A BBC, rede pública de rádio e televisão do Reino Unido, foi acusada de esconder uma pesquisa que mostra o rechaço em massa a estender ainda mais a legislação que permite o aborto no país.

Em 16 de outubro, a BBC apresentou o seu documentário Abortion On Trial (O aborto em julgamento), no qual reuniu um grupo de mulheres para discutir a respeito desta prática, 50 anos depois da aprovação da lei que atualmente permite o aborto até as 24 semanas de gestação.

A lei britânica é considerada uma das mais permissivas da Europa.

A rede pública do Reino Unido pediu para a empresa ICM Unlimited para realizar uma pesquisa com duas mil pessoas maiores de 18 anos. O estudo foi realizado através da internet entre os dias 26 e 29 de maio e foi divulgado no mesmo dia em que o documentário foi publicado.

Entretanto, adverte o jornal britânico The Daily Mail, “não houve menção ao resultado” da pesquisa.

O estudo da ICM mostra que a maioria dos britânicos é favorável à exigência de mais critérios médicos e menos critérios subjetivos no tocante ao aborto, além de ressaltar que a minoria acredita que o “direito de escolha” da mulher seja uma causa aceitável para o aborto.

Há também alto desacordo com o aborto de bebês com deficiência e a maioria dos entrevistados rechaça o aborto com base no sexo do bebê.

Em vez de mostrar esses resultados, indicou o jornal, “os produtores ‘escolheram a dedo’ os resultados que apoiavam uma campanha radical para despenalizar o aborto, uma iniciativa que acabaria com o limite de 24 semanas para os abortos, devido às razões ‘sociais’”.

A rede britânica assegurou que “é completamente errado sugerir que a BBC suprimiu os resultados da pesquisa”, porque “foram divulgados à imprensa antes da transmissão, foram mencionados durante todo o programa e foram publicados completamente no site da ICM”. Para a BBC, “a equipe de produção realizou grandes esforços a fim de garantir que ‘Abortion On Trial’ fosse justo e imparcial”.

Entretanto, The Daily Mail destacou que o documentário não apresentou especialistas “dando seus pontos de vista alternativos” para as pessoas que promovem o aborto ilimitado.

A política conservadora Fiona Bruce, presidente do All Party Parliamentary Pro Life Group (Grupo pró-vida parlamentar de todos os partidos), questionou:

“Como as pessoas podem esperar um debate justo e adequado se os fatos são suprimidos? Prejudica a credibilidade escolher a dedo os resultados de uma pesquisa para refletir um lobby, cujos realizadores do programa parecem estar a favor”.

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Texto original da agência ACI Digital

Na berlinda por escancarar cada vez mais a sua real posição quanto a temas fundamentais para a sociedade, como família, amor, sexualidade e conceito de pessoa humana, a rede Globo de televisão tem tido que enfrentar algo incomum para a sua longa hegemonia como canal mais visto do Brasil: crescentes protestos e boicotes de famílias que não aceitam a forma impositiva com que a Globo tem insistido em impor ideologias subjetivistas e relativistas como se fossem absolutas, tanto em sua programação de entretenimento quanto nos programas supostamente “jornalísticos”.

A emissora acusou o recibo neste mês ao lançar uma nova e peculiar campanha institucional na qual afirma que teria 100 milhões de telespectadores no Brasil, acrescentando que muitos gostam dela enquanto “outros dizem que não“. A ironia é dirigida, obviamente, a quem reage à ideologia que o canal está impondo com sanha cada vez mais incontida.

No entanto, não é só o apelo ao deboche que revela o crescente desespero da emissora diante da reação de quem não está a fim de engolir o seu absolutismo ideológico: os próprios números de audiência são questionados até mesmo em sites dedicados ao mundo da televisão. Mauricio Stycer, do UOL, por exemplo, observou que este número está incluindo os acessos aos sites do grupo Globo.

Outro “detalhe” questionável da campanha é a afirmação de que a Globo supostamente não fala com esses 100 milhões de modo genérico, mas sim com “cada um” dos seus telespectadores. Essa afirmação pode ser contestada pelo próprio fato de que a Globo prioriza defensores da sua visão de mundo em detrimento de quem a questiona, ou, em todo caso, evita dar espaço aos críticos que apresentam os argumentos mais objetivos contra as falácias contidas em suas novelas e matérias ditas “informativas”. Foi o que se viu, por exemplo, numa polêmica edição do Fantástico durante a qual foi disparada contra o público uma aberrante lista de informações manipuladas a respeito do aborto. Confira aqui e aqui.

Recentemente, o bispo Dom Celso Marchiori, da diocese paranaense de Apucarana, foi explícito e contundente ao afirmar que “a Globo é um demônio dentro de nossas casas“.

Líderes religiosos de diversos credos têm denunciado abertamente as manipulações veiculadas pela emissora.

Desta vez, um dos sacerdotes mais conhecidos e queridos do Brasil, o Pe. Zezinho, também divulgou a sua opinião sobre os ataques da Globo contra o conceito natural de família, a assim chamada “família tradicional”.

Reproduzimos o seu texto a seguir:

Os novelistas da Globo e a Família Tradicional

Se querem diálogo, dialoguemos. Se querem confronto, confrontemos.

A Globo não tem medo de nós e nós também não temos medo da Globo.

Não sei se você percebeu, mas o conflito e a ojeriza que se instalou entre a família tradicional e a família “mutante e avançada” foi causado pelos novelistas da Globo.

A Globo ganhou rios de dinheiro com as audiências que os novelistas lhe deram. E eles foram ficando cada dia mais ousados.

Quando veio a reação, lenta, mas inquietante para quem moveu bilhões de $$$, a Globo não sabe como voltar atrás.

O SBT, a RECORD e a BANDEIRANTES, não porque sejam mais respeitosas em outros programas, mas porque nas suas entrevistas e outras mensagens defendem a família tradicional, estão carreando para si a audiência das famílias feridas na sua autoridade, na sua fé e nos seus conceitos de homem, mulher e filhos.

Foi e continua sendo uma guerra de conceitos. E os novelistas, na sua maioria, vestiram a camisa da Globo; e, com exceção de alguns artistas, a Globo vestiu a camisa e a nudez dessas novelas.

Quando levaram o debate para auditórios entre o que é “avançado” e o que é “tradição”, o conflito atingiu os artistas, porque estes agora já não estavam representando o que os novelistas escreviam, mas sim defendendo, como artistas, as suas próprias ideias. Sobrou para os artistas.

Agora, o povo religioso – são milhões, mais do que a audiência da Globo – distingue entre deputados, artistas e diretores sérios e os inimigos de pais, mães, filhos e família.

Se o conflito persistir, não haverá governo para subsidiar as perdas deste canal!

Se existe uma coisa que um canal de TV teme é a perda de audiência e de anunciantes. E acho que é isso que vai acontecer quando as igrejas baterem de frente contra essas mensagens que as desrespeitam.

A Globo está perdendo o coração e a cabeça do povo!

Perdendo muito. Não adianta dizer que chegam a 100 milhões de telespectadores. As igrejas chegam a 180 milhões, embora nem todos frequentem. E nem os 100 milhões são fanáticos pela Globo.

Duvido que os atuais novelistas sejam capazes de mudar os seus temas e o excesso de erotismo e sexo que tanto incomodou as famílias nestes últimos vinte anos!

Se querem diálogo, dialoguemos. Se querem confronto, confrontemos.

Não é a modernidade contra o passado: são 4 mil anos de fé judaica e cristã contra o ateísmo de quem acha que pai e mãe não têm mais poder.

A babá-TV está perdendo o seu charme.

Religiosos de todas igrejas, divulguem isso: vocês têm força. Nós temos força! Cansamos de ver sem reagir!

Pe. Zezinho, scj

Fonte: Aleteia

O Conselho Permanente da CNBB, reunido entre 24 e 26 de outubro, em Brasília aprovou com emendas e correções um texto contendo orientações pastorais dirigidas aos operadores de todas as mídias que no Brasil se apresentam como católicas. O documento foi preparado com a participação de todas as comissões pastorais da Conferência e traz considerações importantes a serem observadas na TV, no Rádio, nos impressos e nas chamadas mídias sociais da Igreja.

Dom Darci José Nicioli, presidente da Comissão Episcopal para a Comunicação, coordenou todo o processo de composição do documento e foi encarregado pelo Conselho a dar continuidade ao processo que inclui a revisão, publicação, divulgação do documento por meio de ano de estudos e debates com os operadores das mídias.

Ele falou à Assessoria de Imprensa. Confira a entrevista:

Este novo documento da CNBB com orientações para a mídia católica tem que tipo de origem? Por que foi necessário fazer esse texto?

Todos os documentos que emanam da nossa Conferência Episcopal nascem da solicitude dos nós bispos em vista da animação da ação evangelizadora no Brasil. Nenhum desses textos é produzido sem essa mística. Em colegialidade fraterna, procuramos nos debruçar, na medida do possível, sobre todas as realidades que compõem a nossa ação pastoral. O campo da comunicação é importantíssimo! Lançamos o nosso Diretório Nacional para a Comunicação em 2014 e, desde aquele período, temos pensado em traduzi-lo em orientações explicitamente pastorais para ajudar os operadores da mídia católica e de todos os que atuam na mídia e assumem sua catolicidade.

A necessidade de orientação para campos específicos do apostolado é comum à nossa ação evangelizadora. E vivendo em tempos de grandes transformações e expansão midiática, esse ambiente da vida eclesial e social pediu dos nossos bispos uma reflexão mais específica. Foi por isso que, por longos meses, estamos trabalhando nesse texto que foi aprovado pelo Conselho Permanente da CNBB e que, logo, estará nas mãos de todos os irmãos e irmãs que atuam em todas as mídias. Não é um texto pronto e acabado, mas um instrumento de estudo que poderá receber a influência de todos os que, efetivamente, atuam em mídias em nome da Igreja.

Quem são, então, os destinatários desse documento? A CNBB apresenta essas orientações aos diretores, responsáveis ou a todos os comunicadores católicos?

Os bispos decidiram falar aos operadores de todas as mídias que se apresentam como católicos diante da sociedade, tanto os que atuam em veículos da Igreja como aqueles que ocupam espaços próprios ou de terceiros e querem se comunicar a partir da experiência de fé vivida na Igreja Católica. Isso significa que o documento é dirigido a proprietários, diretores, redatores, editores, apresentadores, artistas, repórteres, produtores de conteúdo e qualquer outra pessoa – profissional ou não – que esteja na árdua tarefa de comunicar o evangelho de Cristo em todas as mídias.

