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Ele cuida de 2.797 chaves. De todas elas, 300 são usadas diariamente para abrir e fechar os Museus Vaticanos. Todas as manhãs, ele chega às 5h45 à Gendarmaria para retirar as chaves e abrir as portas das salas repletas de arte que são visitadas anualmente por 6 milhões de pessoas.

Gianni Crea, romano de 45 anos de idade, é o guardião das chaves dos Museus Vaticanos. Ao longo dos últimos cinco anos, ele tem exercido a função de chefiar os clavígeros, ou seja, os responsáveis por todas e cada uma dessas chaves.

O “bunker”

Eu cuido de todas as chaves do Museu do Papa. Trezentas são usadas todos os dias para abrir e fechar as diversas seções. As outras 2.400 chaves ficam guardadas em um bunker com ar condicionado para impedir a ferrugem e são vistoriadas semanalmente para verificar sua funcionalidade. Conheço as chaves tão bem quanto os meus bolsos“, afirma Gianni.

As três chaves mais antigas e preciosas são:

– A número 1, que abre o portão monumental, usado hoje como saída dos Museus do Vaticano;
– A número 401, que pesa nada menos que meio quilo e abre o portão de entrada do Museu Pio Clementino;
– E a famosa chave sem número…

A chave sem número

A maior e mais importante de todas é a chave sem número, que abre uma das máximas preciosidades da arte e da devoção cristã: a Capela Sistina, sede, desde 1492, do conclave que elege o Sucessor de Pedro.

Esta chave é mantida no bunker, dentro de um envelope fechado, selado e assinado pela direção. Seu uso deve ser expressamente autorizado e protocolado em um antigo registro, no qual também deve ser escrita a razão para cada uma das utilizações, junto com os horários de retirada e devolução da chave sem número.

Em tempos de conclave

E o que acontece quando há um conclave? “O clavígero“, explica Gianni, “é o herdeiro do Marechal do Conclave, que era quem selava todas as portas em torno à Capela Sistina para garantir o silêncio e o segredo de tudo o que acontecia no conclave“. A tarefa-mestra do clavígero é precisamente esta: fechar e selar todas as salas ao redor da Capela Sistina.

Chaves eletrônicas

Nos últimos anos, os novos setores dos Museus receberam também chaves eletrônicas, que nada têm a ver com as pesados e tradicionais chaves de ferro. Cada seção dos Museus tem uma numeração sequencial: por exemplo, o molho que abre o Museu Gregoriano vai da chave número 200 à de número 300; o que abre a Pinacoteca vai do 301 ao 400; o Museu Etrusco, do 501 ao 600, e assim por diante, para cada uma das doze seções.

E se o clavígero ficar doente?

Há substitutos, mas aconteceu raríssimamente”, conta Gianni, sorrindo. “Eu estou afeiçoado às minhas chaves”, completa, como quem diz que não tem tempo nem motivo para ficar doente.

Saiba mais sobre Gianni

O homem das chaves dos Museus Vaticanos deu uma interessante entrevista ao jornal italiano La Repubblica, que você pode conferir aqui (em italiano).

AFP4559389_Articolo“O Papa Francisco está tentando transformar Roma no trampolim para uma Igreja sinodal e colegiada. É uma Igreja não apegada à Europa ou a uma cultura em particular. Não está claro aonde este esforço irá levar. Mas claro está que a visão de Roma e do Vaticano que o papa jesuíta possui decorre não só a partir de sua eclesiologia, mas também de sua leitura dos sinais dos tempos”, escreve Massimo Faggioli, professor de História do Cristianismo na University of St. Thomas, EUA, em artigo publicado por Global Pulse, 27-04-2016.

***

Frequentemente o Papa Francisco é acusado de ser populista. No entanto, ele vem tendo muito sucesso em estabelecer relações entre Roma e as demais capitais da assim-chamada geopolítica cristã: Constantinopla (“a segunda Roma” do cristianismo bizantino), Moscou (“a terceira Roma” da ortodoxia russa) e Nova York (a capital cultural do país cristão mais militante do mundo).

A capacidade do papa de estabelecer tais conexões ficou evidente já no início de seu pontificado. Mas ultimamente algumas coisas se aceleraram.

Num breve período de oito dias (de 8 a 16 de julho), ele publicou a exortação pós-sinodal fundamentalmente importanteAmoris Laetitia, habilmente lidou com a presença diplomaticamente delicada de um presidenciável americano no Vaticano e viajou para a Grécia com dois importantes líderes ortodoxos para se encontrar com refugiados mantidos na ilha de Lesbos.

As viagens de Francisco estão sendo significativas não só por causa da geografia física delas; quer dizer, os destinos para onde ele foi. As suas viagens também esboçam uma outra geografia: um mapa daquelas figuras que ele consegue atrair e envolver em suas iniciativas.

O papa de 79 anos “atraiu” a colaboração de Bartolomeu I, o Patriarca de Constantinopla (um verdadeiro parceiro de diálogo), e o Arcebispo Jerônimo, chefe da Igreja Ortodoxa Grega, um dos mais relutantes ao diálogo com o catolicismo romano. Ambos fizeram parte de sua visita emblemática a Lesbos.

De forma inesperada, Francisco foi também capaz de engajar Kirill I, o Patriarca de Moscou, num encontro histórico entre os dois na Cuba comunista – uma das ironias da história da Igreja.

Estas iniciativas possuem consequências ecumênicas para o catolicismo assim como para a tradição ortodoxa. O Bispo de Roma está atraindo os hierarcas da ortodoxia oriental e ajudando-os a lidar com as franjas intransigentes e antiecumênicas. Isso é particularmente importante hoje, nas vésperas do Sínodo Pan-ortodoxo histórico que vai acontecer em junho próximo em Creta.

