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O diretor do Escritório de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, desmentiu que o Papa Francisco esteja pensando em criar cardeal a uma mulher, tal como assegurou o jornal espanhol El País em 22 de setembro.

El País publicou em 22 de setembro o artigo informativo “Uma mulher cardeal?”, no qual indicava que “não se trata de uma brincadeira. É algo que está passando pela cabeça do Papa Francisco: criar cardeal a uma mulher”.

A notícia foi logo divulgada por diversos meios de imprensa seculares.

Entretanto, em comunicação com o grupo ACI em 25 de setembro, o Padre Federico Lombardi desprezou a informação do jornal espanhol, indicando que de jeito nenhum está certo.

“Não se pode ter El País como uma fonte do Vaticano”, assinalou o porta-voz da Santa Sé.

O blogueiro católico Elentir, ao referir-se a este caso no seu blog Contando Estrelas, advertiu com um tom irônico que o jornal El País “já pode ler os seus pensamentos e convertê-los em notícia: fez isso com o Papa”.

“Toda a notícia, se é que podemos chamar isto de notícia, parece uma mera manifestação dos desejos do seu redator, e não de fatos noticiáveis”, criticou.

Esta não é a primeira vez que o jornal espanhol manipula informação relacionada ao Papa Francisco, pois, como criticou o Bispo de São Sebastião (Espanha), Dom José Ignacio Munilla, ao destacar na sua primeira página que o Santo Padre disse que “jamais fui de direita”, El País junto com La Vanguardia “se equivocaram plenamente ou tentaram deformar a realidade. Acho que não entenderam o contexto em que foi pronunciada”.

Em dias prévios à celebração da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Rio 2013, celebrada no fim de julho, El País assegurou que o Papa nos seus discursos faria referência aos protestos que ocorreram no Brasil nesses dias, ao considera-los “justos e acordes com o Evangelho”.

Nessa ocasião, o Padre Lombardi desmentiu o meio espanhol e esclareceu que “o jornal El País não é a fonte dos discursos do Papa”.

Já em 2006, El País inventou um suposto apoio do Papa Bento XVI às negociações iniciadas pelo governo da Espanha, com José Luis Rodríguez Zapatero, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) à cabeça, com o grupo terrorista ETA.

Nessa ocasião, o então delegado diocesano de meios de comunicação da Arquidiocese de Madri, Pe. Manuel Bru, desmentiu firmemente as conjecturas de El País, assinalando que este atribuiu “falsamente ao Santo Padre Bento XVI um apoio explícito ao mal chamado processo de paz”.

Em 24 de janeiro deste ano, o jornal espanhol teve que deter a circulação de toda a edição do dia, depois de fazer-se público que a foto de capa, em que aparecia Hugo Chávez Frías entubado, era falsa.

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 Em uma publicação no seu site Contando Estrelas, o blogueiro católico Elentir advertiu que o jornal espanhol El País “já pode ler os seus pensamentos e convertê-los em notícia: fez isso com o Papa”, em referência à notícia publicada pelo jornal espanhol de que o Santo Padre estaria pensando em criar cardeal a uma mulher.

Na sua edição de 22 de setembro El País, assegurando que “não se trata de uma brincadeira”, publicou que está “passando pela cabeça” do Papa Francisco criar cardeal a uma mulher.

Elentir assinala que ao procurar dentro do texto da notícia a fonte de El País, não encontrou “nem rastro”.

“Nem o clássico ‘fontes de…’, nem nenhuma outra das fórmulas parecidas que a imprensa usa para penetrar qualquer tipo de intrigas”.

“Toda a notícia, se é que podemos chamar isto de notícia, parece uma mera manifestação dos desejos do seu redator, e não de fatos noticiáveis. O mais surpreendente é que uma ‘notícia’ redigida deste jeito foi reproduzida por outros meios… citando como fonte o jornal El País: o jornal peruano La República, o jornal mexicano El Universal, Peru 21 e Teletica de Costa Rica”. Também no Brasil a notícia foi divulgada por diversos meios de comunicação.

O blogueiro critica também que, na sua notícia sobre o Papa, o jornal espanhol desobedeceu às normas escritas em seu próprio livro de estilo sobre as fontes.

Com efeito, o livro de estilo de El País assegura que “as informações das quais dispõe um jornalista só podem ser obtidas por duas vias: a sua presença no lugar dos fatos ou a narração por uma terceira pessoa. O leitor tem direito a conhecer qual das duas possibilidades se corresponde com a notícia que está lendo”.

Para conseguir isso, diz o manual para os jornalistas de El País, “citar-se-á sempre uma fonte quando o jornalista não tenha estado presente na ação que transmite. Se a informação proceder de uma só pessoa, falar-se-á de ‘fonte’ em singular”.

Elentir assinalou que “tenho certeza de que há exemplares deste livro a disposição na redação, e como nem imagino a possibilidade de que El País seja capaz de inventar uma notícia, tenho que deduzir que esse jornal pode ler os pensamentos alheios”.

