O amor não conhece limites temporais. Por isso, é natural que os enamorados queiram assumir um compromisso recíproco forte e definitivo, diante de todos, no qual vão oferecer-se um ao outro numa doação de amor total.

Trechos do livro ” Como ser um bom pai | James B. Stenson” Editora Quadrante

Se você é um homem com grandes responsabilidades no trabalho e na vida familiar, provavelmente não tem muito tempo de sobra para ler. Deve ter muito pouco tempo para perder com conversas “motivacionais” que lhe digam por que deveria ser um bom pai, ou com longas e sentimentais histórias que criticam o óbvio. É por isso que, ao escrever este livro, quis que ele fosse direto e eminentemente prático. Está baseado na experiência de outros homens como pais, e apresenta vislumbres reais de vida em família, além de ideias sugestivas que você poderá colocar imediatamente em prática.

Meu objetivo é ambicioso: ajudá-lo a tornar-se um grande pai, um grande marido e um grande homem.

Há muita coisa em jogo aqui. O sucesso de seus filhos mais tarde na vida dependerá enormemente de quão bem você fizer o seu trabalho de pai. Mas, em primeiro lugar, você, como outros homens hoje em dia, precisa de uma descrição do trabalho. Como parece ter dito certa vez o grande Yogi Berra (1): “Se você não sabe para onde está indo, vai parar em outro lugar”.

Como veremos, a principal tarefa de um homem em sua família é protegê-la. Um homem protege sua esposa e filhos de tudo o que ameace a sua felicidade e bem-estar, tanto no presente como no futuro. Se fracassa nessa grande responsabilidade, sua família sofrerá as consequências.

Se você conseguir aprender com este livro, e depois transformar o que aprendeu em uma ação vigorosa, viverá, se Deus quiser, para ver grandes conquistas de sua vida como pai:

– Sua masculinidade forjará em seus filhos um caráter que durará por toda a vida;
– Seus filhos serão viris e suas filhas serão femininas;
– Seu critério moral será a bússola da consciência de seus filhos;
– Sua vida no trabalho e em casa unir-se-ão para formar um conjunto integrado e coerente;
– Sua família se tornará uma divertida aventura;
– Sua mulher e seus filhos o estimarão como um grande homem;
– Seus filhos crescerão para se tornarem homens e mulheres competentes e responsáveis, que o amarão e o estimarão por toda a vida.

Este elevado ideal, de viver como um grande pai, é alcançável, pode ser feito. Sei disso porque o testemunhei nas vidas de muitos pais. Tudo o que há nestas páginas – a estratégia e as táticas da liderança paterna – deriva do que aprendi em meus anos de experiência profissional com muitos homens comuns e conscienciosos como você. Quero ensinar-lhe o que aprendi deles. Quero passar para você sua experiência coletiva, a sabedoria da paternidade.
Deixe-me voltar um pouco e explicar isso, e como acabei escrevendo este livro. (2)

Durante vinte e um anos, trabalhei para ajudar a instalar duas escolas independentes de ensino secundário (3) para meninos, uma em Washington, D.C., e outra em Chicago – a The Heights School e a Northridge Preparatory School, respectivamente. Fui diretor de Northridge por quase doze anos. Tenho a alegria e o orgulho de dizer que ambas as escolas tiveram um enorme sucesso sob todos os aspectos.

Naquele período, procurei conhecer intimamente centenas de famílias. Estudei suas vidas familiares e observei as crianças crescerem e amadurecerem, frequentemente com sucesso, embora às vezes não. Ao longo de muitos anos, conversei com centenas de pais e mães, visitei suas casas, fiz perguntas e aprendi muito.

Fiz isso por duas razões.

