Para os jovens sacerdotes o Papa Francisco recomendou “não se perder na armadilha das circunstâncias do ‘Ah, mas isso é dessa maneira, aquilo de outra, não se pode fazer nada…’ e afundar nas “queixas” e “precipitações da juventude”, mas encontrar “um estilo próprio” pessoal e sacerdotal e não ter vergonha dos próprios “limites”.

Para os sacerdotes adultos, aqueles que vivem a “crise da meia idade” pediu para ir em frente buscando uma “transformação necessária”, indispensável para amadurecer e superar as muitas e “novas tentações” que ocorrem nessa fase da vida, da mesma forma que na juventude.

Para os idosos encorajou-os a ouvir e os animou, por fim, a dialogar com o mundo “sem medo da realidade”, embora diferente do passado, porque sempre esconde “algo de bom que vem do Espírito.” E sobre isso precisa ser adaptada a pastoral, por exemplo, a matrimonial para os casais que vivem juntos.

O Papa Francisco falou a três gerações de sacerdotes durante o tradicional encontro com o clero da Diocese de Roma, em São João de Latrão. Um diálogo sincero, a portas fechadas e aberto a tudo, durante o qual o Pontífice – acompanhado pelo vigário Angelo De Donatis, com quem compartilhou um momento pessoal de oração antes da reunião e depois da liturgia penitencial – respondeu por mais uma hora de improviso, às perguntas que alguns sacerdotes lhe tinham enviado previamente.

O Papa atendeu a confissão, durante 45 minutos, dos sacerdotes de Roma

Chegando às 10h30 na Basílica, o Papa Francisco atendeu a confissão por cerca de 45 minutos de um grupo de sacerdotes romanos durante a liturgia penitencial presidida pelo vigário De Donati, começando com os jovens. Eles são, de fato, aqueles que precisam de maior ajuda e maior proximidade espiritual.

Os jovens sacerdotes devem encontrar um “estilo” próprio

O clero jovem de Roma perguntava ao Papa, em sua carta, como alimentar o fogo das vocações “que nascem bem, mas depois esfriam, se acomodam, se apagam”, especialmente considerando o contexto atual que impede “viver em liberdade a vida sacerdotal”, em cidades onde os padres “não são incisivos” e existe um “estilo de igreja que ainda não foi renovada”.

Para o Papa, essas são “circunstâncias”, bem como “limitações que não nos permitem ir em frente”, porque parece que “na frente delas não há saída”. “É uma armadilha porque não te permite crescer”. Então é preciso “colocá-las de lado” e ir em busca de “um estilo sacerdotal próprio, da própria personalidade, da própria identidade, com um toque pessoal, com motivações que te levem a viver em paz e fervor”.

Face a face com o Senhor, não é um clichê

Também é importante viver momentos pessoais, face a face com o Senhor em oração. “Não é um clichê dizer que não poderíamos viver o ministério com alegria sem momentos de oração pessoal com o Senhor, face a face com Ele, falando, conversando, sobre tudo aquilo que cada um está vivendo”, explicou o Papa.

“Falo com o Senhor ou falo comigo mesmo diante da impossibilidade de tantas circunstâncias que fecham a porta, que me puxam para baixo? ‘Aqui não é possível, aqui está tudo uma bagunça, não é possível ser sacerdotes neste mundo secularizado. E assim começam as queixas’. Não!”, afirmou o Pontífice. Que concentrou sua reflexão sobre os “limites” que cada um tem e aos quais, em suas palavras, não se deve fugir: eles, aliás, “devem estar presentes na tua vocação sacerdotal, no teu próprio estilo”. “Identificar os limites, os gerais, mas também os pessoais. Dialogar com os limites no sentido: o que eu posso fazer com tal limite, como conviver com ele? Também discernir entre os limites…”.

Os pecados têm uma raiz, identifique-a e dialoguem com os seus limites

“A questão pode nos assustar, porque existem muitos limites, tantas circunstâncias que nos puxam para baixo”, mas não devemos “ter medo”. Além disso, o diálogo com os próprios limites é necessário porque “os pecados devem, sim, ser perdoados, o sacramento da Confissão é usado para isso, mas ali não termina tudo. O teu pecado surge de uma raiz, de um pecado capital, de uma atitude … e isso é um limite, é preciso discernir. É um caminho diferente daquele de pedir perdão pelo pecado. “Oh, sim, eu tenho este problema, eu me confessei e acabou ali.” Não, não termina aí! O perdão está ali, mas depois precisas dialogar com essa tendência que te levou a um pecado de orgulho, de vaidade, de inveja, de fofoca. O que me leva a isso? Dialogar com o limite e discernir”.

