O nome da criança é Ariel Carneiro dos Santos, mas seus pais decidiram que ela será criada como “agênera”, isso é, caberá a ela decidir se será menino ou menina.

Curiosamente, no mesmo dia em que Ariel nasceu, 4 de julho, a imprensa noticiava o caso do primeiro bebê no mundo que recebeu um cartão de saúde sem identificação de gênero. O canadense Searyl Atli usa um “U” na área reservada ao sexo, o que seria uma letra identificando como sexo indefinido.

Lá, como cá, um dos pais é transgênero. O “pai afetivo” de Ariel é Yudi dos Santos, 25 anos, que já teve uma identidade feminina. Em 2015, ele teve um relacionamento com Taynan dos Prazeres, a mãe de Ariel. Contudo, durou pouco tempo. Aos 17 anos, Taynan conheceu André dos Santos, o pai biológico da criança.

Acabaram se separando e, durante a gravidez, Yudi e Taynan reataram. Hoje, tentam criar Ariel em um arranjo familiar mais baseado em uma ideologia que na natureza“Se olham no meu braço e falam ‘é lindo”, eu continuo a conversa. Se falam ‘é linda’, não corrijo a pessoa e deixo quieto. Entendo que é uma questão cultural que nos leva ao binarismo”, explica a mãe.

Por decisão dos pais, a criança só vestirá roupas em cores neutras (branco, amarelo, verde ou colorido em tons pastéis). Seus brinquedos incluirão carros, martelos, cozinhas com florzinhas e bonecas. “Porque só precisa brincar com o brinquedo que tiver vontade e ser o que ele quiser”, insiste a mãe.

O discurso está ensaiado: quando perguntam se Ariel é menino ou menina, os dois respondem de pronto: “É apenas uma criança. Um bebê livre”.  Taynan participa de movimentos LGBTs em Pernambuco e acredita que deu à luz a uma “criança fora dos padrões”.

“Na verdade, Ariel acrescentou na nossa militância”, diz Yudi que é vice-coordenador do Instituto Brasileiro de Transmasculinidade em Pernambuco e segundo-secretário da Associação de Homens Trans e Trans-masculinidade.

Eles acreditam que estão gerando uma tendência. “Começamos a ver outros casos de gestação iguais à de Taynan e de pessoas que querem os mesmos para seus filhos”, afirmaram ao jornal O Globo.

Fonte: Gospel Prime

“O Ocidente vencerá a batalha contra o radicalismo islâmico somente quando se dissociar da Arábia Saudita, que exporta essa ideologia violenta. Até agora, os Estados Unidos e a Europa só discutem paz, segurança e direitos humanos, esquecendo-se de que são cúmplices dos sauditas, dos quais compram petróleo e aos quais vendem armas.”

É o que afirma Ani Zonneveld, fundadora e presidente da Muslims for Progressive Values, uma associação de muçulmanos progressistas com mais de 10.000 membros. Ele vive em Los Angeles, onde dirige a oração (ou seja, uma imamah, uma imã mulher) das sextas-feiras (para homens e mulheres).

Filha de um diplomata, Ani Zonneveld nasceu há 54 anos na Malásia, um país multicultural e multirreligioso, e viveu na Alemanha, no Egito e na Índia, para depois se mudar para os Estados Unidos, para frequentar a faculdade e se dedicar à música (ela ganhou um Grammy). Personagem transgressivo e eclético, na sexta-feira, 22 de setembro, ela será uma das convidadas do evento Torino Spiritualità.

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Os terroristas atingiram Barcelona. Por que visam a lugares públicos?

Os terroristas que atingiram Barcelona são seres desprezíveis, querem criar notícias matando inocentes. Buscam objetivos fáceis: mercados, sorveterias, cafés, onde há uma dimensão alegre. Eles vão continuar atacando a Europa, mas o seu modo de agir não tem nada a ver com o Islã. O fato de que os que são mortos são civis, inocentes, contradiz os ensinamentos de Maomé, segundo o qual, em tempo de guerra, os civis e os crentes (incluindo cristãos e judeus) não devem ser alvejados, é proibido envenenar as fontes de água e pisotear a grama destinada ao pasto.

No entanto, os terroristas usam como pretexto as escrituras do Islã…

Eles interpretam o Alcorão à sua maneira, depravando-o, e essa interpretação deles está se espalhando como um câncer. Em um post nas mídias sociais, o suspeito Moussa Oukabir escreveu que “é preciso matar os infiéis e poupar apenas os muçulmanos praticantes”. Afirmações absurdas, porque o termo infiel não indica o não muçulmano, mas sim aquele que esconde o verdadeiro significado de Deus. Na minha opinião, esses assassinos e os seus imãs é que são kafir [aquele que não crê]. Nós, muçulmanos progressistas, trabalhamos desde 2004 para desafiar essas interpretações do Islã radical.

Vocês já se mobilizaram também por causa dos recentes eventos de Charlottesville que trouxeram para o primeiro plano o extremismo de direita?

Sim, a nossa associação assume como objetivo combater as ideologias radicais sob a bandeira do Islã, mas não percebemos nenhuma diferença entre os integristas muçulmanos e os extremistas brancos. As ideologias não se esgotam na destruição ou na remoção dos monumentos. Seria oportuno seguir o exemplo da África do Sul, onde o Museu do Apartheid e o Slave Lodge recordam os horrores do passado sem glorificá-lo.

Voltemos à Europa, onde assistimos ao retorno dos chamados foreign Fighters da Síria e do Iraque. Como é possível enfrentar esse problema?

É necessário erradicar a ideologia que anima esses jovens, trabalhando com os líderes religiosos muçulmanos, para que esses rapazes escolham um caminho diferente do radicalismo. Mas a questão é saber onde encontrar os imãs capazes de realizar essa tarefa. Em todo o caso, é um problema que deve ser resolvido pelos próprios muçulmanos, mobilizando-se para erradicar as interpretações radicais dos seus textos sagrados.

Essas interpretações radicais trazem consigo uma boa dose de misoginia. Na sua opinião, por que, ao longo dos séculos, o Islã se tornou tão agressivo com as mulheres?

Não é culpa do Islã em si mesmo, mas daqueles muçulmanos que depravaram a nossa religião. Eu fico com raiva quando penso em todas as injustiças que as mulheres muçulmanas tiveram que sofrer, quando, há 14 séculos, a Revelação tinha nos permitido obter direitos. Penso em Maria, a mãe de Jesus, à qual é dedicado um capítulo inteiro do Alcorão e que é mantida na palma da mão pelos muçulmanos, sinal do valor que o Islã dá às mulheres, bem diferente daquela atitude daqueles homens que estão monopolizando a nossa religião. No século XXI, ainda devemos lutar para poder frequentar as escolas, para decidir por nós mesmas. Defrontando-nos com conceitos absurdos, como a tutela por parte de um guardião, as diferenças de gênero em âmbito hereditário, a questão da honra.

Sobre os direitos das mulheres no Islã, em que consiste a iniciativa de vocês intitulada #ImamsForShe?

Trabalhamos com imãs do sexo masculino, com os estudiosos e as estudiosas das escrituras do Islã, com todos aqueles que promovem os direitos das mulheres e das meninas. No nosso programa, existem oficinas, campos de esportes para meninas, onde também realizamos cursos sobre as interpretações liberais do Islã, para dar a essas jovens os instrumentos para responder – com as armas da religião – às imposições e defender os próprios direitos. Seria bom se Malala (ativista paquistanesa vencedora do Prêmio Nobel da Paz) também aderisse.

