Polônia não abrirá o comércio aos domingos para dedicar esse dia a Deus, ao descanso e a família. O Congresso deste país aprovou na semana passada proteger o domingo, para impedir que as lojas abram neste dia e assim defender o descanso dos trabalhadores e respeitar o dia do Senhor.

A proposta foi apresentada pelos sindicatos do país Europeu, a qual foi acolhida pelo partido de governo Lei e Justiça, que é de caráter conservador, e pela mesma Igreja Católica, que deu as boas-vindas a esta iniciativa que busca manter o domingo como dia sagrado. A Conferência Episcopal deste país, através de um comunicado, felicitou a iniciativa.

Esta medida irá se implementar de maneira paulatina até 2020 quando as compras dominicais não serão permitidas. No ano de 2018 somente poderão abrir nos primeiros e últimos domingos do mês; e em 2019 somente no último. Já para 2020 todos os domingos serão festivos para os trabalhadores. Somente se permitirá abrir no domingo anterior a festas como Natal ou Semana Santa, além disso no último domingo de janeiro, abril, junho e agosto. Esta medida não se aplicará para o comércio online, nem para as padarias.

A votação ocorreu na sexta-feira, 24 de novembro, tendo como resultado um número significativo da votação: 254 deputados a favor de fechar o comércio aos domingos, 156 contra e 23 que se abstiveram de votar.

Para que a iniciativa seja estabelecida definitivamente resta somente que o Senado Polonês a ratifique antes de que seja assinada pelo presidente Andrzej Duda.

Em outros países europeus, como a Alemanha, a Constituição protege o descanso dominical. Assim diz o artigo 139: “o domingo e os dias reconhecidos oficialmente ficarão protegidos por lei como dias de descanso laboral e de recolhimento espiritual”.

O que diz o Catecismo

O debate sobre o tema também está aberto atualmente em países como França e Espanha, mas não se chegou a uma decisão que favoreça o descanso dominical.

O Catecismo da Igreja Católica em seu número 2176, diz sobre o Domingo como Dia do Senhor: “A celebração do domingo cumpre a prescrição moral, inscrita no coração do homem, de ‘dar a Deus um culto exterior, visível, público e regular sob o signo de sua bondade universal aos homens” (São Tomás de Aquino, Summa theologiae, 2-2, q. 122, a. 4). O culto dominical realiza o preceito moral da Antiga Aliança, cujo ritmo e espírito recolhe celebrando a cada semana ao Criador e Redentor de seu povo”.

O domingo é o dia por excelência para a celebração da Missa do Senhor. A este respeito o Catecismo assinala: “A celebração dominical do dia e da Missa do Senhor tem um papel principalíssimo na vida da Igreja. ‘O domingo, no qual se celebra o mistério pascal, por tradição apostólica, há de ser observado em toda a Igreja como festa primordial de preceito'”.

Gaudium Press

Somos contra a ‘ideologia de gênero’ porque ela busca distorcer a mente dos nossos filhos, confunde as crianças e mete na cabeça delas conceitos equivocados de sexualidade.”

A declaração poderia ter sido de qualquer manifestante que estava no SESC Pompeia, em São Paulo (SP), contra uma conferência da filósofa estadunidense Judith Butler no Brasil no início deste mês; mas é de um dos muitos que protestavam em frente ao Ministério da Educação em Lima, capital do Peru, em meados de março.

Na ocasião, milhares de peruanos saíram às ruas em defesa da família e contra a educação sexual nas escolas, em um processo semelhante ao que ocorre em outros países na América Latina. A mobilização teve apoio de setores religiosos e parlamentares.

Um levantamento feito pelo coletivo Actantes, em parceria com o Brasil de Fatoanalisou as ocorrências dos termos “Ideologia de Gênero” em páginas de Facebook de 1º de agosto a 20 de novembro. Além do Brasil e Peru, o termo teve destaque no Uruguai, Paraguai, Equador, Chile, Bolívia, Costa Rica e Panamá.

