Mais do que nunca católicos têm deixado a Igreja – mais do que em qualquer outra religião – e um novo estudo publicado esta semana tenta ajudar desvendar por que razão tantos jovens adultos saem tão cedo do catolicismo.

O relatório intitulado “Going, Going, Gone: The Dynamics of Disaffiliation in Young Catholics”, publicado pela Saint Mary’s Press, editora de Minnesota, EUA, em colaboração com o Centro de Pesquisa Aplicada no Apostolado (Center for Applied Research in the Apostolate – CARA), da Universidade de Georgetown, vem num momento em que o Papa Francisco tenta centrar a atenção da Igreja sobre as necessidades dos jovens adultos.

Embora as respostas dos aproximadamente 1.500 jovens pesquisados neste estudo não sejam definitivas nem conclusivas, elas provavelmente servirão como um instrumento útil na dianteira da próxima Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema: os jovens, a fé e o discernimento vocacional, evento convocado pelo Papa Francisco a se realizar em outubro deste ano em Roma.

Como Francisco escreveu no documento preparatório para o Sínodo, “Através dos jovens, a Igreja poderá ouvir a voz do Senhor que ressoa inclusive nos dias de hoje”.

Se este for o caso, então há muito a se ouvir e aprender com este novo relatório qualitativo.

Conforme observa o estudo, a população católica dos EUA cresceu junto com a população geral do país nos últimos anos. Mais do que nunca, no entanto, católicos têm deixado a Igreja, num índice maior do que qualquer outra denominação cristã.

“De todas as grandes denominações, o catolicismo tem visto as maiores perdas líquidas como consequência das mudanças de afiliação, apesar de estas perdas estarem sendo compensadas grandemente com a imigração hispânica aos Estados Unidos”, escrevem os autores.

Dados de 2015 do Centro de Pesquisas Pew revelam que o número de americanos que não mais estão religiosamente afiliados aumentou de 16,1% em 2007 para 22,8%, uma estimativa de 19 milhões de americanos. Geralmente esta população recebe o nome de “os sem religião”, grupo que compõe aproximadamente 56 milhões de pessoas no país.

Com base na amostra envolvida no estudo, os autores estimam que “aproximadamente 12,8% dos jovens adultos americanos entre 18 e 25 anos são ex-católicos, e que aproximadamente 6,8% dos adolescentes dos EUA entre 15 e 17 anos são ex-católicos”.

Uma parcela equivalente a 74% da população envolvida no estudo disse que deixou o catolicismo entre os 10 e 20 anos.

Embora as respostas individuais variem, “a desafiliaçao da Igreja é, em grande parte, uma escolha pensada, consciente e intencional feita pelos jovens em uma sociedade secularizada onde a fé e a prática religiosa são vistas como uma opção entre muitas”, lê-se no texto publicado.

Na tentativa de entender por que razão católicos jovens deixam a Igreja, os pesquisadores categorizaram as respostas em três grandes grupos: os machucados, os flutuadores e os dissidentes.

Para os jovens machucados, a experiência, seja com a própria família, seja com a própria Igreja, muitas vezes leva a um conflito religioso que os conduz a se separar dela.

No âmbito das experiências nesta categoria estão o divórcio, a doença e a morte. Os autores observam que, embora a religião frequentemente seja considerada uma fonte de esperança e sustentação nestas circunstâncias, este pode também ser um período em que os laços com a Igreja são cortados.

Os flutuadores, no entanto, deixam a Igreja devido a uma desconexão lenta entre aquilo que descrevem como “regras e rituais sem sentido” da Igreja versus aquilo que vivenciam no “mundo real”. Para muitos dentro desta população, o exemplo dos pais é igualmente essencial.

“Os jovens irão inconscientemente absorver as atitudes dos pais”, escrevem os autores.

Se os flutuadores demonstram uma atitude para com a Igreja como aquela de quem diz

“E daí?”, os dissidentes são conhecidos por uma resistência mais ativa a certos ensinamentos católicos. Embora a oposição a questões nevrálgicas – como o ‘casamento’ gay, o uso de métodos contraceptivos e o aborto – seja o mais comum, muitas vezes o desacordo deste grupo tem a ver com temas mais fundamentais de doutrina, tais como a salvação, o céu e o inferno.

De acordo com os resultados trazidos no relatório, 35% dos respondentes não têm mais nenhuma forma de afiliação religiosa, 29% se identificam com uma afiliação cristã não protestante, 14% se identificam como ateus ou agnósticos e 9% como protestantes.

Entre as várias dinâmicas de desfiliação, os autores identificaram as seis causas originárias principais: um evento ou uma série de eventos que levaram à dúvida; o aumento da secularização cultural; um novo sentido de liberdade após abandonar a crença religiosa; uma rejeição de uma religião que eles creem foi lhes passada forçosamente; a convicção de que é possível viver uma vida ética sem religião; e uma disposição a reavaliar a sua religiosidade caso sejam presenteados com argumentos ou provas racionais.

John Vitek, presidente e CEO da St. Mary’s Press e um dos principais autores do relatório, disse que a principal finalidade do estudo foi apresentar um fórum em que os jovens pudessem trazer suas histórias “em suas próprias palavras, sem censuras ou filtros”.

Segundo os autores, o estudo deverá fazer com que as lideranças pastorais reflitam sobre duas questões principais em consideração da juventude que têm deixado a Igreja:“Sabemos quem eles são – a profundidade de suas histórias – nós os conhecemos pelo nome?” e “Sentimos, hoje, a falta dessas pessoas, agora que elas foram embora?”

De fato, levantar questões para consideração e fornecer uma plataforma para as vozes dos jovens que deixaram o catolicismo constituem o uso duplo deste estudo: um tópico de debate que será central não só para a Igreja nos Estados Unidos, mas para a Igreja Católica como um todo – e não somente para este ano, mas para o futuro mais adiante.

Christopher White, publicada por Crux, 17-01-2018.

Em alguns países do mundo, as pessoas já podem ser identificadas como intersexuais ou ter o gênero indefinido em suas certidões de nascimento, o que é chamado de terceiro gênero. Além do sexo feminino e masculino, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Nepal e Índia, por exemplo, já aprovaram leis que garantem que as pessoas podem escolher a opção “outro”, “X”, entre algumas variações.

Mas se nos registros a questão pode ser resolvida de forma aparentemente simples, quando o assunto é esporte há mais dúvidas do que respostas e o debate precisa ir além de preconceito e inclusão.

A discussão chegou com mais força nas últimas semanas por causa da jogadora Tifanny, maior destaque da Superliga feminina de vôlei. Antes do processo de transição de gênero, que incluiu diminuição dos níveis de testosterona e cirurgia de mudança de sexo, Tifanny ainda atuava, sem expressividade, como Rodrigo em times de segunda divisão. Hoje é a maior pontuadora do campeonato brasileiro e foi cogitada para a seleção.

Nem durante a Rio-2016 falou-se tanto no assunto, apesar de o COI (Comitê Olímpico Internacional) ter definidas regras para a participação de transgêneros na competição. Sabe-se que delegações como a da Grã-Bretanha tinham atletas trans, sem que isso fosse divulgado. Houve também certa polêmica em relação à medalhista de ouro nos 800 metros, a sul-africana Caster Semenya, que já teve que provar que era mulher, por ter os níveis de testosterona muito altos. Na imprensa internacional há reportagens sobre Semenya ser, na verdade, transexual.  

É uma discussão necessária. Homens e mulheres competem em categorias específicas por uma questão simples: fisiologia. Mulheres têm desempenho melhor nos esportes em que a flexibilidade faz a diferença, enquanto homens têm rendimento superior em modalidades que exigem capacidade aeróbica, cardíaca e muscular.

