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Homeschooling: razões, verdades e mitos sobre a educação domiciliar.

Autor Josair Bastos via Sempre Família

Quando os pais retiram seus filhos da escola para a prática do homeschooling, eles encontram um grande tesouro: o crescimento humano dos filhos e por consequência o fortalecimento da estrutura familiar como um todo. A presença dos filhos em casa tende a tornar-se prazerosa, e a simples ideia de os matricularem novamente na escola dificilmente retorna à mente.

Elencamos 10 razões para fazer homeschooling.

1 – Flexibilidade

A família pode flexibilizar seu horário de trabalho e atividades, sem se prender ao horário fixo e rígido que os pequenos precisam enfrentar nas escolas. Em tempos de férias ou feriados, os homeschoolers não precisam angustiar-se quanto ao dia de ida ou retorno dos passeios.

2 – Não ser controlado pela escola

Isto significa liberdade para melhor adaptar-se as fases da vida, especialmente na adolescência aonde as mudanças púberes são mais intensas. O estilo homeschooler de viver facilita a vida do jovem proporcionando-lhe tempos mais eficazes de adaptação.

3 – Os pais que escolhem o que os filhos estudam

Desde cedo é percebido as aptidões da criança, que possui tanto a liberdade quanto o incentivo para aprofundar-se em seus estudos de interesse. Não quer dizer que a criança estude somente o que lhe apetece, mas até mesmo o que não lhe agrada pode ser dado de modo mais interessante do que em sala de aula na escola.

Muitas famílias escolhem a educação clássica como base na formação dos filhos.

4- Benefício da educação personalizada

Enquanto nas escolas um professor tende a enlouquecer-se com 30 ou 40 alunos por turma, o homeschooling proporciona educação personalizada, com 1 tutor para 1 aluno. Ou 1 tutor para 2 ou 3 alunos. Essa personalização é tão eficaz que 2 horas de atividades por dia equivalem a mais de 5 horas na escola, onde um único professor divide seu tempo para tentar atender dezenas de alunos.

5- Interação intelectual

Enquanto muitos alunos se envergonham ou temem erguer a mão para fazer perguntas aos professores por causa da timidez ou medo de bullying, em casa a criança é totalmente desinibida para perguntar e discutir os temas estudados.

6- Auto confiança

Se o teu filho tem dificuldades em certas matérias mas se destaca em outras, você pode, aos poucos, estruturar o estudo de acordo com as habilidades que o filho vai demonstrando, ajudando seu filho a ter auto confiança.

7- Legalidade

O Brasil assinou tratados internacionais que garantem a prática do homeschooling.

O Supremo Tribunal Federal suspendeu todos os processos que tratam do ensino domiciliar.

A não regulação do ensino domiciliar é algo positivo, uma vez que a interferência estatal pode ocasionar um intervencionismo educacional que lhe esvaziaria o sentido.

8-Rede de suporte

Você pode conhecer outras famílias homeschoolers para interação. Existem muitas, e a cada dia nascem novos grupos de famílias que se encontram, partilham seus conhecimentos, seus filhos interagem… Além de todo material de apoio em livros, sites, blogs etc.

9- Os pais também ganham conhecimento

É recorrente a preocupação de pais preocupados com a falta de preparo deles mesmos para serem responsáveis pela educação dos filhos, porém o homeschooling é um processo que envolve também o aprendizado dos pais. “Há um princípio básico em toda educação: o professor sempre aprende mais do que o aluno. Você aprenderá os conteúdos das disciplinas que ensinar aos seus filhos e isto fará de você uma versão melhor de si mesmo. Mais ainda, você passará a ter muito em comum com seus filhos, o que ajudará a transformar sua casa em uma pequena universidade do conhecimento humano”. (Clark, Mary Kay. Homeschooling Católico. Porto Alegre. Concreta, 2016)

10- Os resultados são comprovados

Muitos livros direcionados ao homeschooling possuem um conteúdo mais avançado do que os livros direcionados às escolas. Nos Estados Unidos, onde há mais de 2 milhões de homeschoolers, os americanos não vêem mais a educação domiciliar com estranheza. Um dos motivos da aceitação americana ao homeschooling é a quantidade de prêmios que esses alunos ganham em concursos culturais. Apesar de os alunos homeschoolers serem apenas 2% da população escolar (como destaca Mary Clark) em 2014 eles correspondiam a 14% dos finalistas do Concurso Nacional de Soletração Scripps-Howard.

