Foi publicada nesta terça-feira (19/09) a Carta Apostólica “Summa Familiae Cura” do Papa Francisco em forma de Motu Proprio, com a qual é instituído o Pontificio Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família.

Com a “Summa familiae Cura”, o Papa institui o Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família que, ligado à Pontifícia Universidade Lateranense, substitui o Pontifício Instituto João Paulo II para os Estudos sobre o Matrimônio e Família.

Portanto, o que era “Estudo” agora torna-se “Ciência”, pois, para Francisco, é importante prosseguir a intuição de João Paulo II, ampliando o raio de pesquisa sobre a família, seja no que diz respeito à sua dimensão pastoral e eclesial, seja no campo da cultura antropológica.

O Papa considera que a mudança antropológico-cultural da sociedade requer uma análise analítica e diversificada da questão familiar, que não se limite a práticas pastorais e missionárias que refletem formas e modelos do passado. “No límpido propósito de permanecer fiéis ao ensinamento de Cristo, devemos portanto olhar, com intelecto de amor e com sábio realismo, para a realidade da família hoje em toda a sua complexidade, nas suas luzes e sombras”, escreve o Pontífice.

O novo Instituto procurará ser, no âmbito das instituições pontifícias, um centro acadêmico de referência, ao serviço da missão da Igreja universal, no campo das ciências que dizem respeito ao matrimônio e à família e acerca dos temas relacionados com a fundamental aliança do homem e da mulher para o cuidado da geração e da criação.

O Instituto Teológico tem a faculdade de conferir “iure proprio” aos seus estudantes os seguintes graus acadêmicos: Doutorado, Licenciatura e Bacharelado em Ciências sobre o Matrimônio e a Família.

Fonte: Rádio Vaticana 

***

Sobre o matrimônio e a família, é preciso repensar tudo a partir de uma nova elaboração teológica, e não é possível mais se limitar a ajustes pastorais mais ou menos precários. O Papa Francisco já havia explicado isso na Amoris laetitia, mas, evidentemente, os novos caminhos que Bergoglio havia indicado no texto elaborado com base nas reflexões de nada menos do que dois Sínodos dedicados à família custam a serem percorridos.

Assim, com um motu proprio intitulado Summa familiae cura, isto é, o máximo cuidado pela família, ele decidiu abolir o Pontifício Instituto João Paulo II para a Família e instituir o “Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família”, que deverá elaborar novas linhas teológicas, com base em um sistema jurídico diferente, em consonância com o que o papa escreveu na Amoris laetitia.

Na verdade, o motu proprio é uma carta pastoral na qual o papa escreve que a situação atual “não nos permite nos limitar a práticas da pastoral e da missão que refletem formas e modelos do passado”. Ele acrescenta que é preciso “uma abordagem analítica e diversificada”, e olhar “com sábio realismo para a realidade da família hoje, em toda a sua complexidade, nas suas luzes e nas suas sombras”. Portanto, é preciso explorar caminhos novos também do ponto de vista da teologia.

O antigo Instituto João Paulo II para a Família não tinha essa tarefa. Ele nascera em tempos nos quais a crise da família e os novos desafios abertos na sociedade à instituição do matrimônio não eram tão fortes e parecia suficiente ajustar um pouco as práticas pastorais.

Uma análise que indicava uma necessária expansão da sua reflexão havia sido feita em um seminário entre os dois Sínodos sobre a família, organizado por Dom Vicenzo Paglia e coordenado pelo teólogo Pierangelo Sequeri, no qual haviam sido antecipadas muitas reflexões presentes, depois, na Amoris laetitia.

As atas do seminário foram publicadas pela Livraria Editora Vaticana. Sequeri, no ano passado, em meados de agosto, havia sido nomeado para a cúpula do Instituto João Paulo II para a Família e, a partir de dentro, pôde se dar conta dos limites de ação e de elaboração, especialmente em relação aos novos desafios indicados pela Amoris laetitia.

Eis a razão da mudança de ritmo mais orientado para a teologia que o papa indicou no motu proprio.

A decisão de Bergoglio também seria, segundo alguns, uma resposta às “dubia” levantadas pelos quatro cardeais críticos do texto pontifício, Brandmüller, Burke, Caffarra e Meisner, os dois últimos recentemente falecidos. Eles levantavam uma série de questões de ordem mais teológica do que pastoral, e não só limitadas ao problema da comunhão aos divorciados em segunda união.

Em alguns setores da Igreja, há resistências e algum desconforto acerca da Amoris laetitia. A decisão do papa de confiar a uma nova instituição a elaboração de uma teologia do matrimônio e da família que possa dialogar melhor com as outras ciências humanas e com uma cultura antropológica que está mudando em todos os temas da vida não significa que Bergoglio queira uma mudança da doutrina, mas, ao contrário, ele quer entender como é possível permanecer mais fiel à doutrina em um mundo que muda.

E explica isso no texto do motu proprio: “Devemos ser intérpretes conscientes e apaixonados da sabedoria da fé em um contexto em que os indivíduos são menos sustentados do que no passado pelas estruturas sociais na sua vida afetiva e familiar”. É por isso que não adiantam respostas simples com um “sim” ou um “não”, como queriam os cardeais das “dubia”.

O novo instituto terá uma natureza decisivamente acadêmica. O papa estabeleceu que ele deverá trabalhar em estreito contato com o novo dicastério, recentemente constituído, para os Leigos e a Família, com o da Educação Católica e com a Pontifícia Academia para a Vida, e cooperar com a Pontifícia Universidade Lateranense.

A sua missão, enfatiza o papa no texto, será “científica” e “eclesial”, ampliada a toda a cultura da vida, incluindo o cuidado do ambiente.

O artigo 2 do motu proprio diz: “O novo instituto constituirá, no âmbito das instituições pontifícias, um centro acadêmico de referência, a serviço da missão da Igreja universal, no campo das ciências que se referem ao matrimônio e à família e aos temas conectados com a fundamental aliança do homem e da mulher para o cuidado da geração e da criação”.

Site da revista Famiglia Cristiana

28440lpr_aeec2d6c8d58ca2

Uma empresa no noroeste da Itália decidiu autorizar a quem quiser ter filhos um salário de 1.500 euros (cerca de R$ 4.900,00) a mais do que os outros empregados.

Isso acontece na Brazzale, do proprietário Roberto Brazzale, que tem 54 anos e três filhos. Ele é o administrador do laticínio mais antigo do país. A família dele produz e comercializa queijos desde 1784. Os avós dele começaram na atividade no século XVII.

“Estamos em risco de extinção”

A história de Brazzale foi contada pelo jornal italiano La Repubblica. “Fiquei espantado porque os impressionantes números da queda da natalidade não movem nem o Estado nem a iniciativa privada. Milhões de trabalhadores ganham o suficiente para si próprios, mas não para realizar seus projetos familiares. Uma sociedade assim vai ser extinta. O atraso do nosso parlamento em regulamentar o direito de morrer com dignidade é um escândalo. Mas é ainda mais inaceitável a ausência de um apoio real para a vida”, disse Brazzale.

Os números

Os números a se que refere Brazzale são eloquentes: entre 2008 e 2015, os nascimentos caíram mais de 20%. De cada mil habitantes, 7,9 são recém-nascidos, contra os 10,1 de oito anos atrás. A média da União Europeia é de 10 recém-nascidos a cada mil habitantes.