Adotamos o termo mídias para respeitar a diversidade dos espaços físicos e digitais que são hoje ocupados pela comunicação. Com isso queremos chegar não apenas aos olhos e ouvidos, mas aos corações de todos aqueles que trabalham nas emissoras de TV e Rádio, ligadas à Igreja de algum modo e também aqueles que participam dos meios laicos e se apresentam neles como católicos. Um dos destinatários pensados pelos bispos – enquanto preparávamos este documento que contou com a colaboração de vários comunicadores e de todas as comissões pastorais da CNBB – é o produtor de conteúdo na internet. Queremos também dialogar com as pessoas que assumem esse novo ambiente em sites, blogs ou redes sociais.

Quais são os principais temas abordados neste documento?

O texto é bem abrangente. Destaco alguns temas importantes: é fundamental o trabalho de todos, especialmente das mídias, em prol da unidade da Igreja; é fundamental que cada mídia consiga expressar a catolicidade; as mídias têm responsabilidades na formação da cidadania, conforme orientação da doutrina social da Igreja; as mídias também são importantes para a catequese litúrgica, uma vez que “fazem escola” nas comunidades locais; a ética dos agentes que interagem nas mídias, particularmente na questão comercial de produtos ligados ou não à religião; cumplicidade na missionariedade da Igreja; compromisso com a Palavra, a Tradição e o Magistério, pois é isso que define a catolicidade de uma Midia que se diz a serviço da Igreja.

Conforme o senhor disse, o texto ainda deve fazer um percurso antes de chegar à sua redação final. Por que desse método e como ele será aplicado?

A CNBB sempre agiu desse modo com todos os seus documentos oficiais. Há sempre um período para que as comunidades, os pastores, os padres, os religiosos, os leigos possam colaborar na formulação de caminhos para uma pastoral orgânica, uma ação evangelizadora participativa e que seja eficaz no anúncio do Evangelho de Cristo. Com esse documento não é diferente. O Conselho Permanente aprovou um texto que será publicado na série verde dos “Estudos CNBB” e este trabalho, em seguida, fará ainda um trajeto peregrinando entre os comunicadores da Igreja do Brasil, suscitando reflexão e engajamento.

O Conselho Permanente encarregou a Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação de animar esse processo. Logo que o texto estiver finalizado – com as últimas correções pedidas – e publicado pela CNBB, apresentaremos aos comunicadores de todas as mídias um cronograma de trabalho. É desejável que na Assembleia Geral de 2019, depois do amplo trabalho de debates, correções, emendas e sugestões, apresentemos a proposta de um texto final, para a aprovação dos bispos.

Nesse tempo de estudos, quais serão as prioridades da Comissão para a Comunicação da CNBB?

A primeira providência será de criar condições para que todos os comunicadores que atuam nas mídias no Brasil tenham acesso e possam conhecer a integralidade das orientações pastorais propostas pela CNBB. Acreditamos que isso não pode ser apenas confiado à adesão espontânea que, apesar de necessária, pode durar muito tempo. Vamos propor datas e encontros para a leitura desse texto, considerando a especificidade das mídias.

Uma segunda prioridade será aquela de fazer que essas orientações não sejam apenas conhecidas, mas experimentadas na prática de cada uma das mídias. Precisamos evitar promover debates da letra pela letra e trazer o elemento da prática para aprofundar o que o texto propõe. Nesse sentido, precisamos levar as orientações para as redações das TVs, dos Jornais, das revistas, dos produtores de conteúdo na internet, etc.

Ainda uma ação importante, entre outras que poderemos realizar no decorrer do processo, é estabelecer um cronograma para receber contribuições – a partir do conhecimento e da prática das orientações – para que sejam inseridas no texto a ser apresentado em 2019.

O senhor não acha que muita coisa para pouco tempo?

Acho sim! Mas, comunicadores católicos são arrojados e corajosos. Ninguém brinca em serviço! São criativos e céleres! Eles têm uma capacidade de produção que a maioria de nós desconhece completamente. Quando a gente vê um programa bonito, uma reportagem bacana, uma campanha legal nas mídias, às vezes, não nos damos conta que foi um grupo enorme de pessoas que trabalhou com talento, dedicação e carinho e trouxeram aquilo para o público, a tempo e a hora. Basta um bom planejamento e a adesão dos comunicadores. Nós conseguiremos!

A Igreja no Brasil merece o nosso esforço! O compromissa da fé em Jesus Cristo, nosso Redentor, pede nossa adesão para que tenhamos todas as áreas da evangelização bem refletidas nos trabalhos que são realizados no ambiente midiático. Este documento não é da Comissão de Comunicação, é um documento da CNBB e considerou a participação de todas as grandes linhas do nosso trabalho pastoral no Brasil.

(CNBB)

Pode soar estranhíssimo para muita gente, mas você sabia que, ao ter ato conjugal com seu cônjuge dentro do matrimônio, estando ambos abertos à graça da vida, você está fazendo oração?

É simples de entender. A oração não é uma repetição de palavras: é uma atitude de união com Deus. Todas as nossas atividades, quando conscientemente oferecidas a Ele, são oração. Inclusive o sexo? E por que não?

São João Paulo II, na sua fascinante catequese sobre a Teologia do Corpo, nos fala da maravilhosa capacidade humana de experimentar, por meio da corporeidade, o atributo nupcial da expressão do amor. Nesse amor, cada cônjuge se torna um presente, um dom para o outro, e um dom completo, voluntário, consciente, que Deus torna fecundo em frutos magníficos como a realização pessoal, a realização mútua, a visão de sentido para a própria vida, a abertura para a nova vida nos filhos que vierem!

É algo único da pessoa humana: entregar-se conscientemente uma à outra como oferta de amor!

Nesse contexto, fazer amor é fazer oração porque é um ato de entrega mútua em que se participa do Amor divino e inclusive da divina criação.

Diz São João Paulo II a respeito dos cônjuges: eles “veem um ao outro com toda a paz do olhar interior que cria a plenitude da intimidade de pessoas”. Todos nós desejamos alguém que nos ame, nos aceite e nos respeite por completo, plenamente, porque isso nos preenche, nos eleva e, de modo literal, nos leva a experimentar o amor de Deus sensivelmente.

A união sexual no matrimônio é um ato de união a Deus porque, por meio dela, Ele nos torna partícipes do Seu Amor e do Seu Espírito e nos transmite as graças necessárias para perseverar e nos realizar no desafio envolvido nessa entrega diária – que não, não é fácil.

Importante: nenhum outro ato sexual pode ser descrito como “fazer amor”, porque Amor, em sentido pleno, é o Amor Absoluto, é o Ser Absoluto, é o Sentido Absoluto, é Deus; e nenhum ato separado d’Ele pode ser entendido autenticamente como amor. Nenhum outro ato sexual dignifica. O ato sexual fora desse contexto não apenas não nos une a Deus como, pelo contrário, nos afasta da participação na plenitude do Seu Amor.

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Adaptado de texto original de Luz Ivonne Ream

O post foi escrito pensando nos homens em suas  dificuldades nessa área. Porem, o processo do vício é o mesmo para qualquer pessoa, inclusive mulheres.

Neste post você encontrará a tradução para o português do “Grande Experimento”, um artigo revolucionário feito pelo neurocientista americano Gary Wilson que explica satisfatoriamente as causas do fenômeno do vicio em pornografia na era moderna e que é a base teórica que ajudou na recuperação de muitos ex-usuários.O

A compreensão deste estudo é fundamental para quem deseja parar com o vicio em pornografia e erradicar da sua mente a maioria das falsas ideias que foram propagadas durante anos sobre este fenômeno.

O que acontece quando se tranca um ratinho em uma gaiola junto com uma ratinha no cio? Primeiro, se vê uma cópula atrás da outra; daí, progressivamente o rato se cansa daquela ratinha em particular. Mesmo que ela queira mais, ele já enjoou. Contudo, troque a ratinha por uma outra ratinha e o rato imediatamente se reanima e se empenha em fertilizá-la. Se você repetir este processo com várias ratinhas diferentes, o rato pode quase morrer de exaustão. Isto é chamado de “esfriamento” – uma resposta automática a parceiros sexuais. E é exatamente isto o que faz você se tornar um viciado em pornografia na Internet.

Como no rato do laboratório existe um mecanismo dentro de você que te impulsiona a fertilizar mulheres e qualquer outra coisa que você vir em uma tela de computador . Circuitos primitivos em seu cérebro governam suas emoções, desejos, impulsos e tomadas de decisões inconscientes. Seu trabalho é tão eficiente que a evolução não sentiu necessidade de modificá-los muito desde que os
seres humanos são seres humanos.

Mais dopamina, por favor.

Nos ratos, em você e em todos os outros mamíferos, o desejo sexual é despertado através de uma substância chamada dopamina. A dopamina regula o núcleo da parte mais primitiva do cérebro – o circuito de recompensa. É graças a ele que podemos experimentar prazer, mas também podemos desenvolver vícios. Seu circuito de recompensa te ordena a fazer tudo aquilo que garanta sua sobrevivência e a transmissão dos seus genes adiante. No topo da lista de recompensas humanas estão a comida, o sexo, o amor e a amizade. Estas recompensas citadas são chamadas de reforços naturais, que são o oposto de drogas viciantes que são artificiais.

O propósito evolucionário da dopamina é te motivar a fazer o que seus genes querem que você faça. Quanto maior a descarga de dopamina, mais você desejará algo; sem ela, você simplesmente ignora. Para bolo de chocolate e sorvetes, um estouro de dopamina; para palmito, nem tanto. O sexo e o orgasmo são os mecanismos que naturalmente liberam maiores descargas de dopamina para o circuito de recompensa. O apelido da dopamina é “molécula do vício”.

Ainda que se possa definir a dopamina como a substância do prazer, tecnicamente essa definição não é muito precisa. A dopamina está mais para a busca do prazer ou a medida do seu potencial de prazer. Apesar de haver controvérsias, acredita-se que a recompensa final e as boas sensações estejam relacionadas com os opióides. Dopamina seria algo como o “querer” e os opióides algo como o “gostar”. Desta forma, podemos definir o vício como um “querer” fora de controle.

Fantasias, fantasias e mais fantasias.

A dopamina surge com os estímulos: um carro novo, um lançamento no cinema, um novo eletrônico – todos nós nos tornamos apegados a algo sob o efeito da dopamina. Assim como em qualquer novidade, a excitação cai à medida que a dopamina vai se exaurindo. Aqui está como o esfriamento funciona: o circuito de recompensa do rato vai descarregando cada vez menos dopamina para uma mesma fêmea, mas quando uma nova fêmea surge, uma grande descarga de dopamina é liberada. Isso não lhe soa familiar?

