A bola vai rolar a sério a partir do final de fevereiro nos gramados romanos: começará na Cidade Eterna a XII Clericus Cup, que popularmente é conhecida como a “Copa do Mundo dos Padres“.

O torneio é disputado por times dos seminários e centros de formação de sacerdotes na capital italiana e é realizado em parceria pelo Centro Esportivo Italiano, pelo Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida e pelo Pontifício Conselho para a Cultura, do Vaticano. Na edição de 2017, participaram 404 padres de 66 nacionalidades em 18 times.

Também chamada de Campeonato Mundial Pontifício, a Clericus Cup é uma iniciativa de integração e convivência fraterna entre os sacerdotes e seminaristas que estudam em Roma.

Por isso mesmo, o campeonato adapta as regras do futebol tradicional para lhes dar um sentido mais transcendente: não há cartões amarelo e vermelho, por exemplo, mas apenas o “cartão azul”, que é levantado pelo árbitro quando algum jogador fica de cabeça mais quente que o adequado. Nesse caso, o atleta que cometeu a indisciplina é convidado a “refletir sobre o que fez” durante oito minutos. Além dessa educativa adaptação, outra diferença é que cada tempo das partidas dura meia hora em vez de 45 minutos.

Na edição 2018, pela primeira vez, um mesmo sacerdote será o árbitro oficial de todo o campeonato: Jordan Coraglia, 43 anos, da diocese italiana de Brescia. Ele já foi árbitro de futebol na sua própria cidade antes de entrar no seminário. Ele afirma que “podemos educar e evangelizar através do esporte, inclusive com o apito”.

De fato, a Igreja sempre incentivou as atividades esportivas como meio saudável de integração, amizade e cuidado do próprio corpo, que é templo do Espírito Santo. 

No encontro privado há alguns dias com os párocos romanos, Francisco falou de sua década de “desorientação”, até 1992. Ele disse ter vivido “o tempo de uma grande desolação, um tempo obscuro”.

“Eu pensava – continuou – que já era o fim da minha vida”, porque, “sim, eu era confessor, mas com um espírito de derrota”. E ainda: “Eu rezei muito, nesse tempo, mas estava seco como uma madeira”, porque “eu acreditava que a plenitude da minha vocação estava em fazer coisas”. No entanto, “não abandonei a oração, e isso me ajudou”.

O Papa Francisco não tem medo de falar de si, entrando até nos momentos mais reservados e, ao mesmo tempo, obscuros da sua vida. As palavras que ele mesmo diz de improviso, ao se encontrar, na semana passada, com os párocos de Roma na Basílica de São João de Latrão, são a parte mais íntima de sua vida e vão desvendar, com simplicidade, o tempo de uma espécie de noite escura vivida pelo futuro papa na Argentina, entre o início dos anos 1980 e 1992, ano em que João Paulo II o nomeou bispo auxiliar de Buenos Aires.

Depois de um telefonema do núncio vaticano na Argentina, Ubaldo Calabresi, “eu abri, depois, outra porta”, contou. Bergoglio, que completou 45 anos em 1981, vivia um momento de difícil passagem da sua vida. Depois de ter se tornado, com apenas 37 anos, o superior da província argentina da Companhia de Jesus e, depois, reitor do Colégio Máximo de San Miguel, tornou-se confessor, cargo no qual não se achou completamente.

Passou um período na Alemanha, dedicado a terminar uma tese de doutorado sobre Romano Guardini, que, porém, nunca chegaria a defender, e depois partiu para Córdoba, onde, “como trabalho”, foi diretor espiritual e confessor da Igreja da Companhia de Jesus.

Foram anos duros para ele, de escuridão, até mesmo de incompreensões dentro da Companhia, um período que os biógrafos definem como “exílio”. E nos quais Bergoglio muitas vezes teve que repetir para si mesmo: “Agora eu não sei o que fazer”.

Ele nunca imaginaria o que aconteceria depois: a nomeação a bispo auxiliar, a liderança de toda a diocese de Buenos Aires, a eleição ao sólio de Pedro em 13 de março de 2013, exatamente há cinco anos.

É verdade, como ele mesmo revela em um livro-entrevista escrito com o sociólogo francês Dominique Wolton, ainda em 1978, ele viveu um período de inquietação – “o demônio do meio-dia”, como é chamada na Argentina a crise da meia-idade – enfrentado, “durante seis meses, uma vez por semana”, com uma psicanalista judia que o ajudou muito.

Mas aqui parece que ele teve que enfrentar algo mais profundo, uma crise na vocação, resolvida apenas graças à oração e, em particular, a uma relação “face a face com o Senhor, falando, conversando, dialogando com Ele”.

A noite escura é de muitas mulheres e homens de fé, “um espinho na carne”, diz São Paulo. João da Cruz escreve sobre isso e fala da noite dos sentidos e do espírito, momento de labuta, sofrimento, dúvida, sensação de solidão e de abandono por parte de Deus. Uma escuridão, explica o carmelita espanhol, desejada por Deus para purificar o alma da ignorância e libertá-la dos apegos a afetos, pessoas e coisas, que as impedem de ter o ímpeto para o alto e para a união amorosa com Ele.

Ela foi vivida, entre muitos, também por Teresa de Calcutá, que se sentiu por muito tempo “abandonada por Deus”. Ela sorria para todos, mas dentro de si não tinha nada mais do que escuridão.

Bergoglio não chegou a dizer que se sentiu abandonado por Deus. No entanto, sua desorientação é real. Mas, confidenciou aos padres romanos, para muitos sacerdotes pode ser assim: “É um momento áspero, mas libertador. O que passou, passou”. Depois “há outra idade, outro seguir em frente”.

