O “sentir” tende a se apoderar da nossa vida. E isto é gravíssimo, porque, se o “sentir” dirige a nossa vida, então estamos agindo de acordo com o nosso estado emocional e com as nossas variações de humor, que são instáveis e dependentes dos altos e baixos dos hormônios.

Faz pouco tempo, ouvi um comentário que me deixou de cabelo em pé. A pessoa disse que o casamento “até que a morte nos separe” não é mais possível, porque “o amor acaba e, nesse caso, a relação também tem que acabar”.

O amor acaba ou sou eu que acabo com o amor?

Esta pergunta foi outra coisa que ouvi recentemente e que me pareceu bem mais instigante do que reduzir o casamento a mero sentimento. Afinal, é verdade que os casamentos passam por etapas, inclusive algumas em que “não dá mais vontade” de continuar porque “sentimos” que o amor “acabou”. Nessas etapas mais difíceis, a monotonia se senta conosco no sofá para ver partidas de futebol e capítulos de novela. Não “vibramos” mais como nos primeiros anos.

Mas será que não é uma coisa muito boa “superar” aquele estado de “euforia” que a paixão traz consigo e que nos torna tão dependentes de fatores irracionais e sentimentais?

Eu, pessoalmente, acho fascinante que essas etapas de “cansaço” passem pelo casamento, porque elas são um convite para reinventarmos a relação e torná-la mais madura, com base na reflexão e no diálogo mais cheios de companheirismo e maturidade e menos motivados pelas simples “emoções”.

A reflexão sensata e calma sempre faz bem. As decisões tomadas por impulso, baseadas no que sentimos, não costumam ser as mais acertadas porque não surgem das nossas faculdades superiores da inteligência e da vontade, mas da emoção volúvel que muda ao sabor do acaso.

Muitas vezes, o amor não “se sente”: simplesmente se pratica. Isso quer dizer que temos que escolher amar. Não faz sentido alicerçar um compromisso da magnitude do casamento deixando-nos levar pelo “sentir”. O amor, diferente da paixão, é um ato da vontade, e não uma “emoção”.

Quando se decide amar, é mais fácil refletir e dialogar sobre os reais motivos que nos levam a querer estar juntos. É possível detectar com mais clareza quais são as carências atuais e, portanto, quais são os ajustes necessários para que a união matrimonial perdure a vida toda de modo pleno e realizador.

O amor “para sempre” existe, sim, mas alcançá-lo depende da vontade dos dois cônjuges. Ao contrário da paixão, que é um sentimento acionado por fatores externos, o amor é uma atitude que se aprende… amando.

Luz Ivonne Ream 

O Papa Francisco nomeou duas mulheres como subsecretárias do novo Dicastério para os Leigos, Família e Vida (Santa Sé), reforçando assim a presença feminina na Cúria Romana.

Gabriella Gambino, professora de Bioética, foi indicada para a secção para a Vida desde organismo, e Linda Ghisoni, especialista em Direito Canónico, recebeu a nomeação pontifícia para a secção da Família.

A primeira responsável é docente do Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família, da Universidade Lateranense.

Linda Ghisoni era juíza instrutora do Tribunal de primeira instância para as causas de nulidade de matrimônio no Vicariato de Roma.

O Papa Francisco instituiu em 2016 o novo organismo da Santa Sé para os leigos, a família e a vida, em substituição dos antigos conselhos pontifícios que tratavam separadamente dessas áreas pastorais; o prefeito deste dicastério é o cardeal norte-americano D. Kevin Farrell.

Entre 2005 e 2015, o número de mulheres a trabalhar nas instituições da Cúria Romana e do Estado da Cidade do Vaticano aumentou em 90%; as mulheres representavam então cerca de 20% do total de funcionários ao serviço do Papa no Estado da Cidade do Vaticano.

A presença feminina na Santa Sé inclui responsabilidades nos departamentos da Cúria Romana e nas áreas dos arquivos, da história e da comunicação social.

Atualmente, a jornalista espanhola Paloma García Ovejero é vice-diretora da Sala de Imprensa da Santa Sé; Margaret Archer é a segunda mulher a ocupar o cargo de presidente da Pontifícia Academia de Ciências Sociais.

A irmã Nicoletta Vittoria Spezzati é subsecretária da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica e a leiga Barbara Jatta é diretora dos Museus Vaticanos desde janeiro de 2017.

