Uma das perguntas no antigo catecismo era: “Onde está Deus?” E a resposta: “Deus está em todos os lugares”. Hoje, podemos trocar a palavra Deus pela palavra Google e a resposta será igualmente válida.

É inacreditável ver como o Google e outras empresas online se tornaram onipresentes em nossas vidas. Elas rastreiam nossas ações, observam o que estamos comprando, o que vemos, para quem escrevemos e o que publicamos. De certa forma, a visão de Matrix não está tão longe da realidade. Nós nos transformamos em códigos binários de informação em um vasto oceano interconectado chamado de internet.

Todos os nossos dispositivos estão constantemente sincronizados. Para nossa comodidade, é algo fantástico. Porém, a cada dispositivo que adicionamos a essa sincronização aumenta a possibilidade de sermos monitorados (ou espiados, se preferir). Recentemente, consultei preços e horários de trem e, depois, quando me conectei ao Facebook, surpresa! No meu newsfeed apareceu um anúncio de viagem de trem para o mesmo destino.

Hoje, quando compro uma passagem pela internet, as datas se sincronizam automaticamente com meu Google Calendar. Se entro na Amazon, sugestões desconcertantes aparecem na home-page: como eles sabem que eu estava pensando em comprar isso?

Esta é uma realidade a que devemos nos acostumar com complacência?

Certa vez, um professor nos disse, com tom de gravidade: “Toda vez que vocês usam um serviço ou um programa online gratuito, vocês são o produto!” E é verdade. Quando aceitamos os termos e condições antes de usar um serviço de forma gratuita, autorizamos o acesso às nossas informações pessoais, contatos, imagens e tudo o que se pode saber sobre nós. Depois, essas informações são vendidas – a um bom preço – para os anunciantes, de modo que eles possam se dirigir a nós com mais precisão, conhecendo nossos interesses, predileções e hábitos de compra online.

Mas voltemos ao Deus e ao Google. Toda vez que precisamos consultar alguma coisa, um amigo meu padre pega seu iPhone e diz: “perguntemos a google deus”. E ele não está brincando. Por acaso o Google não é o primeiro lugar a que recorremos quando queremos encontrar uma informação? Atualmente, é mais provável que você pergunte como rezar ao Google, ao invés de fazê-lo a um padre.

Navegando pela rede, me deparei com um site dedicado à “Igreja do Google”. Ele oferece apologéticas sobre a divindade do Google, juntamente com os “10 mandamentos do Google” e a “oração do Google-Nosso”. Isso pode parecer divertido. Mas, só de pensarmos que existe um site como esse, deveríamos ficar de cabelo em pé. Quando Nietzsche disse que “Deus morreu”, ele nem poderia imaginar que Deus simplesmente trocaria seu corpo místico por um virtual.

Alan Cohen, vice-presidente da Airespace, uma empresa provedora de wi-fi, disse:

 “Se consigo entrar no Google, posso encontrar o que eu quiser. E com acesso sem fio, significa que serei capaz de encontrar o que quiser, onde quiser e quando quiser. Por isso, digo que o Google e o wi-fi são  um pouco como Deus. Deus é wireless, Deus está em todas as partes e Deus vê e sabe de tudo. Ao longo da histórias, as pessoas faziam uma conexão sem fio com Deus. Agora, as pessoas perguntam ao Google sobre suas dúvidas e, cada vez mais, podem fazer isso sem cabos.”

Confesso que estou sendo um pouco melodramático aqui. Mas nossa liberdade para fazer tanta coisa online – para transcender os limites físicos e temporais  – assusta um pouco. Ao invés de me sentir livre, sinto-me enjaulado e percebo que não importa o quanto avancem as tecnologias, pois somente o único e verdadeiro Deus (e somente Ele) pode me dar a autêntica liberdade e a autêntica felicidade.

Deus nos ama incondicional e livremente. Ele não nos obriga a clicar no botão “Aceito”, antes de pedirmos algo a Ele.
Ele morreu por todos nós, não só pelos que compraram o pacote “Premium”.
Todos os aspectos do amor de Deus são acessíveis e grátis; Ele não nos cobra nenhum centavo, nem nos vende.
Faça-se uma pergunta: todos esses dispositivos que você tem e que te deixam perpetuamente conectado com a internet estão te tornando mais livre? Eles te fazem mais ligeiro e feliz? Ou você se sente mais carregado, tentando manter o ritmo?

Não estou demonizando o Google, pois ele é só uma empresa. Mas temos de ser mais cuidadosos antes de ficarmos completamente absorvidos por seu “matrix”. A máquina o define somente na proporção que você permitir.

Um amigo meu estava tentando zombar da Siri (o humanoide virtual da Apple). Ele perguntou: “Siri, você acredita em Deus?” E ela respondeu: “Recomendo que faça suas perguntas espirituais a alguém  mais qualificado para responder. Um pobre motor de conhecimento computacional como eu, independentemente de sua potência, não é capaz de oferecer uma simples resposta a essa pergunta”.

Foi uma boa resposta. Se você tem alguma pergunta urgente em relação à sua vida ou à sua fé, pergunte a seus pais, a seu cônjuge, a seu melhor amigo, ao seu padre. Pergunte a Deus!

Não pergunte ao Google nem perda de vista o fato de que, a final de contas, o Google é uma criação nossa, de mortais, e está eternamente sujeito a elementos humanos e ao erro humano.

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O padre Joshan Rodrigues pertence à arquidiocese do Estado de Bombay, Índia. Atualmente, está na Pontifícia Universidade de Santa Cruz, em Roma, estudando Comunicação Institucional e a Igreja.

Conheci muitos casamentos felizes, mas nunca um compatível. O objetivo do casamento é lutar contra o instante em que a incompatibilidade torna-se inquestionável, e sobreviver a ele. Pois um homem e uma mulher, tais como são, são incompatíveis.” (G.K. Chesterton. O que há de errado com o mundo)

Os conflitos conjugais são uma realidade séria. De simples desacordos a grandes conflitos, todo casal tem discussões. Não se deixe enganar pelos “casais perfeitos” do Facebook e do Instagram. As pessoas não vão postar aspectos negativos de suas vidas. Alguns casais afirmam que nunca tiveram uma diferença de opinião durante toda a sua vida conjugal. Isso é realmente possível? É difícil acreditar que Deus já fez duas pessoas tão parecidas em todos os sentidos que suas opiniões coincidiram em tudo!

Um conflito deve ser resolvido antes que fique fora de controle. Mesmo as pequenas divergências, se não forem resolvidas, podem infeccionar por anos e um dia explodir como um vulcão.

Algumas brigas nunca terminam, elas duram anos, enquanto outras parecem desaparecer sem chegar a uma conclusão, aprofundando assim o ressentimento.

O primeiro choque geralmente ocorre algumas semanas ou meses após o casamento, quando percebemos que nosso cônjuge “perfeito” não é tão perfeito assim, e começamos a nos irritar com pequenas “imperfeições” em sua personalidade. Isso é perfeitamente normal e deve ser trabalhado.

Esta lista ajudará você a trabalhar algumas situações de conflito em seu casamento.