“E é que já vi esse jornal publicar uma foto falsa de Chávez, publicar como verdadeira uma entrevista falsa do Papa; propagar boatos alheios; chamar de ‘anticientíficos’ aqueles que consideram que um feto humano é um ser humano, para depois afirmar que as meninas abortadas são mulheres e que os fetos de tartarugas são tartarugas”.

“Mas inventar uma notícia colocando a mente do Papa como fonte? Pode ser que El País tenha perdido o sentido do ridículo em muitos sentidos, mas atribuir-se a faculdade de ler pensamentos já seria o fim da picada”.

Elentir assinalou que certamente “na redação de El País poderão nos dar uma explicação mais convincente, como por exemplo, que se reuniram com o Papa e Francisco resolveu confessar ao jornal anticatólico o que não disse para mais ninguém”.

“Em todo caso, pergunto-me se os capacetes de papel alumínio que faziam os protagonistas do filme ‘Sinais’ (2002) de M. Night Shyamalan servirão para fugir das possíveis faculdades adivinhatórias do jornal de (a editorial) PRISA”.

“Talvez tenhamos que recomendar ao Papa Francisco que se faça um para que os redatores de El País não achem que têm acesso aos seus pensamentos”, concluiu.

Terra

O cardeal Keith O’Brien, que renunciou ao cargo de chefe da Igreja Católica na Escócia após admitir má conduta sexual, vai deixar o país para cumprir meses de “oração e penitência”, disse o Vaticano nesta quarta-feira.

Um breve comunicado do Vaticano não disse para onde vai viajar O’Brien, que já foi o líder católico mais importante da Grã-Bretanha, nem explicou porque ele estava deixando a Escócia.

Mas o Vaticano espera que o anúncio resolva uma questão que contribuiu para uma sensação de crise na Igreja Católica.

O cardeal renunciou ao cargo de arcebispo de St. Andrews e Edimburgo em 25 de fevereiro, depois de três padres e um ex-padre da Escócia terem se queixado de incidentes de má conduta sexual que remontam à década de 1980.

O’Brien inicialmente rejeitou as alegações publicadas em um jornal britânico e disse que estava buscando aconselhamento jurídico. Mas depois ele pediu desculpas pela má conduta.

O Vaticano disse nesta quarta-feira que sua saída foi decidida “de acordo com o Santo Padre”, sem determinar se foi uma ordem do próprio papa Francisco.

O’Brien deixará a Escócia por “vários meses, para o propósito de renovação espiritual, oração e penitência”, acrescentou o Vaticano.

Ele está deixando o país pelas mesmas razões pelas quais decidiu não participar do conclave que elegeu o papa Francisco em 13 de março, segundo o comunicado do Vaticano, sem entrar em mais detalhes.

(Reportagem de Philip Pullella)

BBC

O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, disse que pode permanecer até um ano na embaixada do Equador em Londres, onde está refugiado desde junho

Mesmo que isso ocorra, Assange estará longe de bater o recorde para casos desse tipo, que pertence ao cardeal húngaro, Jozsef Mindszety.

O religioso passou 15 anos na embaixada dos Estados Unidos em Budapeste, na Hungria, fugindo da perseguição do regime soviético.

O drama teve início durante a chamada Guerra Fria, na madrugada do dia 4 de novembro de 1956. Um levante anticomunista estava sendo articulado, mas Mindszenty, que era o líder da Igreja Católica na Hungria e um notório opositor do regime, recebera informações de que tropas soviéticas haviam chegado à cidade para suprimir o movimento.

O cardeal se viu às voltas com uma escolha difícil: fugir ou ficar e ser preso.

Durante a Segunda Guerra Mundial, Mindszenty já havia sido aprisionado pelas autoridades simpatizantes dos nazistas e se converteu em um crítico mordaz do governo comunista que se instalara na Hungria após a guerra.

Como resultado, ele passou oito anos na prisão, acusado de traição e foi libertado alguns dias antes do 4 de novembro de 1956 por forças contrárias ao governo comunista envolvidas no levante.

Por isso, Mindszenty decidiu fugir.

Abrigo

Não muito longe dali, na embaixada americana, o sargento Gerald Bolick terminava sua ronda matinal quando avistou, olhando pela janela, quatro pessoas que se aproximavam: dois vestiam uniformes do Exército e dois vestiam roupas eclesiásticas pretas.

“Então, corri pelas escadarias abaixo e abri a porta.”

Naquele momento, contou Bolick, a embaixada recebeu uma mensagem codificada de Washington. “Se o cardeal aparecer, dê abrigo a ele – era mais ou menos o conteúdo da mensagem”.

Bolick e a pequena equipe de fuzileiros navais responsáveis por proteger a embaixada se viram às voltas com um problema.

“Os soviéticos tinham ocupado a Rádio Magyar. Eles transmitiram uma mensagem dizendo que iam entrar na embaixada e levar o cardeal. E que isso aconteceria durante a noite”.

Os fuzileiros se prepararam para o ataque, reunindo todas as armas de que dispunham.

“Não íamos entregá-lo sem uma boa luta”, relembra o sargento. “Quem quer que tivera a ideia de tirar o cardeal da embaixada, com certeza era um incompetente”.

