O suicídio não é um problema que afeta somente os famosos endinheirados, como mostram as notícias. Nem se limita aos que sofrem de depressão ou de alguma doença mental. Trata-se de uma multifacetada e complexa epidemia, que precisa ser entendida. E um estudo publicado dois anos atrás nos ajuda nesta missão.

Segundo pesquisa divulgada pela Revista da Associação Médica Americana, o suicídio não é um “fenômeno evanescente”. Outra constatação: estudo feito por enfermeiras comprovou que “entre um grupo de 6.999 mulheres católicas que assistiam à Missa mais de uma vez por semana não houve nenhum caso de suicídio”.

Entretanto, seria terrivelmente errôneo inferir desta estatística a ideia de que quem sofre de depressão ou perdeu algum familiar para o suicídio não é católico. A fé não é, em si, um remédio para enfermidade, seja ela mental ou física. Estou seguro que há uma extensa lista de pessoas que cometeram suicídio mesmo sendo católicas praticantes. No entanto, aposto que há uma lista ainda maior de pessoas que, se não fosse a fé que possuem, teriam se suicidado.

Os católicos têm o dever de saber que a religião, especialmente o Catolicismo, faz a diferença e também precisam descobrir como podemos ajudar o nosso próximo, que, por ventura, tenha pensamentos depressivos ou suicidas. Somos chamados a nos envolvermos nesta questão – e somos mais fortes para isso do que pensamos.

A religião dá o sentido de pertença de que precisamos

Os seres humanos não conseguem sobreviver sem a comunidade, e a religião cria uma comunidade melhor do que qualquer outra coisa.

No livro “The Righteous Mind” [“A Mente Justa”], Jonathan Haidt abre um capítulo entitulado “A religião é um esporte de equipe” e faz uma comparação com uma partida de futebol na Universidade da Virgínia a partir do ponto de vista de um torcedor. Segundo o autor, o culto religioso faz a mesma coisa que uma partida de futebol, mas de maneira embasada. Haidt afirma que as críticas à religião a reduzem ao “crer e fazer”, mas o sentimento de propriedade e aproximação inerentes a ela é igualmente importante. Haidt prova que a religião é o fator que muda tudo para os seres humanos, permitindo que eles façam o que nenhum outro animal é capaz: “cooperar sem ter parentesco” e construir cidades e nações.

A sociedade secularizada, do Vila Sésamo às redes sociais, tentou criar o sentimento de propriedade sem Deus – e fracassou. O mundo pede a gritos o que somente a religião é capaz de dar.

A prática católica da Confissão desempenha papel importante

Se o grupo em que não houve suicídios ia à Missa mais de uma vez por semana, podemos apostar que seus membros também se confessavam. A principal ação da Confissão é no campo espiritual. Mas este sacramento também tem efeitos psicológicos significativos.

Eu ouvi uma das minhas histórias favoritas sobre a Confissão da boca de uma psicoterapeuta. A paciente dela tinha passado por um terrível ciclo de depressão. Nada parecia ajudar. Certo dia, ela se encontrou com a paciente em frente a uma igreja católica. Elas se esconderam dentro do local por causa de uma forte chuva e, lá, viram pessoas que estavam se confessando.

– Devo ir também?, perguntou a paciente.
– Não!, disse a terapeuta. Ela pensou que a Confissão faria com que a sua paciente ficasse cheia de culpas, o que aumentaria ainda mais o ódio que ela sentia de sim mesma.

Mesmo assim, a paciente entrou no confessionário e saiu de lá com um sorriso que não se via há anos e que se repetiu nas semanas seguintes. A terapeuta, por sua vez, estudou mais sobre a confissão e acabou se convertendo ao Catolicismo. Agora, recomenda que seus pacientes católicos se confessem regularmente.

A Confissão nos oferece um recomeço; é uma oportunidade para dizer a outro ser humano (e a Deus): “lamento muito o que eu fiz”. Também é um oportuno momento para ouvir: “o Senhor o absolve de seus pecados. Vá em paz”. O benefício disso é incalculável.

A fé protege contra o desespero

“As convicções e práticas religiosas podem ajudar as pessoas a fomentar um sentimento de esperança, inclusive em meio a grandes adversidades ou crises”, disse o psiquiatra Aaron Kheriaty ao Los Angeles Times num artigo sobre pessoas religiosas e o suicídio. “A fé religiosa pode ajudar as pessoas a encontrar significado e propósito até mesmo no sofrimento”, acrescentou.

Este elemento único – a esperança real – talvez seja a peça que falta neste mundo secularizado. Com a fé, podemos ter esperança até mesmo além da prisão, da morte e das trevas.

A epidemia de suicídios representa um enorme fracasso por parte do mundo – e as pessoas começam a perceber isso. Em seu último livro, o bispo Robert Barron diz que as pessoas educadas no secularismo já demonstram irritação por esse mundo. Reduzir tudo ao cientificismo elimina a poesia, a arte e escurece o coração humano. “Vejo esta realidade em forma de vícios e depressões causadas por profunda preocupação por parte das pessoas”, assinala o bispo.

Enfim, nós, católicos, Somos os guardas de nossos irmãos. Temos o que as pessoas necessitam, algo sem o qual não podemos viver. E é nosso dever oferecer tudo isso aos nossos irmãos.

Tom Hoopes

O vídeo do batizado correu o mundo. Nas imagens, o visível descontrole de um padre: a criança não para de chorar e o sacerdote vai ficando nervoso. Depois, ele chega a bater no rosto do bebê. Rapidamente, o pai tira a criança de perto do religioso.

Depois da divulgação do vídeo, a diocese de Meaux (na França) decidiu aposentar o sacerdote, de 89 anos. O bispo Jean-Yves Nahmias pediu desculpas aos pais da criança, que se mostraram felizes pelo batismo, apesar do acontecimento. “Este gesto [o do padre] é lamentável porque o batismo deve ser um momento de alegria. A fadiga e a idade claramente interferiram na atitude do padre”, disse o bispo.

