DE CRISTO NÃO DEVEM POSSUIR OURO, NEM PRATA, NEM DINHEIRO, NÃO DEVEM TRAZER ALFORGE, NEM PÃO, NEM CAJADO PARA O CAMINHO, NÃO DEVEM TER VÁRIOS PARES DE CALÇADO, NEM DUAS TÚNICAS, (…) LOGO EXCLAMOU, TRANSBORDANDO DE ESPÍRITO SANTO: COM TODO O CORAÇÃO ISTO QUERO, ISTO PEÇO, ISTO ANSEIO REALIZAR!»
Scott Hahn, ex-pastor protestante, também experimentou essa verdade, assim como os santos, quando se decidiu por uma escuta da Palavra de Deus, alicerçada na grande Tradição da Igreja. Em seu comovente testemunho de conversão à fé católica, ele e sua mulher, Kimberly Hahn, contam como foram surpreendidos pela fé bíblica da Igreja, sobretudo na Santa Missa [4]:

[…] Então, subitamente, compreendi que era ali o lugar da Bíblia. Aquele era o ambiente no qual esta preciosa herança de família devia ser lida, proclamada e explicada. Depois passamos à liturgia Eucarística, onde todas as minhas afirmações sobre a Aliança encontravam o seu lugar.
Hahn foi um ferrenho opositor do catolicismo durante anos. Como pastor de linha calvinista, ele pregava “que a Missa católica era o maior sacrilégio que um homem podia cometer” [5]. Essa convicção o motivava a converter o maior número de católicos possível, a fim de retirá-los da idolatria. Seus estudos teológicos, por conseguinte, tinham por objetivo principal refutar cada ensinamento católico, mormente a divina liturgia, a autoridade do papa e a devoção à Virgem Santíssima. Nada que a Igreja Católica ensinasse poderia ser considerado bíblico.

Em 1979, poucos meses após a visita de João Paulo II aos Estados Unidos, Kimberly Hahn apresentou ao marido o livro “Sexo e a aliança matrimonial”, de John Kippley, que versava sobre a moral católica e a contracepção. A coerência dos argumentos era tão eloquente, que o casal, embora não admitindo ainda a verdade católica, viu-se obrigado a abandonar os métodos anticoncepcionais. Esse foi o primeiro passo para a reviravolta. Scott Hahn descobrira uma nova maneira de enxergar a Aliança de Deus: ela não era apenas um contrato; Deus queria uma família.

Após o episódio, Scott Hahn deu início a um estudo para fundamentar biblicamente as teses da Sola Fide — doutrina protestante que nega o valor meritório das boas obras — e da Sola Scriptura. Ora, a Sola Fide e a Sola Scriptura são como que duas colunas do protestantismo. Toda a fé protestante tem como ponto de partida esses dois preceitos básicos. A sua fundamentação era, portanto, imprescindível para o pastor. Mas qual não foi sua surpresa ao descobrir que ambas as teses luteranas não possuíam nenhum respaldo das Sagradas Escrituras. De fato, a Igreja Católica estava certa! Com efeito, conforme Scott Hahn se aprofundava em seus estudos, um a um iam caindo os dogmas do protestantismo: a proibição do batismo de crianças, a negação das imagens, o repúdio ao culto mariano etc. Scott iniciava o caminho para a Igreja.

Scott Hanh converteu-se à Igreja Católica na páscoa de 1986, mesmo sob forte oposição de amigos e familiares. Anos mais tarde, seria a vez de sua mulher, Kimberly, buscar a comunhão com a Igreja de Cristo, pedindo o batismo e os demais sacramentos da iniciação cristã. Hoje, ambos ministram palestras em todo o mundo, a fim de esclarecer os fundamentos bíblicos da Igreja Católica, bem como a riqueza de sua liturgia. Graças à sua história de conversão, Scott é considerado o “Martinho Lutero às avessas”. Ele descobriu que também a Bíblia leva-nos a Roma.

Fonte: Catholicus

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Olá, meus amigos e minhas amigas, venho através deste meio de comunicação expressar minha alegria e gratidão em retornar à Casa de Deus, a Santa e Única Igreja Católica Apostólica Romana.

Nasci em lar católico, na minha cidade natal de Aiuaba-Ceará. Durante minha infância e adolescência cresci um pouco desligado das coisas da fé, limitando-me a apenas algumas poucas missas em ocasiões especiais como Natal, Festas da Padroeira, dentre outras. No entanto, aqui devo dizer que só agora compreendo um sonho que tive certa vez de estar pregando na Igreja Católica, mas sem conseguir entender como isso se daria.

Conheci o protestantismo através das pregações de amigos e amigas a quem estimo e considero com amor fraternal, pois os considero irmãos e irmãs em Cristo, dado que a Igreja Católica sempre os considerou e considera como “irmãos separados”.

Chegando à idade adulta tomei uma decisão difícil e enfrentei diversas provações para aderir à “nova fé cristã” no protestantismo assembleiano pentecostal, onde conheci Fábia, minha esposa com quem tive dois filhos. Vivemos em Aiuaba por alguns anos. E foi estudando a bíblia que fui convidado pelo pastor para anunciar o evangelho e ajudar na igreja através da música e do louvor.