Após algumas horas de tensão, ficou claro que os soviéticos não iam invadir a embaixada. Mas o levante tinha sido suprimido. Os comunistas, com o apoio da União Soviética, retomaram o poder e milhares de húngaros foram aprisionados.

Dentro da embaixada, os aposentos do chefe da missão foram alocados ao cardeal. Eram duas salas – uma grande e uma pequena – e um pequeno banheiro. A embaixada era uma mansão de cinco andares situada em uma esquina no centro de Budapeste.

Passeios no pátio

Aos poucos, a vida do cardeal Mindszenty entrou em uma rotina, que incluía passeios diários em um pequeno pátio atrás do prédio. Durante essas caminhadas, os guardas ficavam de prontidão, atentos à possível presença de atiradores. Três lados do pátio eram cercados de prédios que com frequência eram usados pela polícia húngara.

Aquela rotina ainda era a mesma quando, 14 anos mais tarde, o jovem diplomata americano William Shepard assumiu seu posto na embaixada. O cardeal, no entanto, tinha aprendido a falar inglês.

Durante sua primeira caminhada com o cardeal no pátio, Shepard se deu conta de que as forças de segurança não haviam se esquecido do religioso dissidente.

“Saí com ele e várias janelas se abriram. Era noite e havia flashes por toda a parte”, contou. “O que está acontecendo?”, perguntei.

“Esses são os fotógrafos comunistas – a AVO (polícia secreta)- Eles estão tirando a sua foto. A ideia é que você se sinta intimidado.”

Shepard se encontrava regularmente com o cardeal.

“Ele nunca impunha sua presença. Eu olhava e, de vez em quando, lá estava ele no meu escritório. Eu me levantava e perguntava se ele queria conversar um pouco”, o diplomata recordou. “Mas na verdade, ele passava a maior parte do tempo no seu escritório”

O cardeal ocasionalmente relaxava. “Não sei ao certo se ele tinha uma TV, mas sei que às vezes ele assistia a filmes”. Segundo o diplomata, o cardeal havia detestado um filme baseado em sua própria história que assistira.

O clima político foi melhorando aos poucos e muitos dos presos foram libertados. Após debater “o caso da Hungria” durante anos, a ONU aceitou formalmente, em 1963, as credenciais do novo governo húngaro.

No entanto, tirar o cardeal da embaixada continuava sendo um problema. O religioso tinha ficado no centro de um impasse da Guerra Fria que envolvia o governo húngaro, a União Soviética, os Estados Unidos e o Vaticano. Pessoalmente, ele relutava em fazer qualquer acordo enquanto os comunistas permanecessem no poder.

“Do seu ponto de vista, as coisas eram muito rígidas”, contou o diplomata. “Não somos livres agora, deveríamos ser – então por que negociar com essas pessoas?” – era a lógica do cardeal, nas palavras de Shepard.

Mas Mindszenty também teria demonstrado, em raras ocasiões, sua frustração. “Lembro que um dia, após uma missa na embaixada, ele disse – a ninguém em particular: ‘O que estou fazendo aqui? Tantas pessoas precisando de ajuda. O que estou fazendo aqui?'”

Aceno

Por volta de 1971, os Estados Unidos tentavam melhorar suas relações com a Hungria. Com o apoio dos americanos, um acordo foi feito, apesar de alguma resistência por parte do cardeal: Jozsef Mindszenty deixaria a embaixada no dia 28 de setembro de 1971.

Sua partida seria mantida em segredo, não haveria multidões para assistir à sua saída. A rua em torno da embaixada foi bloqueada e o parque em frente ao prédio estava vazio.

Mas a esposa de Shepard, Lois, havia decidido que alguém precisava ser testemunha daquele momento, os primeiros passos do cardeal fora da embaixada em 15 anos.

“A porta se abriu, e eu consigo ver a cena até hoje. Ele parou ali, com seu suntuoso manto vermelho, e acenou largamente, como que para multidões”, diz Lois Shepard.

“Eu estava parada ao lado do meu carro e acenei de volta, sorrindo. Ele sorriu para mim, ele me viu. Entrou no carro, as cortinas pretas foram puxadas nas janelas e ele se foi.”

O cardeal voou para Roma, onde publicou as memórias que escrevera durante o período na embaixada.

Jozsef Mindszenty morreu no exílio, em Viena, em 1975, aos 83 anos.

Dentro do prédio da embaixada americana em Budapeste, uma placa comemora o seu hóspede com a estadia mais longa.

O Papa Bento XVI lamentou a morte do “intrépido” cardeal brasileiro Dom Eugenio de Araújo Sales, arcebispo emérito do Rio de Janeiro e influente figura do episcopado brasileiro, que faleceu nesta terça-feira aos 91 anos.

“Quero manifestar meus pêsames aos bispos, seus auxiliares, ao clero, às comunidades religiosas e aos fiéis da arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, que tiveram por três décadas um intrépido pastor”, escreveu o Papa em um telegrama enviado ao arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta.

