Em todas as etapas da vida dos filhos os pais têm novos desafios. À medida que eles crescem, algumas adaptações no exercício parental precisam ser feitas, principalmente em relação ao equilíbrio entre autoridade e liberdade. E nessa construção da relação familiar, autoridade nunca pode ser confundida com autoritarismo. E o contrário também exige atenção, já que a liberdade em excesso também é nociva.

Dentro da família todos são convidados a participar e ouvir uns aos outros, mas são os pais que têm a responsabilidade de impor limites aos filhos. Entretanto, não é bem isso que acontece na prática em algumas famílias. Por um lado, existem pais muito severos e por outro há também aqueles que dão liberdade em excesso e erram ao não impor os limites necessários aos filhos, em cada etapa do desenvolvimento da criança.

É que naturalmente os pais exercem autoridade sobre os filhos, mas esse fator na educação de uma criança não pode ser confundido com o autoritarismo – que é um tipo de liderança em que só um fala e que tem razão sobre tudo. “Essa é uma maneira negativa de construção de relacionamentos. Não é desse jeito que se estabelece uma relação de confiança com os filhos”, afirma Maristela Gripp, psicopedagoga e professo do Centro Universitário Internacional Uninter.

Portanto, a autoridade dos pais sobre os filhos não deve ser restritiva, para não cair no autoritarismo. “O autoritarismo não deve ter lugar em nenhuma família, porque todas as pessoas gostam de participar, mesmo as crianças menores. A liberdade na dose certa gera crescimento e confiança”,diz ela. Exercer autoridade é ser influência positiva na vida dos filhos, sendo um modelo a ser seguido por suas ações e palavras.

“O autoritarismo não deve ter lugar em nenhuma família. A liberdade na dose certa gera crescimento e confiança”

O que acontece é que ao tentarem não ser autoritários, alguns pais oferecem liberdade em excesso também.  Para dosar esses limites, antes de mais nada é preciso o diálogo entre pais e filhos, e a liberdade pode ser exercida com limites havendo uma troca. Deixar que as crianças opinem e façam perguntas, não faz dos pais menos do que os filhos. “Tudo isso ajuda na construção dessa liberdade em relação ao indivíduo. E é diferente de deixar que façam tudo o que querem e como querem”, sinaliza Maristela.

“O tiro pode sair pela culatra”

De acordo com a especialista, especialmente quando os filhos chegam à fase adulta, essa autoridade precisa ser trocada pela orientação, se não o exagero pode resultar na rebeldia dos filhos.

“Nessa fase os pais precisam entender que não são mais autoridade e sim ajudadores na vida deles”, diz. Ao serem rígidos demais, o tiro pode sair pela culatra, porque aquele indivíduo é tão exigido que ela desmonta de vez ou parte para o oposto daquilo que é esperado, porque não houve um equilíbrio nessa relação”, alerta a psicopedagoga.

É necessário, portanto, que os pais se lembrem sempre de os filhos não são copias suas, mas, sim, pessoas diferentes em sua personalidade e na maneira de enxergar o mundo.

Claro que o adulto pode contribuir no desenvolvimento do jovem, mas a visão de mundo dele é bastante diferenciada e os pais precisam respeitar isso. “Em muitas vezes os pais são rígidos por uma questão pessoal, porque vieram de um lar que acha que faltava disciplina”, aponta ela.

Fonte: Sempre Família

– Um sacerdote que serviu no Pontifício Conselho para a Família, agora Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida no Vaticano, explicou o que considera o grande erro da ideologia de gênero.

“O grande erro da chamada ideologia de gênero é que se pretende que a identidade pessoal dependa apenas da autopercepção do sujeito (sua psicologia), dos condicionamentos da educação e da cultura ou da escolha do indivíduo emocional. Trata-se de separar radicalmente a identidade de gênero do sexo biológico”, explicou Pe. José Guillermo Gutiérrez Fernández, no dia 14 de agosto, por ocasião da conferência internacional “A ​​família, a vida e o acontecimento de Guadalupe”, que aconteceu na cidade de Piura, no norte do Peru, de 13 a 15 deste mês.

A abordagem de gênero ou ideologia de gênero é uma corrente que considera o sexo como uma construção sociocultural e que atenta contra a natureza humana. Isto foi criticado várias vezes pelo Papa Francisco e por outros membros da Igreja. Nesse sentido, o Vaticano publicou em junho o documento “Homem e mulher os criou. Para uma via de diálogo sobre a questão de gender na educação”.

Em sua conferência “A Sacralidade da Vida e a Ideologia de Gênero”, no Coliseu Dom Bosco, de Piura, diante de mais de cinco mil participantes, o sacerdote destacou que o erro da ideologia de gênero se torna “mais grave quando se pretende chegar a uma ‘neutralidade’, negando a heteronormatividade binária, dizendo que o gênero é algo fluido e não pode ser predeterminado”.

Segundo informa a Arquidiocese de Piura, Pe. Gutiérrez recordou que a Igreja não discrimina os homossexuais, porque “nosso Senhor chama todos os seus filhos para viver a vida cristã e alcançar a santidade. Todo mundo tem que fazer o seu próprio caminho a partir das circunstâncias nas quais se encontra”.

Além disso, o sacerdote afirmou que, “no mundo de hoje, há toda uma propaganda que nos vende a ideia errada de que não se pode ser feliz sem o exercício ativo da nossa genitalidade. Isso nos confunde e nos engana”.

“Parece que quando a Igreja convida os homossexuais ( e Heterossexuais)  a se absterem de ter relacionamentos íntimos ( fora do casamento), convida-os a viverem sem amor”, lamentou.

O sacerdote assinalou que “devemos levar em consideração que todos os seres humanos têm uma vocação ao amor e isso não se vive necessariamente através do exercício ativo da nossa genitalidade”.

“Existem outras maneiras de viver esse amor, como por exemplo: na entrega de si mesmo através do voluntariado, do serviço aos pobres, da amizade sincera e casta, da caridade, etc. É necessário recordar que as pessoas têm apenas uma identidade: a identidade de filhos de Deus, homem ou mulher”, explicou.

Pe. Gutiérrez também alertou para a possibilidade de que, “sob o pretexto de buscar a igualdade entre homens e mulheres, o Estado busque intervir de maneira dissimulada, tentando tirar dos pais a responsabilidade e o direito de serem os primeiros educadores de seus filhos”.

Os pais “são os responsáveis ​​pela educação da afetividade e sexualidade de seus filhos. Uma educação orientada ao amor que respeite a diferença sexual entre homens e mulheres, sua complementaridade e reciprocidade e que seja um chamado à comunhão de pessoas que nos faz imagem de Deus”.

Não ao aborto

O sacerdote também se referiu à importância de defender a vida humana, pois “o ser humano é a única criatura que Deus amou por si mesma, tem uma dignidade excelsa”.

Pe. Gutiérrez também lembrou que “a vida começa desde o momento da concepção” e deve terminar “de maneira natural, por isso a importância de proteger a vida de todo ser humano e ainda mais quando está neste estado precoce e inicial de sua existência”.

“Portanto, não podemos falar em nenhum caso de ‘interrupção da gravidez’, porque a vida não é algo que possamos interromper e depois reiniciar”.

“Todos os que estamos hoje aqui começamos esta maravilhosa aventura de nossa vida sendo um pequeno embrião e, a partir deste momento, fomos amados e protegidos. Por isso, somos chamados a estar sempre contra o aborto, porque se trata de matar um ser humano inocente”, destacou o sacerdote.

