Os migrantes, “quase todos jovens”, os abusos sexuais e as outras “deficiências” para as quais a Igreja quer pedir perdão, a questão da sexualidade e da corporeidade, dimensões que não deve ser contidas, mas acompanhadas no desenvolvimento da pessoa: são alguns dos temas que surgiram durante a primeira manhã do Sínodo sobre os jovens que foi aberto na quarta-feira pelo Papa no Vaticano (3-28 outubro). Formada a Comissão para a informação, o cardeal Robert Sarah renunciou por motivos pessoais.

A reunião caiu no dia de São Francisco e começou com as saudações e aplausos ao Papa.

Entre as 25 intervenções da manhã, relatou o prefeito do dicastério do Vaticano para as Comunicações, Paolo Ruffini, em sua primeira reunião na Sala de Imprensa do Vaticano, falou-se sobre a necessidade de ouvir os jovens nas situações concretas em que se encontram, sobe os muitos jovens “descartados” pela sociedade atual, sobre a capacidade de “profecia” de jovens, a dificuldade registrada pela Igreja para transmitir a fé às novas gerações, sobre a pastoral juvenil que não deve “domesticar” os jovens, as relações entre as gerações, mas não faltaram também questões mais controversas. Tais como “o perdão que a Igreja pediu e pede por não ter estado à altura das suas tarefas, em todos os campos, incluindo a temática dos abusos”, disse Ruffini, “mas não só esses: pode-se e deve-se pedir perdão também por outras deficiências que todos nós, sacerdotes, religiosos e leigos, possamos ter tido”, todas questões a serem incluídas no tema mais geral da “credibilidade” da Igreja e no “discernimento” sobre o que a Igreja deve fazer ou que não faz de forma suficiente” a fim de “recuperar a capacidade de escuta” dos jovens.

Foram “cinco ou seis” os padres sinodais que “analisaram abertamente”, o tema do pedido de perdão, explicou a socióloga Chiara Giaccardi, e em outros, foi “subentendido” esse tema como a mais geral “consciência de defeito geral, que é a ponta do iceberg de falhas da Igreja para viver plenamente o próprio mandato”.

Entre as intervenções foi abordado, disse Giaccardi, também o “tema da sexualidade e da corporeidade”, “enfrentado por muitos dos padres sinodais de maneira muito franca e aberta, reconhecendo esta dimensão que não é inimiga do desenvolvimento da pessoa, mas sim, é fundamental, porque não cultivar todas as dimensões da pessoa significa entregá-la às derivas se não à perversão”.

Algumas intervenções, nesse sentido, reconheceram a “falta de acompanhamento dessa dimensão”, e a necessidade de “repensá-la de maneira integral, não só contê-la, mas ajudá-la a se expressar de uma forma que seja bela e desenvolva a personalidade.” O momento de “maior emoção”, disse Ruffini ainda, foi quando se falou de migrantes, “quase todos jovens.”

Durante o relato, moderado pelo diretor da Sala de imprensa do Vaticano, Greg Burke, no qual também participaram o Bispo argentino Carlos José Tissera e o jovem ouvinte vietnamita Joseph Cao Huu Minh Tri, foi anunciado que a comissão para a informação, eleita na quarta-feira, é composta além de Ruffini e do jesuíta Antonio Spadaro, diretor da Civiltà Cattolica, pelos cardeais Wilfried Fox Napier, Louis Antonio Tagle, Gérald Cyprien Lacroix, Christoph Schönborn e o bispo Anthony Fisher. O subsecretário do Sínodo, Dom Fabio Fabene, confirmou que o cardeal Robert Sarah, inicialmente votado, renunciou “por motivos pessoais” e Fox Napier assumiu: “Nada além disso.”

O Papa Francisco “havia convidado à parrésia e acredito que seu convite foi aceito” disse Giaccardi: “Não houve minimizações, edulcorações, houve muita franqueza e autenticidade. É um bom sinal para o início deste Sínodo, não é uma Igreja engessada”. Para Ruffini, “não teve nada que tenha me causado sobressaltos, o que percebi em vez disso é o constante desejo de sonhar com os jovens, tentar ver o mundo através de seus olhos para fazer caminhar com a Igreja com eles”. O padre Spadaro interveio para explicar que tanto a pedido do Papa para fazer três minutos de silêncio após cada cinco intervenções, quanto o convite a não se sentir presos ao texto preparado se encaixam no discernimento tipicamente jesuíta aplicado a um Sínodo que “não é um Parlamento ou uma debate de ideias e opiniões, mas um lugar de discernimento”.

Durante o relato, anunciou Ruffini, não serão indicados os nomes dos padres ou dos ouvintes que fizeram as intervenções, nem será especificado quem disse o que para “relatar o modo como o pensamento do Sínodo na sua comunhão está se formando, em um procedimento tão diferente daquele que em minha experiência anterior como repórter – disse o ex-diretor de TV2000 – vi em diferentes ambientes da Igreja”. Ao jornalista que formulava uma “prece” para ter indicações das identidades e áreas geográficas dos diversos participantes para poder seguir a direção do debate, Greg Burke respondeu, terminando o relato, que “é a primeira vez que terminamos uma conferência de imprensa com uma prece.”

O documento final que será aprovado no final do Sínodo, explicou Fabene, poderia ser aprovado em bloco ou parágrafo por parágrafo: “Vai depender muito de como será feito o documento: não está excluída nem uma nem a outra possibilidade.”

Vatican Insider

O cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício para a Cultura, analisa as mudanças que afetaram a linguagem dos jovens.

Entre os temas que afetam à crucial relação entre a Igreja e os jovens, um aspecto não secundário e recordado durante o Sínodo de bispos, diz respeito à linguagem das novas gerações. Ao Vatican News o Cardeal Gianfranco Ravasi, presidente do Conselho Pontifício da Cultura, explicou que esse tipo de linguagem “adquiriu novas gramáticas expressivas e é necessário – como acontece com um idioma diferente – tentar aprender sua sintaxe, estilo e modalidades”.

As formas da linguagem dos jovens

A linguagem dos jovens, afirma o cardeal Ravasi, se expressa principalmente de três formas.

A primeira modalidade refere-se à frase que é essencial, não subordinada. Essa linguagem, explica o cardeal, manifesta-se também através do símbolo, da imagem. E finalmente, se expressa através da virtualidade, que também é uma realidade porque constitui um vínculo entre as pessoas, embora muito diferente do tradicional.

A linguagem dos jovens e as parábolas de Jesus

Jesus, lembra o cardeal Ravasi, já usou as duas primeiras formas da linguagem usadas pelos jovens. Por um lado, “usa aquilo que os estudiosos, os exegetas chamam de ‘loghion’, que é a frase essencial e sintética: Dai a César o que é de César, dai a Deus o que é de Deus.” Em grego – ele afirma – existem apenas 50 caracteres. “A parábola – diz então o cardeal Ravasi – não é nada além da representação televisiva, visual, de um evento que permite ao espectador entrar nesse horizonte.”

Info-obesidade

Outro traço característico da linguagem dos jovens é a virtualidade “A Igreja – observa o presidente do Conselho Pontifício para a Cultura – deve, em primeiro lugar, reconhecer que ao lado da linguagem tradicional existe uma nova linguagem, que não exclui a anterior, mas que certamente é dominante e é aquela da informática.” Essa linguagem tem “limites inclusive mais pesados do que a anterior”: fala-se explicitamente – recorda o cardeal Ravasi – em “info-obesidade, ou seja, o uso excessivo da virtualidade”. Pessoas irreconhecíveis

O uso excessivo das informações “transforma a pessoa e a torna irreconhecível”. “Vamos pensar, por exemplo – diz o cardeal Ravasi – nas fake news e até mesmo na agressividade na web: as telas das mídias sociais são muitas vezes aterrorizantes porque a pessoa não está mais na ‘dieta’ normal da palavra, do significado e da mensagem, mas está totalmente envolvida por esse novo horizonte”.

Mudando a linguagem

Neste cenário também há grandes vantagens: “A comunicação – conclui o cardeal Ravasi – torna-se muito mais rica, os dados oferecidos são maiores”. “Portanto, a mensagem evangélica deve ser expressa através desse caminho como Paulo fez, quando mudou a linguagem e os símbolos que eram próprios do Evangelho e do mundo hebraico, e introduziu o grego e a reflexão”.

Vatican News

Na próxima quarta-feira, 3 de outubro, o Papa Francisco presidirá a uma solene celebração Eucarística, na Praça São Pedro, no Vaticano, por ocasião da inauguração da XV Assembleia ordinária do Sínodo dos Bispos, que se realizará no Vaticano, de 4 a 25 de outubro próximo, sobre o tema “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional”.

Em vista deste grande evento eclesial, o cardeal-arcebispo de Brasília e Presidente da CNBB, Dom Sérgio da Rocha, divulgou a lista de membros e suplentes eleitos esta Assembleia do Sínodo dos Bispos.

O Cardeal Sérgio da Rocha foi nomeado pelo Papa Francisco como Relator Geral do Sínodo. A sua função será de mediador e responsável de introduzir e sintetizar os assuntos expostos pelos Bispos durante o encontro sinodal.

