Do ponto de vista histórico, talvez nenhum túmulo do mundo esteja tão apoiado em documentos de época, quanto o de São Pedro na Basílica Vaticana.

O lugar da sepultura havia sido mencionado pela primeira pelo presbítero Gaio, nos tempos do papa Zeferino (entre 198 e 217):

“Posso mostrar-te os troféus dos apóstolos [Pedro e Paulo]. Se quiseres dirigir-te ao Vaticano ou à Via de Óstia, encontrarás os troféus daqueles que fundaram esta Igreja [de Roma]” (in: Eusébio de Cesareia, História eclesiástica, II, 25, 7). Gaio entendia por “troféu” o corpo do mártir.

O martírio de Pedro é confirmado por Tertuliano, que, por volta do ano 200, escreve que a preeminência de Roma está ligada ao fato de que três apóstolos, Pedro, Paulo e João, nessa cidade ensinaram, tendo sido os dois primeiros mártires nela (cf. A prescrição contra os hereges, 36).

Clemente Romano, no ano 96, escreveu:

“Levemos em consideração os bons apóstolos: Pedro, que por inveja injusta suportou não um, nem dois, mas muitos sofrimentos, e assim, depois de ter dado testemunho, encaminhou-se para o merecido lugar da glória. […]

“Em torno desses homens [Pedro e Paulo], que se comportaram piamente, reuniu-se uma grande multidão de eleitos, os quais, depois de terem sofrido por inveja muitos ultrajes e tormentos, tornaram-se entre nós belíssimo exemplo”.

Entre muitos outros testemunhos históricos pode se citar os de:

Orígenes (185 – 253) responsável pela Escola catequética em Alexandria afirmou: “Pedro, ao ser martirizado em Roma, pediu e obteve fosse crucificado de cabeça para baixo”.

Santo Ireneu (130 – 202), bispo de Lião referiu:

“Para a maior e mais antiga a mais famosa Igreja, fundada pelos dois mais gloriosos Apóstolos, Pedro e Paulo”.

E ainda “Os bem-aventurados Apóstolos portanto, fundando e instituindo a Igreja, entregaram a Lino o cargo de administrá-la como bispo; a este sucedeu Anacleto; depois dele, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, Clemente recebeu o episcopado.”

E acrescentou: “Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja.”

Tertuliano (155-222 d.C.):

“A Igreja também dos romanos publica ‒ isto é, demonstra por instrumentos públicos e provas ‒ que Clemente foi ordenado por Pedro.

“Feliz Igreja, na qual os Apóstolos verteram seu sangue por sua doutrina integral!” ‒ e fala da Igreja Romana, “onde a paixão de Pedro se fez como a paixão do Senhor.”

São Eusébio (263-340 d.C.) bispo de Cesareia, escreveu a “História Eclesiástica” onde narra a história da Igreja das origens até 303, e diz: “Pedro, de nacionalidade galileia, o primeiro pontífice dos cristãos, tendo inicialmente fundado a Igreja de Antioquia, se dirige a Roma, onde, pregando o Evangelho, continua vinte e cinco anos Bispo da mesma cidade.”

“A sucessão de Bispos em Roma é nesta ordem: Pedro e Paulo, Lino, Cleto, Clemente etc..”Santo Epifânio (315-403 d.C.), bispo de Constância falando da sucessão dos Bispos de Roma, registrou:

Doroteu: “Lino foi Bispo de Roma após o seu primeiro guia, Pedro.”

Optato de Milevo: “Você não pode negar que sabe que na cidade de Roma a cadeira episcopal foi primeiro investida por Pedro, na qual Pedro, cabeça dos Apóstolos, a ocupou.”

São Cipriano (martirizado em 258), bispo de Cartago (norte da África), no livro De Ecclesiae Unitate diz: “A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal.”[28]

E o grande Santo Agostinho (354 – 430): “A Pedro sucedeu Lino.”

São Pedro morreu nos jardins de Nero, no Vaticano, ao lado de uma grande multidão de cristãos, na perseguição desencadeada por esse imperador.

É ao ano de 64, ano do início das perseguições que deve remontar, a data do martírio do Príncipe dos Apóstolos.

São Jerônimo punha o martírio de São Pedro no ano de 67, juntamente com o martírio de São Paulo.

O historiador romano Tácito descreveu essa perseguição:

“Portanto, em primeiro lugar foram presos aqueles que confessavam abertamente sua crença [na ressurreição de Cristo]; depois, por denúncia destes, foi presa uma grande multidão, não tanto sob a acusação de ter provocado o incêndio, mas, sim, pelo ódio que tinham à espécie humana.

“À morte de todos eles acrescentava-se o escárnio, pois que, revestidos de peles de animais, pereciam dilacerados pelos cães, ou eram pregados nas cruzes, ou queimados vivos, ao pôr-do-sol, como tochas para a noite.


“Por isso, embora fosse gente culpada e merecedora de tão originais tormentos, crescia um sentimento de piedade por eles, pois eram sacrificados não para o bem comum, mas em razão da crueldade de um só” (Anais, XV, 44, 4-5).“Nero cedeu seus jardins para esse espetáculo, e providenciou jogos circenses, participando deles misturado à multidão, em vestes de auriga, ou de pé sobre o carro.

O imperador Constantino deu liberdade ao cristianismo e o imperador Teodósio o fez religião oficial do Império.

Na segunda década do século IV, Constantino encerrou num monumento em alvenaria a sepultura de Pedro. Até então só havia um túmulo escavado diretamente na terra, perto do circo que marcava o limite setentrional dos jardins de Nero.

Por volta de 320, o mesmo imperador edificou uma basílica em função da sepultura.

Para isso foi necessário um grandioso trabalho de engenharia, que, de um lado, cortava os declives da colina Vaticana e, de outro, soterrava e utilizava como fundamentos as estruturas de uma necrópole dos séculos I e IV.

Quis Constantino que a basílica fosse o monumento que encerrava a sepultura do apóstolo. Por esse motivo, o eixo do edifício de Constantino não levou em conta, como teria sido mais fácil, a necrópole e o circo.

Assim, desde aquela época o sepulcro do apóstolo é o centro exato de do transepto da Basílica. E, por sua vez, o ponto de referência de tudo o que foi construído ao seu redor ao longo dos séculos.

Primeira basílica constantiniana com acréscimos medievais

Desde as sepulturas dos primeiros fiéis cristãos até as instalações para os peregrinos no início da Idade Média, tudo foi feito em volta do eixo da Basílica, cujo centro era o túmulo do Príncipe dos Apóstolos.

Acrescente-se ainda as estradas e os muros da civitas Leoniana edificados depois do saque dos sarracenos de 846 além do moderno bairro do Borgo.

A construção da atual basílica, fundada pelo papa Júlio II em 18 de abril de 1506, embora tenha levado à demolição da basílica constantiniana e de seus acréscimos medievais, respeitou rigorosamente a centralidade do sepulcro de Pedro.

O atual altar-mor, construído pelo papa Clemente VIII (1594), encontra-se exatamente acima do medieval, do papa Calixto II (1123), que, por sua vez, engloba o primeiro altar, do papa Gregório Magno (cerca de 590), construído sobre o monumento constantiniano que guarda o túmulo de Pedro.

O ápice da cúpula de Michelangelo se encontra em posição exatamente perpendicular acima desse altar.