Fonte: ACI Digital

Agência RBS por Ticiano Osório

Nossos filhos vão ser felizes? Nossos filhos estarão prontos para encarar o mundo? Estamos sendo bons pais? “A última geração de pais criou uma ideia que é a pior ideia: meus filhos não vão passar pelo que passei”, comenta o psicólogo, escritor e palestrante, Rossandro Klinjey, autor do livro Help! Me Eduque, voltado a pais, mães e responsáveis. “Mesmo com boas intenções, não vão evitar que os filhos tenham frustrações”, reforça ele. E isso – frustrar-se – é bom e importante, como conta ele, no bate-papo feito a seguir:

O título de sua palestra é “Numa era de incertezas, o mais importante é ser feliz”. O senhor acredita que podemos ser felizes? Existe receita?

Bom, receita de felicidade é o primeiro mito a ser desconstruído: não existe. Então a primeira coisa que a gente tem, na tentativa de construir a felicidade, é não querer ver a felicidade como dizem para a gente que ela é: padronizada, estandardizada. Existe um modo particular de viver isso. E uma coisa é essencial: para ser feliz, a gente tem de aprender a ser infeliz também. A gente não consegue mais suportar tédio, pausas, hiatos psicológicos e angústia. Hoje, parte da infelicidade é a busca de felicidade constante. Virou um traço de loucura essa ideia de que a gente tem de escrever um happy end o tempo inteiro. Na verdade, a vida tem alternâncias profundas. A maturidade lhe dá condições de ver que essas alternâncias têm de ser vividas e não devem ser evitadas.

Essa valorização da felicidade não pode passar a impressão de que a frustração é um empecilho, e não algo essencial para a maturidade, para o crescimento pessoal?

Parece que frustração não pode existir. Isso tem dado origem a uma geração de pessoas incapazes, que vão se frustrar no futuro porque os pais querem que elas sejam felizes o tempo inteiro. Em geral, a gente cria imunidade a vírus na infância, mas essas pessoas não criaram imunidade psíquica contra as frustrações. Quando chega na fase adulta elas viram autoimunes e então se matam. O indivíduo está tão vulnerável e inapto a viver as experiências comuns da vida, como o fim do namoro, não passar num concurso, não entrar no vestibular que você sonhou. Você cria alternativas, novas possibilidades, a gente adia, mas as pessoas, às vezes, se matam.

As pessoas estão cometendo mais suicídios?

Há um aumento na frequência de suicídios. No ano passado, arredondando, as mortes por violência urbana, ataques terroristas e guerras mataram menos do que o suicídio. É mais fácil morrer em casa do que em Bagdá ou comprando crack na Grande Porto Alegre. Isso significa que a gente teve um abandono da interioridade, começou a ter uma existência externa, plastificada, como a música do Radiohead (Fake Plastic Trees). A gente deixou de buscar essa interioridade, na busca de carpe diem constante e frenesi constante.

Em uma entrevista, o senhor falou que, de 30 anos para cá, uma geração de pais começou a fazer um retrospecto de sua infância, muitas vezes pobre e cheia de privações, e, na crença de que poderia fazer algo melhor para seus filhos, virou o fio, deixando de se preocupar com limites, disciplina, respeito. Qual é o resultado disso?

Existe uma busca infantil desenfreada que é preconizada por uma sociedade que prega sempre o prazer, nunca a dor. A última geração de pais criou uma ideia que é a pior ideia: meus filhos não vão passar pelo que passei. Mesmo com boas intenções, não vão evitar que os filhos tenham frustrações. Eles têm como base o amor, é um sentimento bom o que está por trás, mas o resultado é catastrófico, porque a educação não é só o desejo, mas o que se concretiza. O sofrimento e a frustração têm caráter pedagógico, para que o indivíduo saiba lidar com isso durante a vida.

Ao mesmo tempo em que privamos nossos filhos do não e da frustração, fundamentais para seu desenvolvimento, enchemos suas agendas de tarefas e aulinhas, em um processo que o pediatra Daniel Becker chama de adultização, talvez pensando em prepará-los para as demandas da vida adulta. É um paradoxo, não?

O que a gente deveria cuidar muito, que era o desenvolvimento moral e emocional, a gente abandonou, e o que a gente não deveria encher tanto, que são as atividades, a gente está fazendo. Crianças de seis anos já são educadas pelos pais para serem um PhD em Harvard. Têm de estudar caratê, línguas, balé, xadrez etc. Uma geração sonhou em fazer isso, mas não podia pagar. Agora que podem, pagam para o filho fazer. Isso é um fato. Outro fato é que realmente está muito competitivo o mundo, para passar no Enem, com conteúdo demais e pouca profundidade. Cadernos demais e enormes, aulas no sábado, simulado no domingo de manhã etc. O modelo brasileiro não é funcional. Há um incremento de crianças e adolescentes suicidas porque não vêm suportando essa carga. Os pais têm responsabilidade de deter isso.

Perto de 1 milhão de visualizações, um vídeo seu tem como título “Filhos precisam entender que a casa não é deles”. Pode falar um pouco sobre isso?

Há famílias em que os pais têm a porta trancada e os filhos a porta aberta, e há outras em que os pais têm a porta aberta, e os filhos, a porta trancada. E não está dando certo, porque a privacidade é para quem paga as contas. A regra é essa. Quando digo isso, parece meio duro. Mas a criança tem de ser vigiada, cuidada. Não se pode dar privacidade a uma criança. Ao adolescente, este tem de conquistar aos poucos a privacidade. Você tem de fazer isso porque isso é cuidar.

Enquanto você é politicamente correto e não mexe nas gavetas e no computador do filho, do outro lado do meio social há hackers que conseguem violar computadores até de ministros, imagina o que podem fazer com o computador de um adolescente. Há muitos casos de pedofilia. Hoje, não basta o filho ter chegado em casa, sem riscos, que bom, acabou o perigo. Não: o computador oferece um risco muito maior do que andar na rua à 1h. Os riscos são diferentes, há um leque maior de riscos, o que exige dos pais um repertório de cuidado muito diferente do que os nossos pais tinham para lidar com isso.

Qual é a solução?

A gente não vai colocar uma redoma, mas tem de criar critérios. A princípio, a criança não deve ter celular, mas, se ela tiver, não pode dormir com ele, não pode falar a noite toda, porque não vai dormir bem, não vai acordar bem, não vai aprender etc.

O que podemos fazer em nome de um futuro melhor para nossos filhos?

Primeiro, a gente tem de entender que o mundo mudou e a gente não pode voltar com aquela educação que nossos pais nos deram. Isso é um mito. Mas precisamos entender que há coisas do passado que devem voltar. Temos de manter o que conquistamos, por exemplo, a participação maior do pai na casa, um diálogo entre pais e filhos… Mas, ao mesmo tempo, precisamos recompor o espaço da disciplina, do respeito e da ordem, porque elas são e sempre foram essenciais na formatação do psiquismo humano. Precisamos desses elementos na infância para formar um ego saudável, capaz de suportar o mundo como ele é.

Ao abrir mão disso com o sonho de fazer uma família mais feliz do que fomos quando crianças, o que conseguimos? Temos a geração mais suicida, mais drogada, mais consumista, mais ingrata da história humana. Ou seja: os planos não deram certo. Devemos entrar em processo de culpa? Não. Não adianta. Você precisa fazer o que chamo de reintegração de posse afetiva. Recupere o terreno que você perdeu. Enquanto seu filho está sob sua irradiação psicológica e financeira, você tem poder de determinar, de orientar, de normatizar as coisas. Uma criança quer pegar na mão do pai ou da mãe quando vai atravessar a rua sem se preocupar para onde olha, porque sabe que alguém está levando-a. Deixar seu filho sozinho na internet, deixar ir para o shopping sozinho ainda no início da pré-adolescência é tão arriscado quanto dizer para uma criança de dois anos atravessar sozinha a rua. Durante muito tempo, temos de pegar na mão, até que eles possam caminhar com os próprios passos.