1. Desentenda, mas supere 

  • Não evite brigas a qualquer custo. Desentendimentos são uma parte saudável do relacionamento e todo casal os tem. O que é mais importante é como você briga. Quando houver um conflito, supere-o, para não permitir que uma briga destrua seu amor. Sempre tendo em mente que seu cônjuge não é seu inimigo. Trabalhar seus desentendimentos fará de vocês um casal mais forte. 

 2. Não fique em silêncio 
  • Quando há uma briga, é importante se comunicar e falar sobre isso. Recusar-se a falar com a outra pessoa só vai piorar a situação. É claro que, no começo, você pode ficar em silêncio para mostrar que está com raiva, mas não prolongue esse silêncio por muito tempo. Quando seu cônjuge vier até você depois de algum tempo e disser que quer falar sobre isso, não recuse. Não importa o que aconteça, não vá dormir com raiva. “Não deixe o sol se pôr em sua raiva. Ir para a cama com raiva fará você pensar mais e desenterrar ainda mais problemas. Você não estará feliz automaticamente na manhã seguinte.

3. Lembre-se você mesmo: “eu não sou perfeito(a)”

  • Muitos conflitos surgem quando um cônjuge constantemente culpa a outra pessoa por tudo que está errado. Nenhum marido e nenhuma esposa são perfeitos. Estar ciente de que os dois não são perfeitos irá ajudá-los a encontrar uma solução. O casamento implica ser flexível e abrir espaço para a personalidade do seu cônjuge. No coração de todo conflito está o eu, o ego. O verdadeiro problema é que, mesmo dentro do casamento, quero que minha liberdade irrestrita faça o que me agrada, esperando, ao mesmo tempo, a aprovação incondicional do meu cônjuge. Em outras palavras, quero ser o sol com meu cônjuge orbitando a minha volta como um planeta dedicado.

  • Nos casos em que a questão se tornar séria, peçam a um amigo(a) em comum (uma pessoa em quem ambos confiam e que seja objetiva e neutra) para mediar entre os dois. Pode ser um amigo confidente da família, um membro da família ou até mesmo um padre. Pode haver momentos em que ir juntos para aconselhamento matrimonial seja, talvez, inevitável. Não se recuse a ir mesmo se você acha que o outro é que tem culpa. O objetivo da mediação é ajudar os dois a resolver seus problemas, não para determinar quem foi o culpado. Lembre-se de que, afinal, você ama seu cônjuge, quer permanecer casado(a) e a outra pessoa provavelmente sente o mesmo por você. 

5. Não faça ameaças 

  • Não diga coisas ofensivas quando estiver zangada(o), o que pode causar uma divisão permanente entre você e seu cônjuge. Não ameace o divórcio, nem saia de casa ou qualquer outra coisa. Faça um acordo para nem mesmo mencionar essa palavra em seu casamento, não importa o quão ruim seja a discussão ou a situação (supondo que não haja abuso ou infidelidade). Quando você está se sentindo completamente furiosa(o), apenas se afaste por um momento, e dê à sua mente e coração tempo para soltar o vapor

6. Não traga o passado  

  • Mantenha sua conversa fixa no problema atual. Não tente expor todas as outras circunstâncias quando estiver insatisfeita(o) com seu cônjuge. Muitas coisas no passado são apenas isso, história, e nada pode ser feito sobre isso. Manter uma lista de erros do passado não ajuda seu relacionamento. Você pode ficar para sempre infeliz no passado ou pode decidir ser feliz no futuro.

7. Não lave sua roupa suja em público 

  • Lembre-se de que, por mais que você esteja chateada(o), seu cônjuge merece seu respeito e proteção em público. Não fale sobre seus problemas na frente dos outros, e, pior ainda, não reclame do seu cônjuge com seus parentes e amigos. E nunca brigue na frente de seus filhos. Seja a fortaleza de seu cônjuge em público, não importa se você tiver desentendimentos em casa

8. Peça desculpas

  • Quando você sabe que cometeu um erro, não deixe que o orgulho atrapalhe você a pedir desculpas. Muitas vezes, as palavras mais amorosas em um casamento não são “eu te amo”, mas “por favor, desculpe-me”. Ter a humildade de admitir que você estava errada(o) e pedir perdão quebra barreiras entre você e seu cônjuge e ajuda a reconstruir seu relacionamento. Alguns pensam que pedir desculpas é um sinal de fraqueza. Algumas pessoas têm medo de perder o contato com as pessoas que amam se admitirem suas falhas. Mas o oposto é verdadeiro; ser honesto sobre si mesmo, realmente fará você ganhar mais respeito do outro.

9. Tire um tempo para você 

  • Em casos extremos, onde há abuso emocional ou físico, ou infidelidade contínua, não é errado tirar um tempo e se separar do seu cônjuge por um período de tempo. Na verdade, é provavelmente a coisa certa a fazer. Muitas vezes, o cônjuge que errou só chega a uma profunda compreensão de seus defeitos quando o outro sai de casa. No entanto, este passo deve ser tomado com extrema prudência. Geralmente é um último recurso. Também não pense em “divórcio” imediatamente. Muitos conflitos são curados com o tempo. Separação, não divórcio, é o melhor passo nessas circunstâncias.

O amor não é um mero sentimento, pois amar exige uma firme decisão. Você tem que trabalhar a si mesma(o) ao invés de ficar tentando mudar o outro. Mas esse trabalho deve ser feito em conjunto, com a graça de Deus e através da oração

Penso muitas vezes nas bodas de Caná. O primeiro vinho deixou-os felicíssimos: é o enamoramento. Mas não dura até ao fim: deve aparecer um segundo vinho, isto é, deve ferver e crescer, amadurecer. Um amor definitivo que se torne realmente «segundo vinho» é mais lindo, é melhor do que o primeiro vinho. E é isto que devemos procurar”. – Papa Bento XVI

Fr Joshan Rodrigues

A Secretaria do Sínodo dos Bispos publicou esta terça-feira (22/05) a tradução oficial do documento final da Reunião pré-sinodal.

A reunião, que teve a participação do Papa Francisco, se realizou em Roma de 19 a 24 de março, com a participação de jovens dos cinco continentes, dos quais inúmeros brasileiros representando dioceses, movimentos, instituições e congregações.

O resultado final está contido neste documento, que expressa o ponto de vista da juventude, sua realidade, ideias e propostas.

O documento será apresentado aos Padres sinodais, que se reunirão em Assembleia em outubro de 2018 sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

Documento final da Reunião Pré-sinodal

Introdução

 

Os jovens de hoje encontram uma série de desafios e oportunidades externas e internas, muitas das quais são específicas de seus contextos individuais e algumas são comuns entre os continentes. À luz disso, é necessário para a Igreja examinar o modo com o qual enxerga os jovens e se compromete com eles, de modo que seja um guia eficaz, relevante e vivificante no decorrer de suas vidas.

Este documento é uma síntese para expressar alguns dos nossos pensamentos e experiências. É importante notar que essas são algumas reflexões dos jovens do século XXI provenientes de diversas religiões e contextos culturais. Neste sentido, a Igreja deve ver essas reflexões não como uma análise empírica de um tempo qualquer no passado, mas como uma expressão de onde nos encontramos, para onde nos direcionamos e como um indicador do que a Igreja deve fazer para caminhar adiante.

