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É tristemente comum a confusão que perdura no meio de muitos cidadãos, inclusive católicos, no tocante à diferença entre política e politicagem, ou política e partidarismos. O católico não deve fazer politicagem, mas deve fazer política.

Política é apenas a participação ativa e consciente nas decisões da sociedade, o que não é apenas um direito, mas também uma obrigação moral: ninguém pode se isentar da sua cota de responsabilidade nas decisões da sua própria comunidade. Somos TODOS responsáveis, em alguma medida, pelos rumos da nossa pátria, do nosso Estado, da nossa cidade, do nosso bairro, da nossa rua.

A Igreja deixa esta responsabilidade bem clara na sua doutrina social – e o Papa Francisco nos lembra disso com frequência. 

A fim de reforçar esta consciência, compartilhamos a seguinte mensagem de Dom Gil Antônio Moreira, arcebispo de Juiz de Fora, no Estado brasileiro de Minas Gerais:

* * *

Consta dos princípios cristãos o dever de colaborar com a sociedade na busca do bem comum. É ‘sagrado’ o dever de participar leal e responsavelmente da vida pública e política, buscando uma sociedade justa, fraterna e pacífica. A Igreja faz isto a partir do Evangelho cujo núcleo é a pessoa de Jesus Cristo, que veio para salvar a pessoa humana de forma integral e definitiva.

Para esclarecer sobre a participação do fiel cristão na vida pública, social e política, o Pontifício Conselho “Justiça e Paz” publicou no ano de 2004 o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, que estabelece balizas para este fim.

São João Paulo II, na encíclica Sollicitudo Rei Socialis (1987), enfatizava que não é possível amar o próximo como a si mesmo e perseverar nesta atitude sem firme e constante determinação de empenhar-se em prol do bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos.

Já o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), na Constituição Conciliar Gaudium et Spes, proclamava que as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, são as mesmas da Igreja.

Este dever de colaboração social é também um direito que a democracia, regime que todos prezamos, garante a todos os cidadãos, independentemente de credo religioso. O direito democrático prevê a liberdade de expressão e garante a liberdade religiosa como algo inalienável na construção da civilização. Tais direitos estão explícitos na Constituição Federal Brasileira nestes termos: Art. 5.º, inciso VI: é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias. O inciso VIII garante aos que creem o direito de expressão e todos os demais diretos comuns a todos os demais cidadãos: ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.

O referido direito é internacionalmente reconhecido, como se pode ver na Declaração Universal dos Direitos Humanos em seu artigo 18: Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião. Este direito importa a liberdade de mudar de religião, ou convicção, bem assim a liberdade de manifestá-las, isoladamente ou em comum, em público ou em particular, pelo ensino, pelas práticas, pelo culto e pela observância dos ritos. Defendendo os mesmos direitos, o Pacto de São José da Costa Rica, do qual o Brasil é signatário, reza em seu artigo 12: Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião.

Por esses e por outros artigos de leis, nenhum governo, nenhum ideólogo nem qualquer outra pessoa pode, em nome da laicidade, impedir ou cercear a ação dos cidadãos que professam uma religião. Em nome da laicidade, ninguém, a não ser que seja totalitarista ou deseje impor uma ditadura destruidora da democracia, pode negar à Igreja o direito de existir e de se posicionar, de ensinar a seus fiéis e de expressar publicamente suas convicções a respeito da dignidade humana, mesmo porque, esta matéria não é um artigo da sua dogmática, mas faz parte de uma ordem natural aceitável pela pura razão humana.

O Estado pode e deve ser laico, mas não pode ser laicista, nem pode impor uma única religião a ser seguida, como também não pode impor o ateísmo como regra geral ao seu povo, mesmo porque isto já seria uma posição religiosa praticada por ele.

O povo brasileiro, em sua imensa maioria, é fiel e temente a Deus e merece ser respeitado no que lhe atribui a legislação. O respeito e a defesa do direito à prática religiosa são indispensáveis para que haja paz e justiça para todos; do contrário, cair-se-ia no caos social.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo de Juiz de Fora

Aleteia Brasil

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A Conferência Episcopal Dominicana (CED) fez um novo apelo para proteger a dignidade da mulher e para defender a vida e a família, esta última ameaçada pela ideologia de gênero, inventada pelas “elites de certos países ricos” a fim de destruir a família, promovendo a libertinagem sexual em adolescentes e jovens, o homossexualismo e o aborto.

Os bispos fizeram esta advertência em sua Carta Pastoral “A Mulher na Sociedade Dominicana”, publicada por ocasião da Festa de Nossa Senhora da Altagracia, padroeira do país. No texto também exortaram as autoridades a impedir mais atos violentos contra as mulheres, promovendo o respeito à sua dignidade.

“As elites de certos países ricos, donos dos grandes laboratórios e fábricas de armas mortais, sob o pretexto da superpopulação com o apoio de organismos internacionais de prestígio, inventaram a ideologia de gênero, cujo propósito principal encoberto é destruir a família e acabar com todos os princípios éticos e morais”.

“Essa corrente ideológica – denunciaram – é a promotora da libertinagem sexual em adolescentes e jovens, do homossexualismo, do lesbianismo e do aborto”.

Em sua carta, os bispos recordaram que o Papa Francisco “faz uma alerta sobre esta corrente ideológica” que “nega a diferença e a reciprocidade natural do homem e da mulher”.

“O ‘masculino’ e o ‘feminino’ diferenciam dois indivíduos que têm a mesma dignidade, que não possuem uma igualdade estática, porque o especificamente feminino é diferente do especificamente masculino. Ambos se complementam, não só do ponto de vista físico, mas também psíquico e ontológico. Deus confia a esta unidade não só a procriação, como também a construção da história”, assinalou a CED.

A respeito do aborto, os bispos advertiram que “nenhum católico” deve ter “a menor dúvida de que é um dos piores crimes da humanidade”.

“Como sublinha o Papa Francisco: ‘O aborto não é um mal menor: é um crime. É descartar um para salvar o outro. É aquilo que a máfia faz. É um crime. É um mal absoluto’. E acrescenta: ‘É necessário reiterar a oposição mais firme a qualquer atentado ao direto à vida, especialmente a vida inocente e indefesa, e o neonato no seio materno, que é o inocente por antonomásia’”, acrescentaram.

