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“Cabe a nós acompanhar esta longa Sexta-feira Santa que nosso povo está vivendo”.

Os jesuítas venezuelanos já disseram que basta. Diante da escalada da violência na Venezuela, que na noite passada reivindicou mais seis vítimas, e a situação de fome e necessidade pela qual o país está vivendo, a companhia de Jesus, por meio de seus diversos órgãos, denunciou que “vivemos em um Estado sequestrado e violado por um governo ditatorial”, enquanto fala-se de “repressão indiscriminada e sistemática contra a população civil” por parte do poder Executivo de Maduro.

“Como cristãos, cabe a nós acompanhar esta longa Sexta-feira Santa que nosso povo está vivendo”, denunciam os jesuítas que se somam à “mensagem clara e corajosa” de bispos do país.

O primeiro a reagir foi Luis Ugalde, S.J., Diretor do Centro de Estudos Religiosos da Companhia de Jesus (CERPE), que qualifica a situação na Venezuela de “moralmente inaceitável”.

Para Ugalde, “é evidente que vivemos em um Estado com uma constituição democrática, mas que é sequestrado e violado por um governo ditatorial”, referindo-se à decisão do Tribunal Supremo de Justiça (que posteriormente voltou atrás) de anular os poderes da Assembleia Nacional.

“O país e o mundo estão agora mais esclarecidos: a democracia foi violada com um golpe mortal contra a soberania do povo cujos votos foram queimados na fogueira dos usurpadores”, diz Ugalde, que salienta que “este grave crime tem criminosos que precisam ser punidos”, e que “não puni-los é estar em cumplicidade com o golpe”.

“Nós não estamos diante de uma disputa de poderes e de uma diferença de interpretação entre juristas, mas estamos diante de um golpe que priva o povo de sua soberania”, diz o jesuíta, que se posiciona ao lado dos bispos do país, que consideram que “essa distorção é moralmente inaceitável”. Ugalde vai além e afirma que “é um dever de consciência rejeitar o golpe e a Constituição convoca o povo da Venezuela para ignorar qualquer decisão que a viole”.

Por outro lado, a revista SIC e o Centro Gumilla, órgão da Companhia de Jesus na Venezuela, publicaram um editorial intitulado “É uma ditadura” em que qualificam os últimos movimentos do poder Executivo de Nicolás Maduro como “um claro golpe de Estado e um desmascaramento definitivo do governo como uma ditadura”.

Para a revista, “as situações de fome, de repressão, de falta de cuidado e de suprimentos médicos básicos, que definimos como uma crise humanitária em um país onde tais circunstâncias são inexplicáveis e no fundo podem ser lidas como uma política expressa de submissão da população, cujo objetivo era e é evitar o levante popular frente a um auto-golpe”.

Na mesma linha, “as contínuas prisões de diversos políticos venezuelanos” são denunciadas, assim como “o desprezo em que a comunidade internacional tem tratado esta temática venezuelana”. Para a revista, “enfrentamos uma ditadura como cidadãos e como cristãos. Estamos conscientes das disposições dos artigos 333 e 350 da Constituição que nos exigem a fazer tudo o que dependa de nós para a restituição das liberdades. Trata-se da ação cidadã através de protestos pacíficos, desarmados, sem violência e em resistência ao abuso de poder. Trata-se de usar a palavra e a razão, apesar de que seja difícil encontrar seus caminhos em tempos tão turbulentos. Trata-se de não cair nas chantagens da força, reivindicar nossos direitos e o direito de uma solução democrática e eleitoral”.

“Como cristãos, – acrescenta – cabe a nós acompanhar esta longa Sexta-feira Santa que nosso povo está vivendo. A fome ainda está presente, a falta de medicamentos, as operações violentas da OLP, o mal desempenho dos serviços públicos ou o seu desaparecimento, a insegurança, e fatores que se somam e agravam outros problemas que já vêm de longa data”, enquanto critica o último passo dado pelo Tribunal Superior de Justiça (que provocou os últimos incidentes), que é “uma nova temporada nesta Viacrucis do povo venezuelano, uma desapropriação a mais, um novo espinho, outro golpe neste caminho tortuoso que já leva alguns anos”.

“Queremos caminhar para a verdadeira liberdade que pressupõe reconhecer a todos como membros de uma comunidade política que respeita os direitos do próximo, que permite verdadeiros caminhos de desenvolvimento, que promove uma solidariedade autêntica”, conclui o editorial, pedindo “respeito pelo Estado de Direito, a separação de poderes, a legitimidade do Parlamento como instância de controle e decisão democrática”.

Finalmente, as autoridades da Universidade Católica Andrés Bello ofereceram uma conferência de imprensa para estabelecer uma posição sobre o desempenho dos organismos de segurança do Estado frente aos protestos registrados no país, na semana passada, contra as sentenças do Tribunal Supremo de Justiça (TSJ), que desabilitaram a Assembleia Nacional a favor da restituição da ordem constitucional.