É importante, sobretudo, esclarecer os parâmetros deste documento. Não se trata de fazer um tratado teológico nem de estabelecer um novo ensinamento por parte da Igreja. É principalmente um documento que reflete as específicas realidades, personalidades, crenças e experiências dos jovens. Este é destinado aos padres sinodais. É destinado a direcionar os bispos a uma maior compreensão dos jovens; um instrumento de navegação para o próximo sínodo dos bispos sobre os “Jovens, a fé e o discernimento vocacional” em outubro de 2018. É importante que essas experiências sejam vistas e entendidas de acordo com os vários contextos nos quais os jovens estão inseridos.

Essas reflexões surgiram de um encontro de mais de 300 jovens representantes de todo o mundo, reunidos em Roma de 19 a 24 de março de 2018 por ocasião da Reunião Pré-sinodal dos jovens e da participação de 15.000 jovens através dos grupos do Facebook.

Este documento é um resumo de todas as contribuições dos participantes, divididos nos 20 grupos linguísticos e outros 6 grupos através das redes sociais. Esta será uma das fontes que contribuirá com o INSTRUMENTUM LABORIS do Sínodo dos bispos 2018. A nossa esperança é que a Igreja e outras instituições possam aprender com o resultado dessa reunião e escutar a voz dos jovens.

Dito isto, podemos continuar a explorar, com disponibilidade e confiança, os contextos nos quais o jovem está hoje, como ele se percebe em relação aos outros e como nós, como Igreja, podemos acompanhar os jovens para uma compreensão profunda de si mesmos e do lugar que ocupam no mundo.

Parte I – Desafios e oportunidades dos jovens no mundo de hoje.

1) A formação da personalidade.

Os jovens procuram o sentido de si mesmos em comunidades que sejam de sustento, edificantes, autênticas e acessíveis, ou seja, comunidades capazes de valorizá-los. Reconhecemos a existência de contextos que podem ajudar no desenvolvimento da própria personalidade, entre os quais a família ocupa uma posição privilegiada. Em muitas partes do mundo, o papel dos idosos e a reverência aos antepassados são fatores que contribuem com a formação da nossa identidade. Porém, isso não é um dado universalmente compartilhado, visto que os modelos da família tradicional estão em declínio em vários lugares. Isso traz sofrimento também para os jovens. Alguns se afastam das tradições familiares, esperando serem mais originais do que aquilo que consideram “parado no passado” ou “fora de moda”. Por outro lado, em alguns lugares do mundo, os jovens procuram sua identidade permanecendo apegados às suas tradições familiares, esforçando-se para serem fiéis ao modo no qual cresceram.

A Igreja, então, precisa sustentar melhor as famílias e a sua formação. Isso é significativamente importante nos países em que não há liberdade de expressão, onde aos jovens – especialmente aos menores – não é permitido participar da vida da Igreja; por isso devem ser formados na fé por suas próprias famílias, em seus lares.

O sentido de pertença é um fator significativo na formação da própria identidade. A exclusão social é um fator que contribui para a perda da autoestima e da identidade, frequente em muitos jovens. No Oriente Médio, muitos jovens se sentem obrigados a se converterem a outras religiões para serem aceitos pelos seus coetâneos e pela cultura dominante que os circunda. Isso é sentido também em comunidades de imigrantes na Europa, que, além disso, sofrem o peso da exclusão social e do abandono de sua identidade cultural para assemelharem-se à cultura dominante. Este é um campo no qual a Igreja precisa projetar e fornecer espaços de cura para nossas famílias em resposta a esses problemas, mostrando que existe espaço para todos.

Além disso, é oportuno observar que a identidade dos jovens também é formada por interações externas e pela pertença a grupos específicos, associações e movimentos ativos até mesmo fora da Igreja. Muitas vezes, as paróquias não são mais lugares de encontro. Reconhecemos também o papel dos educadores e amigos como responsáveis de grupos jovens que podem se tornar bons exemplos. Precisamos encontrar modelos atraentes, coerentes e autênticos. Precisamos de explicações racionais e críticas às questões complexas – as respostas simplistas não são suficientes.

Para alguns, a religião passou a ser considerada uma questão privada. Ás vezes sentimos que o sagrado parece algo separado da vida quotidiana. Muitas vezes, a Igreja parece severa demais e, geralmente, associada a um moralismo excessivo. É frequente, na Igreja, a dificuldade de superar a lógica do “sempre foi assim”. Precisamos de uma Igreja acolhedora e misericordiosa, que tem apreço pelas suas raízes e seus valores, amando a todos, até mesmo aqueles que não seguem o que acreditamos ser a fé “padrão”. Muitos daqueles que buscam uma vida pacífica terminam se dedicando a filosofias ou experiências alternativas.

Outros lugares importantes de pertença dos jovens são grupos como as redes sociais, os amigos e colegas de classe, assim como contextos sociais e o ambiente natural. Esses são lugares que muitos de nós passamos a maior parte do tempo. Frequentemente nossas escolas não nos educam para desenvolvermos um pensamento crítico.

Momentos cruciais para o desenvolvimento da nossa identidade incluem: escolher nossa faculdade, nossa profissão, decidir em que crer, descobrir nossa sexualidade e fazer escolhas definitivas na nossa vida.

Além disso, as experiências eclesiais podem tanto formar quanto influenciar a construção da nossa personalidade e identidade. Os jovens são profundamente interessados em assuntos como a sexualidade, as dependências, os casamentos falidos, as famílias desestruturadas, assim como nos grandes problemas sociais como o crime organizado, o tráfico de pessoas, a violência, a corrupção, abusos, feminicídio e toda forma de perseguição e degradação do nosso meio ambiente. Esses elementos são de profunda preocupação nas comunidades de todo o mundo. Temos medo porque em muitos dos nossos países encontramos instabilidade social, política e econômica.

Para lutarmos contra esses desafios, precisamos de inclusão, acolhimento, misericórdia e cuidado por parte da Igreja, seja como instituição que como comunidade de fé.

(2) Relação com os outros

Os jovens buscam dar sentido a um mundo muito complicado e diversificado. Temos acesso a novas oportunidades para superar as diversidades e as divisões no mundo, mas isso acontece em níveis e realidades diferentes. Muitos jovens são acostumados a ver a diversidade como uma riqueza e consideram um mundo pluralista como uma oportunidade. O multiculturalismo tem o potencial de favorecer um ambiente de diálogo e tolerância. Valorizamos a diversidade de ideias em um mundo globalizado, o respeito pela maneira de pensar do outro e a liberdade de expressão. Ao mesmo tempo, queremos também preservar nossa identidade cultural e evitar a uniformidade e a cultura do descarte. Não devemos temer nossas diversidades, mas valorizar nossas diferenças e tudo aquilo que nos faz únicos. Às vezes, nos sentimos excluídos por sermos cristãos em ambientes sociais que são contra a religião. Temos consciência que precisamos de encontros entre nós e com outros para poder construir laços profundos.