Primeiro, acredito que uma escola deve servir à família inteira, tanto aos pais quanto aos filhos, e assim deveria encarar os pais, e não as crianças, como os principais beneficiários de seus serviços. Afinal, os pais são os principais educadores das crianças, e os jovens sobem ou descem na vida principalmente por causa da forma como foram criados em casa. A escola deve apoiar os pais, e não substituí-los, nessa missão tremendamente importante.
Segundo, queria aprender de que forma os pais têm sucesso ou fracasso na missão de educar os seus filhos.

Deixe-me ser claro aqui. Quando digo “sucesso ou fracasso”, não me refiro aos métodos de disciplina que os pais utilizam, nem a como mantêm as crianças sob controle, nem a como lidam com os problemas da vida em família. Essas são conquistas de curto prazo, mas compõem apenas uma parte do quadro.

Os pais só obtêm um sucesso real no longo prazo. Os pais são bem-sucedidos com seus filhos quando estes crescem e tornam-se homens e mulheres competentes, responsáveis, ponderados e generosos, comprometidos a viver de acordo com os princípios da integridade – adultos que honram a seus pais por toda a vida através de sua conduta, consciência e caráter. Educar as crianças para que se tornem adultos como esses é o verdadeiro objetivo da paternidade.

Vi muitos pais que conseguiram fazê-lo, enquanto outros fracassaram. Alguns viram seus filhos amadurecerem e tornarem-se homens e mulheres excelentes. Outros, especialmente quando seus filhos atravessavam a adolescência e a juventude, depararam com a frustração, o arrependimento, e até mesmo a tragédia. Seus filhos sofreram com a falta de confiança e autocontrole, uso de drogas, imaturidade prolongada, comportamentos irresponsáveis e autodestrutivos, falta de objetivos na vida e problemas com a carreira, com o casamento ou com a lei.

Através de minhas incontáveis conversas com pais e mães, procurei explicar as diferenças que haviam entre eles. Busquei padrões de vida familiar entre aqueles pais que haviam triunfado com seus filhos. O que tinham em comum aqueles homens e mulheres bem-sucedidos? O que haviam conseguido fazer certo? E o mais importante: o que outros pais poderiam aprender de sua experiência?

Ao longo dos anos, prestei cada vez mais atenção ao poderoso papel do pai nas vidas dos filhos – e esta é a razão deste livro. Repetidamente, em uma família depois da outra, testemunhei como os pais têm uma influência crucial no êxito que seus filhos teriam na vida. O sucesso ou o fracasso de um homem como protetor e líder dirige o curso da vida de seus filhos para o bem ou para o mal. Nossa epidemia nacional de “pais ausentes” não é simplesmente um problema de mães solteiras que devem enfrentar a vida sem um marido. É também o caso de lares intactos com pai e mãe, nos quais, porém, o pai está moralmente ausente da vida de seus filhos.

Muitos homens, embora fisicamente presentes na família, simplesmente deixam de exercer sua função de pai. Na verdade, parece que nem sequer sabem em que consiste essa função. E de forma lamentável, e mesmo trágica, sua persistente negligência prejudica tanto seu casamento como a formação dos filhos.
Deixe-me contar um exemplo de fracasso, tirado de minha experiência profissional.

Certa manhã, recebi um telefonema de uma preocupada mãe de um menino de doze anos. Seu filho estava tendo terríveis problemas em outra escola. Desejava transferi-lo para a nossa, pois estava preocupada com sua depressão, cada vez pior, e sua falta de confiança em si mesmo e sua baixa motivação. Os problemas emocionais do garoto estavam prejudicando seu desempenho acadêmico. Ela pediu para marcar um horário para vir, junto com seu marido, visitar-nos e discutir a situação e para que seu filho pudesse fazer uma avaliação e uma entrevista.

Embora os requisitos para a entrada em Northridge fossem bastante competitivos e nossa escola tivesse uma política de recusar alunos com problemas motivacionais, senti pena daquela mãe, e por isso concordei em encontrar-me com ela e seu marido. Pensei que ao menos poderia dar-lhe algum conselho e encaminhá-la a profissionais que pudessem ajudar o menino.