Mary McAleese, que foi a presidente da Irlanda entre 1997 e 2011, declarou recentemente que não vai participar do Encontro Mundial das Famílias, com o Papa Francisco, agendado para os dias 22 a 26 de agosto em Dublin.

Em entrevista ao Irish Times, o principal jornal do país, ela disse que o evento será apenas uma “manifestação política” voltada ao “reforço da ortodoxia“.

Além disso, ela opinou que, ao batizar crianças pequenas, a Igreja está criando “pequenos recrutas em obrigação vitalícia de obediência”, o que, a seu ver, seria “uma violação aos direitos humanos“. Disse ela:

“Você não pode impor obrigações às pessoas com apenas duas semanas de idade (…) Vivemos agora uma época em que temos o direito à liberdade de consciência, à liberdade de crença, à liberdade de opinião, à liberdade religiosa e à liberdade de mudar de religião. A Igreja Católica ainda tem que abraçar esse pensamento”.

Aplicando a mesma falta de lógica a outros contextos, poderíamos ampliar essa lista de declarações infundadas e afirmar, com igual leviandade e tergiversação, que os pais também violam os direitos humanos ao darem carne a seus filhos sem saber se eles um dia não vão preferir virar veganos; ao levá-los a um estádio ou ao teatro sem saber se eles um dia não vão declarar que o futebol é o ópio do povo e as artes pervertem os costumes; ao vesti-los com a roupa xis sem saber se eles um dia não vão tachar essas vestes de imposição cultural opressiva; ao medicá-los com remédios da indústria farmacêutica sem saber se um dia eles não vão preferir tratamentos exclusivamente homeopáticos, e um longo etcétera de possibilidades análogas.

O fato de as crianças serem criadas conforme as convicções religiosas dos pais não as impede de, ao crescerem, optar por outras formas de viver a espiritualidade – ou mesmo por nenhuma, caso assim decidam. Não faz o menor sentido proibir os pais de criarem os seus filhos de acordo com as suas crenças e conforme o seu discernimento, desde que, obviamente, essa criação não implique qualquer ilegalidade ou patente abuso. Existe alguma comprovação científica ou pelo menos algum indício sério de que batizar um filho venha a constituir um abuso de qualquer espécie? Não.

Em 16 de junho de 2018, durante um evento em Dublin, a ex-presidente também afirmou que tinha votado a favor do aborto no referendo de 25 de maio. A respeito da declaração de um bispo irlandês de que os católicos que votaram a favor precisariam se confessar, ela retrucou que o seu voto “não foi um pecado“.

Apesar das incoerências, Mary McAleese se diz católica praticante. Ela é licenciada em Direito Canônico pela Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma e publicou em 2012 um livro intitulado “Quo Vadis? Collegiality in the Code of Canon Law” (Quo Vadis? A Colegialidade no Código de Direito Canônico).

Como ela própria está demonstrando com seus atos e palavras, o batismo não suprime a liberdade humana de confirmá-lo ou rejeitá-lo: o fato de ter sido batizada quando criança não a impediu de exercer hoje o “direito” de proferir as mais descabeladas e apelativas acusações contra a fé que diz ter – e que, ao mesmo tempo, deseja proibir.

Aleteia

O Ministro Anthony Kennedy anunciou sua aposentadoria, tornando vago um dos nove assentos da Suprema Corte dos Estados Unidos da América, colocando nas mãos do Presidente Donald Trump a oportunidade e a responsabilidade de nomear seu sucessor.

Indicado por Ronald Reagan em 1987, Kennedy não demorou a decepcionar os conservadores americanos que, indiretamente, tornaram possível sua nomeação.

Foi dele o voto que possibilitou a relativização do casamento, atribuindo status de matrimônio à união entre homossexuais. Foi dele o voto que impediu a revisão do famigerado caso Roe v. Wade, responsável pela legalização do aborto nos Estados Unidos. Assim como foi dele uma série de outros votos que favoreceram o ativismo judicial e a agenda progressista.

A aposentadoria de Kennedy, o decano da Corte, terá grandes consequências e pode representar uma importante vitória dos conservadores americanos contra o ativismo judicial.

Com sua saída, decisões originalistas, como a que resguarda a liberdade religiosa ou a que defende o direito à posse de armas, não serão alteradas, mas uma série de decisões progressistas poderão ser revertidas. Destacamos as três mais relevantes abaixo:

— Roe v. Wade: com a indicação de um juiz conservador e originalista, Trump abrirá o caminho para que a Suprema Corte autorize os estados americanos a criminalizar e banir o aborto.

— Pena de Morte: com uma nova composição, a Suprema Corte também poderá assegurar o direito dos estados de prescrever penas de morte, prisão perpétua e confinamento em celas isoladas (solitária).

— Ações Afirmativas: a novo corpo de juízes também possibilitará a restrição de políticas de ações afirmativas baseadas em critérios raciais e discriminatórios.

Diante dessas possibilidades e com a proximidade das eleições legislativas, Trump deverá fazer uma escolha rápida e eficiente, passível de ser aprovada o quanto antes pelo Senado, que possui uma estreita maioria republicana, debilitada pela ausência do Senador John McCain e pela provável oposição das senadoras Collins e Murkowski.

Nessas circunstâncias, é pouco provável que ele nomeie o Senador Ted Cruz, como querem alguns entusiastas mais apressados da política americana, já que o voto do parlamentar texano será essencial para aprovação do novo juiz e ele evidentemente não poderá votar a favor de sua própria nomeação. Assim, o escolhido deverá ser um juiz de carreira, com experiência e credibilidade incontestável como jurista, alguém com prestígio suficiente para ser aprovado em um processo célere e sem obstáculo — alguém com o perfil dos juízes Brett Kavanaugh, Thomas Hardiman e William Pryor, Jr.