Mas Francisco igualmente seduziu – de uma forma não costumeira para o Vaticano, a mais antiga diplomacia do mundo ocidental – o candidato socialista judeu à presidência americana, Bernie Sanders. A significação disso ultrapassa os alinhamentos políticos novos e surpreendentes entre o Vaticano e os políticos mundiais. Ele sublinha a resiliência do Vaticano e da Roma papal no cenário mundial.

Em termos políticos, o Vaticano é uma relíquia do passado que deve mais à história política da Europa do que ao martírio de Pedro e Paulo. Há, porém, uma resiliência deste lugar, o seu simbolismo, a sua capacidade de reconhecer e interpretar eventos mundiais, que é fruto da capacidade da Igreja de se adaptar a condições cambiantes.

Em 1870, o papado perdeu Roma e seu poder temporal. Os pontífices de 1846-1939 (de Pio IX a Pio XI) lamentaram essa perda. Porém, no rescaldo do Concílio Vaticano II, Paulo VI considerou-a providencial.

Durante os pontificados de João Paul II e Bento XVI, o Vaticano se transformou no centro da política católica, como uma consequência dos esforços em centralizar em Roma tudo o que dizia respeito à Igreja Católica global.

Mas o Papa Francisco agora está tentando transformar Roma no trampolim para uma Igreja sinodal e colegiada. É uma Igreja não apegada à Europa ou a uma cultura em particular.

Não está claro aonde este esforço irá levar. Mas claro está que a visão de Roma e do Vaticano que o papa jesuíta possui decorre não só a partir de sua eclesiologia, mas também de sua leitura dos sinais dos tempos.

A ida a Lesbos foi, ao mesmo tempo, uma peregrinação ecumênica e uma visita ao cemitério inter-religioso imenso em que o Mediterrâneo se tornou por causa das ondas de refugiados que morreram no mar enquanto tentavam escapar da guerra. E um dos sinais dos tempos é a ilusão dos políticos europeus em suas tentativas de livrar a Europa e o Mediterrâneo do DNA multirreligioso e multicultural da região.

A ênfase de Francisco em que esta é “a crise humanitária mais grave desde a Segunda Guerra Mundial” é um outro lembrete de que, hoje, é preciso um papa da Argentina para recordar a Europa do que a Europa deve fazer.

A atração que Bernie Sanders e as igrejas ortodoxas têm por este papa contrasta-se com a hostilidade que o establishment político europeu tem mostrado para com esta sua mensagem social.

As palavras, em Lesbos, de Francisco, Bartolomeu e Jerônimo emitiram uma mensagem clara à União Europeia e à Turquia com respeito às suas políticas concernentes aos refugiados. Mas as palavras deles também sinalizaram que existem paralelos entre o período pós-Segunda Guerra e o momento atual.

O período imediatamente após 1945 foi o começo do envolvimento da Igreja Católica (mesmo se lenta e cautelosamente) no movimento ecumênico cristão. De forma parecida, a presente crise humanitária pode ser o berço de um novo internacionalismo ecumênico na medida em que o mundo tenta ajudar as vítimas da explosão do mundo árabe.

Isto não é a construção de uma arquitetura geopolítica complexa, mas uma intuição profunda do Papa Francisco. Os refugiados não sabem de teologia, mas sabem o que a Igreja é. É um exemplo da pastoralidade da doutrina que o papa tem em mente. É também uma resposta aos que se queixam de que os ensinamentos dele carecem de clareza e que denigrem a pastoralidade como sendo meras sutilezas eclesiásticas.

Mas, claramente, a ênfase pastoral do papa é algo maior, especialmente a sua volta a Roma com doze refugiados muçulmanos a bordo de seu avião. O ato simbólico de libertar refugiados dos campos onde eles estão detidos é igualmente um ato de reforma na Igreja.

A ironia é que esse ato político perturbador foi possível também devido ao papel extraordinário do Vaticano como um Estado, à sua extraterritorialidade e à herança do poder temporal antigo que o papa possui.

Estas últimas semanas constituíram mais um daqueles momentos em que Francisco coloca o seu pontificado profundamente em desacordo com um século que tem visto conservadores e reacionários fazerem conversões ideológicas ao catolicismo, desde Carl Schmitt na Alemanha nazista até Richard John Neuhaus nas guerras culturais americanas pós-Reagan.

Não é por acaso que estas conversões políticas envolveram nacionalistas que buscavam um refúgio ideológico desta modernidade cosmopolita. Também não é por acaso que a resposta a eles é o espírito global e ecumênico do catolicismo.

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Motu proprio” do Pontífice para a criação de uma única estrutura para a comunicação vaticana. No plano da reorganização da cúria romana, no âmbito da revolução relacionada aos meios de comunicação de massa, foi criada a coordenação central seguindo o modelo da nova estrutura vaticana da Economia.

O novo dicastério será dirigido por dom Dario Viganò, desde há três anos diretor do Centro Televisivo Vaticano, após ter sido presidente do Organismo do Espetáculo e vice-diretor da Oficina Nacional das Comunicações Sociais da Conferência Episcopal da Itália. “Era necessário estabelecer uma maior unidade na ação comunicativa da Santa Sé antes de dois eventos de extraordinária relevância, como o Sínodo sobre a Família e o Jubileu da Misericórdia – explicam na cúria. Por isso, a rapidez com que foi instituída a nova estrutura de coordenação entre os meios vaticanos, para a cobertura destes dois importantes eventos eclesiais”.