Não é justo que sejam colocados para competir de igual para igual. Portanto, não é à toa que a presença de Tifanny tenha causado mal-estar entre as atletas adversárias. O assunto virou tabu porque ninguém quer se pronunciar para não parecer preconceituoso, mas o fato é que muitas se sentem em desvantagem.

Na semana que vem, como mostrou reportagem da Folha, a FIVB (Federação Internacional de Vôlei) vai se reunir para discutir a presença de trans no esporte. Fala-se em ter um controle mais rígido e na diminuição dos níveis de testosterona no sangue permitidos para que atletas sejam liberados.

Não é tão simples. Pelas regras do COI, o controle da testosterona só precisa ser aferido em dois exames durante os últimos 12 meses antes da liberação. Alguns estudos apontam que o organismo pode demorar anos e anos para sentir os efeitos da perda hormonal.

Ou seja, o corpo masculino esculpido duas décadas ou mais não muda suas características de uma hora para outra apenas por causa da queda desse combustível. Capacidade muscular e pulmonar, ossos mais fortes, continuam ali e podem fazer diferença brutal no desempenho, ainda mais se comparado ao corpo feminino. Fisiologia.

É difícil saber como o COI vai lidar com os novos tempos. Mas talvez na próxima Olimpíada não seja tão simples separar homens e mulheres em duas categorias. Ou a entidade define limites mais rígidos em relação à transição sexual (idade limite seria um deles? Não sei) ou talvez precise pensar em criar a categoria X para adequar a competição ao século 21

Autora do artigo: Mariliz Pereira Jorge

O governo autônomo da região da Andaluzia (Espanha) publicou de maneira oficial a “Lei para garantir os direitos, a igualdade de trato e não discriminação das pessoas LGTB e seus familiares na Andaluzia”.

Com esta lei, obrigarão os meios de comunicação e centros escolares, incluindo os colégios católicos, a aceitar a ideologia de gênero e penalizarão com multas de 6 mil a 120 mil euros o descumprimento dos aspectos desta lei.

Segundo precisa a lei, “a diversidade sexogenérica é uma realidade patente que está transformando a grande velocidade as formas e tradições de entender as sexualidades, as identidades e os direitos que tem aparelhados”.

Por isso, asseguram que “esta transformação está alcançando uma veloz e progressiva aceitação e reconhecimento social, o que obriga as instituições a regular esta nova realidade”.

No Boletim Oficial da Junta de Andaluzia afirma-se que esta nova lei adotará “as medidas necessárias para transformar os conteúdos educativos que impliquem discriminação ou violência física ou psicológica apoiadas na orientação sexual” tanto no âmbito do ensino privado, público e semi-público.

A maior parte das escolas semi-públicas, quer dizer, financiadas com recursos públicos e contribuições econômicas dos pais dos alunos, são centros católicos.

Meios de comunicação também serão penalizados

Em relação aos meios de comunicação, aqueles que forem de titularidade autônoma ou recebam ajudas ou subvenções públicas “deverão fomentar a conscientização, divulgação e transmissão da inclusão social e o respeito à diversidade sexual e identidade de gênero, emitindo conteúdos que contribuam a uma percepção das pessoas LGTBI isenta de estereótipos”.

Entre as infrações graves para os meios de comunicação também incluiriam a promoção, difusão ou execução “por qualquer meio de qualquer tipo de terapia para modificar a orientação sexual e a identidade de gênero a fim de ajustá-la a um patrão heterossexual e/ou bissexual”.

De igual maneira, os meios de comunicação deverão “fomentar a conscientização, divulgação e transmissão da inclusão social e o respeito da diversidade sexual e identidade de gênero”.

Para controlá-lo, a Comunidade Autônoma de Andaluzia adotará uma autorregulação através de códigos deontológicos que incorporarão o respeito à igualdade. 

Também estarão penalizados o uso e a emissão de maneira reiterada de expressões vexatórias por razão de orientação sexual, identidade sexual ou expressão de gênero ou que incitem à violência contra as pessoas LGTBI ou suas famílias, na prestação de serviços públicos em qualquer meio de comunicação, em discursos ou intervenções públicas ou através das redes sociais.

ACI

O Arcebispo de Braga, Portugal, Dom Jorge Ortiga, apresentou na quarta-feira, 17 de janeiro, um serviço de acompanhamento de divorciados em segunda união, a fim de ajudá-los em processos de nulidade ou, na impossibilidade destes, promover uma maior integração destes casais na vida eclesial, ressaltando que não se está oferecendo a estas famílias uma “autorização geral” para voltar a receber aos sacramentos.

“A primeira ajuda a oferecer aos fiéis divorciados que vivem em nova união é o disponibilizar de um serviço de informação e aconselhamento para averiguar a existência de algum fundamento que possa introduzir a causa de declaração de nulidade do matrimônio no Tribunal Eclesiástico”, afirmou o Arcebispo Primaz, Dom Jorge Ortiga em coletiva de imprensa.

O Prelado acrescentou que, “aos que não podem obter a declaração de nulidade mas querem viver a fé cristã numa boa relação com Deus e com a Igreja, é proposto um ‘itinerário de responsável discernimento pessoal e pastoral’, com o objetivo de uma maior integração”, com base no capítulo VIII da exortação apostólica Amoris Laetitia, intitulado “Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade”.

As indicações a respeito desse novo serviço de acompanhamento das famílias está na Carta Pastoral “Construir a Casa sobre a Rocha”, documento que “procura apenas sublinhar resumidamente algumas orientações para esta renovação pastoral, nomeadamente no que respeita à preparação para o matrimônio, ao acompanhamento de casais jovens e à integração eclesial dos divorciados que vivem em nova união”, como resumido em sua introdução.

Segundo Dom Jorge Ortiga, o “Serviço Arquidiocese de Acolhimento e Apoio à Família” pretende “disponibilizar um acompanhamento integral e multidisciplinar” dos desafios e problemas que as famílias enfrentam, “com seriedade e sempre de forma fiel à doutrina da Igreja”.

Nesse sentido, o novo serviço tratará de diversas questões como a violência doméstica, dependências, vida matrimonial e sexual, questões de foro espiritual, além da situação dos divorciados recasados. Conta ainda com uma “equipe estável”, composta por uma jurista em Direito Canônico e Civil, um psicólogo, um psiquiatra, uma médica de Medicina Geral e Familiar e três sacerdotes jesuítas.

Em relação aos divorciados recasados, além de apresentar “critérios de orientação pastoral para a aplicação do capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris Laetitia”, o documento apresenta ainda um anexo com “Proposta de elementos práticos para um processo de acompanhamento, discernimento e integração de pessoas divorciadas em nova união civil”.

Ao ressaltar que “a primeira ajuda” a oferecer a esses casais em nova união é averiguar a possibilidade de “introduzir a causa de declaração de nulidade”, o Arcebispo explicou que pretendem “agilizar o acesso ao Tribunal eliminando, entre outros aspectos, a ideia de que é um processo demasiado longo e caro”.

Entretanto, para os casos em que o processo de nulidade não seja uma opção, a Arquidiocese passa a oferecer um serviço que, conforme explica, envolve a oração, o acompanhamento de um diretor espiritual, exercícios e atividades várias em um itinerário que visa a “procura da vontade de Deus” e pode levar vários meses, podendo resultar em diferentes respostas.

“Os casais têm de estar prontos, por exemplo, para aceitar que não existem respostas pré-concebidas nem metas previamente definidas. Se assim não fosse, nada haveria a discernir”, afirmou o Arcebispo na coletiva de imprensa.