Farian Sabahi, jornal Corriere della Sera

Na sequência da mais recente onda de violência na Europa, o Vaticano diz não estar tomando medidas extras de segurança, em parte porque a salvaguarda já era “muito forte”.

Normalmente os papas sentem um grau maior de calmaria com respeito à própria segurança do que outras figuras públicas, pois, do ponto de vista deles, os pontífices contam com a rede se segurança máxima que se pode ter.

A essa altura, um ataque com facas na Finlândia ocorrido sexta-feira deixou dois mortos. A polícia diz que passou a considerar o ato como terrorista e informou que prendeu um marroquino de 18 anos e outros cinco. Este incidente levou ao recrudescimento das medidas de segurança nos aeroportos e estações de metrô, além de uma maior presença policial em locais onde as pessoas se reúnem.

A Cidade do Vaticano, evidentemente, é também um alvo europeu, sendo um lugar onde muitas pessoas se reúnem. Na verdade, é provavelmente milagre que algo semelhantemente horrível não tenha ocorrido aí ainda. Afinal, para um jihadista esta cidade-Estado é o alvo perfeito: um símbolo imponente do cristianismo e da civilização ocidental, além de ser o lar do líder cristão mais conhecido do planeta.

Na sexta-feira, conversei com a porta-voz do Vaticano, Paloma García Ovejero, que me disse que o Vaticano não está tomando nenhuma precaução extra em se tratando de segurança à luz dos eventos recentes, em parte porque “não temos nenhum indício” de uma ameaça em específico.

“Não adotamos medidas extras de segurança, pois aqui o nível de vigilância já era muito forte”, disse García Ovejero. “A Basílica de São Pedro está sempre protegida, e a Via della Conciliazione [avenida que leva até a praça] permanece fechada para o tráfico”.

“Ou seja, estamos com o mesmo nível de alerta”, completou ela.

Então, resta saber se as ansiedades com a questão da segurança influirão em alguma atividade pública do papa, seja em Roma, seja quando ele pegar a estrada. (A sua próxima viagem está marcada para o começo de setembro, quando visitará a Colômbia.)

Na falta de indícios diretos de uma ameaça específica, a minha aposta é que o Papa Francisco não irá diminuir a sua exposição pública, e o mesmo eu diria quanto aos dois papas anteriores que cobri, Bento XVI e João Paulo II.

Em geral, os papas contam com uma preocupação com a questão da segurança muito menor em comparação com os outros líderes mundiais. Se olharmos o aparato de segurança em torno de um presidente americano ou do presidente da Rússia, as comparações com um papa sequer fazem sentido.

As equipes que trabalham para o papa são de alto nível, porém enfrentam limites no número de membros e no que podem fazer para manter o religioso longe de qualquer perigo.

Lembro certa vez de estar em uma viagem com João Paulo II na Grécia. Ele presidia uma missa em uma pequena avenida. Durante a procissão do ofertório, um homem não autorizado se juntou à fila e começou a se aproximar do papa. Ele estava talvez a meio passo do altar, a poucos metros de João Paulo, quando um segurança percebeu e o retirou.

As manchetes nos jornais do dia seguinte diziam: “Homem é atacado enquanto corria em direção ao papa!” Posso lhe garantir que ele “não corria”, pois usava muletas.

No final da missa, anunciou-se que o indivíduo era um sem-teto e estava doente, e que só queria dar a João Paulo uma amostra de seu trabalho. Por fim, foi trazido de volta, recebeu um abraço papal e posou para fotos. No entanto, é óbvio que essa história poderia ter acabado diferente.

Por que os papas se permitem correr perigos como este?

Além do aspecto pastoral de querer estar o mais próximo possível das pessoas, há uma outra dimensão que nem sempre entra nos cálculos para avaliar os níveis de segurança e que é, sem dúvida, real: os papas realmente acreditam que, no fim, o destino deles está nas mãos de um poder muito maior.

Eu não estava em Roma quando tentaram assassinar João Paulo, em 13-05-1981. Na verdade, eu cursava o ensino médio quando o fato ocorreu. No entanto, passei muito tempo ao longo dos anos conversando com quem estava lá, incluídos alguns dos assessores mais próximos do papa, os quais deixaram claro que João Paulo acreditava, com firmeza, que a Virgem Maria estendeu as mãos para ele naquele dia – era, lembremos, Dia de Nossa Senhora de Fátima – e o salvou.

Temos de concordar: João Paulo II era bem mais místico do que Bento XVI ou Francisco, mas todos estão convencidos de que o destino deles a Deus pertence.

Isso não quer dizer, é claro, que os papas são imprudentes ou que recusam medidas de segurança básicas. Mesmo o espontâneo Papa Francisco tornou-se um pouco mais disciplinado, geralmente permitindo que sua equipe de segurança faça barreiras à sua frente enquanto caminha entre as multidões.

Quando esteve na República Centro-Africana, Francisco quis parar próximo a uma igreja em que, diziam, cristãos haviam sido mortos recentemente. No entanto, ele acabou desistindo da ideia quando o núncio apostólico no país lhe explicou que era “perigoso demais”.

Da mesma forma, quando Francisco esteve nas Filipinas, um momento marcante aconteceu numa visita à ilha de Tacloban, local que tinha sido devastado por fortes tempestades. Mesmo assim, Francisco concordou em encurtar a sua programação quando os pilotos disseram que que uma tempestade tropical que se aproximava deixaria inseguro o seu retorno para casa.

Portanto, embora os papas não contem somente com a sorte – especialmente porque, onde quer que vão, a segurança de outras pessoas está em jogo também –, eles muitas vezes sentem uma calmaria maior quanto à própria segurança pessoal do que outras figuras públicas.

Novamente, temos de concordar: do ponto de vista deles, os papas contam com a rede de segurança máxima.

A reportagem é de John L. Allen Jr.- Crux

 

manipulacion-mediatica-550x36681947Será que o Estado consegue dar tudo ao homem? Ou deveria querer tentar isso?

A resposta, para a Igreja, é clara: não. E o Papa Bento XVI explica:

O amor — cáritas — será sempre necessário, mesmo na sociedade mais justa. Não há qualquer ordenamento estatal justo que possa tornar supérfluo o serviço do amor. Quem quer desfazer-se do amor, prepara-se para se desfazer do homem como homem.

Sempre haverá sofrimento que necessita de consolação e ajuda. Haverá sempre solidão. Existirão sempre também situações de necessidade material, para as quais é indispensável uma ajuda na linha de um amor concreto ao próximo (cf. Congregação dos Bispos, Diretório para o Ministério Pastoral dos Bispos “Apostolorum Successores“, 22 de fevereiro de 2004, 197).

Um Estado que queira prover a tudo e que tudo abranja se torna, no fim de contas, uma instância burocrática, que não pode assegurar o essencial de que o homem sofredor — todo homem — tem necessidade: a amorosa dedicação pessoal.

Não precisamos de um Estado que regule e domine tudo, mas de um Estado que generosamente reconheça e apoie, segundo o princípio de subsidiariedade, as iniciativas que nascem das diversas forças sociais e conjugam espontaneidade e proximidade aos homens carecidos de ajuda.