A reunião foi presidida pelo reitor, Francisco José Virtuoso, o Cardeal Jorge Urosa Savino – Arcebispo de Caracas e Chanceler da UCAB – e o Padre Rafael Garrido – Provincial da Companhia de Jesus na Venezuela e Vice-Chanceler desta casa de estudos – que leram um comunicado em que denunciaram a implantação de uma “repressão indiscriminada e sistemática contra a população civil” e o “uso irresponsável e ilegal da força” pelo poder Executivo Nacional.

No documento, as autoridades asseguraram que a Universidade Católica “não deve e nem pode permanecer em silêncio frente a violação dos direitos humanos e da impunidade”. Eles qualificaram como “abomináveis” as ações repressivas como o uso de armas de fogo, o disparo de bombas de gás lacrimogêneo em direção a hospitais e centros comerciais e o lançamento deste tipo de projéteis por helicópteros do Estado.

Os representantes da UCAB exigiram que o governo nacional cessasse a criminalização das manifestações pacíficas e as prisões arbitrárias, advertiram que não “se pode sacrificar os direitos humanos sob o pretexto de restaurar a ordem pública” e pediram para investigar “de maneira independente e exaustiva” os excessos cometidos no controle da ordem pública, porque “constituem graves infrações do direito internacional e podem constituir crimes contra a humanidade”.

Eles também lembraram que o protesto é um direito consagrado pela Constituição Nacional e convocaram aqueles que desejam exercê-la “no âmbito do respeito às leis e aos cidadãos, evitando qualquer tipo de violência que deturpe os mais nobres propósitos”.

Segue o texto completo do comunicado, que também está disponível para download aqui.

Religión Digital

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O papa Francisco “segue com atenção” a situação na Venezuela e escreveu ao chefe de Estado Nicolas Maduro, disse  o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi. Lombardi escusou-se a divulgar o conteúdo da carta de Francisco para Maduro, mas afirmou que o papa escreveu sobre “a situação do país”.

A Venezuela é já há algum tempo uma das preocupações do Vaticano e do papa, que se referiu ao país, em várias ocasiões, no passado. Lombardi lembrou uma das últimas intervenções de Jorge Bergoglio, no Domingo de Páscoa, antes da benção “Urbi et Orbi”, apelou ao diálogo na Venezuela perante “as difíceis condições em que vive a população”.

Francisco pediu a quem “tem nas mãos o destino do país” para “trabalhar a favor do bem comum, procurando espaços de diálogo e de colaboração entre todos”. O papa defendeu a “cultura do encontro, a justiça e o respeito recíproco” para “garantir o bem-estar espiritual e material” dos venezuelanos.

O Vaticano, que desempenhou um papel fundamental no restabelecimento das relações entre os governos dos Estados Unidos e Cuba, também quer contribuir para a paz na Venezuela, tal como afirmou em abril passado o núncio no país, monsenhor Aldo Giordano. “Estou aqui para comunicar ao país o afeto, a proximidade do papa Francisco, o papa é um protagonista da paz no mundo e estamos aqui para colaborar para a paz no nosso querido país (…) a nunciatura está aqui para contribuir para o bem do povo da Venezuela”, disse, na altura, Giordano, de acordo com um comunicado.

Fonte: Correio da Manhã

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Mais uma vez os bispos venezuelanos denunciam a gravíssima situação do país. Em nota publicada dia 27, os prelados pedem que ninguém se deixe manipular rumo à violência social, não aceitar a corrupção daqueles que especulam, permitir que a Cáritas possa dar a sua ajuda neste momento, especialmente com remédios.

O bispos condenam também os casos de linchamentos e solicitam a todos responsabilidade e respeito da institucionalidade.

“Nunca antes tínhamos sofrido a extrema carência de bens e produtos básicos para a alimentação e a saúde, junto com outros males como o crescimento da delinquência assassina e desumana, o racionamento instável da luz e da água e a profunda corrupção em todos os níveis do Governo e da sociedade. A ideologização e o pragmatismo manipulador intensificam esta situação”, afirma a nota.

Leia a nota completa, em espanhol, nesse link

Cardinal Jorge Urosa Savino of Venezuela conducts a Mass in honor of the late Venezuelan President Hugo Chavez in Rome

O arcebispo de Caracas, dom Jorge Urosa Savino, pediu uma “sentença mais justa” para Lepoldo López, o líder do partido oposicionista Vontade Popular, condenado por um tribunal venezuelano a 13 anos e nove meses de prisão por incitamento à desordem pública. “A sentença foi incorreta e negativa para o país (…). Não é justo que, simplesmente por promover manifestações pacíficas contra o governo, atribuam a López a culpa de toda uma série de delitos e instigação e crimes”, afirmou o arcebispo.

Dom Jorde Urosa disse esperar que uma “sentença mais justa” saia assim que o tribunal analise um recurso de apelação interposto pelos advogados de López. Segundo o o cardeal, o processo teve “muitíssimas irregularidades” e as acusações “não têm fundamento”. Ele condenou “a maneira cruel” como o oposicionista vem sendo tratado desde a prisão. “Diz-se que López instigou atos de violência, mas ficou demonstrado que o seu discurso, sendo de oposição, não é violento, é pacífico, no quadro da Constituição e das leis.”