O papa Pio XII dispôs uma escavação arqueológica sob o altar-mor da Basílica Vaticana. Essa aconteceu entre 1939 e 1949 e foi levada a cabo por quatro estudiosos de arqueologia, arquitetura e história da arte.

Tratou-se de Bruno Maria Apollonj-Ghetti; Pe Antonio Ferrua, S.J.; Enrico Josi e Pe. Engelbert Kirschbaum, S.J.; sob a direção de dom Ludwig Kaas, secretário da Insigne Fábrica de São Pedro.

Eles encontraram o monumento de Constantino, um paralelepípedo com cerca de três metros de altura, revestido de mármore pavonáceo e pórfiro.

Escavando ao longo dos lados do monumento constantiniano encontraram debaixo dele o túmulo de Pedro.

As escavações revelaram uma pequena capela, formada por uma mesa sustentada por duas pequenas colunas de mármore e apoiada num muro rebocado e pintado de vermelho (o chamado “muro vermelho”) em posição correspondente à de um nicho; no chão, diante do nicho, sob uma pequena laje, um túmulo escavado diretamente na terra.

Túmulo de São Pedro desde a nave central da basílica

A pequena capela, que pode ser datada do século II, logo foi identificada como sendo o “troféu de Gaio”.

Tratava-se do mais primitivo túmulo que guardou originalmente as relíquias.

Mas o túmulo encontrado estava vazio, pois as relíquias foram transferidas posteriormente.

O monumento constantiniano havia englobado também uma outra estrutura, ao lado da capela, um pequeno muro perpendicular ao “muro vermelho”.

Esse pequeno muro foi denominado “muro dos grafitos”, pois, na face oposta à capela, continha um grande número de grafitos sobrepostos uns aos outros, anteriores ao próprio Constantino.

No interior do pequeno muro, havia sido escavado em tempos antigos, seguramente depois da inserção dos grafitos e antes do arranjo definitivo do monumento constantiniano, um lóculo em forma de paralelepípedo revestido de mármore em toda a base e, até uma certa altura, nos quatro lados, um dos quais, o ocidental, terminava justamente no “muro vermelho”.

Segundo a reconstrução elaborada mais tarde pela arqueóloga Margherita Guarducci, desse lóculo havia sido retirada grande parte do material que continha.

“Pedro está aqui”

Dali provém um importantíssimo documento. Trata-se um fragmento extremamente pequeno (3,2 x 5,8 cm) de reboco vermelho, sobre o qual está grafitado, em grego, a expressão “PETR[Oc] ENI”, ou seja, “Pedro está aqui”.

Túmulo de São Pedro, visto desde a cripta

Os estudos de Guarducci entre 1952 e 1965, levaram à decifração dos grafitos mostrando que estes continham uma ampla série de invocações a Cristo, a Maria e a Pedro, sobrepostas e combinadas.

Os mesmos estudos, compostos de pesquisas complexas e bem articuladas, realizadas com o máximo rigor científico, permitiram constatar que nesse lóculo tinham ficado as relíquias de Pedro depois de retiradas do túmulo escavado na terra.

Onde estavam então as relíquias?

Encontravam-se numa pequena caixa extraída daquele mesmo lóculo durante as excavações dos cientistas e guardada nas dependências das Grutas Vaticanas.

Depois de analisados, os restos mortais revelaram-se pertencentes a um só homem, de compleição robusta, que morrera em idade avançada.

Tinham incrustações de terra e mostravam terem sido envolvidas num pano de lã colorida de púrpura, com trama de ouro.

As relíquias eram compostas de fragmentos de todos os ossos do corpo, exceto dos ossos dos pés, dos quais não havia o menor vestígio.

Esse pormenor, realmente singular, não podia deixar de trazer à memória a circunstância da crucifixão inverso capite (de cabeça para baixo), atestada por antiga tradição como símbolo da humildade de Pedro.

Os resultados desse tipo de crucifixão, ou seja, a separação dos pés, eram visíveis nos restos do corpo encontrado.

Crucifixão de São Pedro. Massaccio, Pisa

A mesma circunstância correspondia perfeitamente a um conhecimento bem sólido, do ponto de vista histórico: o do costume romano de tornar espetaculares as execuções dos condenados à morte.

O cadáver dos executados, privado do direito de sepultura, era abandonado no lugar do suplício.

Foi o que ocorreu a Pedro, levado à morte sem nenhuma distinção, entre muitos outros; só quando foi possível recuperar o corpo é que o apóstolo foi sepultado na terra, da maneira mais humilde – provavelmente às pressas, no lugar mais próximo à disposição.

O arqueólogo Antônio Ferrua descobriu ainda características das substâncias químicas contidas na ossada, pertencente a um homem que viveu a maior parte de sua vida próximo do Lago de Tiberíades, na Galileia.

Por fim, no encerramento do Jubileu de 1950, Pio XII deu o anúncio do reconhecimento da sepultura de Pedro, que uma tradição antiquíssima e unânime também atestava, e a ciência arqueológica confirmava.

“Nos subterrâneos da Basílica Vaticana estão os fundamentos da nossa fé. A conclusão final dos trabalhos e dos estudos responde um claríssimo ‘sim’: o túmulo do Príncipe dos Apóstolos foi encontrado”.

Via Aleteia

Vi na televisão um programa sobre a Chapada dos Veadeiros. Surpreso, fiquei sabendo de quantas pessoas vivem ali à espera de um contato com extraterrestres. Um desses devotos dos ETs vive numa verdadeira disciplina ascética, preparando-se para o encontro com os seres de outros planetas; é vegetariano, vive na pobreza e fez voto de castidade; chega mesmo a rezar para eles…

Como é louca a humanidade! Como é desorientada a nossa civilização ocidental! Primeiro, a partir do século XVIII, declaramos que o homem se tornara adulto e emancipado. Era necessário matar toda verdade religiosa e tudo quanto não coubesse na cachola miúda da razão humana. Assim, negou-se toda religião sobrenatural, toda revelação de Deus a Israel e inventou-se, no Ocidente, um deus distante, teórico, Arquiteto do Universo, distante, frio e inútil… Depois, nosso Ocidente negou Deus de vez: era preciso matar Deus – dizia-se – para que o homem vivesse de verdade. Assim, esta nossa civilização ocidental, colocou o homem no trono que pertence somente a Deus.

Esta razão endeusada e este homem no centro de tudo (na escola no ensinaram o absurdo que foi um ótimo negócio passar do teocentrismo medieval para o antropocentrismo do renascimento, como se o homem fosse Deus e Deus fosse apenas um detalhe…) levaram o Ocidente a duas guerras crudelíssimas, com mais 70 milhões de mortos… Depois das guerras (do nazismo em nome da razão, do fascismo em nome da racionalidade, do marxismo em nome da ciência e da história), veio a ressaca: não se crê mais em nada: nem no Deus revelado, nem na razão, nem nas instituições, nem nos grandes projetos…

Agora, não é mais o homem no centro; é somente o indivíduo, sozinho, fechado, egoísta, com uma ilusãozinha, uma moralzinha, um projetozinho, um deusinho segundo a sua imagem e semelhança medíocre e escrava de mil paixões…

No vazio de Deus, na negação do cristianismo, o Ocidente encontra-se perdido – alegremente perdido, bebadamente iludido e inconsciente de sua perdição! Procura-se desesperadamente encher o vazio existencial e encontrar um sentido para a vida no consumismo, no poder a qualquer custo, nas drogas, no endeusamento da natureza, no turismo desenfreado, nas seitas, na promiscuidade, na busca frenética pelo prazer e a autoafirmação… É assim: tire Deus, apague o Cristo da consciência do nosso Ocidente e fica somente o vazio, um homem infantilizado, presa das velhas práticas pré-cristãs…

Era para ser claro, palpável: sem Deus, o homem definha, o homem torna-se menos homem. Fomos, todos nós, feitos para o Infinito, para o Absolutamente Outro, o Eterno, e somente nessa abertura encontramos o Sentido, a Direção, o Eixo da nossa existência. O homem não é fruto da natureza; o homem é fruto do Autor na natureza, que nela impregna um desígnio, um sonho de amor: o homem é imagem de Deus, criado para Deus, com um coração que não se contenta com menos que Deus! Tire Deus e endeuse o que não é Deus; elimine o Deus verdadeiro e torne-se escravo de mil ídolos mentirosos!

