Minha filha de 12 anos sempre me pergunta se ela pode ter um perfil no Instagram. Eu digo que vou pensar, pois ela nem tem celular. Por isso, qualquer ação neste sentido teria que ser a partir do meu telefone e sob minha supervisão. Seria um bom jeito de introduzi-la no mundo das redes sociais, mas ainda mantendo limites e vigilância. 

Tenho tentado me convencer disso. No entanto, ontem, quando ela se preparava para uma festa do colégio, vi como ela fazia um penteado atrás do outro, examinando criticamente cada um antes de suspirar com reprovação e começar novamente. Naquele precioso momento, decidi que ela não ia ter um perfil no Instagram, embora todos os seus amigos tenham.  

Eu odeio ser aquela mãe que diz não, porque é a minha filha que tem que sofrer as consequências da minha decisão. As amigas dela parecem que a enxergam como um E.T. quando ela diz que não tem celular nem Instagram ou Snapchat. Ela está sempre fora dos jogos e dos grupos de mensagens. Eu odeio isso. Odeio que seja porque eu tenha dito não. 

No site Her View From Home, Whitney Fleming escreveu um post sobre este mesmo sentimento, ou seja, sobre a solidão que acompanha a mãe que diz não:

Você sente solidão quando é uma mãe que diz não em um mundo que sempre parece dizer sim. E não é só com as redes sociais. Pode ser sobre os limites de horários ou sobre as festas de pijama… Ser a única mãe que diz não, independentemente do motivo, pode trazer consequências para seu pré-adolescente ou adolescente.

Uma amiga do bacharelado me chamou para dizer que ela foi a única mãe entre 20 que disse que a filha dela não ficaria em uma festa do pijama unissex. Por isso, o grupo a deixou antes do habitual para que ela não alterasse os seus planos.

Outra amiga também me disse que foi ridicularizada por não permitir que seu filho de 16 anos viajasse de férias ao México sem nenhum adulto.

Criar os filhos mais velhos é um equilíbrio delicado. Você quer que eles sejam independentes, mas um erro pode mudar a trajetória da vida deles. Você quer que seu filho ou filha seja aceito(a) por seus pares, mas não ao preço de colocar a segurança deles em risco. Você quer que eles sejam dignos de confiança, mas sabe que ainda não pode confiar plenamente neles.

Em última instância, minha decisão de não permitir que Sienna tenha uma conta no Instagram foi por dois motivos. Primeiro: quero protegê-la da pressão pela busca de um corpo perfeito, que deriva do fato de todos verem o mundo através de retoques e filtros.

A pressão é muito forte para as adolescentes. Foi forte já na minha adolescência, quando nem existiam as redes sociais… O Instagram funciona como uma panela de pressão, aumentando a intensidade das expectativas sociais e criando uma desconexão muito maior entre a realidade e a perfeição dramatizada que aparecia nas revistas de moda da minha adolescência. 

Segundo: não quero oferecer-lhe as tentações para as quais ela ainda não está pronta. Seja a tentação de olhar as coisas que não deve ou a de se juntar à crueldade das meninas que pressionam outras para se sentirem melhores. É preciso um tempo para que ela desenvolva e fortaleça seu caráter antes de sair enfrentando tentações e pressões. 

Detesto o fato de ela ter que pagar socialmente o preço pelo meu não. Mas, ao mesmo tempo, sei que é um preço menor do que ela pagaria se eu dissesse sim. E este é um equilíbrio que eu estou mais do que disposta assumir, independentemente da solidão que nós duas teremos que sentir. 

Calah Alexander

O Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee, em francês) publicou nesta semana um estudo que mostra que seis a cada dez crianças nasceram fora do casamento na França em 2017, um recorde europeu. No total, 59,5% dos nascimentos não seguiram a lógica matrimonial

O número de nascimentos fora do casamento se multiplicou por dez desde os anos 1960 – em 1965, eles eram apenas 5,9%. Já em 2007, essa taxa subiu para 50,7%.

Os dados apontam que a frequência é maior nos departamentos e regiões ultra-marítimas (83,6%), no oeste (72,3%) e no centro (75,9%) da França. Já em Paris, apenas 47% dos pais não estavam casados na hora do nascimento.

Esse é o caso de apenas alguns países da União Europeia, como Portugal (52,8%), Espanha (45,9%), Reino Unido (47,7%), Bélgica (49%), ou Alemanha (35%). No extremo oposto estão a Grécia, com apenas 9,4% de casais que não se casaram antes de terem um filho, seguida por Croácia (18,9%), Chipre (19,1%) e Polônia (25%).

A evolução dos costumes foi acompanhada pela legislação francesa, que, desde 2016, não estabelece em seu Código Civil a distinção entre crianças “legítimas” (pais casados) e “naturais” ou “ilegítimas”.

Antes dos anos 1980, os casais também não esperavam o casamento para ter uma criança, mas era frequente a “regularização da situação” ao propor um matrimônio durante a gravidez

Uma parcela da sociedade francesa, que não aprova as profundas mudanças de comportamento no país, pede um retorno dos hábitos tradicionais. Isto é: que somente os casais heterossexuais tenham acesso à troca de alianças e também que ela ocorra antes da concepção dos filhos.

Criada durante o debate da adoção da lei que permitia o matrimônio aos casais homossexuais, o movimento Manif pour tous (“Manifestação para todos”, em oposição a “Casamento para todos”) mobiliza os franceses mais conservadores e também é contra o aborto, prática legal na França.

Fonte G1

Algumas pessoas sonham com um relacionamento sem conflitos, mas isso não é necessariamente saudável: pode ser um sinal de dependência emocional ou psicológica excessiva, ou de que um dos parceiros está sempre concordando com o outro.

Na verdade, conflitos e desentendimentos provam que a relação tem vitalidade. O trabalho, as crianças, os parentes e o dinheiro são todos tópicos que podem provocar debates acalorados. Mas os desentendimentos também são oportunidades para vocês se conhecerem e se amarem mais profundamente. Seja qual for a fonte do conflito, é importante saber como navegar esses desentendimentos, mantendo a relação intacta.

Mais importante do que a causa real da discussão, que pode ser grande ou pequena, é o impacto que um conflito tem nos parceiros. Para ajudá-lo a decidir sobre um plano de ação, pense em sua situação em termos de advertência de avalanche: baixo risco, risco em certas áreas, risco em várias áreas, alto risco e risco muito alto – para o relacionamento. Para evitar ser levado pela avalanche, aqui estão as estratégias para cada nível de risco – para ajudá-los a passar pelo conflito enquanto fortalecem seu relacionamento:

Baixo risco: corrigir imediatamente

Se um pequeno erro resulta em sentimentos feridos, um beijo e uma desculpa sincera muitas vezes podem ser suficientes para corrigir. Evite provocações ou brincadeiras. Basta dizer: “Desculpe-me”. Existem poucas frases tão eficazes quanto essa!

Risco em certas áreas: tome medidas preventivas

Alguns parceiros evitam completamente o conflito. Outros tendem a falar tudo no calor do momento e correm o risco de machucar o outro com palavras irritadas. Se você se encontra no extremo ou em algum lugar no meio disso, uma reunião semanal pode ajudar a facilitar a comunicação construtiva.

Sabendo que todas as noites de sexta-feira, por exemplo, eles revisitarão coisas que surgiram durante a semana, pode dar segurança aos cônjuges. Tais reuniões podem ser usadas para discutir a próxima semana, fazer planos para o fim de semana e lidar com o conflito ou uma amargura do passado. Não é necessariamente fácil – agendar esta reunião semanal regular pode exigir sacrifício – mas pode valer a pena. É um esforço que permite que você se refresque todas as semanas, trabalhe os mal-entendidos, perdoe um ao outro… Uma vez que você tiver um hábito melhor de comunicação, você pode ser mais flexível com os tempos de reunião.