Seja como for, a nação americana conquistará uma importante vitória na batalha contra o ativismo judicial, apontando o caminho a ser seguido por nações que, como o Brasil, se debatem com esse terrível flagelo ao império das leis que é a postura legiferante do poder judiciário — a tirania de juízes que se querem legisladores e que não nutrem qualquer tipo de respeito pela separação dos poderes e pelos fundamentos mais básicos da democracia.

Fonte: Senso Incomum

Em um inesperado discurso de 20 minutos para a comunidade católica reunida em Roma, nesta terça-feira (26), o presidente francês enfatizou seu apego ao secularismo, como é chamada a laicidade francesa: “Dou importância a este aspecto especial, fruto da nossa história e perfeitamente compatível com a França contemporânea”.

Segundo Emmanuel Macron, “a história da França mostra que a República construiu sua história de modo especial com todas as religiões, e eu diria mais especificamente com a Igreja Católica”. Para o presidente francês, que discutiu a questão com o papa argentino nesta terça-feira, o secularismo [laicidade] “não é a luta contra a religião, esta é uma má interpretação, [o secularismo] é uma lei de liberdade”.

“É a liberdade de acreditar e não acreditar”, continuou ele, “desde que todos, independentemente de religião ou convicção filosófica, estejam totalmente sob as leis da República”, acrescentou. “A separação da Igreja e do Estado é um reconhecimento de uma ordem temporal e de uma ordem espiritual”, definiu o presidente francês, que acabara de tomar posse após uma cerimônia religiosa na basílica de São João de Latrão, uma tradição que remonta ao rei Henrique IV.

“A laicidade não é uma espécie de pudor contemporâneo que prega não falar sobre religião, ou esconder a religião, uma crença que não se pode ver. A laicidade está em toda parte na sociedade, e temos necessidade, antropológica, antológica, e metafísica dela”, lembrou Macron. “Alguns encontram essa necessidade em convicções filosóficas, outros em um alegado agnosticismo”, observou ele, acrescentando que “minha presença aqui atesta isso”, ressaltou. Ele destacou ainda o fato de que “a França é um país onde a crítica das religiões é possível, onde a blasfêmia é possível”.

Fonte: RF1

Com constantes demonstrações de cumplicidade, proximidade e inclusive carinho, o Papa Francisco recebeu o presidente francês, Emmanuel Macron, em sua primeira visita oficial ao Vaticano. Na conversa entre os dois mandatários, dois temas-chave: a situação dos migrantes e refugiados, que batem às portas da Europa, e a refundação do laicismo na França.

O Papa Francisco e o presidente francês Emmanuel Macron se reuniram durante 57 minutos, no Vaticano, na que foi sua primeira entrevista.

Francisco recebeu Macron na sala do Tronetto, a antessala da Biblioteca, onde acontecem as reuniões privadas, com um grande sorriso e lhe dizendo “bem-vindo”, ao que o presidente, em francês, respondeu: “muito obrigado”.

Em seguida, sentados diante da escrivaninha, frente a frente, o Papa aguardou a saída dos jornalistas para começar a reunião e só se escutou que apresentava ao monsenhor que seria o intérprete, explicando que havia estado muitos anos na África.

Macron havia chegado ao Vaticano percorrendo a Avenida da Conciliazione com um comboio de 30 carros, entre veículos oficiais e das forças de segurança e, inclusive, uma ambulância.

Quando chegou ao pátio de San Damaso, foi recebido pelo prefeito da Casa Pontifícia, dom George Gaenswein, que o acompanhou junto com a delegação aos apartamentos pontifícios, percorrendo algumas salas do Palácio Apostólico.

Macron chegou acompanhado de sua esposa, Brigitte, que estava com um vestido preto, cabelo preso e sem véu, fazendo parte da delegação de umas 15 pessoas, com o ministro do Interior, Gérard Collomb, e o titular para Europa e de Assuntos Exteriores, Jean-Yves Le Drian, entre outros.

Depois, tiveram uma longa reunião de quase uma hora, com a ajuda do intérprete. Na sequência, foi realizada a cerimônia de apresentação da delegação e a troca de presentes.

Macron entregou a Francisco uma antiga edição do livro Diário de um pároco de aldeia, de Georges Bernanos, ao passo que o Pontífice lhe presenteou com o medalhão que representa São Martinho de Tours, padroeiro de Buenos Aires.

O Papa se mostrou sempre sorridente e muito cordial com o presidente francês, de quem se despediu segurando suas duas mãos com carinho.

Na sequência, Macron terá uma reunião com o secretário de Estado vaticano, Pietro Parolin, e com o secretário para as Relações com os Estados, Paul Richard Gallagher. Antes do encontro, Macron tomou café da manhã com a comunidade de leigos católicos Santo Egídio, muito envolvida na acolhida a migrantes e organizadora de “corredores humanitários” que traz refugiados sírios para a Europa.

Macron protagoniza uma cruzada diplomática com as novas autoridades italianas, em particular com o ministro do Interior, Matteo Salvini, líder da Liga (extrema-direita), que defende uma linha dura com os migrantes que tentam chegar às costas italianas, cruzando o Mediterrâneo, e critica a arrogância e o egoísmo da França no tema migratório.

O Papa interpela regularmente aos dirigentes da União Europeia sobre os migrantes, que possuem a obrigação de “acolher, acompanhar, abrigar e integrar”, segundo ele. Na semana passada, avaliou que era necessário “investir de maneira inteligente para lhes dar trabalho e uma educação” em seus países de origem.

Sem dúvida, o laicismo na França esteve entre os temas de conversa durante o encontro de Francisco com Macron.

Em um discurso na Conferência Episcopal da França, em inícios de abril, Macron disse querer “reparar” o “vínculo” entre a Igreja católica e a República francesa, “prejudicado” nos últimos anos, em particular a partir da adoção dos casamentos homossexuais em 2013.