O Episcopado também denunciou “o tráfico de pessoas” ao qual são submetidas muitas mulheres. “O país foi identificado como fornecedor de mulheres para o negócio ilícito da indústria do ‘entretenimento mundial’. Nesta ordem, esperamos que sejam realizados maiores esforços na aplicação da lei 137-03 que condena o tráfico ilícito de pessoas”, exortaram.

Em seu texto, os bispos destacaram que, apesar das dificuldades, “nossas mulheres, generosas e trabalhadoras estão cheias de esperança, com a consciência de que todo seu sofrimento não será em vão e que chegará o dia em que se acenderá a luz da ressurreição em nosso povo e haverá respeito à dignidade humana, oportunidade de educação e de trabalho para todos e onde florescerão a unidade, o amor, a paz e a felicidade para todas nossas famílias dominicanas”.

Do mesmo modo, recordaram o papel da mulher na vida da Igreja.

“Com o Pontificado do Papa Francisco, está sendo impulsionada a diretriz mais carente, a participação da mulher. Ele considera que nenhuma outra criatura viu brilhar sobre ela o rosto de Deus como Maria, que deu um rosto humano ao Verbo eterno, para que todos pudessem contemplá-lo”, expressaram.

A República Dominicana “tem mais de 100 congregações femininas. Este fermento do Reino de Deus possui o endereço, em diversos pontos do país, de numerosos centros: educativos, assistenciais, de saúde, espiritualidade, comunicação e outros”.

Os bispos concluíram a sua carta pastoral convidando a respeitar a dignidade da mulher “e, especialmente, a educar as crianças, adolescentes e jovens para que façam o mesmo”. “Nada de violência contra a mulher, que não sejamos capazes de danificar a linda obra do Criador!”, expressaram.

ACI

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Em relação com os “dubia” apresentados pelos quatro cardeais acerca da exortação “Amoris laetitia”, o Cardeal Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, intervém novamente afirmando que “neste momento não é possível uma correção do Papa porque não há nenhum perigo para a fé”. O cardeal, em uma entrevista com Fabio Marchese Ragona, do Tgcom24, no âmbito do programa Estancias Vaticanas, também expressou irritação após a publicação dos “dubia”.

Como podemos recordar, pouco mais de um mês após a apresentação dos cinco “dubia” (sobre a interpretação de “Amoris laetitia”, a propósito dos sacramentos para os divorciados que novamente casaram, apresentados de acordo com a modalidade técnica de uma petição de esclarecimentos à Congregação para a Doutrina da Fé) os quatro cardeais signatários, Walter Brandmüller, Raymond Leo Burke, Carlo Caffarra e Joachim Meisner, decidiram publicá-los na mídia. A publicação aconteceu poucos dias antes do Consistório de outubro de 2016. Nas semanas seguintes, o Cardeal Burke falou em diversas ocasiões de uma possível e próxima “correção formal” do Papa, caso não houvesse nenhuma resposta. Em uma entrevista com o Vatican Insider, o Cardeal Brandmüller indicou que essa correção seria realizada em primeira instância em “camera caritatis” e, portanto, que não seria publicada.

Agora, o Prefeito da Doutrina da Fé parece afastar a hipótese da “correção”. Todos, disse Müller ao Tgcom24, “especialmente os cardeais da Igreja Romana, tem o direito de escrever uma carta ao Papa. No entanto, fiquei surpreso porque esta foi tornada pública, quase obrigando o Papa a dizer “Sim” ou “Não”. Não gosto disto. Inclusive uma possível correção fraterna do Papa”, acrescentou,” parece-me muito distante, não é possível neste momento, pois não se trata de um perigo para a fé, como disse São Tomás”.

O Prefeito do ex-Santo Ofício continuou: “Estamos longe de uma correção e digo que é um ultraje para a Igreja discutir estas coisas publicamente. “Amoris laetitia” é muito clara na sua doutrina e podemos interpretar toda a doutrina de Jesus sobre o matrimônio, toda a doutrina da Igreja, em 2000 anos de história”. O Papa Francisco, concluiu o cardeal, “pede para que saibamos discernir a situação dessas pessoas que vivem em uma união não-regular, ou seja, que não estão de acordo com a doutrina da Igreja sobre o casamento, e pede que ajudemos essas pessoas a encontrar um caminho para uma nova integração na Igreja segundo as condições dos sacramentos e da mensagem cristã do matrimônio. Mas eu não vejo nenhuma contraposição: por um lado, temos a doutrina clara sobre o casamento, por outro, a obrigação da Igreja de se preocupar com essas pessoas em dificuldade”

Vatican Insider

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Poucas horas depois de ser divulgada a vitória eleitoral do candidato do Partido Republicano à presidência dos Estados Unidos, Donald Trump, o Presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCCB), Dom Joseph E. Kurtz, publicou um comunicado pedindo “unir-nos como cidadãos fiéis pelo bem comum”.

Em sua mensagem, Dom Kurtz felicitou Trump e assinalou que “agora é o momento para avançar a crescer na responsabilidade de governar para o bem comum de todos os cidadãos” e fez cinco pedidos importantes para o presidente eleito, cujo governo começará às 12h do dia 20 de janeiro de 2017.

1. Escutar o povo americano

“Ontem, milhões de norte-americanos, que estão lutando para encontrar uma oportunidade econômica para suas famílias, votaram para serem escutados. A nossa resposta deveria ser simples: escutamo-los”, disse o Prelado.

“A responsabilidade de ajudar a fortalecer as famílias pertence a cada um de nós”, assegurou.

2. Proteger a vida humana desde a concepção até à morte natural

Dom Kurtz assegurou que os bispos americanos esperam “trabalhar com o Presidente eleito, Trump, para proteger a vida humana desde seu início mais vulnerável até à morte natural”.

Além disso, os bispos advogarão “por políticas que ofereçam oportunidades para todas as pessoas, de todos os credos, em todos os ofícios”.