Em alguns países a fé cristã é minoria, enquanto outra religião é dominante. Os países com raízes cristãs têm uma tendência, hoje em dia, a rejeitar gradualmente a Igreja e a religião. Alguns jovens tentam dar um sentido à fé em uma sociedade cada vez mais secularizada, onde a liberdade de consciência e religião está sendo atacada. O racismo, em diferentes modos, é presente nos jovens de diversas partes do mundo. Existe ainda uma oportunidade para a Igreja de propor aos jovens um outro “modo” de viver, mas isso deve ser feito em meio aos contextos sociais muitas vezes complicados.

Dessa forma, é frequentemente difícil para os jovens escutar a mensagem do Evangelho. Isso é ainda mais acentuado em lugares onde infelizmente, mesmo existindo um geral apreço pela diversidade, as tensões sociais fazem parte da realidade. Uma atenção particular deve ser dada aos nossos irmãos e irmãs cristãos que são perseguidos. Recordamos que nossas raízes cristãs são banhadas no sangue dos mártires e, enquanto rezamos pelo fim de todo tipo de perseguição, somos agradecidos por seus testemunhos de fé em todo o mundo. Ainda não existe um consenso unânime em relação à questão dos imigrantes e dos refugiados e muito menos sobre as problemáticas que causam este fenômeno – tudo isso somado ao reconhecimento do dever universal de tutelar a dignidade de cada pessoa humana.

Em um mundo globalizado e inter-religioso, a Igreja precisa não somente de um modelo mas também de uma elaboração sobre as linhas teológicas já existentes para um pacífico e construtivo diálogo com pessoas de outras crenças e tradições.

(3) Os jovens e o futuro

Os jovens sonham com segurança, estabilidade e plenitude. Muitos esperam uma vida melhor para suas famílias. Em muitas partes do mundo, isso significa buscar a segurança pessoal; para outros especificamente quer dizer encontrar um bom trabalho e um certo estilo de vida. Identificar um lugar de pertença é um sonho comum que ultrapassa continentes e oceanos.

Aspiramos melhores oportunidades em uma sociedade que seja coerente e que confie em nós. Buscamos ser escutados, participando ativamente, e não somente espectadores na sociedade. Procuramos uma Igreja que nos ajude a encontrar nossa vocação, em todos os seus significados. Além disso, infelizmente, nem todos acreditamos que a santidade seja algo possível de se alcançar e que seja um caminho para a felicidade. Precisamos revitalizar o sentido de comunidade que nos conduza a um verdadeiro sentido de pertença.

Algumas preocupações práticas tornam nossa vida difícil. Muito jovens experimentaram grandes traumas em vários modos. Muitos ainda sofrem sob o peso de desestabilidades mentais ou deficiências físicas. A Igreja precisa sustentar melhor e prover recursos idôneos para nos assistir em nosso percurso de cura. Em algumas partes do mundo, a única via para se ter um futuro seguro é receber uma instrução universitária ou trabalhar excessivamente. Se, por um lado esse é um padrão comumente aprovado, por outro é importante dizer que nem sempre é possível executá-lo por uma série de circunstâncias nas quais os jovens se encontram. Essa ideia prevalece e tem mudado nosso modo de ver o trabalho. Mesmo diante desta realidade, os jovens afirmam que existe uma dignidade intrínseca ao trabalho. Às vezes, acabamos renunciando aos nossos sonhos. Temos muito medo e alguns de nós pararam de sonhar. Isso se percebe nas muitas pressões socioeconômicas que ameaçam a esperança dos jovens. Acontece então que não temos nem mesmo mais a capacidade de continuar sonhando.

Por esta razão os jovens se comprometem com os problemas de injustiças sociais do nosso tempo. Buscamos a oportunidade de trabalhar e construir um mundo melhor. Com este propósito, a doutrina social da Igreja Católica é, de modo particular, instrumento privilegiado de informação para os jovens católicos que se identificam com essa vocação. Queremos um mundo de paz, com uma ecologia integral unida à uma economia global sustentável. Para os jovens que vivem em regiões instáveis e vulneráveis, existe a esperança e uma expectativa de ações concretas da parte dos governos e da sociedade: acabar com os conflitos, com a corrupção; ter atenção às mudanças climáticas, às desigualdades sociais e à segurança. É importante saber que, independentemente do contexto, todos compartilham a mesma aspiração inata por ideais nobres: paz, amor, confiança, igualdade, liberdade e justiça.

Os jovens sonham com uma vida melhor, mas muitos são obrigados a migrar para encontrar uma melhor situação econômica e ambiental. Desejam a paz e são, em particular modo, atraídos pelo “mito do Ocidente”, assim como é representado pela mídia. Os jovens africanos sonham com uma Igreja local autônoma, que não alimente a dependência, mas que seja uma contribuição viva para suas comunidades. Mesmo com tantos conflitos e ondas de violência, os jovens permanecem cheios de esperança. Em muitos países ocidentais, seus sonhos têm como base o desenvolvimento pessoal e a realização de si.

Em muitos lugares existe uma grande discrepância entre os desejos dos jovens e a sua capacidade de tomar decisões a longo prazo.

(4) Relação com a tecnologia.

Quando nos referimos à tecnologia, é necessário entender o duplo aspecto do seu uso. Se, por um lado, os progressos tecnológicos melhoraram sensivelmente a nossa vida, é igualmente necessário usá-la de maneira prudente. Como em todas as coisas, um uso desregrado pode trazer consequências negativas. Enquanto para alguns a tecnologia tem enriquecido nossas relações, para muitos outros têm gerado uma forma de dependência, tomando o lugar das relações humanas e até mesmo da relação com Deus. Mesmo assim, a tecnologia é considerada parte integrante da vida dos jovens e deve ser entendida como tal. Paradoxalmente, em alguns países, a tecnologia, em particular a Internet, é gratuitamente acessível, enquanto os serviços de necessidades básicas são insuficientes.

O impacto das mídias sociais na vida dos jovens não pode ser desvalorizado. As mídias sociais são parte integrante da identidade dos jovens e do seu modo de viver. Como nunca, os ambientes digitais têm o poder sem precedentes de unir pessoas geograficamente distantes. A troca de informações, ideais, valores e interesses comuns é hoje muito mais possível. O acesso a instrumentos de formação online trouxe novas oportunidades educativas para os jovens que vivem em áreas remotas e fez do conhecimento do mundo algo mais acessível, até mesmo com um só click.

Todavia, a tecnologia tem mostrado uma outra face, aquela de certos vícios. Este perigo se manifesta de diversas formas como isolamento, preguiça, desolação e tédio. É evidente que os jovens de todo o mundo estejam consumindo excessivamente produtos eletrônicos. Embora vivamos em um mundo hiperconectado, a comunicação entre os jovens permanece limitada a grupos de pessoas que pensam como eles. Faltam espaços e oportunidades para que sejam feitas experiências com a diversidade. A cultura destes meios de comunicação em massa tem muita influência na vida e nos ideais dos jovens. O advento das redes sociais trouxe novos desafios em relação à enorme influência que essas mesmas redes têm sobre os jovens.

Frequentemente os jovens tendem a se comportarem nos ambientes online diferente de como se comportam nos ambientes offline. É necessário oferecer uma formação aos jovens de como ter uma vida digital sadia. As relações online podem se tornar desumanas. Os espaços digitais nos deixam cegos para a fragilidade do outro e impedem um olhar profundo. Problemas como a pornografia distorcem a percepção que o jovem tem da sua própria sexualidade. A tecnologia usada deste modo cria uma realidade paralela ilusória, que ignora a dignidade humana.

