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Em julho de 2016, o Papa Francisco autorizava a Congregação vaticana para as Causas dos Santos a promulgar o decreto de beatificação relativo ao “martírio do Servo de Deus José Mayr-Nusser; leigo; morto por ódio à fé no dia 24 de fevereiro de 1945”. Neste sábado, na catedral de Bolzano, Josef Mayr-Nusser será beatificado.

O católico de Bolzano, desde 1934 dirigente dos jovens da Ação Católica para a parte alemã da diocese de Trento, no momento das Opções de 1939 tinha escolhido permanecer na Heimat. E, na sua Heimat, havia se casado, em 1942, com a sua colega Hildegard Straub.

Depois da ocupação nazista do Alto Adige (setembro de 1943), quando há pouco tempo tinha nascido o seu filho Albert, Mayr-Nusser e muitos outros Dableiber (assim se definiram aqueles que, como ele, decidiram permanecer na sua terra), foram forçados a se alistar no exército ocupante.

Para Josef, foi previsto o alistamento nas SS, com a sua relativa transferência para Konitz (hoje Polônia). No dia 4 de outubro de 1944, Mayr-Nusser se recusou a prestar juramento ao Führer e, por causa desse ato, foi condenado à morte. A condenação deveria ser executada em Dachau, mas Josef morreu de fome e de exaustão durante a deportação, aos 35 anos de idade.

Quais são as motivações que o induziram a uma escolha tão radical? É possível, mesmo que neste curto espaço, refletir historicamente sobre seu testemunho cristão? Ajudam-nos os seus escritos dos anos 1930, reunidos nos volumes de Josef Innerhofer, Francesco Comina, Giuseppe Rizzi e Paolo Valente.

Nesses textos, Mayr-Nusser se deparava com as duas faces da modernidade, a liberal e a totalitário. Na sua reflexão, emerge uma estreita consonância com o magistério de Pio XI (1922-1939). Pode-se notar isso, por exemplo, em um discurso dirigido ao bispo auxiliar de Trento, Montalbetti, em visita pastoral a Bolzano em novembro de 1936. No discurso de saudação, o dirigente dos jovens católicos condenava aqueles que exaltavam “o sangue e a pátria como as suas novas divindades”, falando de uma “juventude profundamente enojada com a superficialidade e o espírito materialista da nossa cultura moderna, corrupta e afogada na avidez”. Ele concluía esperando que a “paz de Cristo se realize no reino de Cristo”, citando, assim, as palavras que Pio XI tinha escolhido para caracterizar o pontificado na sua primeira encíclica (Ubi Arcano, 1922).

Para o Papa Ratti, era necessário promover o reino social do Cristo, que deveria conter os inimigos da Igreja, com a “peste do laicismo” em primeiro lugar. Em 1931, Pio XI havia falado de “estadolatria pagã” para condenar a aspiração do Estado ao monopólio educativo sobre a juventude, afirmando que havia direitos “nativos” que pertenciam às pessoas e às famílias. A única guardiã da “lei natural” sobre a qual apoiavam direitos inalienáveis era a Igreja, à qual cabia a definição das leis civis.

Para Mayr-Nusser, que, em uma carta de 1934 aos grupos paroquiais da Ação Católica, tinha destacado como o catolicismo estava “gravemente ameaçado pelos diversos internacionalismos, como o liberalismo, o bolchevismo, o capitalismo, o hipernacionalismo”, tratava-se de reagir à “degeneração de grande parte da população ocidental”.

No mesmo ano, ele defendia que a política dos Estados europeus era “conduzida com critérios totalmente anticristãos e materialistas”. A visão do jovem de Bolzano parece refletir o pessimismo de Pio XI, que, fora do caminho indicado pela Igreja, via cenários funestos.

São as cartas escritas para a esposa durante a guerra que nos revelam um pensamento capaz de superar o próprio magistério da Igreja do tempo. Se, em setembro de 1940, o Papa Pio XII (1939-1958) tinha recordado que os cristãos eram obrigados a “uma leal e consciente obediência às autoridades civis e às suas legítimas prescrições”, Josef, em vez disso, desenvolvia as suas reflexões sobre a incompatibilidade absoluta entre cristianismo e nazismo .

No dia 27 de setembro de 1944, ele dirigia à esposa palavras muito claras: “São dois mundos que se chocam um com o outro. Os meus chefes mostraram muito claramente que rejeitam e odeiam aquilo que, para nós, católicos, é sagrado e irrenunciável. Reze por mim, Hildegard, para que, na hora da provação, eu aja sem medo ou hesitação, de acordo com os ditames de Deus e da minha consciência”.

Essas frases aproximam a experiência de Josef Mayr-Nusser à do agricultor austríaco Franz Jägerstätter (beatificado em 2007). Em 1943, ele tinha sido condenado à morte porque tinha se recusado ao alistamento na Wehrmacht. Franz também tinha se referido ao primado da consciência.

Em conclusão, podemos dizer, com certeza, que ambos, com o seu corajoso testemunho, anteciparam orientações que, só mais tarde, encontrariam espaço na cultura católica.

O comentário é do historiador italiano Andrea Sarri, publicado no jornal Trentino

Pope Francis poses with young people during an encounter with youth in Cagliari, Sardinia, Sept. 22. (CNS photo/Paul Haring) (Sept. 23, 2013) See POPE-SARDINIA Sept. 23, 2013.

A Igreja não é um “flashmob” e a vida não é um “reality show”. Os jovens não devem “resetar” o seu passado nem “arquivá-lo em uma nuvem” virtual, mas devem salvar a memória dos acontecimentos e das experiências vividas, inclusive as experiências negativas, para encarar com “coragem” o presente e com “esperança” o futuro.

O Papa Francisco fala aos jovens e como um jovem na mensagem que enviou por ocasião da 32ª Jornada Mundial da Juventude, que se celebrará em nível diocesano no próximo Domingo de Ramos, no dia 09 de abril. Bergoglio começou recordando o “maravilhoso encontro” da JMJ de julho do ano passado em Cracóvia: “experimentamos com força a fraternidade e a alegria, e demos ao mundo um sinal de esperança; as diversas bandeiras e línguas não eram motivo para enfrentamentos e divisões, mas uma oportunidade para abrir as portas do nosso coração, para construir pontes”.

E depois refletiu sobre o tema do evento: “O Todo-poderoso fez em mim maravilhas” (Lc 1, 49), do Magnificat, para mostrar o exemplo de Maria, “muito jovem” e mulher corajosa de Nazaré, que “não se fecha em casa, não se deixa paralisar pelo medo ou pelo orgulho. Maria não é daquelas pessoas que, para estar bem, precisam de um bom sofá onde ficar cômodas e seguras. Não é uma jovem-sofá. Vendo que sua prima idosa precisa de uma mão, ela não perde tempo e põe-se imediatamente a caminho”, exclamou o Papa recordando a expressão que utilizou durante a vigília no Campo da Misericórdia.

Maria, disse, “nos acompanha no caminho para Panamá”, “e quis que este itinerário – explicou em uma videomensagem que acompanha o texto – se fizesse em sintonia com a preparação para o próximo Sínodo dos Bispos, que é dedicado a vocês, aos jovens”: “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”, durante o qual “nos interrogaremos sobre como vocês, os jovens, vivem a experiência de fé em meio aos desafios da nossa época. Também vamos abordar a questão de como se pode desenvolver um projeto de vida discernindo sua vocação, tomada no sentido amplo, isto é, o matrimônio, no âmbito laical e profissional, ou também a vida consagrada e sacerdotal. Desejo que haja uma grande sintonia entre o itinerário que levará à JMJ do Panamá e o caminho sinodal”.

Tudo isso com a certeza de que “quando Deus toca o coração de um jovem, de uma jovem, estes tornam-se capazes de ações verdadeiramente grandiosas. As ‘maravilhas’ que o Todo-poderoso fez na existência de Maria falam-nos também da viagem da nossa vida, que não é um vagar sem sentido, mas uma peregrinação que, mesmo com todas as suas incertezas e tribulações, encontra em Deus a sua plenitude”. Então, embora sejam fracos, limitados, pecadores, “como a jovem Maria”, os jovens “podem fazer com que sua vida se torne instrumento para melhorar o mundo. Jesus chama vocês para deixar a sua marca na vida, uma marca que determine a história, a sua história e a história de muitos”.

E, falando de história, Francisco convidou as novas gerações a olharem também para o passado. “Ser jovem não significa estar desconectado do passado”, explicou: “a nossa história pessoal insere-se em uma longa esteira, no caminho comunitário dos séculos que nos precederam”. E “a história da Igreja ensina-nos que, mesmo quando ela tem de atravessar mares agitados, a mão de Deus a guia, fá-la superar momentos difíceis. A verdadeira experiência de Igreja não é como um flashmob em que se marca um encontro, faz-se uma representação e depois cada um prossegue pelo seu caminho”, afirmou Bergoglio. Mais, a longa tradição, “que se transmite de geração em geração” e se “enriquece ao mesmo tempo com a experiência de cada indivíduo”: “Também a sua história encontra o seu lugar dentro da história da Igreja”, acrescentou o Papa aos jovens.

Portanto, “fazer memória do passado é útil também para acolher as intervenções inéditas que Deus quer realizar em nós e através de nós. E ajuda a abrir-nos para sermos escolhidos como seus instrumentos, colaboradores dos seus projetos salvíficos”. É verdade que “alguns jovens, feridos pelas circunstâncias da vida, gostariam de ‘resetar’ o seu passado, exercer o direito ao esquecimento”, admitiu o Papa. Mas não devemos esquecer que “não há santo sem passado, nem pecador sem futuro. A pérola nasce de uma ferida da ostra! Com o seu amor, Jesus pode curar os nossos corações, transformando as nossas feridas em verdadeiras pérolas”.