Como equilibrar as coisas? Como evitar a sensação de que estamos podando, tirando autonomia?

Vamos imaginar que eu não consiga o equilíbrio. Bem, entre uma educação mais rígida e uma mais liberal, a mais rígida é mais funcional. Uma educação rígida pode gerar trauma, mas geram pessoas funcionais que pagam terapia para resolver. Uma educação libertária demais pode gerar pessoas inviáveis. Não é uma regra. Mas é muito mais fácil que dê errado porque você deu ao indivíduo escolhas que ele não podia fazer. Tem famílias em que a criança escolhe o carro da casa! Isso gera estresse. Se para a gente já gera estresse, imagina para a criança, que na verdade tem de brincar? Ela é empoderada, o que para o ego dela provoca satisfação, mas por outro lado é esmagador, porque terá de decidir coisas para as quais ela não tem maturidade.

Passando agora para a vida adulta, quais são os temas mais urgentes a serem abordados?

Prioritariamente, perdão. Porque a base dos transtornos dos relacionamentos, de casamento, de trabalho, entre familiares, é a incapacidade que a gente tem de entender que as pessoas não são perfeitas, elas nos machucam e nós também as machucamos. Para poder viver uma vida saudável, a gente precisa estar com disposição emocional para perdoar sempre. O que quer dizer que eu preciso olhar para o outro de forma global, e não apenas a parte do erro. Relacionamento não é fotografia, é um filme que vai andando. Mágoa é a fotografia de um momento. Pessoas maduras veem o filme. Elas ficam chateadas, mas sabem que a coisa continua. Precisamos, também, ter espaço para nossa interioridade. Nós nos abandonamos. Não paramos para refletir porque estou triste, o que aconteceu que estou tão brabo. A gente simplesmente bebe uma, vai para a balada, assiste à Netflix, toma um remédio para dormir, não reflete e tenta mudar condutas e comportamentos. E precisamos nos reconectar como pessoas. As tecnologias estão nos tornando próximos virtuais, mas distantes dos reais. Há pessoas que moram na mesma casa mas estão se abandonando.

A maior queixa dos adolescentes hoje é “meus pais não me escutam”. Eles só gritam. A família deve recuperar aquele espaço de sentar sem nada competindo com a atenção. Nem telefone, nem Netflix nem nada, para dialogar, perguntar como foi o dia. Você pode criar isso. Uma amiga minha criou o dia do taco (o prato mexicano), uma vez por semana. Era a única atividade da noite. Ela contou que, na primeira noite, houve um estranhamento, “a gente não sabia o que conversar”. Depois de 15 minutos, nos quais a crise de abstinência de celular passou, eles se reencontraram, porque eram uma família. Havia uma história construída juntos. E terminaram a noite muito mais tarde do que costumavam, brincando. Os filhos que no início reagiam à noite do taco começaram a cobrar: amanhã tem noite do taco! Um dia, sobrou taco e a mãe sugeriu para a filha levar de lanche. “Mãe, eu não gosto de taco”, ela respondeu. Mas então por que você sempre cobra para gente fazer? “Eu cobro o dia de a gente estar junto”, ela respondeu.

Fonte Original: Sempre Família

Após o nosso noivado, uma das melhores coisas que meu marido Joseph e eu fizemos para nos prepararmos para a nossa vida juntos foi o aconselhamento pré-conjugal. Nas sessões, aprendemos sobre diferentes maneiras de abordar os conflitos, bem como as técnicas que podemos usar para melhorar nossa comunicação um com o outro.

Ao longo de aulas de preparação para o casamento, nós trabalhamos com os mitos e mentiras que a cultura de hoje diz que o casamento deve parecer. Através de aconselhamento, aprendemos que o amor não é uma emoção, é uma decisão – e às vezes teremos que decidir nos amar nos dias em que a outra pessoa está de mau humor. Apesar do que os romances tentam nos dizer, o casamento não é um conto de fadas, e desentendimentos e lutas acontecem.

Nos cinco meses do nosso casamento, apesar de Joseph e eu discordarmos sobre as coisas, nunca levantamos a voz, batemos as portas ou deixamos as conversas. De modo algum a nossa falta de brigas explosivas nos torna um casal perfeito – ainda temos nossas falhas (e eu tenho um temperamento horrível!). Mas, de volta aos nossos dias de casamento, nos comprometemos com a luta justa, e porque nos comprometemos com a luta justa em nosso casamento, somos capazes de lutar pelo nosso casamento juntos.

Os desentendimentos são uma parte saudável dos relacionamentos e cada casal os tem – mas, mais importante do que se você luta é como você discute. O conflito é parte de qualquer relacionamento, mas é possível lutar de forma justa e não deixar que os desentendimentos destruam seu amor um pelo outro.

Aqui estão 4 dicas que aprendemos no aconselhamento pré-matrimonial sobre como se comunicar bem, mesmo quando a pessoa que você ama está ficando nervosa…

Não evite conflitos 

Os desentendimentos não são a coisa mais divertida do mundo. Prefiro falar sobre algo que Joseph e eu somos apaixonados. Mas evitar desentendimentos e empurrar conflitos sob o tapete não faz nada além de prejudicar o relacionamento. Ao invés de colocar uma questão em aberto e trabalhá-la com o seu cônjuge, você enche o problema apenas para que ele exploda mais tarde. Mais importante ainda, se você evita constantemente o conflito, você não colherá os benefícios de se tornar um casal mais forte depois de trabalhar com algo difícil juntos.

Use “Eu” não “Você” 

Uma técnica de discussão justa que os nossos conselheiros pré-maritais enfatizaram foi a importância das declarações “eu”. Ao invés de dizer “Você sempre se esquece de ajudar a lavar louça!”, a afirmação pode ser reformulada para “Eu me sinto desrespeitado quando você não ajuda a lavar os pratos após o jantar”. As declarações que começam com “eu” ajudam a evitar reações críticas e defensivas que pode ser iniciado com “você”.

Os desentendimentos são uma parte saudável dos relacionamentos  mostram que as declarações “eu” podem ajudar um casal a trabalhar com desentendimentos agora e no futuro. “Embora isso não resolva completamente o problema, mantém a boa relação de colaboração entre as duas pessoas”, explicam. “É mais provável que seja gerado mais interações cooperativas no futuro do que a abordagem acusatória ‘você’”.

Não traga roupa velha e suja 

Quando frustração, conflito e desacordo surgirem em seu casamento, lembre-se de manter as conversas sobre os problemas específicos. Pode ser fácil culpar o seu cônjuge, dizendo que “ele sempre se esquece de lavar a louça”, ou “nunca se lembra de tirar o lixo”, mas as declarações generalizadas sobre as ações do seu cônjuge podem fazer com que eles se tornem defensivos e encorajar argumentos desnecessários.

Caroline Sweatt-Eldredge é uma conselheira profissional licenciada em Houston, Texas. Ela aconselha que, quando os casais discutem, eles devem manter suas conversas focadas na discussão em questão. “Concentre-se no que acabou de acontecer e não viaje para todos os outros incidentes que apoiem sua reivindicação”, explica ela. “Ao lidar com as coisas que ocorrem, você pode limitar a intensidade em torno do problema e ter uma abordagem mais suave”.