A Igreja é uma destas forças vivas: nela pulsa a dinâmica do amor suscitado pelo Espírito de Cristo. Este amor não oferece aos homens apenas uma ajuda material, mas também refrigério e cuidado para a alma — ajuda esta muitas vezes mais necessária que o apoio material. A afirmação de que as estruturas justas tornariam supérfluas as obras de caridade esconde, de fato, uma concepção materialista do homem: o preconceito segundo o qual o homem viveria «só de pão» (Mt 4, 4; cf. Dt 8, 3) — convicção que humilha o homem e ignora precisamente aquilo que é mais especificamente humano.

Papa Bento XVI, em Deus Caritas Est, 28b

O que é o princípio da subsidiariedade?

Grosso modo, é a diretriz segundo a qual o Estado, em qualquer das suas esferas de poder, só deve intervir para solucionar qualquer tipo de conflito quando nenhum outro meio civil é capaz de resolvê-lo por sua própria conta.

A Doutrina Social da Igreja incorpora este princípio e reforça que é preciso incentivar e formar nas pessoas o máximo grau possível de autonomia, de modo que os indivíduos e grupos humanos consigam autodeterminar-se e auto-organizar-se de modo livre, autossuficiente, solidário e colaborativo para prover às próprias necessidades e conquistar uma crescente qualidade de vida. Quando um indivíduo ou grupo não consegue solucionar um conflito por sua própria conta, então deve entrar em jogo a solidariedade dos outros – e a solidariedade é outro princípio-chave da Doutrina Social da Igreja, mas sempre entendida como a disposição habitual de prestar ajudas pontuais a um grupo ou indivíduo na resolução de uma dificuldade específica; ou seja, preservando e fomentando o máximo de autonomia em vez de suprimi-la.

Ao Estado cabe garantir que todos tenham acesso aos recursos fundamentais para exercerem a própria autonomia; nunca, portanto, o Estado deveria “substituir” essa autonomia mediante a concentração de tarefas que poderiam ser realizadas pela iniciativa cidadã, nem, muito menos, a concessão de paliativos que geram no povo uma dependência do Estado. O Estado não deve se arrogar o papel de interventor constante nos âmbitos em que o cidadão, dispondo dos meios necessários, deveria ser capaz de solucionar conflitos e suprir necessidades com base no próprio esforço. Permitir omissamente ou promover propositalmente nas pessoas a dependência do Estado é um salvo-conduto para que o Estado se imponha cada vez mais nos âmbitos particulares, impedindo, no fim das contas, a autonomia, o desenvolvimento e a realização plena dos indivíduos e das comunidades em que eles compartilham a vida real de todos os dias.

Um Estado assim é chamado, não à toa, de “paternalista“: ele recorda aqueles “paizões” (e “mãezonas”) que, em vez de garantirem aos filhos os meios e as oportunidades para que se tornem adultos livres, independentes e capazes de cuidar responsavelmente da própria vida, dão a eles tudo ou quase tudo de mão beijada, gerando a ilusão de que tudo é seu “direito” e nada ou muito pouco é seu dever.

A diferença entre o Estado e esses pais omissos e lenientes é que os pais, no geral, cometem esse erro por ignorância, na suposta boa intenção de poupar sofrimento aos filhos, enquanto o Estado perpetra essa estratégia de poder na consciente intenção de manter os “filhos” sob seu controle mediante concessões mesquinhas, mas bem disfarçadas de “compromisso social”.

É evidente que é necessário disponibilizar aos cidadãos os meios para progredirem, o que implica políticas eficazes de educação, saúde, segurança e infraestrutura para a mobilidade e as comunicações, por exemplo, mas esses meios devem ser entendidos precisamente como isto: meios; meios para que as pessoas possam, com o seu trabalho, se desenvolverem livres de “ajudas diretas permanentes” (que acabam sendo entendidas, erroneamente, como “fins” do Estado).

A solidariedade e a subsidiariedade devem operar “em parceria”, mas a solidariedade deve estar sempre a serviço da subsidiariedade, e nunca voltada a suprimi-la.

Se grande parte dos países fecha os olhos para o princípio da subsidiariedade, optando por estruturas, programas e ideologias em que o Estado é marqueteiramente vendido como o “provedor direto” de quase tudo, é precisamente porque não lhes convém que os cidadãos se tornem verdadeiramente responsáveis pela administração da própria vida – ou seja, livres.

Francisco Vêneto

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A afetividade não está por assim dizer encerrada no coração, nos sentimentos, mas permeia toda a personalidade.

Estamos continuamente sentindo aquilo que pensamos e fazemos. Por isso, qualquer distúrbio da vida afetiva acaba por impedir ou pelo menos entravar o amadurecimento da personalidade como um todo.

Observamos isto claramente no fenômeno de “fixação na adolescência” ou na “adolescência retardada”. Como já anotamos, o adolescente caracteriza-se por uma afetividade egocêntrica e instável; essa característica, quando não superada na natural evolução da personalidade, pode sofrer uma “fixação”, permanecendo no adulto: este é um dos sintomas da imaturidade afetiva.

É significativo verificar como essa imaturidade parece ser uma característica da atual geração. No nosso mundo altamente técnico e cheio de avanços científicos, pouco se tem progredido no conhecimento das profundezas do coração, e daí resulta aquilo que Alexis Carrel, prêmio Nobel de Medicina, apontava no seu célebre trabalho O homem, esse desconhecido: vivemos hoje o drama de um desnível gritante entre o fabuloso progresso técnico e científico e a imaturidade quase infantil no que diz respeito aos sentimentos humanos.

Mesmo em pessoas de alto nível intelectual, ocorre um autêntico analfabetismo afetivo: são indivíduos truncados, incompletos, mal-formados, imaturos; estão preparados para trabalhar de forma eficiente, mas são absolutamente incapazes de amar. Esta desproporção tem conseqüências devastadoras: basta reparar na facilidade com que as pessoas se casam e se “descasam”, se “juntam” e se separam. Dão a impressão de reparar apenas na camada epidérmica do amor e de não aprofundar nos valores do coração humano e nas leis do verdadeiro amor.

Quais são, então, os valores do verdadeiro amor? Que significado tem essa palavra?

O amor, na realidade, tem um significado polivalente, tão dificil de definir que já houve quem dissesse que o amor é aquilo que se sente quando se ama, e, se perguntássemos o que se sente quando se ama, só seria possível responder simplesmente: “Amor”. Este círculo vicioso deve-se ao que o insigne médico e pensador Gregório Marañon descrevia com precisão: “O amor é algo muito complexo e variado; chama-se amor a muitas coisas que são muito diferentes, mesmo que a sua raiz seja a mesma”.

A imaturidade no amor

Hoje, considera-se a satisfação sexual autocentrada como a expressão mais importante do amor. Não o entendia assim o pensamento clássico, que considerava o amor da mãe pelos filhos como o paradigma de todos os tipos de amor: o amor que prefere o bem da pessoa amada ao próprio. Este conceito, perpassando os séculos, permitiu que até um pensador como Hegel, que tem pouco de cristão, afirmasse que “a verdadeira essência do amor consiste em esquecer-se no outro”.

Bem diferente é o conceito de amor que se cultua na nossa época. Parece que se retrocedeu a uma espécie de adolescência da humanidade, onde o que mais conta é o prazer. Este fenômeno tem inúmeras manifestações. Referir-nos-emos apenas a algumas delas:

– Edifica-se a vida sentimental sobre uma base pouco sólida: confunde-se amor com namoricos, atração sexual com enamoramento profundo. Todos conhecemos algum “don Juan”: um mestre na arte de conquistar e um fracassado à hora da abnegação que todo o amor exige. Incapazes de um amor maduro, essas pessoas nunca chegam a assimilar aquilo que afirmava Montesquieu: “É mais fácil conquistar do que manter a conquista”.