Então, as recordações não devem “ficar todas comprimidas, como na memória de um disco rígido. Nem é possível arquivar tudo em uma ‘nuvem’ virtual. Temos que aprender a fazer com que os fatos do passado se tornem realidade dinâmica, refletindo sobre ela e dela tirando lições e sentido para o nosso presente e o nosso futuro. Tarefa difícil, mas necessária – admitiu o Papa –, é descobrir o fio condutor do amor de Deus que une toda a nossa existência”.

“Muitos dizem que vocês, jovens, são sem memória e superficiais. Não concordo de maneira alguma!”, acrescentou o Papa, embora tenha reconhecido que “em nosso tempo temos que recuperar a capacidade de refletir sobre a própria vida e projetá-la para o futuro”. “Ter um passado não é o mesmo que ter uma história. Na nossa vida, podemos ter tantas recordações, mas delas… quantas constroem verdadeiramente a nossa memória? Quantas são significativas para os nossos corações e ajudam a dar um sentido à nossa existência? Os rostos dos jovens, nas ‘redes sociais’, aparecem em muitas fotografias que contam acontecimentos mais ou menos reais, mas de tudo isso não sabemos quanto seja ‘história’, experiência que possa ser narrada, dotada de uma finalidade e de um sentido”.

O Papa chamou a atenção para as falsas projeções da vida, como programas de TV cheios dos chamados “reality shows”: “não são histórias reais; são apenas minutos que transcorrem diante de uma tela, nos quais os personagens passam o dia, sem um projeto. Não se deixem transviar por esta falsa imagem da realidade! Sejam protagonistas da sua história, decidam o seu futuro!”

E ofereceu-lhes algumas indicações práticas: “No fim de cada dia, podemos deter-nos alguns minutos para lembrar os momentos belos, os desafios, o que foi bom e o que não foi bom. Assim, diante de Deus e de nós mesmos, podemos manifestar os sentimentos de gratidão, arrependimento e entrega, até mesmo – se quiserem – anotando-os em um caderno, uma espécie de diário espiritual”. Isto, explicou o Pontífice, “quer dizer rezar na vida, com a vida e sobre a vida e, com toda segurança, lhes ajudará a compreender melhor as grandes obras que o Senhor realiza em cada um de vocês. Como dizia Santo Agostinho, podemos encontrar Deus nos vastos campos da nossa memória”.

O Papa encorajou os jovens para “não fixar-nos apenas nos problemas e nas dificuldades”. Pelo contrário, indicou, deveriam converter suas vidas em “um dom para toda a humanidade”. E isto só é possível, destacou, graças ao encontro entre os jovens e os idosos, uma “extraordinária fonte de riqueza”. “Que importância vocês dão aos seus idosos, aos seus avós?”, perguntou Francisco. “Vocês, justamente, aspiram a ‘levantar voo’, levam em seu coração muitos sonhos, mas têm necessidade da sabedoria e da visão dos anciãos. Enquanto abrem suas asas ao vento, é indispensável que descubram suas raízes e que tomem o testemunho das pessoas que precederam vocês”.

“É verdade que vocês têm poucos anos de vida e, por isso mesmo, podem sentir dificuldades para dar o devido valor à tradição. Tenham bem presente que isto não significa ser tradicionalista. Não. Quando Maria diz, no Evangelho, ‘o Todo-poderoso fez em mim maravilhas’, ela entende que aquelas ‘maravilhas’ não acabaram, mas continuam a realizar-se no presente. Não se trata de um passado remoto. Saber fazer memória do passado não significa ser nostálgico ou ficar preso a um determinado período da história, mas saber reconhecer as próprias origens, para voltar sempre ao essencial e lançar-se com fidelidade criativa na construção de tempos novos”.

De fato, seria um problema, disse Bergoglio, e não faria bem a ninguém, “cultivar uma memória paralisante, que levasse a fazer sempre as mesmas coisas da mesma maneira”. Por outro lado, “uma sociedade que valoriza apenas o presente, tende também a desvalorizar tudo aquilo que se herda do passado, como, por exemplo, as instituições do matrimônio, da vida consagrada, da missão sacerdotal. Estas acabam por ser vistas como sem sentido, como formas ultrapassadas. Pensa-se viver melhor em situações chamadas ‘abertas’, comportando-se na vida como em um reality show, sem propósito e sem rumo”.

“Não se deixem enganar”, recomendou o Papa. “Deus veio ampliar os horizontes da nossa vida, em todas as direções. Ele nos ajuda a dar o devido valor ao passado, para melhor projetar um futuro de felicidade. Mas isto somente é possível quando vivemos experiências autênticas de amor, que se concretizam na descoberta da vocação do Senhor e na adesão a ela”. Esta é, concluiu Francisco, “a única coisa que nos torna verdadeiramente felizes”.

A reportagem é de Salvatore Cernuzio, publicada por Vatican Insider, 21-03-2017. A tradução é de André Langer.

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Com os braços estendidos, a imagem de Cristo mais parece pedir redenção em meio à desolação. Olhando da baía de Lima, em cima do morro do Pacífico (localizado no balneário de Chorrillos,), foi erguida a réplica do Cristo Redentor do Rio de Janeiro no Peru. Oferecida à cidade de Lima como um presente do ex-presidente Alan Garía, em 2011, a imagem que tenta abraçar o povo peruano está totalmente abandonada.

“Venho só duas vezes ao mês”, informou o guia turístico Toribio Ferrer à imprensa estrangeira. “Os visitantes se interessam mais pela vista da cidade do que pela estátua de 22 metros de altura”, argumentou. A imagem, revestida com uma capa de acrílico para proteger da umidade não está em seu melhor momento. Mas por que o monumento tem gerado tanta polêmica?

 Presente da Odebrecht

O monumento, batizado de “Cristo do Pacífico”, foi majoritariamente financiado pela empresa brasileira Odebrecht, que está sendo processada por corrupção. Na época, a Odebrecht estava inaugurando a linha 1 do metrô de Lima, uma obra pela qual, de acordo com as investigações, a empresa pagou 7 milhões de dólares em propinas para vencer a licitação.  A empresa também é investigada no Brasil e em outros países da América Latina e da África. Os pagamentos de propina estariam relacionados a mais de 100 projetos de obras na Angola, Argentina, Colômbia, República Dominicana, Guatemala, Venezuela, no Equador, México, Moçambique, Panamá e Peru.  Os donos estão presos por crimes de corrupção em obras públicas.

A cópia gigantesca do Cristo Redentor do Rio de Janeiro não se tornou o atrativo turístico que o então presidente Alan García almejava.
E está gerando discórdia. Recentemente, a imagem foi pichada com frases como: “Não roubarás”, “Não aos corruptos” e “Odebrecht fora do país”.

Parte da população acha que a imagem é o símbolo da corrupção e deve ser derrubada.

“Já que o Cristo foi doado pela Odebrecht, é inaceitável que esta figura esteja ali, continue ali e não se diga nada do assunto. Ainda que não se decida tirar o Cristo, é preciso gerar uma reflexão sobre este assunto”, disse à AFP o diretor da ONG Proética, Walter Albán.

Mas a imagem pode ser considerada como um emblema da corrupção na América Latina? Se a imagem for retirada, eliminaremos a corrupção?

O ponto de vista da Igreja

O presidente da Conferência Episcopal Peruana, monsenhor Salvador Piñeiro foi consultado sobre a polêmica de derrubar ou não a estátua do Cristo. Para a imprensa estrangeira, o religioso disse: “Nós fomos à inauguração da estátua por cortesia, porque nos convidaram. Mas esta iniciativa não pertence à Igreja.”

O monsenhor ainda assinalou que a permanência da imagem no local será debatida entre os bispos e, depois, será apresentado um posicionamento da Igreja sobre o caso.

Aleteia

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Estamos dispostos a aceitar os riscos do diálogo inter-religioso?

Você vai se diluir. Vão lhe fazer uma lavagem cerebral. Eles não estão interessados em você, só querem convencê-la de que sua religião é melhor: estes são alguns dos argumentos que ouço cada vez que vou participar de algum encontro inter-religioso
O melhor da experiência é a própria experiência: sentar-se ao lado de uma monja budista, olhar para ela, ver que ela sorri para você e que, apesar de não falar inglês, ela estende a mão e acolhe com seus gestos. E lhe solicita hospitalidade, o que não significa comungar sem prudência com suas convicções. É a essência de estar com o outro, entrar em sintonia e abrir as portas para que o ar circule.
 
Esta reciprocidade, que gera tanto medo nos fiéis, é urgente. Depois dos gestos, virão as etiquetas, as religiões, as tradições, as vestimentas, o pensamento. Mas o que precede tudo isso, o prelúdio do diálogo, é este gesto de humanidade. E é isso que está faltando nas religiões: simplesmente acolher o outro. “Acolher” deveria ser uma das palavras mais usadas entre os fiéis – e não “tolerar”, como se costuma dizer.
 
As palavras do cardeal da Nigéria, John Onaiyekan, foram contundentes: “Eu não quero que ninguém me tolere, porque só toleramos aquilo que não nos agrada”. Ele destacou que não se trata de tolerância, mas de respeito mútuo. Respeitar não significa aceitar tacitamente o que o outro prega. Mas, sem respeito, não há possibilidade de encontro. Falamos muito de respeito e respeitamos pouco.
 
Há muitos católicos medrosos. Têm medo de tudo: do mundo, do outro, de quem discorda deles. A diversidade religiosa não é uma ameaça, mas algo que o próprio cristianismo reconhece como vontade divina. Não sabemos explicar por que existe tanta diversidade: o fato é que ela existe. Para os cientistas, é um dado. Para quem crê, é um sinal dos tempos.
 
Acolher o outro nem sempre é fácil ou agradável. Falta-nos experiência na alteridade. Não estamos acostumados a tomar café com um mestre taoista, nem sabemos o que perguntar, sem ofender, a uma muçulmana da Arábia Saudita.
 