Porém, não pudemos encontrar-nos logo. Infelizmente, seu marido estava fora da cidade. Ao longo das duas semanas seguintes, ela e eu marcamos e depois tivemos de desmarcar três horários porque toda vez uma coisa ou outra surgia na ocupada agenda de seu marido. Comecei a suspeitar que os problemas daquele garoto iam além de notas baixas. Tantas vezes antes, vira aquela mesma situação. Que pai – perguntava-me –, colocado diante de um filho com um problema sério, seria incapaz de conseguir arranjar um par de horas para tomar as rédeas de uma situação que estava saindo do controle? Quais seriam as atitudes e prioridades daquele homem?

A mãe e eu finalmente desistimos de tentar encontrar-nos na presença do pai, e assim combinamos que o garoto viria primeiro para uma entrevista. Meu encontro com Mike confirmou minhas impressões.

Mike entrou na minha sala parecendo nervoso e assustado. Seus olhos mal se encontraram com os meus; voavam pela sala como se estivessem desesperados para escapar. Ofereci-lhe um aperto de mão inicial; sua mão estava mole e suada. Enquanto conversávamos, ele olhava para fora da minha janela. Nossa conversa foi basicamente unilateral, e arrastou-se mais ou menos assim:

– O que seu pai faz, Mike? – perguntei-lhe.
Mike murmurou:
– Ele é engenheiro.
– Onde ele trabalha? – ele me disse o nome da empresa.
– Que tipo de engenheiro ele é? Mecânico, elétrico, civil?
Ele murmurou:
– Não sei.
– Onde ele estudou, e quando se formou? – ele me disse o nome da universidade. Não sabia o ano de formatura.
– Onde ele conheceu a sua mãe? Na faculdade?
– Acho que sim, mas não tenho certeza.
– Quanto tempo eles namoraram antes de casar?
– Não sei.
– Quando seu pai tinha a sua idade, de que hobbies e esportes ele gostava?
Ele encolheu os ombros:
– Não tenho certeza.
– Ele gosta do trabalho?
– Acho que sim. Ele não fala muito sobre isso.
– O que vocês dois fazem juntos?
Ele pensou um pouco:
– Às vezes jogamos bola ou videogame. Normalmente, ele está cansado demais e só assiste TV ou lê.
– Ele confere a sua lição de casa?
Mike fez outra pausa:
– Não muito… Às vezes ele fica bravo comigo.
Nova estratégia:
– Quando tinha a sua idade, como ele ia na escola?
– Não sei.

E a coisa continuou assim: “Não sei…; Não tenho certeza…”. À medida que Mike relaxava um pouco e abria-se mais comigo, revelava um fato evidente. Ele não sabia quase nada sobre a vida passada e presente de seu pai, nada sobre as suas ideias e seus interesses. Sabia sobre seu pai poucas coisas que o fizessem respeitá-lo. Temê-lo, talvez, mas não respeitá-lo. Era também muito claro que isso o incomodava profundamente. Na idade em que os garotos começam a buscar uma figura masculina que seja um modelo para suas vidas, aquele garoto olhava para seu pai e via… o quê? Um enigma, um mistério, quase um estranho… um pai virtual.

Gostaria de dizer que esta história teve um final feliz. Para falar a verdade, não sei o que aconteceu – isto é, o que aconteceu com Mike. Encaminhei sua mãe para auxílio profissional, pois naquelas circunstâncias era tudo o que podia fazer. Como você pode imaginar, nunca cheguei a encontrar-me com o pai. Era ocupado demais.