Encontrar um homem sábio, não é suficiente se confessar

E esse diálogo “para ser eclesial” deve ser feito “diante de uma testemunha, alguém que me ajude a discernir”. “É tão importante o confronto”, explicou Francisco, e brincou: “Não tanto sobre os pecados, os pecados devem ser confessados para pedir perdão, depois com o Senhor continuo em frente. Mas sobre os limites, as tendências, os problemas, as doenças espirituais que eu tenho: estes nunca poderão ser vencidos sem o confronto”.

“Não é suficiente confessar os pecados”, insistiu Bergoglio. “Na confissão existe a humildade do pecador e a misericórdia de Deus que se encontram e se abraçam. Um momento belíssimo, mas não é suficiente. Você é responsável por uma comunidade, você precisa seguir em frente e para isso você precisa de um guia. Não tenha medo”. É preciso, portanto, “buscar um homem sábio”, sugeriu o Papa, alguém que “oriente e ajude a discernir. Se você tem um pecado, procure um misericordioso – se for surdo, melhor ainda – peça perdão e continue”; mas “para entender o que te levou ao pecado, qual é o problema, procure um sábio para dialogar e resolver o teu caminho”.

A solidão não é boa para um padre

Isso também ajuda a superar a solidão que para um sacerdote “não é boa”. “O sacerdote é um homem sozinho e não pode viver sem um companheiro de viagem, um guia espiritual”. Nesse sentido, também é útil “criar pequenos grupos que se acompanham – as fraternidades sacerdotais – que se encontram, falam… é importante”.

Cuidado com a crise da meia-idade, é “o diabo do meio-dia”

O discurso vale para os jovens, é claro, mas também para os adultos. Especialmente para os sacerdotes de 40-50 anos, que – escreveram os próprios sacerdotes na sua pergunta – vivem uma “idade decisiva”, em que “cai-se em perfeccionismos moralistas” e “há a consciência de ser pecadores” ( “Isso é muito bom” observa o Papa). É “o diabo do meio-dia”, exclamou Francisco, “na Argentina é chamado de ‘el cuarentazo’ porque surge aos 40-50 anos … É uma realidade, ouvi dizer que alguns o chamam de ‘agora ou nunca’, tudo precisa ser repensado”.

Dois livros: Grün e Voillaume

Para enfrentar tal crise, o Pontífice sugeriu a leitura da obra do monge austríaco Anselm Grün intitulado “40 anos. Idade de crise ou tempo de graça”, uma espécie de diálogo psicológico-espiritual; depois o livro do padre René Voillaume “A segunda chamada. A coragem da fragilidade” em que é apresentada “uma bela exegese da vocação de Pedro, a última em Tiberíades, a segunda chamada”. “O Senhor nos chamou pela primeira vez, nos chama constantemente, todos os dias, mas em algum momento da vida faz uma segunda chamada forte. É um momento de muitas tentações – observou o Papa – em que é preciso uma necessária transformação. Não é possível continuar sem esse amadurecimento, porque se continuar assim, sem amadurecer, “dar o passo”, nessa crise vai acabar mal. Numa vida dupla talvez … ou deixando tudo”.

Sejam sinceros com Deus, é um momento duro, mas libertador

Mesmo nesse caso é bom dialogar com os próprios limites: ou seja, ser consciente de que “não existem mais aqueles primeiros sentimentos que eu tinha quando jovem para seguir o Senhor, aquele entusiasmo”. Como no casamento, em que a paixão e a emoção vão se enfraquecendo. Como remédio, o Papa indicou “buscar o ‘gosto do pertencimento’. O prazer de pertencer a um grupo, de compartilhar, de caminhar e lutar juntos. Isso se conserva”.

Para encontrar esse gosto é bom ter o apoio de “um homem prudente, um sábio que te acompanhe”: “Se você ainda não o tem, procure-o! É perigoso continuar em frente sozinhos nessa idade. E muitos terminaram mal”. Também ajuda ficar diante do Senhor e “dizer-lhe a verdade: que você está um pouco decepcionado, que o entusiasmo se foi”. É uma “oração de doação. Dar-se ao Senhor, uma maneira de rezar diferente. É um momento duro, mas libertador. O que passou, passou, agora é outra idade, outro momento da vida sacerdotal. É com o meu guia espiritual que eu tenho que continuar em frente”.

O Papa, ele mesmo confessou, experimentou isso em primeira pessoa em 1992, quando o cardeal Quarracino o chamou como seu colaborador mais próximo em Buenos Aires. Naquela época, lembra-se, após o telefonema do Núncio, “ajudou-me muito a oração, ficar diante do tabernáculo”. Nos anos anteriores, “eu era o confessor e diretor espiritual, mas eu vivi [um período] muito escuro e de sofrimento, inclusive na infidelidade de não encontrar o caminho e das compensações mundanas. No final desse período, o Senhor me preparou para aquele telefonema e me colocou em um caminho diferente”. Depois veio o 13 de março de 2013: “Eu nem me apercebi do que tinha acontecido, eu continuava a trabalhar como bispo”, riu Bergoglio.

