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O assunto é incômodo mas faz parte daquele grupo de questões que a gente não pode fugir de encarar. Estou falando objetivamente da gente saber como ensinar nossas crianças, mesmo pequenas, a não se tornarem vítimas de abuso físico ou sexual. Por favor, este post é um serviço. Não passe batido.

Pensando nos meus filhos e nos seus, eu pesquisei a respeito do que os americanos – que dão muita importância para o assunto  – trazem para ser tratado de forma inteligente. Já foi o tempo que eu achava isso exagerado, hoje concordo demais que é muito, muito melhor prevenir. Então vamos às dicas que eu consegui reunir:

1- Meu corpo é meu: a criança deve entender que o corpo dela lhe pertence, que ninguém tem direito, nem por brincadeira, de ficar tocando nela de forma que a deixe constrangida. Eu sei que a cultura brasileira aceita beijos e abraços sem ter fim. Eu sou assim e meus filhos também. Mas é preciso sinceramente evitar abraços e beijos para desconhecidos ou pouco conhecidos. Uma criança jamais deve ser obrigada a ter contato físico com quem ela não quer.

2 – A lista das pessoas confiáveis: a criança precisa ter a certeza de quem ela pode contar. Quem são estas pessoas: o papai, a mamãe, a vovó, a professora? Que sejam. Mas vai ser muito importante para ela que os pais identifiquem estas pessoas deixando bem claro que a criança tem a quem recorrer, quem ela realmente deve confiar.

3 – Partes íntimas: ninguém toca nas minhas partes íntimas é uma mensagem muito importante que as crianças precisam receber. Ninguém pode pedir que eu toque as partes íntimas dela também. Outra informação importante para as crianças é de que ninguém deve mostrar fotos de partes íntimas para ela. A criança precisa saber que pode contar para sua lista de pessoas confiáveis se algo do tipo acontecer.

4 – Ninguém pode ter segredo desconfortável: a criança tem que ter o ensinamento de que não pode ter segredo com ninguém que peça para algo não ser contado e que a faça se sentir mal ou incomodada com isso. Se isso vier a acontecer, ela também precisa ser ensinada a falar para alguém do seu grupo de pessoas confiáveis sobre essa história de segredo.

5 – Nenhum adulto desconhecido pede ajuda à criança: essa eu achei uma regra de ouro. Os pais devem esclarecer aos filhos que não existe essa história de um adulto desconhecido pedir ajuda para criança (seja na porta da escola, na pracinha, no playground…). Que fique bem claro na cabecinha delas: adultos não precisam de ajuda de criança, isso não existe. Adulto pede ajuda a outro adulto. Com isso em mente, as crianças não titubeiam em dizer não, mesmo que os pais tenham ensinado a elas que elas precisam ser gentis. Assim se alguém abordá-los dessa forma, elas jamais devem seguir ou acreditar nessa pessoa.

***

Fabiana Santos é jornalista, mãe de Alice, de 5 anos, e de Felipe, de 12 anos. Eles moram em Washington-DC. No ano passado, para ser voluntária na escola da filha, ela precisou fazer um curso para reconhecer e relatar abusos ou negligências cometidos a alguma criança. Este curso, em grande parte dos distritos escolares americanos, é obrigatório e gratuito. 

Aleteia

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 Foi realizada ontem à tarde a audição de mons. Silvano Tomasi, observador permanente da Santa Sé nas Nações Unidas em Genebra, perante o comitê sobre a Convenção contra a Tortura, que se reuniu nestes dias para a 52ª sessão. O prelado já havia exposto o primeiro relatório da Santa Sé, ontem, porém, respondeu às perguntas dos especialistas da ONU, por mais de três horas. Muitas questões foram relativas ao tema dos casos de abusos sexuais e pedofilia dentro do Clero.

Mons. Tomasi prontamente forneceu dados para demonstrar o grande compromisso e trabalho realizado pelo Vaticano nos últimos anos contra esta chaga da Igreja Católica.

Primeiro, disse ele, a Santa Sé reduziu ao estado laical 848 padres pedófilos de 2004 a 2013. 2572 sacerdotes abusadores foram sancionados com medidas menos drásticas. Enquanto 3420 casos foram denunciados à Congregação para a Doutrina da Fé com base em alegações credíveis de abuso sexual por um padre com um menor de 18 anos.

O representante do Vaticano elencou os números, em ordem cronológico do 2004 ao 2013 : 713 em 2004, 184 em 2005, 218 em 2006, 216 em 2007, 191 em 2008, 196 em 2009, 464 em 2010, 402 em 2011, 418 em 2012, 401 em 2013, com um total de 3420 casos. Os casos, no entanto, não se relacionam com os anos em que eles aparecem: a maioria deles também se referem a abusos ocorridos entre a década de 50 e 80.

Mons.Tomasi, em seguida, informou aos peritos da ONU que os padres demitidos do estado clerical diretamente pela Santa Sé nos anos 2004 a 2013 são: 89 em 2004, 84 em 2005, 114 em 2006, 84 em 2007, 68 em 2008, 69 em 2009, 84 em 2010, 143 em 2011, 70 em 2012, 43 em 2013. Para um total de 848. Relativos aos casos resolvidos com outras medidas canônicas e disciplinares, como a imposição de uma vida de oração e penitência, aplicação medidas penais ou outras medidas disciplinares, os dados são os seguintes: 641 em 2004, 100 em 2005, 104 em 2006, 132 em 2007, 123 em 2008, 127 em 2009, 380 em 2010, 259 em 2011, 348 em 2012, 358 em 2013 , um total de 2572″.

Após a demissão do estado clerical, estes sacerdotes – disse Tomasi – voltam a ser “leigos com as próprias convicções e responsabilidades”, sem mais “relações com o bispo diocesano ou o superior religioso”, ” às vezes também “punidos pelas autoridades civis”. “Não sei quantos desses sacerdotes foram denunciados às autoridades civis – acrescentou – mas, pelo que entendi, muitos ou a maioria deles também foram sancionados com base no sistema penal civil”. O observador da Santa Sé disse não ter, neste momento, dados sobre quantos casos foram denunciados pelas autoridades eclesiásticas aos tribunais civis: no entanto, “a política é que, quando haja uma acusação credível deve ser denunciada às autoridades civis para que possam proceder seja no plano canônico que, no Estado onde a pessoa é cidadã, no civil”.

Mons. Tomasi, em seguida, citou os casos dos bispos dos Estados Unidos e da Austrália como exemplos positivos de resposta aos escândalos de pedofilia. Em particular, o caso dos EUA tem sido exemplar em termos de compensação: “O valor total pago pelas dioceses e ordens religiosas para os acordos com as vítimas entre 1950 e agora foi de cerca de 2,5 bilhões de dólares americanos. A quantidade total para terapias das vítimas US$ 78 milhões dólares, entre outros custos de aproximadamente US$ 47 milhões de dólares, incluindo os pagamentos de investigações sobre as alegações, custos médicos ou outros tipos de apoio às vítimas, custos de processos, despesas de viagem e assistência de emergência, terapia, apoio familiar, serviço de monitoramento, seguros e outros custos cobertos pela Conferência dos Bispos católicos dos Estados Unidos”.

Diante dos dados apresentados, Mons. Tomasi concluiu a audição, reiterando que “a questão dos abusos sexuais de crianças, que são uma chaga a nível mundial, foi abordado pela Igreja na última década de forma sistemática, construtiva e eficaz” e que, de fato, a Igreja Católica, entendida como Santa Sé, mas também como Igrejas locais, deve ser vista como “um exemplo de boas práticas que outras instituições podem copiar”.

Durante a audiência de três horas de audição, Mons. Tomasi tocou muitos outros temas, como a nova lei penal promulgada pelo Papa Francisco; a distinção entre a jurisdição da Santa Sé dentro do Estado da Cidade do Vaticano e fora dele; a posição da Igreja sobre o aborto, ponto este questionado pelos comissários da ONU, ao qual Mons. Tomasi respondeu frisando o risco de “violar a liberdade de opiniões e de fé” inerentes a essa crítica e alegando que a Igreja “não obriga” sobre as próprias convicções, mas “condena a tortura, incluindo aquela imposta àqueles que são torturados ou mortos antes de nascer”.

Sobre o polêmico caso de uma menina brasileira de nove anos de idade, excomungada depois de ter ficado grávida como resultado de estupro pelo padrasto, Mons. Tomasi falou de um “caso excepcional”, recordando o compromisso da Igreja ao lado das mulheres.

Outra questão foi finalmente voltada para  “os maus-tratos que Paolo Gabriele padeceu na cela da  Gendarmeria”, o mordomo de Bento XVI processado e preso pela fuga de documentos privados. Maus tratos que o mesmo Gabriel denunciou durante o processo. Sobre a questão, além de Tomasi respondeu a delegação do Vaticano – que inclui Mons. Christophe El- Kassis, o prof . Vincenzo Buonomo e Mons. Richard Gyhra – que enfatizou que um engenheiro e um oftalmologista foram encarregados de verificar se o mordomo foi forçado a viver em uma área insuficiente ou tinha sofrido danos nos olhos. O exame foi concluído negativamente.

A comissão da ONU vai publicar seus relatórios no próximo dia 23 de maio.

(Editado por Salvatore Cernuzio / Traduzido por Thácio Siqueira)

Chelsea Schilling

Indivíduos que estupram crianças ou que fantasiam abusar delas sexualmente merecem simpatia pelo motivo de terem nascido com cérebros de pedófilos?Essa é a questão levantada por um cientista e âncora famoso da CNN após o recente escândalo envolvendo Jerry Sandusky.

A CNN recentemente publicou uma reportagem de James Cantor , um psicólogo e cientista homossexual do Centro de Dependência e Saúde Mental da Clínica de Comportamento Sexual, que trabalha como professor associado de psiquiatria na Universidade de Toronto.“Parece que é possível nascer com um cérebro predisposto a experimentar um estímulo sexual em resposta a crianças”, escreve ele em seu artigo para a CNN.