E, de fato, tudo mudou posteriormente. O jesuíta que, em 1978, ouviu, enquanto estava no carro, que haviam eleito Karol Wojtyla ao sólio de Pedro, um homem cujo nome ele custa a repetir, partiu para Roma em 2013, convencido de voltar para casa logo.

As coisas ocorreram de forma diferente. Bergoglio se tornou Francisco e ficou longe da sua Argentina. Mas a crise dos anos de Córdoba passou, hoje. Aos seus colaboradores, ele repete que não sente saudade alguma do seu país. Ele escolheu morar em Santa Marta não por rejeitar o luxo do apartamento apostólico, mas porque aqueles quartos lhe parecem um funil ao contrário, uma porta pequena na entrada de espaços grandes demais.

Em Santa Marta, ele vê as pessoas, reza, trabalha, não se sente sozinho. A estrada é plana. A noite escura já parece ter desaparecido.

La Repubblica

Um estudo publicado em novembro de 2017 na revista científica Infant and Child Development indicou que a escolha de brinquedos por meninos e meninas parece depender não apenas de fatores socioculturais, mas também de forças inatas.

Assinado por sete psicólogos britânicos, o artigo analisou 16 estudos realizados com 787 meninos e 813 meninas e constatou que a preferência de meninos por brinquedos voltados a meninos e de meninas por brinquedos voltados a meninas se mantém independentemente de localização geográfica, escolaridade, faixa etária e a presença de adultos durante a brincadeira.

Segundo os autores, a constância da preferência das crianças nas mais variadas circunstâncias indica “a probabilidade de que isso tenha origem biológica”.

O estudo apontou também que os meninos brincam mais com brinquedos de menino à medida que ficam mais velhos, o que não acontece com as meninas. “Isso indica que efeitos sociais estereotípicos permanecem por mais tempo nos meninos ou que há uma predisposição biológica mais forte por certas brincadeiras entre eles”, diz o texto.

Os pesquisadores perceberam também que em estudos mais antigos, tanto meninos quanto meninas brincavam mais com brinquedos voltados para o seu sexo – uma tendência que vem regredindo em estudos mais recentes.

Fonte Sempre Família

Uma pesquisa apresentada na 125ª Convenção Anual da Associação Americana de Psicologia (APA) revelou que a idade na qual uma pessoa é exposta pela primeira vez à pornografia é significativamente associada a certas atitudes de maltrato contra as mulheres no futuro.

O nome do estudo é “Age and Experience of First Exposure to Pornography: Relationes to Masculine Norms” (Idade e experiência da primeira exposição à pornografia: Relações com as normas masculinas) e foi apresentado pelas pesquisadoras da Universidade de Nebraska- Lincoln (Estados Unidos), Alyssa Bischmann e Chrissy Richardson.

“Descobrimos que quanto mais jovem o homem assistiu pela primeira vez a pornografia, mais provável era a sua busca de poder sobre as mulheres. E quanto mais velho o homem em sua primeira exposição à pornografia, mais provável que ele queira participar de comportamentos sexualmente promíscuos”, disse Bischmann.

O estudo, segundo indica o site da APA, avaliou 330 estudantes universitários do sexo masculino e lhes perguntou sobre o seu primeiro contato com a pornografia. Também perguntaram sobre as suas atitudes em relação às mulheres e compararam ambos os resultados.

De acordo com a coautora Chrissy Richardson, a descoberta foi surpreendente porque os pesquisadores esperavam que as atitudes de promiscuidade e do desejo de exercer poder sobre a mulher fossem mais altas enquanto a primeira idade de contato com a pornografia fosse menor.

“A descoberta mais interessante deste estudo foi que com a idade avançada na primeira exposição previu uma adesão maior às normas masculinas promíscuas. Esta descoberta provocou muitas outras perguntas e ideias potenciais de pesquisa, porque era tão inesperado com base no que sabemos acerca da socialização do papel do gênero e da exposição na mídia”, disse Richardson.

Bischmann desconfia que os resultados podem estar relacionados a variáveis ??não examinadas, como a religiosidade dos participantes, a ansiedade pelo desempenho sexual, as experiências sexuais negativas ou se o primeiro contato foi positivo ou negativo.

“É necessário fazer mais pesquisas”, indicou.

Entre o grupo, a idade média do primeiro contato com a pornografia foi de 13,37 anos, 5 anos foi a idade menor e 26 a maior. A maioria dos homens indicou que o seu primeiro contato foi acidental (43,5%), intencional (33,4%) ou forçado (17,2%). E 6% não indicou a natureza da exposição.

Entretanto, apesar dos dados mencionados, ninguém determinou como os homens se relacionam com as mulheres.

“Ficamos surpresos que o tipo de exposição não afetasse se alguém quisesse exercer poder sobre as mulheres ou participasse de comportamentos promíscuos. Esperávamos que as experiências intencionais, acidentais ou forçadas tivessem resultados diferentes”, concluiu Bischmann.

Em março deste ano, uma análise de 50 estudos descobriu que a pornografia está significativamente ligada a uma baixa satisfação nas “relações sexuais e relacionais” dos homens.

A análise incluiu 50.000 participantes de 10 países diferentes e contradiz outro estudo que afirmava que a pornografia tem um impacto positivo em seus consumidores.

No dia 12 de fevereiro, completou-se 209 anos do nascimento de Charles Darwin, o reconhecido cientista que propôs a teoria da evolução através da seleção natural, um processo de transformação das espécies por meio de mudanças produzidas em gerações sucessivas.