Outros riscos incluem: a perda de identidade relacionada a uma representação errada da pessoa, uma construção virtual da personalidade e a perda de uma presença social embasada na realidade. Além disso, os riscos a longo prazo incluem: perda de memória, de cultura e de criatividade diante do acesso imediato à informação e a perda de concentração ligada à fragmentação. Além do mais, existe uma cultura ditatorial da aparência.

Falar da tecnologia não se limita a internet. No campo da bioética, a tecnologia traz novos desafios e novos riscos em relação à proteção da vida humana em cada fase. O advento da inteligência artificial e das novas tecnologias como a robótica e a automação coloca em risco muitos trabalhadores, reduzindo as oportunidades de empregos. A tecnologia pode ser nociva à dignidade humana se não é usada com conhecimento e prudência: a dignidade humana deve sempre guiar o uso da mesma.

Oferecemos aqui duas propostas concretas no que toca à tecnologia. Primeiramente, a Igreja, comprometendo-se com um diálogo constante com os jovens, deveria aprofundar sua compreensão da tecnologia de modo a poder nos ajudar a ponderar o seu uso. Além disso, a Igreja deveria considerar a tecnologia – em particular a Internet – como um terreno fértil para a Nova Evangelização. Os resultados dessa reflexão deveriam ser formalizados através de um documento oficial da Igreja. Em segundo lugar, a Igreja deveria voltar sua atenção para o mal da pornografia, incluindo os abusos de menores na rede, o cyberbullismo e os prejuízos que isso traz para a humanidade.

                                                    
(5) A busca de sentido de vida

Muitos jovens não sabem responder à pergunta: “qual o sentido da sua vida?”. Nem sempre conseguem coligar a vida a um sentido transcendental. Vários jovens, perdendo a confiança nas instituições, não se reconhecem mais nas religiões tradicionais e não se definem mais como “religiosos”. Porém, os jovens são abertos à espiritualidade.

Vários lamentam-se que poucos são seus coetâneos que buscam as respostas do sentido de vida em um contexto de fé e de Igreja. Em diversos lugares do mundo, os jovens dão significados às suas vidas através de seus trabalhos e sucessos pessoais. A dificuldade em encontrar estabilidade nesses âmbitos produz insegurança e ansiedade. Muitos são obrigados a migrar em busca de um contexto que lhes permita trabalhar. Outros ainda abandonam suas famílias e cultura devido à instabilidade econômica.

Além disso, outros evidenciam que, embora os jovens se interroguem sobre o sentido de sua existência, isso nem sempre significa que estejam prontos a se dedicarem em maneira decisiva a Jesus ou à Igreja. Hoje a religião não é mais vista como o principal meio através do qual os jovens buscam sentido: dirigem-se, frequentemente, a tendências e ideologias modernas. Os escândalos atribuídos à Igreja – tanto os reais, quanto aqueles percebidos como tais – afetam a confiança dos jovens na Igreja e nas instituições tradicionais por ela representadas.

A Igreja pode ter um papel vital na certificação de que esses jovens não sejam excluídos, mas que se sintam aceitos. Isso acontece também quando buscamos promover a dignidade das mulheres, tanto na Igreja quanto nos contextos sociais mais amplos. Hoje a falta de igualdade entre homens e mulheres é um problema difuso na sociedade. Isso acontece também na Igreja. Existem grandes exemplos de mulheres que realizam um serviço em comunidades religiosas, consagradas, tendo papel de grande responsabilidade na vida dos leigos. No entanto, para algumas jovens esses exemplos não são sempre visíveis. Uma pergunta-chave surge destas reflexões: “quais os lugares em que as mulheres podem prosperar dentro da Igreja e da sociedade?”.

A Igreja pode lidar com esses problemas com um olhar aberto às diversas ideias e experiências.

Geralmente existe uma grande divergência entre os jovens, tanto na Igreja quanto no mundo, em relação aos ensinamentos que são particularmente controversos atualmente. Entre estes encontramos: contracepção, aborto, homossexualidade, convivência, matrimônio e também como o sacerdócio é entendido nas diversas realidades da Igreja. É importante notar que, independentemente do nível de compreensão dos jovens dos ensinamentos da Igreja, ainda existem divergências e um debate aberto entre os próprios jovens sobre essas problemáticas. Consequentemente, muitos gostariam que a Igreja mudasse seus ensinamentos ou, ao menos, que forneça melhores explicações e formação sobre essas questões. Mesmo com este debate interno, os jovens católicos com convicções em contraste com os ensinamentos da Igreja desejam, de toda forma, fazer parte da Igreja. Por sua vez, muitos jovens católicos aceitam estes ensinamentos e encontram neles uma fonte de alegria. Desejam que a Igreja não somente mantenha firme seus ensinamentos, mesmo se impopulares, mas os proclame com ainda mais profundidade.

No mundo, a relação com o sagrado é uma questão complexa. O cristianismo é visto, muitas vezes, como algo que pertence ao passado, e o seu valor ou relevância para nossas vidas não são mais compreendidos. Ao mesmo tempo, em algumas comunidades observa-se uma prioridade ao sagrado enquanto a vida cotidiana é estruturada em torno à religião. Em alguns contextos asiáticos, o sentido de vida pode ser associado a filosofias orientais.

Por fim, muitos de nós desejamos fortemente conhecer Jesus, mas geralmente temos dificuldade de compreender que somente Ele é a fonte de uma verdadeira descoberta de si, pois é na relação com Ele que a pessoa descobre si mesma. Consequentemente, evidenciamos que os jovens pedem testemunhos autênticos: homens e mulheres capazes de expressar com paixão sua fé e relação com Jesus, e ao mesmo tempo, de encorajar outros também a se aproximarem, se encontrarem e se apaixonarem por Jesus.

 PARTE II – FÉ E VOCAÇÃO, DISCERNIMENTO E ACOMPANHAMENTO

É uma alegria e uma responsabilidade sagrada acompanhar os jovens em sua trajetória de fé e discernimento. Os jovens são mais receptivos diante de “uma narrativa de vida” que diante de um abstrato sermão teológico; eles são conscientes e atentos, empenhando-se ativamente no mundo e na Igreja. Por isso, é importante compreender como os jovens percebem a fé, a vocação e os desafios que se apresentam no discernimento.

(6) Os jovens e Jesus

O relacionamento que muitos jovens têm com Jesus é tão variado quanto o número de jovens no mundo. Muitos deles veem Jesus como seu Salvador e Filho de Deus. Ainda, muitas vezes, os jovens encontram a proximidade de Jesus através da Sua Mãe, Maria. Outros, ao contrário, podem não ter tal relação com Jesus, mas o veem mesmo assim como um referencial moral e uma boa pessoa. Muitos jovens percebem Jesus como um personagem histórico, pertencente a uma época e a uma cultura passadas, e por isso, não relevante para as suas vidas. Outros, ainda, percebem Jesus distante de sua experiência humana, distância que para eles é perpetrada pela Igreja. Além disso, as falsas imagens que alguns jovens têm de Jesus muitas vezes os afastam dele. Ideais errôneos de modelos cristãos parecem como algo fora de alcance, assim como os preceitos dados pela Igreja. Por causa disso, o Cristianismo é percebido por alguns como um padrão inalcançável.