Este discurso despertou numerosas críticas na França, ao passo que o episcopado o qualificou como um discurso que refunda as relações entre os católicos e a República. O presidente francês não escapará da tradição. Deixará o Vaticano com o título de “primeiro e único cônego de honra” da Basílica de São João de Latrão, uma tradição que remonta ao século XVII e ao rei Henrique IV.

O último presidente francês a abraçar esta tradição foi Nicolas Sarkozy, em dezembro de 2007. Naquela oportunidade, provocou polêmica com seu discurso elogiando a fé e as raízes cristãs da França.

 Religión Digital

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“Considerando tudo isso, Macron se encaixa no perfil para fazer uma combinação perfeita com Francisco, dada sua compreensão da ‘laïcité’ (laicidade ou secularismo, em português), sua educação jesuíta e seu foco no diálogo”, escrevem os jornalistas Claire Giangravè e Christopher White, em artigo publicado por La Croix International, 26-06-2018.

 

Durante séculos a Igreja Católica guardou um lugar especial para a França. Mesmo rolando cabeças de líderes religiosos na guilhotina, em Paris, os pontífices nunca abandonaram o sonho de que a filha pródiga da Igreja retornasse.

Enquanto o presidente francês Emmanuel Macron se prepara para visitar o Vaticano a fim de se reunir com o Papa Francisco nesta terça-feira, a primeira vez para o presidente recém-eleito, a pergunta no ar é: a filha mais velha da Igreja retornou?

Em sua terra natal, Macron é um homem creditado de inclinação religiosa “agnóstica”, se não “transcendente”, aberto não só ao diálogo com os não-católicos de seu país, mas também capaz de falar sua linguagem.

Com 12 anos de idade, o futuro chefe do Estado francês pediu para ser batizado, provocando o que ele chamou de “um profundo despertar espiritual”. Depois ele decidiu se afastar do catolicismo. Macron conheceu sua esposa católica, Brigitte Macron, no colégio jesuíta La Provence.

Considerando tudo isso, Macron se encaixa no perfil para fazer uma combinação perfeita com Francisco, dada sua compreensão da laïcité (laicidade ou secularismo, em português), sua educação jesuíta e seu foco no diálogo. Mesmo assim, por atrás de sua exterioridade acessível – não muito diferente do Papa argentino -, se encontra um pensador político astuto, consciente do equilíbrio delicado que envolve não só a França, mas toda a Europa.

Pesquisas mostram que Macron não era um dos favoritos para o eleitorado católico durante as eleições de abril do ano passado. Este lugar pertencia ao François Fillon, um político inflexivelmente devoto, a quem se creditou reunir o voto da adormecida França católica, a mesma que saiu em massa para protestar contra o aborto.

Depois de Fillon ser desmoralizado devido a um escândalo financeiro na sua família, Macron saiu vitorioso das eleições. No entanto, para ocupar o vazio político deixado por Fillon, o sistema europeu parece estar sedento de um líder no contexto de uma crescente onda populista e nacionalista.

Após sua eleição, Macron fez uma visita simbólica à basílica medieval de Saint-Denisem Paris, casa dos reis da França. Ele já chamou Joana d’Arc de um “símbolo de esperança”, reconheceu o padre francês Jacques Hamel, morto por simpatizantes do ISIS em 2016, como um “mártir”, e prestou tributo ao tenente convertido ao catolicismo Arnaud Jean-Georges Beltrame, que trocou de lugar com um refém durante um ataque terrorista em Trèbes, França.

Macron provou que é aberto ao diálogo com a Igreja, especialmente quando diz respeito à inclusão e ao ambiente, mas enquanto se prepara para enfrentar a questão da imigração, uma parada no Vaticano põe um marco fundamental ao homem que pode ser, ou pelo menos espera ser, o novo rosto da Europa.

Francisco e Macron: mestres do diálogo

Alguns críticos argumentam que o conceito francês de laïcité – uma expressão que descreve a separação entre religião e assuntos do estado – tem às vezes colocado a Igreja para fora da vida pública. 

Em abril, Macron apareceu nas manchetes quando se tornou o primeiro presidente francês a aceitar um convite para falar aos bispos da França no Collège des Bernardins em Paris.

Na exposição, Macron incentivou uma participação robusta de líderes católicos na vida pública, dizendo que sempre devem estar dispostos a fazer perguntas e levantar preocupações – mas sem a expectativa de que sempre terão o resultado desejado.

Suas palavras vieram num momento em que líderes da Igreja monitoram de perto os esforços do governo de Macron em aprovar uma nova legislação bioética que concederia mulheres solteiras e lésbicas o direito de utilizar a fertilização in vitro, coisa que a Igreja espera que não passe.

Apesar dessas diferenças, com frequência Macron se dedicou em conjunto com líderes da Igreja sobre questões bioéticas, incluindo um jantar dado no Élysée Palace, a residência oficial do presidente da França, para discutir questões sobre o fim da vida, particularmente a eutanásia.

“Um presidente da República francesa que não leva em consideração nenhum interesse da Igreja e de seus fiéis, estaria falhando em seu dever”, disse aos bispos em abril – acrescentando, “não há nada mais urgente hoje do que aumentar o conhecimento mútuo dos povos, culturas, religiões; Não há nenhuma outra maneira para que isso aconteça, a não ser conversando cara a cara. Mas também através de livros, compartilhando o trabalho.”

Esse pedido de diálogo tem paralelo com outra conferência ocorrida na França. Em abril de 2016, em Estrasburgo, Francisco se dirigiu ao Parlamento Europeu e apelou a um “novo humanismo” que, segundo ele, só poderia ser feito através do diálogo.