O trabalho de Darwin, que foi divulgado em 1859, é aceito hoje por praticamente todos os cientistas. Entretanto, esta teoria é compatível com a fé católica?

Pe. Jorge Loring, em seu livro ‘Para Salvar-te’, afirmou sobre a teoria de Darwin que, embora “o corpo possa vir por evolução”, não ocorreria o mesmo com a alma de uma pessoa, porque esta “é espiritual”.

“Há muitos teólogos católicos que defendem esta teoria, que não é condenada pela Igreja. A partir da fé e da filosofia, não há inconveniente em admitir a teoria da evolução”, acrescentou.

Por sua parte, Pe. Mariano Artigas, doutor em filosofia, física e teologia, adverte em seu livro ‘As fronteiras do evolucionismo’ que o fato da evolução “é uma hipótese e não há algo cientificamente indiscutível. Afirma-se, mas não se prova”.

Em 1950, o Papa Pio XII afirmou na encíclica Humani Generis que o Magistério da Igreja não proíbe “que nas investigações e disputas entre homens doutos de ambos os campos se trate da doutrina do evolucionismo, que busca a origem do corpo humano em matéria viva preexistente”. Porém, enfatizou que “a fé nos obriga a reter que as almas são diretamente criadas por Deus”.

O próprio Darwin disse ao final de seu livro ‘A origem das espécies’ que “é grandioso o espetáculo das forças variadas da vida que Deus infundiu nos seres criados, fazendo-os se desenvolver em formas cada vez mais belas e admiráveis”.

Pew Research Center reuniu 6 fatos sobre o que as pessoas pensam em relação à evolução.

Segundo o estudo Religious Landscape Study, aproximadamente 6 de cada 10 adultos norte-americanos (62%) dizem que os seres humanos evoluíram com o tempo. Entretanto, 33% do total expressa a crença de que os seres humanos e outros seres vivos evoluíram exclusivamente devido aos processos naturais.

Um quarto dos adultos norte-americanos (25%) diz que a evolução foi guiada por um ser supremo.

A mesma pesquisa indicou que 34% dos norte-americanos rejeitam completamente a evolução.

2. A maioria dos cientistas acredita que os seres humanos evoluíram com o tempo

De acordo com uma pesquisa de 2014 sobre ciência e sociedade, enquanto 98% dos cientistas da ‘Associação Norte-americana para o Avanço da Ciência’ acreditam que os seres humanos evoluíram com o tempo, apenas dois terços (66%) dos norte-americanos, em geral, acreditam que os cientistas estejam de acordo sobre a evolução.

O público em geral que rechaça a evolução está dividido sobre se existe um consenso científico a respeito do tema: ‘47% diz que os cientistas estão de acordo com a evolução e 46% diz que não.

3. Decisões judiciais proíbem o ensinamento do Design Inteligente em escolas públicas

A teoria do Design Inteligente aponta a uma inteligência superior que deve ter criado a complexidade do sistema da criação.

Apesar dos esforços de muitos estados e cidades norte-americanas por proibir o ensino da evolução em escolas públicas e ensinar alternativas à evolução, os tribunais negaram nas últimas décadas os planos de estudo que se desviam da teoria evolutiva.

4. As igrejas protestantes são mais propensas a rechaçar a evolução nos EUA

Segundo o estudo Religious Landscape Study, uma sólida maioria (57%) de protestantes assegura que os seres humanos e outros seres vivos sempre existiram em sua forma atual.

Estas opiniões se refletem em grande medida nas posições das grandes igrejas protestantes, assim como, em muitos casos, na maioria de seus membros.

5. A maioria dos norte-americanos afirma que ciência e religião costumam estar em conflito

Segundo uma pesquisa de 2015, a maioria dos norte-americanos (59%) afirma que a ciência e a religião estão frequentemente em conflito. Entretanto, os que são mais praticantes de sua religião são menos propensos que outros a ver este “choque”.

Entre os que vão à igreja ao menos uma vez por semana, a metade (50%) considera que a religião e a ciência estão em conflito, em comparação aos que raramente ou nunca vão à igreja (73%).

Ao mesmo tempo, a maioria das pessoas (68%) diz que suas próprias crenças religiosas pessoais não chocam com a doutrina científica aceita.

6. Comparado aos Estados Unidos, em outros países a evolução é mais rejeitada

Na América Latina, aproximadamente 4 de cada 10 habitantes de vários países – incluindo Equador, Nicarágua e República Dominicana – dizem que os seres humanos e outros seres vivos sempre existiram em sua forma atual.

Isso ocorre mesmo quando os ensinamentos oficiais do catolicismo, que é a religião majoritária na região, não rejeitem a evolução.

Por outro lado, os muçulmanos em muitas nações estão divididos. Entretanto, a maioria dos países, como Afeganistão, Indonésia e Iraque, rejeitam a evolução.

ACI

Bento XVI não pode caminhar, nem se levantar sozinho. “Meu irmão sofre uma doença debilitante”, segundo seu irmão, Georg Ratzinger. Afirmações que foram desmentidas oficialmente pela Sala de Imprensa do Vaticano.

“As supostas notícias de uma doença debilitante ou degenerativa são falsas”, esclareceu a Sala de Imprensa do Vaticano. “Dentro de dois meses, Bento XVI completará 91 anos e, como ele mesmo disse recentemente, sente o peso dos anos, como é normal nesta idade”, acrescentou.

Em uma entrevista a Neue Post, e que havia sido publicada pela versão alemã Vatican News, o irmão padre confirmava o que todos pensavam quando o Papa emérito escreveu, na semana passada, ao Corriere della Sera: estamos assistindo aos últimos dias do pontífice alemão.