O destino de Mike provavelmente foi semelhante ao de tantos outros meninos de famílias com pais virtuais. Incapaz de obter a aprovação de seu pai, era provável que ele a procurasse entre seus pares, e assim se tornasse vítima da cultura do sexo, drogas e rock’n roll. Sem a liderança confiante e o encorajamento de seu pai, não teria confiança em si mesmo e tentaria escapar de seus medos através dos prazeres de drogas e do álcool, como comumente acontece. Dominado por temores abstratos, seguiria depois o caminho de seu pai como alcoólatra ou simplesmente vagaria sem rumo através de uma inútil sucessão de empregos. Sem a lembrança de conselhos ou de sabedoria paterna para guiá-lo, passaria anos procurando orientação de substitutos paternos: médicos, especialistas em saúde mental, clérigos e conselheiros matrimoniais. Seu casamento, se houvesse, seria construído sobre a areia, e sua esposa e filhos (se os tivesse) sofreriam.

A situação particular de Mike era incomum? Infelizmente, não. Essa distância entre pais e filhos – pela qual as crianças mal conhecem seus pais e assim não chegam a respeitá-los – é muito comum em nossa sociedade.

Em muitas famílias americanas, a distância entre pais e filhos é maquiada por idas a jogos no estádio e outras atividades de amigão. Aos olhos de muitas crianças, seu pai aparece como uma espécie de simpático irmão mais velho ou uma segunda mãe em meio período. Isto não é suficiente. Fazer esportes ou brincar com os seus filhos não é o mesmo que orientar-lhes como pai. Em grande parte de nossa sociedade, há algo que não está acontecendo entre pais e filhos – e isso está prejudicando nossas crianças.

* * *

A história de Mike é a de um fracasso paterno. Sua experiência com seu pai virtual chamou a minha atenção porque contrastava de forma muito intensa com os sucessos que testemunhei entre tantos pais de alunos da minha escola.

Através de uma espécie de seleção natural, Northridge atraía uma grande quantidade de pais com a “cabeça no lugar”. Eu via que aqueles pais e mães estavam fazendo um bom trabalho, com frequência um excelente trabalho, em criar seus filhos.

Pais e visitantes cumprimentavam-nos pela alegria confiante e bons modos de nossos alunos, por sua capacidade de produzir trabalhos de alta qualidade, por seu crescente sentido de profissionalismo, por sua integridade pessoal. Com relação a problemas com drogas, não tínhamos nenhum – nenhum mesmo, zero. Sem dúvida, nossos alunos tinham seus momentos de desequilíbrio e altos e baixos hormonais, como a maioria dos adolescentes normais. Mas nossos alunos eram, na maioria, ótimos adolescentes que rapidamente se tornaram excelentes jovens. No fim, entravam em boas carreiras e casavam-se bem. Nós, professores e pais, tínhamos orgulho deles, e ainda temos.

Procurei descobrir como seus pais conseguiram que fossem assim. Francamente, muitas vezes fiquei chocado por quão diferentes eram seus temperamentos e formas de educar as crianças. Tive o cuidado de tomar notas em diversos papéis avulsos e arquivei-os até ter várias pastas de folhas velhas. Gradualmente, alguns padrões – algumas abordagens comuns na educação dos filhos – começaram a tomar forma, e transmiti essas lições a outros pais através de conselhos e encorajamento.

Com certeza, um elemento comum foi o seguinte: os melhores dentre esses jovens bem educados respeitavam os seus pais e aprendiam deles. Em casa, os dois cônjuges, pai e mãe, estavam fazendo um ótimo trabalho, mas o papel do pai parecia ser central. Ele estava fazendo algo de bom na vida familiar, algo importante que estava lhe conquistando o respeito dos filhos, e determinei-me a descobrir o que era.

Comecei conversando com os filhos adolescentes desses homens. Pedi-lhes que relatassem algum incidente que indicasse ou ilustrasse por que respeitavam os seus pais. Algum tempo depois, pedi o mesmo aos pais mais eficazes que conhecia – que me contassem algo da memória de seus próprios pais. Eis algumas das coisas que me disseram: (4)

“Quando éramos crianças, sabíamos que papai era forte. Sempre que nós todos havíamos tentado sem sucesso abrir a tampa de um pote de vidro, levávamo-lo para papai. Era o único que conseguia abri-la – todas as vezes!”