Enfrentando dificuldades de conseguir trabalho, mudamos para Santa Catarina, onde vivemos até hoje. Aqui chegando, consegui trabalho e pude também realizar um antigo sonho de cursar Teologia. Matriculei-me num curso de Teologia pela Faculdade São Brás e ali tive algumas surpresas que colocaram em estado de alerta e expectativa diante de algumas certezas que alimentei por mais de 10 anos no protestantismo. O curso de Teologia recomendado pela igreja assembleia de Deus de Santa Catarina fez-me conhecer doutos e mui preparados professores de eclesiologia, história da Igreja, e outras disciplinas. Foi especificamente na disciplina de História da Igreja que tive um verdadeiro encontro pessoal com meu Salvador: o professor elogiou a Bíblia de Jerusalém (Edição Católica) como a melhor tradução da Bíblia de estudos em português.

Como se não bastasse, ainda indicou estudar com atenção os Pais da Igreja (Clemente de Roma, Inácio de Antioquia, Policarpo de Esmirna, Irineu de Lyon, Tertuliano de Cartago, Orígenes de Alexandria, Cipriano de Cartago, Eusébio de Cesaréia, Agostinho de Hipona etc) que me dei conta de que a Igreja Cristã não nasceu na Reforma Protestante em meados de 1500, com os conhecidos Reformadores Lutero, Calvino e outros. Mas nasceu realmente nos dias de Cristo, quando este andando aqui entre nós, chegou a afirmar para Pedro: “E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela.Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus.” (Mateus 16,18-19) E, mais ainda falou: “Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.” (Mateus 28,20). Ora, meus amigos, como pode ter acontecido – pensava eu em dias de muito sofrimento e dúvida interior – como explicar que Jesus Cristo tivesse ensinado e doutrinado Sua Dileta Esposa, a Igreja Cristã através dos apóstolos e dos pais da Igreja durante mais de 15 séculos por meio de Seu Espírito Santo e então, chegando em 1500, inspirou Lutero e os demais a dizer que estava a Sua Igreja errada e ensinando heresias?

Isso foi um verdadeiro choque! Não conseguia nem mesmo me alimentar direito e passei noites sem dormir normalmente impressionado e tentando encontrar uma forma de harmonizar os ensinos dos Padres da Igreja com o Protestantismo. Foi tudo em vão! Não consegui e sofri ainda quando reli a passagem de Efésios capítulo 4, versos de 3 a 6 e vi Paulo falando de UNIDADE DA FÉ, UMA SÓ FÉ E UM SÓ BATISMO: “Sede solícitos em conservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Sede um só corpo e um só espírito, assim como fostes chamados pela vossa vocação a uma só esperança. Há um só Senhor, uma só fé, um só batismo. Há um só Deus e Pai de todos, que atua acima de todos, por todos e em todos.” (Efésios 4,3-6)
Aí foi que eu sofri, por que como harmonizar, na verdade, a diversidade de igrejas protestantes, todas ensinando doutrinas desencontradas a partir da mesma bíblia. Eles dizem que são ministérios diferentes, mas na verdade não é bem assim: uns pregam que os dons espirituais ainda agem nos dias de hoje e outros os negam veementemente, baseados na mesma bíblia. Uns dizem que a trindade não é mais que invenção de alguns e outros sustentam sua veracidade com base bíblica. Uns ensinam que se deve dar o dízimo e outros dizem que não é mais necessário. Uns deixam mulheres ser ordenadas como pastoras, bispas e diaconisas e outros apenas os homens. Ou seja, isso não satisfaz o desejo de Paulo quando fala sobre a UNIDADE DA FÉ Depois meu primo Liminha Feitosa, que tanto se esforçou em me evangelizar durante esse 10 anos, me indicou os vídeos do professor Paulo Leitão, daí foi que as coisas passou a ficar mais clara ainda, quanto mais se esclarecia, mais eu ficava confuso enfim…

Para resumir a minha história, trago o tema que mais fortaleceu a minha ideia de retornar à Igreja católica: A EUCARISTIA!
“Então Jesus lhes disse: Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida.

Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.” (João 6,53-56)

Li os Santos Padres como Inácio de Antioquia falando sobre a Eucaristia no primeiro século da História da Igreja:
“Na graça que procede do Nome, vos reunis na mesma fé e em Jesus Cristo, que descende segundo a carne de Davi, filho do homem e filho de Deus, para obedecermos ao bispo e ao presbitério numa concórdia indivisível, partindo um mesmo pão, que é o remédio da imortalidade, antídoto contra a morte, mas vida em Jesus Cristo para sempre”. (Carta aos Efésios, parágrafo 20, cerca de 80-110 d.C.)
“Não me agradam comida passageira, nem prazeres desta vida. Quero pão de Deus que é carne de Jesus Cristo, da descendência de Davi, e como bebidaquero o sangue d’Ele, que é Amor incorruptível”. (Carta aos Romanos, parágrafo 7, cerca de 80-110 d.C.)
Também São Justino, Mártir disse: “Esta comida nós chamamos Eucaristia, da qual ninguém é permitido participar, exceto o que creia que as coisas nós ensinamos são verdadeiras, e tenha recebido o batismo para perdão de pecados e renascimento, e que vive como Cristo nos ordenou. Nós não recebemos essas espécies como pão comum ou bebida comum; mas como Cristo Jesus nosso Salvador, que se encarnou pela Palavra de Deus, se fez carne e sangue para nossa salvação, assim também nós temos ensinado que o alimento consagrado pela Palavra da oração que vem dele, de que a carne e o sangue são, por transformação, a carne e sangue daquele Jesus Encarnado.” – (Primeira Apologia”, Cap. 66, cerca de 148-155 d.C.)

