O Reino Unido nomeou pela primeira vez na história, uma ministra da Solidão, para enfrentar o que a primeira-ministra britânica, Theresa May, descreveu como “a triste realidade da vida moderna”, que afeta milhões de britânicos.

Tracey Crouch, também encarregada de Esporte e Sociedade Civil, vai acumular o cargo como parte de uma estratégia mais ampla para combater a solidão no país, problema associado a demência, mortalidade prematura e pressão sanguínea alta.

                                   Tracey Crouch, a primeira ministra da Solidão do Reino Unido

“Para muitas pessoas, a solidão é a triste realidade da vida moderna”, disse May. “Quero enfrentar esse desafio pela nossa sociedade e para que todos nós possamos agir para combater a solidão enfrentada pelos mais velhos, pelos cuidadores, por aqueles que perderam seus entes amados – pessoas que não têm ninguém para conversar ou compartilhar seus pensamentos e experiências”, acrescentou a premiê.

Mais de 9 milhões de pessoas dizem viver permanentemente ou frequentemente sozinhas, de uma população de 65,6 milhões, de acordo com a Cruz Vermelha Britânica. A instituição descreve a solidão e isolamento como uma “epidemia oculta”, afetando pessoas de todas as idades e em todos os momentos de suas vidas, como durante a aposentadoria, na morte do parceiro ou na separação.

A nomeação ministerial segue uma recomendação de um comitê criado pela deputada assassinada Jo Cox, uma legisladora do Partido Trabalhista que foi morta em 2016 por um extremista de direita, nas vésperas do referendo sobre o Brexit. O caso chocou o Reino Unido.

A Comissão Jo Cox para a Solidão, criada pela deputada pouco antes de ela ser morta, pediu para que fosse designado um ministério para tratar do problema. “Jo estaria nas nuvens”, escreveu o viúvo da deputada, Brendan Cox.

“Jo experimentou e testemunhou a solidão através de sua vida, especialmente quando começou a estudar na Universidade de Cambridge e esteve separada de sua irmã Kim, pela primeira vez”, escreveu a Fundação Jo Cox no Twitter.

“Ela ficaria encantada com o novo cargo de Tracey Crouch como ministra da Solidão e diria ‘vamos ao trabalho!'”, acrescentou a organização.

Fonte: DW

Engole… Engole! É só água. Tua boca tá cheia d’água. Engole. Então cospe. Aqui, cospe. Cospe!

Ouvi de dentro de meu apartamento. Logo acima do play. Só poderia ser uma cuidadora de idoso ou uma babá de criança. Fui à varanda. Vi uma senhora numa cadeira de rodas, bem vestida e elegante, com um chapéu para proteger do sol. E a cuidadora uniformizada. Não havia agressão física. A cuidadora apenas dava ordens impacientes.

Pensei no que pode ter sido a vida daquela mulher. Cresceu, estudou, amou, trabalhou, teve filhos, viajou, discutiu, chorou, riu. Como todos nós, uns mais, outros menos. E agora estava ali, à mercê de alguém sem preparo e sem sensibilidade para perceber que ela não fazia de propósito. Simplesmente desaprendera ou não conseguia mais deglutir. Por falta de coordenação central e motora. (…) 

Hoje, grande parte de minha geração tem pais muito idosos. Mais ou menos lúcidos. Mais ou menos dependentes. Com frequência, nas famílias, apenas um filho se responsabiliza de verdade pelo pai ou pela mãe, os outros são figurantes. Essa função nos obriga a tomar atitudes para as quais nunca nos preparamos. Não há curso nem manual. Somos testados em nossa generosidade e compaixão.

A primeira-ministra britânica Theresa May criou em janeiro o Ministério da Solidão para enfrentar “a epidemia oculta da sociedade moderna”: idosos que não têm ninguém ou, pior, que são ignorados por seus filhos. Não recebem visitas, não ganham presentes nem beijinhos. Irritam os filhos por dar trabalho, por ficar doentes, por não escutar direito, por esquecer, por desaprender de conversar ou até de deglutir. Os velhos percebem quando os filhos não desejam mais sua companhia. Uns se envergonham de pedir atenção. Outros protestam, carentes. E muitos desejam, nesse momento, morrer. Não conseguem engolir a solidão.

A psicóloga Ana Fraiman é dura com o egoísmo de filhos e netos convictos de que bastam algumas poucas visitas, rápidas e ocasionais, para ajudar no bem-estar dos mais velhos. Muitas vezes, “os abandonos e as distâncias não ocupam mais que algumas quadras ou quilômetros que podem ser vencidos em poucas horas.” Ana percebe que nasceu uma geração de pais órfãos de filhos vivos. “Pais órfãos que não se negam a prestar ajuda financeira. Pais mais velhos que sustentam os netos nas escolas e pagam viagens de estudo fora do país. Pais que lhes antecipam herança. Mas que não têm assento à vida familiar dos mais jovens, seus próprios filhos e netos, em razão, talvez, não diretamente de seu desinteresse, nem de sua falta de tempo, mas da crença de que seus pais se bastam”.

Uma providência para quem deseja morrer com dignidade é viver com dignidade. Uma das formas de viver com dignidade é amar quem se dedicou a nós. Demonstrar em pequenos gestos. Você já comprou um ovo de Páscoa para seu pai ou sua mãe neste domingo?

Ruth de Aquino, jornalista

A Catedral Luterana de Lund, na Suécia, pela primeira vez desde a Reforma voltará a celebrar uma missa católica.

Construída no século XI-XII, mas, em seguida, passada para os luteranos, é a igreja em que o Papa Francisco participou da oração ecumênica pelo 500º aniversário da Reforma, em 31 de outubro de 2016. Agora, como a Igreja Católica de São Thomas, em Lund, terá que passar por uma profunda restauração, as missas católicas dominicais a partir de domingo 21 de outubro serão celebradas na catedral.

Não se trata de uma “questão prática”, explica uma nota no sítio da Diocese Católica na Suécia, mas de um exemplo de “cooperação” que “expressa o espírito do documento ecumênico ‘Do conflito à comunhão’ que reflete 50 anos de conversações entre católicos e luteranos, que também deu o nome ao encontro de Lund em 2016”.

“Essa reunião tocou muitas pessoas,” não foi “um evento único, mas persiste e fortalece as relações” através de “medidas concretas e importantes para uma cooperação mais ecumênica” entre católicos e luteranos em Lund.

Um exemplo é a celebração das Vésperas, que em turnos são celebradas aos domingos na catedral luterana e na igreja católica de São Thomas. As diferenças “doutrinais sobre a Eucaristia fazem com que católicos e luteranos não celebrem juntos a missa na catedral”. No entanto, “em vez de se concentrar sobre o que diferencia” “escolheu-se “cooperar no que nos une, ou seja, a Palavra de Deus, o batismo, a oração e o cuidado diaconal”.

Servizio Informazione Religiosa – SIR,