Os representantes do episcopado brasileiro no Sínodo foram escolhidos durante a 56ª Assembleia Geral da CNBB, realizada em Aparecida, em abril deste ano. Os quatro membros e dois suplentes do Sínodo serão:

– Dom Vilsom Basso, bispo de Imperatriz (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude;

– Dom Eduardo Pinheiro da Silva, bispo de Jaboticabal (SP), ex-presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Juventude da CNBB;

– Dom Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS) e presidente para a Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, que coordenou o processo de elaboração do documento sobre a Formação sacerdotal, aprovado na 56ª Assembleia Geral da CNBB;

– Dom Gilson Andrade da Silva, Bispo auxiliar da arquidiocese de Salvador, que exerce a função de referencial dos Ministérios e Vocações no Nordeste3.

– Dom João Justino de Medeiros, arcebispo coadjutor de Montes Claros (MG) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Educação e Cultura, será o primeiro Suplente;

– Dom Antônio de Assis Ribeiro, bispo auxiliar de Belém (PA), será o segundo Suplente.

– P.e Valdir José de Castro, Superior Geral da Sociedade de São Paulo

– Pe. Alexandre Awi Mello, secretário do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida

Por outro lado, um dos Colaboradores do Secretário Geral do Sínodo será o brasileiro Filipe Alves Domingues, doutorando em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Gregoriana de Roma, especialista em Ética e Mídia.

Entre os Auditores do Sínodo estará Lucas Barboza Galhardo, representante do Movimento de Schoenstatt internacional, membro do Comitê de Coordenação nacional para a Pastoral da Juventude da CNBB.

Por fim, entre os Assistentes da Secretaria Geral do Sínodo estará o sacerdote brasileiro Padre Alberto Montealegre Vieira Neves e o sacerdote da comunidade Católica Shalom, Padre João Wilkes nomeado como ‘colaborador do Secretário Especial do Sínodo’. Padre João atualmente é o Responsável pelo Setor Jovem do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida e trabalha diretamente com a Jornada Mundial da Juventude, no Vaticano.

Unimo-nos em oração pelo Padre João e por todo o Sínodo, para que este novo tempo preparado pelo Espírito seja fonte de Graça para toda a Igreja.

Fonte: Vatican Insider.

O Sínodo dos Bispos, um dos frutos do Concílio, apesar de ser “antiquíssimo em sua inspiração”, foi instituído no dia 15 de setembro de 1965 pelo beato e em breve São Paulo VI, que permitiu uma associação mais direta entre os pastores das dioceses e o Papa, uma vez que cada bispo “possui simultânea e inseparavelmente a responsabilidade pela Igreja particular encomendada a sua guia pastoral e a preocupação pela Igreja universal”. Também o Sínodo dos bispos, explica Francisco, “é chamado, como qualquer outra instituição eclesiástica, a se tornar cada vez mais um canal adequado para a evangelização do mundo atual, mais que para a autopreservação”.

A instituição sinodal foi evoluindo gradualmente com o passar do tempo. Desde que começou seu Pontificado, Francisco prestou “uma particular atenção” ao Sínodo e a seu “desenvolvimento”: “O que deve animar esta obra de renovação é a firme convicção de que todos os pastores estão a serviço do povo santo de Deus, ao qual eles próprios pertencem em virtude do sacramento do Batismo”.

O Papa insiste que, conforme afirma o Concílio, os bispos “quando ensinam” em comunhão como o Pontífice “devem por todos ser escutados” e os fiéis seguir com juízo “o trabalho” de seu bispo. Mas, também é verdade que a vida da Igreja e na Igreja é para cada bispo a condição para o exercício de sua missão de ensinar”. Desta maneira, o bispo “é contemporaneamente mestre e discípulo”. É guia e pastor, mas “é também discípulo quando, sabendo que o Espírito foi conferido a cada batizado, escuta a voz de Cristo que fala através de todo o povo de Deus”, que, como totalidade dos fiéis, “não pode errar no crer”. O bispo, pois, deve “caminhar na frente” de seu rebanho, apontando o caminho, “caminhar no meio, para fortalecer o povo em sua unidade e “caminhar atrás para que ninguém seja deixado para trás”, mas, sobretudo, “para seguir o instinto que o povo de Deus possui para encontrar novos caminhos”. A “voz das ovelhas” deve ser escutada também mediante os órgãos diocesanos que têm a responsabilidade de aconselhar o bispo.

“Também o Sínodo dos bispos – escreve Francisco – deve se tornar cada vez mais um instrumento privilegiado para escutar o povo de Deus”. E, posto que “em sua composição se configura como um organismo essencialmente episcopal” não vive “separado do restante dos fiéis”. Ao contrário, é “um instrumento adequado para dar voz a todo o povo de Deus”.

Por isso, é “de grande importância” que na preparação dos Sínodos “receba uma atenção especial a consulta de todas as Igrejas particulares”. Nesta primeira fase, os bispos, seguindo as indicações da Secretaria Geral, “submetem as questões que serão enfrentadas na assembleia sinodal” aos sacerdotes, aos diáconos e aos fiéis leigos de suas Igrejas, “tanto individualmente, como associados, sem descuidar da preciosa contribuição que possa vir dos consagrados e das consagradas”. É fundamental “a contribuição dos organismos de participação da Igreja particular, especialmente o conselho presbiteral e o conselho pastoral, a partir dos quais verdadeiramente pode começar a tomar forma uma Igreja sinodal”.

Após esta consulta entre os fiéis, durante a celebração do Sínodo, vem “o discernimento por parte dos pastores”, unidos “na busca de um consenso que surge não de lógicas humanas, mas da comum obediência ao Espírito de Cristo”. Tendo presente o sensus fidei do povo de Deus, mesmo que os bispos “devam saber atentamente distinguir dos fluxos muitas vezes mutáveis da opinião pública”. Que o Sínodo tenha normalmente uma função consultiva “não diminui sua importância”, posto que seu fim “é sempre a busca da verdade ou do bem da Igreja”.

Depois da celebração do Sínodo, deve prosseguir “a fase de sua aplicação concreta”, com o objetivo de colocar em andamento, “em todas as Igrejas particulares, a recepção das conclusões sinodais”, aprovadas pelo Papa. Porque “as culturas são muito diferentes entre si e cada princípio geral requer ser inculturado, caso pretenda ser observado e aplicado”.

Podem ser chamados ao Sínodo inclusive pessoas que não sejam bispos. E a própria assembleia do Sínodo pode ser realizada em vários períodos “distintos”. A própria Secretaria Geral, na fase pós-Sinodal, “promove por sua parte, junto com o dicastério competente”, a aplicação concreta “das orientações sinodais” aprovadas pelo Pontífice.

Também, graças ao Sínodo dos bispos, ficará “mais claro” que na Igreja há “uma profunda comunhão tanto entre os pastores e os fiéis, sendo cada ministro ordenado um batizado entre os batizados”, como entre os bispos e o Papa, que é um “bispo entre os bispos, chamado ao mesmo tempo – como Sucessor do apóstolo Pedro – a guiar a Igreja de Roma que preside no amor todas as Igrejas. Isto impede que cada sujeito possa subsistir sem o outro”. Precisamente “animando uma conversão do papado” que o torna mais fiel às “necessidades atuais da evangelização”, o Sínodo, explica Francisco, “poderá contribuir ao seu modo para o restabelecimento da unidade entre todos os cristãos”.

No texto da constituição (que contará com uma instrução para sua aplicação) está incluído uma lista de artigos detalhados com disposições velhas e novas. Entre elas, está a possibilidade de que a Secretaria Geral promova “a convocação de uma reunião pré-sinodal com a participação de alguns fiéis”.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL 442
PELA VIDA, CONTRA O ABORTO

“Não matarás, mediante o aborto, o fruto do seu seio”

(Didaquê, século I)

Exma. Sra. Ministra Carmen Lúcia, Presidente deste Supremo Tribunal Federal, Exma. Sra. Ministra Rosa Weber, relatora da ADPF 442, Sres. Ministros, Senhoras e Senhores,

  1. Razões de ordem ética, moral e religiosa

Eu quero iniciar com um ato de agradecimento à Sra. Exma. Ministra Rosa Weber, que no primeiro dia dessa Audiência a Sra. reconheceu que: “trata-se de um tema jurídico delicado, sensível, altamente polêmico enquanto envolvem razões de ordem ética, moral e religiosa”. Diante disso é estranho, mas querem nos desqualificar como fanáticos e fundamentalistas religiosos impondo sobre Estado Laico uma visão religiosa.

  • Onde está o fundamentalismo religioso em aderir aos dados da ciência que comprovam o início da vida desde a concepção?
  • Onde está o fanatismo religioso, em acreditar que todo atentado contra a vida humana é crime?
  • Onde está o fundamentalismo religioso em dizer que queremos políticas publicas que atendam saúde das mães e os filhos?

Por isso, a “Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reitera sua posição em defesa da vida humana com toda a sua INTEGRALIDADE (dado científico), DIGNIDADE (Art. 1º da Const.) e INVIOLABILIDADE (Art. 5º da Const.), desde a sua concepção até a morte natural” (Nota CNBB, 11/04/2017).

Isso é o mínimo de razoabilidade aceitável que nos permite estar aqui para discutirmos este tema com a recta ratio.

  1. Considerar os reais sujeitos a serem tutelados

Não podemos tratar o assunto negando, deletando, ignorando a existência do bebê. Parece que estamos falando de uma vesícula biliar, de um rim, ou um adendo que precisamos extirpar, que está causando a morte das mulheres. O foco está errado!!! Se é um problema de saúde publica, deve ser tratado e solucionado como tal. Mas não foram poucas vezes que ouvi nesta Audiência a ideia de que é necessário que a mulher supere e transcenda a imposição do papel materno. A ideia do desengravidar as mulheres… isso Exma. Ministra, não tem nada a ver com os artigos 124 e 126 do Código Penal.

