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“O Senhor é bom, quando uma congregação religiosa não segue pelo caminho da pobreza, normalmente o Senhor envia um ecônomo ou a uma ecônoma que arruína tudo, e esta é uma graça!”, disse o Papa Francisco aos religiosos e religiosas, em Milão, no  sábado, 25-03-2017.

“Devemos temer uma fé sem desafios, uma fé que se considere completa, tudo feito… Esta fé não serve. Os desafios nos ajudam para que nossa fé não se torne ideológica”.

A Catedral de Milão está cheia de sacerdotes, freiras e religiosos. Há muitos sacerdotes enfermos, em cadeiras de rodas. Entre eles também está o cardeal Dionigi Tettamanzi, a quem Francisco cumprimenta com grande afeto. É um momento central da visita do Pontífice à diocese ambrosiana: o diálogo com os sacerdotes e freiras. Além de alguns representantes de outras confissões cristãs, está presente uma pequena delegação muçulmana. Francisco, que já conhecia as perguntas que lhe fariam, preparou alguns apontamentos escritos, mas foi completando-os, acrescentando reflexões espontâneas.

Livres dos resultados

Ao responder uma pergunta do padre Gabriele Gioia, disse: “Você sabe que a evangelização nem sempre é sinônimo de pescar peixes. Sair ao mar aberto, dar testemunho. Então, o Senhor. Ele pesca peixes, quando e como, não o sabemos. Nós somos instrumentos inúteis”. Em seguida, o Papa animou a “não perder a alegria de evangelizar, porque evangelizar é uma alegria. Devemos pedir a graça de não a perder. Não está certo ser tristes, um evangelizador triste é como se não estivesse convencido de que Jesus é alegria, traz alegria, e quando lhe chama, muda a sua vida e lhe dá nova alegria. Também na cruz, mas na alegria”.

Os desafios ajudam a fé

“Cada época histórica, desde os primeiros tempos do cristianismo, esteve submetida constantemente a múltiplos desafios”, explicou Francisco. “Não devemos temer os desafios, é necessário tomá-los como o boi, pelos chifres! Não os temam! É bom que existam, porque nos fazem crescer, são sinal de fé viva, de uma comunidade que busca a seu Senhor e que tem os olhos e os corações abertos”. O Papa acrescentou: “Devemos, ao contrário, temer uma fé sem desafios, uma fé que se considera completa, tudo feito, como se tudo já tivesse sido dito e feito. Esta fé não serve. Os desafios nos ajudam para que nossa fé não se torne ideológica. As ideologias sempre crescem e germinam quando se acredita já se ter a fé completa”. Os desafios “nos salvam de um pensamento fechado e definido, e nos abrem para uma compreensão mais ampla do fato revelado”.

Por uma cultura de acolhimento: Não se deve confundir, continuou, “unidade com uniformidade”, nem “pluralidade com pluralismo”

“Acredito que a Igreja – disse o Papa -, no arco de toda sua história, tem muito a nos ensinar e nos ajudar em favor de uma cultura da diversidade. O Espírito Santo é o Mestre da diversidade. A Igreja, apesar de ser una, é multiforme. A Tradição eclesial tem uma grande experiência sobre como “administrar” o múltiplo dentro de sua história e de sua vida. Vimos e vemos muitas riquezas e muitos horrores/erros”. Francisco pediu para se ver o mundo “sem condená-lo e sem santificá-lo, reconhecendo os aspectos luminosos e os aspectos obscuros. Desse modo, ajudando-nos a discernir os excessos de uniformidade ou de relativismo”. Não se deve confundir, continuou, “unidade com uniformidade”, nem “pluralidade com pluralismo”. O que se trata de fazer é “reduzir a tensão e cancelar o conflito ou a ambivalência a que somos submetidos como seres humanos”, mas “procurar eliminar um dos polos da tensão é eliminar a maneira como Deus quis se revelar na humanidade de Seu Filho”.

Formar para o discernimento

“A cultura da abundância a qual estamos submetidos – continuou o Papa – oferece um horizonte de muitas possibilidades, apresentando todas como válidas e boas. Nossos jovens estão expostos a um zapping constante”. Francisco considera que é “bom lhes ensinar a discernir, para que tenham os instrumentos e os elementos que lhes ajudem a percorrer o caminho da vida, sem que se suprima o Espírito Santo que está neles”.

“O Senhor é bom, quando uma congregação religiosa não segue pelo caminho da pobreza, normalmente o Senhor envia um ecônomo ou a uma ecônoma que arruína tudo, e esta é uma graça!”, disse o Papa Francisco

Quando se é criança, continuou, “é fácil que o papai e a mamãe digam o que devemos fazer, e é correto. Mas, conforme vamos crescendo, em meio a uma multidão de vozes na qual aparentemente todos têm razão, o discernimento do que nos conduz à ressurreição, à vida e não a uma cultura de morte, é crucial”.