Peça desculpas 

Se você precisa pedir desculpas ao seu cônjuge por perder o seu temperamento, não ouvir bem, ou esquecer de ajudar a lavar louça após o jantar na noite passada, não tenha medo de ser a primeira pessoa a dizer “Sinto muito, você me perdoa por favor?”. Embora essas palavras possam ser difíceis de sair às vezes, no meu casamento, descobri que, às vezes, as palavras mais amorosas em um casamento não são “eu te amo”, mas “me desculpe”.

Um pedido de desculpas nos ajuda a perceber o poder de nossas palavras e ações, e nos permite assumir a responsabilidade pelo fato de nossa raiva ter prejudicado a pessoa que amamos. Ter a humildade de admitir que você estava errado e pedir perdão quebra as barreiras entre você e seu cônjuge e ajuda a reconstruir seu relacionamento, tornando-o mais resistente nos próximos anos.

Fonte original AQUI

O Ministério Público de Minas Gerais (MP-MG) entrou com uma ação civil pública requerendo que a Sociedade Inteligência e Coração (SIC), dona do Colégio Santo Agostinho, pague indenização por dano moral coletivo por entender que a instituição expôs os alunos “a situação de risco”, ao abordar a “ideologia de gênero” nas aulas.

A reportagem do jornal O Tempo destaca que “a ação solicita valor correspondente às mensalidades e à matrícula do ano de 2017 de todos os alunos matriculados na 3ª a 6ª série do ensino fundamental, das unidades de Belo Horizonte e Nova Lima e Contagem, na região metropolitana.”

Segundo a matéria, “a polêmica começou em julho de 2017, quando mais de 125 pais de alunos do Colégio Santo Agostinho elaboraram uma notificação extrajudicial exigindo que conteúdos relacionados a gênero e sexualidade fossem proibidos em sala de aula. Em novembro do ano passado, os pais dos alunos fizeram uma representação no Ministério Público, questionando a inclusão de “ideologia de gênero” na proposta pedagógica do colégio.”

Naquela ocasião, “os promotores Celso Penna Fernandes Júnior e Maria de Lurdes Rodrigues Santa Gema consideram que houve ‘ensino de matérias, uso de práticas, de material e de dinâmicas indevidos, inadequados ou incompatíveis com a respectiva idade’.”

O Colégio Santo Agostinho soltou uma nota. Leia a íntegra:

Estimada comunidade escolar,

Em 2017, o Colégio Santo Agostinho recebeu uma notificação extrajudicial de um grupo de pais, questionando uma suposta abordagem de temas relacionados a ideologia de gênero em nossa proposta pedagógica. Concomitantemente, esse grupo fez uma representação no Ministério Público Estadual contra a nossa instituição alegando o mesmo tema. Agora, fomos surpreendidos por uma ação judicial proposta pelo Ministério Público sob a falsa alegação de divulgar a “Ideologia de Gênero”.

Cópia dessa ação civil está circulando em grupos de WhatsApp como se fosse algo novo, com suposta condenação definitiva, o que não é verdade. Em relação a isso gostaríamos de esclarecer, novamente, que não contemplamos, em nosso projeto pedagógico, a “Ideologia de Gênero”. A ação judicial contém alegações absurdas, desconectadas da realidade e sem correspondência com a verdade. O Colégio Santo Agostinho já está tomando as medidas judiciais cabíveis, seja para nos defender contra as falsas alegações a nós atribuídas, seja para responsabilizar as pessoas e os agentes que estão divulgando essas mentiras.

A SIC – Sociedade Inteligência e Coração, mantenedora do Colégio Santo Agostinho e de Obras Sociais, está há mais de 84 anos em Minas Gerais. Atende a 8.500 alunos nas unidades do Santo Agostinho e 3.500 alunos em escolas 100% gratuitas. Ao longo de sua história, formou milhares de jovens que hoje estão nas universidades ou atuando no mercado de trabalho nas mais diversas profissões. Todos eles carregam, desde a década de 30, a indelével marca de terem sido estudantes agostinianos.

O Colégio viu a cidade se transformar e consolidou-se como uma instituição forte e com excelente reputação na sociedade mineira, além de ser referência no ensino de qualidade. Nossa história é consistente, carrega tradição, é pautada nos valores cristãos e nos grandes referenciais da civilização. Por lidar com tantas crianças e jovens, nossa conduta prima pelo respeito à diversidade e à pluralidade presentes na nação brasileira.

Consideramos a família o núcleo mais importante na formação da identidade de uma criança. O Colégio Santo Agostinho jamais almejou ocupar as responsabilidades que são da alçada dos pais.

Alguns grupos e indivíduos distorcem a proposta da nossa instituição e tentam nos difamar. Então nos perguntamos: a quem isso pode interessar?

Enfatizamos que o Colégio Santo Agostinho não tem projeto algum sistematizado e arquitetado “para confundir a cabeça das crianças e jovens”, como se alega no referido processo. A escola se ocupa em oferecer meios para que cada um que aqui se inscreve se sinta seguro e acolhido em suas realizações, alegrias, mas também nas suas dores. Não negamos a escuta a quem nos procura. Alguns problemas que chegam até nós são complexos: desemprego dos pais, violência doméstica, automutilação, depressão, entre outros dramas presentes em nossa sociedade. Nem tudo são flores para muitos de nossos jovens. Procuramos atuar sempre junto com as famílias, às quais oferecemos estrutura de atendimento individualizado.

O mundo mudou e a sociedade também. A escola não está incólume a tudo isso. Ela interfere e sofre a interferência do seu entorno. No mar agitado, ela busca o farol; no meio dos ruídos, busca os sinais. A experiência e a tradição nos ajudam a lidar com as contradições, as diferenças, os extremos e as incertezas. A escola não é a inimiga, e tampouco os professores; somos parceiros das famílias na formação humana e cidadã de seus filhos, pautada nos valores cristãos, católicos e agostinianos.

Que os estudantes, ex-estudantes, famílias, professores e funcionários do Colégio Santo Agostinho, com suas vidas e valores possam testemunhar a seriedade e idoneidade dos nossos centros educativos.

Fonte: 247

Entre as centenas de campanhas publicitárias natalinas que percorrem a tevê e a internet nesta época do ano, o anúncio de uma marca de licores espanhola está dando o que falar. O vídeo da Ruavieja sublinha, de modo comovente, como a correria com as nossas tarefas e a onipresença das novas tecnologias tomam o lugar da nossa convivência com as pessoas que amamos.

A produção do vídeo reuniu de surpresa sete duplas de amigos e parentes com muita estima uns pelos outros. “Para ser sincero, acho que ele é o único amigo que tenho. Amigo de verdade”, diz no vídeo Juan Pedro, amigo de Juan Luis. Jone, por sua vez, diz ao amigo Raúl: “Dá para dizer que a minha vida mudou graças a você”. “Se você não estivesse por aqui, não sei o que faria sem você”, diz María Jesús ao filho Ramón.

Logo, eles reconhecem que não se veem tanto quanto gostariam. “Sempre houve a incerteza de quando nos veremos de novo”, diz Juan Pedro. “É a distância. Ele mora em Barcelona e eu em Madri”, explica María Jesús. No vídeo, o psicólogo Rafael Santandreu, que conduziu a conversa com as duplas, explica que nosso cérebro está programado para não pensar no tempo que nos resta. “Assim, temos a sensação de que sempre teremos a oportunidade de fazer as coisas que nos fazem felizes”, diz ele.

“O contato com as pessoas com quem nos importamos está se transferindo para as redes sociais. Como consequência, cada vez passamos menos tempo com as pessoas que amamos e mais tempo olhando para telas”, diz o vídeo. Em seguida, Santandreu conta que é possível calcular quanto tempo cada dupla ainda passará junta, com base em dados como a idade de cada um e a frequência com que se veem. Quando ele revela os números, a reação é comovente.