O cardeal falou também sobre as pessoas que morreram durante as manifestações de protesto ocorridas no ano passado na Venezuela, afirmando que elas foram atacadas por funcionários do governo e por grupos armados. “Deploro a morte de pessoas inocentes, que não estavam nas manifestações, e de pessoas que foram agredidas por alguns manifestantes. Isso eu condeno.”

Leopoldo López, que está detido há mais de um ano e meio na prisão militar de Ramo Verde, foi condenado na noite de quinta-feira pelos crimes de instigação pública, associação delinquente, danos à propriedade e incêndio na sequência de atos de violência ocorridos no final de protesto convocado por representantes da oposição venezuelana em 12 de fevereiro de 2014. Além de López, foram condenados quatro estudantes, também oposicionistas. Segundo dados não oficiais, em fevereiro do ano passado, pelo menos 42 pessoas foram assassinadas durante os protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

(Com Agência Brasil)

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A crise econômica na Venezuela golpeia novamente à Igreja Católica: a produção de hóstias caiu cerca de 60 por cento durante o último mês, afetando três estados do país sul-americano.

Giovanni Luisio Mass, encarregado da fabricação das hóstias por parte da Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo do Templo de Jerusalém, no estado de Anzoátegui, explicou aos meios locais que há um mês aumentou a escassez da farinha de trigo sem fermento, a qual necessitam para fabricar as hóstias.

Segundo informou a TV Caracol, a produção mensal de hóstias diminuiu de 80 mil a 30 mil. Esta queda, indicou Mass, afetou todos os templos dos três estados venezuelanos. Acrescentou que somente podem enviar 1500 hóstias às Igrejas do norte do país, pois não têm a farinha suficiente para fabricar as 8000 que estavam acostumados a enviar.

Do mesmo modo, várias Igrejas junto às comunidades se organizaram para conseguir a farinha de trigo necessária para as hóstias.

A grave crise econômica

A Venezuela enfrenta um desabastecimento que vai desde alimentos, papel higiênico e remédios a peças para automóveis, chocolate, petróleo e ferro de passar roupa. Conforme expressou o Banco Central da Venezuela, no ano passado o preço dos alimentos subiu cerca de 92 por cento e durante os últimos dez anos a inflação subiu 1250 por cento.

Segundo o jornal colombiano ‘El Tiempo’ e ‘GDA’ (Grupo de Jornais da América), desde o ano 2003 o Governo elaborou uma lista de 165 produtos cujo preço é regulado pelas autoridades: azeite de cozinha, sabão, leite, farinha, carnes, cereais, papel higiênico, produtos de limpeza, detergente, fraldas, pasta de dente, açúcar, entre outros.

Esta medida ocasionou uma diferença entre os custos de produção e provocou um grande aumento nos preços, levando várias empresas à falência.

O Governo também estabeleceu políticas para controlar as vendas, como por exemplo a distribuição de ingressos para entrar por turnos aos supermercados e colocaram sensores de impressões digitais nas lojas, a fim de evitar que “ultrapassem” na quantidade de produtos adquiridos.

Segundo informou a BBC, diariamente os venezuelanos são obrigados a enfrentar grandes filas nos supermercados, mas muitas vezes não encontram os produtos de que necessitam e vão a outro e novamente devem enfrentar uma enorme fila. No melhor dos casos, quando encontram o produto que querem, o preço normalmente está muito elevado.

Em média, um venezuelano demora cinco horas semanais para fazer compras.

A BBC cita a pesquisa venezuelana Datanálisis, a qual afirma que em cerca de 80 por cento dos supermercados existe uma escassez de produtos básicos. Por isso, o mercado negro cresceu ou o “bachaqueo” – lugar no qual os produtos custam quatro vezes mais caros –, e 65 por cento das pessoas que estão nas filas dos supermercados são revendedores.

Por-que-se-protesta-na-VenezuelaEm sentido anti-horário, os motivos:
 
I. CENSURA
 
1) Sem papel, não há jornal.
 
Destaco trechos da matéria da Folha: Falta de papel ameaça jornais na Venezuela
 
“Em menos de dois meses, seremos um país sem jornais impressos, algo que nunca se viu no mundo.” A frase é de Miguel Otero, diretor do “El Nacional”, um dos mais importantes jornais venezuelanos, com sede em Caracas.
 
Na última semana, o “Nacional” anunciou em editorial que, devido a travas burocráticas impostas pelo governo Nicolás Maduro, só tem papel para imprimir jornal nas próximas seis semanas.
 
Desde outubro último, dez diários do interior fecharam, e 21 anunciaram que podem fazer o mesmo caso recursos para a compra de insumos não sejam liberados pela Cadivi (Comissão de Administração de Divisas). O “El Universal”, rival do “El Nacional”, também disse passar pelas mesmas dificuldades.
 
