O respeito é aquela atitude fundamental que, por assim dizer, se pode apontar como mãe de toda a vida moral, porque é ela que, antes de mais nada, permite abeirar-se do mundo e abrir os olhos para os valores que encerra.

Os valores éticos são o que há de mais elevado entre todos os valores naturais. Acima da genialidade, da sensatez, da vida próspera, acima da formosura da natureza e da arte, acima da estrutura perfeita e da força de um Estado, estão a bondade, a pureza, a veracidade e a humildade do homem. Um ato de autêntico perdão, uma renúncia magnânima, um amor ardentemente abnegado encerram um significado e magnitude, uma transcendência e perenidade muito maiores do que todos os valores da nossa civilização. Os valores éticos são o âmago do mundo; a sua negação, o pior dos males: pior do que o sofrimento, a doença, a morte, pior do que a ruína das culturas mais florescentes.

Assim o reconheceram já todos os grandes espíritos, um Sócrates e um Platão, insistindo sempre em que é melhor sofrer uma injustiça do que cometê-la. Mas é sobretudo no cristianismo que esta preferência pelos valores éticos toma o lugar de uma concepção fundamental.

Os valores morais são sempre valores da pessoa. Inerentes unicamente ao homem, só no homem se podem realizar. Uma coisa material, digamos uma pedra, uma casa, não pode ser moralmente boa ou má; nem pode sê-lo um ser vivo, como, por exemplo, uma árvore ou um cão. De modo semelhante, as invenções, as obras do espírito humano – os livros científicos, as obras de arte – também não podem ser sujeitos de valores morais: não lhes é dado serem leais, humildes, cordiais. Podem, quando muito, como sedimento do espírito humano, refletir indiretamente esses valores.

Só o homem, como ser livre, no uso da sua responsabilidade, pode ser moralmente bom ou mau na sua ação e nos seus negócios, no seu querer e no seu esforço, no seu amor e ódio, na sua alegria e tristeza, e nas suas atitudes fundamentais duradouras. Eis por que o ser do próprio homem, a personalidade penetrada de valores éticos – o homem humilde, puro, veraz, fiel, justo, dedicado – é mais transcendente do que a criação de bens culturais.

Mas de que modo chega o homem a participar desses valores morais? Acaso se formam por si sós, como a beleza do semblante, como a inteligência de que foi dotado, como um temperamento vivo? Não: têm origem em atitudes livres e conscientes; exigem uma colaboração essencial. A sua presença depende de uma dedicação consciente e livre. E quanto mais o homem se abrir aos valores éticos, quanto mais pura e incondicionalmente se dedicar a eles, tanto mais rico será também ele próprio em valores morais.

Um homem é incapaz de ser moralmente bom se estiver cego para o valor moral das outras pessoas, se não distinguir o valor inerente à verdade do não-valor inerente ao erro, se não entender o valor que há numa vida humana ou o não-valor de uma injustiça. Se alguém se interessa apenas por saber se determinada coisa o satisfaz ou não, se lhe é agradável, em vez de se interrogar sobre o seu significado, a sua beleza, a sua bondade, ou sobre o que vem a ser em si mesma; numa palavra, se não se interessa por saber se essa coisa é valiosa, é-lhe impossível ser moralmente bom.

A alma de todo o comportamento eticamente bom reside na dedicação àquilo que objetivamente é valioso, no interesse por uma ação na medida em que esta encerra valores morais. Suponhamos dois homens que testemunham uma injustiça sofrida por um terceiro. Um, interessado apenas na sua satisfação pessoal, não se importa nada com o ocorrido, dizendo de si para si: antes ele do que eu. O outro, em contrapartida, prefere sofrer pessoalmente a injustiça a ver o terceiro padecê-la. Este é que tem um comportamento moralmente bom; aquele, um comportamento imoral, porquanto passa indiferente pela questão dos valores.

Fazer ou deixar de fazer o que é agradável, mas indiferente do ponto de vista dos valores, isso fica à discrição de cada um; se uma pessoa come ou não um prato saboroso, isso é lá com ela. O que é valioso, porém, exige de nós uma resposta afirmativa, assim como o não-valioso nos exige uma recusa.

Aqui já não se pode adotar um comportamento qualquer; impõe-se dar a resposta correta. Ajudar alguém que passa necessidade não é uma questão de gosto; quem não o faz torna-se culpado de ignorar o valor objetivo da ajuda. Só o homem que entende que há coisas belas e boas em si mesmas é que capta a exigência sublime dos valores, o seu apelo a deixar-se guiar por eles e a submeter-se à sua lei. Só esse homem é capaz de ultrapassar o seu horizonte subjetivo e de crescer moralmente, entregando-se ao que é significativo e vencendo a limitação de sempre perguntara si próprio o que é que o satisfaz. Só esse homem pode tornar-se propriamente portador de valores éticos.

Ora, isso só se verifica no homem respeitador. O respeito é aquela atitude fundamental que, por assim dizer, se pode apontar como mãe de toda a vida moral, porque é ela que, antes de mais nada, permite abeirar-se do mundo e abrir os olhos para os valores que encerra. Por isso, quando se fala sobre as atitudes éticas fundamentais, isto é, sobre atitudes que fundamentam toda a vida moral, temos de falar em primeiro lugar do respeito.

O homem desrespeitoso, atrevido, é incapaz de toda e qualquer dedicação e subordinação. Ora se torna escravo da soberba, daquela contração do eu que o encerra em si mesmo e o mergulha em cegueira, levando-o a perguntar constantemente: Terá subido de ponto o meu prestígio, terá aumentado o meu poder?; ora se faz escravo da avidez com que reduz o mundo inteiro a uma mera ocasião de prazer. Por isso não consegue criar no seu íntimo aquele silêncio, aquela atitude receptiva que permite compreender o que há de peculiar e valioso em cada situação e em cada homem. Trata tudo com a impertinência e a indelicadeza de quem só repara em si mesmo e só se escuta a si mesmo, sem cuidar do mais que existe. Não sabe manter distância alguma em relação ao mundo.

Esta falta de respeito apresenta duas modalidades, conforme se baseie na soberba ou na avidez. A primeira, a falta de respeito que procede da soberba, é a insolência. O homem deste tipo, com uma sobranceria petulante, abeira-se de tudo sem se dar ao incômodo de entender a fundo coisa alguma. É o sabichão enfadonho que, sem mais, tudo julga descobrir e conhecer de antemão. É o homem para quem nada pode haver de superior a si mesmo, nada que ultrapasse o seu horizonte ou encerre algum segredo. É o homem a quem Shakespeare, no seu Hamlet, avisa que há mais coisas entre céu e terra do que sonha a vossa filosofia. É o homem ignorante, obtuso, do gênero daquele Wagner, fâmulo do Fausto, todo satisfeito por ver quanto progrediu.

Um homem destes não sabe nada da amplidão e da profundeza do mundo, do sentido misterioso e da plenitude incomensurável do belo e do bom, de que nos falam cada raio de sol e cada planta, e que se desvendam no sorriso inocente de uma criança e nas lágrimas de arrependimento do pecador. Para o seu olhar estreito, arrogante, o mundo achatou-se, tornou-se unidimensional, insípido, insignificante. Está cego para os valores e para o mundo. Passa por eles ignorando-os.

A outra modalidade de falta de respeito, a do ávido embotado, é igualmente cega para os valores. Só lhe interessa saber se uma coisa lhe é ou não agradável, se lhe dá prazer, se lhe traz alguma utilidade, se precisa dela. Em tudo se limita a ver o aspecto que se prende com o seu interesse ocasional, imediato. Tudo quanto há se cifra para ele num meio de atingir os seus fins egoístas. Gira eternamente no círculo da sua estreiteza, sem dele sair jamais. Daí o não conhecer também a felicidade profunda e verdadeira que só brota da dedicação a valores puros, do contato com aquilo que em si é belo e bom.

Não se dirige com insolência a tudo o que existe, como o primeiro tipo, mas é como ele falto de abertura e de distância; porque, como apenas procura o que num dado momento lhe é útil e necessário, tudo passa por alto. Não logra jamais o silêncio interior, não consegue abrir-se, não se deixa presentear. Também ele vive num eu espasmodicamente contraído. O seu olhar resvala em tudo estupidamente, sem penetrar no verdadeiro sentido e valor de qualquer assunto. É também míope, e põe-se tão perto de tudo, que lhe escapa o conhecimento da verdadeira essência das coisas; deste modo, não concede a nada do que existe o espaço necessário para que se desenvolva na sua peculiaridade e plenitude, e o mundo fecha-lhe por seu turno a sua amplitude, profundeza e altura.