“Quando eu tinha três ou quatro anos de idade, estava caminhando em um parque com meu pai. Fiquei um pouco para trás e parei para olhar alguma coisa no chão. De repente, um enorme cão setter irlandês correu na minha direção e pulou sobre mim, derrubando-me no chão. O cão ficou em cima de mim, arfando e farejando o meu rosto. É claro que ele estava apenas brincando, mas eu não sabia disso. Estava completamente aterrorizado, gritando de medo, pois pensava que o cachorro ia me comer. Meu pai voltou correndo, espantou o cachorro e ergueu-me em seus braços. Ele me segurou com força, enxugou minhas lágrimas com seu lenço, e sorriu enquanto me dizia que estava tudo bem. Agarrei-me com força ao seu pescoço, e senti que estava seguro com ele”.

“Depois que chegamos a uma certa idade, nosso pai parou de fazer as coisas por nós. Ele nos mostrava como fazê-las e então dizia para as fazermos por conta própria. Ele sempre dizia que nós devíamos aprender a resolver os nossos próprios problemas”.

“Papai era bravo e às vezes perdia a paciência conosco. Mas sempre vinha desculpar-se depois. Às vezes, ele era duro conosco, mas sempre era justo”.

“Nossa família tinha que viver com o fato de que papai era muito ocupado no trabalho. Às vezes tinha que ficar trabalhando até tarde aos sábados. Mas todos nós sabíamos de alguma forma que ele sempre estava disponível. Se qualquer um de nós realmente precisasse dele, sabíamos que deixaria o que fosse que estivesse fazendo e viria”.

“Papai e mamãe sempre se apoiaram. Sempre. Quando pedíamos permissão a mamãe para passar a noite na casa de alguém, ela dizia para esperarmos até que conversasse com papai. E se pedíssemos a ele, dizia a mesma coisa, para esperarmos e deixá-lo conversar com mamãe primeiro. Tomavam as decisões juntos.

“Papai sempre dizia que mamãe era a pessoa mais importante da sua vida – e que o mais importante para ele é que nós a tratássemos bem, senão… E sabíamos que ele estava falando sério”.

“Em uma noite de verão quando tinha treze anos, meu amigo e eu, apenas de brincadeira, tiramos as válvulas de ar de todos os pneus dos carros estacionados em um auditório da Associação dos Veteranos de Guerra da cidade, e voltamos de bicicleta para minha casa. Papai ouviu-nos rindo do que tínhamos feito e ficou furioso. Ele nos levou de volta e fez-nos recolocar todas as válvulas, e depois levou-nos para dentro do prédio para pedirmos desculpas aos donos dos carros. Quase morri de vergonha, mas realmente aprendi a lição”.

“Nunca me esquecerei de quando papai me levava a seu escritório quando eu era pequeno. Todos me tratavam muito bem, e eu via-o escrevendo e trabalhando com as pessoas o dia todo. Sentia uma espécie de orgulho dele”.

“Quando planejávamos férias, papai e mamãe costumavam pedir-nos sugestões. Deixavam-nos dar nossa opinião: o que gostaríamos de fazer, aonde gostaríamos de ir. E faziam o mesmo com outras coisas, também – ouviam a nossa opinião. Mas depois eram eles que tomavam a decisão final”.

“Quando minha irmã estava no colégio, estava de saída para um baile vestida com uma saia nova que acabara de comprar. Era uma saia curta – bem curta –, uma minissaia. Papai viu-a e deu um pulo. Ficou muito bravo. Disse que nenhuma filha dele sairia de casa vestida daquele jeito. Apesar de suas súplicas e choro, ele a obrigou a subir para o quarto e trocar de roupa. Na semana seguinte, obrigou-a a devolver a saia e pegar o dinheiro de volta”.