Os jornais venezuelanos dependem de papel importado, principalmente do Canadá (cerca de 80%). Para obtê-lo, as empresas devem pedir ao órgão permissão para comprar dólares.
 
Além disso, é necessário obter uma autorização que justifique a compra de produto importado.
 
“São trâmites demorados, que requerem muita antecedência. O governo demora a liberar a compra. Uma vez aprovada, não libera o recurso. Nessa espera, os jornais fazem reformas, acabam com suplementos, para resistir até quando puderem. Muitos não vão conseguir”, afirmou à Folha Carlos Carmona, proprietário e diretor do jornal “El Impulso”, de Barquisimeto.
 
Desde 2003, há um controle estatal do câmbio que impede a livre compra e venda de divisas, administradas exclusivamente pela Cadivi.
 
Nos últimos meses, o “Nacional” eliminou os suplementos de moda e de literatura. O “Impulso” passou de quatro cadernos para dois. Em editorial, o jornal, o mais antigo da Venezuela, anunciou que só tem como circular até o começo de fevereiro.
 
“É um ataque por via indireta, porém óbvia. Equivale a cortar o suprimento de água de um pequeno vilarejo”, disse em entrevista à Folha o jornalista americano Jon Lee Anderson (autor de “Che “”Uma Biografia”). “Maduro está imitando a China comunista, o stalinismo.Não entendo bem o que quer fazer. Associado ao fato de ser inábil para lidar com a economia, isso não leva a Venezuela a um futuro promissor”, completa. (…)
 
2) Emissora NTN24 foi retirada do ar pela Comissão Nacional de Telecomunicações por transmitir os fatos que aconteceram na marcha do Dia da Juventude, em 12 de fevereiro.
 
Mesmo assim, acrescento eu, a NTN24 continua denunciando na internet as canalhices da ditadura Maduro, como a agressão que Marvinia Jimenez, de 35 anos, sofreu de uma guarda nacional bolivariana [assista à cena aos 2min10seg do vídeo abaixo, ou no vídeo específico sobre o caso – aqui]; e a suposta pressão que a juíza Raclenys Tovar Guillen, que emitiu a ordem de prisão de Leopoldo Lopez, sofreu para condenar o líder opositor sob a ameaça de perder o emprego, segundo revelou sua amiga de infância Gabriela, venezuelana que mora nos Estados Unidos, mostrando aos repórteres da emissora sua conversa com a juíza via Whatsapp.
 
A matéria original está aqui, mas a análise posterior com a comprovação de que o número do telefone da juíza no Whatsapp era dela mesmo segue no vídeo abaixo, aos 9 minutos. (Abaixo,no final do artigo)

II. ESCASSEZ

A cesta básica custa 8590 bolívares, quase três vezes o salário mínimo de 3270.
 
Faltam produtos básicos, inclusive papel higiênico.
 
A inflação, vale lembrar, chegou a 56,2% em 2013.
 
III. INSEGURANÇA
 
Foram cerca de 25 mil homicídios em 2013.
 
Em 92% dos casos denunciados, os assassinos permanecem impunes.

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A vítima famosa da semana foi o ex-campeão mundial de boxe Antonio Cermeño, de 45 anos, encontrado morto por agentes policiais nesta terça-feira em estrada do estado de Miranda. Seus familiares, sequestrados junto com ele na véspera, conseguiram fugir quando o bando parou para reabastecer a caminhonete em um posto a caminho da cidade de Guarenas, mas Cermeño foi levado e assassinado, segundo informação do Ministério Público.
 
IV. JUSTIÇA PARA AS PESSOAS ASSASSINADAS DURANTE AS MANIFESTAÇÕES

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Robert Redman

José Mendez

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Asdrúbal Rodríguez

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Wilmer Carballo

…e Arturo Alexis Martínez (58), o caso mais misterioso de assassinato durante os protestos, pelo qual, naturalmente, a dupla de psicopatas Nicolás Maduro e Diosdado Cabello (o presidente da Assembleia Nacional) culpa as “balas fascistas” da oposição. Assista aos vídeos aqui aqui, se quiser ter uma ideia do jeitinho singelo de ser dos discípulos de Chávez. O site El Impulso.com apresentou o depoimento de uma suposta testemunha que desmentiria a versão oficial – aqui.
 
As acusações do governo de violência por parte dos opositores felizmente ganham também reações debochadas, como o título deste vídeo em que uma manifestante “fortemente armada ataca” a polícia do estado de Falcón. Será que Maduro vai prendê-la também?

Na Veja.comCasos de tortura são relatados em meio a repressão na Venezuela

Trechos da matéria: “A tortura é a pior forma de violência do Estado. Os jovens venezuelanos torturados mostram que a máscara de democracia do regime caiu”. Com estas palavras, a deputada opositora María Corina Machado denuncia os casos de tortura relatados na Venezuela desde o início da onda de protestos contra o governo, há mais de duas semanas. A ONG Foro Penal Venezuelano tem documentados dezoito casos. “Todas estas pessoas tiveram seu direito de defesa violado. Não foi permitido que entrassem em contato com seus advogados eforam forçados a assinar um documento reconhecendo que, sim, foram atendidos por advogados”, afirmou o diretor da organização, Alfredo Romero.