Mas a questão jurídica dos números 124 e 126 do Código Penal foi recepcionada sim, por todas as mães que, pensaram em abortar, mas não o fizeram lembrando que é um atentado contra a vida. Se negarmos isso, negaremos a capacidade de discernimento de todas as mulheres que optaram por não abortar para salvaguardar seus filhos. O desacordo não é jurídico. Desabilitando os já referidos números do código penal, este STF estaria desacreditando na consciência reta que tutela a vida mais frágil e inocente que é a do bebê.

O problema que ninguém quer nominar esse inocente. Ele foi apagado, deletado dos nossos discursos para justificar esse intento em nome da autonomia e liberdade da mulher. Mas, a criança em desenvolvimento na 12º semana é uma pessoa, uma existência, um indivíduo real, único e irrepetível e, provavelmente, neste momento, a mãe já escolheu um nome para seu filho.

Nós, brasileiros e brasileiras vamos esperar ansiosamente essa resposta da Suprema Corte: afinal, atentar contra a vida de um ser humano inocente é crime ou não?

Se a questão é de saúde, (Salus – salvar), a lei teria que proteger a mãe e o filho proporcionalmente. Como este STF vai explicar a permissão da pena capital a um ser humano inocente e indefeso para justificar nossa incapacidade de políticas publicas de proteção à sua saúde reprodutiva da mulher?

É assim que o Supremo Tribunal Federal vai garantir a inviolabilidade do direito à vida? Dando uma arma chamada “autonomia” para que homens e mulheres ao seu bel prazer interrompam a vida das crianças até a 12º semana sem precisar dar nenhuma satisfação de seu ato predatório? Esperamos que não, pois,

“O direito à vida é o mais fundamental dos direitos e, por isso, mais do que qualquer outro, deve ser protegido. Ele é um direito intrínseco à condição humana e não uma concessão do Estado. Os Poderes da República têm obrigação de garanti-lo e defendê-lo.

“Não compete a nenhuma autoridade pública reconhecer seletivamente o direito à vida, assegurando-o a alguns e negando-o a outros. Essa discriminação é iníqua e excludente. (Nota CNBB, 11/04/2017).

  1. Propostas alternativas

Então poderíamos nos perguntar: o que fazer?

Urge combater as causas do aborto, através da implementação e do aprimoramento de políticas públicas que atendam eficazmente as mulheres, nos campos da saúde, segurança, educação sexual, entre outros, especialmente nas localidades mais pobres do Brasil” (Nota da CNBB 17/04/2017), e isto não é matéria para ser discutida nesta Suprema Corte e, sim no Legislativo.

Mas, em todo caso, eu convido a Sra., Exma. Ministra Rosa Weber, que antes de tomar sua decisão, conheça pessoalmente ao menos uma, das casas Pró-vida que começam a se espalhar pelo Brasil. Nelas, a Sra. não vai encontrar só mulheres que recepcionaram os números 124 e 126 do Código Penal, não atentando contra a vida inocente, mas também encontrará os filhos que elas não abortaram dizendo: “obrigado porque me deixaram viver!!!”.

A Sra. poderá mostrar ao mundo que nenhuma sociedade democrática está condenada e obrigada a legalizar o aborto por pressões externas. Poderá mostrar que nosso país não se rebaixa para interesses estrangeiros sobre nossa soberania.

Nós também somos capazes de construir projetos sociais alternativos para ajudar as mães a gerar e cuidarem de seus filhos. Essas iniciativas já estão demonstrando que é muito mais eficaz, menos oneroso ao Estado e altamente salutar às mães (mulher), salvaguardar a criança (nascituro), do que dar a essas mulheres mais um trauma e um drama pelo resto de suas vidas. É uma pena que o Estado e muitas Instituições ficaram tão obcecados e limitados com a estreita visão do aborto e da sua legalização que, se pensássemos o uso dessas verbas para projetos alternativos de cuidado e acompanhamento das casas de acolhida, hoje estaríamos com uma visão diferenciada.

Cito apenas algumas delas:

  1. Casa Pró-vida Mãe Imaculada (Curitiba – PR)
  2. Casa Luz (Fortaleza – CE)
  3. Casa mater Rainha da Paz (Canoinhas – SC)
  4. Associação Guadalupe (São José dos Campos – SP)
  5. Casa da Gestante Pró-Vida S Frei Galvão (Nilópolis – RJ)
  6. Pró-Vida de Anápolis (Anápolis – GO)
  7. Comunidade Santos Inocentes (Brasília – DF)

Estamos aqui, porque fazemos parte da maioria dos brasileiros que são movidos pela fé em Deus, mas também pelo cuidado e defesa da vida. Por essa fé, não medimos esforços nos gestos de verdadeira solidariedade, de justiça e de fraternidade.

Tem algo que Deus nos deu e ninguém pode nos roubar que é a esperança. Nossas comunidades, lá nas periferias do nosso país conhecem muito bem quem são as mulheres pobres, negras, sofridas… O que fazemos é mostrar outras saídas, outras alternativas para as mães desesperadas. São milhares de voluntários que, nas diversas pastorais, (gostaria de lembrar de quantas crianças nesse país Pastoral da Criança já salvou) acolhem, atendem, amam o que fazem e, isso não é fundamentalismo religioso, mas o fundamento da VIDA que é o AMOR, e quem ama cuida até o fim.

Pedimos, como CNBB, que esta Suprema Corte não permita a descriminalização do atentado contra a vida nascente.

O nome de muitas mulheres que infelizmente morreram por causa do aborto, aqui, foram lembrados… são perdas irreparáveis. Mas, nesse momento, a minha homenagem é para as crianças que morreram com suas mães, e que não sabemos seus nomes, mas com certeza, suas mães já o sabiam…

Essas crianças anônimas que a sociedade não tem a coragem de nominá-las e as esconde nos seus discursos e retóricas como se não existissem…ELAS EXISTIRAM E EXISTEM, nenhuma sã consciência pode negar isso.

Exma. Ministra Rosa Weber, um dia o grito silencioso desses inocentes calará fundo, pois a nossa nação, Pátria amada, mãe gentil, sentirá falta da alegria e do sorriso desses filhos que ela não deixou nascer. Permita-nos continuar cantando: “Dos filhos deste solo, és mãe gentil, Pátria amada Brasil”

Dom Ricardo Hoepers – Bispo do Rio Grande – RS

Aconteceu nesta sexta-feira, 3 de agosto, e acontecerá na segunda, dia 6, as duas sessões da audiência pública convocada pela ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), para debater a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 442/2017 (ADPF 442), que foi proposta pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL). Esta ADPF questiona os artigos 124 e 126 do Código Penal, que tipificam o crime de aborto, alegando a sua inconstitucionalidade. Assim, o partido socialista propõe a descriminalização do aborto até a 12ª semana de gestação.

Vários bispos católicos brasileiros têm se pronunciado enfaticamente a favor da vida humana em todos os seus estágios, desde a concepção até a morte natural, além de denunciarem as manipulações ideológicas e o ativismo judicial envolvidos na atual e enésima rediscussão do assunto. Os bispos também exortam os cidadãos a se manifestarem com solidez em defesa da vida.

Confira algumas das manifestações do episcopado católico brasileiro:

Dom Washington Cruz, arcebispo de Goiânia (GO):

Juntamente com os bispos auxiliares dom Levi Bonatto e dom Moacir Arantes, bem como todos os membros da União dos Juristas Católicos de Goiânia (Unijuc), emitiu nota de repúdio ao aborto e denunciou  o ativismo judicial que, ao não encontrar abertura no Legislativo, tenta legalizar a prática no Brasil impondo a pauta à sociedade majoritariamente contrária a ela:

“O Congresso Nacional em momento algum se omitiu em tratar do tema e nunca admitiu, como legítimos representantes de toda a nação, a normalização da abominável prática de matar crianças no ventre da mãe. O tema foi judicializado para cortar caminhos e excluir o Congresso Nacional do debate legítimo e democrático processo que vigora no legislativo.

Esse ato fere a organização constitucional dos Poderes e constitui ativismo dentro do Poder Judiciário, que é altamente nocivo às bases do Estado Democrático de Direito em que vivemos, pois realiza uma invasão de competências do Poder Legislativo pelo Judiciário.

Conclamam-se os fiéis a se unirem em oração contínua para que prevaleça, em todas as autoridades dos três Poderes, a consciência do direito natural que sustenta o valor absoluto da vida, bem como a consciência dos fundamentos legais de proteção a esse valor, sem condicionamento, e ainda da harmonia do funcionamento dos Poderes entre si”.

Dom Odelir José Magri, bispo de Chapecó (SC):

“[Exorto] o Supremo Tribunal Federal à defesa da vida desde a concepção até o seu ocaso natural e à garantia das prerrogativas do Congresso Nacional como a instância legitimada para regular a matéria. O aborto não é uma conquista, mas é um drama social que corrói as mesmas raízes da convivência humana.

[Convido] as comunidades a unirem-se em oração e a se mobilizarem, promovendo atividades pelo respeito da dignidade integral da vida humana”.