Os diáconos não são “meio padres”

Respondendo à pergunta de um diácono permanente, o Papa advertiu que não se deve considerar “os diáconos como “meio padres” e “meio leigos”. Este é um perigo, não é? Por fim, não estão nem aqui e nem lá. Vê-los assim nos prejudica e lhes prejudica”.

Existe o perigo do clericalismo, acrescentou Francisco, e, “às vezes, parece que o diácono quase toma o lugar do sacerdote”. A outra tentação “é a do funcionalismo, alguém que serve para cem tarefas. Não, vocês – acrescentou – têm um carisma claro na Igreja e devem guardá-lo. O diaconato é uma vocação específica, uma vocação familiar que convida ao serviço como um dos dons característicos do povo de Deus”. Os bispos, desde os tempos dos apóstolos, têm como tarefa principal a de rezar e de anunciar a Palavra. Os diáconos sempre têm como tarefa o serviço “a Deus e aos irmãos. E quanta caminhada é preciso fazer neste sentido!”. Além disso, observou Bergoglio, “não há serviço no altar, não há liturgia que não se abra ao serviço dos pobres, e não há serviço aos pobres que não conduza à liturgia”.

Poucos e anciãos, mas nunca resignados

Ao final, Francisco respondeu à pergunta de uma religiosa que falou sobre as dificuldades pela falta de vocações: cada vez mais poucos e cada vez mais velhos. O Papa falou sobre o sentimento da resignação. “Sem nos dar conta, cada vez que pensamos ou constatamos que somos poucos, ou em muitos casos anciãos, que experimentamos o peso, a fragilidade, mais que o esplendor, nosso espírito começa a ser corroído pela resignação. E a resignação depois conduz à preguiça… Poucos, sim, em minoria, sim, anciãos, sim, resignados, nunca!”. O remédio que “restaura e dá paz”, acrescentou, é a misericórdia de Deus. Quando, ao contrário, alguém se resigna ou vive pensando nas glórias do passado, as estruturas, agora vazias, começam a ficar pesadas, e nos trazem o desejo de vendê-las para ter dinheiro para a velhice. Começa a pesar o dinheiro que temos no banco, e a pobreza, para onde vai? Mas, o Senhor é bom, quando uma congregação religiosa não segue pelo caminho da pobreza, normalmente o Senhor a envia um ecônomo ou uma ecônoma que arruína tudo, e esta é uma graça!”.

O “obrigado” a Milão

Depois, o Papa foi ao átrio da Catedral para recitar o Angelus com os fiéis na praça. “Minhas saudações e agradecimento por esta calorosa acolhida, aqui, em Milão – disse Francisco -; o nevoeiro já se foi, as más línguas dizem que chegará a chuva, não sei, eu ainda não a vejo. Muito obrigado por seu afeto e lhes peço que rezem por mim para que possa servir ao Senhor e fazer sua vontade”.

Vatican Insider

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Nos últimos anos, a Islândia tem registrado um aumento significativo no número de seguidores de um movimento pagão chamado Associação Asatru. Trata-se hoje da religião que mais cresce no país.

Segundo estatísticas do governo, a igreja Luterana continua sendo a dominante no país, com 237.938 fiéis – o equivalente a 70% da população, um número que se mantém estável há décadas.
Mas o número de islandeses que reverenciam Odin, Thor e a deusa Freyja teve um aumento de 50% desde 2014, chegando a 3.583 fiéis, o dobro em relação ao período anterior àquele ano, segundo o jornal local Morgunbladid.

Estatísticas do governo islandês indicam que havia apenas 879 fiéis em 2005.

A maior autoridade da Associação Asatru é o compositor Hilmar Orn Hilmarsson, que é conhecido no exterior pelo seu trabalho com bandas como a Sigur Rós.

De acordo ele, o aumento do número de seguidores tem a ver com a cobertura midiática das coloridas cerimônias da Asatru. “Mais pessoas estão vendo o que fazemos, e elas gostam disso”, diz.

“Não recrutamos membros, apenas encorajamos as pessoas a participarem caso estejam interessadas. Nossas cerimônias são abertas a todos.”
Templo pagão

Diferentemente de outras associações neopaganistas em outras partes da Escandinávia, a Asatru é aberta a todos independentemente de cor, sexualidade e gênero e trabalha com outros grupos para promover direitos civis e conscientização ambiental.

A última iniciativa do movimento foi iniciar a construção de um templo na montanha de Oskjuhlid, que fica perto da capital Reykjavik, onde vivem mais de um terço dos islandeses.