Um dos relatos mais abomináveis é o de um estudante de 21 anos que disse ter sido agredido e violado por um cano de fuzil por integrantes da Guarda Nacional Bolivariana, em Valência, no estado de Carabobo, na noite do dia 13. “Ele chegou em sua casa com muitos hematomas e escoriações após deixar a prisão”, disse a deputada, que conversou com a mãe do jovem.

“Bateram muito em mim, nas costelas, na cabeça. Caí no chão e me chutaram”, contou o jovem em entrevista à imprensa local. “Quando chegamos ao Comando da Guarda Nacional em Tocuyito [cidade vizinha de Valência] passamos por um cão e ordenaram para ele me morder” – prossegue o relato. “Abaixaram minha calça e colocaram o cano de um fuzil em meu ânus”.

(…) Os casos compilados pela ONG incluem um vasto repertório de crueldades: sacos na cabeça, choques elétricos, espancamentos com bastões de madeira.(…)

Serão estas as “melhores intenções” que, nesta quarta-feira, Lula atribuiu em Cuba a Maduro?

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De resto:
 
Maduro antecipou o carnaval para esvaziar os protestos, mas o povo segue firme na luta.

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O prefeito metropolitano de Caracas, Antonio Ledezma, afirmou que a Venezuela não está para festas: “Maduro, quando [você] disser que NÃO seguirá o modelo de Cuba e que liberará poderes sequestrados e presos políticos, conversaremos”; “Maduro, se [você] clama pela paz, desarme os grupos [chavistas] e detenha a Guarda Nacional que maltrata os cidadãos”; “Com carnaval ou sem carnaval, aqui a escasez continua, a insegurança segue desenfreada. Com carnaval ou sem carnaval, continuamos nas ruas.”

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O presidente da Federación de Centros Universitarios da Universidad Central de Venezuela, Juan Requesens, segue na mesma linha: “Nós não descansaremos nas jornadas de carnaval, o movimento estudantil se estenderá desde cedo”, disse ele ao El Impulso, indicando que há cerca de 650 detidos, 20 torturados e 500 feridos em decorrência dos protestos dos últimos dez dias. “Olhem, senhor Maduro, Diosdado Cabello, [Jorge] Arreaza, somos estudiantes a pé, nossas armas são os livros: aqui não há, em parte alguma, ninguém pedindo dinheiro.”
 
Eis aí uma das diferenças básicas entre os protestos na Venezuela (contra o socialismo) e no Brasil (em geral a favor de medidas socialistas): os estudantes venezuelanos realmente estudam.
 

 

 

Fonte: http://veja.abril.com.br/blog/felipe-moura-brasil/2014/02/27/por-que-se-protesta/

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Os religiosos salesianos esfaqueados na Venezuela na noite de 15 de fevereiro, dentro da residência do Colégio Dom Bosco da cidade de Valência, foram sepultados sob fortes aplausos nesta segunda-feira, 17.

O ex-diretor do colégio, Jhonny Reyes, recordou a importância do perdão para superar a dor. Ele destacou que os dois religiosos se entregaram durante mais de 50 anos ao serviço da comunidade e convidou as autoridades a refletirem sobre a tragédia.

Uma segunda missa foi presidida por dom Reinaldo Del Prette, arcebispo de Valencia. Participaram autoridades civis, como o prefeito de Valência, Miguel Cocchiola, e o de San Diego, Enzo Scarano.

Por sua vez, o provincial dos salesianos na Venezuela, Luciano Stefani, se pronunciou sobre as lamentáveis versões que insinuavam ter havido “algo mais do que roubo”: “A análise forense deixou claro que não houve nenhuma outra ação além da tentativa de roubo. Provavelmente, eles resistiram e, por isso, houve esse atropelo e essa morte tão violenta e selvagem”.

O provincial salesiano recordou a vida irrepreensível dos dois religiosos, que dedicaram a vida a educar e formar os jovens, e lamentou as insinuações sem fundamento.

Os dois adolescentes ladrões pisotearam hóstias ao roubar os vasos sagrados, que pensaram ser de ouro.

A Conferência Episcopal da Venezuela, através da sua Comissão de Justiça e Paz, afirmou que o assassinato dos religiosos é “mais uma prova da violência criminosa que impera em nosso país”. Em comunicado, os bispos declararam que “Jesús Plaza e Luis Sánchez, dois homens consagrados ao seguimento de Cristo, acolhedores, dedicados durante toda a vida à formação e ao acompanhamento de jovens com o ideal e com a missão de semear valores nas pessoas, com o sonho de transformar o nosso país à luz do evangelho a fim de reduzir a violência e garantir uma convivência pacífica, receberam a morte pelas mãos de jovens inconscientes do valor supremo da vida”.