Então, Francisco acelerou os tempos de um dos capítulos mais complicados e delicados da reforma da cúria romana, o dos meios de comunicação vaticanos. E criou a Secretaria para as Comunicações, o novo dicastério que coordenará a Sala de Imprensa, o jornal L’Osservatore Romano, o Centro Televisivo Vaticano, o Escritório da Internet e a Rádio Vaticano, com particular atenção na integração entre os diferentes meios e na gestão economicamente saudável e racional.

Dom Viganò, que nasceu de pais italianos no Brasil, é padre da Arquidiocese de Milão, especialista em pastoral (foi presidente do Instituto de Pastoral da Pontifícia Universidade Lateranense), mas é muito conhecido como crítico de cinema. Trabalhará com o padre argentino Lucio Ruiz, atual diretor do Escritório da Internet da Santa Sé, que o Papa nomeou como secretário do dicastério, e com o Dr. Paolo Nusiner, atual diretor administrativo do jornal Avvenire, que será o novo diretor-geral do organismo recém criado. O vice-diretor-geral será Giacomo Ghisani, encarregado do Escritório de Relações Internacionais e Assuntos Legais da Rádio Vaticano, além de membro do Conselho de Administração do Centro Televisivo Vaticano.

O Pontífice colocou em prática com o novo Motu proprio as indicações elaboradas pela comissão internacional presidida pelo ex-presidente da BBC, lord Patten, que no ano passado ouviu os pareceres dos dirigentes e dos operadores dos meios de comunicação para obter um marco geral de contribuições, informações e propostas. O projeto da Comissão Patten depois foi integrado e é viabilizado na realidade vaticana pela sucessiva comissão interna presidida por dom Viganò, cuja competência, concreção e lealdade são muito apreciadas por todos os que colaboraram com ele, e, evidentemente, também por Francisco.

O diretor do Centro Televisivo Vaticano, que completou 53 anos neste sábado, será, pois, o novo encarregado da Secretaria para as Comunicações. As competências (atualmente divididas entre os diferentes organismos curiais relacionados: a Sala de Imprensa, o Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, o Centro Televisivo Vaticano, a Rádio Vaticano e o L’Osservatore Romano) estarão concentradas em um único órgão.

A reportagem é de Giacomo Galeazzi e publicada por Vatican Insider, 27-06-2015. A tradução é de André Langer.

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“A audiência concedida a Raúl Castro foi algo não programado para o papa. Quando eu lhe apresentei o pedido, ele aceitou de bom grado, embora fosse domingo. O fato de ter estado em conversa por uma hora é um sinal muito positivo”, conta o arcebispo Angelo Becciu, sostituto da Secretaria de Estado e artífice do encontro, durante anos núncio em Cuba.

O presidente cubano, na saída, disse: “Se o Santo Padre continuar assim, eu volto a ser católico”, e não estava brincando. “Nós costumávamos dizer: ‘Não me peçam para ir à missa, porque já me bastaram as que eu ouvia quando menino, quando estava no colégio dos jesuítas’.” Agora, ao contrário, sente-se tentado a voltar a ser católico.

O Papa Francisco é extraordinário ao saber criar relações humanas seja com pessoas simples, seja com os “grandes” da Terra. “Ele sabe entrar no coração das pessoas, e elas ficam fascinadas com a sua capacidade de escuta e discernimento.”

Quanto tempo vai durar a visita do papa a Cuba?

Para desejo expresso do Papa Francisco, serão dois dias cheios e eles terão, como em todas as suas viagens, uma conotação claramente pastoral.

O tema comum com o governo cubano é a ajuda aos pobres.

Eu gostei de uma declaração de poucos dias atrás do ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez Parrilla, com a qual ele afirmava que em Cuba eles estavam prontos para assinar embaixo de todos os discursos feitos pelo Papa Francisco sobre a pobreza e as desigualdades.

Quanto a diplomacia vaticana trabalhou para pôr fim ao embargo dos Estados Unidos?

Já foi dito, e aqui eu reafirmo, que o verdadeiro diplomata em toda essa questão foi o Papa Francisco. A Secretaria de Estado, acima de tudo o cardeal Parolin, deu o seu melhor ao interpretar as indicações do papa. Depois, se quisermos afirmar que certos resultados não são alcançados da noite para o dia, então eu concordo em reconhecer que a diplomacia vaticano, ao longo das décadas, desempenhou o seu papel tenaz e paciente. Agora, uma virada também graças ao cardeal Ortega e aos bispos cubanos.

A Cúria, porém, é vista como um grande obstáculo para o papa. É isso mesmo?

Parece-me que, sobre esse ponto, há muitas fantasias. Eu desembarquei na Cúria há apenas quatro anos e descobri que se conformar com aquilo que o papa deseja e executar aquilo que ele decide é o ponto de honra de todo bom curial, seja ele um simples oficial como um cardeal-prefeito de dicastério. Existe diversidade de opiniões? Viva Deus! Mas são necessários yes man ou homens livres e inteligentes que lealmente ajudem o papa no governo da Igreja? Veja, o papa é o primeiro que quer que, sobre as várias questões, diga-se livremente a própria opinião. O que importa é que, uma vez expressado o seu parecer, aceitem-se sinceramente as decisões do papa. Essa é para mim a verdadeira obediência.

Para Víctor Manuel Fernández, reitor da Universidade Católica de Buenos Aires, a Cúria não é essencial, mas só o papa e os bispos.