Risco em várias áreas: use as ferramentas de comunicação

Assim como evitamos tocar um motor até ele esfriar para não nos queimarmos, também devemos evitar abordar o conflito quando as emoções são calorosas. Pare e defina um tempo para revisitar a situação. Antes de lidar com o conflito como um casal, tire um tempo sozinho para ouvir seus próprios sentimentos, aceitando todos: raiva, desgosto, rejeição, frustração, tristeza, falta de compreensão, decepção, espanto… Também faça um balanço de qualquer necessidade de descanso não atendido, apoio, compartilhamento, compreensão etc.

Espere até que ambos se sintam calmos e receptivos antes de voltar a conversar. Se o seu parceiro ficar quieto, faça perguntas abertas para atrai-lo para a conversa. Lembre-se de que cabe a você assumir a responsabilidade por suas necessidades. Às vezes, o simples passo de nomeá-las pode criar mudanças positivas.

Compartilhe seus próprios sentimentos e experiência e pergunte ao seu parceiro qual a perspectiva dele(a). Evite declarações acusatórias contra a outra pessoa. Ao invés disso, use frases como “Eu acho que… Eu sinto… Do meu ponto de vista…”. Esta abordagem convida ao diálogo e à troca genuína.

Uma vez que ambos os parceiros se sentem ouvidos e entendidos, mude para a ação. Tendo em conta suas respectivas necessidades, quais as decisões necessárias para resolver esse conflito? Como você pode evitar um conflito semelhante no futuro?

Alto risco: dê um passo para trás

Se você está enfrentando um grande desacordo, primeiro determine se é um conflito de valores ou um conflito de necessidades. Conflitos de valores são particulares para as pessoas envolvidas. Eles se relacionam com você e sua história pessoal e muitas vezes exigem que um ou ambos os parceiros revisem alguns critérios. Exemplos desse tipo de conflito: “Meu marido se recusa a usar um colete no casamento da prima Clara”. “Minha esposa se recusa a deixar nossa filha furar as orelhas”, ou “Ela deixa a nossa filha usar maquiagem aos 13 anos”. Há muito drama envolvido nesses tipos de conflitos, particularmente se eles tocam valores pessoais.

Reconhecer que nossos pontos de vista diferem é um grande passo que requer objetividade e abertura mental. Um ou ambos precisam fazer concessões; certifique-se de que nem sempre é o mesmo parceiro que concede, e que ambos estão fazendo esforços para se adaptar. Se possível, tente transformar um compromisso em um ato de amor. Fazer sacrifícios um pelo outro pode realmente fortalecer o vínculo matrimonial, se for feito de bom grado e com amor; como seres humanos, quanto mais nos sacrificamos para investir em algo – incluindo um relacionamento –, mais nos identificamos com ele e nos comprometemos com seu sucesso.

Muito alto risco: agir imediatamente

Se você está profundamente deprimido, desencorajado e ferido, e você acha que a conversa não te leva a lugar algum, procure ajuda profissional. Conselheiros matrimoniais ou terapeutas de casais podem fornecer ferramentas e conselhos para ajudá-los a sair de uma situação difícil. É uma boa ideia procurar ajuda antes que a situação se torne insuportável.

Insultos repetidos e/ou violência física não são simplesmente desentendimentos ou conflitos: são incidentes de abuso. Se você estiver nessa situação, registre a ocorrência ou ligue para serviços de emergência para obter ajuda imediata. O suporte está disponível para ajudar a tomar as decisões certas para você e para a segurança de seus filhos.

Autor: Bénédicte de Dinechin

A meio século da publicação da Humanae vitae (25 de julho de 1968), um estudo reconstrói a gênese do documento com o qual o Papa Paulo VI condenou a contracepção artificial. O resultado dessa pesquisa histórica é o livro La nascita di un’enciclica [O nascimento de uma encíclica. imagem acima] (Libreria Editrice Vaticana, 288 páginas), assinado por Gilfredo Marengo, professor de Antropologia Teológica no Pontifício Instituto João Paulo II, que, em virtude de uma permissão especial do Papa Francisco, examinou os documentos dos Arquivos Vaticanos, trazendo à luz fatos inéditos.

Monsenhor, por que sentiu a necessidade de um estudo tão aprofundado sobre a Humanae vitae?

Como se sabe, estamos diante de um dos documentos eclesiais mais debatidos e contestados. Nestes anos, convenci-me de que muitas dessas críticas dependem, senão exaustivamente, pelo menos em grande parte de conjecturas sobre o processo seguido na elaboração da encíclica. Por isso, acredito que um estudo rigoroso, centrado nas fontes conservadas nos Arquivos Vaticanos, pode contribuir para restaurar as intenções reais de Paulo VI.

O senhor também considera que a Humanae vitae, na memória coletiva, foi achatada na sua estigmatização à pílula, fazendo com que se perca de vista aquela urgência pastoral de acompanhamento dos casais tão sentida por Montini e expressada por ele na terceira e última parte do texto?

O papa, em consciência, considerou que devia condenar a contracepção artificial, mas, ao mesmo tempo, estava ciente da dificuldade de recepção de tal pronunciamento. Ele sentia a complexidade para os casais cristãos de acolher esse juízo moral sobre a pílula. Não por acaso, no ditado da encíclica, está muito claro como Montini se esforçou em convidar os fiéis a refletir, a entender as razões de uma proibição que, nas suas intenções, não era e não devia ser uma mortificação da sexualidade e do amor, mas sim um objetivo positivo a ser alcançado com um percurso de acompanhamento.

O “não” de Montini à pílula se justifica apenas de um ponto de vista moral ou os Arquivos Vaticanos também mostram algo mais?

Os documentos nos entregam um papa fortemente preocupado com as políticas de birth control patrocinadas pelas agências internacionais nos países africanos em desenvolvimento, que, naqueles anos, saíam do colonialismo. Chegavam continuamente até ele cartas das nunciaturas apostólicas daqueles territórios nas quais se denunciavam essas atitudes. Infelizmente, o fato de ter reduzido a Humanae vitae apenas ao juízo moral sobre a contracepção artificial ofuscou a grande intuição de Montini, que previra a dramática desnatalidade dos nossos dias. A reivindicação moral e a reivindicação voltada a combater a queda demográfica caminhar de mãos dadas nele.

Contestado pelos ambientes progressistas por ter removido o tema da pílula do debate conciliar e por não ter dado prosseguimento às indicações liberais elaboradas pela comissão ad hoc, deve-se reconhecer a Paulo VI o fato de ter se recusado a considerar a Humanae vitae como infalível. Quem pressionava para encerrar de uma vez por todas o debate na Igreja sobre a contracepção?

As pressões vinham principalmente dos ambientes da Cúria ligados à Tradição. Os mesmos setores pelos quais foi elaborada, depois, entre 1967 e 1968, a De nascendae prolis. Um documento que, apesar de alguma antecipação da imprensa publicada nos últimos dias, não abria de modo algum à legalidade da pílula. Seu redator, o padre dominicano Mario Luigi Ciappi, no máximo estava preocupado em preparar uma sólida estrutura doutrinal em apoio da procriação como fim primário do matrimônio, rejeitando, consequentemente, na verdade de maneira definitiva mais do que infalível, a contracepção artificial e sem assumir um forte perfil pastoral do texto.

Como se explica o fato de Montini não querer deixar no debate conciliar um tema tão delicado como o da pílula?