– Diviniza-se o amor: “A pessoa imatura – escreve Enrique Rojas – idealiza a vida afetiva e exalta o amor conjugal como algo extraordinário e maravilhoso. Isto constitui um erro, porque não aprofunda na análise. O amor é uma tarefa esforçada de melhora pessoal durante a qual se burilam os defeitos próprios e os que afetam o outro cônjuge […]. A pessoa imatura converte o outro num absoluto. Isto costuma pagar-se caro. É natural que ao longo do namoro exista um deslumbramento que impede de reparar na realidade, fenômeno que Ortega y Gasset designou por “doença da atenção”, mas também é verdade que o difícil convívio diário coloca cada qual no seu lugar; a verdade aflora sem máscaras, e, à medida que se desenvolve a vida ordinária, vai aparecendo a imagem real”.(E. Rojas)

– No imaturo, o amor fica “cristalizado”, como diz Stendhal, nessa fase de deslumbramento, e não aprofunda na “versão real” que o convívio conjugal vai desvendando. Quando o amor é profundo, as divergências que se descobrem acabam por superar-se; quando é superficial, por ser imaturo, provocam conflitos e freqüentemente rupturas.

– A pessoa afetivamente imatura desconhece que os sentimentos não são estáticos, mas dinâmicos. São suscetíveis de melhora e devem ser cultivados no viver quotidiano. São como plantas delicadas que precisam ser regadas diariamente. “O amor inteligente exige o cuidado dos detalhes pequenos e uma alta porcentagem de artesanato psicológico “.(E.Rojas)

A pessoa consciente, madura, sabe que o amor se constrói dia após dia, lutando por corrigir defeitos, contornar dificuldades, evitar atritos e manifestar sempre afeição e carinho.

– Os imaturos querem antes receber do que dar. Quem é imaturo quer que todos sejam como uma peça integrante da máquina da sua felicidade. Ama somente para que os outros o realizem. Amar para ele é uma forma de satisfazer uma necessidade afetiva, sexual, ou uma forma de auto-afirmação. O amor acaba por tornar-se uma espécie de “grude” que prende os outros ao próprio “eu” para completá-lo ou engrandecê-lo.

Mas esse amor, que não deixa de ser uma forma transferida de egoísmo, desemboca na frustração. Procura cada vez mais atrair os outros para si e os outros vão progressivamente afastando-se dele. Acaba abandonado por todos, porque ninguém quer submeter-se ao seu pegajoso egocentrismo; ninguém quer ser apenas um instrumento da felicidade alheia.

Os sentimentos são caminho de ida e volta; deve haver reciprocidade. A pessoa imatura acaba sempre queixando-se da solidão que ela mesma provocou por falta de espírito de renúncia. A nossa sociedade esqueceu quase tudo sobre o que é o amor. Como diz Enrique Rojas: “Não há felicidade se não há amor e não há amor sem renúncia. Um segmento essencial da afetividade está tecido de sacrifício. Algo que não está na moda, que não é popular, mas que acaba por ser fundamental”.

Há pouco, um amigo, professor de uma Faculdade de Jornalismo, referiu-me um episódio relacionado com um seu primo – extremamente egoísta – que se tinha casado e separado três vezes. No cartão de Natal, após desejar-lhe boas festas, esse professor perguntava-lhe em que situação afetiva se encontrava. Recebeu uma resposta chocante: “Assino eu e a minha gata. Como ela não sabe assinar, o faz estampando a sua pata no cartão: são as suas marcas digitais. Este animalzinho é o único que quer permanecer ao meu lado. É o único que me ama”.

O imaturo pretende introduzir o outro no seu projeto pessoal de vida, em vez de tentar contribuir com o outro num projeto construído em comum. A felicidade do cônjuge, da família e dos filhos: esse é o projeto comum do verdadeiro amor. As pessoas imaturas não compreendem que a dedicação aos filhos constitui um fator importante para a estabilidade afetiva dos pais. Também não assimilaram a idéia de que, para se realizarem a si mesmos, têm de se empenhar na realização do cônjuge. Quem não é solidário termina solitário. Ou juntando-se a uma “gatinha”, seja de que espécie for.

Fonte: A maturidade, Editora quadrante.

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O bacon nosso de cada dia – católicos e veganismo

“Não é justo comer a carne dos pobres animais, quando podemos nos alimentar muito bem só de vegetais!”, dizia-me o taxista. Apesar de discordar, resolvi não contrariar o homem. Afinal, não há mal nenhum – moralmente falando – em ser vegetariano. Entrei no modo “é, tens razão” e suportei pacientemente o sermão até o fim da corrida.

Porém, quando esse discurso começa a reverberar entre os membros da Igreja travestido de virtude cristã, não é mais possível que fiquemos calados. Vejamos, portanto, o que a Igreja afirma sobre isso.

O QUE DIZEM O MAGISTÉRIO E A BÍBLIA?

O Catecismo da Igreja Católica (2415 a 2418) nos ensina que os animais são dons de Deus. São criaturas benditas, mas que não possuem alma imortal – somente uma alma sensitiva, assim, podemos nos servir deles para diversos fins, inclusive para a nossa alimentação.

Temos a obrigação de tratá-los com respeito, dentro do possível, já que eles têm sentimentos e sentem dor. É pecado “fazer os animais sofrerem inutilmente e desperdiçar suas vidas”.

No Antigo Testamento (Lev 11), estão descritos quais são os alimentos permitidos ao povo hebreu: era lícito comer diversos tipos de carne de animais, exceto daqueles consideradas “impuros”, como porco, morcego, camarão, aves de rapina e répteis, entre outros (para não perdermos o foco, não vamos nos alongar discutindo aqui a razão destas restrições).

Segundo as Leis da Torá que os israelitas seguem até os dias de hoje, Moisés determinou que o abate dos animais deve ser feito de maneira especial, de modo que o animal morra instantaneamente, sem sofrimento. Atualmente, o processo é realizado por uma pessoa treinada, o shochet, sob a rígida supervisão de um rabino. Somente os animais corretamente abatidos – considerados kosher – são aprovados para o consumo dos judeus 

Os primeiros cristãos, especialmente aqueles de origem judaica, seguiam rigorosamente esses preceitos alimentares. Tudo mudou no dia em que São Pedro teve uma visão sobrenatural: Deus lhe mostrou que os fiéis podiam agora comer qualquer bicho que lhes desse na telha:

“…Viu o céu aberto e descer uma coisa parecida com uma grande toalha que baixava do céu à terra (…). Nela havia de todos os quadrúpedes, dos répteis da terra e das aves do céu. Uma voz lhe falou: Levanta-te, Pedro! Mata e come. Disse Pedro: De modo algum, Senhor, porque nunca comi coisa alguma profana e impura. Esta voz lhe falou pela segunda vez: O que Deus purificou não chames tu de impuro.” (Atos 11,11-15)

Agora, irmãos, afiem seus caninos… Aí vai uma dos versículos mais carnívoros da Bíblia. Fala, São Paulo!

“Comei de tudo o que se vende no açougue, sem indagar de coisa alguma por motivo de consciência.” (I Cor 10,25)

MOTIVOS JUSTOS PARA SER VEGETARIANO

Não vamos discutir aqui se ser vegetariano é saudável ou não; abordamos a questão dos pontos de vista moral e religioso, e deixamos o resto para os médicos e nutricionistas.