O cristianismo, na Antiguidade, vencendo o paganismo, deu ao Ocidente a firmeza conceitual e a clareza de visão da vida e do mundo que permitiram o surgimento de uma civilização que tornou-se planetária. Esse Ocidente volta as costas para o Cristo e torna-se presa de todos os infantilismos e escravidões dos quais o cristianismo o havia libertado: desprezo pela vida humana, adoração infantilóide na natureza, falta de sentido para a existência, angústia, medo do sofrimento e da morte…

Que você, meu Amigo, tenha certeza: ainda haveremos de ver muita coisa! A tolice tem ares de sabedoria; a superstição tem pose de religião; a loucura tem fama de profunda lucidez…

Pobre homem, pobre Ocidente! Quanto precisamos de Deus; quantos temos necessidade daquele que é o Caminho, a Verdade e a Vida!

Dom Henrique Soares da Costa

Bispo de Palmares, PE

Via Aleteia

Em entrevista à Agência Sir, o bispo de  Barinas e presidente da Conferência Episcopal Venezualena, denuncia o problema da fome e da desnutrição, a deterioração da saúde de crianças e adultos, a fuga ao exterior de mais de 2 milhões de jovens e adultos, as violações dos direitos humanos e a falta de democracia.

Lançamos um apelo urgente ao governo sobre temas como a desnutrição e a falta de saúde, e pedimos para que seja aberto um processo democrático e de participação dos cidadãos”, afirma Dom Azuaje.

“Fazemos votos de que se possa chegar a um processo de negociações entre governo e oposição, capaz de favorecer o povo que está sofrendo e não os partidos. A nossa missão é defender a vida das pessoas e da população. Dizemos isto continuamente, quer ao governo como aos partidos de oposição’.

Emergência humanitária

Na Venezuela – recorda o presidente da Conferência Episcopal Venezuelana – “estamos em uma situação crítica no lado humanitário: faltam alimentos, não existem remédios, os produtos necessários para a produção agrícola, o transporte de mercadorias é difícil. Existem muitos produtos não encontrados nas lojas ou são muito caros. O salário médio dos trabalhadores não é suficiente para assegurar uma dieta suficiente. Isto gera muita inquietação e desolação”.

Privilégios somente para o Partido do governo

Neste contexto – prossegue o prelado – “a cada dia há uma nova declaração por parte do governo e da Assembleia Constituinte, que favorece somente o partido do governo e os governantes, sem levar em consideração as instâncias do povo. Infelizmente nos encontramos em uma situação muito grave e delicada, por causa da pouca democracia que restou e da emergência humanitária”.

Dom Azuaje reitera que “a Igreja está sempre aberta a qualquer processo de diálogo”.

(Agência Sir)

As respostas dos jovens católicos da África Oriental e da América ao questionário publicado em vista do Sínodo sobre os jovens dão uma fascinante visão sobre as preocupações e as esperanças das jovens gerações de cristãos.

Um problema que foi levantado em ambos os contextos é o desejo de grupos de estudo da Bíblia nas paróquias, algo que os jovens adultos desses dois continentes radicalmente diferentes dizem que inexiste atualmente.

Para os jovens que vivem na África Oriental, o estudo bíblico é visto como uma ferramenta vital para prepará-los para debates apologéticos com outros cristãos pentecostais. Para os jovens da América do Norte, a pesquisa constatou que os jovens têm fome de oportunidades para compartilhar a fé conectadas com a sua vida cotidiana.

Isso significa que, contrariamente à crença popular de que os jovens estão desinteressados pelas em questões de espiritualidade, muitos, de fato, estão desesperados por oportunidades de encontro e amizade com outros membros do corpo de Cristo para aprofundar a sua compreensão da fé.

Vale ressaltar que muitos dos que responderam ao questionário são católicos comprometidos, que, por natureza, têm um certo nível de interesse pela religião que não seria encontrado na população em geral. Mas, com o aumento da popularidade da meditação, do mindfulness e da ioga, uma conexão com um poder superior é algo que a maioria dos jovens procuram, mas eles simplesmente estão procurando respostas fora da Igreja.

Com poucas paróquias católicas que organizam regularmente grupos de estudo bíblicos para jovens em nível local, estaríamos perdendo uma oportunidade? Os evangélicos no Reino Unido parecem estar à frente nesse jogo, já que muitas Igrejas carismáticas e pentecostais organizam semanalmente “pequenos grupos” que se reúnem nas casas das pessoas para discutir as homilias dominicais e para rezar uns pelos outros. Grupos pequenos, grupos em casa, grupos conectados, grupos via celular – eles têm muitos nomes – são uma maneira pela qual os membros de uma Igreja específica se conectam fora da celebração dominical e se reforçam mutuamente na fé, afinal “o ferro se afia com o ferro” (Provérbios 27, 17). Esses grupos garantem que novos membros da congregação não se sintam “perdidos” em uma grande Igreja, mas, ao contrário, são acolhidos na comunidade e apoiados.

Os benefícios de adotar essa abordagem na Igreja Católica são óbvios: os jovens seriam livres para desenvolver a sua fé fazendo perguntas sobre as Escrituras em um ambiente amigável. Eles seriam encorajados a construir relações duradouras com amigos cristãos que poderiam prover orientação espiritual e apoiá-los nos momentos mais desafiadores da vida. Isso pode até produzir oportunidades indispensáveis para se encontrar um cônjuge com as mesmas opções de vida.

Mas, se as dioceses ainda têm que inserir no DNA das suas paróquias essa nova maneira de organizar as comunidades, primeiro é necessária uma mudança cultural sísmica no sentido de maior participação dos leigos. O clero deveria investir na formação de lideranças dentro de suas paróquias que possam organizar pequenos grupos de estudo da Bíblia e, depois, agir como seu ponto de contato, caso surjam problemas ou questões difíceis que eles não se sentem capazes de responder.

Parece que, se os católicos querem aceitar o desafio do Papa Francisco de serem, em primeiro lugar, uma “Igreja em escuta” e, depois, uma “Igreja que ensina”, um bom começo seria encorajar a formação de pequenos grupos de estudo bíblico para jovens. Assim como os Cursos Alpha da tradição anglicana foram tão bem-sucedidos na criação de um espaço seguro em que os não cristãos e os agnósticos podem fazer perguntas sobre a fé, assim também os grupos de estudo da Bíblia favoreceriam um ambiente para que os católicos comprometidos possam abordar questões que lhes são pertinentes.