A nota prossegue: “A Comissão de Justiça e Paz está profundamente consternada com o assassinato do padre salesiano Jesús Plaza e do irmão salesiano Luis Sánchez. Diante deste acontecimento inqualificável e doloroso, que enluta a Igreja venezuelana e, particularmente, a família salesiana, queremos expressar a nossa indignação com o que este fato envolve e significa em termos de erosão dos valores e de deterioração da nossa convivência social. Enviamos nossas condolências aos familiares do padre Jesús Plaza e do irmão Luis Sánchez, aos nossos irmãos salesianos e a toda a comunidade católica na Venezuela por esta irremediável perda”.

Os bispos reiteram seu repúdio a “todo ato de violência perpetrado contra qualquer pessoa” e enfatizam: “Exigimos das autoridades competentes o esclarecimento dos fatos para prosseguirmos no caminho da justiça social e da paz, da qual estamos carecendo nos últimos anos”. Eles pedem também que “sejam garantidos os direitos humanos e o devido processo dos responsáveis”.

“Elevamos a nossa oração”, termina o comunicado da Conferência Episcopal da Venezuela, “para que, em nosso país, recuperemos na convivência o respeito pela vida e sejamos conscientes de que a pessoa humana é templo de Deus e de que a vida é sagrada”.

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No último ano por volta de três mil cubanos, na sua maioria médicos, fugiram para os Estados Unidos abandonando suas escravizadoras funções em planos sociais da Venezuela, informou “El Universal” , o maior quotidiano de Caracas.

Segundo o jornal, o fato em si não é tão novo, mas o número é impressionante: QUASE TRÊS MIL MÉDICOS CUBANOS FOGEM DA VENEZUELA No território americano já havia por volta de cinco mil médicos e enfermeiras cubanas que fugiram do mundo todo. Porém, no dia 1º de dezembro a cifra atingiu o patamar de oito mil. 98% deles chegou proveniente da Venezuela.

Os dados foram revelados pelo Dr. Julio César Alfonso, presidente de Solidariedade sem Fronteiras (SSF), ONG com sede em Miami que auxilia os médicos cubanos que fogem dos despóticos planos sociais que Havana vende como “economia de serviços” no mundo todo. Na Venezuela se encontra o maior contingente de profissionais da saúde cubanos trabalhando em regime escravo em virtude de convenio de cooperação entre Caracas e Havana de 2003 “Em 2012 havia cinco mil profissionais da saúde refugiados nos EUA, mas o número disparou em 2013, atingindo oito mil, 98% dos quais fugiram da Venezuela porque as condições estão cada vez piores nesse país”, observou Alfonso. “A maioria dos cubanos saiu por causa dos baixos ordenados que recebe, o pagamento não é feito em tempo, aumento da carga de serviço nos módulos do Plano chavista Barrio Adentro no país todo, e muitos denunciam um sistema de escravidão moderno” […]

Os médicos recebem por volta de 300 dólares diretamente, porém a Venezuela entrega ao Estado cubano, em média, 6.000 dólares por cada um deles, quer dizer eles recebem menos do 10% do ordenado nominal”, afirmou o diretor de SSF.

Esses profissionais da medicina, assim como qualquer cubano que executa uma missão no exterior, podem pedir um visto aos EUA pelo programa Parole para Profesionales Médicos Cubanos (CMPP, siglas em inglês). Obtido o visto, em sua maior parte os médicos vão para a Colômbia e não regressam mais.

Os médicos são obrigados a apresentar registros inflacionados de número de pacientes atendidos. As cifras são adulteradas falsificando RG, nomes ou doenças. “Isto é suficiente para Cuba apresentar relatórios positivos ao Estado venezuelano”, explicou Alfonso. Não demorará em sabermos quantos fugiram do Brasil e as circunstâncias dos “serviços” prestados e o dinheiro pago à ditadura castrista. ( * )

Luis Dufaur é escritor e colaborador da ABIM

Fonte: http://www.eluniversal.com/internacional/131221/en-un-ano-tres-mil-cubanos-desertaron-de-venezuela

ACI


A jornalista venezuelana Macky Arenas, diretora de Reporte Católico Laico (RCL), denunciou que “a grave escassez de alimentos no país, que ameaça inclusive à possibilidade de ter vinho e hóstias nas Missas, deve-se em boa parte à corrupção que reina na administração governamental”.

A Comissão de Liturgia da Conferência Episcopal Venezuelana advertiu em um comunicado que a fabricante do vinho autorizado na Venezuela para a celebração da Eucaristia, Vino Ecclesia de indústrias Pomar, “não pode garantir a produção constante e distribuição regular pela falta de alguns insumos para engarrafar dito produto”.

Além disso, os Bispos assinalaram “a dificuldade da obtenção de divisas por parte dos agentes importadores para poder trazer vinho de missa de outros países”.