Pornografia na Internet é um atiçador especial do seu circuito de recompensa, pois os estímulos estão todos a apenas um clique. Pode ser uma “nova parceira”, uma cena incomum, um ato sexual esquisito, ou – pense você mesmo em algo. Qualquer um pode ficar clicando por horas e experimentar muito mais estímulos em dez minutos do que qualquer um de nossos ancestrais pode experimentar durante toda a sua vida! E o que o cérebro faz quando se depara com um número ilimitado de estímulos, cuja quantidade é incapaz de suportar? O cérebro se adapta, e é exatamente isso o que pode levar ao vício.

Drogas não são as únicas coisas viciantes.

É sabido que substâncias que estimulam a liberação de dopamina como álcool e cocaína, podem levar ao vício. Mas apenas uma minoria entre 10 a 15% de seres humanos ou ratos que já consumiram essas substâncias se tornaram viciados. Quer dizer então que nós estamos livres do perigo dos vícios? Em se tratando de abuso de entorpecentes, talvez sim. Mas em se tratando de excesso de estímulos de recompensas naturais como sexo, comidas gordurosas, videogames ou jogos de azar, a resposta pode ser não, ainda que certamente nem todo mundo se torne viciado.

A razão do porque podemos nos tornar viciados com comida e sexo mesmo que não sejamos propensos a vícios, está no fato de que nosso circuito de recompensa nos estimula a procurar por sexo e comida e não drogas. Atualmente, os alimentos calóricos (70% dos adultos americanos estão acima do peso e 35% estão obesos) e a pornografia na Internet (sobre o que você está lendo agora) têm muito mais potencial para viciar pessoas do que as drogas. Ambos sobrecarregam os mecanismos de saciamento – o sentimento de estar satisfeito – porque as calorias e as oportunidades de se reproduzir são a prioridade número 1 dos genes.

Todos os vícios afetam o cérebro de forma similar.

Pesquisas recentes revelam que os vícios comportamentais (comidas saborosas, jogos de azar ou videogames) e vícios por entorpecentes possuem algo em comum: redução da dopamina e uma queda nos receptores de dopamina do circuito de recompensa. Isto é a base de todos os vícios. Com menos dopamina e menos receptores dessa substância, fica muito mais difícil estimular o circuito de recompensa. Este processo acaba levando ao que todos os viciados uma hora experimentam: uma resposta indiferente ao prazer.

Em agosto de 2011, os maiores especialistas da Sociedade Norte americana de Medicina do Vício -ASAM- publicaram sua nova e avassaladora definição de vício. Esta nova definição corrobora os pontos principais debatidos neste artigo de que os vícios comportamentais afetam o cérebro da mesma forma que as substâncias entorpecentes, em todos os aspectos. Tal definição, na prática, encerra o debate se o vício em sexo e em pornografia é um vício verdadeiro ou não.

Quanto mais prazer, menos prazer.

Apesar de você talvez não perceber, você está aqui porque você tem uma resposta indiferente ao prazer. O declínio nos receptores de dopamina e outras mudanças no cérebro te transformaram em um viciado em pornografia. Trata-se de fisiologia, não de moralidade. O ciclo do vício em pornografia é semelhante ao de outros vícios, ou seja: satisfação com o estímulo->anestesia ao prazer->busca por mais estímulo->satisfação retorna devido a um maior estímulo->posterior declínio nos receptores de dopamina->mais anestesia ao prazer->busca por mais estímulo->satisfação retorna com um estímulo ainda maior.

E em pouco tempo você já está viciado em pornografia, pois para o seu cérebro, nada mais é tão interessante quanto o pornô. Na visão dos seu genes, este é o cenário perfeito – te manter copulando freneticamente – antes que esta “oportunidade valiosa” desapareça!

O sequestro de seu mecanismo de satisfação.

O consumo excessivo (sexo ou comida) é um sinal do seu cérebro primitivo de que você conseguiu alcançar o “prêmio” evolucionário. Sob o efeito de estímulos suficientes os receptores e dopamina começam a declinar. Isso te deixa insatisfeito, querendo buscar mais. Esta anestesia ao prazer é o meio que seus genes empregam para fazer você continuar buscando comida e oportunidades de se acasalar.

O mecanismo de satisfação é uma vantagem evolucionária em situações onde a luta por sobrevivência se sobressai ao mero saciamento da vontade. Pense nos lobos, que precisam conseguir até 10 quilos em cada caça de uma vez só; ou em nossos ancestrais, que precisavam armazenar calorias de alta qualidade através de alguns quilos extras para facilitar o transporte, sobreviver em tempos difíceis, ou mesmo diante de um harém para ser fertilizado em tempos de acasalamento.

No passado, essas oportunidades eram raras e passavam rápido. O ambiente humano mudou drasticamente. A Internet oferece infinitas oportunidades de “acasalamento” que seu cérebro primitivo pensa que é real. Assim como qualquer outro mamífero que se preze, você vai se esforçar para espalhar seus genes para os quatro cantos, mas aqui a sua temporada de acasalamento não vai ter fim. Você clica, clica, clica, se masturba, clica, clica, clica, se masturba, clica, clica, clica. E o seu mecanismo de satisfação se sobrecarrega. A evolução não preparou seu cérebro primitivo para estes estímulos sem fim.

Células que juntas trabalham, juntas se programam.

Como a anestesia ao prazer te impele ao uso contínuo do pornô, seu cérebro começa a se reprogramar. Essa reprogramação envolve a superprodução de substâncias químicas naturais (delta FosB), e o reforço das conexões entre as células nervosas do cérebro, facilitando a comunicação entre elas. Isto é o que acontece em todo aprendizado, é o que chamamos de “neuroplasticidade”. Quanto mais intensa a experiência, mais fortes serão essas conexões. Quanto mais fortes as conexões, mais fácil será para os impulsos elétricos fluírem por esse novo caminho.

Com o consumo habitual do pornô você estará fortalecendo um canal em seu cérebro. Assim como a água flui por onde ela encontra menos resistência, os impulsos também o farão, assim como os nossos pensamentos. É como qualquer habilidade que quanto mais se pratica, mais fácil é de se repetir. Logo, logo isto se torna automático e passa a operar sem a necessidade de qualquer pensamento consciente. Você criou um forte canal de pornografia em seu cérebro. Uma anestesia ao prazer combinada com um forte canal capaz de levá-lo a um alívio de curto prazo é a base de todos os vícios.

Escala e reprogramação

O desenvolvimento da tolerância (ou anestesia ao prazer) faz com que um viciado precise de mais “droga” para obter o mesmo efeito. Usuários pesados de pornografia chegam a perceber que assim que  eles desenvolvem tolerância para seus antigos gostos, eles partem para novas direções na busca de emoções intensas. Muitos procuram por coisas que os chocam – talvez porque o que é proibido e temível, combinado com prazer sexual, oferece um grande estímulo ao cérebro… pelo menos por um tempo.

Por isso, não é incomum que alguém comece a ver pornô com uma foto do “traseiro gostoso” de uma Jennifer Lopez e semanas depois se torne excitado com cenas de zoofilia ou estupros. Quanto mais intensos os eventos associados (orgasmo + vídeo), ou quanto mais essas cenas se repetem, mais forte é a reprogramação. Cada experiência programa novos gostos em seu cérebro. Se suas preferências sexuais mudaram, seu cérebro também mudou.

Definição de vício?

Alguns acreditam que somente drogas, e não comportamentos é que podem causar vícios. Como já mencionado anteriormente, isto é um equívoco. Especialistas da área definem o vício de várias formas. Sucintamente, as etapas de desenvolvimento do vício são as seguintes:

1)Comportamento impulsionado por emoções que progridem da busca para a compulsão;

2) Uso contínuo sob o risco de consequências adversas, e finalmente

3) Perda de controle.

O vício pode vir acompanhado de dependência física e sintomas de abstinência. Muitos usuários compulsivos de pornografia se surpreendem com suas síndromes de abstinência, que se compara àquelas sentidas por usuários de álcool e drogas.

O que faz a pornografia na Internet ser única?

Está claro que hoje em dia a pornografia na Internet é de fácil acesso, disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, gratuita e privada. A forma com que é usada mantém os níveis de dopamina anormalmente elevados por um longo período de tempo, tornando-a especialmente estimulante e potencialmente viciante. Sites de recuperação frequentemente reportam que o vício em pornografia na Internet se deve à combinação de masturbação e orgasmo com atuações estimulantes e chocantes. Com certeza ambos desempenham um papel, mas o que se destaca a pornografia na Internet das demais é que:

1) Possui fantasias extremas – centenas de novos parceiros sexuais por sessão. As fantasias são altamente estimulantes, e a pornografia atual não lembra em nada a Playboy de imagens estáticas e conteúdo limitado que seu pai consumia. Os usuários frequentemente relatam que mesmo o sexo real se torna chato em comparação com o pornô;

2) Diferente do que acontece com comida e drogas, onde há um limite para consumo, não existe nenhum limite prático para o consumo de pornografia na Internet. Os mecanismos naturais de saciamento do cérebro não são ativados, até o momento do clímax. Mesmo assim, o usuário pode partir para algo ainda mais chocante para ficar excitado novamente;

3) Com comida e drogas a única maneira de progredir no vício é consumindo mais. Com o pornô é possível progredir tanto com “parceiros” de fantasias quanto por assistir práticas sexuais novas e incomuns. É bem comum os usuários procurarem por pornografia cada vez mais pesada;

4) Diferentemente de comida e drogas, a pornografia na Internet muitas vezes acaba não chegando a ativar os mecanismos naturais de aversão. A aversão ocorre quando você não gosta de uma droga ou remédio ou quando você se depara com um purê de batata amanhecido ou com uma maçã podre, por exemplo. Com a pornografia isso não acontece.

Muitos sintomas, uma única causa.

Muitas vezes os viciados em pornografia sentem uma variedade de sintomas que não conseguem associar ao uso exagerado de pornografia. Alguns desses sintomas são:

– Angústia relacionada ao avanço na busca por pornografia mais pesada;
– Impotência copulatória (ou seja, só se ter ereção com o pornô, e não mais com parceiros sexuais reais);
– Masturbação frequente e com pouca satisfação;
– Ansiedade social severa, que vai se agravando;
– Aumento da disfunção erétil, mesmo com pornografia mais pesada;
– Gostos mórbidos de pornô que não refletem sua orientação sexual;
– Dificuldades de concentração, inquietação excessiva;
– Depressão, ansiedade e lapsos de memória.

Há boas razões para acreditar que estes sintomas surgem em decorrência da anestesia ao prazer e da reprogramação cerebral. Ambas são mudanças estruturais do cérebro que precisam ser revertidas.

Fonte: YourBrainonPorn

Autor do Artigo: Pedro Henrique Alves

Recebo alguns e-mails de universitários me pedindo direcionamentos sobre como ser oposição em meio as doutrinações da esquerda nas universidades e faculdades do Brasil; esta resposta não é tão fácil como parece, mas tentarei elaborar algumas dicas preciosas.