CONCLUÍ que a “santa ceia” da qual eu participava não continha a realidade da EUCARISTIA mencionada pelos Santos Padres da Igreja, conteúdo que meus professores orientaram para estudar na Teologia. A EUCARISTIA CATÓLICA, é a meu ver e de acordo com os ditames da minha livre consciência, a verdadeira “CARNE E SANGUE” de Jesus Cristo aqui na Terra, para alimento de todo aquele que nele vive e nele crê!

Sendo assim, resolvi de livre e espontânea vontade, de comum acordo com minha esposa que eu devo retornar às fileiras da Única Igreja de Jesus Cristo aqui na Terra. E, domingo dia 12 de abril fui à missa e lá, sentado nos bancos últimos da Igreja, fui vendo cada gesto, cada rito, cada palavra e cada oração, ali sim, tive o maior e mais verdadeiro encontro pessoal com Jesus Cristo, sobretudo quando o padre elevou a Eucaristia, meus olhos brilharam como nunca e “vi o Senhor!”

Seria covardia de minha parte ignorar o trabalho do Espírito Santo em minha vida nos últimos meses, seria a negação da Santa Vontade de Deus continuar indo a uma denominação onde sabia bem que não existia a EUCARISTIA, mas apenas um mero simbolismo (com boa intenção de muitos), mas devo dizer que estão perdendo ao não comungar a verdadeira Hóstia Santa, nas santas missas!

Para terminar, quero dizer àqueles que pensam que os católicos são idólatras por causa das imagens sagradas, resta-me apenas dizer que precisam estudar para compreender a diferença entre “ídolo” e “imagem” e saber que, no contexto bíblico, Deus proíbe fazer imagens de falsos deuses para adorar. A Igreja Católica não adora nenhuma de suas imagens, pois são imagens de pessoas que serviram a Nosso Senhor e Sua Igreja. Existindo apenas para serem veneradas e para estimular a fé do povo simples que não sabe ler as Escrituras, mas compreende a linguagem transmitida através daquelas imagens de que é possível seguir a Cristo, apesar de nossas fraquezas e limitações.

Não recrimino quem porventura não me compreenda, mas peço as orações daqueles que ficarão felizes pela minha decisão e espero contar com a mesma força que animou os apóstolos e santos da primeira hora para dar testemunho da verdade e não negar o que Deus tem feito em minha vida.

Obrigado a todos por lerem meu testemunho! Desculpem-me por não ser breve, mas na verdade, não há como resumir uma história tão edificante como esse testemunho de mais um filho que volta à Casa da Verdadeira Mãe, a Igreja Católica Apostólica e Romana.
Francisco Tiago

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A Igreja Protestante Alemã (EKD) pediu desculpas pela destruição generalizada de imagens religiosas durante a Reforma.

“A Igreja Protestante rejeita a destruição de imagens. As imagens há muito tempo se tornaram uma expressão da piedade protestante”, ressaltou a ‘bispa’ protestante Petra Bosse-Huber em um encontro de delegações do Patriarcado Ecumênico de Constantinopla e da EKD.

Os clérigos se reuniram em Hamburgo para discutir a palavra “imagem” a partir dos pontos de vista ortodoxo e protestante. O Patriarca Ecumênico Bartolomeu e o presidente da EKD, o bispo Heinrich Bedford-Strohm, enviaram saudações e bênçãos ao encontro de Hamburgo.

Destruir imagens foi mais comum no período posterior à Reforma. Na primeira metade do século XVI, as estátuas da Virgem Maria e dos santos, as janelas com vitrais, os órgãos e quaisquer outros objetos associados a milagres e ao sobrenatural foram removidos das igrejas católicas e das capelas de beira de estrada e, em muitos casos, destruídos. Particularmente a Suíça, Holanda, Inglaterra e o sul da Alemanha sofreram com isso.

No sul da cidade alemã de Ulm, em um chamado “Götzentag” (“Dia da idolatria”) em 1531, os defensores da Reforma que estavam convencidos de que os artefatos da igreja eram uma idolatria supersticiosa removeram à força 60 altares e órgãos da catedral.

Genebra testemunhou uma das ondas mais devastadores de quebra de imagens religiosas. Incitados por um grupo de teólogos protestantes, incluindo o próprio João Calvino, algumas das peças de arte cristã mais preciosas da cidade foram destruídos.

Christa Pongratz-Lippitt, publicada na revista The Tablet.