3. Acolhida humanitária aos imigrantes e refugiados

O Presidente da USCCB assinalou que o episcopado americano se manterá “firme em nossa determinação de que nossos irmãos e irmãs que são migrantes e refugiados podem ser humanamente bem-vindos sem sacrificar a nossa segurança”.

4. Proteção aos cristãos perseguidos no Oriente Médio

O Prelado sublinhou também que os bispos “chamaremos a atenção sobre a violenta perseguição que ameaça os nossos irmãos cristãos e as pessoas de outros credos no mundo inteiro, especialmente no Oriente Médio”.

5. Defender a liberdade religiosa nos Estados Unidos

“Buscaremos o compromisso do novo governo pela liberdade religiosa, assegurando que as pessoas de fé sigamos sendo livres para proclamar e formar nossas vidas sobre a verdade de um homem e uma mulher, e o laço único do matrimônio que eles podem formar”, assegurou.

Dom Kurtz exortou os norte-americanos a não ver uns aos outros “sob a divisora luz de Democrata ou Republicano, ou qualquer outro partido”. Pelo contrário, encorajou: “Vejamos o rosto de Cristo em nossos vizinhos, especialmente naqueles que sofrem ou com quem poderíamos ter discrepâncias”.

“Rezemos pelos líderes na vida pública, para que possam estar à altura das responsabilidades confiadas a eles, com graça e valentia. E que possamos todos nós, católicos, ajudar uns aos outros a ser testemunhas fiéis e alegres do amor curador de Jesus”, pediu.

ACI

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É um gesto tão forte e eloquente do espírito jubilar do amor ao próximo e da misericórdia para com todos aqueles que estão sofrendo, que despertou, além aplauso e admiração, também críticas e perplexidades. Quem é hostil aos cristãos – e, infelizmente, não são poucos na maior democracia do mundo – entende que tal testemunho de fé e de altruísmo não pode deixar de marcar as consciências e lançar pontes de diálogo sincero e desinteressado onde alguns, em vez disso, querem dividir e impor o próprio credo com a violência e a opressão.

Aconteceu em Palai, no Estado meridional indiano de Kerala, onde o bispo auxiliar de rito siro-malabárico, Mar Jacob Muricken (foto), doou um de seus rins para um jovem hindu gravemente doente e em risco de morte, de uma família pobre e infeliz por diversas circunstâncias, incluindo a incompatibilidade para o transplante de todos os parentes próximos.(foto acima)

A escolha de Dom Muricken nasceu do encontro com outro extraordinário religioso, o padre Davis Chiramel, fundador de uma associação que promove a doação samaritana, como é chamada pela recente lei italiana, e que ele mesmo praticou pela primeira vez em 2009, novamente em favor de um concidadão de religião hinduísta.

O seu exemplo luminoso e a sua pregação convenceram, ao longo dos anos, cerca de 15 religiosos, incluindo algumas freiras, a segui-lo no caminho realmente exigente da oblação de uma parte de si mesmo pelo bem do próximo.

Em um país que viu autênticos ataques violentos aos cristãos – como o de 2008 em Orissa, quando extremistas hindus massacraram quase 100 fiéis, para os quais, recentemente, foi aberta a causa de beatificação como mártires, e onde, há poucas semanas, foi lançado um abaixo-assinado popular para obter a libertação de católicos falsamente acusados de um crime grave – o ato de amor do bispo de Palai é uma resposta que surpreende.

Porque ele se coloca em um plano totalmente diferente, distante de reivindicações, de propostas de diálogo, de ofertas de perdão. Ele simplesmente diz que há um amor maior, aquele de quem está pronto para arriscar a própria vida pelo outro, quem quer que ele seja, sem qualquer condição. O amor ensinado por Jesus e testemunhado por aqueles que têm a coragem de segui-Lo.

Salvação para o jovem Suraj, que recebeu o rim, e uma semente de reconciliação e convivência para toda a Índia.

Jornal Avvenire.

Bispos - foto de costas

A Sala de Imprensa do Vaticano publicou nota sobre o Motu Proprio que decreta a remoção do cargo dos bispos que ocultem casos de abusos sexuais (explicada embaixo, em preto)

O Papa Francisco divulgou novas orientações legislativas que preveem a remoção do cargo de bispos que sejam considerados negligentes na gestão de casos de abusos sexuais de menores e adultos vulneráveis.

Os responsáveis por dioceses católicas dos vários ritos podem ser “legitimamente” removidos do seu encargo, caso se determine que tenham “por negligência, realizado ou omitido atos que tenham provocado dano grave a outros”, tanto a pessoas como à comunidade.

O Motu Proprio (documento legislativo de iniciativa pessoal do pontífice), intitulado ‘Como uma mãe amorosa’, sublinha que “a missão de proteção e do cuidado” diz respeito à toda Igreja, mas envolve em particular os bispos.

“O bispo diocesano ou o eparca pode ser removido apenas quando tenha objetivamente falhado de maneira grave à diligência que lhe é pedida pelo seu ofício pastoral, ainda que sem grave culpa moral da sua parte”, precisa.

No caso de abusos sobre menores ou adultos vulneráveis “é suficiente que a falta de diligência seja grave”.

“O dano pode ser equilíbrio físico, moral ou espiritual”, especifica o documento assinado por Francisco.

O Papa sublinha que “empregar uma particular diligência” em proteger aqueles que são “os mais vulneráveis entre as pessoas a eles confiadas” é dever dos bispos diocesanos e dos superiores maiores de Institutos Religiosos e das Sociedades de Vida Apostólica de Direito Pontifício.

Francisco indica também que quando os indícios são “sérios” a autoridade competente da Cúria Romana pode começar “uma investigação” e informar a pessoa que tem a oportunidade de defesa “com os meios previstos pela lei”, através de depoimentos e documentos.

Após essa apresentação, o organismo da Santa Sé pode “decidir” fazer “uma investigação suplementar” mais aprofundada.

O artigo seguinte explica que, antes de decidir, a Congregação competente deve reunir-se, se necessário, com outros bispos da Conferência Episcopal à qual o investigado faz parte.