“O tempo dos filhos”: eles crescem, nós ficamos para trás

Esse tempo, acrescentou ele, é também “o tempo dos filhos”, de “ajudar a paróquia, a Igreja, a crescer”. “O tempo em que eu começo a diminuir. O tempo de fecundidade, aquela verdadeira, não a falsa. O tempo da poda: eles crescem e eu ajudo ficando para trás”. E, justamente por isso, as tentações aumentam e são tentações “ruins, que nunca alguém pensou pudesse ter antes”. “Não sintam vergonha”, incentivou o Papa Francisco, “são tentações, o problema é do tentador não de vocês. Não tenham vergonha, mas desmascare-as imediatamente”.

Os anciãos escutem a dor humana e ofereçam o perdão incondicional

Aos sacerdotes idosos, o Papa explicou que a sua idade é uma época em que se deve “fornecer proximidade para os sofrimentos e misérias humanas, a compaixão de um pai, com uma palavra, um sorriso. Hoje as pessoas precisam ser ouvidas. É o momento de oferecer perdão sem condições”. Uma pastoral que “escute”, é o que lhes compete: “Os jovens precisam, neste mundo virtual, sem substância, que arranca as raízes.”

Discernir os sinais dos tempos, a realidade é superior às ideias

Finalmente o bispo de Roma convidou a “discernir os sinais dos tempos”, porque “às vezes, o olhar é tentado a ver apenas realidades negativas, longe do Evangelho”. “Precisamos olhar para a realidade, mas também a realidade escondida, porque a realidade sempre esconde algo de sublime. Não tenha medo da realidade. Ela é, eu gosto de dizer, é maior que as ideias, é superior às ideias. Não tenha medo da realidade! Sim, existem condutas também morais que não são aquelas às quais estamos acostumados. Vamos pensar na vida conjugal, hoje muitos não se casam, preferem viver juntos. E esta realidade: como eu a encaro, como a acompanho, como posso ajudar e explicar como avançar, como amadurecer? Como posso fazer com que esse casal que se ama “dê o passo” para uma maior maturidade espiritual?”.

Tantas coisas boas

São perguntas a serem consideradas, realidades pastorais “que não podemos esquecer ou pôr de lado”, observou o Papa. “Há desafios, mas também realidades muito boas. Não só desastres”. E especialmente neste tempo, em comparação com o passado, há muitos aspectos positivos: “Uma maior consciência dos direitos humanos e da dignidade, agora ninguém mais pode impor as próprias ideias, as pessoas estão mais informadas, o valor da igualdade, a tolerância e a liberdade de manifestar-se da forma como a pessoa é, a convivência social é mais sincera e espontânea”.

Hoje, existem “novos valores”, não nos assustemos com a realidade

Portanto, não devemos “nos assustar com as dificuldades, com os novos valores (“novos valores” entre aspas), as coisas são assim. E o que eu posso fazer? “Ah, mas isso não é bom, esse outro sim!”. Discernir os sinais e pegar o que pode ser levado adiante e ajudar os outros. É verdade – concluiu o Papa – o mundo é em si pecador e mundaniza muitas coisas, mas é preciso discernir o que é possível pegar, porque vem do Espírito”.

Fora da programação no Pontifício Seminário Romano Maior

No final do encontro foi distribuído o subsídio “Caros irmãos no sacerdócio …”, os textos dos Papas para o clero romano, de Paulo VI até Francisco, para o Ofício das Leituras dos dias da Quaresma.

Por fim, um momento fora da programação: saindo da Basílica de Latrão, o Papa Francisco dirigiu-se ao vizinho Pontifício Seminário Romano Maior, onde em duas ocasiões, nos últimos anos, não tinha sido possível fazer uma visita por várias razões. Lá ele rezou na capela de Nossa Senhora da Confiança e almoçou com cerca de setenta seminaristas.

A reportagem é de Salvador Cernuzio, publicada por Vatican Insider,15-02-2018. A tradução é de Luisa Rabolini.

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

Carta Placuit Deo
aos Bispos da Igreja católica
sobre alguns aspectos da salvação cristã

I. Introdução

1. «Aprouve a Deus na sua bondade e sabedoria, revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cfr. Ef 1,9), segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina (cfr. Ef 2,18; 2 Pe 1,4). […] Porém, a verdade profunda tanto a respeito de Deus como a respeito da salvação dos homens, manifesta-se-nos, por esta revelação, em Cristo, que é, simultâneamente, o mediador e a plenitude de toda a revelação».[1]O ensinamento sobre a salvação em Cristo exige sempre ser aprofundado novamente. A Igreja, tendo o olhar fixo em Cristo Senhor, dirige-se com amor materno a todos os homens, para anunciar-lhes o inteiro desígnio de Aliança do Pai que, mediante o Espírito Santo, deseja «submeter tudo a Cristo» (Ef 1,10). A presente Carta pretende destacar, na linha da grande tradição da fé e com especial referência ao ensinamento de Papa Francisco, alguns aspectos da salvação cristã que possam ser hoje difíceis de compreender por causa das recentes transformações culturais.