“A alma da Europa é, na verdade, maior do que os conflitos da UE, e é chamada a se tornar um modelo de novas sínteses e de diálogo”, disse Francisco. “A verdadeira face da Europa é vista não em confronto, mas na riqueza das suas diversas culturas e na beleza de seu compromisso com a abertura.”

Macron não provou apenas que pode dialogar com a Igreja na França, mas também que quando se trata do campo político global ele é uma força a ser levada em consideração.

Imigrantes, entre atrito e encontro

A visita de Macron se dará num contexto de tensa situação política. O presidente francês tem batido cabeça com o novo governo italiano e especialmente seu líder, Matteo Salvini, chefe do partido populista e anti-imigração, Liga do Norte.

O atrito recai sobre o Aquarius, um navio impedido de atracar que transportava mais de 600 imigrantes entre as águas da Itália e de Malta no início deste mês. O caso se tornou o pretexto para um debate sobre as responsabilidades de imigrantes na Europa e anulou a posição da Itália na negociação do acordo de Dublin, que regula a divisão de responsabilidades em matéria de imigração entre os estados membros da União Europeia.

Macron não vai visitar qualquer representante do governo italiano (Nota – devido à crise com o navio Life Stile, navegando à deriva lotado de refugiados resgatados no Mediterrâneo, encontrou-se, privadamente, na noite anterior do encontro com Francisco, com o primeiro ministro italiano, Conte, para encontrar uma saída conjunta para a situação), especialmente depois de seus comentários condenando a “lepra” do populismo na UE. Na verdade o presidente francês vai visitar a comunidade de Sant’Egidio, um movimento católico fortemente envolvido, entre outras causas, com a promoção de percursos seguros para os requerentes de asilo, que procuram refúgio na Europa. (Foi a comunidade de Sant’Egidio, por exemplo, que ajudou a acomodar os refugiados sírios que Francisco trouxe consigo de volta a Roma depois de uma viagem em abril de 2016 para a ilha grega de Lesbos).

Ainda assim, apesar da sua retórica, Macron – como sua colega chanceler alemã Angela Merkel – sabe muito bem que uma postura pró-imigrantes na Europa de hoje é um suicídio político.

Uma nova lei de imigração aprovada pela Assembleia Nacional francesa emitiu algumas medidas restritivas contra os requerentes de asilo e duplicaram penas de prisão para imigrantes que entram na França ilegalmente.

Antes da importante reunião com líderes europeus sobre a política de migração nos dias 28-29 de junho, Macron irá passar na Basílica de São João Latrão em Roma, historicamente ligada aos monarcas franceses, onde vai receber seu título como cônego-honorário.

Enquanto o antecessor de Macron, François Hollande, optou por não fazer visita à Basílica, a decisão de Macron para fazê-lo está sendo concebida como o possível começo de uma nova era na relação de seu país com a Igreja e um sinal de que, junto de um título em grande parte simbólico, aguarda um diálogo mais substantivo.

Fonte: IHU

Uma campanha sobre os migrantes e refugiados lançada pela Santa Sé tornou-se um exemplo internacional de como promover com sucesso mudanças sociais positivas através do marketing.

Testemunha isso a décima segunda edição do Publifestival – Festival Internacional de Publicidade Social, que outorgou o prêmio de “Melhor estratégia social” para o vídeo feito pela Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral da Santa Sé e produzido pela agência La Machi Comunicación para buenas causas. O evento foi realizado no dia 15 de junho no Teatro Fernando Rojas do Círculo de Belas Artes em Madri, com a participação de agências e publicitários de todo o mundo.

O vídeo de três minutos e meio mostra os quatro verbos de ação que, segundo o Papa Francisco, devem estar no centro de todas as atividades dos governos, instituições e pessoas que trabalham no campo da mobilidade humana: acolher, proteger, promover e integrar.

Foi apresentado pela primeira vez na sessão de ‘stock-taking’ (balanço) do Pacto Global das Nações Unidas sobre os migrantes (Puerto Vallarta, México), em 4/12/2017 e no Diálogo do Alto Comissário sobre os Desafios da proteção o Pacto Global para Refugiados no Palais des Nations (Genebra) em 12/12/2017. Também foi apresentado na sede da ONU em Nova York e em muitos outros lugares do mundo.

Durante a cerimônia de premiação, Padre Michael Czerny, SJ, Sub-Secretário da Seção Migrante e do Refugiado da Santa Sé, declarou: “O Santo Padre oferece a resposta cristã e realmente civilizada às necessidades imediatas das pessoas refugiadas vulneráveis. O vídeo dá vida a esse apelo urgente através de imagens, movimentos e música. Estamos contentes em ajudar a espalhar essa mensagem comovente e encorajadora, alcançando milhões de pessoas em todo o mundo”.

O vídeo está disponível em quase 30 idiomas.

Na mesma cerimônia, também foi premiado o spot de dois minutos e meio da última Exortação Apostólica do Papa Francisco “Gaudete et Exsultate” sobre o chamado à santidade no mundo contemporâneo produzido pela Vatican Media em colaboração com a agência La Machi.

Fonte: Blog da Seção Migrantes e Refugiados do Vaticano.

Eis o vídeo em português:

Os políticos podem mudar a lei, mas não podemos mudar a natureza da confissão’.

O arcebispo de Adelaide (foto) afirmou que a Igreja não irá aderir às novas leis que obrigam padres informados sobre abuso infantil dentro do confessionário a relatarem aquilo que ouviram à polícia.

Sob as novas leis definidas para entrar em vigor em outubro no Sul da Austrália, padres que falharem em denunciar abuso de criança à polícia serão multados em até US $10.000 (cerca de R$28 mil, nde).

“Os políticos podem mudar a lei, mas não podemos mudar a natureza da confissão, que é um encontro sagrado entre um penitente, alguém buscando perdão e um padre que representa Cristo”, disse o bispo Greg O’Kelly, arcebispo interino de Adelaide, a rádio ABC Adelaide em 15 de junho.