Sobre a possibilidade de o casal ter acesso aos sacramentos, nomeadamente à reconciliação e à comunhão, a Arquidiocese ressalta que isto “não está previamente garantido e que dependerá de várias etapas”.

O Prelado ressaltou ainda que o documento não deve ser visto como uma “autorização geral” para o acesso aos sacramentos por parte de divorciados em nova união e que o processo de discernimento pode culminar em outras formas de integração na vida da Igreja.

Como exemplos, citou uma “maior presença na comunidade, participação em grupos de oração ou reflexão ou compromisso nos diversos serviços eclesiais”.

“Este itinerário de discernimento, feito de oração, revisão de vida e abertura à vontade de Deus, tem um propósito: valorizar a importância da consciência pessoal na vida dos cristãos e da Igreja”, indicou.

Em resumo, o Arcebispo de Braga declarou que, “neste ministério do discernimento, deve evitar-se cair em dois extremos: o rigorismo e o laxismo”.

De acordo com o Prelado, este é um tema acerca do qual “todos os bisposestão sensíveis”. Além disso, ao admitir “uma resposta a nível nacional, de todos”, referiu que cada Bispo na sua Diocese está orientando este serviço “como melhor entender”.

Fonte original: ACI

Dom Jorge Ortiga durante apresentação do serviço de acompanhamento das famílias / Foto: Arquidiocese de Braga

A Conferência Episcopal da Bolívia (CEB) criticou o novo Código do Sistema Penal do país e pediu sua revogação, pois é “um código feito à medida dos interesses do poder e não dos do povo” e fere o direito à vida e à liberdade religiosa.

A nova versão do Código, alertam os bispos, “atenta contra direitos humanos e cidadãos fundamentais, é intencionalmente ambíguo na formulação com a qual se cria insegurança jurídica e significaria um retrocesso dos valores democráticos conquistados pela sociedade boliviana”.

Por estas razões, pediram aos legisladores que “se tenha a sabedoria de anulá-lo e se inicie um debate amplo, franco e transparente com todos os setores envolvidos, sem cair uma vez mais na costumeira e fácil acusação de tramas de conspiração e desestabilização contra o Governo”.

A CEB enumerou alguns dos artigos que rechaça, como o 157 que estabelece que o aborto poderá ser realizado até a oitava semana de gestação sempre que houver consentimento da mulher grávida, e também não constituirá infração penal se a mãe for criança ou adolescente.

Criticaram também a anulação dos delitos de bigamia e abandono da mulher grávida, já que se “deixa desprotegida a família”; e o artigo 107 que despenaliza o microtráfico de droga.

Os bispos também denunciaram que o novo Código do Sistema Penal “implementa o delito do recrutamento com fins religiosos realizado por instâncias religiosas, cuja ambiguidade manifesta atenta claramente contra a liberdade religiosa no artigo 88.I.11”. Este artigo é particularmente polêmico, pois dá margem a interpretar como crime as atividades evangelizadoras da Igreja.

“A lista de artigos questionáveis poderia ser muito mais longa”, continua o comunicado, “mas os exemplos citados servem para qualificá-lo como um código feito à medida dos interesses do poder e não dos do povo”.

Para a Conferência Episcopal da Bolívia essas “imposições unilaterais ameaçam a convivência pacífica”, razão pela qual pedem, “no espírito de verdadeira democracia participativa e em consideração da grande importância que reveste o Código do Sistema Penal, tenha-se a sabedoria de anulá-lo”.

“O ano novo que acaba de iniciar está em nossas mãos, não o tornemos um ano de conflitos e de luto, sejamos operadores de paz sobre os alicerces da justiça, da liberdade e da verdade”, conclui o comunicado.

Fonte: ACI

Depois do pequeno acidente na Colômbia, que lhe custou uma ferida no olho e na bochecha esquerda, e do de Dhaka, Bangladesh, onde um poste de luz quase caiu sobre ele, mais uma desventura ocorreu com o Papa Francisco no papamóvel, desta vez no Chile.

Enquanto passava a bordo do carro descoberto entre as dezenas de milhares de fiéis pelas ruas do Parque O’Higgins, em Santiago do Chile, onde celebrou a sua primeira missa em terras chilenas, o pontífice foi atingido na cabeça por um jornal jogado por alguém presente na grande multidão.

Francisco, que nunca parou de sorrir, simplesmente se virou, olhando para seus pés para ver do que se tratava.

Nada de grave, mas os homens de segurança logo levantaram o nível de guarda, considerando-se também os protestos que acompanharam esse primeiro dia da viagem do papa ao país sul-americano.

Um grupo de manifestantes queria se aproximar justamente do Parque O’Higgins e foi disperso pelas unidades antimotim da polícia chilena, com alguns confrontos isolados.

O vídeo do jornal jogado contra o papa, enquanto isso, viralizou na web.

Vatican Insider via IHU

Qual é a idade certa para casar? Hoje, no mundo, existem mais de 700 milhões de mulheres que se casam em idade juvenil. Tanto é assim que a cada ano, embora seja considerada uma violação dos direitos humanos, 15 milhões de casamentos têm como protagonista uma menor de idade e um em cada três casos (5 milhões) envolve meninas com menos de 15 anos que se tornam noivas-crianças de pessoas que têm o dobro, o triplo ou mesmo quatro vezes mais que a sua idade. Homens que as compram por algum dinheiro ou acordos entre adultos e as arrancam à força da infância. Se o número de noivas-crianças no mundo continuar a crescer no ritmo atual, lança o alarme a associação Save the Children, em 2030 teremos 950 milhões de mulheres casadas em idade extremamente jovem, e 1,2 bilhões em 2050.

A pobreza, as guerras e as crises humanitárias ajudam a abastecer o fenômeno: nos últimos meses as rações alimentares tornaram-se um fator determinante na decisão das famílias para dar em casamento seus filhos o mais cedo possível nos campos de refugiados Rohingya em Bangladesh. Mesmo um único pedaço de pão a mais impele os pais a vender suas filhas de 11 anos.

Mas é a Índia o país que ocupa o topo desse ranking assustador: 47% das meninas, mais de 24,5 milhões, casam-se antes de ter atingido os 18 anos. Somente em outubro passado, a Suprema Corte derrubou uma lei de 77 anos atrás, estabelecendo que a relação sexual entre um homem e uma mulher menor de 18 anos deve ser sempre considerada como estupro.

Sem qualquer proteção ainda continuam as jovens da Nigéria: as mulheres casadas entre 15 e 19 anos são cerca de 60%. Depois vem a República Centro-Africana (55%), o Bangladesh (44%) e o Sudão do Sul (40%).

Na Europa, o fenômeno afeta uma menina em 10, enquanto na Itália o número sobre para 1,5%. Sob pressão da comunidade internacional, que está empenhada em por um fim à prática dos casamentos precoces até 2030, entre 2015 e 2017 são 9 países (Chade, Costa Rica, Equador, Guatemala, Malaui, México, Nepal, Panamá, Zimbábue) que melhoraram as regulamentações sobre a idade mínima do casamento. “As leis – explica Save the Children – são o primeiro passo necessário para proteger as meninas da prática do casamento precoce, mas são necessárias medidas adicionais para evitar que este fenômeno continua a ser perpetrado”.