O questionário revelou que uma das principais preocupações dos jovens adultos envolve, talvez previsivelmente, questões relacionadas com os relacionamentos, o sexo e o namoro. Se a Igreja não oferecer espaços em que essas discussões possam ocorrer, em que a orientação e a sabedoria dos casais católicos possam ser ouvidas, os jovens simplesmente vão procurar por respostas em outro lugar, muitas vezes em detrimento deles mesmos.

Revista The Tablet Via IHU

A política de gênero da Europa Ocidental é “uma enorme tragédia e as próximas gerações verão suas repercussões”, disse o metropolitano Hilarion (Alfeev) de Volokolamsk, líder do departamento de relações externas da Igreja do Patriarcado de Moscou, no canal televisivo Rossiya 24, no sábado.

“As decisões tomadas em muitos países europeus hoje em dia são impostas pela mesma ideologia que já destruiu muitas famílias, a ideologia que afirma que um indivíduo pode escolher o gênero, que mesmo na infância é possível definir quem serão seus parceiros no futuro – homossexuais ou não“, disse o metropolitano Hilarion.

“Todas as cirurgias de redesignação de sexo são baseadas em mentira e enganação”, disse. “As mentiras são introduzidas através da ideologia, que, por sua vez, vêm através da educação escolar. É uma enorme tragédia da Europa ocidental contemporânea e de todo o mundo ocidental contemporâneo. Talvez apenas as próximas gerações vão entender a dimensão da tragédia”.

Segundo ele, é impossível mudar de gênero, mas “é possível colocar uma máscara sobre a redesignação de sexo”.

“Significa que as características externas do ser humano são passíveis de serem alternadas. Então, suponhamos que um homem ter a aparência de mulher”, disse o arcebispo. “No entanto, este homem não pode ter um bebê e nunca vai ser uma mulher de verdade.”

A Igreja “sempre vai chamar a atenção contra essas mentiras e enganações”, acrescentou.

“O que é um transtorno mental, o que poderia ser corrigido e curado, é apresentado como norma, e as pessoas são forçadas a se desfigurar. Há muitos casos em que as pessoas voltam à sanidade. Quando fizeram operações das mais difíceis, redesignando o gênero ou mudando a cor da pele”, disse o metropolitano Hilarion. “Depois, percebem que foram apenas enganados, mas não há o que possa ser reparado”.

A informação é publicada por Tass.

Visto como acabou a história da ovelha Dolly, que envelheceu prematuramente depois de poucos meses e, em seguida, foi morta para não a fazer sofrer, pobrezinha, esperava-se que ninguém voltasse a tentar uma coisa dessas.”

O cardeal Elio Sgreccia tem a voz trêmula daqueles que tentam, em vão, conter a perplexidade.

Presidente emérito da Pontifícia Academia para a Vida, ele é um dos maiores bioeticistas da Igreja, autor de um “Manual de bioética”, que se tornou um clássico do pensamento católico. Foi ele quem liderou a pesquisa para a redação da Dignitas personae, a instrução de referência em tema de bioética da Congregação para a Doutrina da Fé. Um documento assinado em 2008 pelo prefeito William Levada e pelo secretário Luis Ladaria, nomeado no ano passado por Francisco à frente do Santo Ofício.

Eminência, o que lhe preocupa?

A vontade que está por trás de tal pesquisa. Vejo nela uma ameaça para o futuro da humanidade. Primeiro a ovelha, depois, o macaco. Parece ser a tentativa de se aproximar do homem, como se fosse um penúltimo passo. Uma perspectiva que a Igreja, naturalmente, nunca poderá aprovar.

O Homúnculo do “Fausto”, de Goethe, fala disso…

Sim, justamente. Se quiserem brincar com a criação devastando os níveis metafísicos… Por que querer clonar um macaco? Qual é o motivo? Querem reproduzir carne? Seres humanos falsos? Isso me faz suspeitar…

O que o senhor quer dizer com “devastar os níveis metafísicos?

A tentativa de apagar a diferença ontológica entre o ser humano e os animais. Por trás da vontade de clonar um macaco, pode-se esconder uma tendência que já surgiu em outros setores de pesquisa, a de levar o ser humano na direção do macaco, e o macaco na direção do ser humano, e, por fim, considerar o macaco igual ao ser humano.

Mas não poderia ser, mais simplesmente, um extraordinário passo do ponto de vista médico?

Se se quiser fazer pesquisa biológica ou médica, não há a necessidade de abalar a ordem natural. Além disso, também na instrução da Congregação para a Doutrina da Fé, explica-se que a distinção entre clonagem reprodutiva e clonagem terapêutica é insustentável.

O que a Igreja pensa sobre a clonagem animal?

Ao contrário da hipótese da clonagem humana, sobre a qual a Igreja só pode expressar sua condenação mais total e firme, sobre a clonagem animal o magistério ainda não expressou uma condenação explícita, oficial. Deixou-se o tema à avaliação dos cientistas responsáveis. No entanto, essa tendência não deve ser apenas um problema da Igreja.

Em que sentido?

Para um fiel, é inaceitável. Mas tal manipulação profunda deveria ser sentida por todos como uma ameaça à pessoa humana, a tentativa de degradar sua dignidade.

Jornal Corriere della Sera via IHU

Não é fácil ouvir um não, receber críticas ou aceitar que o outro pense de modo diferente do seu. Mas tudo isso é essencial para que os relacionamentos cresçam de forma saudável. Parece conteúdo de um livro de autoajuda? Talvez.

Embora o tema esteja, de fato, se tornando cada vez mais frequente nos exemplares que chegam às livrarias de todo o mundo, o público ao qual eles tentam falar parece nem perceber que é com ele. No último ano, recebeu até nome: geração floco de neve — ou os jovens adultos que não aceitam ser contrariados.

A professora universitária Myrian del Vecchio tem percebido novos “integrantes” dessa população de poucos anos para cá na sala de aula. “Não devemos rotular uma geração, mas esta parece ter uma sensibilidade muito aflorada. Tenho alunos de 19, 20 anos, que não aceitam críticasdeixam de fazer trabalhos porque dizem estar deprimidos ou têm receio de enfrentar determinadas tarefas”, conta.

Um exemplo: na disciplina de redação, do curso de jornalismo da UFPR, Myrian costuma compartilhar leituras jornalísticas com a turma. São textos de autores renomados, como Eliane Brum (uma das mais premiadas jornalistas brasileiras) e Truman Capote, do clássico livro-reportagem “A Sangue Frio”.

Em geral, o conteúdo das obras é denso (tratam de temas como assassinatos, pobreza extrema, doenças mentais), mas essencial de ser abordado. E, segundo Myrian, muitos alunos não suportaram as leituras, ou se negaram a fazer os exercícios sobre as obras. “É claro que isso não se aplica à maioria, mas a realidade dura tem chocado bastante. Só que, querendo ou não, isso faz parte do jornalismo”, diz.

A psicanalista Juliane Kravetz explica que é comum algumas situações gerarem angústia, mas é importante tentar enfrentá-las. “Se torna um problema quando a pessoa passa a usar sua sensibilidade ou sintoma de depressão para mascarar algo que realmente pode ajudar em seu crescimento pessoal”, afirma.

Origem do termo é política

O termo ganhou popularidade há pouco mais de um ano no meio político, quando partidários da direita passaram a se referir à oposição como “pobres flocos de neve” durante as polêmicas acaloradas sobre o Brexit e as eleições norte-americanas (que tiveram como protagonistas Donald Trump e Hillary Clinton).