“É muito pouco”, diz, chorando, María Jesús, vendo que lhe restam 81 dias e 6 horas com o filho, que afirma: “Esperava anos, não dias”. “Que terrível, hein?”, exclama Juan Luis ao saber que passará mais 3 dias e 6 horas com o amigo. “Não pode ser verdade”, diz Ana, amiga de Silvia, ao ver que, pelos dados, vão passar juntas apenas mais 44 dias e 15 horas. O vídeo ainda compara esses números com dados levantados por pesquisas segundo as quais passaremos 10 anos dos próximos 40 olhando para telas.

No hotsite criado para a campanha, é possível fazer o cálculo e descobrir quando tempo você ainda vai passar com as pessoas que ama, inserindo a sua idade, a do seu amigo ou parente e a frequência com que se veem. Clique aqui e confira.

Produção

Os realizadores do vídeo, Telmo Pagalday e Kerman Romeo, trabalharam durante dois anos na produção – que teve mais de 6 milhões de visualizações no YouTube em menos de três dias. “O vídeo fala de um tema que todos conhecem. Isso é o que impactou as pessoas”, avaliam eles. Os participantes foram selecionados através das redes sociais e não tinha muita ideia do que aconteceria na produção.

Eles participaram das entrevistas sem saber que era para um anúncio e sem saber que estavam sendo filmados. “Estávamos filmando e – uau! – de repente víamos os câmeras emocionados, a equipe chorando”, contam os realizadores, que também ficaram impactados com as histórias. “Agora Juan Pedro e Juan Luis nos escrevem por Facebook para dizer que estão se vendo mais”, divertem-se.

Fonte: Sempre Família 

Veja o vídeo em espanhol abaixo.

O presidente francês Emmanuel Macron soltou nesta semana uma afirmação que misturou observações corretas com extrapolações preconceituosas e infundadas:

“Eu sempre digo: me apresentem a mulher que tenha recebido uma perfeita educação e que tenha decidido ter 7, 8 ou 9 filhos. Por favor, me apresentem a garota que decidiu abandonar a escola aos 10 anos para se casar aos 12. Isto só acontece porque muitas meninas não foram educadas adequadamente, às vezes porque esses países decidiram que os direitos dessas garotas não eram exatamente os mesmos dos rapazes. Isto não é aceitável”.

A parte desta mistura de afirmações que gerou imediata reação de famílias do mundo todo foi aquela que, a partir de alguma premissa gratuita e sem fundamento real, “concluiu” que a causa da existência de famílias numerosas seria a falta de educação.

As respostas

As respostas vieram acompanhada de fotos autoexplicativas e da hashtag #PostcardsForMacron, ou seja, “cartões postais para Macron”.

Veja algumas abaixo

@EmmanuelMacron Eu tenho diploma de bacharel em comunicação social e pós-graduação em Relações Públicas e Marketing e trabalhei em tempo integral durante 18 anos. Eu tenho seis filhos. #postcardsformacron.

#PostcardsforMacron Advogada, 12 filhos, genro e 2 netos. Tanto AMOR! Tanta ALEGRIA!

#postcardsformacron Mãe e pai médicos obstetras e ginecologista. E sim, são 8 filhos

Formada na Universidade de Seattle, na Universidade Pacific e na Universidade de Syracuse. Eu sou fascinada pelas minhas sete crianças, todas planejadas e bem cuidadas #postcardsforMacron

Aleteia

 

Como ensinar nossos filhos a ter uma visão crítica não é simples. Ao tentar fazer isso, enfrentamos uma missão dupla: criar filhos com critério próprio, mas que ao mesmo tempo sejam obedientes. No entanto, o problema é mais relativo às formas do que ao conteúdo.

Na prática, a autoridade dos pais pode ser um meio para a aprendizagem libertadora. Além disso, existem técnicas que podem ser colocadas em prática para incentivar a formação do critério próprio nas crianças. As conversas, os debates e as experiências cotidianas são indispensáveis.

Treinando a opinião própria

Qualquer espaço em comum é útil para treinar o critério próprio. “O que você achou das torradas?” ou “por que você gostou do filme?” são boas opções para começar. A pergunta é um meio de informação que alimenta quem pergunta e também quem responde.

Cada resposta pode levar a outra pergunta. Esse tipo de conversa pode se concluir em um questionamento que a criança vai fazer a si mesma. A posição do adulto nesse tipo de conversa com a criança é como se fosse um guia.

No entanto, essa condução do pai ou da mãe não deve ser dirigida ao que se espera da criança. O exercício deve ser mais voltado à exploração, a fim de voltar o olhar às preferências e aos comentários da criança.

Pais que escutam

Não se trata apenas de perguntar e argumentar, mas, sim, de saber escutar.  Isso pode ser um problema para alguns pais que querem impor sua opinião ou seu critério. Devemos nos lembrar de que esse tipo de aprendizagem não tem um único caminho. Portanto, a criança deve ter a chance de escolher.

Por isso, o correto é escutar com atenção as opiniões, os gostos e as análises das crianças. E, se a partir de uma exposição ela nos permitir explorar mais, será muito melhor. Depois, haverá mais tempo para conversas sobre valores.

Tudo isso nos leva a uma terceira questão: ter um bom critério e serenidade antes de julgar. Nós, os pais, pensamos que sabemos tudo e que devemos intervir sempre. Às vezes, no exercício desse poder, nos esquecemos de parar por um momento e analisar as coisas.

Ensinar nossos filhos a ter uma visão crítica é dar liberdade

Todos nós nascemos livres, mas as crianças têm guardiões da sua liberdade: os pais. Os pais devem considerar que são guias desse livre arbítrio, não donos dele. Portanto, a liberdade é a base para forjar o caráter próprio das crianças e para ajudá-las a ter sucesso na vida.

Desde a chegada da geração dos millennials, os psicólogos infantis recomendam conceder cotas de liberdade às crianças.  Trata-se de uma margem de participação, um âmbito de recreação livre, espaços para levar em consideração as opiniões das crianças.

 “Coletividade que não sabe pensar não pode viver”
—Concepción Arenal—

No entanto, o compromisso dos pais não para por aí. Esses espaços devem se ampliar com o passar do tempo. Não existe ninguém melhor do que um pai ou uma mãe para conhecer os progressos dos seus filhos. É quase uma fórmula matemática: quanto maior o critério, mais acesso à liberdade.

Há pais que manipulam seus filhos

Autoridade e obediência não devem ser sinônimos de manipulação. Perante uma situação extrema, temos broncas, castigos e outros condicionamentos psicológicos. Mas ser pai e mãe não significa esperar que nossos filhos pensem exatamente como nós pensamos.

Há muitos pais que recorrem à manipulação e ao medo para ensinar seus filhos. Esse tipo de prática é muito comum, por exemplo, em divórcios, separações ou custódias compartilhadas. Frequentemente, a criança é utilizada para atingir o outro.

Com o passar do tempo, as crianças crescem e se dão conta de muitas coisas. Além disso, o hábito de ensinar nossos filhos a ter uma visão crítica implica respeitar a liberdade deles. Com isso, obtemos um desenvolvimento correto da pessoa que está em processo de crescimento.

Permitindo o erro

O erro é aprendizado e isso se aplica também às crianças. O bom senso se constrói na tentativa, no erro e na reaprendizagem. Se não permitimos que uma criança cometa erros com sua forma de pensar, então não vamos favorecer o desenvolvimento de uma visão crítica.

Os gritos e as frases exageradas só vão ferir emocionalmente as crianças. Assim só conseguiremos uma criança egocêntrica, calada e censurada. Por esse motivo, ensinar nossos filhos a ter uma visão crítica implica permitir que se expressem.