Brazzale decidiu realizar um gesto simbólico, mas importantíssimo: dar um cheque como um salário extra para os empregados que assumirem a “responsabilidade de procriar”. E o primeiro cheque acaba de sair. A responsável pelas análises químicas da empresa tornou-se mãe na semana passada. A próxima será uma economista.

Este salário extra mensal também será pago aos pais ou a quem adotar uma criança. Entretanto, há um único requisito: ser empregado há pelo menos dois anos e garantir que ficará na empresa pelos próximos dois. “Sabemos que 1.500 euros a mais não bastam para convencer um casal a ter filho. Mas a mensagem cultural prevalece sobre a material e é uma aposta no futuro: queremos que os jovens invistam na vida, sintam-se felizes e que não tenham que se preocupar somente com o trabalho”, diz Brazzale.

Não há procedimentos burocráticos a seguir ou autorizações para ter direito ao bônus-bebê: os funcionários só precisam comunicar o nascimento ou a adoção para receberem o cheque antes mesmo do início da licença-maternidade ou paternidade.

Quando eu era criança, via as mães ao redor dos carrinhos. Hoje, vejo só cuidadores de idosos e cadeiras de rodas. Para os jovens, pensar em um filho é um problema enorme. E ainda não damos um valor adequado ao que pode ser uma tragédia transcendental”, afirma Brazzale.

Aleteia

PureFlixBest

Já anda circulando por aí o trailer do filme Em Defesa de Cristo, produção que estreia em setembro e conta a história de um jornalista investigativo e ateu convicto que se propõe a refutar a existência de Deus depois que sua esposa virou cristã. O filme é da mesma produtora de sucessos no meio cristão como Deus Não Está Morto, de 2014. O que ainda pouca gente no Brasil sabe, porém, é que a produtora, a Pure Flix, mantém desde 2015 um serviço de streaming semelhante à Netflix, apenas com filmes voltados para a família e a fé.

“O sonho que Deus nos deu é oferecer conteúdo de forma constante, de forma a ser uma alternativa ao que Hollywood oferece”, disse David A. R. White, um dos fundadores da empresa, ao The New York Times. Há uma enorme variedade de conteúdo na plataforma. Assim como a gigante do streaming, a Pure Flix mantém no cardápio tanto produções originais quanto de outras produtoras

São mais de 7,5 mil títulos, que englobam diversos outros gêneros além dos filmes e séries com histórias de fé, superação e união do casal e da família. Se na Netflix você pode ver shows de stand-up com comediantes como Marco Luque e Dave Chappelle, no Pure Flix você conta com os episódios do Pure Flix Comedy All-Stars, com estrelas do stand-up norte-americano como Sinbad e Louie Anderson.

Mas se prefere documentários, a opção são séries apresentando a história da Medalha de Honra norte-americana e seus condecorados, um dossiê que tenta provar a verdade do criacionismo e os erros da teoria da evolução, a história da consagradíssima versão inglesa da Bíblia King James, a biografia da ex-secretária de Estado do governo Bush, Condoleezza Rice, ou a explanação dos salmos com o famoso autor Max Lucado

E a Pure Flix ainda oferece uma programação especial para a criançada, com desenhos animados como How Can I Celebrate Halloween?, a história de Digger, um garoto que quer festejar o Halloween, mas é cristão; Theo, um simpático senhor que ensina teologia para crianças; uma versão animada do clássico livro O peregrino, de John Bunyan; e até Ursinhos Carinhosos.

Brasil

O serviço já tem 250 mil assinantes e ainda é restrito aos Estados Unidos e ao Canadá, mas tem pretensões de se expandir para outros países. “Estamos sendo abençoados com um crescimento muito grande”, disse o diretor da empresa, Greg Gudorf, ao jornal nova-iorquino.

Vale lembrar que a companhia ficou entusiasmada com a recepção de Deus não Está Morto e de sua sequência no Brasil, onde, somados, os filmes arrecadaram mais de 2,6 milhões de dólares. Para se ter uma ideia, o Brasil foi a maior bilheteria estrangeira de Deus Não Está Morto 2, com quase 1,5 milhão de dólares – a segunda maior, o México, arrecadou apenas 431 mil dólares.

Para saber mais, acesse o site oficial do Pure Flix.

Felipe Sérgio Koller via Sempre Família

web3-smile-woman-man-husband-wife-couple-staring-gaze-eyes-antonio-guillem-shutterstock

A oração é um poderoso elemento de vínculo entre homem e mulher. O cultivo de práticas religiosas pode ser determinante na longevidade do relacionamento de um casal, contanto que as façam juntos. É o que diz uma pesquisa recente do Institute for Family Studies (IFS), entidade norte-americana que trabalha com pesquisas comportamentais sobre temas de família.

Segundo o IFS, rezar unidos, lado a lado e com frequência diz muito sobre a qualidade do relacionamento. O doutor Bradford Wilcox, um dos responsáveis pelo estudo, diz que isso deve ao fato de que a fé compartilhada é um poderoso elemento de vínculo entre homem e mulher e a oração é, tradicionalmente, a melhor forma de manter viva a experiência religiosa. “Vimos que casais que vão à igreja juntos e que, ainda mais, rezam juntos alcançam níveis altos de qualidade do relacionamento, disse Wilcox, que é diretor do National Marriage Project,da Universidade da Virgínia, e autor de vários estudos envolvendo religião e casamento. A entrevista foi concedida ao site Deseret News.

De acordo com o estudo, casais que rezam juntos pelo menos uma vez por semana são 17% mais propensos a se considerarem “muitos felizes juntos”. Wilcox diz notar também um “poder ritualístico na oração que dá sentido de comunhão ao relacionamento, de estar unidos de uma maneira mais profunda e intensa”. Para os pesquisadores trata-se de “um símbolo de comprometimento mútuo”.

No entanto, se apenas um dos dois vai à igreja, isso não apresenta nem benefícios nem riscos para a relação, mas há grandes diferenças dependendo se é ele ou ela quem frequenta os cultos.

Os pesquisadores perceberam que são mais felizes os casais em que ambos frequentam a igreja ou aqueles em que apenas o homem frequenta. Quando apenas a mulher vai à igreja, o grau de felicidade cai, ficando abaixo até mesmo dos casais em que nenhum dos dois frequenta a igreja.

A sua pesquisa revelou ainda que:

– 78% dos casais que regularmente vão à igreja juntos, ou nos quais apenas o homem vai, consideram-se muito ou extremamente felizes.

– Dois terços dos homens e mulheres em relacionamentos nos quais nenhum vai à igreja dizem-se felizes.

– 59% dos casais em que a mulher vai sozinha à igreja se dizem muito felizes.

Os benefícios da prática religiosa regular vão ainda além do nível de satisfação com o próprio relacionamento. Os dados mostram que casais que vão regularmente à igreja são menos propensas a ter filhos fora do casamento ou envolverem-se em casos de infidelidade.