E continua: “Casos de abuso sexual de crianças que envolvem uma longa sequência de vítimas ao longo de anos ilustram o que pode acontecer quando alguém se rende aos seus interesses sexuais, ou deliberadamente os estimula, independente do dano potencial às outras pessoas. São esses casos que dominam as manchetes e provocam repulsa com relação aos pedófilos. Mas eles são raros. Um número incontável de casos merece simpatia. A ciência sugere que eles são indivíduos que, involuntariamente, nasceram com um impulso sexual ao qual devem resistir continuamente, sem exceção, ao longo da vida toda. Pouca ou nenhuma assistência está disponível para eles”.

De acordo com a Associação Americana de Psicologia , Cantor é entusiasmado pelas bases neurológicas do comportamento sexual, e brinca, “Sinto-me sortudo de ter encontrado uma maneira de estimular meu cérebro intelectualmente permitindo-me pensar em sexo o tempo todo”. Ele estudou os cérebros de homens pedófilos por meio de ressonância magnética.

Cantor explica suas descobertas:“Homens pedófilos possuem uma quantidade consideravelmente menor de substância branca, que é o tecido conjuntivo responsável pela comunicação entre diferentes regiões do cérebro. Os pedófilos executam com desvantagem diversos testes de função cerebral, tendem a possuir estatura mais baixa e são três vezes mais propensos a serem canhotos ou ambidestros (características observáveis antes do nascimento). Embora características não biológicas possam se mostrar relevantes, é difícil, se não impossível, explicar as descobertas da pesquisa descartando um forte papel da biologia”.

Ele explica, da sua experiência com esses indivíduos, que os pedófilos agem com base nos seus impulsos sexuais e estupram crianças “quando se sentem mais desesperados”.“No entanto, boa parte do que a sociedade faz tem ajudado a aumentar em vez de reduzir esse desespero”, escreve.

Nos EUA, observa Cantor, o foco tende a cair sobre as punições exigidas depois que o abuso sexual aconteceu, em vez de se implantar políticas sociais com foco na prevenção.“Se são as conexões cerebrais que no fim das contas determinam quem irá desenvolver a pedofilia, poderíamos detectá-las cedo o suficiente para evitar o processo?” pergunta. “Até que descubramos mais informações, faremos um bem maior tornando mais fácil para os pedófilos buscarem ajuda do que forçá-los à discrição solitária”.

Enquanto isso, o âncora da CNN se intromete para expressar simpatia por Sandusky, considerado culpado de 45 das 48 acusações de abuso sexual depois de ter estuprado 10 garotos ao longo de 15 anos.Don Lemon, da CNN, um homossexual assumido que revelou que foi estuprado quando criança, entrevistou Cantor sobre as suas descobertas. No trecho, ele afirma:“Sei que muitas pessoas irão me enviar mensagens de ódio por isso. Nunca fui o tipo de pessoa que se alegra com a desgraça dos outros, e quando vi Jerry Sandusky sair algemado, senti um pouco de pena dele, mesmo que saiba que o júri havia descoberto que ele havia feito coisas terríveis, pensei: ‘A vida dele acabou’. Todos esses meninos, foi terrível para eles também. Não há vencedores”.

Enquanto isso, alguns especialistas alertam sobre campanhas bastante controversas nos últimos anos que buscam a simpatia, e até a normalização, da pedofilia.No ano passado, a Dra. Judith Reisman, que lidera uma investigação do Ministério de Justiça dos EUA sobre o abuso sexual de crianças, afirma que os defensores da pedofilia estão utilizando a mesma estratégia aplicada com sucesso para tornar o homossexualismo um assunto de sala-de-aula para crianças pequenas nas escolas públicas do país.

Conforme noticiado pelo WND, Reisman esteve em uma conferência feita pelo grupo de defesa das “pessoas que sentem atração por menores” B4U-ACT , cujo objetivo era o de disseminar “informações precisas” sobre a posição de que a pedofilia é nada mais do que uma orientação sexual alternativa.“Se um país estrangeiro viesse e fizesse isso em nosso país, todos ficariam escandalizados”, disse Reisman a respeito do evento do B4U-ACT, em que também esteve presente Matt Barber, vice-presidente do Liberty Counsel Action.

Os palestrantes pediram a remoção da pedofilia da lista de distúrbios mentais da Associação Americana de Psiquiatria no seu Manual Diagnóstico e Estatístico de Desordens Mentais (MDEDM).

Reisman explica que a mesma estratégia foi utilizada pelos ativistas homossexuais na década de 1970, quando a atração pelo mesmo sexo foi removida da lista de distúrbios da Associação. Mais tarde, seguiu-se a legalização do “casamento gay”, as aulas obrigatórias sobre o homossexualismo nas escolas públicas e a política que permite o homossexualismo assumido nas forças armadas dos EUA.

“O Dr. John Sadler (Universiade do Texas) argumentou que critérios diagnósticos para distúrbios mentais não deveriam ser baseados em conceitos de vício, uma vez que tais conceitos estão sujeitos a mudanças de atitudes sociais, o que desvia os profissionais de saúde mental do seu papel como terapeutas”, disse a organização B4U-ACT em um relatório sobre sua conferência em Baltimore.

Outra celebridade foi Fred Berlin, da Universidade de Johns Hopkins, que argumenta em favor da “aceitação e da compaixão por pessoas que sentem atração por menores”, continua o relatório.O relatório se refere enfaticamente a “pessoas que sentem atração por menores” em referência aos pedófilos, e explica que as questões podem ser resolvidas com “informações precisas”.

Richard Kramer, que representou o B4U-ACT no evento, sustentou que listar a pedofilia como uma desordem estigmatiza as “vítimas” dessa escolha de estilo de vida.De acordo com Barber, os palestrantes da conferência disseram que o Manual Diagnóstico deveria “se concentrar nas necessidades” dos pedófilos e deveriam ter “um foco mínimo no controle social” em vez de um foco na “necessidade de proteger as crianças”.

Barber, defensor veemente dos valores judaico-cristãos e da família tradicional, disse ao WND que a conferência foi “a Associação Norte-Americana de Amor entre Homens e Meninos [conhecida pela sigla em inglês NAMBLA] disfarçada da linguagem pomposa de Ph.Ds elitistas”.A NAMBLA defende abertamente a legalização das relações sexuais entre adultos e crianças.“Isso é um monte de relativistas morais bem-educados da comunidade de saúde mental tentando atingir a tolerância absoluta”, afirma Barber.

Barber disse que os temas da conferência se tornaram claros rapidamente:* Os pedófilos são injustamente “demonizados” na sociedade.* O conceito de “errado” não deveria ser aplicado a “pessoas que sentem atração por menores”.* “Crianças não são inerentemente incapazes de consentir” à relação sexual com um adulto.* “O desejo de uma adulto de ter relação sexual com crianças é ‘normativo’”.* E o Manual Diagnóstico “ignora que os pedófilos ‘possuem sentimentos de amor e romance por crianças’ da mesma forma que adultos heterossexuais possuem uns pelos outros”.

Barber observa que o palestrante autointitulado “ativista gay”, Jacob Breslow, afirma que é natural que as crianças sejam “o objeto da nossa atração”. Breslow sustenta que os pedófilos não deveriam precisar de consentimento de uma criança para ter relações sexuais da mesma forma que não precisam de consentimento de um sapato para calçá-lo, de acordo com Barber.Berlin havia noticiado anteriormente que 67% dos pedófilos e estupradores de crianças tinham recaídas após serem tratados do distúrbio. Mas os poucos que não tiveram recaídas foram monitorados por apenas dois anos, e qualquer reincidência depois disso não foi relatada. E Reisman observa que mesmo suas “histórias” de sucesso eram anônimas e “não verificadas de forma alguma”.

Em um comentário relaciotado feito para o WND, Reisman afirma que “O caminho da Associação Americana de Psiquiatria para normalizar a pedofilia segue o sucesso da campanha do anarquismo homossexual. Possivelmente o lobby da mídia pedófila orientou os beijos apaixonados entre meninos na série de TV ‘Glee’ para permitir que seus amigos “que sentem atração por menores” possam ser vistos cada vez mais como ‘amigos’ sexuais de meninos’.“O B4U-ACT alega estar ‘ajudando profissionais de saúde mental a aprenderem mais sobre a atração a menores e considerar os efeitos dos estereótipos, dos estigmas e do medo’. Enquanto o grupo alega querer ensinar aos pedófilos ‘como viver plenamente e se manter dentro da lei’, ninguém sugeriu como parar com seu desejo sexual por crianças ou com os abusos sexuais”, escreveu.

No entanto, em 2010, quando o Cardeal Tarcisio Bertone, secretário de estado do Vaticano, associou o homossexualismo aos abusos sexuais, Cantor rejeitou a alegação de que haveria uma ligação entre o homossexualismo e a pedofilia. “A literatura científica é solidamente clara que não há absolutamente nenhuma associação entre ser gay e ser um pedófilo”, disse à CNN.

A entrevista é de Gerard O´Connell e está publicada no sítio Vatican Insider

Marie Collins, da Irlanda, foi a única vítima de abuso de menores, por parte dos sacerdotes, que falou sobre o tema no Simposio internacional acontecido na Pontifícia Universidade Gregoriana, entre os dias 6 e 9 de fevereiro, com o apoio do Vaticano.

Abusada por um sacerdote aos 13 anos, enquanto era paciente de um hospital infantil, em Dublin, não pôde falar de sua terrível experiência até os 47 anos. Atualmente, casada e com um filho, fez campanha durante muitos anos pela proteção das crianças e justiça para os sobreviventes de abusos sexuais por parte de clérigos.

No dia 7 de fevereiro, falou diante dos bispos de 110 conferências episcopais e superiores de 30 Ordens Religiosas sobre o problema a partir da perspectiva da vítima. Depois de participar de todos os eventos do simpósio, “Rumo à Cura e à Renovação”, ao final, compartilhou suas impressões.