As universidades deveriam ser, por excelência, o local de discussão de ideias, de prática democrática e, principalmente, de respeito as opiniões contrárias, entretanto, nem sempre é assim, e isto se dá por um motivo: o apego ideológico. Marx já dizia em seu panfleto, “manifesto do partido comunista”, que um genuíno comunista deve abandonar sua forma de pensar individual e assumir a forma de pensar do proletariado: “Quando são revolucionários eles o são em vista da iminente transição para o proletariado; não defendem, pois, seus interesses presentes, e sim os futuros; abandonam seu ponto de vista para assumir o do proletariado”[1], sendo assim, muitos dos professores, principalmente os mais radicais, estão embebecidos em suas missões de formar uma nação “igualitária e justa”, ao molde socialista, em fidelidade a causa marxista. Neste processo, em suas cabeças, qualquer oposição, de qualquer natureza, representa um mal, afinal, você “está defendendo a desigualdade e a injustiça”; isto se dá em escalas de mais a menos radicalidade, porém, acontece em todas universidades que possuem professores militantes da esquerda.

De certo modo não há como culpa-los, pois, a ideologia, como bem nos instruiu Russell Kirk, clama para si uma espécie de dogmatismo religioso, ou, com as suas próprias palavras, uma “religião invertida”, onde, ou você aceita as premissas da ideologia como verdadeiras, ou você é uma espécie de herege e merece ser rechaçado. Neste processo de religião invertida a ideologia pede uma fidelidade incondicional de seus fiéis (partidários), não fidelidade a todos os preceitos de um determinado partido, mas sim fidelidade às bases dos princípios da ideologia marxista. Os professores de esquerdas são vitimados por este dogmatismo que os tornam cegos.

A oposição na academia acontece quando, primeiramente, já existem pessoas com uma verdadeira base de conhecimento político-filosófico.

Tanto da própria literatura de esquerda, quanto da literatura liberal e conservadora, ou seja, a universidade para o conservador, aqui no Brasil, começa antes da própria universidade iniciar seu curso acadêmico. Temos que entender isto: se opor às ideias marxistas e liberais na academia simplesmente por se opor, sem possuir argumentos para defender suas ideias, acaba por desmoralizar-se a si próprio e, ao mesmo tempo, a engrandecer o esquerdista que contigo debate, então, primeiramente é preciso obter um conhecimento básico para se manter o debate em uma esfera aceitável de argumentação. É indispensável que, o opositor ao esquerdismo, conheça profundamente o próprio esquerdismo, que leia Karl Marx, Gramsci, Norberto Bobbio, Leonardo Boff, Paulo Freire, e outros autores utilizados nas universidades brasileiras. Para combater é necessário conhecer, o mesmo se dá com as ideias que você defende, seria meio caminho andado para trás se um esquerdista conhecer mais, e melhor, que você sobre sua posição política.

Quando feito isso é necessário usar de prudência, não é porque se conhece alguns livros que se conhece tudo, ao entrar em uma roda de debate e lhe for requerido que exponha suas ideias, faça com prudência, sem ataques infundados nem com uma espécie de emoção ideológica, faça com respeito, com argumentos fortes e raciocínios claros. Não abra mão de suas convicções por alguma espécie de censura, faça trabalhos sobre o tema que se opõe à esquerda, escreva artigos científicos, procure orientação com professores que se assemelhe mais ao seu pensamento ou que seja mais aberto a ideias novas. Baixar a guarda é dar mais espaço para que a mentalidade da esquerda se hegemonize no local. Não ser radical, não adianta bater o pé e nem entrar em debates acalorados e sem conteúdos, se assim fizer corre-se o risco de haver alguma espécie de destemperança de sua parte. Quem tem bons argumentos não precisa gritar.

Aguente firme, suporte as possíveis provocações e responda com inteligência, não negligencie o professor, apenas tenha argumentos melhores que os dele, formule perguntas sobre o tema tratado nas aulas onde o professor terá de tocar em assuntos que desmoralize a sua própria visão comunista, busque as bases das fundamentações das ideias da esquerda, como o materialismo ideológico e a filosofia Higeliana, entre outros.

Para concluir, é importante alguns pontos serem elucidados: conheça mais e melhor, seja prudente e não seja explosivo ou guiado pela destemperança, tenha argumentos fortes e não desista. Um universitário está em um processo de ganho natural de intelectualidade, todavia, quando ele se torna passível de ser submetido a uma corrente ideológica que não permite questionamentos e contestações de uma outra visão, se torna necessário uma espécie de antidoto. Quando se cresce (intelectualmente) acreditando que esquerda é moralmente melhor que a direita; que a direita é tirânica; quando tudo no ensino se move somente nesta direção, por conta das doutrinações, tende-se a reafirmar esta visão sem que haja contestações, pelo menos no âmbito acadêmico; quando esta ideologia é a única coisa que se ouve, ensina e se doutrina; quando há somente autores e professores que compactuam com estas afirmações, não há espaço para se crer que, na realidade, o mundo pode ser diferente, neste mundo é preciso sair desta caixa vermelha. Em um lugar onde se nasce crendo que a terra é quadrada, os “sábios” confirmam esta ideia, e os livros nos ensinam está verdade, quando chega alguém e nos diz que isto é mentira e que estava tudo errado, geralmente estes são ridicularizados.

É exatamente o que ocorre com os conservadores na academia, quando se propõe outra maneira de pensar que não seja a da esquerda você é cercado com vários rótulos que vão de reacionário a ditador. Quem diria que um dia o novo seria ser conservador e o retrógrado ser revolucionário? Quem diria que para defender ideias conservadoras em uma suposta democracia, haveríamos de ser, antes de tudo, uma espécie de herege para mentalidade acadêmica?

Obs. Este texto é destinado, especialmente, àqueles que já passaram pelo processo de discernimento de ideias e hoje se consideram conservadores.

Referências:

[1] Karl MARX, Manifesto do partido comunista, Companhia das letras, São Paulo, 2012, p. 56

Autor do artigo: Pedro Henrique Alves

Nos últimos dias temos visto uma larga divulgação da notícia que uma comissão da câmara dos deputados havia, normativamente, definido como família a união entre homem e mulher. Isto causou uma grande comoção nas redes sociais, conservadores e cristãos receberam a tal notícia com uma certa euforia e contentamento; os mais modernistas, com pesar e indignação.

A família, independentemente de qualquer linha ideológica, é a instituição mais bem edificada da história. Por que digo isso? Parece-me que a família foi a estrutura basal da sociedade, aliás, faz-me crer que, somente existe uma sociedade moderna, pois houve antes um núcleo social chamado família. Muitas teorias foram feitas ao longo dos séculos para tentar explicar a origem da sociedade, destaca-se os Contratualistas (Hobbes, Locke e Rousseau), foram eles os mais aclamados entre aqueles que se tentaram explicar a estruturação social desde sua origem.

Destaco dois em especial: Rousseau, que em seu livro “Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens”[1] trata do tema: origem da família e desigualdades na sociedade; Marx, apesar de não ser um dos Contratualistas, também apresenta-nos sua teoria em uma de suas obras, “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”[2], obra esta que traduz suas ideias mais maduras, quem assina a sua obra é seu fiel escudeiro Engels, pelo advento da morte do dito autor. Bom, apenas citei alguns estudiosos do tema para contextualizar o debate, e democraticamente mostrar que não palpitarei por um mero deleite filosófico.

Algo me parece paradoxal quando tratamos do assunto: família. A sociedade moderna enxerga a estrutura tradicional de família como sendo uma dificuldade para o “avanço”, um entrave, uma engrenagem enferrujada que precisa ser substituída, todavia, a família é a base natural da humanidade, e ninguém em sã consciência há de discordar disto. É como colocar bombas-relógios nos firmamentos de nossos lares, e deitarmos tranquilamente em nossas camas como se nada tivesse por ocorrer. “Ora, pareceu-me injusto que a humanidade se ocupasse em chamar de más todas aquelas coisas que foram boas o suficiente para tornar outras coisas melhores, em eternamente chutar a escada pela qual subiu”[3].

Por mais que isto venha assustar a modernidade, me sinto inclinado a denunciar que, o ato sexual, um dia, foi visto como forma de reprodução e de união (laço) entre indivíduos, não como mero playground. Num belo dia, um homem percebeu que do coito com sua parceira surgia um novo ser semelhante a ele, e justamente por conta deste estranho e indefinível milagre, perceberam que seria bom eternizar esta união, pois, para o que parece ser divino o eterno é a melhor escolha. Instaura-se, então, a primeira e mais sólida célula social, a qual permitiu o surgimento de uma sociedade organizada, e isto não se trata de uma criação burguesa ou de uma espécie de conspiração macabra para se instaurar a propriedade privada, como quis Marx[4], buscar manter a união entre a sua amada e a sua prole é algo tão natural quanto respirar, não há maldições capitalista em torno disso, há apenas o desejo de tornar duradouro o que se apresentou como digno de durar.

O que uniu definitivamente o homem e mulher como único seio familiar possível, não foi nenhum documento normativo de qualquer sociedade em nosso espaço temporal. Quem os uniu foi o mistério da criação da vida, foi a constatação de que a união entre dois diferentes faz brotar um terceiro que carrega um pouco dos dois que o fizeram, aqui está todo o “porquê”, aqui está toda raiz da família tradicional, a capacidade magnifica de gerar mais um que é “carne da minha carne”(Gênisis 2, 23). Trata-se, por fim, deste magnifico mistério fecundo que mais tarde denominaríamos: “amor”. Não espantem-se com minha retórica a favor desta definição familiar, não se trata de discriminação sexual ou qualquer coisa que se assemelhe a isso, trata-se de uma constatação inevitável, a família é “uma necessidade da humanidade[…] um alçapão do qual a humanidade não tem como escapar”[5].

O mistério que envolve a fecundidade da união masculina e feminina ultrapassa qualquer limite de nossas vãs teorias causais, este medonho processo de prole urge dentro de nossas mentes sem uma resposta prévia, faz brotar um grande e infindável mistério, faz nascer em nós algo que não se explica com estatísticas, escavações arqueológicas ou teorias sociológicas. Existe um toque transcendente no ato de multiplicação da espécie humana, algo que me tenta a conversão, a vida surgindo de dois mortais tão limitados, algo que nem mesmo a mais rebuscada filosofia, nem as mais sapientíssimas mentes conseguiriam sintetizar em uma explicação racional, eis a trave que sustenta a família, uma trave que não é fincada no tempo.