Por causa de seu estado de saúde, Ratzinger se vê obrigado a “recorrer à cadeira de rodas”, e sua saúde vai se apagando lentamente, segundo seu irmão. “A maior inquietação é que a paralisia acabe chegando em seu coração, e então tudo poderia acabar velozmente”, afirmou Georg.

“Rezo todos os dias para pedir a Deus a graça de uma boa morte, em um bom momento, para mim e para meu irmão. Ambos temos este grande desejo”, acrescentou. Georg Ratzinger, quatro anos mais velho que seu irmão, estava prevendo visitar Bento XVIno dia 8 de abril, uma semana antes de seus 91 anos (no dia 16), “mas é muito tempo, quem sabe o que acontecerá até então”.

Apesar de tudo, os dois irmãos falam por telefone com certa assiduidade. Perguntado sobre isso, o porta-voz vaticano, Greg Burke, não quis fazer comentários, embora tenha se remetido à carta que o próprio Papa emérito enviou, na semana passada, ao Corriere, e na qual falava de seu “último trecho do caminho” e o declive de suas forças físicas. No último domingo, completaram-se cinco anos do anúncio da histórica renúncia de Bento XVI, que se efetivou no dia 28 desse mês.

Religión Digital

Cinco anos se passaram desde 11 de fevereiro de 2013, quando Bento XVI anunciou a decisão de renunciar ao Pontificado. Aquele gesto, que pegou o mundo de surpresa, é cada vez mais compreendido como um grande ato de amor pela Igreja.

Alessandro Gisotti, do Vatican News, entrevistou dom Alfred Xuereb, hoje secretário-geral da Secretaria para a Economia, que foi o vice-secretário de Bento XVI de 2007 até o fim do Pontificado.

“Tenho muitas recordações do Papa Bento XVI e não quero esquecê-las, para manter aqueles anos vivos em minha memória. Obviamente, os momentos mais fortes foram ligados à sua renúncia. Lembro-me muito bem quando em 5 de fevereiro de 2013, ele me chamou em sua sala e me anunciou a decisão de renunciar. Naquela hora, pensei em lhe pedir para pensar um pouco mais… mas não o fiz, porque sabia que ele havia rezado muito. E justamente ali me recordei que durante um longo tempo, ele se detinha na sacristia antes de celebrar a missa; ficava rezando inclusive quando o relógio tocava assinalando o início da celebração. Ele o ignorava e permanecia ali, diante do crucifixo, na sacristia. Eu pensava que ele estava rezando por alguma coisa muito importante.

Quando o mundo inteiro foi informado

“Naturalmente outro momento forte foi o anúncio público, no Consistório de 11 de fevereiro. Eu chorei o tempo todo e inclusive no almoço. Ele entendeu que eu estava emocionado; eu lhe disse: ‘Santo Padre, mas o senhor está tranquilo?’ E ele respondeu com firmeza: ‘Sim’, porque seu trabalho já estava feito. Estava sereno porque sabia que tinha avaliado tudo e que estava em paz, na vontade de Deus”.

A despedida e a nova incumbência

“Outro momento importante para mim foi a despedida, porque ele me disse: ‘Você fica com o novo Papa’. E assim, quando foi eleito o Papa Francisco, ele lhe escreveu uma carta reiterando que me deixaria livre, caso precisasse de mim. E quando chegou o dia de deixar Castel Gandolfo, a Secretaria de Estado me avisou: ‘Corre, faz a mala porque o Papa Francisco está abrindo as cartas sozinho!’ Entrei no escritório de Bento e lhe pedi, chorando, a sua bênção. Ele levantou, eu fiquei de joelhos e com tranquilidade, me deu a bênção e me deixou ir”.

A atual condição de Bento XVI

“Fui convidado por ele no dia de meu aniversário, 14 de outubro passado, para celebrar a missa e tomar café da manhã. Eu o vi bastante lúcido, me perguntou várias coisas. E os olhares que me dirigiu significavam que ele estava contente em me rever. Recordava bem alguns detalhes sobre minha família, minha mãe e até seus gatos! Obviamente está muito frágil fisicamente. Tem quase 91 anos…”.

Nos últimos cinco anos as pessoas entenderam melhor aquele gesto?

“Algumas pessoas sim, mas penso que outras ainda devem compreendê-lo. Foi um gesto grandioso. Bento XVI entendeu especialmente durante o voo ao México que não poderia mais fazer viagens longas. Em breve chegaria a Jornada Mundial da Juventude no Brasil e ele percebeu que não conseguiria mais viajar e fazer esforços como aquele… Sua atitude foi heroica, a meu ver, porque pensou sobretudo na Igreja, no amor pela Igreja que era muito maior do que o amor por si mesmo, por seu ego. Não se incomodou com o que pessoas ou realidades poderiam pensar sobre ele… que não tinha coragem para prosseguir… Uma vez que entendeu que Deus lhe havia pedido aquele gesto, amando a Igreja, ele se tranquilizou”.

“O Papa Francisco deu-lhe imediatamente a definição certa: ‘Temos o privilégio de ter um ‘vovô’ em casa’. E estou certo de que o Papa Francisco faz isso. Naturalmente, os gestos também falam. Ainda antes de se apresentar ao mundo, na sacada da Basílica de São Pedro, ele tentou ligar para o Papa Bento para cumprimentá-lo. Nós estávamos na sala da TV, onde o telefone estava sempre o volume baixo e por isso não o ouvimos tocar. Este é o motivo porque o Papa Francisco chegou atrasado na sacada. Mais tarde, nos ligaram novamente, durante o jantar, e disseram que Francisco chamaria depois. Quando chegou o telefonema, passei para o Papa Bento e o ouvi dizer: ‘Santidade, prometo desde já minha obediência e orações’. Não posso me esquecer daqueles momentos”.