 

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Em síntese: O protestantismo se apresenta hoje em dia sob centenas de modalidades, muitas vezes divergentes entre si. Todavia repousa sobre linhas básicas, devidas aos respectivos fundadores no século XVI: Lutero, Calvino, Melanchton, Knox… Essas linhas são:

1) a justificação pela fé sem as obras;

2) a Bíblia como única fonte de fé, sujeita ao “livre exame”;

3) a negação de intermediários entre Deus e o crente.

Estes princípios serão, a seguir, expostos e avaliados.

* * *
O protestantismo representa uma realidade assaz complexa, ou seja, o bloco de aproximadamente 400.000.000 de cristãos que não pertencem nem à Igreja Católica, cujo Pastor visível reside em Roma como sucessor do Apóstolo Pedro, nem às comunidades cristãs orientais (ortodoxa, nestoriana e monofisita), comunidades que se separaram do tronco primordial em etapas sucessivas desde o século V até o século XI.

O iniciador do movimento protestante é Martinho Lutero, que, a partir de 1517, quis reformar o Credo e as instituições cristãs, e por isto se afastou da Igreja dando início ao Luteranismo. Ao lado deste, enumeram-se:

– o Calvinismo (que absorveu o Zwinglianismo ou a reforma de Ulrich Zwingli em Zürich, Suíça), movimento afim ao de Lutero, empreendido por Calvino em Genebra, Suíça,– e o Anglicanismo, reforma semelhante oriunda na Inglaterra. Distinguem-se 1) a High Church, Alta Igreja, que conserva muitos elementos do Catolicismo e pretende ser a ponte entre Catolicismo e Protestantismo propriamente dito, e 2) a Low Church, Baixa Igreja, fortemente impregnada de princípios doutrinários do Protestantismo. Os anglicanos mais radicais emigraram para os Estados Unidos onde têm dado origem a novas e novas divisões.

Estas três denominações (Luteranismo, Calvinismo e Anglicanismo) representam o que se pode chamar “Igrejas protestantes tradicionais”, todas iniciadas no séc. XVI (os Anglicanos nem sempre aceitam a designação de “protestantes”, embora, por seus princípios doutrinários, se filiem ao Protestantismo).

Destes três grandes troncos do Protestantismo derivaram-se centenas de sociedades menores, são reformas da reforma, dissidências da dissidência: metodistas, batistas, congregacionais, quakers, Ciência Cristã, Mórmons, Adventistas, Testemunhas de Jeová…

Esses múltiplos grupos protestantes autônomos professam credos diferentes, chegando alguns a negar a própria Divindade de Cristo; o liberalismo doutrinário predomina entre eles. Contudo podem-se enunciar três grandes teses como características dos diversos tipos de Protestantismo: 1) a justificação pela fé sem as obras; 2) a Bíblia como única fonte de fé, interpretada segundo o “livre exame”; 3) a negação de intermediários entre Deus e o crente.

1. TRÊS PONTOS CAPITAIS

a) A justificação pela fé sem as obras

Lutero considerava esta tese como central dentro da sua Teologia: “artigo do qual nada se poderá subtrair, ainda que o céu e a terra venham a desmoronar” (Artigos de Schmakalde, 1537).

Qual o significado de tal proposição e donde lhe vem a sua importância no Protestantismo?

A resposta não é difícil; deriva-se da situação psicológica em que o reformador se achou em certa fase de sua vida. Lutero fez-se frade agostiniano, mais movido pelo medo (tendo escapado à fulminação por um raio, prometeu entrar no convento) do que por autêntica vocação. No claustro, experimentou a concupiscência, à qual opôs penitência e ascese. Sentindo, porém, continuamente as más tendências em sua natureza, entrou em angustiosa crise: queria libertar-se da concupiscência, mas não o conseguia… Um belo dia julgou ter encontrado a solução: apelando para São Paulo (principalmente para a epístola aos Romanos), começou a ensinar que a concupiscência é realmente invencível; por conseguinte é inútil procurar dominá-la mediante penitência e boas obras. Nem Deus requer isto do homem; basta aceitar Cristo como Salvador, isto é, crer com confiança que Deus Pai, em vista dos méritos de Jesus, não leva em conta os pecados do indivíduo; a fé confiante (“fiducial”), independentemente de boas obras, faz que Deus nos recubra com o manto dos méritos de Cristo, declarando-nos justos. Tal declaração é meramente jurídica ou extrínseca, não afeta o interior da natureza humana; esta, mesmo depois de “justificada”, nada pode fazer para obter a salvação eterna, pois se acha como que aniquilada pelo pecado, reduzida à categoria de instrumento inerte nas mãos de Deus ou de serra nas mãos do carpinteiro (assim se formula a famosa tese do “servo arbítrio” de Lutero).