Paulo VI, durante o Vaticano II, sempre sentiu a urgência de salvaguardar e mostrar ao exterior uma Igreja unida, em vez de dividida em várias posições. Com a Gaudium et spes, o Concílio afirmou, pela primeira vez, por um lado, que, se se quiser descrever o matrimônio, é preciso partir do amor entre os cônjuges; por outro, que a paternidade responsável é um valor e não uma concessão, como havia sido entendida por Pio XII no seu “Discurso às parteiras”. Chegou-se a esses resultados após um duro e denso debate entre os bispos, que convenceu Paulo VI do fato de que, com muita probabilidade, pôr como tema um juízo sobre os métodos de regulação dos nascimentos criaria fortes divisões entre os Padres conciliares.

No fim, ele decidiu e foi contra as orientações da comissão especial sobre a pílula e da maioria dos bispos, como também demonstra, no seu pequeno âmbito, o resultado da sondagem de 1967.

A clareza de juízo que Montini havia amadurecido sobre o problema convenceu-o a proceder em uma direção diferente da que, de vários modos, a maioria daqueles que ele havia consultado lhe sugeriu. Certamente não foi uma decisão fácil, mas ele a tomou com grande serenidade, embora ciente de que isso o exporia a reações críticas fortes, como de fato aconteceu.

Hoje o senhor acha que há margens para uma atualização da encíclica?

Não se trata de “atualizar a encíclica”, mas de valorizar o seu ensinamento, à luz de tudo aquilo que, nesse meio século, a vida eclesial amadureceu sobre os temas fundamentais do matrimônio e da família, de João Paulo II ao atual papa. Pessoalmente, considero profética a decisão tomada por Paulo VI em 1968. Os conteúdos da Humanae vitae provavelmente ainda precisam ser mais bem acolhidos e compreendidos.

Fonte: Pacem in Terris, 25-07-2018.

Quando pergunto aos casais qual é o vínculo mais forte e indestrutível que os mantêm juntos, geralmente recebo a mesma resposta: as crianças. E, claro, isso faz sentido. Mas… se fosse realmente forte e indestrutível, por que ainda existe tanto divórcio?

Portanto, não são as crianças que nos mantêm unidos, mas nossa capacidade de amor e compromisso mútuo, de autodoação e de permanecer uma prioridade um para o outro. As crianças são fruto do nosso amor e uma enorme benção. Mas, infelizmente, para muitos casais, esse amor – o mais puro dos amores – não é suficiente para combater o egoísmo e evitar o divórcio.

Deixe-me explicar. As crianças são o presente mais belo que a vida pode nos dar e, é claro, temos que amá-las incondicionalmente e dedicar nosso tempo, esforço e tudo mais para elas. Mas não podemos descuidar da pessoa que deve ser a nossa principal prioridade, mesmo acima dos nossos filhos: nosso cônjuge.

A intimidade na vida conjugal vai muito além de um mero encontro sexual. Isso significa nos permitir nos conhecer verdadeiramente como somos, desde a alma. Isso significa comunicar nossos espíritos sem medo de ser julgado porque só existe amor entre nós e sentimos que podemos nos abrir completamente. Significa deixar nossos corações dialogarem, muitas vezes sem palavras. A ideia é que nosso relacionamento como marido e mulher seja o mais íntimo de todas as relações humanas.

Então, eu vou te pedir para voltar no tempo, para aqueles anos na escola, na sua aula de matemática quando você aprendeu sobre a adição. Eles pediram que você colocasse dois círculos juntos, ligeiramente sobrepostos. Havia uma interseção, um campo que ambos os círculos tinham em comum, e isso poderia ser tão grande ou tão pequeno quanto sua proximidade permitia. Quanto mais longe, menor é o vínculo. Quanto mais próximo, maior o vínculo.

Mas essa interseção é precisamente onde a nossa vida conjugal é vivida: é tudo o que temos em comum. Se tentamos fazer tudo o que pudermos para nos unir no amor, no respeito, na compaixão, no serviço mútuo, no perdão, na fé, no compartilhamento de alegrias e tristezas, sucessos e fracassos, nosso vínculo será bem nutrido, o que significa que teremos uma sólida e impenetrável cidade murada.

Mas se cada um de nós faz o que fazemos com nossa própria vida, separando-nos de nosso propósito comum, que é tornar-se feliz e ser o caminho para a realização um para o outro, então caímos no egoísmo e nossas prioridades de vida são diferentes ou não coincidem. E todos nós sabemos como isso acaba.

E podemos ver isso na epidemia de divórcios em casamentos de ninhos vazios. Estes são casais que perderam o caminho, que se esqueceram disso antes de se tornarem pais, eles eram um casal. Eles se tornaram pais e então se esqueceram de ser esposos, amigos, enamorados, confidentes, parceiros, companheiros na jornada.

Os anos passam, e pouco a pouco eles têm cada vez menos coisas em comum, porque eles pararam de alimentar seus laços como um casal. As crianças, o único vínculo que os mantêm juntos, não estão mais em casa. Agora eles são dois estranhos perfeitos – emocionalmente falando – vivendo sob o mesmo teto, comendo na mesma mesa e dormindo na mesma cama. E, é claro, uma vez que esse sentimento de “duas solidões juntas” não é agradável, eles se separam. Ou pior ainda, eles se divorciam, acreditando que essa é a solução.

Eu insisto, para que nossa intimidade cresça, e para que nosso vínculo se torne cada vez mais forte, precisamos alimentá-lo todos os dias através de detalhes, compartilhando atividades e gostos, falando palavras de afirmação, e assim por diante. Acredite, é muito mais simples do que parece. Aqui estão alguns pontos a considerar:

  • Para nutrir nosso vínculo conjugal, pense mais sobre seu cônjuge e menos sobre seus próprios gostos e preferências.
  • Conheça suas necessidades emocionais e o que você pode fazer para se encontrar mutuamente.
  • Conheça as áreas de intimidade que existem e trabalhe para nutrir cada uma delas. Eu vou compartilhar alguns que o Dr. Chapman menciona em seu livro Covenant Marriage: Building Communication & Intimacy:
    • A intimidade intelectual: compartilhar pensamentos, experiências, desejos ou ideias que o estimulam. Por exemplo, compartilhar um bom livro que acabei de ler e aquele filme fabuloso que me impressionou.
    • A intimidade emocional: isso significa compartilhar nós mesmos, nossos sentimentos e emoções. É quando nos abrimos e participamos do que sentimos e convidamos o outro a fazer o mesmo.
    • A intimidade espiritual: é o que um indivíduo pode compartilhar sobre seu relacionamento com Deus e como isso nos convida a refletir sobre o significado da vida. Por exemplo, compartilhar e refletir sobre as leituras da missa dominical.

É importante cuidar da nossa intimidade como um casal, porque será o veículo que alimenta nosso vínculo. Se estiver bem alimentado, nada será capaz de destruí-lo, não importa quão forte a tempestade, ou quantas crises atingirem nossa casa. E também se torna tão forte que nenhum terceiro poderá entrar. Lembremos que uma terceira pessoa só pode entrar quando há espaço suficiente entre os dois.

Luz Ivonne Ream

Sabendo que cada criança é única e tem o seu próprio ritmo, você pode (e deve) fazer a sua parte para incentivá-la em seu pleno desenvolvimento

Por volta do terceiro aniversário, o mundo de seu filho está repleto de fantasia e vívida imaginação. São anos de tremendo crescimento!

Mas quais são os marcos de desenvolvimento que a criança costuma atingir entre os 3 e 4 anos de idade?