Dom Luiz Antônio Guedes, bispo de Campo Limpo (SP):

Recordou, conforme o artigo 5º da Constituição Federal, que

“…o direito à vida do ser humano é inato e não outorgado pela sociedade ou pelo governo. A maioria da população brasileira é a favor da vida e contra o aborto [e a] invasão da ‘cultura da morte’, já denunciada por São João Paulo II. Nossa Igreja Particular de Campo Limpo repudia a ADPF 442 proposta ao Supremo Tribunal Federal, bem como o chamado ‘Ativismo do Judiciário’, ou seja, a intromissão do Supremo Tribunal na elaboração de leis, pois essa função compete ao Congresso Nacional”.

Dom Manoel João Francisco, bispo de Cornélio Procópio (PR):

“Como pessoas de fé e como cidadãos e cidadãs, vamos nos manifestar de maneira pública, pacífica e firme. As redes sociais estão aí como instrumentos que podem nos ajudar. Os ministros e ministras do Supremo Tribunal Federal precisam saber que não é de sua competência legislar, nem é direito deles e delas decidir contra a vontade e a consciência da maioria das cidadãs e dos cidadãos brasileiros”.

Dom Severino Clasen, bispo de Caçador (SC):

“[A ADPF 422] ameaça o espaço mais sagrado e seguro da vida humana, o útero materno, desrespeitando e matando a dignidade da mulher que gera vida. Enquanto a sociedade se omite no seu dever de cuidar e criar alternativas para que a mulher se encante com o seu dom de gerar, políticos e grupos tendenciosos, que não têm compromisso com a dignidade, com a ética, com a fé e com o princípio inalienável do cuidado e do acolhimento, estão interessados em aprovar leis para matar nascituros”.

Dom Francisco Carlos Bach, bispo de Joinville (SC):

“Ao invés de apoiarmos o aborto, lutemos para que o projeto de lei 478/2007, conhecido como o ‘Estatuto do Nascituro’, que tramita no Congresso Nacional há mais de uma década, possa ser urgentemente apreciado, aprovado e aplicado”.

Dom Sérgio Aparecido Colombo, bispo de Bragança Paulista (SP):

“O aborto mata não só uma vida indefesa, mas aquela que a gerou, e isso é contra o Projeto do Deus da vida, revelado por Jesus Cristo seu Filho. Acompanhemos com atenção, dando sempre nosso apoio para que a vida prevaleça. Não nos falte a capacidade de indignação diante de tal ameaça, com também a oração para iluminar as mentes daqueles que expressarão sua opinião. Não está em jogo credo ou religião, mas a grandeza e a beleza da vida sempre a ser acolhida e amada. A vida é Dom de Deus e preservá-la é a nossa vocação primeira”.

Fonte: Aleteia

Como os ataques contra o clero católico continuam, e os manifestantes antigoverno são cercados pela polícia e paramilitares, os bispos disseram que realizaram uma oração de exorcismo. Segundo eles, o dia 20 de julho, hoje, seria de oração e jejum como um ato de expiação, pela profanação realizada nos últimos meses contra Deus. Nesse dia, “rezaremos a oração do exorcismo a São Miguel Arcanjo“, afirmaram.

Em 15 de julho, o veículo do bispo Juan Mata Guevara, de Esteli, foi baleado enquanto ele viajava para a cidade de Nindirí, onde esperava deter um ataque da polícia e dos paramilitares. O bispo escapou ileso, mas os pneus do veículo foram furados e as janelas quebradas, disse o padre Victor Rivas, Secretário-Executivo da Conferência Episcopal da Nicarágua.

Um ataque em 14 de julho no campus da Universidade Nacional Autônoma da Nicarágua, em Manágua, deixou 2 estudantes mortos e 15 feridos. Alguns dos manifestantes que fugiam, procuravam abrigo na Igreja da Divina Misericórdia, onde os feridos estavam sendo tratados. Agressores armados impediram que as ambulâncias chegassem à igreja.

Um repórter do Washington Post estava entre os presos na paróquia que os padres disseram ter sido “profanada”. Fotos postadas em mídias sociais mostraram que a Igreja estava cheia de balas.

“Eles estão atirando em uma igreja. O governo diz que respeita os direitos humanos. Isso é respeito aos direitos humanos?”, disse o Erick Alvarado Cole, pároco da Igreja da Divina Misericórdia ao The Washington Post. No dia 9 de julho, o cardeal Leopoldo Brenes Solorzano, de Manágua, seu auxiliar, bispo Silvio José Baez, e o arcebispo Waldemar Stanislaw Sommertag, núncio apostólico, estavam entre os padres de Manágua tentando proteger a Basílica de São Sebastião, na cidade de Diriamba, de uma manifestação pró-governo. O bispo Baez e pelo menos um padre ficaram feridos. Jornalistas também foram atacados e tiveram câmeras e outros equipamentos roubados.

“Nos últimos dias, a repressão e a violência perpetradas pelos paramilitares pró-governo contra as pessoas que protestam civilmente, pioraram. Hoje, como nunca antes, os direitos humanos estão sendo violados na Nicarágua“, afirmaram os bispos em declaração no dia 14 de julho.

“’Membros do diálogo nacional’ – convocados pela Conferência Episcopal – “defensores dos direitos humanos e a mídia independente têm sido objeto de campanhas de difamação por parte do governo”, completaram.

Grupos de direitos humanos estimam que o número de mortos na Nicarágua seja superior a 350 desde 18 de abril, quando houve protestos contra reformas no sistema de seguridade social do país centro-americano. Após essa data, protestos exigiram a destituição do presidente Daniel Ortega que rejeitou propostas para eleições antecipadas e reprimiu protestos com violência.

Nota Oficial da Diocese de Campina Grande sobre a Ideologia de Gênero

Estimados irmãos e irmãs, Fiéis desta Diocese.
“Homem e mulher ele os criou” (Gn 1,27)

Considerando que ‘ser homem’, ‘ser mulher’ é uma realidade boa e querida por Deus e que as pessoas humanas, iguais em dignidade, no seu ‘ser homem’ e no seu ‘ser mulher’, refletem a sabedoria e a bondade do Criador;1

Considerando que ao criar o homem e a mulher Deus instituiu a família humana e dotou-a da sua constituição fundamental, e que a autoridade, a estabilidade e a vida de relações no seio da família constituem os fundamentos da liberdade, da segurança, da fraternidade no seio da sociedade;”2

Considerando que a sociedade doméstica tem sobre a sociedade civil uma prioridade lógica3, que a autoridade civil deve considerar como seu grave dever o de reconhecer e proteger a verdadeira natureza do matrimônio e da família4, de assisti-la e nomeadamente lhe garantir: a liberdade de fundar um lar, ter filhos e educá-los de acordo com as suas próprias convicções morais e religiosas; a liberdade de professar a sua fé, de a transmitir, de educar nela os seus filhos, com os meios e as instituições necessárias.

Considerando ainda as palavras do Santo Padre, o Papa Francisco, de que “existem verdadeiras colonizações ideológicas. E uma delas – digo-a claramente por «nome e apelido» – é o gênero! Hoje às crianças – às crianças! –, na escola, ensina-se isto: o sexo, cada um pode escolhê-lo”;

Fazemos saber a todos os fiéis desta diocese que a teoria de gênero, por determinar que o gênero é uma construção radicalmente independente do sexo, por sua obstinada luta para desconstruir a ideia de ‘ser masculino’ e ‘ser feminino’, por sua encarnada necessidade de demolição do conceito de família biológica tal qual a concebemos, é incompatível com os princípios cristãos, e, por isso, não goza do apoio, acolhimento ou incentivo desta Igreja Particular Diocesana.

Fraternalmente em Cristo Jesus,

Dom Dulcênio Fontes de Matos
Bispo Diocesano de Campina Grande – PB

1 Catecismo da Igreja Católica, § 369.
2 Catecismo da Igreja Católica, §2203, §2207.
3 Leão XIII, Carta encíclica “Rerum Novarum”, 6.
4 II Concílio do Vaticano, Const. past. “Gaudium et spes”, 52.
5 São João Paulo II, Ex. ap. “Familiaris Consortio”, 46; II Concílio do Vaticano, Declaração “Gravissimus Educationis”, 7.

O Parlamento português aprovou neste 13 de abril uma medida que permitirá que adolescentes realizem operações de mudança de sexo a partir dos 16 anos sem relatório ou recomendação médica, uma medida que mereceu a oposição da Igreja Católica, manifestada aos jornalistas pelo Patriarca de Lisboa, Cardeal Manuel Clemente.

A lei foi aprovada com votos favoráveis dos seguintes partidos: PS, BE, PEV e PAN. E teve votos contrários por parte do PSD – com exceção da deputada social-democrata Teresa Leal Coelho – e CDS-PP; o PCP (Partido Comunista Português) absteve-se.

Desta forma, o cidadão com mais de 16 anos pode requerer a mudança de sexo no Cartão do Cidadão, com a autorização dos pais e sem a necessidade de um relatório médico, informou a agência Ecclesia, do episcopado português.

Os bispos católicos alertaram esta quinta-feira para as “possíveis repercussões legislativas e educativas quanto à mudança de sexo”, reafirmando preocupações manifestadas nos últimos anos.

Em outubro de 2017, a CEP manifestara a sua “preocupação” perante as propostas que visavam permitir a menores de idade a mudança de sexo, mesmo contra a opinião dos pais, a partir dos 16 anos.