“Foi um autêntico testemunho do Evangelho em meio a seu povo. Dou graças ao Senhor por ter dado à Igreja pastor tão generoso”, completa a nota do Sumo Pontífice.

“Em 70 anos de sacerdócio e 58 de no episcopado, sempre quis indicar o caminho da verdade na caridade e servir à comunidade, prestando particular atenção aos mais desfavorecidos, fiel a seu lema episcopal “impendam et superimpendar”, recorda a nota, em uma referência à Carta de São Paulo aos Coríntios: “De mui boa vontade darei o que é meu, e me darei a mim mesmo pelas vossas almas, ainda que, amando-vos mais, seja menos amado por vós”.

Designado cardeal por Paulo VI em 1969, Dom Eugenio Sales foi por 30 anos arcebispo do Rio de Janeiro e era o cardeal mais idoso da Igreja.

Com sua morte, o colégio cardinalício conta com 208 membros, entre eles 121 eleitores no caso de conclave ou eleição do Papa.

Nascido em 8 novembro de 1920, Eugenio de Araújo Sales foi ordenado padre aos 23 anos e promovido por Paulo VI, em 1968, a arcebispo de Salvador, Bahia. Participou em várias sessões do Concílio Vaticano II (1962-1965).

Outros três cardeais, o alemão Joseph Ratzinger, atual pontífice, o brasileiro Paulo Evaristo Arns (90 anos) e o americano William Wakefield Baum (85 anos), foram designados por Paulo VI.

Que perfil um bispo deveria ter hoje? A etimologia da palavra “bispo”, a sua jornada, os vícios que podem perturbar a sua missão, as relações com as más línguas, ou com o mundo midiático, ou com outras fés, ou com os não crentes: o cardeal Carlo Maria Martini reflete sobre tudo isso em seu novo livro, intitulado Il vescovo [O bispo] (Ed. Rosenberg & Sellier, 92 páginas).

Publicamos aqui um trecho da obra, divulgado no jornal Corriere della Sera, 22-01-2012. A tradução é de Moisés Sbardelotto.

***

” Os evangelhos não falam longamente da incredulidade, porque naquela tempo ela não estava na moda. Hoje, nos definimos com prazer como ateus ou agnósticos, ou pessoas indiferentes ao problema de Deus. Não devemos nos iludir que, mesmo nas dioceses mais tradicionais, são numericamente poucos aqueles que pertencem a essas categorias, assim como aqueles que vivem de fato longe de qualquer atividade pastoral. Estes recebem informações sobre a Igreja sempre filtradas pelos jornais ou pela televisão, onde é trendy – isto é, na moda – falar com frieza ou arrogância de coisas religiosas.

O arcebispo Montini, que ocupou a cátedra de Santo Ambrósio por mais de oito anos e depois se tornou o Papa Paulo VI, constantemente se fazia a pergunta: “O que o homem moderno pensará ou entenderá do que eu digo?”Importava muito a impressão que o seu discurso e a sua ação podiam criar sobre os não crentes e os não praticantes.

O bispo deverá se lembrar que foi enviado a uma Igreja local, isto é, a uma Igreja existente em um lugar onde não nem todos hoje podem se considerar cristãos autênticos. Isso determinará sobretudo a sua linguagem, porque ela deverá ser entendida o máximo possível até por aqueles que não acreditam ou não praticam.

O bispo deverá aprenderá a distinguir entre as pessoas apáticas ou arrastadas pela deriva das modas e os interlocutores cuidadosos e atentos aos valores. Ele pode fazer muito por estes últimos. É importante que ele reflita muito sobre essa sua responsabilidade e pense nos instrumentos dos quais pode se servir para ir ao encontro dessas pessoas.

Pessoalmente, em Milão, eu instituí a Cátedra dos Não Crentes, com a qual eu entendia que também poderia pôr em cátedra os não crentes e aprender a escutá-los, mesmo que com uma escuta crítica. Uma das coisas as quais eu estava mais atento era que não se fizesse apenas uma lição acadêmica, mas que o relator soubesse escutar dentro de si as palavras que um rabino disse a alguém que o assediava com argumentos contra a existência de Deus: “Mas talvez seja verdade”.

É claro que a Cátedra dos Não Crentes pressupõe um ouvinte atento e qualificado, que exerça um juízo crítico sadio. O bispo julgará se se sente apto a propor um tal exercício um pouco “inquietante”. Também por isso eu pedia que as irmãs, assim como as pessoas chamadas “da paróquia”, não fossem.

Pouco a pouco, mudei um pouco a fórmula para aquela que consiste em colocar a não fé e a fé em contato com os grandes problemas do mundo. Normalmente, eu me reservava a conferência conclusiva, que consistia em expressar em voz alta os pensamentos e os sentimentos que as conferências anteriores tinham me suscitado. Repensando isso, parece-me que esses encontros me ajudaram muito a ampliar a mente e a saber ouvir, sem preconceitos, os argumentos de cada um. (…)

Entre as acusações mais frequentemente dirigidas contra a Igreja há aquela de ser rica .Na Itália, a Igreja possui muitas obras de arte, igrejas e palácios importantes, embora, todos os dias, ela custe a encontrar o dinheiro necessário para pagar os seus colaboradores leigos, por exemplo os sacristães. Vendendo algumas dessas obras, se poderia obter muito dinheiro. Mas nós somos considerados responsáveis por  esse tesouro: portanto, não é lícito renunciar a eles.