“Nosso pai era muito aberto. Respeitava nossa liberdade de opinião e deixava que discordássemos dele na maioria das coisas. Mas em alguns assuntos – como ficar fora até tarde, ou a forma como nos vestíamos –, fazia finca-pé. Sabíamos que, quando ele tomava uma posição firme assim, é porque considerava o assunto realmente importante para nós, para o nosso bem, como ele dizia – e assim o assunto estava encerrado, e ponto”.

Assim, quais eram as palavras e termos que repetidamente apareciam na descrição daqueles pais eficazes? Você pode vê-los aqui: forte, assertivo, justo, disponível, carinhosamente unido à sua esposa, competente, protetor, respeitador da liberdade dos filhos, bom ouvinte, um líder que ensina a distinguir o certo do errado. Não é um mau esboço do que é a paternidade; é um bom começo.

Ao longo dos anos, continuei a questionar os pais em particular, esquadrinhando suas histórias, juntando ideias e arrumando-as em padrões. Com frequência, passei adiante o que havia aprendido, através de palestras públicas que dei inicialmente aos pais de nossa escola, depois a outros grupos no Meio-Oeste, e finalmente por todo o país. Escrevi alguns livretos que foram publicados de forma privada e que, para minha grande surpresa, foram amplamente lidos e apreciados. Em algumas ocasiões, fui entrevistado pelo rádio e pela televisão.

Comecei a suspeitar que estava fazendo algo importante quando ocorreram alguns incidentes: eventos que finalmente levaram-me a deixar minha escola e dedicar-me integralmente a ensinar e encorajar jovens pais.

As pessoas começaram a ligar de todas as partes do país pedindo-me que fosse falar em seus grupos de pais. Depois, comecei a receber convites da Inglaterra, Filipinas, Irlanda, Singapura e Austrália.

Os folhetos das minhas palestras eram impressos em uma gráfica, e quando fui até lá para pegá-los, a proprietária pediu-me se poderia ficar com algumas cópias para dar a seus irmãos e amigos casados.

Algumas vezes, homens mais velhos, já avôs, participavam de minhas palestras. Vários deles vinham falar comigo depois e diziam: “Gostaria de ter ouvido essas coisas vinte e cinco anos atrás! Teriam me poupado muitos problemas”.

Algumas das minhas palestras foram filmadas para serem depois exibidas na televisão. Em três ocasiões diferentes – em Milwaukee, Washington e Sidney, os operadores de câmera vieram depois apertar a minha mão e agradecer-me. Um técnico disse-me: “Aprendi muito aqui, e estou muito feliz por alguém falar essas coisas!”.

Um homem aproximou-se de mim durante um intervalo e disse que me ouvira falar três anos antes. Agradeceu-me calorosamente e disse: “Em minha vida, há definitivamente um antes e um depois. Seus conselhos foram o ponto de mudança. Você me mostrou o que eu precisava fazer como pai, e deu-me o empurrão de que eu precisava”.

Durante todos os meus anos como diretor e depois como palestrante, deparei com um problema. Muitos homens perguntavam-me: “Você pode me recomendar alguns livros que eu pudesse ler sobre a paternidade?”. E isso deixava-me sem resposta.

Por muitos anos, procurei intensamente livros para recomendar, livros escritos especificamente para homens e a partir de um ponto de vista masculino. Fiquei decepcionado e frustrado. Embora não faltassem os assim chamados “livros para pais” no mercado, descobri que quase todos eram escritos para mulheres. A maioria concentrava-se no papel crucialmente importante das mães e esposas, mas ignorava ou minimizava o papel especial do pai em casa: uma dimensão da vida familiar que minha experiência demonstrava ser extremamente importante.

A partir de meados da década de 1980, minhas esperanças reacenderam-se quando novos livros sobre a paternidade dos homens apareceram nas livrarias. Mas estes, também, foram na maioria uma decepção. Alguns tinham uma abordagem sociológica e abstrata: longas discussões lamentando o “pai ausente”, mas poucas soluções práticas. A maioria condenava os inimigos das famílias disfuncionais, mas tinha pouco a dizer sobre os problemas comuns das famílias normais. Afinal, famílias normais têm problemas também.