Há muitas coisas que não entendemos, e o outro também tem perguntas sobre nós, sobre a nossa fé, nossa tradição, nossas normas. Para superar as rivalidades, propiciar encontros desse tipo deveria ser uma prática natural em nossas realidades locais. A hospitalidade, que deveria caracterizar os cristãos, às vezes se torna um slogan vazio que não se concretiza.
 
Arriscar-se é saudável e vital. A convicção de que “no outro eu posso me descobrir e ver um traço da imagem de Deus” é fascinante, como disse o rabino Rosen. Dialogar é um risco e um mistério. Viver já é um risco. A segurança não pode ser patrimônio dos católicos. Se pudéssemos desenhar a fé, ela seria como uma ponte, não um muro.
 
Continuarei participando de encontros inter-religiosos, ainda que alguns enxerguem isso com desconfiança. E farei isso lembrando de Edith Stein: “Aonde Deus nos leva? Não sabemos. Só sabemos que Ele nos leva”.

Miriam Diez

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O intelectual não pode viver em uma torre de marfim. E, se for católico, tem que “decifrar o sentido do presente” e “combater o cinismo em todas as suas formas.” São dois dos deveres imprescindíveis do intelectual católico do nosso tempo que o filósofo da Universidade Ramon Llull, Francesc Torralba , compartilhou no II Congresso da revista Questions de Vida Cristiana e da Fundació Joan Maragall, que aconteceu no mosteiro beneditino catalão de Montserrat.

Veja outros deveres do intelectual católico, segundo o filósofo:

  1. Decifrar o significado do presente, articular uma cartografia do agora, explorando os vetores que movem a cultura e as tendências da época. Este dever requer a habilidade de detectar o que é de boa fé, puro, verdadeiro e bom e, por outro lado, exige a capacidade de entender a obscuridade do presente.
  2. Recriar linguisticamente a herança recebida, articulá-la mediante um jogo de linguagem que seja significativo, claro e inteligível para o homem e a mulher de hoje. Evitar cair no tradicionalismo pétreo e, da mesma forma, na “novolatria” (idolatria do que é novo).
  3. Manter um compromisso ativo com a racionalidade, identificando seus potenciais e limitações, evitando cair no sentimentalismo, mas também não atendo somente ao racionalismo. Espera-se que um intelectual católico lute contra a credulidade e o fideísmo.
  4. Construir pontes com as tradições espirituais e religiosas da humanidade, e, quando possível, com novas formas de espiritualidade laica que emergem às margens das instituições formalmente articuladas.
  5. Articular uma chamada profética a favor dos mais vulneráveis, dos excluídos e dos que estão à margem de nossa sociedade – e atuar em defesa da dignidade inerente à toda pessoa humana.
  6. Não renunciar o criticismo moderno e desenvolvê-lo tanto ad intra (dentro da instituição eclesial), quanto ad extra (o mundo). Viver o sentido de pertinência sem complexos e não se esquivar da dor de ser membro da Igreja em certas ocasiões.
  7. Apostar na visibilidade midiática. Existir no ágora digital, ter a audácia de estar presente neste espaço e propor a própria cosmovisão. Recusar a hipervisibilidade e, por outro lado, a tendência à marginalidade e ao refúgio no calor do rebanho. Colocar-se para fora, ter a audácia de estar na praça pública e, se convier, de ser ferido.
  8. Comprometer-se com as causas nobres da sociedade. Lutar contra o puritanismo moral e o perfeccionismo, a moral da elite e a tendência de jogar o papel do espectador neutro. Não há neutralidade para o intelectual católico. É necessário ser ator; não espectador passivo do mundo. É preciso lutar para melhorar o mundo, participando de organizações que transformam a sociedade.
  9. Reconhecer as grandes produções artísticas, culturais e filosóficas da cultura laica. Também reconhecer as manifestações do ateísmo dos séculos XIX e XX e do humanismo ateu em todas as suas formas. Não se sentir provocado pelo laicismo de voo galináceo.
  10. Articular um discurso de esperança, capaz de combater racionalmente a tendência ao niilismo histórico e, especialmente, não se deixar vencer pelo desânimo diante dos acontecimentos. O intelectual católico deve combater o cinismo em todas as suas formas – inclusive aquele que pode nascer em seu interior.

Autor: Miriam Diez Bosch

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1 – Em 13 de Janeiro de 1435, através da bula Sicut Dudum, o papa Eugénio IV mandou RESTITUIR À LIBERDADE os cativos das ilhas Canárias.

2- Em 7 de setembro de 1462, o papa Pio II (1458-1464) deu instruções aos bispos contra os tratamentos dos negros proveniente da Etiópia condenando o comércio de escravos como magnum scelus (grande crime)

3- Em 1537, o papa Paulo III (1534-1549), através da bula Sublimus Dei (23 de Maio) e da encíclica Veritas ipsa (9 de Junho), lembrava aos cristãos que os índios “das partes ocidentais, e os do meio-dia, e DEMAIS GENTES”, eram SERES LIVRES POR NATUREZA.

4- Em 1571 Tomás de Mercado, TEÓLOGO DE SEVILHA, declarava DESUMANA E ILÍCITA A TRAFICÂNCIA DE ESCRAVOS. Em sua Summa de TRATOS Y CONTRATOS, este autor afirmava não haver justificativa para negócio tão infame.

5- O papa Gregório XIV (1590-1591) publicou a CUM SICUTI (1591) condenando a escravidão.

6- O papa Urbano VIII (1623-1644), também se pronunciou contra a escravidão na COMMISSUM NOBIS (1639).

7- O papa Bento XIV (1740-1758) na Bula IMMENSA PASTORUM escreveu:
…recebemos certas notícias não sem gravíssima tristeza de nosso ânimo paterno, depois de tantos conselhos dados pelos mesmos Romanos Pontífices, nossos Predecessores, depois de Constituições publicadas prescrevendo que aos infiéis do melhor -modo possível dever-se-ia prestar trabalho, auxílio, amparo, não descarregar injúrias, não flagelos, não ligames, NÃO ESCRAVIDÃO, não morte violenta, sob gravíssimas penas e censuras
eclesiásticas…

8- O papa Gregório XVI (1831-1846) ao publicar a bula IN SUPREMO (1839) condenou a escravidão da seguinte forma:

Admoestamos os fiéis para que se abstenham do desumano tráfico dos negros ou de quaisquer outros homens que sejam...”

9- Em 1888, o Papa Leão XIII, na encíclica IN PLURIMIS, dirigida aos bispos do Brasil, pediu-lhes apoio ao Imperador (Dom Pedro II) e a sua filha (Princesa Isabel), na luta que estavam a travar pela abolição definitiva da escravidão.

Detalhe: Houve três papas africanos que vieram de uma região do norte da África, onde os povos eram predominantemente negros. Embora não haja nenhum retrato autêntico destes papas, há desenhos e referências na Enciclopédia Católica a respeito de serem africanos. Os nomes dos três papas africanos são Vencedor ou Victor, Gelasius , e Melquiades ou Miltiades.

PARA CITAR


VIANA, Marina. Documentos Oficiais da Igreja contra a escravidão. Disponível em: <http://www.apologistascatolicos.com/index.php/magisterio/documentos-eclesiasticos/decretos-e-bulas/506-documentos-oficiais-da-igreja-contra-a-escravidao>. 

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Existem ocasiões em que você se vê sob os holofotes simplesmente por ser católico. Elas surgem do nada, nos mais diferentes lugares: no trabalho, nos jantares de família, na faculdade, etc. As pessoas olham para você e começam “Você que é católico…”, para em seguida disparar: “Como a Igreja Católica pode ser contrária ao divórcio nos dias de hoje?” ou “O que o papa quis dizer com aquilo?”.

Às vezes, você até consegue explicar mais ou menos o que a Igreja pensa, mas sem convencer muito. Outras vezes, você perde a cabeça, e os resultados são catastróficos…

Este livro propõe um novo tipo de apologética, pensado exatamente para essas situações que existem respostas prontas. Mais do que réplicas para toda e qualquer pergunta “polêmica”, você encontrará aqui conselhos práticos para estabelecer um verdadeiro diálogo com as pessoas. A ideia é reafirmar as posições da Igreja, mas sem deixar de compreender os argumentos contrários, o seu contexto e até os seus eventuais aspectos positivos. Trata-se de remover obstáculos e “preparar o terreno” para que as pessoas possam abrir seus corações e suas mentes à verdade. Trata-se de ganhar amigos, não discussões.

A INTRODUÇÃO

Sabemos bem como é: subitamente, você se vê “nomeado” porta-voz da Igreja Católica enquanto espera a sua vez na filado xérox, toma tranquilamente uma bebida no bar, ou quando um grupo de pessoas para de repente e fixa os olhos em você:

– Você é católico, certo? – alguém pergunta.

– Hum… Sou – você confessa, olhando nervosamente para o que agora mais se assemelha a uma turba pronta para o linchamento.

Um deles diz que o Papa fez um pronunciamento simplesmente ultrajante; outro levanta a questão da AIDS e dos preservativos; talvez um terceiro puxe o assunto do casamento gay. E lá está você, convocado a defender a Igreja Católica em virtude do seu batismo, sentindo-se tão preparado para a tarefa quanto Daniel na toca dos leões.

– Vamos! – parecem dizer-lhe, sem pôr as coisas nesses termos. – Justifique o que a Igreja ensina!

Juntando alguns pensamentos a esmo, você se sai com uma defesa corajosa, que as pessoas recebem compreensivelmente. Você contextualiza, chama a atenção para x e y, faz algumas observações de que eles nunca se deram conta, traz um pouco mais de perspectiva para a questão. A turba se desfaz; todos sorriem. Não se mostram persuadidos, mas não desejam criar uma situação desconfortável.