Há situações nas quais podemos permitir que nossos filhos tomem suas próprias decisões. Por exemplo, ao comprar um doce, um brinquedo ou até mesmo em algum assunto relativo à própria casa. Permitir essa experiência vai nos ensinar se nossos filhos são bons observadores e como podemos estimular esse espírito crítico tão importante para eles.

(via Sou mamãe)

Minha filha de 12 anos sempre me pergunta se ela pode ter um perfil no Instagram. Eu digo que vou pensar, pois ela nem tem celular. Por isso, qualquer ação neste sentido teria que ser a partir do meu telefone e sob minha supervisão. Seria um bom jeito de introduzi-la no mundo das redes sociais, mas ainda mantendo limites e vigilância. 

Tenho tentado me convencer disso. No entanto, ontem, quando ela se preparava para uma festa do colégio, vi como ela fazia um penteado atrás do outro, examinando criticamente cada um antes de suspirar com reprovação e começar novamente. Naquele precioso momento, decidi que ela não ia ter um perfil no Instagram, embora todos os seus amigos tenham.  

Eu odeio ser aquela mãe que diz não, porque é a minha filha que tem que sofrer as consequências da minha decisão. As amigas dela parecem que a enxergam como um E.T. quando ela diz que não tem celular nem Instagram ou Snapchat. Ela está sempre fora dos jogos e dos grupos de mensagens. Eu odeio isso. Odeio que seja porque eu tenha dito não. 

No site Her View From Home, Whitney Fleming escreveu um post sobre este mesmo sentimento, ou seja, sobre a solidão que acompanha a mãe que diz não:

Você sente solidão quando é uma mãe que diz não em um mundo que sempre parece dizer sim. E não é só com as redes sociais. Pode ser sobre os limites de horários ou sobre as festas de pijama… Ser a única mãe que diz não, independentemente do motivo, pode trazer consequências para seu pré-adolescente ou adolescente.

Uma amiga do bacharelado me chamou para dizer que ela foi a única mãe entre 20 que disse que a filha dela não ficaria em uma festa do pijama unissex. Por isso, o grupo a deixou antes do habitual para que ela não alterasse os seus planos.

Outra amiga também me disse que foi ridicularizada por não permitir que seu filho de 16 anos viajasse de férias ao México sem nenhum adulto.

Criar os filhos mais velhos é um equilíbrio delicado. Você quer que eles sejam independentes, mas um erro pode mudar a trajetória da vida deles. Você quer que seu filho ou filha seja aceito(a) por seus pares, mas não ao preço de colocar a segurança deles em risco. Você quer que eles sejam dignos de confiança, mas sabe que ainda não pode confiar plenamente neles.

Em última instância, minha decisão de não permitir que Sienna tenha uma conta no Instagram foi por dois motivos. Primeiro: quero protegê-la da pressão pela busca de um corpo perfeito, que deriva do fato de todos verem o mundo através de retoques e filtros.

A pressão é muito forte para as adolescentes. Foi forte já na minha adolescência, quando nem existiam as redes sociais… O Instagram funciona como uma panela de pressão, aumentando a intensidade das expectativas sociais e criando uma desconexão muito maior entre a realidade e a perfeição dramatizada que aparecia nas revistas de moda da minha adolescência. 

Segundo: não quero oferecer-lhe as tentações para as quais ela ainda não está pronta. Seja a tentação de olhar as coisas que não deve ou a de se juntar à crueldade das meninas que pressionam outras para se sentirem melhores. É preciso um tempo para que ela desenvolva e fortaleça seu caráter antes de sair enfrentando tentações e pressões. 

Detesto o fato de ela ter que pagar socialmente o preço pelo meu não. Mas, ao mesmo tempo, sei que é um preço menor do que ela pagaria se eu dissesse sim. E este é um equilíbrio que eu estou mais do que disposta assumir, independentemente da solidão que nós duas teremos que sentir. 

Calah Alexander

O Instituto Nacional de Estatísticas e Estudos Econômicos (Insee, em francês) publicou nesta semana um estudo que mostra que seis a cada dez crianças nasceram fora do casamento na França em 2017, um recorde europeu. No total, 59,5% dos nascimentos não seguiram a lógica matrimonial

O número de nascimentos fora do casamento se multiplicou por dez desde os anos 1960 – em 1965, eles eram apenas 5,9%. Já em 2007, essa taxa subiu para 50,7%.

Os dados apontam que a frequência é maior nos departamentos e regiões ultra-marítimas (83,6%), no oeste (72,3%) e no centro (75,9%) da França. Já em Paris, apenas 47% dos pais não estavam casados na hora do nascimento.

Esse é o caso de apenas alguns países da União Europeia, como Portugal (52,8%), Espanha (45,9%), Reino Unido (47,7%), Bélgica (49%), ou Alemanha (35%). No extremo oposto estão a Grécia, com apenas 9,4% de casais que não se casaram antes de terem um filho, seguida por Croácia (18,9%), Chipre (19,1%) e Polônia (25%).

A evolução dos costumes foi acompanhada pela legislação francesa, que, desde 2016, não estabelece em seu Código Civil a distinção entre crianças “legítimas” (pais casados) e “naturais” ou “ilegítimas”.

Antes dos anos 1980, os casais também não esperavam o casamento para ter uma criança, mas era frequente a “regularização da situação” ao propor um matrimônio durante a gravidez

Uma parcela da sociedade francesa, que não aprova as profundas mudanças de comportamento no país, pede um retorno dos hábitos tradicionais. Isto é: que somente os casais heterossexuais tenham acesso à troca de alianças e também que ela ocorra antes da concepção dos filhos.

Criada durante o debate da adoção da lei que permitia o matrimônio aos casais homossexuais, o movimento Manif pour tous (“Manifestação para todos”, em oposição a “Casamento para todos”) mobiliza os franceses mais conservadores e também é contra o aborto, prática legal na França.

Fonte G1

Algumas pessoas sonham com um relacionamento sem conflitos, mas isso não é necessariamente saudável: pode ser um sinal de dependência emocional ou psicológica excessiva, ou de que um dos parceiros está sempre concordando com o outro.

Na verdade, conflitos e desentendimentos provam que a relação tem vitalidade. O trabalho, as crianças, os parentes e o dinheiro são todos tópicos que podem provocar debates acalorados. Mas os desentendimentos também são oportunidades para vocês se conhecerem e se amarem mais profundamente. Seja qual for a fonte do conflito, é importante saber como navegar esses desentendimentos, mantendo a relação intacta.

Mais importante do que a causa real da discussão, que pode ser grande ou pequena, é o impacto que um conflito tem nos parceiros. Para ajudá-lo a decidir sobre um plano de ação, pense em sua situação em termos de advertência de avalanche: baixo risco, risco em certas áreas, risco em várias áreas, alto risco e risco muito alto – para o relacionamento. Para evitar ser levado pela avalanche, aqui estão as estratégias para cada nível de risco – para ajudá-los a passar pelo conflito enquanto fortalecem seu relacionamento:

Baixo risco: corrigir imediatamente

Se um pequeno erro resulta em sentimentos feridos, um beijo e uma desculpa sincera muitas vezes podem ser suficientes para corrigir. Evite provocações ou brincadeiras. Basta dizer: “Desculpe-me”. Existem poucas frases tão eficazes quanto essa!

Risco em certas áreas: tome medidas preventivas

Alguns parceiros evitam completamente o conflito. Outros tendem a falar tudo no calor do momento e correm o risco de machucar o outro com palavras irritadas. Se você se encontra no extremo ou em algum lugar no meio disso, uma reunião semanal pode ajudar a facilitar a comunicação construtiva.