Enfim, dom Xuereb afirma que Bento XVI quis optar por uma vida retirada para justamente se preparar para o encontro final com o Senhor.

“Mas, enquanto o faz, vive esta fase com espiritualidade profunda, oferecendo orações e também a fragilidade de sua condição de saúde, dedicando-a em favor da Igreja… do Papa e da Igreja”.

 Vatican News

O panorama religioso da Europa vai ficar mais plural nas próximas décadas e um dos elementos da maior diversidade religiosa é o crescimento da população muçulmana, ao mesmo tempo em que diminui a proporção das filiações católicas e protestantes. Segundo projeções do Instituto Pew Research Center (novembro de 2017), a população muçulmana na Europa pode triplicar entre 2016 e 2050.

Em 2016 havia 25,8 milhões de muçulmanos na Europa (representando 4,9% da população total) e este número pode passar, no cenário de alta migração, para 75,6 milhões em 2050 (representando 14% da população total).

O gráfico acima apresenta três cenários para 2050. Em todos eles há um crescimento da população muçulmana. No cenário de zero imigração, a percentagem de muçulmanos que estava em 4,6% em 2015, passaria para 7,4% em 2050. No cenário médio de imigração a percentagem passaria para 11,2%. E no cenário de alta imigração a percentagem de muçulmanos na Europa chegaria a 14% em 2050.

O mapa abaixo mostra que os países com as maiores presenças de muçulmanos, em 2016, eram Chipre (25,4%), Bulgária (11,1%), França (8,8%), Suécia (8,1%), Áustria (6,9%), Alemanha (6,1%), Suíça (6,1%), etc. Em termos absolutos, a França lidera com 5,7 milhões de pessoas estimadas na prática da fé islâmica.

População muçulmana nos países da Europa em 2016

 

Segundo as projeções do Instituto Pew Research Center (novembro de 2017), apresentadas no mapa abaixo, a presença muçulmana na Europa em 2050, no cenário de alta imigração, pode chegar a 14%, sendo 30,6% na Suécia, 19,9% na Áustria, 19,7% na Alemanha, 18,2% na Bélgica, 17,2% no Reino Unido, 17% na Noruega, etc.

População muçulmana (em %) nos países da Europa. Cenário de elevada imigração, em 2050

Em termos absolutos, no cenário de alta migração, conforme mostra a tabela abaixo, o número de muçulmanos pode chegar a 17,5 milhões na Alemanha, 13,5 milhões no Reino Unido, 13,2 milhões na França, 8,3 milhões na Itália, etc.

Os muçulmanos na Europa são, em média, mais jovens (30,4 anos) do que os não muçulmanos (43,8 anos), o que significa também que há mais mulheres em idade fértil. Quase um terço da população muçulmana na Europa (27%) tem menos de 15 anos – quase o dobro da proporção entre não muçulmanos (15%).

O Instituto Pew estimara que uma mulher muçulmana terá 2,6 filhos em média, um a mais do que o 1,6 filho projetado para mulheres não muçulmanas que vivem na Europa. Embora nem todos os filhos nascidos de pais muçulmanos se identificam como muçulmanos, eles tendem a assumir a identidade religiosa de seus pais.

Evidentemente, é muito difícil antecipar o futuro, pois os fatores que impulsionaram os fluxos de migrantes e refugiados – como a instabilidade na África e no Oriente Médio – podem diminuir ou aumentar. Muito depende também da economia e dos governos europeus, que estão sujeitas a várias alterações.

O Pew Research Center baseou suas projeções em pessoas que se identificaram como muçulmanas, usando informações de 2.500 bancos de dados, incluindo estatísticas oficiais e pesquisas realizadas em países que não coletam informações sobre identidade religiosa.

Independentemente do que vai acontecer no futuro, a realidade atual é que existe um crescimento da presença muçulmana na Europa e uma diminuição da prática católica e protestante no Velho Continente.

Reportagem de Roberto Scarcella, publicada em La Stampa (11/12/2017) mostra que, na Europa, centenas de edifícios sagrados do cristianismo mudam de função e diversos viraram mesquitas. Na Grã-Bretanha, Alemanha, França, Suécia, Bélgica e Holanda são, cada vez mais, numerosas as comunidades cristãs que preferem tornar rentáveis os espaços, cedendo a outra religião os lugares de culto religioso abandonados pela evasão dos fiéis. Apenas na Frísia, no norte da Holanda, cerca de 250 das 720 igrejas fecharam suas portas e tornaram-se apartamentos, escritórios, restaurantes ou, em alguns casos, mesquitas.

A reportagem cita o caso da França, onde um filósofo existencialista romeno, adotado pelos parisienses, é citado sem parar, cada vez que se inicia um debate inter-religioso devido a uma frase contida em uma sua correspondência com o erudito austríaco Wolfgang Kraus: “Os franceses não acordarão até que Notre-Dame seja transformada em mesquita”.

Ou seja, o quadro religioso da Europa está mudando com o aumento da presença muçulmana, aumento do número de pessoas que se declaram sem religião e declínio do número de praticantes da fé católica. 

Referência

PEW. Europe’s Growing Muslim Population, PEW, 29 november 2017

Fonte EcoDebate

Um vídeo produzido pela página polonesa idź Pod Prąd tem feito sucesso nas redes sociais. Postado em 5 de fevereiro, o vídeo já teve mais de 650 mil visualizações e 6,9 mil compartilhamentos apenas na página que o postou e traz o depoimento de várias mulheres polonesas contra o feminismo.