Então, atenção: nem a Bíblia, nem a Tradição da Igreja e nem a vida dos santos oferecem qualquer base para que católicos creiam que matar animais para comer é maldade. Quem pensa assim, geralmente, se deixou influenciar pelo hinduísmo, pelo espiritismo ou por filosofias toscas da Nova Era.

Por outro lado, é perfeitamente legítimo que um católico se abstenha definitivamente da ingestão de carne porque:

  • não gosta do sabor;
  • acha que isso é melhor para a sua saúde;
  • deseja praticar o ascetismo, ou seja, desenvolver suas virtudes cristãs por meio do sacrifício (como é o caso de São João Crisóstomo).

CARNÍVOROS SÃO ASSASSINOS?

A argumentação mais comum que os vegetarianos ativistas usam é a de que, do ponto de vista dos animais, as pessoas carnívoras são assassinas. 

O mais bizarro é que boa parte desses ativistas animólatras não considera o aborto de bebê humanos como assassinato.

Mais radicais do que os vegetarianos são os vegans. Eles condenam a “exploração dos animais” não só como alimento, mas também como matéria-prima para diversos produtos, como couro, lã, seda e cosméticos. Santa, ingenuidade, Batman!

Amigo vegan, como membro de uma sociedade industrializada, saiba que praticamente tudo o que você usa foi produzido por meio da morte de animais, ainda que de forma indireta. Nem mesmo o estofado daquele seu sofá xexelento de “couro ecológico” escapa dessa realidade.

A não ser que você seja o Tarzan ou a Jane, quase tudo à sua volta contém metal ou foi produzido por máquinas de metal. E esse metal provém das mineradoras, que precisam desmatar e revirar grandes extensões de solo com escavadeiras para extrair o minério. Nesse processo, por mais cuidado que se tome, é impossível que muitos animais não morram.

JESUS E SÃO FRANCISCO ERAM VEGETARIANOS?

Você já deve ter ouvido alguém falar que Jesus era vegetariano. Quem crê nesta teoria delirante se esquece de um simples fato: este tipo de frescura era INADMISSÍVEL para um judeu naquela época.

A ingestão de carne era parte integrante e indispensável de alguns ritos centrais para o povo de Israel, como a Páscoa. E, pra ficar bem claro: quem estabeleceu esses rituais foi o próprio Deus, por meio de Moisés.

Tem que ser muito iludido para crer que Jesus e seus Apóstolos não consumiam carne de animais. Afinal, o Evangelho está repleto de passagens que tornam esta hipótese indefensável:

  • O Senhor enche as redes dos pescadores de peixes (Lc 5,4-7);
  • Cristo multiplica milagrosamente pães e peixes para que sejam distribuídos à multidão (Mt 15,36);
  • Já ressuscitado, Ele assa e serve peixe aos Apóstolos na praia: “Vinde, comei” (João 21,12);
  • Jesus come um peixe assado pelos Apóstolos (Lc 24,41-43).

Aos “católicos hinduístas”, não resta nem ao menos o consolo de afirmar que Jesus aprovava somente o consumo de carne de peixe. Ele era a favor de comermos carne vermelha também! É o que fica claro na parábola do filho pródigo: quando o caçula volta para casa, seu pai manda botar um bezerrão no espeto (Lc 15,22-23). Esse devia ser gaúcho dos bão, tchê!

Se Jesus fosse mesmo vegetariano, a parábola seria um tanto diferente…

São Francisco de Assis, que tanto amou os animais, comia carne. Comia pouco, é bem verdade, pois era um homem de vida austera, e não porque acreditasse que se alimentar da carne dessas criaturas era errado.

Até mesmo o líder budista Dalai Lama, que um dia havia afirmado – por pura fanfarronice – que não via motivo para matar e comer animais porque “o homem pode viver sem carne”, agora diz que come carne de vez em quando, por motivos de saúde e de conveniência.

Então, se você é vegetariano, beleza. E se for uma opção motivada pelo desejo de praticar o ascetismo, melhor ainda. O que não tem nada a ver é usar o nome de Jesus ou dos santos em vão para criticar e importunar os comedores de carne. E, por fim, o mais importante: quando alguém rejeitar um naco do seu delicioso hambúrguer de tofu, por favor, não insista

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Uma empresa no noroeste da Itália decidiu autorizar a quem quiser ter filhos um salário de 1.500 euros (cerca de R$ 4.900,00) a mais do que os outros empregados.

Isso acontece na Brazzale, do proprietário Roberto Brazzale, que tem 54 anos e três filhos. Ele é o administrador do laticínio mais antigo do país. A família dele produz e comercializa queijos desde 1784. Os avós dele começaram na atividade no século XVII.

“Estamos em risco de extinção”

A história de Brazzale foi contada pelo jornal italiano La Repubblica. “Fiquei espantado porque os impressionantes números da queda da natalidade não movem nem o Estado nem a iniciativa privada. Milhões de trabalhadores ganham o suficiente para si próprios, mas não para realizar seus projetos familiares. Uma sociedade assim vai ser extinta. O atraso do nosso parlamento em regulamentar o direito de morrer com dignidade é um escândalo. Mas é ainda mais inaceitável a ausência de um apoio real para a vida”, disse Brazzale.

Os números

Os números a se que refere Brazzale são eloquentes: entre 2008 e 2015, os nascimentos caíram mais de 20%. De cada mil habitantes, 7,9 são recém-nascidos, contra os 10,1 de oito anos atrás. A média da União Europeia é de 10 recém-nascidos a cada mil habitantes.

Brazzale decidiu realizar um gesto simbólico, mas importantíssimo: dar um cheque como um salário extra para os empregados que assumirem a “responsabilidade de procriar”. E o primeiro cheque acaba de sair. A responsável pelas análises químicas da empresa tornou-se mãe na semana passada. A próxima será uma economista.

Este salário extra mensal também será pago aos pais ou a quem adotar uma criança. Entretanto, há um único requisito: ser empregado há pelo menos dois anos e garantir que ficará na empresa pelos próximos dois. “Sabemos que 1.500 euros a mais não bastam para convencer um casal a ter filho. Mas a mensagem cultural prevalece sobre a material e é uma aposta no futuro: queremos que os jovens invistam na vida, sintam-se felizes e que não tenham que se preocupar somente com o trabalho”, diz Brazzale.

Não há procedimentos burocráticos a seguir ou autorizações para ter direito ao bônus-bebê: os funcionários só precisam comunicar o nascimento ou a adoção para receberem o cheque antes mesmo do início da licença-maternidade ou paternidade.

Quando eu era criança, via as mães ao redor dos carrinhos. Hoje, vejo só cuidadores de idosos e cadeiras de rodas. Para os jovens, pensar em um filho é um problema enorme. E ainda não damos um valor adequado ao que pode ser uma tragédia transcendental”, afirma Brazzale.

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Será que a psicanálise consegue sempre dar explicações aos casos de alegada possessão diabólica? Ou haverá casos em que a ciência não consegue oferecer um diagnóstico definitivo para supostas pessoas “possuídas”?

O autor Raul Salvucci, no livro “Cosa fare con questi diavoli” (“O que fazer com esses demônios”, ainda sem tradução ao português), menciona dores físicas sentidas por pessoas que sofreram malefícios e que não puderam ser explicadas pela medicina:

“Os efeitos negativos para a saúde são habituais quando ocorre um malefício. Há modalidades diversas; nem sempre estão todas presentes, nem têm sempre a mesma intensidade. Variam de pessoa para pessoa, dependendo da compleição física, e descarregam a maior negatividade sobre os pontos mais frágeis”.