As redes de amizades, comuns nesses ambientes, também contribuem para o fortalecimento de modos de vida que respeitem determinados valores morais, além de se tornarem ambientes acolhedores em momentos difíceis. Os pesquisadores dizem que casais que frequentam esses círculos de amizade são mais propensos a estar disponíveis quando alguém perde o emprego, tem problemas no casamento ou perdem um ente querido. “Isso é verdade, seja você religioso ou não. Se os seus amigos conhecem a sua esposa e os amigos dela, você tende a permanecer fiel a ela.”

Quanto à constatação de que casais nos quais a mulher vai sozinha à igreja são menos felizes, Wilcox tem algumas teorias. Pode ser que mulheres com dificuldades no relacionamento costumem procurar alguma igreja, então elas já estariam menos felizes antes de ir à igreja. É também possível que as mulheres que vão à igreja vejam os seus amigos indo com os seus parceiros e percebam que isso beneficia o seu relacionamento e a sua vida, o que as faz se desapontar com a própria relação.

(Via Sempre Família. Colaborou Felipe Koller. Com informações de Deseret News)

web3-baby-dies-from-kiss-menningitis-nicole-sifrit-mariana-sifrit-nicole-sifrit-facebook

Quando um amigo ou membro da família ganha um bebê, nosso primeiro instinto é agradecer a Deus. O próximo é ir correndo para o hospital para dar banho de beijos na mãe, no pai e no recém-nascido. Mas nós nos esquecemos do quão frágil e suscetível aos germes é o novo ser, que ficou protegido no útero da mãe por nove meses.

Infelizmente, a morte da menininha de 18 dias, Mariana Sifrit, depois de um simples beijo nos lembrou de tudo o que pode acontecer quando deixamos nossas emoções falarem mais alto que o bom-senso e a  precaução.

Quando Mariana nasceu, no dia 1.º de julho de 2017, seus pais, Nicole e Shane, estavam cheios de esperança para um futuro maravilhoso como família. Os pais se casaram seis dias depois, mas durante a celebração, eles não conseguiam acordar Mariana e ela recusava o leite. Ansiosos, foram direto a um hospital infantil em, Iowa, Estados Unidos. Lá, receberam a notícia que a pequena bebê havia contraído meningite, doença transmitida por um vírus que, entre outros sintomas, causa herpes e feridas.

Os médicos informaram aos pais que ambos não possuíam o vírus, e que Mariana, provavelmente, havia contraído a doença depois de ter sido beijada por alguém infectado. Os profissionais disseram ainda que essa pessoa não precisava necessariamente apresentar uma ferida aberta para ser portadora do vírus. Eles explicaram que “a pessoa infectada toca na criança e ela, depois, leva a mão na boca”, o que é suficiente para passar no vírus.

Uma vez diagnosticada, Mariana foi direto para a UTI. O pai dela lembra que “depois de duas horas ela deixou de respirar e todos os seus órgãos simplesmente começaram a falhar.”

O que era para ser um dia de alegria terminou com Mariana lutando por sua vida.

Porém, apesar de seu espírito de luta e do dedicado time de profissionais médicos, a “princesa” Mariana sucumbiu ao vírus apenas 11 dias depois, em 18 de julho. A mãe dela postou no Facebook:

“Nossa princesa Mariana Reese Sifrit ganhou suas asinhas de anjo nesta manhã. Ela estava no colo do papai, com a mamãe ao seu lado. Em apenas 18 dias, ela transformou as nossas vidas. Esperamos agora que a história dela possa salvar outros bebês”.

Nicole também fez um alerta aos pais: “Mantenham seus bebês isolados. Não permitam que ninguém vá visitá-los, certifiquem-se de que as pessoas que estão por perto lavem as mãos constantemente. Não deixem que as pessoas beijem seus bebês e lembrem-se de perguntar [se a pessoa está saudável] antes de pegar seus bebês “.

É uma situação complicada. Ninguém quer ofender um visitante bem-intencionado. Porém, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, mais de 3,7 bilhões de pessoas no mundo estão infectadas pelo HSV-1, o vírus da meningite, sendo muitos os casos assintomáticos dessa doença altamente contagiosa. Na América, a OMS estima que de 40 a 50% da população têm o vírus, embora outras fontes coloquem esse valor muito acima: até 80 por cento. Isso é um risco potencial para qualquer recém-nascido.

Sandra Beltrán, pediatra da Associação Colombiana de Doenças Infecciosas, explica que o ato de “beijar nos lábios é um foco transmissor de doenças”. Ela explica que o fraco sistema imunológico do recém-nascido  – e até mesmo de crianças um pouco maiores  – faz com que seja imperativo evitar beijos diretamente na boca.

Embora tenha tido mais visibilidade, Mariana não é o primeiro recém-nascido a morrer em tais condições. Em 2009, uma mãe do Reino Unido passou o vírus para seu próprio bebê, que morreu com 11 dias de vida. Infelizmente, há outras histórias semelhantes a essas.

Então, ao visitar amigos e familiares que acabaram de ganhar bebê, considere que, embora possamos querer sufocar esses pequenos anjos lindos com abraços e beijos, é nosso dever levar apenas nosso amor para o hospital – e talvez um lindo presentinho!

Para os novos pais, a dica é: não se sintam desconfortáveis em passar essa mensagem de precaução para todos os seus entes queridos. Eles entenderão!

Cerith Gardiner

pai-e-filho
Talvez você não esteja sabendo dar as ordens corretamente.

Esta é uma eterna pergunta, cuja resposta é muito simples e tem tudo a ver com a educação que estamos dando a nossos filhos e com o tempo que estamos passando com eles. Muitos dizem que a educação de antes era melhor e que os filhos obedeciam só com o olhar dos pais. Pode ser. Embora, na minha opinião, a educação de gerações passadas também tinha enormes pontos de melhoria, como a tirania que alguns pais exerciam, pois se sentiam donos dos filhos.

Mas em que se baseia a informação de que, antigamente, obedecíamos de primeira e agora não? Entre outras coisas, o fato de a maioria das pessoas terem tido pais presentes. Se não o pai e a mãe, pelo menos um dos dois. Os filhos, a educação e o bem-estar deles eram prioridades das famílias, que focavam mais no “ser” do que no “ter”. Hoje, estamos quase no outro extremo e muitos filhos estão crescendo sozinhos, abandonados física e emocionalmente. Quem os educa ou são terceiros ou a TV e a internet.

Recordemos Aristóteles e sua maravilhosa definição de amar: “Amar é buscar o bem do outro enquanto outro”. Educar é amar, sempre procurando o bem das pessoas que Deus nos confiou e emprestou por um período de tempo.

Amar é educar. Nossos filhos não nos obedecem porque nós, pais, não temos claro nem “o que” é educar nem “para que” educamos. Ou seja: qual é o objetivo da educação? Damos ordens, mas eles não nos obedecem. Por quê? Entre outras coisas – repito – porque não estamos presentes e, com isso, perdemos a chave da educação: a autoridade.

A autoridade deve ser exercida com sabedoria, procurando unicamente o bem dos filhos, de maneira ativa e pessoal, não à distância ou por tempos determinados.

A palavra “educação” vem do latim “educere”(que significa guiar, conduzir) ou “educare” (formar, instruir). Os pais são os principais educadores e devem procurar guiar e formar os filhos para que eles sejam “os melhores” em cada uma de suas dimensões pessoais: a afetiva, a intelectual e a social.