Quem é respeitador encara o mundo de uma maneira inteiramente diferente. Descontraído, sem espasmos, livre da soberba e da avidez, longe de encher o mundo com o seu eu, cede ao que existe a sua vez, para deixá-lo desenvolver-se na sua peculiaridade. Percebe a dignidade e a nobreza do que existe, simplesmente por existir em face do nada; percebe o valor que possui cada pedra, cada fio de água, cada talo de erva, enquanto é real, enquanto é criação que possui o seu ser próprio; percebe que cada coisa é o que é, que é algo independente da pessoa do observador e subtraído ao seu arbítrio, ao contrário de qualquer simples quimera ou aparência.

Eis por que, em vez de fazer da criação um simples meio para si e para os seus eventuais objetivos e fins egoístas, toma-a a sério em si mesma, dando-lhe a vez de se mostrar na sua peculiaridade. Cala-se para deixar falar o existente.

Esta atitude de abertura ao existente como tal, embebida da disposição de apreciar algo de mais elevado que o próprio arbítrio e prazer, faz do homem um vidente de valores. A quem se há de abrir a sublime beleza de um pôr-do-sol ou de uma Nona Sinfonia de Beethoven, a quem senão àquele que respeitosamente se abeira dela, abrindo-se interiormente ao respectivo ser que nela existe? Para quem há de reluzir o milagre que palpita na vida e desabrocha em qualquer planta, para quem senão para aquele que a contempla cheio de respeito? Em contrapartida, o mundo, cheio de sentido e de finalidades organizadas, nunca se desvenda na sua beleza e misteriosa dignidade a quem se limita a ver nele gêneros alimentícios ou um ganha-pão, isto é, qualquer coisa de que se pode servir e que lhe aproveita.

O respeito é o pressuposto imprescindível de todo o conhecimento profundo, e sobretudo de todo o deixar-se enriquecer e elevar pelos valores, de toda a subordinação à sua majestade. Assim no-lo pode confirmar o comportamento moral nas mais diversas esferas da vida.

Com efeito, a atitude fundamental de respeito está na base de todo o gênero de comportamentos éticos do homem para com o seu próximo e para consigo.

Só o indivíduo respeitador pode descobrir toda a magnitude e profundidade de cada homem enquanto pessoa espiritual, enquanto ser livre e responsável, o único entre os seres conhecidos que é capaz de compreender e comunicar-se com os outros seres, adotando perante as coisas uma posição cheia de sentido; o único destinado a tornar-se um recipiente de bondade, pureza, fidelidade, humildade. Como há de alguém abrir-se realmente a um outro, como há de sacrificar-se por ele, se não faz ideia da preciosidade e da abundância que se encerram numa alma humana, se não tem nenhum respeito por essa criação?

Além disso, esta atitude fundamental de respeito é pressuposto de todo o verdadeiro amor, sobretudo do amor ao próximo, porque nenhum amor é possível sem a compreensão dos valores que a pessoa traz consigo. O respeito pelo ser amado é parte constitutiva de cada amor. A capacidade de escutar a peculiaridade do outro, em vez de violar essa peculiaridade ao sabor dos próprios desejos, a capacidade de tomar a sério o ser amado e de lhe dar largas para que se possa expandir – todos estes elementos, que compõem a estrutura do amor autêntico, derivam do respeito.

Que seria do amor de mãe sem o respeito pela criança em formação, por todas as possibilidades de valor nela latentes, peias preciosidades da sua alma? E não é nesta atitude fundamental de respeito que repousa a justiça para com os demais, a estima pelos seus direitos, pela liberdade das suas resoluções, bem como a limitação dos caprichos próprios e a compreensão das pretensões alheias? O respeito pelo vizinho é por sua vez o fundamento de toda a verdadeira convivência, da reta incorporação no matrimonio, na família, na nação, no Estado, na humanidade; é ainda o fundamento da submissão à autoridade legítima, do cumprimento dos deveres morais para com a comunidade como um todo e para com os membros individuais que a compõem. A falta de respeito rompe e corrompe a comunidade.

Mas o respeito é também a alma do reto comportamento ético noutras esferas da vida. É o que sucede, por exemplo, na esfera da pureza. O respeito pelo segredo da união conjugal, pela profundidade, delicadeza e caráter rotundamente definitivo dessa intimíssima entrega, constitui o pressuposto da pureza. É o respeito que, antes de mais, permite compreender como é pavoroso invadir abusivamente esse campo íntimo, compreender até que ponto há nessa invasão uma profanação e uma degradação de si mesmo e dos outros. O respeito pelo milagre da origem da nova vida, na mais estreita união amorosa entre dois seres humanos, fundamenta o horror a todas as demolições da misteriosa conexão que existe entre o amor e a formação de um novo homem, permitindo compreender quanto elas são injuriosas, artificiais ou impertinentes.

Onde quer que se ponham os olhos, onde quer que no homem deva florescer a vida moral, o respeito é sempre o fundamento e simultaneamente um elemento essencial dessa vida.

Sem essa atitude fundamental, não há nenhum amor verdadeiro, nenhuma justiça, nenhuma consideração, nenhuma auto-educação, nenhuma pureza, nenhuma veracidade; mas, sobretudo, nenhuma profundidade.

Sem o respeito, o homem torna-se mesmo trivial e fútil, porque não entende a profundidade que se esconde nos seres, porque para ele não há mundo algum por trás ou acima do visivelmente palpável.

Por isso, também só para o homem respeitador se abre a esfera da religião. O sentido e o valor que se encerram no mundo como um todo, só aos seus olhos se revelam. Assim, o respeito surge como atitude ética fundamental, no início de todo o conhecimento, de toda a vida moral, de toda a religião. O respeito é, portanto, a base de todo o comportamento reto do homem para consigo mesmo, para com o próximo, para com todas as esferas da criação e sobretudo para com Deus.

Fonte: Atitudes éticas fundamentais, Editora Quadrante. São Paulo, 1995, 3-12.

Depois de 50 anos, as comunidades cristãs em Mianmar – católicas e protestantes – puderam celebrar publicamente o Natal pelas ruas de Yangun.

Como constatado pela Agência Fides, enquanto no passado a celebração ficava restrita às igrejas, de 23 a 25 de dezembro deste ano foram celebradas diversas liturgias e realizadas festas, caminhadas luminosas e procissões pela cidade, tudo com a expressa autorização do governo.

As comemorações pelo nascimento de Jesus tiveram início no dia 23 na Igreja metodista da Santíssima Trindade e concluíram-se em 25 de dezembro com uma solene liturgia na Catedral católica Santa Maria, em Yangun, na presença do vice-presidente da União da República de Mianmar, Henry Van Yhio.

O bispo auxiliar da Arquidiocese de Yangun, Dom John Saw Yaw Han, falou sobre a felicidade dos cristãos birmaneses, ao mesmo tempo em que encorajou todos os cidadãos “a contribuírem de todas as formas possíveis para a paz e a prosperidade da nação”.

O especial “Festival de Natal” foi realizado com o consenso de Phyo Min Thein, Primeiro Ministro do governo regional de Yangun, e de Mg Mg Spoe, prefeito de Yangun, com a explícita intenção de “honrar a visita do Papa Francisco a Mianmar realizada em novembro de 2017 e para demonstrar solidariedade aos cristãos de Mianmar e do mundo”.

Segundo padre George Mg Mg, a permissão para realizar estas celebrações são o sinal do aumento da liberdade religiosa em Mianmar.

Naw Nilar San, da Igreja Batista, recordou que “em 50 anos nunca havia vivido este tipo de festa de Natal. Muitos cantores cristãos puderam entoar hinos de Natal. E os cristãos ofereceram alimento e bebidas à população de Yangun, sem nenhuma discriminação, levando a todos felicitações e votos de paz. E muitos uniram-se aos festejos”.

“Este ano foi muito significativo na história da ex-Birmânia, porque aos cristãos foi permitido celebrar o Natal com a população, publicamente, pelas ruas. Este Festival de Natal teve o objetivo de promover a coesão social, a compreensão inter-religiosa e a amizade entre os cidadãos”, declarou à Agência Fides padre Thet Tin, pároco local.

Já o leigo católico Toe Toe recorda que “Natal significa mostrar e dar o amor de Cristo à humanidade”.

Thant Shwe, cidadão budista, declarou à Fides ter “apreciado o Festival” acompanhado de sua esposa, “sublinhando que o Natal é uma festa que tem valor para todos os homens e não somente para os cristãos”.

O Festival de Natal da cidade de Yangun – observam os cristãos birmaneses – será recordado como o maior encontro ecumênico e inter-religioso, especialmente com a população budista, na história de Mianmar.

Phyo Min Thein, Primeiro Ministro do governo regional de Yangun, prometeu à população que o Festival de Natal terá continuidade nos próximos anos.

