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São muitos os atletas profissionais que, aposentados após o auge do sucesso nos gramados, quadras e piscinas, se mantêm ligados ao mundo do esporte: vários trocam a camisa de jogo pela prancheta de técnicos, por exemplo.

Mas um astro do futebol europeu decidiu trilhar uma estrada bem menos percorrida. Uma estrada que talvez o tenha levado a fazer o gol mais bonito de sua vida: Philip Mulryne, ex-meio-campista do Manchester United e da seleção da Irlanda do Norte, foi ordenado sacerdote da Ordem Dominicana no dia 9 de julho de 2017, aos 39 anos de idade.

O atleta protagonizou uma carreira de sucesso no futebol profissional, jogando ao lado de David Beckham e namorando a modelo Nicola Chapman no auge do estrelato. Philip jogou 161 partidas entre 1999 e 2005. De acordo com o Irish Central, ele estava na lista dos favoritos dos torcedores, mesmo que também tenha tido, segundo o Catholic Herald, os seus momentos de rebeldia: em 2005, por exemplo, ele foi cortado da seleção da Irlanda do Norte porque fugiu da concentração e saiu para beber.

Seu ex-colega Paul McVeigh ficou surpreso ao saber que Philip estava se preparando para ser sacerdote após mais de dez anos de atuação profissional em campo:

Para meu espanto, e provavelmente de todo o resto da fraternidade futebolística, o Phil decidiu treinar para ser padre católico… Eu ainda mantinha contato com ele e sabia que ele tinha dado uma guinada na vida, que estava envolvido em muitas iniciativas de caridade, ajudando pessoas sem-teto toda semana. Mesmo assim, foi um choque completo que ele tenha sentido que o chamado dele era esse… Eu tenho certeza de que isso não é uma coisa que ele levou na superficialidade“.

Pouco depois de se aposentar do futebol, aos 31 anos de idade, Philip realmente se dedicou a uma série de obras de caridade. Seus amigos consideram que o bispo de Down e Connor, dom Noel Treanor, pode ter tido influência na vida do jovem, encorajando-o a pensar na vocação ao sacerdócio.

Quando fez a sua profissão simples dos votos religiosos, em 2013, Philip falou brevemente sobre a sua vocação e as razões que o levaram à ordem dominicana:

Esta, para mim, é uma das principais razões que me atraíram à vida religiosa: me entregar totalmente a Deus na profissão dos conselhos evangélicos, tomá-lo como nosso exemplo e, apesar das nossas fraquezas e defeitos, confiar nele, que vai nos transformar pela sua graça; e assim, ser transformado para comunicar a todos com quem nos encontrarmos a alegria de conhecer a Deus… Este é, para mim, o ideal da vida dominicana e uma das principais razões que me atraíram a esta ordem“.

De acordo com a ACI Digital, a ordenação sacerdotal do agora Padre Mulryne aconteceu na Igreja de St. Saviour, em Dublin, e foi presidida pelo Arcebispo dominicano Augustine Di Noia, secretário assistente da Congregação da Doutrina da Fé, que viajou à Irlanda especialmente para esta cerimônia.

Mulryne ingressou no Seminário Diocesano de Belfast, estudou durante dois anos Filosofia na ‘Queens University’ e no ‘Maryvale Institute’. Em seguida, foi para o Pontifício Colégio Irlandês, em Roma, para estudar Teologia por um ano na Universidade Gregoriana, antes de discernir o chamado à vida religiosa.

Philip entrou para a Casa do Noviciado Dominicano em Cork, na Irlanda, em 2012. Em 2013, quando recebeu o hábito dominicano, Philip Mulryne disse que seu objetivo na vida religiosa é “ser completamente de Deus com a profissão dos conselhos evangélicos”.

“Apesar de nossas faltas, sabemos que Ele nos transforma com a sua graça e, ao sermos transformados, podemos comunicar a alegria aos outros”, ressaltou.

Com informações de Aci Digital

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Um decreto sobre a formação de sacerdotes publicado pelo Vaticano recorda a exigência de abstinência sexual e a proibição de homossexuais no exercício do sacerdócio.

“A Igreja, respeitando as pessoas envolvidas, não pode admitir no seminário e nem nas ordens sagradas os que praticam a homossexualidade, apresentem tendências homossexuais profundamente enraizadas ou apoiem o que se conhece como cultura gay”, destaca o documento, publicado nesta quinta-feira pelo Osservatore Romano, diário oficial do Vaticano.

Este novo guia completo, aprovado pelo Papa, atualiza uma versão emitida há 46 anos, mas a não admissão de padres com tendências homossexuais foi tratada pela Igreja Católica em 2005. O documento faz exceção para as “tendências homossexuais que sejam unicamente a expressão de um problema transitório como, por exemplo, uma adolescência ainda não terminada”.

O documento recorda a necessidade de uma “imposição voluntária da continência”. Seria “gravemente imprudente admitir o sacramento a um seminarista que não haja atingido uma afetividade madura, serena e livre, casta e fiel ao celibato”, determina o decreto, acrescentando que os futuros padre também necessitam compreender “a realidade feminina”.

“Tal conhecimento e aquisição de familiaridade com a realidade feminina, tão presente nas paróquias e em muitos contextos eclesiais, é conveniente e essencial para a formação humana e espiritual do seminarista”, diz o documento.

Após o escândalos sobre abusos sexuais, o guia possui um artigo destinada à “proteção dos menores”. Segundo o documento, no programa de formação inicial de sacerdotes serão inseridos lições, seminários ou cursos para transmitir de maneira adequada a proteção de menores de idade, “dando ênfase nas áreas de possível exploração ou violência, como, por exemplo, o tráfico de crianças, o trabalho infantil e o abuso sexual”.

O guia aborda numerosos temas, como a revolução digital: “é necessário observar a prudência que se impõe quanto aos riscos inevitáveis de se frequentar o mundo digital, incluindo as diferentes formas de dependência que se possam tratar por meios espirituais e psicológicos adequados”.

Ao mesmo tempo, “é oportuno que as redes sociais formem parte da vida cotidiana do seminário”, pois convém aproveitar “as possibilidades das novas relações interpessoais, de encontro com os demais, de confrontação com o próximo e de testemunho da fé”.

Fonte: O Globo

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A Congregação para o Clero (Santa Sé) publicou um novo decreto orientador para a formação de futuros padres católicos, na qual é sublinhada a importância da “formação integral” e da maturidade psíquica, sexual e afetiva.

A ‘Ratio fundamentalis institutionis sacerdotalis´é atualizada 46 anos depois, procurando unir de “modo equilibrado as dimensões humana, espiritual, intelectual e pastoral, através de um caminho pedagógico gradual e personalizado”.

O documento retoma a instrução de 2005 sobre a admissão aos seminários e ao sacerdócio de “pessoas com tendências homossexuais”.

A Igreja, pode ler-se, respeitando as pessoas envolvidas, “não pode admitir ao seminário nem às ordens sagradas os que praticam a homossexualidade, apresentem tendências homossexuais profundamente enraizadas ou apoiem o que se conhece como cultura gay”.

Os orientadores dos seminários são chamados a ter em atenção a necessidade de avaliar se um seminarista atingiu a “afetividade madura, serena e livre, casta e fiel ao celibato”, exigida pela Igreja Católica.

O novo decreto, promulgado na solenidade da Imaculada Conceição, defende ainda que deve ser prestada “máxima atenção ao tema da tutela dos menores e dos adultos vulneráveis”, evitando admitir ao seminário pessoas ligadas a “delitos ou situações problemáticas” relacionadas com abusos sexuais.

O cardeal Beniamino Stella, prefeito da Congregação para o Clero, disse ao jornal do Vaticano, ‘L’Osservatore Romano’, que a nova ‘ratio’ procura “superar alguns automatismos que foram criados no passado”, e propor um “caminho de formação integral que ajude a pessoa a amadurecer em todos os aspectos”, com atenção à dimensão “humana, espiritual e pastoral”.

Para este responsável, as três palavras-chave para a compreensão do documento são “humanidade, espiritualidade e discernimento”.

O texto realça a importância de não limitar a avaliação ao percurso académico dos candidatos ao sacerdócio.

“Um discernimento global, realizado pelos formadores sobre todos os âmbitos da formação, consentirá a passagem para a etapa sucessiva somente daqueles seminaristas que, mesmo tendo superado os exames previstos, tenham alcançado o grau de maturidade humana e vocacional requerido em cada fase”, pode ler-se.

O novo decreto, intitulado ‘O dom da vocação presbiteral’, de mais de 80 páginas, está disponível na internet.

Agencia Ecclesia

 

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Quando o americano Chase Hilgenbrinck começava a se destacar no futebol profissional, Deus o chamou ao sacerdócio. Deixou sua carreira no Chile e com muito esforço foi ordenado presbítero em 2014. Dentro de alguns dias, voltará ao país sul-americano para celebrar uma Missa e compartilhar seu testemunho.

Na sua visita ao Chile, onde jogou profissionalmente durante três anos, o Pe. Hilgenbrinck visitará Chillán, a 400 quilômetros ao sul de Santiago. Ali celebrará uma Missa na paróquia Santa Ana no sábado, 7 de maio às 20h.

Há alguns anos, Chase compartilhou seu testemunho no programa ‘Nuestra Fé em vivo’ com Pepe Alonso, no canal EWTN, e contou que durante o tempo que esteve no Chile, no princípio, “me sentia muito sozinho e não foi o que esperava de um jogador de futebol profissional. Pensei que haveria fama, com amigos, com muitas pessoas. Ao final, sabia que estava brigando por um lugar em uma equipe onde não me conheciam. Não foi fácil”.

Um dia, prosseguiu, “rezando em uma igreja encontrei minha paz. No inverno do Chile, com muita chuva, estava congelado, sentado sozinho na igreja da Assunção. Estava rezando frente ao tabernáculo, sozinho frente ao Senhor. Rezava por estar cômodo, por ter mais paz, para que tudo desse certo no futebol. E justo aí, em silêncio, eu escutava no fundo de meu coração, escutava em inglês: ‘be my priest’ (serás meu sacerdote). E não conseguia acreditar”.

Essa experiência, explicou Chase, “era muito incômoda e não queria escutá-lo. Eu lhe dizia (a Deus) não sabe o que está dizendo, mas eu estava convencido, não era algo que eu mesmo podia ter sonhado, nunca havia pensando nisto e não o queria. Sabia que era o chamado do Senhor”.

“Eu o escutava e continuava com minha vida, mas as coisas começaram a estar bem”, recordou.

O sacerdote, então Vigário Paroquial de St. Mary Parish e capelão da equipe da Alleman High School em Rock Island, na diocese de Peoria, é filho de Mike Hilgenbrinck, que faleceu de câncer há algum tempo, e Kim, que era contadora.