Aquilo que Dom Fernández diz é verdade. Todos aprendemos desde o catecismo: Jesus escolheu os 12 apóstolos com Pedro à frente do colégio, ou seja, o papa e os bispos como pastores do seu rebanho, prontos para dar a vida uns pelos outros. No meio disso, há a história de dois mil anos de Igreja, em que, de acordo com as exigências organizacionais do momento, criaram-se diversas estruturas não contempladas pelo Evangelho, mas que contribuíram para o crescimento da comunidade cristã. Se tivéssemos que olhar para o essencial e nos determos nos primeiros tempos da Igreja, não deveria haver as igrejas, os seminários, os conventos, os vários institutos religiosos, as conferências episcopais etc… Eu não acho que se queira zerar o que o Espírito soube criar ao longo dos séculos. É claro que a própria Cúria nasceu por exigências organizacionais e não por explícito mandato divino. Basta nos entendermos sobre o que hoje se quer para tornar a imagem da Igreja mais evangélica e o serviço ao papa à altura dos tempos.

Fonte: Corriere della Sera

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A normalização das relações entre os Estados Unidos e Cuba pode significar, principalmente, um ponto de inflexão para estes dois países, mas pode também representar uma vitória para a política vaticana de détente que remonta, pelo menos, até o papado de João Paulo II.

Cuba é um país historicamente católico, onde 60% da população ainda é católica, segundo estimativas, e onde a Igreja é também um importante provedor de serviços sociais e ajuda humanitária.

Sob o regime de Fidel Castro, o catolicismo sofreu várias formas de perseguição e violência. Nos primeiros anos do regime castrista, as forças Militares do líder caribenho  prenderam, mataram e exilaram 3500 padres e freiras. À luz da nacionalidade do Papa Francisco, vale notar que o primeiro cardeal cubano, Manuel Arteaga y Betancourt, foi forçado a pedir refúgio das forças de Fidel na embaixada argentina em Havana, de 1961 a 1962.

Mais tarde, os ataques violentos diminuíram, porém a Igreja Católica continuou proibida de administrar escolas e de formalmente ensinar religião.

Os fiéis leigos são discriminados nos locais de trabalho por expressarem a sua identidade religiosa, por exemplo, e as autoridades eclesiais ainda aguardam um avanço no sentido de terem de volta as propriedades da Igreja, expropriadas pelo regime local há 40 anos.

Ao encarar estas realidades, a posição do Vaticano ao longo dos últimos 40 anos favoreceu um engajamento e uma inserção gradual de Cuba para dentro da comunidade internacional, na crença de que com o país movendo-se em direção ao centro iria também acabar sendo mais amigável à religião.

O Papa João Paulo II era sabidamente anticomunista. Então, quando visitou Cuba em 1998, muitos esperaram uma repetição daquilo que a sua visita à Polônia fez: uma inspiração para o movimento Solidariedade nas décadas de 1970 e 1980.

Esta visita de 1998 foi amplamente ignorada pela imprensa americana devido ao escândalo Monica Lewinsky, que irrompeu em Washington, DC, na época. No final, João Paulo II escolheu superar o confronto, aparecendo em público ao lado de Fidel Castro em várias ocasiões e projetando a imagem de um diálogo amistoso.

João Paulo II fez um apelo às autoridades cubanas para permitirem uma maior liberdade de expressão e associação, mas, em geral, tratou Fidel Castro como um legítimo chefe de Estado em vez de um pária. Em troca, Fidel fez questão de usar um terno em lugar de roupas de combate em seus encontros com o papa, e logo depois que João Paulo IIdeixou o país, o líder cubano restaurou o Natal como um feriado nacional.

O papa enviou a Fidel Castro uma nota de agradecimento, irritando muitos falcões anticomunistas em Cuba.

Cinco anos mais tarde, a mais alta autoridade missionária do Vaticano à época, o cardeal italiano Crescenzio Sepe, viajou a Cuba para celebrar a reabertura de um convento da ordem religiosa feminina Santa Brígida.

Sepe chegou ao país sob críticas por parte de católicos conservadores, que denunciaram o gesto como nada mais do que uma foto oficial para o regime de Fidel. As autoridades vaticanas, no entanto, insistiram que a viagem foi parte de uma estratégia de longo prazo que visou pôr o país caribenho num caminho mais moderado.

Quando Bento XVI visitou Cuba em 2012, ele claramente declinou o convite para se reunir com uma delegação das “Damas de Branco”, um dos principais grupos oposicionistas do regime de Fidel Castro no país. Ele também denunciou o embargo comercial estadunidense a Cuba, dizendo que este “sobrecarregou injustamente” o povo cubano.

O pontífice alemão foi tão respeitoso nesta visita que o cubano-americano Marco Rubio, senador americano, representante da Flórida – e católico –, manifestou o receio de que a hierarquia católica “negociara um espaço de trabalho” para si em Cuba, “em vez de ver o outro lado”, referente aos crimes cometidos pelo regime.

A revista The National Review, publicação conservadora que normalmente apoia o papado, publicou artigos que criticavam Bento XVI e a Igreja local por não abraçar, publicamente, os dissidentes cubanos, e um colunista do jornal Miami Herald escreveu: “A hierarquia da Igreja cubana irá entrar para a história por se aliar aos opressores em vez de ficar do lado dos oprimidos”.

Nada disso, entretanto, dissuadiu os diplomatas vaticanos que estavam determinados a manter abertas as linhas de comunicação com Cuba, especialmente enquanto o país se preparava para um futuro pós-Fidel Castro.

O Papa Francisco se reuniu com Berta Sole, líder das “Damas de Branco”, no fim de uma Audiência Geral em março de 2013, e deu ao grupo a sua bênção. Na época, as forças anti-Fidel esperavam que este encontro pudesse sinalizar uma mudança de direção sob o comando do primeiro papa latino-americano da história.