Mas bastou pouco tempo para que a crítica logo ultrapassasse as barreiras políticas e fosse adotada ao vocabulário dos cidadãos mundo afora.

O Dicionário Collins foi o primeiro a adotar o termo à lista de palavras do ano no início de novembro de 2016. Em seguida, o de Cambridge também acrescentou o significado de “geração floco de neve” em seu material.

Para Ulisses Natal, coordenador adjunto do curso de psicologia da PUCPR, estas são formas de traduzir as relações sociais e pessoais da modernidade. “É o espelho de como está a sociedade.”

O culpado é sempre o outro

Não é fácil admitir o próprio erro ou aceitar uma opinião contrária porque essas são questões que afetam o ego. Basta surgir uma situação que desperte um conflito de crenças (ou mesmo que desafie as potencialidades do indivíduo) para que os dedos em riste tomem o lugar da autoavaliação.

“É muito fácil colocar a culpa no outro, mas é essencial refletir sobre as próprias frustrações de forma racional. A nota baixa que você recebeu é mesmo culpa do professor? Tem problema se alguém não concorda com o que você diz?”, questiona Natal.

Para ele, a raiz do problema está na falta de frustrações sofridas durante a infância. “As crianças precisam se frustrar. Quando os pais dizem sim para tudo, elas crescem achando que ninguém deve lhes impor limites”, diz.

Mas há esperança. Os dois especialistas são unânimes sobre como lidar com a frustração na vida adulta: o único modo é entender mais de si mesmo. “É preciso entender que a satisfação não precisa ser completa. Quando se tem a plenitude, não há mais nada a ser buscado”, afirma Kravetz.

Narcisimo?

A dificuldade em admitir o próprio erro ou aceitar críticas construtivas, segundo a psicanalista, é uma forma de narcisismo exacerbado. “As pessoas falam muito de diversidade [de opiniões], mas caem em um discurso vazio, porque não aceitam ser contestadas”, comenta.

Já a professora não enxerga essa mudança como um sintoma do personagem do mito grego, que morreu ao ficar obcecado com a própria beleza. “Vejo como um receio, uma autodefesa. A gente tem que ir quebrando aos poucos essa capa protetora em que esses jovens se envolveram. Pode levar um tempo, mas acredito no amadurecimento durante o processo.”

Fonte Original Jornal Gazeta do Povo

Quando imaginamos um floco de neve, nós o associamos à beleza e singularidade, mas também à sua enorme vulnerabilidade e fragilidade. Estas são precisamente duas das características que definem as pessoas que atingiram a idade adulta na década 2000. Afirma-se que a geração “floco de neve” seja formada por pessoas extremamente sensíveis aos pontos de vista que desafiam sua visão do mundo e que respondem com uma suscetibilidade excessiva às menores queixas, com pouca resiliência.

A voz de alarme, por assim dizer, foi dada por alguns professores de universidades como Yale, Oxford e Cambridge, que notaram que a nova geração de alunos que frequentavam suas aulas era particularmente suscetível, não tolerante à frustração e particularmente inclinados fazerem uma tempestade em um copo de água.

Cada geração reflete a sociedade que eles viveram

Dizem que as crianças saem mais ao padrão da sua geração que aos pais. Não há dúvida de que, para entender a personalidade e o comportamento de alguém, é impossível abstrair do relacionamento que estabeleceu com seus pais durante a infância e a adolescência, mas também é verdade que os padrões e expectativas sociais também desempenham um papel importante no estilo educacional e moldam algumas características de personalidade. Em resumo, podemos dizer que a sociedade é a terra onde a semente é plantada e crescida e os pais são os jardineiros que são responsáveis por fazer crescer.

Isso não significa que todas as pessoas de uma geração respondam ao mesmo padrão, felizmente há sempre diferenças individuais. No entanto, não se pode negar que as diferentes gerações têm metas, sonhos e formas de comportamento característico que são o resultado das circunstâncias que tiveram que viver e, em alguns casos, tornam-se inimagináveis em outras gerações.
Claro, o mais importante é não colocar rótulos, mas analisemos para entender o que está na base desse fenômeno, para não repetir os erros e para que possamos dar a devida importância a habilidades de vida tão importantes quanto a Inteligência Emocional e a resiliência.

3 erros educacionais colossais que criaram a geração “floco de neve”

1. Superproteção. A extrema vulnerabilidade e escassa resiliência desta geração têm suas origens na educação. Estes são, geralmente, crianças que foram criadas por pais superprotetores, dispostos a pavimentar o caminho e resolver o menor problema. Como resultado, essas crianças não tiveram a oportunidade de enfrentar as dificuldades e conflitos do mundo real e desenvolver tolerância à frustração, ou resiliência. Não devemos esquecer que uma dose de proteção é necessária para que as crianças cresçam em um ambiente seguro, mas quando impede que explorem o mundo e limite seu potencial, essa proteção se torna prejudicial.

2. Sentido exagerado de “eu”. Outra característica que define a educação recebida pelas pessoas da geração “floco de neve” é que seus pais os fizeram sentir muito especiais e únicos. Claro, somos todos únicos, e não é ruim estar ciente disso, mas também devemos lembrar que essa singularidade não nos dá direitos especiais sobre os outros, já que somos todos tão únicos quanto os outros. O sentido exagerado de “eu” pode dar origem ao egocentrismo e à crença de que não é necessário tentar muito, uma vez que, afinal, somos especiais e garantimos o sucesso. Quando percebemos que este não é o caso e que temos que trabalhar muito para conseguir o que queremos, perdemos os pontos de referência que nos guiaram até esse momento. Então começamos a ver o mundo hostil e ameaçador, assumindo uma atitude de vitimização.

3. Insegurança e catástrofe. Uma das características mais distintivas da geração do floco de neve é que eles exigem a criação de “espaços seguros”. No entanto, é curioso que essas pessoas tenham crescido em um ambiente social particularmente estável e seguro, em comparação com seus pais e avós, mas em vez de se sentir confiante e confiante, temem. Esse medo é causado pela falta de habilidades para enfrentar o mundo, pela educação excessivamente superprotetora que receberam e que os ensinou a ver possíveis abusos em qualquer ação e a superestimar eventos negativos transformando-os em catástrofes. Isso os leva a desejarem se bloquear em uma bolha de vidro, para criar uma zona de conforto limitado onde eles se sintam seguros.

Para entender melhor como a educação recebida afeta uma criança, é importante ter em mente que as crianças procuram pontos de referência em adultos para processar muitas das experiências que experimentam. Isso significa que uma cultura paranóica, que vê abusos e traumas por trás de qualquer ato e responde com superproteção, gerará efetivamente crianças traumatizadas. A forma como os adultos enfrentam uma situação particularmente delicada para a criança, como um caso de abuso escolar, pode fazer a diferença, levando a uma criança que consegue superar e se torna resiliente ou uma criança que fica com medo e torna-se uma criança vítima

Qual é o resultado?

O resultado de um estilo de parentesco superprotetivo, que vê o perigo em todos os lugares e promove um sentido exagerado de “eu”, são pessoas que não possuem as habilidades necessárias para enfrentar o mundo real.

Essas pessoas não desenvolveram tolerância suficiente à frustração, então o menor obstáculo os desencoraja. Nem desenvolveu uma Inteligência emocional adequada, então eles não sabem como lidar com as emoções negativas que certas situações suscitam.