A referência é dirigida à Turquia, onde é proibido se casar antes da idade de 17, mas a praga das noivas-crianças não para: as estimativas falam de 181 mil noivas menores de 16 anos nos últimos três anos. A oposição vem da Diyanet (Direção dos Assuntos Religiosos, a mais alta autoridade muçulmana no país), que nos últimos dias publicou um preceito em seu site: “O casamento evita o adultério e pode ser contratado assim que se entra na idade da puberdade”. Em poucas horas, a comunidade internacional exigiu sua revogação fazendo pressão sobre o presidente Erdogan, que em novembro passado já havia apresentado trâmite o AKP (seu partido) um projeto de lei, mais tarde retirado, que teria autorizado os casamentos antes dos 16 anos.

Fonte: Il Fatto Quotidiano  via IHU

O Dr. Thomas Woods, PhD em História pela Universidade de Harvard nos EUA, disse em um dos seus livros que:

“Bem mais do que o povo hoje tem consciência, a Igreja Católica moldou o tipo de civilização em que vivemos e o tipo de pessoas que somos. Embora os livros textos típicos das faculdades não digam isto, a Igreja Católica foi a indispensável construtora da Civilização Ocidental. A Igreja Católica não só eliminou os costumes repugnantes do mundo antigo, como o infanticídio e os combates de gladiadores, mas, depois da queda de Roma, ela restaurou e construiu a civilização”. [Woods, 2005, pg. 7]

Um dos pontos mais importantes da atuação da Igreja na Idade média cristã, foi no campo da Ciência. Sem a Igreja não haveria a beleza da arquitetura, da música, da arte sacra, das universidades, dos castelos, do direito, da economia, etc.

No séc. VI São Cesário de Arles já expunha no Concílio de Vaison (529) a necessidade imperiosa de criar escolas no campo; e os bispos se dedicaram a isto. Da mesma forma foi a Igreja que montou para Carlos Magno (†814) a sua política escolar; e retomou a tarefa educadora no séc. X após o fim do seu Império.

O III Concílio de Latrão (1179), em Roma, presidido pelo Papa Alexandre III (1159-1181), ordenou ao clero que abrisse escolas por toda a parte para as crianças, gratuitamente. Obrigou a todas as dioceses terem ao menos uma. Essas escolas foram as sementes das Universidades que logo surgiam: Sorbone (Paris), Bolonha (Itália), Canterbury (Inglaterra), Toledo e Salamanca (Espanha), Salerno, La Sapienza, Raviera na Itália; Coimbra em Portugal.

No séc. XII havia só na França 70 abadias com escolas. Todos os grandes bispos também quiseram ter escolas; na França, no séc. XII havia mais de 50 escolas episcopais. Dos sete aos vinte anos as crianças e os jovens eram recebidos nessas escolas sem distinção de classes. Havia escolas só para meninas e moças. As disciplinas dividiam-se em “trivium” (gramática, dialética e retórica) e “quadrivium” (artimética, geometria, astronomia e música). Mas um grande pedagogo da época Thierry de Chartres, mostrou que o “trivium e o quadrivium” eram apenas um meio e que o fim era “formar almas na verdade e na sabedoria”.

Em muitas escolas os alunos tinham ensino técnico de como trabalhar o ouro, prata e cobre. Aos poucos surgiam as especializações: Chartres (letras), Paris (teologia), Bolonha (direito), Salerno e Montpellier (medicina).

O Concílio geral de Latrão III, aprovou o seguinte cânon:

“A Igreja de Deus, qual mãe piedosa, tem o dever de velar pelos pobres aos quais pela indigência dos pais faltam os meios suficientes para poderem facilmente estudar e progredir nas letras e nas ciências. Ordenamos, portanto, que em todas as igrejas catedrais se proveja um benefício (rendimento) conveniente a um mestre, encarregado de ensinar gratuitamente aos clérigos dessa igreja e a todos os alunos pobres” (can. 18, Mansi XXII 227s).

O IV Concílio ecumênico do Latrão (1215), renovou este decreto. Teodulfo, bispo de Orléans no séc. VIII, promulgou o seguinte decreto: “Os sacerdotes mantenham escolas nas aldeias, nos campos; se qualquer dos fiéis lhes quiser confiar os seus filhos para aprender as letras não os deixem de receber e instruir, mas ensinem-lhes com perfeita caridade. Nem por isto exijam salário ou recebam recompensa alguma a não ser por exceção, quando os pais voluntariamente a quiserem oferecer por afeto ou reconhecimento” (Sirmond, Concilia Galliae II 215).

É muito significativo um dos últimos depoimentos sobre a acusação de que a Igreja obstruiu a ciência na Idade Média, proferido em 1957 por um grupo de estudiosos que, sem intenção confessional alguma, escreveram a história da ciência antiga e medieval:

“Parece-nos impossível aceitar a dupla acusação de estagnação e esterilidade levantada contra a Idade Média latina. Por certo a herança (cultural) antiga não foi totalmente conhecida nem sempre judiciosamente explorada;… mas não é menos verdade que de um século para outro – mesmo de uma geração a outra dentro do mesmo grupo – há evolução e geralmente progresso. A Igreja… na Idade Média salvou e estimulou muito mais do que freou ou desviou. Por isto, embora só queira apelar para a Antigüidade, a Renascença é realmente a filha ingrata da Idade Média” (La science antique et médiévale, sous la direction de René Taton, Presses Universitaires de France. Paris 1957, 581s).

Esses poucos dados mostram o quanto a Igreja fez pelo ensino e pelo saber na Idade Média, bem ao contrário do que muitos pensam: que a Igreja foi contra a ciência e o ensino.

Prof. Felipe Aquino

O Prof. Léo Moulin, agnóstico ou ateu belga, reconhece a benéfica influência do Cristianismo e, em especial, da Regra de São Bento na evolução da cultura e da civilização.

Mostra como a Regra de São Bento, legislando para os monges, fez transbordar sobre toda a sociedade medieval e posterior certos princípios de disciplina, diligência e ordem no trabalho, que propiciaram a criação de grandes empresas industriais e culturais. São Bento, aliás, hauriu das Escrituras Sagradas a sua mentalidade; ora a Bíblia incute ao homem certo otimismo em relação à natureza, obra de Deus Criador, que confiou ao casal humano o mandato de explorar e dominar as criaturas inferiores. A mesma fonte bíblica deu a saber ao homem que o universo foi criado com sabedoria e lógica; a própria razão humana, sendo dom de Deus, merece a confiança do homem; conscientes disto, os medievais cultivaram a inteligência, resultando daí grande número de Universidades e belas obras de arte (catedrais, especialmente), que supõem dinamismo, coragem e saber científico entre os homens da Idade Média. Esta, portanto, não foi o período obscuro do qual sem o devido conhecimento de causa.

Costuma-se comentar a influência que o Calvinismo, fundado no século XVI, exerceu sobre o desenvolvimento comercial e econômico dos países que o adotaram. O senso religioso levou os calvinistas a se dedicarem “religiosamente” às suas atividades profissionais, donde resultou (em parte, ao menos) a rede colonial da Inglaterra e da Holanda.

Todavia é menos conhecida a influência sadia que a fé católica exerceu sobre os monges e as populações medievais em favor do progresso da civilização. Aliás, deve-se dizer que o Cristianismo, bem entendido e vivido, foi e será sempre um estímulo para a construção de um mundo mais humano, fraterno e, por conseguinte, mais feliz.

Invenções e Descobertas

A Idade Média ocidental ocupa lugar importante na história do desenvolvimento tecnológico, pois registrou uma série de invenções e descobertas que lhe dão preeminência sobre quanto ocorreu na mesma época fora do âmbito europeu. Sejam recordados: a bússola, as lentes de óculos, a roda com aros, o relógio mecânico com pesos e rodas (“invenção mais revolucionária do que a da pólvora e a da máquina a vapor”, conforme Ernst Junger), o canhão (em 1327), a caravela (em 1430), a própria imprensa, a ferradura de cavalo, que permite ao animal correr sobre terrenos inóspitos, os moinhos de água, de maré, de vento…

Isto tudo fez que o Ocidente se encontrasse em melhores condições de civilização do que outras partes do mundo no século XVI.