Francisco indica que se o organismo Cúria Romana considerar que o bispo em causa deve ser afastado há duas possibilidades: através de “decreto de destituição, no menor tempo possível” ou fraternalmente convidar o prelado a “apresentar a renúncia num período de 15 dias”, após o qual se pode “emitir um decreto de destituição”.

O quinto e último artigo estabelece que a decisão final deve ser apresentada “à aprovação específica” do Papa antes da “decisão definitiva” é assistido por um “colégio de juristas”.

Francisco recorda que o Direito Canônico já prevê “a possibilidade da remoção do ofício eclesiástico por ‘causas graves’” e com o Motu Proprio ‘Como uma mãe amorosa’ quer “precisar” que nessas causas está incluída “a negligência dos bispos” relativas “aos casos de abusos sexuais contra menores e adultos vulneráveis”, como já era previsto pelo Motu Proprio do Papa São João Paulo II ‘Sacramentorum Sanctitatis Tutela’, que foi atualizado por Bento XVI.

A Carta apostólica insiste sobre a importância do cuidado vigilante da proteção dos menores e dos adultos vulneráveis, exigindo uma “diligência particular”.

Assim, precisa que entre as “causas graves” que justificam a remoção dos Cargos eclesiásticos, também dos Bispos, é a negligência no que diz respeito aos casos de abusos sexuais cometidos contra menores ou adultos vulneráveis.

Trata-se de uma Lei que estabelece um Procedimento a ser seguido pela atuação do Cânone já presente no CIC e CCEO (193§1 CIC, 975§1 CCEO).

Não se trata de um procedimento penal, porque não se trata de um “delito” realizado, mas de casos de “negligência” por parte dos Bispos ou Superiores religiosos.

A “instrutória” dos casos de negligência cabe às Congregações competentes, que são 4:

– Bispos
– Evangelização dos Povos
– Igrejas Orientais
– Institutos de Vida Consagrada e Sociedade de Vida Apostólica

A Congregação para a Doutrina da Fé não é chamada em causa porque não se trata de delitos de abuso, mas de negligência no ofício.

Junto às Congregações já existem os  Escritórios disciplinares ou análogos.

Chama a atenção dois pontos:

– A falta de diligência pode existir também “sem grave culpa moral” por parte do Bispo (artigo 1§2).

– Para a remoção, no caso dos abusos de menores “é suficiente que a falta de diligência seja grave” (artigo 1§3), enquanto nos outros casos se requer falta de diligência “muito grave” (artigo 1§2).

Tratando-se de decisões importantes sobre Bispos, a aprovação específica depende do Santo Padre.

Nova é a constituição de um “Colégio de juristas” que assessorará  o Santo Padre antes que tome uma decisão definitiva. Se pode prever que tal Colégio seja constituído por Cardeais e Bispos.

Nota: Tratando-se de uma normativa sobre Procedimentos não se põe a questão da retroatividade ou não, porque a lei sobre a possibilidade de remoção “por causas graves” já existia. De agora em diante, o procedimento para a aplicação do Cânone 193§1 é a que foi estabelecida.

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Mais uma vez os bispos venezuelanos denunciam a gravíssima situação do país. Em nota publicada dia 27, os prelados pedem que ninguém se deixe manipular rumo à violência social, não aceitar a corrupção daqueles que especulam, permitir que a Cáritas possa dar a sua ajuda neste momento, especialmente com remédios.

O bispos condenam também os casos de linchamentos e solicitam a todos responsabilidade e respeito da institucionalidade.

“Nunca antes tínhamos sofrido a extrema carência de bens e produtos básicos para a alimentação e a saúde, junto com outros males como o crescimento da delinquência assassina e desumana, o racionamento instável da luz e da água e a profunda corrupção em todos os níveis do Governo e da sociedade. A ideologização e o pragmatismo manipulador intensificam esta situação”, afirma a nota.

Leia a nota completa, em espanhol, nesse link

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O Brasil atravessa um difícil momento de crise política, institucional e ética, que não deixa indiferente ninguém de nós. Ao contrário, pede-nos oração e reflexão. Se de um lado há um despertar das pessoas para agir na sociedade, de outro há também situações de conflitos preocupantes. Ao querer o bem do país, devemos procurar fazê-lo bem também.

Em tempos de tantas situações anômalas e tensas, ao mesmo tempo em que nos cabe manifestar nossas opiniões, somos chamados também a encontrar caminhos de solução. Eis o grande desafio que se impõe nesse momento à nossa pátria!

Em tempos como estes, os homens da Igreja são chamados a dar uma palavra de apoio e incentivo a todos os filhos e filhas desta amada nação que – queiramos ou não – nasceu sob o signo da Cruz do único e divino Redentor do gênero humano. Ele, sem deixar de ser Deus, se fez homem igual a nós em tudo, menos no pecado, na plenitude dos tempos (cf. Gl 4,4). A história é inexorável. Pode ser reinterpretada, nunca, porém, negada por quem quer que seja.

Essas raízes religiosas dão base à unidade nacional de Norte a Sul, de Leste a Oeste, sempre dentro do respeito às diferentes denominações religiosas ou mesmo às pessoas ou grupos que afirmam não ter religião. É a unidade nacional na pluralidade de pensamentos. Isso constitui um Estado que se confessa laico no sentido exato do termo, mas não laicista, ou seja, aquela Nação que, sob a aparência de laicidade, persegue as instituições não concordes com o seu modo de pensar ou, pior, com a linha ideológica do seu governo. Isso caracterizaria um tipo de intolerância que o próprio povo jamais toleraria.

É certo, como a Igreja entende desde o distante pontificado do Papa Leão XIII (1878-1903), que a chamada questão social jamais será resolvida se nos esquecermos dos valores humanos e evangélicos, pois ela é uma questão do homem e da mulher dos nossos tempos com fome e sede do Absoluto ou de Deus, sem o qual tudo o mais parece sem sentido. Daí dizer aquele Papa o seguinte: “Alguns professam a opinião, assaz vulgarizada, de que a questão social, como se diz, é somente econômica; ao contrário, porém, a verdade é que ela é principalmente moral e religiosa e, por este motivo, deve ser resolvida em conformidade com as leis da moral e da religião”. (Encíclica Graves de communi, 18/01/1901).