Quatro anos antes, os bispos católicos publicaram a carta pastoral ‘A propósito da ideologia do género’, na qual sustentava que “no plano estritamente científico, obviamente, é ilusória a pretensão de prescindir dos dados biológicos na identificação das diferenças entre homens e mulheres”.

O mais recente parecer do Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNEV) contestava a “atribuição aos menores de 16 anos da possibilidade de acesso universal a autodeterminação de género, como simples expressão de vontade individual autónoma”, sem acautelar “ponderadamente questões associadas ao seu próprio processo de maturação e desenvolvimento neuro-psíquico”.

Ainda segundo a notícia da agência Ecclesia, uma petição online angariou mais de quatro mil assinaturas, pedindo à Assembleia da República que não aprovasse a lei que permite a mudança de sexo no registo civil aos 16 anos.

Os promotores da iniciativa consideram que a lei “abre a possibilidade ao aparecimento de graves implicações nas vidas das pessoas e das famílias podendo vir a ser um meio de agravamento de situações e de problemas em vez de promover o bem-estar e a qualidade de vida das mesmas”.

Outro prelado português que foi contumaz na sua crítica à nova medida foi Dom Manuel Ortiga, Arcebispo de Braga, quem asseverou na rede social: “Dizia e bem Norberto Bobbio: “a diferença mais importante não é entre quem crê e não crê, mas entre quem pensa e não pensa nas grandes interrogações da existência”. A aprovação da lei da identidade de gênero aprovada no parlamento confirma o pior dos cenários: deixamos de pensar”.

CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ

Carta Placuit Deo
aos Bispos da Igreja católica
sobre alguns aspectos da salvação cristã

I. Introdução

1. «Aprouve a Deus na sua bondade e sabedoria, revelar-se a Si mesmo e dar a conhecer o mistério da sua vontade (cfr. Ef 1,9), segundo o qual os homens, por meio de Cristo, Verbo encarnado, têm acesso ao Pai no Espírito Santo e se tornam participantes da natureza divina (cfr. Ef 2,18; 2 Pe 1,4). […] Porém, a verdade profunda tanto a respeito de Deus como a respeito da salvação dos homens, manifesta-se-nos, por esta revelação, em Cristo, que é, simultâneamente, o mediador e a plenitude de toda a revelação».[1]O ensinamento sobre a salvação em Cristo exige sempre ser aprofundado novamente. A Igreja, tendo o olhar fixo em Cristo Senhor, dirige-se com amor materno a todos os homens, para anunciar-lhes o inteiro desígnio de Aliança do Pai que, mediante o Espírito Santo, deseja «submeter tudo a Cristo» (Ef 1,10). A presente Carta pretende destacar, na linha da grande tradição da fé e com especial referência ao ensinamento de Papa Francisco, alguns aspectos da salvação cristã que possam ser hoje difíceis de compreender por causa das recentes transformações culturais.

II. O impacto das transformações culturais de hoje sobre o significado da salvação cristã

2. O mundo contemporâneo questiona, não sem dificuldade, a confissão de fé cristã, que proclama Jesus o único Salvador de todo o homem e da humanidade inteira (cf. At 4,12; Rom 3,23-24; 1 Tm 2,4-5; Tit 2,11-15).[2]Por um lado, o individualismo centrado no sujeito autônomo, tende a ver o homem como um ser cuja realização depende somente das suas forças.[3]Nesta visão, a figura de Cristo corresponde mais a um modelo que inspira ações generosas, mediante suas palavras e seus gestos, do que Aquele que transforma a condição humana, incorporando-nos numa nova existência reconciliada com o Pai e entre nós, mediante o Espírito (cf. 2 Cor 5,19; Ef 2,18). Por outro lado, difunde-se a visão de uma salvação meramente interior, que talvez suscita uma forte convicção pessoal ou um sentimento intenso de estar unido a Deus, mas sem assumir, curar e renovar as nossas relações com os outros e com o mundo criado. Com esta perspectiva, torna-se difícil compreender o significado da Encarnação do Verbo, através da qual Ele se fez membro da família humana, assumindo a nossa carne e a nossa história, por nós homens e para a nossa salvação.

3. O Santo Padre Francisco, no seu magistério ordinário, referiu-se muitas vezes a duas tendências que representam os dois desvios antes mencionados, e que se assemelham em alguns aspectos a duas antigas heresias, isto é, o pelagianismo e o gnosticismo.[4]Prolifera em nossos tempos um neo-pelagianismo em que o homem, radicalmente autônomo, pretende salvar-se a si mesmo sem reconhecer que ele depende, no mais profundo do seu ser, de Deus e dos outros. A salvação é então confiada às forças do indivíduo ou a estruturas meramente humanas, incapazes de acolher a novidade do Espírito de Deus.[5]Um certo neo-gnosticismo, por outro lado, apresenta uma salvação meramente interior, fechada no subjetivismo.[6]Essa consiste no elevar-se «com o intelecto para além da carne de Jesus rumo aos mistérios da divindade desconhecida».[7]Pretende-se, assim, libertar a pessoa do corpo e do mundo material, nos quais não se descobrem mais os vestígios da mão providente do Criador, mas se vê apenas uma realidade privada de significado, estranha à identidade última da pessoa e manipulável segundo os interesses do homem.[8]Por outro lado, é claro que a comparação com as heresias pelagiana e gnóstica pretende somente evocar traços gerais comuns, sem entrar, nem fazer juízos, sobre a natureza destes erros antigos. De fato, a diferença entre o contexto histórico secularizado de hoje e o contexto dos primeiros séculos cristãos, nos quais estas heresias nasceram, é grande.[9]Todavia, enquanto o gnosticismo e o pelagianismo representam perigos perenes de equívocos da fé bíblica, é possível encontrar uma certa familiaridade com os movimentos de hoje apenas referidos acima.

4. Seja o individualismo neo-pelagiano que o desprezo neo-gnóstico do corpo, descaracterizam a confissão de fé em Cristo, único Salvador universal. Como poderia Cristo mediar a Aliança da família humana inteira, se o homem fosse um indivíduo isolado, que si autorrealiza somente com as suas forças, como propõe o neo-pelagianismo? E como poderia chegar até nós a salvação mediante a Encarnação de Jesus, a sua vida, morte e ressurreição no seu verdadeiro corpo, se aquilo que conta fosse somente libertar a interioridade do homem dos limites do corpo e da matéria, segundo a visão neo-gnóstica? Diante destas tendências, esta Carta pretende reafirmar que, a salvação consiste na nossa união com Cristo, que, com a sua Encarnação, vida, morte e ressurreição, gerou uma nova ordem de relações com o Pai e entre os homens, e nos introduziu nesta ordem graças ao dom do seu Espírito, para que possamos unir-nos ao Pai como filhos no Filho, e formar um só corpo no «primogênito de muitos irmãos» (Rom 8,29).

III. O desejo humano de salvação

5. O homem percebe, direta ou indiretamente, de ser um enigma: eu existo, mas quem sou eu? Tenho em mim o princípio da minha existência? Toda pessoa, a seu modo, procura a felicidade e tenta alcançá-la recorrendo aos meios disponíveis. No entanto, esse desejo universal não é necessariamente expresso ou declarado; ao contrário, esse é mais secreto e oculto do que parece, e está pronto a revelar-se diante de situações específicas. Com frequência, tal desejo coincide com a esperança da saúde física, às vezes assume a forma de ansiedade por um maior bem-estar econômico, mais difusamente expressa-se através da necessidade de uma paz interior e de uma convivência pacífica com o próximo. Por outro lado, enquanto o desejo de salvação se apresenta como um compromisso na direção de um bem maior, esse conserva também uma característica de resistência e de superação da dor. Ao lado da luta pela conquista do bem se coloca a luta de defesa do mal: da ignorância e do erro, da fragilidade e da fraqueza, da doença e da morte.

6. Com relação a estas aspirações, a fé em Cristo ensina-nos, rejeitando qualquer pretensão de auto-realização, que as mesmas somente podem realizar-se plenamente se Deus mesmo as torna possíveis, atraindo-nos a Ele. A salvação plena da pessoa não consiste nas coisas que o homem poderia obter por si mesmo, como o ter ou o bem-estar material, a ciência ou a técnica, o poder ou a influência sobre os outros, a boa fama ou a auto-realização.[10]Nada da ordem do criado pode satisfazer completamente ao homem, porque Deus nos destinou à comunhão com Ele, e o nosso coração permanecerá inquieto até que não repouse Nele.[11]«A vocação última de todos os homens é realmente uma só, a divina».[12]A revelação, desta forma, não se limita a anunciar a salvação como resposta à expectativa contemporânea. «Se a redenção, ao contrário, devesse ser julgada ou medida pela necessidade existencial dos seres humanos, como poderíamos evitar a suspeita de termos simplesmente criado um Deus-Redentor à imagem de nossas próprias necessidades?».[13]

7. Além disso, é necessário afirmar que, segundo a fé bíblica, a origem do mal não se encontra no mundo material e corpóreo, experimentado como um limite e como uma prisão da qual deveríamos ser salvos. Pelo contrário, a fé proclama que o mundo inteiro é bom, enquanto criado por Deus (cf. Gen 1,31; Sab 1,13-14; 1Tim 4,4), e que o mal que mais prejudica o homem é aquele que provém do seu coração (cf. Mt 15,18-19; Gen 3,1-19). Pecando, o homem abandonou a fonte do amor, e se perde em falsas formas de amor, que o fecham cada vez mais em si mesmo. É esta separação de Deus – isto é, Daquele que é fonte de comunhão e de vida – que leva à perda de harmonia entre os homens e dos homens com o mundo, introduzindo a desintegração e a morte (cf. Rom 5,12). Consequentemente, a salvação que a fé nos anuncia não diz unicamente respeito à nossa interioridade, mas ao nosso ser integral. De facto, é a pessoa inteira, em corpo e alma, criada pelo amor de Deus à sua imagem e semelhança, que é chamada a viver em comunhão com Ele.