Eis a entrevista.

Você esteve presente durante todo o simpósio. Qual é sua impressão geral?

Vim aqui sem estar segura do quanto era sincero tudo isso, somente com a esperança de que haveria sinceridade. Depois de ouvir conversas, observado reações, escutado os bispos e de participar nas sessões, creio que há, definitivamente, uma mudança de atitude.

Os bispos disseram de forma bastante explícita o que se espera deles. Creio que haja uma mudança de direção a partir da cúpula.

Já parecia ser assim antes, mas assistindo a todos os eventos e escutado tudo, sinto que há uma mudança genuína de direção. Espero não me equivocar.

Vi esta mudança, em particular, ao escutar dom Scicluna ontem (8 de fevereiro). Scicluna não deixou dúvidas a todos os presentes e, especialmente, aos bispos e superiores das Ordens Religiosas sobre quais são as prioridades: a criança é e deve ser a prioridade. Não há espaço para segredos, para o encobrimento, nem para a proteção do acusado. Ele deixou muito claro. E, ao falar sobre a cooperação com as autoridades civis, disse que a denúncia era somente o início: a cooperação deve começar por aí. Senti-me muito animada.

Depois, após seu discurso, ouvi que havia normas no Direito Canônico que permitem que os bispos sejam penalizados, caso forem negligentes, de alguma forma, ao tratar sobre esse tema. Isso também me deu esperança porque não teria sentido introduzir essas diretrizes se, depois, não houver consequências caso um bispo as ignorar.

Definitivamente, tive a impressão de que mesmo que este simpósio não seja organizado diretamente pelo Vaticano, não obstante, ele se encontra por trás e o apoia na sua totalidade.

Então, você volta para casa com a convicção de que a Igreja tem mudado e está mudando?

Sem dúvida, volto para casa com a esperança de que há uma mudança real. Não acredito que tivemos algo assim, há alguns anos, quando recebíamos todo tipo de desculpas: que era a homossexualidade, a sociedade secular, os problemas depois do Concílio Vaticano II (que levaram a cometer todos esses abusos); todas essas desculpas, que lançavam a culpa nos outros.

Então, você pode ver evidenciado, nesse simpósio, uma mudança de atitude e de pensamento na Igreja?

Foi o que pude perceber na noite de terça-feira (7 de fevereiro), durante a vigília de penitência na Igreja, presidida pelocardeal Ouellet, prefeito da Congregação dos Bispos. No centro da celebração estava o fato fundamental de que a Igreja estava pedindo perdão pelo que fez no passado. Senti, realmente, que não estava apenas pedindo perdão pelo que fizeram os pedófilos, mas também pelo que os próprios bispos fizeram, aqueles que encobriram e protegeram os pedófilos, etc.

Senti que ver isso, nesse contexto, com o apoio do Vaticano, era importante. Muitos sobreviventes, provavelmente, não estão de acordo comigo sobre isso, porém é o que senti.

Mesmo assim, não significa que devemos esquecer o passado, só porque aparentemente estão mudando o rumo e estão começando a fazer melhor as coisas. Ao reconhecer isto, não estamos dizendo que o passado não existiu e que agora podemos esquecê-lo. Ainda é necessário que haja explicações sobre o passado, ainda tem que haver justiça para as pessoas que seguem sofrendo. Jamais diria que, por começar a existir uma nova atitude e as coisas poderem melhorar, podemos esquecer de todo o restante. Jamais!

Acredito, não obstante, que há uma mudança. E creio que se as pessoas como dom Scicluna podem continuar fazendo o que fazem, a mudança também continuará.

Se Dom Scicluna pode falar do modo como você relata, é porque sabe que está refletindo o pensamento de Bento XVI e que conta com o apoio total do Papa.

Esse é o ponto. Ele não poderia dizer as coisas que disse ontem se não contasse com o apoio do Papa, porque foi muito, mas muito claro diante dos bispos sobre as expectativas que há para o futuro e do que não pode voltar a acontecer.

Além disso, quando escutamos o cardeal Levada e os demais cardeais falarem, nesta semana, todos tivemos a sensação de que isto não é simplesmente uma fachada, não é um exercício de relações públicas. É realmente sinal de mudança.

O padre alemão Hans Zollner preside a conferência contra a pedofilia do Vaticano (AFP, Andreas Solaro)

Terra

O Papa Bento XVI defendeu “uma profunda renovação da Igreja” nesta segunda-feira, em Roma, na abertura de um simpósio sem precedentes organizado pela hierarquia católica para combater a pedofilia. “Aliviar as vítimas deve ser um fato da mais alta importância para a comunidade cristã e deve caminhar par a par com uma profunda renovação da Igreja em todos os níveis”, afirmou Bento XVI, na abertura desta conferência, destinada a evitar a repetição de escândalos que abalaram profundamente a religião católica nos últimos anos.

Segundo a declaração, o Papa “apoia e encoraja cada esforço para responder com a caridade evangélica o desafio de proteger crianças e adultos vulneráveis, num meio favorável a seu crescimento humano e espiritual.” Participam do encontro delegados de 110 conferências episcopais e superiores de 33 ordens religiosas.

Cerca de dez anos após a explosão do escândalo de abusos nos Estados Unidos, seguido de revelações em cadeia, da Europa à Austrália, os participantes devem debater, em grande parte, a portas fechadas o tema “Em direção à cura e à renovação”. Sobre as críticas feitas à Igreja, no passado, de proteger os culpados, sem ouvir os jovens feridos, os participantes receberam a recomendação de conversar particularmente com as vítimas, antes de viajar a Roma.

“É uma responsabilidade maior poder olhar esta praga na Igreja com atenção”, declarou nesta segunda-feira na Rádio Vaticano o reitor da Universidade Gregoriana, onde está sendo realizado o simpósio, o bispo francês François-Xavier Dumortier. Este colóquio não visa a “um efeito de visibilidade”, disse ele, em resposta aos que veem nele uma campanha de relações públicas.

Uma vítima convidada ao colóquio, Mary Collins, explicou que via nisso uma “alteração” positiva, um “passo no bom caminho”. Para ela – irlandesa violada aos 13 anos por um padre num hospital de Dublin – o “simpósio parece marcar uma mudança de época, de atitude da Igreja. Um acontecimento extremamente importante para todos, para a Igreja, para os sobreviventes dos abusos e para o futuro. (…) Espero que haja um reconhecimento (por parte dos bispos) que muitas coisas funcionaram mal no passado”.

Para o jesuíta e psicoterapeuta Hans Zollner, organizador do simpósio, a Igreja entende que deve “assumir a responsabilidade pelo mal cometido“. As respostas das vítimas foram diversas: para algumas, “houve muitos feridos, este capítulo da Igreja está fechado”. Outras “desejam ajudar para que estes fatos não se repitam mais”, observou ele à Rádio Vaticano.

Quarenta relatores vão falar sobre todas as dimensões do problema, da influência da pornografia na internet à formação dos sacerdotes. Também vão prestar depoimentos os bispos “que agiram com coragem na defesa das vítimas” nas Filipinas, nos Estados Unidos, México, no Brasil, na Alemanha e na África do Sul, segundo os organizadores.

Uma das dificuldades é, devido às diferenças culturais, contribuir para conscientizar as Igrejas da Ásia e da África sobre a dimensão do problema em suas sociedades. Outras instituições e comunidades devem, também, levar em consideração a extensão dos abusos em suas Casas, para que a Igreja possa mesmo “tornar-se líder na proteção dos menores”, segundo o padre Zollner.

O presidente da Congregação dos Bispos, o canadense Marc Ouellet, presidirá nesta terça-feira, na Igreja de Santa Ignácia uma vigília penitencial, onde os responsáveis da Igreja “vão pedir perdão” às milhares de vítimas. Em relação a medidas concretas, um centro de informação pela internet, amplamente financiado por instituições católicas alemãs, será lançado, para permitir a todos os religiosos do mundo familiarizar-se com as melhores práticas. Haverá ligações com Gana, Quênia, Argentina, Equador, Índia, Indonésia, Alemanha e Itália.

Representantes de 110 conferências episcopais e 30 ordens religiosas vão reunir-se em Roma, de 6 a 9 de fevereiro, para um simpósio sobre os casos de abusos sexuais na Igreja, noticiou o Vaticano.

A iniciativa é organizada pela Universidade Pontifícia Gregoriana, de Roma, e conta com o apoio da Santa Sé, em particular da Congregação da Doutrina da Fé (CDF), que em 2011 solicitou aos episcopados católicos de todo o mundo a elaboração de diretivas próprias para tratar os casos de abusos sexuais, a serem entregues até o final de Maio

A indicação foi deixada ‘Carta circular’, na qual, entre outros assuntos, se sublinha a importância de cooperar com as “autoridades civis” e a “atenção prioritária às vítimas”.

“Se bem que as relações com as autoridades civis sejam diferentes nos diversos países, é contudo importante cooperar com elas no âmbito das respetivas competências”, indica o documento em particular seguindo “as prescrições das leis civis no que toca a remeter os crimes às autoridades competentes”.

As diretivas da Conferência Episcopal Portuguesa sobre esta matéria estão em fase de discussão e elaboração, referiu à Agência ECCLESIA o secretário do organismo, padre Manuel Morujão.

Segundo a organização do simpósio (www.thr.unigre.it), o evento “vai desempenhar um papel significativo para permitir que os bispos e os superiores maiores religiosos avancem rumo à formulação de uma resposta mundial coerente”.

O portal de notícias do Vaticano apresenta a iniciativa como “uma ocasião para trocar informações sobre os recursos disponíveis a nível global para reagir ao fenómeno [dos abusos sexuais] na Igreja e na sociedade”.

Os trabalhos, que têm como tema ‘Rumo à cura e à renovação’, vão ser inaugurados pelo cardeal William Levada, prefeito da CDF.