O professor Luigi Janiri, das Universidades Lumsa, de Roma, e Católica, de Milão, é psiquiatra e psicoterapeuta, estudou de perto esses fenômenos:

“Os fenômenos escassamente explicados pela psiquiatria e que se verificam nos casos de possessão considerados demoníacos estão numa espécie de faixa de transição entre as condições francamente psicopatológicas (especialmente a histeria e os transtornos dissociativos) as de possessão propriamente dita. No caso dessas últimas, também deveriam ser diferenciadas as situações em que o ente maléfico age de fora do sujeito, causando vexações ou infestações ambientais”.

Sete sinais

Os fenômenos que, segundo Janiri, são reconhecíveis como “paranormais” ou pelo menos “extraordinários” e interpretáveis como “presença” de uma entidade estranha no corpo de um indivíduo (geralmente demoníaca) são os seguintes:

1) Alterações somáticas: mudanças da cor dos olhos, surgimento de estigmas ou outras “inscrições” cutâneas, marcas de fogo, hemorragias inexplicáveis, mudanças bruscas no tom e no timbre da voz etc;

2) Titanismo: força incompatível com o físico da pessoa ou que a leva a executar façanhas como levantar pesos desproporcionais, arremessar grandes móveis ou lançar objetos muito pesados;

3) Levitação: alçar-se do solo sem apoio;

4) Falar em línguas desconhecidas pela pessoa; com frequência, além do mais, são línguas mortas ou arcaicas;

5) Ler pensamentos alheios: demonstrar saber o que o interlocutor está pensando ou sentindo no momento;

6) “Vomitar” objetos que a pessoa não pode ter introduzido em si mesma, como pregos ou pétalas de flores; neste mesmo conceito, acrescentam-se ainda fenômenos como o surgimento “prodigioso” de objetos do nada ou a transformação de objetos em outros diferentes;

7) Hipersensibilidade aos símbolos sagrados: é frequente que fenômenos como os mencionados acima ocorram espontaneamente durante a missa, em particular durante momentos muito significativos, como a bênção; ou na presença de padres, mesmo que não sejam exorcistas; ou durante a realização de exorcismos.

Dos estigmas às línguas estranhas

Ainda segundo Janiri, alguns desses fenômenos estão no limite entre as condições explicáveis pela medicina e as que são inexplicáveis cientificamente, e, por isso mesmo, atribuíveis a causas sobrenaturais: servem como exemplo as mudanças de voz e algumas manifestações cutâneas, como sangramentos e estigmas, que podem ocorrer em estados de alteração psicossomática (certos tipos de histeria); ou o falar em línguas aparentemente ignoradas, o que pode ter a ver com conhecimentos pré-existentes dos quais a pessoa guarda algum resquício mais ou menos inconscientemente; ou a leitura da mente, que pode ocorrer em relações interpessoais caracterizadas por altos níveis de sugestionabilidade.

Casos inexplicáveis

Pessoalmente”, diz o psiquiatra, “eu testemunhei alguns fenômenos” – e ele os elenca:

  • alterações de voz, em meninas que de repente começaram a falar com voz de homem;
  • sangramentos indeterminados;
  • pessoas franzinas que chegaram a arremessar pesados bancos de igreja;
  • pessoas entrevistadas, no México, dizendo frases em uma língua desconhecida, que depois foi identificada como um dialeto pré-colombiano;
  • pessoas que “captaram” o que o examinador estava pensando ou sentindo no momento.

Conforme já dito acima, porém, tais fenômenos não são necessariamente atribuíveis a uma possessão diabólica, pois têm margem de interpretabilidade psicopatológica.

Alterações bem mais difíceis de explicar

Outras alterações somáticas, conta ainda Janiri, “me foram relatadas por sacerdotes particularmente confiáveis: a mudança súbita na cor dos olhos durante um exorcismo e o aparecimento de uma figura e algumas letras na pele das costas de uma pessoa possuída”.

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Qual o impacto que a inteligência artificial tem – e terá – sobre a humanidade? Filósofos, cientistas e acadêmicos debateram esta questão durante uma conferência que aconteceu recentemente na Embaixada da Itália na Santa Sé, em Roma, como parte da série de eventos culturais do “Courtyard of the Gentiles” (Átrio dos Gentios), uma iniciativa organizada pelo Vaticano.

O cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Pontifício Conselho para a Cultura (www.cultura.va), participou do encontro e destacou alguns dos novos desafios que a inteligência artificial traz.

– As capacidades extraordinárias que estão sendo dadas às máquinas podem acabar mudando a condição humana tal como a conhecemos: correr, cozinhar, dirigir, ler, escrever, compor e até aprender da experiência são atividades que as máquinas poderão fazer de forma autônoma. Devemos considerar as grandes possibilidades que esses avanços abrem, bem como os riscos significativos e muito reais.

– O cardeal Ravasi explicou que o Papa Francisco, em Laudato Sì, apresentou a questão do paradigma tecnocrático, em que – o Papa explica – “aqueles com o conhecimento, e especialmente os recursos econômicos” para usar o poder que nos dá a tecnologia, têm “uma dominação impressionante sobre toda a humanidade e o mundo inteiro. Nunca a humanidade teve tal poder sobre si mesmo, mas nada garante que isso será usado com sabedoria, particularmente quando consideramos como isso está sendo usado atualmente”.

Além disso, é um paradigma que faz do progresso científico um meio de poder e dinheiro, sem muita consideração pelo certo ou o errado. “Não podemos pretender ter uma ética sólida, uma cultura e espiritualidade verdadeiramente capazes de estabelecer limites e ensinar autocontrole”, adverte Papa Francisco. É por isso que, na opinião de Ravasi, devemos refletir sobre tecnologia a partir de várias disciplinas e perspectivas. “Um verdadeiro cientista nunca é apenas um técnico… ele é alguém que considera todo o panorama… em que estamos imersos”, enfatizou.

– A inteligência humana veio em primeiro lugar. Devemos lembrar que outros tipos de inteligência foram criados por um tipo original de inteligência: a dos seres humanos. Ravasi questionou o significado do termo “inteligência artificial” e abriu um debate sobre se esse conceito é ou não um paradoxo.

– Não estamos lidando com “personalidade”, mas com “razão”. Ravasi critica o termo “pessoa eletrônica”. Na realidade, ele disse, o conceito de personalidade não é aplicável à inteligência artificial; “a consciência é prerrogativa da pessoa humana, que está na origem da razão e do pensamento”.

– Houve descobertas “extraordinárias e impressionantes”, sobretudo no campo da atenção à saúde: De acordo com o Pe. Benanti – que também participou do Átrio e foi citado pelo cardeal em uma entrevista à Rádio Vaticano – precisamos destacar a utilidade e as vantagens de ter inteligência artificial para gerenciar a informação da saúde, para fins que serão muito vantajosos para a humanidade. No entanto, existem dois grandes riscos: a perda de emprego e o uso indevido da tecnologia de forma a ampliar a distância entre os ricos e os pobres. Ou, o uso da tecnologia pode atingir o objetivo de eliminar a morte e, consequentemente, transformar a condição humana? Esta questão, intimamente relacionada com as reflexões do cardeal Ravasi, foi proposta por Alberto Cortina, autor do livro Human, or Posthuman, publicado por Fragmenta.