Um modo de superar a confusão que os jovens têm a respeito de Jesus compreende um retorno às Escrituras, de modo a poder aprofundar o conhecimento da pessoa de Cristo, da Sua vida, e da Sua humanidade. Os jovens têm a necessidade de encontrar a missão de Jesus, e não aquilo que a eles pode parecer uma expectativa moral inalcançável. Em todo caso, se sentem inseguros sobre como fazer tudo isso. O encontro com Jesus deve ser promovido entre os jovens e a Igreja deve se dirigir a eles.

(7) A Fé e a Igreja

Para muitos jovens, a fé se tornou algo inerente mais à esfera privada do que a um evento comunitário, e as experiências negativas que alguns destes tiveram com a Igreja certamente contribuíram para esta percepção. Muitos jovens se relacionam com Deus em um nível meramente pessoal, afirmando serem “espirituais, mas não religiosos”, ou mesmo concentrando-se somente em uma relação pessoal com Jesus Cristo. Alguns jovens pensam que a Igreja desenvolveu uma cultura na qual se presta mais atenção às instituições do que à pessoa de Cristo. Outros, por sua vez, consideram que os líderes religiosos são distantes, mais preocupados com a dimensão administrativa do que com a criação de uma comunidade; ainda mais, alguns veem a Igreja como uma entidade irrelevante. Como se a Igreja se esquecesse que é constituída por pessoas e não por estruturas. Existem jovens que, ao contrário, experimentam uma Igreja próxima, como no caso da África, da América Latina e da Ásia, assim como em diversos movimentos de escala mundial. Mesmo jovens que não vivem o Evangelho sentem uma ligação com a Igreja. Este sentido de pertença e família sustenta os jovens em seu caminho. Sem esta ligação e ponto de referência comunitário, correm o risco de se encontrarem sós diante de seus desafios. Por outro lado, existem muitos jovens que não percebem a necessidade de serem parte da Igreja e que encontram sentido para sua existência fora dela.

Infelizmente, em algumas partes do mundo, os jovens estão deixando a Igreja em grande número. Entender os motivos deste fenômeno é crucial para poder continuar em frente. Os jovens que não têm ligação com a Igreja, ou que estão distantes dela, o fazem porque experimentaram indiferença, julgamento e rejeição. É possível participar de uma missa e sair sem ter experimentado nenhum sentido de comunidade ou de família enquanto Corpo de Cristo. Os cristãos professam um Deus vivo, mas não obstante a isso, encontramos celebrações e comunidades que parecem mortas. Os jovens são atraídos pela alegria, que deveria ser um sinal distintivo da nossa fé. Desejam ver uma Igreja que seja testemunha viva daquilo que ensina, e que mostre a autenticidade do caminho em direção à santidade, compreendendo a admissão dos erros cometidos e tendo a humildade de pedir perdão. Os jovens esperam que as lideranças da Igreja – consagrados, religiosos e leigos – sejam o mais forte exemplo disso. Saber que os modelos de fé são autênticos, mas também vulneráveis, faz os jovens se sentirem livres para também eles o serem. Não se deseja aqui negar a sacralidade de seus ministérios, mas exercê-los de modo que os jovens possam ser inspirados por eles no caminho para a santidade.

Muitas vezes os jovens têm dificuldade de encontrar um espaço na Igreja no qual possam participar ativamente e ter responsabilidades. Os jovens, a partir de suas experiências, percebem uma Igreja que os considera demasiado jovens e pouco experientes para tomar decisões, e que deles se espera somente erros. Deve existir confiança no fato de que os jovens podem guiar e ser também protagonistas de seu caminho espiritual. Não se trata somente de imitar os mais sábios, mas de assumir verdadeiramente a responsabilidade da própria missão e de vivê-la seriamente. Os movimentos e as novas comunidades na Igreja têm desenvolvido caminhos fecundos não só para a evangelização dos jovens, mas também para legitimá-los a ser os principais embaixadores da fé para os seus coetâneos.

Uma outra percepção de muitos jovens é a falta de clareza acerca do papel das mulheres na Igreja. Se, já de uma parte, é difícil para os jovens terem um sentido de pertença e liderança na Igreja, isso é ainda mais difícil para as mulheres jovens. Por isso, seria de grande ajuda se a Igreja não só afirmasse o papel da mulher, mas que também ajudasse os jovens a explorá-lo e a compreendê-lo sempre mais claramente.

(8) O sentido vocacional da vida

É preciso encontrar uma simples e clara compreensão do significado de vocação, que seja capaz de dar destaque ao sentido do chamado, da missão, do desejo e da aspiração em persegui-la. Um significado capaz de torná-la um conceito com o qual os jovens possam relacionar-se neste momento de suas vidas. O termo “vocação” foi por vezes apresentado como um conceito meramente intelectual, entendido por muitos como fora de alcance. Os jovens conseguem entender o sentido de dar um significado à vida e de existir no mundo por uma razão, mas muitos não sabem ligar este sentido à vocação entendida como dom e chamado de Deus.

O termo “vocação” se torna então, nos ambientes eclesiásticos, sinônimo do chamado ao sacerdócio e à vida religiosa. Se, de um lado, estas são santas vocações e dignas de serem celebradas, por outro é importante que os jovens saibam que sua vocação vem da dignidade intrínseca da própria vida e que cada um tem a responsabilidade de discernir ‘quem’ é chamado a ser e ‘o quê’ é chamado por Deus a fazer. Existe uma plenitude própria que é evidenciada em cada vocação para que os jovens possam abrir os seus corações a esta possibilidade.

Os jovens pertencentes às diversas tradições religiosas incluem no termo vocação: a vida, o amor, as aspirações, a busca do próprio lugar no mundo e o modo para contribuir com este, juntamente com as vias para poder deixar um sinal tangível. A ideia geral de que a vocação é um chamado não é clara aos jovens, e por isso é necessária uma maior compreensão da vocação cristã (ao sacerdócio, à vida religiosa, ao apostolado laical, ao matrimônio e à família, etc.) e do chamado universal à santidade.

(9) Discernimento vocacional

Discernir a própria vocação representa um desafio, especialmente à luz dos equívocos inerentes a este termo, porém os jovens o aceitam mesmo assim. Este processo de discernimento pode ser uma aventura que acompanha o caminho da vida. Dito isto, muitos jovens não sabem envolver-se neste processo de discernimento, e isto constitui uma oportunidade para que a Igreja os acompanhe.

São muitos os fatores que influenciam a capacidade de um jovem no momento de discernir a própria vocação: a Igreja, as diferenças culturais, as exigências do trabalho, o mundo digital, as expectativas da família, a saúde mental e o estado de ânimo, ruídos, a pressão dos outros jovens, os cenários políticos, a sociedade, a tecnologia, etc… Passar tempos em silêncio, em introspecção e rezando, assim como lendo a Escritura e aprofundando o conhecimento de si, são oportunidades que poucos jovens de fato desfrutam. É necessária uma melhor introdução a estas práticas. Envolver-se com grupos de oração, movimentos e comunidades construídas sob o interesse comum pode também ajudar os jovens em seu discernimento.