Neste quadro de idéias, vê-se que não se pode falar de cooperação do homem com a graça de Deus, nem de méritos. Lutero e Calvino reconheciam que a caridade nasce da fé, como a maçã provém da macieira, mas (acrescentavam) não são a caridade e suas obras que importam (ou ao menos… que importam em primeiro lugar); o crente pode estar certo da salvação eterna em qualquer fase da sua vida, desde que mantenha a sua fé confiante. Donde o famoso adágio de Lutero: “Pecco fortiter, sed fortius credo. – Peco intensamente, mas ainda mais intensamente creio” (carta a Melanchton, 1s de agosto de 1521); com estas palavras, o reformador não recomendava o pecado, mas queria dizer que a simples confiança no Salvador ainda tem mais peso no processo de salvação do que a culpa do homem. Calvino, do qual muito se inspiraram os presbiterianos e batistas, acentuou ao extremo estas idéias, afirmando que Deus predestina infalivelmente para a salvação eterna, de sorte que, se o homem não perde a sua fé, pode ter certeza de que chegará à bem-aventurança celeste (donde se deriva para o crente um grande reconforto).

b) A Bíblia, única fonte de fé, sujeita ao “livre exame”

A inovadora tese da justificação pela fé fiducial encontrou fundamento numa revisão nas fontes da Revelação cristã. Estas são a Palavra de Deus, que nos vem por dois canais: a Escritura Sagrada e a Tradição oral apregoada pelo magistério da Igreja. Resolveram, pois, rejeitar a Tradição ou o magistério, para só dar crédito à Palavra escrita ou à Bíblia. Esta, para o protestante, tudo contém; é, por si mesma, clara em tudo que concerne à salvação eterna.

Calvino se exprime a respeito em termos muito fortes:

“Quanto à objeção que os católicos nos fazem, perguntando-nos de quem, donde e como temos a convicção de que a Escritura provém de Deus, é semelhante à questão de quem quisesse saber como aprendemos a distinguir a luz das trevas, o branco do negro, o doce do amargo. A Escritura, com efeito, tem seu modo de se manifestar, modo tão notório e seguro que se compara à maneira como as coisas brancas e negras manifestam sua cor e as coisas doces e amargas manifestam o seu sabor” (Institution Chrétienne 17§ 3).

Para ajudar a pessoa a ler e entender a Bíblia, o Espírito Santo dá seu testemunho interior, iluminando a mente e dirigindo o coração. Em conseqüência, cada crente tem o direito de “deduzir” da Bíblia as verdades que ele, em seu bom senso, julgue haverem sido a ele ensinadas pelo Espírito Santo.

Assim o Protestantismo atribui ao indivíduo uma prerrogativa que ele nega à Igreja visível e hierárquica: esta pode errar no seu ensinamento, corrompendo o depósito da fé (apesar das promessas de Cristo, seu Fundador); toca, por conseguinte, a cada cristão, guiado pelo Espírito Santo, encontrar de novo a Palavra de Deus perdida pela Igreja…

A reação do crente protestante contra o magistério eclesiástico é, aliás, típica expressão da mentalidade da Renascença: no séc. XVI o homem criou, sim, uma consciência nova dentro de si, tendente a pôr em xeque qualquer tipo de autoridade, para mais exaltar o indivíduo. “O que rejeito,absolutamente, é a autoridade”, escrevia Alexandre Vinet (1797-1847), chefe do movimento dito “da Igreja Livre” na Suíça ocidental calvinista. O Evangelho, para Lutero, devia ser não somente uma escola de obrigações, mas também uma via de libertações (entre as quais, a libertação frente à autoridade religiosa visível).

c) A negação de intermediários entre Deus e o crente

O Protestantismo dá valor decisivo à atitude do indivíduo diante de Deus; segundo a teologia reformada, é a fé subjetiva nos méritos de Cristo que garante a salvação. Em conseqüência, pouca margem aí resta para se conceberem dons de Deus que permaneçam extrínsecos ao indivíduo e a este comuniquem os méritos do Salvador. Em outros termos: não têm cabimento canais transmissores da graça, como sejam ritos e práticas a serem administrados por uma sociedade visível (a Igreja) e por uma hierarquia de ministros oficialmente instituída. Para o protestante, entre o homem justificado pela fé e Deus, não há Sacerdote senão o Senhor Jesus invisível, que está nos céus (a prolongação da Encarnação através da Igreja e dos sacramentos é depreciada): também não há outro Mestre senão o Espírito Santo, que fala nas Escrituras e no íntimo de cada crente, sem se servir de algum magistério visível e objetivo.
Note-se, em particular, a repercussão destas idéias nos conceitos de sacramento e Igreja.

O número dos sacramentos foi notavelmente diminuído pelos doutores do Protestantismo. Dentre os sete tradicionais, Calvino chegou a admitir dois apenas: o Batismo e a Ceia. Quanto à função dos sacramentos, os reformadores nos diriam que estes não são portadores da graça, mas apenas sinais que, lembrando as promessas da benevolência divina, excitam a fé (ou confiança) nessas promessas; estimulada por tais sinais, é a fé que produz a santificação do crente. Os sacramentos portanto não exercem, como se diz em linguagem teológica, causalidade nem física nem moral no processo de santificação; a sua influência fica limitada ao setor psicológico (recordam a palavra de Deus…).