A cada domingo, seus pais o levavam junto com seu irmão Blaise à Missa. Ambos eram coroinhas da Holy Trinity Church em Bloomington, Illinois.

Uma reportagem em 2008 na ESPN assinala que, “inclusive quando era adolescente, as crianças procuravam Chase para que se aconselhar. Sua mãe recorda uma ocasião em que uma companheira grávida o procurou em sua casa. ‘Nós lhe dissemos, ‘Chase, você não é o suficientemente mais velho para dar conselho sobre estas coisas. Esta jovem deve falar com um adulto’”.

Ambos jogavam futebol desde pequenos, mas Chase era melhor e de fato chegou a estar na seleção nacional sub17 dos Estados Unidos.

Quando chegou à Universidade de Clemson, Chase continuou jogando futebol, mas não deixou de lado a sua fé. Uma jovem e um sacerdote lhe perguntaram se alguma vez havia pensado servir plenamente a Deus. “No fundo pensava que não, de jeito nenhum. Ainda não percebia”, recorda.

O jovem se graduou no Clemson em 2004 e foi convidado para jogar no Chile. Ali passou por várias equipes como o Huachipato e o Ñublense durante três anos.

No Chile continuou ajudando os outros. Uma vez, recordam seus pais, obteve um prêmio por ter sido o “jogador da equipe”. Com o dinheiro, comprou materiais esportivos e os doou a uma escola pobre.

“Como estava sozinho em outro país, com uma cultura e idioma diferente, procurei muito dentro de minha alma”, disse Hilgenbrick ao Catholic Post da diocese de Peoria há alguns anos.

Com a oração, os sacramentos, inclusive a confissão, foi fortalecendo sua relação com Cristo e os temores ou “barreiras” ao seu redor começaram a cair.

Em 2007, quando já estava decidido sobre sua vocação, escreveu ao diretor de vocações de Peoria, Pe. Brian Brownsey.

O sacerdote lhe pediu um grande desafio. Tinha que escrever uma autobiografia de 20 páginas e enviar respostas a várias perguntas.

Chase não havia dito nada a ninguém acerca do tema de sua vocação: nem a sua namorada, nem a sua família com quem rezava ante a imagem da Virgem Maria quando era criança para pedir pelas futuras esposas dele e do seu irmão. Quando voltou para os Estados Unidos, já havia terminado com a sua namorada.

No dia que terminou o seu desafio, Chase chamou o seu irmão e pais, pediu para que comprassem champanhe e logo se encontrassem na Igreja Holy Trinity. Contou-lhes em frente à imagem da Virgem. “Sua reação? Foram muito amorosos e me apoiaram”.

“Quando uma pessoa joga futebol deve ser melhor a cada dia. E o mesmo acontece com a fé. Tem que melhorar cada dia mais e procurar as oportunidades para aprofundar a relação com Cristo”, compartilhou com Catholic Post.

Antes de ingressar no St. Mary’s Seminary, Chase jogou em duas equipes: no Colorado Rapids e no New England. O contrato com a segunda equipe acabava no dia 1º de julho, a mesma data na qual esperavam o ingresso dos novos seminaristas, algo que ele entendeu como um sinal providencial.

“Quero ser uma luz para Cristo. Isto se trata Dele, não de mim”, afirma.

ACI

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De vez em quando, surge na mídia algum caso de sacerdote homossexual que levanta a bandeira dos chamados “direitos gays”, incluindo entre eles o “direito ao sacerdócio”.

Para começar, o sacerdócio católico não é um “direito” para ninguém: nem para homossexuais, nem para heterossexuais. O sacerdócio católico é uma vocação, um chamado pessoal e intransferível, feito por Cristo.

O próprio Cristo confiou ao primeiro papa, São Pedro, a missão de cuidar do seu rebanho na terra, afirmando que “o que ele atasse na terra, ficaria atado no céu”. Desde as origens, os primeiros cristãos formaram em torno a Pedro uma assembleia (em grego, ekklesía, termo que passou para o latim como ecclesia e para o português como igreja), um rebanho cujo pastoreio cabia aos apóstolos, com Pedro à cabeça, presidindo a assembleia dos cristãos. Nessa missão confiada por Cristo a Pedro e transmitida aos seus sucessores, uma série de medidas práticas foram sendo adotadas pela Igreja presidida pelo papa, sempre com base na reflexão conscienciosa da mensagem de Cristo contida nos Evangelhos. Entre essas medidas, originadas do Evangelho e preservadas pela Igreja, está a de confirmar o chamado ao sacerdócio mediante exigências concretas: que o sacerdote seja homem, batizado e heterossexual. Homem porque o próprio Cristo se fez homem, no pleno sentido antropológico de “fazer-se homem”, e porque, ao eleger seus ministros, Cristo ordenou somente homens. Batizado porque o sacerdote deve ser um membro vivo da Igreja. E heterossexual porque o sacerdote é chamado a ser “pai”, sublimando a paternidade biológica e transformando-a numa paternidade espiritual, que inclui a consciente e livre renúncia à paternidade biológica através da opção pelo celibato, a exemplo do próprio Cristo Sacerdote.

A Congregação para a Educação Católica esclareceu no documento “Sobre os critérios de discernimento vocacional em relação às pessoas com tendências homossexuais antes da sua admissão ao seminário e às ordens sagradas” (4 de novembro de 2005). Esse documento diferencia os “atos homossexuais” das “tendências homossexuais”. Os atos implicam o exercício ativo da homossexualidade, enquanto as tendências implicam somente o impulso homossexual.

Em seguida, o documento faz outra diferenciação a respeito das “tendências homossexuais”: as “profundamente arraigadas” e as que são “expressão de um problema transitório”. E declara: “Respeitando profundamente as pessoas em questão, a Igreja não pode admitir ao seminário e às ordens sagradas aqueles que praticam a homossexualidade, apresentam tendências homossexuais profundamente arraigadas ou apoiam a assim chamada ‘cultura gay’”. Já os homens com tendência homossexual transitória poderiam ser admitidos nos seminários se essas tendências ficassem “claramente superadas ao menos três anos antes da ordenação diaconal”.

Quanto aos padres já ordenados que se revelam homossexuais, o papa Bento XVI esclarece no livro-entrevista “Luz do Mundo”, publicado em 2010:

“A homossexualidade não é compatível com a vocação sacerdotal. Do contrário, o celibato não teria nenhum sentido como renúncia. Seria um grande perigo se o celibato se tornasse, por assim dizer, uma ocasião para introduzir no sacerdócio pessoas que, de qualquer modo, não gostariam de se casar, porque, em última instância, também a sua postura perante o homem e a mulher está de alguma forma modificada, desconcertada, e, em todo caso, não se encontra na direção da criação de que falamos. A Congregação para a Educação Católica emitiu faz alguns anos uma disposição no sentido de que os candidatos homossexuais não podem ser sacerdotes porque a sua orientação sexual os distancia da reta paternidade, da realidade interior da condição de sacerdote. Por isso, a seleção dos candidatos ao sacerdócio deve ser muito cuidadosa. Tem-se que aplicar a máxima atenção para que não se confunda o celibato dos sacerdotes com a tendência à homossexualidade (…) [A existência de sacerdotes com tendências homossexuais] faz parte das dificuldades da Igreja e os comprometidos têm que procurar, pelo menos, não praticar ativamente essa inclinação, a fim de permanecerem fiéis ao compromisso interior do seu ministério”.

Ser sacerdote, portanto, não é um “direito” de ninguém; e exercer a eventual tendência homossexual não é direito de nenhum sacerdote, assim como tampouco a tendência heterossexual, dado que todos os sacerdotes católicos são chamados, por vocação, também ao celibato.

Esta é a resposta que os católicos devem saber dar quando a mídia resolve fazer campanha para reinventar o que Cristo estabeleceu, aproveitando-se das fraquezas de sacerdotes que não foram coerentes com a vocação que livremente se comprometeram a abraçar. Ninguém pode alegar que não sabia das renúncias e sacrifícios exigidos pelo sacerdócio.

Fonte: Aleteia

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Louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo! Meus irmãos, o tema que me foi dado para esta pregação é: ‘Deixe o amor de Deus transfomar você’. Essa é a grande realidade que Deus quer fazer nestes dias e nesta manhã. Deus vai fazer isso e Ele quer fazê-lo! Ele está vindo como chuva, por isso não abra o guarda-chuva.

Eu recebi este tema, porque, com alegria, eu sou uma pessoa transformada pelo amor de Deus. Eu já completei, graças a Deus, 50 anos de sacerdócio, agora, no dia 8 de dezembro de 2014. Nesses 50 anos de vida sacerdotal eu fui muito realizado, com sofrimentos, houve reveses, mas eu não trocaria nada por esses 50 anos! Eu realmente começaria tudo de novo, como se hoje fosse o dia da minha ordenação. Quando eu completei os 50 anos de ordenação sacerdotal, eu tomei a passagem da 1 Timóteo 1,12: “Dou graças àquele que me deu forças, Jesus Cristo, nosso Senhor, porque me julgou digno de confiança e me chamou ao ministério”. Eu posso dizer esta passagem também a respeito de você, sacerdote. Meu irmão, que você realmente tenha um ministério muito fecundo e cheio da graça de Deus!

Doença, ordenação sacerdotal e encontro pessoal com Jesus

No meu último ano de teologia, eu deveria me ordenar no fim daquele ano; no entanto, surgiu uma doença muito estranha: eu não conseguia ver direito, algo deixava minha vista embaralhada e tinha muitas dores de cabeça. Fui a vários médicos, de clínico geral a psiquiatra, para ver o que é que eu tinha e ninguém descobria. Alguns me deram vários remédios, mas nenhum deles resolveu. Até que os meus superiores no mês de maio (e no Brasil o ano letivo começa no mês de março) acharam melhor que eu saísse do seminário e fosse descansar para que eu melhorasse. Daí fui para o seminário menor no Brasil, pois eu sou salesiano. Fui trabalhar na terra, cavar a terra, aguar as plantas. Era algo bom, mas passavam-se os meses e eu não melhorava.

Então viram que era melhor me mandar para um hospital da região, onde o doutor Vanderlei cuidou de mim com muito esmero, mas nem assim eu não melhorava. Ele me passou vários remédios, mas nenhum deles surgiu efeito.