II. O impacto das transformações culturais de hoje sobre o significado da salvação cristã

2. O mundo contemporâneo questiona, não sem dificuldade, a confissão de fé cristã, que proclama Jesus o único Salvador de todo o homem e da humanidade inteira (cf. At 4,12; Rom 3,23-24; 1 Tm 2,4-5; Tit 2,11-15).[2]Por um lado, o individualismo centrado no sujeito autônomo, tende a ver o homem como um ser cuja realização depende somente das suas forças.[3]Nesta visão, a figura de Cristo corresponde mais a um modelo que inspira ações generosas, mediante suas palavras e seus gestos, do que Aquele que transforma a condição humana, incorporando-nos numa nova existência reconciliada com o Pai e entre nós, mediante o Espírito (cf. 2 Cor 5,19; Ef 2,18). Por outro lado, difunde-se a visão de uma salvação meramente interior, que talvez suscita uma forte convicção pessoal ou um sentimento intenso de estar unido a Deus, mas sem assumir, curar e renovar as nossas relações com os outros e com o mundo criado. Com esta perspectiva, torna-se difícil compreender o significado da Encarnação do Verbo, através da qual Ele se fez membro da família humana, assumindo a nossa carne e a nossa história, por nós homens e para a nossa salvação.

3. O Santo Padre Francisco, no seu magistério ordinário, referiu-se muitas vezes a duas tendências que representam os dois desvios antes mencionados, e que se assemelham em alguns aspectos a duas antigas heresias, isto é, o pelagianismo e o gnosticismo.[4]Prolifera em nossos tempos um neo-pelagianismo em que o homem, radicalmente autônomo, pretende salvar-se a si mesmo sem reconhecer que ele depende, no mais profundo do seu ser, de Deus e dos outros. A salvação é então confiada às forças do indivíduo ou a estruturas meramente humanas, incapazes de acolher a novidade do Espírito de Deus.[5]Um certo neo-gnosticismo, por outro lado, apresenta uma salvação meramente interior, fechada no subjetivismo.[6]Essa consiste no elevar-se «com o intelecto para além da carne de Jesus rumo aos mistérios da divindade desconhecida».[7]Pretende-se, assim, libertar a pessoa do corpo e do mundo material, nos quais não se descobrem mais os vestígios da mão providente do Criador, mas se vê apenas uma realidade privada de significado, estranha à identidade última da pessoa e manipulável segundo os interesses do homem.[8]Por outro lado, é claro que a comparação com as heresias pelagiana e gnóstica pretende somente evocar traços gerais comuns, sem entrar, nem fazer juízos, sobre a natureza destes erros antigos. De fato, a diferença entre o contexto histórico secularizado de hoje e o contexto dos primeiros séculos cristãos, nos quais estas heresias nasceram, é grande.[9]Todavia, enquanto o gnosticismo e o pelagianismo representam perigos perenes de equívocos da fé bíblica, é possível encontrar uma certa familiaridade com os movimentos de hoje apenas referidos acima.

4. Seja o individualismo neo-pelagiano que o desprezo neo-gnóstico do corpo, descaracterizam a confissão de fé em Cristo, único Salvador universal. Como poderia Cristo mediar a Aliança da família humana inteira, se o homem fosse um indivíduo isolado, que si autorrealiza somente com as suas forças, como propõe o neo-pelagianismo? E como poderia chegar até nós a salvação mediante a Encarnação de Jesus, a sua vida, morte e ressurreição no seu verdadeiro corpo, se aquilo que conta fosse somente libertar a interioridade do homem dos limites do corpo e da matéria, segundo a visão neo-gnóstica? Diante destas tendências, esta Carta pretende reafirmar que, a salvação consiste na nossa união com Cristo, que, com a sua Encarnação, vida, morte e ressurreição, gerou uma nova ordem de relações com o Pai e entre os homens, e nos introduziu nesta ordem graças ao dom do seu Espírito, para que possamos unir-nos ao Pai como filhos no Filho, e formar um só corpo no «primogênito de muitos irmãos» (Rom 8,29).