A Regra de São Bento

Antes de todas estas, houve outra grandiosa “invenção”, que é a Regra de São Bento (+ 547).¹ Nesta encontramos elementos necessários ao bom andamento de uma empresa moderna.

Com efeito. Além do Ora (Oração), São Bento ensina o valor e a sistematização do Labora (Trabalho). Imagina, sim, o seu discípulo como um operário (RB Prol 14) que trabalha com mãos e ferramentas na oficina do Mosteiro (RB 4, 75-78). O trabalho é essencial à identidade monástica, seja o manual, seja o intelectual, seja o artístico ou artesanal. No decorrer da Regra, São Bento ilustra as motivações do Labora:

– o trabalho corresponde a um gênero de vida pobre, que exige a labuta pessoal para poder manter-se; cf. RB 48,8;

– o trabalho é serviço à comunidade e aos hóspedes, a exemplo do que fez Cristo; cf. RB 48, 1-25; 53, 1-23;

– o trabalho é desenvolvimento dos talentos que Deus entregou ao homem e cuja aplicação ele vai julgar; cf. RB 4,75-77;

– o trabalho ajuda os pobres e evita a ociosidade, que é inimiga da alma; cf. RB 48,1.

São Bento quer que o trabalho seja executado “bem”, “com serenidade”, “sem tristeza” e “sem murmuração”; cf. RB 34,6; 35, 13; 40, 8s; 53, 18.

Trabalhar em comum é, para São Bento, um valor, tanto que os monges culpados de faltas graves são excomungados não só da oração e da refeição comunitárias, mas também do trabalho com os irmãos: “Que seja suspenso da mesa e do oratório o irmão culpado de faltas mais graves… Esteja sozinho no trabalho que lhe for determinado” (RB 25, 1.3).

A Regra de São Bento, portanto, formou os monges (e, consequentemente, a sociedade) no sentido da diligência e da disciplina do trabalho. De modo especial, ela incutiu (e incute) dois valores muito estimados no mundo industrial moderno:

– a pontualidade. São Bento não transige a respeito. Prevê sérias punições para quem chega atrasado à oração litúrgica ou ao refeitório (RB 43); ao sinal dado de madrugada, levantem-se todos sem demora (RB 22); quem recebe uma ordem, deve executá-la prontamente (RB 5);

– atenção ao que se faz. São Bento formula uma norma decisiva: “Controlar a todo momento os atos de sua própria vida. Actus vitae suae omni hora custodire” (RB 4,48). É preciso, pois, estar presente de corpo e alma àquilo que se faz, sejam grandes, sejam pequenas coisas. A Regra prevê punições leitura, à qual todos devem prestar atenção, de modo que ninguém converse e só se ouça a voz do leitor (RB 38, 5). Haja absoluta limpeza, especialmente na cozinha (RB 35,6-11). A perda ou a quebra de qualquer objeto durante o trabalho requer satisfação da parte de quem comete a falha (RB 46, 1-4).

São Bento também pede que os monges não se entristeçam se a necessidade do lugar ou a pobreza exigirem que se ocupem em trabalhos extraordinários, “porque então são verdadeiros monges se vivem do trabalho de suas mãos, como também os nossos Pais e os Apóstolos” (RB 48,8).

Estes princípios de ordem ascética, inspirados pelo amor à disciplina do Evangelho, contribuíam para que os mosteiros se tornassem grandes centros agrícolas e artesanais em toda a Idade Média, irradiando em torno de si amor ao trabalho, organização e método modelares para a posteridade. Essa sistemática não tinha em vista simplesmente produção e lucro materiais, mas era inspirada pelo espírito de fé e apoiada em razões monásticas. Assim, por exemplo, um texto do século XI explica por que foi adotado um moinho de água na comunidade: “…a fim de que os monges tenham mais tempo para dedicar-se à oração”.

Em seu afã de trabalhar para exercer disciplina e evitar a ociosidade (inimiga da alma), os monges dedicaram-se a quase todas as atividades produtivas: exploraram minas de carvão, salinas, metalurgia, marcenaria, construção… Assim, por exemplo, os monges cistercienses fabricaram fornos para produzir tijolos grandes, dotados de furos para facilitar a sua cozedura e manipulação; eram os chamados “tijolos de São Bernardo!. Montaram na Borgonha fábricas de telhas, que eles espalharam por diversas regiões.

Aliás, a própria Regra de São Bento pede que o mosteiro tenha em suas dependências tudo de que necessita para viver: “Seja o mosteiro construído de tal modo que todas as coisas necessárias, isto é, água moinho, horta e os diversos ofícios se exerçam dentro do mosteiro, para que não haja necessidade de que os monges vagueiem fora, pois de nenhum modo isto convém às suas almas” (RB 66,6s). Ora esta norma da Regra não podia deixar de ser forte estímulo para a criatividade dos monges. O capítulo 57 da mesma Regra trata dos artesãos que, com a autorização e a bênção do Abade, trabalham no mosteiro como monges, e pede que os preços dos respectivos artefatos sejam mais baixos do que os preços do comércio de fora: “Quanto aos preços, não se insinue o mal de avareza, mas venda-se sempre um pouco mais barato do que pode ser vendido pelos seculares, para que em tudo seja Deus glorificado” (RB 57, 7-9).

Sabemos ainda que em 1215 os maiorais da Inglaterra, tanto leigos quanto clérigos, obtiveram do rei João sem Terra o reconhecimento da Magna Carta (Libertatum), Grande Carta das Liberdades, que promulgava direitos da população e que se tornou o fundamento da Constituição liberal da Inglaterra e o embrião dos posteriores sistemas políticos parlamentares. Ora, um século antes disto, em 1115 a Ordem Cisterciense¹ concebera o sistema de governo mais prático que se conhece: o Capitulum Generale (Capítulo Geral), assembleia internacional da qual fazem parte representantes de todos os mosteiros e dotada de poder legislativo. A instituição do Capitulum Generale foi adotada por Ordens e Congregações Religiosas posteriores e tornou-se modelo para o regime de muitas sociedades de caráter internacional.

É preciso ainda apontar duas características da mentalidade medieval, de grande importância na história subsequente.

Duas notas marcantes

Confiança na razão

Para os medievais, o mundo era obra de um Deus sábio e lógico, distinto do próprio mundo (em oposição a todo panteísmo). Por conseguinte, o mundo lhes aparecia como algo que pode ser conhecido pelo homem mediante a sua razão; não é um fantasma nem uma armadilha. Dizia no século XII o teólogo francês Guilherme de Conches: “Deus respeita as próprias leis”. E no século seguinte Santo Alberto Magno (+ 1280) afirmava: “Natura est ratio. A natureza é a razão ou é racional”. Em consequência, os estudiosos medievais se aplicaram ao raciocínio e à pesquisa (como a podiam realizar na sua época) com plena confiança no acume da razão, sem, porém, cair no racionalismo, pois acima da razão admitiam as luzes e as verdades da fé…

Um dos exemplos mais clássicos desse tipo de estudiosos é o inglês Rogério Bacon (1214-1294), chamado “Doutor Admirável”. Ingressou na Ordem dos Franciscanos em 1257 e pôs-se a comentar as obras de Aristóteles. Posteriormente dedicou-se à pesquisa científica, recorrendo a um método experimental, que foi precursor do método adotado por Francis Bacon (1561-1626); assim procedendo, fez descobertas no setor da ótica. Planejou diversas invenções mecânicas: máquinas a vapor, barcos máquinas voadores… Em seus escritos encontrou-se uma fórmula da pólvora, que ele pode ter tomado dos árabes numa época em que os europeus quase não a conheciam. Deixou obras famosas: Opus Maius, Opus Minus e Opus Tertium.