Sabendo que todas as noites de sexta-feira, por exemplo, eles revisitarão coisas que surgiram durante a semana, pode dar segurança aos cônjuges. Tais reuniões podem ser usadas para discutir a próxima semana, fazer planos para o fim de semana e lidar com o conflito ou uma amargura do passado. Não é necessariamente fácil – agendar esta reunião semanal regular pode exigir sacrifício – mas pode valer a pena. É um esforço que permite que você se refresque todas as semanas, trabalhe os mal-entendidos, perdoe um ao outro… Uma vez que você tiver um hábito melhor de comunicação, você pode ser mais flexível com os tempos de reunião.

Risco em várias áreas: use as ferramentas de comunicação

Assim como evitamos tocar um motor até ele esfriar para não nos queimarmos, também devemos evitar abordar o conflito quando as emoções são calorosas. Pare e defina um tempo para revisitar a situação. Antes de lidar com o conflito como um casal, tire um tempo sozinho para ouvir seus próprios sentimentos, aceitando todos: raiva, desgosto, rejeição, frustração, tristeza, falta de compreensão, decepção, espanto… Também faça um balanço de qualquer necessidade de descanso não atendido, apoio, compartilhamento, compreensão etc.

Espere até que ambos se sintam calmos e receptivos antes de voltar a conversar. Se o seu parceiro ficar quieto, faça perguntas abertas para atrai-lo para a conversa. Lembre-se de que cabe a você assumir a responsabilidade por suas necessidades. Às vezes, o simples passo de nomeá-las pode criar mudanças positivas.

Compartilhe seus próprios sentimentos e experiência e pergunte ao seu parceiro qual a perspectiva dele(a). Evite declarações acusatórias contra a outra pessoa. Ao invés disso, use frases como “Eu acho que… Eu sinto… Do meu ponto de vista…”. Esta abordagem convida ao diálogo e à troca genuína.

Uma vez que ambos os parceiros se sentem ouvidos e entendidos, mude para a ação. Tendo em conta suas respectivas necessidades, quais as decisões necessárias para resolver esse conflito? Como você pode evitar um conflito semelhante no futuro?

Alto risco: dê um passo para trás

Se você está enfrentando um grande desacordo, primeiro determine se é um conflito de valores ou um conflito de necessidades. Conflitos de valores são particulares para as pessoas envolvidas. Eles se relacionam com você e sua história pessoal e muitas vezes exigem que um ou ambos os parceiros revisem alguns critérios. Exemplos desse tipo de conflito: “Meu marido se recusa a usar um colete no casamento da prima Clara”. “Minha esposa se recusa a deixar nossa filha furar as orelhas”, ou “Ela deixa a nossa filha usar maquiagem aos 13 anos”. Há muito drama envolvido nesses tipos de conflitos, particularmente se eles tocam valores pessoais.

Reconhecer que nossos pontos de vista diferem é um grande passo que requer objetividade e abertura mental. Um ou ambos precisam fazer concessões; certifique-se de que nem sempre é o mesmo parceiro que concede, e que ambos estão fazendo esforços para se adaptar. Se possível, tente transformar um compromisso em um ato de amor. Fazer sacrifícios um pelo outro pode realmente fortalecer o vínculo matrimonial, se for feito de bom grado e com amor; como seres humanos, quanto mais nos sacrificamos para investir em algo – incluindo um relacionamento –, mais nos identificamos com ele e nos comprometemos com seu sucesso.

Muito alto risco: agir imediatamente

Se você está profundamente deprimido, desencorajado e ferido, e você acha que a conversa não te leva a lugar algum, procure ajuda profissional. Conselheiros matrimoniais ou terapeutas de casais podem fornecer ferramentas e conselhos para ajudá-los a sair de uma situação difícil. É uma boa ideia procurar ajuda antes que a situação se torne insuportável.

Insultos repetidos e/ou violência física não são simplesmente desentendimentos ou conflitos: são incidentes de abuso. Se você estiver nessa situação, registre a ocorrência ou ligue para serviços de emergência para obter ajuda imediata. O suporte está disponível para ajudar a tomar as decisões certas para você e para a segurança de seus filhos.

Autor: Bénédicte de Dinechin

A meio século da publicação da Humanae vitae (25 de julho de 1968), um estudo reconstrói a gênese do documento com o qual o Papa Paulo VI condenou a contracepção artificial. O resultado dessa pesquisa histórica é o livro La nascita di un’enciclica [O nascimento de uma encíclica. imagem acima] (Libreria Editrice Vaticana, 288 páginas), assinado por Gilfredo Marengo, professor de Antropologia Teológica no Pontifício Instituto João Paulo II, que, em virtude de uma permissão especial do Papa Francisco, examinou os documentos dos Arquivos Vaticanos, trazendo à luz fatos inéditos.

Monsenhor, por que sentiu a necessidade de um estudo tão aprofundado sobre a Humanae vitae?

Como se sabe, estamos diante de um dos documentos eclesiais mais debatidos e contestados. Nestes anos, convenci-me de que muitas dessas críticas dependem, senão exaustivamente, pelo menos em grande parte de conjecturas sobre o processo seguido na elaboração da encíclica. Por isso, acredito que um estudo rigoroso, centrado nas fontes conservadas nos Arquivos Vaticanos, pode contribuir para restaurar as intenções reais de Paulo VI.

O senhor também considera que a Humanae vitae, na memória coletiva, foi achatada na sua estigmatização à pílula, fazendo com que se perca de vista aquela urgência pastoral de acompanhamento dos casais tão sentida por Montini e expressada por ele na terceira e última parte do texto?

O papa, em consciência, considerou que devia condenar a contracepção artificial, mas, ao mesmo tempo, estava ciente da dificuldade de recepção de tal pronunciamento. Ele sentia a complexidade para os casais cristãos de acolher esse juízo moral sobre a pílula. Não por acaso, no ditado da encíclica, está muito claro como Montini se esforçou em convidar os fiéis a refletir, a entender as razões de uma proibição que, nas suas intenções, não era e não devia ser uma mortificação da sexualidade e do amor, mas sim um objetivo positivo a ser alcançado com um percurso de acompanhamento.

O “não” de Montini à pílula se justifica apenas de um ponto de vista moral ou os Arquivos Vaticanos também mostram algo mais?

Os documentos nos entregam um papa fortemente preocupado com as políticas de birth control patrocinadas pelas agências internacionais nos países africanos em desenvolvimento, que, naqueles anos, saíam do colonialismo. Chegavam continuamente até ele cartas das nunciaturas apostólicas daqueles territórios nas quais se denunciavam essas atitudes. Infelizmente, o fato de ter reduzido a Humanae vitae apenas ao juízo moral sobre a contracepção artificial ofuscou a grande intuição de Montini, que previra a dramática desnatalidade dos nossos dias. A reivindicação moral e a reivindicação voltada a combater a queda demográfica caminhar de mãos dadas nele.

Contestado pelos ambientes progressistas por ter removido o tema da pílula do debate conciliar e por não ter dado prosseguimento às indicações liberais elaboradas pela comissão ad hoc, deve-se reconhecer a Paulo VI o fato de ter se recusado a considerar a Humanae vitae como infalível. Quem pressionava para encerrar de uma vez por todas o debate na Igreja sobre a contracepção?