Este big bang, este ato primeiro de luz acontece através de uma união hétero, e como não querer manter a salvo esta maravilhosa união chamada: família? Mantê-la fora do processo corrosivo do tempo é manter seguro algo que se mostrou digno de eternidade. “Basta dizer que pagãos e cristãos tomavam igualmente o casamento como um laço, como algo que, em circunstâncias normais, não deveria ser desfeito”[6]. A família é uma forma imanente de participar da eternidade, o único momento que Deus empresta ao ser humano o seu poder mais belo, o da criação. Quando uma família se forma, eu carrego um pouco de meu pai e de minha mãe que, por sua vez, carrega um pouco dos seus e assim por diante, talvez o termo “árvore genealógica” foi assim designada, pois, há arvores tão fortes parecem eternas.

Mesmo que muitas destas famílias mostram-se não cumpridoras de sua missão natural, isso não deve ser motivação para destituí-las ou redefini-las como se fossem produtos enlatados com data de validade ultrapassadas, algo que teve seu tempo, mas que hoje se faz pútrido. Esse mistério selou a união mais bela que se tem conhecimento. O que hoje a sociedade contesta como sendo uma definição retrograda de família, mostrou-se ao longo da existência humana ser algo tão bom que Deus não ousou colocar nela uma data de validade.

Referências:

[1] ROUSSEAU, Jean-Jaques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, 1ª Ed, L&PM POCKET: Porto Alegre RS, 2008. 173 p.

[2] ENGELS, Frederich. A origem da família, da propriedade privada e do Estado, 1ª Ed, BestBolso: Rio de Janeiro, 2014. 223 p.

[3] CHESTERTON, G. K. O defensor Tipos variados, 1ª Ed, Ecclesiae: Campinas SP, 2015. p. 18

[4] ENGELS, op. Cit., p. 34 -101

[5] CHESTERTON, G. K. O que há de errado com o mundo, 1ª Ed, Ecclesiae: Campinas SP, 2013. P. 56

[6] Idem, p. 5

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Autor do artigo: Pedro Henrique Alves

A origem:

Os resquícios mais longínquos desta ideologia encontram-se em Karl Marx, em seu livro (assinado por Friedrich Engels, dado à morte de Karl Marx antes do término do livro): “A origem da família, da propriedade privada e do Estado” (ENGELS, 2014), livro onde ele pretende explicar a origem da realidade familiar através de um viés de liberdade sexual extremada; Marx escreve este livro a partir das deduções de um antropólogo denominado na obra como: “Morgan”, da Ancient Society. Segundo o livro, nas primeiras civilizações não haviam famílias consolidadas aos moldes que hoje conhecemos, o que de fato havia era uma vida sexual sem restrições. Os homens mantinham relações sexuais com todas as mulheres da aldeia — ou tribo. Culminando que os filhos não sabiam quem eram seus pais (obviamente o filho sabia quem era sua mãe, porém, desconhecia quem era o seu pai biológico), sendo criados todos na aldeia em uma “línea igualdade”, segundo o próprio Karl Marx.

Para Marx, nesta sociedade havia uma verdadeira igualdade e justiça, sendo o “Estado” (tribo) responsável pela educação das crianças. Ainda baseado nestes estudos, Marx infere que quando o homem começa a tomar para si certa demarcação territorial, por conta da agricultura, ele encontra a necessidade de doar os frutos de seus trabalhos a alguém, que geralmente designava-se ao sexo oposto que ele desejara, criando assim o princípio do “matrimônio”. Com terras demarcadas, uma família sendo estruturada e a mulher sendo tomada como “posse” pelo homem, Karl Marx deduz que: o patrimônio (propriedade privada) é fruto do matrimônio; o matrimônio é a “base” do patrimônio para Karl Marx. Sendo assim, para Marx, se quisermos uma correta e eficiente revolução, chegando ao âmago do problema, rumando à igualdade plena, temos que destruir as raízes da propriedade privada, ou seja, o matrimônio, a família tradicional.

Após isso, muitos marxistas entenderam os apontamentos de Marx: a revolução comunista não viria por meios econômicos, mas sim por meios culturais. O primeiro, após Karl Marx, a sublinhar enigmaticamente isso foi o filósofo marxista Karl Korsch, onde, na 3ª internacional (congresso mundial sobre a filosofia marxista) de 1923, afirmou que a revolução comunista deveria atacar as “subestruturas” da propriedade privada, ou seja, o matrimônio como antes Marx havia apontado. Max Horkheimer (um dos fundadores da escola de Frankfurt) posteriormente lança um ensaio intitulado “Autoridade e Família”, em que na mesma linha de Marx e Korsch, mostra que a autoridade — o que os marxistas denominam: patriarcado — , e por consequência a posse de bens, surgem no seio familiar. Se o que se quer é desmantelar a propriedade privada, deve-se, antes, desmontar a unidade familiar, origem e sustentáculo da aristocracia capitalista — na visão comunista alinhada às últimas percepções de Karl Marx.

O desenrolar de uma ideia:

Muitos marxistas seguiram em direções contrárias às indicações deixadas nesse último livro de Marx. Optaram eles pelas revoluções armadas, tendo por foco tomarem os poderes econômicos de determinados países — o que, anteriormente, Marx havia sublinhado em seus escritos como sendo o caminho para o proletariado assumir o poder político-econômico. Isso ocorreu, principalmente, em seu livreto: “O manifesto do partido comunista” (MARX, 2012).

Entretanto, outros entenderam o que o alemão havia apontado no final de sua vida, isto é: a revolução deve vir por meio da derrubada da unidade familiar.

Entendendo isso, nasce do meio das escolas marxistas um impulso direcionado à sexualidade e à“libertação” sexual feminina; a primeira marxista determinada a angariar visibilidade e fazer uma espécie de manifesto que apontaria para uma liberdade sexual extremada, foi a feminista Kate Millet. Em seu livro: “Política Sexual” (MILLETT, 1969, 1970), ela mostra como deve ser a vida sexual libertadora de uma sociedade socialista, porém, esse livro não foi encarado com tanto louvor pela academia e sociedade, tratava-se apenas de um impulso inicial para a revolução sexual que os marxistas pretendiam. Essa obra assemelha-se mais a um manifesto do que propriamente um tratado filosófico-político.

A primeira a fazer um ensaio que despertasse seguidores e defensores, de fato, desta variável marxista foi: Shulamith Firestone, socióloga e filósofa que propôs, através de seu livro: “Dialética do Sexo”(FIRESTONE, 1970), a derrubada de todo e qualquer sistema familiar tradicional. Lutou, também, contra o pudor sexual tradicional da sociedade, que dizia ela ser um sistema de opressão contra as mulheres; Shulamith considerava que a mulher possuía um sistema opressor por natureza, isto é, seu aparelho reprodutor. Dizia ela que: libertando a mulher da sua tarefa “socialmente imposta” de reprodutora da espécie acabaríamos também com a unidade social, a família, chegando, por fim, em um oásis social libertador.

Citarei algumas frases de seu livro “Dialética do Sexo”(obra que é possível encontrar para download na internet), as citações seguintes encontram-se na conclusão do livro, onde ela faz uma síntese de suas ideias conclusivas, a ver:

“Assim, libertar as mulheres de sua biologia significaria ameaçar a unidade social, que está organizada em torno da reprodução biológica e da sujeição das mulheres ao seu destino biológico, a família. Nossa segunda exigência surgirá também como uma contestação básica à família, desta vez vista como uma unidade econômica” (FIRESTONE, 1970, p. 235. Grifos meus)

“Com isso atacamos a família numa frente dupla, contestando aquilo em torno de que ela está organizada: a reprodução das espécies pelas mulheres, e sua conseqüência [sic], a dependência física das mulheres e das crianças. Eliminar estas condições já seria suficiente para destruir a família, que produz a psicologia de poder, contudo, nós a destruiremos ainda mais” (FIRESTONE, 1970, p. 237. Grifos meus)

“A total integração das mulheres e das crianças em todos os níveis da sociedade. Todas as instituições que segregam os sexos, ou que excluem as crianças da sociedade adulta, p.ex., a escola moderna, devem ser destruídas” (FIRESTONE, 1970, p. 237. Grifos meus)

“Liberdade para todas as mulheres e crianças usarem a sua sexualidade como quiserem. Não haverá mais nenhuma razão para não ser assim” (FIRESTONE, 1970, p. 237. Grifos meus)

Além desta conhecida autora do feminismo, Firestone. Há aquela que é considerada a mãe das feministas, talvez, quase que unanimemente chamada de pilar central do feminismo, Simone de Beauvoir. Como nossa intenção não é suscitar a crença religiosa de meus leitores em minhas palavras, citarei

Simone para que vejam que minhas afirmações posteriores não serão infundadas:

“Em minha opinião, enquanto a família e o mito da família e o mito da maternidade e o instinto maternal não forem destruídos, as mulheres continuarão a ser oprimidas.” (BEAUVOIR, 1975, p. 20. Tradução livre)

Cito textualmente as palavras destas autoras, pois, como já disse, mas faço questão de reafirmar, não nutro a esperança que confiem em mim, numa espécie de fé cega. Pelo contrário, peço que todos que lerem esse artigo busquem tais referências citadas, para constatarem os fatos aqui apresentados com suas próprias conclusões.

A estratégia: Denominação do conceito Gênero.

Contudo, somente estes escritos citados anteriormente, e os apoios de nomes importantes nos meios acadêmicos e midiáticos, não foram o suficiente para diminuir o poder e a união familiar. Teriam, então, de ajustar a estratégia, mas o foco a ser atacado já estava delimitado: a família. Percebendo que a revolução não viria pelo simples ataque aberto à família, e principalmente após o fracasso das revoluções armadas do século XX, os(as) marxistas-feministas entenderam que o modus operandi da revolução era falho no seguinte ponto: a sociedade já estava profundamente enraizada em seu modelo familiar, perceberam que ela não abriria mão deste modelo a não ser que fosse convencido (doutrinado) internamente que esse modelo é ruim, falido e/ou “opressor”. Como bem sabemos, a mudança estrutural de bases acontece de dentro para fora e não de ataques externos, e qual é a forma mais basal de uma instituição? Segundo Michel Foulcaut: o discurso.

Resumindo, o que mantém uma instituição (Igreja, família, religião) firme em suas convicções são seus discursos, suas defesas conceituais. A Igreja católica manteve-se em pé, pois, seus discursos (apologias) foram mais fortes que os de seus inimigos. Na obra fictícia de George Orwell: 1984 (ORWELL, 2009), o governo totalitário — SOCING — só consegue parar os revolucionários que ameaçavam sua hegemonia quando, de forma doutrinadora, esses revolucionários ficaram convencidos que os conceitos que embasavam seus princípios, no fim, não existiam. Eles aceitam, por fim, que a contradição e a verdade são realidades conciliáveis.