– Quando a ciência progride, é irreversível, mas precisamos nos perguntar sobre o papel da consciência, que sempre foi considerada uma característica distintiva dos seres humanos, o que os torna responsáveis por suas próprias ações, capazes de distinguir entre o bem e o mal. Um cérebro artificial capaz de imitar o comportamento humano está longe de ter liberdade autêntica, explicou Ravasi, e sublinhou que mesmo o famoso astrofísico Stephen Hawking alertou contra o uso desenfreado da tecnologia.

“Até que as pessoas vejam robôs nas ruas matando pessoas, elas não sabem como reagir porque isso parece ilusão”, advertiu Elon Musk, CEO da Tesla, em julho, no National Governors Association Summer Meeting. Musk insistiu na necessidade de regular a inteligência artificial antes que “seja muito tarde”.

Quem garante o uso ético dessa tecnologia? O cardeal levantou esta questão e reiterou que é necessário reunir tecnologias e áreas humanísticas de estudo, como filosofia e teologia. A tecnologia não pode regular a si mesma. O mundo das humanidades tem um papel importante a desempenhar; filosofia, cultura, teologia e religião se concentram em estudar o único verdadeiro assunto de liberdade e responsabilidade, que é a pessoa humana.

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11 fatos sobre as bizarras imposições a venerar retratos e estátuas, entregar-lhes flores, considerá-los divinos e salvá-los de incêndios.

Com a Coreia do Norte ocupando cada vez mais espaço nos telejornais e nos sites de notícias devido às ameaças de ataque nuclear do ditador Kim Jong-Un contra os Estados Unidos, volta à tona, em vários meios de comunicação, a brutal realidade a que é submetida a população desse país, forçada a idolatrar os seus ditadores como se fossem deuses, ao mesmo tempo em que toda e qualquer outra forma de religião é violentamente perseguida.

Elencamos abaixo alguns dados que esboçam o atual panorama “religioso” da Coreia do Norte, um país oficialmente ateu, mas que, na prática, é obrigado a cultuar o ditador, o pai dele e, principalmente, o avô e fundador do país, Kim Il-Sung.

É muito significativo recordar que Pyongyang, a capital da Coreia do Norte, já foi conhecida como “Jerusalém do Oriente” por conta do intenso e sólido crescimento do cristianismo na região a partir do século XIX. As atuais duas Coreias ainda estavam unidas naquela época. No início do século XX, quando a península coreana caiu sob o domínio do Japão, os cristãos tiveram papel de primeira grandeza nos movimentos de independência. Mas, com a separação entre norte e sul, piorou dramaticamente, na Coreia do Norte, a situação dos cristãos – e dos crentes de quaisquer outras religiões que não sejam esse culto personalista a Kim Il-Sung e à sua dinastia.

1 – O próprio Kim Il-Sung, fundador da Coreia do Norte e avô do atual ditador Kim Jong-Un, nasceu de família cristã, mas passou a perseguir o cristianismo para garantir o próprio poder absoluto. Com o apoio da União Soviética, ele seguiu o modelo ateísta impositivo dos regimes comunistas e proibiu todas as religiões, fechando igrejas e templos e destruindo livros sagrados.

2 – Em 1955, Kim Il-Sung começou a impor aos norte-coreanos uma ideologia chamada “juche“, que consiste num culto a ele próprio e que exige fidelidade irrestrita e até mesmo alguns rituais. Na prática, a juche funciona como uma religião em que o próprio Kim Il-Sung é um deus a ser adorado.

3 – Kim Il-Sung é apresentado e reverenciado até hoje, mesmo depois de morto, como o “Eterno Presidente” da Coreia do Norte.

4 – Venerado à força como um ser divino e infalível, ele conta com nada menos que 40.000 estátuas em sua homenagem, espalhadas por todo o país e às quais a população é obrigada a oferecer flores no início de cada ano.

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5 – Aliás, a contagem dos anos, na Coreia do Norte, parte justamente do nascimento de Kim Il-Sung. 2017, por lá, é o juche 106, porque esta seria a idade do fundador caso ele estivesse vivo hoje em dia.

6 – De acordo com as versões oficiais da “história”, que fazem as vezes de “escritura sagrada” para a população supostamente ateia, um arco-íris duplo pintou os céus e uma nova estrela foi registrada no universo no dia em que nasceu Kim Jong-Il, o filho de Kim Il-Sung, em 1942.

7 – É obrigatório que todas as residências norte-coreanas exibam na sua sala um quadro com a foto de Kim Il-Sung e do seu filho Kim Jong-Il. Além de estarem expostos em local privilegiado, esses retratos devem estar sempre perfeitamente limpos. Para fiscalizar o cumprimento deste “mandamento”, é frequente que a polícia invada as casas sem mais nem menos.

8 – O livro “Persecuted“, de Paul Marshall, Lela Gilbert e Nina Shea (2013) aborda a perseguição contra os cristãos em todo o mundo na época atual. Entre os depoimentos registrados, o texto traz o de um refugiado norte-coreano que testemunha o seguinte sobre os tais retratos dos ditadores: “Se um edifício pegar foto, as pessoas têm que demonstrar a sua fidelidade correndo para salvar os retratos antes de qualquer outra coisa” – inclusive antes de salvarem a si próprias.

9 – Se um norte-coreano é flagrado com uma Bíblia ou cultuando qualquer divindade, o regime o manda, no melhor dos casos, para um campo de trabalhos forçados; no pior dos casos, o “transgressor” é simplesmente condenado à morte. Os familiares, além disso, podem ser castigados durante nada menos que três gerações.

10 – Mesmo assim, como sempre aconteceu desde os primórdios da fé em Cristo, os cristãos na Coreia do Norte vivem a fé clandestinamente e rezam às escondidas, seja individualmente, seja com pequenos grupos, no geral compostos por familiares. Estas informações são confirmadas por cristãos que conseguiram escapar da brutal ditadura norte-coreana, como é o caso dos que dão o seu testemunho no seguinte vídeo da organização Open Doors, ao final desse artigo.

11 – Recentemente, o atual ditador Kim Jong-Un proibiu a celebração do Natal e mandou celebrar o nascimento da sua avó (!) Ele simplesmente substituiu o nascimento de Jesus pelo da “Sagrada Mãe da Revolução”.

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Embora possa ser prematuro comprar a ameaça da Coreia do Norte em disparar mísseis balísticos próximos a Guam e a Crise dos Mísseis de Cuba, o nível gerado de ansiedade é inegável. A situação atual evoca memórias de um papa que muito se assemelha a Francisco: o Papa João XXIII, líder católico que ajudou a evitar uma guerra nuclear proferindo um apelo oportuno e apaixonado pela paz.

É imaturo comparar o perigo representado pela ameaça da Coreia do Norte em realizar testes com mísseis balísticos lançados no litoral de Guam, ao lado da resposta austera dada pelo presidente americano Donald Trump, com o terror que preocupou o mundo em outubro de 1962 em meio à Crise dos Mísseis de Cuba.

Nessa época, na linha de fogo não estava somente um território insular remoto americano. Se os soviéticos e americanos tivessem se lançado numa guerra declarada sobre Cuba, o planeta inteiro estaria em risco.

Hoje, Guam representa um exemplo claro e, ao mesmo tempo, indesejado. O governador da ilha, Eddie Calvo, já disse que o território está bem protegido, contando com o sistema de defesa antimísseis THAAD, projetado especialmente para derrubar o tipo de armamento que o ditador norte-coreano Kim Jong-un possui.