No Calvinismo, torna-se mesmo impossível que a graça esteja associada a algum sinal objetivo, pois ela só é dada aos predestinados; a quem não pertença ao número destes, não adianta recorrer a algum rito sensível. Lutero, um pouco menos inovador neste ponto, afirmava que o Batismo confere a santidade, mas só o faz mediante a fé: “Não o sacramento, mas a fé no sacramento é que justifica. – Non sacramentum, sed fides in sacramento iustificat”, escrevia o reformador ao Cardeal Caetano. O Zwinglianismo empalidecia ainda mais o papel dos sacramentos, reduzindo-os a meros testemunhos da fé capazes de unir os homens entre si: pelos sacramentos, ensinava Zwingli, o crente atesta e comprova à Igreja a sua fé, sem que da Igreja receba sequer o selo ou a comprovação da fé.

A prevalência do indivíduo sobre a coletividade se exprime com não menor clareza no conceito protestante de Igreja. Esta, conforme os reformadores, não é um corpo visível, mas sociedade invisível; só uma coisa impede que alguém a ela pertença: o pecado. Quem não se deixa contaminar por este, torna-se membro da igreja, independentemente dos quadros externos nos quais os crentes professam a sua fé. Em geral, dizem os protestantes que a Igreja visível se corrompeu e extinguiu no séc. IV, sob o Imperador Constantino, dada a colaboração do Estado e da Igreja, pois então se introduziram nos mais íntimos redutos do Cristianismo doutrinas e costumes pagãos. Subsiste, porém, a Igreja invisível, a qual continua a vida da comunidade primitiva de Jerusalém. Ora seria essa Igreja invisível que vai tomando corpo nas denominações protestantes a partir do séc. XVI…

Se agora se pergunta como é governada a Igreja invisível, toca-se uma questão árdua para o Protestantismo: este, de um lado, rejeita o Papado e, de outro lado, afirma que todos os fiéis são sacerdotes. Em conseqüência, não restam critérios muito seguros para se constituir o governo da Igreja… Donde a multiplicidade de soluções: há denominações protestantes dirigidas por seus “bispos” (tais são o epíscopalismo anglicano, o metodismo…), bispos, porém, que são mais mentores dos crentes do que sacerdotes ou ministros dos meios de santificação; há-as também dirigidas por presbíteros (o presbiterianismo, por exemplo), e há as dirigidas por meros delegados da coletividade ou da congregação (congregacionalismo, que reproduz o sistema democrático no setor religioso). Vários grupos protestantes não concebem mesmo dificuldade em admitir a autoridade mais ou menos absoluta dos governos civis, no que diz respeito à vida temporal da Igreja (o que resulta em secularização da face visível do Cristianismo).

Expostas sumariamente as três características da teologia protestante, incumbe-nos agora analisar o seu significado.

2. Qual a visão católica a respeito dessas posições protestantes?

a) A justificação pela fé sem as obras

Não há dúvida, a Escritura ensina que a remissão dos pecados é gratuitamente outorgada aos homens pelos méritos de Jesus Cristo (cf. Rm 5,8s); o homem não pode merecer o perdão, mas tem que o aceitar contritamente, crendo no amor de Deus e entregando-se humilde a esse amor. Contudo a Escritura ensina outrossim que o perdão concedido por Deus não é mera fórmula jurídica em virtude da qual não nos seria mais levado em conta o pecado, pecado que, apesar de tudo, ficaria inamovível a contaminar a alma. Não; justificação, segundo as Escrituras, é regeneração (cf. Jo 3,3.5; Tt 3,5), elevação à dignidade de filhos de Deus não nominais apenas, mas reais (cf. 1 Jo 3,1), de modo a nos tornarmos consortes da natureza divina (cf. 2Pd 1,4), capazes de produzir atos que imitem a santidade do Pai Celeste (cf. Mt 5,48). Se, por conseguinte, Deus, ao nos perdoar as faltas, nos concede uma nova natureza, está claro, conforme as Escrituras mesmas, que as obras boas que estejam ao alcance desta nova natureza, devem pertencer ao programa de santificação do cristão; elas se tornam condição indispensável para que alguém consiga a vida eterna. Deus não pode deixar de exigir tais obras depois de nos haver concedido o princípio capaz de as produzir.

É óbvio que essas obras boas não constituem o pagamento dado pelo homem em troca da graça de Deus, nem são algo que a criatura efetue independentemente dos méritos de Cristo Salvador, mas são os frutos necessários da ação de Deus (ou da graça) no homem regenerado, são concretizações dos méritos do Salvador; na verdade, é Cristo quem vive no cristão e neste exerce seu influxo vital, como a cabeça nos seus membros e como o tronco da videira nos seus ramos (cf. Gl 2,20; Jo 15,1s).
São Paulo, na epístola dos Romanos, tanto inculca a justificação pela fé sem as obras, porque tem em vista a primeira conversão ou a conversão do pecador a Deus (claro está que esta não pode ser o resultado de obras meritórias prévias). São Tiago, porém, que visa propriamente ao desabrochar da vida cristã após a conversão, inculca fortemente a necessidade das boas obras (por isto a epístola de Tiago muito desagradava a Lutero, que quis negar a sua canonicidade).