Quando chegou o mês de julho daquele ano, a superiora do hospital veio me dizer que, em Lorena (SP), onde ficava o nosso Instituto de Filosofia, estava começando a primeira Mariápolis (Encontro dos Focolarinos), mas eu nem sabia o que era isso. Quando cheguei ao Instituto de Filosofia, os meus colegas disseram-me que eu não fosse participar, porque era algo chato, as pessoas ficavam cantando músicas e havia oração, pois eu estava doente. Mas depois do almoço, eu não aguentei e fui até lá bem devagar. Quando eu cheguei lá, um rapaz disse-me que eu ficasse atrás da cortina porque havia um rapaz dando um testemunho. E esse rapaz de Pernambuco dizia, em seu testemunho, a respeito de Deus na doença. Ele explicou que era o encarregado daquele encontro e teve uma intoxicação durante a viagem, por isso teve de parar na Bahia e lá ficou mais de 15 dias no hospital. E ele se perguntava: “O que Deus está querendo?”. Ele não era capaz de saber o que estava acontecendo, principalmente por ser o responsável da organização do encontro. Mas ele disse confiar em Deus e estar certo de que Ele estava naquela situação. Aquelas palavras foram me tocando profundamente, porque era também a minha pergunta: “O que é que Deus está querendo da minha vida?”. No último ano de seminário, depois de quinze anos (porque nós, salesianos, fazemos quinze anos de seminário), às vésperas de minha ordenação, eu não sabia mais se iria ser ordenado ou não. Depois disso, entrei na sala do encontro e vi que não tinha nada de chato e fui me envolvendo. Numa das noites do encontro, eu estava sozinho no meu quarto, abri a Bíblia e caiu no Evangelho de São Matheus 16, no qual Jesus pergunta aos apóstolos: “E vós quem dizeis que eu sou? Simão Pedro respondeu: Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo!” (Mateus 16,15).

Meus irmãos, aquela pergunta de Jesus foi para mim! Eu senti Jesus dizendo: “Jonas, quem sou eu para você!”. Eu não sei o que aconteceu comigo naquele momento, quando eu vi estava ajoelhado no chão e ali me entregava para Deus. Só depois é que percebi que ali foi o meu encontro pessoal com Jesus. Mesmo sem dizer essas palavras, o meu ser inteirinho dizia para Jesus: “O Senhor é o Cristo, o Filho de Deus vivo!” Eu continuei aquela Mariápolis, mas estava diferente, até então eu estava muito desanimado, porque a resposta de Deus não acontecia e a minha doença não mudava em nada. Contudo, depois daquele encontro, sozinho no meu quarto, com essa passagem bíblica, havia ânimo, coragem, alegria e ímpeto dentro de mim. Eu tive a coragem de ir ao meu superior e dizer a ele: “Eu não posso ser ordenado?”. Eu tinha quase certeza de que ele diria “não”, mas ele me disse: “Se você fizer os exames no primeiro semestre e passar, você poderá ser ordenado”. Aquilo me deu mais ânimo ainda, então me despedi das pessoas e voltei para o seminário a fim de começar tudo de novo. Daí fui estudar para os exames e a dor de cabeça continuava. Foi muito difícil estudar por essa razão, mas estudei o máximo que eu pude. Chegou o dia de prestar os exames e, como aqui na Europa, os exames foram feitos oralmente, primeiro pela minha dificuldade, segundo porque assim eles poderiam me perguntar tudo o que queriam. Para a minha alegria, eu passei no exame e abriram-se as portas para a minha ordenação. Isso era no fim de novembro, e a minha ordenação seria no dia 8 de dezembro. Eu fui com toda a vontade rumo à minha ordenação.

Agora eu volto atrás novamente para você entender: ali aconteceu o meu encontro pessoal com Jesus que mudou o rumo da minha vida. Eu estava começando a experimentar as mudanças, e a grande mudança foi aquela: era quase um milagre eu me ordenar e eu estava às portas da ordenação. Você que é padre sabe do que estou falando, porque tive que correr com os paramentos, os objetos, cálices e convites na última hora, pois não estava preparado, nem tinha certeza [de que seria ordenado]. Mas porque eu tive o meu encontro pessoal com Jesus tudo mudou. E graças a Deus, como eu contei, no dia 8 de dezembro de 1964, eu me ordenei com mais 16 colegas de teologia.

A importância do encontro pessoal com Jesus

E o que eu quero destacar aqui é a importância de termos o nosso encontro pessoal com Jesus, principalmente nós, sacerdotes. Porque eu me encontro com alguns sacerdotes que ainda não tiveram o seu encontro pessoal com Jesus. E nós estamos em um retiro para sacerdotes, e o que Deus mais quer é que nós, sacerdotes, tenhamos um encontro com Ele. É o título da palestra: “Deixe o amor de Deus transformar você!”, e como o amor de Deus vai transformar você? Dando a você a graça de ter o encontro pessoal com Jesus. Quantos sacerdotes, até mesmo com anos de sacerdócio, têm muitas dificuldades e até mesmo de situações de pecado, porque ainda não tiveram a transformação que se dá com o encontro pessoal com Jesus. E a primeira coisa que o sacerdote precisa é ter o seu encontro pessoal com Jesus, porque ele vai ser outro Cristo no mundo. E se ele é outro Cristo pelo sacerdócio, é urgente, é necessário e imprescindível que ele tenha um encontro pessoal com Jesus.

Eu rezo por você, sacerdote: “Eu estou pedindo, Senhor, que todos estes meus irmãos no sacerdócio tenham este encontro pessoal Contigo, Jesus. Se eles não tiveram essa graça é porque não a quiseram. E com o encontro pessoal com Jesus que aconteça toda uma mudança e que eles tenham esse encontro pessoal com o Senhor!

Reze agora você, sacerdote: “Eu quero ter um encontro pessoal Contigo, Jesus. Conceda-me este encontro. Eu preciso deste encontro para ter uma vida renovada. Eu preciso ser um sacerdote novo, Senhor!“.

O trabalho com os jovens e a tuberculose

Passaram-se os anos e, graças a Deus, justamente por causa deste encontro pessoal que tive com Jesus, eu ingressei em um trabalho muito lindo. Eu fui para o colégio salesiano, onde havia uma paróquia, e fomos os primeiros no Brasil a presidir a Santa Missa para jovens. Começamos a fazer isso em 1965 e 1966 e, como não havia música própria para os jovens cantarem nas Celebrações Eucarísticas, como eu já era músico e maestro, eu mesmo as tocava no piano. Com isso, foram vindo as músicas e eles gostavam muito delas e a igreja, que era grande, ficava lotada de jovens. E mais que isso: após a Santa Missa tínhamos formação humana e espiritual com muito conteúdo sobre o Evangelho e eu os convidava a viver aquela passagem bíblica durante a semana. E o interessante é que não havia o costume de pegar a Bíblia naquela época [para fazer esse tipo de leitura e meditação]. Depois, no próximo encontro, eles partilhavam o que viviam. E cada vez mais, foi crenscendo a vivência do Evangelho entre todos. E fui vendo que era necessário que aqueles jovens também tivessem o seu primeiro encontro pessoal com Jesus.

Então organizamos um encontro [para promover essa graça], que foi muito sofrido para ser realizado por falta de compreensão das pessoas. Houve muitas contradições e maledicências, por isso fui chorando para o lugar do encontro, mas fomos. Lá tivemos momentos de oração, palestras, trabalho de grupo e celebrações da Eucaristia e momentos de confissões. E como éramos apenas dois sacerdotes, íamos noite e madrugada afora confessando aqueles jovens. No dia seguinte, quando o encontro terminou, eu pedi que cada um dissesse o que foi aquele encontro de oração. E o lindo é que diziam: “Eu tive o meu encontro pessoal com Jesus” e “Eu tive uma trombada com Jesus”. E não ficamos falando muito do encontro pessoal com o Senhor, mas mais sobre a Palavra, a doutrina da Igreja e sobre sacramentos, demos testemunhos e, no final, eles se expressavam assim.

Meus irmãos, foi algo empolgante e, a partir daquele encontro, mais jovens queriam fazê-lo. Por fim, de quinze e em quinze dias, continuamos a fazer os encontros, nos quais eu pregava, ministrava música e também confessava os participantes. E continuava todo o meu trabalho no colégio onde eu estava. Conclusão: por causa de todo este meu trabalho eu fiquei tuberculoso. E o mais difícil foi ver todo o meu trabalho cortado. Eu fui para o sanatório e, durante aquele mês, fiquei tranquilo, no quarto, tomando as injeções e foi um mês inteiro assim. Eu diria que eu estava “comportado”. Mas passado esse tempo, eu comecei a andar nos outros quartos e reparei que 80% deles eram jovens. Eu não me contive, eu que havia sido “comportado” até aquele momento, comecei a conversar com eles e a criar confiança, logo eles começaram a se confessar comigo e a contar situações dolorosas. Eu travei uma grande amizade com eles e fui percebendo que eles desejavam mais, pois também não tinham tido o seu encontro pessoal com Jesus. Chegando o Natal, a minha pergunta era esta: “O que vamos fazer com estes jovens?” E eles disseram: “Nós queremos uma Missa!”. Pensei que, por serem tuberculosos, a Santa Missa seria mais cedo, mas eles disseram: “Vamos fazê-la à meia-noite!”. E realmente as irmãs que cuidavam do sanatório permitiram e ensaiei com eles as músicas, ora com violão ora com teclado. E fizemos a Missa, as vozes desses tuberculosos ressoavam pelo sanitário e foi uma glória.

Então já comecei a pensar: “Vamos fazer um encontro para estes jovens aqui no sanatário”. Era uma loucura, mas eu me arrisquei; marquei por telefone com os pregadores para fazermos este encontro. E aconteceu um grande encontro no salão do sanatório. Foi como os outros encontros, mas com jovens tuberculosos. E eu confessava todos, porque só tinha eu de padre. E depois do encontro, você via que no semblante e no coração deles havia uma alegria nova. Eram outras pessoas. E no fim eles testemunhavam: “Eu tive aqui o meu encontro pessoal com Jesus”.

O que eu vi era o Senhor repetindo na minha vida e na vida dos jovens o que Ele fez por mim naquela Mariápolis. Só que aconteceu algo muito interessante. O médico, que cuidava pessoalmente de mim, mandou chamar o meu superior e lhe disse: “Se o senhor quer que este padre se cure, tire-o do sanatório”. E o médico foi tão incisivo que o meu superior viu que, se era para eu ser curado, eu precisava sair de lá, porque, no sanatório, eu trabalhava tanto quanto eu trabalhava antes. Então o meu superior me removeu para outro colégio, decisão que eu aceitei, mas com muita dor, porque estava pondo fim ao trabalho que eu fazia com os jovens nos encontros.