Após o simpósio, refere a organização, vai ser lançado um centro de “ensino à distância” destinado à “proteção das crianças”, englobando várias instituições, que estará operacional nos próximos três anos e terá sede em Munique, Alemanha.

No decorrer dos três dias de encontro e reflexão haverá intervenções de especialistas em psicologia, direito canónico, teologia e pastoral da Igreja Católica, bem como um testemunho de uma vítima de abusos que “falará aos delegados sobre a necessidade de escutar as vítimas e das mudanças necessárias para enfrentar melhor o problema”.

As informações e reações da Igreja Católica em relação aos casos de abusos sexuais de menores por parte de membros do clero são atualizadas desde março de 2010 num espaço próprio do site do Vaticano na Internet.

CARTA CIRCULAR

para ajudar as Conferências Episcopais na preparação de linhas diretrizes

no tratamento dos casos de abuso sexual .

Dentre as importantes responsabilidades do Bispo diocesano para assegurar o bem comum dos fiéis e, especialmente das crianças e dos jovens, existe o dever de dar uma resposta adequada aos eventuais casos de abuso sexual contra menores, cometidos por clérigos na própria diocese. Tal resposta implica a instituição de procedimentos capazes de dar assistência às vítimas de tais abusos, bem como a formação da comunidade eclesial com vistas à proteção dos menores. Tal resposta deverá prover à aplicação do direito canônico neste campo, e, ao mesmo tempo, levar em consideração as disposições das leis civis.

I. Apectos gerais:

a) As vítimas do abuso sexual:

A Igreja, na pessoa do Bispo ou de um seu delegado, deve se mostrar pronta para ouvir as vítimas e os seus familiares e para se empenhar na sua assistência espiritual e psicológica. No decorrer das suas viagens apostólicas, o Santo Padre Bento XVI deu um exemplo particularmente importante com a sua disposição para encontrar e ouvir as vítimas de abuso sexual. Por ocasião destes encontros, o Santo Padre quis se dirigir às vítimas com palavras de compaixão e de apoio, como aquelas que se encontram na sua Carta Pastoral aos Católicos da Irlanda (n. 6): “Sofrestes tremendamente e por isto sinto profundo desgosto. Sei que nada pode cancelar o mal que suportastes. Foi traída a vossa confiança e violada a vossa dignidade.”

b) A proteção dos menores:

Em algumas nações foram lançados, em âmbito eclesiástico, programas educativos de prevenção, a fim de assegurar “ambientes seguros” para os menores. Tais programas tentam ajudar os pais, e também os operadores pastorais ou escolásticos, a reconhecer os sinais do abuso sexual e a adotar as medidas adequadas. Os supracitados programas mereceram amiúde um reconhecimento como modelos na luta para eliminar os casos de abuso sexual contra menores nas sociedades hodiernas.

c) A formação dos futuros sacerdotes e religiosos

O Papa João Paulo II dizia no ano de 2002: “No sacerdócio e na vida religiosa não existe lugar para quem poderia fazer mal aos jovens” (n. 3, Discurso aos Cardeais americanos, 23 de abril de 2002). Estas palavras chamam à atenção para a responsabilidade específica dos Bispos, dos Superiores Maiores e daqueles que são responsáveis pelos futuros sacerdotes e religiosos. As indicações dadas na Exortação Apostólica Pastores Dabo Vobis, bem como as instruções dos Dicastérios competentes da Santa Sé, possuem uma importância sempre crescente com vistas a um correto discernimento vocacional e a uma formação humana e espiritual sadia dos candidatos. Em particular façam-se esforços de sorte que os candidatos apreciem a castidade, o celibato e a paternidade espiritual do clérigo e que possam aprofundar o conhecimento da disciplina da Igreja sobre o assunto. Indicações mais específicas podem ser integradas nos programas formativos dos seminários e das casas de formação previstas na respectiva Ratio Institutionis Sacerdotalis de cada nação e Instituto de Vida Consagrada e Sociedade de Vida Apostólica.
Uma diligência especial deve ser ademais reservada à indispensável troca de informações acerca daqueles candidatos ao sacerdócio ou à vida religiosa que são transferidos de um seminário a outro, de uma a outra Diocese ou de Institutos religosos a Dioceses.

d) O acompanhamento dos sacerdotes

1. O Bispo tem o dever de tratar a todos os seus sacerdotes como pai e irmão. Além disso, o Bispo deve providenciar com atenção especial à formação permanente do clero, sobretudo nos primeiros anos seguintes à sagrada Ordenação, valorizando a importância da oração e do mútuo apoio na fraternidade sacerdotal. Os sacerdotes devem ser infomados sobre o dano provocado por um clérigo à vítima de abuso sexual e sobre a própria responsabilidade diante da legislação canônica e civil, como também a reconhecer os sinais de eventuais abusos perpetrados contra menores;

2. Os Bispos devem assegurar todo esforço no tratamento dos casos de eventuais abusos que porventura lhes sejam denunciados de acordo com a disciplina canônica e civil, no respeito dos direitos de todas as partes;

3. O clérigo acusado goza da presunção de inocência até prova contrária, mesmo se o Bispo, com cautela, pode limitar o exercício do ministério, enquanto espera que se esclareçam as acusações. Em caso de inocência, não se poupem esforços para reabilitar a boa fama do clérigo acusado injustamente.

e) A cooperação com as autoridades civis

O abuso sexual de menores não é só um delito canônico, mas também um crime perseguido pela autoridade civil. Se bem que as relações com as autoridades civis sejam diferentes nos diversos países, é contudo importante cooperar com elas no âmbito das respectivas competências. Em particular se seguirão sempre as prescrições das leis civis no que toca o remeter os crimes às autoridades competentes, sem prejudicar o foro interno sacramental. É evidente que esta colaboração não se refere só aos casos de abuso cometidos por clérigos, mas diz respeito também aos casos de abuso que implicam o pessoal religioso ou leigo que trabalha nas estruturas eclesiásticas.

II. Breve relatório da legislação canônica em vigor relativa ao delito de abuso sexual de menores perpretado por um clérigo

No dia 30 de abril de 2001, o Papa João Paulo II promulgou o Motu Própio Sacramentorum Sanctitatis Tutela (SST), com o qual se inseriu o abuso sexual de um menor perpetrado por um clérigo no elenco dedelicta graviora, reservado à Congregação para a Doutrina da Fé (CDF). A prescrição de um tal delito foi fixada em 10 anos a partir do 18º aniversário da vítima. A legislação do Motu Próprio vale tanto para os clérigos latinos quanto para os clérigos orientais, igualmente para o clero diocesano como para o religioso.

Em 2003, o então Prefeito da CDF, o Cardeal Ratzinger, obteve de João Paulo II a concessão de algumas faculdades especiais para oferecer maior flexibilidade nos processos penais para os casos de delicta graviora, dentre os quais o uso do processo penal administrativo e o pedido da demissão ex officio nos casos mais graves. Estas faculdades foram integradas na revisão do Motu Próprio aprovada pelo Santo Padre Bento XVI aos 21 de maio de 2010. Segundo as novas normas a prescrição é de 20 anos, os quais nos casos de abuso de menores se calculam a partir do 18º aniversário da vítima. A CDF pode eventualmente derrogar às prescrições em casos particulares. Especificou-se também o delito canônico da aquisição, detenção ou divulgação de material pedopornográfico.

A responsabilidade de tratar os casos de abuso sexual contra menores é, num primeiro momento, dos Bispos ou dos Superiores Maiores. Se a acusação parecer verossímil, o Bispo, o Superior Maior ou o seu delegado devem proceder a uma inquisição preliminar de acordo com os cân. 1717 do CIC, 1468 CCEO e o art. 16 SST.

Se a acusação for considerada crível – digna de crédito, pede-se que o caso seja remetido à CDF. Uma vez estudado o caso, a CDF indicará ao Bispo ou al Superior Maior os ulteriores passos a serem dados. Ao mesmo tempo, a CDF oferecerá uma diretriz para assegurar as medidas apropriadas, seja grantindo um procedimento justo aos clérigos acusados, no respeito do seu direito fundamental à defesa, seja tutelando o bem da Igreja, inclusive o bem das vítimas. É útil recordar que normalmente a imposição de uma pena perpétua, como a dimissio do estado clerical requer um processo penal judicial. De acordo com o Direito Canônico (cf. can. 1342 CIC) os Ordinários não podem decretar penas perpétuas por decretos extra-judiciários; para tanto devem se dirigir à CDF, à qual compete o juízo definitivo a respeito da culpabilidade e da eventual inidoneidade do clérigo para o ministério, bem como a consequente imposição da pena perpétua (SST Art. 21, § 2).

As medidas canônicas aplicadas contra um clérigo reconhecido culpado de abuso sexual de um menor são geralmente de dois tipos: 1) medidas que restringem o ministério público de modo completo ou pelo menos excluindo os contatos com menores. Tais medidas podem ser acompanhadas por um preceito penal; 2) penas eclesiásticas, dentre as quais a mais grave é a dimissio do estado clerical.

Em alguns casos, prévio pedido do próprio clérigo, pode-se conceder a dispensa, pro bono Ecclesiae das obrigações inerentes ao estado clerical, inclusive do celibato.

A inquisição preliminar e todo o processo devem se desenvolver com o devido respeito a fim de proteger a discreção em torno às pessoas envolvidas, e com a devida atenção à sua reputação.

Ao menos que existam razões graves em contrário, o clérigo acusado dever ser informado da acusação apresentada, a fim de que lhe seja dada a possibilidade de responder à mesma, antes de se transmitir um caso à CDF. A prudência do Bispo ou do Superior Maior decidirá qual informação deva ser comunicada al acusado durante a inquisição preliminar.