IV. Cristo, Salvador e Salvação

8. Em nenhum momento do caminho do homem, Deus deixou de oferecer a sua salvação aos filhos de Adão (cf. Gen 3,15), estabelecendo uma Aliança com todos os homens em Noé (cf. Gen 9,9) e, mais adiante, com Abraão e a sua descendência (cf. Gn 15,18). Assim, a salvação divina assume a ordem da criação compartilhada por todos os homens e percorre os seus caminhos concretos na história. Escolhendo para Si um povo, a quem ofereceu os meios para lutar contra o pecado e para se aproximar Dele, Deus preparou a vinda de «um poderoso Salvador, na casa de David, seu servidor» (Lc 1,69). Na plenitude dos tempos, o Pai enviou ao mundo seu Filho, o qual anunciou o reino de Deus, curando todo tipo de doenças (cf. Mt 4,23). As curas realizadas por Jesus, através das quais se tornava presente a providência de Deus, eram um sinal que se referia à sua pessoa, Àquele que se revelou plenamente como Senhor da vida e da morte no acontecimento pascal. Segundo o Evangelho, a salvação para todos os povos começa com o acolhimento de Jesus: «Hoje veio a salvação a esta casa» (Lc 19,9). A Boa Nova da salvação tem um nome e um rosto: Jesus Cristo, Filho de Deus Salvador. «No início do ser cristão, não há uma decisão ética ou uma grande ideia, mas o encontro com um acontecimento, com uma Pessoa que dá à vida um novo horizonte e, desta forma, o rumo decisivo».[14]

9. Ao longo da sua tradição secular, a fé cristã tornou presente, através de muitas figuras, a obra salvífica do Filho encarnado. Fê-lo sem nunca separar o aspecto regenerador da salvação, no qual Cristo nos resgata do pecado, do aspecto da elevação, pelo qual Ele nos faz filhos de Deus, participantes da sua natureza divina (cf. 2 Pe 1,4). Considerando a perspectiva salvífica no seu significado descendente, isto é, a partir de Deus que vem para resgatar os homens, Jesus é iluminador e revelador, redentor e libertador; Aquele que diviniza o homem e o justifica. Assumindo a perspectiva ascendente, isto é, a partir dos homens que se dirigem a Deus, Ele é Aquele que, como Sumo Sacerdote da Nova Aliança, oferece ao Pai o culto perfeito em nome dos homens: se sacrifica, repara os nossos pecados e permanece sempre vivo para interceder a nosso favor. Desta forma, verifica-se na vida de Jesus uma sinergia maravilhosa do agir divino com o agir humano, que mostra a falta de fundamento de uma perspectiva individualista. Assim, por um lado, o sentido descendente testemunha a primazia absoluta da acção gratuita de Deus; a humildade em receber os dons de Deus, antes mesmo do nosso agir, é essencial para poder responder ao seu amor salvífico. Por outro lado, o sentido ascendente recorda-nos que, através do agir plenamente humano de seu Filho, o Pai quis regenerar o nosso agir, para que, assemelhados a Cristo, possamos realizar «as boas obras que Deus de antemão preparou para nelas caminharmos» (Ef 2,10).

10. Para além disso, é claro que a salvação que Jesus trouxe na sua própria pessoa não se realiza somente de modo interior. Assim, para poder comunicar a cada pessoa a comunhão salvífica com Deus, o Filho se fez carne (cf. Jo 1,14). É exatamente assumindo a carne (cf. Rom 8,3; Heb 2,14; 1 Jo 4,2), e nascendo de uma mulher (cf. Gal 4,4), que «o Filho de Deus se fez filho do homem»[15]e, também, nosso irmão (cf. Heb 2,14). Assim, entrando a fazer parte da família humana, «uniu-se de certo modo a cada homem»[16]e estabeleceu uma nova ordem nas relações com Deus, seu Pai, e com todos os homens, na qual podemos ser incorporados para participar na sua própria vida. Consequentemente, assumir a carne humana, longe de limitar a acção salvífica de Cristo, permite-Lhe mediar de maneira concreta a salvação de Deus com todos os filhos de Adão.

11. Concluindo, e para responder, quer seja ao reducionismo individualista da tendência pelagiana, quer seja ao reducionismo neo-gnóstico que promete uma libertação interior, é necessário recordar o modo como Jesus é Salvador. Ele não se limitou a mostrar-nos o caminho para encontrar Deus, isto é, um caminho que poderemos percorrer por nós mesmos, obedecendo às suas palavras e imitando o seu exemplo. Cristo, todavia, para abri-nos a porta da libertação, tornou-se Ele mesmo o caminho: «Eu sou o caminho» (Jo 14,6).[17]Além disso, esse caminho não é um percurso meramente interior, à margem das nossas relações com os outros e com o mundo criado. Pelo contrário, Jesus ofereceu-nos um «caminho novo e vivo que Ele abriu para nós através […] da sua carne» (Heb 10,20). Enfim, Cristo é Salvador porque Ele assumiu a nossa humanidade integral e viveu em plenitude a vida humana, em comunhão com o Pai e com os irmãos. A salvação consiste em incorporar-se nesta vida de Cristo, recebendo o seu Espírito (cf. 1 Jo 4,13). Assim, Ele tornou-se «em certo modo, o princípio de toda graça segundo a humanidade».[18]Ele é, ao mesmo tempo, o Salvador e a Salvação.

V. A Salvação na Igreja, corpo de Cristo

12. O lugar onde recebemos a salvação trazida por Jesus é a Igreja, comunidade daqueles que, tendo sido incorporados à nova ordem de relações inaugurada por Cristo, podem receber a plenitude do Espírito de Cristo (cf. Rom 8,9). Compreender esta mediação salvífica da Igreja é uma ajuda essencial para superar qualquer tendência reducionista. De fato, a salvação que Deus nos oferece não é alcançada apenas pelas forças individuais, como gostaria o neo-pelagianismo, mas através das relações nascidas do Filho de Deus encarnado e que formam a comunhão da Igreja. Além disso, uma vez que a graça que Cristo nos oferece não é, como afirma a visão neo-gnóstica, uma salvação meramente interior, mas que nos introduz nas relações concretas que Ele mesmo viveu, a Igreja é uma comunidade visível: nela tocamos a carne de Jesus, de maneira singular nos irmãos mais pobres e sofredores. Enfim, a mediação salvífica da Igreja, «sacramento universal de salvação»,[19]assegura-nos que a salvação não consiste na auto-realização do indivíduo isolado, e, muito menos, na sua fusão interior com o divino, mas na incorporação em uma comunhão de pessoas, que participa na comunhão da Trindade.

13. Tanto a visão individualista como a visão meramente interior da salvação contradizem a economia sacramental, através da qual Deus quis salvar a pessoa humana. A participação, na Igreja, à nova ordem de relações inauguradas por Jesus realiza-se por meio dos sacramentos, entre eles, o Baptismo que é a porta,[20]e a Eucaristia que é fonte e culmine.[21]Assim, se vê, a inconsistência das pretensões de auto-salvação, que contam apenas com as forças humanas. Pelo contrário, a fé confessa que somos salvos por meio do Baptismo, que imprime o caráter indelével de pertencer a Cristo e à Igreja, do qual deriva a transformação do nosso modo concreto de viver as relações com Deus, com os homens e com a criação (cf. Mt 28,19). Assim, purificados do pecado original e de todo pecado, somos chamados a uma nova vida em conformidade com Cristo (cf. Rom 6,4). Com a graça dos sete sacramentos, os crentes continuamente crescem e se regeneram, sobretudo, quando o caminho se torna mais difícil e as quedas não faltam. Quando eles pecam, abandonam o amor por Cristo, podendo ser reintroduzidos, por meio do sacramento da Penitência, à ordem das relações inaugurada por Jesus, para caminhar como Ele caminhou (cf. 1 Jo 2,6). Desta forma, olhamos com esperança para o juízo final, no qual cada pessoa será julgada pelo amor (cf. Rm 13,8-10), especialmente pelos mais fracos (cf. Mt 25,31-46).