Os resultados dessa confiança dos medievais na razão humana fizeram-se sentir nos séculos subsequentes: em 1608 contavam-se mais de cem Universidades na Europa e nenhuma no resto do mundo (exceto na América Latina, onde os espanhóis expandiam a sua cultura). Dessas Universidades, mais de oitenta tiveram origem na Idade Média, como genuína expressão da cultura medieval. Diz-se com razão que as Universidades e as catedrais exprimem autenticamente a Idade Média; na verdade, os medievais atingiram o primado mundial de altura de cúpula na catedral de Amiens (1221), com 42,30 metros, mede 142 metros de altura: só foi ultrapassada pela Torre Eiffel de Paris em 1889, com 320 metros.

Dinamismo

A Escritura Sagrada transmite aos seus leitores uma atitude dinâmica em relação ao universo que os cerca. Logo em suas primeiras páginas formula o desígnio divino: “Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança; domine sobre os peixes do mar, as aves do céu, os animais domésticos, todas as feras e todos os répteis que rastejam sobre a terra” (Gn 1, 26). E após a criação do homem se lê a ordem divina: “Enchei a terra e submetei-a; dominai sobre os peixes do mar, as aves do céu e todos os animais que rastejam sobre a terra” (Gn 1, 28).

O salmo 8, por sua vez, canta o poder do homem sobre os seres que o cercam:

“Que é o homem para que dele te recordes?… e o filho do homem, para que dele tenhas cuidado? Não obstante, Tu o fizeste um pouco inferior aos anjos…e lhes deste poder sobre as obras de tuas mãos, tudo colocaste debaixo dos seus pés”.

No Novo Testamento lê-se que Cristo, ao encerrar sua missão pública, mandou aos apóstolos que fossem pregar o Evangelho no mundo inteiro; cf. Mt 28, 18-20.

Por conseguinte, a atitude do esforço, da luta, do empreendimento, da resposta ao desafio…é muito familiar ao cristão. Pode-se dizer que foram os cristãos que realizaram os progressos da ciência (tenha-se em vista o mundo ocidental comparado com o oriental ou asiático e africano!), as grande aventuras da conquista intelectual, econômica, marítima… Foram otimistas e dinâmicos, conseguindo belos e valiosos resultados.

Estas poucas observações são suficientes para percebermos a notável contribuição do Cristianismo para o avanço da cultura, da ciência e da civilização… na história da humanidade. E, dentro do Cristianismo, merece certamente relevo especial o monaquismo ocidental tal como São Bento (+ 547) o concebeu e a Ordem Cisterciense, com São Bernardo à frente, o desenvolveu.

¹ Citaremos a Regra de São Bento usando a sigla RB; os números seguintes indicarão respectivamente capítulo e versículo(s). A abreviatura Prol significa Prólogo.

É de notar que não sem motivo o Papa Paulo VI em 1964 declarou São Bento “Patrono do Ocidente”. Este deve muitos dos seus valores aos escritos e à obra de São Bento.

¹Cisterciense é o monge Cister; segue a Regra de São Bento tal como foi entendida pelos reformadores de Cister, entre os quais está São Bernardo de Claraval (+ 1153).

Via Professor Felipe Aquino

Revista: “PERGUNTE E RESPONDEREMOS”
D. Estevão Bettencourt, osb
Nº 347 – Ano – 1991 – p. 177

O padre Sumeth Perera começou seus estudos lidando com os tumores da boca muito disseminados entre os pobres do sul da Ásia por causa do abuso na mastigação de folhas de betel. Agora, ele obteve um doutorado em Oxford com conceito máximo e se prepara para partir para os Estados Unidos

Ele acabou de obter um doutorado com conceito máximo na Universidade de Oxford. E se prepara para partir para um cargo de pesquisador associado no National Cancer Institute, em Frederick, Maryland, a mais importante instituição de pesquisa sobre o câncer nos Estados Unidos.

Essas são as credenciais científicas do padre Sumeth Perera, um jesuíta do Sri Lanka que é considerado hoje, no mundo científico, como um dos pesquisadores de vanguarda no estudo dos tumores.

O que torna a sua história ainda mais significativa é a origem das suas pesquisas: como informa o site dos jesuítas britânicos, o padre Sumeth começou os seus estudos no Sri Lanka, lidando com uma forma de tumor na boca muito disseminada nas áreas mais pobres, por estar ligada ao abuso na mastigação de folhas de betel, muitas vezes utilizada para não sentir o estímulo da fome. Uma doença que afeta desproporcionalmente as populações pobres e para a qual, portanto, não há um interesse por parte da pesquisa farmacêutica no Ocidente.

Na Peradeniya University, no Sri Lanka, o padre Perera elaborou o primeiro modelo absoluto de terapia para esse tumor através da experimentação animal.

Em 2012, ele se mudou para Londres, onde concluiu, primeiro, um mestrado em bioquímica no Imperial College e depois – passando a fazer parte da Campion Hall, a comunidade dos jesuítas da Universidade de Oxford – um doutorado específico sobre a pesquisa sobre o câncer. Por causa dos seus estudos, em 2014, ele obteve o segundo lugar no Prêmio Peter Beaconsfield, prestigiado reconhecimento da Medical Sciences Division de Oxford.

“Os métodos para o tratamento do câncer estão se tornando cada vez mais sofisticados”, explica, “mas ainda há grandes lacunas na nossa compreensão de como funcionam as terapias e sobre por que elas nem sempre impedem a evolução do câncer. Uma dessas lacunas diz respeito aos mecanismos dos exossomos, das nanovesículas produzidas pelo tumor. O fenômeno que eu descobri, chamado de ‘comutação do exossomo’, poderá influenciar o modo como tratamos os pacientes com câncer e nos ajudar a entender se as terapias estão realmente funcionando.”

Fonte: site Mondo e Missione

Ex-médico, Michel Aupetit sucedeu, em 6 de janeiro, a André Vingt-Trois como arcebispo de Paris. “Não temos o direito de falar de Deus; se o fizermos, ficamos envergonhados”, diz ele em entrevista concedida ao Le Monde. Aos 66 anos, aquele que “não gosta da exposição” será agora uma das vozes mais ouvidas desta instituição. Este ex-médico, que entrou no seminário aos 39 anos e tornou-se bispo de Nanterre em 2014, é o sucessor de dom André Vingt-Trois.

Como estudante, ele odiava ter que ir ao quadro negro e preferia rir de seus colegas de longe. Nomeado arcebispo de Paris pelo Papa Francisco em 7 de dezembro de 2017 e tendo tomado posse em 6 de janeiro, o bispo Michel Aupetit o centro das atenções de muitos católicos. Se, em teoria, o bispo de Paris é um bispo entre os outros, na prática ele ocupa um lugar proeminente na Igreja católica.

Você trabalhou durante 11 anos como clínico geral antes de entrar no seminário. Como essa vida de leigo influencia sua maneira de ser padre?

Como leigo, eu era aquilo que se chamava na Igreja de “consumidor”. Eu chegava em casa às 22h e estava muito pouco enfronhado na vida da Igreja. Este é o meu pecado! Quanto ao resto, a medicina me ensinou a gostar das pessoas, independentemente de quem sejam. Quando se é médico, você cuida de pessoas agradáveis e não agradáveis, todos os tipos de pessoas.