“O feminismo tira do homem a oportunidade de ser forte, guiar o caminho e proteger a mulher. E tira da mulher as suas características naturais, como graciosidade, beleza, sensibilidade e o direito de ser frágil. O feminismo força a mulher a provar que pode ser igualzinha aos homens”, diz umas das mulheres que aparecem na produção.

Uma mulher diz que “é maravilhoso pedir ajuda a meu marido e saber que sempre posso contar com ele”. “Não consigo imaginar uma situação em que eu precise proteger meu esposo. Ser esposa e futura mãe faz com que eu me sinta realizada”, diz outra. “Desenvolva suas paixões, respeite a si mesma, respeite o seu corpo e, acima de tudo, comece a pensar”.

“Deus criou você de um jeito tão lindo. Deixe assim”, diz outra mulher. “Uma mulher não tem que mudar nada. Ela sabe que é uma mulher. Não sente falta de nada”. Outra afirma que o feminismo “é não-feminino”.

“O feminismo é idiota. É contra o bom senso”, diz outra participante. “Acho que hoje em dia as mulheres perderam a sua feminilidade, porque tentam se colocar no lugar dos homens”, afirma outra. O vídeo promove o slogan “Sou uma mulher, #NãoUmaFeminista”.

Página

A página idź Pod Prąd, que significa “Contra a corrente”, diz que oferece “pontos de vista que estão em conflito com as opiniões comumente promovidas”. “O mais importante, no entanto, é que queremos descrever a realidade não da perspectiva da teologia, dos dogmas ou do ensino variável das igrejas, mas com base na Palavra de Deus, a Bíblia”, diz o texto de apresentação da página.

“Deus não encaminhou as Sagradas Escrituras para a casta dos sacerdotes ou professores de teologia. Ele os escreveu como uma carta endereçada diretamente a você!”, diz o texto. “Por muitos anos em nossa terra natal, a noção de cristão foi fortemente desacreditada”, o que se deve, segundo a página, à ação de “fariseus religiosos” que ostentam o título de cristãos.

“Gostaríamos de dizer que não estamos interessadas no mundo projetado pelas feministas. Pouco nos importam a ideologia de gênero, as teorias queer, o ecologismo e suas outras ideias esquerdistas. Não queremos que nos digam o que devemos ser”, diz o texto que acompanha o vídeo. “É hora de mostrar às feministas que a sua ideologia é estúpida e danosa para todas as mulheres. É hora de mostrar às mulheres normais que há milhões de nós”.

Fonte: Sempre Família

Assista ao vídeo (em polonês)

A Arquidiocese australiana de Brisbane informou que um dos seus sacerdotes foi excomungado automaticamente depois de violar o segredo de confissão.

Assim indicou a Arquidiocese liderada por Dom Mark Coleridge em um comunicado divulgado em 7 de fevereiro.

A notícia do caso já foi divulgada por alguns meios, assinalando que foi o Papa teria excomungado Pe. Ezinwanne Igbo, quando na verdade foi o próprio sacerdote de origem nigeriana que incorreu na excomunhão automática.

O que o Vaticano fez foi confirmar a pena pela ofensa canônica cometida pelo sacerdote que servia na Paróquia Stella Maris, em Queensland, onde está localizada a Arquidiocese de Brisbane.

O caso teve início em 2016, quando a Arquidiocese recebeu várias reclamações sobre o sacerdote. Uma delas se referia a “uma ofensa canônica que resultou em excomunhão automática”.

A Santa Sé autorizou o início de uma investigação arquidiocesana, com a qual “foi confirmada a acusação de maneira unânime”, indica o texto.

Depois de concluir o processo local, refere o comunicado: “O Arcebispo enviou o processo à Santa Sé, que solicitou que se torne pública a excomunhão. Portanto, a Arquidiocese informa agora que Pe. Ezinwanne Igbo foi excomungado”.

O texto explica que, “enquanto a excomunhão estiver em vigor, Pe. Ezinwanne não pode presidir a celebração da Missa ou qualquer outra celebração de culto, nem pode celebrar ou receber os sacramentos e não pode exercer nenhum  ofício do ministério na Igreja”.

“A excomunhão continuará vigente até que Pe. Ezinwanne procure, e lhe concedam, a remissão do Papa, que é o único que pode concedê-la”.

Esta situação, concluiu o comunicado da Arquidiocese, “foi dolorosa para a paróquia” e, por isso, “pedimos para que rezem por todos aqueles que sofrem as consequências do que aconteceu. Que Maria, Stella Maris, guie a paróquia em seu caminho à paz”.

Excomunhão automática

O Código de Direito Canônico estabelece em seu cânone 983 que o sigilo sacramental ou segredo de confissão “é inviolável; pelo que o confessor não pode denunciar o penitente nem por palavras nem por qualquer outro modo nem por causa alguma”.

Do mesmo modo, o cânone 1388 assinala que “o confessor que violar diretamente o sigilo sacramental, incorre em excomunhão latae sententiae(automática), reservada à Sé Apostólica”.

Isso significa que só o Papa pode perdoar a pena de excomunhão neste caso.

A Enciclopédia Católica afirma que a excomunhão, “sendo a pena mais grave que a Igreja pode infligir, naturalmente supõe uma ofensa muito grave”.

O Cardeal Mauro Piacenza, Penitenciário Mor da Santa Sé, explicou em uma ocasião que o objetivo da excomunhão é levar “os culpados ao arrependimento e à conversão”.

“Com a pena de excomunhão, a Igreja não tenta de nenhuma maneira restringir o campo da misericórdia, mas simplesmente se evidencia a gravidade do crime”, assinalou.