Além disso, os moradores da ilha há tempos estão acostumados com a retórica franca por parte das autoridades norte-coreanas, e até agora eles não parecem alarmados. No entanto, os pastores deste país esmagadoramente católico estão tentando oferecer um conforto espiritual.

Em nota divulgada quarta-feira da semana passada, a Arquidiocese de Agana, em Guam, instou os fiéis a “olharem para Deus nestes tempos difíceis”.

“Na sequência do noticiário nacional de que a Coreia do Norte ameaça atacar a nossa ilha com mísseis, a Arquidiocese de Agana lembra a todos para que permaneçam fundamentados na paz de Cristo”, diz o texto.

Visto que as coisas poderão se intensificar rapidamente, vale a pena revermos o papel que a Igreja Católica desempenhou na crise cubana meio século atrás – em particular, a contribuição de São João XXIII, conhecido como o “Papa Bom”.

Assim que o drama começou em meados de outubro, hoje sabemos, João XXIII foi contatado pelo presidente americano John Kennedy e instado a se pronunciar. O contato fora mantido em segredo na época.

“Kennedy não queria deixar a impressão de que se encontrava sob influência do Vaticano, sendo ele o primeiro presidente católico”, disse o padre jesuíta Norman Tanner, historiador da Igreja, em entrevista à Rádio Vaticano em 2012.

Segundo o religioso, “a partir de registros históricos posteriores, ficou claro que Kennedy de fato fez um pedido ao papa”.

Em 22 de outubro, o presidente foi à televisão para anunciar que um míssil disparado de Cuba desencadearia uma resposta de retaliação contra a União Soviética, e que os EUA estavam impondo um bloqueio naval a embarcações russas. Em 24 de outubro, Khrushchev advertiu que um tal ato de “pirataria declarada” pelos EUA levaria à guerra.

Era essa a situação mundial quando João XXIII foi à Rádio Vaticano, numa quinta-feira, 24-10-1962, falando em francês – idioma da diplomacia internacional –, para emitir um apelo apaixonado pela paz.

“Nós suplicamos a todos os governantes que não fiquem surdos a este grito da humanidade”, disse ele. “Que façam tudo aquilo que está em seu poder para salvar a paz. Evitarão assim ao mundo os horrores de uma guerra, da qual não se pode prever quais serão as terríveis consequências”.

“[Pedimos] Que continuem com discussões, visto que esse comportamento leal e aberto tem grande valor como testemunha da consciência de cada um e diante da história”, declarou João XXIII na ocasião. “Promover, favorecer, aceitar conversações, em todos os níveis e a qualquer momento, é uma regra de sabedoria e prudência que atrai as bênçãos do céu e da terra”.

Esta declaração foi reproduzida nas capas dos jornais do mundo inteiro na manhã seguinte, incluindo o órgão do partido soviético Pravda.

Dois dias depois, Khrushchev anunciava que os navios russos estavam retornando para casa, e a crise cessou.
Tanner enfatiza que não devemos exagerar as consequências do que João XXIII fez, e sim considerar a sua ação como um “fator” – e não uma “intervenção crucial”. Mesmo assim, diz na entrevista, até mesmo Khrushchev admitiu que o discurso papal fez diferença.

“Do lado russo, sabemos que houve contatos com o Papa João XXIII pouco antes desta transmissão”, informa Tanner. “Mais tarde, soubemos que Khrushchev reconheceria publicamente a sua gratidão e dívida a João XXIII por, por assim dizer, ajudar naquela situação difícil em estava, dando-lhe um motivo para a retirada”.

Na ocasião em que fez o seu pronunciamento, João XXIII já sabia que estava prestes a falecer. Dois meses depois, ainda assombrado pela proximidade de uma guerra nuclear, publicou a sua encíclica final, Pacem in Terris.
Tanner diz ainda que este documento marcou um ponto de inflexão no magistério social papal.

Pacem in Terris faz um apelo a todas as nações, a todos os Estados, e esta dimensão em nível mundial foi uma ênfase nova”, disse. “Antes, quando os papas falavam sobre justiça e paz, havia uma ênfase maior nos direitos dos Estados católicos, no direito de um país católico de se defender, mas João XXIII apelou mais diretamente à natureza humana, aos direitos humanos e à importância da paz em si a todas as pessoas, de um jeito que transcendeu a preocupação imediata da Igreja Católica de Roma”.

A carta encíclica endereçava-se não somente à hierarquia, ao clero e aos fiéis da Igreja Católica, mas também “a todas as pessoas de boa vontade”.

De forma parecida com João XXIII, o Papa Francisco já fez vários apelos à paz, incluindo a advertência em abril deste ano de que uma guerra nuclear desencadeada pelo impasse norte-coreano destruiria “uma boa parte da humanidade e da cultura, tudo, tudo”.
Não há dúvida de que ele continuará nesse sentido, talvez já mesmo em sua próxima oração do Angelus.

O legado de João XXIII é um lembrete oportuno de que tais declarações não são varinhas mágicas, mas, nas mãos de um pontífice admirado e eficiente, e instalado no momento certo, elas podem, a todo instante, transformar o mundo.

John L. Allen Jr.- Fonte: Crux.

 

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Todos os anos, a Capela Sistina encanta milhares de turistas com a sua beleza. O que muitos não esperam encontrar, porém, é o grande número de corpos nus retratados em suas paredes.

Porém, a Capela Sistina não é a única que apresenta peças marcadas pela nudez. Inúmeros artistas ao longo dos séculos usaram homens e mulheres nus para povoar suas obras de arte, e essas peças estão espalhadas em igrejas católicas do mundo todo.

Mas por que muitos pintores e escultores usaram o nu na arte cristã?

Os corpos nus têm uma longa história na arte sacra. Os artistas renascentistas usaram quatro tipos diferentes de nudez para simbolizar quatro estados da humanidade.

Primeiro, foi o nuditas naturalis, que representou o estado natural da humanidade antes da “Queda”, muitas vezes retratado em cenas ligadas ao Éden ou ao Paraíso.

Depois, o nuditas temporalis, que representou a pobreza, às vezes de natureza voluntária, e a confiança da humanidade em Deus por tudo o que recebemos.

O terceiro estado foi o nuditas virtualis, simbolizando pureza e inocência. A “Madalena Arrependida”, por exemplo, muitas vezes aparece nua, vestida apenas com o cabelo, como símbolo do retorno da alma à inocência após o arrependimento.

Por fim, o nuditas criminalis, que representou o horror das paixões e da vaidade.

São João Paulo II explicou, em sua Teologia do Corpo, como “no grande período da arte clássica grega  há obras de arte cujo sujeito é o corpo humano em sua nudez … Isso leva o espectador, através do corpo, ao Mistério pessoal do homem. Em contato com essas obras … nós não [naturalmente] sentimos atraídos por seu conteúdo”.

Dessa maneira, conclui-se que a representação da nudez [na arte cristã] é clara e completamente diferente do uso da nudez na pornografia.

João Paulo II lembra como as produções pornográficas têm a intenção explícita de despertar a luxúria; eles apresentam o corpo humano como um objeto a ser usado. A pornografia não respeita a dignidade da pessoa humana e o ato sexual é explorado para satisfação pessoal em detrimento do outro.

Por outro lado, a nudez na arte cristã é usada para revelar a beleza da humanidade e o maravilhoso trabalho do criador. Possui simbolismo profundo e não pretende ser uma pedra de tropeço, mas uma entrada para uma maior apreciação do “mistério pessoal” do ser humano.

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