Fonte: Ecclesia

Dando continuidade ao projeto do Partido Comunista da China, que apoia o regime da Coreia do Norte, três províncias chinesas expulsaram quase 1000 missionários e pastores. A grande maioria são cristãos sul-coreanos que ajudavam os desertores norte-coreanos.

O governo comunista do país continua com sua repressão contra atividades religiosas, de acordo com um relatório publicado nesta segunda-feira (6/11). Desde o final do ano passado, as províncias de Liaoning, Jilin e Heilongjiang no nordeste da China vêm identificando e deportando os pastores além de tentar fechar suas igrejas, de acordo com o jornal britânico Express.

Em Changchun, capital da província de Jilin, todas as igrejas lideradas por sul-coreanos foram fechadas de vez. Essa expulsão de líderes cristãos estrangeiros, sobretudo sul-coreanos faz parte do plano chinês de implementar novos regulamentos sobre assuntos religiosos. O objetivo declarado é “erradicar o extremismo” até 1 de fevereiro de 2018.

Estão previstas pesadas multas para quem organizar “atividades religiosas não aprovadas” (US $ 45.200) e para os que ofereceram um local para “eventos religiosos ilegais” (US $ 30.100).

Bob Fu, fundador e presidente da Missão China Aid, uma organização que combate a perseguição aos cristãos na China, disse ao Christian Post que “a cúpula do governo chinês está cada vez mais preocupada com o rápido crescimento da fé cristã, sua presença pública e sua influência social. Trata-se de um medo político do Partido Comunista, uma vez que o número de cristãos no país já superou em muito o de membros do Partido

Sob a liderança do presidente Xi Jinping, que está no poder desde 2013, multiplicaram-se as medidas contrárias aos cristãos. Desde a revolução comunista de 1949. Um número recorde de igrejas “subterrâneas” foram invadidas, centenas de pastores foram presos, templos foram derrubados e multiplicaram-se as denúncias de torturas e violências contra os cristãos em todo o país. Traduzido em números, calcula-se que a perseguição religiosa na China cresceu 700% na última década.

Segundo foi informado no mês passado, o Partido Comunista pretende manter Xi no poder até 2022, quando termina seu segundo mandato.

Fonte: Gospel Prime

Na Coreia do Norte, um país onde “não há crentes”, apesar de um artigo na Constituição garantir a liberdade religiosa, nosso correspondente especial* conseguiu ir à Igreja de Changchung em Pyongyang. A Igreja não tem padre, bispo nem batismo.

A Toyota 4×4 entra no pátio e surge a igreja, sóbria, branca e marrom escuro. A fachada tem uma pequena roseta e uma janela retangular com uma cruz em cima. Dois funcionários aguardam, em clássicos ternos escuros.

No dia anterior, em resposta ao meu pedido, meu guia e acompanhante, Pal, havia ligado para seu assistente para organizar a visita à Igreja Católica de Changchung, na Coreia do Norte, localizada no coração de Pyongyang e construída em 1988.

Eu já tinha visitado dezenas de igrejas na China nos últimos anos, mas foi a primeira vez que vi uma Igreja Católica na Coreia do Norte. Pal confessou que também nunca tinha visitado uma Igreja Católica antes.

Após rápidas saudações, Kim Chol-Un, presidente da Associação dos Católicos na Coreia, apresentou-se, repetindo seu nome cristão: “Francisco, como o Papa.” O Vice-Presidente da Associação, Cha Julio, que é mais novo, abre a porta da igreja. “Por favor”, diz ele, convidando-nos.

Janelas amplas e sem pintura deixam a claridade entrar, iluminando a nave, os dois bancos de cerca de 12 lugares, o caminho da Cruz em ambos os lados e duas pinturas de Maria e José. O coro permanece na sombra, iluminado pela vela do Santíssimo Sacramento, perto do Tabernáculo.

Aqui, “150 a 200 pessoas vêm todo domingo pela manhã para rezar por 40 minutos”, diz Francisco.

“Temos uma cerimônia ritual aos domingos. Por outro lado, ninguém vem durante a semana. O senhor deveria vir no domingo, para conhecê-los”, acrescenta.

Kim Chol-Un explica que ele “preside” a oração. Mas quem são os fiéis?

“São os descendentes distantes dos católicos, e todos têm mais de 60 anos”, diz.

Eles se identificam como católicos?

“Sim, os nossos antepassados nos deixaram o conhecimento como legado”, responde Cha Julio, em inglês perfeito.

“Claro, somos católicos por nossos bisavós, e Pedro havia batizado nossos antepassados”, explica.