Ou não aconteceu nada disso? Talvez você tenha ficado um tanto agitado e dito um monte de coisas que soaram pouquíssimo convincentes – até mesmo para você. Provavelmente, irritou-se ao observar uma vez mais que a Igreja é constantemente forçada a defender-se em processos inquisitoriais instaurados por humanistas laicos; que é acusada de conspirações malucas por gente que leu Dan Brown demais. O certo é que você ficou com muita raiva e saiu dos eixos. O sentimento de perseguição levou a melhor e, ao final da sua furiosa defesa, o abismo entre você e o restante das pessoas se alargou de maneira intransponível – e alguém, rápida e nervosamente, mudou de assunto.

Em qualquer caso, eis o que não aconteceu: você não conseguiu “reenquadrar” a questão. As pessoas mantiveram a mesma visão da Igreja que já tinham antes de você ter tomado a palavra: uma instituição dogmática, autoritária, antidemocrática, hipócrita, inumana. Você não “virou o jogo”, não reformulou a questão, não abriu as mentes e os corações, mas ficou preso nas malhas lançadas pelo oponente.

Como dizíamos no princípio, nós compreendemos. Não é fácil defender a Igreja. As questões tendem a ser complexas, ao passo que as manchetes são de uma simplicidade grotesca. Além disso, às vezes é difícil saber exatamente qual é o pensamento da Igreja acerca de determinado assunto. Pode ser que você tenha ouvido um bispo ou teólogo responder no rádio precisamente a essa questão; ou que tenha lido alguma coisa a esse respeito. Mas o mais provável é que não tenha tido tempo para estudar a fundo as questões que parecem brotar a todo o instante nas conversas. Você é inteligente e um católico esforçado; mas também é uma pessoa muito ocupada.

O que você gostaria era de ter um conselheiro. Alguém que pudesse convocar para uma rápida prévia, que pudesse oferecer-lhe (a) um pouco de contexto; (b) um panorama das principais questões em debate; (c) algumas sugestões sobre como reformular a questão; e (d) alguns pontos para abordar da próxima vez em que o tema surgir.

Bem, aqui estamos. Não um conselheiro propriamente dito, mas a segunda melhor opção: um livro cheio desses conselhos. Conselhos práticos.

Nas páginas que se seguem, você encontrará o resultado dos esforços de um grupo de católicos reunidos para preparar-se precisamente para esse tipo de situações de alta pressão, em que se exigem explicações “a jato” e definições simples: não apenas para aquela conversa informal na pausa para o café, mas também para curtas entrevistas ao vivo na TV. A experiência dessas pessoas, condensada aqui, vai ajudá-lo a “reenquadrar” as questões candentes que vêm à tona com frequência nos noticiários e provocam discussões acaloradas.

Dizemos que essas questões são “nevrálgicas”, porque tocam terminações nervosas, aqueles lugares do corpo que, quando pressionados, fazem as pessoas gritar. Nas nossas conversas diárias, há temas que se situam em zonas fronteiriças, onde o pensamento em voga habita (ou ao menos parece habitar) num universo diferente daquele dos católicos. Mencione-os, e as pessoas ficarão visivelmente incomodadas. “Como você pode acreditar numa coisa dessas?”, perguntarão.

Por outro lado, este livro não lhe mostrará o que dizer em resposta a toda e qualquer pergunta. Cada diálogo é diferente. Ele também não poderá ajuda-lo a prever o que aparecerá na TV cada dia; nem mesmo os repórteres e redatores de jornais conseguem prevê-lo. Mas há uma grande probabilidade de que você se veja, dentro em breve, envolvido numa discussão em torno de assuntos relacionados com a Igreja que aparecem no noticiário. São questões que, na sua maioria, tocam algum ponto nevrálgico. De fato, é isso que costuma fazer de um acontecimento uma notícia. Foi o que se passou, por exemplo, com algumas observações que o Papa Bento XVI fez de improviso em setembro de 2009 a propósito da posição da Igreja sobre o tema dos preservativos e da AIDS: a imprensa achou-as completamente absurdas e fez delas uma manchete de repercussão internacional. A repercussão foi tão vasta não tanto pelas observações em si, mas por causa do ponto nevrálgico que tocavam.

Portanto, embora não possamos prever cada reportagem, podemos ter uma boa ideia desses pontos nevrálgicos. Este livro vai ensiná-lo a identificar os dez mais comuns (e difíceis), a entender de onde vem a crítica e a pensar no modo de expor a posição da Igreja sem aceitar os pressupostos dos críticos. Ao final de cada capítulo, mencionaremos uma série de “pontos-chave” que resumirão essa posição e servirão de ajuda, esperamos, da próxima vez em que você se deparar com um desafio neste terreno.

Há alguma coisa mais. É melhor explicarmos o método e a abordagem utilizados aqui, de onde vêm e quais são as nossas expectativas.

Este livro é fruto de um projeto chamado Catholic Voices (“Vozes Católicas”, em inglês), criado com vistas à visita do Papa Bento XVI ao Reino Unido em setembro de 2010, e que inspirou grupos similares na Espanha, Irlanda, México e outros países. Formou-se uma equipe de palestrantes amadores, composta por católicos “comuns” (em outras palavras, católicos com emprego, filhos e contas a pagar), dispostos a explicar as posições e ensinamentos da Igreja no rádio e na TV antes – e durante – a visita papal. Apresentamo-nos à mídia como pessoas “prontas a interagir com os meios de comunicação, que se sentem à vontade nos estúdios e sem grande preocupação com a própria imagem”, o que quer dizer: abertos a questionamentos e compreensivos em relação aos objetivos da mídia e à sua razão de ser; habituados às exigências de entrevistas ao vivo de, em média, três minutos e às limitações e possibilidades do rádio e da TV; resignados quando o ciclo de notícias muda de direção e ninguém mais quer saber de nós. Fomos descritos como “peritos extraoficiais”: procurávamos informar-nos a fundo dos ensinamentos consolidados da Igreja e tornar-nos bem articulados, confiáveis e dotados de capacidade de comunicação. Mas, apesar de termos a bênção dos bispos, não falávamos por eles. Se alguém desejasse saber como os bispos reagiriam a tais e quais notícias do dia, tinha de entrar em contacto com os seus porta-vozes. Porém, se desejava saber em que a Igreja cria e o que ensinava, podia chamar-nos.

O projeto foi um sucesso. Os membros do Catholic Voices participaram de dezenas de debates e programas de notícias, apareceram nos principais canais de TV britânicos e foram elogiados tanto pelos bispos como pelas emissoras.

Talvez o fruto mais importante do Catholic Voices tenha sido o “método” que desenvolvemos ao longo da preparação intensiva que levamos a cabo nos meses que antecederam à chegada do Papa, um método que cremos funcionar para qualquer pessoa que tenha que sair em defesa do pensamento da Igreja – não apenas em breves entrevistas televisivas, mas também em conversas sápidas num bar ou numa discussão inesperada, provocada por um artigo no jornal. Afinal, as duas situações não são tão diferentes. Se você não conseguir posicionar-se de maneira sucinta e convincente (e soar como um ser humano racional), já terá perdido o interesse e a empatia das pessoas. Pode não ser um desastre, mas com certeza é uma oportunidade perdida.

O que descobrimos foi uma nova forma de pensar que nos mostrou como evitar a posição defensiva ou agressiva, e nos habilitou a “reenquadrar” a crítica. Resumimos essa abordagem numa série de princípios que talvez venham a ser um meio de fazer reviver a antiga arte da apologética na nossa era: uma era de notícias 24 horas. Esses princípios aparecem listados no último capítulo, para que você possa consulta-los sempre que estiver prestes a entrar num ambiente em que será desafiado.

No coração desta abordagem está o que chamamos “intenção positiva”. Por trás de toda crítica à Igreja, mesmo que se mostre hostil e preconceituosa, há um valor ético; o crítico faz, consciente ou inconscientemente, um apelo a esse valor. Na verdade, certas questões tornam-se nevrálgicas justamente por darem a impressão de que um desses valores fulcrais está sob ameaça. De maneira muitas vezes surpreendente, percebe-se que o valor em que se escora a crítica em questão é um escrúpulo válido, e até mesmo cristão – ou ao menos derivado de um valor cristão.

Não se trata de um fenômeno inesperado, visto que vivemos em culturas cristãs – ou, como alguns dizem, “pós-cristãs”. O que a palavra “secularização” realmente quer dizer é que as pessoas abandonam a Igreja, mas continuam, inconscientemente, a aderir aos seus valores, e até recorrem a eles, mais uma vez inconscientemente, quando criticam a Igreja. É bem mais fácil persuadir o oponente se você puder lançar mão dos mesmos valores em que ele se apoia, ou mostrar que concorda com eles. Ao mesmo tempo, você se colocará numa posição menos defensiva. A empatia é o início do diálogo. “Diálogo” não significa acomodar ou abandonar os valores próprios, mas sim construir relações de confiança entre pessoas de convicções diversas. Este livro ensina a arte dessa espécie de diálogo, cujo objetivo não é defender uma posição, mas explica-la e capacitar os outros a entende-la.

Atentando para a intenção positiva por trás da crítica, fomos capazes de nos desvencilhar daquela forma de pensar que dizia “Como posso justificar isto?” e, em vez disso, perguntar: “Qual é a verdadeira fonte de discordância aqui?”. Por exemplo: o desejo pela legalização do suicídio assistido baseia-se na intenção positiva de que o ser humano deve ser poupado de um sofrimento desnecessário. Ora, nós católicos concordamos em que, muito embora o sofrimento esteja inevitavelmente vinculado ao envelhecimento e à morte, ninguém deveria ter de resignar-se a uma dor ou solidão insuportável, razão por que tantas casas de repouso especializadas em cuidado paliativo foram fundadas e são administradas por católicos. Pois bem, uma vez que estejamos de acordo nesse ponto, podemos analisar os casos em que discordamos: o significado da morte, a questão da autonomia, etc. – e, só então, considerar a questão prática acerca do impacto que uma lei de suicídio assistido teria na saúde pública, na visão que se tem dos idosos, e assim por diante. Dessa forma, a discussão será mais racional e proveitosa, pois não estaremos discutindo com seres de outro planeta, mas com pessoas que fazem parte da mesma cultura de valores que nós.