Em outras palavras, seguindo a sabedoria bimilenar da Igreja, não se pode fazer verdadeira reforma social sem, antes de tudo, transformar o coração humano em um coração que ama o próximo antes de amar a si. Mais: faz isso por amor de Deus e não por mera filantropia. Qualquer reforma social que não parta da própria reforma interior de cada um de nós está sujeita aos mais vergonhosos fracassos, como já ficou comprovado em diversos países que tentaram destronar Deus para colocar em Seu lugar qualquer outra coisa ou pessoa no campo social e político.

Um dos princípios básicos de todo povo civilizado, que se preze de ter esse adjetivo, tem de ser o respeito à vida desde a sua concepção até o seu natural ocaso. Afinal, que credibilidade teria quem dissesse defender os mais fragilizados, mas advogasse – inclusive oficialmente em um programa político ou legislativo – a morte dos mais inermes e indefesos, como são os nascituros no ventre de suas mães? Ainda: como poderia ser chamado de civilizado um país no qual é roubada a dignidade de viver dos idosos a cambalearem pelas filas de alguns órgãos públicos de saúde ou mesmo em hospitais ou instituições semelhantes?

Como poderia ser tida por avançada uma sociedade que, por meio de suas autoridades maiores e contra o sentimento do povo, investisse pesadamente contra a família, célula mãe da vida social e cultural? É na família que se aprendem os primeiros passos da fé, da honestidade, da partilha (e não do tirar vantagem, especialmente com o que é do outro), do amor, enfim, dos valores humanos e cristãos necessários para a vida saudável em comunidade. Tentar quebrar essa instituição querida por Deus é desejar destruir a sociedade a partir de seus alicerces.

Ora, sem o respeito à religião, à vida e à família não se pode, de modo algum, construir uma sociedade verdadeiramente próspera e respeitável. Todos os artifícios de progresso serão uma quimera, que cedo ou tarde acabarão por ruir. Seu alicerce está sobre a areia movediça e não sobre a Rocha firme que é Deus, criador de tudo e desejoso do bem dos seus filhos e filhas. Os caminhos que não respeitam a fé do povo e seus valores acabam por desencadear em situações irrespiráveis.

A falta de ética na vida pública, especialmente no exercício de um mandato público eletivo, neste caso, é mera consequência. É triste, mas não assusta a quem reflita um pouco. Sim, se não se respeita a fé alheia, a vida, a família etc., que se pode mais esperar? O triunfo ou o fracasso? Esperemos que não seja necessário cantar como a ópera Nabucco de Verdi: “Ó minha pátria, tão bela e perdida”, que foi o hino patriótico dos italianos no final do século XIX. Mas o Salmo a que isso se refere (137) coloca sua confiança no Senhor: “Lembra-te, Senhor!”

Ausente de Deus, na prática a pessoa se julga um deus acima de tudo e de todos, e exige para si prerrogativas especiais acima dos demais seres humanos comuns. É a loucura de alguns governantes que, ao longo da história, atribuíram a si mesmos, inclusive, poderes divinos, ou se faziam adorar pelo povo.

Haverá espaço para a ética aí, a não ser aquela “ética” que leva a tirar vantagens de tudo em nome dos que mais necessitam e, pior, à custa deles? A lei, no caso, será igual para todos, menos para alguns privilegiados? Teríamos dois pesos e duas medidas: na hora que convém, invocar-se-ia a Constituição do País, quando não convém, se fariam críticas ferrenhas a essa mesma Lei Maior? Lembremo-nos, porém, de que o comum não é o normal na vida das pessoas. O sonho desmedido e perpetuado de poder não combina com democracia e com progresso em nenhuma parte do mundo.

Um Estado que se pretendesse totalitário, sufocador e abocanhador das demais instituições, não conseguiria prosperar a não ser pelo império do medo e das ameaças, ou jogos sujos de atirar uns contra os outros e enquanto esses menos avisados brigassem aqui embaixo, os poderosos continuariam imunes lá em cima, usufruindo dos benefícios lícitos que o cargo lhes dá ou dos ilícitos tirados especialmente dos mais necessitados. Necessitados que esses homens e mulheres públicos tanto diriam defender.

Passando ao Brasil, em especial, devemos dizer que o momento é grave e requer o despertar e o aliar-se de todas as forças vivas da Nação, a fim de, juntos, dizermos um forte e rotundo “Não” à corrupção, venha ela de quem vier e de que esfera ou natureza for. Não se podem sacrificar os valores éticos e morais, nem se podem espezinhar os benefícios ao povo sofrido como saúde, moradia, educação, saneamento básico. Afinal, sempre é o povo humilde o mais atingido em meio a esse turbilhão de coisas, que desde algum tempo vem se abatendo sobre o Brasil.

Essas mesmas forças vivas da Nação precisam dizem “Sim” à união de todos os homens e mulheres, independentemente de seu time de futebol, da sua cor de pele, da sua condição social ou de quaisquer outras pequenas diferenças acidentais, a fim de que o mal seja combatido com seriedade, dentro da lei e da ordem e, sobretudo, sem ódio ou revolta contra quem quer que seja, nem luta entre classes. Somos todos irmãos em Cristo Jesus!

É hora de mantermos a unidade nacional, a fim de, unidos, vermos o triunfo do bem nesta Terra de Santa Cruz. Portanto, irmãos e irmãs, que todos nós – católicos, cristãos ou homens e mulheres de boa vontade em geral – apoiemos a melhoria desta grande Nação brasileira de modo firme, mas, ao mesmo tempo, cordato e pacífico, sem ódio ou incitações a revoltas. Já temos violência demais! E, assim, Deus nos abençoará com as mais copiosas graças celestiais.

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, mãe de Jesus, o príncipe da Paz, e também nossa mãe (cf. Jo 19,25-27), dado que somos filhos no Filho (cf. Gl 4,5), intercederá sempre por nós, sobretudo nesta hora decisiva ao povo brasileiro. Amém!