Outros livros ofereciam remédios rápidos e frases feitas inúteis (“Brinque mais com seus filhos”) ou descreviam o comportamento paterno nos mínimos detalhes, mas sem uma visão filosófica mais ampla: não apenas o que um pai faz, mas o que um pai é.

Esses livros tinham todos o mesmo defeito: não davam praticamente nenhuma atenção à masculinidade de um pai, a suas forças inerentemente masculinas, e como essas forças dirigem o crescimento das crianças em capacidade de julgamento, competência e caráter. Muitos daqueles livros pareciam ver o pai ideal como pouco mais do que um amigo ou companheiro de jogos dos filhos em escala adulta, ou como uma espécie de segunda mãe. Nenhum desses pontos de vista coincidia com a minha experiência.

O livro que eu queria tinha que ter uma abordagem completamente diferente. Deveria resumir a sabedoria coletiva dos pais como os homens a aprendiam de seus próprios pais até, digamos, o fim da Segunda Guerra Mundial, quando as forças sociais e familiares começaram a erodir e até mesmo interromper esses ensinamentos masculinos entre gerações.

O livro que eu queria deveria explicar a importância da dedicação e previdência estratégica a longo prazo de um pai; deveria dizer como a visão forte e apaixonada de um pai pode servir como um ideal que capacite as vidas futuras de seus filhos como homens e mulheres; deveria descrever como a responsabilidade especial de um pai, a mais crítica, é ensinar e formar o caráter de seus filhos; deveria explicar os principais obstáculos que estorvam o papel de educador de um pai na sociedade de hoje, e dizer aos homens o que poderiam fazer para superá-los. Então, dentro dessa linha, o livro deveria oferecer conselhos práticos e experimentados sobre como pais bem-sucedidos lidam com os filhos nas áreas mais cruciais: regras de família, disciplina, escola, esportes, diversão, mídia e trabalho em equipe constante com a própria esposa.

Para dizê-lo de outra forma, o livro que estava procurando daria aquilo de que qualquer homem precisa para assumir uma grande responsabilidade, seja em casa ou no trabalho, isto é, uma clara descrição do trabalho, um objetivo de longo prazo realista, um aviso sobre os obstáculos em potencial e o know-how experiente de outros que já exerceram o cargo e triunfaram.

Como não consegui encontrar esse livro em lugar nenhum, eu mesmo o escrevi. É este que você tem em mãos agora.

Assim, vamos em frente, e façamos a descrição do que é o trabalho de um pai.

 


 

(1) Lawrence Peter “Yogi” Berra (1925-2015), jogador de baseball, famoso por suas declarações cheias de trocadilhos e paradoxos. (N. do T.)

(2) Esta obra acompanha meu outro livro, A Bússola: Um Manual de Liderança para Pais [Compass: A Handbook on Parental Leadership], e necessariamente possui com este alguns textos em comum. A Bússola explica como os dois cônjuges trabalham como uma equipe em uma liderança dupla e unificada. Este livro, por outro lado, explora como os pais realizam as suas contribuições poderosas e particularmente masculinas na vida familiar. Para obter material atualizado e mais completo sobre estes e outros livros, acesse a minha página: <www.parentleadership.com>.

(3) No Brasil, equivalente aos ensinos fundamental e médio. “Escolas independentes” nos EUA são equivalentes às nossas escolas particulares, isto é, financiadas exclusivamente com seus próprios meios, e não pelo governo nem por outras instituições. (N. do T.)

(4) Quase todas as citações deste livro são aproximações, pois foram reconstruídas de memória, com frequência de muitos anos atrás. As pontuações de citação ou diálogo aqui usadas são apenas um recurso literário. Além disso, em geral modifiquei os nomes e circunstâncias pessoais das pessoas citadas para preservar a sua privacidade.