Mas, em vez disso, Francisco deu continuidade, em grande parte, à política oficial de permanecer dialogando com Cuba, abordagem que ajudou a pôr o Vaticano numa posição de confiança no vai e vem entre Washington e Havana.

O papa escreveu uma carta pessoal a Obama em meados deste ano e uma outra a Raúl Castro, abertura que teria ajudado a quebrar o gelo entre os dois líderes.

Dependendo de para onde Cuba vai ir a partir de agora com respeito à liberdade religiosa, a determinação do Vaticano de manter em aberto o diálogo com o país caribenho vai parecer ter sido uma ação sábia ou não.

Por enquanto, Francisco pode desfrutar da liderança moral que encorajou as autoridades de ambos os lados a enxergar o “mundo tal como ele deve ser”.

John L. Allen Jr., publicada por Crux.

 

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Os milhões de turistas que anualmente demandam a Cidade Eterna, Roma, entre os inúmeros pontos de interesse da Urbe, elegem a Basílica de S. Pedro e a mole de edificações em seu torno como um dos pontos altos da viagem. Todavia, poucos se lembram, ou até saberão, que ao adentrarem o espaço dentro do abraço da Colunata de Bernini, a Praça de S. Pedro, estão a entrar noutro Estado, soberano, independente: o Estado da Cidade do Vaticano.

Com 0,44 km2, este enclave dentro da cidade de Roma, logo da Itália, não possui fronteiras marítimas nem cursos de água, sendo o menor país do mundo. O espaço aéreo e o subsolo, por exemplo, estão interditos ao Estado italiano. Conta com cerca de mil habitantes, entre os quais o Sumo Pontífice, ou Papa, o Chefe do Estado que se distingue da Santa Sé, a diocese de Roma que dirige toda a Igreja Católica Apostólica Romana do mundo, com mais de um bilhião e 300 milhões de fiéis. São entidades distintas, com passaportes diferentes, com o Vaticano a usar o Italiano (e o Latim) como língua oficial, enquanto a Santa Sé usa o essencialmente Latim. O Estado da Cidade do Vaticano é o Estado, assim, que acolhe a Cadeira de Pedro, a “sede” da Igreja Católica. A Santa Sé, na pessoa do Papa, tem soberania no Estado da Cidade do Vaticano. Do ponto de vista diplomático, do direito internacional, o sujeito é a Santa Sé, o Governo central do território ou Estado que é o Vaticano. Este é governado pela Comissão Pontifícia para o Estado da Cidade do Vaticano, o Governo executivo do Estado. A Cúria Romana é por seu lado o órgão administrativo da Santa Sé.

O Estado da Cidade do Vaticano nasceu a 11 de Fevereiro de 1929 (ratificação a 7 de Junho desse ano), na sequência dos Acordos (Tratado de) Latrão, assinados entre a Santa Sé e o Reino de Itália, no caso entre o Papa Pio XI e Benito Mussolini, chefe do Governo fascista italiano.

Para muitos herdeiro dos antigos Estados Pontifícios (ou Papais), que existiram entre 751 e 1870, o Vaticano, nos acordos lateranenses, surgia como criação ex novo, pelo menos em teoria. Na prática, era a redução instituída do que foram em tempos os Estados Pontifícios, que ocuparam toda a região central da península de Itália até 1861, quando a monarquia italiana iniciou a sua integração na nação em reunificação, confinando-os à Cidade de Roma, fortemente defendida por tropas francesas, que se retirariam em 1870, por ordem de Napoleão III, para acudir às Guerras Franco-Prussianas, desprotegendo assim a Urbe. Em 1870, os Estados Pontifícios resumiam-se já, consequentemente, apenas ao interior da muralha do Vaticano, como consequência da entrada triunfal em Roma das tropas italianas (“Bersaglieri”), comandadas pelo rei Vitor Emanuel II. De facto, Pio IX, Papa, poder-se-ia dizer, deitara-se a 19 de Setembro em território pontifício, no Palácio de Latrão (onde residiam os Papas desde 1378, fim do Cisma do Ocidente, ou de Avinhão), acordando a 20 já em Itália, sendo obrigado a sair do que antes eram o que restava dos Estados Papais, Roma, para a nova realidade que eram os seus “domínios”, dentro da muralha vaticana. Mas nada ficara resolvido, nascia antes uma questão a dirimir com o novo reino de Itália, reunificado: a “Questão Romana”. Os ventos não corriam de feição para o Papa, pois a anexação de Roma e da região do Lácio pelos italianos fora mesmo sancionada de forma inequívoca pela população no célebre plebiscito de 2 de Outubro de 1870: em 135 mil 188 votantes, votaram favoravelmente 133 mil 681, registando-se apenas mil 507 contrários. O Senado aprovaria depois os resultados em 27 de Janeiro de 1871, confirmando a transferência da capital de Florença para Roma. Os domínios temporais da Igreja definhavam, senão mesmo, desapareciam.