Vatican News

A rede televisiva norte-americana ABC apresentou uma breve matéria com imagens do Instituto italiano Luce – Cinecittà, captadas na década de 1930.

As cenas mostram a dificuldade e os perigos que eram encarados pelos “sanpietrini”, trabalhadores e artesãos quase “acróbatas” que, por devoção, preparavam a iluminação exterior da Basílica de São Pedro, no Vaticano, para o Natal. Eram acesas cerca de 900 tochas e 5000 lanternas!

O resultado? Um espetáculo de luz e acolhimento!

Confira as imagens no seguinte vídeo, postado no YouTube pelo blog Senza Pagare

O conceito de “gênero” foi usado pela primeira vez no fim dos anos 60 pelo dr. John Money, psicólogo neozelandês e professor da John Hopkins University, de Baltimore, que manteve o termo restrito à área da psicologia. O dr. Money sustentou que a percepção que as pessoas têm de sua própria sexualidade, a qual denominou “identidade de gênero”, dependeria simplesmente da educação recebida e poderia ser diferente do sexo. Essa teoria veio abaixo quando o dr. Money usou como cobaia dois gêmeos canadenses, um deles educado como menina e o outro, como menino. O gêmeo criado como menina passou a vida sentindo-se diferente e não se encaixava neste papel. O fim da história? O suicídio (o documentário ‘Dr. Money e o menino sem pênis ‘conta essa história na íntegra).

Sequencialmente, entre os anos 60 e 80, o termo ganhou contornos de agenda política de grupos de estudos feministas, patrocinados por grandes fundações, nas maiores universidades americanas. Destacam-se duas autoras deste período, ambas apontando que, para a revolução ser completa, era necessário “abolir a família”. Kate Millet (no livro The Sexual Politics) expõe que seria por meio de uma sexualidade “polimorficamente perversa”. E Shulamith Firestone, em seu livro The Dialectic of Sex, que avança mais no pensamento revolucionário, afirma que “as mulheres e as crianças deveriam ser libertadas para usar sua sexualidade como quiserem” e complementa: “Devemos incluir a opressão das crianças em qualquer programa feminista revolucionário (…) Nossa etapa final deve ser a eliminação das próprias condições da feminilidade e da infância. O tabu do incesto hoje é necessário somente para preservar a família; então, se nós nos desfizermos da família, iremos de fato desfazer-nos das repressões que moldam a sexualidade em formas específicas”. Essa retórica foi baseada no pensamento de Friedrich Engels e Karl Marx, no livro A Origem da Família, a Propriedade Privada e o Estado, que define a família “patriarcal” como a primeira de todas as opressões de classe.

Não há nenhuma base cientifica que sustente as hipóteses dos ideólogos de gênero

A partir dos anos 90 surge a maior expoente desta ideologia: Judith Butler, professora do Departamento de Retórica e Literatura Comparada da Universidade da Califórnia em Berkeley. No seu livro Gender Trouble – Feminism and the Subversion of Identity, ela apresenta as ferramentas para a abolição da família através da desconstrução da heteronormatividade, como podemos ver: “Faremos [no terceiro e último capítulo do livro] um esforço para subverter as noções naturalizadas do gênero que dão suporte à hegemonia masculina e ao poder heterossexual, para criar problemas de gênero por meio da confusão subversiva daquelas categorias que buscam manter o gênero como ilusões fundadoras da identidade”.

Portanto, pode-se concluir por que esse ideário é chamado “ideologia de gênero”: trata-se de um conceito unicamente formado por retórica, agindo por meio de convencimento e persuasão, alienando a consciência humana. A afirmação dos ideólogos de gênero é de que nascemos neutros, sem sexo definido; que os órgãos sexuais, os hormônios e os cromossomos não dizem nada sobre a identidade do individuo.

Associações científicas têm se pronunciado sobre o tema.

Conforme declaração do American College of Pediatricians de março de 2016, a sexualidade humana é uma característica biológica binária objetiva: XY (homem) e XX (mulher) são marcadores genéticos saudáveis – e não marcadores genéticos de uma desordem. A norma da concepção humana é ser masculino ou feminino. A sexualidade humana é planejadamente binária, com o propósito óbvio da reprodução e da prosperidade da nossa espécie. Esse princípio é autoevidente. E continua, dizendo que ninguém nasce com um gênero. Todos nascem com um sexo biológico. E ainda faz uma advertência: ”Condicionar as crianças a acreditar que uma vida inteira de personificação química e cirúrgica do sexo oposto é normal e saudável é abuso infantil. Apoiar a discordância de gênero como normal através da educação pública e de políticas legais confundirá as crianças e os pais, levando mais crianças a procurar ‘clínicas de gênero’, onde tomarão drogas bloqueadoras da puberdade. Por sua vez, isso garantirá que elas ‘escolherão’ uma vida toda de hormônios cancerígenos e tóxicos e provavelmente considerarão passar por uma mutilação cirúrgica desnecessária de partes saudáveis do seu corpo ao chegar à vida adulta”.

Recentemente, no Brasil, a AMD, associação de médicos que estudam questões de diversidade, entre eles o gênero, sustentou a declaração da American College of Pediatricians e completou, advertindo que não há nenhuma base cientifica que sustente as hipóteses dos ideólogos de gênero e que, portanto, não se justifica aplicá-la na educação; isso seria fazer de nossas escolas laboratórios e de nossas crianças, cobaias.

Mas por que tanta pressão em aprovar e implementar na legislação nacional uma ideologia que comprovadamente não tem fundamentação cientifica?

Para responder a esta pergunta, é necessário resgatar o Plano Nacional de Direitos Humanos (PNDH3) da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, no seu Decreto 7.037, de 21 de dezembro de 2009, em que se proclama o “Objetivo Estratégico V” (pagina 98, item d): “Reconhecer e incluir nos sistemas de informação do serviço público todas as configurações familiares constituídas por lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT), com base na desconstrução da heteronormatividade”.

O projeto – por enquanto, frustrado – era implementar a ideologia de gênero no sistema educacional brasileiro através da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que será homologada e terá vigor no próximo ano em todas as escolas do país, públicas e privadas. Assim foi feito em vários países, nos quais observamos um alarmante número de crianças confusas sobre o próprio sexo – um exemplo é a Inglaterra, que nos últimos cinco anos registrou aumento em 1.000% do número de crianças que se submetem a tratamento transgênero. Porque é isso que a ideologia de gênero faz: desconstrói a identidade humana por onde passa.

João Luiz Agner Regiani é advogado.

A cidade de Langon, no Estado de Gironde, como quase toda a França usa um padrão duplo nas questões religiosas. Ao mesmo tempo que permite orações muçulmanas nas ruas às sextas-feiras, fechando ruas e desviando o trânsito para garantir a “liberdade” de seus cidadãos, usa o argumento de Estado laico toda vez que a questão envolve o cristianismo.

Uma animação norte-americana sobre o Natal, chamada “A Estrela do Natal” em francês (por aqui é A Estrela de Belém) foi proibida de ser apresentada para alunos das escolas públicas de Langon. O argumento é que ela era “cristã demais”.

O longa conta a história do nascimento de Jesus pela ótica dos animais que estariam envolvidos na jornada da Sagrada Família até Belém. Mais de 80 alunos de uma escola municipal assistiam ao filme no cinema Le Rio, quando alguns professores pediram que a exibição fosse interrompida, mesmo estando perto do fim.

Ao perceberam diversas menções ao nome de Jesus Cristo, disseram que os alunos não deveriam vê-lo. As crianças foram obrigadas a voltar para casa sem saber o final do filme.

O argumento de alguns professores é que a sinopse e o cartaz do filme não deixavam claro sobre o que era a trama. O material em português diz: “Um pequeno, porém bravo, asno chamado Bo, anseia por uma vida melhor. Um dia ele encontra a coragem de se libertar, e junto de seus novos amigos começa uma jornada. Agora eles seguem uma estrela e acabam se tornando heróis acidentais na maior história já contada”.

O caso chamou atenção da imprensa de toda e Europa, pois é mais um exemplo claro do que vem sendo chamado com frequência cada vez maior de “Cristofobia”.

Esse “secularismo unilateral” da França vem ganhando as manchetes dos jornais após o Tribunal Administrativo, maior instância judicial da França ter ordenado no mês passado que seja removida uma cruz que ornamentava a estátua do papa João Paulo II na cidade de Ploërmel.

O mesmo tribunal ordenou a remoção de um presépio montado em frente à prefeitura da cidade de Béziers no início de dezembro. O argumento é sempre o mesmo, religião não tem lugar em espaços do governo e a religião é uma questão privada, devendo ser mantida dentro dos templos. 