Mas para além da formação intelectual, o mais importante da educação domiciliar deve ser a busca pela formação completa da pessoa. O tutor tem a nobre missão de ajudar o aluno a se tornar, de fato, um homem, não meramente um cidadão com direitos e deveres sociais, mas um ser humano que busca o auto-conhecimento e usa suas potencialidades de modo a deixar-se conduzir pela educação, que o transformará em um homem em sua completude.

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Outro artigo sobre o tema

Em recente evento de atualização e aperfeiçoamento profissional para mais de mil professores do Ensino Fundamental e Ensino Médio de nove unidades do Colégio Positivo, de Curitiba (PR), Ponta Grossa (PR), Londrina (PR) e Joinville (SC), a pesquisadora em educação e professora do Departamento de Psicologia da Educação da Unesp Araraquara, Luciene Tognetta esclareceu algumas questões que envolvem a adoção do homeschooling no Brasil.

1. O ensino domiciliar pode impactar negativamente a formação do senso crítico em crianças e adolescentes

Verdade. “Uma criança precisa de conflitos, que aparecem no contato com pensamentos divergentes. Na relação entre pais e filhos, dificilmente uma criança diverge de seus pais, pois ela os enxerga como autoridade absoluta, o que fará com que dificilmente haja a contraposição de ideias. Para que um pensamento científico se desenvolva, é necessário lidar com outros pontos de vista e uma criança que não tenha a possibilidade de resolver conflitos com seus pares, de reconhecer situações diferentes daquilo que ela acredita ser verdade, terá um prejuízo no desenvolvimento do pensamento científico. Ou seja, no ensino domiciliar, para driblar esta situação, é preciso que os pais tenham um preparo metodológico maior, muito mais sofisticado, para que consigam dar conta de algo que a escola, pela própria inserção do aluno no grupo social e nas diferenças, daria.”

2. Os estudantes terão menos oportunidades de convivência com outras crianças de sua idade

Verdade. “Sem o convívio escolar, as crianças podem até ter outros contatos, mas é mais difícil de acontecer, pois estamos falando de uma geração de famílias que não são mais estendidas, que não possui, cotidianamente, contato com vizinhos, primos, com outras crianças, como havia nas gerações passadas. Outro problema, no caso da igreja, por exemplo, é o de conviver apenas com pessoas que pensam do mesmo jeito. Sem o pensamento divergente, não há possibilidade de sair do próprio ponto de vista e ir para o ponto de vista do outro. A consequência é que, no futuro, teremos adultos com muita dificuldade de lidar com pontos de vista diferentes, visto que é na escola que se dá a possibilidade de ver novas visões de mundo, de se descentrar e de avaliar quais pontos de vista são melhores ou piores.”

3. Os pais não são capazes de passar todo o conteúdo necessário para os filhos

Mito. Ainda que haja alguma dificuldade, a educadora acredita que sim, os pais, independente da formação, com algum esforço, podem dar conta de ministrar as aulas aos filhos. Isso porque, atualmente, é possível encontrar as matérias disponíveis em diversos meios. Por outro lado, ter acesso ao conteúdo é diferente de método de ensino, o que pode, sim, fazer com que a criança seja prejudicada. “Um médico, por exemplo, pode ser um ótimo médico, mas nem sempre é um bom professor de Medicina. Não é à toa que temos diversas pesquisas na área de Educação que discutem métodos e didáticas. É muito difícil para os pais, de diversas formações, darem conta do conteúdo e da metodologia, e decidir qual é a melhor forma da criança aprender. Podemos ir por tentativa e erro? Podemos, mas, dessa forma, estamos negligenciando o que a ciência já verificou e, consequentemente, negligenciando a melhor educação para o aluno”, alerta a especialista.