Compete ao Bispo ou ao Superior Maior prover ao bem comum determinando quais medidas de precaução previstas pelo cân. 1722 CIC e pelo cân. 1473 CCEO devam ser impostas. De acordo com o art. 19 SST, isto se faz depois de começada a inquisição preliminar.

Recorda-se finalmente que se alguma Conferência Episcopal, excetuado o caso de uma aprovação da Santa Sé, julgue por bem dar normas específicas, tal legislação particular dever ser considerada como um complemento à legislação universal e não como substituição desta. A legislação particular dever portanto harmonizar-se com o CIC/CCEO, bem como com o Motu Próprio Sacramentorum Sanctitatis Tutela (30 de abril de 2001) como foi atualizado aos 21 de maio de 2010. Se a Conferência Episcopal decidir estabelecer normas vinculantes, será necessário requerer a recognitio aos Dicastérios competentes da Cúria Romana.

III. Indicações aos Ordinários sobre o modo de proceder

As linhas diretrizes preparadas pela Conferência Episcopal deveriam fornecer orientações aos Bispos diocesanos e aos Superiores Maiores no caso em que fossem informados de possíveis (presunti) abusos sexuais contra menores perpetrados por clérigos presentes no território da sua jurisdição. Tais linhas diretrizes devem levar em conta as seguintes considerações:

a.) o conceito de “abuso sexual contra menores” deve coincidir com a definição do Motu Próprio SST art. 6 (“o delito contra o sexto mandamento do Decálogo cometido por um clérigo com um menor de dezoito anos”), bem como com a praxe interpretativa e a jurisprudência da Congregação para a Doutrina da Fé, levando em consideração as leis civis do País;

b.) a pessoa que denuncia o delito dever ser tratada com respeito. Nos casos em que o abuso sexual esteja ligado com um outro delito contra a dignidade do sacramento da Penitência (SST, art. 4), o denunciante tem direito de exigir que o seu nome não seja comunicado ao sacerdote denunciado (SST, art. 24);

c.) as autoridades eclesiásticas devem se empenhar para oferecer assitência espiritual e psicológica às vítimas;

d.) o exame das acusações seja feito com o devido respeito do princípio de privacy e da boa fama das pessoas;

e.) ao menos que haja graves razões em contrário, já durante o exame prévio, o clérigo acusado seja informado das acusações para ter a possibilidade de responder às mesmas;

f.) os órgãos consultivos de vigilância e de discernimento dos casos particulares, previstos em alguns lugares, não devem substituir o discernimento e a potestas regiminis dos Bispos em particular;

g.) as linhas diretrizes devem levar em consideração a legislação do País da Conferência, especialmente no tocante à eventual obrigação de avisar as autoridades civis;

h.) seja assegurado em todos os momentos dos processos disciplinares ou penais um sustento justo e digno ao clérigo acusado;

i.) exclua-se o retorno o clérigo ao ministério público se o mesmo for perigoso para os menores ou escandaloso para a comunidade.

Conclusão:

As linhas diretrizes preparadas pelas Conferências Episcopais intendem proteger os menores e ajudar as vítimas para encontrar assitência e reconciliação. As mesmas deverão indicar que a responsabilidade no tratamento dos delitos de abuso sexual de menores pro parte dos clérigos compete em primeiro lugar ao Bispo diocesano. Por fim, as linhas diretrizes deverão levar a uma orientação comum no seio de uma Conferência Episcopal, ajudando a harmonizar do melhor modo os esforços dos Bispos em particular a fim de salvaguardar os menores.

Roma, da sede da Congregação para a Doutrina da Fé, 3 de Maio de 2011

William Cardinale Levada
Prefeito


O Estado de S. Paulo

Os tres sacerdotes condenados essa semana por pedofilia pela Justiça de Arapiraca (AL) a penas de 16 e 21 anos de prisão também tiveram suas punições determinadas pela Santa Sé, em Roma.

De acordo com nota divulgada ontem pela Diocese de Penedo (AL), que engloba Arapiraca, processos administrativos canônicos contra os três foram instaurados logo depois de virem a público as denúncias de abusos sexuais, feitas por ex-coroinhas em março de 2010, no maior escândalo de pedofilia envolvendo a Igreja no País.

O processo canônico contra monsenhor Luiz Marques Barbosa, de 83 anos – que aparece em um vídeo gravado por um ex-coroinha tendo relações com outro ex-coroinha – foi concluído e o religioso, notificado da sua punição no último dia 15.

Monsenhor Raimundo Gomes Barbosa, de 53, e o padre Edílson Duarte, de 45, também foram julgados pela Santa Sé, mas ainda não foram notificados. As penas da Igreja Católica só poderão ser divulgadas quando todos estiverem cientes das punições.

A nota,(veja nota abaixo) assinada pelo bispo diocesano Valerio Breda, afirma que a diocese se sente “profundamente acabrunhada” com a notícia da condenação judicial e compartilha “as expressões mais fortes e eloquentes do Santo Padre, o papaBento XVI“, não escondendo “desconcerto e vergonha” pelos “crimes odiosos” perpetrados pelos clérigos.

Monsenhor Barbosa foi condenado a 21 anos e os outros dois, a 16 anos e quatro meses de prisão. Eles aguardarão o julgamento de recurso em liberdade.

NOTA DA DIOCESE DE PENEDO AOS FIÉIS E AOS ÓRGÃOS DE IMPRENSA

1. A Diocese de Penedo, tendo recebido no dia 19 de dezembro de 2011, através dos meios de comunicação, a notícia da condenação, em primeira instância, proferida pelo juiz João Luiz de Azevedo Lessa, titular da 1ª Vara Judiciária da Infância e Juventude, contra Luiz Marques Barbosa, Raimundo Gomes Nascimento e Edilson Duarte, sacerdotes desta Diocese, agora considerados culpados por atos de abusos sexuais contra menores, sente-se profundamente acabrunhada.


2. Ao tempo em que a Diocese de Penedo acata as determinações da justiça civil, comunica aos seus fiéis e aos homens de boa vontade que os Processos Administrativos Penais Canônicos em desfavor dos supracitados sacerdotes, instaurados pela Diocese de Penedo, tão logo vieram a público as acusações, depois de entregues à legítima instância judiciária da Igreja junto à Santa Sé – Congregação para a Doutrina da Fé – já chegaram à sua conclusão.


3. Em data 21 de outubro de 2011, foi assinado o Decreto conclusivo do Processo Canônico relativo ao caso de Raimundo Gomes Nascimento, o qual foi notificado em data 15 de dezembro de 2011.


4. Em data 25 de novembro de 2011, foram assinados os Decretos conclusivos dos Processos Canônicos relativos aos demais sacerdotes acusados. Tão logo estes Decretos cheguem à Sé diocesana de Penedo, os interessados serão notificados.


5. Concluído o processo das notificações também as vítimas serão informadas sobre o conteúdo dos Decretos Canônicos.


6. Nessa hora em que a dor recrudesce ainda mais se pensarmos que estes fatos criminosos são graves pecados contra o sexto mandamento da Lei divina, fazemos nossas as expressões mais fortes e eloquentes do Santo Padre, o Papa Bento XVI, não escondendo “desconcerto e vergonha” pelos “crimes odiosos” perpetrados por clérigos, manifestando nosso apoio irrestrito às vítimas dos abusos e participação nos seus sofrimentos.


7. Mesmo com pesar, aprendemos a gerir com objetividade estes momentos dramáticos, em obediência às leis da Igreja e no respeito da plena legitimidade da ação judicial do Estado.


8. Exortamos os nossos irmãos Padres e o Povo fiel em geral, a não esquecer o bem realizado pela imensa maioria dos sacerdotes, irrepreensíveis e abnegados, e a não ceder a sentimentos de decepção e de indiferença.


9. Encorajamos e apoiamos todos os esforços das Paróquias e Comunidades de nossa Diocese para promover arrependimento dos pecados, renovação dos costumes, reconciliação e cura espiritual.


10. A segurança e a proteção dos menores que frequentam nossas Paróquias e Comunidades são prioridade absoluta e urgente. O Bispo diocesano, no âmbito de sua competência eclesial, se dispõe a sempre acolher e investigar qualquer acusação de condutas ilícitas contra menores, praticadas por membros do Clero, Religiosos/as, Leigos/as engajados nas Pastorais desta Diocese, a fim de tomar as providências cabíveis no foro eclesiástico e civil.


11. Só uma Igreja humilde é capaz de acolher a verdade que purifica e converte o coração. Só uma Igreja humilde reconhece e repugna os excessos de seus membros pecadores e acolhe as vítimas sofredoras, preocupando-se com o bem integral delas.


Penedo, 20 de dezembro de 2011.

Dom Valério Breda
Bispo Diocesano


G1


Grupos que representam vítimas de casos de abuso sexual cometidos por padres apresentaram nesta terça-feira uma denúncia ao Tribunal Penal Internacional (TPI) acusando o Papa Bento XVI e três autoridades de alto escalão do Vaticano de crimes contra a Humanidade. Mas são grandes os obstáculos para a abertura de uma investigação na corte.


A organização Rede de Sobreviventes de Vítimas de Abusos de Padres e o grupo de direitos humanos Centro para os Direitos Constitucionais alegam que as autoridades toleraram e permitiram a prática sistemática e a ocultação generalizada de estupros e crimes sexuais contra crianças.


O TPI já recebeu cerca de 9 mil propostas independentes como esta desde sua criação, em 2002, mas nunca abriu qualquer investigação baseada neste tipo de pedido. A corte, baseada em Haia e liderada pelo promotor-chefe Luis Moreno-Ocampo, já investigou casos de genocídio, assassinato e conflitos como o de Darfur e o da Líbia, a pedido dos países onde os crimes foram cometidos ou da ONU.


O Vaticano também não é membro do TPI, o que significa que o tribunal não tem autoridade sobre a Santa Sé. Mas a denúncia inclui diversos países onde houve casos de abuso e a corte é reconhecida.