Esta questão, todavia, ganhou maiores foros de polémica quando o rei de Itália, Vitor Emanuel II, a 13 de Março de 1871, propôs compensar Pio IX através de uma indemnização, a par da garantia de manter o Papa como Chefe de Estado do Vaticano, onde se resumia o seu poder efectivo então. O Papa Pio IX declarou não aceitar a perda do Património de S. Pedro, como se designavam também os Estados Pontifícios e todos os seus direitos históricos e territoriais. Numa tomada de posição célebre, sem precedentes, o Papa declarou-se então “prisioneiro” do Governo laico do novo reino de Itália. Foi ainda mais longe quando proibiu, em 1874, os católicos de Itália de votar em eleições num Estado laico como o jovem reino. Irredutível, o Papa da “Infalibilidade”, do Concílio Vaticano I (1870), recusou-se então a aparecer em público em Roma, no que foi imitado por vários sucessores. Leão XIII manteve a linha do antecessor, embora de forma menos radical, mas defendeu também que se os católicos participassem na vida política italiana, estariam a legitimar as mesmas instituições que retiravam poder político ao Papa e que extinguiram os Estados Pontifícios, o que subordinava o papado ao poder laico e secular do reino de Itália. Pio X procurou efectivar melhores relações com o Estado italiano, como o seu sucessor Bento XV, que estimulou a vida política activa dos católicos italianos, por exemplo. Mas a tensão da Questão Romana prevalecia. Pio XI, eleito Papa 52 anos depois da anexação de Roma, aproximou-se do Governo de Itália, para negociar o fim da Questão Romana, encetando também esforços diplomáticos internacionais.

Depois de avanços e recuos, a Igreja aceita as condições que antes Vitor Emanuel II oferecera ao Papa Pio IX. Assim, em Latrão, assinam-se acordos com a Itália, então governada por Mussolini, fascista. Cria-se o Estado do Vaticano, soberano, neutro e inviolável, sob a autoridade do Papa, assegurando-se os privilégios de extraterritorialidade do palácio de Castelgandolfo e das três basílicas de São João de Latrão, Santa Maria Maior e São Paulo Extramuros, além do palácio da Propaganda Fide, da Chancelaria e de outros edifícios em Roma. Por outro lado, a Santa Sé renunciou aos territórios que havia possuído desde a Idade Média e reconheceu Roma como capital da Itália. A indemnização financeira pelas perdas territoriais foi formalizada, bem como o quadro das relações entre a Santa Sé e a Itália, reconhecendo-se a religião católica como oficial. Foram ulteriormente efectuadas revisões pontuais destes Acordos de Latrão, que criaram o Estado da Cidade do Vaticano e apaziguaram relações tensas entre a Igreja e o mundo laico, em particular o novo Estado de Itália.

 Vítor Teixeira 

Universidade de São José

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A revista norte-americana Fortune, especializada em temas econômicos, desmentiu o mito das “grandes riquezas” doVaticano, e informou que se a Santa Sé fosse uma corporação, nem sequer chegaria perto das 500 mais ricas da sua famosa lista Fortune 500.

Em seu artigo intitulado “This Pope means business” (“Este Papa é sério”), a Fortune indicou que “frequentemente é assumido que o Vaticano é rico, mas se fosse uma companhia, não chegaria nem perto da lista Fortune 500”.

A lista da Fortune 500 é encabeçada este ano pela multinacional Wal-Mart, com receita de 476,3 bilhões de dólares, e com a gigante da tecnologia Apple em quinto lugar, com receita de 179,9 bilhões.

O último lugar da sua lista é ocupado pela empresa United Rentals, com receita de 4,9 bilhões de dólares.

A Fortune assinalou que o orçamento operacional do Vaticano é de apenas 700 milhões de dólares, e “em 2013 registrou um pequeno superávit global de 11,5 milhões de dólares”.

A revista estadunidense assinalou, além disso, que a maioria dos ativos mais valiosos do Vaticano, “alguns dos maiores tesouros de arte do mundo, são praticamente sem avaliação e não estão à venda”.(foto, museu do Vaticano)

“A Igreja católica é altamente descentralizada financeiramente. Em termos de dinheiro, o Vaticano basicamente está por conta. Essa é uma importante razão pela qual suas finanças são muito mais frágeis e sua situação econômica é muito mais modesta que sua imagem de luxuosa riqueza”.

O Vaticano, indicou a revista econômica, não tem acesso ao dinheiro nem das dioceses nem das ordens religiosas.

Explicou que “cada diocese”, em termos econômicos, “é uma corporação separada, com seus próprios investimentos e orçamentos, incluindo as arquidioceses metropolitanas”.

A Fortune assinalou que as dioceses de todo o mundo “mandam somas consideráveis de dinheiro para o Vaticano cada ano, mas a maior parte deste dinheiro é destinada ao trabalho missionário ou às doações de caridade do Papa”.

O Vaticano, informa a matéria da Fortune, “paga salários relativamente baixos, mas oferece benefícios generosos de saúde e aposentadoria”.

“Os cardeais e bispos das congregações e dos conselhos muitas vezes recebem o equivalente a 46 mil dólares ao ano”.

“Os soldados rasos, incluindo irmãs e sacerdotes, também recebem salários menores aos de mercado”, publicou a revista, mas destacou que “os empregados do Vaticano não pagam imposto de renda”.

“Os empregados leigos do Vaticano têm emprego vitalício e, virtualmente, ninguém sai antes da idade da aposentadoria”, assinalou.

Fonte:  Religión Digital

mentira-tem-vida-curta-frase-citacaoO Vaticano, através de sua conta do Facebook em língua espanhola News.va (https://www.facebook.com/news.va.es trouxe uma nota de esclarecimento de uma série de falsas declarações atribuídas ao Papa Francisco e que estão circulando na Internet nestes dias.

O texto (originalmente em espanhol) diz:

“Queridos amigos, muitos de nossos leitores nos assinalam uma ‘notícia’ que circula na internet e nos perguntam se é verdadeira. Esta ‘notícia’, publicada em vários idiomas, diz que o Papa Francisco afirmou que a Bíblia está antiquada em muitas passagens como a ‘fábula de Adão e Eva’ ou o inferno, que todas as religiões são iguais, que Deus está mudando e evoluindo e a verdade religiosa também, e outras coisas semelhantes. Tudo isto o Papa teria afirmado no ‘Terceiro concílio Vaticano II’.