Passou-se um tempo e vi que não voltaria mais para o meu trabalho anterior, tudo aquilo já era findo. E com isso, cresceu em mim um grande sentimento de ressentimento e mágoa. No fundo, uma revolta com meus superiores, eu não queria, mas sentia isso e estava magoado. Eu que havia tido a graça do encontro pessoal com Jesus, já não tinha mais aquela alegria e entusiamo. E principalmente eu já não rezava mais, somente rezava o Ofício Divino, mas mal ainda. Você imagina um padre que não reza?

O batismo no Espírito Santo

O interessante é que eu tive um propósito como inspiração de Deus: rezar, antes de dormir, o Veni Creator: “Vinde, Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor. Enviai, Senhor, o Vosso Espírito, e tudo será criado, e renovareis a face da terra […]”. Algumas vezes, essa era a única oração do dia, era esta e nada mais. Lá naquele colégio para onde eu fui, havia um grupo de jovens, que passaram pelos encontros que tinham feito. Aos poucos eu fui me aproximando e cuidando deles, porque percebi que necessitavam. Não podia exagerar, mas cuidava deles. E nesse grupo de jovens não havia ações nem atividades. Eram bons, mas sem ação. Então eu convidei o padre Irineu Danelon, que é hoje bispo no estado de São Paulo, para fazer uma palestra sobre ação. Quando ele chegou, pegou a Bíblia e abriu no livro dos Atos dos Apóstolos, que mostra a presença e a ação do Espírito Santo, e foi mostrando passagem por passagem. Aquelas passagens eu conhecia, mas elas tiveram uma incisão diferente na minha vida naquele momento, parece que saltavam aos meus olhos ao ver a ação do Espírito Santo nas pessoas, na Igreja e na sociedade da época.

Então eu pedi que o padre Irineu fizesse uma pregação sobre ação e ele fez sobre a ação do Espírito Santo. E era disso que aqueles jovens e eu precisávamos. Tanto assim que não consegui ficar até o fim da palestra, saí pelo fundo da sala e fui à capela e disse ao Senhor: “Senhor, eu não estou entendendo mais nada. Eu peço para fazer uma palestra sobre a ação, padre Irineu faz sobre ação do Espírito Santo. Mas eu sinto que é disso de que eu preciso. Neste momento eu estou precisando disso. Então se é disso mesmo que eu preciso, concede-me, Senhor!”.

Fiquei mais um bom momento na capela, no intervalo e na celebração da Santa Missa. E quando terminou a Missa, os jovens foram embora e eu fui fechando as portas e janelas do colégio, quando tocou o telefone. Era um padre redendorista da cidade vizinha de Aparecida (SP), a Padroeira do Brasil, que me pedia: “Estou sabendo que o padre Haroldo Rahm vai fazer uma experiência de oração aí no colégio de vocês, eu queria que você arrumasse duas vagas para os colegas meus que vão participar”. Eu disse para ele: “Vou arrumar!”, mas eu nem sabia a respeito desse encontro com o padre Haroldo Rahm. Esse sacerdote é um apóstolo do Brasil, um sacerdote norte-americano que trabalhou no início com os jovens e depois conheceu a Renovação Carismática Católica. Ele percorria o Brasil fazendo essas experiências de oração no Espírito Santo. Padre Irineu falou sobre a ação do Espírito Santo e padre Haroldo fazia a experiência com o Paráclito. E eu, que não rezava mais com antes, disse para mim mesmo: “Eu vou participar!”.

Na véspera deste encontro, o meu superior veio me dizer: “Amanhã você precisa celebrar a Santa Missa na cidade vizinha” (porque era 2 de novembro) e à tarde vamos ter reunião dos professores”. Então toda a minha expectativa de participar daquele encontro caiu por terra, e pensei: “Meu Deus, o que acontece? O Senhor me mostra que eu preciso, mas quando está à minha frente eu não posso mais participar!”. Naquela noite, eu poderia dizer que estava revoltado, por isso fui rezar: “Vinde, Espírito Santo!”,  foi como uma água fria que caía em mim e eu rezava: “Senhor, eu me entrego. E vou obedecer! Eu não posso participar, mas vou para a Missa e para a reunião”. E o bonito é que já não estava mais revoltado, fui dormir tranquilo. E na manhã seguinte, quando eu me levantei para ir presidir a Santa Missa, me deram o recado: “Padre Haroldo está aí e quer conversar com o senhor”. Fui lá e conversamos um pouco, sabendo que tinha que realizar a ordem do meu superior. Mas quando começou aquele encontro, o meu superior disse para mim: “Pode participar!”, e logo percebi que Deus tinha me atendido o pedido. Foi só um dia de retiro e no fim da Missa, o padre Haroldo disse: “Se vocês quiserem, eu imponho as mãos sobre vocês pedindo a efusão do Espírito Santo, da qual eu falei”. Porque nos seus testemunhos, ele explicava o que a Renovação Carismática Católica (RCC) estava fazendo no mundo em 1971, devido à “explosão” da renovação em 1967, que comemoraremos agora, em 2017, 50 anos.

E ele contou já naquela época o que Deus estava fazendo com a Renovação Carismática Católica e nos falou do batismo e dos dons do Espírito Santo como está na Bíblia, mas acontecendo nos tempos de hoje, e com os católicos. E eu fiquei abismado: “Mas como oração em línguas?” E acolhi. E na sacristia ele disse: “Eu imponho a mão sobre vocês para receberem o Espírito Santo”. E quando foi a minha vez, eu desejei essa graça do fundo do meu coração, eu a quis mesmo! E disse: “Deus está me dando aquilo de que eu necessito”. Só que quando o padre Haroldo chegou em mim, colocou as mãos e orou, não aconteceu nada comigo, eu fiquei do mesmo jeito, somente que, eu sendo um padre que não rezava havia muito tempo, por ressentimento e mágoa, sozinho andando pelos pátios daquele colégio, comecei a rezar como eu nunca tinha rezado na minha vida. Eu digo que era uma oração gostosa, tinha prazer e satisfação ao fazê-la. Fiquei rezando até de madrugada. Só fui para o dormitório porque de manhã eu tinha os trabalhos próprios do sacerdócio. E pela manhã, parece que as árvores tinham sido lavadas, o colégio tinha sido pintado, tudo era bonito, mas é claro, tudo estava do mesmo jeito. Dentro de mim é que tudo estava mudado. E aconteceu o que o padre Haroldo pediu: o batismo do Espírito Santo.

Digo para vocês que esta foi a grande graça na minha vida. Claro, o encontro pessoal com Jesus foi a porta de entrada e o Senhor queria me levar mais além com o batismo no Espírito. Daquele dia em diante, eu fui percebendo toda a transformação a partir da oração, porque antes eu quase não rezava. Rezava agora o Ofício Divino com prazer, a oração pessoal agora era feita com gosto. A Celebração da Eucaristia mudou totalmente, havia um fervor especial. A minha pregação mudou. Eu sempre preparei bem a minha pregação, mas, a partir daquele momento, tinha uma força diferente e um gosto novo. E até mesmo o arrependimento dos meus pecados mudou. O batismo no Espírito faz com que o Espírito Santo venha a nós e nos dê um arrependimento forte e verdadeiro. Faz com que as nossas confissões sejam substanciosas, mesmo que não tenhamos grandes pecados.

Eu saía da minha cidade e ía para a Basílica de Aparecida me confessar com grande arrependimento dos meus pecados e constato o seguinte: eu não era ainda o que eu queria ser, eu não era ainda o que Deus queria o que eu fosse, mas, graças a Deus, eu não era mais o que eu era antes. Deus fez uma mudança substancial na minha vida, maior ainda do que quando tive o meu encontro pessoal com Jesus.

O meu lema sacerdotal é: “Feito tudo para todos” da Carta aos Coríntios 9. E graças a Deus com o batismo no Espírito Santo, eu pude fazer muito mais, e me fiz tudo para todos. E como, para mim, o encontro pessoal com Jesus e o batismo no Espírito Santo foram as chaves, assim como o padre Haroldo ia pelo Brasil realizando as experiências de oração, eu comecei a fazê-las também.

As experiências do batismo pelo Brasil e oração final

Graças a Deus, corri o Brasil todo levando o batismo no Espírito Santo. São poucos os lugares do Brasil nos quais eu não estive: ora para momentos de oração, ora para congressos, pregações. E o mais importante: eu tinha um propósito, que é o seguinte: há um pastor evangélico pentecostal, do sul da África, que era chamado “Mister Pentecostes”, porque aonde quer que ele fosse, em suas palestras, ele fazia aquilo que lhe pediam, mas ele arrumava um jeito de falar do Espírito Santo, dos dons das línguas e rezar por eles. Pela graça de Deus, eu me tornei no Brasil um “Mister Pentecostes” indo a muitos lugares no país, estando com muitas pessoas e com grupos grandes, como em estádios de futebol reunindo de 100 a 20 mil pessoas. E o que fazia, dependendo do tema, eu falava do batismo e orava para que as pessoas fossem batizadas no Espírito Santo e orava em línguas. Eu posso dizer isso, com humildade, porque foi o Senhor quem tudo fez. Foi Ele quem tudo fez. Ele apenas me usou para levar a graça do batismo no Espírito Santo para várias pessoas. E desta vitória eu posso me levantar e dizer: “Obrigado, Senhor, porque me deu esta graça! Quero levar às pessoas o batismo no Espírito Santo e os dons do Espírito Santo, e o dom de línguas é a entrada. Eu peço, Senhor, que eu possa levar a muitos lugares esta grande graça. Eu peço aquilo que está no canto de Zacarias. Que eu seja este menino que vá levar a todos os lugares aonde o Senhor quiser: o encontro pessoal Contigo e o batismo no Espírito Santo e todos os dons do Espírito.

É isso que eu quero fazer com você. Talvez você já os tenha recebido e já use os dons do Espírito Santo, e para você que não os recebeu ainda. É graça! Não é o padre Jonas quem os dá, é graça de Deus. Poderia até testemunhar quantas pessoas que os receberam e tiveram suas vidas transformadas.

Oração do batismo no Espírito Santo

Senhor, eu imponho as minhas mãos, especialmente sobre os sacerdotes, mas também sobre os bispos com todo o respeito, porque eles receberam em plenitude os dons do Espírito Santo na ordenação episcopal, mas desta graça, Senhor, que transforma a vida e traz o apostolado, eles precisam também. Então, Senhor, eu peço: derrama o Espírito Santo sobre estes meus irmãos e irmãs para que sejam cheios e repletos! Senhor, assim com Elizeu, eu peço uma porção dobrada do Espírito Santo e que eles tenham a vida transformada. E partir do batismo que eles recebam os dons, e que eles se abram e recebam o dom de línguas e, depois, cada um dos dons a partir da fé carismática: o dom de sabedoria, de discernimento, da palavra de ciência, de curas, da interpretação da línguas, de profecia! Que todos os dons caiam sobre eles, porque como o Senhor disse: “O Espírito do Senhor repousou sobre mim”.