 

Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ

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NOTA DA CNBB SOBRE O MOMENTO ATUAL DO BRASIL

“O fruto da justiça é semeado na paz, para aqueles que promovem a paz” (Tg 3,18)

Nós, bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil–CNBB, reunidos em Brasília-DF, nos dias 8 a 10 de março de 2016, manifestamos preocupações diante do grave momento pelo qual passa o país e, por isso, queremos dizer uma palavra de discernimento. Como afirma o Papa Francisco, “ninguém pode exigir de nós que releguemos a religião a uma intimidade secreta das pessoas, sem qualquer influência na vida social e nacional, sem nos preocupar com a saúde das instituições da sociedade civil, sem nos pronunciar sobre os acontecimentos que interessam aos cidadãos” (EG, 183).

Vivemos uma profunda crise política, econômica e institucional que tem como pano de fundo a ausência de referenciais éticos e morais, pilares para a vida e organização de toda a sociedade. A busca de respostas pede discernimento, com serenidade e responsabilidade. Importante se faz reafirmar que qualquer solução que atenda à lógica do mercado e aos interesses partidários antes que às necessidades do povo, especialmente dos mais pobres, nega a ética e se desvia do caminho da justiça.

A superação da crise passa pela recusa sistemática de toda e qualquer corrupção, pelo incremento do desenvolvimento sustentável e pelo diálogo que resulte num compromisso entre os responsáveis pela administração dos poderes do Estado e a sociedade. É inadmissível alimentar a crise econômica com a atual crise política. O Congresso Nacional e os partidos políticos têm o dever ético de favorecer e fortificar a governabilidade. 

As suspeitas de corrupção devem ser rigorosamente apuradas e julgadas pelas instâncias competentes. Isso garante a transparência e retoma o clima de credibilidade nacional. Reconhecemos a importância das investigações e seus desdobramentos. Também as instituições formadoras de opinião da sociedade têm papel importante na retomada do desenvolvimento, da justiça e da paz social.

O momento atual não é de acirrar ânimos. A situação exige o exercício do diálogo à exaustão. As manifestações populares são um direito democrático que deve ser assegurado a todos pelo Estado. Devem ser pacíficas, com o respeito às pessoas e instituições. É fundamental garantir o Estado democrático de direito.

Conclamamos a todos que zelem pela paz em suas atividades e em seus pronunciamentos. Cada pessoa é convocada a buscar soluções para as dificuldades que enfrentamos. Somos chamados ao diálogo para construir um país justo e fraterno.

Inspirem-nos, nesta hora, as palavras do Apóstolo Paulo: “trabalhai no vosso aperfeiçoamento, encorajai-vos, tende o mesmo sentir e pensar, vivei em paz, e o Deus do amor e da paz estará convosco” (2 Cor 13,11). 

Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, continue intercedendo pela nossa nação!

Brasília, 10 de março de 2016.

Dom Sergio da Rocha                              Dom Murilo S. R. Krieger

    Arcebispo de Brasília-DF                     Arcebispo de S. Salvador da Bahia-BA

   Presidente da CNBB                         Vice-Presidente da CNBB

 

      Dom Leonardo Ulrich Steiner

         Bispo Auxiliar de Brasília-DF

          Secretário-Geral da CNBB

dom_henriqueHora difícil do nosso País!
Mas, também hora de pensar, de refletir com seriedade.
Como filho desta Pátria, não posso e não quero ficar calado!

Nenhum brasileiro deveria se omitir neste momento!
É preciso se manifestar ordeiramente, mas com coragem e compromisso em relação à nossa Pátria! É o futuro do Brasil que está em jogo!

Como brasileiro, sinto orgulho pela atuação do Ministério Público Federal, pela Polícia Federal e pelo Juiz Sérgio Moro!

Parabéns a eles! Parabéns a boa parte dos meios de comunicação pela coragem de uma cobertura investigativa e independente!

Por outro lado, sinto uma tristeza imensa por ver que os políticos do nosso País – políticos que o povo elegeu! – não estão à altura dos acontecimentos! Nossos representantes, de modo geral, estão totalmente desacreditados; além de pesadas dúvidas e algumas certezas quanto à (des)honestidade de vários deles, dão um triste testemunho de falta de amor ao País e de descompromisso com o povo que os elegeu! Que pena: deu tanto trabalho alcançar a democracia! E agora testemunhar um Congresso Nacional moralmente periclitante!
Não esqueçamos disto nas próximas eleições!
Cada brasileiro deveria acompanhar de perto a atuação do seu senador e do seu deputado federal neste momento tão grave! O voto na próxima eleição: eis nosso veredicto!

Devemos nos manifestar! Devemos exigir uma saída institucional e constitucional para a crise! O povo deve mostrar sua indignação e sua determinação de construir um Brasil honesto, justo, livre de corrupção e de engodos ideológicos!

Viva o nosso povo! Viva o Brasil!
O Senhor abençoe a nossa Pátria e dê ao povo brasileiro coragem de tomar sua história nas mãos, sem falsos messias, sem salvadores da pátria, sem enganadores pais dos pobres, sem demagogos que gritam mas não explicam, criando cortinas de fumaça ao invés de esclarecer!
Precisamos de democracia, precisamos de liberdade, precisamos de transparência, precisamos de políticas públicas que promovam a cidadania e não que criem dependência, precisamos de um Estado a serviço dos cidadãos e da sociedade e não de um monstro que tudo abarca, tudo controla, em tudo se mete, tudo engole e tudo corrompe!

Deus salve o Brasil!
Deus ilumine os brasileiros!

NOTA SOBRE O MOMENTO NACIONAL

E nós somos todos irmãos e irmãs (cf. Mt 23,8)

 

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, fiel à missão evangelizadora e profética da Igreja, acompanha, com apreensão e senso de corresponsabilidade, a grave crise política e econômica que atinge o país e, mais uma vez, se manifesta sobre o atual momento nacional. 

Ao se pronunciar sobre questões políticas, a CNBB não adota postura político-partidária. Não sugere, não apoia ou reprova nomes, mas exerce o seu serviço à sociedade, à luz dos valores e princípios fundamentais da Doutrina Social da Igreja. Desse modo, procura respeitar a opção política de cada cidadão e a justa autonomia das instituições democráticas, incentivando a participação responsável e pacífica dos cristãos leigos e leigas na política. 