Por isso, no início de cada capítulo, você encontrará uma pequena secção que exporá a intenção positiva por trás da crítica e a perceber que temos um trabalho de esclarecimento a fazer. Você descobrirá como deixar de sentir-se intimidado por ele ou ela e, em lugar disso, pensar: “Como posso exprimir com sucesso o que pretendo?”

No início de cada capítulo, você encontrará também uma lista de “perguntas desafiadoras”. Como já dissemos, ninguém consegue prever com exatidão que perguntas serão feitas a respeito de um determinado ponto nevrálgico. As notícias sempre variam, as, como os pontos nevrálgicos permanecem os mesmos, os questionamentos serão consideravelmente previsíveis. Os integrantes do Catholic Voices ficaram surpresos ao constatar que as perguntas que lhes eram feitas em entrevistas eram quase sempre variações daquelas que eles já se haviam preparado para enfrentar – isso porque a intenção positiva por trás da crítica gera uma série natural de perguntas. Mas não pense que as nossas listas de perguntas desafiadoras serão exaustivas; com certeza você se lembrará de algumas que não levamos em conta aqui.

Depois de termos exposto alguma coisa sobre a nossa abordagem, gostaríamos agora de falar um pouco sobre a ideia de “escândalo”, e de estender um convite feito pelo Papa Bento XVI.

A fé católica “escandaliza”. Provoca reações fortes e suscita questionamentos difíceis. Agradecemos a Deus por isso, pois é o que o Evangelho propõe Bem-aventurado aquele que não se escandalizar em mim, diz Jesus, referindo-se àqueles que não se afastam dEle com repulsa ou incompreensão (Mt 11,6).Aliás, é o próprio Jesus quem lança as pedras de tropeço – os skândala, como se chamam em grego. Umskândalon é um obstáculo que uma pessoa encontra no caminho e que a faz parar e refletir, mostrando-lhe que a sua forma de pensar está ameaçada. Isso pode constituir o início de um caminho novo, que leve potencialmente a uma nova visão a respeito de alguma coisa. Ou pode levar ao “afastamento” escandalizado a que Jesus se refere.

Esse afastamento, essa rejeição furiosa, é inimigo da verdadeira comunicação. Porém, até se chegar a esse ponto, em que a pessoa se sente escandalizada e compelida a fazer novas perguntas – ainda que sejam perguntas em forma de acusações –, a verdade é que o interlocutor ainda não se afastou; ainda está aberto a escutar o outro ponto de vista. Portanto, toda a pergunta difícil feita durante uma entrevista, toda discussão acalorada num bar, toda a situação “pesada” em reuniões familiares é uma oportunidade. Chamamos a isso evangelização? Parece-nos antes que é “varrer os obstáculos que impedem a evangelização”. Trata-se de esclarecer mal-entendidos, de lançar um feixe de luz onde grassam o mito e a confusão, e de adotar uma prática que poderá levar as pessoas a reconsiderar as suas objeções ao que a Igreja ensina. Não importa o nome que se queira dar a essa tarefa “apologética”, “comunicação”: é um testemunho, e um testemunho vital.

No jargão da mídia, é “começar pelo começo”, quer dizer, é moldar a notícia já no instante em que ela surge. Alguns chamam a isso spin-doctoring, um termo que data da década de 1980 e que caiu em descrédito por parecer a aludir a técnicas escusas de manipulação dos meios de comunicação. É por isso que preferimos o termo “reenquadrar”.

O “reenquadramento” conta uma história diferente da que circula por aí. Não é um procedimento escuso ou manipulador, se o que você faz é contar a verdade: com efeito, o reenquadramento só funciona se o que você diz for verdade. “As ideias falsas, podem, sem dúvida, ser refutadas pela argumentação – disse o Beato John Henry Newman, nosso maior modelo para este projeto –, mas somente as ideias verdadeiras podem repeli-las”.

Trata-se de um testemunho, e também de uma vocação. Fica aqui o convite. Esperamos que este livro venha a ajudar católicos “comuns” – e, provavelmente, isso quer dizer você – a ver-se como comunicadores. Há indivíduos (mais uma vez, talvez este seja o seu caso) que têm um dom natural para isso. São o tipo de pessoas que adoram destrinçar um determinado assunto, ou então que gostam de elucidar temas e construir pontes. Há muitos tipos de comunicadores católicos: alguns deleitam-se em explorar conceitos, outros lançam mão da sua própria experiência; alguns são oradores apaixonados, outros são calmos, introspectivos e gentis. Mas todos são motivados por um desejo de comunicar a sua fé de maneira humana e bem articulada – e se mostram um pouco impacientes por sair pelo mundo corrigindo alguns erros de percepção mais frustrantes que escutam todos os dias a respeito da Igreja que tanto amam.

Ninguém está excluído desta vocação, mas ela é preeminente uma missão de leigos, como disse o Papa Bento na sua homilia em Glasgow, após chegar à Escócia:

Faço um apelo especial a vocês, fiéis leigos, bem de acordo com a sua vocação e missão batismais: que vocês não se limitem a ser publicamente exemplos de fé, mas também trabalhem para a promoção da sabedoria e visão da fé no debate público”.

Num discurso de janeiro de 2012 aos bispos dos Estados Unidos, o Papa Bento repetiu a mesma exortação. Alertando para a pressão de um novo e radical laicismo e para as ameaças à liberdade religiosa, pediu que os católicos se prontificassem a enfrentar tais desafios:

Aqui vemos novamente a necessidade de que se forme um laicato católico comprometido, articulado e bem organizado, dotado de um forte senso crítico ante a cultura dominante e de coragem para opor-se a um secularismo reducionista que pretende deslegitimar a participação da Igreja no debate público sobre questões que determinarão o futuro da sociedade americana. O trabalho de preparar líderes leigos com sentido de compromisso e de oferecer uma articulação convincente da visão cristã acerca do homem e da sociedade continuam a ser uma tarefa prioritária para a Igreja no seu país”.

É uma tarefa mais ampla do que “defender a Igreja”. Em resposta ao discurso do Papa, o arcebispo José Gomez, de Los Angeles, disse:

Agora é a hora de uma ação católica e de vozes católicas. Precisamos de líderes leigos que não se esquivem à sua responsabilidade para com a missão da Igreja, que não somente se prestem a defender a nossa fé e os nossos direitos de católicos, mas também sejam líderes de uma renovação moral e cívica – líderes que ajudem a moldar os valores e as bases morais para o futuro da América”.

É a tarefa de aprender a articular o que é um tesouro para a sociedade como um todo: o princípio da liberdade religiosa, da qual emanam todas as outras liberdades; um pluralismo autêntico que possibilite a existência de uma sociedade civil vigorosa, fundada em famílias fortes e em casamentos compromissados, e constituam as pedras fundamentais com que se constrói “uma sociedade verdadeiramente justa, humana e próspera”, nas palavras do Papa Bento. Isso significa, diz ainda o pontífice, “propor argumentos racionais em praça pública”, aplicando as diretrizes das grandes encíclicas sociais, salientando as privações por que passam os pobres e marginalizados, exortando à virtude na vida pública e nas instituições, e contribuindo para uma melhor definição da relação entre o Estado, o mercado e a sociedade civil. Trata-se de trazer à luz uma visão de sociedade que defenda a vida, por mais frágil ou imperceptível que possa ser, e a dignidade de todo ser humano – e de ajudar a construir uma civilização de amor.

Daí a necessidade de contar com católicos que, para usarmos as palavras do Bem-aventurado Cardeal Newman, “conheçam o seu credo tão bem que possam explica-lo”. A opinião pública é, em grande medida, moldada pela mídia. É esta que está na boca da gente, e é nessa feira de ideias que os católicos têm de aprender a sentir-se em casa, falando de forma sucinta e atraente sobre a visão que a Igreja tem dos problemas em debate. Mas a praça pública também é o lugar onde você está, onde você topa comas outras pessoas e interage com elas nas muitas esquinas da sociedade contemporânea.

Os romancistas falam com frequência do momento em que cada personagem encontra a sua própria voz, daquele momento em que a figura que vinham criando e desenvolvendo ganha vida e começa a falar com coerência. Isso é algo que a Igreja precisa fazer sempre, a cada geração: encontrar a sua voz.

Fonte: Apologistas Católicos

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“Eu sou cristão (isso pode ser deduzido a partir de minhas histórias ), e, de fato, católico romano”

Nascido 03 de janeiro de 1892 , na África do Sul , John Ronald Reuel Tolkien é mais conhecido como o autor dos romances de fantasia “O Senhor dos Anéis” ( 1954-1955 ) e “Hobbit” (1937), no qual ele criou um mundo com uma nova linguagem, personagens estranhos e uma cultura imaginada. Ele se converteu ao catolicismo em 1900. Educado em Oxford , Tolkien finalmente retorno à universidade como professor de Inglês especializado em Antigo e Médio Inglês. Casou-se com Edith Bratt , depois que ela se converteu ao catolicismo. Eles tiveram quatro filhos. Tolkien morreu em 2 de setembro de 1973.

J.R.R. Tolkien tinha apenas três anos de idade e seu irmão, Hilary, um ano quando eles deixaram a África do Sul e voltaram para a Inglaterra com sua mãe, Mabel. Seu pai, Arthur, um banqueiro de Inglês, planejou sua saída, mas morreu inesperadamente de febre reumática em fevereiro de 1896. Mergulhado na tristeza, a mãe de Tolkien levou os dois meninos para a igreja anglicana “alta” , todos os domingos.