Posteriormente, veremos como a contradição começará a ser aceita, também, por aqueles que defendem o gênero poliforme.

Em uma estratégia similar, os marxistas, baseando-se no pensamento do filósofo Jacques Derrida, conhecido por sua teoria desconstrucionista, montam uma verdadeira confusão conceitual partindo da palavra: “gênero”; Derrida ensina que: nenhum discurso se mantém em pé se conseguirmos desmontar seus significados originais (conceitos) através de um processo dialético de embate, ou seja, jogando palavras contra palavras até que através de uma confusão de termos os conceitos originais sejam rejeitados. Tal desconstrucionismo pode ser realizado, também, através de criação e propagação de novos termos que se pretendem afirmar, e reafirmar, uma ideia ideológica posta a priori. Lembremos do que dissemos acima: as instituições são, em suma, seus próprios discursos. Sem esses — conceitos — elas desmoronam. A estratégia, então, torna-se a desconstrução dos discursos(os conceitos, princípios e defesas) que mantêm a família em pé.

Todavia, faltava alguém que juntasse todas estas ideias expostas e as compilasse, de fato, em uma nova ideologia/doutrina, para que, enfim, a tão sonhada revolução sexual — que tem por meta a revolução política — fosse realizada. Essa pessoa foi Judith Butler. Feminista e conhecida por ser a teórica mais profunda da “teoria de gênero”, Butler, em seu livro “Problemas de gênero” (BUTLER, 2003), concebe uma interpretação da sexualidade no mínimo assustadora. Para Judith Butler devemos acabar com toda e qualquer classificação sexual, não podemos, e nem devemos, considerar que as pessoas são naturalmente homens ou mulheres, pois, para a autora, a sexualidade é totalmente arbitrária e modificável conforme o ambiente e os anseios emocionais de cada um. O que determina aquilo que somos, enquanto gênero sexual, diz Judith, são nossas vontades e desígnios psicológicos e/ou culturais. São nossas inclinações psicológicas momentâneas e os pedantes desígnios culturais que definem a que gênero pertencemos. A nossa natureza sexual nada mais é que um dos múltiplos gêneros possíveis. A essa sua doutrina denominam: “sexualismo” ou “teoria de gênero”, e as pessoas que se identificam com o sexo que naturalmente possuem (nascença) ela denomina-os: “cisgênero”. (Judith tem como base o experimento de John Money realizado na década de 60, o famoso caso Reimer. Tal fato será contado no próximo tópico, apesar de ser cronologicamente anterior a teoria de Judith. Assim o fiz, pois, considerei mais didático expor a conceituação antes do experimento prático da ideologia de gênero).

Judith Butler conseguiu implantar seus conceitos revolucionários sobre a sexualidade em um documento chamado “Princípio de Yogyakarta”, é um documento que possui estratégias de implementação e interpretação dos princípios dos direitos humanos na área de orientação sexual e identidade de gênero. No documento de 2006, no qual as ideias de Judith foram incrementadas, lê-se o seguinte no preâmbulo do texto documental referente a definição dada sobre “ideologia de gênero”: “ENTENDENDO ‘identidade de gênero’ como estando referida à experiência interna, individual e profundamente sentida que cada pessoa tem em relação ao gênero, que pode, ou não, corresponder ao sexo atribuído no nascimento, incluindo-se aí o sentimento pessoal do corpo (que pode envolver, por livre escolha, modificação da aparência ou função corporal por meios médicos, cirúrgicos ou outros) e outras expressões de gênero, inclusive o modo de vestir-se, o modo de falar e maneirismos.” (PRINCÍPIOS, 2015, grifos meus)

Gênero, por fim, seria a definição de algo indefinível, pois, seria a relativização de um princípio que está à mercê da subjetividade temporal e arbitrária dos sentimentos pessoais de alguém; pautadas em nenhum princípio natural, advogam os defensores de tal ideologia que o sexo é relativo à psique (entenda-se sentimentos e inclinações mentais) das pessoas. Ignorando qualquer enfrentamento factual da realidade sexual biológica e genética naturalmente definida.

O experimento: O caso David Reimer — A ideologia na prática.

A ideologia de gênero já foi testada pelo psicólogo neozelandês John Money. No final da década de 60, ao chegar as mãos de John Money um caso de mutilação genital do ainda bebê Bruce Reimer, após uma operação cirúrgica desastrosa, o psicólogo decide, junto a família do garoto, que iria colocar em prática sua embrionária ideia de gêneros socialmente construídos.

Para ele a sexualidade de alguém pode ser moldada conforme a criação social que o paciente receberá. Assim sendo, se Bruce nunca soubesse que havia nascido menino supostamente ele não teria problemas em “ser mulher”. Muda-se, então, cirurgicamente o sexo de Bruce, que passa a chamar-se Brenda; Brenda (Bruce) recebe doses cavalares de hormônios femininos desde muito cedo, passa a ser criada(o) como menina, desde roupas, tratamento escolares, brinquedos e costumes. Além de métodos pedagógicos naturalmente usados com meninas, Brenda (Bruce) foi sendo doutrinada a ser mulher. Todo ano ela(e) visitava John Money em sua clínica, onde ele fazia uma verdadeira tortura psicológica no pequeno Bruce(Brenda), torturas essas que incluía abaixar suas roupas íntimas e fazê-la(o) repetir: “sou menina”. Isso foi relatado por seu irmão e seus pais para a “BBC”. Esse mesmo canal televisivo que fez um longo documentário contando toda a história de Bruce. (link do documentário nas referências)

Porém, Brenda (Bruce), não se reconhecia como menina — para a frustração de Money que já havia anunciado em vários periódicos científicos seu suposto “sucesso” no caso Brenda Reimer. Desde muito cedo Brenda (Bruce) se recusava a participar de brincadeiras femininas, suas roupas e brinquedos não as satisfaziam, tendo naturalmente atitudes masculinas. Na adolescência começou a enfrentar sérias crises psicológicas levando-a(o) à depressão e, posteriormente, a múltiplas tentativas de suicídio. Seus pais, por fim, decidem contar-lhe toda a verdade aos 14 anos, ele, sentindo-se melhor, começou a ter uma vida condizente com seu sexo biológico, agora sob o nome de David Reimer. Reconstruiu cirurgicamente seu órgão genital, chegando a se casar.

Por outro lado, em sua família os resquícios do experimento de John Money deixaram fendas profundas e irreparáveis; seu pai desenvolveu um quadro avançado de alcoolismo e depressão, seu irmão tornou-se usuário de drogas, vindo a morrer em 2002 poroverdose por alta ingestão de antidepressivos, sua mãe, com crises profundas de depressão, por inúmeras vezes tentou se suicidar. David, encontrando-se em meio a uma enorme confusão psicológica causado por anos de confusão sexual, doutrinação psicológica, aliado a um casamento conturbado dado a seus problemas na infância, em 2004 suicidou-se em uma mercearia perto de sua residência com um tiro na cabeça.

Em uma entrevista à BBC de Londres ele afirma:

“Eu não sou um professor de nada, mas você não acorda uma manhã decidindo se é menino ou menina, você apenas sabe”. (DR, 2015)

Conclusão:

Temos dois grandes tópicos a serem avaliados. Primeiro, a conceituação. A “mãe” da ideologia de gênero, Judith Butler, define “gênero” como sendo uma escolha singular e arbitrária de uma pessoa, referente a sua sexualidade. Escolha essa que é definida tão somente pela própria pessoa. Essa escolha de gênero sexual se torna uma verdade irrefutável após alguém defini-la como sendo “verdade”, apesar de sê-la totalmente relativa às vontades e anseios passageiros. Sendo assim, a “verdade” e a sexualidade de alguém está a mercê de suas intempéries emocionais.

Poderá, então, a partir da ideologia de gênero, uma pessoa que passou quarenta anos de sua vida sendo homem, em um belo dia acordar “sentindo-se mulher” e, assim, todo seu passado masculino será apagado, e, a partir daquele momento, torna-se-á mulher? Pois, a este nome: “mulher” não haveria mais nenhuma ligação biológica e natural que a desse firmeza de conceituação essencial, haveria apenas escolhas sentimentais arbitrárias de cada indivíduo.

Esta parte do texto pode parecer empolado, mas não por mea culpa, a própria conceituação assim o é. A própria definição de gênero dada por Butler carece de lógica estrutural, sendo assim, como responsabilizar-me-ei por não ser claro na explicação de uma ideia que não possui clareza?

Segundo o experimento factual da ideologia de gênero: o caso de David Reimer, que é, por si, autodeterminante para tais considerações, tal definição defendida por Butler é uma verdadeira tolice com aparência de sapiência.

O caso de David Reimer acabou sendo um grande revés aos que apoiaram e ainda apoiam tal ideologia; o caso tornou-se a prova factual de que esta ideologia é profundamente falha. Muitas feministas e apoiadores dessa causa afirmam que há inúmeros erros neste caso de David Reimer, mas nunca conseguiram, satisfatoriamente, mostrar onde se errou ou como poderia ter sido diferente. Não podemos negar que John Money foi competente em colocar as premissas daquilo que ele acreditou ser a “teoria de gênero”, ou seja: a “mobilidade” sexual humana estruturada numa criação cultural determinada. Mesmo que, após a conclusão das premissas, a teoria tenha se mostrado um fracasso retumbante, os seus partidários mantém-se relutante ao negar o óbvio: a teoria de gênero, na prática, falhou e falhou muito.

David Reimer foi, de fato, a prova do fracasso desta ideologia, além, é claro, da própria lógica e da genética que comprovam 100% a irresponsabilidade científica e a irracionalidade dessa teoria. Não há outra constatação possível a não ser que essa “teoria de gênero” seja apenas um novo modus operandi para uma revolução política e cultural. Visando, é claro, a hegemonia da ideologia comunista — como no início mostramos. Como bem previu Karl Marx, derrubando o pudor sexual ,e, posteriormente a família, a sociedade tenderia a ficar maleável aos quereres ideológicos de qualquer revolucionário.

Para os que me chamarão de conspirador, lunático ou apocalíptico, apenas deixo-vos com os estudos, aprofundamentos, referências e o sincero desejo de que busquem a verdade por trás dos acalorados “vitimismos”. Gritos histéricos e discursos emocionais decorados deviam ser ignorados, já que tal teoria se pretende a cientificidade. Não peço, de forma alguma, que acreditem em mim ou que encare esse texto como um dogma, desejo apenas que busquem com sinceridade e imparcialidade a origem dessa ideia que aqui tratamos. Busquem as fontes, questionem-se: de onde emanam tais ideias?