Transcrição e adaptação: Jakeline Megda D’Onofrio.

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Brett Haubrich, é um menino de 11 anos e padece de um tumor cerebral inoperável de terceiro grau. Quando a organização Make-A-Wish, famosa por conceder pedidos a crianças com doenças terminais nos EUA, lhe ofereceu um desejo, Brett não pediu visitar um parque de diversões ou conhecer um artista famosos, o menino fez um pedido inédito: Ser sacerdote ao menos por um dia.

A fundação Make-A-Wish (“Faça um pedido”), conhecida por brindar alegria aos menores de 3 a 17 anos, com graves enfermidades tem um longo histórico de fazer o possível e o impossível para atender os desejos dos pequenos, mas, o pedido de Brett os deixou perplexos.

Quando perguntaram a Brett, o segundo de quatro irmãos, qual era seu desejo, inicialmente não tinha nenhum. Mas quando ao perguntar o que ele queria ser quando crescesse, antes que ser médico ou engenheiro, na lista de Brett estava ser sacerdote.

A mãe do garoto, Eileen, entrevistada pelo St. Louis Review, o jornal da Arquidiocese de St. Louis, recordou que seu filho “não queria nada. Tiveram que seguir perguntando ‘onde você gostaria de ir? quer conhecer alguém? o que quer ser quando crescer?”.

Nesse momento o menino respondeu sem duvidar “o que realmente quero é ser sacerdote”.

A ideia inicial foi que Brett pudesse ajudar na Missa de um sábado pela manhã e para isso contataram o Pe. Nick Smith, mestre de cerimônias da Catedral de St. Louis. Para a alegria da mãe sua resposta foi: “Podemos fazer algo melhor que isso”.

“Por que não fazemos que venha na Quinta-feira Santa? Ele pode ajudar na Missa Crismal”, disse o Pe. Smith. A missa crismal é a ocasião em que os bispos consagram os óleos que serão utilizados nos sacramentos administrados nas suas dioceses e marca de maneira peculiar a reflexão sobre o sacerdócio, pois, em muitos lugares é ocasião para que os padres renovem suas promessas sacerdotais.

Junto ao Pe. Smith, durante a ligação da família de Brett, encontrava-se o Arcebispo de St. Louis, Dom Robert J. Carlson.

“Tudo aconteceu enquanto ele estava do meu lado”, disse o sacerdote, que assegurou que o Arcebispo estava “muito emocionado”.  “Ele estava lançando ideias a torto e à esquerda: ‘façamos isto, façamos o outro’”, mencionou o Pe. Nick.

Brett participou tanto na Missa Crismal como na Missa da Ceia do Senhor, ajudando como coroinha. Além disso, Dom Carlson lavou-lhe os pés junto de outros 11 seminaristas.

O menino almoçou junto com o Arcebispo depois da Missa Crismal e jantou com os seminaristas na residência episcopal antes da Missa do Ceia do Senhor.

Foi o Arcebispo que teve as ideias do jantar junto aos seminaristas e do lavatório de pés.

O Pe. Smith preparou um programa para esse dia e o entregou pessoalmente a Brett, junto com uma carta assinada por Dom Carlson.

Apesar de seu temor de equivocar-se em alguma parte da Missa, o Arcebispo assegurou que Brett “se saiu muito bem”. Para o menino “foi uma experiência realmente genial”.

A mãe de Brett disse não estar surpreendida pelo desejo do menino de ser sacerdote, pois “durante anos ele amou a Missa e foi muito piedoso” . “Ele tem um coração tão bom. É um menino muito carinhoso”, disse sua mãe.

Por sua parte, Brett assinalou: “eu gosto de receber o Corpo e o Sangue” de Cristo.

A equipe de terapia St. Anthony que ajuda à família do Brett criou uma conta no site GoFundMe para compilar recursos para seu tratamento.

Na petição se recordou que embora “a cirurgia não é uma opção neste momento, estamos rezando para que a quimioterapia e a radiação reduzam o tumor”.

ACI

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Em sua primeira exortação apostólica intitulada “Evangelii Gaudium” (O Gozo do Evangelho), o Papa Francisco ressalta que “o sacerdócio reservado aos homens, como sinal de Cristo Esposo que Se entrega na Eucaristia, é uma questão que não se põe em discussão”.

No numeral 104 do capítulo 2, o Santo Padre afirma que “as reivindicações dos legítimos direitos das mulheres, a partir da firme convicção de que homens e mulheres têm a mesma dignidade, colocam à Igreja questões profundas que a desafiam e não se podem iludir superficialmente”.

Seguidamente estabelece que “o sacerdócio reservado aos homens, como sinal de Cristo Esposo que Se entrega na Eucaristia, é uma questão que não se põe em discussão, mas pode tornar-se particularmente controversa se se identifica demasiado a potestade sacramental com o poder”.

“Não se esqueça que, quando falamos da potestade sacerdotal, ‘estamos na esfera da função e não na da dignidade e da santidade’. O sacerdócio ministerial é um dos meios que Jesus utiliza ao serviço do seu povo, mas a grande dignidade vem do Batismo, que é acessível a todos. A configuração do sacerdote com Cristo Cabeça – isto é, como fonte principal da graça – não comporta uma exaltação que o coloque por cima dos demais”.

Na Igreja, explica logo o Papa, “as funções ‘não dão justificação à superioridade de uns sobre os outros’. Com efeito, uma mulher, Maria, é mais importante do que os Bispos. Mesmo quando a função do sacerdócio ministerial é considerada ‘hierárquica’, há que ter bem presente que ‘se ordena integralmente à santidade dos membros do corpo místico de Cristo’”.

Francisco assegura deste modo que “a sua pedra de fecho e o seu fulcro não são o poder entendido como domínio, mas a potestade de administrar o sacramento da Eucaristia; daqui deriva a sua autoridade, que é sempre um serviço ao povo”.

Aqui, prossegue a reflexão, “está um grande desafio para os Pastores e para os teólogos, que poderiam ajudar a reconhecer melhor o que isto implica no que se refere ao possível lugar das mulheres onde se tomam decisões importantes, nos diferentes âmbitos da Igreja”.

Logo depois de meditar sobre a urgência de uma adequada pastoral juvenil, especialmente quando em muitos lugares há uma escassez das vocações, o Papa recorda que é importante selecionar bem os candidatos ao sacerdócio.

“Não se podem encher os seminários com qualquer tipo de motivações, e menos ainda se estas estão relacionadas com insegurança afetiva, busca de formas de poder, glória humana ou bem-estar econômico”, precisa.

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Utilizando caminhões capelas, os padres Germano, Arno e Miguel espalham fé pelo interior do Brasil. Os três sacerdotes da Igreja Católica fazem parte da pastoral rodoviária que surgiu em 1976 e tem ligação com a Congregação da Missão Província do Sul de Curitiba (PR), na região Sul. O projeto começou com o polonês Marian Litewka.

Os veículos são equipados com tudo que é necessário para celebrar uma missa, que é anunciada em autos falantes e por meio do tradicional boca a boca.

“A questão é alguém que escute, que fale, que tem um tempo de atenção, sem precisar pagar. Porque na estrada quase tudo é pago. Então ter um tempo disponível para você poder escutar”, explica padre Arno, em entrevista ao programa televisivo Fantástico, exibida no domingo (22).

A Pastoral espalha a devoção a Nossa Senhora da Estrada. Os números são gigantescos: mais de 2,8 milhões de quilômetros já percorridos. Os padres trabalham nove meses por ano e rodam, em média, 400 quilômetros por dia. Além da improvisação dos lugares, os religiosos fazem adaptação no culto, como a benção das chaves, e espalham proteção aos colegas caminhoneiros.

Abrindo a porta traseira do furgão, surge o altar, as caixas de som, o microfone, os folhetos da celebração, as folhas de cânticos e os demais assessórios preparados para fins religiosos. Os postos de gasolina são importantes espaços para esse trabalho de evangelização.

ACI

Foi ordenado sacerdote na Catedral da Arquidiocese de Chihuahua, no México, em 15 de agosto passado, Enrique Martínez Domínguez, de 71 anos. Ele é viúvo desde 7 de fevereiro de 2011, tem 8 filhos e 18 netos com idades entre 1 e 17 anos.

Quem contou sua história foi o jornal ‘El Heraldo’, de Chihuahua.

Enrique entrou no Seminário Arquidiocesano aos 17 anos, mas por motivos de saúde viu-se obrigado a abandonar os estudos. Após ser operado, trabalhou numa mina de ferro na cidade de Camargo, onde conheceu Guilhermina Rey, com quem casou-se em 1967. Antes de casar-se, ele fez duas tentativas de voltar ao seminário, porém, sem sucesso.

O casal sempre se dedicou ao apostolado, participando de iniciativas de solidariedade, como a construção de um jardim da infância, uma escola primária e uma secundária e de uma clínica, onde construíram uma capela.

Enrique foi ordenado Diácono Permanente em 8 de setembro de 1981, junto com um amigo. Ao perder sua esposa, ele pediu ao Arcebispo para permanecer no diaconato permanente, porém, vários sacerdotes lhe sugeriram que fosse ordenado sacerdote.

“Ordenar um Diácono Permanente como Sacerdote não é o comum, é uma exceção, porque o nosso estatuto diz que o diaconato é até a morte, porém o Bispo pode ordenar alguém excepcionalmente”, explicou Enrique. O Arcebispo Constancio Miranda submeteu o pedido à Santa Sé e obteve a aprovação após 1,5 anos.

“A morte de ‘Guile’ – como era chamada – provocou uma grande mudança na vida de Enrique: “a dor da despedida foi recompensada com esta nova graça por parte de Deus”, acrescentou.

Um dos seus filhos, Marcos, disse que “junto com meus irmãos estamos muito contentes por esta celebração que é a ordenação do nosso papai, entendendo o compromisso da educação que sempre nos proporcionou”.

Os diáconos permanentes podem ser casados ou solteiros. Os casados, ao ficarem viúvos e examinados cada caso em particular, com a permissão de um Bispo, podem ser ordenados presbíteros.

Agência Efe.

Papa Bento XVI lamentou nesta quinta-feira a existência de uma crescente “dependência das opiniões do mundo e da ditadura dos meios de comunicação” e instou a não ceder a estas, em um encontro que aconteceu no Vaticano com párocos e clero da diocese de Roma.

Em uma intervenção improvisada, centrada no capítulo 4 da carta de São Paulo aos Efésios, lamentou que tenha crescido a “dependência das ondas do mundo, das opiniões do mundo, da ditadura dos meios de comunicação, da opinião que todos pensam e querem”.