Ante a difícil situação, a Comissão de Liturgia recomendou a todos os Bispos da Venezuela que “sendo impossível a obtenção do vinho para missa certificado por outra Conferência Episcopal, use-se um vinho que seja o mais puro e natural possível”.

Em declarações ao Grupo Aci, Macky Arenas explicou que a comunicação dos Bispos se deve “a iminente falta do vinho” de Missa no país.

A diretora do RCL assinalou que “o problema se origina na escassez de matéria prima”. “Este não é um país destacado pela produção de vinhos e a única indústria nacional informou (aos Bispos) que não poderá produzir o necessário”, assinalou, pois a esta empresa falta o dinheiro “para importar o que requerem”.

Arenas advertiu que “Fedecámaras (o principal organismo representante dos fatores de produção no país) advertiu que a situação se agravará e não se vê solução a curto prazo”.

A escassez de insumos chegou a um ponto, assinalou, que o próprio presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, “reconheceu no Uruguai a grave escassez, a mesma que todos os venezuelanos sentem ao fazer compras todos os dias”.

“É claro que se trata de um tema de políticas do governo com as divisas e de opção pela importação arrebentando o aparelho produtivo. Mas é simplesmente isso: como o dinheiro vai embora em corrupção, também falha a importação. Isto está configurando um panorama explosivo na Venezuela”.

A diretora de Reporte Católico Laico assinalou que “os Bispos não estão nem sequer questionando, mas evidenciando um problema e adiantando-se às consequências assinalando alternativas”.

“A coisa é simples: faltará o Vinho Ecclesia e nos dizem quais podemos usar. E te advirto: faltará o trigo para hóstias. Esse é um problema maior, assim provavelmente comungaremos com rodinhas de milho, que é o que mais se produz aqui”, advertiu, adicionando que “até isso faltava ontem”, pois “estavam racionando a farinha de milho pré-cozida”.

Arenas criticou que “assim estamos por aqui, na Venezuela petroleira”.

Os fatores críticos desta escassez generalizada que vive o país, advertiu a jornalista católica, são a falta de dinheiro, o acosso aos fatores de produção, entre eles a “hostilidade para as empresas tradicionais no país a fim de fazê-las vender, fechar ou partir, e uma política de importações “afetada em sua eficiência pela corrupção que reina na administração governamental”.

Apresentamos aos leitores um artigo de Luis Ugalde, ex-reitor da Universidade Católica Andres Bello, da Venezuela, e ex-superior provincial jesuíta no país caribenho. O artigo foi publicado no jornal El Nacional e aborda o resultado das recentes eleições venezuelanas.

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Ficou evidente que bem mais da metade dos venezuelanos não está de acordo com a proposta governamental estatista-partidarista. Em eleições sem coação, sem medo e sem uso abusivo do poder do Estado, e com um árbitro medianamente neutro, a vantagem da opção democrático-plural seria de vários milhões de votos. Esta é a realidade que o governo e todos nós temos que reconhecer como ponto de partida para aplicar os remédios indispensáveis para curar este país doente.

Alguns pontos decisivos:

1 – Pobreza e economia. O país está atolado em níveis alarmantes de déficit fiscal, endividamento, inflação, importações desmesuradas e exportações não petrolíferas raquíticas; escassez de produtos básicos, fuga de capitais e de talentos. Estatizações improdutivas e em quebra, e empresas privadas acossadas e sentenciadas à morte pelo socialismo do século XXI. Isso torna impossível superar a pobreza, porque, sem uma forte dinâmica empresarial e vultosos investimentos, não crescerá o emprego produtivo de qualidade crescente.

O regime levou a economia a uma equação econômica insolúvel. O mais acertado para o governo e para o país seria a via do Brasil, o que, no campo econômico, significa abrir as portas com garantias jurídicas para o investimento privado produtivo (não para capitais meramente especulativos), estimulá-lo e exigi-lo. Mas isto não será aceito: para a ideologia deste governo, a empresa privada é o demônio e a propriedade dos meios produtivos é a origem e a causa de todo mal.

2 – Abertura, transparência e eficiência dos programas sociais. A ineficiência governamental, a corrupção e o sectarismo partidarista castraram as iniciais boas intenções dos programas sociais e das missões. É preciso tornar claro aquilo que o sectarismo partidarista, a propaganda e a ideologia tentaram pobremente disfarçar.

Nos programas mais necessários e significativos, de educação, saúde, segurança social, não é difícil aumentar a eficiência, a transparência e o universalismo (não o partidarismo), focando na conquista de direitos consagrados na constituição.

3 – Democratização política. O país requer sinais democráticos claros e imediatos: a libertação de exilados e presos políticos; o abuso do Executivo central tem que ser imediatamente freado com a independência e com o contrapeso dos outros poderes públicos, com uma sociedade civil ativa e com a autonomia dos poderes regionais e locais, bem como com a colaboração eficaz do poder central.

As Forças Armadas também têm de voltar, partindo de dentro de si mesmas, com o apoio da sociedade e do governo, para o seu lugar perdido, importantíssimo, que é reconhecido pela constituição e reclamado pela sociedade.