Grafo acima mostra interações na América Latina em torno do termo “ideologia de gênero”; em verde claro, temos o principal grupo formado no período, que reuniu as principais páginas da campanha “#ConMisHijosNoTeMetas”; em verde água, temos a participaçaão brasileira, com articulações em torno de Eduardo Bolsonaro, MBL; no terceiro maior grupo, em rosa, estão páginas ‘progressistas’ que representam a reação ao debate.

No período, foram mais de 8,4 mil publicações em 1.288 páginas na rede social, que geraram quase 3,8 milhões de compartilhamentos no Facebook. A principal hashtag usada pelos grupos #ConMisHijosNoTeMetas [Com meus filhos, não te metas, em espanhol], é também nome de um dos principais coletivos que têm articulado manifestações no Peru.

Gráfico sobre o aumento da busca do termo “ideologia de gênero” no Google nos últimos dez anos e quais os países que mais procuram no buscador. Fonte: Google Trends

O levantamento também explicitou a aproximação temática entre a ‘nova direita’ e os grupos evangélicos e católicos. Eles têm na agenda a pauta da defesa da família e dos valores tradicionais. A pesquisa encomendada pelo Brasil de Fato mostra as palavras mais utilizadas nas redes nesse contexto:

Ideologia gênero, mulher, criança, direito, pais, violência, homen, governo, família, feminista estão entre as palavras mais utilizadas

Educação

Em todo o continente, as publicações contrárias à “ideologia de gênero” nas redes sociais têm em comum as críticas aos planos de educação e o boicote a instituições, empresas, artistas e intelectuais julgados como promotores da diversidade sexual.

Por causa da pressão das mobilizações que ocorreram no país, no final do agosto, a Suprema Corte de Justiça do Peru anulou o enfoque à igualdade de gênero no currículo escolar de 2017. Com isso, o governo peruano recolheu os novos exemplares de livros didáticos. As edições haviam sido distribuídas há pouco menos de seis meses em mais de 11 mil escolas públicas do país.

Manifestação em Lima, Peru, em março deste ano. Crédito: Divulgação/ConMisHijosNoTeMetas

Os livros foram alvo de uma ação popular encabeçada pelo coletivo Padres en Acción [Pais em Ação]. A ministra da Educação à época, Marilú Martens, foi destituída do cargo. Ela defendia a resolução ministerial que inseriu no glossário do currículo escolar palavras como igualdade de gênero, sexualidade e orientação sexual.

Liz Medrano, da Marcha Mundial de Mulheres do Peru, explicou que as mobilizações começaram a tomar corpo em novembro de 2016, com a criação da Coordinadora Nacional Pro Familia [Coordenação Nacional Pró-Família], formada por grupos conservadores e entidades religiosas como a Alianza Cristiana y Misionera [Aliança Cristã e Missionária] e o Movimiento Misionero Mundial [Movimento Missionário Mundial], cujo fundador, Rodolfo González, é proprietário da Bethel Televisión, cadeia televisa peruana religiosa de sinal aberto, que fez campanha abertamente contra a reforma curricular.

“É sabido que os organizadores desta campanha são líderes de igrejas cristãs no Peru, que agora integram a Coordenação Nacional Pró-família”, diz Medrano. 

Mas, para a militante feminista, as mobilizações no Peru também revelaram a falta de conhecimento da população sobre os estudos de gênero: “A única resposta que te davam quando se perguntava o motivo pelo qual estavam se mobilizando era que o governo — impulsionado pela esquerda peruana e pelos movimentos de lésbicas, de gays e transsexuais — tinha interesse de ‘homossexualizar’ nossos alunos, tirar o domínio dos pais para convertê-los em homossexuais através do novo currículo”. 

Medrano afirmou ainda que as conquistas concretas do conservadorismo mostram a influência direta dos grupos religiosos. “Vale ressaltar que o Peru é um estado laico somente na teoria. Os resultados de agosto nos permitiram reafirmar que não: não somos um estado laico. A opinião da Igreja Católica (e de outras igrejas) tem um grande peso sobre as decisões políticas”, adicionou a feminista.

Equador

Manifestações contra a “ideologia de gênero” também foram convocadas no Equador em outubro deste ano. No país, o alvo mais recente foi a proposta da lei de prevenção e erradicação da violência de gênero contra as mulheres. 