“Não nos afeta. Temos um entendimento em relação ao sigilo da confissão que é do domínio do sagrado”, continuou.

“O direito canônico estabelece que ‘é absolutamente proibido um confessor trair de alguma forma um penitente em palavras ou em qualquer forma e por qualquer motivo’”, acrescentou.

Bispo O’Kelly disse que a Igreja não tinha sido notificada da mudança até a quinta-feira (14 de junho). A legislação foi sancionada no ano passado.

A lei faz parte da resposta do governo australiano do sul à Comissão Real para Respostas Institucionais a Casos de Abuso Sexual Infantil, lançado pelo procurador-geral Vickie Chapman na terça-feira.

“Onde há provas claras para indiciar um ministro da religião… não se conseguiu cumprir os requisitos de informação obrigatórios. Assim, o assunto precisa ser investigado pelas autoridades, com medidas efetivas – incluindo acusação – tomada conforme a necessidade do caso”, diz um comunicado divulgado pelo porta-voz do departamento do procurador-geral.

A cidade de Camberra deve seguir a decisão da Austrália do Sul após o governo da capital da nação votar para abolir o sigilo do confessionário para casos de abuso infantil a partir de março.

Mark Coleridge, o arcebispo de Brisbane e presidente da conferência de bispos católicos australiano, descreveu a mudança como “prematuro e imprudente, aparentemente motivado por um desejo de penalizar a Igreja Católica, sem considerar devidamente a ramificações da decisão”.

A reportagem é de Rose Gamble, publicada por The Tablet, 

O técnico Tite, comandante da seleção brasileira que está na Rússia em busca do hexacampeonato mundial de futebol, é um homem de muita fé. E sempre fez questão de demonstrar sua devoção a Nossa Senhora e São Jorge.

Quando era técnico do Corinthians, por exemplo, Tite mantinha uma imagem de Nossa Senhora no vestiário do centro de treinamento. Ele rezava e acendia uma vela sempre antes e depois dos treinos. Nos dias de jogos, os roupeiros do time eram encarregados de levar a imagem aonde quer que a equipe fosse. E a cena se repetia nos vestiários.

De acordo com os amigos mais próximos, quando está em casa, o técnico vai semanalmente à Missa e comunga. Nas viagens, também costuma fazer uma pausa no trabalho para conhecer algum templo católico do lugar e ter um momento de oração.

Conselheiro espiritual 

O site globoesporte.com revelou que Tite tem um conselheiro espiritual e está conversando com ele nestes dias em que seu trabalho está focado na Copa da Rússia: é o Padre Jeferson Mengali, que pertence à paróquia de São José em Bragança Paulista, no interior de São Paulo. O padre é devoto de São Jorge, assim como o técnico da seleção.

Ainda de acordo com o site, as conversas com o padre acontecem via WhatsApp. São conversas apenas de orientação espiritual, porque, segundo o sacerdote, dentro de campo, Tite é convicto do seu trabalho. “Ele é muito centrado, ele é muito seguro, ele é fiel às convicções dele. Então não vai ser o padre falando alguma coisa que ele vai mudar. No que diz respeito ao que é do futebol, ele está certinho. Ele é convicto e deve continuar assim”, declarou o padre.

O amigo e conselheiro de Tite confessa que o treinador está tranquilo para a disputa pelo hexa: “Ele está sereno, ele está focado no trabalho… É aquilo que o Tite sempre me diz: ‘padre, vencer por vencer não vale a pena. Nós temos que vencer se formos merecedores’”.

Em seu perfil no Facebook, o Pe. Jeferson Mengali tem várias fotos em que aparece ao lado de Tite.

Vale lembrar que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) proíbe qualquer tipo de culto religioso no local de preparação da seleção brasileira. A medida foi tomada em 2015, quando um pastor evangélico se reuniu com 10 jogadores da seleção de Dunga na concentração do time em Boston, quando a equipe enfrentaria os Estados Unidos. O encontro não tinha a autorização da CBF. A decisão, entretanto, não impede as manifestações religiosas de âmbito pessoal da comissão técnica e dos jogadores.

Aleteia

O governo da Austrália vem trabalhando na promulgação de uma lei que obrigaria os sacerdotes católicos a romperem o segredo do sacramento da confissão.

A nova lei é apresentada como um modo de forçar os padres a denunciarem abusadores de crianças. Esta suposta lógica, no entanto, é muito frágil: não garante a segurança das crianças e ainda atropela o direito elementar à liberdade religiosa e de consciência, porque, além de atingir os padres, atinge também os penitentes católicos, que deixariam de ter garantido o segredo daquilo que confessam a Deus mediante o sacerdote. Como se não bastasse, a medida que desvia do governo a responsabilidade principal de zelar pelas crianças e pelo seu bem-estar é na prática infiscalizável, o que a torna inefetiva.

No fim das contas, é apenas mais um dos inúmeros assédios governamentais contra a Igreja no mundo, enquanto medidas realmente eficazes deixam de ser implementadas. A grande maioria dos abusos sexuais, na Austrália e no planeta inteiro, acontece dentro das residências, perpetrada por familiares. O que o governo da Austrália pretende fazer a este respeito?
A Igreja católica vem adotando medidas cada vez mais duras, impulsionadas pela política de tolerância zero dos Papas Bento XVI e Francisco, julgando e condenando de padres até arcebispos por esse crime e por várias outras formas de abuso.
O governo da Austrália tem tomado medidas do mesmo calibre em relação às suas próprias estruturas? E em relação a outros ambientes em que também proliferam abusos sexuais, de poder econômico e de autoridade, como o mundo dos espetáculos, as grandes instituições financeiras, os clubes esportivos, as agências de modelos e as entidades ligadas a outras religiões, para citar apenas alguns exemplos mais notórios?
É evidente que a existência de abusos em outros contextos não reduz em nada a gravidade de cada um dos escândalos que ocorreram e ocorrem dentro da Igreja: eles devem ser rigidamente punidos e coibidos e isto não se discute. O que não é nada evidente é o porquê de haver tanta ênfase em colocar a Igreja na berlinda enquanto outras instituições com escândalos em proporção maior e mais habitual parecem despertar bem menos “preocupação” e “indignação” de governos e da mídia.