Seguindo critérios da Academia Americana de Pediatria no livro “Caring for Your Baby and Young Child: Birth to Age 5”, vamos considerar algumas conquistas específicas que são próprias dessa idade:

Habilidades motoras gerais

  • Pular e se apoiar em apenas um pé durante até 5 segundos
  • Subir e descer escadas sem apoio
  • Chutar uma bola para frente
  • Lançar uma bola com a mão
  • Conseguir agarrar, na maioria das vezes, uma bola quicando
  • Mover-se para frente e para trás com agilidade

Habilidades motoras finas (mãos e dedos)

  • Copiar formas quadradas
  • Desenhar pessoas com 2 a 4 partes do corpo
  • Usar tesouras
  • Desenhar círculos e quadrados
  • Começar a copiar algumas letras maiúsculas

Conquistas na fala

  • Dominar algumas regras básicas da gramática
  • Construir frases de 5 a 6 palavras
  • Falar com clareza suficiente para ser entendido por estranhos
  • Contar histórias

Conquistas cognitivas

  • Saber o nome correto de algumas cores
  • Entender o conceito de contar e reconhecer alguns números
  • Lidar com problemas de um ponto de vista individual
  • Começar a ter clara noção do tempo
  • Seguir ordens de três partes
  • Lembrar partes de uma história
  • Entender os conceitos de “igual” e “diferente”
  • Participar de brincadeiras de imaginação e fantasia

Marcos sociais e emocionais nessa fase

  • A criança se interessa por experiências novas
  • Colabora com outras crianças
  • Torna-se cada vez mais criativa nas brincadeiras de imaginação e fantasia
  • Consegue se vestir e se despir
  • Negocia soluções para dilemas e problemas
  • É mais independente
  • Considera a si mesma como uma pessoa com corpo, mente e sentimentos
  • Frequentemente, não consegue distinguir entre fantasia e realidade

Lembre-se: cada criança se desenvolve no seu próprio ritmo!

Como cada criança se desenvolve à sua maneira, é impossível dizer exatamente quando ou como cada um deve aperfeiçoar certa habilidade específica. Esses marcos de desenvolvimento dão uma ideia geral das mudanças que podem ser esperadas à medida que as crianças crescem, mas você não precisa ficar alarmado se levar um pouco mais ou um pouco menos de tempo para que o seu filho os alcance. Cada criança é única!

A melhor maneira de apoiar as crianças no seu crescimento é estar perto delas, dedicar tempo a elas, estimulá-las entrando no seu próprio mundo e, acima de tudo, dar-lhes muito amor. Não é apenas a quantidade de tempo que passamos com elas: é também e principalmente a qualidade do tempo. As crianças se sentem estimuladas quando se sentem amadas e protegidas.

Fonte original: Aleteia

Conheci muitos casamentos felizes, mas nunca um compatível. O objetivo do casamento é lutar contra o instante em que a incompatibilidade torna-se inquestionável, e sobreviver a ele. Pois um homem e uma mulher, tais como são, são incompatíveis.” (G.K. Chesterton. O que há de errado com o mundo)

Os conflitos conjugais são uma realidade séria. De simples desacordos a grandes conflitos, todo casal tem discussões. Não se deixe enganar pelos “casais perfeitos” do Facebook e do Instagram. As pessoas não vão postar aspectos negativos de suas vidas. Alguns casais afirmam que nunca tiveram uma diferença de opinião durante toda a sua vida conjugal. Isso é realmente possível? É difícil acreditar que Deus já fez duas pessoas tão parecidas em todos os sentidos que suas opiniões coincidiram em tudo!

Um conflito deve ser resolvido antes que fique fora de controle. Mesmo as pequenas divergências, se não forem resolvidas, podem infeccionar por anos e um dia explodir como um vulcão.

Algumas brigas nunca terminam, elas duram anos, enquanto outras parecem desaparecer sem chegar a uma conclusão, aprofundando assim o ressentimento.

O primeiro choque geralmente ocorre algumas semanas ou meses após o casamento, quando percebemos que nosso cônjuge “perfeito” não é tão perfeito assim, e começamos a nos irritar com pequenas “imperfeições” em sua personalidade. Isso é perfeitamente normal e deve ser trabalhado.

Esta lista ajudará você a trabalhar algumas situações de conflito em seu casamento.

1. Desentenda, mas supere 

  • Não evite brigas a qualquer custo. Desentendimentos são uma parte saudável do relacionamento e todo casal os tem. O que é mais importante é como você briga. Quando houver um conflito, supere-o, para não permitir que uma briga destrua seu amor. Sempre tendo em mente que seu cônjuge não é seu inimigo. Trabalhar seus desentendimentos fará de vocês um casal mais forte. 

 2. Não fique em silêncio 
  • Quando há uma briga, é importante se comunicar e falar sobre isso. Recusar-se a falar com a outra pessoa só vai piorar a situação. É claro que, no começo, você pode ficar em silêncio para mostrar que está com raiva, mas não prolongue esse silêncio por muito tempo. Quando seu cônjuge vier até você depois de algum tempo e disser que quer falar sobre isso, não recuse. Não importa o que aconteça, não vá dormir com raiva. “Não deixe o sol se pôr em sua raiva. Ir para a cama com raiva fará você pensar mais e desenterrar ainda mais problemas. Você não estará feliz automaticamente na manhã seguinte.

3. Lembre-se você mesmo: “eu não sou perfeito(a)”

  • Muitos conflitos surgem quando um cônjuge constantemente culpa a outra pessoa por tudo que está errado. Nenhum marido e nenhuma esposa são perfeitos. Estar ciente de que os dois não são perfeitos irá ajudá-los a encontrar uma solução. O casamento implica ser flexível e abrir espaço para a personalidade do seu cônjuge. No coração de todo conflito está o eu, o ego. O verdadeiro problema é que, mesmo dentro do casamento, quero que minha liberdade irrestrita faça o que me agrada, esperando, ao mesmo tempo, a aprovação incondicional do meu cônjuge. Em outras palavras, quero ser o sol com meu cônjuge orbitando a minha volta como um planeta dedicado.

  • Nos casos em que a questão se tornar séria, peçam a um amigo(a) em comum (uma pessoa em quem ambos confiam e que seja objetiva e neutra) para mediar entre os dois. Pode ser um amigo confidente da família, um membro da família ou até mesmo um padre. Pode haver momentos em que ir juntos para aconselhamento matrimonial seja, talvez, inevitável. Não se recuse a ir mesmo se você acha que o outro é que tem culpa. O objetivo da mediação é ajudar os dois a resolver seus problemas, não para determinar quem foi o culpado. Lembre-se de que, afinal, você ama seu cônjuge, quer permanecer casado(a) e a outra pessoa provavelmente sente o mesmo por você. 

5. Não faça ameaças 

  • Não diga coisas ofensivas quando estiver zangada(o), o que pode causar uma divisão permanente entre você e seu cônjuge. Não ameace o divórcio, nem saia de casa ou qualquer outra coisa. Faça um acordo para nem mesmo mencionar essa palavra em seu casamento, não importa o quão ruim seja a discussão ou a situação (supondo que não haja abuso ou infidelidade). Quando você está se sentindo completamente furiosa(o), apenas se afaste por um momento, e dê à sua mente e coração tempo para soltar o vapor

6. Não traga o passado  

  • Mantenha sua conversa fixa no problema atual. Não tente expor todas as outras circunstâncias quando estiver insatisfeita(o) com seu cônjuge. Muitas coisas no passado são apenas isso, história, e nada pode ser feito sobre isso. Manter uma lista de erros do passado não ajuda seu relacionamento. Você pode ficar para sempre infeliz no passado ou pode decidir ser feliz no futuro.

7. Não lave sua roupa suja em público 

  • Lembre-se de que, por mais que você esteja chateada(o), seu cônjuge merece seu respeito e proteção em público. Não fale sobre seus problemas na frente dos outros, e, pior ainda, não reclame do seu cônjuge com seus parentes e amigos. E nunca brigue na frente de seus filhos. Seja a fortaleza de seu cônjuge em público, não importa se você tiver desentendimentos em casa

8. Peça desculpas

  • Quando você sabe que cometeu um erro, não deixe que o orgulho atrapalhe você a pedir desculpas. Muitas vezes, as palavras mais amorosas em um casamento não são “eu te amo”, mas “por favor, desculpe-me”. Ter a humildade de admitir que você estava errada(o) e pedir perdão quebra barreiras entre você e seu cônjuge e ajuda a reconstruir seu relacionamento. Alguns pensam que pedir desculpas é um sinal de fraqueza. Algumas pessoas têm medo de perder o contato com as pessoas que amam se admitirem suas falhas. Mas o oposto é verdadeiro; ser honesto sobre si mesmo, realmente fará você ganhar mais respeito do outro.