Sua rotina mudou drasticamente sem aviso num domingo, quando eles foram para a Igreja Católica de Santa Ana nas favelas de Birmingham. A mãe decidiu se converter ao catolicismo por razões que nunca explicadas. Na primavera de 1900, quando Tolkien tinha oito anos de idade, a jovem família foi recebida na fé católica.

Sua conversão desencadeou a ira dos membros da família que se opuseram fortemente ao catolicismo. Os parentes do lado de sua mãe eram unitários. Os Tolkiens eram batistas. Ambos os lados imediatamente cortaram o apoio financeiro. No entanto, a mãe de Tolkien permaneceu firme em sua fé e tomou para si a responsabilidade para si de incutir em seus jovens filhos seu amor ao catolicismo.

Padre Francis Xavier Morgan foi o pastor de sua paróquia. Um homem de bondade e humor, que interessou na luta da família. Ele visitou-os muitas vezes e serviu como uma figura paterna para os meninos.

Não demorou muito, no entanto, para que a tensão financeira familiar influenciasse Mabel Tolkien . Em abril de 1904, quando Tolkien tinha doze anos, sua mãe foi internada com diabetes e os meninos foram enviados para viver com parentes. Em junho, sua condição se estabilizou . Determinado a manter sua família unida , a mãe de Tolkien perguntou ao padre Morgan se poderia encontrar uma família com quem pudesse viver e compartilhar as refeições. Ele fez arranjos com o carteiro local e sua esposa.

Naquele outono sua condição piorou. No início de novembro, a mãe de Tolkien entra colapso e em um coma diabético, morrendo em 14 de novembro. A sua morte fortaleceu a fé de Tolkien na Igreja Católica. “Minha querida mãe era uma mártir de fato”, escreveu, “e não é para todos que Deus concede tão fácil seus grandes dons como fez a Hilary e eu, dando-nos uma mãe que se matou com mão de obra e problemas para assegurar -nos manter a fé”.

Seus parentes queriam mandar os meninos para uma escola protestante onde os seus laços com o catolicismo seriam cortados, mas a mãe de Tolkien tinha nomeado Padre Morgan em seu testamento como guardião de seus filhos e protetor de sua fé católica.

Nos anos que se seguiram, o padre Morgan usou sua renda familiar privada para ajudar os dois meninos. Ele encontrou um lugar para eles viverem e pagou seus estudos. Todo verão, levava-os de férias. “Eu aprendi a caridade e o perdão com ele”, lembrou Tolkien.

Quando Tolkien tinha dezesseis anos, ele se apaixonou por Edith Bratt que então tinha 19 anos e também era órfã. Seu guardião tinha providenciado sua convivência na mesma casa em que Tolkien e seu irmão embarcaram porque a dona da casa amava a música e permitiria que a jovem praticasse piano. Quando o Padre Morgan percebeu o inicio do romance, tentou fazê-lo mudar de idéia, e então mudou os meninos para uma nova casa proibindo Tolkien de falar ou escrever para Edith até que ele tinha vinte e um anos.

Em 1911, Tolkien se mudou para Oxford, onde se concentrou em seus estudos. À meia-noite do dia em que completou vinte e um anos , escreveu a Edith . Em poucos dias, eles estavam prestes a se casar.

Edith Tolkien tinha certeza de que queria se tornar um católica, mas ela sabia que seu responsável ficaria indignado. Tolkien descreveu como sua própria mãe tinha sido perseguida por sua família por causa de sua conversão. “Eu acredito ternamente”, disse Edith , “que nenhuma tibieza e medo mundano deve impedir-nos de seguir a luz com firmeza”.
Quando Edith disse a seu tio que ela planejava se converter, ele a deserdou. Em 8 de janeiro de 1914 ela foi recebida na Igreja Católica.

Tolkien se formou em Oxford no ano seguinte e se alistou como segundo tenente na Primeira Guerra Mundial. Em 22 de março de 1916, antes de partir para a França, ele se casou com Edith em uma cerimônia católica oficializada pelo Padre Morgan.

Tolkien permaneceu devotamente católico ao longo de sua vida e assumiu a responsabilidade de criar seus filhos como católicos durante os períodos em que Edith diminuiu o interesse no catolicismo. Seu filho mais velho tornou-se padre.

A obra de Tolkien tem fortes conotações religiosas. Ele usou suas histórias como uma forma de transmitir aos seus filhos sua fé em Deus e sua compreensão do bem e do mal.

“O Senhor dos Anéis é, naturalmente, uma obra fundamentalmente religiosa e católica”, admitiu Tolkien a um amigo jesuíta, ” inconsciente no início, mas consciente na revisão”.


Para outras leituras:

Humphrey Carpenter, J.R.R. Tolkien: The Authorized Biography (Boston: Houghton Mifflin Co., 1977).
Katheryn F. Crabbe, J.R.R. Tolkien (New York: Frederick Ungar Publishing Co., 1981).

Fonte: “A Century of Catholic Converts”, de Lourene Hanley Duquin

Tradução: Jonadabe Rios

 

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Islândia converteu-se no primeiro país onde todos as crianças com Trissomia 21 são abortadas. O doutor Peter McParland, do National Maternity Hospital, assegurou na Assembleia cidadã islandesa que “não nasceu nem um bebê com síndrome de Down na Islândia nos últimos cinco anos”.

Este país converteu-se no'”modelo” a ser seguido quanto se refere a medidas eugênicas. A Dinamarca lhe segue de perto comum 95% de casos abortados, e prevê que nos próximos 10 anos chegará a ser uma nação livre de síndrome de Down, segundo informou Lifesitenews.

Outros países como Espanha, Grã Bretanha e EUA já abortam a 90% dos bebês que são detectados com esta anomalia durante a gravidez.

As estatísticas não mentem
“99% são felizes com suas vidas, 99% de seus pais ama a seus filhos e 94% de seus irmãos se sentem orgulhosos deles”. Isso é o que diz um informe de NBC News, e que recolhe Juanjo Romero em Infocatólica.

“Não é difícil imaginar a “solução” às consequências sociais de outros “problemas” como a pobreza, a velhice, a enfermidade: eliminação do pobre, do ancião, do enfermo. É pura coerência. Aborto e eutanásia, também de crianças recém nascidas se o problema não se detectou na gravidez, são apenas duas ferramentas”, aponta Juanjo Romero em seu artigo.

De: religionenlibertad.com

Via Front Católico

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é um sacerdote da Arquidiocese de Washington, DC. Presbiteriana Renovada, ele se converteu ao catolicismo, enquanto freqüentava a Universidade de Princeton.

Meu grande erro foi assistir a uma missa católica. Tudo começou inocentemente, visitando uma amiga católica que participou de uma universidade do sul, uma jovem mulher que eu queria impressionar pelo meu desejo grande de espírito de ir à igreja com ela. Mas a minha vida nunca mais foi a mesma desde que daquele domingo de abril de 1992 No dia seguinte, retornando para Nova Jersey onde frequentava a faculdade, eu tinha oito horas para refletir a experiência daquela Missa. Ele tinha feito uma impressão indelével, e ao retornar para o dormitório, perguntei a um amigo católico sobre me levar para o padre de sua paróquia. Eu tinha algumas perguntas que precisavam ser respondidas.

Eu cresci em uma família presbiteriana, bastante consistente, e eu sempre tinha abrigado um interesse na religião. Os negócios do meu pai nos levaram no estrangeiro, quando eu era muito jovem, e a maior parte da minha infância foi passada em países da América Latina. A maioria dos meus amigos que eram “sérios” sobre religião eram de fato católicos, então eu cresci tocado por uma visão favorável da Igreja. Quando vivemos no Brasil, participei de uma escola católica de língua Inglesa, e eu lembro vividamente de ser uma das poucas crianças que não tinham condições de receber a Sagrada Comunhão durante a missa semanal. Era aquela fome de receber Nosso Senhor, da graça da conversão e da fé para crer na presença real de Cristo na Eucaristia.

Até o momento em que cheguei da faculdade, no entanto, eu acho que eu era um produto típico da nossa época: ambicioso para ganhar o mundo e ter prazeres, amigável, evasivo, não-dogmático, tolerante a uma falha, ignorante das realidades sobrenaturais, insensível ao movimento do Espírito Santo. Todas as coisas consideradas, eu talvez não tenha sido um grande pecador, mas também não estava remotamente interessado em me tornar um santo. Eu era, em outras palavras, um “cara legal”. Então veio essa experiência inesquecível da Missa.

Depois desse ímpeto inicial, não havia nada muito teatral no meu caminho de conversão. Minha vida continuou como normal, mas salpicada por momentos de recolhimento. Muitas dessas experiências foram acionadas por minha leitura. Tendo falado com o pároco do meu amigo, eu comecei a ler muito, e eu descobri que muitas das minhas impressões sobre o catolicismo, sobre suas crenças, práticas e história, foram imprecisas e muitas vezes completamente erradas e injustas. Para minha surpresa, descobri que os católicos não fazem, de fato, a adoração a Maria; que as crianças, cuja única culpa é ser não nascido, no entanto, têm o direito de viver; que a história católica não é uma faixa de ignorância pontuada por momentos de luz, mas sim uma afirmação fantasticamente rica e diversificada e orgulhosamente de bondade e beleza, sombreada apenas pela fragilidade humana que todos nós compartilhamos.

Como o meu “mito destroçado” a leitura continuou, descobri que estes e os meus outros preconceitos, nunca antes questionados, começaram a vacilar, então balançar, então entrar em colapso. Cada vez, a minha convicção presumida em que eu segurava se tornou menos estridente, até que um dia eu percebi que eu estava me aproximando de um tópico no sentido inverso: onde meus pontos de vista diferentes dos da Igreja, eu esperava que a Igreja fosse certa, e que eu estava errado. Foi quando eu pensei para mim com admiração: “Eu não posso acreditar. Acho que é tudo verdade!” A ironia dessas palavras não me bateram na hora, porque é claro que foi precisamente então que eu podia acreditar! Eu entrei no programa de formação (o Rito de Iniciação Cristã de Adultos) na igreja paroquial e, alguns meses mais tarde, na Vigília Pascal de 1993, foi recebido na plena comunhão da Igreja Católica e confirmado.