Fonte Le Figaro

Via G Prime

Veja o trailler

O socialismo é uma doutrina segundo a qual toda e qualquer transcendência deve ser refutada imediatamente como ideológica. A única realidade seria o dado sensorial imediato. Toda e qualquer interpretação deste, o que inclui a filosofia inteirinha, é por seus sustentadores considerada como ideologia opressora, autoritária e silenciadora.

Como, porém, alguém chega à afirmação grotesca de que Jesus Cristo teria sido socialista?

A distorção cognitiva é tão grande que requer a análise de cada termo do julgamento.

O termo “socialista”, aqui, é esvaziado de seu significado real, filosófico e histórico, e forjado retoricamente a partir de ideias difusas, genéricas, inconsistentes, imprecisas, composto pela revolução cultural gramsciana, que tomou os seus aspectos positivamente interpretáveis, quase de modo sentimentalista, para repropor o produto de modo propagandisticamente atraente. E deu certo durante um tempo!

Ninguém sabia bem o que era o socialismo, mas as pessoas acreditavam que era uma coisa boa, que nunca deu certo, embora ninguém saiba muito bem o porquê, muito menos os socialistas, e que todo mundo que era “do bem” devia ser socialista de algum modo…

Neste sentido, Paulo Freire soube traduzir o ideário socialista num discurso tão sentimentalmente apelativo para a consciência cristã que, finalmente, conseguiu aquilo que a filosofia marxista de Karl Korsh pretendia: substituir a consciência do homem pela estrutura mesma do marxismo.

A falsificação, embora grosseira, precisava ir muito mais além, e recriar a própria imagem de Jesus Cristo. Em certo sentido, teria de dar-se a inversão completa do dado bíblico: agora teríamos que criar um Jesus Cristo à imagem e semelhança do “homem novo” socialista. Mas, como fazê-lo?

Havia um modo. Já nos finais do século XIX, a teologia protestante histórico-critica havia criado aquilo que, em lógica, se chama “falácia de falsa dicotomia”: o Cristo da fé versus o Jesus histórico. Aquele seria uma elaboração posterior da comunidade dos crentes, este seria o personagem real, com uma práxis histórica revolucionária.

Com um golpe de retórica, transformaram Cristo em mitologia e, obviamente, como o Jesus histórico seria em si mesmo inacessível, transformaram-no também num mito, num arquétipo que, apesar de inalcançável, seria, pelo menos, manipulável. A tese foi condenada por São Pio X, mas pouca gente deu importância.

A chamada “cristologia de baixo” se tornou o campo fértil para o desmonte do imaginário cristão. Apresentando-se um Jesus “humano demais” conseguiu-se interceptar nele um novo Cristo, desconhecido até então, um Cristo socialista.

Como, porém, esta série de desvios se tornou possível? Um sem-fim de forçações flagrantes, inadequadas, absurdas, que fizeram Cristo caber nos estreitíssimos limites materialistas do socialismo…

Não é possível substituir a fé por uma ideologia sem, antes, desligar a própria fé no coração do homem.

Se apresentassem este Cristo socialista para Agostinho, Tomás de Aquino, Teresa d’Ávila, Inácio de Loyola ou Francisco de Assis, eles desprezariam o simulacro como uma loucura, no máximo, digna de risos. Isso jamais os convenceria!

Por quê? Porque, evidentemente, eles sabiam quem era Cristo. A luz da fé, brilhando em suas almas, dava-lhes a percepção clara de Jesus Cristo vivo, uma Pessoa real, na qual não há dicotomia alguma. É o Verbo Eterno, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade encarnada, e pronto!

Num certo dia, quando Santa Teresa recebeu a primeira vez a graça da oração contemplativa, disse ao seu confessor: “eu vi Jesus Cristo”. Ele perguntou-lhe como era Cristo. Ela não soube explicar. O sacerdote replicou-lhe: “mas como você sabe que era Ele?”. Ela disse: “estou mais certa disso do que da luz do Sol que ora brilha sobre nós”.

Ela conheceu Cristo porque, pela graça, penetrou em outro nível ontológico, percebeu o ser divino como fonte do ser mesmo de todos os seres. Ela viu a Deus pela fé.

O mesmo disse Agostinho: “queres tocar em Cristo, crê que Ele é co-eterno com o Pai e o terás tocado”.

Jesus Cristo jamais poderia ser socialista, não apenas porque isso seria totalmente extemporâneo, mas porque aqui há uma contradição radical de princípios: o socialismo, por princípio, não é sequer uma filosofia, mas um arranjo de ideias usado por um grupo de pessoas que visa somente o poder e, por isso, afirma que nada, na realidade, é alguma coisa, tudo, absolutamente tudo, é apenas dado material-sensorial puro sem significado; ao contrário, Jesus Cristo é a Verdade mesma, o próprio Logos de que está impregnada totalmente a criação, o Ser no ato de ser de todos os seres.

Entre estes dois princípios não há alguma conveniência. Conjugá-los só é possível para quem não sabe direito o que é socialismo, desconhece completamente Jesus Cristo pela fé e está munido de uma retórica fatalmente fajuta.

Pe. Dr. José Eduardo de Oliveira e Silva,
Doutor em Teologia Moral pela PUSC (Roma)

Discussões sobre o ensino de ideologia de gênero estão mobilizando a sociedade e a política na Costa Rica. O anúncio pelo Ministério da Educação Pública (MEP) de disciplinas sobre Afetividade e Sexualidade Integral para jovens no décimo ano – equivalente ao início do Ensino Médio – gerou críticas da Igreja Católica e oposição pública de candidatos à presidência. 

“Sentimos o dever de orientar o discernimento dos católicos sobre a chamada ‘Ideologia de Gênero’ promovida por diferentes órgãos governamentais, incluindo o Ministério da Educação Pública através do seu ‘Programa de Estudos de Educação para a afetividade e a sexualidade integral’ com o objetivo de doutrinar nossos filhos e jovens nesta linha de pensamento”, afirmou a instituição religiosa em comunicado. 

Polêmica recorrente

A ideologia de gênero não é a primeira polêmica nas escolas da Costa Rica. Em 2013, o Ministério de Educação Pública (MEP) implementou um programa de educação sexual em escolas primárias e secundárias. De acordo com o então ministro da educação, Leonardo Garnier, o programa ministraria aulas de educação sexual e mencionariam o “prazer sexual”. 

Na ocasião, a Igreja Católica emitiu um pronunciamento em que anunciou oposição à medida do governo federal e classificou o programa como “gravemente danoso para os adolescentes” devido à “insistência na ideologia do gênero e na diversidade sexual como a construção cultural” que se trata “mais de propaganda que de educação”. 

“A educação de valores altos como a afetividade e a sexualidade não podem ser considerados neutros, e devem ser desvinculados das disciplinas tradicionais, como a matemática ou a geografia”, indica o pronunciamento. 

No começo deste mês, a Igreja Católica organizou uma marcha contra a o programa e contra a ideologia de gênero nas escolas. Segundo a instituição, a “II Marcha para a Vida e a Família” reuniu cerca de 600 mil pessoas no centro de San José. 

Controvérsia

O programa de Educação para Afetividade e Sexualidade Integral terá disciplinas ministradas para as turmas do décimo ano em 2018. O chamado “guia sexual” consistem em uma cartilha composta por sete eixos temáticos: relações interpessoais; cultura, poder e responsabilidade; prazer como fonte de bem-estar; gênero; identidade psicossexual; saúde reprodutiva; e direitos humanos. 

Um dos pontos controversos é o eixo de cultura, poder e responsabilidade, que cita a “importância que é dada às diferentes atividades em relação ao gênero”, em referência à ideologia de gênero. 

Na seção sobre gênero, estão presentes conceitos como “atribuição de gênero”, “identidade de gênero” e “papel de gênero”. No eixo temático de identidade psicossexual, “a abordagem é feita sobre orientação sexual, construção de vínculos heterossexuais, homossexuais e bissexuais”. Já a seção sobre prazer “é sobre identificar e conhecer a diferentes partes do corpo e suas zonas erógenas”. 

O Excelente jornal Gazeta do Povo

Uma ativista do grupo feminista Femen tentou arrancar a imagem do menino Jesus do presépio montado na Praça São Pedro, no Vaticano, hoje (25). Sem nada cobrindo o corpo da cintura para cima, ela invadiu o cenário de Natividade gritando “Deus é mulher”. Ela tinha essa mesma frase pintada em suas costas.

Acabou sendo impedida pela polícia quando já estava com a estátua em mãos. Segundo o Femen, tratava-se de um ato defendendo “o direito das mulheres ao próprio corpo”. As feministas ligadas ao grupo já fizeram diversos protestos contra a defesa da Santa Sé da proibição do aborto e da contracepção.

Em nota publicada em sua página oficial, as feministas acusam a religião cristã de ser “um forte ataque medieval à liberdade das mulheres e a seus direitos naturais”, insistindo que “uma criança não vem de um deus, mas de uma mulher”. 