Zenit

O cardeal arcebispo de Milão, em sua primeira entrevista após sua nomeação, enfrenta uma variedade de temas pastorais e o próximo Encontro Mundial das Famílias, que acontecerá na capital lombarda em 2012.

Na entrevista concedida pelo Cardela Scola ao jornal católico italiano Avvenire – a primeira após o retorno á “sua” terra  ambrosiana, em 25 de setembro – fala dos desafios e compromissos da Igreja, dos crentes, da cidade. O cardeal lidera uma das maiores dioceses do mundo, Milão, com um rito próprio, o ambrosiano.

Antes patriarca de Veneza e pertencente ao movimento Comunhão e Libertação, sobre a situação da diocese ambrosiana à sua chegada, confessa:

O verme que corrói a cultura e inclusive muitos batizados é a objeção segundo a qual Cristo é um fato do passado. No entanto, Cristo é contemporâneo, para limitar-me à pergunta diria que no povo ambrosiano pude perceber a presença atual do Senhor”.

Como estar à altura deste dever?

“O ponto é o seguinte – responde: tomar consciência de que somos, por graça do Espírito, o ‘sinal’ e o ‘instrumento’, como se lê na Lumen Gentium, da contemporaneidade de Cristo. Porque, como Kirkegaard afirmou agudamente: só quem me é contemporâneo pode me salvar. O fato de não estar consciente disto produz um ‘fazer’ carregado de generosidade, mas que, muitas vezes, está fragmentado e, portanto, dificilmente é comunicável”. “A fragmentação é uma armadilha muito perigosa”, assevera.

Milão se prepara para acolher o Encontro Mundial das Famílias, no final de maio de 2012. O que se pode esperar?

“São três os aspectos valiosos para mim deste grande evento que o cardeal Tettamanzi tanto quis – explica o sucessor. A escolha do tema é em si mesmo, muito feliz: oferece uma extraordinária oportunidade para reconduzir à unidade as dimensões da vida comum a todo ser humano: os afetos, o trabalho, a festa. O evento como tal, colocará à prova o nosso senso de hospitalidade. Muitos milhares de famílias chegarão de todo o mundo. Se há uma terra da hospitalidade é a ‘terra do meio”, que é Milão. Poderá sugerir também uma forma de olhar a partir de uma perspectiva nova o problema da imigração. Que seja enfrentado de forma equilibrada, sendo ao mesmo tempo magnânimo”.

E o Papa estará presente…:

“Este é o maior presente. O Papa Bento virá até nós, e não como alguém que chega de fora. O sucessor de Pedro é, por sua natureza, imanente a toda igreja particular. Sua extraordinária vinda nos ajudará a entender sua presença ordinária entre nós. Converter-se-á em uma ocasião para redescobrir este fator que dá plenitude e o dever de dever cumprido à nossa Igreja ambrosiana”.

Em Milão, assim como em outras partes, se propõem outros modos de entender e definir a família:

“Proponho voltar às coisas em si mesmas, chamando-as pelo seu nome próprio. O nome ‘família’ se refere ao matrimônio entendido como relação pública, estável, aberta à vida, entre um homem e uma mulher. Respeitamos todas as pessoas, não há uma pretensão de julgar aqueles que não compartilham da nossa visão e pensam poder realizar de outra maneira sua própria personalidade e sua própria esfera afetiva. Estamos abertos a ver como se regulam em termos rigorosos seus pedidos, mas sem que isto, indo além da esfera de um adequado direito privado, altere direta ou indiretamente o autêntico conceito de família”.

Em relação à presença dos cristãos de hoje na nossa sociedade, o cardeal Scola aponta

“o caminho do testemunho que vem da experiência de relações profundas, constitutivas, que exaltam a liberdade e passam através de um modo de transmitir no dia a dia incontido e aberto a todos. Aí está o verdadeiro motivo que nos faz recomeçar a cada manhã. Somos uns apaixonados pela missão, isto é, por comunicar, cheios de gratidão, o que gratuitamente nos foi dado”.

Sobre como se regeneram as relações às vezes irrecuperáveis, inclusive na comunidade cristã, o arcebispo de Milão assinala que

“o homem só se move verdadeiramente por convicções. Perguntemo-nos por um instante: o que me persuade verdadeiramente? Me persuade verdadeiramente perceber com clareza que seguir Cristo me ‘convém’, que seguir Cristo me faz completamente homem”. “Que este seja o caminho nos testificam os mártires”, acrescenta. “Mais do que nunca, no atual marco histórico de transição rápida e não sem traumas, os cristãos são chamados a passar de uma fé por convenção a uma fé por convicção”, destaca.

E como se dá isso na “sua” Milão?