A educação não se limita ao conhecimento, mas a tudo o que compõe uma pessoa. E para que educamos? Para que os nossos filhos alcancem a plenitude, mediante o uso da liberdade, que tem que seguir juntamente com a responsabilidade.

Todas as pessoas têm uma maravilhosa qualidade que é a educabilidade. Essa educabilidade se transforma em educação com a participação ativa do educando (os filhos) e com a tarefa do educador (os pais).

Aqui, compartilho alguns pontos básicos para inculcar a virtude da obediência nos filhos. Como eu já disse, esses pontos têm muita relação com a sua capacidade de educar e a sua presença ativa junto aos filhos.

  • Aquele que tem um “por que” e um “para que” encontrará qualquer “como”.  Pergunte-se: para que educo? Faço isso só para cumprir os códigos de conduta e para que meus filhos sejam bem vistos e aceitos pelos outros? Repito: educação vem de “educere”, que significa, entre outras coisas, “tirar de dentro”. E isso é o que tem que ser feito: tirar o melhor dos filhos e moldar o que eles trazem. Nossos filhos já trazem um temperamento. Nós temos que moldar este temperamento para formar o caráter (o melhor caráter).
  • Não podemos educar à distância. A qualidade de tempo que você passa com seu filho é tão importante quanto a quantidade. Na medida do possível, temos que ser pais presentes. Mães modernas, a educação é um trabalho de tempo integral, onde não há descanso. Tudo é substituível. O que ninguém pode suprir é a sua presença em casa e seu lugar como mãe. Lembre-se de que nada vale mais do que seus filhos. Perdemos a autoridade quando também perdemos a presença junto a eles. Quando você dá seu tempo a seus filhos, eles se sentem valorizados (e precisam disso).
  • Semear. Uma vez que sabemos que vamos educar nossos filhos,  tirando o melhor deles, para que eles sejam cidadãos respeitáveis e responsáveis e homens e mulheres de bem, temos que semear valores e virtudes entre eles. Os vícios nunca podem ser uma opção, pois dessa forma eles não estariam fazendo bom uso da liberdade. O fato de deixarmos nossos filhos fazerem o que eles quiserem e não colocarmos limites é o a semeadura do vício. 
  • Evite ser pai e mãe burocratas. Sim, vamos dar ordens ou colocar regras, mas que sejam poucas. Importante: que o dia não seja repleto de ordens e mais ordens. Você pode dizer assim: “às sete da noite eu quero todas as bonecas na caixa azul. Vou avisar quando forem sete horas”. E isso é tudo o que tem que dizer. Sem mais palavras, sem enrolação. Só se repreende um filho por uma razão: se ele desobedecer a uma ordem dada para o bem dele.

Se você acredita, dê um passo a mais:

  • Oração. Antes de serem nossos filhos, eles são filhos de Deus. Portanto, pergunte a Ele em oração: “O que o Senhor quer que eu faça para educar este filho que me confiou?”. Ouça a resposta e mãos à obra. Lembre-se de que um filho deve ser educado de joelhos. Ou seja: fale mais a Deus de seu filho do que a seu filho de Deus.
  • Confiança. Como pai ou mãe desses filhos, você conta com todos os talentos e capacidades necessários para levá-los adiante, até o céu. Descubra seus dons e deixe-os andar a serviço dos filhos. Repito: antes de serem seus filhos, são filhos de Deus. Que coisas maravilhosas Deus viu em você para confiar seus filhos! Venha! Você pode!

Luz Ivonne Ream

web3-mother-in-law-daughter-in-law-son-fight-argue-dinner-shutterstock

De todos os relacionamentos na vida familiar, o relacionamento entre a mãe e a nora é muitas vezes o mais frágil. Embora seja possível que essas duas mulheres compartilhem vínculos próximos, é comum que ela seja tensa (ou pior), com tréguas sendo negociadas silenciosamente a cada dois meses. Usar a palavra “trégua” pode fazer você pensar em uma guerra, e é verdade; às vezes, esse relacionamento fica perto disso.

Mas por quê? Se há uma batalha, onde e por que uma sogra e uma nora se desentendem? Qual é o ponto de tensão? Na minha perspectiva, é fácil responder: a batalha é pelo marido / filho.

Meninos precisam de mães

Para melhor entender isso, primeiro devemos notar o vínculo único entre mãe e filho. Por parte do filho, os estudos mostraram definitivamente que sem o devido apego a sua mãe, as chances de um homem ser violento ou mostrar outras instabilidades crescem visivelmente. O mesmo não é verdade para as meninas. (Garotas e mulheres, em geral, não tendem à violência física como os garotos e os homens.) Então, embora seja frequentemente enfatizado quanto os meninos precisam de um pai para torná-los um homem, é através do vínculo maternal nos primeiros anos que um menino aprende lições que ele precisará como homem. Ele aprende a verdade do amor através do olhar de sua mãe e do primeiro cuidado. Em outras palavras, um homem faz um homem, mas queremos mais do que um homem – queremos cavalheiros cristãos – e é a mãe que coloca o gentil em um cavalheiro.

Para a parte da mãe, o apego ao filho também é bastante forte em comparação com mães e filhas. Uma filha cresce mais como a mãe quando ela se torna uma mulher. Mas um menino cresce mais ao contrário dela. Ele se agarra cada vez mais aos homens e amigos. Ele se apega especialmente ao pai durante a adolescência. Assim, a relação se torna mais distante, mesmo que o vínculo seja inquebrável (pense em Jesus “deixando” Maria durante seu ministério público para fazer o “negócio do Pai”). Isso não significa que ele cresça menos amoroso ou próximo. Mas, em algum momento, eles começam a conhecer-se como homem.

A separação necessária

No entanto, tão especial como o vínculo é, um menino deve “cortar o cordão umbilical” ou ele corre o risco de ser o que poderíamos chamar de “menino da mamãe”. A razão pela qual chamamos um homem adulto com muito apego a sua mãe de “menino da mamãe” é que parte do processo de se tornar um homem é uma separação apropriada do controle da mãe. Quando a separação não ocorre, permanece um elemento de infância.

Isso pode ser difícil para as mães, porque elas têm um lugar especial para seus meninos em seus corações. “Maria manteve essas coisas em seu coração…”

A razão pela qual a separação é necessária é que um homem deixa o feminino representado pela mãe para ser reintegrado no feminino através de sua esposa. O casamento exige a autopresença total, no sentido de que o marido se entregue totalmente à esposa. “Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá à sua mulher, e serão dois numa só carne” (Mateus 19,5).

Uma verdade nova e difícil

Essa separação é difícil para as mães. A sensação de rejeição, no entanto, muitas vezes não é sentida até o momento do casamento, quando a mãe é finalmente e totalmente “substituída” como o principal amor feminino na vida de um homem. Este momento pode ser o momento em que tudo muda em uma relação entre a mãe de um homem e sua noiva. É também por isso que, e quando, a tensão se constrói: a mãe, talvez inconscientemente, culpa a nova esposa por seus sentimentos de rejeição e, se houver algum padrão ou história de traição de outros homens, esses sentimentos podem surgir e levar a uma raiva irracional aparente em direção ao novo casal.

A nova esposa, por sua vez, pode, às vezes, sentir que a mãe do marido exerce muita influência sobre o filho e pode sentir um estranho tipo de ciúme ou sensação de traição – ela quer todo o coração dele! Isso se torna um problema maior se o filho, na verdade, permanece excessivamente apegado a sua mãe.