Pela internet circulam milhares de histórias falsas, e às vezes é difícil saber de onde se originou a ‘notícia’ e se esta vem de uma fonte confiável ou não. Por isso, ante uma notícia referente ao Papa Francisco que nos pareça estranha, é bom questionar-nos e ir às fontes vaticanas para ver se também ali estas notas aparecem e com que palavras são escritas.

Por isso no que se refere ao Papa Francisco, se as palavras a ele atribuídas não aparecem nos meios oficiais vaticanos, é muito possível que sejam falsas. Aqui lhes oferecemos uma lista dos meios vaticanos e seus sites na internet, para que possam ir comprovar as notícias sempre que tiverem dúvidas:

-Canal Twitter oficial do Santo Padre (em português): https://twitter.com/Pontifex_pt   

-Escritório de Imprensa da Santa Sé: http://www.vatican.va/news_services/press/index_po.htm

-News.va: Recolhe em um único site as notícias dos outros meios vaticanos (http://www.news.va/pt), e fanpage no facebook (https://www.facebook.com/news.va.pt?fref=ts)

-Site Web oficial da Santa Sé, onde se pode encontrar o íntegra oficial de todos os discursos, homilias, mensagens, etc. do Papa Francisco: http://www.vatican.va

-L’Osservatore Romano: Periódico da Santa Sé http://www.osservatoreromano.va/pt

-Rádio Vaticano: http://pt.radiovaticana.va/bra/index_n.asp

-Centro Televisivo Vaticano: http://www.ctv.va/content/ctv/it.html

-The Pope App: app para smartphones e tablets administrado por News.va, que pode ser descarregado gratuitamente em: http://www.news.va/thepopeapp/  e permite seguir em tempo real as intervenções do Papa e configurar alertas que avisam quando começam os eventos pontifícios.

Este também permite acessar todo o conteúdo oficial relacionado ao Papa em qualquer formato: notícias e discursos oficiais, galeria com suas últimas imagens e vídeos e acesso a sua agenda e links a outros serviços da Santa Sé. Além disso, a aplicação tem acesso às webcams distribuídas pela Praça de São Pedro, que transmitem imagens em todo momento.

-VIS (Vatican Information Service): http://www.vis.va

Uma saudação muita cordial a todos e muito obrigado por sua atenção e suas sugestões”, conclui a nota.

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O obelisco egípcio que se ergue na Praça de São Pedro estava originalmente em Alexandria, e foi transportado a Roma no ano 37 d.C., pelo imperador Calígula, que o colocou no circo de Nero. Quando o circo caiu em desuso e a área foi transformada em uma necrópole, o obelisco permaneceu em sua posição – também quando se construiu, precisamente nesse lugar, a antiga Basílica de São Pedro.
 
Sisto V o transportou à Praça de São Pedro em 26 de setembro de 1586, colocando uma cruz sobre o seu ápice e mandando gravar algumas frases em sua base de mármore. É particularmente interessante a que está na direção leste, com vista para a cidade de Roma, e que seria uma antiquíssima fórmula de exorcismo, dividida em três elementos:
 
Ecce crux Domini (“Esta é a cruz do Senhor” – ostensão da cruz);
 
Fugite partes adversae (“Fugi, forças do caos” – um autêntico exorcismo);
 
Vicit Leo de tribu Juda (“Venceu o Leão da tribo de Judá ” – aclamação final).

Dessa maneira, a Praça de São Pedro marca o limite simbólico do enfrentamento entre o caos (o mundo do mal) e o cosmos (o mundo de Deus). Mais ainda: precisamente neste lugar, tal enfrentamento é particularmente virulento, porque a parte de trás do obelisco tem vista para a moradia do sucessor de Pedro, o Papa, que, segundo a Bíblia, é garantia de que as portas do inferno não prevalecerão (cf. Mt 16, 18).
 
Mas por que o inferno não prevalecerá? Para compreender isso, precisamos dirigir nossa atenção ao contexto em que se encontra o versículo de São Mateus.
 
Trata-se da famosa passagem em que Pedro reconhece que Jesus é o “Cristo, o Filho de Deus vivo” (Mt 16, 16). Precisamente devido a estas palavras, Jesus promete a Pedro: “Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu ésPedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16, 17).
 
Esta comunicação, representada pela Igreja e por Pedro, impede o mal (caos) de levar a cabo seu propósito: separar o homem de Deus e separar o homem do homem. Por isso, a fórmula do exorcismo ordena às forças do caos que fujam, em nome da cruz de Cristo e da Igreja, que representa o cosmos na terra.
 
Enquanto houver, na cátedra de Pedro, um papa que professe a fé em Jesus-Deus, permitindo assim ao mundo do homem que se comunique com o mundo de Deus, o caos e seus “poderosos” aliados estão destinados a um clamoroso fracasso.

Aleteia

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Carta ao G20: Apeloparauma solução pacífica para a crise da Síria (foto da reunião na Russia)

Por Rocio Lancho García

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, desmentiu nesta manhã a notícia de que o Santo Padre teria falado com o presidente sírio, Bashar Al Assad, conforme publicado pelo jornal argentino Clarin que simplesmente citou “fontes do Vaticano”, mas confirmou o envio de uma carta ao presidente da Rússia, Vladimir Putin, por ocasião da reunião do G20 em São Petersburgo que começa hoje.

O Grupo dos 20 (G -20) é um fórum de 19 países mais a União Europeia, existente desde 1999, é a união do G -7 (Canadá, Alemanha, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) mais a Rússia, G -8, e com a entrada de onze países recém- industrializados compõem o G-20.