A mulher que foi detida pela polícia é a ucraniana Alisa Vinogradova. Seu objetivo, segundo o Femen é “completar a vitória sobre o patriarcado”. Havia cerca de 50 mil pessoas na praça onde cerca de duas horas mais tarde o papa Francisco entregara sua tradicional mensagem de Natal, “Urbi et Orbi”.

Outra feminista do mesmo grupo já havia tentado roubar a imagem de Jesus do presépio do Vaticano, em 2014. Com informações das agências.

Imagine que, no dia de Natal, alguém lhe entrega um presente em uma embalagem linda. Você abre com curiosidade e expectativa, não há nada dentro. Essa deve ser a sensação de quem escuta “The Atheist Christmas Album”, [O Álbum de Natal dos Ateus]. O CD lançado este ano, contém regravações de 12 famosas canções natalinas onde as letras foram mudadas para retirar todas as menções a Deus, Jesus e passagens bíblicas.

A cantora inglesa Tylean Polley, que teve essa ideia, diz que cresceu amando o Natal e as festividades de final e ano. Ela sempre cantava as músicas associadas à data. Porém, quando passou a se declarar ateia, nunca mais se sentiu confortável em cantar músicas religiosas, embora continuasse admirando as melodias.

A cada ano, o mercado lança diferentes álbuns com músicas de Natal. Em 2017, é possível adquirir esse onde “Noite Feliz” só fala sobre família e outras canções religiosas se tornaram ‘seculares’.

Polley disse que teve a ideia quando ouvia um CD de Natal com próprio filho e tentava ignorar as faixas que mencionavam Jesus ou Natal como lembrança do seu nascimento. Decidiu então gravar seu próprio álbum de canções clássicas, mas reformular as letras. Ela acredita que a iniciativa poderá agradar a pessoas que tem a mesma dificuldade.

Em um debate promovido por uma rádio inglesa entre Tylean Polley e o evangelista Glen Scrivener, a militante ateísta disse que Natal é “Apenas uma celebração. Vamos beber e comer e desfrutar da companhia uns dos outros”.

Mas Glen rebateu, lembrando que “Esse espírito festivo é decorrente de uma notícia maravilhosa, que a luz brilhava no meio da escuridão. Portanto, há um sentido maior”.

No entanto, Tylean defende que os ateus podem falar sobre alegria no Natal, não referindo-se a uma luz que vem do além, mas “que vem de dentro”, e demostrarem amor. “Para nós, ateus, as festas [de Natal] são apenas uma oportunidade de mostrarmos o quanto amamos nossas famílias e amigos”.

No final, ela não quis dizer como estão as vendas do álbum, que está disponível em CD e em formato digital. Ele pode ser ouvido aqui. 

Fonte: Premier

NÃO IMPORTA A DISTÂNCIA QUE VOCÊ ESTEJA DE DEUS, POIS ELE PODE TE ALCANÇAR E TRAZER DE VOLTA

Aquele calor que aquecia seu coração se foi. Os olhos que antes choravam ao ouvir certas canções não lacrimejam mais. Agora evita pensar em Deus e não quer ouvir nada relacionado a Ele. Não consegue mais olhar para Jesus e se sentir bem, pois quando o vê se sente mal por mais que Ele não te condene e nem julgue, mas algo em você sente um desconforto e por isso prefere se manter longe.

Porém, seu mundo desabou e atualmente você dança sobre as ruínas do castelo onde se abrigava quando a chuva vinha. E não há mais esconderijo, não há mais âncora que te prenda ao chão, não há mais lugar secreto para ser quem você é sem máscaras. É apenas você e sua vontade de mostrar a todos que está bem. Você e seu instinto de sobrevivência que te leva para onde deve ir enquanto um vazio vai consumindo sua vida aos poucos.

E conforme vai se afastando, uma estrada sem fim se abre entre você e Deus. Uma estrada onde a dor corre solta, onde não há abraço e nem beijo na testa, mas um caminho solitário, pois você escolheu andar só para mostrar sua independência e que não precisa de Deus, que só precisa de si e de mais ninguém.

Porém, suas pernas estão cansadas de tanto andar, está se cansando de perseguir objetivos e consumir aquilo que o mundo oferece, pois a paz que você ganha vai embora em pouco tempo. Você está se fatigando à toa, pois não aceita que Deus te leve no colo, não quer que Ele te sustente, pois acha que sem Ele conseguirá chegar ao outro lado e que lá tudo será diferente. Mas é ilusão. Tudo isso que consola seu coração é ilusão.

Não há como satisfazer uma alma que pertence ao céu com aquilo que o mundo dá e, por mais que você não aceite, sua alma não é daqui, ela é de lá.

Sua alma sente saudade de louvar a Deus e chorar aos seus pés. Sua alma sente saudade de sentar nos bancos da igreja e ouvir uma palavra que fala sobre você e que te ajude a ser alguém melhor. Sua alma sente falta de orar ajoelhada ao lado de sua cama e falar sobre seu dia, seus medos infantis, seus sonhos considerados impossíveis.

Sua alma sente saudade do amor que recebia sem merecer, dos cuidados e consolos que o Espirito Santo te dava quando você dizia que não havia ninguém disposto a te estender a mão. Sua alma quer abraçar o Pai, quer ser carregada por Ele, quer receber cura para essas feridas que o mundo causou. Sua alma sente saudade, mas você a está sufocando, dizendo que isso é imaginação, é perda de tempo e não faz sentido.

Mas sua alma quer voltar a acreditar, quer voltar a ter esperança de que o amanhã será melhor porque Cristo vive.

Seu orgulho não quer confessar nada disso e sua imagem não quer transmitir que precisa de Deus, mas você sabe que precisa, você acredita que Ele existe e que é o seu Criador. Porém, você está lutando para se convencer de que não precisa Dele, que ficará bem sem as regras que Ele te dava, sem os mandamentos que precisava obedecer e sem a luta constante que havia entre a carne e o Espirito.

Você parece tão feliz com a sua liberdade onde pode fazer o que quiser e ser alguém diferente para assim surpreender os outros, para novamente mostrar que aquilo que dizem sobre seu coração é mentira, que você está bem sim e que nunca esteve numa fase melhor. Mas você não convence o Espirito de Deus.

Você pode enganar a si e aos outros, mas você não mentir para Aquele que sabe e fez todas as coisas.

Ele conhece aquelas partes que você não sabe que existem dentro do teu corpo. Ele que te formou no ventre da tua mãe, Ele que te chamou com um propósito e deu à sua vida um sentido. Eu sei que a dor, decepções, críticas que recebeu de pessoas cristãs, além de as pessoas que te machucaram, os relacionamentos que não deram certo, as portas que se fecharam, os amores que foram embora, tudo isso te esfriou e levou embora a sua fé.

Eu sei que é difícil acreditar que existe mesmo um Deus que é Amor quando você precisa de algo e nada acontece. Quando você ora e o milagre não vem, e você chora e não se sente consolada. Mas eu também sei que há coisas ruins que nos acontecem que não poderemos entender aqui e sim só no céu, e que por sermos criaturas pequenas precisamos nos humilhar e confiar no Criador. Pedir para ter fé quando é impossível acreditar Nele e pedir também para Ele não te deixar desistir.

Você consegue abrir um pouco o coração, pode ser qualquer brecha, mas abrir um pouco para deixá-lo entrar? Deus quer voltar a morar no seu peito. Ele quer que você permaneça na presença Dele e que não saia do centro do seu amor. Ele sabe que há uma distância considerável entre vocês e que no meio desse caminho há muita dor, feridas, perguntas, dúvidas, mágoas e até raiva. Ele sabe que você tem medo de ser machucada de novo e Dele permitir mais um sofrimento na sua vida.

Ele não garante que a vida ao lado Dele será livre de dor e que será só alegria, pois enquanto estivermos no mundo estamos sujeitos a sofrer aflições, mas que Ele estará conosco em cada uma dessas tribulações, nos fortalecendo e curando. Ele sabe que você já tentou voltar e não conseguiu, mas é que você tentou sozinha, você não O chamou, agora Ele quer tentar contigo.

Arrependa-se dos seus maus caminhos, confesse o que fez de errado, busque um sacerdote e clame pelo sangue de Jesus que te purificará de tudo. Deixe agora de se preencher com os vazios desse mundo, pois você pode sentir paz, felicidade e amor sem precisar disso que está fazendo agora. Deus quer que, através do relacionamento com Ele, você O conheça, se conheça e entenda o que deve ser e fazer. Ele quer te mostrar o que há no íntimo do coração Dele.