Uma vez, minha esposa e eu conversamos com nossa vizinha sobre o filho recém-casado dela. “Eu realmente gosto dela”, a vizinha disse, “mas eu simplesmente me sinto tão triste”. Não perguntamos o que ela pensava sobre a noiva de seu filho – nós apenas perguntamos como ela estava se sentido. Ela ficou triste porque a cerimônia de casamento a fez perceber que ela havia sido “substituída”, de certa forma, como a mulher mais importante na vida de seu filho. Naturalmente, ela sentia sentimentos estranhos com a nova jovem noiva que a havia deslocado. É por isso que ela continuou assegurando-nos que ela gostava da nova noiva, apesar de ser ela que estava “fazendo-a sentir assim”.

Outro casal que conheço descreveu a nova realidade de um casamento desta forma: “Durante os preparativos para o casamento, nós [a nora e a sogra] éramos como melhores amigas. Mas depois do casamento –  o próprio dia do casamento – tudo parecia mudar e agora tudo é drama. Não sei o que aconteceu!”.

Abraçando a realidade

Então o que nós podemos fazer? Bem, como você sabe, as tensões interpessoais e as feridas familiares podem ser difíceis de navegar, mas a melhor maneira de diminuir a tensão potencial (quer se trate de noivas, filhos ou mães) é reconhecer a verdade e pedir por graça.

As mães devem aceitar que seus filhos são homens e maridos, o que significa que a mãe deve, em certo sentido, submeter-se à sua autoridade em sua casa e nunca tentar influenciar as escolhas e as direções da família. Ela não tem mais autoridade sobre ele. Ela teve sua chance, e agora ele está crescido. Ela nunca deve falar mal de sua nova esposa como uma maneira de recriar um vínculo com o filho, e ela não deve usar a culpa para tentar persuadi-lo a se aproximar dela ou fazer o que ela pensa estar certo.

Os filhos devem se unir às suas esposas e não semear tensões desnecessárias, por exemplo, discutir coisas com suas mães que não discutem com suas esposas ou buscar conselhos ou aprovação materna de maneira que um garoto faria. Devem reverenciar suas mães e honrá-las como eles são ordenados por Deus para fazer, fazendo isso como homens. Eles devem se entregar totalmente às suas esposas.

As esposas também devem respeitar sua sogra, com a devida gratidão pelo dom do marido. Elas devem buscá-las como mentoras e, no melhor dos casos, desenvolver amizades com a mãe, unidas pelo amor comum. Embora, às vezes, elas possam sentir a tensão, elas ainda se casaram com uma família e o respeito é importante. Se a mãe é incapaz de tal relacionamento e não vai “deixar” o filho ir, uma esposa pode ter simpatia e se concentrar na confiança mútua com o marido, de modo que a tensão não infiltre e enfraqueça a união conjugal.

E em tudo isso, podemos saber que é a vontade de Deus que homens e mulheres se juntem em um santo matrimônio. Sabemos que o fruto dessa união são crianças e que todas essas relações são boas e capazes de ser santas e dar vida. Mesmo que seja tensa e difícil, penso que as barreiras potenciais também proporcionam a oportunidade de uma união mais próxima e um maior amor, se permitimos que a verdade e a graça nos dê luz para enxergá-las.

Jason Craig

 

mae-filha-20151216-072

Dividir os problemas com os filhos é comum e pode até ser importante para construir uma dinâmica familiar saudável. Mas um estudo científico publicado no Journal of Family Therapy traz um alerta para aqueles pais que exageram nas confidências. Compartilhar detalhes da vida pessoal ou fazer reclamações excessivas do cônjuge podem provocar consequências negativas para a vida das crianças. Segundo a pesquisa, elas têm maiores índices de ansiedade, depressão, distúrbios alimentares e maior risco de abuso de substâncias. “O filho não deve servir às necessidades íntimas dos pais e nem ser colocado no papel de confidente pessoal”, disse ao The Washington Post Lisa M. Hopper, pesquisadora e professora da Universidade de Louisville. 

Lisa conduziu diversos estudos sobre a ‘parentalização’, como o conceito é conhecido na psicologia, que basicamente leva à inversão de papéis. Isso pode ocorrer em famílias em que os pais são divorciados, por exemplo. Em alguns casos, os pais consideram a criança como confidente, revelando assim informações pessoais e sentimentos em relação ao cônjuge. “Não é apropriado, tão pouco, uma mãe dizer: ‘seu pai está sempre me desapontando, estou farta dele’”, disse Juli Fraga, psicóloga de São Francisco, nos Estados Unidos. 

Ao ser exposta a esse tipo de situação, a criança tende a agir como pacificadora e media os eventuais conflitos para tentar fortalecer os laços familiares. Os especialistas acreditam que este tipo de comportamento pode criar uma atmosfera de negligência porque torna as crianças responsáveis pelo emocional e psicológico dos pais, suprimindo suas necessidades normais da infância, como brincar ou fazer amizade com crianças de sua idade.

Efeitos

Os estudos de Lisa têm mostrado que os efeitos da parentalização podem ser de longa duração e perdurar, até mesmo, por gerações. Sua pesquisa coletou dados de 783 universitários para avaliar a ligação entre os papéis desempenhados na infância e as responsabilidades que adquiriram com o funcionamento psicológico adulto.

Os pesquisadores descobriram que aqueles que viveram situações de inversão de papéis tinham maiores riscos de enfrentar ansiedade, depressão, distúrbios alimentares, além de abusar de substâncias na vida adulta. “Os pais e responsáveis devem estar no topo da hierarquia no sistema familiar”, explicou Lisa. Segundo os psicólogos, um pai ou uma mãe que pede conselhos de relacionamento ou se queixa de outro membro da família, por exemplo, está invertendo o papel de adulto e criança. Ou seja, procura nos filhos o mesmo apoio emocional que buscaria em um amigo ou familiar adulto.

Crianças que assumem responsabilidades mais cedo podem ter resultados positivos, como ética, resiliência e mais autoconfiança. Por outro lado, elas também podem se tornar mais ansiosas e compulsivas. Apesar das boas intenções dos pais, é preciso aprender a traçar limites no relacionamento com os filhos, segundo os especialistas.  Deve-se tomar cuidado, principalmente, nos casos que eles desejam que os filhos sejam seus ‘melhores amigos’. Em muitos casos, isso acontece porque eles têm seu próprio histórico com problemas de apego – seja por ter tido responsáveis distantes, rígidos ou negligentes. 

Limites

Segundo Juli Fraga, a amizade pode ser recíproca entre pais e filhos, baseada em cumplicidade mútua. No entanto, os filhos não possuem a mesma compreensão e maturidade emocional que os adultos.  Ela explica que isso não significa que eles não devam ser afetuosos e amáveis entre si. “É preciso ser honesto e solidário, mas também saber manter os limites apropriados”, conclui a psicóloga.