4 Reconciliação nacional com acordos sérios e sustentados em temas básicos, que só darão certo com grandes consensos e colaboração. Não é possível continuar mais seis anos assim, nem podemos nos resignar nem desejar o fracasso (quase inevitável) do governo que nasce. É necessário um grande ânimo espiritual de renovação, de reconciliação e de esforço esperançado, com fatos e políticas concretas. A violência é uma terrível doença que, como o câncer, vai invadindo tudo. Semearam ódio, desqualificação e agressividade nos corações. São muitas as políticas necessárias de educação, de trabalho juvenil e de dissuasão da violência, mas nenhuma como o reconhecimento, de coração, da nossa condição de irmãos, que torna a vida sagrada.

Reconhecimento não apenas para não nos matarmos, mas para conseguirmos, juntos, levar a vida para onde há morte e miséria.

5 – Presidente educador

O novo presidente deveria acima de tudo ser um educador, um reeducador político em tempo integral, com a dignidade dos mais pobres em foco e com a constituição na mão.

Esta esperança não é um delito nem uma fantasia: é uma realidade de vida ou morte para o governo que começa hoje.

É obvio que ele e a sua ala estalinista estão obcecados ideologicamente e consideram tudo isto como uma rendição ao inimigo antirrevolucionário e à “direita imperialista“. Mas não fazê-lo o levará a um suicídio político mais cedo que tarde. Por isso, todos os democratas, com Capriles e a maioria esperançada, devem continuar unidos e ativos pela vida do país.

A Conferência Episcopal Venezuelana apelou na quarta-feira ao diálogo entre o Governo e os opositores e ofereceu-se para mediar as partes, mas apoiou o pedido da oposição para uma recontagem dos votos da eleição presidencial.

foto GERALDO CASO/AFP
Bispos apoiam recontagem votos na Venezuela e oferecem-se para mediação

Esta recontagem daria tranquilidade ao país, justificou a estrutura da Igreja Católica.

“A oposição solicitou ao Conselho Nacional Eleitoral (CNE) uma auditoria de 100% dos votos. Esta pretensão (…) não ignora o trabalho do CNE. Pelo contrário, reforçaria a sua autoridade moral e daria tranquilidade à população”, sustentou a Conferência Episcopal, em comunicado.

Na opinião dos bispos venezuelanos, a estreita diferença de votos dos resultados eleitorais, que deram a vitória a Nicolás Maduro, deixaram à vista “a aguda polarização política que a sociedade está a viver”.

O candidato da oposição nas eleições presidenciais apresentou na quarta-feira um recurso ao CNE para impugnar os resultados que deram a vitória a Nicolás Maduro.

Numa mensagem divulgada através do Twitter, Henrique Capriles anunciou a reunião da sua equipa de campanha com o CNE para reclamar formalmente a recontagem dos votos do escrutínio de domingo.

Fonte: Jornal de Notícias

Diante das incertezas a respeito da posse de Hugo Chávez, no próximo dia 10, a cúpula da Igreja Católica afirmou nesta segunda-feira que a estabilidade política e social do país corre “sério risco” e que a complexa situação atual poderia levar a Venezuela a uma encruzilhada perigosa.

Durante a reunião anual da Conferência Episcopal Venezuelana, o bispo Diego Padrón também se queixou de que o governo não informou os venezuelanos sobre o verdadeiro estado de saúde do mandatário, que permanece em Cuba.

– Este é um momento histórico, difícil e incerto com traços que desenham uma complexa situação que poderia levar a uma encruzilhada perigosa – disse o bispo Diego Padrón, em um comunicado da cúpula eclesiástica.

A CEV defendeu ainda que está claro que o mandato de Chávez termina em 10 de janeiro, e que nesta data começa outro.

– O governo não disse ao povo toda a verdade a que ele tem pleno direito e vem comunicando sua verdade política com evidente dificuldade. Alterar a Constituição para alcançar um objetivo político é moralmente inaceitável. Rejeitaremos qualquer possível tentativa de manipulação da Constituição em favor dos interesses de uma personalidade política em detrimento da democracia e da unidade do país.

Nesta segunda-feira, o vice-presidente Nicolás Maduro disse que Chávez segue lutando pela recuperação de sua saúde e que pode permanecer no cargo depois de 10 de janeiro e fazer o juramento no Supremo Tribunal de Justiça, em uma data ainda a ser determinada.

– O presidente que já está em desenvolvimento de todas as suas funções como presidente e segue sendo presidente da república. É um presidente reeleito que segue em suas funções e a mesma Constituição prevê no artigo 231 que, se existe algum impeditivo, o Supremo Tribunal de Justiça pode fixar nova data para juramentá-lo – afirmou Maduro.

Maduro disse ainda que espera que a cúpula da Igreja Católica – com a qual o governo tem mantido relações tensas nos últimos anos – mantenha uma conduta de respeito com a vida política do país.