“No milanês, por exemplo, pode-se experimentar ainda o gosto pelo trabalho de que fala Péguy: o trabalho deve ser bem feito, independentemente de seu valor de mercado. Percebe-se que isto produz uma trama de relações tendencialmente boas com os outros e com a criação. Mas se o trabalho é vivido separadamente dos afetos, pode também assumir uma fisionomia paroxística (o ‘trabalho’ um defeito muito milanês). A pessoa necessita de um centro: se existe, todas as dimensões vitais se desenvolvem harmonicamente e inclusive quando entram em tensão, não destroem nunca a unidade do eu”.

“No povo italiano resta uma tradição cristã – comenta. Não é uma mera questão de igrejas mais ou menos cheias, mas de reconhecer que grande parte do nosso povo está vinculada à grande tradição cristã. A questão é como acompanhar as diferentes modalidades de participação em uma pertença plena na Igreja: a de que se compromete para além da missa dominical”. “Estou convencido de que esta ação eclesial tem uma influência benéfica sobre a sociedade civil. Na história de Milão sempre foi assim. É necessário voltar a entender que não é uma lei para converter um cidadão, mas que se trata da virtude. Santo Tomás dizia que o objetivo da lei é educar a viver segundo a virtude”.

Na homilia da sua posse em Milão falou do “ofício de viver” que esmaga homens e mulheres das gerações intermediárias:

“Preocupa-me o fato de que as gerações intermediárias – responde –, dos 20 aos 60 anos, tenham desaparecido da vida eclesial e muitas vezes da vida civil, porque estão pressionados pelo afã da vida cotidiana, dos ritmos de trabalho, pelas feridas afetivas”.

“Estas pessoas não são contrárias à fé – explica –, mas não conseguem ver uma relação de sua existência com esta. Esta é a razão pela qual a ação da Igreja deve ser realizada nos ambientes da vida, entre as pessoas. A paróquia é o eixo central, porque é a ‘igreja’ entre as casas, mas não podemos esperar que as pessoas batam à nossa porta”.

Quem mais se ressente com a perspectiva do curto prazo desta sociedade são os jovens, inquietos, “indignados” e às vezes inclusive enfadados.

“Quando me reúno com eles – conclui o cardeal Scola –, o que já me aconteceu muitas vezes ainda que por um período breve de tempo, destaco como todos dizem a eles que são ‘o futuro’, mas isto não será possível se não forem o presente. Isto exige educação, que consiste na transmissão aos jovens do dever cumprido de viver. Penso que a escola e a universidade devem ser consideradas em termos não apenas da reforma estrutural, mas da concepção. A relação com o mundo do trabalho, portanto, não pode ser puramente instrumental: a educação está dotada de um valor em si mesmo, que é anterior à funcionalidade do resultado escolar. Fora deste amplo horizonte, todos os discursos dirigidos aos jovens soam demagógicos”.

Na Ordem dos Bispos:


Antonio Naguib, Patriarca de Alexandria dos Coptas – Egito

Na Ordem dos Presbíteros:


Raymundo Damasceno Assis, Arcebispo de Aparecida – Brasil

Reinhard Marx, Arcebispo de Munique – Alemanha

Medardo Joseph Mazombwe, Arcebispo-Emérito de Lusaka – Zâmbia

Kazimierz Nycz, Arcebispo de Varsóvia – Polônia

Laurent Monsengwo Pasinya, Arcebispo de Kinshasa – RD do Congo

Malcom Ranjith Patabendige Don, Arcebispo de Colombo – Sri Lanka

Paolo Romeo, Arcebispo de Palermo – Itália

Raúl Eduardo Vela Chiriboga, Arcebispo-Emérito de Quito – Equador

Donald William Wuerl, Arcebispo de Washington – Estados Unidos

Na Ordem dos Diáconos:

Angelo Amato (Itália), Prefeito da Congregação para a Causa dos Santos

Fortunato Baldelli (Itália), Penitenciário-Mor

Raymond Leo Burke (Estados Unidos), Prefeito da Signatura Apostólica

Velasio De Paolis (Itália), Presidente da Prefeitura para Assuntos Econômicos da Santa Sé

Kurt Koch (Suíça), Presidente do Pontifício Conselho para a Unidade dos Cristãos

Francesco Monterisi (Itália), Arcipreste da Basílica de São Paulo Extramuros

Mauro Piacenza (Itália), Prefeito da Congregação para o Clero

Gianfranco Ravasi (Itália), Presidente do Pontifício Conselho para a Cultura

Robert Sarah (Guiné) Presidente do Pontifício Conselho Cor Unum

Paolo Sardi (Itália), Pró-Patrono da Ordem de Malta

Cardeais acima de 80 anos e, portanto, não-eleitores:


Domenico Bartolucci (Itália), Maestro da Capela Sistina

Walter Brandmüller (Alemanha), Presidente-Emérito do Comissão Pontifícia de Ciências Históricas

José Manuel Estepa Llaurens (Espanha), Ordinário Militar Emérito

Elio Sgreccia (Itália), Presidente-Emérito da Pontifícia Academia para a Vida
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Entenda quem são os Cardeais:

cardeal02.jpgDo latim cardinis, em português significa gonzo ou eixo, algo que gira, neste caso em torno do Papa. Cardeal é um alto cargo da Igreja Católica que gira em torno do Santo Padre, assistindo-o em diversas competências. São também chamados de purpurados, devido à cor vermelho-carmesim das vestimentas, são considerados como “príncipes da Igreja”. O título de Cardeal foi reconhecido pela primeira vez durante o pontificado do Papa Silvestre I, de 314 a 335.