Um caso que pode servir de exemplo é o que ocorre no seriado Gilmore Girls. A relação das personagens Lorelai e Rory Gilmore é caracterizada por uma invejável proximidade entre mãe e filha. Mas, como acontece com muitas amizades entre pais e filhos, as consequências não aparecem até depois da adolescência. A nova temporada “Um Ano Para Recordar” mostra Rory, já adulta, lutando contra crises de ansiedade e enfrentando dificuldades para confiar em suas próprias decisões sobre carreira e amor, sempre se apoiando em sua mãe. Autor de um livro sobre o tema, o escritor Gregory Jurkovic explica que crianças que assumem esse tipo de responsabilidade durante os anos de desenvolvimento podem ter problemas futuros, como conviver com desconfiança, ambivalência e envolver-se em relacionamentos abusivos.

De acordo com Lisa, é ótimo que os pais compartilhem acontecimentos diários com seus filhos. Porém, essa relação se resume a compartilhar informações de acordo com o desenvolvimento de uma criança — e não deve ser mais do que ela tem capacidade cognitiva para lidar.

Fonte: Revista Veja

lucas-ferreira

” Após descobrirmos, durante um ultrassom de rotina, que existia uma diminuição do fluxo sanguíneo de uma das bebês, no dia 3 de Novembro fomos parar às pressas no Hospital São Francisco em Jacareí-SP ( 130 km de Cachoeira Paulista) para Marília se internar para receber os primeiros cuidados da Dra. Rosana, nossa médica.

Foram vários exames, diariamente feitos, até que, no dia 11, nossas filhas nasceram. Bem prematuras, bem mesmo. Com apenas 30 semanas de gestação.

Beatriz nasceu com 1,330 kg às 20:47 h de olhão aberto e toda corada. Marília deu um beijinho nela e logo a levaram pra incubadora. Daí veio o primeiro susto. Helena não vinha. O útero de Marília se contraiu, dificultando o nascimento de Helena. Num momento de desespero, rezamos a Ave-Maria… E no fim da terceira, veio Helena. Pálida e imóvel, pesando apenas 0,840 kg. Eu logo as batizei, ali no centro cirúrgico mesmo. Minhas filhas despertaram pra vida e para o Céu no mesmo instante.

Logo no seu primeiro dia de vida, Beatriz fez uma cirurgia de emergência. A ventilação mecânica abriu seu pulmão, e esse ar na região do tórax precisou ser drenado. O ar entrava pra ela respirar e a sobra era drenada pra fora. E eu, com 31 anos de idade, nunca quebrei nem um dedo. Foi terrível. Nesse dia, tiramos força de onde não tínhamos. Mal sabíamos que precisaríamos de mais força, e mais força e mais força.

Helena perdeu muito peso, chegou a pesar 0,740 kg e logo no início fomos avisados que com ela os cuidados seriam outros. Seus órgãos não estavam prontos pra vida aqui fora. Precisou-se de medicamento para os rins, pulmões, coração e tireoide. Muita medicação é pela veia, e até mesmo usando um cateter central. Helena teve 3 infecções e também foi diagnosticada com pneumonia, por conta do tempo excessivo com a respiração mecânica.

Mas o pior ainda estava por vir.

Um vaso da artéria pulmonar não se fechou e a cirurgia cardiovascular fez-se necessária. Ela nem estava totalmente curada da pneumonia ainda, mas era preciso. Uma nenê com menos de 1kg iria fazer uma cirurgia grande. E agora? Lembra da força que tínhamos que tirar de onde não tínhamos? Ela veio e a gente deu conta. Helena se recuperou da pneumonia e da cirurgia ao mesmo tempo.

Beatriz teve alta da UTI, após 45 dias de internação. Mas Helena ficou. Precisamos nos dividir para dar o cuidados para as duas. Ah, nisso minhas férias acabaram e com isso veio Rosaura, mãe da Marília para estar conosco nessa empreitada. Ficamos hospedados 2 meses em São José dos Campos na casa dos queridos Luiz e Sayô (nossos compadres, a quem somos gratos por toda nossa vida). Com Beatriz em casa e Helena no hospital, a correria dos mamás foi grande!

E, após 82 dias de UTI, acabou a luta e minha família venceu. Foi-se embora o sensor, a incubadora, os antibióticos, as infecções, as cirurgias, as aspirações pulmonares. O medo foi embora, a ansiedade foi embora. A dor sumiu. E foi-se embora também o açaí, a coxinha e o bolo de pote da cantina do hospital.

No dia 3 de fevereiro (Mês dedicado a Sagrada Família e exatos 3 meses da internação da Marília), na primeira sexta-feira do mês, e às 15h, o Sagrado Coração de Jesus derramou sua misericórdia sobre minha família e Helena teve alta.
Nós saímos do hospital na hora da misericórdia!

Agradecemos a todos os amigos que rezaram por nós! Certamente foi nosso sustento nos momentos mais difíceis. Muito obrigado, mesmo!!!
Para a glória de Deus, minha família está completa.

E partilho com vocês que nós temos dois milagres em casa!

(via Facebook) /Aleteia

mullercardenalalarg

Em relação com os “dubia” apresentados pelos quatro cardeais acerca da exortação “Amoris laetitia”, o Cardeal Gerhard Ludwig Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, intervém novamente afirmando que “neste momento não é possível uma correção do Papa porque não há nenhum perigo para a fé”. O cardeal, em uma entrevista com Fabio Marchese Ragona, do Tgcom24, no âmbito do programa Estancias Vaticanas, também expressou irritação após a publicação dos “dubia”.

Como podemos recordar, pouco mais de um mês após a apresentação dos cinco “dubia” (sobre a interpretação de “Amoris laetitia”, a propósito dos sacramentos para os divorciados que novamente casaram, apresentados de acordo com a modalidade técnica de uma petição de esclarecimentos à Congregação para a Doutrina da Fé) os quatro cardeais signatários, Walter Brandmüller, Raymond Leo Burke, Carlo Caffarra e Joachim Meisner, decidiram publicá-los na mídia. A publicação aconteceu poucos dias antes do Consistório de outubro de 2016. Nas semanas seguintes, o Cardeal Burke falou em diversas ocasiões de uma possível e próxima “correção formal” do Papa, caso não houvesse nenhuma resposta. Em uma entrevista com o Vatican Insider, o Cardeal Brandmüller indicou que essa correção seria realizada em primeira instância em “camera caritatis” e, portanto, que não seria publicada.

Agora, o Prefeito da Doutrina da Fé parece afastar a hipótese da “correção”. Todos, disse Müller ao Tgcom24, “especialmente os cardeais da Igreja Romana, tem o direito de escrever uma carta ao Papa. No entanto, fiquei surpreso porque esta foi tornada pública, quase obrigando o Papa a dizer “Sim” ou “Não”. Não gosto disto. Inclusive uma possível correção fraterna do Papa”, acrescentou,” parece-me muito distante, não é possível neste momento, pois não se trata de um perigo para a fé, como disse São Tomás”.