Dom Christopher Charles Prowse, arcebispo de Canberra, a capital do país, escreveu em artigo publicado pelo jornal Camberra Times:

“Os padres são obrigados por voto sagrado a manterem o segredo da confissão, já que, sem esse voto, quem estaria disposto a se livrar dos seus pecados?

O governo ameaça a liberdade religiosa ao tentar mudar o sacramento da confissão em vez de melhorar a segurança das crianças. Infelizmente, romper o segredo da confissão não impedirá o abuso e não ajudará em nossos esforços contínuos para melhorar a segurança das crianças nas instituições católicas”.

Entre os membros do poder legislativo, há vários que reconhecem que o arcebispo tem razão.

O deputado Andrew Wall, por exemplo, concorda que a obrigatoriedade de denunciar abusadores à polícia não pode ser estendida ao confessionário, porque isso “interfere significativamente na liberdade de associação de um indivíduo, na liberdade de expressão e na liberdade de direitos religiosos“.

A deputada Vicki Dunne, católica, chega a recordar que o sacerdote que viola o sigilo da confissão incorre em excomunhão automática (“latae sententiae“), que só pode ser levantada pelo Papa.

Aleteia

Nota Oficial da Diocese de Campina Grande sobre a Ideologia de Gênero

Estimados irmãos e irmãs, Fiéis desta Diocese.
“Homem e mulher ele os criou” (Gn 1,27)

Considerando que ‘ser homem’, ‘ser mulher’ é uma realidade boa e querida por Deus e que as pessoas humanas, iguais em dignidade, no seu ‘ser homem’ e no seu ‘ser mulher’, refletem a sabedoria e a bondade do Criador;1

Considerando que ao criar o homem e a mulher Deus instituiu a família humana e dotou-a da sua constituição fundamental, e que a autoridade, a estabilidade e a vida de relações no seio da família constituem os fundamentos da liberdade, da segurança, da fraternidade no seio da sociedade;”2

Considerando que a sociedade doméstica tem sobre a sociedade civil uma prioridade lógica3, que a autoridade civil deve considerar como seu grave dever o de reconhecer e proteger a verdadeira natureza do matrimônio e da família4, de assisti-la e nomeadamente lhe garantir: a liberdade de fundar um lar, ter filhos e educá-los de acordo com as suas próprias convicções morais e religiosas; a liberdade de professar a sua fé, de a transmitir, de educar nela os seus filhos, com os meios e as instituições necessárias.

Considerando ainda as palavras do Santo Padre, o Papa Francisco, de que “existem verdadeiras colonizações ideológicas. E uma delas – digo-a claramente por «nome e apelido» – é o gênero! Hoje às crianças – às crianças! –, na escola, ensina-se isto: o sexo, cada um pode escolhê-lo”;

Fazemos saber a todos os fiéis desta diocese que a teoria de gênero, por determinar que o gênero é uma construção radicalmente independente do sexo, por sua obstinada luta para desconstruir a ideia de ‘ser masculino’ e ‘ser feminino’, por sua encarnada necessidade de demolição do conceito de família biológica tal qual a concebemos, é incompatível com os princípios cristãos, e, por isso, não goza do apoio, acolhimento ou incentivo desta Igreja Particular Diocesana.

Fraternalmente em Cristo Jesus,

Dom Dulcênio Fontes de Matos
Bispo Diocesano de Campina Grande – PB

1 Catecismo da Igreja Católica, § 369.
2 Catecismo da Igreja Católica, §2203, §2207.
3 Leão XIII, Carta encíclica “Rerum Novarum”, 6.
4 II Concílio do Vaticano, Const. past. “Gaudium et spes”, 52.
5 São João Paulo II, Ex. ap. “Familiaris Consortio”, 46; II Concílio do Vaticano, Declaração “Gravissimus Educationis”, 7.

“Dar o melhor de si” é o nome do novo documento do Dicastério para os Leigos, Família e Vida do Vaticano, publicado no último dia 1 de Junho.

Apresentado pelo Cardeal Kevin Farrell, Prefeito do Dicastério, o documento, que é o primeiro na história da Igreja dedicado ao esporte, pretende ajudar atletas e equipes a entenderem a relação entre dar o melhor de si no esporte e também na fé cristã.

Padre Alexandre Awi Mello, Secretário do Dicastério para os Leigos, Família e a Vida, afirmou que documentos como esse, apresentado pelo Dicastério, são pontos de diálogo da Igreja com a sociedade. “A Igreja quer com este documento estimular a prática do esporte e os valores esportivos que estão também presentes no evangelho. O Papa Francisco dá tanta importância para o mundo do esporte, ele sempre manda mensagens para os esportistas, (…) por isso o documento recolhe todas essas informações não só do Papa, mas de todos os Papas anteriores, desde Pio X”, contou.

“Assim temos a possibilidade de ajudar o mundo do esporte a cultivar ainda mais os valores da Igreja, e a Igreja a estimular ainda mais a Pastoral do Esporte e todos aqueles que, no âmbito eclesial, trabalham com esportistas”, comentou o sacerdote.

Em carta divulgada pelo Vaticano, também nesta sexta-feira, 1, o Papa Francisco manifestou alegria em receber a notícia da publicação do documento que tem como título uma frase de sua autoria, dita aos jogadores de futebol e dirigentes do time “Villareal”, da Espanha, em fevereiro do ano passado, 2017.