Quanto à concupiscência que permanece no cristão por toda a vida, ela não constitui pecado enquanto o indivíduo não lhe dá consentimento; por muito intensa que seja, a graça do Redentor é certamente capaz de triunfar sobre ela. O fato de que a Escritura a chama “pecado” (cf. Rm 7,20), explica-se por estar a concupiscência intimamente ligada ao pecado como conseqüência deste.
De resto, na vida cotidiana os protestantes valorizam altamente as boas obras; falam então linguagem muito semelhante à dos católicos.

b) A Bíblia e o livre exame

Visto que a S. Escritura teve origem após a pregação oral e como eco da pregação oral dos Profetas e dos Apóstolos, entende-se que a Tradição (transmissão) oral seja necessário critério de interpretação da Bíblia Sagrada. O valor da Tradição se explica pelo fato de que a Revelação oral antecedeu a redação das Escrituras nem foi, por inteiro, consignada nos livros sagrados (os autores sagrados nunca tiveram a intenção de confeccionar um manual completo dos ensinamentos revelados; ver Jo 20,30s; 21,24s); donde se vê quão alheio é ao espírito mesmo da Bíblia interpretá-la independentemente da corrente de doutrinas dentro da qual a Escritura se originou, se conservou e sempre se transmitiu.

Ao que foi dito ainda se pode acrescentar a menção de algumas conseqüências do princípio do livre exame (é pelos frutos que se conhece a árvore!).

Os próprios reformadores e seus discípulos, desejando exaltar a autoridade das Escrituras, tornaram-se deturpadores da Palavra de Deus. Foi, sim, em nome do Antigo Testamento que Lutero permitiu a bigamia a Filipe de Hessen. É em nome das Escrituras que os fundadores de seitas vão ensinando teses fantasistas e contraditórias sobre a data do fim do mundo (tenham-se em vista os Adventistas, as Testemunhas de Jeová, alguns grupos pentecostais). Em nome do livre exame da Bíblia os críticos protestantes têm rejeitado inteiras seções ou até livros escriturísticos; chegam a negar a Divindade de Cristo (o primeiro autor que negou a plena veracidade dos Evangelhos foi o protestante H. S. Reimarusf 1768).

De resto, verifica-se que as comunidades de crentes, tendo abandonado a venerável Tradição transmitida desde os inícios do Cristianismo, ainda, e apesar de tudo, seguem uma tradição,… tradição evidentemente humana, a que deu início tal ou tal fundador de seita. Criou-se em cada denominação de “reformados” uma tradição particular ou uma via própria de interpretação da Bíblia.
É a rejeição de todo magistério munido da autoridade do próprio Deus que gera instabilidade nas comunidades protestantes, ocasionando a criação de novas e novas denominações. A razão destas múltipas reformas não será o fato de que nenhuma delas é realmente guiada pelo Espírito Santo, mas todas são obra meramente humana? Aliás o próprio Lutero já verificava em seus tempos: “Há tantos credos quantas cabeças há”.

Alexandre Vinet, já citado, afirmava, por sua vez, no século passado:

“Para mim, o Protestantismo é apenas um ponto de partida; a religião fica muito além dele… A reforma será uma exigência permanente dentro da Igreja; ainda hoje a reforma está por se fazer”.
A experiência de 400 anos mostrou que se volta contra os próprios irmãos separados o princípio com que estes quiseram outrora impugnar os católicos: “Mais vale obedecer a Deus do que aos homens” (At 5,29).

c) A negação de intermediários entre Deus e o crente

Esta posição acarreta, como dizíamos, a negação de várias instituições que se tornaram clássicas no Cristianismo: os sacramentos concebidos como canais da graça, a intercessão dos Santos, o sacerdócio oficial e hierárquico, a visibilidade da Igreja, etc.
Seguem-se três observações aptas a mais evidenciar o erro radical contido no princípio protestante:
a) a rejeição dos sacramentos e do sacerdócio hierárquico contradiz à lei geral que Deus sempre quis observar nas suas relações com o homem: assim como na plenitude dos tempos o Senhor atingiu a criatura mediante o mistério da Encarnação, assim antes e depois desta Ele veio e vem sob sinais sensíveis; principalmente no Novo Testamento a dispensação das graças conserva a estrutura da Encarnação: os sacramentos e sacramentais são matéria consagrada que prolonga e desdobra a estrutura do Verbo Encarnado. Como o corpo de Jesus recebeu outrora a vida divina e a comunicou aos homens seus contemporâneos, assim os elementos corpóreos (água, pão, vinho, óleo, palavras e gestos do homem…) vêm a ser, nos sacramentos, os canais que contêm e transmitem a graça de Deus; não os poderíamos reduzir à categoria de meros estimulantes da memória, vazios de conteúdo sobrenatural, sem quebrar a harmonia do plano da salvação.

b) Nos desígnios de Deus, a santificação do homem sempre foi concebida comunitariamente, em oposição a qualquer individualismo. O Criador houve por bem, no início da história, incluir todos os homens no primeiro Adão; quis outrossim restaurar todos conjuntamente em Cristo; conseqüentemente santifica-nos hoje por meio de uma comunidade, que é a Igreja, caracterizada por sinais objetivos e por um ministério visível, fora do qual ninguém pode pretender encontrar o Cristo. – Exaltando o indivíduo a ponto de relegar para plano secundário a comunidade, o Protestantismo vem a ser autêntico produto da mentalidade subjetivista e antropocêntrica do Renascimento.