O Prefeito do ex-Santo Ofício continuou: “Estamos longe de uma correção e digo que é um ultraje para a Igreja discutir estas coisas publicamente. “Amoris laetitia” é muito clara na sua doutrina e podemos interpretar toda a doutrina de Jesus sobre o matrimônio, toda a doutrina da Igreja, em 2000 anos de história”. O Papa Francisco, concluiu o cardeal, “pede para que saibamos discernir a situação dessas pessoas que vivem em uma união não-regular, ou seja, que não estão de acordo com a doutrina da Igreja sobre o casamento, e pede que ajudemos essas pessoas a encontrar um caminho para uma nova integração na Igreja segundo as condições dos sacramentos e da mensagem cristã do matrimônio. Mas eu não vejo nenhuma contraposição: por um lado, temos a doutrina clara sobre o casamento, por outro, a obrigação da Igreja de se preocupar com essas pessoas em dificuldade”

Vatican Insider

familia-natural-20150707111409

Em junho passado, ele já havia salientado que as diferenças entre homem e mulher “fazem os filhos crescerem” e hoje reiterou a importância da diversidade entre os gêneros, afirmando uma ideia de matrimônio menos abstrata e mais próxima das situações reais.

Para o Papa Francisco, “a diferença entre homem e mulher é uma riqueza”, faz parte do “desígnio de Deus”, que “confiou o mundo e a história à aliança do homem e da mulher”. Durante a audiência ao Instituto João Paulo II sobre os temas da família e do casamento, o pontífice definiu como “muito desconcertante constatar que, agora, esta cultura parece como que bloqueada por uma tendência a apagar a diferença, em vez de resolver os problemas que a mortificam”.

Em uma passagem sobre o casamento, em particular, Bergoglio, citando a sua exortação apostólica pós-sinodal Amoris laetitia, reconheceu que, no passado, a Igreja apresentou “um ideal teológico do matrimônio abstrato demais, quase artificialmente construído, distante da situação concreta e das efetivas possibilidades das famílias assim como elas são”. Hoje, no entanto, a comunidade eclesiástica “deve estar perto de todos”, até mesmo “das situações de fraqueza humana, para que a graça possa resgatá-las, reanimá-las e curá-las”.

Para o papa, a mira das ideologias modernas está voltada ao próprio projeto de família. “Na conjuntura atual, os vínculos conjugais e familiares são postos à prova de muitos modos”, continuou. “A afirmação de uma cultura que exalta o individualismo narcisista, uma concepção da liberdade desvinculada da responsabilidade pelo outro, o crescimento da indiferença para com o bem comum, a imposição de ideologias que agridem diretamente o projeto familiar, assim como o crescimento da pobreza que ameaça o futuro de tantas famílias – ressaltou ainda o papa – são outras tantas razões de crise para a família contemporânea. Depois, há as questões abertas pelo desenvolvimento das novas tecnologias, que tornam possíveis práticas às vezes em conflito com a verdadeira dignidade da vida humana.”

Por isso, Francisco exortou os membros do Pontifício Instituto (do qual ele mudou recentemente a cúpula) “a frequentar corajosamente essas novas e delicadas implicações com todo o rigor necessário, sem cair na tentação de envernizá-las, perfumá-las, ajustá-las um pouco e domesticá-las”.

Jornal La Repubblica.

oratory-autumnA maioria das pessoas tende a concordar com isto: a maneira de se decorar uma casa pode revelar muito sobre as pessoas que vivem nela.

Existem casas alegres e casas carrancudas; casas modernas, casas neoclássicas, casas mediterrâneas; casas joviais e casas envelhecidas, quase agonizantes; casas limpas e casas sujas…

E existem casas budistas, judaicas, muçulmanas, ateias, sincretistas… Ou católicas.

Mas como é uma casa católica?

Evidentemente, nada pode e deve ser mais católico dentro da sua casa do que você mesmo e a sua família. De pouco adianta “enfeitar” a sua sala e os quartos com imagens e símbolos da Igreja se a sua vida não reflete na prática a fé que você diz abraçar. Revista-se você de Cristo – e o mais virá em consequência.

Feita esta premissa fundamental, não deixa de ser importante que também o ambiente ao seu redor seja coerente com a visão de mundo católica.

Uma casa católica é aconchegante e humanamente calorosa. De novo, o principal fator que lhe atribui essas características é o comportamento da sua família, que fique claro. Mas também é relevante que o “estilo” da sua casa católica transmita esse aconchego e calor humano. Entre os elementos que transmitem o “espírito católico” estão coisas prosaicamente singelas, como a boa luminosidade natural, a boa ventilação, a existência de plantas e, se possível, um jardim. Tudo limpo e bem cuidado. A virtude da ordem deve transparecer vitoriosamente sobre o vício da preguiça – e não há decoração mais bonita que a limpeza.

Em termos de estilo, o restante fica a seu critério. Nada impede que a sua casa seja moderna, tecnológica, adornada por obras de arte – ou que seja simples, igual às demais da vizinhança, com nada de luxo. Tudo isso é secundário – é meio, não fim. A relevância desses aspectos aparentes está na intenção e na mensagem que transmitem: se eles servem para transmitir vaidade, apego material, arrogância, então não somente não serão católicos, como sequer serão elegantes. No outro extremo, a falta de recursos materiais tampouco pode ser desculpa para uma casa desleixada, “largada”, descuidada: a mensagem desse outro “estilo” também passa longe de ser católica.

Até aqui, não saímos do básico – mas “básico”, neste caso, é sinônimo de “imprescindível”. Aconchego, simplicidade e limpeza, afinal, são irrenunciáveis.

Bem recebidos por esse ambiente humanamente sadio da sua residência, agora podem (e devem) vir também os elementos mais “especificamente” católicos.

Que tal, para começar, uma imagem de Nossa Senhora ou do Sagrado Coração no jardim da sua casa? Esta seria uma forma, além do mais, de testemunhar aos seus vizinhos que você professa seriamente a fé católica e não precisa escondê-la na sua própria casa.

Passando para os ambientes internos, há um elemento visual essencial em toda casa católica: o crucifixo. De preferência, um em cada cômodo. E não estamos falando apenas da cruz: o crucifixo é o Crucificado, é Jesus pregado à cruz, e não a cruz sozinha. Não é a cruz, como tal, que nos salva: é Cristo, que enfrenta e derrota a morte de cruz, iluminando as nossas próprias pequenas cruzes do dia-a-dia e transformando-as, com o nosso assentimento, em penhor de salvação.

Também são recomendáveis ícones ou imagens de Jesus, de Maria, de São José e do seu santo padroeiro. Mais ainda: é particularmente recomendado entronizar na sua casa o Sagrado Coração de Jesus, consagrando a Ele tanto a sua residência quanto, principalmente, a sua família que nela vive.

É interessante constatar, aqui, que “o mundo” considera todos esses elementos como “cafonas“. Ótimo ponto: serve como teste para a sua coerência. A sua casa prefere agradar ao mundo ou refletir autenticamente aquilo em que você acredita? É claro que não há necessidade de espalhar imagens por todos os cômodos e transformar a sua residência em um museu de peças sacras – além de resvalar em uma espécie de falta de temperança, isto poderia até raiar em falta de confiança filial: “Ah, se eu não encher a minha casa de imagens é porque estou cedendo à vergonha do que vão dizer, e, portanto, estou negando ou escondendo a minha fé”. Cuidado com essas ideias: não seja “católico” por medo. Ser católico não é nada disso. Seja espontâneo, seja simples. Você por acaso acha que uma pessoa que não espalha fotos dos pais, irmãos e filhos em abundância pela casa inteira é porque não gosta deles? Não é isso o que define o nosso amor. Saiba discernir entre a autenticidade e a artificialidade. Esclarecido isto, você encontrará maneiras de ser elegante sem renunciar à sua fé – ou de demonstrar a sua fé sem ser “cafona”.