Como resultado, eles se tornam mais rígidos, se sentem ofendidos por diferentes opiniões e preferem criar “espaços seguros”, onde tudo coincide com suas expectativas. Essas pessoas são hipersensíveis à crítica e, em geral, a todas as coisas que não se encaixam na visão do mundo.

Também são mais propensos a adotar o papel das vítimas, considerando que estão todos contra ou equivocados. Desta forma, eles desenvolvem um local de controle externo, colocando a responsabilidade sobre os outros, em vez de se encarregar de suas vidas e mudar o que podem mudar.

O resultado também é que essas pessoas são muito mais vulneráveis ao desenvolvimento de transtornos psicológicos, do estresse pós-traumático à ansiedade e à depressão. Na verdade, não é estranho que o número de transtornos de humor aumente ano após ano.

Fonte:
Mistler, BJ et. Al. (2012) The Association for University and College Counseling Center Directors Annual Survey Reporting. Pesquisa do AUCCCD ; 1-188

Este artigo foi publicado originariamente no site Rincón Psicología via Revista Pazes.

 

Desde que assumiu o cargo, o presidente da República francesa desenvolve uma visão singular do lugar das religiões na sociedade. Embora exposto às críticas de uma opinião pública que defende uma laicidade sem concessões, ele parece determinado a evitar que se instaure uma “religião laica”.

O discurso ainda não está agendado. Nem nas próximas semanas. Talvez durante o próximo semestre, mas não se sabe. Quando o presidente da República pronunciará o seu (esperado) discurso sobre a laicidade?

“Estava previsto para dezembro”, lembra o historiador e sociólogo Philippe Portier. Mas a morte de Johnny Hallidey e a de Jean d’Ormesson, os sobressaltos de uma violenta polêmica (Charlie Hebdo contra Mediapart) jogaram a agenda pelos ares.

Por enquanto, o caso está à espera e alimenta uma disputa cada vez mais evidente com uma ala muito combativa no campo da laicidade. De fato, Emmanuel Macron já explicitou sua concepção em abordagens sucessivas, fingindo não tocar no assunto.

Desde que assumiu o cargo, ele aproveitou, discurso após discurso, todas as oportunidades para desenvolver uma visão em ruptura com os cinco anos de François Hollande e de Nicolas Sarkozy.

Seu antecessor não se ocupava do fato religioso. “Com o conceito de normalidade, sob François Hollande, era o território do vazio”, enfatiza Philppe Portier. Uma visão materialista, enquanto Macron defende, em vez disso, uma “laicidade do diálogo”, inspirada claramente na filosofia de Paul Ricoeur, e devolve às religiões um lugar de verdade.

Em várias ocasiões, ele prometeu que elas seriam consultadas sobre um tema altamente candente em 2018, a revisão das leis de bioética.

“Ele confia nos religiosos para oferecer argumentos ao debate público”, observa Philippe Portier.

Porém, Emmanuel Macron não tende a uma visão “comunitarista” no estilo anglo-saxão. Mesmo que, em seu projeto, ele inseriu a dimensão plural da França religiosa de 2018, de fato, ele se situa em uma concepção liberal da lei de 1905.

“Emmanuel Macron estabelece uma distinção extremamente precisa entre aquilo que pertence ao político e aquilo que pertence ao religioso. Mas ele não fecha a porta a uma mútua colaboração ativa”, é a análise da historiadora da laicidade Valentine Zuber.

Surpreendentemente para um presidente francês, Emmanuel Macron manifesta um grande respeito pela fé religiosa. Ele desenvolveu fortemente esse tema no seu discurso à Prefeitura de Paris em setembro passado, por ocasião dos 500 anos da Reforma.

“A identidade de vocês como protestantes não se constrói na aridez de uma sociologia, mas em um diálogo intenso com Deus, e é isso que a República respeita e que a laicidade de 1905 protege. […] A República não pede que vocês neguem a sua fé ou a esqueçam”, declarava.

Ao se declarar agnóstico hoje, ele mesmo tem um percurso singular. Aos 12 anos, o jovem Emmanuel pediu o batismo. “Sem o consentimento dos seus pais”, explica Philippe Portier.

“A sociologia nos ensina que uma conversão continua sendo algo de relevante para um indivíduo”, continua o pesquisador. De acordo com o presidente da República, a “fé laica” não seria capaz de preencher o “vazio metafísico” enfrentado por cada indivíduo, e esse é também um dos critérios fundamentais desenvolvidos por ocasião dos votos às autoridades religiosas no início de janeiro.

Esse posicionamento espiritual e liberal descontenta a linha-dura sobre a laicidade. Entre os defensores dessa linha, encontramos o ex-primeiro-ministro Manuel Valls, o filósofo Henri Peña-Ruiz, a ensaísta Caroline Fourest, o semanário Marianne ou ainda uma organização como a União das Famílias Laicas (UFAL)…

“Esse discurso não pode ser bom para eles. Essas pessoas laicas – de tipo identitário – baseiam a sua luta ‘emancipatória’ em uma concepção de laicidade que tende a desqualificar e a excluir do debate comum as diversas propostas religiosas”, ressalta Valentine Zuber.

O projeto de Emmanuel Macron é o de uma sociedade que seja, ao mesmo tempo, tolerante e pacificada. Porque, depois da onda sangrenta de atentados, a França é um país traumatizado e que custa para se recuperar. Política e filosoficamente, Macron se deu conta de que as polêmicas recorrentes contribuíam para criar divisão.

“Emmanuel Macron denuncia a tentação, sempre presente, de fundar uma espécie de ‘religião laica’. Mas esta, criando uma relação de concorrência frontal entre um pensamento filosófico republicano e os discursos religiosos, só agravaria, segundo o presidente, os mal-entendidos e as fraturas da sociedade francesa”, explica a historiadora da laicidade.

Ao mesmo tempo, podemos dizer que o presidente corre um risco, o de dar a impressão de privilegiar o diálogo com as religiões. Mesmo que se mostre exigente com elas…

Témoignage Chrétien, nº 3759

O Instituto Latinobarômetro divulgou, em 12 de janeiro de 2018, por ocasião da visita do Papa Francisco ao Chile, um pesquisa sobre as tendências religiosas, especialmente do catolicismo, na América Latina e Caribe (ALC). A América Latina tinha 4 países onde a Igreja Católica possuía uma representação abaixo de 50% da população em 2013 e passou para 7 países, em 2017. No conjunto, o catolicismo está passando de altas para baixas taxas de afiliação na região

O gráfico abaixo mostra que os católicos representavam 80% da população da ALC (18 países) em 1995, caiu para 70% em meados da década passada e atingiu o nível mais baixo, de 59%, em 2017. Oito países estavam acima da média e dez países abaixo da média. O destaque dos países mais católicos são o Paraguai (89%) e México (80%). Mas os católicos representavam mais de 60% da população no Equador, Peru,Colômbia, Bolívia, Venezuela e Argentina.

Abaixo da média (de 59% da ALC) em 2017, mas acima de 50%, estavam a Costa Rica(57%), Panamá (55%) e Brasil (54%). Abaixo da média, mas acima de 40%, estavam República Dominicana (48%), Chile (45%), Guatemala (43%) e Nicarágua (40%). Já abaixo de 40% estavam El Salvador (39%), Uruguai (38%) e Honduras (37%).