Sobre a Síria, o papa Francisco comentou que “o encontro dos chefes de Estado e de Governo das vinte maiores economias […] não tem a segurança internacional como principal objetivo”. No entanto, continua o Santo Padre, não pode deixar de refletir sobre a situação no Oriente Médio e, particularmente, na Síria. “Infelizmente, dói ver que muitos interesses têm prevalecido desde o início do conflito sírio, impedindo uma solução que evite o massacre desnecessário que estamos presenciando”.

Novamente Francisco renovou o seu apelo, desta vez aos líderes do G20, para encontrar formas de ajudar a superar os diferentes contrastes e abandonar toda a vã pretensão de uma solução militar. Bem como ” um novo compromisso para prosseguir com coragem e determinação, uma solução pacífica através do diálogo e da negociação entre as partes interessadas, com o apoio unânime da comunidade internacional. Além disso, é um dever moral de todos os governos do mundo encorajar todas as iniciativas para promover a assistência humanitária às pessoas que sofrem por causa de conflito dentro e fora do país”.

Na carta o Santo Padre recordaque “o contexto atual, altamente interdependente, requerajustefinanceiromundial, com regraspróprias,justas e claras para conseguir um mundo mais justo,queacabecom a fome,ofereçatrabalho dignopara todos, habitaçãodignae cuidados médicos necessários”.

Ele também fez referência ao compromisso da presidência do G20 deste ano de “consolidação da reforma das organizações financeiras internacionais e da chegada a um consenso sobre padrões financeiros adaptados às circunstâncias atuais”. Ele acrescentou que a economia global pode realmente se desenvolver na medida em que seja capaz de “consentir uma vida digna a todos os irmãos, desde os mais idosos até as crianças ainda no ventre materno, não apenas a os cidadãos dos membros do G20, mas para cada pessoa na Terra, mesmo aqueles que estão em situações sociais difíceis ou em lugares mais perdidos”.

Neste ponto,fez referência  aos conflitos armados, lembrando que criam”divisões profundas e deixam feridas que necessitam muitos anos para curar.”. Por isso,recordou o Santo Padre “os muitos conflitos armados que ainda assolam o mundo nos mostra, a cada dia, uma dramática imagem da miséria, da fome, da doença e da morte.De fato, sem paz não há qualquer tipo de desenvolvimento econômico.A violência não leva à paz nunca , nem às condições necessárias para tal desenvolvimento”.

Mais de 200 pobres participaram do jantar organizado na noite desta segunda-feira nos Jardins Vaticanos – diante da Gruta de Lourdes – pelo Círculo de São Pedro, cujos voluntários serviram a refeição.

Uma grande festa para os necessitados em honra ao Papa Francisco, da qual participaram também o presidente do Governatorato da Cidade do Vaticano, Cardeal Giuseppe Bertello; e o presidente do Círculo, Duque Leopoldo Torlonia.

Entrevistado pela Rádio Vaticano, o assistente eclesiástico do Círculo de São Pedro, Mons. Franco Camaldo, conta o evento:
Mons. Franco Camaldo:- “Foi um dia de grande serenidade e de grande alegria. O jantar estava muito bom – segundo os comensais – porque foi bem preparado. A refeição foi servida também pelo Cardeal Bertello, pelo Duque Torlonia e também por mim. Via-se a alegria estampada nas expressões faciais dos nossos assistidos. Havia emoção e quase incredulidade: encontrar-se nos Jardins Vaticanos, num entardecer muito bonito, diante da Gruta de Nossa Senhora de Lourdes, ser servido à mesa, mesas bem preparadas… realmente, havia muita emoção e quase não podiam acreditar!
RV: Ao término do jantar, foram presenteados alguns pacotes aos participantes…
Mons. Franco Camaldo:- “Dois pacotes: um com frutas e outro com doces provenientes de Nápoles, que nos foram oferecidos por um sócio do Círculo de São Pedro. Depois, como recordação, oferecemos a todos um porta-chaves do Papa, com uma pequena imagem do Santo Padre. Muitas vezes os comensais gritaram “Viva o Papa-Viva o Papa”. E depois algo muito bonito e singular: muitos deles trouxeram consigo escritos, bilhetes, pensamentos para o Papa, de modo que nós – no máximo até esta quarta-feira – entregaremos ao Santo Padre algumas fotos do jantar, bem como essas cartinhas, porque justamente expressam o reconhecimento deles ao Papa.”

Um padre, um elemento dos serviços secretos italianos e um intermediário financeiro foram hoje detidos, no âmbito de um inquérito da justiça italiana sobre o Instituto das Obras Religiosas (IOR), o banco do Vaticano, anunciaram os ‘media’.

Ao contrário do que noticiaram os ‘media’ italianos, o prelado detido, Nunzio Scarano, não é o bispo de Salerno (sul de Itália), mas um padre com o título honorífico de ‘monsenhor’, disse à agência noticiosa francesa AFP Greg Burke, assessor em comunicação do Vaticano.

A estação de televisão Sky TG-24 indicou que os três homens são suspeitos de fraude e corrupção, tendo sido detidos pela polícia financeira, com mandado do ministério público de Roma.

À AFP, a polícia financeira não confirmou as informações, remetendo qualquer esclarecimento para uma conferência de imprensa, prevista para o fim da manhã.

De acordo com o diário La Repubblica, Scarano é também alvo de um inquérito do Ministério Público de Salerno por branqueamento de dinheiro.

O porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, disse à AFP que o padre, membro da Administração do património da sede apostólica (APSA), organismo que gere os bens da Santa Sé, tinha sido suspenso “há cerca de um mês, quando os superiores souberam que estava a ser investigado” pela justiça.