9. Tire um tempo para você 

  • Em casos extremos, onde há abuso emocional ou físico, ou infidelidade contínua, não é errado tirar um tempo e se separar do seu cônjuge por um período de tempo. Na verdade, é provavelmente a coisa certa a fazer. Muitas vezes, o cônjuge que errou só chega a uma profunda compreensão de seus defeitos quando o outro sai de casa. No entanto, este passo deve ser tomado com extrema prudência. Geralmente é um último recurso. Também não pense em “divórcio” imediatamente. Muitos conflitos são curados com o tempo. Separação, não divórcio, é o melhor passo nessas circunstâncias.

O amor não é um mero sentimento, pois amar exige uma firme decisão. Você tem que trabalhar a si mesma(o) ao invés de ficar tentando mudar o outro. Mas esse trabalho deve ser feito em conjunto, com a graça de Deus e através da oração

Penso muitas vezes nas bodas de Caná. O primeiro vinho deixou-os felicíssimos: é o enamoramento. Mas não dura até ao fim: deve aparecer um segundo vinho, isto é, deve ferver e crescer, amadurecer. Um amor definitivo que se torne realmente «segundo vinho» é mais lindo, é melhor do que o primeiro vinho. E é isto que devemos procurar”. – Papa Bento XVI

Fr Joshan Rodrigues

O Papa Francisco atualizou os estatutos do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, acrescentando, entre outras coisas, uma referência específica à sua responsabilidade de promover uma reflexão mais aprofundada sobre o papel das mulheres na Igreja e na sociedade.

“O organismo trabalha para aprofundar a reflexão sobre a relação entre homem e mulher em suas respectivas especificidade, reciprocidade, complementaridade e igual dignidade”, diz o novo estatuto. “Valorizando o “gênio” feminino, dá a sua contribuição na reflexão eclesial sobre a identidade e missão da mulher na Igreja e na sociedade, promovendo sua participação”.

Os novos estatutos, aprovados pelo Papa a título experimental, foram lançados pelo Vaticano no dia 8 de maio e entrariam em vigor no dia 13 de maio. Eles substituem os estatutos publicados em junho de 2016, pouco antes de o novo escritório começar a operar sob a liderança do cardeal dos EUA, Kevin Farrell.

Embora grande parte dos artigos dos estatutos tenha sido alterada, o novo conjunto eliminou o requisito de o escritório ter três seções separadas — para leigos, para a família e para a vida —, cada uma presidida por um subsecretário. No entanto, segundo os novos estatutos o escritório terá “pelo menos dois subsecretários leigos”.

O artigo introdutório acrescentou uma referência para como, “segundo os princípios da colegialidade, sinodalidade e subsidiariedade”, o dicastério deve manter relações com as Conferências Episcopais, Igrejas locais e outros órgãos eclesiais, promovendo a colaboração entre eles.

E, em resposta ao chamado do Papa Francisco em “Amoris Laetitia” para melhorar os programas de preparação para o matrimônio, os novos estatutos exigem que o dicastério ofereça “diretrizes para programas de treinamento para preparar para o matrimônio e para jovens casais”.

Os estatutos também dão uma maior responsabilidade ao dicastério de expressar “o cuidado pastoral da Igreja também em relação a situações chamadas ‘irregulares'”, como casais que vivem juntos e casais que se divorciaram e casaram novamente no civil.

O novo documento também expandiu as referências aos cuidados do escritório com jovens e jovens adultos, promovendo seu envolvimento na Igreja e defendendo suas necessidades na sociedade.

O dicastério, segundo o estatuto, “expressa a preocupação específica da Igreja com os jovens, promovendo seu protagonismo em meio aos desafios do mundo atual. Ele apoia as iniciativas do Santo Padre no campo do ministério juvenil e está a serviço das conferências episcopais, dos movimentos e das associações juvenis internacionais, promovendo sua colaboração e organizando reuniões em nível internacional”.

Fonte: Catholic News Service

Engole… Engole! É só água. Tua boca tá cheia d’água. Engole. Então cospe. Aqui, cospe. Cospe!

Ouvi de dentro de meu apartamento. Logo acima do play. Só poderia ser uma cuidadora de idoso ou uma babá de criança. Fui à varanda. Vi uma senhora numa cadeira de rodas, bem vestida e elegante, com um chapéu para proteger do sol. E a cuidadora uniformizada. Não havia agressão física. A cuidadora apenas dava ordens impacientes.

Pensei no que pode ter sido a vida daquela mulher. Cresceu, estudou, amou, trabalhou, teve filhos, viajou, discutiu, chorou, riu. Como todos nós, uns mais, outros menos. E agora estava ali, à mercê de alguém sem preparo e sem sensibilidade para perceber que ela não fazia de propósito. Simplesmente desaprendera ou não conseguia mais deglutir. Por falta de coordenação central e motora. (…) 

Hoje, grande parte de minha geração tem pais muito idosos. Mais ou menos lúcidos. Mais ou menos dependentes. Com frequência, nas famílias, apenas um filho se responsabiliza de verdade pelo pai ou pela mãe, os outros são figurantes. Essa função nos obriga a tomar atitudes para as quais nunca nos preparamos. Não há curso nem manual. Somos testados em nossa generosidade e compaixão.

A primeira-ministra britânica Theresa May criou em janeiro o Ministério da Solidão para enfrentar “a epidemia oculta da sociedade moderna”: idosos que não têm ninguém ou, pior, que são ignorados por seus filhos. Não recebem visitas, não ganham presentes nem beijinhos. Irritam os filhos por dar trabalho, por ficar doentes, por não escutar direito, por esquecer, por desaprender de conversar ou até de deglutir. Os velhos percebem quando os filhos não desejam mais sua companhia. Uns se envergonham de pedir atenção. Outros protestam, carentes. E muitos desejam, nesse momento, morrer. Não conseguem engolir a solidão.

A psicóloga Ana Fraiman é dura com o egoísmo de filhos e netos convictos de que bastam algumas poucas visitas, rápidas e ocasionais, para ajudar no bem-estar dos mais velhos. Muitas vezes, “os abandonos e as distâncias não ocupam mais que algumas quadras ou quilômetros que podem ser vencidos em poucas horas.” Ana percebe que nasceu uma geração de pais órfãos de filhos vivos. “Pais órfãos que não se negam a prestar ajuda financeira. Pais mais velhos que sustentam os netos nas escolas e pagam viagens de estudo fora do país. Pais que lhes antecipam herança. Mas que não têm assento à vida familiar dos mais jovens, seus próprios filhos e netos, em razão, talvez, não diretamente de seu desinteresse, nem de sua falta de tempo, mas da crença de que seus pais se bastam”.

Uma providência para quem deseja morrer com dignidade é viver com dignidade. Uma das formas de viver com dignidade é amar quem se dedicou a nós. Demonstrar em pequenos gestos. Você já comprou um ovo de Páscoa para seu pai ou sua mãe neste domingo?

Ruth de Aquino, jornalista

O Arcebispo de Braga, Portugal, Dom Jorge Ortiga, apresentou na quarta-feira, 17 de janeiro, um serviço de acompanhamento de divorciados em segunda união, a fim de ajudá-los em processos de nulidade ou, na impossibilidade destes, promover uma maior integração destes casais na vida eclesial, ressaltando que não se está oferecendo a estas famílias uma “autorização geral” para voltar a receber aos sacramentos.