National Catholic Reporter

A Arquidiocese de Boston anunciou que havia compilado uma lista de todos os clérigos da arquidiocese que haviam sido acusados de abuso sexual e a está colocando em um local de fácil acesso em sua página eletrônica.

Um total de 159 clérigos estão listados no novo sítio e inclui todos os clérigos que foram acusados e condenados por tribunais penais ou eclesiásticos, todos clérigos que foram acusados e laicizados, ou que foram acusados mas posteriormente exonerados.

As duas únicas categorias de clérigos contra os quais foram feitas acusações públicas que não foram incluídos nas listas são clérigos que pertencem a ordens religiosas e que haviam morrido até o momento em que as acusações foram feitas. Os clérigos que já morreram mas estavam vivos na época das acusações estão incluídos na lista.

Tenho certeza de que essa decisão vai abrir algumas feridas que tinham começado a curar. Estou certo de que alguns vão criticar o cardeal Sean O’ Malley por ter “empurrado os padres para debaixo do ônibus” e outros vão se queixar de que as novas revelações não irão chegar suficientemente longe.

Mas espero que os críticos primeiro leiam a carta do cardeal O’Malley que anuncia a sua decisão [disponível aqui em inglês].

A carta não tem precedentes na forma como o arcebispo compartilha o seu próprio processo de tomada de decisão sobre essas difíceis questões. Quer você concorde ou discorde das suas decisões de divulgar essa informação de forma tão pública, é difícil não admirar a sua disposição de compartilhar com as pessoas afetadas o processo de reflexão que levou às decisões.

Decisões angustiantes

Pe. Richard Erikson, vigário-geral da arquidiocese, me disse que essa foi “uma das decisões que mais angustiaram o cardeal nos cinco anos em que eu trabalho com ele”.

E é fácil perceber o porquê. As pessoas têm direito à sua reputação. Essa não é uma preocupação moral pequena. As pessoas também têm o direito de serem tratadas como inocentes até que se prove o contrário e que sejam enfrentadas com os seus acusadores. Esses são princípios legais que distinguem a nossa sociedade como uma sociedade civilizada.

Por outro lado, a cultura de ofuscação clerical e hierárquica que tornou um escândalo sexual em um escândalo de responsabilidade exige abertura e também responsabilidade se a Igreja quer mesmo recuperar a sua credibilidade. Como equilibrar essas preocupações morais igualmente prementes e facilmente conflitantes?

Eu suspeito que grande parte das críticas de fora da Igreja irão se focar sobre o fato de que alguns padres não foram listados. Como observado acima, o direito de enfrentar quem acusa é um princípio duramente conquistado na subida da nossa civilização na montanha da justiça. Ainda estamos subindo, na verdade, mas o fim da Star Chamber[corte especial para pessoas proeminentes do império inglês] foi uma coisa boa.

Entre as razões da alegria nos rostos do povo da Líbia, está a esperança de que eles, também, nunca terão que enfrentar um sistema legal excêntrico em que tais direitos básicos são negados. A decisão do cardeal O’Malley de não publicar os nomes dos padres que haviam morrido antes de que quaisquer alegações fossem feitas honra esse princípio de justiça.

Por outro lado, por que publicar os nomes de qualquer um daqueles que morreram? Afinal, eles não estão aqui para defenderem junto ao cardeal que não se faça mais publicidade em torno dos seus nomes e, mais ainda, eles obviamente já não representam qualquer ameaça para as crianças. Mas uma das razões de publicar os nomes é porque outras vítimas, que podem nunca ter sido capazes de sequer discutir o que aconteceu com elas, podem ver um nome na lista e dizer: “Eu não fui o único”, e assim se pronunciarem e encontrarem a cura para si mesmas e dar credibilidade às acusações de outras vítimas.

Ordens religiosas

A decisão de não publicar os nomes dos acusados de abuso que pertencem a ordens religiosas é ainda mais controversa. Aqui está o problema: mesmo que esses padres religiosos estivessem trabalhando em Boston quando abusaram de um menor, qualquer investigação canônica das acusações seria conduzida por sua ordem religiosa, e não pela arquidiocese. Se uma acusação é feita contra um padre de uma ordem religiosa em Boston, as autoridades são notificadas imediatamente. Isso acontece com todas essas acusações e acontece mesmo antes que tenha havido qualquer determinação se a acusação tem credibilidade “prima facie”.

A arquidiocese, depois, remove as faculdades do sacerdote da ordem religiosa e remete o assunto à ordem religiosa, para investigação. Assim, cada ordem religiosa tem a responsabilidade de determinar suas próprias políticas referentes à divulgação dos nomes. Publicar esses nomes seria tanto infringir os direitos das ordens religiosas, quanto, em certo sentido, tornar a arquidiocese responsável pela credibilidade das investigações conduzidas pelas ordens religiosas. Mas, como se pode ver, a questão é complicada, e esse é o tipo de complicações que deixam nervosos alguns observadores externos.

Outra decisão controversa foi publicar uma lista distinta daqueles padres contra os quais foram feitas acusações públicas, mas que foram exonerados por uma investigação civil ou canônica. Há uma narrativa em alguns círculos de que os bispos estão querendo “empurrar os padres para debaixo do ônibus” para preservar a sua própria reputação como “homens durões”.

Nesse caso, o oposto também é válido. Erikson explicou que, pesquisando no sítio da arquidiocese, você pode, às vezes, encontrar o anúncio da acusação original contra o padre e o anúncio de que ele estava sendo removido do ministério durante a investigação, mas que o sítio pode não incluir a informação sobre a sua exoneração.

“Uma das razões de publicar os nomes daqueles que foram exonerados é ajudá-los a limpar os seus nomes”, disse-me Erikson.

A arquidiocese não depende apenas dos seus próprios registros para determinar quais padres haviam enfrentado acusações públicas, embora, desde que a arquidiocese adotou as Normas de Dallas em 2002, qualquer padre contra o qual foi feita uma acusação credível foi removido do ministério, e esse fato foi publicado pela arquidiocese.

A lista atual também inclui os nomes de qualquer padre listado no sítio BishopAccountability.org e em quaisquer outros sítios de defensores das vítimas.

É difícil avaliar como equilibrar as demandas da justiça nesses casos. Fazer isso de uma forma pastoral que traga a cura só contribui para a dificuldade.

Abusadores falecidos

Tomemos uma das questões mais espinhosas, sobre a qual certamente alguns estão desapontados: a decisão de não listar aqueles padres que morreram antes de que quaisquer acusações fossem feitas.

“Eu enfatizo que a nossa decisão de não listar os nomes dos padres falecidos que não haviam sido acusados publicamente e daqueles sobre os quais não havia sido realizado ou concluído nenhum processo canônico (a maioria foi acusada muito tempo depois de sua morte) não significa, de modo algum, que a arquidiocese não considera que as reivindicações dos sobreviventes particulares que acusaram esses padres falecidos sejam confiáveis ou convincentes”, escreveu O’Malley.

“De fato, em muitos desses casos, a arquidiocese já procedeu para compensar o sobrevivente e oferece aconselhamento e cuidado pastorais aos indivíduos”.

É muito importante validar a experiência dos outros em tais casos e, até mesmo aqui, em uma decisão que irá desapontar alguns, a sensibilidade pastoral de O’Malley acerta no alvo.

Então, por que tomar decisão de publicar todos os nomes em um só lugar? Responsabilidade. Abertura.

“Boston tem uma responsabilidade específica, porque foi aí que a crise dos abusos sexuais começou”, disse Erikson.

Naturalmente, nós agora sabemos que a crise dos abusos sexuais começou em muitos outros lugares nas décadas de 1970 e 1980, quando a maioria dos abusos realmente aconteceu. O que aconteceu em Boston em 2002 foi uma crise diferente, uma crise de autoridade moral episcopal.

O que aprendemos em 2002 foi que os bispos tinham sido informados sobre as coisas horríveis que haviam ocorrido e que eles não reagiram com horror. Eles reagiram com estratégias legais e apologias comedidas e, mais infelizmente, em alguns casos, eles reagiram com esforços continuados de encobrir os crimes que haviam sido cometidos.

Não em Boston. Em Boston, desde que o cardeal O’Malley chegou, a resposta foi direta. O’Malley já se encontrou com dezenas de vítimas.

Ao contrário de algumas dioceses que têm combatido os esforços de elevar o estatuto das limitações, em Boston, esses estatutos, assim como aqueles que fornecem imunidade para organizações sem fins lucrativos, têm sido acolhidos nas negociações de ressarcimentos.

Em Boston, ao contrário de algumas outras dioceses, as Normas de Dallas foram implementadas e seguidas. Em Boston, o Conselho de Revisão inclui vítimas. Em Boston, cerca de 300 mil crianças receberam treinamento de ambiente seguro, e 175 mil adultos foram treinados sobre como reconhecer e denunciar suspeitas de abuso.

E, agora, Boston se torna a maior arquidiocese do país a publicar os nomes daqueles que foram publicamente acusados em um só lugar.

Por que isso? Porque, se essa lista mais acessível ajudar mesmo que uma única vítima a se pronunciar e a encontrar a cura, reabrindo a ferida que tem afligido a arquidiocese por tanto tempo, terá valido a pena. Porque a Igreja não pode curar a menos que as vítimas do seu clero sejam curadas. Porque o povo de Deus tem o direito de ter bispos em quem possa confiar, e os bispos têm a responsabilidade de serem tão abertos e responsáveis quanto possam, se quiserem restaurar a confiança rompida.

Porque essa é a coisa certa a fazer.

Dom Blase J. Cupich, bispo de Spokane, Washington.

No dia 18 de maio, o National Review Board divulgou um relatório intitulado “As causas e o contexto dos abusos sexuais de menores por padres católicos nos Estados Unidos” elaborado pelo John Jay College de Justiça Criminal.