Os cânones 349 a 359 descrevem as responsabilidades do Colégio Cardinalício (nome dado ao grupo de Cardeais da Igreja Católica).

O cânon 349 afirma: Os Cardeais da Santa Igreja Romana constituem um Colégio especial cuja responsabilidade é prover à eleição do Romano Pontífice, de acordo com a norma do direito peculiar; assim mesmo, os Cardeais assistem o Romano Pontífice, tanto colegialmente quando são convocados para tratar juntos questões de mais importância, como pessoalmente, mediante as diversas funções que desempenham, ajudando sobretudo ao Papa em seu governo cotidiano da Igreja universal.

Existem três tipos ou ordens de cardeais: os cardeais-bispos, cardeais-presbíteros ecardeais-diáconos. Antes do século XIII, a palavra cardeal designava uma função, mas com o tempo passou a designar uma dignidade, embora nunca perdesse a sua ligação com o Papa. Já no Concílio Romano de 769 se achou conveniente eleger o Papa de entre os cardeais-presbíteros ou cardeais-diáconos e, no século IX com o Papa João VIII, são os cardeais que administram Roma e outras dioceses.

Cardeal-bispo ou cardeal da Ordem dos Bispos é um dois mais importantes prelados da Igreja Católica. Originalmente este era o título daqueles escolhidos para presidir a uma das sete dioceses suburbicárias (são dioceses localizadas em torno de Roma, na região do Lácio, Albano, Frascati, Palestrina, Porto-Santa Rufina, Sabina-Poggio Mirteto e Velletri-Segni).

Em 1965 o Papa Paulo VI pelo motu proprio Ad purpuratorum patrumdecretou que também os Patriarcas das Igrejas Católicas de Rito Oriental elevados ao Colégio Cardinalício passariam a fazer parte da Ordem dos cardeais-bispos ficando hierarquicamente imediatamente a seguir dos demais cardeais-bispos suburbicários.

Os cardeais-bispos embora recebam o título de uma igreja suburbicária de Roma não possuem, desde o pontificado do Beato João XXIII quaisquer poderes de administração sobre as mesmas dioceses que possuem um outro bispo residencial. Mantem-se contudo a tradição dos Cardeais tomarem posse das Igrejas de que são titulares e de colocarem na fachada da Igreja o respectivo brasão de armas.

Cardeal-presbítero é um cardeal da ordem dos presbíteros. Formam a mais numerosa ordem dentro do Colégio de Cardeais. Formalmente estão acima da ordem dos cardeais-diáconos e abaixo dos cardeais-bispos, mas deve ressaltar-se que isso não envolve uma questão de maior ou menor autoridade. Tanto é que tanto os cardeais-diáconos como os cardeais-presbíteros são, em quase sua totalidade, bispos de importantes dioceses espalhadas por todos os pontos do globo.

cardeal03.jpgOs cardeais dividem-se em ordens, e, ao contrário do que popularmente se imagina não são um grau superior dentro da hierarquia da Igreja. A maioria dos cardeais pertencem à ordem dos cardeais-presbíteros, e a cada um destes é confiado um título na cidade de Roma. A cada cardeal-diácono é confiada uma diaconia na mesma cidade.

O Papa João XXIII, pelo motu proprio “Cum gravissima“, de 15 de abril de 1962, conservou a divisão do Colégio Cardinalício nas três ordens já apontadas, mas dispôs que todos devem receber a ordenação episcopal. É, contudo, habitual à nomeação de alguns presbíteros para o Colégio Cardinalício. Em regra os presbíteros nomeados têm idade superior à estabelecida para a votação do conclave (reunião dos cardeais para eleger o novo Papa), que é oitenta anos. Estes nomeados podem eventualmente requerer ao Santo Padre dispensa da ordenação episcopal, o que tem acontecido em algumas situações.

Por determinação do Concílio de Latrão de 1179, a eleição do Papa foi reservada aos cardeais, reunidos no Sacro Colégio, com um decano (é o cardeal que preside o Colégio Cardinalício, sendo eleito entre os seis cardeais-bispos, titulares das igrejas suburbicárias) e um camerlengo (cardeal responsável pela administração da Santa Sé, responsável pelos preparativos para o conclave e o funeral do Papa, ele é o Chefe de Estado atuante do Vaticano até que o sucessor do Papa seja escolhido).