14. A economia salvífica sacramental opõe-se ainda às tendências que propõem uma salvação meramente interior. De facto, o gnosticismo está associado a um olhar negativo sobre a ordem da criação, inclusive, como uma limitação da liberdade absoluta do espírito humano. Consequentemente, a salvação é vista como libertação do corpo e das relações concretas que a pessoa vive. Pelo contrário, como somos salvos «por meio da oferta do corpo de Jesus Cristo» (Heb 10,10; cf. Col 1,22), a verdadeira salvação, longe de ser libertação do corpo, compreende também a sua santificação (cf. Rom 12,1). O corpo humano foi modelado por Deus, que nele inscreveu uma linguagem que convida a pessoa humana a reconhecer os dons do Criador e a viver em comunhão com os irmãos.[22]O Salvador restabeleceu e renovou, com a sua Encarnação e o seu mistério pascal, esta linguagem originária, e comunicou-a na economia corporal dos sacramentos. Graças aos sacramentos, os cristãos podem viver fielmente à carne de Cristo e, consequentemente, em fidelidade à ordem concreta das relações que Ele nos deu. Esta ordem de relações requer, de maneira especial, o cuidado pela humanidade sofredora de todos os homens, através das obras de misericórdia corporais e espirituais.[23]

VI. Conclusão: comunicar a fé, esperando o Salvador

15. A consciência da vida plena, na qual Jesus Salvador nos introduz, impulsiona os cristãos à missão de proclamar a todos os homens a alegria e a luz do Evangelho.[24] Neste esforço, eles estarão também prontos para estabelecer um diálogo sincero e construtivo com os crentes de outras religiões, na confiança que Deus pode conduzir à salvação em Cristo «todos os homens de boa vontade, em cujos corações a graça opera ocultamente».[25]Ao dedicar-se com todas as suas forças à evangelização, a Igreja continua a invocar a vinda definitiva do Salvador, porque «na esperança fomos salvos» (Rom 8,24). A salvação do homem será plena somente quando, depois de ter vencido o último inimigo, a morte (cf 1 Cor 15,26), participaremos plenamente da glória de Cristo ressuscitado, que leva à plenitude a nossa relação com Deus, com os irmãos e com toda a criação. A salvação integral, da alma e do corpo, é o destino final ao qual Deus chama todos os homens. Fundamentados na fé, sustentados pela esperança, operantes na caridade, seguindo o exemplo de Maria, a Mãe do Salvador e a primeira dos que foram salvos, estamos certos de que nossa cidadania “está nos céus, de onde certamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo. Ele transfigurará o nosso pobre corpo, conformando-o ao seu corpo glorioso, com aquela energia que o torna capaz de a si mesmo sujeitar todas as coisas”(Fil 3,20-21).

O Sumo Pontífice Francisco, no dia 16 de fevereiro de 2018, aprovou esta Carta, decidida na Sessão Plenária desta Congregação no dia 24 de janeiro de 2018, e ordenou a publicação.

Dado em Roma, na Sede da Congregação para a Doutrina da Fé, no dia 22 de fevereiro de 2018, Festa da Cátedra de São Pedro.

+ Luis F. Ladaria, S.I.
Arcebispo titular de Thibica
Prefeito

+ Giacomo Morandi
Arcebispo titular de Cerveteri
Secretário


[1] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Dei Verbum, n. 2.

[2] Cf. Congregação para a Doutrina da Fé, Decl. Dominus Iesus (6 de agosto de 2000), nn. 5-8: AAS 92 (2000), 745-749.

[3] Cf. Francisco, Exort. apost. Evangelii gaudium(24 de novembro de 2013), n. 67: AAS105 (2013), 1048.

[4] Cf. Id., Carta enc. Lumen fidei (29 de junho de 2013), n. 47: AAS 105 (2013), 586-587; Exort. apost. Evangelii gaudium, nn. 93-94AAS (2013), 1059; Discurso aos representantes do V Congresso nacional da Igreja italiana, Florença (10 de novembro de 2015)AAS 107 (2015), 1287.

[5] Cf. Id., Discurso aos representantes do V Congresso nacional da Igreja italiana, Florença (10 de novembro de 2015)AAS 107 (2015), 1288.

[6] Cf. Id., Exort. apost. Evangelii gaudium, n. 94AAS105 (2013), 1059: «o fascínio do gnosticismo, uma fé fechada no subjetivismo, onde apenas interessa uma determinada experiência ou uma série de raciocínios e conhecimentos que supostamente confortam e iluminam, mas, em última instância, a pessoa fica enclausurada na imanência da sua própria razão ou dos seus sentimentos»; Pontíficio Conselho para a Cultura –– Pontifício Conselho para o diálogo Inter-religioso, Jesus Cristo, portador da água viva. Uma reflexão cristã sobre a “New Age” (janeiro de 2003), Cidade do Vaticano 2003.

[7] Francisco, Carta enc. Lumen fidei , n. 47: AAS 105 (2013), 586-587.

[8] Cf. Id., Discurso aos participantes da peregrinação da diocese de Brescia (22 de junho de 2013): AAS 95 (2013), 627: «neste mundo onde nega-se o homem, onde se prefere andar na estrada do gnosticismo, […] do “sem carne” – um Deus que não se fez carne […]».

[9] De acordo com a heresia Pelagiana, desenvolvida durante o século V ao redor de Pelágio, o homem, para cumprir os mandamentos de Deus e ser salvo, precisa da graça apenas como um auxílio externo à sua liberdade (como luz, exemplo, força), mas não como uma sanação e regeneração radical da liberdade, sem mérito prévio, para que ele possa realizar o bem e alcançar a vida eterna.

Mais complexo é o movimento gnóstico, surgido nos séculos I e II, que manifestou-se de formas muito diferentes. Em geral, os gnósticos acreditavam que a salvação é obtida através de um conhecimento esotérico ou “gnose”. Esta gnose revela ao gnóstico sua essência verdadeira, isto é, uma centelha do Espírito divino que habita em sua interioridade, que deve ser libertada do corpo, estranho à sua verdadeira humanidade. Somente assim o gnóstico retorna ao seu ser originário em Deus, de quem ele afastou-se pela queda original.

[10] Cf. Tomás, Summa theologiae, I-II, q. 2.

[11] Cf. Agostinho, Confissões, I, 1: Corpus Christianorum, 27,1.

[12] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, n. 22.

[13] Comissão Teológica Internacional, Algumas questões sobre a teologia da redenção, 1995, n. 2.

[14] Bento XVI, Carta enc. Deus caritas est (25 de dezembro de 2005), n. 1: AAS 98 (2006), 217; cf. Francisco, Exort. apost. Evangelii gaudium, n. 3AAS 105 (2013), 1020.

[15] Irineu, Adversus haereses, III, 19,1: Sources Chrétiennes, 211, 374.

[16] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, n. 22.

[17] Cf. Agostinho, Tractatus in Ioannem, 13, 4: Corpus Christianorum, 36, 132: «Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14, 6). Se você busca a verdade, siga o caminho; porque o caminho é o mesmo que a verdade. A meta que se busca e o caminho que se deve percorrer, são a mesma coisa. Não se pode alcançar a meta seguindo um outro caminho; por outro caminho não se pode alcançar a Cristo: a Cristo se pode alcançar somente através de Cristo. Em que sentido se chega a Cristo através de Cristo? Se chega a Cristo Deus através de Cristo homem; por meio do Verbo feito carne se chega ao Verbo que era no princípio Deus junto a Deus.

[18] Tomás, Quaestio de veritate, q. 29, a. 5, co.

[19] Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 48.

[20] Cf. Tomás, Summa theologiae, III, q. 63, a. 3.

[21] Cf. Conc. Ecum. Vat. II, Const. dogm. Lumen gentium, n. 11; Const. Sacrosanctum Concilium, n. 10.

[22] Cf. Francisco, Carta enc. Laudato si’ (24 de maio de 2015), n. 155: AAS 107 (2015), 909-910.

[23] Cf. Id., Carta apost. Misericordia et misera (20 de novembro de 2016), n. 20: AAS 108 (2016), 1325-1326.

[24] Cf. João Paulo II, Carta enc. Redemptoris missio (7 de dezembro de 1990), n.40: AAS 83 (1991), 287-288; Francisco, Exort. apost. Evangelii gaudium, nn. 9-13AAS105 (2013), 1022-1025.

[25] Conc. Ecum. Vat. II, Const. past. Gaudium et spes, n. 22.

 

terco-e-terno

É tristemente comum a confusão que perdura no meio de muitos cidadãos, inclusive católicos, no tocante à diferença entre política e politicagem, ou política e partidarismos. O católico não deve fazer politicagem, mas deve fazer política.

Política é apenas a participação ativa e consciente nas decisões da sociedade, o que não é apenas um direito, mas também uma obrigação moral: ninguém pode se isentar da sua cota de responsabilidade nas decisões da sua própria comunidade. Somos TODOS responsáveis, em alguma medida, pelos rumos da nossa pátria, do nosso Estado, da nossa cidade, do nosso bairro, da nossa rua.

A Igreja deixa esta responsabilidade bem clara na sua doutrina social – e o Papa Francisco nos lembra disso com frequência. 

A fim de reforçar esta consciência, compartilhamos a seguinte mensagem de Dom Gil Antônio Moreira, arcebispo de Juiz de Fora, no Estado brasileiro de Minas Gerais:

* * *

Consta dos princípios cristãos o dever de colaborar com a sociedade na busca do bem comum. É ‘sagrado’ o dever de participar leal e responsavelmente da vida pública e política, buscando uma sociedade justa, fraterna e pacífica. A Igreja faz isto a partir do Evangelho cujo núcleo é a pessoa de Jesus Cristo, que veio para salvar a pessoa humana de forma integral e definitiva.

Para esclarecer sobre a participação do fiel cristão na vida pública, social e política, o Pontifício Conselho “Justiça e Paz” publicou no ano de 2004 o Compêndio da Doutrina Social da Igreja, que estabelece balizas para este fim.