A simples menção desses dois grupos, o National Review Board e o John Jay College, trabalhando independentemente da hierarquia para produzir esse relatório, é uma rápida admissão de que, para chegar à plena compreensão e resposta à crise dos abusos sexuais na Igreja Católica dos EUA, nós, bispos, precisamos da ajuda e da assistência de outros.

É verdade que o relatório documenta uma queda muito grande no número de casos de abuso em meados da década de 1980, demonstrando que, uma vez que nós, bispos, nos demos conta do que estava acontecendo, embora tragicamente muito tarde, nós podíamos e realmente adotamos medidas fortes e eficazes. A educação sobre o problema e o estabelecimento de ambientes seguros para eliminar as oportunidades de ocorrência dos abusos se mostraram eficazes.

No entanto, assim como o relatório reforça o que nós fizemos e estamos fazendo certo para enfrentar o problema, ele também pede iniciativas adicionais para corrigir as deficiências, de forma que o abuso de menores não volte a acontecer novamente na Igreja Católica.

Enquanto os bispos terão que dar sua atenção nos próximos meses e anos para explorar plenamente as implicações desse relatório, existem várias prioridades que não podemos negligenciar. Elas incluem:

1. Manter os potenciais abusadores fora do sacerdócio.

A seleção rigorosa dos candidatos ao seminário deve continuar. Isso significa a verificação dos antecedentes e testes psicológicos aprofundados para descobrir deficiências emocionais que possam levar ao abuso. Atualmente, o Programa de Formação Sacerdotal afirma que “qualquer prova confiável no candidato de uma atração sexual por crianças exige uma dispensa imediata do seminário”. Mas agora deve ser feita uma atualização para exigir a formação em um ambiente seguro, com ênfase na definição e na manutenção de limites apropriados entre os membros do clero e as crianças. Não pode haver exceções à regra de que quem não passou por uma formação em um ambiente seguro não será autorizado a trabalhar com crianças e com certeza não deve ser ordenado padre.

2. Revisar a Charter for the Protection of Children and Young People, conforme necessário.

Os bispos rotineiramente revisam a carta para as atualizações necessárias. A tarefa agora será aperfeiçoá-la ainda mais à luz desse relatório. Na revisão da Carta, os bispos devem olhar para qualquer elemento que precise de reforço ou de esclarecimento para garantir que, em todas as dioceses, qualquer padre com uma alegação de abuso admitida ou canonicamente comprovada contra si não esteja mais no ministério. Da mesma forma, o mandato da carta de que o conselho de revisão diocesano deve aconselhar o “bispo em sua avaliação das alegações de abuso sexual de menores e em sua determinação da adequação de um clérigo ao ministério” precisa de esclarecimento, assim como o significado da nossa Declaração de Compromisso Episcopal, de modo que haja uniformidade no cumprimento dos princípios da Carta.

3. Exigir uma formação profissional continuada dos padres a cada ano.

Os pesquisadores do John Jay constataram que não há nenhuma maneira infalível para prever quem será um abusador, mas descobriram que as pessoas que abusaram de jovens estavam sob estresse, muitas vezes sozinhos e também frequentemente abusavam de álcool. A formação continuada sobre como implementar efetivamente programas de ambiente seguro deve ser obrigatória para os padres, mas também deve ser obrigatório o desenvolvimento profissional contínuo, destinado a reduzir, senão eliminar, os fatores de estresse.

Atenção particular deve ser dada ao crescimento espiritual dos nossos padres, pois as evidências mostram que uma vida de oração saudável é um recurso importante para lidar com o estresse de uma forma saudável e madura. Os padres merecem esse investimento e o apoio que precisam para desenvolver habilidades de defesa e válvulas de escape que não incluam drogas, álcool e exploração sexual.

4. Educar os paroquianos.

Agora, a Carta requer avaliações de antecedentes e uma formação em um ambiente seguro para qualquer pessoa que tenha um contato contínuo e sem supervisão com menores. Precisamos expandir o círculo dessas pessoas formadas para manter os ambientes seguros. Todo o nosso povo deve aprender a reconhecer e a denunciar os abusos de menores. A maneira mais simples e mais eficiente de educar os católicos que vão à igreja é por meio dos boletins paroquiais e dos sites. Além da publicação regular de informações sobre como denunciar os abusos, as paróquias, com a ajuda da nossa Secretaria de Proteção à Criança, devem rotineiramente oferecer atualizações sobre a melhor forma de manter e de melhorar seus programas de ambiente seguro.

5. Enfatizar os limites que devem existir entre um adulto e um menor.

Nos últimos anos, temos visto relatórios das dioceses e das autoridades civis sobre as violações de limites, como colocar uma mão sobre o joelho de uma criança, lutar de brincadeira com uma criança ou compartilhar álcool com um menor. Os profissionais reconhecem que esse toque e essa interação, muitas vezes, são os primeiros passos dogrooming, um processo pelo qual os abusadores sexuais testam até onde podem ir para romper as barreiras naturais entre um adulto e uma criança. Os jovens de hoje são devidamente treinados para denunciar quaisquer interações que os deixem desconfortáveis. Quer essas ações estejam associadas diretamente ou levem ao abuso sexual de menores ou não, essas violações de seu espaço pessoal os desconcerta e não são inofensivas. Códigos de conduta claros e específicos sobre a interação adulto-menor, proibindo essas violações de limites, devem ser parte integrante da vida e da atividade de todas as paróquias.

6. Reconhecer a dimensão do problema dos abusos sexuais de crianças.

O estudo do John Jay aponta que o abuso sexual de menores ocorre em praticamente todas as organizações em que os adultos estão em uma relação de acompanhamento de crianças. Dizer isso não deve, de modo algum, desviar a atenção do problema dos abusos na Igreja, já que a Igreja deve ser mantida em um padrão mais elevado. Mas a Igreja deveria se preocupar com o que acontece em todas as escolas, equipes esportivas e organizações juvenis, porque elas também são vulneráveis aos abusadores. O ponto é que, em face da inevitável evidência de que o abuso sexual ocorre em todos os grupos que atendem a juventude, toda a população adulta deste país deve enfrentar o desafio de proteger as crianças de forma colaborativa e unificada.

7. Monitorar uns aos outros.

É trágico que tantos abusadores tenham molestado crianças ao longo dos anos, sem que os outros suspeitassem. Talvez os membros do clero e outros adultos que suspeitaram que algo estava errado decidiram se preocupar com suas próprias coisas. Todos os que observam um comportamento inconveniente devem levar suas preocupações às pessoas com autoridade. Essa não é uma questão de “dedurar alguém” ou colocar alguém em apuros. É uma questão de segurança das crianças.

8. Ouvir atentamente, responder diretamente.

Muito frequentemente, a primeira resposta dos administradores quando ouvem falar de um problema é esperar que ele vá embora. Essa abordagem não pode orientar o tratamento de um suposto abuso sexual de crianças. Os relatórios de suspeitas devem ser tratados imediata e diretamente. Esperar que mais alguns relatos ou incidentes surjam é como não tratar uma doença grave e contagiosa até que uma sala de aula cheia de crianças adoeça com ela. Os líderes também precisam reconhecer que, em muitos casos, leva muito tempo para que uma pessoa articule alguma coisa sobre um assunto tão sensível como a atividade sexual. Os líderes precisam ouvir não apenas as palavras que as pessoas falam, mas também as emoções por trás das palavras e a linguagem corporal que comunica o que não é dito. Os líderes da Igreja precisam enviar mensagens claras, especialmente às crianças, de que irão ouvir com simpatia e agir decisivamente quando confrontados com o abuso sexual de uma criança.

9. Colocar essa crise em perspectiva.

Dado que a existência do abuso de apenas uma criança é horrível, é difícil sentir que houve algum progresso na sociedade norte-americana a esse respeito. Mas houve.

As estatísticas do John Jay mostram um declínio nos abusos sexuais de jovens nas últimas décadas, especialmente na Igreja. Pode-se argumentar que a Igreja está agindo melhor a esse respeito por causa da intensa ênfase na formação prática por meio de programas de ambiente seguro tanto para jovens, quanto para adultos. O controle da mídia sobre a Igreja provavelmente impediu que os líderes retrocedessem e se render ao “cansaço dos documentos”. No entanto, levando-se em conta o que conseguimos até agora, o fato é que a Igreja não pode deixar de tomar precauções.

Uma perspectiva também é necessária quando os padres são falsamente acusado e depois inocentados. A carta pede esforços para restaurar a reputação dos padres acusados falsamente. É certo que a porcentagem dos que são falsamente acusados é pequena, mas qualquer acusação falsa é condenável aos olhos do público. Se um bispo e as estruturas diocesanas, como as comissões de revisão e os escritórios de assistência às vítimas, forem imparciais ao lidar com as vítimas/sobreviventes e o público, o bispo será mais apto a ser julgado confiável quando afirmar que um clérigo acusado foi considerado não culpado e é digno de uma assumir um cargo em uma diocese.

10. Observar e corrigir atitudes distorcidas acerca do sacerdócio.

O clericalismo é uma forma de elitismo, em que alguns são vistos como sujeitos de direitos e privilégios especiais. Ele gera uma arrogância que faz com que algumas pessoas recebam menos respeito do que outras; que permite que algumas pessoas se tornem objetos e sejam usadas e, logo, tragicamente abusadas. Nós, católicos, temos estado na vanguarda da defesa da dignidade da pessoa humana. O clericalismo é uma violação direta da dignidade humana. No caso do abuso infantil, é uma atitude que tem se tornado surda ao que as Escrituras nos dizem sobre o lugar especial que as crianças têm no reino de Deus. Elas são chamadas para a frente, como Jesus fez quando disse: “Deixai vir a mim as criancinhas” e advertiu que seria melhor ter uma pedra de moinho amarrada ao redor do pescoço e ser atirado ao mar do que ser culpado por maltratar uma criança. Quando nos damos conta de como Deus leva as crianças altamente em consideração, é difícil não respeitá-las e tratá-las com carinho, abominando qualquer coisa que as usa e as abuse.