III. O desejo humano de salvação

5. O homem percebe, direta ou indiretamente, de ser um enigma: eu existo, mas quem sou eu? Tenho em mim o princípio da minha existência? Toda pessoa, a seu modo, procura a felicidade e tenta alcançá-la recorrendo aos meios disponíveis. No entanto, esse desejo universal não é necessariamente expresso ou declarado; ao contrário, esse é mais secreto e oculto do que parece, e está pronto a revelar-se diante de situações específicas. Com frequência, tal desejo coincide com a esperança da saúde física, às vezes assume a forma de ansiedade por um maior bem-estar econômico, mais difusamente expressa-se através da necessidade de uma paz interior e de uma convivência pacífica com o próximo. Por outro lado, enquanto o desejo de salvação se apresenta como um compromisso na direção de um bem maior, esse conserva também uma característica de resistência e de superação da dor. Ao lado da luta pela conquista do bem se coloca a luta de defesa do mal: da ignorância e do erro, da fragilidade e da fraqueza, da doença e da morte.

6. Com relação a estas aspirações, a fé em Cristo ensina-nos, rejeitando qualquer pretensão de auto-realização, que as mesmas somente podem realizar-se plenamente se Deus mesmo as torna possíveis, atraindo-nos a Ele. A salvação plena da pessoa não consiste nas coisas que o homem poderia obter por si mesmo, como o ter ou o bem-estar material, a ciência ou a técnica, o poder ou a influência sobre os outros, a boa fama ou a auto-realização.[10]Nada da ordem do criado pode satisfazer completamente ao homem, porque Deus nos destinou à comunhão com Ele, e o nosso coração permanecerá inquieto até que não repouse Nele.[11]«A vocação última de todos os homens é realmente uma só, a divina».[12]A revelação, desta forma, não se limita a anunciar a salvação como resposta à expectativa contemporânea. «Se a redenção, ao contrário, devesse ser julgada ou medida pela necessidade existencial dos seres humanos, como poderíamos evitar a suspeita de termos simplesmente criado um Deus-Redentor à imagem de nossas próprias necessidades?».[13]

7. Além disso, é necessário afirmar que, segundo a fé bíblica, a origem do mal não se encontra no mundo material e corpóreo, experimentado como um limite e como uma prisão da qual deveríamos ser salvos. Pelo contrário, a fé proclama que o mundo inteiro é bom, enquanto criado por Deus (cf. Gen 1,31; Sab 1,13-14; 1Tim 4,4), e que o mal que mais prejudica o homem é aquele que provém do seu coração (cf. Mt 15,18-19; Gen 3,1-19). Pecando, o homem abandonou a fonte do amor, e se perde em falsas formas de amor, que o fecham cada vez mais em si mesmo. É esta separação de Deus – isto é, Daquele que é fonte de comunhão e de vida – que leva à perda de harmonia entre os homens e dos homens com o mundo, introduzindo a desintegração e a morte (cf. Rom 5,12). Consequentemente, a salvação que a fé nos anuncia não diz unicamente respeito à nossa interioridade, mas ao nosso ser integral. De facto, é a pessoa inteira, em corpo e alma, criada pelo amor de Deus à sua imagem e semelhança, que é chamada a viver em comunhão com Ele.

IV. Cristo, Salvador e Salvação

8. Em nenhum momento do caminho do homem, Deus deixou de oferecer a sua salvação aos filhos de Adão (cf. Gen 3,15), estabelecendo uma Aliança com todos os homens em Noé (cf. Gen 9,9) e, mais adiante, com Abraão e a sua descendência (cf. Gn 15,18). Assim, a salvação divina assume a ordem da criação compartilhada por todos os homens e percorre os seus caminhos concretos na história. Escolhendo para Si um povo, a quem ofereceu os meios para lutar contra o pecado e para se aproximar Dele, Deus preparou a vinda de «um poderoso Salvador, na casa de David, seu servidor» (Lc 1,69). Na plenitude dos tempos, o Pai enviou ao mundo seu Filho, o qual anunciou o reino de Deus, curando todo tipo de doenças (cf. Mt 4,23). As curas realizadas por Jesus, através das quais se tornava presente a providência de Deus, eram um sinal que se referia à sua pessoa, Àquele que se revelou plenamente como Senhor da vida e da morte no acontecimento pascal. Segundo o Evangelho, a salvação para todos os povos começa com o acolhimento de Jesus: «Hoje veio a salvação a esta casa» (Lc 19,9). A Boa Nova da salvação tem um nome e um rosto: Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador. «No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo».[14]