Pontífice destacou, assim, a necessidade de emancipar-se dessa ditadura, ao mesmo tempo que acentuou a importância da “humildade”.

Bento XVI indicou que “a ausência de humildade destrói a unidade”, segundo informou a Rádio Vaticana.

“A humildade é uma virtude fundamental da unidade e somente deste modo cresce a unidade do Corpo de Cristo: unamo-nos de verdade e recebamos a riqueza e a beleza da unidade”, acrescentou.

Além disso, referiu-se a outro grande problema que a Igreja enfrenta na atualidade, a falta de conhecimento da fé, que o pontífice denominou como “analfabetismo religioso”.

“Com este analfabetismo não podemos crescer, não pode crescer a unidade. Por este motivo, nós mesmos, devemos nos apropriar novamente deste conteúdo como riqueza da unidade e não como um pacote de dogmas e de mandamentos, mas como uma realidade única que se revela em sua profundidade e beleza”, explicou.

Durante o encontro, o Papa abordou ainda o chamado ao sacerdócio e asseverou que “o grande sofrimento da Igreja atual na Europa e no Ocidente é a falta de vocações sacerdotais, mas o Senhor chama sempre, falta apenas ouvir”.

Durante o encontro, Joseph Ratzinger entregou aos párocos o texto intitulado “Escolhido por Deus para os homens”, publicado pela Editora Paulinas e que inclui uma apresentação do cardeal Agostino Valini.

Um texto definido por um cardeal como “uma regra de vida” fruto do Ano Sacerdotal e que o Pontífice ofereceu a todos os sacerdotes romanos para que “cresçam na alegria da vocação comum e na unidade do sacerdócio”.

O Prefeito da Congregação para o Clero no Vaticano, o Cardeal Mauro Piacenza, explicou em entrevista exclusiva concedida ao grupo ACI a “crise” do sacerdócio católico que os meios seculares pretendem apresentar, assim como o que cada presbítero deve viver para ser fiel à sua vocação.

Pelo seu cargo, o Cardeal Piacenza é o principal encarregado na Santa Sé, depois do Papa, de promover iniciativas para a santidade e a formação do clero: sacerdotes diocesanos e diáconos. Também se encarrega da formação religiosa de todos os fiéis, especialmente da catequese. E tem ademais um trabalho menos conhecido de conservar e administrar os bens temporais da Igreja.

O Cardeal Piacenza nasceu no dia 15 de setembro de 1944 em Gênova na Itália. Foi ordenado sacerdote no dia 21 de dezembro de 1969. Tem um doutorado em direito canônico. Foi designado Presidente da Comissão Pontifícia para os Bens Culturais da Igreja em 13 de outubro de 2003 e recebeu a ordenação episcopal no dia 15 de novembro desse mesmo ano.

Foi nomeado secretário da Congregação para o Clero e elevado à dignidade de Arcebispo no dia 7 de maio de 2007. Em seguida foi nomeado Prefeito da mesma Congregação no dia 7 de outubro de 2010 tendo sido criado Cardeal em 20 de novembro desse mesmo ano.

A seguir publicamos na íntegra a entrevista exclusiva concedida  na cidade de Los Angeles (Estados Unidos) onde o Cardeal Piacenza realizou diversas atividades, e entre elas, um encontro com os sacerdotes diocesanos desta diocese, a maior do país norte-americano.

Uma conjunção de fatos e de sobreexposição na imprensa secular criou uma “crise”, por assim dizê-lo, da imagem do sacerdote católico. Como resgatar esta imagem para o bem da Igreja?

Cardeal Piacenza: Na teologia católica, imagem e realidade jamais se separam. A imagem é curada ao curar a interioridade. Devemos curar sobre tudo “por dentro”. Não devemos preocupar-nos muito por “aparentar por fora”, mas por “ser realmente”. É fácil individualizar as regras que movem ao exterior e os conseguintes interesses entrecruzados; nós não devemos jamais esconder-nos, mas, onde seja necessário, devemos reconhecer com humildade e verdade os erros, com a capacidade de reparar, seja humanamente, seja espiritualmente, confiando mais no Senhor que nas nossas pobres forças humanas.

Assim vem o resgate! Se o sacerdote for aquilo que deve ser: homem de Deus, homem do sagrado, homem de oração e, por isso, totalmente ao serviço dos demais homens, da fé deles, do seu bem autêntico e integral, seja espiritual ou material, e do bem da comunidade como tal.

Como fazer que tantos católicos desiludidos que vêem o chamado “escândalo sexual” da Igreja entendam que isto não define em absoluto o sacerdócio ministerial nem a Igreja?

Cardeal Piacenza: É humanamente compreensível, como o Santo Padre referiu na entrevista durante o vôo da sua última viagem apostólica à Alemanha, que alguns possam pensar que não podem reconhecer-se em uma Igreja na qual acontecem certos atos infames. Entretanto, o próprio Papa, naquela ocasião, convidava com claridade a ir ao fundo da natureza da Igreja, que é o Corpo vivente de Cristo ressuscitado, que prolonga no tempo sua existência e ação salvífica.

O horrível pecado de alguns não deslegitima o bom proceder de muitos, nem muda a natureza da Igreja. Certamente debilita enormemente sua credibilidade e, por isso, estamos chamados a obrar incessantemente pela conversão de cada um e por aquela radicalidade evangélica e fidelidade, que sempre devem caracterizar um autêntico Ministro de Cristo. Recordemos que para ser verdadeiramente acreditáveis é necessário crer verdadeiramente.

Alguns acreditam que esta “crise” seja ainda um argumento mais para as “reformas exigidas” sobre o modo de viver o sacerdócio. Fala-se, por exemplo, de sacerdotes casados como uma solução tanto para a solidão dos sacerdotes como para a falta de vocações sacerdotais. O que significa verdadeiramente a “reforma do clero” no pensamento e magistério do Santo Padre Bento XVI?

Cardeal Piacenza: Se aqueles que argumentam isto fossem seguidos, criariam um crack inaudito. Os remédios sugeridos agravariam terrivelmente os males e seguiriam a lógica inversa do Evangelho. Fala-se de solidão? Mas por quê? Acaso Cristo é um fantasma? A Igreja é um cadáver ou está viva? Os Santos sacerdotes dos séculos passados foram homens anormais? A santidade é uma utopia, um assunto para poucos predestinados, ou uma vocação universal, como nos recordou o Concílio Vaticano II?

Não se deve baixar e sim elevar o tom: esse é o caminho. Se a subida for árdua devemos tomar vitaminas, devemos reforçar-nos e, fortemente motivados, sobe-se com muita alegria no coração.

Vocação significa “chamada” e Deus segue chamando, mas é necessário poder escutar e, para escutar, é necessário não ter as orelhas tampadas, é necessário fazer silêncio, é necessário poder ver exemplos e sinais, é necessário olhar a Igreja como o Corpo, no qual ocorre sempre o acontecimento do Encontro com Cristo.

Para ser fiéis é necessário estar apaixonados. Obediência, castidade no celibato, dedicação total no serviço pastoral sem limite de calendário ou de horário, se estamos realmente apaixonados, não são percebidos como constrições, mas como exigências do amor que constitutivamente não poderia não doar-se. Não são tantos “nãos” mas um grande “sim” como aquele da Santa Virgem na Anunciação.

A reforma do clero? É o que eu invoco desde que era seminarista e logo um jovem sacerdote (falo dos anos 1968 -1969) e me enche de alegria escutar como o Santo Padre invoca continuamente tal reforma como uma das mais urgentes e necessárias na Igreja. Mas recordemos que a reforma da qual se fala não é “mundana” e sim católica!

Acredito que, em uma extrema síntese, pode-se dizer que o Papa considera muito importante um clero seguro e humildemente orgulhoso da própria identidade, completamente identificado com o dom de graça recebido e pelo qual, conseguintemente, seja clara a distinção entre “Reino de Deus” e mundo. Um clero não secularizado, que não sucumbe às modas passageiras nem aos costumes do mundo.

Um clero que reconheça, viva e proponha a primazia de Deus e, de tal primazia, saiba fazer descender todas as conseqüências. Mais simplesmente a reforma consiste em ser o que devemos ser e procurar cada dia chegar a ser o que somos. Trata-se então de não confiar tanto nas estruturas, nas programações humanas, mas sim e sobre tudo na força do Espírito.

Fala-se com freqüência também do “sacerdócio feminino”. De fato existe nos Estados Unidos um movimento que pretende e exige o sacerdócio e a ordenação de bispas mulheres, e que afirmam ter recebido tal mandato dos sucessores dos Apóstolos.

Cardeal Piacenza: A Tradição Apostólica, neste sentido, é de uma claridade absolutamente inequívoca. A grande e ininterrupta Tradição eclesiástica sempre reconheceu que a Igreja não recebeu de Cristo o poder de conferir a ordenação às mulheres.

Qualquer outra reivindicação tem o sabor da auto-justificação e é, histórica e dogmaticamente, infundada. Em qualquer sentido, a Igreja não pode “inovar” simplesmente porque não tem o poder para fazê-lo neste caso. A Igreja não tem um poder superior ao de Cristo!

Onde vemos comunidades não católicas guiadas por mulheres, não devemos nos maravilhar porque onde não é reconhecido o sacerdócio ordenado, a guia obviamente é confiada a um fiel leigo e, em tal caso, que diferença existe se esse fiel for homem ou mulher? A preferência de um sobre outro seria só um dado sociológico e portanto mutável, em evolução. Se fossem apenas homens então seria discriminador. A questão não é entre homens e mulheres mas entre fiéis ordenados e fiéis leigos, e a Igreja é hierárquica porque Jesus Cristo a fundou assim.

O Sacerdócio ordenado, próprio da Igreja Católica e das Igrejas Ortodoxas, está reservado aos homens e isto não é discriminação à mulher mas simplesmente conseqüência da insuperável historicidade do evento da Encarnação e da teologia paulina do corpo místico, no qual cada um tem seu próprio papel e se santifica e produz fruto em coerência com o próprio lugar.

Se logo depois tudo isto for interpretado em chave de poder, então estamos completamente fora do caminho, porque na Igreja só a Beata Virgem Maria é “onipotência suplicante”, como nenhum outro o é, pelo qual uma mulher é bastante mais poderosa que São Pedro. Mas Pedro e a Virgem têm papéis diferentes e ambos essenciais. Eu escutei muito isto também em não poucos ambientes da Comunhão anglicana.

Do ponto de vista das cifras e da qualidade, como aparece a Igreja Católica hoje, em comparação com seu passado recente, e como se vê no futuro?

Cardeal Piacenza: Em geral, a Igreja Católica está crescendo no mundo, sobre tudo graças à enorme contribuição dos continentes asiático e africano. Essas jovens Igrejas aportam sua fundamental contribuição em ordem à frescura da fé.