O cardeal ao serviço do Papa era obrigado a residir em Roma, de onde não se podia ausentar sem autorização pontifícia. São nomeados pelo Papa em ocasiões específicas na presença dos restantes membros do Colégio Cardinalício (em um consistório). O título, segundo o Código de Direito Canônico, distingue homens notáveis pela sua doutrina, piedade e prudência na condução dos assuntos. De fato, a nomeação de cardeais é uma indicação política sobre o pontificado em curso e a futura eleição papal.

O Sumo Pontífice pode também escolher alguém para cardeal e não divulgar o seu nome, permanecendo assim em segredo. Neste caso, designa-se por cardeal in pectore. Isto é aplicado em países onde o Cristianismo sofre perseguições. Factualmente, porém, esse escolhido não é cardeal até ser criado publicamente num consistório, pelo que não adquire qualquer dos direitos ou privilégios inerentes ao barrete cardinalício nem participa no conclave para eleger um novo papa. Tal não impede, no entanto, de exercer a função primordial dos cardeais: aconselhar, sob pedido, o Romano Pontífice. Por tradição, o cardeal in pectore é publicamente criado no primeiro consistório depois de terminado o perigo que impedia a criação. Por morte do papa que o escolhera já in pectore – no coração, secretamente – ou por morte do escolhido ou ainda porque o perigo nunca cessou, muitos destes eleitos nunca chegam a cardeaisstricto sensu.

cardeal05.jpgO número de cardeais eleitores no conclave tem variado ao longo da história. Em 1586 o Papa Sisto V fixou o seu número em setenta. No consistório secreto de 1973, o Papa Paulo VI limitou o número de cardeais eleitores a 120, o que foi mantido pelo Papa João Paulo II. A 13 de Julho de 2006 e após o primeiro consistório do Papa Bento XVI (24 de Março de 2006) o Colégio dos Cardeais contava com 191 membros, dos quais 120 eram eleitores.

Os cardeais reunidos em consistório assistem o Papa nas suas decisões. Os consistórios podem ser:

  • ordinários: reúnem os cardeais presentes em Roma.
  • extraordinários: reúnem todos os cardeais.

Os cardeais podem ter responsabilidades na Cúria Romana, a administração da Igreja. Os cardeais da Cúria devem residir em Roma. Os cardeais com menos de oitenta anos são os eleitores para Papa.

Os cardeais têm direito ao gallero (chapéu eclesiástico) de trinta borlas. Para além dogallero o brasão de armas de um cardeal segue as normas heráldicas eclesiásticas. No caso do cardeal ser também arcebispo, pode incluir a cruz de dois braços por trás do brasão. Após receberem o barrete e anel cardinalício os cardeais tomam simbolicamente posse das igrejas de que são titulares. Apesar de não terem sobre elas qualquer jurisdição, o respectivo brasão é, por norma, colocado na parede da respectiva igreja.

Fonte: Projeto de Evangelização Anjos de Jesus


G1

O Papa Bento XVI anunciou nesta quarta-feira (20) que o arcebispo de Aparecida, dom Raymundo Damasceno Assis, será nomeado cardeal. Assis é presidente do Conselho Episcopal Latino-americano (Celam).

A cerimônia será realizada no dia 20 de novembro. Outros 23 cardeais também serão nomeados na ocasião. Dos 24 cardeais nomeados, 20 têm direito a eleger um novo Papa em caso de Conclave, por terem menos de 80 anos.

O arcebispo de Aparecida, cidade no interior de São Paulo, nasceu no município mineiro de Capela Nova, no dia 15 de fevereiro de 1937. Em 1955, ingressou no seminário, e em 1961 foi para Roma, na Itália, onde cursou filosofia. Dom Damasceno foi ordenado padre em Conselheiro Lafaiete, Minas Gerais, em 1968. Depois de ordenado sacerdote, exerceu várias funções na Igreja, tendo destaque quando foi Reitor do Seminário maior de Brasília.

A ordenação episcopal de dom Damasceno aconteceu em 1986. Como bispo, exerceu as funções de Bispo Auxiliar e Vigário Geral da Arquidiocese de Brasília, de 1986 a 2003, e Diretor do Curso Superior de Teologia para leigos da Arquidiocese de Brasília, de 1986 a 2003.

Na Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) ocupou o cargo de secretário-geral por dois mandatos, de 1995 a 1999, e de 1999 a 2003, além de presidir o Conselho Fiscal, de 2003 a 2006.

Cardeais brasileiros

Com a nomeação de dom Raymundo Damasceno, o Brasil passa a ter nove cardeiais. Dom Odilo Scherer, dom Geraldo Magela e dom Raymundo Damasceno estão à frente das arquidioceses de São Paulo, Salvador e Aparecida, respectivamente. Seis dos cardeias brasileiros são eméritos, ou seja, não estão à frente de nenhuma diocese: dom Paulo Evaristo Arns (São Paulo), dom José Freire Falcão (Brasília), dom Serafim Fernandes Araújo (Belo Horizonte), dom Eusébio Oscar Scheid, dom Eugênio de Araújo Sales (Rio de Janeiro) e dom Claudio Hummes (São Paulo), de acordo com informações da assessoria de imprensa da CNBB.