Com a riquíssima história da arte católica, aliás, você vai facilmente encontrar elementos sacros que se harmonizem também com o seu gosto pessoal.

Pense, ainda, num altar doméstico ou num ícone instalado na parte da casa em que você costuma se recolher para rezar com mais frequência. Afinal, é este o sentido das imagens dentro da fé católica: recursos visuais que só têm razão de ser como meios para nos ajudar no recolhimento e no fervor. As imagens em si não são o alvo da nossa adoração – o que seria, pura e simplesmente, idolatria.

E não se esqueça do carro! Que tal um rosário e uma medalha de São Cristóvão no espelho retrovisor? Lembre-se, antes, de pedir a um sacerdote que os abençoe.

Por fim, você mesmo pode se revestir não só espiritual, mas também “externamente” de Cristo: passe a usar um crucifixo; conheça e adote uma medalha devocional e, principalmente, peça que um sacerdote lhe imponha o escapulário. Mais que lembretes visuais de que você é católico, eles são sacramentais: sinais visíveis da nossa fé e recursos auxiliares para nos estimular na união cada vez mais intensa com Jesus (nada de confundi-los com amuletos!).

Todos esses são recursos a ser adotados – mas há também os elementos a ser abandonados.

Há certos “adornos” que contradizem a fé católica: objetos ditos “místicos” em sentido esotérico ou ocultista, símbolos e ritos pagãos ou de crenças incompatíveis com a fé em Cristo, superstições, imagens e elementos mundanos que não condizem com as virtudes e valores cristãos…

E, mais importante, existem as atitudes a ser abandonadas em uma casa católica. Não só os pecados graves, o que sequer precisaria dizer, mas também aquelas posturas que, de tão comuns e “humanas” que são consideradas em algumas casas, parecem quase fazer parte da “paisagem natural” ali dentro: excesso de televisão ou internet, isolamento e falta de comunicação pessoal e construtiva, hábitos de preguiça e hedonismo, mau humor e irritabilidade, falta de educação e de caridade, falta de higiene e de cuidados consigo e com o próximo, excesso de foco nos prazeres da mesa…

Essas posturas devem ceder espaço ao respeito, ao serviço, ao cuidado, à atenção… Em suma: ao amor. Afinal, se o amor não estiver presente na sua casa, não existe mais nada que possa torná-la católica. Nem o próprio Deus, que só entra na sua vida se o seu amor O autorizar.

Aleteia

jovem_e_velho

A complementaridade entre o jovem e o velho

Por Dom Lourenço de Almeida Prado *

A palavra que o mais velho deve ao moço, será que ele, hoje, sabe dizê-la de modo a ser ouvido com simpatia e, além disso, entendido? Acredito que sim. E direi mais, embora a afirmação surpreenda: para que o mais velho seja entendido pelo mais moço, a primeira condição é que tenha a coragem de usar, sem disfarce, a linguagem do mais velho, sem se dar ao ridículo de imitar a maneira de falar do jovem. Não é o truque que torna o nosso falar comunicativo, mas, ao contrário, o vigor interno de sua lealdade.

O jovem, ainda que nem sempre o confesse, confia no mais velho e deseja ouvi-lo. Ao mesmo tempo, porém, não é sem certo medo que ele se aproxima para o encontro. Receia que a palavra apoiada na experiência, que a mensagem daquele que já viu, possa privá-lo do encanto de descobrir com os próprios olhos o que é bom. O conselho do mais velho, mesmo quando bem-fundado (ou sobretudo quando bem-fundado), pode acarretar para o jovem um sabor de desencanto e frustração.

Esse tipo de conselho, com apoio na experiência, pode ser, sem dúvida, de grande ajuda: evita desperdício de tempo, de oportunidade e de dinheiro, com uma tentativa inútil, abreviando, assim, a busca de um outro caminho que poderá ser mais frutuoso. Contudo, as ilusões juvenis não constituem apenas uma espécie de mentira vital cujo único valor estaria em protelar a decepção do encontro com a realidade. Elas têm uma contribuição positiva na formação da personalidade. Ajudam a apurar a sensibilidade, a criar um olhar mais lúcido para discernir a escolher, e a formar, assim, a têmpera da personalidade madura.

É caindo que a criança aprende a andar.

Nem todas as aventuras ou buscas devem ser cortadas: o jovem deve aprender a sua própria custa, experimentando.

Essa dificuldade no diálogo não é peculiar aos nossos dias. Sempre a força do velho foi a experiência e a do jovem, a atração meio imprudente para conferir tudo. Nem mesmo é de hoje um zelo apegado do mais velho pela ordem, pelas normas e pelos costumes, em desencontro com a aversão do mais moço por tudo que pareça introduzir limites nos seus anseios de liberdade.

O mundo moderno é um mundo antiintelectualista, é um mundo relativista. É um mundo que não crê na verdade. Daí uma certa confusão para o jovem, que pergunta e não recebe resposta convicta. O antiintelectualismo contemporâneo desampara o jovem na sua natural imaturidade.

Talvez venha daí a crise (se existe realmente uma crise) do jovem de hoje: ele é um ser sufocado pela informação, um ser com indigestão de conhecimentos, sem vagar para a reflexão. O rádio, a televisão, internet, colocam o mundo, mais que o mundo, o universo, dentro de casa e não deixam tempo para refletir. Não estará aí a raiz do tédio que atormenta certos arraiais da juventude, que tem tudo – um mundo de ciência e técnica – e não tem nada – porque não há disponibilidade para dedicar-se à vida do espírito?

Diremos, pois: conflito, não; complementaridade, sim. Essa a grande realidade: confunde-se complementaridade com conflito. E a confusão é meio desastrosa, pois a ideia de conflito implica a de separação, enquanto que a complementaridade contribui para a união.

Se tenho algo que o outro não tem, tenho algo a dar a esse outro; se, por outro lado, tenho uma carência de alguma coisa que no outro é superabundante, tenho como acolher o seu transbordamento.

Ai da sociedade onde todos fossem jovens ou todos fossem velhos. Seria uma sociedade manca e disforme. A sociedade precisa do moço e precisa do velho. Precisa que o moço seja moço e o velho seja velho. Se um deles falha à sua tarefa, por simples omissão ou por ceder à tentação ciumenta de representar o papel do outro, surge um vazio irreparável.

Que é que se quer do jovem? O élan para a frente, a audácia, a pressa meio aventureira, uma certa irreflexão e quase imprudência, o movimento mais livre de quem não se comprometeu com o passado, nem está vinculado ao presente, a atração para o novo e pelo inaudito.

Ai da criatura que não tem infância. Ai da sociedade que não é movida e animada pelo ardor juvenil em busca de novos mundos.

Por outro lado, pobre da sociedade em que o velho se expõe ao ridículo de querer ser “para frente”, que é ter vergonha de ser velho. Porque o velho tem também uma função insubstituível. Do velho se espera a reflexão e a medida, o discernimento mais perfeito entre o certo e o errado, a calma madura na ponderação da coisa a fazer, a sabedoria obtida na sucessão das surpresas e percalços de uma caminhada que já vai longe.

* Trechos de um capítulo do livro Educação para a Democracia.