Durante este período de preparação, eu nunca vou esquecer uma das minhas conversas com o padre que, eventualmente, me trouxe para a Igreja. Como eu estava me preparando para sair, ele casualmente comentou que, depois da minha conversão, Deus pode pedir ainda “algo mais” de mim. Isso é – e eu entendi o que ele quis dizer – Deus pode me pedir para ser padre. Resmunguei uma resposta, e um pouco ressentido que ele tinha colocado um fardo para mim, antes de eu ser ainda um católico! Não era o tipo de coisa que pessoas descoladas, sem compromisso, como eu jamais sonharia em fazer a outro ser humano! Como eu sabia pouco, quão pouco eu entendi a profundidade da sua caridade para mim. E como sou grato hoje pela coragem do sacerdote; embora ele tenha ido para o Senhor, todos os dias eu rezo por ele em agradecimento. Na verdade, 10 anos depois de sua sugestão indesejável, ele me viu vestido como um diácono, na Basílica de São Pedro.

Ao terminar a faculdade, entrei para ser Candidato na escola e começou uma temporada de quatro anos na Marinha, onde servi em um cruzador e um contratorpedeiro da Frota do Atlântico. Felizmente, na faculdade eu tinha conhecido algumas maravilhas católicas da Opus Dei que me encorajaram a promover uma vida de oração, a recepção contínua dos sacramentos, a leitura espiritual, e devoções. Que a formação da vida interior ficava me aterrada ao longo desses emocionantes quatro anos de serviço militar.

Ao me aproximar do fim do meu tempo na Marinha, refleti novamente na sugestão do padre a considerar a vocação para o sacerdócio, mas ainda não estava completamente pronto para dar o salto. Mais uma vez eu tinha uma namorada séria e, ao mesmo tempo, no fundo, eu sabia que o Senhor estava me chamando para ser seu sacerdote, eu tentei um último “prazo final” em torno dele. Peguei o matéria aplicada na faculdade de direito, e quando a carta de aceitação veio do meu “tiro longo” a escola, eu estava em êxtase. Quando a euforia passou, no entanto, eu olhava para a letra e percebi que eu nunca iria assistir. Sem mais hesitação, eu recusei, enviei a minha candidatura para o Seminário da Arquidiocese de Washington, e embarquei na viagem mais gratificante e emocionante da minha vida.

Mais do que qualquer outro sentimento, o meu coração está cheio de gratidão. Gratidão a Deus pela minha vida, pela graça da conversão, pela minha fé. Gratidão a minha família para o seu amor, pela minha educação, pelo seu apoio inabalável e incentivo. Gratidão aos muitos sacerdotes e leigos que têm sido referidas testemunhas finas da fé católica e que me apoiaram a cada passo do caminho. Acima de tudo, no entanto, sou grato pelo grande dom e bênção de um chamado ao sacerdócio. O que uma incrível vida – uma vida de íntima união com Cristo, de agir como um poderoso canal da graça de Deus, de ter um papel privilegiado na vida de Seu povo. Deus me deu uma escolha, uma escolha real, e eu estava livre para voltar a vocação. Ele não quer discípulos relutantes. Nem por um momento, no entanto, eu me arrependi de minha resposta. Eu nunca fui mais feliz na minha vida, eu nunca olhei para trás, e não há nada que eu prefira fazer. Rezo todos os dias que o Senhor irá conceder o privilégio de uma chamada para o sacerdócio em muitos generosos, homens firmes para ser pais de almas. Nunca antes, creio eu, tem lá um tempo melhor, uma causa mais nobre, ou uma colheita mais abundante de almas famintas de verdade, de amor puro e sem mácula, para a verdadeira felicidade e paz no coração.

Aquele sacerdote que me pediu para considerar um chamado ao sacerdócio foi entendido. Ele sabia que a felicidade de cada homem, em última análise, encontra-se em seguir o plano de Deus para sua vida. Essa é a grande, abertura do desconhecido segredo para o mundo moderno, em que tantas pessoas freneticamente buscam “felicidade” em todos os lugares errados. Ele queria para mim o que cada amigo verdadeiro cristão deve querer para nós: a serenidade e a alegria incontida de um discípulo generoso de Jesus Cristo. Para mim, o caminho do discipulado significava tornar-se padre, mas primeiro queria abraçar a beleza, a verdade, e a alegria do catolicismo. A Igreja Católica tem sido um guia seguro, uma luz em tempos de escuridão, e um alicerce de apoio para mim por mais de metade da minha vida. Eu não posso nem imaginar a vida sem os sacramentos da Eucaristia e da Confissão, sem a mão firme da sua doutrina, sem a garantia de que ela nos une de forma única para Cristo. E que, em poucas palavras, é por isso que eu sou católico.

Pe. Carter Griffin é um sacerdote da Arquidiocese de Washington, DC. Presbiteriana Renovado, ele se converteu ao catolicismo, enquanto freqüentava a Universidade de Princeton. Depois de se formar em 1994, atuou por quatro anos como oficial da linha de superfície da Marinha dos Estados Unidos antes de entrar no seminário. Ele participou do Seminário Mount St. Mary, em Emmitsburg, Maryland para dois anos de filosofia seguida pelo Colégio Norte-americano em Roma por cinco anos de teologia. Pe. Griffin foi ordenado sacerdote em 2004 e serviu como padre-secretário do arcebispo de Washington antes de iniciar estudos de doutoramento em Roma em 2008 sua tese de doutorado, “Sobrenatural paternidade através do celibato sacerdotal: Execução em Masculinidade”, foi publicado em 2010 . Atualmente é vigário paroquial da paróquia de São Pedro, no Capitol Hill, e foi recentemente transferido como Diretor Vocacional da Arquidiocese de Washington e do Vice-Reitor da nova John Paul II Seminário da Arquidiocese Santíssimo.

De: whyimcatholic.com   

Via Front Católico

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Foi o belo e vaidoso Narciso, personagem da mitologia grega incapaz de amar outras pessoas e que morreu por se apaixonar pela própria imagem, que inspirou o termo narcisista. O conceito foi depois reinterpretado por Freud, o primeiro que descreveu o narcisismo como uma patologia. Nos anos setenta, o sociólogo Christopher Lasch transformou a doença em norma cultural e determinou que a neurose e a histeria que caracterizavam as sociedades do início do século XX tinham dado lugar ao culto ao indivíduo e à busca fanática pelo sucesso pessoal e o dinheiro. Um novo mal dominante. Quase quatro décadas depois ganhou força a teoria de que a sociedade ocidental atual é ainda mais narcisa.

Este comportamento parece expandir-se como uma praga na sociedade contemporânea. E não só entre os adolescentes e jovens que inundam as redes sociais. “A desordem narcisista da personalidade –um padrão geral de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia– continua sendo um diagnóstico bastante raro, mas as características narcisistas estão certamente em alta”, explica a psicóloga Pat MacDonald, autora do trabalho Narcissism in the Modern World (narcisismo no mundo moderno). “Basta observar o consumismo galopante, a autopromoção nas redes sociais, a busca da fama a qualquer preço e o uso da cirurgia para frear o envelhecimento”, acrescenta em uma entrevista por telefone.

As pesquisas realizadas a partir de 2009 por Jean Twenge, da Universidade do Texas, são uma das principais referências para as hipóteses mais catastróficas. Depois de estudar milhares de estudantes norte-americanos, a psicóloga proclamou que esses comportamentos tinham aumentado no mesmo ritmo que a obesidade desde 1980” e haviam alcançado níveis de epidemia. Ela publicou dois livros –The Narcissism Epidemic (a epidemia do narcisismo), com Keith Campbell, da Universidade da Geórgia, e Generation Me (geração eu)—, nos quais afirma que os adolescentes do século XXI “se acham com direito a quase tudo, mas também são mais infelizes”.

Os traços narcisistas nem sempre são fáceis de reconhecer e, sendo moderados, não há por que serem um problema. São comportamentos egoístas, pouco empáticos, às vezes um tanto exibicionistas, de pessoas que querem ser o centro da atenção, ser reconhecidas socialmente, que costumam resistir a admitir seus erros ou mentiras e que se consideram extraordinárias (embora sua autoestima seja, na realidade, baixa). Um exemplo extremo, contado por Twenge, é o de uma adolescente que em um reality da MTV tenta justificar assim o bloqueio de uma rua para realizar sua festa de aniversário, sem se importar que haja um hospital no meio: “Meu aniversário é mais importante!”.

“A imagem conta mais do que o que fazemos, e queremos alcançar muitos sucessos sem esforço”, opina o psicanalista J.C. Bouchoux

Em outras ocasiões este tipo de comportamento é mais sutil, mais comum e, às vezes, mais prejudicial. É aquela pessoa que exige uma atenção exagerada a seus comentários e problemas e, se não consegue, conclui que é diferente dos outros e que nunca recebe o respeito que merece. Ou um chefe encantador que, de repente, faz você se sentir culpado por um projeto fracassado que era ideia dele. “Para tampar seus problemas, uma pessoa com elevado nível de narcisismo costuma buscar uma ou duas vítimas próximas, não precisa mais do que isso, mas pode tornar-lhes a vida impossível”, afirma o psicanalista francês Jean-Charles Bouchoux, autor de Les Pervers Narcissiques (os perversos narcisistas), que acaba de ser traduzido para o espanhol e vendeu mais de 250.000 exemplares na França. “Há um aumento do narcisismo porque agora a imagem conta mais do que o que fazemos e porque queremos ter muitos êxitos sem esforço”, opina.