Isso faz com que você esteja aberto para acolher a todos e a Igreja está aberta a todos. Não pedimos os papéis ou o certificado de batismo àqueles que chegam. No inverno, os sem-teto vêm se aquecer e não os importunamos. Outros vêm simplesmente para ter um tempo de repouso e silêncio. Não há muitos lugares como esse, onde você pode ficar, gratuitamente, de forma pacífica. E a medicina já me ensinou isso: acolher incondicionalmente as pessoas que batem à sua porta.

Você cresceu em uma família onde a prática religiosa não era a regra. Isso lhe dá uma visão particular da transmissão da fé?

Isso é bastante surpreendente, porque nunca me incomodou. Minha mãe era uma mulher de fé, ela ia à missa com bastante frequência, não necessariamente comigo. Mas eu sei que ela tinha uma fé profunda e eu via a influência que isso poderia ter em sua vida. Ao passo que, no lado “masculino”, éramos bastante descrentes. Meus amigos também não eram praticantes. Então, eu vivi durante muito tempo a minha fé de maneira isolada.

Eu penso que a transmissão se faz pela oração. Porque na oração, aprendemos a falar com Deus. Estabelecemos uma relação. Ao passo que em uma relação de catecismo, aprende-se a falar “de” Deus; é intelectual. A única coisa que minha mãe me ensinou foi o Pai-Nosso e a Ave-Maria. A partir dessas duas orações, aprendi a falar com Deus. Mas em segredo: ninguém sabia nada sobre isso.

Quando eu deixei o meu consultório de médico, eu disse o porquê aos meus pacientes. Muitos me disseram que rezavam há 30 anos pela manhã e pela noite, sem mesmo que sua esposa soubesse! Eu me dei conta de que muitas pessoas tinham uma vida espiritual, mas que não a exibiam. Há espontaneamente no ser humano essa propensão a entrar em relação com uma transcendência. (…)

Parte dos católicos teme a chegada de migrantes em números muito altos. Os bispos devem falar com mais clareza?

Há um medo da insegurança cultural. Quando eu era médico em Colombes [Hauts-de-Seine], inicialmente, nas cidades, as pessoas viviam muito bem juntas. Não se olhava para quem era muçulmano ou cristão. Prestavam-se serviços entre as pessoas. Hoje, isso virou guetos. As prefeituras tentam promover a diversidade social, mas ainda estamos muito comprometidos com o comunitarismo.

Certo dia, um imã me disse: “Já não temos mais o controle sobre os nossos jovens, não somos mais aqueles que os formam na religião. Eles vão se formar em outros lugares”… (…)

Os católicos são agora uma minoria religiosa na França?

Muitas pessoas se dizem católicas mesmo se não frequentam mais a Igreja. O que é ser católico? Qualquer pessoa que é praticante? Ou quem se reconhece nesta religião, porque nasceu nesta cultura, faz seus os valores evangélicos, enquanto sua relação com Deus ou a Igreja é mais do que tênue? O que isso quer dizer? Não sei, deixo isso para Deus. Se contarmos apenas aqueles que são praticantes, os católicos são, sem dúvida, uma minoria. Muitos estão envolvidos em questões de solidariedade, não necessariamente com o rótulo de “católico”, mas fazem isso em nome da sua fé.

A “guerra de laicidades” traduz, na sua opinião, uma rejeição da religião em geral ou uma desconfiança em relação ao Islã?

Meus dois avós eram anticlericais até a ponta das unhas, por isso eu conheço o sistema um pouco. Hoje, são defendidas duas formas de secularismo. A de Jean-Louis Bianco[presidente do Observatório da Laicidade] e de Emmanuel Macron, que deve permitir que todos possam praticar a sua religião. A outra é a de uma religião relegada à esfera privada, que não deve aparecer em qualquer lugar.

A sociedade francesa está dividida. A questão do Islã provoca medo por causa dos ataques e de determinados discursos que afirmam que a França se tornará uma terra do Islã – voltamos a encontrar a questão da insegurança cultural. Mas nós já vivemos, no passado, outras inseguranças culturais! Santa Genoveva, padroeira da cidade de Paris, viveu na época de Átila e Childéric, rei dos francos. Os alemães e os francos que chegaram não eram da cultura galo-romana nem da cultura cristã. Era uma transição colossal. Na época, a Igreja privilegiou a cultura cristã, mesmo que isso significasse sacrificar a cultura romana. Esse período, muito pior do que o nosso, também contribuiu para o que somos atualmente… (…)

O governo quer expandir o ensino religioso nas escolas. Que papel ele pode ter?

O papel do Estado é controlar o que podemos fazer, especialmente se diz respeito à religião. Há o fato religioso visto sob a perspectiva histórica. Muitas vezes, é por aí que vamos. Mas acho que devemos ir mais longe, para o espaço teológico. No RER, os muçulmanos me fazem perguntas como sacerdote. No final, eles me dizem: “Obrigado por ter falado de Deus”. Os muçulmanos que colocam seus filhos em uma escola católica fazem-no porque ali se pode “falar de Deus”… (…)

Fonte: Le Monde

O relatório World Watch List 2018 divulgado pela Associação Portas Abertas, revela que está em aumento “a perseguição contra os cristãos no mundo em termos absolutos. Hoje são mais de 215 milhões os cristãos perseguidos”.

“Ainda em aumento a perseguição contra os cristãos no mundo em termos absolutos. Hoje são mais de 215 milhões os cristãos perseguidos”.

Este é o primeiro dado revelado pela Associação Portas Abertas em seu relatório anual World Watch List 2018, que compreende o período entre 1º de novembro de 2016 e 31 de outubro de 2017.

Lista de 50 países onde os cristãos mais perseguidos

O relatório – refere a Agência Sir – elenca os 50 países onde os cristãos são mais perseguidos, ou seja, onde sofrem maus-tratos como “indivíduos ou grupos de pessoas devido à fé em Jesus”, que podem ir desde a discriminação cultural e social até o desconhecimento familiar, da privação de trabalho e de salário à abusos físicos, torturas, sequestros, mutilações, destruição de propriedades, prisão, assassinatos.

Coréia do Norte e Afeganistão encabeçam a lista

O topo da lista é ocupado pela Coreia do Norte e Afeganistão, seguidos pela Somália, Sudão, Paquistão, Eritreia, Líbia, Iraque, Iêmen e Irã. Mas é no Paquistão que a perseguição assume a conotação mais violenta em absoluto.

A Colômbia e o México são os únicos países do continente americano incluídos na lista.

Uma escalada de intolerância foi verificada na Líbia e na Índia, onde devido à crescente influência do radicalismo hinduísta, foram cometidas agressões contra 24 mil cristão indianos.

No decorrer dos últimos meses a situação piorou também no Nepal – que no relatório 2018 passou a ocupar o 25º lugar – e o Azerbaijão.

No Oriente Médio, maior número de perseguidos

Segundo o Relatório 2018, 3.066 cristãos foram mortos por causa de sua fé e 15.540 entre igrejas, casas e lojas de cristãos foram atacadas.

Mas a perseguição anticristã “vai bem além”, como comprovam os números. Foram detidos 1.922 cristãos sem processo, 1.252 foram sequestrados, 33.255 foram “física ou mentalmente abusados”, 1.240 foram submetidos à matrimônios forçados, sem falar nos milhares de estupros.

Segundo o relatório, os cristãos perseguidos na África são 81,14 milhões (38%), na Ásia e Oriente Médio 113,31 milhões (53%), na América Latina 20,05 milhões (9%) e no resto do mundo (0,01%).