c) A Reforma pretende corresponder à Igreja primitiva, anterior à corrupção que “paganizou” o Evangelho… Esta pretensão é tão vã que os mestres protestantes se têm visto obrigados a fazer recuar constantemente o período da “grande corrupção”: ao passo que os primeiros reformadores a colocavam no séc. IV, outros foram retrocedendo até os tempos de S. Cipriano (+ 258), S. Ireneu (+ cerca de 202), Clemente Romano (+ 102?) ou até a geração apostólica. O famoso crítico Harnack (+ 1930) chegava a dizer que já os Apóstolos perverteram o Evangelho de Cristo – o que é evidentemente absurdo, pois não conhecemos o Evangelho de Cristo senão através da pregação e dos escritos dos Apóstolos; Harnack, porém, era obrigado a proferir tal contra-senso, porque reconhecia claramente que a Igreja Católica atual corresponde fielmente à Igreja primitiva ou, como dizia ele, que “Cristianismo, Catolicismo e Romanismo constituem uma identidade histórica perfeita” (Theologische Literaturzeitung, 16 jan. 1909).

Fonte: Revista Pergunte e Responderemos

http://www.pr.gonet.biz/per-verit-big.php?nrev=397

Primeira bispa anglicana mas os fieis saem em debandadaInglaterra. Primeira episcopisa anglicana. Fiéis fogem em debandada.

Atrair fiéis relaxando os preceitos morais e as “pastorais” matrimoniais?

Lutero, Calvino, Zwinglio e cupinchas já o tentaram. Com que resultado?

O blog italiano Rossoporpora apresentou dados estatísticos sobre o protestantismo histórico que falam por si próprios.

Na Alemanha, pátria de Lutero, os protestantes somavam em 1990 29,4 milhões e constituíam 36,9% da população. Em 2004, eles caíram para 26,2 milhões e 31,5%. Com a entrada do “casamento” homossexual, em 2013 eles eram 23,3 milhões e 29%.

Os católicos, muito exageradamente apontados como rigoristas, somavam 28,5 milhões e 35,4% em 1990; em 2013, eles eram 24,2 milhões e 30%, ficando como o mais numeroso grupo religioso alemão.

De 2004 a 2013, os batismos protestantes despencaram de 236.000 para 187.000, e os casamentos desceram de 59.000 para 49.000. No mesmo período, a participação no culto dominical desceu dos exíguos 4% para 3,5%.

Na Suíça de Zwinglio, Calvino e Forel, em 1970 os protestantes constituíam 48,8% da população, dois pontos acima dos católicos. Em 2000, sua degringolada atingiu 33,9% e, em 2013, 26,9%.

Os católicos, influenciados pelo relaxamento do ambiente pós-conciliar, também caíram: de 46,7% em 1970 passaram a 42,3% em 2000, e a 38,2% em 2013. Apesar de tudo, tornaram-se o grupo religioso majoritário.

Em 2012, na Suíça e na Alemanha, o protestantismo registrou mais apostasias que o catolicismo.

Na Holanda, os protestantes constituíam 35,9% da população em 1971, mas em 2010 só eram 15,6%. Os católicos gangrenados pelo progressismo também desceram, embora um pouco menos: de 40,4% passaram para 24,5%, permanecendo o maior grupo religioso.

Dinamarca, na Suécia, na Noruega e na Finlândia, países oficialmente protestantes – luteranos na sua maioria –, os católicos constituíram sempre minoria muito pequena.

Esses países exibiam maiorias protestantes superiores a 80%. Hoje, na Suécia, os não crentes ostensivos são 45%, enquanto na Noruega, com o “casamento” homossexual deteriorando, eles constituem 33%.

Na Finlândia, logo após o Parlamento aprovar a união sodomítica, mais de 13.000 protestantes abandonaram suas comunidades.

Na Grã-Bretanha, em 1983 os anglicanos representavam 40% da população, mas em 2012 só eram 20%. Os católicos diminuíram em proporção muito menor: de 10% para 9%.
Após o sacerdócio feminino anglicano, três bispos e 50 sacerdotes se converteram à Igreja Católica.

Os anglicanos também aceitaram as episcopisas e anunciaram padres e bispos homossexuais, além do aprovar a bênção do “casamento” homossexual.

Resultado: em 2013, a participação dos anglicanos nos cultos dominicais caiu de 1,2 milhões para 800.000, ficando por baixo do número dos católicos que assistem à Missa.

Esses números apontam a falsidade da suposição de que se pode atrair fiéis acolhendo a imoralidade e o relativismo sexual.

Pelo contrário, a prática séria e exigente dos Mandamentos divinos como o Magistério Tradicional da Igreja sempre ensinou é a única via para atrair e salvar as almas sinceramente ávidas do Bem, da Verdade, da Fé e da moral

Abandono das igrejas na Republica Checa inspirou esta 'obra de arte' de pesadelo de Jakub HadravaAbandono das igrejas na Republica Checa
inspirou esta ‘obra de arte’ de pesadelo de Jakub Hadrava.