“A primeira ajuda a oferecer aos fiéis divorciados que vivem em nova união é o disponibilizar de um serviço de informação e aconselhamento para averiguar a existência de algum fundamento que possa introduzir a causa de declaração de nulidade do matrimônio no Tribunal Eclesiástico”, afirmou o Arcebispo Primaz, Dom Jorge Ortiga em coletiva de imprensa.

O Prelado acrescentou que, “aos que não podem obter a declaração de nulidade mas querem viver a fé cristã numa boa relação com Deus e com a Igreja, é proposto um ‘itinerário de responsável discernimento pessoal e pastoral’, com o objetivo de uma maior integração”, com base no capítulo VIII da exortação apostólica Amoris Laetitia, intitulado “Acompanhar, discernir e integrar a fragilidade”.

As indicações a respeito desse novo serviço de acompanhamento das famílias está na Carta Pastoral “Construir a Casa sobre a Rocha”, documento que “procura apenas sublinhar resumidamente algumas orientações para esta renovação pastoral, nomeadamente no que respeita à preparação para o matrimônio, ao acompanhamento de casais jovens e à integração eclesial dos divorciados que vivem em nova união”, como resumido em sua introdução.

Segundo Dom Jorge Ortiga, o “Serviço Arquidiocese de Acolhimento e Apoio à Família” pretende “disponibilizar um acompanhamento integral e multidisciplinar” dos desafios e problemas que as famílias enfrentam, “com seriedade e sempre de forma fiel à doutrina da Igreja”.

Nesse sentido, o novo serviço tratará de diversas questões como a violência doméstica, dependências, vida matrimonial e sexual, questões de foro espiritual, além da situação dos divorciados recasados. Conta ainda com uma “equipe estável”, composta por uma jurista em Direito Canônico e Civil, um psicólogo, um psiquiatra, uma médica de Medicina Geral e Familiar e três sacerdotes jesuítas.

Em relação aos divorciados recasados, além de apresentar “critérios de orientação pastoral para a aplicação do capítulo VIII da Exortação Apostólica Amoris Laetitia”, o documento apresenta ainda um anexo com “Proposta de elementos práticos para um processo de acompanhamento, discernimento e integração de pessoas divorciadas em nova união civil”.

Ao ressaltar que “a primeira ajuda” a oferecer a esses casais em nova união é averiguar a possibilidade de “introduzir a causa de declaração de nulidade”, o Arcebispo explicou que pretendem “agilizar o acesso ao Tribunal eliminando, entre outros aspectos, a ideia de que é um processo demasiado longo e caro”.

Entretanto, para os casos em que o processo de nulidade não seja uma opção, a Arquidiocese passa a oferecer um serviço que, conforme explica, envolve a oração, o acompanhamento de um diretor espiritual, exercícios e atividades várias em um itinerário que visa a “procura da vontade de Deus” e pode levar vários meses, podendo resultar em diferentes respostas.

“Os casais têm de estar prontos, por exemplo, para aceitar que não existem respostas pré-concebidas nem metas previamente definidas. Se assim não fosse, nada haveria a discernir”, afirmou o Arcebispo na coletiva de imprensa.

Sobre a possibilidade de o casal ter acesso aos sacramentos, nomeadamente à reconciliação e à comunhão, a Arquidiocese ressalta que isto “não está previamente garantido e que dependerá de várias etapas”.

O Prelado ressaltou ainda que o documento não deve ser visto como uma “autorização geral” para o acesso aos sacramentos por parte de divorciados em nova união e que o processo de discernimento pode culminar em outras formas de integração na vida da Igreja.

Como exemplos, citou uma “maior presença na comunidade, participação em grupos de oração ou reflexão ou compromisso nos diversos serviços eclesiais”.

“Este itinerário de discernimento, feito de oração, revisão de vida e abertura à vontade de Deus, tem um propósito: valorizar a importância da consciência pessoal na vida dos cristãos e da Igreja”, indicou.

Em resumo, o Arcebispo de Braga declarou que, “neste ministério do discernimento, deve evitar-se cair em dois extremos: o rigorismo e o laxismo”.

De acordo com o Prelado, este é um tema acerca do qual “todos os bisposestão sensíveis”. Além disso, ao admitir “uma resposta a nível nacional, de todos”, referiu que cada Bispo na sua Diocese está orientando este serviço “como melhor entender”.

Fonte original: ACI

Dom Jorge Ortiga durante apresentação do serviço de acompanhamento das famílias / Foto: Arquidiocese de Braga

Geração mimimi, ou geração “Metholate que não arde”. O fenômeno parece evidente: os millennials não parecem preparados para a vida, pois vivem em bolhas protegidos de tudo, até de ofensas e “microagressões”, em “locais seguros” inclusive nas universidades.

Crianças “brincam” em locais cada vez mais controlados, sem “riscos”, e com os pais no comando. Policiais são chamados para prender crianças que cortam galhos de árvore, rolam na grama ou tentam vender suco na esquina, sem licença estatal. A paranoia salta aos olhos: perigo, perigo por toda parte! É preciso fechar os pimpolhos numa redoma.

Os efeitos dessa postura super protetora podem ser observados facilmente. Os jovens de hoje estão hipersensíveis, despreparados para o mundo real, confundindo seus desejos com direitos inalienáveis. Eles estão mimados, em suma.

Jonathan Haidt, autor do excelente The Righteous Mind, que resenhei aqui, escreveu um importante ensaio sobre a “geração frágil” com Lenore Skenazy, para a reason.com. Os autores procuram mostrar como o excesso de zelo com a segurança dos filhos acabou tendo um efeito bumerangue, e hoje eles se encontram mais fragilizados e incapazes de vencer as batalhas da vida. Eles escrevem:

Tivemos as melhores intenções, é claro. Mas os esforços para proteger nossos filhos podem ter ricocheteado. Quando criamos crianças que não estão acostumadas a enfrentar qualquer coisa por conta própria, incluindo riscos, falhas e sentimentos feridos, nossa sociedade e até nossa economia estão ameaçadas. No entanto, as práticas e leis modernas de criação de filhos parecem quase todas concebidas para cultivar essa falta de preparação. Há o medo de que tudo o que as crianças vejam, façam, comam, ouçam e lambam possa machucá-las. E há uma crença mais nova que tem se espalhado através da educação superior de que palavras e ideias podem traumatizar.

O que pode ter levado a isso? Os autores apresentam algumas possibilidades:

A partir da década de 1980, a infância americana mudou. Por uma variedade de razões – incluindo mudanças nas normas parentais, novas expectativas acadêmicas, aumento da regulamentação, avanços tecnológicos e, especialmente, um maior medo do sequestro (as crianças desaparecidas em desenhos fizeram sentir como se esse crime extremamente raro fosse desenfreado) – os filhos em grande parte perderam a experiência de ter grandes intervalos de tempo sem supervisão para jogar, explorar e resolver conflitos por conta própria. Isso os deixou mais frágeis, mais facilmente ofendidos e mais dependentes de outros. Eles foram ensinados a buscar figuras de autoridade para resolver seus problemas e protegê-los de desconforto, uma condição que os sociólogos chamam de “dependência moral”.

E como essa situação pode prejudicar os próprios jovens?

Isso representa uma ameaça para o tipo de abertura e flexibilidade que os jovens precisam para prosperar na faculdade e além. Se eles chegam na escola ou começam carreiras desacostumados a frustração e mal-entendidos, podemos esperar que eles sejam hipersensíveis. E se eles não desenvolvem os recursos para trabalhar através de obstáculos, os montinhos parecem ser montanhas.