Nas últimas décadas –se me concede a expressão– estivemos jogando rugby com a fé, colidindo, e às vezes machucando-nos muito, e ao final ninguém chegou a lugar nenhum. Houve e há problemas na Igreja, mas é necessário olhar para frente com grande esperança! Nem tanto em nome de um ingênuo ou superficial otimismo, mas em nome da magnífica esperança que é Cristo, concretizada na fé cada um, na santidade de cada um e na perene autêntica reforma da Igreja.

Se o grande evento do Concílio Ecumênico Vaticano II foi um vento do Espírito que entrou pelas janelas da Igreja abertas ao mundo, é necessário reconhecer que, com o Espírito, entrou também não pouco vento mundano, gerou-se uma corrente e as folhas voaram pelos ares. Está tudo, nada se perdeu, entretanto é necessário, com paciência, voltar a pôr ordem.

Ordena-se sobre tudo afirmando com força o primado de Cristo Ressuscitado, presente na Eucaristia. Há uma grande batalha pacífica a ser feita e é a da Adoração eucarística perpétua, para que o mundo inteiro faça parte de uma rede de oração que, unida ao Santo Rosário, vivido como ruminação dos mistérios salvíficos de Cristo, junto a Maria, seja gerado e desenvolvido um movimento de reparação e penetração.

Sonho com um tempo próximo no qual não exista uma só diocese na qual não haja uma igreja ou pelo menos uma capela na qual dia e noite se adore o Amor sacramentado. O Amor deve ser amado! Em cada diocese, e melhor ainda se também em cada cidade e povoado, houvesse mãos elevadas ao céu para implorar uma chuva de misericórdia sobre todos, próximos e longínquos, então tudo mudaria.

Recordam o que acontecia quando Moisés tinha as mãos elevadas e o que acontecia quando as deixava cair? Jesus veio para trazer o fogo e seu desejo é que arda em todo lugar para exista a civilização do amor.

Este é o clima da reforma católica, o clima para a santificação do clero e para o crescimento de santas vocações sacerdotais e religiosas, este é o clima para o crescimento de famílias cristãs verdadeiras igrejas domésticas, eis o clima para a colaboração de fiéis leigos e clérigos.

Sim, porém é preciso acreditar em tudo isto verdadeiramente e nos Estados Unidos sempre houve e ainda há muitos recursos prometedores. Adiante!

Por Genevieve Pollock

Os sacerdotes, em geral, estão entre os membros mais felizes da sociedade, declara o padre Stephen Rossetti, e, contrariamente à opinião laicista, muitos consideram o celibato como um aspecto positivo da vocação. Estas são algumas conclusões destacadas por Rossetti em “Por que os sacerdotes são felizes?” (Ave Maria Press).

O autor, decano associado no seminário e nos programas ministeriais da Universidade Católica da América, também escreveu “Nascimento da Eucaristia”“A alegria do Sacerdócio”, e “Quando o leão ruge”. Psicólogo licenciado, Rossetti foi presidente doInstituto Saint Luke, um centro de tratamento e educação para o clero e os religiosos.

O autor fez uma pesquisa com 2.500 sacerdotes e chegou a conclusões que a sociedade moderna acharia surpreendentes.

Nesta entrevista ele fala da pesquisa e da relação entre a felicidade de um sacerdote e a sua proximidade com Deus e com os outros, além da esperança para o futuro do sacerdócio.

Sua pesquisa diz que os sacerdotes estão entre as pessoas mais felizes do mundo. Por que não ouvimos falar desta felicidade mais vezes?

Pe. Rossetti: Esse constante achado da felicidade nos sacerdotes continua sendo um segredo. Por quê? Primeiro, porque as boas notícias não são notícia. As tragédias e os escândalos enchem as capas, mas caras de sacerdotes felizes não.

Em segundo lugar, porque a secularização da nossa cultura gera uma espécie de negativismo contra a religião organizada. Existe a crença secular de que praticar a fé deve ser algo restritivo e triste. Escutar que os sacerdotes estão entre as pessoas mais felizes é incrível. O fato da felicidade clerical é um desafio poderoso e fundamental para a concepção secular moderna.

Quais são os fatores básicos da felicidade de um sacerdote?

Pe. Rossetti: Eu tive que fazer uma equação de regressão múltipla até encontrar as variáveis mais importantes. A primeira e mais forte foi a variável da “paz interior”. Os que transmitiam uma imagem positiva e uma sensação de paz interior foram os mais felizes entre os sacerdotes. Curiosamente, a minha pesquisa demonstrou que o item mais poderoso da paz interior é a relação pessoal com Deus. A correlação deu uma r=.55, que é uma correlação muito forte em ciências sociais. E de onde vem a paz interior? Quando você tem uma relação sólida com Deus, você tem muita paz interior. Jesus prometeu. “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz”.

Foi muito emocionante para mim ver as verdades do Evangelho dispostas diante dos meus olhos em forma de estatísticas. Só encontramos a paz verdadeira e duradoura em Deus. E claro, também a relação pessoal com Deus foi um indicativo da felicidade. De novo uma correlação importante (r=.53). A nossa vida espiritual é um poderoso contribuinte para a paz interior e para a felicidade pessoal.

Qual é o papel das relações interpessoais, com a família, os amigos, os fiéis, na felicidade de um sacerdote?

Pe. Rossetti: Tem outra equação de regressão múltipla que eu fiz. Perguntei qual era o indicativo mais forte numa relação com Deus, qual variável parecia contribuir mais para uma relação positiva com Deus. A resposta foi clara: ter amigos próximos (a correlação foi de r=.46). Desenvolver uma relação sadia com os outros nos ajuda a nos conectar com Deus. O isolamento provoca infelicidade. Fomos feitos para nos relacionar com os outros. A ampla maioria dos sacerdotes pesquisados, mais de 90%, tem amizades sólidas com outros padres e com leigos. Uma das grandes alegrias e apoios para a vida de um sacerdote é a conexão com os outros.

O conceito laicista de que os sacerdotes são pessoas solitárias, isoladas, não é verdade. A felicidade sacerdotal aumentou nos últimos anos e é provável que ela aumente mais ainda. Só 3,1% dos sacerdotes na pesquisa estava pensando em deixar o sacerdócio. Considerando a enorme pressão contra o sacerdócio na atualidade, e os muitos desafios reais, isto é muito importante.

E o celibato? Como ele se relaciona com a felicidade de um sacerdote?

Pe. Rossetti: Também foi interessante. Os sacerdotes chamados por Deus a viver uma vida célibe, apesar das dificuldades, parecem ser homens felizes. A correlação entre essa visão positiva do celibato e a felicidade sacerdotal foi r=.47. Mais de 75% dos sacerdotes consideram o celibato uma parte positiva da vida deles. Prevemos que essa porcentagem vai aumentar no futuro, já que são os sacerdotes jovens que defendem com mais energia o celibato. Ao contrário da mentalidade laicista, o apoio ao celibato sacerdotal aumentará no futuro nos sacerdotes dos Estados Unidos. Está desaparecendo esse tema “polêmico” entre os padres no país. Mas este é o desafio.

Uma coisa é aceitar o celibato como uma parte necessária da vida do sacerdote, mas precisa de um profundo nível de espiritualidade para experimentar o celibato como um dom de Deus e uma graça pessoal. Uma profundidade de vida muito concreta. Refletindo nos resultados do estudo, eu me sinto muito inspirado pelo compromisso e pela vitalidade espiritual da vida desses padres. Esta é a verdadeira realidade das conclusões do estudo: os nossos sacerdotes são homens santos e felizes.

Fonte: Zenit

Zenit

O Cardeal Mauro Piacenza (foto) prefeito da Congregação para o Clero, raramente intervém no debate público. Quando o faz, como nesta ocasião, o faz para fechar a porta para o celibato opcional (“mais de 40% dos matrimônios fracassam. Entre os sacerdotes a desistência é de apenas menos de 2%”) ou ao sacerdócio da mulher (“João Paulo IIfechou definitivamente a questão”).

Eminência, com surpreendente periodicidade, há várias décadas, voltam a aparecer no debate público algumas questões eclesiais, sempre as mesmas. A que se deve este fenômeno?

Na história da Igreja sempre houve movimentos “centrífugos” que tendem a “normalizar” a excepcionalidade do Evento Cristo e de seu Corpo vivo na história, que é a Igreja. Uma “Igreja normalizada” perderia toda a sua força profética, não diria mais nada ao homem e ao mundo e, de fato, trairia o Seu Senhor.

A grande diferença da época contemporânea é doutrinal e midiática. Doutrinariamente, pretende-se justificar o pecado, não confiando na misericórdia, mas deixando-se levar por uma perigosa autonomia que tem o sabor do ateísmo prático; do ponto de vista midiático, nas últimas décadas, as fisiológicas “forças centrífugas” recebem a atenção e a inoportuna amplificação dos meios de comunicação que vivem, de certa maneira, de contrastes.

Deve-se considerar a ordenação sacerdotal das mulheres uma “questão doutrinal”?

Certamente, como todos sabem, a questão já foi enfrentada por Paulo VI e pelo beato João Paulo II e este, com a Carta Apostólica Ordinatio Sacerdotalis de 1994, fechou definitivamente a questão.

De fato afirmou: “Para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres, e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”. Alguns, justificando o injustificável, falaram de uma “definitividade relativa” da doutrina até esse momento, mas francamente esta tese é tão pouco comum que carece de qualquer fundamento.

Então, não há lugar para as mulheres na Igreja?

Pelo contrário, as mulheres têm um papel importantíssimo no Corpo eclesial e poderiam ter outro mais evidente ainda. A Igreja foi fundada por Cristo e não podemos determinar, nós seres humanos, seu perfil, portanto a constituição hierárquica está ligada ao Sacerdócio ministerial que está reservado aos homens. Mas, absolutamente nada impede a valorização do gênio feminino em papéis que não estão ligados estreitamente ao exercício da ordem sagrada. Quem impediria, por exemplo, que uma grande economista fosse chefe da Administração da Sé Apostólica? Ou que uma jornalista competente se convertesse na porta-voz da Sala da Imprensa do Vaticano?

Pode-se multiplicar os exemplos em todos os campos não vinculados à ordem sagrada. Há uma infinidade de tarefas nas quais o gênio feminino poderia dar uma grande contribuição! Outra coisa é conceber o serviço como um poder e querer introduzir, como faz o mundo, as “cotas” de tal poder. Considero, além disso, que o menosprezo do grande mistério da maternidade, que se está realizando nesta cultura dominante, tenha um papel muito importante na desorientação geral que existe em relação à mulher. A ideologia do lucro reduziu e instrumentalizou as mulheres, não reconhecendo a maior contribuição que estas, indiscutivelmente, podem dar à sociedade e ao mundo.