9. Ao longo da sua tradição secular, a fé cristã tornou presente, através de muitas figuras, a obra salvífica do Filho encarnado. Fê-lo sem nunca separar o aspecto regenerador da salvação, no qual Cristo nos resgata do pecado, do aspecto da elevação, pelo qual Ele nos faz filhos de Deus, participantes da sua natureza divina (cf. 2 Pe 1,4). Considerando a perspectiva salvífica no seu significado descendente, isto é, a partir de Deus que vem para resgatar os homens, Jesus é iluminador e revelador, redentor e libertador; Aquele que diviniza o homem e o justifica. Assumindo a perspectiva ascendente, isto é, a partir dos homens que se dirigem a Deus, Ele é Aquele que, como Sumo Sacerdote da Nova Aliança, oferece ao Pai o culto perfeito em nome dos homens: se sacrifica, repara os nossos pecados e permanece sempre vivo para interceder a nosso favor. Desta forma, verifica-se na vida de Jesus uma sinergia maravilhosa do agir divino com o agir humano, que mostra a falta de fundamento de uma perspectiva individualista. Assim, por um lado, o sentido descendente testemunha a primazia absoluta da acção gratuita de Deus; a humildade em receber os dons de Deus, antes mesmo do nosso agir, é essencial para poder responder ao seu amor salvífico. Por outro lado, o sentido ascendente recorda-nos que, através do agir plenamente humano de seu Filho, o Pai quis regenerar o nosso agir, para que, assemelhados a Cristo, possamos realizar «as boas obras que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos» (Ef 2,10).

10. Para além disso, é claro que a salvação que Jesus trouxe na sua própria pessoa não se realiza somente de modo interior. Assim, para poder comunicar a cada pessoa a comunhão salvífica com Deus, o Filho se fez carne (cf. Jo 1,14). É exatamente assumindo a carne (cf. Rom 8,3; Heb 2,14; 1 Jo 4,2), e nascendo de uma mulher (cf. Gal 4,4), que «o Filho de Deus se fez filho do homem»[15]e, também, nosso irmão (cf. Heb 2,14). Assim, entrando a fazer parte da família humana, «uniu-se de certo modo a cada homem»[16]e estabeleceu uma nova ordem nas relações com Deus, seu Pai, e com todos os homens, na qual podemos ser incorporados para participar na sua própria vida. Consequentemente, assumir a carne humana, longe de limitar a acção salvífica de Cristo, permite-Lhe mediar de maneira concreta a salvação de Deus com todos os filhos de Adão.

11. Concluindo, e para responder, quer seja ao reducionismo individualista da tendência pelagiana, quer seja ao reducionismo neo-gnóstico que promete uma libertação interior, é necessário recordar o modo como Jesus é Salvador. Ele não se limitou a mostrar-nos o caminho para encontrar Deus, isto é, um caminho que poderemos percorrer por nós mesmos, obedecendo às suas palavras e imitando o seu exemplo. Cristo, todavia, para abri-nos a porta da libertação, tornou-se Ele mesmo o caminho: «Eu sou o caminho» (Jo 14,6).[17]Além disso, esse caminho não é um percurso meramente interior, à margem das nossas relações com os outros e com o mundo criado. Pelo contrário, Jesus ofereceu-nos um «caminho novo e vivo que Ele abriu para nós através […] da sua carne» (Heb 10,20). Enfim, Cristo é Salvador porque Ele assumiu a nossa humanidade integral e viveu em plenitude a vida humana, em comunhão com o Pai e com os irmãos. A salvação consiste em incorporar-se nesta vida de Cristo, recebendo o seu Espírito (cf. 1 Jo 4,13). Assim, Ele tornou-se «em certo modo, o princípio de toda graça segundo a humanidade».[18]Ele é, ao mesmo tempo, o Salvador e a Salvação.

V. A Salvação na Igreja, corpo de Cristo

12. O lugar onde recebemos a salvação trazida por Jesus é a Igreja, comunidade daqueles que, tendo sido incorporados à nova ordem de relações inaugurada por Cristo, podem receber a plenitude do Espírito de Cristo (cf. Rom 8,9). Compreender esta mediação salvífica da Igreja é uma ajuda essencial para superar qualquer tendência reducionista. De fato, a salvação que Deus nos oferece não é alcançada apenas pelas forças individuais, como gostaria o neo-pelagianismo, mas através das relações nascidas do Filho de Deus encarnado e que formam a comunhão da Igreja. Além disso, uma vez que a graça que Cristo nos oferece não é, como afirma a visão neo-gnóstica, uma salvação meramente interior, mas que nos introduz nas relações concretas que Ele mesmo viveu, a Igreja é uma comunidade visível: nela tocamos a carne de Jesus, de maneira singular nos irmãos mais pobres e sofredores. Enfim, a mediação salvífica da Igreja, «sacramento universal de salvação»,[19]assegura-nos que a salvação não consiste na auto-realização do indivíduo isolado, e, muito menos, na sua fusão interior com o divino, mas na incorporação em uma comunhão de pessoas, que participa na comunhão da Trindade.