Nota-se que o Chile vinha apresentando uma leve tendência de queda da presença católica na população total até 2010, mas a perda de fiéis se acelerou depois de 2011. Entre 1995 e 2009 a queda da presença católica no Chile foi de 74% para 65% (queda de 9 pontos em 14 anos). Mas de 2009 a 2017 a queda foi de 20 pontos em oito anos.

A tabela abaixo mostra como foi a perda das filiações católicas nos 17 países da ALC entre 1995 e 2017 e o aumento de 77% para 80% no México, no mesmo período. A maior queda ocorreu em Honduras, onde os católicos caíram de 76% em 1995 para 37% em 2017, uma perda impressionante de 39% em 22 anos. Se essa tendência se mantiver, os católicos desaparecerão de Honduras nos próximos 21 anos.

A perda de filiações católicas também foi muito acima da média na Nicarágua (queda de 37% em 22 anos) e no Panamá (queda de 34%). Em El Salvador a queda foi um pouco menor (de 29% em 22 anos), mas isto porque a presença católica já era relativamente pequena em 1995, sendo que ficou em apenas 40% em 2017.

O Chile (queda de 29%) e o Brasil (queda de 25%) também apresentaram grande queda entre 1995 e 2017, mas a queda do Chile foi maior na segunda década do século XXI, sendo que os católicos chilenos já perderam a maioria absoluta. A Argentina continua bem mais católica do que o Brasil e o Chile, mas a perda de católicos tem se dado no ritmo de 1% ao ano. Neste ritmo os católicos argentinos podem perder a maioria absoluta no espaço de 15 anos. O único país em que os católicos se fortaleceram, no período, foi o México.

Cabe indicar que o Uruguai se destaca não só como o segundo país menos católico da região, mas também como um dos mais secularizados, ou seja, com maior presença de pessoas que se declaram sem religião, agnósticos ou ateus. O gráfico abaixo mostra o crescimento do percentual de pessoas que se declaram sem religião na ALC. Percebe-se que os sem religião mais do que quadruplicaram, passando de 4% em 1995 para 18% em 2017. A novidade desta nova pesquisa do Latinobarômetro é que o Chile tomou o lugar do Uruguai como o país mais secularizado da região.

 

As pessoas que não optaram por qualquer religião, em 2017, atingiu 35% no Chile, 31% no Uruguai, 30% em El Salvador, 28% na República Dominicana, 25% na Nicarágua e assim por diante, sendo que os sem religião estavam em 14% no Brasil(o que coincide com uma pesquisa do Datafolha de dezembro de 2016). Bolívia e Paraguai são os dois países menos secularizados.

 

Ao contrário do Brasil, a queda do percentual de católicos no Uruguai e no Chile não foi acompanhada por um aumento significativo dos evangélicos. O Brasil é o maior país católico do mundo e a ALC é o continente mais católico do Planeta. A queda acentuada de católicos poderá ter uma grande implicação para a correlação de forças internacionais entre as grandes religiões globais. 

 

Fonte EcoDebate via IHU

Mais do que nunca católicos têm deixado a Igreja – mais do que em qualquer outra religião – e um novo estudo publicado esta semana tenta ajudar desvendar por que razão tantos jovens adultos saem tão cedo do catolicismo.

O relatório intitulado “Going, Going, Gone: The Dynamics of Disaffiliation in Young Catholics”, publicado pela Saint Mary’s Press, editora de Minnesota, EUA, em colaboração com o Centro de Pesquisa Aplicada no Apostolado (Center for Applied Research in the Apostolate – CARA), da Universidade de Georgetown, vem num momento em que o Papa Francisco tenta centrar a atenção da Igreja sobre as necessidades dos jovens adultos.

Embora as respostas dos aproximadamente 1.500 jovens pesquisados neste estudo não sejam definitivas nem conclusivas, elas provavelmente servirão como um instrumento útil na dianteira da próxima Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema: os jovens, a fé e o discernimento vocacional, evento convocado pelo Papa Francisco a se realizar em outubro deste ano em Roma.

Como Francisco escreveu no documento preparatório para o Sínodo, “Através dos jovens, a Igreja poderá ouvir a voz do Senhor que ressoa inclusive nos dias de hoje”.

Se este for o caso, então há muito a se ouvir e aprender com este novo relatório qualitativo.

Conforme observa o estudo, a população católica dos EUA cresceu junto com a população geral do país nos últimos anos. Mais do que nunca, no entanto, católicos têm deixado a Igreja, num índice maior do que qualquer outra denominação cristã.

“De todas as grandes denominações, o catolicismo tem visto as maiores perdas líquidas como consequência das mudanças de afiliação, apesar de estas perdas estarem sendo compensadas grandemente com a imigração hispânica aos Estados Unidos”, escrevem os autores.

Dados de 2015 do Centro de Pesquisas Pew revelam que o número de americanos que não mais estão religiosamente afiliados aumentou de 16,1% em 2007 para 22,8%, uma estimativa de 19 milhões de americanos. Geralmente esta população recebe o nome de “os sem religião”, grupo que compõe aproximadamente 56 milhões de pessoas no país.

Com base na amostra envolvida no estudo, os autores estimam que “aproximadamente 12,8% dos jovens adultos americanos entre 18 e 25 anos são ex-católicos, e que aproximadamente 6,8% dos adolescentes dos EUA entre 15 e 17 anos são ex-católicos”.

Uma parcela equivalente a 74% da população envolvida no estudo disse que deixou o catolicismo entre os 10 e 20 anos.

Embora as respostas individuais variem, “a desafiliaçao da Igreja é, em grande parte, uma escolha pensada, consciente e intencional feita pelos jovens em uma sociedade secularizada onde a fé e a prática religiosa são vistas como uma opção entre muitas”, lê-se no texto publicado.

Na tentativa de entender por que razão católicos jovens deixam a Igreja, os pesquisadores categorizaram as respostas em três grandes grupos: os machucados, os flutuadores e os dissidentes.

Para os jovens machucados, a experiência, seja com a própria família, seja com a própria Igreja, muitas vezes leva a um conflito religioso que os conduz a se separar dela.

No âmbito das experiências nesta categoria estão o divórcio, a doença e a morte. Os autores observam que, embora a religião frequentemente seja considerada uma fonte de esperança e sustentação nestas circunstâncias, este pode também ser um período em que os laços com a Igreja são cortados.

Os flutuadores, no entanto, deixam a Igreja devido a uma desconexão lenta entre aquilo que descrevem como “regras e rituais sem sentido” da Igreja versus aquilo que vivenciam no “mundo real”. Para muitos dentro desta população, o exemplo dos pais é igualmente essencial.

“Os jovens irão inconscientemente absorver as atitudes dos pais”, escrevem os autores.

Se os flutuadores demonstram uma atitude para com a Igreja como aquela de quem diz

“E daí?”, os dissidentes são conhecidos por uma resistência mais ativa a certos ensinamentos católicos. Embora a oposição a questões nevrálgicas – como o ‘casamento’ gay, o uso de métodos contraceptivos e o aborto – seja o mais comum, muitas vezes o desacordo deste grupo tem a ver com temas mais fundamentais de doutrina, tais como a salvação, o céu e o inferno.

De acordo com os resultados trazidos no relatório, 35% dos respondentes não têm mais nenhuma forma de afiliação religiosa, 29% se identificam com uma afiliação cristã não protestante, 14% se identificam como ateus ou agnósticos e 9% como protestantes.