A Igreja, além disso, não é um governo político no qual é justo reivindicar uma representação adequada. A Igreja é outra coisa, a Igreja é o Corpo de Cristo e, nela, cada um é membro segundo o que Cristo estabeleceu. Por outro lado, a Igreja não é uma questão de papéis masculinos ou femininos, mas de papéis que implicam, por vontade divina, a ordenação ou não. Tudo o que um fiel leigo pode fazer, também o pode fazer uma fiel leiga. O importante é ter a preparação específica e a idoneidade; o fato de ser homem ou mulher é secundário.

Mas pode haver uma participação real na vida da Igreja sem atribuições de poder efetivo e de responsabilidade?

Quem disse que a participação na Igreja é uma questão de poder? Se fosse assim se cometeria o grande erro de conceber a própria Igreja não como é, divino-humana, mas simplesmente como uma das muitas associações humanas, talvez a maior e mais nobre, por sua história; e deveria ser “administrada” repartindo-se o poder.

Nada mais distante da realidade! A hierarquia da Igreja, além de ser de direta instituição divina, deve ser entendida sempre como um serviço à comunhão. Só um erro, derivado historicamente da experiência das ditaduras, poderia conceber a hierarquia eclesiástica como o exercício de um “poder absoluto”. Que se pergunte a quem é chamado a colaborar com a responsabilidade pessoal do Papa com a Igreja Universal! São tais e tantas as mediações, consultas, expressões de colegialidade real que praticamente nenhum ato de governo é fruto de uma vontade única, mas sempre o resultado de um longo caminho, em escuta do Espírito Santo e da preciosa contribuição de muitos. Acima de tudo dos bispos e das Conferências Episcopais do mundo. A Colegialidade não é um conceito sócio-político, mas deriva da comum eucaristia, do affectus que nasce do alimentar-se do único Pão e do viver da única fé; do estar unidos a Cristo Caminho, Verdade e Vida; e Cristo é o mesmo ontem, hoje e sempre!

O poder que Roma ostenta não é muito grande?

Dizer “Roma” significa simplesmente dizer “catolicidade” e “colegialidade”. Roma é a cidade que a providência escolheu como lugar do Martírio dos Apóstolos Pedro e Paulo e o que a comunhão com esta Igreja significou sempre na história: comunhão com a Igreja universal, unidade, missão e certeza doutrinal. Roma está a serviço de todas as Igrejas, ama todas as Igrejas e, não poucas vezes, protege as Igrejas que estão em dificuldades pelos poderes do mundo e por governos que nem sempre são plenamente respeitosos com o imprescindível direito humano e natural que é a liberdade religiosa.

A Igreja deve ser considerada a partir da Constituição Dogmática Lumen Gentium doConcílio Vaticano II, incluída obviamente a Nota Prévia ao Documento. Ali está descrita a Igreja das origens, a Igreja dos Padres, a Igreja de todos os séculos, que é a nossa Igreja de hoje, sem descontinuidade; que é a Igreja de Cristo. Roma é chamada a presidir na Caridade e na Verdade, únicas fontes reais da autêntica Paz cristã. A unidade da Igreja não é o compromisso com o mundo e sua mentalidade, mas o resultado, dado por Cristo, da nossa fidelidade à verdade e da caridade que seremos capazes de viver.

Me parece sugestivo, a este respeito, o fato de que hoje só a Igreja, como ninguém mais, defende o homem e sua razão, sua capacidade de conhecer a realidade e entrar em relação com isto, em resumo, o homem em sua integralidade. Roma está ao pleno serviço da Igreja de Deus que está no mundo e que é “uma janela aberta” ao mundo. Janela que dá voz a todos aqueles que não a tem, que chama a todos a uma contínua conversão e por isto contribui – muitas vezes no silêncio e com sofrimento, pagando por sua parte, às vezes em impopularidade – para a construção de um mundo melhor, para a civilização do amor.

Esse papel de Roma não cria problemas para a unidade e o ecumenismo?

Nem sequer o que se pressupõe. O ecumenismo é uma prioridade na vida da Igreja e uma exigência absoluta que provém da oração do Senhor: “Ut unum sint”, que se converte para todo cristão em um “mandamento da unidade”. Na oração sincera e no espírito de contínua conversão interior, na fidelidade à própria identidade e na comum tensão da perfeita caridade dada por Deus, é necessário comprometer-se com convicção para que não haja contratempos no caminho do movimento ecumênico.

O mundo precisa da nossa unidade e, portanto, é urgente continuar comprometendo-se com o diálogo da fé com todos os irmãos cristãos, para que Cristo seja o fermento da nossa sociedade. Também é urgente se comprometer com os não-cristãos, ou seja, no diálogo intercultural para contribuir unidos na edificação de um mundo melhor, colaborando com as obras do bem e para que uma sociedade mais humana se torne possível. Roma, também nessa tarefa, tem um papel de motivação única. Não temos tempo para divisões; o tempo e as energias devem ser empregados para nos unir.

Nessa Igreja, quem são e que papel têm hoje os sacerdotes?

Não são nem assistentes sociais, nem funcionários de Deus! A crise de identidade é majoritariamente aguda nos contextos mais secularizados, ali onde parece que não há lugar para Deus. Os sacerdotes, entretanto, são os de sempre, são os de sempre, são o que Cristo quis que fossem! A identidade sacerdotal é cristocêntrica e, portanto, eucarística. Cristocêntrica porque, como recordou tantas vezes o Santo Padre, no sacerdócio ministerial “Cristo nos atrai para dentro de Si”, implicando-se conosco e implicando-nos na sua própria Existência. Esta atração “real” acontece sacramentalmente, portanto, de maneira objetiva e insuperável, na Eucaristia da qual os sacerdotes são ministros, ou seja, servos e instrumentos eficazes.

A lei sobre o celibato é tão insuperável? Não se pode mesmo mudá-la?

Não se trata de uma simples lei! A lei é consequência de uma grande realidade que se toma só na relação vital com Cristo. Jesus disse: “quem puder entender, entenda”. O sagrado celibato não se supera nunca, é sempre novo, no sentido de que através dele, a vida do sacerdote se “renova”, porque se dá sempre em uma fidelidade que tem em Deus, sua própria raiz e no florescer da liberdade humana, o próprio fruto.

O verdadeiro drama está na incapacidade contemporânea de realizar as escolhas definitivas, na dramática redução da liberdade humana que se transformou em algo tão frágil que não persegue o bem nem quando se reconhece ou se intui como possibilidade para a própria existência. O celibato não é o problema, nem podem constituir, as infidelidades e debilidades de sacerdotes, um critério de juízo.

Além disso, as estatísticas nos dizem que mais de 40% dos matrimônios fracassam. Entre os sacerdotes a desistência é de menos de 2%, portanto, a solução não está na opcionalidade do sagrado celibato. Não será, quem sabe, que se deva deixar de interpretar a liberdade como “ausência de vínculos” e de definitividade, e iniciar a redescoberta de que na definitividade a doação ao outro e a Deus consiste na verdadeira realização e felicidade humana?

E as vocações? Não aumentariam caso se abolisse o celibato?

Não! As confissões cristãs, onde não existindo o sacerdócio ordenado não existe a doutrina e a disciplina do celibato, encontram-se em um estado de profunda crise em relação às “vocações” de guia da comunidade. Da mesma maneira que há crise do sacramento do matrimônio uno e indissolúvel.

A crise da qual se está saindo lentamente, na realidade, está ligada fundamentalmente à crise da fé no Ocidente. É preciso se comprometer com o crescimento da fé. Esse é o ponto. Nos mesmos ambientes está em crise a santificação da festa, está em crise a confissão, está em crise o matrimônio, etc. A secularização e a consequente perda do sentido do sagrado, da fé e de sua prática, determinaram e determinam também uma importante redução do número de candidatos ao sacerdócio.

A estas razões teológicas e eclesiais, se acrescentam algumas de caráter sociológico: a primeira de todas foi a notável diminuição da natalidade, com a conseguente diminuição de jovens vocacionados. Também este é um fator que não se pode ignorar. Tudo está relacionado. Talvez se coloca premissas e depois não se quer aceitar as consequências, mas estas são inevitáveis.

O primeiro e irrenunciável remédio para a diminuição das vocações foi sugerido pelo próprio Jesus: “Rezem ao dono da messe para que mande mais operários à sua messe” (Mt 9, 38). Este é o realismo da pastoral vocacional. A oração pelas vocações, uma intensa, universal, ampla rede de oração e Adoração Eucarística que implique todo o mundo, é a verdadeira e única resposta possível à crise da falta de vocações. Ali onde o comportamento orante é vivido de forma permanente, pode-se afirmar que se leva a cabo uma real recuperação.

É fundamental, além disso, atender à identidade e à especificidade na vida eclesial, de sacerdotes, religiosos – estes na peculiaridade dos carismas fundacionais dos próprios Institutos de pertença – e fiéis laicos, para que cada um possa, verdadeiramente e em liberdade, compreender e acolher a vocação que Deus pensou para ele. Mas, cada um deve ser autêntico e deve diariamente se comprometer para se converter no que é.

Eminência, nesse momento histórico, se fosse dizer uma palavra para resumir a situação geral, o que diria?

Nosso programa não pode ser influenciado por querer estar acima de qualquer custo, por querermos ser aplaudidos pela opinião pública. Nós devemos servir apenas por amor e com amor o nosso Deus no nosso próximo, quem quer que seja, consciente de que o Salvador é só Jesus. Nós devemos deixar que ele passe, que fale, que aja através das nossas pobres pessoas e do nosso compromisso cotidiano. Nós devemos colocar o “nosso, mas também o “dele”. Nós, diante das situações aparentemente mais dramáticas, não devemos nos assustar. O Senhor, na barca de Pedro, parece que dormia, parece. Devemos agir com energia, como se tudo dependesse de nós, mas com a paz de quem sabe que tudo depende do Senhor.

Portanto, devemos recordar que o nome do amor, no tempo é “fidelidade”! O crente sabe que Ele é o Caminho, a Verdade e a Vida e não é “um” caminho, “uma” verdade, “uma” vida. Portanto, a coragem da verdade às custas de receber insultos e desprezos é a chave da missão em nossa sociedade; é esta coragem que se une com o amor, com a caridade pastoral que deve ser recuperada e que torna fascinante hoje mais do que nunca a vocação cristã. Queria citar o programa que sinteticamente formulou em Stuttgart o Conselho da Igreja Evangélica em 1945: “Anunciar com mais coragem, rezar com mais confiança, crer com mais alegria, amar com mais paixão”.