13. Tanto a visão individualista como a visão meramente interior da salvação contradizem a economia sacramental, através da qual Deus quis salvar a pessoa humana. A participação, na Igreja, à nova ordem de relações inauguradas por Jesus realiza-se por meio dos sacramentos, entre eles, o Baptismo que é a porta,[20]e a Eucaristia que é fonte e culmine.[21]Assim, se vê, a inconsistência das pretensões de auto-salvação, que contam apenas com as forças humanas. Pelo contrário, a fé confessa que somos salvos por meio do Baptismo, que imprime o caráter indelével de pertencer a Cristo e à Igreja, do qual deriva a transformação do nosso modo concreto de viver as relações com Deus, com os homens e com a criação (cf. Mt 28,19). Assim, purificados do pecado original e de todo pecado, somos chamados a uma nova vida em conformidade com Cristo (cf. Rom 6,4). Com a graça dos sete sacramentos, os crentes continuamente crescem e se regeneram, sobretudo, quando o caminho se torna mais difícil e as quedas não faltam. Quando eles pecam, abandonam o amor por Cristo, podendo ser reintroduzidos, por meio do sacramento da Penitência, à ordem das relações inaugurada por Jesus, para caminhar como Ele caminhou (cf. 1 Jo 2,6). Desta forma, olhamos com esperança para o juízo final, no qual cada pessoa será julgada pelo amor (cf. Rm 13,8-10), especialmente pelos mais fracos (cf. Mt 25,31-46).

14. A economia salvífica sacramental opõe-se ainda às tendências que propõem uma salvação meramente interior. De facto, o gnosticismo está associado a um olhar negativo sobre a ordem da criação, inclusive, como uma limitação da liberdade absoluta do espírito humano. Consequentemente, a salvação é vista como libertação do corpo e das relações concretas que a pessoa vive. Pelo contrário, como somos salvos «por meio da oferta do corpo de Jesus Cristo» (Heb 10,10; cf. Col 1,22), a verdadeira salvação, longe de ser libertação do corpo, compreende também a sua santificação (cf. Rom 12,1). O corpo humano foi modelado por Deus, que nele inscreveu uma linguagem que convida a pessoa humana a reconhecer os dons do Criador e a viver em comunhão com os irmãos.[22]O Salvador restabeleceu e renovou, com a sua Encarnação e o seu mistério pascal, esta linguagem originária, e comunicou-a na economia corporal dos sacramentos. Graças aos sacramentos, os cristãos podem viver fielmente à carne de Cristo e, consequentemente, em fidelidade à ordem concreta das relações que Ele nos deu. Esta ordem de relações requer, de maneira especial, o cuidado pela humanidade sofredora de todos os homens, através das obras de misericórdia corporais e espirituais.[23]

VI. Conclusão: comunicar a fé, esperando o Salvador

15. A consciência da vida plena, na qual Jesus Salvador nos introduz, impulsiona os cristãos à missão de proclamar a todos os homens a alegria e a luz do Evangelho.[24] Neste esforço, eles estarão também prontos para estabelecer um diálogo sincero e construtivo com os crentes de outras religiões, na confiança que Deus pode conduzir à salvação em Cristo «todos os homens de boa vontade, em cujos corações a graça opera ocultamente».[25]Ao dedicar-se com todas as suas forças à evangelização, a Igreja continua a invocar a vinda definitiva do Salvador, porque «na esperança fomos salvos» (Rom 8,24). A salvação do homem será plena somente quando, depois de ter vencido o último inimigo, a morte (cf 1 Cor 15,26), participaremos plenamente da glória de Cristo ressuscitado, que leva à plenitude a nossa relação com Deus, com os irmãos e com toda a criação. A salvação integral, da alma e do corpo, é o destino final ao qual Deus chama todos os homens. Fundamentados na fé, sustentados pela esperança, operantes na caridade, seguindo o exemplo de Maria, a Mãe do Salvador e a primeira dos que foram salvos, estamos certos de que nossa cidadania “está nos céus, de onde certamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Ele transfigurará o nosso pobre corpo, conformando-o ao seu corpo glorioso, com aquela energia que o torna capaz de a si mesmo sujeitar todas as coisas”(Fil 3,20-21).

O Sumo Pontífice Francisco, no dia 16 de fevereiro de 2018, aprovou esta Carta, decidida na Sessão Plenária desta Congregação no dia 24 de janeiro de 2018, e ordenou a publicação.

Dado em Roma, na Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, no dia 22 de fevereiro de 2018, Festa da Cátedra de São Pedro.

+ Luis F. Ladaria, S.I.
Arcebispo titular de Thibica
Prefeito

+ Giacomo Morandi
Arcebispo titular de Cerveteri
Secretário


[1] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Dei Verbum, n. 2.

[2] Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Decl. Dominus Iesus (6 de agosto de 2000), nn. 5-8: AAS 92 (2000), 745-749.