Esta ampliação do perigo e da dor é prevalente no campus hoje. Já não importa o que uma pessoa pretendia dizer, ou como um ouvinte razoável interpretaria uma declaração – o que importa é se alguém se sente ofendido por isso. Em caso afirmativo, o falante cometeu uma “microagressão”, e a reação puramente subjetiva da parte ofendida é uma base suficiente para enviar um email ao reitor ou abrir uma queixa à “equipe de resposta de viés” da universidade. O efeito líquido é que tanto professores como estudantes hoje relatam que estão caminhando em cascas de ovos. Isso interfere no processo de indagação gratuita e debate aberto – os ingredientes ativos em uma educação universitária.

A nova geração tem valorizado cada vez menos a Primeira Emenda, que garante a liberdade de expressão, e cada vez mais a “polícia do pensamento”, que controla o que cada um pensa e diz para não “ofender” ninguém (a menos, claro, que seja um homem branco heterossexual cristão ou judeu). Os autores resumem o ponto:

Pais e professores estão falando sobre a crescente fragilidade que eles vêem. É difícil evitar a conclusão de que a superproteção das crianças e a hipersensibilidade dos estudantes universitários podem ser dois lados da mesma moeda. Ao tentar tanto proteger nossos filhos, estamos fazendo com que eles fiquem muito seguros para ter sucesso.

Crianças aprendem fazendo, acima de tudo. Como diz o velho ditado, “prepare seu filho para o caminho, não o caminho para seu filho”. Os pais de hoje têm ignorado essa importante lição. Os autores depositam suas esperanças nas brincadeiras, mais soltas e livres. É como os demais mamíferos aprendem coisas importantes para eles. Eles dizem:

No jogo livre, idealmente com crianças de idades misturadas, as crianças decidem o que fazer e como fazê-lo. Isso é trabalho em equipe, literalmente. As crianças pequenas querem desesperadamente ser como as crianças maiores […]. Esta é a base da maturidade.

Um conhecido brincou outro dia: “No meu tempo, perdia aquele que chorasse primeiro diante das provocações; hoje ganha o que chora primeiro!” Ninguém precisa negar os perigos do bullying sistemático e agressivo para reconhecer que a paranoia com qualquer bullying foi longe demais, impedindo os garotos e garotas de criar cascas mais grossas e resistentes para a vida lá fora. Eles concluem:

Ao tentar manter as crianças a salvo de todos os riscos, obstáculos, sentimentos doloridos e medos, nossa cultura tirou as oportunidades que eles precisam para se tornarem adultos bem-sucedidos. Ao tratá-los como uma frágeis – emocional, social e fisicamente, a sociedade realmente os faz assim.

É hora de “tocar a real” para a garotada, permitir que vivam um pouco mais a vida, de forma mais solta e, sim “arriscada”, pois a alternativa é, além de sufocante, mais perigosa ainda, e vai acabar matando a coisa que mais importa: a liberdade.

Rodrigo Constantino

Autor do artigo: Pedro Henrique Alves

Nos últimos dias temos visto uma larga divulgação da notícia que uma comissão da câmara dos deputados havia, normativamente, definido como família a união entre homem e mulher. Isto causou uma grande comoção nas redes sociais, conservadores e cristãos receberam a tal notícia com uma certa euforia e contentamento; os mais modernistas, com pesar e indignação.

A família, independentemente de qualquer linha ideológica, é a instituição mais bem edificada da história. Por que digo isso? Parece-me que a família foi a estrutura basal da sociedade, aliás, faz-me crer que, somente existe uma sociedade moderna, pois houve antes um núcleo social chamado família. Muitas teorias foram feitas ao longo dos séculos para tentar explicar a origem da sociedade, destaca-se os Contratualistas (Hobbes, Locke e Rousseau), foram eles os mais aclamados entre aqueles que se tentaram explicar a estruturação social desde sua origem.

Destaco dois em especial: Rousseau, que em seu livro “Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens”[1] trata do tema: origem da família e desigualdades na sociedade; Marx, apesar de não ser um dos Contratualistas, também apresenta-nos sua teoria em uma de suas obras, “A origem da família, da propriedade privada e do Estado”[2], obra esta que traduz suas ideias mais maduras, quem assina a sua obra é seu fiel escudeiro Engels, pelo advento da morte do dito autor. Bom, apenas citei alguns estudiosos do tema para contextualizar o debate, e democraticamente mostrar que não palpitarei por um mero deleite filosófico.

Algo me parece paradoxal quando tratamos do assunto: família. A sociedade moderna enxerga a estrutura tradicional de família como sendo uma dificuldade para o “avanço”, um entrave, uma engrenagem enferrujada que precisa ser substituída, todavia, a família é a base natural da humanidade, e ninguém em sã consciência há de discordar disto. É como colocar bombas-relógios nos firmamentos de nossos lares, e deitarmos tranquilamente em nossas camas como se nada tivesse por ocorrer. “Ora, pareceu-me injusto que a humanidade se ocupasse em chamar de más todas aquelas coisas que foram boas o suficiente para tornar outras coisas melhores, em eternamente chutar a escada pela qual subiu”[3].

Por mais que isto venha assustar a modernidade, me sinto inclinado a denunciar que, o ato sexual, um dia, foi visto como forma de reprodução e de união (laço) entre indivíduos, não como mero playground. Num belo dia, um homem percebeu que do coito com sua parceira surgia um novo ser semelhante a ele, e justamente por conta deste estranho e indefinível milagre, perceberam que seria bom eternizar esta união, pois, para o que parece ser divino o eterno é a melhor escolha. Instaura-se, então, a primeira e mais sólida célula social, a qual permitiu o surgimento de uma sociedade organizada, e isto não se trata de uma criação burguesa ou de uma espécie de conspiração macabra para se instaurar a propriedade privada, como quis Marx[4], buscar manter a união entre a sua amada e a sua prole é algo tão natural quanto respirar, não há maldições capitalista em torno disso, há apenas o desejo de tornar duradouro o que se apresentou como digno de durar.

O que uniu definitivamente o homem e mulher como único seio familiar possível, não foi nenhum documento normativo de qualquer sociedade em nosso espaço temporal. Quem os uniu foi o mistério da criação da vida, foi a constatação de que a união entre dois diferentes faz brotar um terceiro que carrega um pouco dos dois que o fizeram, aqui está todo o “porquê”, aqui está toda raiz da família tradicional, a capacidade magnifica de gerar mais um que é “carne da minha carne”(Gênisis 2, 23). Trata-se, por fim, deste magnifico mistério fecundo que mais tarde denominaríamos: “amor”. Não espantem-se com minha retórica a favor desta definição familiar, não se trata de discriminação sexual ou qualquer coisa que se assemelhe a isso, trata-se de uma constatação inevitável, a família é “uma necessidade da humanidade[…] um alçapão do qual a humanidade não tem como escapar”[5].

O mistério que envolve a fecundidade da união masculina e feminina ultrapassa qualquer limite de nossas vãs teorias causais, este medonho processo de prole urge dentro de nossas mentes sem uma resposta prévia, faz brotar um grande e infindável mistério, faz nascer em nós algo que não se explica com estatísticas, escavações arqueológicas ou teorias sociológicas. Existe um toque transcendente no ato de multiplicação da espécie humana, algo que me tenta a conversão, a vida surgindo de dois mortais tão limitados, algo que nem mesmo a mais rebuscada filosofia, nem as mais sapientíssimas mentes conseguiriam sintetizar em uma explicação racional, eis a trave que sustenta a família, uma trave que não é fincada no tempo.