Hilmarsson diz que o primeiro templo pagão no país em mil anos terá capacidade para 250 pessoas e será usado para realizar casamentos, cerimônias de batismo e funerais.
Construído por meio de doações em um terreno doado pelo governo local de Reykjavik, o templo deve ficar pronto até o começo de 2018. E não há dúvidas de que o líder da Associação garantirá uma intensa cobertura midiática da abertura.

Clandestinidade

O paganismo nórdico era a crença mais comum na Islândia até o ano 1000, quando o país acatou a exigência do Cristianismo de se tornar a religião oficial do país.
Esse acordo evitou uma guerra civil no país e a única condição por parte dos pagãos foi poder praticar sua religião de maneira independente.

Mas uma vez que o Cristianismo foi estabelecido no país, o paganismo acabou oprimido e levado à clandestinidade.

Mesmo assim, a mitologia nórdica foi preservada e a poesias pagãs épicas, mantidas como parte da cultura nacional.

A Asatru é uma religião politeísta com vários deuses e deusas – na Islândia, os mais populares são Thor, o deus dos céus e dos trovões, e Freyja, deusa do amor e da fertilidade. Seus princípios são não autoritários e descentralizados, sem um texto sagrado ou fundador oficial.
Sua filosofia promove a tolerância e liberdades individuais, e as principais celebrações acontecem nos solstícios de verão e de inverno e nos dois equinócios.

BBC Brasil

http://www.bbc.com/news/world-europe-31437973

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CARTA DE REPÚDIO À LEGALIZAÇÃO DO ABORTO.

A Diocese de Santo Amaro, com o seu Bispo Diocesano D. José Negri e todos os seus Padres repudiam a Ação do Supremo Tribunal Federal (STF) em ampliar a legalidade do aborto para até o terceiro mês de gravidez e descriminalizar os processos abortivos já praticados até as doze primeiras semanas de gestação.

Repudiamos já as situações nas quais o aborto não é criminalizado, que são os casos de anencefalia do feto, de mulheres vítimas de estupro e quando a gestação representa risco para a mulher.

Manifestamos nossa postura contrária à descriminalização em todas estas situações, pois, além de ferir o dom precioso da vida, privam estas crianças do direito de nascer. Sabemos que além da criança estar em um estado de sua maior vulnerabilidade, que é no início de sua vida, a mãe, muitas vezes também se encontra vulnerável, fragilizada por uma situação que foge ao seu controle. A solução para isso não é a facilitação do aborto, promovendo políticas que atentam contra a integridade e dignidade humanas, mas oferecer apoio, com políticas que cuidem tanto da criança quanto da mãe.

Lembramos que a decisão deliberada de privar um ser humano inocente de sua vida é sempre má, desde o ponto de vista moral e nunca pode ser lícita nem como fim nem como meio para um fim bom.

Ignorar o valor da Pessoa Humana, criar políticas e praticar atos que atentem contra a sua integridade, é reduzir a pessoa à condição de coisa, retirando dela sua dignidade. A Pessoa é um fim em si mesmo e nunca um meio. Independente de crenças religiosas ou de convicções filosóficas ou políticas, a vida e a dignidade são valores éticos, são Direitos Naturais que não são frutos de acordos, pactos, nem de concessões que sejam elaboração de um direito positivo ou dependente da vontade dos legisladores. Por mais que seja legalizado o aborto, em qualquer condição, ele nunca será uma prática justa.

O próprio condicionamento natural do ser humano por alguns valores, nos faz respeitar a vida como um destes valores, e o maior deles. Ir contra isso, é ir contra a natureza humana ou à lei moral natural, o que nos faz caminhar para a negação do próprio homem e impedir consequentemente a sua realização e felicidade.

Este é um dos grandes perigos atuais. Há um processo de desumanização do homem onde, valores como a vida, a dignidade, a verdade e a bondade se tornam relativos. Isso traz como consequência a destruição da consciência moral. Assim, o critério das opções éticas não seriam mais o bom senso, mas o consenso.

O Papa Francisco nos fala do grave problema da alterada relação com a vida, da mentalidade muito difundida que fez perder a necessária sensibilidade pessoal e social pelo acolhimento de uma nova vida.

O drama do aborto, diz o Papa, é vivido por alguns com uma consciência superficial, quase sem se dar conta do gravíssimo mal que um gesto semelhante comporta. E ele está sendo tratado pelo Supremo Tribunal Federal com esta superficialidade, sem a devida seriedade para com a vida humana nascente.

A Igreja Católica desde sempre defende a vida nas suas várias fases, e protege o ser humano nos vários estágios de seu desenvolvimento, principalmente onde ele se encontra em maior vulnerabilidade. Repudiamos, portanto, toda e qualquer prática que promova ou descrimine o aborto em toda e qualquer situação. Nosso objetivo é garantir ao ser humano uma real proteção e dizer um grande SIM à VIDA!

DOM JOSÉ NEGRI
Bispo Diocesano de Santo Amaro