[3] Cf. Francisco, Exort. apost. Evangelii gaudium(24 de novembro de 2013), n. 67: AAS105 (2013), 1048.

[4] Cf. Id., Carta enc. Lumen fidei (29 de junho de 2013), n. 47: AAS 105 (2013), 586-587; Exort. apost. Evangelii gaudium, nn. 93-94AAS (2013), 1059; Discurso aos representantes do V Congresso nacional da Igreja italiana, Florença (10 de novembro de 2015)AAS 107 (2015), 1287.

[5] Cf. Id., Discurso aos representantes do V Congresso nacional da Igreja italiana, Florença (10 de novembro de 2015)AAS 107 (2015), 1288.

[6] Cf. Id., Exort. apost. Evangelii gaudium, n. 94AAS105 (2013), 1059: «o fascínio do gnosticismo, uma fé fechada no subjetivismo, onde apenas interessa uma determinada experiência ou uma série de raciocínios e conhecimentos que supostamente confortam e iluminam, mas, em última instância, a pessoa fica enclausurada na imanência da sua própria razão ou dos seus sentimentos»; Pontíficio Conselho para a Cultura –– Pontifício Conselho para o diálogo Inter-religioso, Jesus Cristo, portador da água viva. Uma reflexão cristã sobre a “New Age” (janeiro de 2003), Cidade do Vaticano 2003.

[7] Francisco, Carta enc. Lumen fidei , n. 47: AAS 105 (2013), 586-587.

[8] Cf. Id., Discurso aos participantes da peregrinação da diocese de Brescia (22 de junho de 2013): AAS 95 (2013), 627: «neste mundo onde nega-se o homem, onde se prefere andar na estrada do gnosticismo, […] do “sem carne” – um Deus que não se fez carne […]».

[9] De acordo com a heresia Pelagiana, desenvolvida durante o século V ao redor de Pelágio, o homem, para cumprir os mandamentos de Deus e ser salvo, precisa da graça apenas como um auxílio externo à sua liberdade (como luz, exemplo, força), mas não como uma sanação e regeneração radical da liberdade, sem mérito prévio, para que ele possa realizar o bem e alcançar a vida eterna.

Mais complexo é o movimento gnóstico, surgido nos séculos I e II, que manifestou-se de formas muito diferentes. Em geral, os gnósticos acreditavam que a salvação é obtida através de um conhecimento esotérico ou “gnose”. Esta gnose revela ao gnóstico sua essência verdadeira, isto é, uma centelha do Espírito divino que habita em sua interioridade, que deve ser libertada do corpo, estranho à sua verdadeira humanidade. Somente assim o gnóstico retorna ao seu ser originário em Deus, de quem ele afastou-se pela queda original.

[10] Cf. Tomás, Summa theologiae, I-II, q. 2.

[11] Cf. Agostinho, Confissões, I, 1: Corpus Christianorum, 27,1.

[12] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, n. 22.

[13] Comissão Teológica Internacional, Algumas questões sobre a teologia da redenção, 1995, n. 2.

[14] Bento XVI, Carta enc. Deus caritas est (25 de dezembro de 2005), n. 1: AAS 98 (2006), 217; cf. Francisco, Exort. apost. Evangelii gaudium, n. 3AAS 105 (2013), 1020.

[15] Irineu, Adversus haereses, III, 19,1: Sources Chrétiennes, 211, 374.

[16] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, n. 22.

[17] Cf. Agostinho, Tractatus in Ioannem, 13, 4: Corpus Christianorum, 36, 132: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6). Se você busca a verdade, siga o caminho; porque o caminho é o mesmo que a verdade. A meta que se busca e o caminho que se deve percorrer, são a mesma coisa. Não se pode alcançar a meta seguindo um outro caminho; por outro caminho não se pode alcançar a Cristo: a Cristo se pode alcançar somente através de Cristo. Em que sentido se chega a Cristo através de Cristo? Se chega a Cristo Deus através de Cristo homem; por meio do Verbo feito carne se chega ao Verbo que era no princípio Deus junto a Deus.

[18] Tomás, Quaestio de veritate, q. 29, a. 5, co.

[19] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 48.

[20] Cf. Tomás, Summa theologiae, III, q. 63, a. 3.

[21] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 11; Const. Sacrosanctum Concilium, n. 10.

[22] Cf. Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de maio de 2015), n. 155: AAS 107 (2015), 909-910.

[23] Cf. Id., Carta apost. Misericordia et misera (20 de novembro de 2016), n. 20: AAS 108 (2016), 1325-1326.

[24] Cf. João Paulo II, Carta enc. Redemptoris missio (7 de dezembro de 1990), n.40: AAS 83 (1991), 287-288; Francisco, Exort. apost. Evangelii gaudium, nn. 9-13AAS105 (2013), 1022-1025.

[25] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, n. 22.