O Santo Padre destacou na carta o importante papel da Igreja no mundo do esporte e como o esporte pode ser um instrumento de encontro, formação, missão e santificação. “A Igreja é chamada a ser sinal de Jesus Cristo no mundo, também através do esporte praticado em oratórios, paróquias, escolas e associações… Toda ocasião é boa para levar a mensagem de Cristo”, frisou.

Francisco aproveitou a oportunidade para retomar o chamado a santidade, tema de sua última exortação, Gaudete et exsultate. “Dar o melhor de si no esporte também é um chamado para aspirar à santidade. Durante o recente encontro com os jovens em preparação para o Sínodo dos Bispos, expressei a convicção de que todos os jovens presentes lá fisicamente ou através de redes sociais tinham o desejo e a esperança de dar o melhor de si mesmos. Usei a mesma expressão na recente Exortação Apostólica lembrando que o Senhor tem um modo único e específico de chamar a santidade para cada um de nós”, afirmou.

O pontífice prosseguiu citando a necessidade humana de aprofundar e estreitar a relação que existe entre o esporte e a vida: “O esforço para se superar em uma disciplina atlética também serve como um estímulo para sempre melhorar como pessoa em todos os aspectos da vida. Essa busca nos coloca no caminho que, com a graça de Deus, pode nos levar àquela plenitude de vida que chamamos de santidade”.

“O esporte é uma fonte muito rica de valores e virtudes que nos ajudam a melhorar como pessoas. Como o atleta durante o treinamento, a prática esportiva nos ajuda a dar o melhor de nós, a descobrir nossos limites sem medo e a lutar para melhorar a cada dia. Deste modo, todo cristão, na medida em que se santifica, torna-se mais frutífero para o mundo”, reforçou o Papa. O Santo Padre prosseguiu sua reflexão afirmando aos esportistas cristãos que a santidade deve ser um esporte vivo como meio de encontro, de formação, de personalidade, de testemunho e de proclamação da alegria de ser cristão.

“Que este documento produza frutos abundantes tanto no compromisso eclesial como no cuidado pastoral do esporte, como para além da esfera da Igreja. A todos os esportistas e agentes pastorais que se reconhecem na grande ‘equipe’ do Senhor Jesus”, peço-lhe que orem por mim”, concluiu Francisco.

Doutor Alexandre, escritor e coordenador geral do Movimento de Vida Cristã no Peru, comentou a publicação do documento e os efeitos positivos que ele causará em sociedade. “Esse ponto de encontro da sociedade, que é o esporte, (…) deve ser esse jogo limpo, de torcermos por um time, pela seleção, mas sempre priorizando o amor pelo próximo”. O escritor encerrou: “É um convite da Igreja para que vivamos esta unidade no corpo, na alma e no espírito”.

Fonte: Canção Nova

Sabendo que cada criança é única e tem o seu próprio ritmo, você pode (e deve) fazer a sua parte para incentivá-la em seu pleno desenvolvimento

Por volta do terceiro aniversário, o mundo de seu filho está repleto de fantasia e vívida imaginação. São anos de tremendo crescimento!

Mas quais são os marcos de desenvolvimento que a criança costuma atingir entre os 3 e 4 anos de idade?

Seguindo critérios da Academia Americana de Pediatria no livro “Caring for Your Baby and Young Child: Birth to Age 5”, vamos considerar algumas conquistas específicas que são próprias dessa idade:

Habilidades motoras gerais

  • Pular e se apoiar em apenas um pé durante até 5 segundos
  • Subir e descer escadas sem apoio
  • Chutar uma bola para frente
  • Lançar uma bola com a mão
  • Conseguir agarrar, na maioria das vezes, uma bola quicando
  • Mover-se para frente e para trás com agilidade

Habilidades motoras finas (mãos e dedos)

  • Copiar formas quadradas
  • Desenhar pessoas com 2 a 4 partes do corpo
  • Usar tesouras
  • Desenhar círculos e quadrados
  • Começar a copiar algumas letras maiúsculas

Conquistas na fala

  • Dominar algumas regras básicas da gramática
  • Construir frases de 5 a 6 palavras
  • Falar com clareza suficiente para ser entendido por estranhos
  • Contar histórias

Conquistas cognitivas

  • Saber o nome correto de algumas cores
  • Entender o conceito de contar e reconhecer alguns números
  • Lidar com problemas de um ponto de vista individual
  • Começar a ter clara noção do tempo
  • Seguir ordens de três partes
  • Lembrar partes de uma história
  • Entender os conceitos de “igual” e “diferente”
  • Participar de brincadeiras de imaginação e fantasia

Marcos sociais e emocionais nessa fase

  • A criança se interessa por experiências novas
  • Colabora com outras crianças
  • Torna-se cada vez mais criativa nas brincadeiras de imaginação e fantasia
  • Consegue se vestir e se despir
  • Negocia soluções para dilemas e problemas
  • É mais independente
  • Considera a si mesma como uma pessoa com corpo, mente e sentimentos
  • Frequentemente, não consegue distinguir entre fantasia e realidade

Lembre-se: cada criança se desenvolve no seu próprio ritmo!

Como cada criança se desenvolve à sua maneira, é impossível dizer exatamente quando ou como cada um deve aperfeiçoar certa habilidade específica. Esses marcos de desenvolvimento dão uma ideia geral das mudanças que podem ser esperadas à medida que as crianças crescem, mas você não precisa ficar alarmado se levar um pouco mais ou um pouco menos de tempo para que o seu filho os alcance. Cada criança é única!

A melhor maneira de apoiar as crianças no seu crescimento é estar perto delas, dedicar tempo a elas, estimulá-las entrando no seu próprio mundo e, acima de tudo, dar-lhes muito amor. Não é apenas a quantidade de tempo que passamos com elas: é também e principalmente a qualidade do tempo. As crianças se sentem estimuladas quando se sentem amadas e protegidas.

Fonte original: Aleteia