Por fim, como é de praxe em meus textos, o desafio continua. Você que duvida que o feminismo quer uma revolução comunista e que a causa feminista seja apenas o meio para outros fins, desafio a irem em algum congresso feminista ou socialista e erguerem um cartaz com a seguinte escrita: “Sou feminista, mas não socialista (ou comunista)”. Depois venha aqui nos contar sua aventura!

Para finalizar, dou voz a David Reimer:

“Você vai sempre encontrar pessoas que vão dizer: bem, o caso do David Reimer podia ter tido sucesso. Eu sou a prova viva, e se você não vai tomar minha palavra como testemunho, por eu ter passado por isso, quem mais você vai ouvir?” (DR, 2015)

Referências:

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. 10ª Ed. Rio de janeiro: Civilização brasileira, 2003

DR Money andthe Boy with No Penis. BBC: London, 2010. Disponível em: http://www.bbc.co.uk/sn/tvradio/programmes/horizon/dr_money_qa.shtml. Acesso em: 22/07/2014.

ENGELS, Frederich. A origem da família, da propriedade privada e do Estado. 1ª ed. Rio de Janeiro: BestBolso, 2014.

FIRESTONE, Shulamith. A dialética do sexo: um estudo da revolução feminista. Rio de Janeiro: Labor do Brasil, 1976. Edição original: 1970.

MARX, Karl; ENGELS, Friederich. O manifesto do partido comunista, 1ª ed. São Paulo: Companhia da letras & Penguin, 2012.

MILLETT, Kate. Política sexual, 1ª ed. Lisboa: Dom Quixote, 1969, 1970. ORWELL, George. 1984, 1ª Ed. São Paulo: Companhia das letras, 2009.

PRINCÍPIOS de Yogyakarta: sobre a aplicação da legislação internacional de direitos humanos em relação à orientação sexual e identidade de gênero. Disponível em: http://www.clam.org.br/pdf/principios_de_yogyakarta.pdf . Acesso em: 22/07/2015

Simone de Beauvoir, “Sex, Society and the Female Dilemma — A Dialogue between Simone de Beauvoir and Betty Friedan”, Saturday Review, 14.06.1975, p. 20.

(Vídeo do documentário de Bruce Reimer) — Dr Money e o Menino Sem Pênis — Documentário — https://www.youtube.com/watch?v=zrMY_bH5QAg

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Se você não sabe,  já estamos vivendo em um mundo de mídia social orientado para “vídeo”. Mais e mais conteúdo que mais cresce em plataformas sociais como Facebook e Instagram é o vídeo.

Se você deseja alcançar mais pessoas e criar mais impacto para a sua evangelização, então você precisa entender que todas as plataformas de redes sociais estão se movendo em direção a essa ideia de que o vídeo é a principal opção de publicação de conteúdo.

Por exemplo, Mark Zuckerberg disse: “Há dez anos, a maioria do que compartilhavamos e consumiamos on-line era o texto. Agora são fotos, e logo mais será vídeo. “- Mark Zuckerberg

 Aqui estão algumas estatísticas importantes para você entender como acontece o consumo de vídeo em plataformas sociais:

1) 85% dos vídeos no Facebook são assistido sem som (mudo).

Você sabia que o vídeo do Facebook possui uma ferramenta de legenda mágica que adicionará legendas automaticamente ao seu vídeo? Você pode entrar e fazer pequenos ajustes nas legendas antes de sua postagem entrar em ação.

Infelizmente este recursos está apenas disponível em inglês. Você até pode ter um vídeo seu com áudio em português, porem a legenda irá aparecer em inglês. Em breve imagino que o Facebook irá lançar esta ferramenta com suporte em português.

 

2) 52% do público do Facebook prefere conteúdo de vídeo pré-gravado, enquanto 48% prefere conteúdo de vídeo ao vivo.

É um empate técnico. Na verdade eles não se importam tanto sobre a maneira que você sobe este vídeo, muito embora o Facebook dê mais impulso orgânico a vídeos que são feitos ao vivo. Neste caso, o ao vivo tende a ter um alcance inicial bem maior que o vídeo gravado.

 

3) 39% do público do Facebook é mais propenso a assistir “vídeos com legendas” até o final. Legenda retem a atenção do internauta.

Quer mais engajamento e interação? Use legendas/Subtitles que o resultado do seu vídeo será ligeiramente melhor.

 

4) Os consumidores de vídeos do Facebook são mais propensos a interagir e assistir até o final as seguintes temáticas de vídeo:

  • Vídeos informais de Bastidores – “causa muito comentário”
  • Vídeos engraçados – “Curtir e compartilhar”
  • Vídeos educacionais – “Compartilhar”
  • Vídeos emocionais “Like and Share”

5) 63% do público decide em menos de 30 segundos se vai ou não vai assistir o vídeo até o final (43% do publico decide em menos de 15 segundos!)

O que você aprende com isso? Você precisa capturar a atenção do usuário para o seu vídeo nos primeiros 15 segundos. Esqueça aberturas e artes gráficas longas. Pule logo para o que interessa, afinal você só tem 15 segundos pra segurar a atenção e audiência. Se vira nos 15.

 

6) Apenas 39% dos produtores de conteúdo estão criando vídeos quadrados e/ou verticais.

O consumo digital de vídeo acontece em sua grande esmagadora maioria pelo smartphone, na tela do celular.  Vídeo quadrado se destaca e é claramente o caminho a seguir para alcançar mais pessoas. Os vídeos quadrados são maiores em uma tela de smartphone do que um vídeo normal de dimensão 16: 9 como estamos acostumados em uma TV ou no próprio youtube. Use vídeo quadrado, isso fará seu público parar. Não quer dizer que o 16: 9 não funciona. Mas que há uma oportunidade bem maior em alcançar a atenção do publico ao usar o formato quadrado.

Lembrando que isto é um hábito de consumo em uma rede social como Facebook e Instagram, tendo em vista, que o Youtube é altamente relevante usando formatos 16:9, mas o Youtube é um canal de vídeo e muitos usuários ao usa-lo em tela cheia precisa rotacionar o celular.

7) 84% do público do Facebook está assistindo vídeos em um dispositivo móvel

Referente ao ponto 6, tudo o que ajudar o seu vídeo a ser mais visto é bom. Além disso, quando as pessoas estão no celular elas são muito mais propensas a passar pela timeline rapidamente. Obter a atenção inicial ao passar o mouse ou dedo é muito importante.

 

8) 56% da audiência do Facebook, assiste vídeos à noite, e 38% muito tarde da noite.

O público geralmente tem mais tempo a noite para assistir o vídeo, e é interessante que foi detectado que bem tarde da noite também tem uma grande quantidade de pessoas assistindo vídeos. Isso se dá pelo habito que muitas pessoas tem, (“eu tambem faço muito isso”) de surfar pela timeline do Facebook enquanto estão deitados na cama antes de dormir.

Portanto, o agendamento torna-se especialmente importante. Se você criar um vídeo longo e publicá-lo na parte da manhã, é menos provável que seja visto.

André Câmara

Após introduzir personagens secundários homoafetivos em filmes e desenhos, a Disney terá seu primeiro personagem gay fixo em uma série para crianças e adolescentes.

O seriado Andi Mack, cuja segunda temporada estreia nesta sexta (27) nos Estados Unidos, mostrará Cyrus (Joshua Rush) despertando “sentimentos românticos” em relação a Jonah (Asher Angel).

Cria-se então um triângulo amoroso, uma vez que Jonah é namorado de Andi, a personagem principal (Peyton Elizabeth Lee). No Brasil, deve ser exibido a partir de 23 de dezembro.

A criadora da série, Terri Minsky, diz que fez consultas a especialistas em desenvolvimento infantil. “Andi Mack conta a história de adolescentes descobrindo quem eles são. Terri, o elenco e todos os envolvidos na série tomam muito cuidado para se certificar de que o conteúdo é apropriado para todos os públicos e que mandará uma mensagem poderosa sobre inclusão e respeito para a humanidade”, afirma a nota oficial do canal divulgada à imprensa.

Exibido pelo Disney Chanel, cuja programação é focada no público infanto-juvenil, entre 9 e 16 anos, a série Andi Mack se junta a outras que como “Boa Sorte, Charlie”, e a trilogia de filmes High School Musical (2006-2008), que mostraram personagens homossexuais.

A ideia de “diversidade” também está presente nos desenhos do canal, como a animação Star Contra as Forças do Mal mostrando dois homens e duas mulheres se beijando rapidamente. 

Fonte:  Notícias da TV

No Calvário, onde o crucificado termina sua existência terrena, Jesus “tem a última conversa com um pecador, para lhe abrir de par em par também a ele as portas de seu Reino”, e isto “é interessante: é a única vez que a palavra ‘paraíso’ aparece nos Evangelhos”.

Papa Francisco concluiu seu ciclo de catequese dedicado à esperança cristã, que começou no início do ano litúrgico, e dedicou hoje sua reflexão ao paraíso, ressaltando que Jesus, com um milagre que se repete hoje, “nos leitos de tantos hospitais ou nas celas das prisões”, o promete a um “pobre diabo” que lhe pede o perdão, porque “o paraíso não é um lugar como nas fábulas, nem muito menos um jardim encantado”, mas “o abraço com Deus” que perdoa. “Se acreditamos nisto, a morte deixa de nos causar medo, e podemos inclusive esperar partir deste mundo de maneira serena, com muita confiança”.

“Paraíso”, disse o Papa, “é uma das últimas palavras pronunciadas por Jesus na cruz, dirigida ao bom ladrão. Detenhamo-nos um momento nesta cena. Na cruz, Jesus não está sozinho. Junto a Ele, à direita e à esquerda, estão dois malfeitores. Talvez, passando diante dessas três cruzes içadas no Gólgota, alguém lançou um suspiro de alívio, pensando que finalmente se fazia justiça condenando à morte gente assim. Junto a Jesus também está um réu confesso, que reconhece ter merecido aquele terrível suplício. Nós o chamamos de o “bom ladrão”. Opondo-se ao outro, disse: ‘nós recebemos o que merecemos por nossas ações’”. 

“No Calvário, nessa sexta-feira trágica e santa, Jesus chega ao extremo de sua encarnação, de sua solidariedade conosco, pecadores. Aí se realiza o que o profeta Isaías havia dito do Servo sofredor: ‘foi contado entre os culpados’. E é aí, no Calvário, que Jesus tem a última conversa com um pecador, para lhe abrir também a ele as portas de seu Reino. Isto é interessante: é a única vez que a palavra ‘paraíso’ aparece nos evangelhos. Jesus o promete a um ‘pobre diabo’ que na madeira da cruz teve a coragem de lhe dirigir o mais humilde dos pedidos: ‘Lembre-se de mim quando entrar no seu Reino’. Não possuía obras de bem para fazer valer, não tinha nada, mas confiou-se a Jesus, que o reconhece como inocente, bom, muito diferente dele. Foi suficiente esta palavra de humilde arrependimento, para tocar o coração de Jesus”. 