Ameaça do islamismo radical

A principal ameaça para os cristãos – mas também para as outras comunidades não muçulmanas no mundo – é representada pela difusão do islamismo fundamentalista.

World Watch List 2018 identifica cinco tendências preocupantes: “a radicalização das áreas dominadas pelo islã” na África e no mundo muçulmano não árabe asiático; “a disputa sunita-xiita”, que combatem entre si sobretudo no Oriente Médio e na Ásia; o expansionismo islâmico em áreas de prevalência não muçulmana, especialmente na África Subsaariana, Indonésia, Malásia e Brunei; a simultânea radicalização e o expansionismo islâmico, com o caso principal da Nigéria e uma limpeza étnica segundo a pertença religiosa, com evidente crescimento em alguns países africanos como no nordeste do Quênia, da Nigéria, da Somália e do Sudão.

Na Ásia, cristão são vítimas do “nacionalismo religioso’.

Já na Ásia, os cristãos são mais atacados pelo “nacionalismo religioso”, que é comparado como um “tsunami” que varre o continente deixando para trás “destruição e às vezes morte”.

A Índia é de fato o caso mais preocupante, seguido pelo Nepal.

A tendência é registrada também no mundo budista, onde se  manifesta uma “perseguição diferente nas expressões, mas crescente e mais astuta”. É o caso do Sri Lanka, Butão e Mianmar.

Forte também é o “impacto dos nacionalismos ideológicos”, como ocorre na China, Vietnã e Laos, onde “a ideologia comunista parece recobrar vida”.

O relatório reconhece depois a “paranoia ditatorial” como fonte principal de perseguição em países como a Coreia do Norte e Eritreia.

Os cristãos na Colômbia e no México são, pelo contrário, vítimas de “corrupção e crime organizado, aliados ao antagonismo étnico”.

As “boas notícias” no relatório são a ligeira melhoria da situação no Quênia e Etiópia e a “diminuição considerável da violência mirada contra os cristãos na Síria”, o que é devido principalmente pela diminuição da presença do Isis.

Vatican News

O número de crianças diagnosticadas com “disforia de gênero” pelo serviço de saúde da Inglaterra ( National Health Service) aumentou em 1000% ao longo dos últimos cinco anos, de acordo com o jornal The Sun, de Londres. Na clínica de Tavistock and Portman, ao norte da capital, onde todos os pacientes transgêneros com menos de 18 anos são tratados, “suas famílias estão sendo aconselhadas e, em alguns casos, os pacientes recebem tratamentos de bloqueio hormonal” como preparação para uma possível “mudança de sexo” após os 18.

Como sintoma da crise, o diário britânico menciona um episódio recente quando “um menino de cinco anos retornou para a escola, em Nottingham, como menina”.

De acordo com o psiquiatra canadense Dr. Joseph Berger, que falou com o LifeSiteNews.com, a solução que está sendo dada para esses casos é inadequada. “Elas deveriam estar fazendo psicoterapia. Essas crianças estão infelizes por uma variedade de razões. Elas deveriam ter tratada a sua infelicidade. Cortar pênis e seios não é tratamento para a infelicidade.

Ainda de acordo com The Sun, o número de jovens diagnosticados com disforia de gênero subiu de 97, em 2010, para 1013, em 2015, com um custo de mais de 2 milhões e 500 mil libras esterlinas para os contribuintes. Apesar do aumento, Bernard Reed, integrante de uma associação de pesquisas de gênero, afirma que o serviço de saúde britânico “não está realmente preparado e treinado para atender essa crescente demanda por assistência médica”. Um médico admite que “o aumento deste ano é extraordinário” e que “agora tem se tornado muito difícil prever se os casos continuarão a subir”.

Outra notícia, desta vez do jornal The Telegraph, reporta um aumento de 400% nos casos entre crianças com menos de 11 anos: o número pulou de 19, em 2010, para 77, em 2015. A reportagem também traz à luz uma pesquisa feita com 32 jovens que receberam bloqueio hormonal do serviço de saúde, dos quais apenas 8 seguiram para a cirurgia de transgenitalização.

“Quando crianças expressam confusão desse tipo, nós precisamos afirmar a sua identidade dada por Deus e ajudá-las a entender o sexo com que nasceram”, diz Andrea Williams, líder do grupo Christian Concern. “Muitas crianças estão simplesmente seguindo o exemplo de outras, sem entender verdadeiramente as implicações disso. Se não fizermos nada para conter essa tendência, poderemos ver muitas crianças tomando decisões das quais elas irão se arrepender no futuro.

O Dr. Joseph Berger explica que pessoas que acreditam mesmo que são do sexo oposto ao seu sexo biológico estão “totalmente loucas” e “precisam ser tratadas com medicamentos antipsicóticos”. Todavia, a maioria dos pacientes com disforia de gênero são simplesmente pessoas insatisfeitas, que pensam que mudar o seu gênero as fará mais felizes.

O psiquiatra conta que tratou recentemente de uma jovem “muito atraente”, que queria mudar o seu gênero porque, no final das contas, ela pensava que “homens tinham um nível social mais elevado”.

Por outro lado, homens podem querer tornar-se mulheres, diz o médico, “porque vêem as mulheres levando vidas mais passivas, ou porque elas usam roupas mais coloridas, ou porque elas chamam mais a atenção”. De qualquer modo, maior parte dos jovens com disforia de gênero, se não são encorajados, simplesmente perde o desconforto com a sua identidade em questão de poucos anos.

Embora a cirurgia de transgenitalização esteja “na moda” — e ganhe também as telas do cinema —, o ceticismo em relação a esse lobby vem crescendo. Grupos de pais preocupados e até mesmo de feministas estão resistindo à pressão do establishment: aqueles porque querem defender as crianças, estes porque enxergam no discurso transgênero uma forma distorcida de machismo. “Para ser uma mulher, você deve ser do sexo feminino e, para tanto, tem que ter cromossomos XX e a anatomia específica do sexo feminino”, diz um blog feminista crítico do que chama de “doutrina transgender“. Mulheres trans não passam de homens “que se identificam como o sexo oposto”.

As evidências respaldam os céticos. Em 2014, o Dr. Paul McHugh, médico psiquiatra aposentado da Universidade Johns Hopkinsexplicou ao Wall Street Journal que o seu hospital parou com a terapia de mudança de sexo nos anos 70 porque ela não funcionava. Acompanhamentos a longo prazo com pacientes transgêneros mostravam que “as suas adaptações psicossociais subsequentes” não eram em nada melhores que as de quem não tinha feito a cirurgia.

McHugh cita os resultados chocantes de um estudo sueco de 2011, que, depois de acompanhar por 30 anos pacientes que optaram pela mudança de sexo, revelou haver entre eles uma taxa de suicídio quase 20 vezes maior que a do resto da população normal (ou cisgênero, como preferem os politicamente corretos).

A Suécia não oferece nenhuma explicação para a pesquisa, mas o Dr. McHugh não tem dúvidas de uma “mudança de sexo é biologicamente impossível”. “Pessoas que se submetem à cirurgia de transgenitalização não mudam de homem para mulher e vice-versa”, ele explica, só “se tornam homens feminizados ou mulheres masculinizadas”. Por fim, o médico norte-americano faz um alerta sério: “Dizer que isso é um problema de direitos civis e encorajar a intervenção médica é, na verdade, promover e colaborar com uma desordem mental.”

Fonte: https://www.lifesitenews.com/news/british-kids-treated-for-gender-confusion-jumped-1000-in-last-five-years

Christo Nihil Praeponere