Mas a professora da Universidad Central del Ecuador Soledad Varea ponderou que o discurso está presente no país desde 2004, pelo menos, quando começam as discussões do Código Orgânico de Saúde — um conjunto de leis que englobavam os direitos sexuais e reprodutivos e permitiam o acesso a métodos anticonceptivos e à Pílula do Dia Seguinte.

Relação de palavras entre grupos de esquerda revela principais termos utilizados nas redes para fazer frente à ofensiva conservadora

A influência conservadora também foi marcante no contexto das discussões constitucionais em 2008. Na época, grupos autointitulados pró-vida elegeram diversos representantes para redigir a nova Constituição do país, inclusive dentro do Alianza País, partido governista de esquerda, e inseriram, na Carta Magna, o que no Brasil chamamos de direitos do nascituro.

No Brasil, a polêmica em torno do termo cresceu a partir da tramitação do Plano Nacional de Educação, em 2014, quando as bancadas religiosas conseguiram retirar as referências a gênero e sexualidade do texto que dita as diretrizes e metas da educação.

Como estratégia de mobilização, os grupos de direita contra a chamada “ideologia de gênero” apostam em abaixo-assinados virtuais para marcar posição.

Essas petições online são, em sua maioria, encampadas pela plataforma espanhola CitizenGo, organização não-governamental com foco em pautas conservadoras. Ela reúne os principais abaixo-assinados que, em alguns casos, chegaram a coletar cerca de 400 mil assinaturas.

Fonte: Brasil de fato

Criticado pela mídia nos últimos dias por divulgar vídeos que mostram a intolerância religiosa de islâmicos, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump fez nesta quinta-feira (30) o discurso mais cristão de um presidente em décadas.

Ao contrário do seu antecessor Barack Obama, que nos seus oito anos evitou referências diretas ao cristianismo em seus discursos, optando por uma visão mais “inclusiva” da Natal, Trump disse que estava “recuperando” o hábito de um presidente comemorar a data.

Como praticamente tudo que ele fala vira polêmica, a simples frase “É minha tremenda honra desejar aos Estados Unidos e ao mundo um Natal muito feliz”, gerou críticas, sobretudo na imprensa.

Durante a tradicional cerimônia de acender a árvore de Natal em frente a Casa Branca, abrindo oficialmente a série de eventos comemorativos deste mês, durante quase 10 minutos Trump falou sobre o resgate das tradições e valorizou a família.

Ao lado da esposa Melania, ele deu continuidade à tradição que começou quase um século atrás, com o presidente Calvin Coolidge em 1923.

“Desde os primeiros dias de nossa nação, os americanos reconhecem que o Natal é uma época para a oração, louvor e gratidão. De pedirmos por boa vontade, paz e renovação”, enfatizou o presidente.

O bilionário, que venceu as eleições com apoio maciço dos votos evangélicos, possui um “conselho de pastores” que se reúne regularmente com ele desde a campanha.

Ele afirmou ontem em cadeia nacional de TV que, “Para os cristãos, esta é um período sagrado que marca a celebração do nascimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo”. Lembrou ainda que “A história de Natal começa 2.000 anos atrás com uma mãe, um pai, seu bebezinho e o dom mais extraordinário de todos: o amor de Deus para toda a humanidade”.

Trump enfatizou que “Jesus mudou para sempre o curso da história humana”, pois “Não há quase nenhum aspecto de nossas vidas hoje que não tenha sido influenciado por ele: arte, música, cultura, leis e o nosso respeito pela sagrada dignidade de cada pessoa em todos os lugares do mundo”.

Em sua fala, ele agradeceu aos militares, os policiais e os líderes religiosos por suas contribuições pela nação.

O tom quase pastoral da mensagem surpreendeu, por não se pautar no politicamente correto que parece predominar no meio político.

Ressaltando que “a família é o alicerce da sociedade”, ele disse acreditar que “o verdadeiro espírito do Natal não é mostrar aquilo que temos, mas quem nós somos. Cada um de nós é um filho de Deus. Essa é a verdadeira fonte de alegria nesta época do ano”. 

Fonte: CBN