“O bom ladrão nos recorda nossa verdadeira condição diante de Deus: que nós somos seus filhos, que Ele sente compaixão por nós, que Ele cede cada vez que lhe manifestamos a nostalgia de seu amor. Nos leitos de tantos hospitais ou nas celas das prisões, este milagre se repete numerosas vezes”, destacou o Pontífice argentino. “Não existe uma pessoa – insistiu o Papa -, por mais que tenha vivido mal, a qual lhe reste só o desespero e lhe seja proibida a graça. Diante de Deus, todos nós nos apresentamos de mãos vazias, um pouco como o publicano da parábola que havia se detido para orar no final do templo. E cada vez que um homem, fazendo o último exame de consciência de sua vida, descobre que as faltas superam amplamente as obras de bem, não deve desanimar, mas confiar na misericórdia de Deus. E isto nos dá esperança, isto nos abre o coração! Deus é Pai, e até o último momento aguarda nosso regresso. E ao filho pródigo que regressou, que começa a confessar suas culpas, o pai lhe fecha a boca com um abraço”.

O paraíso, continuou Francisco, “não é um lugar como nas fábulas, nem muito menos um jardim encantado. O paraíso é o abraço com Deus, Amor infinito, e entramos graças a Jesus, que morreu na cruz por nós. Onde está Jesus, há misericórdia e felicidade. Sem Ele, existe o frio e as trevas”.

Na hora da morte, “o cristão repete a Jesus: ‘Lembre-se de mim’”, disse Francisco. “E mesmo que não houvesse ninguém para se recordar de nós, Jesus está aí, junto a nós. Quer nos levar ao lugar mais belo que existe. Quer nos levar ali, com o pouco ou muito de bem que existe em nossa vida, para que nada se perca do que Ele já havia redimido. E à casa do Pai também levará tudo o que em nós ainda tem necessidade de redenção: as faltas e os erros de uma vida inteira. É esta a meta de nossa existência: que tudo se cumpra e seja transformado no amor. Se acreditamos nisto, a morte deixa de nos dar medo, e podemos inclusive esperar partir deste mundo de maneira serena, com muita confiança”. 

“Quem conheceu Jesus, não teme mais nada. E também nós poderemos repetir as palavras do velho Simeão, também ele abençoado pelo encontro com Cristo, após uma vida inteira consumida na espera. “Agora, Senhor, pode deixar que seu servo morra em paz, segundo a sua palavra, porque meus olhos viram a salvação”. E nesse instante, finalmente, não teremos mais necessidade de nada, não veremos mais de maneira confusa. Não choraremos mais inutilmente, porque tudo é passado; inclusive, as profecias, também o conhecimento. Mas o amor não, é o que permanece. Porque “o amor não passará jamais”.

Vatican Insider

 

Os verdadeiros católicos não são católicos por causa da Igreja, mas por causa do Cristo fidelíssimo, que nos amou até a cruz e nos deu a Sua Igreja como Mãe e canal de Sua graça. Certamente que os escândalos, a crise de fé, o mau exemplo de quem deveria ser presença viva de Cristo – tudo isto nos entristece; no entanto, se compreendermos bem o que é a Igreja, se tivermos os olhos e o coração fixos no Cristo, então todas essas realidades negativas, mesmo nos entristecendo e até envergonhando, em nada tirarão a nossa paz.

Precisamos compreender que a Igreja não existe por si mesma e não é santa por si própria, mas tudo recebe do Cristo.

Precisamos levar a sério que é Cristo quem atrai os Seus e agindo por Sua graça operosa os congrega e os mantém firmes na fé.
Não somos nós quem seguramos o povo e não somos os astros “pop stars” e interessantes, que mantêm o povo na Igreja… Tudo isto é um grosseiro e triste erro, é bobagem e presunção humana!
Por que tantos ministros sagrados se sentem na obrigação de ser astros, de ser adaptáveis a tudo quanto é mundano, na ilusão de que isso atrai?
É Cristo o Astro único, é Cristo quem atrai, é Cristo a novidade, é Cristo quem nos mantém fieis, é Cristo – e só Cristo – a alegria perene do nosso coração.
Aliás é bom ter bem presente: quem entra na Igreja ou nela permanece por outro motivo que não Cristo, perde tempo e não está na Igreja!

Angustia-me muito – mais que qualquer escândalo – ver tantos membros do clero e tantos teólogos preocupados em ser agradáveis às pessoas, atraentes e simpáticos ao mundo, gente de “boa pinta”, interessante e simpática… Recordo de Pedro, de Paulo, de João, de Madre Teresa, de Frei Damião… Certamente nunca procuraram ser atraentes, mas docemente, benignamente fieis!
Não somos nós quem atraímos! Não temos de ser boa gente e engraçadinhos para atrair! É Cristo quem atrai, é Cristo o centro! A nós, basta deixar que Cristo de tal modo impregne a nossa vida que quem nos vir, veja Cristo em nós: como exigente bondade, como amor que se dá, como responsabilidade que não esconde nem omite o essencial!

Tantos pregam a secularização para atrair o povo e a mundanização da Igreja, na ilusão de se fazerem simpáticos e compreendidos… Desprezam tudo aquilo que ajuda a mostrar a identidade católica, a alegria da consagração e o gosto de ser diferente do mundo… Pensam que com isso estão aproximando as pessoas e se fazendo compreender pelo mundo atual… Pura ilusão ideológica e ultrapassada! O mundo grita por sinais de Deus, por marcas do eterno, por reflexos do sagrado, por gente que não tenha medo de crer, viver e testemunhar o Infinito que renova esta terra!

O que afasta o povo é uma Igreja que não dá Cristo; o que esmorece a fé são padres e religiosos que querem ser protagonistas, ao invés de darem lugar ao Cristo, único Senhor e Astro; o que cansa as pessoas são homilias que falam de tudo, mas não falam pura e simplesmente de Cristo, de Seu amor, de Sua beleza, de Seu perdão e salvação; o que torna a Igreja sem graça é o moralismo ideológico, que confunde o Reino com sociedade socialista, que só sabe falar em questões sociais.

A Igreja não existe para si, mas para um Outro! Não deve se colocar no centro, mas deixar que Cristo seja o centro!
A função da Igreja, sua razão de ser é pura e simplesmente provocar o encontro das pessoas com Jesus! Nossa questão não é pensar no que atrai o povo, mas anunciar Jesus, pura e simplesmente, com toda fidelidade, simplicidade, amor e mansidão… O resto é graça, é ação do Senhor, é misericórdia de Deus…

Dom Henrique Soares

Uma ideologia global alimentada por uma liberdade “insana” e “literalmente louca” agora está tentando destruir a “última barreira” que preserva a humanidade de perder o significado de ser “humano”, a saber, a “natureza sexual da pessoa humana na sua dualidade de homem e mulher”, escreveu o cardeal Carlo Caffarra, em um manuscrito publicado no LifeSiteNews.

Caffarra escreveu o manuscrito como um prefácio ao livro da socióloga Gabriele Kuby intitulado A Revolução Sexual Global: A Destruição da Liberdade em nome da Liberdade [no original: The Global Sexual Revolution: Destruction of Freedom in the Name of Freedom]. ( ainda sem tradução para o português)

* * *

Texto completo do prefácio não publicado do cardeal Carlo Caffarra para o livro de Gabriele Kuby “A Revolução Sexual Global – A Destruição da Liberdade em Nome da Liberdade”.
Traduzido para o inglês por Diane Montagna.

O estudo de Gabriele Kuby sobre o panorama cultural no presente livro é um clamor de trombeta para despertar-nos do torpor da razão que nos está arrastando para a perda de liberdade consequentemente de nós mesmos. E Jesus já nos advertira que isso, a perda de nós mesmos, seria a mais trágica perda de todas, ainda que ganhássemos todo o mundo.

A cada página que lia, ouvia dentro de mim mesmo as palavras do enganador do mundo todo: “Você será como Deus, conhecendo o bem e o mal” (Gn 3:5).

A pessoa humana elevou-se a si mesmo a uma posição de autoridade moral soberana na qual “Eu” sozinho determino o que é bom e o que é mal. Essa é uma liberdade que é literalmente louca: é uma liberdade sem logos (isto é, razão ou princípio ordenador).

Mas se esse é o contexto teórico (se posso colocar desta forma) do livro inteiro, a obra examina especificamente a destruição da última realidade que permanece de pé no seu caminho. Como irei explicar, o livro também aponta como a liberdade que enlouquece gradualmente engendra as mais devastadoras tiranias.

David Hume escreveu que fatos são coisas teimosas: eles teimosamente desafiam qualquer ideologia. A autora demonstra, e eu considero que acertadamente, que a última barreira a qual essa liberdade insana deve demolir é a natureza sexual da pessoa humana na sua dualidade de homem e mulher, e na sua instituição racional estabilizada pelo casamento monogâmico e pela família. Atualmente essa causa insana está destruindo a sexualidade natural humana e por conseguinte também o casamento e a família. Estas páginas, dedicadas a examinar essa destruição, contêm uma rara profundidade de percepção.

Mas há um outro tema que corre através das páginas deste livro: a obra dessa insana liberdade tem uma estratégia precisa, pois está sendo dirigida, guiada e governada em nível global. Qual é essa estratégia? É aquela d’O Grande Inquisidor, de Dostoyevsky, que diz a Cristo: “Você dá a eles liberdade eu dou-lhes pão. Eles me seguirão.” A estratégia é clara: dominar o homem formando um pacto com um de seus instintos básicos. O novo Grande Inquisidor não mudou a estratégia. Ele diz a Cristo: “Você promete regozijo no prudente, íntegro e casto exercício da sexualidade; eu prometo o gozo desregrado. Você verá que eles me seguirão.” O novo Inquisidor escraviza através da ilusão do prazer sexual completamente livre de regras.

Se, como acredito, a análise de Gabriele Kuby é algo que é compartilhado, há apenas uma conclusão. O que Platão previu acontecerá: liberdade extrema conduzirá à mais grave e feroz tirania. Não é coincidência que a autora fez dessa reflexão platônica a epígrafe do primeiro capítulo: um tipo de chave interpretativa de todo o livro.

Eu espero que este grande livro seja lido por aqueles que têm responsabilidades públicas, por aqueles que têm responsabilidades educacionais, e pelos jovens, as primeiras vítimas do novo Grande Inquisidor.

Cardeal Carlo Caffarra, Arcebispo Emérito de Bolonha.

(1) Em inglês, intensifying verb. Essa expressão foi um problema tanto para o tradutor como para o editor (Heitor). Esta solução é do editor.

http://www.heitordepaola.com