ACI

O Cardeal norte-americano Kevin Farrel, prefeito do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, vetou duas oradoras que iam participar de um evento no Vaticano sobre a mulher devido a suas posturas contrárias ao ensinamento católico e a favor do lobby LGBT.

Trata-se de Mary McAleese, ex-presidente da Irlanda, e Ssenfuka Juanita Warry, que dirige a organização LGBT Catholics in Uganda.

Segundo Chantal Gotz, fundadora e diretora de Voices of Faith (Vozes de Fé), a lista de oradoras requeria a aprovação do Cardeal Farrel. Quando o Purpurado devolveu a lista dos nomes aprovados, McAleese e Warry não estavam incluídas.

O evento Vozes de Fé aconteceu pela primeira vez em 2014 e, desde então, é promovido em março de cada ano na sede da Pontifícia Academia para as Ciências, a Casina Pio IV, que está no Vaticano.

O evento é intitulado “Why Women Matter” (Por que as mulheres importam) e acontecerá no dia 8 de março para coincidir com o Dia Internacional da Mulher.

Em uma declaração em 2 de fevereiro, Vozes de Fé assinala que a ex-presidente da Irlanda “não é uma estranha para o Vaticano, tendo estado no comando como funcionária pública de um país predominantemente católico”.

McAleese, indica o texto da organização, “é conhecida por seu claro apoio aos direitos dos gays e das mulheres e falou publicamente e com frequência sobre suas frustrações com a fé católica”.

Em declarações à CNA – agência em inglês do grupo ACI – Chantal Gotz disse que ficou “surpresa” pela decisão do Cardeal Farrel, pois temas semelhantes não foram considerados um problema no passado.

A diretora de Vozes de Fé disse que, em oportunidades anteriores, já foram convidadas pessoas com posturas diferentes dos ensinamentos da Igreja em temas como aborto, anticoncepção e ordenação de mulheres.

A conferência de marco, acrescentou Gotz, “permite-nos criar um debate e diálogo sobre o poder atual e as estruturas de liderança em nossa Igreja hoje”.

Sobre a mudança de sede para o evento, Gotz disse a CNA que “os jesuítas, de modo autêntico, nos receberam e aos nossos oradores”.

Em diferentes ocasiões, Mary McAleese defendeu o casamento de pessoas do mesmo sexo e acusou a Igreja Católica de “hipocrisia” por defender o casamento natural entre um homem e uma mulher.

McAleese também defendeu a ordenação sacerdotal de mulheres, em contravenção ao que São João Paulo II estabeleceu no documento Ordinatio Sacerdotalis, que sublinha que o ministério sacerdotal está destinado somente aos homens.

No voo de regresso de suaviagem a Suécia, o Papa Francisco recordou que, “sobre a ordenação de mulheres na Igreja Católica, a última palavra é clara e foi dada por São João Paulo II e isso permanece”.

A carta apostólica Ordinatio Sacerdotalis foi escrita por São João Paulo II em 1994. Nela, é estabelecido que “a ordenação sacerdotal, pela qual se transmite a missão, que Cristo confiou aos seus Apóstolos, de ensinar, santificar e governar os fiéis, foi na Igreja Católica, desde o início e sempre, exclusivamente reservada aos homens”.

ACI

Por exemplo, eu muitas vezes me pego a explicar, em aulas de catequese, que aprouve a Deus tornar-nos colaboradores d’Ele na ordem da Redenção. Isso se aplica em primeiríssimo lugar à nossa própria salvação (aqui, a frase de Santo Agostinho, tão antiga mas nunca gasta: “Deus, que te criou sem ti, não te salvará sem ti”); aplica-se, também, à Mediação Universal da Virgem Santíssima (e, aqui, o título d’Ela, justíssimo, de “Medianeira de todas as graças”), mas se aplica também a muitas outras coisas comuns e ordinárias. A intercessão mútua é o dia-a-dia dos cristãos. Somos todos, em alguma medida, co-responsáveis pela sorte eterna uns dos outros.

Deus tem duas obras: a Criação e a Redenção. Ora, Ele não determinou que a transmissão da vida natural se desse mediante o concurso do homem e da mulher, através da relação sexual? Sem dúvidas a alma é criada diretamente por Deus, mas o corpo é transmitido dos pais. Não é o homem corpo e alma? Sem corpo, pois, não há homem. A conclusão aqui é assombrosa, mas inelutável: sem o concurso humano cessa a obra criadora de Deus.

E assim como a transmissão da vida natural — a continuação da obra criadora de Deus — não se dá sem a colaboração humana, assim também, mutatis mutandis, a continuação da obra salvífica de Deus — a redenção das almas, a comunicação da vida sobrenatural — não ocorre sozinha, exigindo também ela a cooperação voluntária dos filhos de Deus. A conclusão aqui é ainda mais assombrosa, mas não é menos certa: sem que os homens cooperem, portanto, mesmo o Sacrifício da Cruz queda estéril.

(Veja-se, é possível admitir que, no reino das meras possibilidades metafísicas, as coisas até poderiam ser de outra maneira. No entanto, não cabe a nós discutir com o Altíssimo sobre a melhor maneira de estabelecer a ordem do Universo: sim, as coisas poderiam ser de outro modo, mas o fato é que elas são assim, e a nós não compete senão reconhecê-lo, a fim de agimos conforme o que as coisas são e não o que poderiam ser.)

É este o fundamento da intercessão dos santos, é isto que justifica o múnus santificador da Igreja encarnada, é à luz dessa verdade que fazem sentido as palavras de Nossa Senhora em Fátima: “Muitas almas vão para o inferno por não haver quem se sacrifique e reze por elas”. Sim, Deus poderia fazer sozinho todas as coisas; não o quis, no entanto, preferindo em tudo depender da liberdade de suas criaturas.