A publicação do estudo do John Jay é um divisor de águas. É um ponto de partida a partir do qual a Igreja Católica e, especialmente, seus líderes devem continuar tomando medidas para mostrar que serão firmes na abordagem dos abusos sexuais de menores. As lideranças da Igreja devem agora dar um passo à frente e oferecer uma nova vitalidade à sua promessa de proteger e ao seu compromisso de curar. Isso vai exigir, por parte dos bispos, uma grande dose de humildade, o tipo necessário para admitir que nós precisávamos da ajuda oferecida pelo National Board Review, pelo John Jay College e por tantos outros. É também o tipo de humildade expressada na confissão dos pecados há quase uma década por Dom Wilton Gregory, então presidente da conferência episcopal dos EUA:

Nosso dever diante de Deus como pastores do povo do Senhor nos torna responsáveis perante Deus e a Igreja pela saúde espiritual e moral de todos os filhos de Deus, especialmente aqueles que são frágeis e mais vulneráveis. Somos nós os que precisam se confessar, e assim o fazemos.

Somos nós os que, quer por ignorância ou por falta de vigilância ou, Deus nos livre, quer com conhecimento, permitiram que os padres abusadores permanecessem no ministério e que os transferiram a comunidades onde continuaram abusando.

Somos nós os que optaram por não denunciar as ações criminosas dos padres às autoridades, porque a lei não exigia isso. Somos nós os que se preocuparam mais com a possibilidade de escândalo do que em promover o tipo de abertura que ajuda a evitar os abusos.

E somos nós os que, às vezes, responderam às vítimas e às suas famílias como adversários e não como membros sofredores da Igreja.

Devemos manter perto de nossos corações a humildade e o profundo remorso expressados nessas palavras há quase uma década. As crianças não merecem nada menos do que isso.

Quase uma década depois que as revelações generalizadas de abuso sexual de menores abalaram a Igreja católica nos Estados Unidos, um relatório abrangente sobre o escândalo foi lançado nesta quarta-feira, 18 de maio, na esperança de dar respostas sobre uma crise que levantou inúmeras questões, apesar de anos de atenção.

O culpado dos abusos foi o celibato? Os gays no sacerdócio? A revolução social dos anos 1960, ou a a obscura educação dos seminários dos repressivos anos 1950?

A reportagem é de David Gibson, publicada no sítio Religion News Service, 18-05-2011. A tradução é de Moisés Sbardelotto e revisada pela IHU On-Line..

A verdade parece ser muito mais complexa, de acordo com uma cópia do relatório dos investigadores do John Jay College de Justiça Criminal que foi fornecida por um líder da Igreja que acredita que os resultados refletem com precisão as causas da crise dos abusos sexuais de membros da Igreja para o bem e para o mal.

Os resultados provavelmente vão incomodar tanto os críticos liberais quanto os conservadores, assim como os advogados das vítimas.

O relatório de 300 páginas, formalmente intitulado As Causas e o Contexto do Abuso Sexual de Menores por Padres Católicos nos Estados Unidos, 1950-2010, derruba uma série de equívocos populares. Enquanto alguns contestarão a metodologia do relatório – e notar que os bispos dos EUA pagaram metade do preço de tabela estimado em 1,8 milhão de dólares –, o estudo Causas e Contexto é claramente um marco na investigação dos abusos sexuais de crianças.

Os mitos

O primeiro mito contestado pelo estudo é que os padres tendem a ser pedófilos. Dos cerca de 6 mil padres acusados de abuso ao longo da metade do século passado (cerca de 5% do número total de padres que que serviram durante esse período), menos de 4% podem ser considerados pedófilos, assinala o relatório – isto é, homens que se aproveitaram de crianças.

“Os padres abusadores não eram padres pedófilos“, afirmam os pesquisadores categoricamente.


Casos de abuso sexual de acordo com o ano de ocorrência (1950-2002)

Em segundo lugar, os pesquisadores não encontraram evidências estatísticas de que os padres gays eram mais propensos do que os padres heterossexuais ao abuso de menores – uma descoberta que mina o ponto de debate favorito de muitos católicos conservadores. O número desproporcional de vítimas adolescentes do sexo masculino tem a ver com a oportunidade, não com uma preferência ou com uma patologia, afirma o relatório.

Além disso, os pesquisadores observaram que o aumento do número de padres gays a partir do final dos anos 1970 em diante corresponde, na verdade, com “uma diminuição da incidência de abusos – não com um aumento da incidência de abusos”.

Do mesmo modo, o celibato permaneceu uma constante ao longo dos picos e vales das taxas de abuso, e os padres podem ser menos propensos a abusar de crianças hoje em dia do que os homens de profissões similares. Como resultado, os católicos liberais que defendem o sacerdócio casado, ou aqueles que estão convencidos de que o compromisso com uma vida inteira sem sexo leva à perversão, não podem alavancar seus argumentos a partir da crise dos abusos.

Uma melhor preparação para uma vida celibatária é fundamental, porém, e a melhoria da formação e da educação nos seminários na década de 1980 corresponde a um “declínio acentuado e sustentado” nos abusos desde então – uma melhoria impressionante que tem sido muitas vezes ignorada.

O grande aumento dos casos de abuso nas décadas de 1960 e 1970, descobriram os autores, foi devido essencialmente aos sacerdotes emocionalmente mal dotados, padres que foram formados em anos anteriores e que se perderam no cataclismo social da revolução sexual.

De fato, os pesquisadores do John Jay escrevem que “características individuais não predizem que um padre cometerá abuso sexual de um menor. Ao contrário, as vulnerabilidades, combinadas com tensões e oportunidades situacionais, aumentam o risco de abuso”.


Casos de abuso sexual de acordo com o ano da denúncia (1950-2002
)

A natureza “situacional” do abuso por parte do clero é comparável à dos policiais que agridem violentamente as pessoas, escreveram os autores. O estresse do trabalho, os perigos do isolamento e a falta de supervisão são fatores que contribuem para o “comportamento desviante”.

Com cada vez menos padres disponíveis para ministrar um número crescente de católicos norte-americanos, os bispos católicos serão obrigados a fazer um melhor trabalho para apoiar os sacerdotes e proporcionar intervalos em suas programações muitas vezes opressivas. Isso, provavelmente, exigiria um maior papel para os leigos e para as mulheres – uma questão repleta de controvérsia.

A gestão da crise

Os pesquisadores do John Jay têm cuidado ao creditar a hierarquia pela promoção de importantes avanços no combate ao abuso de crianças – uma afirmação que os advogados das vítimas irão disputar arduamente – e apontam que a sociedade como um todo começou lentamente a entender a natureza dos abusos de crianças quando as dioceses dos EUA foram inundadas com os casos.

Ao mesmo tempo, no entanto, os pesquisadores notam o histórico abismal dos bispos em muitos casos trágicos e dizem que a liderança da Igreja foi reflexivamente defensiva e autoprotetora – um comportamento que se encaixa perfeitamente no padrão da gestão de crises em grandes instituições.

De fato, os autores argumentam convincentemente que a cultura clerical que fomentou e ocultou o desvio por parte dos padres é muito semelhante à cultura de aplicação da lei que permite a brutalidade policial. A Igreja, assim como a polícia, é uma organização hierárquica, que opera de uma forma descentralizada, em que cada departamento (ou diocese) é uma autoridade em si mesma e não está inclinada a se abrir à supervisão.

Na segunda-feira, o Vaticano disse aos bispos de todo o mundo que estabeleçam políticas claras para lidar com os clérigos abusadores. A Santa Sé emitiu uma série de “linhas diretrizes” para convencer os bispos a cumprir com as leis civis de denunciar as acusações de abuso – se houver alguma. Mas a nova política do Vaticano também reitera que cada bispo terá a palavra final em qualquer processo e que cada bispo, em última análise, continua respondendo apenas ao papa.


Ano de ordenação dos padres diocesanos acusados de abuso sexual contra menores

Essa abordagem provavelmente não vai convencer um rebanho que aprendeu, pela dura experiência, a ser cético com relação a seus bispos – mais recentemente, no rastro de um recente relatório do Grande Júri da Filadélfia que detalhava falhas terríveis ao lidar com as denúncias de abuso.

A doutrina da autoridade pura do bispo, combinada com o histórico da hierarquia como um grupo de gestores de crises preocupados em proteger a instituição, pode ser o problema central para os bispos revelado pela crise dos abusos sexuais.

Esse é certamente o principal desafio apresentado pelos autores do novo relatório do John Jay, que argumentam que a hierarquia católica norte-americana finalmente deve aprovar políticas uniformes e seguras, caracterizadas pela transparência genuína e pela verdadeira responsabilização, especialmente para os bispos.

Dar esse difícil passo é a única forma para que os bispos possam começar a mostrar que a hierarquia é diferente dos financistas da Wall Street ou de uma burocracia policial protetiva. Também é, talvez, a forma mais rápida para que os bispos restaurem a credibilidade da Igreja Católica como testemunha convincente da fé, ao invés de ser apenas outra instituição suspeita.

Relatório em Inglês: http://www.usccb.org/mr/causes-and-context-of-sexual-abuse-of-minors-by-catholic-priests-in-the-united-states-1950-2010.pdf

A Postagem deste Vídeo quer apenas despertar nossa reflexão sobre o Bullying. A violência NUNCA é uma resposta cristã.Nesse caso, porém, foi uma reação de auto defesa?

Na sua opinião, a reação do jovem foi correta?

* Bullying é um termo em inglês utilizado para descrever atos de violência  física ou psicologica intencionais e repetidos, praticados por um indivíduo (bully – «tiranete» ou «valentão») ou grupo de indivíduos com o objetivo de intimidar ou agredir outro indivíduo (ou grupo de indivíduos) incapaz(es) de se defender.

Também existem as vítimas/agressoras, ou autores/alvos, que em determinados momentos cometem agressões, porém também são vítimas de bullying pela turma.