Neste momento grave da vida do país, a CNBB levanta sua voz para colaborar, fazendo chegar aos responsáveis o grito de dor desta nação atribulada, a fim de cessarem as hostilidades e não se permitir qualquer risco de desrespeito à ordem constitucional. Nenhuma decisão seja tomada sob o impulso da paixão política ou ideológica. Os direitos democráticos e, sobretudo, a defesa do bem comum do povo brasileiro devem estar acima de interesses particulares de partidos ou de quaisquer outras corporações. É urgente resgatar a ética na política e a paz social, através do combate à corrupção, com rigor e imparcialidade, de acordo com os ditames da lei e as exigências da justiça.

Para preservar e promover a democracia, apelamos para o diálogo e para a serenidade. Repudiamos o recurso à violência e à agressividade nas diferentes manifestações sobre a vida política do país, e a todos exortamos com as palavras do Papa Francisco: “naquele que, hoje, considerais apenas um inimigo a abater, redescobri o vosso irmão e detende a vossa mão! (…) Ide ao encontro do outro com o diálogo, o perdão e a reconciliação, para construir a justiça, a confiança e a esperança ao vosso redor” (Mensagem para a Celebração do XLVII Dia Mundial da Paz, 1º de janeiro de 2014, 7). 

Confiamos o Brasil ao Senhor da vida e da história, pedindo sabedoria para os governantes e paz para nosso povo. 

        Imaculada Conceição, vosso olhar a nós volvei, vossos filhos protegei!

Brasília-DF, 08 de dezembro de 2015

             Dom Sergio da Rocha

         Arcebispo de Brasília-DF

           Presidente da CNBB

Dom Murilo S. R. Krieger

           Arcebispo de São Salvador da Bahia- BA

                     Vice-presidente da CNBB

 

 Dom Leonardo Ulrich Steiner

Bispo Auxiliar de Brasília-DF

Secretário Geral da CNBB

 

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Convido-os a acompanharem o Sínodo no caminhar positivo que muito se respira na Sala Paulo VI, e a desse modo seguirem os seus trabalhos.

Foi o convite do Diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, na coletiva desta terça-feira, após esclarecer que a carta de alguns Padres sinodais ao Papa era reservada e que o que foi publicado por algumas fontes não corresponde, nem no texto nem nas assinaturas, à que foi entregue ao Santo Padre, tanto que ao menos quatro cardeais desmentiram.

 

Na realidade, o religioso jesuíta reportou o que efetivamente declarou, a propósito, o Cardeal George Pell: que a missiva ao Pontífice era e deveria permanecer reservada e que o que foi publicado não corresponde, nem no texto, nem nas assinaturas, à que fora entregue ao Papa.

De fato, quatro Padres sinodais – os cardeais Angelo Scola, André Vingt-Trois, Mauro Piacenza e Péter Erdő – desmentiram tê-la assinado.

Por sua vez, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé acrescentou:

“Substancialmente, as dificuldades mencionadas na carta tinham sido evocadas na tarde de segunda-feira, 5 de outubro, na Sala do Sínodo, como havia dito, embora não de modo tão amplo e detalhado. Eu tinha falado de objeções e dúvidas sobre o procedimento. Como sabemos, o secretário geral do Sínodo, Cardeal Baldisseri, e o Papa haviam respondido com clareza na manhã seguinte, terça-feira, dia 6. Portanto, quem, passados alguns dias, deu este texto e esta lista de assinaturas a serem publicadas fez um ato de transtorno não pretendido pelos signatários. Portanto, é preciso não deixar-se condicionar por isso.”

“O porta-voz vaticano explicou ainda que se podem fazer observações sobre a metodologia do Sínodo, que é nova. Isso não surpreende, mas uma vez estabelecida, se procura aplicá-la da melhor forma possível.”

Tanto é assim que “há uma vastíssima colaboração para fazer com que o caminho do Sínodo possa progredir bem”, frisou. Pe. Lombardi ressaltou que, sem dúvida, o clima geral da Assembleia é positivo.

Em seguida, Pe. Lombardi fez-se porta-voz de uma declaração do arcebispo de Durban (África do Sul), Cardeal Wilfrid Fox Napier, a propósito de uma afirmação sua erroneamente reportada numa entrevista:

“A propósito da composição da Comissão de dez membros nomeada pelo Papa para a elaboração do Relatório final do Sínodo, foi escrito erroneamente: ‘Napier questiona o direito do Papa Francisco de fazer essa escolha’. O Cardeal Napier pediu-me para corrigir, afirmando exatamente o contrário: ‘Napier não questiona o direito do Papa Francisco de escolher essa Comissão’.”

Também esteve presente na coletiva de imprensa o abade geral Jeremias Schröder, presidente da Congregação Beneditina de Santa Otília, representando os dez superiores gerais participantes do Sínodo, o qual se deteve sobre a questão da ligação entre a vocação e a vida familiar:

“Muitos jovens monges não mais provêm de famílias católicas bem formadas, muitas vezes o caminho vocacional é, ao mesmo tempo, um caminho catequético, ou seja, o aproximar-se da fé comporta também, posteriormente, a reflexão sobre a vocação. Nesse âmbito estamos vendo mudanças profundas na base social das nossas vocações.”

Em seguida, respondendo à pergunta de um jornalista sobre o tema do diaconato feminino, debatido na Sala do Sínodo, o Rev. Schröder explicou:

“Fiquei impressionado, porque pareceu-me um tema audaz e também, para mim, convincente, tanto que poderia imaginar um caminho dessa natureza. Mas tive a impressão de que esse tema, por agora, não tenha tido uma grande repercussão na Assembleia. Ouvimos uma opinião, mas por enquanto ficou nisso.”

Encontrava-se também entre os participantes da coletiva a consultora e formadora da Federação africana da ação familiar, Thérèse Nyirabukeye, presente no Sínodo na qualidade de auditora. Originária de Ruanda, ela recordou o genocídio no país, vinte anos atrás, e ressaltou a importância da família no processo de reconstrução nacional, porque a família é testemunha de amor e reconciliação, explicou.