O assunto fascina, como mostram os índices de audiência dos realities. Talvez a principal novidade sejam as redes sociais, lugar onde os millennials (nascidos entre 1980 e 1997) e os não tão millennials, os famosos e os não tão famosos, transformam o corriqueiro em algo extraordinário. Todos os dias são colocadas no Instagram 80 milhões de fotografias, com mais de 3,5 bilhões de curtidas: “Eu, comendo”, “Eu, com minha melhor amiga”, “Eu em um novo bar”. No Facebook, milhões de usuários dão detalhes de sua vida ao mundo. A Internet está nos convertendo não só em espectadores passivos, mas em narcisistas ávidos pela notoriedade fácil, obcecados por conseguir amigos virtuais e pelo impacto de nossos posts?

Convém ter muito cuidado com as fotos de si mesmo. Nem todos os que tiram selfies são narcisistas, mas um estudo realizado por Daniel Halpern e Sebastián Valenzuela, da Pontifícia Universidade Católica do Chile, concluiu que as pessoas que tiraram mais fotos de si mesmas durante o primeiro ano da pesquisa mostraram um aumento de 5% no nível de narcisismo no segundo ano. “As redes sociais podem modificar a personalidade. Autorretratar-se, quando se é narcisista, alimenta esse comportamento”, explica, por telefone, Halpern. “Nas redes podemos nos mostrar como queremos que nos vejam. Essa imagem perfeita que acreditamos que os demais têm de nós pode alterar a que nós temos de nós mesmos”, adverte. Ter impacto nas redes pode causar dependência e também temor (o medo do vazio de uma postagem sem uma curtida sequer).

Além disso, o narcisismo crescente movimenta dinheiro. Um recente relatório do Bank of America Merrill Lynch calcula que o consumo relacionado com os produtos que nos fazem sentir melhor e tornam possível uma aparência à prova de selfies –chamam a isso de vanity capital– movimenta no mundo 3,7 trilhões de dólares (11,65 trilhões de reais). A lista inclui carros e outros artigos de luxo, cirurgias estéticas, vinhos de qualidade, joias e cosméticos.

Como chegamos até aqui? A inabalável corrida por conquistas pessoais exigida de jovens e adultos explica parte da ânsia narcisista. “A sociedade é hiperdemandante e hiperexigente. Agora, por exemplo, é preciso ter muitos amigos, vivemos hiperconectados. Meu pai não tinha amigos, tinha sua família, e era feliz”, explica Rafael Santandreu, psicólogo e autor de Ser Feliz en Alaska, que vincula o narcisismo –e a frustração que pode provocar– com a depressão, a ansiedade e a agressividade.

 Há causas que nascem na infância. As teorias de Twenge tocaram em um nervo cultural ao culpar pais e educadores por terem criado uma geração de narcisistas dizendo-lhes o quanto são especiais, sem se importar com suas conquistas. Um estudo europeu publicado em 2015 na revista PNAS mostra que o narcisismo está relacionado a uma educação parental que sobrevaloriza os filhos, haja ou não fundamento. “São elogiados em excesso e, com o tempo, as crianças se consideram únicas”, explica um dos autores, Eddie Brummelman, do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento Infantil, da Universidade de Amsterdam. “A autoestima é confundida com narcisismo. O que é preciso cultivar é a autoestima, que se consegue com carinho, apoio, atenção e limites”, acrescenta.

Quer dizer que não se deve pensar grande? Não exatamente. Cultivar certo ego saudável é benéfico. É o que afirma Craig Malkin, psicólogo clínico da Escola de Medicina de Harvard. “Um pouco de narcisismo na adolescência ajuda os jovens a suportar a tempestade e o ímpeto da juventude. Só as pessoas que nunca se sentem especiais ou as que se sentem sempre especiais são uma ameaça para elas mesmos ou o mundo. O desejo de se sentir especial não é um estado mental reservado para imbecis ou sociopatas”, afirma em Rethinking Narcissism (repensando o narcisismo).

Craig integra o grupo que considera que a maioria dos estudos sobre narcisismo não tem sido justo com os jovens e que os que falam de epidemia exageram. O Inventário da Personalidade Narcisista, um questionário básico para os pesquisadores do mundo todo, incluindo Twenge, é falho, argumenta Craig. Entre outras coisas, esta ferramenta considera negativo querer ser um líder ou alguém dizer que é decidido. “As pessoas que gostam de dizer o que pensam ou que querem liderar são claramente diferentes dos narcisistas, que costumam recorrer à manipulação e à mentira.” Um exaustivo estudo publicado em 2010 em Perspectives on Psychological Science tenta refutar a teoria da epidemia. Foi realizado com um milhão de adolescentes nos EUA entre 1976 e 2006. Os pesquisadores encontraram pouca ou nenhuma diferença psicológica entre os millennials e as gerações anteriores, a não ser mais autoestima. Em uma tentativa de relativizar o problema, o estudo é aberto com uma frase de Sócrates: “As crianças de hoje [século V a. de C.] são umas tiranas. Contradizem seus pais, engolem a comida e tiranizam os professores”.

De um lado e outro do debate, não parece haver dúvida de que é recomendável fugir das pessoas com elevados níveis de narcisismo. Kristin Dombek resume isso bem em The Selfishness of Others (o egoísmo dos outros), ensaio em que analisa a abundância no mundo virtual anglo-saxão de informações relacionadas com os narcisistas, sobre como reconhecê-los e enfrentá-los: “Um desses blogueiros dizia: o que uma pessoa deve fazer quando conhece um narcisista? Colocar os tênis e sair logo correndo”.

TEXTO ORIGINAL DE EL PAÍS

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A catedral de Buenos Aires se tornou o cenário de atos de violência perpetrados por manifestantes feministas na noite de 08/03.

Para comemorar o dia da mulher as feministas resolveram despejar o seu amor a Igreja. O confronto iniciou quando quatro ativistas com os rostos cobertos jogaram pedras e objetos cortantes na fachada da catedral argentina e acenderam uma fogueira diante da tela de proteção montada para evitar danos ao edifício.

Sob gritos de “Iglesia, basura, vos sos la dictadura” (“Igreja, lixo, vocês são a ditadura”), manifestantes também picharam a tela de proteção com frase como “aborto legal”. Desta vez, a imprensa que é sempre tão amiga foi hostilizada. Os jornalistas do Todo Noticias, Canal 26 e C5N foram agredidos sob a justificativa de que os meios de comunicação estariam a favor da Igreja.

Um jovem católico que levava uma bandeira da Santa Sé foi agredido e empurrado por algumas feministas. Devido a hostilidade do movimento, algumas manifestantes tentaram afasta-lo para legitimar o movimento de intolerância religiosa.

A polícia, que estava entre a tela de proteção e a igreja, interveio com bombas de gás lacrimogênio e realizou algumas detenções, além de ter apagado o fogo.

Jaime Maldonado-Aviles, a former neuroscientist at Yale, decided to become a priest at Catholic University's Theological College in Washington. MUST CREDIT: Washington Post photo by Linda Davidson.
Jaime Maldonado-Aviles deixou o pós-doutorado em Yale para entrar no seminário. Outros cientistas estão seguindo o mesmo caminho. (Foto: Linda Davidson/The Washington Post)

O jornal O Globo, reproduzindo noticiário do Washington Post, conta a história de um neurocientista que, no meio do pós-doutorado em Yale, largou tudo para se tornar padre, matriculando-se em um seminário. E o jornal continua dizendo que Jaime Maldonado-Aviles está longe de ser um caso isolado. Entre os seminaristas, pelo menos em Washington e algumas outras instituições, há cada vez mais “vocações tardias” oriundas do ambiente científico.

Como não poderia deixar de ser, ninguém mostra estar embasbacado ou perplexo com o fato de um cientista não apenas ter fé, mas também abraçar o sacerdócio. “Eles parecem se encaixar muito bem, é tudo que eu posso dizer. Não parece haver uma luta terrível para que eles tragam seus antecedentes científicos aqui. Ninguém lhes pede para abandoná-los”, diz um recrutador de um seminário que só aceita maiores de 30 anos, ou seja, pessoas que provavelmente já tinham uma carreira estabelecida antes de descobrir sua vocação. E não tinha como ser diferente mesmo, apesar do que revistas como Superinteressante ou Galileu continuem tentando colocar na nossa cabeça.

A reportagem não diz se esses seminaristas, uma vez ordenados, abandonarão completamente suas pesquisas para se dedicar exclusivamente ao sacerdócio, ou se darão continuidade ao que faziam antes, talvez por meio da docência. Mas eles parecem conscientes de que seus antecedentes lhes dão um papel especial dentro da Igreja. Maldonado-Aviles “considera sua missão ajudar os católicos a entender os cientistas, e os cientistas a entenderem os católicos”, diz o texto. O Post diz que ele tem mergulhado em temas de bioética (essa parte o Globo cortou da sua versão) para dialogar com outros cientistas.

A história de Maldonado-Aviles me lembra dos padres-cientistas que entrevistei recentemente, do irmão trapista Gabriel e de outros padres e seminaristas que conheço (recentemente, conversando com o padre redentorista Joaquim Parron, ele me contou que um dos seminaristas tinha vindo da Física). Independentemente de seguirem, de algum modo, com sua carreira científica ou de a deixarem totalmente, essas pessoas enriquecem a Igreja com seus conhecimentos. Claro, também os leigos o fazem quando fomentam uma relação saudável entre a ciência e sua fé, mas pessoas que estão em posições de liderança, cujas opiniões são levadas em consideração pelos fiéis, podem fazer um grande bem ou causar um grande estrago. A perspectiva que um padre-cientista (ou “padre ex-cientista”) traz é preciosa; não podemos desperdiçá-la.

Fonte: Tubo de ensaio