Reconhecemos de modo particular o excepcional desafio que as jovens moças devem enfrentar no momento de discernir a sua vocação e seu espaço na Igreja. Assim como o “sim” de Maria ao chamado de Deus é fundamental na experiência cristã, é necessário dar às mulheres de hoje espaços nos quais possam dizer “sim” à sua vocação. Encorajamos a Igreja a aprofundar a compreensão do papel da mulher e valorizar as jovens, sejam essas leigas ou consagradas, no mesmo espírito de amor que a Igreja tem por Maria, mãe de Jesus.

(10) Jovens e acompanhamento

Os jovens buscam companheiros de caminho, buscam estar em torno de homens e mulheres fiéis que comuniquem a verdade, ao mesmo tempo deixando-os exprimir a sua consciência de fé e de vocação. Tais pessoas não devem ser modelos de fé irrepreensíveis, mas testemunhos vivos, capazes de evangelizar através de suas vidas. São muitos os que podem ser exemplos à altura desta expectativa: podem ser rostos familiares no próprio lar, colegas da comunidade local, ou mártires que testemunham a sua fé doando suas vidas.

Estes guias devem possuir algumas qualidades: ser um cristão fiel e engajado na Igreja e no mundo; buscar constantemente a santidade, não julgar, mas cuidar; escutar ativamente as necessidades dos jovens e responder com gentileza; ser profundamente amoroso e ter consciência de si, saber reconhecer os próprios limites, conhecer a alegria e as dores da vida espiritual.

Uma qualidade de importância primária para os educadores é saber reconhecer-se humano e capaz de compreender os erros: não ser perfeito, mas um pecador perdoado. Acontece muitas vezes que os guias e lideranças são colocados em um pedestal, e sua eventual ‘queda’ pode causar um impacto devastador na capacidade dos jovens de se engajarem na Igreja.

As lideranças não devem conduzir os jovens a ser seguidores passivos, mas caminhar junto deles, deixando-os serem participantes ativos desta viagem. Devem respeitar a liberdade do processo de discernimento de um jovem, fornecendo os instrumentos necessários para o cumprimento adequado deste processo. Um acompanhador deve acreditar de todo o coração na capacidade que um jovem tem de participar da vida da Igreja. Um guia deve cultivar a semente da fé nos jovens, sem nenhuma expectativa de ver os frutos do trabalho, pois este é feito pelo Espírito Santo. Este papel não pode ser restrito aos sacerdotes e religiosos, mas também os leigos deveriam ser legitimados a desenvolvê-lo. Todos estes guias e acompanhadores deveriam poder ser beneficiados por uma boa formação permanente.

Parte III – Atividades formativas e pastorais da Igreja

11) O estilo da Igreja

Hoje os jovens procuram uma Igreja autêntica. Queremos dizer, especialmente para a hierarquia da Igreja que ela deve ser transparente, acolhedora, honesta, convidativa, comunicativa, acessível, alegre e interativa com a comunidade.

Uma Igreja crível é aquela que não tem medo de ser vista como vulnerável. A Igreja deveria ser sincera em admitir os erros passados e presentes e se apresentar como uma Igreja feita de pessoas capazes de erros e incompreensões. A Igreja deveria condenar atos como abusos sexuais e o mau uso do poder e da riqueza. A Igreja deveria continuar a reforçar sua posição em não tolerar o abuso sexual dentro das suas instituições, e assim, reconhecendo-se mais humilde e humana aumentaria, sem dúvida, sua credibilidade entre os jovens do mundo. Se a Igreja agir deste modo, ela se distinguirá das demais instituições e autoridades que, em grande parte, despertam a desconfiança dos jovens.

No mais, a Igreja atrai a atenção dos jovens na medida em que está enraizada em Jesus Cristo. Cristo é a Verdade que faz a Igreja ser diferente de qualquer outro grupo secular com o qual poderíamos nos identificar. Portanto, pedimos que a Igreja continue a proclamar a Alegria do Evangelho guiada pelo Espírito Santo.

Nós desejamos que a Igreja difunda essa mensagem através dos meios modernos de comunicação e expressão. Os jovens têm muitos questionamentos sobre a fé, mas desejam respostas que não sejam aguadas ou que utilizem formulações pré-fabricadas. Nós, a Igreja jovem, pedimos que os nossos líderes falem em termos práticos sobre assuntos controversos como homossexualidade e questões de gênero, dos quais os jovens já conversam livremente sem tabus. Alguns percebem a Igreja como anticientífica, por isso o seu diálogo com a comunidade científica também é importante, já que a ciência ilumina a beleza da criação. Neste contexto, a Igreja deveria também cuidar de questões ambientais, especialmente a poluição. Nós também queremos uma Igreja empática que alcança os que estão às margens, os perseguidos e os pobres. Uma Igreja atrativa é uma Igreja relacional.

12) Jovens Protagonistas

A Igreja deve envolver jovens em seus processos de tomadas de decisão e oferecer-lhes mais funções de liderança. Essas funções devem ser na paróquia, diocese, a nível nacional e internacional, e até em comissões do Vaticano. Nós sentimos fortemente que estamos prontos para sermos líderes, amadurecermos e aprendermos com os membros mais experientes da Igreja, religiosos ou leigos. Nós precisamos de programas de liderança e formação para o desenvolvimento contínuo de lideranças jovens.

Algumas jovens sentem falta de referências femininas dentro da Igreja, com quem também elas desejam contribuir com seus talentos intelectuais e profissionais. Nós também acreditamos que os seminaristas e religiosos deveriam ter uma maior capacidade para acompanhar os jovens.

Além deste maior envolvimento institucional, queremos também ser uma presença alegre, entusiasmada e missionária dentro da Igreja. Nós também expressamos fortemente o desejo de participar como uma voz criativa proeminente. Essa criatividade é frequentemente encontrada na música, liturgia e artes, mas até o momento, esse é um potencial inexplorado, visto que a parte criativa da Igreja vem sendo dominada pelos membros mais velhos.

Existe também o desejo por comunidades fortes, nas quais os jovens partilhem suas lutas e testemunhos uns com os outros. Em muitos lugares, isso já acontece por iniciativas de leigos, movimentos e associações, mas estas têm necessidade de receber maior suporte, oficial e financeiramente.

Os jovens da Igreja querem ter também um olhar para fora. Eles têm paixão por atividades políticas, civis e humanitárias. Eles querem agir como católicos na esfera pública para o aperfeiçoamento da sociedade como um todo. Em todas estas dimensões da vida da Igreja, os jovens desejam ser acompanhados e levados à sério, como membros responsáveis da Comunidade eclesial.

13) Lugares preferenciais

Nós gostaríamos que a Igreja nos encontrasse em lugares onde ela atualmente tem pouca ou nenhuma presença.