Este big bang, este ato primeiro de luz acontece através de uma união hétero, e como não querer manter a salvo esta maravilhosa união chamada: família? Mantê-la fora do processo corrosivo do tempo é manter seguro algo que se mostrou digno de eternidade. “Basta dizer que pagãos e cristãos tomavam igualmente o casamento como um laço, como algo que, em circunstâncias normais, não deveria ser desfeito”[6]. A família é uma forma imanente de participar da eternidade, o único momento que Deus empresta ao ser humano o seu poder mais belo, o da criação. Quando uma família se forma, eu carrego um pouco de meu pai e de minha mãe que, por sua vez, carrega um pouco dos seus e assim por diante, talvez o termo “árvore genealógica” foi assim designada, pois, há arvores tão fortes parecem eternas.

Mesmo que muitas destas famílias mostram-se não cumpridoras de sua missão natural, isso não deve ser motivação para destituí-las ou redefini-las como se fossem produtos enlatados com data de validade ultrapassadas, algo que teve seu tempo, mas que hoje se faz pútrido. Esse mistério selou a união mais bela que se tem conhecimento. O que hoje a sociedade contesta como sendo uma definição retrograda de família, mostrou-se ao longo da existência humana ser algo tão bom que Deus não ousou colocar nela uma data de validade.

Referências:

[1] ROUSSEAU, Jean-Jaques. Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens, 1ª Ed, L&PM POCKET: Porto Alegre RS, 2008. 173 p.

[2] ENGELS, Frederich. A origem da família, da propriedade privada e do Estado, 1ª Ed, BestBolso: Rio de Janeiro, 2014. 223 p.

[3] CHESTERTON, G. K. O defensor Tipos variados, 1ª Ed, Ecclesiae: Campinas SP, 2015. p. 18

[4] ENGELS, op. Cit., p. 34 -101

[5] CHESTERTON, G. K. O que há de errado com o mundo, 1ª Ed, Ecclesiae: Campinas SP, 2013. P. 56

[6] Idem, p. 5

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Foi publicada nesta terça-feira (19/09) a Carta Apostólica “Summa Familiae Cura” do Papa Francisco em forma de Motu Proprio, com a qual é instituído o Pontificio Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimónio e da Família.

Com a “Summa familiae Cura”, o Papa institui o Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família que, ligado à Pontifícia Universidade Lateranense, substitui o Pontifício Instituto João Paulo II para os Estudos sobre o Matrimônio e Família.

Portanto, o que era “Estudo” agora torna-se “Ciência”, pois, para Francisco, é importante prosseguir a intuição de João Paulo II, ampliando o raio de pesquisa sobre a família, seja no que diz respeito à sua dimensão pastoral e eclesial, seja no campo da cultura antropológica.

O Papa considera que a mudança antropológico-cultural da sociedade requer uma análise analítica e diversificada da questão familiar, que não se limite a práticas pastorais e missionárias que refletem formas e modelos do passado. “No límpido propósito de permanecer fiéis ao ensinamento de Cristo, devemos portanto olhar, com intelecto de amor e com sábio realismo, para a realidade da família hoje em toda a sua complexidade, nas suas luzes e sombras”, escreve o Pontífice.

O novo Instituto procurará ser, no âmbito das instituições pontifícias, um centro acadêmico de referência, ao serviço da missão da Igreja universal, no campo das ciências que dizem respeito ao matrimônio e à família e acerca dos temas relacionados com a fundamental aliança do homem e da mulher para o cuidado da geração e da criação.

O Instituto Teológico tem a faculdade de conferir “iure proprio” aos seus estudantes os seguintes graus acadêmicos: Doutorado, Licenciatura e Bacharelado em Ciências sobre o Matrimônio e a Família.

Fonte: Rádio Vaticana 

***

Sobre o matrimônio e a família, é preciso repensar tudo a partir de uma nova elaboração teológica, e não é possível mais se limitar a ajustes pastorais mais ou menos precários. O Papa Francisco já havia explicado isso na Amoris laetitia, mas, evidentemente, os novos caminhos que Bergoglio havia indicado no texto elaborado com base nas reflexões de nada menos do que dois Sínodos dedicados à família custam a serem percorridos.

Assim, com um motu proprio intitulado Summa familiae cura, isto é, o máximo cuidado pela família, ele decidiu abolir o Pontifício Instituto João Paulo II para a Família e instituir o “Pontifício Instituto Teológico João Paulo II para as Ciências do Matrimônio e da Família”, que deverá elaborar novas linhas teológicas, com base em um sistema jurídico diferente, em consonância com o que o papa escreveu na Amoris laetitia.

Na verdade, o motu proprio é uma carta pastoral na qual o papa escreve que a situação atual “não nos permite nos limitar a práticas da pastoral e da missão que refletem formas e modelos do passado”. Ele acrescenta que é preciso “uma abordagem analítica e diversificada”, e olhar “com sábio realismo para a realidade da família hoje, em toda a sua complexidade, nas suas luzes e nas suas sombras”. Portanto, é preciso explorar caminhos novos também do ponto de vista da teologia.

O antigo Instituto João Paulo II para a Família não tinha essa tarefa. Ele nascera em tempos nos quais a crise da família e os novos desafios abertos na sociedade à instituição do matrimônio não eram tão fortes e parecia suficiente ajustar um pouco as práticas pastorais.

Uma análise que indicava uma necessária expansão da sua reflexão havia sido feita em um seminário entre os dois Sínodos sobre a família, organizado por Dom Vicenzo Paglia e coordenado pelo teólogo Pierangelo Sequeri, no qual haviam sido antecipadas muitas reflexões presentes, depois, na Amoris laetitia.

As atas do seminário foram publicadas pela Livraria Editora Vaticana. Sequeri, no ano passado, em meados de agosto, havia sido nomeado para a cúpula do Instituto João Paulo II para a Família e, a partir de dentro, pôde se dar conta dos limites de ação e de elaboração, especialmente em relação aos novos desafios indicados pela Amoris laetitia.

Eis a razão da mudança de ritmo mais orientado para a teologia que o papa indicou no motu proprio.

A decisão de Bergoglio também seria, segundo alguns, uma resposta às “dubia” levantadas pelos quatro cardeais críticos do texto pontifício, Brandmüller, Burke, Caffarra e Meisner, os dois últimos recentemente falecidos. Eles levantavam uma série de questões de ordem mais teológica do que pastoral, e não só limitadas ao problema da comunhão aos divorciados em segunda união.

Em alguns setores da Igreja, há resistências e algum desconforto acerca da Amoris laetitia. A decisão do papa de confiar a uma nova instituição a elaboração de uma teologia do matrimônio e da família que possa dialogar melhor com as outras ciências humanas e com uma cultura antropológica que está mudando em todos os temas da vida não significa que Bergoglio queira uma mudança da doutrina, mas, ao contrário, ele quer entender como é possível permanecer mais fiel à doutrina em um mundo que muda.

E explica isso no texto do motu proprio: “Devemos ser intérpretes conscientes e apaixonados da sabedoria da fé em um contexto em que os indivíduos são menos sustentados do que no passado pelas estruturas sociais na sua vida afetiva e familiar”. É por isso que não adiantam respostas simples com um “sim” ou um “não”, como queriam os cardeais das “dubia”.

O novo instituto terá uma natureza decisivamente acadêmica. O papa estabeleceu que ele deverá trabalhar em estreito contato com o novo dicastério, recentemente constituído, para os Leigos e a Família, com o da Educação Católica e com a Pontifícia Academia para a Vida, e cooperar com a Pontifícia Universidade Lateranense.

A sua missão, enfatiza o papa no texto, será “científica” e “eclesial”, ampliada a toda a cultura da vida, incluindo o cuidado do ambiente.

O artigo 2 do motu proprio diz: “O novo instituto constituirá, no âmbito das instituições pontifícias, um centro acadêmico de referência, a serviço da missão da Igreja universal, no campo das ciências que se referem ao matrimônio e à família e aos temas conectados com a fundamental aliança do homem e da mulher para o cuidado da geração e da criação”.

Site da revista Famiglia Cristiana