Por fim, outra auditora, a diretora do Instituto canadense católico de bioética, Moira McQueen, expressou satisfação pelo papel que tem sido dado aos auditores durante o trabalhos sinodais: “Somos ouvidos e podemos nos pronunciar – disse ela. E esse é um processo democrático.” (RL)

(from Vatican Radio)

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Gualtiero Bassetti, natural da Toscana, arcebispo metropolitano de Perugia, participa do Sínodo porque Francisco o nomeou como Padre sinodal. Ele está entre os cardeais italianos mais próximos de Jorge Mario Bergoglio.

Eminência, por que uma parte da Igreja se opõe à abertura do papa sobre a Eucaristia aos divorciados recasados?

Como eu venho de Marradi e sou um toscano de alma, gostaria de lhe perguntar, com uma brincadeira, de qual Sínodo estamos falando: do da mídia ou do da Igreja Católica? O Sínodo se ocupa da família, da sua vocação, da sua beleza, das suas feridas e da sua capacidade de ainda ser o fundamento da sociedade.

Este Sínodo é um dom para a humanidade inteira, um lugar de debate e certamente não é uma sala parlamentar, como disse o papa, ou um talk show de televisão. Sentimos sobre nós, ao contrário, todo o peso dessa reflexão. Mas o jugo torna-se leve com Jesus Cristo ao lado. O sopro do Espírito Santo não falta e não faltará! Aliás, ele vem depois de 35 anos desde o último Sínodo para a família. De 1980 até hoje, um tsunami varreu a sociedade inteira, e nós, como pastores e como padres, temos o dever de cuidar das famílias.

Qual a profundidade da fissura na Igreja entre os conservadores e os progressistas, ou é uma interpretação jornalística errada?

Relatar as divisões, verdadeiras ou supostas, dentro da Igreja é desde sempre um assunto de grande sucesso na opinião pública. Na realidade, sempre houve uma pluralidade de pontos de vista na Igreja, sobre os mais variados assuntos. Temos testemunhos disso nos Evangelhos e nas cartas de São Paulo.

Mas a unidade da Igreja é uma realidade que vai além das divisões de que você fala. É a realização do testamento de Jesus: ut omnes unum sint, “para que todos sejam um”. Portanto, eu deixaria as “sínteses”, os “progressistas” e os “conservadores” para os políticos e para a sua digníssima atividade. A este Sínodo, ao contrário, foi pedido que se fale com parrésia. É o estilo do Papa Francisco, que pediu um debate franco e aberto. Talvez nunca como agora se tinha realizado um Sínodo tão debatido.

Creio firmemente que todos os Padres sinodais estão aqui com a única intenção de oferecer um serviço para a família em um dos momentos mais difíceis da sua história. Como disse o Santo Padre no domingo de manhã em São Pedro, o que se precisa é “uma Igreja que educa ao amor autêntico, capaz de tirar da solidão, sem esquecer a sua missão de Bom Samaritano da humanidade ferida”.

O que o senhor pensou quando leu a história do padre polonês Charamsa, que declarou a sua homossexualidade e se apresentou à imprensa com o seu companheiro?

Esse fato, para mim, foi uma fonte de grande sofrimento. Tanto para as pessoas envolvidas quanto pelo modo em que foi tornado público. A homossexualidade é uma coisa muito séria e complexa para ser tratada em uma coletiva de imprensa em uma enoteca às vésperas do Sínodo. Esse tipo de saídas públicas não fazem bem a ninguém. As minhas orações, como sempre, continuarão sendo dirigidas a todos. Mas o silêncio e o discernimento, nestes casos, são mais do que um conselho fraterno.

A Igreja pode acolher os casais homossexuais e os divorciados recasados sem comprometer a doutrina?

A Igreja acolhe as pessoas, todas, sem exceção, a exemplo de nosso Senhor, que não desprezou o fato de se aproximar da pecadora ou do publicano. Mas a Igreja tem uma Palavra sua a anunciar, o seu caminho que leva ao Pai a indicar. É um itinerário exigente, que requer contínua conversão e que vale para todos! Muitas pessoas homossexuais vivem na Igreja serenamente, sem dramas. Também para as pessoas divorciadas e recasadas se podem imaginar serviços e tarefas que as faça se sentir membros de uma comunidade, apesar do peso de um matrimônio fracassado.

O senhor acredita que o papel na política dos bispos italianos é justamente menos eficaz do que no passado ou a Igreja deve influenciar as decisões do governo italiano?

Os bispos não fazem política, mas anunciam o Evangelho, e a Igreja não é e nunca foi o sindicato dos católicos. Os católicos, porém, tem uma missão: a de serem o sal da terra. Eles têm algo a oferecer ao mundo. Ou seja, eles têm uma visão altíssima do homem e do mundo. Eles pensam que ambos são dons que devem ser protegidos e preservados com o máximo cuidado.

Na base de tudo, está o conceito de pessoa, porque Deus se fez homem. Quando falamos de cristianismo, não estamos nos referindo a um ideal ou a uma filosofia, mas nos referimos sempre a um fato: ao mistério da Encarnação. Deus se encarnou e veio entre os pobres e foi reconhecido primeiramente pelos pastores, isto é, pelos últimos, pelos rejeitados da sociedade. Jesus nasce como um descarte em uma estrebaria de Belém e certamente não no Hotel Garden de Jerusalém. E, além disso, como um refugiado, vai para o Egito.

Por isso, os católicos têm uma visão do mundo a oferecer para a política, que se baseia na valorização da dignidade humana em todos os momentos da existência e que parte dos mais fracos: os pobres, os migrantes, os concebidos, as crianças, as famílias, os trabalhadores temporários, os desempregados, os escravos modernos, os povos em guerra. E, depois, como consequência, a liberdade religiosa, a liberdade de educação, a paz, uma economia justa, um Estado não opressivo.

A reportagem é de Carlo Tecce, publicada no jornal Il Fatto Quotidiano, 06-10-2015.