Particularmente, desejamos que a Igreja nos encontre nas ruas, onde se encontram pessoas de todos os tipos. A Igreja deve buscar formas novas e criativas de encontrar as pessoas exatamente onde elas vivem, em lugares onde socializam naturalmente: bares, cafés, parques, academias, estádios e outros centros culturais populares. Outros lugares menos acessíveis também deveriam ser considerados, como os ambientes militares, os locais de trabalho e as áreas rurais. De igual modo, nós precisamos da luz da fé em lugares mais desafiantes como orfanatos, hospitais, bairros marginalizados, regiões devastadas pela guerra, prisões, centros de reabilitação e zonas de prostituição.

 
Enquanto a Igreja já nos encontra em escolas e universidades, queremos ver sua presença nestes lugares de maneira mais consistente e eficaz. Os recursos não são desperdiçados quando investidos nessas áreas pois são estes os lugares onde muitos jovens passam grande parte do seu tempo e frequentemente se envolvem com pessoas de várias classes sociais. Muitos já são membros de comunidades paroquiais ou de várias instituições, associações e organizações dentro da Igreja. É indispensável que aqueles que já estão engajados sejam apoiados pela comunidade eclesial para que sejam fortalecidos e inspirados em sua missão de evangelização no mundo.

Assim como podemos ser encontrados em muitos lugares físicos, o mundo digital tem de ser levado em conta pela Igreja. Nós desejamos uma Igreja que seja acessível por meio das mídias sociais assim como outros espaços digitais, para mais facil e efetivamente disponibilizar informações da Igreja, seus ensinamentos, e para favorecer a formação dos jovens.

Em resumo, queremos ser encontrados onde estamos – intelectualmente, emocionalmente, espiritualmente, socialmente e fisicamente.

14) Iniciativas a serem reforçadas

Nós esperamos por experiências que possam aprofundar nossa relação com Jesus no mundo real. Iniciativas bem-sucedidas oferecem-nos uma experiência com Deus. Portanto, concordamos com iniciativas que nos dão um entendimento dos Sacramentos, oração e liturgia, para que possamos partilhar e defender a nossa fé no mundo secularizado.

Os Sacramentos são de grande valor para nós e desejamos conhecer os seus mais profundos significados nas nossas vidas. Isso vale para a preparação para o Matrimônio, o Sacramento da Reconciliação, o Batismo de crianças e assim por diante. Por causa da falta de uma apresentação clara e atrativa daquilo que os sacramentos verdadeiramente oferecem, alguns de nós os recebemos sem valorizá-los adequadamente.

Algumas iniciativas frutuosas são: eventos como a Jornada Mundial da Juventude, cursos e programas de formação, em especial aos que são novos na fé; pastorais sociais, catecismo para jovens, retiros de finais de semana e exercícios espirituais, eventos carismáticos, coros e grupos de oração, peregrinações, iniciativas esportivas cristãs, grupos paroquiais ou diocesanos, grupos de estudo bíblico, grupos universitários cristãos, diferentes aplicativos de fé e a imensa variedade de movimentos e associações dentro da Igreja.

Nós gostamos de eventos grandes e bem organizados, mas não significa que todos os eventos precisam ser de grande porte.  Pequenos grupos locais onde podemos expressar dúvidas e partilhar uma convivência cristã também são primordiais para mantermos a fé. Esses pequenos eventos, nos vários contextos sociais, preenchem a lacuna entre os grandes eventos da Igreja e a paróquia. Reunir-se dessa forma é especialmente importante nos países onde os cristãos são menos aceitos.

Os aspectos sociais e espirituais das iniciativas da Igreja podem ser complementares uns aos outros. Existe também um desejo de um alcance social e de evangelização das pessoas que lutam contra doenças e vícios, assim como o envolvimento em um diálogo com pessoas de diferentes religiões e contextos culturais e socioeconômicos. A Igreja deve reforçar as iniciativas que combatem o tráfico humano e migrações forçadas, assim como o narcotráfico que é especialmente importante na América Latina.

15) Instrumentos a serem usados

A Igreja deve adotar uma linguagem que a torne capaz de se relacionar com os costumes e culturas dos jovens, de modo que todas as pessoas tenham a oportunidade de ouvir a mensagem do Evangelho. Somos apaixonados pelas diferentes expressões da Igreja. Alguns têm um forte entusiasmo pelo “fogo” dos movimentos Carismáticos contemporâneos, que focam na ação do Espírito Santo; outros são atraídos pelo silêncio, meditação e tradições litúrgicas. Todas essas coisas são boas pois nos ajudam a rezar de formas diferentes. Fora da Igreja, muitos jovens vivem uma espiritualidade difícil, mas a Igreja poderia ajudá-los com os instrumentos adequados.

  • Multimídia – A internet oferece à Igreja uma oportunidade de evangelização sem precedentes, especialmente por meio das mídias sociais e dos conteúdos de vídeo online. Como jovens, somos nativos no meio digital e por isso podemos guiar a Igreja neste caminho. Também é um lugar fantástico de encontro e relação com pessoas de outra fé ou sem fé alguma. As séries de vídeos do Papa Francisco são um bom exemplo do potencial de evangelização da internet.
  • Experiências de um Ano (Ano Sabático) – Anos de serviço dentro dos movimentos e obras de caridade dão aos jovens a experiência de missão e espaço para o discernimento. Também criam a oportunidade para a Igreja encontrar os não- crentes e pessoas de uma outra fé. 
  • A Beleza e as Artes – A beleza é universalmente reconhecida e a Igreja tem um belo histórico de evangelizar por meio das artes, como a música, artes visuais, arquitetura, design etc. Os jovens respondem a isto com facilidade e gostam de ser criativos e expressivos.
  • Adoração, Meditação e Contemplação – Nós também apreciamos o contraste do silêncio oferecido pela tradição da Igreja, na Adoração Eucarística e na oração contemplativa. Isto nos afasta dos barulhos constantes da comunicação moderna e assim podemos nos encontrar com Jesus. O silêncio é onde podemos ouvir a voz de Deus e discernir a Sua Vontade para nós. Muitos, mesmo fora da Igreja, também apreciam a meditação, e isto pode ser uma ponte para aqueles que, mesmo não tendo fé, se reconhecem como pessoas espirituais. Pode ser contra-cultural, mas é eficaz.
  • Testemunho – As histórias pessoais de quem fez parte da Igreja são meios eficazes de evangelizar já que experiências pessoais não podem ser contraditas. Testemunhos de cristãos modernos e aqueles perseguidos no Oriente Médio são particularmente fortes sinais da vida plena que se encontra na Igreja. As histórias dos santos são muito relevantes para nós, pois são caminhos rumo à santidade e à plenitude.
  • O processo Sinodal – Ficamos entusiasmados por termos sido levados a sério pela hierarquia da Igreja e sentimos que este diálogo entre os jovens e a Igreja madura é um processo vital e frutuoso. Seria uma pena se a este diálogo não fosse dada a oportunidade de continuar crescendo! Esta cultura de abertura é extremamente saudável para nós.

Ao início deste encontro Pré-Sinodal, e neste espírito de diálogo, o Papa Francisco propôs o seguinte trecho bíblico: “Depois de tudo isso, derramarei o meu espírito sobre todos os viventes. E, então, todos os vossos filhos e filhas falarão como profetas: Os anciãos receberão em sonho suas mensagens e os jovens terão visões” (Joel 3,1).