Ele quer te encontrar no secreto do seu quarto e lá falar ao seu coração tudo que você precisa saber para perdoar a si e aos outros, para voltar a acreditar e a amar o Deus que nunca deixou de te esperar. Não se encha mais de desculpas, medos ou vergonha. Ele te perdoa, aceita e cura. Não importa a distância, Ele vai correr para te encontrar e, se você permitir, Ele te pegará no colo para te levar de volta para o centro do seu amor e graça.

E se neste momento o Espírito Santo te convenceu a voltar aos braços do Pai e se reconciliar com Ele através de Jesus Cristo, faça uma oração e aqui estão algumas palavras que podem te ajudar a começar a sua prece:

“Senhor, eu me arrependo de tudo, estou aqui para pedir perdão por meus erros, pecados e defeitos. Para pedir que o sangue de Jesus me limpe e purifique de todo o pecado que cometi, e que esse sangue leve embora numa enxurrada as barreiras que me afastam de Ti. Eu quero voltar para os teus braços, eu quero outra vez ter comunhão contigo, eu quero me reaproximar e novamente ser filho (a), servo (a) e adorador (a). Me ensine a andar no teu caminho, pois eu sei que o único caminho até Deus é Jesus Cristo. Por isso aceito Jesus como meu único e verdadeiro Salvador. Me fortaleça para eu abrir mão do pecado, me ajuda a dizer não a voz do inimigo e dizer sim para a voz do Espírito Santo. E a partir de agora quero começar um relacionamento contigo, que se torne meu Pai e Melhor Amigo. Quero ir além daquilo que terei na Igreja, quero que o Senhor me mostre o meu dom, fale qual o meu chamado e me prepare para sua boa obra. Não me deixe afastar de novo do teu caminho, me prenda em Ti, me afasta do mal e me livre do que o mundo quer me fazer. Peço e agradeço com fé, amém.”

Anônimo.

Padre Phillip Bochanski

No meio de tantas alegrias que podemos experimentar no tempo natalino, também podemos nos encontrar diante de muitos desafios. Para começar, o tempo natalino é uma época tão sobrecarregada que pode deixar pouquíssimo tempo e energia para o tipo de preparação espiritual que esteja à altura de tal festa. Há tanto a ser feito. Há tantas pessoas a serem visitadas. E, enquanto o último presente é embrulhado e o último prato é preparado, todos começam a chegar. Inclusive os filhos e as filhas voltando para casa para a celebração deste feriado. Tantas novidades, tanto para acompanhar. Até que, em alguns lares – cada vez mais nestes dias, parece – há um anúncio inesperado: “Mamãe, papai… quero que vocês saibam que sou gay.”

Presbíteros, diáconos e ministros pastorais deveriam estar preparados, especialmente neste período do ano, a encontrar pais e mães que acabaram de receber esta notícia de seus filhos e que estão procurando a Igreja para obterem respostas e apoio. Como podemos ajudá-los? Como deveríamos responder?

Primeiro, não há razão para entrar em pânico. Os pais virão até vocês com as emoções alteradas, mas não há motivo para temer ou tentar evitar esta situação. Além disso, também não há motivo para dar uma resposta curta e ambígua que, por mais que venha de um desejo de fazer com que a situação não piore, este desejo poderia ser classificado, por nós, como uma compaixão mal orientada. E com alguma preparação e habilidade para imaginar a situação pela qual alguém está passando, é completamente possível falar com clareza e compaixão – e ser uma ajuda concreta para estes pais e, porventura de forma indireta, aos seus entes queridos que acabaram de “sair do armário”. Para esta finalidade, eu posso oferecer alguns pontos de discussão que poderão servir como base para a construção do diálogo:

Porém, a verdade é que o seu filho não ‘arruinou o Natal’.”

Não é possível “arruinar” a celebração da Natividade de Nosso Senhor a menos que esqueçamos do que se trata tal celebração: a Encarnação do Filho de Deus. O ponto central do Natal é a realidade de que Deus, em Seu grande amor para com os seres humanos, deixou de lado a Sua Glória e Majestade para assumir a natureza humana. Não se trata de um teatro: quando o Verbo fez-se Carne, Ele comprometeu-se, de forma irrevogável, a tomar parte na completude da experiência com a exceção do pecado: todos os nossos pesos, os nossos aborrecimentos, as nossas emoções, os nossos desejos, as nossas alegrias e as nossas tristezas. Ele tornou-Se um membro de uma família humana concreta e amou a Sua família e os Seus amigos com um coração humano concreto que sentiu, verdadeiramente, a dor diante da rejeição, humilhação e perda. A Encarnação, no fim das contas, significa que não importam a tristeza e a surpresa que estamos experimentando. Jesus Cristo não as ignora e deseja passar por elas conosco. Desta perspectiva, não há melhor época do que o Natal para se passar por algo deste tipo.

“Concordo com o fato de que vocês estejam magoados. Porém, vamos tentar compreender esta dor e ver o que podemos fazer com ela.”

A novidade de que um filho ou uma filha está experimentando atrações pelo mesmo sexo e se identifica como LGBT virá, certamente, como uma grande surpresa para os pais. Todos os planos que eles tiveram para seus filhos, as ideias sobre o que os próximos anos poderiam trazer, até mesmo as pretensões básicas que estavam fazendo sobre o que se passava na cabeça dos seus filhos – sentimentos e vida interior – tudo isto ficou abalado por tal novidade. É importante que os pais reconheçam de onde vem a dor e se eles estarão preparados para entregá-la a Deus. Assim, a Natividade possibilita uma atmosfera na qual é possível abordar, de forma suave, o assunto. Em cada vez que a história da Natividade se repete, José e Maria pensavam que tudo estava resolvido até que uma mudança nos planos foi anunciada de forma brusca. “Maria está grávida! Temos que fugir para Belém! Não há lugar na hospedaria! Temos que fugir para o Egito!” A Sagrada Família dá forma à docilidade e a paz interior que vem da aceitação que, enquanto as circunstâncias inesperadas podem, por vezes, contrariar nossos planos e pretensões, Deus também tem planos para as nossas vidas e as vidas dos nossos entes queridos. A tentação que surge, quando a vida parece estar fora de controle, é apoiar-se no poder que pensamos que temos e impor o nosso próprio jeito de resolver as coisas. No entanto, Deus nos convida a entregarmos, sem reservas, o controle para Ele e confiar que Ele realizará Seus planos para nós e nossas famílias.

“Não, acho que não tenho o artigo/livro/blog/vídeo que convencerá seu filho.”

Todos os bons pais querem o mesmo: saber se seus filhos estão felizes e seguros. Quando eles percebem uma ameaça à felicidade e segurança (física, emocional e espiritual) de seus filhos, os bons pais têm, com toda certeza, o instinto de consertar a situação, resolver o problema, curar a ferida. E, enquanto isto funciona muito bem com os acidentes típicos de parque de diversão, tal mentalidade própria de uma sala de emergências não costuma funcionar numa situação similar à “saída do armário” de um filho. A realidade da atração pelo mesmo sexo é profunda e, muitas vezes, complicada. Pois envolve uma parte profunda da perceção que uma pessoa tem de si mesma e dos relacionamentos. Ou seja, não se trata de um simples problema que pode ser “consertado”. De fato, há muitos recursos bons que poderiam ser de ajuda para os pais e, às vezes, até para o filho ou a filha que se identifica como LGBT. Tais recursos serviriam para uma compreensão mais profunda do ensinamento da Igreja e a experiência da atração pelo mesmo sexo – este site [www.couragebrasil.com] poderia ser um começo; o documentário intitulado Desejo das Colinas Eternas; o livro de Dan Mattson intitulado Por que eu não me defino como homossexual; e muitos outros. No entanto, este não é o momento apropriado para os pais encherem os braços dos seus filhos com todos estes materiais (seja nos correios ou como um presente de Natal) na esperança de começar a falar com eles sobre isto. Ao fazer isto, há um risco de se alienar o filho por causa da externalização daquilo que é uma situação bastante pessoal. E, ao acontecer isto, pode-se perder a oportunidade para fazer a coisa mais importante: escutar.

“Sei que é complicado. Mas vamos tentar nos colocar no lugar do seu filho/filha e entender o que é, para ele, esta experiência”

Muitas vezes os pais não consideram que, apesar deles estarem descobrindo esta notícia surpreendente, os seus filhos já estavam vivendo com estas atrações por bastante tempo – muitas vezes, desde a adolescência ou a infância. As atrações pelo mesmo sexo não procedem de Deus, mas elas também não procedem do nada. E, muitas vezes, as pessoas que experimentam a atração pelo mesmo sexo carregam outros fardos: questões relacionadas à autoimagem, de ser amado e aceito, de ajustar-se e fazer parte. É significante, penso, que celebramos o Nascimento de Cristo como um acontecimento no meio do Inverno e no meio da Noite. É quando nossas vidas aparentam estar extremamente escuras, frias e desoladas que Cristo entra trazendo Luz e Amor. Podemos auxiliar os pais partilhando o amor de Cristo encorajando-os a escutar, com paciência, às histórias que seus filhos e filhas têm para contar e fazer-lhes, com delicadeza, algumas questões do tipo: “Você é feliz? O que te faz feliz? O que você procura? Você está encontrando o que procura? Como posso te ajudar?”. Se os pais esperam manter uma influência na vida piedosa dos seus filhos, a comunicação compassiva é essencial desde o começo.  