“Não há nenhum sacerdote aqui”, reconhece Francisco. “Nós somos autônomos e independentes. Mas os frequentadores foram batizados, caso contrário não poderiam vir”, diz ele.

Batizados por quem?

“Eles batizaram-se uns aos outros desde o início com Pedro”, diz Francisco.

Segundo ele, o Sacramento do batismo, portanto, foi transmitido naturalmente de geração em geração.

Mas como se explica a construção da única Igreja Católica do país, em 1988?

“Nosso líder, Kim Il-Sung, nos libertou do colonialismo japonês. Depois, em 1950, a guerra da Coreia destruiu todas as igrejas e os crentes espalharam-se praticamente por todo o lado”, explica Kim Chol-Un.

Ele não menciona que depois de tomar o poder em 1948, com apoio russo, o movimento de Kim Il-Sung foi de erradicar as religiões.

“Todas as igrejas foram destruídas. Cristãos, católicos e protestantes foram mortos ou enviados para campos”, diz um missionário ocidental que mora há décadas na Coreia do Sul e visitou muitas vezes a Igreja de Changchung.

“Na época, Pyongyang era chamada de Jerusalém do leste. Milhares de católicos moravam aqui. Porém, a cidade foi esvaziada de toda religiosidade. Os poucos missionários estrangeiros, os Maryknolls, foram expulsos e os católicos coreanos foram eliminados”, disse o missionário.

No início da guerra da Coreia, quando as tropas do Norte tomaram Seul em menos de dois dias, dezenas de padres, freiras e outros católicos foram feitos reféns e enviados para o norte, no que ficou conhecido como a “Marcha da Morte”.

“Havia também soldados estadunidenses no grupo, mas a maior parte deles morreu antes de chegar à fronteira com a China, onde foram libertados. Um padre das Missões de Paris sobreviveu, bem como uma freira carmelita francesa e uma irmã de São Paulo de Chartres”, diz o missionário.

Neste contexto histórico desprovido de misericórdia, não é fácil saber se os poucos “Católicos” que são hoje visíveis em Pyongyang foram escolhidos por sua filiação religiosa, mas é difícil acreditar nisso. O padre da Coreia do Sul considera-os “cidadãos escolhidos para realizar essa tarefa aos domingos e para mostrar ao mundo que existe liberdade de religião na Coreia do Norte. São funcionários públicos.”

Francisco, por sua vez, explica que foram eles que expressam o “desejo ardente” de ver uma igreja construída em 1988.

“Quando o governo foi notificado, o Presidente Kim Il-Sung doou terrenos, materiais e dinheiro para a construção”, afirmou.

Segundo Francisco, há 800 crentes em Pyongyang e 3.000 espalhados por toda a Coreia do Norte.

“Mesmo não tendo um padre, eles podem orar de forma independente, em pequenos grupos, em casa”, acrescenta.

Estas figuras circulam no exterior, sempre iguais, mas é impossível verificá-las.

Já as igrejas protestantes sul-coreanas, que são muito anticomunistas, defendem a ideia de uma presença cristã que é clandestina ou reprimida pelo regime.

“Talvez alguns foram batizados em Pequim”, diz o nosso missionário do Sul.

“Não sei. Eu mesmo pude celebrar [a missa] muitas vezes, mas nunca dei a comunhão. Não é possível se não for batizado. Além disso, eles se escondem de nós e não podemos falar com eles”, disse.

Ainda que não seja sacerdote nem diácono, Francisco, que é casado e tem dois filhos, nos garante que lidera os serviços de comunhão com Hóstias consagradas por bispos ou padres sul-coreanos que têm vindo em delegações oficiais com frequência nos últimos anos.

“Um padre estadunidense também vem celebrar a missa, às vezes”, comenta.

“Ele e os sul-coreanos deixam um pouco para nós às vezes, mas não temos mais”, explica.

Ao convidar-nos para entrar na sacristia, Kin Chol-Un orgulhosamente mostra uma foto do Papa João Paulo II recebendo um casal de norte-coreanos em Roma, na década de 80. Um pouco acima, há uma bela foto de um sorridente Papa Francisco, ao lado de uma imagem da Virgem Maria com os olhos puxados, doada por sacerdotes sul-coreanos.