As pressões vinham principalmente dos ambientes da Cúria ligados à Tradição. Os mesmos setores pelos quais foi elaborada, depois, entre 1967 e 1968, a De nascendae prolis. Um documento que, apesar de alguma antecipação da imprensa publicada nos últimos dias, não abria de modo algum à legalidade da pílula. Seu redator, o padre dominicano Mario Luigi Ciappi, no máximo estava preocupado em preparar uma sólida estrutura doutrinal em apoio da procriação como fim primário do matrimônio, rejeitando, consequentemente, na verdade de maneira definitiva mais do que infalível, a contracepção artificial e sem assumir um forte perfil pastoral do texto.

Como se explica o fato de Montini não querer deixar no debate conciliar um tema tão delicado como o da pílula?

Paulo VI, durante o Vaticano II, sempre sentiu a urgência de salvaguardar e mostrar ao exterior uma Igreja unida, em vez de dividida em várias posições. Com a Gaudium et spes, o Concílio afirmou, pela primeira vez, por um lado, que, se se quiser descrever o matrimônio, é preciso partir do amor entre os cônjuges; por outro, que a paternidade responsável é um valor e não uma concessão, como havia sido entendida por Pio XII no seu “Discurso às parteiras”. Chegou-se a esses resultados após um duro e denso debate entre os bispos, que convenceu Paulo VI do fato de que, com muita probabilidade, pôr como tema um juízo sobre os métodos de regulação dos nascimentos criaria fortes divisões entre os Padres conciliares.

No fim, ele decidiu e foi contra as orientações da comissão especial sobre a pílula e da maioria dos bispos, como também demonstra, no seu pequeno âmbito, o resultado da sondagem de 1967.

A clareza de juízo que Montini havia amadurecido sobre o problema convenceu-o a proceder em uma direção diferente da que, de vários modos, a maioria daqueles que ele havia consultado lhe sugeriu. Certamente não foi uma decisão fácil, mas ele a tomou com grande serenidade, embora ciente de que isso o exporia a reações críticas fortes, como de fato aconteceu.

Hoje o senhor acha que há margens para uma atualização da encíclica?

Não se trata de “atualizar a encíclica”, mas de valorizar o seu ensinamento, à luz de tudo aquilo que, nesse meio século, a vida eclesial amadureceu sobre os temas fundamentais do matrimônio e da família, de João Paulo II ao atual papa. Pessoalmente, considero profética a decisão tomada por Paulo VI em 1968. Os conteúdos da Humanae vitae provavelmente ainda precisam ser mais bem acolhidos e compreendidos.

Fonte: Pacem in Terris, 25-07-2018.

Quando pergunto aos casais qual é o vínculo mais forte e indestrutível que os mantêm juntos, geralmente recebo a mesma resposta: as crianças. E, claro, isso faz sentido. Mas… se fosse realmente forte e indestrutível, por que ainda existe tanto divórcio?

Portanto, não são as crianças que nos mantêm unidos, mas nossa capacidade de amor e compromisso mútuo, de autodoação e de permanecer uma prioridade um para o outro. As crianças são fruto do nosso amor e uma enorme benção. Mas, infelizmente, para muitos casais, esse amor – o mais puro dos amores – não é suficiente para combater o egoísmo e evitar o divórcio.

Deixe-me explicar. As crianças são o presente mais belo que a vida pode nos dar e, é claro, temos que amá-las incondicionalmente e dedicar nosso tempo, esforço e tudo mais para elas. Mas não podemos descuidar da pessoa que deve ser a nossa principal prioridade, mesmo acima dos nossos filhos: nosso cônjuge.

A intimidade na vida conjugal vai muito além de um mero encontro sexual. Isso significa nos permitir nos conhecer verdadeiramente como somos, desde a alma. Isso significa comunicar nossos espíritos sem medo de ser julgado porque só existe amor entre nós e sentimos que podemos nos abrir completamente. Significa deixar nossos corações dialogarem, muitas vezes sem palavras. A ideia é que nosso relacionamento como marido e mulher seja o mais íntimo de todas as relações humanas.

Então, eu vou te pedir para voltar no tempo, para aqueles anos na escola, na sua aula de matemática quando você aprendeu sobre a adição. Eles pediram que você colocasse dois círculos juntos, ligeiramente sobrepostos. Havia uma interseção, um campo que ambos os círculos tinham em comum, e isso poderia ser tão grande ou tão pequeno quanto sua proximidade permitia. Quanto mais longe, menor é o vínculo. Quanto mais próximo, maior o vínculo.

Mas essa interseção é precisamente onde a nossa vida conjugal é vivida: é tudo o que temos em comum. Se tentamos fazer tudo o que pudermos para nos unir no amor, no respeito, na compaixão, no serviço mútuo, no perdão, na fé, no compartilhamento de alegrias e tristezas, sucessos e fracassos, nosso vínculo será bem nutrido, o que significa que teremos uma sólida e impenetrável cidade murada.

Mas se cada um de nós faz o que fazemos com nossa própria vida, separando-nos de nosso propósito comum, que é tornar-se feliz e ser o caminho para a realização um para o outro, então caímos no egoísmo e nossas prioridades de vida são diferentes ou não coincidem. E todos nós sabemos como isso acaba.

E podemos ver isso na epidemia de divórcios em casamentos de ninhos vazios. Estes são casais que perderam o caminho, que se esqueceram disso antes de se tornarem pais, eles eram um casal. Eles se tornaram pais e então se esqueceram de ser esposos, amigos, enamorados, confidentes, parceiros, companheiros na jornada.

Os anos passam, e pouco a pouco eles têm cada vez menos coisas em comum, porque eles pararam de alimentar seus laços como um casal. As crianças, o único vínculo que os mantêm juntos, não estão mais em casa. Agora eles são dois estranhos perfeitos – emocionalmente falando – vivendo sob o mesmo teto, comendo na mesma mesa e dormindo na mesma cama. E, é claro, uma vez que esse sentimento de “duas solidões juntas” não é agradável, eles se separam. Ou pior ainda, eles se divorciam, acreditando que essa é a solução.

Eu insisto, para que nossa intimidade cresça, e para que nosso vínculo se torne cada vez mais forte, precisamos alimentá-lo todos os dias através de detalhes, compartilhando atividades e gostos, falando palavras de afirmação, e assim por diante. Acredite, é muito mais simples do que parece. Aqui estão alguns pontos a considerar:

  • Para nutrir nosso vínculo conjugal, pense mais sobre seu cônjuge e menos sobre seus próprios gostos e preferências.
  • Conheça suas necessidades emocionais e o que você pode fazer para se encontrar mutuamente.
  • Conheça as áreas de intimidade que existem e trabalhe para nutrir cada uma delas. Eu vou compartilhar alguns que o Dr. Chapman menciona em seu livro Covenant Marriage: Building Communication & Intimacy:
    • A intimidade intelectual: compartilhar pensamentos, experiências, desejos ou ideias que o estimulam. Por exemplo, compartilhar um bom livro que acabei de ler e aquele filme fabuloso que me impressionou.
    • A intimidade emocional: isso significa compartilhar nós mesmos, nossos sentimentos e emoções. É quando nos abrimos e participamos do que sentimos e convidamos o outro a fazer o mesmo.
    • A intimidade espiritual: é o que um indivíduo pode compartilhar sobre seu relacionamento com Deus e como isso nos convida a refletir sobre o significado da vida. Por exemplo, compartilhar e refletir sobre as leituras da missa dominical.

É importante cuidar da nossa intimidade como um casal, porque será o veículo que alimenta nosso vínculo. Se estiver bem alimentado, nada será capaz de destruí-lo, não importa quão forte a tempestade, ou quantas crises atingirem nossa casa. E também se torna tão forte que nenhum terceiro poderá entrar. Lembremos que uma terceira pessoa só pode entrar quando há espaço suficiente entre os dois.

Luz Ivonne Ream