São João Paulo II, na encíclica Sollicitudo Rei Socialis (1987), enfatizava que não é possível amar o próximo como a si mesmo e perseverar nesta atitude sem firme e constante determinação de empenhar-se em prol do bem de todos e de cada um, porque todos nós somos verdadeiramente responsáveis por todos.

Já o Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), na Constituição Conciliar Gaudium et Spes, proclamava que as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, são as mesmas da Igreja.

Este dever de colaboração social é também um direito que a democracia, regime que todos prezamos, garante a todos os cidadãos, independentemente de credo religioso. O direito democrático prevê a liberdade de expressão e garante a liberdade religiosa como algo inalienável na construção da civilização. Tais direitos estão explícitos na Constituição Federal Brasileira nestes termos: Art. 5.º, inciso VI: é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias. O inciso VIII garante aos que creem o direito de expressão e todos os demais diretos comuns a todos os demais cidadãos: ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.

O referido direito é internacionalmente reconhecido, como se pode ver na Declaração Universal dos Direitos Humanos em seu artigo 18: Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião. Este direito importa a liberdade de mudar de religião, ou convicção, bem assim a liberdade de manifestá-las, isoladamente ou em comum, em público ou em particular, pelo ensino, pelas práticas, pelo culto e pela observância dos ritos. Defendendo os mesmos direitos, o Pacto de São José da Costa Rica, do qual o Brasil é signatário, reza em seu artigo 12: Toda pessoa tem direito à liberdade de consciência e de religião.

Por esses e por outros artigos de leis, nenhum governo, nenhum ideólogo nem qualquer outra pessoa pode, em nome da laicidade, impedir ou cercear a ação dos cidadãos que professam uma religião. Em nome da laicidade, ninguém, a não ser que seja totalitarista ou deseje impor uma ditadura destruidora da democracia, pode negar à Igreja o direito de existir e de se posicionar, de ensinar a seus fiéis e de expressar publicamente suas convicções a respeito da dignidade humana, mesmo porque, esta matéria não é um artigo da sua dogmática, mas faz parte de uma ordem natural aceitável pela pura razão humana.

O Estado pode e deve ser laico, mas não pode ser laicista, nem pode impor uma única religião a ser seguida, como também não pode impor o ateísmo como regra geral ao seu povo, mesmo porque isto já seria uma posição religiosa praticada por ele.

O povo brasileiro, em sua imensa maioria, é fiel e temente a Deus e merece ser respeitado no que lhe atribui a legislação. O respeito e a defesa do direito à prática religiosa são indispensáveis para que haja paz e justiça para todos; do contrário, cair-se-ia no caos social.

Dom Gil Antônio Moreira
Arcebispo de Juiz de Fora

Aleteia Brasil

family-pier-man-woman-39691

A Conferência Episcopal Dominicana (CED) fez um novo apelo para proteger a dignidade da mulher e para defender a vida e a família, esta última ameaçada pela ideologia de gênero, inventada pelas “elites de certos países ricos” a fim de destruir a família, promovendo a libertinagem sexual em adolescentes e jovens, o homossexualismo e o aborto.

Os bispos fizeram esta advertência em sua Carta Pastoral “A Mulher na Sociedade Dominicana”, publicada por ocasião da Festa de Nossa Senhora da Altagracia, padroeira do país. No texto também exortaram as autoridades a impedir mais atos violentos contra as mulheres, promovendo o respeito à sua dignidade.

“As elites de certos países ricos, donos dos grandes laboratórios e fábricas de armas mortais, sob o pretexto da superpopulação com o apoio de organismos internacionais de prestígio, inventaram a ideologia de gênero, cujo propósito principal encoberto é destruir a família e acabar com todos os princípios éticos e morais”.

“Essa corrente ideológica – denunciaram – é a promotora da libertinagem sexual em adolescentes e jovens, do homossexualismo, do lesbianismo e do aborto”.

Em sua carta, os bispos recordaram que o Papa Francisco “faz uma alerta sobre esta corrente ideológica” que “nega a diferença e a reciprocidade natural do homem e da mulher”.

“O ‘masculino’ e o ‘feminino’ diferenciam dois indivíduos que têm a mesma dignidade, que não possuem uma igualdade estática, porque o especificamente feminino é diferente do especificamente masculino. Ambos se complementam, não só do ponto de vista físico, mas também psíquico e ontológico. Deus confia a esta unidade não só a procriação, como também a construção da história”, assinalou a CED.

A respeito do aborto, os bispos advertiram que “nenhum católico” deve ter “a menor dúvida de que é um dos piores crimes da humanidade”.

“Como sublinha o Papa Francisco: ‘O aborto não é um mal menor: é um crime. É descartar um para salvar o outro. É aquilo que a máfia faz. É um crime. É um mal absoluto’. E acrescenta: ‘É necessário reiterar a oposição mais firme a qualquer atentado ao direto à vida, especialmente a vida inocente e indefesa, e o neonato no seio materno, que é o inocente por antonomásia’”, acrescentaram.

O Episcopado também denunciou “o tráfico de pessoas” ao qual são submetidas muitas mulheres. “O país foi identificado como fornecedor de mulheres para o negócio ilícito da indústria do ‘entretenimento mundial’. Nesta ordem, esperamos que sejam realizados maiores esforços na aplicação da lei 137-03 que condena o tráfico ilícito de pessoas”, exortaram.

Em seu texto, os bispos destacaram que, apesar das dificuldades, “nossas mulheres, generosas e trabalhadoras estão cheias de esperança, com a consciência de que todo seu sofrimento não será em vão e que chegará o dia em que se acenderá a luz da ressurreição em nosso povo e haverá respeito à dignidade humana, oportunidade de educação e de trabalho para todos e onde florescerão a unidade, o amor, a paz e a felicidade para todas nossas famílias dominicanas”.

Do mesmo modo, recordaram o papel da mulher na vida da Igreja.

“Com o Pontificado do Papa Francisco, está sendo impulsionada a diretriz mais carente, a participação da mulher. Ele considera que nenhuma outra criatura viu brilhar sobre ela o rosto de Deus como Maria, que deu um rosto humano ao Verbo eterno, para que todos pudessem contemplá-lo”, expressaram.

A República Dominicana “tem mais de 100 congregações femininas. Este fermento do Reino de Deus possui o endereço, em diversos pontos do país, de numerosos centros: educativos, assistenciais, de saúde, espiritualidade, comunicação e outros”.

Os bispos concluíram a sua carta pastoral convidando a respeitar a dignidade da mulher “e, especialmente, a educar as crianças, adolescentes e jovens para que façam o mesmo”. “Nada de violência contra a mulher, que não sejamos capazes de danificar a linda obra do Criador!”, expressaram.

ACI

mullercardenalalarg

Em relação com os “dubia” apresentados pelos quatro cardeais acerca da exortação “Amoris laetitia”, o Cardeal Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, intervém novamente afirmando que “neste momento não é possível uma correção do Papa porque não há nenhum perigo para a fé”. O cardeal, em uma entrevista com Fabio Marchese Ragona, do Tgcom24, no âmbito do programa Estancias Vaticanas, também expressou irritação após a publicação dos “dubia”.

Como podemos recordar, pouco mais de um mês após a apresentação dos cinco “dubia” (sobre a interpretação de “Amoris laetitia”, a propósito dos sacramentos para os divorciados que novamente casaram, apresentados de acordo com a modalidade técnica de uma petição de esclarecimentos à Congregação para a Doutrina da Fé) os quatro cardeais signatários, Walter Brandmüller, Raymond Leo Burke, Carlo Caffarra e Joachim Meisner, decidiram publicá-los na mídia. A publicação aconteceu poucos dias antes do Consistório de outubro de 2016. Nas semanas seguintes, o Cardeal Burke falou em diversas ocasiões de uma possível e próxima “correção formal” do Papa, caso não houvesse nenhuma resposta. Em uma entrevista com o Vatican Insider, o Cardeal Brandmüller indicou que essa correção seria realizada em primeira instância em “camera caritatis” e, portanto, que não seria publicada.

Agora, o Prefeito da Doutrina da Fé parece afastar a hipótese da “correção”. Todos, disse Müller ao Tgcom24, “especialmente os cardeais da Igreja Romana, tem o direito de escrever uma carta ao Papa. No entanto, fiquei surpreso porque esta foi tornada pública, quase obrigando o Papa a dizer “Sim” ou “Não”. Não gosto disto. Inclusive uma possível correção fraterna do Papa”, acrescentou,” parece-me muito distante, não é possível neste momento, pois não se trata de um perigo para a fé, como disse São Tomás”.

O Prefeito do ex-Santo Ofício continuou: “Estamos longe de uma correção e digo que é um ultraje para a Igreja discutir estas coisas publicamente. “Amoris laetitia” é muito clara na sua doutrina e podemos interpretar toda a doutrina de Jesus sobre o matrimônio, toda a doutrina da Igreja, em 2000 anos de história”. O Papa Francisco, concluiu o cardeal, “pede para que saibamos discernir a situação dessas pessoas que vivem em uma união não-regular, ou seja, que não estão de acordo com a doutrina da Igreja sobre o casamento, e pede que ajudemos essas pessoas a encontrar um caminho para uma nova integração na Igreja segundo as condições dos sacramentos e da mensagem cristã do matrimônio. Mas eu não vejo nenhuma contraposição: por um lado, temos a doutrina clara sobre o casamento, por outro, a obrigação da Igreja de se preocupar com essas pessoas em dificuldade”

Vatican Insider