Entre as várias dinâmicas de desfiliação, os autores identificaram as seis causas originárias principais: um evento ou uma série de eventos que levaram à dúvida; o aumento da secularização cultural; um novo sentido de liberdade após abandonar a crença religiosa; uma rejeição de uma religião que eles creem foi lhes passada forçosamente; a convicção de que é possível viver uma vida ética sem religião; e uma disposição a reavaliar a sua religiosidade caso sejam presenteados com argumentos ou provas racionais.

John Vitek, presidente e CEO da St. Mary’s Press e um dos principais autores do relatório, disse que a principal finalidade do estudo foi apresentar um fórum em que os jovens pudessem trazer suas histórias “em suas próprias palavras, sem censuras ou filtros”.

Segundo os autores, o estudo deverá fazer com que as lideranças pastorais reflitam sobre duas questões principais em consideração da juventude que têm deixado a Igreja:“Sabemos quem eles são – a profundidade de suas histórias – nós os conhecemos pelo nome?” e “Sentimos, hoje, a falta dessas pessoas, agora que elas foram embora?”

De fato, levantar questões para consideração e fornecer uma plataforma para as vozes dos jovens que deixaram o catolicismo constituem o uso duplo deste estudo: um tópico de debate que será central não só para a Igreja nos Estados Unidos, mas para a Igreja Católica como um todo – e não somente para este ano, mas para o futuro mais adiante.

Christopher White, publicada por Crux, 17-01-2018.

Em alguns países do mundo, as pessoas já podem ser identificadas como intersexuais ou ter o gênero indefinido em suas certidões de nascimento, o que é chamado de terceiro gênero. Além do sexo feminino e masculino, Austrália, Nova Zelândia, Canadá, Nepal e Índia, por exemplo, já aprovaram leis que garantem que as pessoas podem escolher a opção “outro”, “X”, entre algumas variações.

Mas se nos registros a questão pode ser resolvida de forma aparentemente simples, quando o assunto é esporte há mais dúvidas do que respostas e o debate precisa ir além de preconceito e inclusão.

A discussão chegou com mais força nas últimas semanas por causa da jogadora Tifanny, maior destaque da Superliga feminina de vôlei. Antes do processo de transição de gênero, que incluiu diminuição dos níveis de testosterona e cirurgia de mudança de sexo, Tifanny ainda atuava, sem expressividade, como Rodrigo em times de segunda divisão. Hoje é a maior pontuadora do campeonato brasileiro e foi cogitada para a seleção.

Nem durante a Rio-2016 falou-se tanto no assunto, apesar de o COI (Comitê Olímpico Internacional) ter definidas regras para a participação de transgêneros na competição. Sabe-se que delegações como a da Grã-Bretanha tinham atletas trans, sem que isso fosse divulgado. Houve também certa polêmica em relação à medalhista de ouro nos 800 metros, a sul-africana Caster Semenya, que já teve que provar que era mulher, por ter os níveis de testosterona muito altos. Na imprensa internacional há reportagens sobre Semenya ser, na verdade, transexual.  

É uma discussão necessária. Homens e mulheres competem em categorias específicas por uma questão simples: fisiologia. Mulheres têm desempenho melhor nos esportes em que a flexibilidade faz a diferença, enquanto homens têm rendimento superior em modalidades que exigem capacidade aeróbica, cardíaca e muscular.

Não é justo que sejam colocados para competir de igual para igual. Portanto, não é à toa que a presença de Tifanny tenha causado mal-estar entre as atletas adversárias. O assunto virou tabu porque ninguém quer se pronunciar para não parecer preconceituoso, mas o fato é que muitas se sentem em desvantagem.

Na semana que vem, como mostrou reportagem da Folha, a FIVB (Federação Internacional de Vôlei) vai se reunir para discutir a presença de trans no esporte. Fala-se em ter um controle mais rígido e na diminuição dos níveis de testosterona no sangue permitidos para que atletas sejam liberados.

Não é tão simples. Pelas regras do COI, o controle da testosterona só precisa ser aferido em dois exames durante os últimos 12 meses antes da liberação. Alguns estudos apontam que o organismo pode demorar anos e anos para sentir os efeitos da perda hormonal.

Ou seja, o corpo masculino esculpido duas décadas ou mais não muda suas características de uma hora para outra apenas por causa da queda desse combustível. Capacidade muscular e pulmonar, ossos mais fortes, continuam ali e podem fazer diferença brutal no desempenho, ainda mais se comparado ao corpo feminino. Fisiologia.

É difícil saber como o COI vai lidar com os novos tempos. Mas talvez na próxima Olimpíada não seja tão simples separar homens e mulheres em duas categorias. Ou a entidade define limites mais rígidos em relação à transição sexual (idade limite seria um deles? Não sei) ou talvez precise pensar em criar a categoria X para adequar a competição ao século 21

Autora do artigo: Mariliz Pereira Jorge

O governo autônomo da região da Andaluzia (Espanha) publicou de maneira oficial a “Lei para garantir os direitos, a igualdade de trato e não discriminação das pessoas LGTB e seus familiares na Andaluzia”.

Com esta lei, obrigarão os meios de comunicação e centros escolares, incluindo os colégios católicos, a aceitar a ideologia de gênero e penalizarão com multas de 6 mil a 120 mil euros o descumprimento dos aspectos desta lei.

Segundo precisa a lei, “a diversidade sexogenérica é uma realidade patente que está transformando a grande velocidade as formas e tradições de entender as sexualidades, as identidades e os direitos que tem aparelhados”.

Por isso, asseguram que “esta transformação está alcançando uma veloz e progressiva aceitação e reconhecimento social, o que obriga as instituições a regular esta nova realidade”.

No Boletim Oficial da Junta de Andaluzia afirma-se que esta nova lei adotará “as medidas necessárias para transformar os conteúdos educativos que impliquem discriminação ou violência física ou psicológica apoiadas na orientação sexual” tanto no âmbito do ensino privado, público e semi-público.

A maior parte das escolas semi-públicas, quer dizer, financiadas com recursos públicos e contribuições econômicas dos pais dos alunos, são centros católicos.

Meios de comunicação também serão penalizados

Em relação aos meios de comunicação, aqueles que forem de titularidade autônoma ou recebam ajudas ou subvenções públicas “deverão fomentar a conscientização, divulgação e transmissão da inclusão social e o respeito à diversidade sexual e identidade de gênero, emitindo conteúdos que contribuam a uma percepção das pessoas LGTBI isenta de estereótipos”.

Entre as infrações graves para os meios de comunicação também incluiriam a promoção, difusão ou execução “por qualquer meio de qualquer tipo de terapia para modificar a orientação sexual e a identidade de gênero a fim de ajustá-la a um patrão heterossexual e/ou bissexual”.

De igual maneira, os meios de comunicação deverão “fomentar a conscientização, divulgação e transmissão da inclusão social e o respeito da diversidade sexual e identidade de gênero”.

Para controlá-lo, a Comunidade Autônoma de Andaluzia adotará uma autorregulação através de códigos deontológicos que incorporarão o respeito à igualdade. 

Também estarão penalizados o uso e a emissão de maneira reiterada de expressões vexatórias por razão de orientação sexual, identidade sexual ou expressão de gênero ou que incitem à violência contra as pessoas LGTBI ou suas famílias, na prestação de serviços públicos em qualquer meio de comunicação, em discursos ou intervenções públicas ou através das redes sociais.

ACI