4. O conteúdo em casa é mais próximo da realidade da criança

Verdade. Um dos grandes problemas da escola tradicional, atualmente, é deixar de tornar o conteúdo mais próximo da realidade do aluno, tornando, assim, o aprendizado mais efetivo. Nesse sentido, a educação domiciliar ganha pontos, sobretudo quando os pais conseguem aliar domínio de método e conteúdo. Para a escola, a especialista alerta sobre a necessidade urgente de se investir na formação de professores, que devem ter uma abertura maior na maneira de ensinar. “Desta forma, evita-se soluções paliativas”, avalia.

5. Ao optarem pelo homeschooling, os pais protegem os filhos de possíveis situações de bullying, ou mesmo de situações constrangedoras que podem ocorrer na escola

Mito. “Levar a criança para o ensino domiciliar para fugir dos problemas de bullying é ineficaz, pois os pais precisam fortalecer os seus filhos. Uma das características do bullying é ter uma vítima frágil, então, na verdade, quando se precisa agir sobre o bullying, é muito mais eficaz agir sobre o autor, espectadores e vítima. Se não fortalecer o filho que é vítima de bullying, muito provavelmente ele será vítima de bullying em outras situações”, explica.

6. O ensino domiciliar é apontado como alternativa bem-sucedida de educação para crianças especiais, sobretudo autistas e superdotados

Mito. “A lei de inclusão no Brasil não é aleatória. Muito pelo contrário, ela é para o bem destas crianças. Sabemos que a escola, muitas vezes, não está preparada para receber estes alunos, mas quando os levamos para casa, estamos tolhendo a necessidade de políticas públicas, ou mesmo de escolas particulares, de formar melhores professores, que saibam intervir para além dos conteúdos escolares, que saibam transformar o grupo para receber a criança. A lei que prevê a inclusão dessas crianças no contexto escolar é para que elas se sintam como seus pares, que elas possam vivenciar essa experiência de vida, de paridade, ter essa experiência social. Portanto, quem priva seu filho disso, está negligenciando uma necessidade dele.”

7. Educar em casa é mais barato

Impreciso. Pagar uma escola particular nos dias de hoje, realmente, não é tarefa fácil. Além da mensalidade, há gastos com material, uniforme, lanches, e que variam muito de acordo com a cidade, ou até mesmo do bairro, em que a instituição está localizada. “Assim, não é possível afirmar que educar em casa seja mais caro ou mais barato do que uma escola privada, visto que isso também depende do quanto os pais que educam em casa investem na compra de livros, entre outros itens”, ressalta Luciene.

8. É melhor ensinar em casa do que enfrentar os problemas comuns a muitas escolas públicas, como falta de professores e estrutura

Mito. Tal ideia refuta a necessidade de se pensar de forma coletiva. “Há muitas escolas públicas que não tem professores. Porém, usar esse argumento para dizer que o ensino domiciliar é melhor é refutar e não entender a necessidade de coletividade, a necessidade de lutar para ter uma escola de melhor qualidade. É um pensamento muito individualista”, critica.

9. Educação domiciliar é sempre ruim

Mito. Muitos dos que defendem que lugar de criança é sempre na escola acreditam que o ensino domiciliar é sempre ruim. Contudo há períodos na vida nos quais essa suposição não se aplica. “Acredito ser bom manter a criança até os três anos em casa, pois ela está em um momento em que a formação da personalidade depende da constituição da autoridade, portanto, é bom que tenha o carinho dos pais e dos familiares para construir uma identidade forte e a autoestima. No mais, é melhor para que ela não se exponha a doenças, pois o organismo é mais frágil”, avalia.

10. “Se deu certo nos Estados Unidos, dará certo no Brasil”.

Mito. Você já deve ter ouvido esta frase alguma vez na vida – e quando o assunto é educação domiciliar, ela é quase um mantra. Porém, as situações são bem diferentes, visto que o Brasil ainda não conta com uma regulação deste tipo de ensino, nem meios para garantir que ele seja de qualidade, ou mesmo de que a criança está realmente estudando e não trabalhando, por exemplo. “Nos EUA há supervisão, regulação. A lei que garante o direito da família de educar em casa também prevê um acompanhamento rigoroso para garantir o direito da criança em receber uma boa educação. Nesse sentido, há também uma preparação melhor dos pais, que sabem que há uma regulação”, finaliza a pesquisadora Luciene Tognetta.

Fonte: EcoDebate


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