Oficialmente, o Bispo da diocese de Pyongyang é o Arcebispo de Seul. Não há nenhum sacerdote em Pyongyang. Não há sinal ou testemunho de que uma “igreja subterrânea” possa ter sobrevivido às expulsões de 1948. Não há relações diplomáticas entre o Vaticano e a Coreia do Norte, nem qualquer diálogo como o que existe entre Roma e Pequim, onde a situação da Igreja também não é simples.

Francisco orgulhosamente exibe uma magnífica Bíblia (Antigo e Novo Testamento), “traduzida por pesquisadores da Universidade King Il-Sung”. Ele diz que há outra, traduzida pelos sul-coreanos, e outra em latim.

Como esses “crentes” ensinam o catecismo aos seus filhos?

“Não há nada para ensinar, e os jovens não gostam de vir no domingo, mas mantemos nossa igreja viva”, responde.

O fim do dia vem surgindo, lentamente. A visita chega ao fim, mas antes de sair, Francisco tira uma “caixa de coleta” para boas obras, na qual pode-se depositar alguns euros. Kim Chol-Un e Cha Julio fizeram seu trabalho.

Pal nem espera o carro arrancar e já começa a me bombardear com perguntas sobre o Papa, os cardeais, a Cúria Romana, os bispos, os sacerdotes, o batismo, a Bíblia, o catecismo, os sacramentos, os rituais, as regras e a legitimidade ou legalidade do funcionamento da Igreja de Pyongyang.

O jantar é uma longa discussão sobre a Igreja Católica universal, sua história milenar e como ela funciona. Nossas conversas continuam noite adentro…

A reportagem é de Dorian Malovic, publicada por La Croix International.

O Tribunal Constitucional Federal alemão decidiu nesta quarta-feira (08/11) que pessoas podem ser registradas como intersexuais ou ter a definição de gênero omitida em suas certidões de nascimento.

Pessoas intersexuais são aquelas que têm alguma variação de caracteres sexuais, o que dificulta a identificação do gênero masculino ou feminino após o nascimento. Essa variação pode estar ligada aos cromossomos sexuais, à presença de órgãos sexuais de ambos os sexos ou a hormônios sexuais femininos e masculinos.

A corte em Karlsruhe considerou que o direto geral de proteção à personalidade, previsto na Constituição alemã, também prevê a proteção à identidade de gênero. Por sete votos a um, os juízes estabeleceram que uma nova legislação deve ser criada até o final de 2018 para permitir “designações positivas de gênero” como “intersexual” ou “diverso”.

“A definição de gênero é de suma importância para a identidade individual, tendo papel fundamental na imagem própria de uma pessoa e na forma como essa pessoa é vista pelos outros”, diz a decisão dos juízes. “Dessa forma, a identidade de gênero das pessoas que não são masculinas nem femininas está protegida.”

Pioneirismo na Europa

Com a criação da nova legislação, a Alemanha deve se tornar o primeiro país europeu a permitir o registro de pessoas do terceiro gênero na certidão de nascimento. Desde 2013, os alemães podem optar por deixar em branco a lacuna referente ao gênero nesses documentos, mas para defensores dos direitos do terceiro gênero essa medida ainda não era suficiente.

O caso chegou à Justiça alemã quando uma pessoa pediu para mudar sua descrição de gênero para “inter” ou “diverso” em seu registro de nascimento, onde constava que era do sexo feminino. O caso fracassou em diversas instâncias até chegar ao Tribunal Constitucional.

Estima-se que 80 mil pessoas na Alemanha se considerem intersexuais, não se enquadrando nas características masculinas ou femininas. Algumas possuem ao mesmo tempo testículos e ovários, enquanto outras não produzem os hormônios que determinam características binárias de gênero.

Os juízes em Kalrsruhe ouviram 16 associações e organizações associadas ao tema. Entre os favoráveis ao terceiro gênero estavam o Instituto Alemão para os Direitos Humanos, a Sociedade Alemã para a Pesquisa Sexual e a Sociedade Alemã de Psicologia. Contra a decisão do tribunal estavam o Comitê Central dos Católicos Alemães e a Associação Federal de Cartórios de Registro.

A ministra alemã da Família, Katarina Barley, comemorou a decisão do tribunal e pediu que o novo governo federal avance nessa questão tão logo a nova coalizão governamental seja formada. “Apelo expressamente por uma ampla reforma das leis sobre transgêneros e intersexuais, seguindo as diretrizes do Conselho Europeu”, afirmou.

Entre os países que já aprovaram os registros oficiais de pessoas do terceiro gênero estão Nova Zelândia, Austrália, Nepal e Índia.