Ocorre que Lutero não entende nada disso. Para Ele Deus faz tudo sozinho e o homem está sozinho diante de Deus, nem existe cooperação do homem com a graça divina e nem existem intermediários na relação do homem com Deus. O heresiarca simplesmente não compreende que Deus possa querer redimir os homens à força das boas obras de outros homens. Veja-se, para o ilustrar, esta reveladora passagem das 95 teses:

82. Por exemplo: por que o papa não evacua o purgatório por causa do santíssimo amor e da extrema necessidade das almas – o que seria a mais justa de todas as causas -, se redime um número infinito de almas por causa do funestíssimo dinheiro para a construção da basílica – que é uma causa tão insignificante?

Ora, a resposta a isso é bastante óbvia. Deus não esvazia o Purgatório sozinho pela exata mesma razão que Ele não salva sozinho as almas: porque Ele quer que os homens cooperem com a salvação uns dos outros. O dinheiro, em si, não tem nenhuma relevância nesta questão, o que está em jogo é a boa obra alheia. Esta pode ser uma obra indulgenciada (como, no caso do séc. XVI, era o auxílio material para a construção da Basílica de São Pedro) como pode ser qualquer outra coisa, uma oração ardente, uma tribulação suportada com paciência, um copo de água dado a um pobre, um ponto de costura dado na roupa: se por amor de Deus, se ordenada, é meritória e tem valor salvífico para nós e para o nosso próximo.

Veja-se, o problema de Lutero não é com o dinheiro. É com a “intromissão” de um terceiro na relação entre a alma e Deus. Não é que o monge atormentado achasse que o dinheiro era uma coisa suja ou que havia muita corrupção no clero da sua época, o que Lutero não aceitava era que alguém pudesse ser salvo graças a uma boa ação de uma outra pessoa. O que Lutero achava era que as pessoas deviam se salvar sozinhas. Um dos «erros de Martinho Lutero» condenados na Exsurge Domine é o seguinte:

As almas libertas do purgatório pelos sufrágios dos vivos são menos felizes do que se elas prestassem satisfação por elas mesm[as].

Não era, portanto, pelo dinheiro. Era pela noção de “boa obra”, cujo valor sobrenatural Lutero não admitia. Era por conta dos «sufrágios dos vivos» que, na concepção tortuosa de Martinho Lutero, apequenavam os mortos que os recebiam. Era, em suma, por conta do extremo individualismo do monge alemão, incapaz de aceitar que somente as mãos estendidas de outros homens (todos pecadores) poderiam resgatá-lo da danação eterna. Alegando ter acesso direto a Deus, o que Lutero desprezava era o auxílio dos seus irmãos; sob a rejeição da intercessão dos santos estava o orgulho de pretender se salvar sozinho.

Extremada loucura. É exatamente assim que acontece com todos nós: somos levados ao Céu graças somente ao trabalho incessante de uma miríade de pessoas desconhecidas, cujas orações e sacrifícios, cujas boas obras, cujos méritos aproveitam a nós e se não fosse por eles nós sem dúvidas pereceríamos miseravelmente. Esta é a realidade que Cristo nos revelou e Lutero não quis aceitar. Esta é a Fé Cristã, à qual o pai do Protestantismo tão desgraçadamente deu as costas — arrastando séculos afora uma multidão de almas à perdição atrás de si.

Autor: Jorge Ferraz

A cura da irmã Bernadette Moriau, em 2008, aos 69 anos, vítima de uma doença grave, foi reconhecida como um milagre pelo bispo de Beauvais, no norte da França. Este é o 70° milagre em Lourdes admitido pela Igreja Católica.

A cura foi “repentina, instantânea, completa, duradoura e inexplicada no atual estado de nossos conhecimentos científicos”, segundo o Monsenhor Jacques Benoît-Gonnin em um comunicado divulgado pela igreja.

Bernadette Moriau nasceu em 1939 e entrou aos 19 anos para o convento em uma congregração de franciscanas na França, tornando-se enfermeira em 1965. Em 1966, aos 27 anos, ela começou sentir dores na coluna lombar e no nervo ciático. A freira passou por quatro operações sem sucesso. Ela foi obrigada a deixar a profissão e se movimentava com a ajuda de aparelhos.

Em julho de 2008, a irmã Moriau participou da peregrinação de sua diocese em Lourdes e recebeu a bênção dos enfermos. Ao voltar para o convento na Picardia, onde mora, Bernadette sentiu uma sensação “diferente” de relaxamento e calor em todo o corpo, “e ouviu uma voz pedindo para que ela retirasse todos os seus aparelhos”.

A irmã Moriau decidiu então interromper todos os seus tratamentos. Vários exames médicos, consultas e reuniões de religiosos em Lourdes levaram o departamento da igreja que analisa esse tipo de caso a afirmar que a cura não tinha explicação científica.

“Advogado do diabo”

Em novembro de 2016 em Lourdes, durante uma reunião anual, o comitê médico internacional de Lourdes confirmou o milagre. Atualmente, a freira leva uma vida normal e tem uma saúde perfeita, segundo o médico Alessandro de Franciscis, presidente do comitê.

De acordo com ele, que se descreve como “o advogado do diabo”, seu trabalho é buscar pistas no dossiê dos doentes que possam descartar a cura milagrosa. Um trabalho longo e rígido, diz, que explica porque das 7200 curas registradas em Lourdes, apenas 69 foram reconhecidas como milagre.

RFI em Português