“Faça tudo o que for possível para preservar a Fé neste momento. Haverá tempo para partilhar nos dias vindouros.”

Uma das coisas que mais preocupam os pais piedosos é que, em muitos casos, o filho ou filha que se identifica como LGBT pode sentir-se hostil com relação à Igreja e seus ensinamentos e podem ter começado ou ameaçado começar a abandonar a prática da Fé. De fato, tal situação pode fazer com que os pais sintam que eles falharam na transmissão da Fé. Por isso, há o instinto em reforçá-la de forma rápida e vigorosa. No entanto, o período que vem imediatamente depois que um filho ou filha “sai do armário” não é, geralmente, o melhor momento para discutir os ensinamentos da Igreja acerca da homossexualidade e da castidade de forma detalhada. É suficiente, em muitos casos, dizer o que qualquer pai de um adolescente teve, em algum momento, que dizer: “Eu te amo muito e acho que você está fazendo uma escolha equivocada”. (Estamos nos referindo à escolha de buscar relacionamentos com pessoas do mesmo sexo, que envolvem atos pecaminosos. A experiência das atrações pelo mesmo sexo não é uma escolha consciente e não é, em si mesma, um pecado). Um pai não está traindo a Fé se ele não está citando o Catecismo em qualquer oportunidade – de qualquer forma, o filho/filha, geralmente, já sabe do ensinamento. Abordar a situação desde uma postura de escuta atenta, em vez de uma postura magisterial, mantém e constrói a confiança e o respeito mútuos e assenta o fundamento para diálogos mais específicos no futuro.

Este diálogo inicial com os pais é apenas o começo do cuidado pastoral que eles precisam e merecem. Aqui, o ministro pastoral entra numa relação de acompanhamento que requer um compromisso para fazer-se disponível aos pais no tempo que virá, o que poderá trazer, muitas vezes, novas questões e novas dores. Um grupo de suporte como o Apostolado EnCourage é um recurso excelente para oferecer aos pais; num grupo deste apostolado, os pais receberão apoio e conselhos de outros pais que estão no caminho há mais tempo. O mais importante de tudo: é necessário ensinar os pais a fazer oração – para além das orações vocais, é necessário ensiná-los a fazer reflexões reais (oração mental) sobre os eventos de cada dia, o que permitirá que eles reconheçam a Presença de Deus, mesmo no meio das situações mais caóticas. Desta forma, eles começarão a entregar-se, os seus filhos e todas as suas preocupações à Providência Divina. A Encarnação nos ensina que nenhum detalhe da nossa vida diária escapa da atenção e do cuidado do Deus Todo Poderoso. Ele Se fez fraco para poder nos fortalecer. E é numa profunda relação com Ele que encontramos cura e transformação para nós e para aqueles que amamos.

O Padre Philip Bochanski, um presbítero da Arquidiocese de Filadélfia, assumiu o papel de diretor executivo do Apostolado Courage em Janeiro de 2017, seguido de seu mandato como diretor associado do Apostolado. Anteriormente, o Pe. Bochanski atuou como capelão da célula do Courage em Filadélfia, EUA.

O original da matéria, em inglês, pode ser encontrado aqui.

Fonte original em Português

O maior diário da Colômbia, “El Tiempo”, de Bogotá, publicou extensa entrevista com a que foi a mais famosa bruxa do país, com o título: “A bruxa mais famosa da Colômbia é agora um apóstolo de Deus”. Amanda Londoño, era procurada por políticos, artistas, importantes autoridades, esportistas, e por todos aqueles que desejavam, por meios mágicos, obter fama ou dinheiro.(1) Tudo isso não vai sem uma grande ajuda do demônio.

Aqui cabe uma explicação: “É certo que o homem, pela sua natureza, não tem nenhum poder sobre o demônio, não podendo, portanto, obrigá-lo a atender às suas solicitações, nem a cumprir o que foi pactuado com ele. Porém, não é menos certo que o demônio — sempre à espreita de uma ocasião para fazer mal aos homens e perdê-los — não deixaria escapar a oportunidade única de atuar, quando convidado por eles próprios. Assim, se Deus o permitir, ele pode atender aos pedidos que lhe são feitos e obter, para os homens que a ele recorrem, riquezas, poder político, satisfação de paixões e ambições, e mesmo prejudicar outras pessoas”.(2)

Por isso é muito perigoso abrir as portas para o espírito infernal querendo conhecer o futuro, que só a Deus pertence, ou obter benefícios sem esforço — que, no futuro, o “favorecido” pagará demasiadamente caro —; ou ainda prejudicar algum desafeto, o que é muito comum nos despachos de macumba, recorrendo, como veremos, a forças ocultas.

“A bruxa mais influente da Colômbia”

“Entre os anos 70 e 80, [a entrevistada] foi a bruxa mais influente da Colômbia, e sua vida faz parte de um livro do jornalista colombiano Germano Castro Caycedo intitulado A bruxa, coca, política e demônio que, há 20 anos, causou grande polêmica no país, e inclusive foi objeto de uma telenovela”.

Essa fama não é estranha num país onde é muito grande o número de bruxas e feiticeiros, procurados até por altas personalidades do Estado.

Assim, após ser eleito, o presidente colombiano Santos se dirigiu com sua família à Serra Nevada, em Santa Marta, onde foi “abençoado” por um xamã.(3) Durante o processo de paz elaborado em Havana, os jornais noticiaram que houve mais de um ritual de macumba para o bom êxito do mesmo. E durante a recente assinatura em Cartagena dos acordos do governo colombiano com as FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), que favorecem amplamente o grupo narcoguerrilheiro e põem em gravíssimo risco a Colômbia, houve cerimônias de magia em várias praças da cidade.

Casos de recurso às forças ocultas para a obtenção de benefícios também ocorrem evidentemente no Brasil. Citamos apenas um deles, que horrorizou o país no ano de 1992. Numa cidade do litoral paranaense, a esposa e a filha de um conhecido político que era candidato a prefeito, sequestraram e sacrificaram em diabólico ritual um menino de apenas seis anos de idade, para que o candidato fosse reeleito. “Depois de estrangular a criança, fizeram-lhe um talho no pescoço para que o sangue escorresse numa vasilha; o peito foi aberto e o coração retirado; abriram também o ventre e extraíram as vísceras; depois, deceparam o órgão sexual do menino; em seguida, retiram o couro cabeludo com uma navalha e cortaram as orelhas; por fim, lhe amputaram as mãozinhas e os dedinhos do pé. Tudo isso foi recolhido numa tigela de barro” e oferecido a Exu nesse ritual satânico.(4)

É claro que nem todos que recorrem a esses feiticeiros e bruxos têm em vista chegar a tal extremo. Mas é fato que eles se encontram em grave risco de se tornarem vítimas do demônio.

Tudo começa de modo “inocente”

O repórter pergunta à ex-bruxa colombiana como foi sua entrada nesse mundo tenebroso. Ela explica que tudo começou da maneira mais “inocente”, como passatempo da juventude: “Quando era muito jovem, conheci uma pessoa que adivinhava a sorte, e éramos muitos os que a visitávamos por passatempo. Essa pessoa me ensinou. Comecei com a [leitura] das cartas e o cigarro, e me converti numa perita. Fui levando outras pessoas a crerem naquilo que eu estava crendo”.

Pergunta o repórter: “Quais são os perigos que há nisso?”

Ela inicia sua resposta fazendo uma pergunta: “Quem fez ler as cartas ou usaram uma pulseira para atrair a boa sorte? E a resposta, quase sempre, é, quase todo mundo o tem feito por curiosidade. E o que sucede? Abrimos nosso corpo e nosso coração para que entrem os espíritos do mal. Eu esclareço: como existe Deus, existem a bruxaria e o poder do maligno. Mas a gente pensa que não há nada de mal em que se adivinhe a sorte. E passamos a vida sem dar-nos conta de que permitimos que o mal entre em nós. Por isso muitas vezes não se encontra [êxito] na vida profissional, na vida econômica, e no amor; tudo é um desastre, e isto pode transcender até a terceira ou quarta geração. Isso diz o Evangelho. É uma catástrofe espiritual”.

Continua a entrevistada: “Em todas as épocas há pessoas que advinham a sorte e fazem bruxaria. Vejam a televisão e suas mensagens, que promovem pessoas às quais se pode acudir quando o marido deixa a mulher, ou o noivo a noiva. Não há anúncios que dizem: ‘Venha e lhe falo sobre o futuro’? Claro! Na rua, nos entregam papeizinhos que dizem: ‘Reatamos com o seu ente querido, e se ele não chegar, devolvemos-lhe o dinheiro’.

“A bruxaria é um negócio do maligno, no qual a pessoa algumas vezes crê que está falando [com o espírito das trevas], e outras sabe certamente que com isso se faz o mal”. Ela acrescenta: “Quando falo disto, eu me refiro a que não temos a confiança plena no Senhor, nem esperança n´Ele. Não sabemos pedir-lhe, e não O temos como Pai. E cremos que uma planta, uma bebida ou uma ferradura têm mais poder que Ele”.

O começo da conversão

Num domingo, a bruxa foi a uma igreja assistir à Missa. No templo sagrado a bruxa viu uma freira e, movida pela graça, abraçou-a, dizendo: “Irmã, salve-me, eu faço bruxaria!”. A freira começou a rezar, e convidou-a a ir ao seu convento. Recomendou-lhe que rezasse o Rosário, para que Deus lhe fizesse ver mais claramente as coisas  no dia seguinte. “Passei a noite muito intranquila”. No dia seguinte, “quando nos vimos, a madre orou, e eu pus uns pequenos vermes pela boca. Isso me aterrou. Era mulher de muito êxito, amiga dos políticos. Cria ter o mundo a meus pés, mas me faltava o mais importante: Deus”.

A religiosa levou-a então a um monsenhor, e ela fez uma confissão de toda sua vida. Entretanto, voltou a fraquejar, quando vieram lhe pedir que fizesse novo despacho. E recomeçou a bruxaria. Isso até o dia em que, indo com outras pessoas fazer um despacho, sentiu como que alfinetadas no corpo. Ficou desassossegada e não conseguia dormir. Buscou um psiquiatra, mas em vão. Depois soube que lhe haviam feito um malefício. Não era capaz de comer nem engolir. O pior era uma voz que lhe sussurrava ao ouvido: “Mata-te”. Era o demônio tentando levá-la ao desespero.

O exorcismo

Nessa angústia, ela voltou a ver a freira e o monsenhor, que rezaram em sua intenção. Mais tarde um sacerdote fez-lhe um exorcismo. Ela fora até ele acompanhada do marido e de várias pessoas, inclusive de outra bruxa, “que era mais bruxa do que eu, e que num momento dado levantou a mesa do refeitório — que era pesadíssima — com uma só mão, e a lançou sobre o sacerdote e o derrubou. De sua boca saía puro fumo”.

É preciso dizer que a pessoa possuída pelo demônio manifesta muitas vezes ações que estão além da natureza, como falar e compreender línguas estrangeiras sem tê-las aprendido antes, manifestar força física acima de sua idade e condição, revelar coisas secretas ou distantes etc.. Entretanto, uma das coisas mais comuns nos possessos é agredir o exorcista, pelo que este, no geral dos casos, tem a seu lado um ou dois guarda-costas para protegê-lo de qualquer agressão.

E a bruxa prossegue: “No exorcismo volto a vomitar vermes, cai terra do teto e cuspo alfinetes. Sim, alfinetes. O sacerdote orava. Eu comecei a expelir coisas [estranhas] quando ouvi uma voz que me dizia para matar o sacerdote, que era muito alto e robusto. Não sei que força eu tive, que o peguei pela garganta e cravei nela as unhas. Mas ele continuava rezando, e me apresentou uma hóstia consagrada. Caio então ao solo, peço-lhe perdão e lhe digo que esse ataque não havia saído de mim, e nos prostramos diante do Santíssimo. Desde esse momento fiquei libertada do maligno, e pude retomar minha vida da mão de Deus”.

Pergunta: “O que recomenda nesses casos?”

Resposta: “Quem se meteu nestas coisas, vá a um sacerdote para que o oriente e faça uma oração de libertação. Ou faça uma confissão de todo o coração, para que o perdoe desse atentado contra Deus. Se o caso for muito grave, talvez se requeira o exorcismo. Mas deve ser com um sacerdote autorizado, não com um qualquer”.

Pergunta: “Sentiu-se alguma vez tentada a voltar a fazer bruxaria?”

Resposta: “Não, nunca mais. Não voltaria a fazer. Privo-me de muitas coisas, de ter objetos que sei que induzem ao mal. Sou inimiga do I-Ching, da Nova Era, do Feng shui, porque tudo isto desloca a Deus, e eu quero levar a Deus em meu coração. É necessário pedir fortaleza para não voltar a cair. Quando a pessoa diz ‘a mim não entra nenhum mal’, eu me rio, porque, para que não te entres nada mal, tens que estar confessado, comungado, rezar o Rosário. Essas são as armas”.

Ela poderia ter acrescentado aqui muitas outras coisas aparentemente inocentes, mas que também acabam levando por esse diabólico caminho, como o tabuleiro ouija, um seu semelhante que está muito em voga nas escolas hoje em dia, ou seja, o jogo de adivinhação pelo movimento de um lápis, o ReikiYoga, e outros métodos de pseudo cura orientais.

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Epílogo

Amanda Londoño agora faz conferências narrando a sua experiência, além de, como boa católica, ser ativa na campanha pela família e contra o aborto. Tornou-se também divulgadora do Rosário, seguindo o que diz o Pe. Ermes Macchioni, exorcista da diocese de Reggio Emília, na Itália. Esse sacerdote, com muita prática de exorcista, diz que hoje em dia há muita infestação diabólica porque as pessoas “têm querido substituir a Deus pela idolatria, que vai contra o projeto divino, e porque os que se dizem cristãos rezem pouco, ou o fazem mal”. Para reverter essa situação, indicou que se deve recorrer ao Santo Rosário: “Uma medida dissuasória formidável contra a insídia do demônio” é a Virgem Maria, que “o põe em fuga com a meditação e reza do Rosário”.(5)

A partir da assim chamada “Revolução Cubana”, em 1959, o ditador comunista Fidel Castro foi impondo à ilha caribenha todas as brutais restrições à liberdade que fazem parte da essência do comunismo: o confisco de bens, a censura ao livre pensamento, a perseguição contra quem expressa a própria opinião, a vigilância estatal quase onipresente, as milhares de prisões políticas, o recurso sistemático à tortura e à execução de oponentes…

Além das restrições, o sistema também impõe obrigações, como a adesão forçada ao ateísmo de Estado, mediante a negação total do direito à liberdade religiosa e a punição a quem ousa praticar a sua fé.

O regime comunista, que tem a empáfia de se autodefinir como “a ditadura do proletariado“, confiscou as propriedades da Igreja desde o início da década de 1960 (principalmente depois que os bispos cubanos escreveram uma carta aos fiéis destacando que tal regime é incompatível com a fé católica). Pouco menos de dez anos depois, em 1969, Fidel Castro proibiu até mesmo a celebração do Natal.

Esta proibição durou quase três décadas.

Em 1998, porém, São João Paulo II conseguiu o improvável: que o Natal voltasse a ser celebrado livremente pela população cubana (boa parte das famílias católicas nunca tinha parado de celebrá-lo de modo clandestino, apesar do risco de punições por parte do regime).

O então porta-voz da Santa Sé, Joaquín Navarro-Valls, recordou o caso em uma entrevista que concedeu ao Vatican Insider em novembro de 2016, na qual contou que ele próprio teve de explicar a Fidel Castro que a visita do Papa à ilha, marcada para 21 de janeiro de 1998, precisava ser um grande sucesso a fim de que Cuba surpreendesse o mundo. Fidel concordou. Navarro-Valls lhe falou então das “surpresas” que o Papa esperava. Uma delas era que o Natal pudesse voltar a ser celebrado em Cuba como festa oficial, o que seria inédito desde o início da revolução.

Navarro-Valls contou:

“Ele [Fidel] disse que seria muito difícil, porque o Natal caía em plena colheita da cana-de-açúcar. Eu respondi: ‘Mas o Santo Padre gostaria de lhe agradecer publicamente por esse gesto quando chegar ao aeroporto de Havana’. Depois de uma longa discussão, Castro acabou dizendo que sim. Só que acrescentou: ‘Mas poderia ser ser só este ano’. Eu me limitei a responder: ‘Tudo bem. O Papa vai ficar muito agradecido. E quanto ao próximo ano, vamos ver’”.

O fato é que o Natal continuou no calendário civil de Cuba desde então.

Para ler a entrevista completa (em espanhol) com o ex-diretor de Comunicação do Vaticano, acesse o Vatican Insider.

Via Aleteia